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Entrega de terras da União a indígenas para solucionar conflitos fundiários é defendido por Eloy Terena

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Na quarta audiência de conciliação sobre as cinco ações que discutem a constitucionalidade da Lei do Marco Temporal (14.701/2023) para demarcação de Terras Indígenas, realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 23 de setembro, em Brasília, o secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, defendeu a criação de um programa com prazos e orçamento para efetivar a entrega de terras para povos indígenas e um calendário de indenizações aos ocupantes para resolver os conflitos fundiários em curso no país.

A audiência foi convocada pelo ministro Gilmar Mendes para ouvir nove especialistas indicados pelos membros da câmara de conciliação. O intuito era esclarecer dúvidas da própria comissão, criada em agosto, após vários ataques e escalada de conflitos ocorridos com mais intensidade contra grupos de indígenas que iniciaram processos de retomada, a partir de julho deste ano, em territórios tradicionalmente ocupados nos estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná.

O secretário acrescentou o Fundo Indígena dos Biomas, projeto desenvolvido ao longo de 2023 pelo MPI, como forma de apoiar iniciativas indígenas exitosas. Ele também reforçou a necessidade de aperfeiçoamento da legislação para os povos indígenas, uma vez que o Estatuto do Índio data de 1973 e precisa ser aprimorado a partir de uma discussão feita com os povos indígenas.

Mecanismo

A fala do secretário ocorreu após a exposição de Nelson Jobim, ministro aposentado do STF; Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa; e Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça. O último mencionou uma iniciativa que ocorreu, em torno de 2013, quando a situação de conflito fundiário entre os Guarani Kaiowá e os ruralistas demandou intervenção da União, que mobilizou uma caravana ao município de Douradina-MS para autoridades conhecerem a realidade de uma das áreas mais críticas em relação aos conflitos fundiários no Brasil.

Aragão relatou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fundou uma comissão para cuidar do conflito fundiário e elaborou a possibilidade de desenvolver um sistema de arrendamento das terras pela União aos fazendeiros e demais ocupantes que estavam em território indígena.

O ex-ministro acrescentou que o desembargador Sérgio Martins, coordenador do grupo do CNJ, deixou um relatório com mais de 100 páginas sobre a iniciativa no estado e sugeriu recuperar o trabalho sobre a situação dos Guarani Kaiowá com vistas a transferir recursos da União para o Mato Grosso do Sul pagar as indenizações.

Por sua vez, o governador do estado, Eduardo Riedel, elogiou a sugestão vinda do ex-ministro Aragão e afirmou que uma porção expressiva dos problemas no MS têm origem na falta de um cronograma nítido sobre os pagamentos de indenizações. 

Responsável por conduzir a segunda sessão da Câmara de Conciliação sobre a lei do marco temporal do Supremo Tribunal Federal (STF), o juiz auxiliar do gabinete do ministro Gilmar Mendes, Diego Viegas Veras, citou que há, por exemplo, 72 terras da União no MS. 

“A ideia do ministro Gilmar Mendes é que o resultado final da câmara seja um documento jurídico que contemple possibilidades, uma espécie de anteprojeto de lei que, mediante interesse das partes, haverá soluções elencadas”, comentou Veras.

Estado pluriétnico

Em seu discurso, Eloy Terena reforçou que eventuais iniciativas para resolver os conflitos fundiários precisam seguir a mesma linha da Constituição de 1988, um marco da inauguração do estado pluriétnico no Brasil, que reconheceu o conjunto de dimensões étnicas diferentes dentro do mesmo estado e deixou de lado a relação estatal de assimilação dos indígenas.

Conforme dados do Diário Oficial da União (DOU) apresentados na audiência, atualmente, o Brasil possui 798 Terras Indígenas, sendo que 534 foram homologadas pela presidência da República, 155 estão em fase de identificação pela Funai, 44 contam com Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Funai e 65 foram declaradas pelo Ministério da Justiça.

*Com informações do Ministério dos Povos Indígenas

Brasil e França se unem para fomentar pesquisa em biodiversidade amazônica

Foto: Antonio Pereira/Capes

A cooperação científica entre Brasil e França ganha importante reforço em iniciativas voltadas para a biodiversidade e a sustentabilidade na Amazônia. Na sequência das reuniões do grupo de trabalho do G20 de Pesquisa e Inovação, que aconteceram na última semana em Manaus (AM), Brasil e França estreitam a sua parceria.

Uma comissão mista estratégica prevê ações conjuntas para os próximos três anos. Esta é uma ferramenta que a França desenvolve unicamente com parceiro de grande importância científica.

Leia também: ‘Pacote de Manaus’: entregas envolvem florestas tropicais, biodiversidade e energia limpa

Composto por representantes de ministérios brasileiros e franceses, instituições de ensino superior e de pesquisa e agências de financiamento dos dois países, a comissão vai trabalhar em torno de quatro temas prioritários: 

  • Biodiversidade, meio ambiente, estudos climáticos, observação da Terra;
  • Matemática, inteligência artificial, engenharia, computação de alto desempenho;
  • Saúde; 
  • Ciências sociais, patrimônio cultural, lei e regulamentação, desigualdade e inclusão.

Quatro acordos foram assinados entre os dois países, dos quais dois com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e um com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), instituições brasileiras vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, reforça a importância de reafirmar a cooperação.  “Refletem os desafios globais que nossas sociedades enfrentam e para os quais a França e o Brasil recorrem à ciência a fim de encontrar respostas conjuntas”, disse.

Os projetos serão liderados pelo ministério do Ensino Superior e da Pesquisa e pelo Ministério da Europa e das Relações Exteriores, do lado francês, e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Ministério da Educação, do lado brasileiro.

Centro Franco-Brasileiro de Biodiversidade Amazônica

O centro entrou em operação dia 20 de setembro e tem por objetivo promover a pesquisa conjunta no campo da biodiversidade nos estados da Amazônia brasileira e na Amazônia francesa, incluindo os pesquisadores e instituições dos dois países. Organizado de forma virtual, sem uma sede física, o Centro servirá de apoio à formação e ao reforço das competências científicas na Amazônia e à realização de projetos de pesquisa.  

Do lado francês, 700 mil euros já foram alocados ao Centro que prevê a construção de uma rede de excelência entre universidades, institutos de pesquisa e outras iniciativas de pesquisa dos dois países. Um conselho binacional e um conselho científico são os órgãos de direção do centro, composto por igual número de franceses e brasileiros.  

O Centro será dirigido por dois codiretores, um francês, Gilles Kleitz, Diretor Científico do IRD, Instituto Francês de Pesquisa e Desenvolvimento; e um brasileiro, Henrique Pereira, Diretor do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), baseado em Manaus, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O Centro trabalhará com temas prioritários que serão definidos mais em detalhe durante a primeira reunião, mas que contemplarão: Biodiversidade, bioeconomia, saúde, sustentabilidade e mudanças climáticas.  

França e Brasil têm longo e rico histórico de cooperações acadêmicas e científicas. A primeira reunião da Comissão Estratégica Mista Brasil-França de Cooperação em Ciência, Tecnologia e inovação e a entrada em operação do Centro franco-brasileiro de biodiversidade  Amazônica vêm ao encontro dos objetivos expressos pelos presidentes Lula da Silva e Emmanuel Macron, na visita deste ao Brasil, em março deste ano. Vizinhos, os dois países compartilham uma parte do bioma amazônico e se preparam a aprofundar ainda mais o compartilhamento de saberes e informações.

“O desenvolvimento da cooperação científica entre o Brasil e a França está alinhado com o desejo comum de nossos dois países de encontrar respostas para os desafios de nosso tempo. Rica em história e excelência, a cooperação científica e universitária franco-brasileira é multidisciplinar. Nos campos das ciências da vida, da agronomia, do meio ambiente, das ciências humanas e sociais e das ciências da saúde, nossos dois países, por meio de suas instituições, estabeleceram parcerias de qualidade e renome”, destacou o embaixador Emmanuel Lenain. 

*Com informações do MCTI

Educação técnica auxilia agricultores na Amazônia à melhorar produção e renda

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Foto: Reprodução/Senar

O agronegócio é responsável pela produção de soja, milho, carne bovina e de ave, frutas e outros produtos, além das iniciativas que promovem soluções para a produção ambientalmente sustentável na Amazônia. Mas como tem sido a formação dos agricultores?

Um dos responsáveis, por exemplo, é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que leva educação profissional e assistência técnica ao homem do campo, com o objetivo de ajudar o agricultor a melhorar sua produção e aumentar a renda. 

O fruticultor André Pessoa, de Itacoatiara, no Amazonas, trabalha há 20 anos como produtor de abacaxi. Ele conta que sua experiência com o Senar no Amazonas é positiva, por ter aprofundado seu aprendizado sobre os gastos e também a importância da análise de solo. 

Foto: Reprodução/Senar

De acordo com o Senar, essas análises são recursos necessários para otimizar o processo dos trabalhadores rurais, como é o caso de André Pessoa.

Desafios

A equipe técnica do Senar lista uma série de desafios que enfrenta na mudança de mentalidade dos produtores em enxergar a atividade rural como um negócio:

  • Dificuldades na comercialização e registro (SIM, SIE, e SIF);
  • Falta de visão empresarial, o que dificulta a priorização e expansão;
  • Falta de capital para investir na ampliação da atividade e na aquisição de equipamentos de manejo.

Segundo o Serviço, é essencial que os técnicos mostrem na prática as ações benéficas na área do agro, como a troca da abelha rainha em uma fazenda de apicultura, por exemplo.

Essas e outras curiosidades e informações sobre o universo do agronegócio na Amazônia fazem parte do programa Amazon Sat Agro. Assista completo:

Duas escolas = 41 curtas: assista as produções do Pipoca em Cena 2024

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Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

O projeto ‘Pipoca em Cena’ encerra sua 10ª edição, realizada entre 9 e 21 de setembro de 2024, com um saldo positivo e surpreendente: 41 curtas produzidos.

Realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), o projeto ofereceu oficinas de cinema aos alunos de duas escolas em Manaus (AM), IV CMPM – Escola Estadual Áurea Pinheiro Braga e CMPM VIII – Escola Estadual Coronel Pedro Câmara, desde a criação do roteiro até a finalização da produção.

Assista as produções completas feitas pelos estudantes que participaram do projeto:

21 curtas do CMPM IV – Escola Estadual Áurea Pinheiro Braga

20 curtas do CMPM VIII – Escola Estadual Coronel Pedro Câmara

Sobre o Pipoca em Cena

A décima edição do Projeto Pipoca em Cena, da Fundação Rede Amazônica (FRAM), tem o apoio institucional da Globo Filmes; Policia Militar do Amazonas; Secretaria de Estado de Educação e Deporto Escolar (SEDUC); e o apoio da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC); Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC) e Governo do Amazonas.

Tecnologias de saneamento rural vão impulsionar produção sustentável em municípios do Maranhão

Foto: Flávia Bessa

Cerca de 24 milhões de brasileiros ainda sofrem com o problema crônico e grave da falta de saneamento básico. O Maranhão está entre os 24 estados que precisam ampliar seus investimentos em saneamento básico (cerca de 8,66 vezes a mais), segundo levantamento do Instituto Trata Brasil realizado em 2020, para atingir a meta de universalização até 2033. Na área rural, essa situação se exacerba.

Para trazer informação transformadora, a Embrapa Cocais e a Embrapa Instrumentação (São Carlos – SP) realizaram capacitação sobre Tecnologias de Saneamento Básico Rural nos dias 17 e 18 de setembro. O evento foi realizado no Instituto Formação, no bairro Maracanã, em São Luís, para agentes multiplicadores, como extensionistas, técnicos, agrônomos, engenheiros, biólogos, profissionais da área de meio ambiente, saúde e educação, e ainda gestores públicos e estudantes de nível superior, etc.

A capacitação englobou:

  • conteúdo teórico e prático sobre dados de saneamento básico rural;
  • conceitos básicos do tratamento de esgoto e parâmetros físicos-químicos-biológico;
  • Fossa Séptica Biodigestora;
  • Jardim Filtrante;
  • Clorador Embrapa;
  • transferência de tecnologia
  • e políticas públicas e ainda relatos de casos de sucesso de parcerias Embrapa.

Essa é uma das ações de multiplicação do conhecimento previstas dentro do projeto Voa Maracanã, que é uma iniciativa da Vale com parceria da Embrapa e execução por parte do Instituto Formação em São Luís para transferir tecnologia para agricultura familiar. O projeto abrange também o município de Itapecuru, onde a execução está à cargo da Estação Conhecimento da Vale.

Segundo o analista João Zonta, coordenador do projeto, já foram realizados cursos sobre Roça Sustentável, hortas e Sisteminha. A ideia é capacitar agentes e famílias multiplicadoras para irradiar o conhecimento tecnológico no território. “O primeiro dia do evento da semana passada foi dedicado à parte teórica e o segundo, à prática, momento em que foram instaladas as URTs da Fossa Séptica Biodigestora e do Clorador Embrapa. Em um próximo momento, as URTs serão instaladas em Itapecuru. Foi uma semana muito proveitosa”.

Para o analista Carlos Renato Marmo, da Embrapa Instrumentação, ministrante do treinamento, desde o início os trabalhos de Pesquisa & Desenvolvimento no tema seguiram premissas como: tecnologias simples, de eficiência adequada e facilmente replicáveis; necessidade de poucos insumos externos e custos de instalação e manutenção acessíveis; harmonização dos sistemas de tratamento com o ambiente; reciclagem segura de nutrientes e água na agricultura e fácil adaptação à rotina da propriedade agrícola e apropriação pelo agricultor.

As três tecnologias validadas – Fossa Séptica Biodigestora, Clorador Embrapa e Jardim Filtrante – hoje estão sendo disseminadas em todo o território nacional. “A experiência foi muito interessante, tanto para mim como para os participantes, que estão agora capacitados para transferir esse conhecimento na região. As URTs serão usadas para dias de campo, visitação em geral e divulgação das tecnologias. Me sinto honrado em fazer parte desse processo”. Carlos Renato também ministrou duas palestras, uma no Instituto Federal do Maranhão – IFMA e outra na Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, para apresentar essas tecnologias para estudantes.

A diretora do Instituto Formação, Regina Cabral, destaca que o projeto Voa Maracanã visa a melhoria de renda e de vida de moradores do  Maracanã.

Ieda Valente, da comunidade Alegria Maracanã, disse estar bastante empolgada com as perspectivas a partir do treinamento nas tecnologias da Embrapa. “Veja como uma mudança na vida da nossa comunidade, ao podermos fazer nosso saneamento básico e cultivar alimentos para nosso consumo e comercialização. Estamos muitos entusiasmados e alegres. E tudo isso graças às tecnologias da Embrapa”.

Conheça as tecnologias

Fossa Séptica Biodigestora

Tecnologia que trata o esgoto do vaso sanitário (a água com urina e fezes humanas), de fácil instalação e custo acessível, produz um efluente que pode ser utilizado no solo como fertilizante (recomendado para plantas perenes). Substitui a chamada “fossa rudimentar”, não gera odores desagradáveis, não procria ratos, moscas, baratas e evita a contaminação do lençol freático. O sistema básico, dimensionado para uma residência com até 5 moradores, é composto por três caixas interligadas e a única manutenção é adicionar mensalmente uma mistura de água e esterco bovino fresco (5 litros de cada).

A solução é uma alternativa frente à falta de saneamento básico em algumas regiões rurais, o que afeta diretamente a saúde do morador do campo; evita a contaminação do solo e da água consumida pelos moradores (os resíduos não chegam ao lençol freático e aos rios que abastecem as cidades), além da proliferação de doenças.

Jardim Filtrante

É um pequeno lago impermeabilizado, que contém pedras, areia e plantas aquáticas, com manutenção muito simples, para tratamento do esgoto proveniente de pias, tanques e chuveiros, ricos em sabões, detergentes, restos de alimentos e gorduras – a chamada “água cinza”. Foi adaptado pela Embrapa para complementar o uso da Fossa Séptica Biodigestora e do Clorador Embrapa, tecnologias desenvolvidas para o saneamento básico rural.

Contribui com a sustentabilidade do meio ambiente ao evitar o descarte de esgoto não tratado, bem como permitir a reutilização da água para irrigação de lavouras, lavagem de pisos e janelas, uso no vaso sanitário, entre outras, ou mesmo o descarte de maneira adequada. O sistema possibilita ainda harmonia paisagística, pelo uso de plantas ornamentais.

Clorador Embrapa

Tecnologia simples, de baixo custo e fácil instalação, desenvolvida para clorar a água do reservatório (caixas d’água) das residências rurais. Pode ser montado pelo próprio morador, com peças adquiridas em lojas de material de construção e deve ser instalado entre a entrada de captação de água e o reservatório da residência. Auxilia a descontaminação da água, reduzindo o risco de a população rural ser exposta a doenças como a hepatite, diarreia, tifo, giardíase e outras.

*Com informações da Embrapa

Fotógrafo revela ‘bolaines’ no Rio Madeira

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Foto: Rosinaldo Machado

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Rosinaldo Machado, dono de um acervo de mais de 120 mil registros fotográficos acumulados ao longo de mais de cinquenta anos em Rondônia, afirma que nunca presenciou uma situação semelhante à atual no Rio Madeira. “Vários trechos estão secos”, observa.

Apesar do cenário preocupante, as imagens capturadas são esteticamente impressionantes. “Cada foto é uma poesia, apesar do tema triste”, comenta a artista plástica Angella Schilling. Alguns comparam as imagens aos ‘bolaines’ – buracos misteriosos encontrados nas praias do Mar Morto, no Oriente Médio.

Machado utiliza sua profissão como uma forma de ativismo ambiental. Além de registrar a seca atual, ele se dedica ao tema há décadas. Anualmente, o fotógrafo acompanha a soltura de quelônios no Vale do Guaporé, na fronteira do Brasil com a Bolívia, e participa das atividades culturais ribeirinhas no distrito de Nazaré, no baixo Rio Madeira. Essa vivência o deixa indignado com a situação atual, “que é causada pelas pessoas. Não é um fenômeno fortuito”, afirma.

Há dez anos, ele fotografou a histórica cheia do Madeira, atribuída ao aquecimento global, que causou enormes prejuízos à região. Agora, o problema é a falta de água. No último sábado, 21 de setembro, Machado registrou uma série de imagens impactantes na altura do povoado de Belmont, em Porto Velho. A paisagem parecida com as praias do Mar Morto é impressionante. Desde 1967, quando a região começou a ser monitorada, não se via uma seca tão severa.

A menor marca no Madeira foi registrada nesta segunda-feira, 23, com o rio atingindo apenas 25 centímetros, o que interrompeu as operações portuárias. A esperança é que, em outubro, a situação melhore parcialmente. O porto da capital escoa para exportação cerca de 200 mil toneladas por mês de grãos, mas a meta para o próximo mês é reduzir esse volume pela metade. “Se chover”, ressalva a Sociedade de Portos e Hidrovias de Rondônia (Soph/RO).

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

‘Pacote de Manaus’: entregas envolvem florestas tropicais, biodiversidade e energia limpa

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Foto: Diego Galba/MCTI

A ‘Declaração de Manaus’ aprovada por consenso na reunião ministerial do Grupo de Pesquisa e Inovação do G20 e divulgada na quinta-feira (19), em Manaus (AM), consolidou nove entregas. O conjunto de medidas foi chamado de ‘Pacote de Manaus’. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) coordenou o trabalho.

O G20 é um fórum multilateral que reúne os países responsáveis por cerca de 85% do PIB global. É um grupo heterogêneo formado por nações do Norte e do Sul Global. Matsumoto explica que dadas essas características, não é tão simples de convergir e, por isso, “trazer consensos é muito importante”. Ele lembra ainda que as medidas adotadas no âmbito do G20 fortalecem as ações entre os países que integram o fórum e tem repercussão global. “Esses resultados mudam a vida de pesquisadores, de pessoas que utilizam dados científicos”, complementou.

Além de uma estratégia para promover a cooperação em inovação aberta, e de  recomendações sobre diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade em ciência, tecnologia e inovação, o Grupo de Trabalho realizou um seminário internacional sobre desafios e oportunidades de pesquisa e inovação sobre Amazônia e florestas tropicais.

As entregas também contemplaram a efetivação de uma chamada para financiar pesquisas sobre florestas tropicais realizada em parceria com o Belmont Forum; a iniciativa para a facilitar o cadastro de informações sobre biodiversidade na plataforma global GBIF; e a disponibilização de bases de dados sobre tecnologias e políticas de inovação para energia limpa, ambas publicadas pela Agência Internacional de Energia (IEA).

Energia limpa 

A partir de uma requisição do GT de Pesquisa e Inovação, a IEA elaborou um compêndio de políticas nacionais de inovação em energia limpa para transição energética justa e uma base de dados interativa composta por mais de 550 projetos de tecnologias individuais e componentes que envolvem todo o sistema energético. Acesse o guia de tecnologias e o guia de políticas de inovação em energia limpa publicados.

Biodiversidade 

O G20 e o Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade (GBIF) estabeleceram um processo para facilitar a catalogação de espécies e expansão de bases de dados abertas de biodiversidade.
Uma das entregas é um programa de Informação sobre Biodiversidade para o Desenvolvimento, financiado pela União Europeia, que oferece bolsas para instituições como pequenos museus ou organizações da sociedade civil, para que organizem os dados disponíveis e disponibilizem na plataforma aberta GBIF.

Florestas tropicais 

A chamada de ação colaborativa de pesquisa ‘Florestas tropicais: implicações globais e ações prementes’, que recebe propostas até 12 de novembro deste ano, é uma parceria entre o Belmont Forum e G20. O edital envolve apoio de 19 fundações de fomento, entre as quais estão dez fundações estaduais de amparo à pesquisa do Brasil. A chamada está voltada para ações nas bacias da Amazônia, do Congo na África e de Borneo-Mekong, no Sudeste Asiático com abordagem transdisciplinar.  Leia os detalhes da chamada e submeta sua proposta aqui.

*Com informações do MCTI

G20 Amazônia: colaborações acadêmicas impulsionam inovação e sustentabilidade global

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Foto: Camila Barbosa/INPA

Na vanguarda das iniciativas internacionais voltadas para o desenvolvimento sustentável, a Amazônia ocupa um papel central, não apenas como um vasto ecossistema de importância mundial, mas também como um laboratório natural para a cooperação acadêmica. No encerramento do Seminário Internacional do G20 sobre Amazônia e Florestas Tropicais, representantes de instituições de pesquisa ressaltaram a importância das colaborações interinstitucionais no avanço de soluções para desafios científicos, tecnológicos e ambientais.

Sob a coordenação de Nicole Arbour, diretora do Fórum Belmont, o painel sobre cooperação acadêmica reuniu especialistas de renome como:

  • Jaime Alberto Barrera García, subdiretor cientifico do Instituto Amazônico de Investigações Científicas (SINCHI) da Colômbia;
  • Dalila Andrade Oliveira, diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
  • Denise Pires de Carvalho, presidente da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES);
  • e Max Bergman, professor de Investigação Social e Metodologia da Universidade de Basel (Suíça).

O debate centrou-se nas estratégias eficazes para ampliar redes de pesquisa e fomentar projetos conjuntos, promovendo não apenas o avanço científico, mas também o desenvolvimento socioeconômico da região.

Colaboração transnacional: o futuro da pesquisa na Amazônia

Amazônia é o lar de uma rica biodiversidade e recursos naturais. Contudo, o desmatamento, as mudanças climáticas e a pressão socioeconômica desafiam a sustentabilidade da região. Nesse cenário, as colaborações acadêmicas emergem como um fator chave para mitigar esses impactos e promover o uso sustentável dos recursos naturais.

“O Instituto SINCHI, na Colômbia, tem sido fundamental na construção de redes de cooperação com outras nações amazônicas”, explicou Jaime Barrera García.

“Estamos trabalhando para fortalecer a capacidade científica e tecnológica, ao mesmo tempo em que desenvolvemos soluções aplicáveis que impactam positivamente as comunidades locais e a biodiversidade”, finalizou.

Iniciativas brasileiras de internacionalização científica

No Brasil, instituições como o CNPq e a CAPES desempenham papéis fundamentais na promoção da internacionalização da ciência. Programas de fomento a projetos de pesquisa em parceria com instituições estrangeiras e apoio à formação de pesquisadores brasileiros no exterior são algumas das ações implementadas.

Dalila Andrade Oliveira, diretora do CNPq, apresentou as iniciativas brasileiras para promover a internacionalização da ciência. Ela destacou o papel do CNPq no fomento a projetos de pesquisa em parceria com instituições estrangeiras e no apoio à formação de pesquisadores brasileiros no exterior.

“A cooperação internacional é essencial para o avanço da ciência no Brasil, especialmente em áreas estratégicas como a Amazônia”, ressaltou Dalila.

Ela também apontou a necessidade de uma maior atenção para a disparidade regional na distribuição de recursos para a pesquisa no Brasil, com a região Norte, onde está localizada a maior parte da Amazônia, recebendo uma proporção muito menor de bolsas e financiamentos. “Precisamos de políticas que reduzam essas desigualdades e promovam o desenvolvimento científico de maneira mais equilibrada”, concluiu.

Denise Pires de Carvalho, presidente da CAPES, apresentou as ações da instituição para fortalecer a pós-graduação na Amazônia. Denise ressaltou o papel da CAPES na avaliação e financiamento de programas de mestrado e doutorado em todo o Brasil, destacando o crescimento recente dos cursos de pós-graduação na região Norte.

Ela também enfatizou a internacionalização como uma das prioridades da CAPES. Nosso objetivo é fortalecer parcerias com instituições de ponta em todo o mundo, trazendo novos conhecimentos e tecnologias para o Brasil”, afirmou.

Desafios globais e locais

Max Bergman, professor da Universidade de Basel, trouxe uma visão crítica sobre os desafios enfrentados pela ciência na Amazônia. Para ele, a cooperação acadêmica precisa ir além da pesquisa descritiva, focando em soluções práticas que possam ser aplicadas diretamente no território amazônico.

“Não basta apenas estudar os problemas da Amazônia, é preciso buscar soluções que envolvam as comunidades locais e outros atores, como o setor privado. A ciência tem que ser aplicada de maneira prática para ter impacto real”, defendeu Bergman.

“A cooperação científica entre os países amazônicos e outros parceiros internacionais é um pilar para o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidências”, concluiu Nicole Arbour. “Somente através do trabalho conjunto conseguiremos enfrentar os desafios que ameaçam a Amazônia e, por extensão, o planeta”.

*Com informações do MCTI

Justiça condena quatro pessoas a pagar R$ 11 milhões por desmatamento em Boca do Acre, no Amazonas

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Foto: Divulgação/Polícia Federal

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal condenou quatro pessoas por danos ambientais florestais e climáticos ocasionados pelo desmatamento ilícito em áreas inseridas no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Antimary, em Boca do Acre, no Amazonas. Os valores a serem pagos pelos condenados em indenizações somam mais de R$ 11 milhões. 

A área de desmatamento consolidado totalizava 13.921,98 hectares até 2018, com diversos registros de Cadastros Ambientais Rurais (CARs) sobrepostos ao PAE Antimary. Além da obrigação de recuperação da região degradada e proibição de utilizar a área, os quatro réus deverão pagar indenização por danos materiais, indenização por danos climáticos e indenização por danos morais coletivos.

Calculados de acordo com a área de cada CAR e a quantidade de liberação de equivalência em dióxido de carbono (CO2e) – medida que expressa a quantidade de gases de efeito estufa em termos equivalentes da quantidade de dióxido de carbono (CO2), levando em conta o potencial de aquecimento global –, os valores somam mais de R$ 11 milhões em indenizações a serem pagas.

Segundo critérios de cálculo apresentados pelo MPF à Justiça, o desmatamento ilegal das quatro CARs resultou na emissão de aproximadamente 400 mil toneladas de gás carbônico entre os anos de 2011 e 2020, o que representaria 9,6% das emissões de gases de efeito estufa relacionadas a mudanças do uso da terra em Boca do Acre, concorrendo de forma direta para o agravamento das mudanças climáticas.

PAE Antimary

O PAE Antimary é área de propriedade e interesse da União, gerida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), destinada à implementação da Política Nacional de Reforma Agrária e tradicionalmente ocupada por comunidades tradicionais – extrativistas de castanhas, dentre outros produtos florestais não-madeireiros.

O MPF monitora o PAE desde 2018, quando da criação da Força Tarefa Amazônia, em função de notícias que, desde 2016, chegavam ao órgão relatando invasões e desmatamento dentro da área pública, com destaque para o abate de castanheiras utilizadas por comunidades tradicionais da região.

De acordo com o MPF, o PAE Antimary vem sendo alvo de constantes atos de grilagem, loteamento, desmatamento, queimadas e intensos conflitos fundiários, inclusive com expulsão compulsória de beneficiários do projeto.

Em 2019, acatando recomendação do MPF, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) promoveu o cancelamento de todos os CARs então incidentes sobre o PAE Antimary que não fossem titularizados por beneficiários vinculados ao PAE, já que o projeto de assentamento, por sua modalidade, não admite divisão em lotes, destinando-se ao exercício coletivo de atividades extrativistas.

Consulta processual

*Com informações do MPF

Agência Nacional de Águas declara situação de escassez hídrica na Bacia do Tapajós, no Pará

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Alter do Chão em Santarém. Foto: Bruno Cruz/Agência Pará

Durante a 916ª Reunião Deliberativa Ordinário da Diretoria Colegiada, realizada em 23 de setembro, a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) aprovou a proposta de Declaração de Situação de Escassez Quantitativa de Recursos Hídricos no trecho baixo do rio Tapajós, compreendido entre as cidades de Itaituba e Santarém, no Pará, até 30 de novembro. A medida visa a aumentar a segurança hídrica da região e mitigar os impactos dos baixos níveis dos rios sobre os usos da água.

De acordo com os institutos de climatologia, a precipitação acumulada na bacia do rio Tapajós de outubro de 2023 a agosto de 2024 foi caracterizada por chuvas abaixo da média, tendência que continua no atual período seco.

As anomalias negativas de chuva afetaram os níveis do rio do Tapajós, especialmente no trecho entre Itaituba (PA) e Santarém (PA), onde as vazões atualmente estão abaixo dos mínimos observados no histórico. Como resultado, os usos da água estão sendo impactados, especialmente aqueles que dependem de níveis adequados nos corpos hídricos, como a navegação e as estruturas de captação.

O transporte aquaviário desempenha um papel crucial no desenvolvimento econômico e social da região amazônica, particularmente na Hidrovia do Baixo Tapajós. A carga transportada em 2023 foi de cerca de 14,6 milhões de toneladas, o equivalente a 11% da carga total transportada em vias interiores, destacando-se milho (45%) e soja (45%). Além de possibilitar o escoamento de cargas, os rios são as principais vias de acesso para muitas comunidades amazônicas, permitindo o deslocamento para serviços essenciais como saúde e educação.

Leia também: Seca histórica do Rio Madeira afeta transporte de cargas em Porto Velho

Segundo a Lei nº 9.984/2000, que dispõe sobre a criação da Agência, compete à ANA “declarar a situação crítica de escassez quantitativa ou qualitativa de recursos hídricos nos corpos hídricos que impacte o atendimento aos usos múltiplos localizados em rios de domínio da União, por prazo determinado, com base em estudos e dados de monitoramento”.

Os cenários hidrometeorológicos para este ano indicam a possibilidade de serem atingidos níveis ainda mais críticos em setembro e outubro com impacto sobre os usos, razão pela qual a proposta de Declaração de Situação de Escassez Quantitativa de Recursos Hídricos no trecho do Baixo Tapajós foi aprovada com o objetivo de aumentar a segurança hídrica da região e mitigar os impactos dos baixos níveis dos rios sobre os usos da água. 

Além disso, a declaração busca comunicar à população a gravidade da situação de seca na região, permitir que instituições gestoras e diferentes usuários de recursos hídricos no rio Tapajós adotem medidas preventivas para mitigar os impactos nos diversos usos da água e sinalizar aos usuários que a ANA, se necessário, poderá alterar regras de uso da água e adotar outras medidas.

Declaração de escassez hídrica

Esse instrumento foi utilizado pela primeira vez em 2021 na Região Hidrográfica do Paraná, por meio da Resolução ANA nº 77/2021. Naquele cenário, a RH do Paraná – que ocupa 10% do território brasileiro, abrangendo áreas de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Distrito Federal – vinha acumulando chuvas abaixo da média, impactando negativamente os volumes armazenados nos reservatórios.

Essa situação colocou em risco o atendimento dos usos múltiplos da água, especialmente a geração hidrelétrica, o que poderia comprometer todo o Sistema Interligado Nacional e a navegação. Por isso, a ANA emitiu a primeira Declaração de Escassez Hídrica. 

*Com informações da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)