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Iniciativa Amazônia+10 divulga resultado final da chamada Expedições Científicas; veja a lista

Foto: luis deltreehd/Pixabay

Iniciativa Amazônia+10 divulgou no dia 2 de dezembro o resultado final da chamada Expedições Científicas, lançada em novembro de 2023 pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foram selecionados 22 projetos ao todo, 14 deles com participação de pesquisadores apoiados pela FAPESP.

O conjunto de propostas aprovadas está orçado em aproximadamente R$ 76 milhões, financiados por 19 Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), pelo CNPq e por agências estrangeiras, como UK Research and Innovation (UKRI), do Reino Unido, e Swiss National Science Foundation (SNSF), da Suíça.

O edital apoiará expedições científicas voltadas à ampliação do conhecimento sobre a sociobiodiversidade e a biodiversidade amazônica. As propostas selecionadas estão alinhadas ao objetivo da chamada: preencher duas lacunas importantes do conhecimento científico sobre a região, uma geográfica e outra taxonômica, além de expandir as pesquisas sobre a diversidade sociocultural dos povos e comunidades tradicionais da Amazônia.

Considerando os 22 projetos, mais de 60 localidades pouco abordadas pela comunidade científica serão estudadas, entre elas terras indígenas, reservas de desenvolvimento sustentável e extrativistas e outras regiões de difícil acesso.

Cada uma das propostas é liderada por cientistas de, pelo menos, duas FAPs ou agências estrangeiras, sendo um deles obrigatoriamente vinculado a instituições de ensino superior e/ou pesquisa com sede nos Estados da Amazônia Legal (Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso). O edital também previa a inclusão na equipe de pesquisa de pelo menos um integrante do grupo conhecido como PIQCT (Povos indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais).

“Estamos na reta final de um processo exitoso, resultado de esforços de articulação das fundações estaduais de amparo à pesquisa, das instituições de ensino e pesquisa, dos pesquisadores e de agências de fomento nacionais e internacionais. Os projetos aprovados vão ampliar o conhecimento sobre a sociobiodiversidade amazônica, com a participação de cientistas locais, em parceria com outros Estados e países”, comenta Márcia Perales, diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Os 22 projetos aprovados contarão com financiamento das agências de fomento (FAPs, CNPq, UKRI e SNSF) por um período de até 36 meses. Cada proposta foi avaliada por equipes de todos os Estados participantes da chamada – os nove da Amazônia Legal, além do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Paraná, São Paulo e Distrito Federal.

Posteriormente, as propostas foram avaliadas por um painel científico formado por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, que classificaram os projetos de acordo com o seu mérito científico. E, por último, as agências financiadoras reuniram-se no âmbito do Comitê Coordenador da Iniciativa Amazônia+10 para definir o financiamento de cada um dos projetos, na tentativa de maximizar o número de propostas aprovadas.

“Ficamos muito contentes por mais este passo da iniciativa. Estamos caminhando no sentido de diversificar os instrumentos de apoio à pesquisa em temas relevantes para a região. Queria parabenizar todas as instituições nacionais e internacionais envolvidas. Foi um trabalho complexo, mas muito estimulante. Na sequência teremos outras iniciativas que, sem dúvida, vão contribuir para fazer avançar a pesquisa sobre os temas da Amazônia e também contribuir para fortalecer as instituições locais”, diz Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP.

A chamada recebeu 191 propostas no total – 25% a mais que o número de projetos submetidos ao primeiro edital da iniciativa, em 2022 –, distribuídas por nove grandes áreas do conhecimento (Ciências Agrárias, Biológicas, da Saúde, Exatas e da Terra, Humanas, Sociais Aplicadas, Engenharias, Linguística, Letras e Artes e outras).

“Este edital reflete o compromisso do Confap em fortalecer a pesquisa científica na região amazônica, incentivando ações colaborativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável e a conservação do bioma. Acreditamos que as expedições resultantes desta iniciativa terão um impacto significativo, proporcionando novas descobertas e soluções inovadoras para os desafios que enfrentamos na Amazônia”, finaliza Odir Dellagostin, presidente do Confap.

As FAPs agora entrarão em contato com os respectivos grupos de pesquisadores contemplados para dar encaminhamento à próxima etapa.

Confira a lista oficial:

1. Vozes da Amazônia indígena: Processos históricos da sociobiodiversidade frente aos desafios do Antropoceno

Fapespa: Helena Pinto Lima – Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)
Fapeam: Filippo Stampanoni Basi – Museu da Amazônia (Musa)
FAPESP: Jennifer Watling – Universidade de São Paulo (USP)
Faperj: Bruna Franchetto – Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ)
FAPDF: Thiago Chacón – Universidade de Brasília (UnB)
UKRI: Manuel Arroyo-Kalin – University College London (UCL)

2. (UKRI-Brazil) Monitoramento participativo dos territórios tradicionais: plataforma digital de coprodução de dados sobre a sociobiodiversidade em áreas amazônicas

Fapespa: Nírvia Ravena – Universidade Federal do Pará (UFPA)
Fapeam: Francimara Souza Costa – Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
Fapema: Marcelo Domingos Sampaio Carneiro – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Faperj: Leandro Freitas – Jardim Botânico
FAPDF: Rebecca Neaera Abbers – Universidade de Brasília (UnB)
FAPESP: Rodrigo Constante Martins – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
UKRI: Benjamin Coles – Leicester University, Reino Unido

3. Inventário e documentação do patrimônio arqueológico de Roraima

Faperr: Ananda Machado – Universidade Federal de Roraima (UFRR)
Fundação Araucária (FAADCT): Luís Augusto Veiga – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

4. Tsiino Hiiwiida: Revelando múltiplas dimensões da biodiversidade de plantas e fungos no Alto Rio Negro

Fapeam: Charles Eugene Zartman – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
Faperj: Domingos Benicio Oliveira Silva Cardoso – Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
UKRI: Sandra Diane Knapp – Natural History Museum
Fapespa: Anna Luiza Ilkiu-Borges – Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)
Facepe: Clistenes Williams Araújo do Nascimento – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
Fapema: Dirce Leimi Komura – Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA)
FAPESP: Denilson Fernandes Peralta – Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA)
Fapesq: Felipe Wartchow – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
FAPDF: Micheline Carvalho-Silva – Universidade de Brasília (UnB)

5. Aruwê: Saberes ancestrais e científicos aplicados à restauração ambiental e produção sustentável na terra Teneterah na Amazônia Maranhense

Fapema: Ligia Tchaicka – Universidade Estadual do Maranhão (Uema)
FAPESP: João Osvaldo Rodrigues Nunes – Universidade Estadual Paulista (Unesp)

6. Uso, conservação e intercâmbio de plantas e saberes entre povos indígenas do Sudeste do Pará

Fapespa: Bernardo Tomchinsky – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa)
FAPDF: Ana Suely Arruda Câmara Cabral – Universidade de Brasília (UnB)

7. Brasil-UKRI: A recuperação da capacidade adaptativa das culturas arbóreas pré-colombianas às mudanças ambientais

Fapeam: Santiago Linorio Ferreyra Ramos – Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
Fapero: Carlos Augusto Zimpel Neto – Universidade Federal de Rondônia (Unir)
FAPESP: Maria Imaculada Zucchi – Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, APTA Piracicaba
UKRI: David Moreno Mateos – University of Oxford, Reino Unido

8. Bioprospecção da biodiversidade amazônica na comunidade Tembé e seu potencial biotecnológico no contexto do desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente

Fapespa: Rommel Thiago Jucá Ramos – Universidade Federal do Pará (UFPA)
FAPESP: Renata Cristina Picão – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Faperj: André Luis dos Santos – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

9. AquaInvert-Amazônia: integrando ciência e saberes locais para conhecer a biodiversidade de invertebrados aquáticos em áreas de altitude da Amazônia

Fapeam: Neusa Hamada – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
Fapespa: Bruno Spacek Godoy – Universidade Federal do Pará (UFPA)
Faperr: Vânia Graciele Lezan Kowalczuk – Universidade Federal de Roraima (UFRR)
FAPESP: Lívia Maria Fusari – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Fapeg: Daniel de Paula Silva – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IFG)

10. Caminhos ancestrais: patrimônio biocultural, pesquisa colaborativa e etnoconservação no corredor de sociobiodiversidade do interflúvio Xingu e Tapajós

Fapespa: Sonia Maria Simões Barbosa Magalhães Santos – Universidade Federal do Pará (UFPA)
Fapeam: Willian Massaharu Ohara – Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
Fapemat: Marina Teofilo Pignati – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)
FAPESP: Mauro William Barbosa de Almeida – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

11. Amazonian BioTechQuilombo – Biodiversidade Amazônica, Avaliação Tecnológica e Troca de Conhecimento com Quilombos

Fapespa: Celso Henrique Leite Silva Junior – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam)
UKRI: Polyanna da Conceição Bispo – University of Manchester
SNSF: Loïc Pellissier – ETH Zurich
Fapeam: Paulo Mauricio Lima de Alencastro Graça – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
Faperr: Nivia Pires Lopes – Universidade Federal de Roraima (UFRR)
FAPESP: Pitágoras da Conceição Bispo – Universidade Estadual Paulista (Unesp)

12. Geodiversidade e Biodiversidade da Serra do Acaraí, fronteira Brasil-Guiana

Faperr: Elizete Celestino Holanda – Universidade Federal de Roraima (UFRR)
Fapero: Ronaldo de Almeida – Universidade Federal de Rondônia (Unir)
FAPT: Etiene Fabbrin Pires Oliveira – Universidade Federal do Tocantins (UFT)
FAPESP: Felipe Antônio de Lima Toledo – Universidade de São Paulo (USP)
Faperj: Alexandre Mello de Paula Silva – Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)

13. Revelando os incógnitos: epífitas, insetos e fungos associados à flora arbórea de várzea na Amazônia Oriental

Fapeap: Marcelino Carneiro Guedes – Embrapa Amapá
Fapespa: Daniel Santiago Pereira – Embrapa Amazônia Oriental
Faperj: Ana Cristina Siewert Garofolo – Embrapa Agrobiologia

14. Inovação em Monitoramento Hídrico na Amazônia: Catalogação e integração de dados de campo a tecnologias emergentes para predição de parâmetros de qualidade de água no estuário da Baía do Marajó-PA

Fapespa: Ailson Renan Santos Picanço – Universidade do Estado do Pará (Uepa)
FAPESP: Luiz Leduíno Salles Neto – Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

15. Fomentando o Empoderamento Comunitário para a Sustentabilidade da Sociobiodiversidade Amazônica: Experiências nos Vales do Guaporé (RO) e Jari (AP)

Fapero: João Gilberto de Souza Ribeiro – Universidade Federal de Rondônia (Unir)
Fapeap: Nubia Deborah Araujo Caramello – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá (Ifap)
FAPESP: Frederico Yuri Hanai – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Fundação Araucária (FAADCT): Irene Carniatto de Oliveira – Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)

16. Ecologia dos espíritos: conhecimentos tradicionais e conservação da sociobiodiversidade na Amazônia

Fapeam: Thiago Mota Cardoso – Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
Fapespa: Eduardo Soares Nunes – Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)

17. Novas fronteiras no registro fossilífero da Amazônia Sul-ocidental

Fapac: Carlos D’Apolito Júnior – Universidade Federal do Acre (Ufac)
FAPESP: Annie Schmaltz Hsiou – Universidade de São Paulo (USP)

18. A onça-pintada como um ativo ambiental: compreendendo as interações com povos tradicionais e promovendo o desenvolvimento sustentável no Amapá

Fapeap: Fernanda Michalski – Universidade Federal do Amapá (Unifap)
Fundect: Gediendson Ribeiro de Araújo – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)
Fapespa: Sheyla Farhayldes Souza Domingues – Universidade Federal do Pará (UFPA)
Fapeg: Mariana Pires de Campos Telles – Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO)
Fapergs: Eduardo Eizirik – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)

19. EcoTaxÔmica: expedições para desbravamento da biodiversidade na Amazônia utilizando genômica e proteômica na caracterização taxonômica molecular e no biomonitoramento da contaminação mercurial

Fapespa: Rafael Rodrigues Lima – Universidade Federal do Pará (UFPA)
FAPESP: Marília Afonso Rabelo Buzalaf – Universidade de São Paulo (USP)
Fundação Araucária (FAADCT): Ângelo Parise Pinto – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

20. Diversidade de flebotomíneos e de espécies de Leishmania em áreas da Reserva Biológica do Gurupi para prevenção e controle das leishmanioses na Amazônia maranhense

Fapema: Valéria Cristina Soares Pinheiro – Universidade Estadual do Maranhão (Uema)
Fundação Araucária (FAADCT): Andrey José de Andrade – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

21. Aproveitamento integral de frutos e tubérculos da região da Amazônia Legal – estratégia para fomentar a bioeconomia, resgate de costumes e redução da insegurança alimentar dos povos originários do estado de Mato Grosso

Fapemat: Maressa Caldeira Morzelle – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)
Fapeal: Moacir Haverroth – Embrapa Alimentos e Territórios
Fapeg: Tatianne Ferreira de Oliveira – Universidade Federal de Goiás (UFG)

22. Sociobiodiversidade: Análise de agentes zoonóticos carreados por espécies cinegéticas na Amazônia Ocidental

Fapac: Cíntia Daudt – Universidade Federal do Acre (Ufac)
Fapergs: Cláudio Wageck Canal – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Fapero: Deusilene Souza Vieira Dall’Acqua – Fundação Oswaldo Cruz Noroeste (Fiocruz Rondônia)

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Bruna Bopp 

Número de resgate de trabalhadores em condição análoga à escravidão é liderado pelo Amazonas

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Foto: Reprodução/Ministério Público do Trabalho

O Amazonas lidera o ranking de trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão no 1º semestre deste ano, conforme aponta um relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado no dia 2 de dezembro pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (Cedoc).

Segundo o relatório, só em 2024, dos 441 trabalhadores resgatados, 100 resgates ocorreram no Amazonas. Eles foram encontrados em condições análogas à escravidão em áreas de desmatamento e garimpo. Em segundo lugar aparece Minas Gerais, com 77 casos, e o Espírito Santo, com 71.

Imagem: Reprodução/CPT

O documento também aponta que as atividades com maior concentração de trabalhadores resgatados foram lavouras permanentes (209 pessoas), seguida do desmatamento (75 pessoas), mineração (70 pessoas), produção de carvão vegetal (44 pessoas) e a pecuária (39 pessoas).

O primeiro semestre de 2024 também apontou que houve uma redução do número de trabalhadores resgatados em condição análoga à escravidão. Até o momento foram 441. Só em 2023, o total contabilizado passa dos 1.300; já em 2022, foram 984.

Já Minas Gerais liderou como o estado com o maior número de trabalho escravo só no primeiro semestre deste ano. De acordo com a CPT, foram 20 dos 59 registrados em todo o país, até o momento.

Amazonas também é o estado que mais desmata

O levantamento também aponta que o Amazonas foi o estado que mais desmatou ilegalmente a Amazônia Legal.

“O estado com maior registro de desmatamento é o Amazonas com 19 ocorrências, seguido por Pará, com 17; Maranhão, com 14 e Rondônia, com 12. As principais vítimas, não apenas nessa região, são comunidades indígenas, seguidas por quilombolas e extrativistas. Ao todo, 37% dos casos de desmatamento ilegal registrados foram em territórios indígenas”.

“Neste ano de 2024, estamos sofrendo muito com as mudanças climáticas em nosso território. Além dos incêndios, os rios estão secos, as pessoas estão sem água. Em alguns locais, o rio é uma lama de tanta destruição com o garimpo. O rio Marupá secou, os rios estão secando mais do que todos os limites de antes. Precisamos lutar por água potável para nosso povo e condições de vida, mesmo com as mudanças climáticas”, finalizou o relatório.

*Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Produtor rondoniense conquista prêmios nas duas categorias do Concurso Nacional do Cacau Especial

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Foto: Reprodução

O produtor de cacau Mauro Tauffer, de Buritis (RO), venceu em duas categorias no Concurso Nacional do Cacau Especial 2024. Este é o segundo ano consecutivo em que Rondônia se destaca na competição. Em 2023, o cacau do estado conquistou o 1º lugar.

A competição foi dividida em duas categorias: ‘Mistura/Blend’, que avalia as amêndoas de cacau provenientes de misturas de híbridos ou variedades genéticas, e ‘Varietal’, que avalia as amêndoas de cacau de uma única variedade genética.

Mauro obteve o 2º lugar na categoria ‘Mistura’ e o 3º lugar na categoria ‘Varietal’. Com a conquista, o produtor levou para casa R$ 15 mil. Outros três produtores de Rondônia também estavam entre os finalistas.

Emocionado, o produtor agradeceu pela conquista e destacou que a vitória é fruto do trabalho e do apoio de todas as pessoas que estão ao seu lado para transformar o cacau de Rondônia em um dos melhores do país.

Produtores do Pará, que já possui tradição no cultivo do cacau, também levaram prêmios de destaque. Confira o ranking de vencedores:

Categoria varietal

1º lugar: Miriam Aparecida Federicci Vieira (PA) – variedade Alvorada 01
2º lugar: Luciano Ramos Lima (BA) – variedade BN34
3º lugar: Mauro Celso Tauffer (RO) – variedade BN34

Categoria blend

1º lugar: Agrícola Cantagalo (BA)
2º lugar: Mauro Celso Tauffer (RO)
3º lugar: Robson Brogni (PA)

*Com informações da Rede Amazônica RO

Especialista explica como as mudanças climáticas afetam os peixes da Amazônia

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Foto: Reprodução/Revista Pesquisa Fapesp

O biólogo Adalberto Val, especialista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), aborda as mudanças climáticas e seus efeitos alarmantes sobre os animais do Rio Negro, um dos ecossistemas mais ricos do planeta, no Amazonas.

Entenda como essas alterações comprometem a biodiversidade aquática e geram reflexos diretos na segurança alimentar das comunidades que dependem dos recursos naturais para sobreviver:

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Empreendedor de Roraima produz bloco plástico reciclado para a construção civil

Foto: Divulgação/PlastBloc

Aliado a estratégias sustentáveis, o plástico pode se tornar a peça-chave para ajudar a natureza e servir como ferramenta para empreendimentos inovadores que enxergam o potencial do material por meio da reciclagem. Foi assim, ao observar a grande quantidade de plástico gerada pelos trabalhadores de uma obra de construção civil, vinda do consumo de refrigerantes nas garrafas PET, que o empreendedor Almir Ribeiro, de Roraima, teve uma ideia que faria a diferença: a utilização do material granulado para compor blocos de construção.

Mas a ideia arrojada precisava de mais investimentos para sua execução e foi nesse momento que o Ribeiro teve conhecimento sobre o Programa Centelha, que visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora no Brasil.

“A importância de ser contemplado no Centelha foi saber que eu poderia contar com a ajuda de um sistema para que eu pudesse colocar o meu projeto em execução. Eu já havia pensado em desistir desse projeto, mas quando eu vi o Centelha e que eu me inscrevi foi muito importante porque eu vi uma condição de desenvolver o tão sonhado projeto”, conta Almir.

Foto: Divulgação/PlastBloc

A parte técnica do projeto era o desafio para atender as especificidades e adequação para uso do material. “Eu não tinha condição de pagar um profissional para poder adequar o material dentro das normas técnicas brasileiras da construção, então o Centelha contribuiu para eu colocar o meu projeto de acordo com essas normas. Estamos fazendo estudos laboratoriais, pois antes eu não tinha condições financeiras para isso”, acrescenta.

O Plasbloc, como foi batizado o novo bloco, é fabricado com cimento, areia, água e catalisador com diferencial no uso do plástico granulado reciclado como agregado graúdo. Além de sua produção envolver matérias-primas recicladas de postos de coleta e de sucatas, o design do bloco tem papel fundamental na eficácia de sua utilização nas construções residenciais, comerciais ou industriais.

“Eu fui um dos pioneiros a criar esse sistema construtivo, um projeto criado há 18 anos, mas somente aqui em Boa Vista eu consegui desenvolver. Foi bastante penoso porque eu não tinha condições financeiras para poder pagar o laboratório para poder desenvolver a liga do material, a resistência da qual a gente precisa”, conta o empresário.

Hoje a empresa é especializada na produção e comercialização de blocos de construção ecológicos fabricados a partir de materiais reciclados. Os blocos são fabricados com foco na redução do impacto ambiental e na promoção da construção sustentável de forma a baratear o custo e promover a rapidez nos processos dentro do canteiro de obras. O carro chefe é o plasbloc com design pensado para otimizar recursos e zerar desperdícios, produzido a partir da reutilização do plástico que iria para o lixo.

Centelha Roraima

O Programa Centelha estimula a criação de empreendimentos inovadores e disseminação a cultura empreendedora em Roraima. A iniciativa oferece capacitações, recursos financeiros e suporte para transformar ideias em negócios de sucesso.

O programa é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Fundação CERTI e, em Roraima, é executada pelo Governo do Estado, por meio, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Roraima (Faperr).

*Com informações da Secom Roraima

Conheça artesã indígena que pintou vestido usado pela cantora Gabriê em prêmio nacional

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Foto: Reprodução

A Região Norte teve uma forte participação no Prêmio Multishow realizado nesta terça-feira (3). A ex The-Voice, Gabriê, esteve presente como participante do corpo técnico e usou uma roupa criada por uma artesã indígena rondoniense exclusivamente para a ocasião.

Shirley Arara, ativista e liderança do seu povo, é a “mente” por trás da obra. Moradora da Terra Indígena Igarapé Lourdes, em Ji-Paraná (RO), ela é fundadora da primeira grife indígena de Rondônia, criada com o objetivo de ressaltar a cultura do povo Arara.

O convite para desenhar a roupa de Gabriê surgiu depois de várias conversas e espera pela oportunidade perfeita. Tudo aconteceu muito rápido: o convite chegou na quinta-feira (28) e no dia seguinte ela recebeu a peça para pintar.

“Foi uma loucura tanto da minha parte como da dela. Loucura dela de ter me dado esse voto de confiança. Loucura da minha parte, porque peguei com um dia a peça pra poder pintar”, revela.
Mas a “loucura” deu certo e levou um pedaço de Rondônia e dos povos indígenas para todo o Brasil. O grafismo, feito no vestido branco, carrega uma mensagem de resistência.

Os acessórios que compõem o look também são de arte indígena, produzidos pelo artesão Tiago Karitiana. Nas redes sociais, a cantora destacou a importância da representatividade.

*Por Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO

Livro registra 310 espécies de aves em Terra Indígena no Alto Rio Negro, no Amazonas

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Foto: Divulgação/Equipe do projeto

Um livro produzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) une conhecimento científico e tradicional indígena sobre a biodiversidade amazônica. A parceria intercultural entre pesquisadores não indígenas e indígenas deu origem a obra ‘Espécies de Aves da Região do Rio Cubate – Terra Indígena do Alto Rio Negro’, guia com o registro de 310 espécies da comunidade indígena de Nazaré do Rio Cubate, no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas

A obra é escrita em Nheengatu, Baniwa e Português. Para cada espécie de ave, a edição traz os alimentos consumidos e o ambiente onde é encontrada. O livro foi produzido em conjunto com a comunidade, Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e Instituto Socioambiental (ISA), como fruto de pesquisa financiada pelo Edital Biodiversa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). 

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Foto: Divulgação/Equipe do projeto

Segundo Ribas, o projeto de reunir o conhecimento sobre as aves avistadas na região surgiu em 2019, a partir de uma solicitação da comunidade indígena de Nazaré do Rio Cubate. A demanda foi feita pelos representantes institucionais Isaías Pereira Fontes (Foirn) e Juvêncio Cardoso, nome não-indígena de Dzoodzo Baniwa (Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri). 

A obra foi desenvolvida dentro do projeto ‘Biogeografia de aves para conservação e desenvolvimento sustentável na Bacia do Rio Negro’ realizado de 2022 a 2024, na região do Rio Cubate financiado pela Fapeam. Além de Ribas, colaboram com a obra o pesquisador do Inpa e curador da Coleção de Aves, Mario Cohn-Haft, e os pesquisadores Fernando Horta e Ramiro Melinski, bolsistas vinculados ao Inpa durante a execução do projeto.

Sete-cores-da-amazônia (Tangara chilensis) chamada de Fitiáka pelos falantes de Nheengatu e Hiitsa pelos falantes de Baniwa. Foto: Priscilla Diniz.
 Foto: Priscilla Diniz

Intercâmbio de conhecimentos

Os comunitários participaram de forma direta na produção do livro em colaboração com cientistas nas diversas fases da iniciativa, indo do levantamento das espécies à tradução do conteúdo para as línguas indígenas. A professora de Língua Indígena e moradora de Nazaré do Rio Cubate, Gracilene Florentino Bittencourt, trabalhou na tradução para o Nheengatu, idioma falado pelos povos indígenas Baniwa, Baré e Warekena. 

A professora conta que estar integrada ao projeto ampliou seus conhecimentos sobre os pássaros que observa na região onde mora e permitiu o aprofundamento de seu conhecimento da língua Nheengatu, falada na comunidade. O processo de tradução foi executado durante um mês por Bittencourt em Manaus usando o aplicativo de teclado de línguas indígenas Linklado, que está entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2024.

Leia também: Pela segunda vez, Teclado Linklado está entre os 10 semifinalistas do Prêmio Jabuti

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 Foto: Divulgação/Equipe do projeto

“A pesquisa reavivou a mitologia, a nossa crença, e que as futuras gerações possam entender que realmente a mitologia local existe. Nossos avós e mães, eles têm essas histórias na mente, mas às vezes não é contada e muito menos escrita, mas através desse livro, muitos jovens e crianças vão poder ler”, completa a professora.

Além das informações científicas de identificação e hábitos, a obra reúne curiosidades e histórias contadas por comunitários sobre as espécies catalogadas.

A professora Gracilene Florentino Bittencourt aponta que a possibilidade de compartilhamento de conhecimentos com os pesquisadores do Inpa vem se somar aos saberes populares da comunidade. 

Uma das aves encontradas na região da comunidade é o Galo-da-Serra (Rupicola rupicola) também chamado de Galu iwitera pura, em Nheengatu; ou Makama, em Baniwa, e foi a partir do avistamento dessa espécie que surgiu o projeto. Dzoodzo Baniwa conta que a parceria das comunidades indígenas de São Gabriel da Cachoeira com o Inpa é antiga e que o trabalho que resultou no livro veio da necessidade da comunidade de Nazaré do Rio Cubate entender sobre a potencialidade e a diversidade de aves daquela região, pensando na atividade econômica de observação de aves. 

Leia também: Galo-da-serra: conheça o pássaro que serviu de inspiração para famosa toada do Boi Garantido

Foto: Ramiro D. Melinski

“A região do rio Cubate apresenta características específicas da paisagem, com vegetação baixa dominada por campina, coloração da água do rio escura, com formação de muitos lagos e solo arenoso. Isso dificulta apontar uma potencialidade associada à agricultura e de recursos florestais não madeireiros. Conversando mais particularmente com os diretores da Associação da Comunidade Indígena do Rio Cubate (AIRC) sobre as particularidades daquela região, relataram que existe um ambiente perto da comunidade frequentado pelas aves, com destaque para o galo-da-serra”, declara.

Para os organizadores da obra, o levantamento das espécies e as oficinas realizadas no contexto do projeto reforçam a missão do Inpa de gerar e sintetizar conhecimentos sobre a biodiversidade da Amazônia. 

*Com informações do INPA

Fotógrafo do Amapá se inspira na região amazônica para exposição

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Foto: Serginho Silva/Arquivo pessoal

Fotografias registradas ao longo de 25 anos na Amazônia através das lentes do fotógrafo Serginho Silva estão expostas em Macapá. A exposição ‘Essência Amazônica’ inicia nesta quarta-feira (4) e segue até sábado (7) no Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), no Centro de Macapá.

A mostra conta com 30 fotos e retrata paisagens naturais dos municípios amapaenses e personagens característicos do contexto amazônico do estado, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

Para o fotógrafo, a exposição destaca a importância da preservação da identidade e cultura amazônidas, além de reforçar que cada imagem carrega a assinatura de quem aprendeu a observar com o coração e a alma da Amazônia amapaense, em composições precisas e cheias de vida.

Sobre Serginho Silva

Fotógrafo Serginho Silva, no Amapá. Foto: Serginho Silva/Arquivo pessoal

Com 35 anos de profissão no audiovisual, Pedro Sérgio da Silva, de 59 anos, é pai de duas filhas. Nascido em Fortaleza (CE), já trabalhou em seu estado natal, no Rio de Janeiro, no Amazonas e adotou o Amapá há quase meio século. Atuou em TVs, agências de publicidade, produtoras e instituições públicas.

*Com informações da Rede Amazônica AP

Ailton Krenak afirma que a educação foi a primeira vítima da crise do clima

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Foto: Paulo Roberto Ferreira/Semec

Numa roda de conversa promovida pela Secretaria Municipal de Educação (Semec) de Belém na tarde desta terça-feira (3), o líder indígena, escritor e ambientalista Ailton Krenak citou Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer e Greta Thunberg para falar dos desafios nos tempos futuros, tanto para a educação como para o planeta Terra.

O encontro no Cine Dira Paes, no Palacete Pinho, reuniu dezenas de professores e técnicos e teve caráter formativo, aproveitando a presença do imortal da Academia Brasileira de Letras, que nesta quarta-feira (4) participa dos ‘Diálogos dos Saberes’, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Krenak afirmou que os ancestrais sabiam viver o tempo presente e nem imaginavam que iríamos viver “a agonia do futuro, que é o sofrimento mental”.

O escritor citou o poema ‘O homem; as viagens’, de Carlos Drummond de Andrade, escrito em 1973, que trata do insaciável desejo do ser humano de conhecer outros planetas, mas a tudo ele descarta. E que a verdadeira viagem que deveria fazer seria para dentro de si mesmo. “Uma parte de nós acredita que, se essa terra se tornar inabitável, podemos ir para outro planeta”, diz Krenak.

E logo em seguida lembrou de Oscar Niemeyer que afirmava que “todos nós tivemos origem junto com os outros animais”. E arremata: “o homem, bicho pequeno na Terra, enjoa da Terra. Quer dizer, enjoa desse planeta magnífico, maravilhoso”.

Krenak prestou homenagem ao líder quilombola Nego Bispo, que viveu no Piauí. “Eu acho maravilhoso alguém que vive uma situação de privação, que sofre racismo, preconceito, segregação e tudo, mas levanta a cabeça e fala, você não pode ter medo de pensar. É maravilhoso, porque pensar é a libertação. Para além de qualquer outra estratégia, primeiro a gente tem que pensar, ter coragem de pensar”.

O líder indígena afirmou que o impacto ambiental que o planeta experimenta aponta para um futuro muito sombrio.

Citou a líder ambientalista sueca, Greta Thunberg, que afirma: “os adultos roubaram o futuro da minha geração”. Ela convocou os seus colegas a não ir para a escola na sexta-feira. Então a semana escolar agora é de segunda a quinta, porque sexta-feira é o dia de fazer protesto. “Quer dizer, ela introduziu uma nova disciplina no currículo, que é protesto”.

Krenak aproveitou para explicar que: “se a gente pensar que vamos criar uma educação de excelência e preparar a próxima geração, isso é uma outra ideologia protelatória. Tipo assim, o planeta quando ficar ruim mesmo, quem vai sofrer com isso não sou eu, são os nossos descendentes. E a outra hipocrisia é dizer que esse período de agravamento do clima no planeta vai ser resolvido”.

Ele prosseguiu dizendo: “se a educação é uma atribuição do mundo adulto, ao transmitir conhecimento para as novas gerações, a fim de darem conta do mundo, a gente falhou. Isso põe em xeque a nossa própria ideia de educação.Tem muita gente convencida ainda de que pode pegar as novas gerações, enquadrar as novas gerações e reproduzir no pensamento das novas gerações as ideologias extravagantes que nos deram sobrevivência até ontem”.

Krenak finalizou lembrando que “a secura dos nossos rios, a mudança dos climas regionais, o desaparecimento de alguns desses ecossistemas que a gente achava que era eterno, agora a gente está vendo que não é. Nós estamos vendo que não é porque temos a possibilidade de fazer o teste vivo, visual. Vocês sentem aqui a mudança da temperatura no corpo”.

*Com informações da Agência Belém

Tocantins tem potencial para produção de insumos agrícolas, aponta estudo do SGB

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Foto: Divulgação/SGB

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) apresenta uma pesquisa sobre o potencial agromineral de Tocantins, destacando alternativas para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. O Informe de Recursos Minerais ‘Avaliação do Potencial Agromineral no Brasil – Área: Estado do Tocantins‘, que é parte do programa Mineração Segura e Sustentável, visa avaliar descartes da mineração ou de depósitos ainda não explorados, que possam ser usadas como fontes de nutrientes para a agricultura.

O estado foi escolhido devido à sua diversidade geológica e por integrar a fronteira agrícola Matopiba (que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), uma das regiões mais promissoras para o agronegócio. Tocantins é destaque na produção de grãos e frutas tropicais, além de abrigar empreendimentos minerários com potencial para o uso de rochas agrícolas.

Foram analisadas 326 amostras de rochas coletadas em diversas áreas do estado. Entre os destaques estão:

  • Garimpos de esmeraldas em Monte Santo: os biotita-xistos, associados às esmeraldas, contêm nutrientes como potássio (K), magnésio (Mg), cálcio (Ca), ferro (Fe), silício (Si) e manganês (Mn).
  • Mineração Rodolita, em São Valério da Natividade: rochas como biotititos e flogopititos são fontes de potássio, manganês, ferro e silício.
  • Basaltos do nordeste do estado (Filadélfia e Palmeiras do Tocantins): essas rochas fornecem nutrientes essenciais, como cálcio, magnésio, potássio, ferro, silício, níquel e manganês.
  • Paragnaisses da Formação Xambioá próximo a Araguaína: os finos do produto da lavagem do pó de brita dos biotita-xistos fornecem potássio, magnésio, cálcio, silício e ferro.

Além disso, há depósitos de rochas fosfatadas e de gipsita, utilizados como fertilizantes, além de pedreiras de calcário, que fornecem produtos para correção da acidez do solo. Essa etapa é fundamental para ser aplicada antes ou junto ao pó de rocha.

Redução da dependência de fertilizantes importados

De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, atualmente o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que usa. Os números indicam que esse quadro de dependência externa deve se manter por um bom tempo. O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado em 2022 pelo governo federal, tem como meta reduzir a importação de 85% para 45% até 2050.

O uso de remineralizadores é uma alternativa sustentável e econômica, capaz de fornecer macro e micronutrientes para o sistema solo/planta na agricultura.

Próximos passos

Embora os dados químicos e mineralógicos confirmem o potencial do Tocantins, estudos agronômicos, em parceria com outras instituições, ainda são necessários para confirmar sua eficiência em diferentes tipos de solos e culturas.

O informe representa mais uma fonte de informações indispensável para a atração de novos investimentos no uso de remineralizadores de solo a partir de descartes da mineração, fornecendo insumos não tradicionais para o setor agrícola, contribuindo para impulsionar as economias regional e nacional.

*Com informações do SGB