Servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará participaram de um intercâmbio no Estado do Acre voltado à troca de experiências sobre recuperação ambiental e sistemas agroflorestais (SAFs). A iniciativa, realizada entre os dias 15 e 29 de novembro, envolveu gestores e técnicos das secretaria de Meio Ambiente do Pará e Acre (Sema Acre), fortalecendo a cooperação técnica entre os dois estados amazônicos.
O intercâmbio, que integra o projeto Amazon Sustainable Landscapes (ASL), contou com apoio de organizações como Conservation International (CI), Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e Cooperação Alemã (GIZ). Os participantes compartilharam estratégias de implementação de Planos Estaduais de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN), ferramentas de monitoramento e metodologias aplicadas à regularização ambiental.
Foram apresentados os planos para recuperação de vegetação nativa dos dois estados, com destaque para a Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu (URTX), no Pará, e o Viveiro da Floresta, no Acre. Os debates incluíram soluções para a produção de mudas e sementes, logística de distribuição e organização de redes regionais, como a Rede de Sementes do Acre.
Foto: Divulgação/Agência Pará
Prioridade
Indara Aguilar, diretora de Mudanças Climáticas e Serviços Ambientais da Semas, destacou que a troca de experiências é importante para a recuperação florestal.
“No Pará, a restauração é prioridade desde o início da gestão do governador Helder Barbalho, com o Plano Amazônia Agora. A partir do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa, lançado no ano passado, a gente tem hoje o primeiro edital aberto de concessão para recuperação florestal da Amazônia. Essa experiência no Acre será fundamental para replicar práticas de sucesso em nosso estado”, disse a gestora.
O coordenador do Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), Cláudio Cavalcante, falou sobre o papel do intercâmbio no fortalecimento das políticas públicas ambientais.
“A troca de experiências nos permitiu compreender práticas exitosas do Acre, como o Viveiro da Floresta e as estratégias de recuperação ativa, que agora poderão ser adaptadas à realidade do Pará”, informou.
Foto: Divulgação/Agência Pará
Os participantes aprofundaram conhecimentos sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA). A Sala de Situação do Acre, uma ferramenta de monitoramento estratégico, também foi apresentada como referência para suporte à gestão ambiental no Pará.
A agenda técnica incluiu visitas de campo a projetos de restauração ativa e propriedades de agricultores familiares beneficiados por SAFs.
A Universidade Federal do Pará (UFPA) emergiu como uma das principais instituições latino-americanas na produção científica sobre biodiversidade, segundo o Relatório publicado pela editora holandesa Elsevier.
O documento Biodiversity research in 2024: a global perspective with focus on Latin America analisou aproximadamente 137 mil artigos publicados, entre 2019 e 2023, em periódicos indexados na base de dados Scopus, revelando que a América Latina respondeu por 11% da produção científica global na área durante o período. A UFPA destaca-se na nona posição geral e como primeira instituição da Pan-Amazônia.
O relatório destaca que o Brasil é o principal protagonista na região, responsável por 43,5% dos artigos publicados. Essa produtividade coloca o país em uma posição de liderança, à frente de outras nações, e reforça sua importância global, figurando como a quinta nação mais prolífica, atrás apenas dos Estados Unidos, da China, do Reino Unido e da Alemanha.
A UFPA se destacou como uma das instituições que mais contribuíram para a geração de conhecimento, refletindo o impacto e a relevância de suas pesquisas na Amazônia.
Além de uma produção quantitativa expressiva, os estudos brasileiros também demonstraram alta qualidade, como evidenciado pelo Índice de Citações Ponderado por Campo (FWCI). Com um FWCI de 1,24, a produção científica sobre biodiversidade no Brasil está acima da média global, indicando que as pesquisas desenvolvidas têm sido amplamente reconhecidas e citadas por outros cientistas.
A pesquisa em biodiversidade na América Latina, conforme o relatório, é notavelmente colaborativa: 51% dos artigos publicados foram resultado de parcerias internacionais, e 8,5% das publicações foram citadas em documentos relacionados a políticas públicas. Esse dado ressalta o papel fundamental da ciência latino-americana na formulação de políticas ambientais e sociais.
“Tal feito é fruto do esforço contínuo de nossos pesquisadores, que, mesmo enfrentando limitações de recursos financeiros e equipamentos, têm alcançado resultados significativos. Também é importante ressaltar o fortalecimento da nossa pós-graduação, que coloca a UFPA entre as quatro principais universidades brasileiras em número de programas de pós-graduação. Ainda há muito a ser feito, mas conquistas como esta indicam que estamos no caminho certo”, avalia o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva.
A biodiversidade da América Latina, especialmente da Amazônia, possui um valor incomensurável. A região abriga uma vasta porção das florestas tropicais do mundo e uma rica variedade de espécies. Contudo enfrenta desafios críticos, como a perda de 94% da vida selvagem, registrada entre 1970 e 2024, segundo o WWF.
Um projeto de investimento público para recuperação de ecossistemas degradados no âmbito geográfico do corredor Andes-Amazônia, que envolve as regiões Amazonas e Cajamarca, no Peru, será executado pelo Ministério do Meio Ambiente (Minam) no primeiro semestre de 2025.
A informação foi relatada pelo diretor geral de Diversidade Biológica do Minam, Mirbel Epiqué, que explicou que esta iniciativa permitirá a recuperação dos territórios desses departamentos. Neste sentido, disse que no âmbito da execução será promovida a constituição de um banco de sementes florestais autóctones, de forma a fortalecer os processos de restauração das florestas locais.
Acrescentou ainda que esta ação conjunta envolve entidades públicas, setor privado, sociedade civil, universidades e atores sociais relacionados à conservação e recuperação da biodiversidade, com o apoio técnico do Projeto BLF dos Andes Amazônicos.
O anúncio foi feito no evento ‘Equilíbrio de experiências em restauração florestal e de ecossistemas’, realizado em Cajamarca pela Minam e pelo Serviço Nacional de Silvicultura e Vida Selvagem (Serfor), nos dias 21 e 22 de novembro.
Neste contexto, foi abordada a urgência do fortalecimento das redes de alerta precoce, da recuperação dos ecossistemas e da restauração florestal, bem como da geração de uma cultura de prevenção contra as causas da degradação, considerando os impactos das alterações climáticas.
O referido evento reuniu representantes de Minam, Serfor, municípios provinciais e distritais de Jaén e San Ignacio, setor privado, peritos locais, universidades e organizações da sociedade civil.
O BLF Andes Amazônico 2024-2029, liderado pela Practical Action in Peru, é um dos seis projetos financiados pelo UK Biodiverse Landscapes Fund (BLF), que são realizados em territórios transfronteiriços de alta biodiversidade e riqueza cultural.
No Amazonas, a Justiça Federal acolheu pedido do Ministério Público Federal (MPF) e concedeu liminar para que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) retome imediatamente o procedimento de demarcação das terras ocupadas pela comunidade Guanabara, da etnia Kokama, em Benjamin Constant.
A decisão prevê a apresentação, em 90 dias, de cronograma das fases necessárias para a conclusão da demarcação, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.
O pedido do MPF foi apresentado em ação civil pública ajuizada em março deste ano contra a União e a Funai pela falta de providências administrativas e judiciais necessárias para a conclusão do processo de demarcação da Terra Indígena (TI) Guanabara. Isso porque, desde 2013, a Funai tem conhecimento do caso, mas até o momento, nada foi feito e a demarcação permanece paralisada.
Segundo o MPF, a continuidade do processo é urgente para o povo indígena residente, pois possibilita o encerramento de conflitos e a inclusão em políticas públicas para indígenas em terras oficialmente demarcadas.
“A própria Funai não tem previsão de continuidade do procedimento e, sem o deferimento da tutela, quem será prejudicado são os próprios indígenas moradores da comunidade”, apontou um dos trechos da ação.
Ao destacar a urgência da conclusão da demarcação da terra indígena, o procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal alertou que “há sério risco de que, ao fim do processo, exista dano à reprodução sócio-cultural da comunidade indígena, frustrando, então, o objetivo da ação presente: o direito à demarcação da Terra Indígena do Povo Guanabara Kokama para garantia de sua autodeterminação”.
Histórico
Desde setembro de 2014, o MPF acompanha o procedimento de demarcação da TI Guanabara, para assegurar a duração razoável do processo administrativo e encerrar a demora na demarcação na terra indígena.
Ao longo dos anos, ao ser questionada sobre o processo de demarcação da TI Guanabara, a Funai justificou a demora por diversas razões, como escassez de recursos, verbas orçamentárias, carência e rotatividade de pessoal, crise da covid-19 e similares. Além disso, o MPF aponta descaso e inércia da Funai em responder aos ofícios do MPF nos últimos meses.
Segundo dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no dia 29 de novembro, dos municípios amapaenses, 75% despejam resíduos sólidos em lixões à céu aberto. A pesquisa é referente ao ano de 2023.
Apenas quatro municípios do estado não registraram a presença destes resíduos em lixões, devido ao aterro controlado como destinação final, são eles: Itaubal, Macapá, Pedra Branca do Amapari e Santana.
Estes aterros controlados consistem em um local próprio para receber este material, que no estado correspondem o equivalente a 37,5% do total e se encontram em apenas 6 municípios: Itaubal, Mazagão, Pedra Branca do Amapari, Santana e Vitória do Jari.
Já os aterros sanitários, que tratam estes resíduos sem consequências ao meio-ambiente, se concentram em 5 municípios: Itaubal, Laranjal do Jari, Macapá, Oiapoque e Santana. As informações são parte do Suplemento de Saneamento da pesquisa de Informações Básicas Municipais.
Os municípios que não apareceram na pesquisa indicam apenas a presença de lixões à céu aberto, ou seja, que não possuem o encaminhamento dos resíduos ao aterro sanitário ou aterros controlados, são eles:
Porto Grande;
Ferreira Gomes;
Tartarugalzinho;
Serra do Navio ;
Calçoene;
Cutias;
Mazagão;
Pracuúba.
O que são os resíduos sólidos?
Este resíduo consiste em materiais descartados sem a necessidade de utilização imediata e são gerados pela atividade humana. Confira alguns:
Embalagens;
Papel;
Plástico;
Vidro;
Orgânicos;
Resíduos químicos;
Metais;
Madeira.
Estes materiais se classificam entre:
Orgânicos, ou seja, que podem se decompor, como alimentos e resto de jardinagem;
Recicláveis, como papel, cartão, plástico, vidro e metal;
Não recicláveis, como material sintético;
Perigosos, como pilhas e baterias;
e Especiais, como resíduos eletrônicos ou hospitalares por exemplo.
“Quatro da manhã ‘cê pega o Uber com a cara de choro Com o salto na mão, copo seco no outro Toda descabelada, maquiagem borrada Saiu pra arrasar e voltou arrasada Vai Você pode encontrar alguém melhor Você pode escutar alguém pior Mas Heitor Costa Você só encontra uma vez“
É com o hit ‘Arrasada’ que o cantor acreano Heitor Costa, de 21 anos, concorre ao Prêmio Multishow 2024 na categoria “Arrocha do ano”. Heitor participa pela primeira vez de uma competição nacional e tem como concorrentes artistas como Natanzinho Lima, Grelo e ‘Nadson, o Ferinha’.
“É uma música maravilhosa que está concorrendo como melhor arrocha em um dos melhores prêmios. Estou ansioso, feliz e realizado, principalmente profissionalmente”, celebrou.
A 31ª edição do Prêmio Multishow, que ocorre no dia 3 de dezembro, é uma das mais relevantes celebrações da música brasileira, reconhecendo e homenageando os artistas que se destacaram ao longo do ano. A cerimônia vai reunir talentos de diversas áreas musicais.
Natural de Rio Branco, Heitor saiu da Baixada da Sobral aos 12 anos para morar com o pai em Aracaju, no estado do Sergipe, em busca de novas oportunidades, e vem construindo na música uma carreira de sucesso. Atualmente, ele conseguiu levar a mãe e a irmã para o estado sergipano.
“Graças a Deus consegui essa realização profissional e agora estou só colhendo os frutos. Desde pequeno tinha um sonho de cantar, já cantava, mas não profissionalmente”, recordou.
Heitor começou a fazer shows ao 18 anos e já se apresentou com Wesley Safadão, Pablo, Gustavo Lima, dentre outros famosos. Ele explicou que a música foi um sucesso na região do Nordeste. “Foi um estouro aqui a música. Faço mais de 30 shows por mês e está sendo muito bom esse sucesso”, disse.
Sobre o hit
Lançada há quatro meses nas plataformas de áudio e vídeo, ‘Arrasada’ é de autoria de Heitor Costa e outros três compositores e tem mais de 20 milhões de reproduções apenas no Spotify. Veja os demais números abaixo (referentes até o dia 29 de novembro):
Instagram: 2,644 milhões de seguidores TikTok: 747 mil seguidores Spotify: 3,383 milhões de ouvintes mensais YouTube: 492 mil inscritos Sua Música: 101 mil seguidores Kwai: 123 mil seguidores
Discutir os caminhos para a geração de emprego e renda, ao mesmo tempo em que se mantém a floresta em pé, é um dos desafios propostos pelos ‘Encontros Amazônicos Pré-COP30‘, que reunirá povos originários, pesquisadores e a sociedade civil entre os dias 11 e 13 de dezembro em Macapá (AP).
De acordo com o Governo do Amapá, parceiro da programação, será mostrado aos participantes “a experiência do estado mais preservado do Brasil, com a bioeconomia, a demarcação de áreas indígenas, negócios verdes, Zoneamento Ecológico-Econômico e um código ambiental modernizado”.
O evento marca os preparativos para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a “COP da Amazônia”, que será em Belém (PA) em 2025. Representantes de entidades, movimentos sociais, centros de pesquisa e o poder público vão buscar “Novas Alianças pela Amazônia”, tema escolhido para a reconstrução de políticas públicas sustentáveis para a região.
Ao longo de três dias, o encontro vai promover debates sobre as principais demandas da Amazônia, ouvindo quem vive nela, sob as copas das árvores. Cooperativas agrícolas, extrativistas, pescadores, quilombolas e indígenas do Amapá e da Guiana Francesa vão contar experiências, compartilhar problemas, e ajudar na construção de um documento que será apresentado aos líderes mundiais.
Foto: Divulgação/Arquivo/Secom AP
A programação no Amapá consolida o estado como integrante da COP30. O coordenador geral do encontro, Daniel Vaz, destaca que a conferência vai trazer milhares de pessoas de todo o mundo para debater as questões climáticas, mas também para buscar conhecer a região e estabelecer parcerias e projetos.
“O mundo agora tem um olhar especial para Belém do Pará e todo o território amazônico. Então, os encontros colaboram com a articulação da região, identificação de demandas, potencialidades e de oportunidades que construindo um processo articulado até a COP 30, possibilita diálogos com todo esse público presente no evento e na Amazônia”, enfatizou Vaz.
Foto: Márcia do Carmo/GEA
O diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap), Gutemberg Silva, destaca que o evento tem dois pilares: a valorização dos povos tradicionais e a natureza como protagonista dos debates.
“O encontro possibilita várias discussões científicas e debates dos povos tradicionais, direitos humanos e questões relacionadas aos direitos da natureza e é a oportunidade de mostrar a Amazônia real, como vem sendo defendido pelo governador Clécio Luís, que é associar os ótimos indicadores ambientais, com o desenvolvimento econômico e social”, pontuou Gutemberg.
Foto: Divulgação/Arquivo/Secom AP
Antes de Macapá, os “Encontros Amazônicos Pré-COP30” chegam às cidades de Tabatinga e Letícia, na fronteira do Brasil com a Colômbia, nos dias 3 a 6 de dezembro. A programação na capital amapaense contará ainda com receptivo para os convidados, atrações culturais e feira de empreendedorismo com destaque para empresas com o Selo Amapá, startups, artesanato indígena e quilombola.
Além do Governo do Estado, lideram e apoiam à iniciativa o Sebrae, Centro Regional para a Cooperação em Educação Superior na América Latina e Caribe (Creces), Parque Científico e Tecnológico Solimões, Flacso Brasil, Corporación educativa Indoamérica, Red de Escuelas Y Facultades de Arquitectura Latinoamericana, CorpoAmazônia, Universidad Metropolitana, Universidade de São Caetano do Sul, Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (Cirat), FYGP, Comissão Nacional para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Cnodes), Conselho Nacional dos Direitos Humanos e Norwegian Agency For Exchange Cooperation (Norec).
COP30
Foto: Divulgação/Arquivo/Secom AP
A COP é uma reunião anual entre os países membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. Nele, chefes de estados e outras autoridades governamentais debatem soluções para conter o aquecimento global e criar alternativas sustentáveis para a vida no planeta.
Quatro equipes formadas por jovens universitários do Acre e Amazonas foram premiadas na primeira edição do Desafio Saul Benchimol, realizada no dia 29 de novembro, em Manaus (AM). A premiação distribuiu um total de R$ 20 mil entre os vencedores e reconheceu projetos que oferecem soluções para combater problemas como fome, desmatamento e poluição na Amazônia. O evento foi organizado pela Bemol em parceria com a Brasil Júnior (Confederação Brasileira de Empresas Juniores).
Para Elias Gabriel, Presidente Executivo da Brasil Júnior, o desafio vai além da competição. “O Desafio Saul Benchimol foi uma oportunidade para a juventude da Amazônia aplicar seus conhecimentos em projetos que impactam diretamente suas comunidades”, afirma.
Conheça os projetos premiados
Plantas que Transformam (Acre): O projeto propõe capacitar comunidades ribeirinhas do Norte a identificar, cultivar e utilizar plantas alimentícias não convencionais (PANCs) para enfrentar desafios como desnutrição e a dificuldade de acesso a alimentos frescos. A iniciativa prevê workshops presenciais e online, produção de materiais educativos e parcerias com universidades, ONGs e empresas alinhadas aos valores de sustentabilidade.
BioAqua (Amazonas): Propõe um sistema de aquaponia sustentável e de baixo custo, unindo a criação de peixes e o cultivo de plantas, para combater a fome em comunidades ribeirinhas isoladas. A solução utiliza energia solar e recursos locais, como insetos da floresta para ração, com foco inicial na comunidade Terra Preta do Limão, no Amazonas.
VerdeTech (Amazonas): Desenvolveu uma plataforma de monitoramento em tempo real para combater o desmatamento e os incêndios florestais na Amazônia. A solução utiliza sensores inteligentes que detectam alterações no ambiente, como fumaça e ruídos, e alertam equipes de fiscalização. O projeto também capacita comunidades locais para operar os equipamentos.
Boia Anfíbia Inteligente (Amazonas): Apresenta uma solução inovadora para reduzir a poluição por microplásticos e outros resíduos nos rios amazônicos. A boia, movida a energia solar, capta e monitora poluentes em tempo real, enquanto promove a capacitação de comunidades locais e a divulgação de dados ambientais.
Os estudantes participaram de mentorias, workshops e apresentações antes da cerimônia final, que homenageou Saul Benchimol, cofundador da Bemol e defensor do empreendedorismo e da educação na região. A iniciativa foi aberta a estudantes do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima, com o objetivo de reconhecer o papel da juventude na busca por soluções para os desafios socioambientais da Amazônia.
“O Desafio mostrou que os jovens da Amazônia têm o potencial e as ferramentas possíveis para transformar suas comunidades e criar um futuro mais sustentável para a região. É inspirador ver como conhecimento e criatividade podem gerar soluções tão impactantes”, conclui Elias.
Porto Velho na época da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Foto: Dana Merrill
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Em 1917, a jovem cidade de Porto Velho, recém-formada com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e separada do território de Humaitá, no sul do Amazonas, já mostrava seu vigor literário. Desde 1915, o jornal “O Município” publicava crônicas e poesias, abrindo espaço para a expressão artística.
Em menos de um ano após o falecimento do poeta maranhense Vespasiano Ramos, ocorrido em dezembro de 1916, foi lançado na cidade o livro de poesias “Saudades Esperanças”, escrito pelo médico Jayme Pereira.
Graduado no Rio de Janeiro, o Dr. Jayme se estabeleceu em Porto Velho, uma cidade com menos de dois mil habitantes, onde trabalhava como inspetor sanitário na região do Alto Madeira, a serviço do Estado do Amazonas. Mesmo com a agenda repleta de campanhas de vacinação e atendimentos nas farmácias Americana e Madeira, ele encontrava tempo para se dedicar à poesia.
Aqui está um de seus poemas:
Uma Saudade: Esperança
Saudade, constante, das lutas infantis, Dos dias de antanho, com cheiro de mar. Saudade dos tempos que não voltam mais, Guanabara querida, que lembranças fatais.
Saudade dos colegas de tantas galhofas, Do vinho, dos bailes, dos doces saraus. Saudade da juventude vivida aos risos, Na capital de nossa Pátria, momentos tão reais.
Saudade e Esperança! A Raiz, o Fruto, Esperança que alude à fé sem temor, Deus de todas as causas, seu nome absoluto, É ela que guia o coração sonhador.
Esperança: poesia sem voz, Sentimento que o coração seduz, E me trouxe ao Vale do Madeira, Meu Porto Velho, novo amor, minha luz!
Nas principais cafeterias de Porto Velho, a declamação de poemas era comum. A cidade vivia tempos de glamour com o ‘boom’ da borracha, que a transformava em um microcosmo europeu, com cinema, teatro e moda à belle époque tropical. Desde 1917, a Livraria e Papelaria Madeira, anexa à tipografia do jornal “Alto Madeira”, oferecia ao público o livro de Jayme. Infelizmente, não restaram exemplares nos arquivos consultados.
Outro médico-poeta
Jayme não estava sozinho. O médico José de Mendonça Lima, em 1918, foi eleito membro da Sociedade Homem de Letras de Manaus. Residente no povoado de Abunã, então parte do município de Santo Antônio do Rio Madeira (anexado a Porto Velho em 1945), ele era um fervoroso promotor cultural. Fundou um cinema chamado Bohemia e chegou a exibir filmes para Rondon em 1918, durante a passagem do sertanista por Abunã.
Dr. Mendonça também participou da inauguração do sino da Igreja Católica de Abunã, que ajudou a financiar. Ele via o sino como um símbolo de fé e comunicação. Morou em Guajará-Mirim e serviu como cônsul do Brasil em Guayaramerín, cidade boliviana na fronteira com Rondônia. Segundo o jornal “Alto Madeira”, Dr. Mendonça era “um orador notável, escritor castiço, com profundos e variados conhecimentos, servidos por uma cultura vasta”.
Embora poucas informações sobre as obras dos Drs. Jayme e Mendonça tenham sobrevivido ao tempo, destaca-se a presença de médicos no universo literário desde os norte-americanos, nos primórdios de Porto Velho, em 1907, passando por Dr. Joaquim Augusto Tanajuro (dono do jornal “Alto Madeira”) até os dias atuais.
Nomes como Viriato Moura, Aparício Carvalho, Newton Pandolpho (em Vilhena) e Heinz Roland Jakobi são autores contemporâneos que seguem essa tradição, contados às mais diferentes ramificações da literatura. Entre 2019 e 2023, o médico-historiador Jakobi publicou uma série de três livros sobre os médicos em Rondônia: “Fragmentos da História da Medicina em Rondônia” (volumes 1 e 2) e “101 Personagens da História da Medicina em Rondônia”.
Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
Maria Paulino da Silva é a personificação do potencial acreano em produção agrícola e, recentemente, seu desempenho como meliponicultora foi destaque na oitava edição do Concurso Nacional de Méis de Abelhas Nativas, no Rio de Janeiro. A produtora rural do Ramal Belo Jardim III conquistou o 3º lugar na categoria de méis refrigerados.
O concurso promovido pela Associação de Meliponicultores do Rio de Janeiro (Ame-Rio) atraiu produtores de todo o país, com o objetivo de selecionar méis de excelência, tendo como referência critérios sensoriais de melhor percepção da agradabilidade e encantamento à vista dos padrões organolépticos do mel in natura, fresco e recém coletado de abelhas nativas.
O corpo de jurados foi composto por pesquisadores e chefs de alta gastronomia como Mônika Barth, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); e Jèrôme Dardillac, chef executivo do Hotel Fairmont Copacabana. Os méis foram avaliados com base em parâmetros como persistência, aroma, intensidade e sabor.
A avaliação foi feita no Bondinho do Pão de Açúcar em ambiente reservado e de maneira independente. De acordo com a tabela de referência do concurso, méis que alcançam entre 300 e 200 pontos são considerados excelentes, raros ou extraordinários. O mel de Maria Paulina obteve uma pontuação de 257,5, destacando-se pela sua qualidade e sabor único.
Produzindo com amor e sustentabilidade
Segundo a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas, o Brasil conta com aproximadamente 250 espécies de abelhas pertencentes à tribo Meliponini, chamadas popularmente de abelhas sem ferrão. Muitas dessas espécies são possíveis de serem avistadas no meliponário Amor Agarradinho, gerido por Maria Paulino e seu marido, Clodoaldo Brandão.
O trabalho do casal diretamente com o cultivo de mel está presente na vida conjunta mais tempo do que eles conseguem quantificar. Com orgulho da sua premiada produção, Maria exalta:
“Estou muito feliz com esse reconhecimento. Fui incentivada a participar da competição pelos técnicos da Seagri e fiquei surpreendida com esse resultado final. É muita satisfação”.
Foto: Diego Gurgel/SecomAC
Outro dado que os produtores não conseguem contar é a quantidade de caixas de produção de mel cultivado, mas a dedicação com cada universo de abelhas é visível ao observar o trabalho de ambos. Em suas culturas, Maria Paulino e Clodoaldo contam com o cultivo de diversas espécies de abelhas, como uruçu, boca de renda, abelha-limão, caga-fogo e entre outras.
Realizando o trabalho direto de extração do mel das caixas de cultura, Clodoaldo Brandão rememora seus primeiros contatos com a produção rural, na companhia de seu avô, um seringueiro que lhe ensinou muito do conhecimento que pratica diariamente.
O produtor rural destaca a necessidade de se produzir de maneira consciente e sustentável: “Meu projeto de vida é divulgar o bem que o mel faz pra gente, além da importância de preservar as abelhas. Essa natureza é uma benção de Deus e temos que preservá-la, convivendo em harmonia”.
A produção do casal acreano pode ser classificada como apicultura e meliponicultura. Ambas as práticas tratam da criação de abelhas e a produção de mel e seus derivados, mas as duas são distintas. Enquanto a apicultura refere-se à criação de abelhas com ferrão, principalmente para a produção de mel, própolis, pólen, cera de abelha e geleia real, a meliponicultura se utiliza da abelha sem ferrão.
Fortalecendo a colmeia
O trabalho de Maria reflete um esforço coletivo de valorização da meliponicultura no estado. A Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) desempenha um papel essencial no fortalecimento da cadeia produtiva do mel no Acre. Suas iniciativas beneficiam 211 apicultores e meliponicultores, incluindo produtores rurais, extrativistas e comunidades indígenas.
Entre as principais ações estão capacitações, oficinas, intercâmbios técnicos, participação em eventos, fomento ao manejo sustentável e apoio logístico. A engenheira florestal Zandra Pilar atua na Seagri como técnica da cadeia produtiva do mel e defende que tais ações destacam a integração entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental, fortalecendo a apicultura e promovendo a sustentabilidade no Acre.
O titular da Seagri, José Luis Tchê, destaca: “Agradeço a visão do governador Gladson Cameli em nos dar a oportunidade de gerir uma secretaria tão importante no fortalecimento da agricultura e no desenvolvimento econômico de muitas famílias. Parabenizo a Maria por esse belo reconhecimento que eleva o nosso Acre”.
Foto: Diego Gurgel/SecomAC
Quanto ao pleno desenvolvimento da cultura de mel, o titular da pasta diz: “Assim como estamos avançando com a cafeicultura, queremos ir além com a produção de mel, utilizando das tecnologias e do nosso conhecimento técnico, evoluindo sempre. Queremos nossos supermercados cada vez mais equipados com produtos legitimamente acreanos, com a população se alimentando bem e com o desenvolvimento econômico fluindo”.
Além da Secretaria de Agricultura, os meliponicultores do Acre são fortalecidos pelo Programa REM (Redd Early Movers) Acre, com o fortalecimento da cadeia produtiva do mel, por meio de capacitações em boas práticas de produção e armazenamento para um produto de qualidade, beneficiando diretamente 389 pessoas.
Exclusivamente com a associação em que Maria faz parte, o projeto alcançou 60 homens e mulheres, os ajudando com a criação de uma unidade de extração e beneficiamento do mel, possibilitando maior qualidade de mel com o selo de inspeção sanitária.
A certificação e ampliação do mercado são iniciativas fundamentais das instituições, contando também com a colaboração do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), auxiliando produtores rurais a obterem o elo D’Colônia, agregando valor ao mel produzido e permitindo a comercialização em supermercados locais, ampliando as oportunidades de mercado.