Ligada pela BR-174, Iracema tornou-se município em 1994 após integrar as cidades de Mucajaí e Caracaraí, sendo antes apenas uma vila no estado de Roraima. A cidade foi nomeada em homenagem à esposa do primeiro morador, Militão Pereira da Costa, porém antes era conhecida por Vila Nova.
Iracema é constituída majoritariamente pela população do Maranhão que migrou para o interior à procura de terra própria para agricultura.
Cerca de 14.403 km², 80% da área territorial de Iracema, pertence ao povo indígena Yanomami e conta uma população de 10 mil habitantes, de acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Aveiro é uma cidade paraense que tem a sua origem numa aldeia de indígenas Mundurukus e foi elevada à freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Aveiro em 1781. É conhecida como Tapajós-tapera, por estar localizada à margem do rio Tapajós.
A aldeia obteve a denominação portuguesa de lugar de Aveiro, por ato do Governador e Capitão-general José de Nápoles Tello de Menezes, em 23 de agosto de 1781, que nomeou, na mesma ocasião, o morador Francisco Alves Nobre para administrá-la.
O município abriga o distrito de Fordlândia. O local foi projeto do empresário Henry Ford, que visava construir uma grande plantação de seringueiras para produção de pneus e outros produtos automobilísticos, como juntas, mangueiras e válvulas. O pioneiro da indústria de automóveis, investiu milhões de dólares na região planejada para ser um modelo de uma cidade norte-americana.
Porém, o sonho durou apenas de 1927 até 1945. Com a desvalorização do látex, revoltas entre moradores de Fordlândia e os gerentes da Ford e aperfeiçoamento da tecnologia presente na borracha sintética, a cidade sucumbiu. Abandonada pela empresa que a impulsionou, Fordlândia se transformou em uma cidade fantasma.
Atualmente, o município conta com apenas 15 mil habitantes em uma área de 17.158 km².
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vai lançar ainda em 2024 o edital do Prêmio Mulher e Ciência, para reconhecer o trabalho desenvolvido por pesquisadoras e instituições que promovem ações afirmativas para elas no país.
De acordo com a coordenadora de Execução e Difusão de Prêmios Nacionais e Internacionais do CNPq, Lisandra Santos, a ideia é fortalecer a equidade de gêneros e promover a participação das mulheres no campo das ciências e nas carreiras acadêmicas.
“Em setembro de 2023 foi publicado um artigo pela Diretoria de Análise de Resultados e Soluções Digitais do CNPQ, na qual buscou-se avaliar a participação de mulheres e dos povos originários no total de recursos liberados no setor e também avaliar a pluralidade na ciência a partir desses dados. Foi confirmada uma sub-representação das mulheres em determinadas áreas do conhecimento.”
A iniciativa será estruturada em três categorias, sendo duas delas voltadas às cientistas que desenvolvam trabalhos relevantes: a categoria Estímulo, para aquelas com até 45 anos de idade, e a categoria Trajetória, para cientistas cima de 46 anos de idade.
Uma terceira categoria, a de Mérito Institucional, vai premiar organizações que tenham relevante atuação em iniciativas que promovam a equidade de gênero na ciência.
O reconhecimento ocorrerá por meio de prêmios em dinheiro, além de viagens que possibilitem a participação em congressos internacionais e troca de conhecimento entre cientistas mulheres de todo o mundo. As edições serão anuais, e as regras serão estabelecidas a cada edital.
Segundo Lisandra, as primeiras edições serão viabilizadas por meio de uma parceria entre os ministérios da Ciência Tecnologia e Inovação e das Mulheres com o British Council no Brasil, uma organização de cooperação cultural entre o Reino Unido e o Brasil.
A portaria que institui o prêmio está publicada no Diário Oficial da União do dia 10 de outubro.
Na região que antes era ocupada por indígenas Tupinambás, o município era conhecido como Urumajó. Segundo as histórias passadas de geração em geração, o nome Urumajó surgiu de uma mal entendido entre os indígenas da terra e o comandante do destacamento francês Daniel de La Touche.
O militar europeu, curioso em saber o nome daquele rio que haviam navegado para chegar ao local, questionou um indígena qual era o nome do rio, e este, achando que a pergunta referia-se a um pássaro que cantava ali próximo, e que em dialeto Tupi denominava-se Uru, respondeu: “é Uru majó! ”.
Somente em 1961 que o município foi nomeado Augusto Corrêa, em homenagem ao político do mesmo nome, que foi um dos responsáveis pela emancipação Urumajoense, consolidada em 1962. Com uma área de 1.099 km² e mais de 44 mil habitantes (IBGE), a cidade conta com Áreas de Proteção Ambiental (APA) com um dos maiores ninhais de guarás do Estado do Pará.
*Com informações do IBGE e Prefeitura de Augusto Corrêa
O presidente Lula sancionou no dia 15 de outubro leis que criam o Dia Nacional da Música Gospel e que reconhecem como manifestação da cultura nacional a Festa do Sairé, realizada no distrito de Alter do Chão, em Santarém, no Pará.
O Dia Nacional da Música Gospel passará a ser celebrado, anualmente, em 9 de junho. Em postagens na rede social X, o presidente destacou que a data garante “visibilidade ao importante papel da cultura, da religiosidade e da fé de milhões de brasileiros e brasileiras”. Em outra mensagem, mencionou que o governo atuou para que liberdade religiosa fosse garantida em lei, “para que os brasileiros pudessem professar sua fé”.
“A fixação de uma data nacionalmente dedicada à música gospel chamará atenção para esse importante vetor de conforto mental, psicológico e espiritual”, ressaltou o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), em nome da Frente Parlamentar Evangélica.
Artes
O presidente também sancionou projeto que “reconhece as expressões artísticas charge, caricatura, cartum e grafite como manifestações da cultura brasileira”.
Para Pedro Rajão, pesquisador e produtor do projeto Negro Muro, de arte urbana, como o grafite, a lei dá legitimidade para os artistas serem vistos como trabalhadores.
Na tramitação do texto no Congresso, parlamentares entenderam que esse reconhecimento promove a inclusão social e o desenvolvimento econômico em comunidades marginalizadas.
Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
A saúde integral nos lembra que ela abrange a totalidade do ser humano e não apenas o seu corpo físico. Há muito se sabe sobre a importância da saúde mental, embora não se fale em prevenção. Costuma-se agir quando já se estabeleceu a doença. É aí que se concentram as ações mais comuns. No caso da saúde espiritual, a atenção é menor ainda, relegando-a muitas vezes ao setor de crenças, quando não das superstições. Saúde Espiritual é um conceito relativamente novo que somente há pouco tempo começou a ser mencionada nas áreas médicas, com o avanço dos estudos da psicologia positiva e da neurociência. Para a plena saúde, assim como para a felicidade, é preciso considerar as dimensões física, mental e espiritual.
Entre as três, há uma forte interligação e é antiga a máxima “Mens sana in corpore sano”, uma mente sã em um corpo são. Mesmo ainda faltando a palavra “spiritus” na frase, era já evidente a percepção de que somos mais do que ossos e músculos.
Como estão as suas atividades físicas? – perguntam os médicos. Como estão as suas práticas intelectuais e cognitivas? – um questionamento mais frequentemente dirigido às pessoas mais velhas. Sabe-se que exercícios físicos e mentais são essenciais para a preservação da saúde, da longevidade e da felicidade. E como andam as práticas espirituais?
Dan Buettner, ganhador de três prêmios Emmy, pelo documentário “Viver até os 100. Segredos das Zonas Azuis” apresenta estatísticas que demonstram como pertencer a uma comunidade religiosa aumenta a expectativa de vida. Em um dos estudos com 263 pessoas que viveram 100 anos ou mais, apenas 5 não estavam ligadas a um grupo religioso. Outra pesquisa aponta que uma prática regular religiosa aumentou em 7 anos a expectativa de vida de americanos e de 14 afro-americanos. São dados que superam até mesmo práticas mais aceitas para favorecimento da longevidade, como o exercício físico ou a dieta alimentar. Pelos estudos, seguir uma fé e adotar práticas religiosas regulares é, pelo menos, tão importante quanto estes cuidados. Mas será que vale qualquer tipo de prática religiosa ou espiritual, incluindo a meditação, um tipo de alimentação natural ou outras?
Matheu Ricard, pesquisador dos efeitos da meditação no cérebro e um dos fundadores do programa Mind and Life Institute, afirma que: “Precisamos nos perguntar lucidamente se a prática espiritual que fazemos nos transforma em pessoas melhores e contribui para a felicidade dos outros”. Ou seja, nossas práticas nos tornam melhores pessoas para os outros e para nós mesmos? Como responder a esta pergunta?
Penso que, apesar da subjetividade do tema, podemos encarar a questão de uma maneira muito prática. Elas estão nos ajudando a ser mais gratos? Elas nos estimulam a sentimentos e ações mais altruístas e menos voltados para nós mesmos? Estamos evoluindo no desapego, seja em relação a bens materiais, a preocupações com o passado ou ao futuro, às pessoas ou aos nossos pontos de vista? Nossas práticas espirituais nos dão força para agir de maneira resiliente diante das adversidades? Elas nos aproximam da arte e da leveza, nos estimulando a desfrutar melhor a vida? Estamos melhorando a nossa comunicação com as pessoas, com mais assertividade e empatia? Avançamos na compreensão que de que estamos aqui para realizar algo construtivo e vivenciando um propósito que dá sentido e sabor aos nossos dias?
Práticas espirituais, religiosas ou não, podem fazer muita diferença na conquista da saúde e da felicidade. É preciso, porém, que elas não caiam no automático ou se limitem a rituais externos. Que estejamos atentos sobre o seu efeito sobre nós mesmos e, consequentemente, com quem convivemos. Estamos dando a devida importância a elas? Como andam as suas práticas espirituais?
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
A equipe do Projeto Dossiê Taieiras e Congos de Monte do Carmo esteve presente na cidade de Monte do Carmo, Tocantins, entre os dias 10 e 13 de outubro, para acompanhar e documentar a tradicional Festa de Nossa Senhora do Rosário, que ocorre há mais de dois séculos na região.
Coordenado pela professora Noeci Carvalho Messias, do curso de Teatro da Universidade Federal do Tocantins (UFT), o projeto tem como objetivo registrar e valorizar essa manifestação cultural afro-brasileira.
Durante a pesquisa de campo, a equipe participou de diversos momentos rituais da festividade, que inclui as taieiras e os congos — grupos que, por meio de cantos, danças e percussões, relembram suas tradições afrobrasileiras ligadas à devoção a Nossa Senhora do Rosário.
“A equipe acompanhou todos os aspectos da festa, desde a fazeção dos bolos e o ritual da Caçada da Rainha, até o Cortejo das rainhas e reis para a igreja, coroação e arrumação dos congos e taieiras”, explicou a professora Noeci.
Além dos registros fotográficos e audiovisuais dos rituais, a equipe entrevistou detentores das práticas culturais, documentando saberes ancestrais e a participação dos mais jovens, essenciais para a continuidade dessas tradições. Entre os locais visitados, destaca-se as Ruínas do antigo arraial, onde foi construída a igreja de Nossa Senhora do Rosário, no século XVIII.
A professora Noeci enfatizou os principais objetivos do projeto, que incluem a produção e sistematização de conhecimentos sobre as Taieiras e os Congos, com a criação de um dossiê etnográfico, um catálogo de imagens e um documentário de 15 minutos.
“A pesquisa contribuirá para a valorização dessa manifestação cultural, ampliando o conhecimento sobre a importância histórica, artística e etnográfica desses bens culturais e promovendo sua difusão e visibilidade, não só para a comunidade local, mas para todo o Brasil”, destacou.
Foto: Noeci Carvalho
Entre os resultados esperados, estão a criação de um banco de dados que poderá subsidiar futuras políticas públicas de preservação e ações de salvaguarda do patrimônio cultural tocantinense.
Impacto na comunidade local
A professora também destacou o impacto positivo que o dossiê e o documentário poderão ter sobre a comunidade carmelitana.
“Esses materiais reforçarão a identidade da população local, que é detentora de um saber-fazer ancestral afrobrasileiro. Isso aumentará sua autoestima e fortalecerá os vínculos sociais e o sentimento de pertencimento. Além disso, o projeto pode despertar crianças e jovens para a importância da preservação dessas manifestações culturais”, afirmou.
Próximos passos do projeto
Os próximos passos incluem a sistematização dos dados coletados, a continuidade das pesquisas bibliográficas e documentais e a produção do relatório parcial.
Foto: Noeci Carvalho
“Nosso foco agora é organizar todas as informações para a criação do dossiê e do documentário. Teremos reuniões de alinhamento para garantir a qualidade e fidelidade dos registros”, explicou a coordenadora.
O Projeto Dossiê Taieiras e Congos de Monte do Carmo é uma iniciativa da Universidade Federal do Tocantins (UFT), realizada em parceria com a Secretaria de Cultura do Tocantins (Secult) e com o apoio da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (Fapto). Além disso, o projeto conta com a colaboração de pesquisadores das universidades federais de Roraima (UFRR) e de Goiás (UFG).
A equipe multidisciplinar abrange especialistas de diversas áreas do conhecimento, incluindo História, Antropologia, Música e Artes Visuais.
*Com informações da Universidade Federal do Tocantins
Por Flávio Guimarães – flavioguimaraesjr@hotmail.com
Networking…. você já deve ter ouvido essa palavra zilhões de vezes, não é? Até vira clichê o tanto que ouvimos e lemos sobre ela. Normalmente se diz que é importante ter, que isso pode proporcional excelentes oportunidades e etc, entretanto, hoje a abordagem será diferente, fora do que normalmente lemos em artigos e conteúdos em geral.
No artigo de hoje falarei sobre estratégias para manter o networking ativo com o objetivo de não ser esquecido(a), não ser visto como uma pessoa que só procura quando precisa e, o mais importante de tudo, ser lembrado(a) quando surgir alguma oportunidade numa roda de conversas. Nos primeiros cenários abaixo, vou descrever técnicas de gestão de contatos. No último cenário, como devemos agir perante essas pessoas.
Técnica da teia de aranha
Essa é uma estratégia que reproduz os contatos através de balões desenhados com ligações de setas. Sim, isso mesmo. Pode ser feito em Paint, Corel Draw ou qualquer outro recurso que possibilite criar um grande espaço com nomes, telefones, cargos e empresas, com ou sem cores, da forma que melhor ficar visualmente para você. Apesar de ser um método pouco habitual, indico devido ser visualmente menos cansativo para procurar, visualizar e ler.
Para manter a ordem de nomes, você pode aplicar do A ao Z, no sentido da esquerda para a direita, de cima para baixo. Assim, saberá exatamente quem procurar de acordo com o mapa de letras.
É importante indicar que essa não é uma regra. Você pode criar métodos de acordo com o que achar melhor, seja por balões, quadrados, bolas, nuvens, enfim, o que facilitar o seu processo de visualização.
Mapeamento por categorias de proximidade
Um ponto importante para o nosso mapa de contatos é sabermos com quem mais temos proximidade ou não, para assim, não fazermos contatos com todos da mesma forma, o que pode não funcionar muito bem. Com a separação de “intimidade”, conseguiremos ter uma visão melhor de quem podemos falar mais, menos ou os que falaremos apenas de maneira informal.
Sendo assim, podemos fazer essa separação por categorias:
Os mais próximos.
Aproximação média.
Pouca aproximação.
Contato casual.
Para cada categoria teremos uma abordagem diferente nos contatos que fizermos. Se ultrapassarmos a linha desse sentido, podemos criar uma relação enjoativa, o que vai afastar pessoas, ao invés de aproximar.
Controle em planilhas
Esse é o método mais tradicional de controle de informações, podendo haver a separação de nome, cargo, cidade, telefone, e-mail e outras informações. Contrário da teia de aranha, pode conter mais informações sem gerar poluição visual, havendo classificação por célula existente.
Para quem possui conhecimentos avançados em Excel, a experiência pode até ser divertida, com separações por tickets, cores, fórmulas, lembretes ou outros recursos que o software permite.
O que fazer depois da organização desses contatos?
E agora?
Depois de termos todos os contatos organizados, é hora de pensarmos algumas estratégias e ações para sempre sermos vistos por essas pessoas. Abaixo envio algumas possibilidades:
Mensagens de motivação via telefone ou e-mail: mensagens rápidas e simples, não sendo vídeos nem textos longos.
Envios de artigos e conteúdos sobre a área de atuação da pessoa ou grupo de pessoas: pode ser com o uso de textos um pouco mais longos.
Pedido de orientações para uma tomada de decisão específica: isso cria um bom laço de contato entre pessoas – pedidos rápidos, sem textos longos que podem ser tornar cansativos.
Interação em redes sociais através de publicações feitas pela pessoa: cautela para não ser invasivo(a) com quem não tiver intimidade suficiente.
Sobre o autor
Flávio Guimarães é diretor da Guimarães Consultoria, Administrador de Empresas, Especializado em Negócios, Comportamento e Recursos Humanos, Comentarista de Carreira, Emprego e Oportunidade dos Jornais Bom Dia Amazônia e Jornal do Amazonas 1ª Edição, CBN Amazônia, Portal Amazônia e Consultor em Avaliação/Reelaboração Curricular.
Chuvas intensas e temporais causam estragos em Rondônia há semanas. Apesar disso, o rio Madeira continua batendo níveis mínimos históricos, como no dia 11 de outubro, de 19 centímetros. O cenário é explicado pela geografia: a maior parte da vazão do Madeira vem do Peru e da Bolívia.
As chuvas começaram a cair no estado em setembro, após meses de estiagem. Em poucas semanas houve um acumulado de 75 mm de precipitação somente em Porto Velho, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Essa quantidade é o primeiro volume considerável em pelo menos quatro meses. Em junho e julho não ocorreram chuvas na capital de Rondônia. Já em agosto choveu apenas 16 mm.
O engenheiro hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Guilherme Cardoso, explicou ao Grupo Rede Amazônica que somente a chuva nos rios Madre de Dios e Beni influenciam significativamente no nível do rio Madeira.
“O Madeira depende quase que exclusivamente das chuvas que caem na Bolívia e no Peru, onde estão os rios Beni e Madre de Dios. Eles são os verdadeiros fornecedores de água para o rio, e quando não chove nas cabeceiras andinas, o Madeira aqui em Rondônia não sente os efeitos das chuvas locais”, respondeu.
O especialista explicou que cerca de 70% da vazão do rio Madeira vêm das regiões de cabeceira na Bolívia e no Peru. Isso faz com que o rio funcione como uma ‘artéria’ conectada diretamente ao ’coração’ das montanhas desses países. Quando não chove lá, o ‘corpo’ do rio aqui enfraquece, independentemente do volume de chuva que cai sobre Rondônia.
Enquanto o rio permanece baixo, as chuvas caem sobre cidades de Rondônia. Ventos arrancam telhados e arrastam carros, como ocorreu em Governador Jorge Teixeira, onde um temporal na última semana causou estragos. A dependência climática das regiões andinas é o que mantém o Madeira em seu estado de crise, como destaca o engenheiro hidrólogo Guilherme Cardoso:
“Não há previsão de melhora no curto prazo. O nível do rio só vai se recuperar quando as chuvas voltarem a cair nas cabeceiras. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia [da Bolívia] tanto da Bolívia e do Peru indicaram chuvas abaixo da média para essa próxima quinzena de outubro”.
A vida paralisada
Pela primeira vez na história, o Porto de Cargas de Porto Velho, vital para o escoamento de produtos como soja e biocombustíveis, foi paralisado.
As operações foram suspensas no dia 23 de setembro, à medida que o rio se tornou inavegável para grandes embarcações. O porto continua parado, afirmou a assessoria que faz a gerência do porto.
“Os armadores e operadores portuários continuam aguardando o nível do rio apresentar melhores condições pra navegação. Por enquanto seguem com as atividades de movimentação de cargas interrompidas”, informou a administração do local.
Além disso, os moradores das comunidades ribeirinhas viram os poços amazônicos secos, assim como o rio. Sem acesso à água, eles dependem de carregamentos enviados pela Defesa Civil Municipal e as secretarias de assistência social de Porto Velho e do estado de Rondônia.
Ribeirinhos agora caminham por antes era possível andar de barco. A imensidão de água se transformou em um deserto de areia.
A seca tem forçando os moradores do distrito de Calama, em Porto Velho, a desenvolverem novas estratégias de navegação. Pescadores, como Moises Correia, usam as hélices de embarcação para criar ‘caminhos’ na lama.
Moises, que vive há 15 anos em Calama, conta que os pescadores precisaram se organizar para manter uma rota de acesso ao porto. Com o rio cada vez mais seco, eles começaram a usar as hélices de suas voadeiras para cortar a lama, criando um canal.
“Em todos esses anos aqui, nunca vi o rio nesse estado. Os lagos estão secos, e a boca do rio, na entrada do Amazonas não dá mais para passar embarcação grande”, relata o ribeirinho.
Monitoramento do nível das águas
Atualmente, o rio Madeira é monitorado por três estações da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), operadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), na Residência de Porto Velho (REPO). Elas são equipadas com sistemas automatizados, réguas linimétricas e pluviômetros. O monitoramento integra o Sistema de Alerta Hidrológico do Madeira (SAH Madeira), disponível na plataforma Sace, no site do SGB.
Os dados sobre o nível e a vazão são coletados a cada 15 minutos e o comportamento do rio é analisado com base em previsões de chuva, gerando boletins com prognósticos da bacia e previsões dos níveis do rio.
Foto: Gladson Souza/Rede Amazônica
O Sistema Sace, usado pelo SGB para monitorar os principais rios no Brasil fez alterações nas suas legendas dentro do sistema. Em outubro foi implementada uma função que permite a representação da situação de estiagem nas estações da bacia pela primeira vez. Antes, o sistema indicava apenas a situação de cheia.
“Essa alteração ajuda a entender em que fase de seca o rio se encontra. O monitoramento contínuo é fundamental para que as autoridades e a população possam acompanhar a gravidade da situação e planejar medidas preventivas ou de mitigação, caso o nível do rio continue a cair”, explica Guilherme Cardoso.
Segundo o engenheiro hidrólogo, ao contrário das cotas de inundação, que seguem critérios bem definidos pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec), as cotas de estiagem não têm um critério tão específico.
“Para criar essa representação no sistema, a equipe do SGB se baseou na cota mínima histórica, atingida durante a última seca severa, e na cota de permanência de 10%, que indica o nível abaixo do qual o rio permanece em condições de seca extrema.”
A modificação no sistema foi feita em outubro, desde então, o acompanhamento das condições do rio Madeira se tornou mais detalhado, facilitando a geração de relatórios e boletins que mostram com mais precisão o comportamento do rio durante os períodos de estiagem.
O Ministério dos Transportes suspendeu o processo licitatório para a construção da Ponte Internacional que ligaria Guajará-Mirim (RO) à cidade boliviana de Guayaramerin. Previsão de entrega da ponte era para 2027.
A medida foi tomada após questionamentos sobre a “atestação de capacidade técnica” das duas empresas. Processo de licitação foi publicado no Diário da União em novembro de 2023.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a medida foi tomada após questionamentos sobre a “atestação de capacidade técnica” das duas empresas melhor colocadas na fase inicial do processo. Os questionamentos foram enviados ao Tribunal de Contas da União (TCU).
A licitação, que foi publicada no Diário Oficial da União em novembro de 2023, prevê a elaboração dos projetos básico e executivo, além da execução da obra, construção dos acessos e do complexo de fronteira.
O Dnit ainda não se pronunciou oficialmente sobre os impactos no cronograma de construção da ponte. A autarquia disse que segue as decisões do TCU.