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Acre anuncia mais de R$ 5 milhões para investimentos em gestão ambiental em terras indígenas

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Programa de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAS) possibilita o desenvolvimento de estratégias para proteção, conservação e uso sustentável dos territórios. Foto: Divulgação/Acervo/Secom AC

No Acre, cerca de R$ 5 milhões de investimento estão previstos para implementação de políticas públicas voltadas para o fortalecimento da gestão territorial e ambiental e ações de enfrentamento, adaptação e redução de impactos climáticos em 27 territórios indígenas, por meio da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi). 

O chefe do Executivo reforça o compromisso e respeito aos direitos dos povos indígenas, que tanto tem sofrido com os impactos das mudanças climáticas.

Plano de ação prevê eixos prioritários em terras indígenas do Acre

Os recursos serão aplicados em três frentes principais: saneamento básico para a construção e manutenção de poços e reservatórios de água; apoio financeiro para pagamento de bolsas aos Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs) e implementação dos Programas de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAS). As ações contam com apoio financeiro do Programa REM Fase II. 

Adaptação às mudanças climáticas: investimentos de R$ 2 milhões em 27 aldeias

No ano passado, a Secretaria de Povos Indígenas do Acre saiu na frente ao elaborar o plano de enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas. Com base nas principais demandas e dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas foram alocados R$ 2 milhões para construção de poços artesianos, cacimbas e reservatórios de água como resposta para minimizar os impactos dos eventos extremos, a exemplo das secas severas. 

Agentes Agroflorestais Indígenas recebem capacitação e bolsa para atuarem em seus territórios. Foto: José Caminha/Secom AC

Serão contempladas 27 aldeias situadas em seis Terras Indígenas do Alto Rio Juruá, beneficiando diretamente 4.249 pessoas e outras oito aldeias situadas na Terra Indígena ao longo do Alto Rio Purus, alcançando outras 452 pessoas, totalizando 4.701 beneficiários. A iniciativa representa um impacto significativo na melhoria e qualidade de vida, contribuindo para redução da vulnerabilidade da população indígena.

Francisca Arara, gestora da pasta, ressalta que a meta é contemplar as 36 terras indígenas do Acre até 2026 ampliando as políticas públicas de preservação ambiental, valorização dos conhecimentos tradicionais, desenvolvimento e adaptação aos impactos das mudanças climáticas.

Pagamento de R$ 2,2 milhões aos Agentes Agroflorestais Indígenas até 2026

Para garantir o fortalecimento da gestão territorial e ambiental e contribuir para a segurança alimentar, o governo do Acre tem dado continuidade ao pagamento de bolsa aos Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs). São 148 agentes atuando em 30 Terras Indígenas. 

Agentes agroflorestais indígenas desempenhando um papel estratégico na preservação ambiental em suas aldeias. Foto: Acervo/Secom AC

Em 2024, a Sepi encerrou o ano com o pagamento de R$ 452 mil e até 2026 está previsto o pagamento de R$ 2,2 milhões em bolsa incentivo aos agentes indígenas. Eles recebem também formação continuada para atuarem em seus territórios. Para saber mais, acesse aqui.

Mais de R$ 1 milhão é destinado para apoio à Gestão Territorial e Ambiental

Os investimentos não param e foram destinados mais de R$ 1,1 milhão para execução de 12 projetos voltados para o fortalecimento dos Programas de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PGTAs). Cada projeto receberá recursos aproximados de R$ 100 mil.

O objetivo principal dos PGTAs é contribuir para o uso e a conservação da floresta, reduzir as taxas de desmatamento e manter o estoque de carbono nas florestas em terras indígenas beneficiadas.

Para saber mais sobre essas e outras iniciativas, em execução pelo governo do Acre, que beneficiam os territórios indígenas acesse aqui a página oficial do Programa REM Acre.

*Com informações da Agência Acre

Funai divulga imagens de indígenas isolados nas TIs Massaco e Kawahiva, na Amazônia Legal

Indígena Kawahiva do Rio Pardo, identificado por uma armadilha fotográfica em novembro de 2020. Foto: CGIIRC/Funai

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) capturou imagens inéditas de povos isolados na Terra Indígena (TI) Massaco, em Rondônia. As imagens foram feitas durante expedições de monitoramento no início de 2024. A divulgação das imagens busca reafirmar a presença indígena nos territórios e reforçar a necessidade de proteção territorial contra ameaças à sua sobrevivência. As atividades de monitoramento também confirmaram a presença de isolados na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, em Mato Grosso, em julho, por meio de diversos vestígios.

O trabalho foi executado pela Diretoria de Proteção Territorial (DPT) da Funai, por meio das Coordenações das Frentes de Proteção Etnoambiental (CFPEs) Madeirinha-Juruena e Guaporé. As Frentes de Proteção Etnoambiental são unidades descentralizadas da Funai especializadas na proteção de indígenas isolados e de recente contato distribuídas especialmente pela Amazônia Legal, onde predominam esses povos.

O monitoramento é feito a partir de expedições, sobrevoos e de presença permanente, em parceria com outros órgãos ambientais e de segurança pública, por via terrestre e aérea, por meio das Bases de Proteção Etnoambiental (Bapes). As Bapes são estruturas físicas permanentes, localizadas em pontos estratégicos do territórios, visando a proteção ambiental, física e social dos povos indígenas isolados e de recente contato, nas quais as equipes volantes da Funai se revezam tanto para ações de monitoramento quanto para o atendimento das comunidades indígenas.

Atualmente, são 11 FPEs que atuam sob orientação da Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC), vinculada à DPT. É com a ação executada pelas Frentes de Proteção Etnoambiental que a Funai atua para garantir a autodeterminação e autonomia dos povos isolados sem a necessidade de promover contato e sem nenhuma interferência nos seus modos de vida.

A CFPE Madeirinha-Juruena executa a proteção e o monitoramento dos povos indígenas isolados na TI Kawahiva do Rio Pardo, em Mato Grosso; e a CFPE Guaporé, a TI Massaco, em Rondônia.

Foto: CGIIRC/Funai

Terra Indígena Massaco

A Terra Indígena Massaco se encontra demarcada e regularizada pelo Decreto de 11 de dezembro de 1998, com área de 421.895 hectares, localizada nos municípios de Alta Floresta do Oeste 3 e São Francisco do Guaporé, no estado de Rondônia. A ocupação deste território é exclusiva de povo indígena isolado de etnia ainda desconhecida. Aproximadamente 97,5% da área da TI Massaco estão sobrepostas a Reserva Biológica do Guaporé (REBIO Guaporé).

A CFPE Guaporé realiza permanentemente atividades de proteção do território, monitorando acessos à terra indígena para prevenir práticas ilícitas, como extração de madeira e invasões. Também são realizadas ações de conscientização da população vizinha e manutenção das instalações da Base de Proteção Etnoambiental Massaco.

Dentre as atividades de vigilância e monitoramento, a equipe percorre os limites da Terra Indígena e inspeciona áreas vulneráveis, de forma a coibir e mapear invasões de terceiros no território indígena. Também realiza limpeza e restauração das placas de identificação ao longo dos limites para reforçar a proteção territorial.

Entre janeiro e abril de 2024, uma equipe da Base Massaco, formada por oito profissionais especializados na proteção de indígenas isolados e de recente contato, realizou expedições para registrar vestígios e atividades desses grupos. A equipe da Funai percorreu cerca de 65 km em cinco dias para mapear os vestígios deixados pelos isolados e planejar as próximas ações de monitoramento.

Com cerca de 30 anos de atuação com monitoramento de indígenas isolados, o sertanista da Funai Altair Algayer foi quem liderou a expedição. Ele é o coordenador da FPE Guaporé. Segundo ele, foi detectada a presença dos isolados em diversas ocasiões por meio de vestígios, como estrepes (armadilhas pontiagudas) colocados em trilhas e estradas nos limites da TI, além de abrigos temporários, pontos de coleta de mel e outros alimentos e atividades de caça.

Chamou a atenção da equipe a aproximação dos indígenas, cada vez mais frequente, nos extremos dos limites da Terra Indígena, o que os expõe ao contato direto e indireto com não indígenas. Pelo que os agentes observaram, essa aproximação, muitas vezes, é pela necessidade de expandirem sua área de ocupação em busca de recursos para sua sobrevivência que, aparentemente, tem apresentado crescimento demográfico.

E, também, para obterem ferramentas que costumam ser deixadas pela equipe da Funai para facilitar as atividades de caça e coleta de alimentos. “Outro alerta visto com preocupação é a mudança climática, que altera significativamente o ciclo dos recursos naturais, dos quais este povo depende para sobreviver. Garantir a proteção integral dos recursos naturais deste território é fundamental para a sobrevivência deste povo”, destacou Altair Algayer.

Em fevereiro, uma câmera instalada em uma das trilhas capturou imagens de um grupo de nove indígenas, todos do sexo masculino, com idades estimadas entre 20 e 40 anos. Apesar das condições climáticas que comprometeram a nitidez das imagens, o registro foi fundamental para documentar as características físicas, comportamento, postura, dentre outros aspectos.

A captura das imagens foi feita no momento em que os isolados retiravam ferramentas (facões e machados) deixadas pela equipe da Funai em janeiro de 2021. O que também chamou a atenção dos servidores é que o equipamento fotográfico estava visível e, mesmo assim, ficou intacto, significando que os indígenas não se aproximaram dele nem por curiosidade. O que não foi surpresa foram as armadilhas pontiagudas deixadas pelos isolados nas imediações antes de deixarem o local.

O monitoramento do povo isolado da TI Massaco é feito pela Funai há mais de 35 anos. As expedições ocorrem anualmente, as quais resultaram em um levantamento minucioso de diversas informações sobre esta população, por meio da leitura dos vestígios que os isolados deixam.

De acordo com o coordenador da FPE Guaporé, essas informações não só confirmam a presença dos isolados, como também trazem dados da forma como vivem e se desenvolvem, como priorizam seus movimentos – considerando os ciclos climáticos e entre os diferentes biomas da vegetação –, a forma de manejo na ocupação do território, a prática do nomadismo e sua aptidão pela caça e coleta, aspectos da cultura material, dados demográficos, estilo arquitetônico das suas habitações, seus hábitos alimentares, entre outros.

Esses dados coletados reafirmam a necessidade de proteger os isolados e o território onde vivem, reforçando a vigilância contra possíveis invasões e a importância de ações que garantam a sua integridade cultural e física, sempre respeitando a política de não contato.

Com a experiência de quem monitorou por cerca de 20 anos o isolado que ficou conhecido como “índio do buraco” na Terra Indígena Tanaru, Altair Algayer ressalta que é fundamental para o êxito de uma atividade de monitoramento, como essa expedição na TI Massaco, ter uma equipe que disponha de conhecimento sobre o ambiente da floresta e dos seres que a habitam; pessoas com aptidão e de boa condição física para lidar com as dificuldades impostas pelo ambiente da natureza, pois em muitos momentos a atividade é árdua e exaustiva, com limitações de alimentação e até racionamento de água; e pessoas com noções de orientação e capacidade de se movimentar em meio a floresta sem auxílio de um equipamento, utilizando-se do conhecimento da hidrografia e do sol.

“Uma equipe que tenha conhecimento mínimo e básico sobre o comportamento e dos hábitos do povo isolado, que vão auxiliar na leitura dos vestígios deixados, facilitando a identificação e interpretação dos significados, artefatos, habitações e demais sinais deixados pelos isolados. Uma leitura com boa interpretação leva a equipe a tomar a decisão mais coerente durante a atividade, principalmente, no momento certo de recuar e não continuar e/ou quando se deve avançar, sempre pautado pela premissa de não surpreender e evitar que sua presença represente uma ameaça aos indígenas isolados”, orienta o experiente sertanista.

Ele complementa que se deve evitar o contato visual ou direto com os isolados e que a equipe deve estar preparada com equipamentos mínimos e essenciais de orientação/registro de localização e registro de imagens dos vestígios.

Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo

Agentes da Funai em expedição para monitoramento de isolados na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, em julho de 2024. Foto: CGIIRC/Funai

Com uma área de 411.844 hectares, a Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo localiza-se no município de Colniza, no estado do Mato Grosso. Ela já teve os limites territoriais declarados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a partir dos estudos de identificação e delimitação feitos pela Funai. No momento, o processo de demarcação encontra-se judicializado. Enquanto isso, a autarquia indigenista prossegue com ações de vigilância e proteção dos povos isolados que lá vivem.

Como parte da metodologia da Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato de proteção a esses povos, a CFPE Madeirinha-Juruena realiza periodicamente expedições de monitoramento de forma a acompanhar e compreender a situação do povo indígena isolado ao longo do tempo. Uma dessas expedições ocorreu em julho de 2024 com o objetivo de garantir a segurança do grupo, coletar informações sobre seu modo de vida e reforçar a proteção territorial.

De acordo com o coordenador da FPE Madeirinha-Juruena, Jair Candor, a última expedição ocorreu em 2022. O sertanista da Funai atua no monitoramento de indígenas isolados há 36 anos. “Em 2023, optamos por deixá-los ainda mais à vontade”, afirma o coordenador, referindo-se à política de não contato adotada pelo Estado brasileiro com povos que optam pelo isolamento voluntário.

Segundo Jair Candor, as atividades incluíram o monitoramento das áreas de ocupação dos indígenas isolados, a fim de verificar as boas condições do grupo, mas sem se aproximar demais ou forçar o contato, respeitando a sua autonomia.

Com oito dias de atividades, a equipe confirmou a ocupação dos isolados na região e os deslocamentos que realizaram. “Também encontramos sinais de invasão e uma pressão muito forte no entorno do território, evidenciando que a demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo é mais do que uma urgência”, evidenciou o coordenador da FPE Madeirinha-Juruena sobre a próxima etapa do processo de demarcação da TI e a preocupação com o desmatamento e queimada registrados na divisa com o território indígena.

Essa constatação se deu logo nos dois primeiros dias de expedição, momento em que os agentes localizaram um ponto de acampamento não indígena – possivelmente de garimpeiros ou copaibeiros – para duas pessoas. Segundo os agentes da Funai, o acampamento foi encontrado em uma área onde a equipe havia registrado forte ocupação de isolados em expedições anteriores, reforçando a suspeita de que os indígenas se mudaram para outra área da TI.

Durante a missão, foram encontrados sinais claros de presença indígena, como pegadas, vestígios de coleta de mel e utensílios. A equipe também confirmou a presença de crianças e que o grupo indígena segue em boas condições, com evidências de reprodução e formação de novos núcleos familiares, indicando crescimento demográfico. Também houve registro de tapiris (cabanas) abandonados e a movimentação dos indígenas para áreas mais isoladas do território.

Os agentes da Funai permaneceram em silêncio por alguns minutos até que se retiraram para o acampamento sem serem percebidos. No dia seguinte, ao inspecionarem o local onde ouviram os isolados conversando, os servidores avistaram uma árvore caída no chão e deduziram que as batidas ouvidas no dia anterior se tratavam da retirada de mel daquele tronco.

Mais adiante, enquanto seguiam explorando a área, encontraram pegadas no igarapé, incluindo de crianças. A suspeita é que seja de um bebê que a equipe ouviu chorando durante a expedição anterior realizada em 2022. Em seguida, também encontraram uma cumbuca produzida a partir da capemba (folha) da paxiúba, abandonada às margens do igarapé.

Antes de encerrar a expedição, os agentes da Funai deixaram ferramentas, como machados e facões, em pontos estratégicos e instalaram câmeras com sensores de movimento para monitorar os indígenas sem interferir em sua rotina. Segundo o coordenador da FPE Madeirinha-Juruena, como os isolados que vivem na TI estão em uma área de muita pressão grileira e madeireira, eles já tiveram contato com esse tipo de ferramenta no passado, o que facilita nas suas atividades cotidianas.

Nesse sentido, conforme explicou, com o desgaste das ferramentas que possuem, há o risco de que eles tentem buscar outros utensílios nas fazendas do entorno, como já aconteceu em outros lugares. Essa tentativa, no entanto, os coloca em grave risco, seja por violência em possível contato com os “brancos” ou pelo contágio de doenças. “Sendo assim, colocamos essas ferramentas, de anos em anos, no interior da floresta, a fim de evitar que eles as procurem nas fazendas. Ou seja, é uma atitude preventiva, justamente para evitar um contato indesejado”, afirma Jair Candor.

As câmeras, por outro lado, segundo o coordenador, podem ajudar a recolher informações mais qualificadas sobre o grupo, o que auxilia no monitoramento e na elaboração de políticas públicas de proteção mais adequadas, com o mínimo de invasividade possível, sem fazer o contato ou se aproximar demais.

O experiente sertanista da Funai enfatiza que, apesar de complexo, esse trabalho é necessário para coletar informações a fim de qualificar o monitoramento e garantir a segurança dos indígenas isolados. “A divulgação desse trabalho se constitui como importante ferramenta de fortalecimento da política pública de proteção aos indígenas isolados, para que cada vez mais a sociedade se aproprie da importância de garantir os direitos dessas populações”, destaca Jair Candor.

O coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Madeirinha-Juruena destaca ainda que a experiência e a competência dos integrantes da equipe, formada por profissionais qualificados e comprometidos com a proteção dessa população, foram cruciais para o êxito da expedição. “A nossa unidade de ação, conjugada com a sensibilidade de saber quando avançar e recuar, a fim de não pressionar os indígenas, possibilitou que pudéssemos recolher informações importantes com segurança para a nossa equipe e para os isolados”, enfatizou.

*Com informações da Funai

Forno popular para fabricação de biocarvão visa diminuir impacto ambiental da cadeia produtiva do açaí na Amazônia

Foto: Moisés Mendonça

Iguaria muito valorizada na Amazônia desde antes da chegada dos colonizadores, o açaí tornou-se hoje um alimento planetário, com entusiasmados consumidores dos Estados Unidos até a Ásia. Sua polpa, misturada ao extrato de guaraná, frutas, granola e servida em baixas temperaturas, caiu no gosto dos esportistas, tornando-se item obrigatório no cardápio de quiosques à beira-mar pelo seu sabor adocicado e refrescante.

Porém, é preciso distinguir o açaí que fascina os habitantes da Amazônia (em geral servido com farinha de mandioca ou de tapioca e peixe ou camarão frito) da polpa açucarada, acompanhada de guaraná, que efetivamente globalizou o consumo da fruta e fez sua produção disparar. Dados da Pesquisa Industrial Anual divulgados em 2023 pelo IBGE apontam que, em 2014, o Brasil produzia apenas 6,7 milhões de toneladas de polpa. Em 2021, esse total já havia superado os 100 milhões de toneladas.

O estado do Pará, que tem no açaí sua segunda principal cultura, depois da soja, responde por 90% da produção nacional. Essa liderança gera renda para os produtores, em sua maioria estabelecidos em pequenas e médias propriedades que operam em regime de organização familiar. Por outro lado, a crescente produção vem criando problemas de ordem ambiental, em virtude da quantidade de resíduos gerados, principalmente pelo descarte inadequado do caroço da fruta.

Para produzir a polpa, o açaí deve ser colhido e batido em equipamentos específicos para ser despolpado. O que sobra, além do líquido espesso de cor roxa, são grandes volumes de sementes, que representam a maior parte do volume da fruta, e muitas vezes são descartados em vias públicas ou em lixões, podendo causar o assoreamento e a contaminação de igarapés, riachos e outros corpos d’água.

Chorume escorrendo pela linha d’água. Substância pode contaminar igarapé, que costuma ser fonte de alimentação humana e animal, além de recurso para irrigação e psicultura. Foto: Moisés Mendonça

Durante o projeto de mestrado apresentado no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, câmpus de Jaboticabal, o engenheiro agrônomo Moisés Mendonça desenvolveu um protótipo de forno de baixo custo para transformar o caroço do açaí em biochar. O produto, também conhecido como biocarvão, é obtido a partir da queima de uma biomassa (o caroço) a altas temperaturas e baixa oferta de oxigênio, em um processo chamado pirólise. O biochar não é um produto novo na literatura científica, mas suas aplicações têm sido objeto de diversos estudos nos últimos anos em virtude dos efeitos benéficos que pode promover para o solo.

O mestrado de Mendonça na Unesp foi viabilizado pelo programa Minter/Dinter, da Capes, que apoia a realização de cursos de pós-graduação stricto sensu interinstitucionais para a rede federal de educação profissional e tecnológica. Na hora de escolher um tema para a sua dissertação, o pesquisador procurou algo que se conectasse com a realidade amazônica. Ao pesquisar na literatura científica, conheceu o biochar e associou suas propriedades à problemática dos resíduos sólidos oriundos da produção do açaí.

Melhora para a qualidade do solo

Orientador do projeto de mestrado de Mendonça em Jaboticabal, o engenheiro agrônomo Wanderley de Melo explica que o biochar, por não sofrer uma queima total, como se dá durante a fabricação do carvão convencional, acaba preservando uma série de elementos importantes, como o enxofre, fósforo e outros nutrientes que melhoram a fertilidade do solo.

Atualmente, ele supervisiona outro projeto na área, no qual a produção de biochar ocorre a partir de restos da produção do cacau.

Caroço de açaí secando ao sol para a produção de biochar. Foto: Moisés Mendonça

Outra vantagem da produção do biochar é que a queima parcial pela pirólise também imobiliza moléculas de carbono que, caso ocorresse a queima total, seriam liberadas na atmosfera. Uma vez que o carbono esteja retido no solo, sua liberação se dará por meio do processo natural de decomposição do biochar, que é lento. Esse aprisionamento do carbono no solo contribui para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Mendonça destaca também como benéfica a capacidade do biochar de reter a umidade do solo. “Isso é importante na Amazônia, onde temos seis meses de chuva e seis meses secos. Além disso, o solo é arenoso, o que reduz sua capacidade de reter a água. O biochar, por ser um material poroso, ajuda a reter essa água nas raízes da planta durante o período mais seco do ano”, diz ele, que além de doutorando é professor no IFPA.

Forno usa material acessível

O projeto que Mendonça desenvolveu em seu mestrado na Unesp envolveu o desenvolvimento de um forno rústico, de estrutura simples e barata, que se baseia no reúso de materiais facilmente encontrados na região. Isso permite que a tecnologia seja apropriada pelos agricultores locais, capacitando-os a produzirem seu próprio biochar. O trabalho também avaliou a aplicação deste biocarvão produzido rusticamente como condicionador de solo para a produção de mudas de pimenta-do-reino, outra cultura de importância econômica da região. A pesquisa foi publicada em setembro no Journal of Environmental Management.

O forno foi construído a partir de um tambor grande de 200 litros. Dentro dele foi colocado um tambor menor, de 100 litros, totalmente carregado com os caroços do açaí. A diferença de volume entre os dois tambores foi preenchida com material combustível, no caso resíduos de podas da própria fazenda-escola do câmpus do IFPA, em Castanhal.

Além da construção do forno rústico, o experimento também analisou os efeitos da aplicação de quatro taxas diferentes (4, 8 16 e 32 g) de biochar à terra, cada uma com quatro granulometrias (3, 5, 7 e 12 mm de diâmetro), além de um grupo de mudas controle que não continha o biocarvão.

Os resultados apontaram que a combinação de 32 g (equivalente a uma aplicação de 32 t/ha) com partículas de 5 mm foi a que apresentou os melhores resultados para o crescimento das raízes das mudas. O trabalho também encontrou efeitos positivos na altura das mudas em aplicações de 16 t/ha com partículas de 5 mm. O uso do biochar mostrou ainda capacidade de aumentar a retenção de água, afetando positivamente a umidade do solo.

A comprovação de que o biochar, mesmo que produzido de forma rústica e acessível, apresenta impactos positivos nas propriedades e fertilidade do solo, estimulou Mendonça a aperfeiçoar o produto durante o doutorado. Seu orientador nesta etapa é o engenheiro agrônomo Romier da Paixão Souza. Souza explica que a apropriação da tecnologia por parte dos produtores locais é sempre um desafio para a aplicação de uma tecnologia social. Professor no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural e Sistemas Agroalimentares do IFPA, ele tem centrado boa parte de sua atuação acadêmica nos últimos anos na educação no campo e no desenvolvimento de tecnologias sociais aplicáveis à agroecologia.

Para enfrentar o primeiro desafio, Souza aposta na educação ambiental junto aos agricultores, suas famílias e no entorno das comunidades. Já a elaboração de equipamentos que sirvam aos agricultores passa, em parte, pelo trabalho que vem sendo realizado no Laboratório de Bioinsumos da Amazônia.

A proposta da estrutura, explica o professor, é abrigar projetos inovadores de tecnologia social, mas também estimular o uso por parte dos produtores da compostagem, vermicompostagem e de biofertilizantes para reduzir o uso da adubação química, em geral mais cara e agressiva ao meio ambiente.

Fumaça gerada pelo início da queima dos resíduos para produção do biochar. Foto: Moisés Mendonça

Outro projeto do laboratório desenvolveu uma colheitadeira manual de mandioca que facilita o arranque do tubérculo do solo, diminuindo consideravelmente o esforço do produtor. “Essas tecnologias são registradas na forma de patentes com conhecimento aberto. A ideia não é gerar uma patente para ganhar dinheiro, mas para que as pessoas possam se apropriar da tecnologia”, diz Souza.

Após uma primeira versão concebida durante o mestrado na Unesp, Mendonça tem trabalhado no aprimoramento do forno junto a um assentamento da cidade de Castanhal, onde produtores locais testam, avaliam e colaboram com sugestões de melhorias no projeto. Entre os incrementos da nova versão, por exemplo, está o controle da temperatura do forno, permitindo que o biochar fique pronto após um período de 6 a 8 horas, enquanto a versão anterior necessitava de 12 horas de queima.

“A proposta é que o forno para a produção de biochar a partir do caroço do açaí reúna aspectos sociais, ambientais e econômicos. Isso porque o produtor poderá deixar de depender da aquisição de fertilizantes químicos para produzir seu próprio adubo orgânico, e possam inclusive comercializar esse material como um produto”, diz Mendonça.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Marcos do Amaral Jorge

Observatório da Amazônia Oriental: ecótono Amazônia-Cerrado é criado no Maranhão

Foto: Reprodução/Ideflor-Bio

A Amazônia Oriental é composta pelos Estados do Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso. A parte oriental da Amazônia abriga 20% do bioma Cerrado e parte do Pantanal mato-grossense. O ‘Observatório da Amazônia Oriental: ecótono Amazônia-Cerrado’ (OAO), criado pela Resolução nº 331/2024 – CONSUN-UEMASUL é um núcleo de pesquisa formado por professores da UEMASUL e instituições parceiras.

Leia também: Portal Amazônia responde: quais Estados fazem parte da Amazônia Oriental e Ocidental?

O núcleo se estabelece como uma referência para compreender a estrutura e o funcionamento dos processos socioambientais e econômicos, além de incentivar a participação popular na melhoria da qualidade da informação na região da Amazônia Oriental, em busca das metas propostas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“O observatório surgiu com a parceria UEMASUL e UNIVALI, buscando agregar pesquisadores em um núcleo de pesquisa sobre as diversas temáticas da Amazônia Oriental e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), na qual o Maranhão está inserido. A UEMASUL, neste sentido, ganha destaque como o centro de pesquisa sobre essa temática. Atualmente, o OAO conta com 35 pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento e de diferentes instituições”, explicou a professora Aichely Rodrigues da Silva, uma das coordenadoras.

Compete ao Observatório da Amazônia Oriental:

  • criar e difundir informações de pesquisas realizadas;
  • contribuir para a ampliação do conhecimento sobre os assuntos socioambientais, econômicos e de governança da região;
  • fomentar a integração interinstitucional nas questões relacionadas aos biomas Amazônico e Cerrado;
  • reunir e executar pesquisas, estudos, levantamentos e estimular a publicação de estudos, pesquisas e análises relacionadas às temáticas do Observatório;
  • favorecer a integração contínua das atividades de ensino, pesquisa, inovação e extensão nas universidades parceiras,
  • dentre outras.

O núcleo tem as parcerias da Universidade Vale do Itajaí (UNIVALI); Universidade do Minho (Portugal); Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Centro Universitário do Pará (CESUPA); Reserva Biológica do Gurupi, 50º Batalhão de Infantaria de Selva e do Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz.

São sete grupos de trabalho atuantes formados por professores e estudantes: Conservação e gestão de bacias hidrográficas na Amazônia Oriental, Impactos socioambientais e econômicos na Amazônia Oriental, Mudanças climáticas de desmatamento na Amazônia Oriental, Patrimônio e representações culturais na Amazônia Oriental, Saúde pública na Amazônia Oriental, Uso e ocupação do solo na Amazônia Oriental e Educação e ODS na Amazônia Oriental.

São 17 objetivos que abordam os principais desafios de desenvolvimento enfrentados pelas pessoas em todo o mundo. Além dos objetivos, também são propostas 169 metas que devem ser atingidas no período de 2016 a 2030.

*Com informações da UEMASUL

Laboratório da UEA vence prêmio internacional de melhor imagem em microscopia

Grand Prize SEM Winner: ‘Infectious look; SUBJECT: Details from eyes and front structure of mosquito Aedes aegypti, vector of dengue fever and Zika virus.; CREDIT: Jander Matos, Joaquim Nascimento -, UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS; METHOD/INSTRUMENT: JSM IT500 HR’

O Centro Multiusuário para Análise de Fenômenos Biomédicos da Universidade do Estado do Amazonas (CMABio/UEA) conquistou o prêmio de melhor imagem em microscopia. O concurso realizado, internacionalmente, em 2024 pela empresa Jeol – desenvolvedora de microscópios de super resolução -, premiou a foto na categoria ‘Scanning Electron Microscopes (SEM)‘ – ‘Microscópios Eletrônicos de Varredura (MEV)’ traduzido para o português -, que possibilita mais liberdade na coloração utilizando softwares e técnicas de pós-processamento.

Com o título ‘Infectious Look’ (“Aparência infecciosa”, traduzido para português), a imagem produzida pelo tecnólogo em microscopia e bolsista do Fundo de Reserva Específico de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (FEPD&I) da UEA, Jander Matos, e por Joaquim Nascimento, doutorando em Biologia Evolutiva & Conservação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), apresenta detalhes dos olhos e da estrutura frontal do mosquito Aedes aegypti, espécie que transmite dengue, chikungunya, zika e a febre amarela urbana.

De acordo com Jander, o laboratório possui um acervo de fotos que detalham todos os momentos do ciclo de vida do mosquito. A maioria vem de protocolos otimizados para investigar estágios da larva ainda dentro dos ovos.

Pioneirismo em bioimagem

A conquista demonstra o investimento da universidade em pesquisa científica e ferramentas que possam proporcionar um estudo de melhor qualidade à comunidade acadêmica.

“⁠São passos importantes na visibilidade da UEA como pioneira em bioimagem na região Norte, pois conhecer a biodiversidade é um recurso chave para o desenvolvimento sustentável. Hoje, ela mantém uma estrutura de ponta que impulsiona tanto meu crescimento profissional quanto o crescimento do estado do Amazonas. Graduei na instituição e agradeço por ter proporcionado minha formação como especialista em microscopia e bioimagem. Estou entusiasmado por continuar desenvolvendo a área na região”, finalizou o tecnólogo.

Desde 2019, a universidade coleciona quatro prêmios em competições com fotos do Aedes aegypti, sendo dois deles no concurso da Jeol, um na Sociedade Brasileira de Microscopia e Microanálise (SBMM) e o último no Prêmio de Fotografia – Ciência&Arte, organizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela UEA

Pesquisadores avaliam impactos da sísmica em botos da região do salgado paraense

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Bioma Ufra possui o Disk-Encalhe, que funciona 24h, para animais vivos ou mortos. Foto: Reprodução/Arquivo BioMA

Oito pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) embarcam no dia 5 de janeiro em uma navegação que vai percorrer a costa dos municípios de Bragança, Augusto Correa e Viseu, região do salgado paraense. O objetivo é realizar o monitoramento da saúde e comportamento dos botos, aves e tartarugas marinhas dessa região, e se esses animais estão sendo afetados ou não pelos estudos sísmicos das empresas que querem explorar petróleo no local.

Segundo Angélica Rodrigues, bióloga e pesquisadora do Instituto BioMa, grupo da Ufra responsável pela pesquisa, a “sísmica” é uma tecnologia utilizada por empresas que avaliam o fundo do mar, para verificar se há petróleo naquela área. A pesquisa sísmica precisa ter o licenciamento do Ibama, e para que isso aconteça é necessário um monitoramento de fauna, o que será executado pelo Instituto Bioma.

Até o próximo dia 08, os pesquisadores vão monitorar o deslocamento dos animais, comportamento, marés, tipos de espécies, saúde, vocalização e encalhe.

Os estudos vão ocorrer durante um ano. Essa já é a segunda expedição embarcada dos pesquisadores. A expedição faz parte do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC), que monitora as bacias do Pará-Maranhão e a região da Foz do Amazonas. O projeto é uma exigência estabelecida no processo de licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama. A partir dos monitoramentos são feitas análises e relatórios encaminhados ao Ibama e à empresa.

Encalhe

O BioMA realiza há anos o monitoramento de botos, baleias e golfinhos que venham a encalhar nas praias da região do salgado paraense, monitorando também aves, peixe-boi e tartarugas. O projeto de monitoramento dos Cetáceos intensificou essa rede. Desde que iniciou, em junho de 2024, os pesquisadores já foram acionados cerca de 30 vezes pela comunidade. Os pesquisadores foram buscar três animais, que já estavam mortos, todos da região de Ajuruteua, em Bragança.

Foto: Reprodução/Arquivo BioMA

As necropsias são realizadas por médicos veterinários, no laboratório de Necropsia de Pequenos Animais da Ufra. A causa da morte dos botos ainda não pôde ser definida. “Os animais que chegaram tem indícios de interação acidental com redes de pesca. Mas também recebemos animais mutilados, principalmente a genitália, já que ainda há um apelo por esses órgãos na região amazônica. As pessoas ainda usam como unguento”, lamenta.

O Bioma faz parte da Rede de Encalhe de Mamíferos Aquáticos do Norte (REMANOR), que reúne especialistas nessa área e na análise de fauna oleada. A rede é gerenciada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com o apoio dessa rede, moradores, turistas e pescadores podem entrar em contato com o Bioma quando percebem um animal marinho morto ou encalhado na praia. O disk-encalhe do Bioma funciona 24h, para animais vivos ou mortos e pode ser acionado pelo (91) 98411-6117 e (91) 98411-8263

*Com informações da Ufra

Mais de R$ 176 milhões em multas são aplicados pelo Batalhão Ambiental durante 2024 no MT

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Equipes atuam em operações próprias e em apoio à Sema, Ibama e outras instituições de proteção a fauna e a flora. Foto: Wellyngton Souza/PMMT

O Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA) aplicou R$ 176,4 milhões em multas e prendeu 92 pessoas em flagrante por crimes contra o meio ambiente, em Mato Grosso, em 2024. As equipes realizaram 104 operações de fiscalização próprias e de apoio às outras instituições, resgataram 1.022 animais, apreenderam 194 quilos de pescado irregular e retiraram 30 tratores de circulação.

No ano anterior, durante às ações de enfrentamento a crimes contra o meio ambiente, foram registrados 288 autos de infração, 256 autos de inspeção, além da assinatura de 221 termos de embargo e interdição e 54 de destruição e inutilização de veículos.

Os policiais militares apreenderam 839 materiais de pesca irregular, entre espinhel, redes, tarrafas e outros apetrechos. Ao todo, 14 embarcações foram detidas e outras 310 vistoriadas.

As equipes apreenderam, no último ano, 3.660 m³ de madeira extraída irregularmente, 28 motosserras, 17 armas de fogo e 133 munições de calibres diversos.

O comandante do Batalhão Ambiental da PM, tenente coronel Fagner Augusto do Nascimento, apontou como produtivas as ações de enfrentamento, combate e preservação ambiental no Estado.

“Essas ações têm sido bastante exitosas graças a integração dos órgãos. Além disso, os importantes investimentos por parte do Governo do Estado, com armamentos, viaturas e recursos tecnológicos, contribuem para uma patrulhamento tático e ostensivo mais preciso, principalmente em áreas de difícil acesso. A Polícia Militar tem um papel importante. Além da capacidade técnica, temos o aparato de segurança necessário para garantir o cumprimento da lei na preservação do meio ambiente”, destacou.

As equipes atuam em operações próprias e em apoio à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outras instituições para proteger a fauna e a flora em Mato Grosso.

*Com informações do Governo de Mato Grosso

Novas técnicas para melhorar ordenha são implementadas no Acre para ajudar produtores

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Uma área de aproximadamente dois hectares de terra, situada dentro da área da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, foi transformada em um laboratório para experimentos de alunos e professores dos cursos de medicina veterinária e engenharia agronômica. É em um galpão que funciona especificamente o programa de extensão denominado Ufac Leite.

Esse programa consiste em melhorar as técnicas de ordenha, de qualidade do produto e até possibilitar maiores cuidados com a saúde do animal. No local há sete vacas leiteiras e cinco bezerras. O leite é retirado e colocado em um recipiente para depois ser vendido para parceiros locais. Os recursos são investidos no próprio projeto, que tem apenas três anos.

A estrutura montada foi pensada em uma pequena propriedade, a fim de ajudar os pequenos produtores com custos que são mais acessíveis. Os cuidados ajudam a melhorar a produção e a dar menos trabalho, já que a ordenha aqui é mecanizada.

Laboratório funciona em área de 2 hectares na Ufac — Foto: Reprodução
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Para que as vacas tenham qualidade no leite e produzam mais, é preciso uma suplementação alimentar diferenciada. A professora Bruna Rosa explica que o aporte nutricional correto ajuda na ordenha, já que o animal gasta muita energia nesse momento, como proteínas, minerais e vitaminas. Por isso, a ração ajuda nesse trabalho.

Com esse laboratório foi possível observar que as vacas respondem melhor com o estímulo por meio da ração preparada, aliada à pastagem.

Alunos desenvolvem irrigação

Feitos esses procedimentos, as vacas são levadas para os locais onde ficam a maior parte do dia, que são os piquetes, como são chamadas pequenas áreas de pasto. Nesse espaço, outro experimento foi colocado em prática, a fim de ajudar todo esse processo.

Os alunos, em parceria com os professores, desenvolveram uma irrigação para garantir a permanência do capim em períodos secos e assim ajudar os produtores com mais uma alternativa para que tenham pasto o ano inteiro.

Para que o projeto funcione é preciso que o produtor tenha em sua terra água disponível e energia.

“Para a gente montar uma irrigação tem que ter em mente as características do solo, porque você tem que pensar nele como se fosse uma grande caixa d’água de armazenamento. Solos mais arenosos não conseguem acumular muita água, solos mais argilosos já têm essa capacidade maior, então isso também vai influenciar no projeto o relevo da área. Também é importante considerar as condições climáticas aqui no Acre elas são propícias porque diferente de outras regiões em que na época seca também ocorre a geadas aqui no Acre a gente não sofre com temperaturas abaixo de 15 graus,” esclarece Kelysomar Santos, acadêmico de engenharia agronômica.

Para os alunos, essas são experiências que ajudam os produtores a encontrarem melhores maneiras de trabalho, além de fortalecer o conhecimento desses novos profissionais no futuro.

“Falando como aluno, é a questão da experiência, né? Aqui nós temos muitos casos que a gente já trabalha com várias áreas, então a gente trabalha com a parte nutricional, com a parte clínica, a gente trabalha com a parte de manejo, de boas práticas de ordenha, né? São inúmeras práticas ali na questão do dia a dia. De como a gente vai ajudar o produtor, que essa é uma importância para nós aqui como alunos futuros, profissionais, agrônomos, veterinários, que é de levar esse nosso conhecimento técnico”, avalia o estudante Gustavo Henrique Abecassis.

*Por Jardel Angelim, da Rede Amazônica AC

Amapá alerta para o período de defeso do caranguejo-uçá

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Foto: Reprodução/Ascom IMA

O Governo do Amapá alerta para a proibição da pesca do caranguejo-uçá, que entra no defeso de 13 a 18 de janeiro de 2025. Neste período, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) reforça as fiscalizações que resguardam a reprodução do crustáceo.

Leia também: Você sabe o que é a “andada” dos caranguejos?

No Amapá, fica proibida a captura, manutenção em cativeiro, transporte, beneficiamento, industrialização, armazenamento e a comercialização da espécie, bem como as partes isoladas (quelas, pinças e garras) durante o período reprodutivo, conhecido como “suatá”, época em que eles saem das tocas para acasalar e liberar os ovos.

Além de ser uma medida fundamental para a preservação da espécie, o defeso contribui para a manutenção da biodiversidade, para o equilíbrio dos ecossistemas de manguezais e para a sustentabilidade econômica das comunidades costeiras, pois o caranguejo-uçá é uma importante fonte de renda e alimento para os ribeirinhos.

Foto: Reprodução/Ascom IMA

A esfera estadual, o defeso do caranguejo-uçá e a regulamentação do tamanho de sua captura nos demais períodos do ano é definido pela portaria nº 118/2013 – Sema-AP. No âmbito federal, o defeso é regulamentado pela portaria interministerial MPA/MMA nº 22, de 30 de dezembro de 2024.

As pessoas físicas ou jurídicas que atuam na manutenção em cativeiro, conservação, beneficiamento, industrialização ou comercialização do caranguejo-uçá no Amapá, deverão fornecer ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a declaração de estoque com relação detalhada dos animais vivos, congelados, pré-cozidos, cozidos, inteiros ou em partes, permitindo, desta forma, a comercialização da espécie durante o período de defeso correspondente.

Confira os próximos períodos de andada do caranguejo-uçá:

  •  13 a 18 de janeiro de 2025;
  •  29 de janeiro a 3 de fevereiro de 2025;
  •  27 de fevereiro a 4 de março de 2025;
  •  29 de março a 3 de abril de 2025.

Para impedir a sobrepesca e garantir a reposição dos estoques naturais, a portaria que regulamenta o defeso estabelece restrições em cinco períodos ao longo do ano, sempre alinhados às fases de lua nova.

Foto: Reprodução/Ascom IMA

A iniciativa reforça o compromisso do Plano de  Governo da Gestão que prioriza o desenvolvimento sustentável, assegurando a proteção dos ecossistemas e o equilíbrio entre as necessidades ambientais e econômicas da população.

*Com informações do Governo do Amapá