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Lendas Vivas: animais amazônicos e suas histórias místicas

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O veado-mateiro (Mazama americana). Foto: Whaldener Endo

Por Luciana Frazão

A Amazônia é terra de biodiversidade e cultura, onde natureza e crenças se entrelaçam. Aposto que você leitor com certeza já ouviu alguma lenda amazônica em que um animal é protagonista, certo? Entre as muitas riquezas da nossa floresta, destacam-se os animais que inspiraram histórias passadas de geração em geração pelos povos indígenas. Vamos conhecer cinco animais fascinantes que não são apenas parte da fauna, mas também personagens de lendas cheias de mistério e sabedoria ancestral.

Que tal se aprofundar um pouco mais em um mundo onde a floresta ganha voz e os animais revelam segredos que atravessam gerações?

Boto-cor-de-rosa: o encantador das águas

O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é um dos protagonistas mais famosos das lendas amazônicas. Conta-se que, nas noites de festa, ele se transforma em um belo jovem para encantar moças e levá-las para o fundo dos rios. O boto-cor-de-rosa é o maior dos botos podendo chegar até 2,55 metros de comprimento e pesar até 207 kg.

O boto-cor-de-rosa se mantém ativo tanto de dia como de noite e, durante o período de atividade, se alimenta basicamente de peixes. Esse golfinho de água doce, que vive nos rios da nossa região, é também conhecido por seu comportamento social e inteligência, reforçando seu papel quase mágico nas crenças populares.

O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis). Foto: Federico Mosquera / Fundação Omacha

Veado-mateiro: Anhangá, o espírito guardião do cervo

Nas narrativas indígenas, o Anhangá é um espírito protetor da floresta que muitas vezes assume a forma de um cervo de olhos flamejantes. Acredita-se que ele guia caçadores desavisados para longe de suas presas, protegendo a fauna. Alguns associam esse mito ao veado-mateiro (Mazama americana), uma espécie que habita as densas matas amazônicas e é conhecida por sua habilidade de se camuflar. São animais grandes, onde os adultos pesam em média 30 quilos, e apresentam entre 67 cm e 80 cm de altura (medida nas ancas). Os veados-mateiros são herbívoros e possuem um impacto considerável no ecossistema amazônico, sendo responsáveis por ajudar a dispersar sementes na floresta.

O veado-mateiro (Mazama americana). Foto: Whaldener Endo

Uirapuru: a melodia do amor

Pequeno e discreto, o uirapuru (Cyphorhinus arada) é celebrado como símbolo de sorte e amor. Diz a lenda que, ao ouvir seu canto, a floresta silencia para escutar. Este pássaro tímido, encontrado nas matas amazônicas, tem um dos cantos mais complexos e belos do mundo, o que reforça seu status quase mítico. O uirapuru tem o tamanho médio de 12,5 cm e se move no solo ou no meio das folhagens e se alimenta principalmente, insetos, mas também se alimenta de frutas. Há uma lenda que diz que com o seu canto ele atrai bandos de aves, mas esse comportamento é uma estratégia para otimizar a busca por alimento. 

O uirapuru (Cyphorhinus arada). Foto: Hector Bottai

Cobra-grande: a guardiã dos rios

A cobra-grande, ou sucuri (Eunectes murinus), é um dos animais mais temidos e reverenciados na Amazônia. Segundo a lenda, ela habita as profundezas dos rios, protegendo seus segredos e punindo os invasores. Essa serpente, de fato, é uma das maiores do mundo, podendo chegar a mais de 5 metros de comprimento e pesar mais de 90kg. Apesar do tamanho que impõe respeito, esses animais não são peçonhentos e não costumam apresentar perigo aos seres humanos, e desempenham um papel essencial no equilíbrio ecológico dos rios amazônicos.

A sucuri (Eunectes murinus). Foto: Alexandre Almeida

Gavião-real: a ave celestial

O gavião-real (Harpia harpyja) é visto por muitos povos indígenas como um mensageiro dos deuses. Com suas poderosas garras e voo majestoso, ela simboliza força e proteção. Devido ao grande porte, é conhecido pelos indígenas como Uiraçu, um termo tupi que significa “ave grande”. Para muitas tribos indígenas brasileiras, o gavião-real é a personificação dos caciques, símbolo de altivez e força, sendo representado em diferentes manifestos culturais populares.

Essa ave, uma das maiores aves de rapina do mundo, podendo alcançar um pouco mais de 2 metros de envergadura de asa (o tamanho de uma ponta a outra da asa) e pesar até 9 quilos, no caso das fêmeas e 5 quilos os machos. O gavião-real habita as florestas densas e é um ícone tanto da biodiversidade quanto da espiritualidade da região.

O gavião-real (Harpia harpyja). Foto: Guilherme Jofili

Esses animais, além de desempenharem papéis importantes nos ecossistemas que habitam, são a conexão viva entre natureza e cultura. Eles nos lembram que a Amazônia não é apenas um lugar de beleza natural, mas também de histórias que enriquecem nossa identidade, herança e legado. Espero que tenham gostado dessa viagem pelas lendas e mistérios da nossa floresta. Abraços de sucuri pra vocês e até o próximo encontro com os animais incríveis da Amazônia!

Sobre a autora

Luciana Frazão é pesquisadora na Universidade de Coimbra (Portugal), onde atua em estudos relacionados as Reservas da Biosfera da UNESCO, doutora em Biodiversidade e Conservação (Universidade Federal do Amazonas) e mestre em zoologia (Universidade Federal do Pará).

*O conteúdo é de responsabilidade da colunista

Com investimentos para a COP30, números do turismo em Belém disparam

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Com a chegada de 2025, o Brasil e o mundo estão cada vez mais próximos da realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, que pela primeira vez será realizada em imersão na maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica. A capital do estado do Pará, Belém, sede do evento, se prepara para receber um público superior a 40 mil pessoas entre os dias 10 e 21 de novembro deste ano, de acordo com estimativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) já dão conta da escalada da procura de Belém como destino internacional. Uma comparação entre janeiro a novembro de 2023 (antes do anúncio da cidade como sede da COP) e janeiro a novembro de 2024 indica um crescimento superior a 59% nas chegadas por via aérea na capital paraense.

Enquanto, no período destes 11 meses, em 2023 foram 18.655 chegadas, em 2024 o número foi de 29.685, ano de movimentação recorde no Aeroporto Internacional Júlio Cezar Ribeiro. Nacionais do Suriname, França, Estados Unidos, Portugal e Holanda formam os principais grupos a terem desembarcado em Belém no último ano.

Capacitação aos profissionais do ramo, que se dedicarão a um público com características definidas, voltadas à sustentabilidade; atenção à rede hoteleira, com a construção de novos hotéis e restauração e modernização das instalações já existentes; e reforma de lugares centrais, como o Complexo Ver-o-Peso, maior feira livre da América Latina, e o Mercado de São Brás, que em dezembro de 2024 já foi reinaugurado, estão entre as ações na área turística. O Mercado foi a primeira obra entregue pelo governo federal e pela prefeitura de Belém no escopo de revitalizações com vistas à COP30.

Qualificação para o turismo

Além da execução de obras, outros movimentos via governo federal já estão encaminhados em perspectiva da Conferência. Em junho do ano passado, o Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur e a Caixa Econômica Federal, assinou um acordo de cooperação com previsão de R$ 6 milhões em investimentos para desenvolver o turismo de base comunitária em Belém e nas ilhas metropolitanas dos arredores da cidade.

O foco é na elaboração de projetos de experiência autêntica com participação ativa dos ribeirinhos, potencializando o que há de significativo na região. “Pela primeira vez na história nós vamos investir um valor tão significativo para desenvolver uma modelagem de turismo que aproxime as pessoas que mais precisam, de uma fonte de renda sustentável, e ainda proporcionar experiências turísticas memoráveis”, declarou o ministro do Turismo, Celso Sabino, na ocasião.

Em novembro, também em Belém, foi inaugurada a primeira Escola de Turismo do Brasil. A escolha da cidade para o projeto pioneiro do Ministério do Turismo foi motivada exatamente pela proximidade da COP em terras paraenses. Com aulas presenciais em Belém, Santarém, Vigia e Bragança e também com aulas na modalidade online, são 4,7 mil vagas nos cursos como os de “Gestão de Negócios para o Turismo”, “Educação Ambiental e Sustentabilidade”, “Governança para a Hospedagem Familiar” e “Condutor de Atrativos Turísticos”, além de idiomas como inglês e espanhol.

Investimentos federais

Os investimentos do governo federal estão na ordem de R$ 4,7 bilhões, entre recursos do Orçamento Geral da União, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Itaipu Binacional. Um valor que se traduz em uma série de obras e atividades que visam atender a demandas diversas para um evento que estará sob os olhares mundiais, ao receber chefes de Estado, diplomatas, investidores, ativistas e delegações dos 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) que têm como missão consolidar novas ações à urgência do chamado contra a mudança do clima.

*Com informações da Secom/Presidência da República

Abrigo Amigo: tecnologia criada em MT busca garantir segurança de mulheres em ponto de ônibus

Foto: Davi Valle

A Prefeitura de Cuiabá realizou o lançamento do projeto Abrigo Amigo, em dezembro de 2024, uma iniciativa inovadora que busca fortalecer a rede de proteção às mulheres. Executado em parceria entre a Secretaria Municipal da Mulher, a Secretaria de Mobilidade Urbana e o Consórcio CS Mobi, o projeto combate a misoginia e fomenta o empreendedorismo feminino. O lançamento da iniciativa foi conduzido pela primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro.

O Abrigo Amigo, projetado pela empresa Eletromídia, gera segurança e conforto aos pontos de ônibus da capital mato-grossense. O primeiro abrigo, instalado na Avenida Getúlio Vargas, próximo à Praça Santos Dumont, conta com totens de atendimento remoto que funcionam das 19h às 4h.

O dispositivo permite que mulheres em situação de vulnerabilidade acionem apoio imediato, com conexão a uma central operada por profissionais especializados em São Paulo.

“O Abrigo Amigo é mais uma demonstração de que Cuiabá avança para ser uma cidade mais segura e acolhedora para as mulheres. Cada ação realizada pela gestão Emanuel Pinheiro reforça nosso compromisso com a desconstrução da misoginia e o fortalecimento do empreendedorismo feminino. Este legado será lembrado como um marco na defesa de direitos e na construção de uma sociedade mais igualitária”, afirmou a primeira-dama Márcia Pinheiro, grande articuladora da iniciativa.

A inovação, que inclui a exibição de campanhas educativas criadas pela Secretaria da Mulher, integra o programa de Parceria Público-Privada (PPP) com o Consórcio CS Mobi, responsável pela modernização do mobiliário urbano de Cuiabá. Ao todo, estão previstos 20 abrigos deste modelo em pontos estratégicos da cidade, ampliando o alcance da rede de proteção às mulheres e contribuindo para a redução de casos de importunação sexual no transporte público.

O prefeito Emanuel Pinheiro destacou o impacto do projeto no fortalecimento da cidadania: “O Abrigo Amigo é um exemplo do que buscamos com nossa gestão: criar ferramentas que protejam e empoderem a população, especialmente as mulheres, e deixem um legado de transformação. Cuiabá está avançando com respeito, inovação e inclusão”.

A iniciativa, que também conta com o suporte do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) por meio de câmeras de videomonitoramento, inclui reconhecimento facial e compartilhamento de imagens em tempo real.

O reconhecimento facial é uma tecnologia que identifica rostos humanos em imagens ou vídeos. A polícia utiliza esse recurso para comparar fotos de pessoas com mandados em aberto com imagens de bancos de dados.

“Com o pioneirismo do projeto Abrigo Amigo, Cuiabá reafirma seu compromisso com a segurança e o acolhimento das mulheres que dependem do transporte público diariamente”, declarou Luciana Zamproni.

*Com informações da Prefeitura de Cuiabá

Memória de um artista que explorou a Amazônia e morreu afogado no Guaporé em 1828

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Selo dos Correios, 1992: homenagem a Taunay. Foto: Reprodução

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Este 5 de janeiro de 2025, marca exatamente 197 anos desde a morte de Aimé-Adrien Taunay. Ele morreu enquanto atravessava a nado o Rio Guaporé, em Vila Bela da Santíssima Trindade, na época capital da província do Mato Grosso, que abrangia os atuais estados de Rondônia e Mato Grosso do Sul.

Ele foi um genial artista francês, nascido em 1803, em Paris. Aimé-Adrien se destacou como ilustrador científico e participou de importantes expedições exploratórias no século XIX no Brasil. Há importantes pinturas produzidas por ele sobre hábitos e costumes, incluindo os dos indígenas da Amazônia Legal.

‘RELATO DE VIAGEM’ (RÉCIT DE VOYAGE). Na página inicial, alguém anotou: “Caderno de notas de Amado Adriano Taunay [grafia em português]. Afogado nas águas do Guaporé a 5/1/1828”. O bloco, agora pertencente ao acervo do Museu Paulista da USP. Foto: Reprodução

O jovem francês fez parte de uma das mais importantes viagens ao Brasil Profundo no século XIX: a Expedição Langsdorff, que ocorreu entre 1824 e 1829. Com 39 homens a princípio, cruzaram o equivalente a nove estados brasileiros. Ao chegar ao Mato Grosso em 1827, a expedição era liderada pelo etnógrafo, médico e barão alemão (naturalizado russo) Georg Heinrich von Langsdorff (1774-1852).

Em Cuiabá (MT), a expedição se dividiu. Langsdorff seguiu pelo Rio Arinos, enquanto o grupo liderado por Aimé-Adrien Taunay partiu em 28 de novembro de 1827 para Vila Bela, e dali desceria pelo Mamoré e Madeira ao Rio Amazonas e Rio Negro. Foi durante essa viagem que Aimé-Adrien morreu afogado no Rio Guaporé, aos 25 anos de idade, enquanto tentava atravessá-lo a nado na fronteira entre o Brasil e a Bolívia.

Ruínas da antiga igreja onde Aimé foi sepultado. Foto: Júlio Olivar

Mesmo no dia de sua morte, o artista continuava desenhando. Seu corpo foi sepultado na Igreja de Santo Antônio dos Militares, ao lado do jazigo do grande geógrafo, engenheiro e explorador português Ricardo Franco de Almeida Serra (1748-1809), que esteve entre os construtores do Real Forte Príncipe da Beira, localizado agora em Rondônia.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

2025 pouco assegura ao governo corrigir fracassos de 2024

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Esplanada dos Ministérios. Foto: Reprodução/Arquivo Agência Brasília

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Analistas internacionais batem o martelo. O ano que acabou foi praticamente perdido para o Brasil e 2025 pode repetir os retrocessos de 2024. De acordo com abordagem do DW Brasil (emissora internacional de notícias da Alemanha), “sem visão de para onde quer ir, o país anda em círculos com sinais contraditórios na economia e bloqueio mútuo do sistema político”. Talvez pior ainda: o recrudescimento do ódio entre brasileiros. A sociedade se vê mais dividida do que nunca, a imagem internacional do país em ruínas e o ambiente político em ebulição tais as intervenções descabidas do presidente Lula da Silva em questões que, prioritária e estrategicamente não dizem respeito aos interesses nacionais.

Desacertos que se agravam quando o país ainda chora numerosas famílias, amigos e circunstantes perdidos para o coronavírus. Tanto como no passado, por outro lado, forçoso reconhecer que minorias como indígenas, não obstante promessas fantasiosas, ainda se encontram ao abandono, e a política ambientalista submetida a interesses internacionais inconfessáveis. Mas, em vez de um novo alvorecer, um novo começo, observa o DW Brasil, “o país está há dois anos sem rumo, preso na letargia. Uma razão para isso é que Lula foi eleito principalmente por não ser Bolsonaro. Mas seu programa não tinha nada a oferecer que os brasileiros já não tivessem ouvido antes: picanha e cerveja barata para todos e um país que deveria ser “feliz” novamente. Isso era muito pouco, mas foi o suficiente para vencer a eleição”.

No plano internacional, o governo Lula, para a agência de notícias alemã, “enfraqueceu muito a reputação do Brasil na Europa ao se aproximar mais do Brics, hoje dominado por autocratas e ditadores”, que muito pouco têm a oferecer ao Brasil. Mesmo que o grupo esteja sob o comando de Dilma Rousseff, ex-presidente que, após processo de impeachment que se arrastou por 273 dias (de 2 de dezembro de 2015 a 31 de agosto de 2016), teve como resultado a cassação de seu mandato). Todavia, graças a manobras ardilosas do ministro presidente do STF, Ricardo Lewandowski, do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, condenado pela Justiça por corrupção, e de Renan Calheiros, presidente do Senado, ao tripudiar sobre a nação, fatiaram o processo em benefício da conservação de seus direitos políticos. De onde já se conclui que o BRICS não é lá tão digno da confiança mundial, muito menos para o Brasil real.

Em setores decisivos tudo indica que Lula da Silva foi abandonado pela sorte e pela habilidade política em 2024. Entregue a políticas populistas caracterizadas pela proliferação de ”bolsas, pés-de-meia e auxílios financeiros” a área econômica vem sofrendo desgastes muito perigosos. Ninguém aposta que o ministro Haddad tenha forças para superar o populismo demagógico e adotar medidas para desindexar os gastos do Orçamento federal. Particularmente no que tange à ideia do presidente de estabelecer teto de 2,5% acima da inflação para as despesas hoje vinculadas ao salário mínimo, como os benefícios previdenciários, e também para os pisos da saúde e educação, hoje atrelados à arrecadação do governo.

A despeito do crescimento do PIB e queda no índice de desemprego, processos, na verdade, iniciados no pós pandemia do Covid19, tais números não têm sido suficientes para atrair a confiança do povo e do empresariado brasileiros, que vêm pagando contas altíssimas pelo populismo ilimitado instalado. Tanto é verdade que, segundo pesquisa da Genial/Quaest, 61% dos brasileiros acreditam que a economia se deteriorou nos últimos 12 meses. Igualmente ruim para o Brasil, segundo o Estadão, há dois anos Lula da Silva vem pressionando em vão o Banco Central por uma redução da taxa de juros Selic, como se política econômica e fiscal se resolvessem em discussões de botequim. Enquanto isso, a desigualdade e o ódio entre brasileiros estão cada vez mais acirrados. Tomara que não irreversivelmente.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

    Vestibular indígena da Unicamp é realizado em 3 cidades da Amazônia em 2025; saiba quais

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    Foto: Antonio Scarpinetti

    A Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) da Unicamp divulgou os locais de prova do Vestibular Indígena, realizado de forma conjunta pela Universidade e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O exame acontecerá no dia 12 de janeiro de 2025, em cinco cidades do país: Santarém (PA), São Gabriel da Cachoeira (AM), Tabatinga (AM) e ainda Campinas (SP) e Recife (PE). Os locais de prova estão disponíveis para consulta na página da Comvest. No total, inscreveram-se 2.819 candidatos, de diferentes etnias e regiões do Brasil.

    A cidade de Campo Grande (MS) não atingiu o número mínimo de 60 inscritos e, conforme o edital da prova, não realizará o exame. Os candidatos que haviam optado por fazer a prova nessa localidade devem dirigir-se a Campinas, como opção para participar do Vestibular. 

    Na UFSCar, essa é a 18ª edição da modalidade de ingresso para estudantes indígenas e na Unicamp, a sétima. A Universidade oferece 130 vagas, distribuídas por todos os seus cursos, e a UFSCar, 65.

    Orientações

    A prova, a ocorrer no dia 12 de janeiro, começará às 13 horas, segundo o fuso horário de cada local de realização do exame. A prova, em língua portuguesa, compõe-se de uma redação e de 50 questões de múltipla escolha, divididas da seguinte maneira: linguagens e códigos (14 questões); ciências da natureza (12 questões); matemática (12 questões); ciências humanas (12 questões).

    A Comvest orienta os candidatos a chegarem com antecedência, pois o acesso aos locais de prova será permitido somente até as 13h, impreterivelmente. A prova durará no máximo quatro horas.

    Os candidatos devem levar o original do documento de identidade indicado na inscrição, caneta de cor preta em material transparente, lápis preto e borracha. Os vestibulandos poderão usar um relógio analógico para controlar o tempo. É vedada a utilização de aparelhos celulares ou de quaisquer outros equipamentos eletrônicos, relógios digitais, corretivos de qualquer tipo, lapiseira, caneta marca-texto, bandana/lenço, boné, chapéu ou outros materiais estranhos à prova. Nas salas do exame, os candidatos poderão tomar água e suco e consumir alimentos leves.

    Os vestibulandos deverão ainda comprovar que pertencem a uma das etnias indígenas do território brasileiro, por meio da documentação especificada no edital da prova, documentação essa a ser entregue no dia do exame. Estudantes ingressantes pelo Vestibular Indígena Unicamp 2019, 2020, 2021, 2022, 2023 ou 2024 devidamente matriculados(as) estão dispensados(as) da apresentação dessa documentação.

    Divulgação do nome dos aprovados

    A Comvest divulgará a primeira chamada de convocados para matrícula no dia 3 de fevereiro de 2025, em sua página eletrônica. A matrícula dos candidatos aprovados nessa chamada deverá ser realizada de maneira online, no dia 4 de fevereiro (até as 17h), na página da comissão. A segunda chamada será divulgada no dia 10 de fevereiro, para matrícula no dia 11 de fevereiro. Estão previstas até cinco chamadas, conforme o calendário a seguir.

    Cidades e locais de prova – Vestibular Indígena 2025
    CAMPINAS-SP
    Unicamp – IFCH – Prédio da graduação, campus Unicamp, Campinas.
    Rua Cora Coralina, 100. Cidade Universitária “Zeferino Vaz” – Barão Geraldo
    SANTARÉM-AM
    UFOPA – Unidade Tapajós / Bloco BSE Laranjão Vera Paz, s/n – Salé
    RECIFE-PE
    Colégio Núcleo – Av. Rui Barbosa, 1680 – Graças
    SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA-AM
    1 – C.E.T.I Pedro Fukuyei Yamaguchi Ferreira
    2 – Escola Estadual Irmã Inês Penha
    TABATINGA-AM
    1 – Escola Estadual Marechal Rondon
    2 – Universidade do Estado do Amazonas
    Calendário – Vestibular Indígena 2025
    Início das inscrições, em formulário eletrônico disponível exclusivamente na página eletrônica da Comvest(www.comvest.unicamp.br)01/11/2024
    Encerramento das inscrições29/11/2024, às 17h
    Prazo para envio de arquivo digital para a prova de Habilidades Específicas para o curso de Música, na página da ComvestDas 9h do dia 01/11/2024 até as 17h do dia 06/12/2024
    Divulgação das inscrições deferidas04/12/2024
    Período para interposição de recurso04/12/2024 a 09/12/2024
    Divulgação do resultado do recurso e lista final de inscrições deferidas11/12/2024
    Divulgação, na página da Comvest, dos locais da prova presencial (endereços)19/12/2024
    Aplicação das provas presenciais, nas cidades de Campinas (SP), Recife (PE), São Gabriel da Cachoeira (AM), Santarém (PA) e Tabatinga (AM)12/01/2025, às 13h (horário local)
    Divulgação dos convocados para matrícula em primeira chamada, na página da Comvest03/02/2025, às 18h
    Matrícula online dos convocados em primeira chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 17h do dia 04/02/2025
    Divulgação dos convocados para matrícula em segunda chamada, na página da Comvest10/02/2025, às 18h
    Matrícula online dos convocados em segunda chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 17h do dia 11/02/2025
    Divulgação dos convocados para matrícula em terceira chamada, na página da Comvest17/02/2025, às 18h
    Matrícula online dos convocados em terceira chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 17h do dia 18/02/2025
    Divulgação dos convocados para matrícula em quarta chamada, na página da Comvest24/02/2025, às 18h
    Matrícula online dos convocados em quarta chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 12h do dia 25/02/2025
    Divulgação dos convocados para matrícula em quinta chamada, na página da Comvest06/03/2025, às 18h
    Matrícula online dos convocados em quinta chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 12h do dia 07/03/2025

    Novo Mangueirão inicia 2025 com a Super Copa Grão Pará no aniversário de Belém

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    Foto: Divulgação/Agência Pará

    O Estádio Olímpico do Pará Jornalista Edgar Proença (Mangueirão) se prepara para receber a primeira grande competição da temporada de 2025: a Super Copa Grão Pará. O jogo decisivo será entre Paysandu (Campeão Paraense de 2024) e Tuna Luso Brasileira (Campeã da Copa Grão Pará).

    A final será disputada no domingo (12), às 17h, data que se comemora o aniversário de 409 anos da cidade de Belém. A competição é realizada pela Federação Paraense de Futebol (FPF) e conta com o apoio do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel).

    Leia também: Você sabia que o primeiro time indígena de futebol do Brasil é paraense?

    O confronto abre o calendário do futebol profissional do estado e a secretária em exercício da Seel, Ana Paula Alves, ressalta a preparação do Mangueirão para o clássico paraense.

    “Estamos preparados e animados para a temporada que se inicia. Um ano com grandes eventos para o nosso público amante do esporte, e estamos abrindo a temporada no Mangueirão com essa grande final da Super Copa Grão Pará, entre Paysandu e Tuna Luso. Data essa que se comemora o aniversário da capital paraense, será uma festa linda para todos que estiverem presentes”, disse a secretária em exercício.

    Foto: Divulgação/Agência Pará

    Calendário das equipes

    Tanto o Paysandu quanto a Tuna Luso têm o calendário cheio em 2025. Além da Super Copa Grão-Pará, o lobo da Curuzu e a Águia do Souza vão disputar o Parazão, a Copa Verde e a Copa do Brasil. Os bicolores disputam ainda o Campeonato Brasileiro da Série B, enquanto os cruzmaltinos, a Série D, ambos em abril.

    Leia também: Conheça alguns dos clubes de futebol mais tradicionais da região Norte

    Super Copa Grão Pará

    A competição tem o objetivo de fomentar o acesso a títulos, além de democratizar a disputa, ampliar o calendário oficial e qualificar em âmbito competitivo o começo de ano de todas as equipes participantes da elite do campeonato do Estado.

    A partida será em jogo único, caso ocorra empate no tempo normal, o campeão será definido nas disputas de pênaltis. Esta é a segunda edição da Supercopa Grão-Pará, que teve o Águia de Marabá como campeão em 2024.

    Os ingressos estão sendo vendidos de forma presencial nas Lojas Lobo e on-line, no ingressosa.com, sendo arquibancada lado B, no valor de R$ 50 e R$ 120 as cadeiras. A Tuna não informou até o momento os locais de vendas. Após a disputa da final, Paysandu e Tuna focam as atenções para o Campeonato Paraense, competição na qual a dupla vai estrear no domingo (19).

    *Com informações da Agência Pará

    Plantio de 49 mil mudas para reflorestamento de áreas degradadas será realizado em Manaus

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    Foto: Tiago Corrêa/UGPE

    Em ação inédita, o Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), em Manaus (AM), envolve o reflorestamento de áreas degradadas. O trabalho, que será desenvolvido nas áreas de intervenção do programa, iniciou pela comunidade Manaus 2000, na zona sul, com o plantio de 200 mudas de seringueira.

    Ao todo, no Prosamin+, mais de 49 mil mudas de reflorestamento serão plantadas em uma área de 111 mil metros quadrados e 17.176 para paisagismo. Outra inovação do programa, nesta gestão, é o reaproveitamento de madeira de supressão vegetal para melhoria de qualidade do solo.

    O Prosamin+ é um programa desenvolvido pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb). O secretário da Sedurb, Marcellus Campêlo, destaca que é a primeira vez, em 17 anos de programa, que a criação de espaços verdes vai além do paisagismo, nas áreas de intervenção, que também serão contempladas com saneamento básico, requalificação urbana e construção de conjuntos habitacionais. A meta, segundo ele, é reflorestar 25% da área total beneficiada pelas obras.

    Foto: Tiago Corrêa/UGPE

    As ações envolvem o plantio de mais de 48 mil mudas em uma área de 101 mil metros quadrados na comunidade da Sharp. E na Manaus 2000 será reflorestada uma área de 9,4 mil metros quadrados, com plantio de 1,2 mil mudas. São mais de 30 espécies utilizadas, nativas, de pequeno, médio e grande portes (pioneiras e secundárias).

    Um dos grandes objetivos do projeto de reflorestamento inserido no programa é criar um corredor verde, fazer a conectividade do fragmento florestal existente e a construção de seis passagens de fauna silvestre, interligando duas Áreas de Preservação Ambiental (APAs) muito importantes: a Manaós, no Coroado, e a Reserva Sauim Castanheiras, no Puraquequara, ambas na zona leste de Manaus.

    Foto: Tiago Corrêa/UGPE

    Viveiro de mudas

    Para realizar o reflorestamento, foi criado o viveiro de mudas, um Escritório Local (ELO) Verde, iniciativa inédita em obras públicas no Amazonas. No ELO já foram produzidas mais de 15 mil mudas. No canteiro de obras da Comunidade da Sharp, na zona leste, são cultivadas mais de 30 espécies que serão usadas no reflorestamento de áreas do Prosamin+, como buritizeiro, mungubeira, embaubeira, seringueira, açaizeiro, ingazeira, pau-pretinho, sumaúma, entre outras. A estimativa é que 50 mil mudas sejam produzidas para as ações de recomposicão vegetal do projeto.

    A educação ambiental da comunidade impactada pelo Prosamin+ é outra ação importante que está sendo realizada nesses espaços. Os moradores e estudantes das comunidades da Sharp e Manaus 2000 participam de oficinas com foco em sustentabilidade e mercado de trabalho, palestras sobre meio ambiente e recebem doações de mudas para plantio para propagação da espécie na localidade, deixando assim as características verdes da área.

    De acordo com o subcoordenador Ambiental da UGPE, Otacílio Júnior, de maneira inovadora, o Prosamin+ também vai reaproveitar a madeira de supressão vegetal para fazer a preparação do solo.

    Foto: Tiago Corrêa/UGPE

    As atividades seguem as recomendações do Sistema de Gestão Socioambiental (SGSA) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), órgão financiador do programa.

    Prosamin+

    O Prosamin+ vai beneficiar mais de 60 mil pessoas, com as obras que estão sendo realizadas. O programa está urbanizando uma área de 340 mil metros quadrados, ao longo do Igarapé do Quarenta, no trecho entre a avenida Manaus 2000, na zona sul, e a Comunidade da Sharp, zona leste, nos bairros Armando Mendes, Nova República, Coroado, Distrito Industrial e Japiim. Os serviços envolvem drenagem, abastecimento de água, esgotamento sanitário, mobilidade urbana, construção de unidades habitacionais e reflorestamento.

    Os investimentos são de U$ 114 milhões, sendo U$ 80 milhões financiados pelo BID, com contrapartida estadual de U$ 34 milhões. A parte financiada pelo BID trata-se de empréstimo que será pago pelo Governo do Estado. As obras iniciaram em 2022 e devem seguir até 2027.

    *Com informações da Agência Amazonas

    Pesquisador investiga cartas escritas por indígenas em 50 anos

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    Foto: David Alves/Agência Pará

    Este é um trecho da carta aberta escrita por um dos principais líderes indígenas do país, Megaron Txucarramãe, do povo Kayapó, para o Brasil, em 1º de novembro de 1980. Divulgada em plena ditadura militar, a carta traz questões discutidas entre povos indígenas e a responsabilização dos órgãos de governo e da sociedade.

    Outro trecho da carta traz assuntos que ainda hoje são críticos no Brasil, construções que impactam territórios indígenas e ameaças à saúde desses povos: “em 1973 para 1974, pessoal pegou sarampo na estrada e levou para Jarina. Sarampo matou muita gente. Para branco a estrada é muito boa, mas para nós não foi muito boa, porque pela estrada chega doença para índio”, diz o documento. 

    Esta é uma das mais de 1,1 mil cartas analisadas na tese ‘Retomar o Brasil: um estudo das cartas escritas pelos povos indígenas nos últimos 50 anos‘, de Rafael Xucuru-Kariri, doutor em ciências sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). A tese é um recorte do projeto ‘As Cartas dos Povos Indígenas ao Brasil‘, coordenado pela professora da UFBA Suzane Lima Costa, que pode ser acessado na internet e reúne as cartas escritas por esses povos a presidentes, a autoridades, a organizações e lideranças nacionais e internacionais, desde o século 17.

    No dia 12 de dezembro, Xucuru-Kariri venceu o prêmio Lélia Gonzales, consagrando-se como o primeiro indígena a receber uma das principais condecorações do Prêmio Capes de Tese 2024, que reconhece os melhores trabalhos de conclusão de doutorado defendidos no Brasil. Ao todo são três as premiações máximas. O prêmio que recebeu da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), é referente ao colégio de humanidades. 

    Na tese, Xucuru-Kariri mapeia as cartas escritas entre 1972 e 2022 e analisa quem escreve, quem são os destinatários, os assuntos e o contexto de escrita das correspondências públicas indígenas. Ao longo do tempo escolhido para a análise, ele observa também mudanças tecnológicas, com as cartas passando a ser digitalizadas a partir dos anos 2000. Com o avanço da tecnologia e também com o aumento dos índices de alfabetização, mais cartas foram escritas.

    Em relação aos assuntos abordados, segundo a pesquisa, a maior parte das cartas do período tratam de terra (479), seguido por violência (211), saúde (198), educação (134) e meio ambiente (83).

    Para Xucuru-Kariri, as cartas buscam trazer para o debate público assuntos que muitas vezes não têm espaço e servem também para expor as visões de mundo, os pensamentos e sentimentos desses povos. O estudo que fez derruba ainda um dos mitos que se tem no Brasil, de acordo com o pesquisador, que é de que os indígenas não tem uma produção escrita.

    Foto: Julia Prado/CGCOM/Capes

    Escrevendo cartas 

    O pesquisador conta que as cartas sempre fizeram e ainda fazem parte da própria história. Ele integra a primeira geração de indígenas alfabetizados em massa no Brasil, o que ocorreu a partir da Constituição de 1988. Os pais dele eram funcionários da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a casa da família era frequentada por diversas lideranças indígenas. Por já saber ler e escrever, Xucuru-Kariri foi, ele mesmo, redator de muitas cartas.

    “Nossa casa era sempre rodeada por muitas lideranças, muitas pessoas discutindo, principalmente ali no extremo sul da Bahia, onde a gente foi criado. A gente escutava e debatia muito com Pataxós, Pataxós  Hã-Hã-Hãe e Tupinambás. Eles estavam sempre lá em casa discutindo, falando sobre o movimento indígena. Como eu já tinha passado por esse processo de letramento e sabia datilografar – na época, nem eram computadores, eram aquelas máquinas de datilografar -, eu redigia muitas dessas cartas, com demandas sobre postos de saúde, escolas e demandas variadas nas aldeias”, diz. 

    Mesmo conhecendo de perto os documentos e os processos de escrita, Xucuru-Kariri nunca tinha pensado em estudar essas cartas até conhecer o projeto de Suzane Lima Costa, do qual hoje faz parte. “Eram reflexões óbvias, mas que ninguém tinha. Que esses povos, essas pessoas, escreviam e escrevem muitas cartas públicas”, diz. 

    Problemas persistem

    As cartas mostram também que os problemas persistem ao longo dos anos. Se em 1980 Megaron falou sobre os riscos do sarampo para os indígenas, em 2021, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) lutou para que a vacina contra a covid-19 chegue aos povos indígenas.

    “A luta da Apib junto ao Supremo Tribunal Federal, através da ADPF 709, e a mobilização dos povos indígenas no enfrentamento da pandemia garantiram que os povos entrassem no grupo prioritário da vacinação nesse momento, pois a vulnerabilidade dos povos à covid-19 é muito maior do que o restante da população, podendo chegar a sete vezes em certas faixas etárias”, diz trecho da carta analisado na tese.

    A luta pela terra e a violência também perpassam os anos analisados na tese. Em 12 de agosto de 1975, a líder indígena, educadora, contadora de histórias, escritora e artesã Andila Kaingang escreveu ao então presidente, Ernesto Geisel:

    “Isto, senhor presidente, para o povo branco e civilizado, como se julgam, talvez possa parecer romantismo ou coisa que equivalha, mas para o meu povo não, para ele é estilo de vida, é razão de viver e, consequentemente, motivo bastante para morrer. A invasão de nossas terras para o vosso povo tem significa simplesmente um problema jurídico, ou como quer queiram chamá-lo, para o meu povo não, são problemas que nós caigangues sentimos como feridas que nos atormentam no mais alto dos sentimentos, fazendo-nos diminuídos, oprimidos e transformando as nossas noites e vigílias na esperança de ver ao amanhecer nossas terras desocupadas pelos brancos e, no entardecer, mais um dia de desilusão, iniciando-se uma nova esperança”, diz trecho da carta.

    A terra foi e é espaço de disputa nacional, muitas vezes marcada por violência extrema. Em 2004, mulheres indígenas que sobreviveram a ataque de homens armados aos povos da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima relatam o que ocorreu em carta aberta. “Foi às 6h da manhã e eu estava deitada ainda. Aí, o meu cunhado (que foi baleado) chegou correndo […] Eu sai, e quando olhei […] o fogo já estava queimando as casas. Eu peguei o meu terçado e cerquei eles. Falei: podem sair daqui! Se não, eu toro vocês no meio com o meu terçado! Eles pararam e disseram: que mulher buchudinha braba! Ele (um dos agressores) disse que ia me matar. Ele disse: vou atirar em tu, com o teu filho na barriga! Eu disse: pode me matar, que eu não tenho medo de morrer! […] Eles tocaram fogo”, diz trecho da carta.

    Mais recentemente, em 2021, as disputa seguem com a discussão sobre o marco temporal, que foi o foco de carta do povo terena. Julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a tese do marco temporal para demarcação de terras indígenas, defendida por proprietários de terras, estipulava que os indígenas somente teriam direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época. 

    Leia também: Portal Amazônia responde: Entenda o que é o ‘marco temporal’ para terras indígenas

    Recriando espaços públicos

    Para Xucuru-Kariri, as cartas são importantes para a comunicação dos povos com o restante do país. “É um tipo de estratégia que os povos têm criado com as cartas para reconfigurar, recriar um espaço público. Essa eu acho que é uma das principais respostas que a gente tem observado. Para fora, elas criam uma ressonância na sociedade brasileira, para discutir mais, para fazer mais ações nas aldeias que impactem positivamente os povos indígenas, mas para dentro também. Esses povos, a partir dessas cartas, se reorganizam”.  

    Atualmente, Xucuru-Kariri é servidor público que atua na UFBA. Participou da criação recente da Licenciatura Intercultural Indígena da universidade. Após ter sido responsável pela escrita de cartas e após ter feito um doutorado sobre elas, ele diz que, como servidor, tornou-se também um dos destinatários desses documentos. “Hoje em dia, eu posso dizer que, sem saber, eu passei uma vida entre cartas. Continuo vivendo minha vida entre essas cartas”, diz.

    *Com informações da Agência Brasil

    Saiba como se chamam os moradores de cada cidade de Rondônia

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    Bandeira de Rondônia. Foto: Reprodução/iStock

    Rondônia completou 43 anos de instalação no dia 4 de janeiro. O estado possui uma cultura diversificada formada pela migração de brasileiros e estrangeiros que resultaram no desenvolvimento de 52 municípios. Nesta reportagem, você descobre como se chamam as pessoas que moram em cada uma delas!

    Leia também: Por que Porto Velho e Rondônia celebram quatro “aniversários”?

    O feriado estadual comemora a ascensão de território federal para estado, que ocorreu em 22 de dezembro de 1981. A criação foi por meio do Projeto de Lei Complementar aprovado pelo presidente da República à época, João Batista Figueiredo. No entanto, a instalação oficial do estado ocorreu apenas em 4 de janeiro de 1982.

    No ano da criação, o estado era constituído por apenas 13 municípios. De acordo com Ovídio Amélio, historiador e escritor do Instituto Museu Virtual de Rondônia (MVR), em 1970 o Governo Federal idealizou a implantação de projetos oficiais de colonização das terras, o que influenciou no desenvolvimento do estado.

    Após o crescimento expressivo na região, o Governo Federal enviou para o Congresso Nacional o projeto que dava condições para o Rondônia criar municípios. Para explicar melhor a história de criação de cada um, o g1 preparou uma lista com informações obtidas através do Instituto Museu Virtual de Rondônia (MVR) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Confira:

    Alta Floresta D’Oeste

    Quem nasce em Alta Floresta d’Oeste é alta-florense;
    Criação: 20 de maio de 1986;
    Instalação: 31 de dezembro de 1986.

    Alto Alegre dos Parecis

    Quem nasce em Alto Alegre dos Parecis é alto-alegrense;
    Criação: 22 de junho de 1994
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Alto Paraíso

    Quem nasce em Alto Paraíso é alto-paraisense.
    Criação: 3 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Alvorada D’Oeste

    Quem nasce em Alvorada d’Oeste é alvoradense.
    O processo pró-emancipação do povoado de Alvorada iniciou em 1985. Na época os próprios moradores organizaram uma comissão.
    Criação: 20 de maio de 1986;

    Ariquemes

    Quem nasce em Ariquemes é ariquemense.
    Criação: 11 de outubro de 1977;
    Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

    Buritis

    Quem nasce em Buritis é buritisense;
    Criação: 7 de dezembro de 1995;
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Cabixi

    Quem nasce em Cabixi é cabixiense;
    Criação: 07 de julho de 1988;
    Instalação: 31 de dezembro de 1988.

    Cacaulândia

    Quem nasce em Cacaulândia é cacaulandense;
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Cacoal

    Quem nasce em Cacoal é cacoalense.
    Criação: 11 de outubro de 1977;
    Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

    Campo Novo de Rondônia

    Quem nasce em Campo Novo de Rondônia é campo-novense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Candeias do Jamari

    Quem nasce em Candeias do Jamari é candeiense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 31 de dezembro de 1993 com a posse de Francisco Vicente de Souza (popular, Chico Pernambuco), primeiro prefeito.

    Castanheiras

    Quem nasce em Castanheiras é castanheirense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Cerejeiras

    Quem nasce em Cerejeiras é cerejeirense.
    Criação: 5 de agosto de 1983;
    A área para formar o território do município de Cerejeiras foi desmembrada do município de Colorado do Oeste.

    Chupinguaia

    Quem nasce em Chupinguaia é chupinguaiense.
    Criação: 27 de dezembro de 1995,
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Colorado do Oeste

    Quem nasce em Colorado do Oeste é coloradense.
    Criação: 16 de junho de 1981;
    Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

    Corumbiara

    Quem nasce em Corumbiara é corumbiariense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Costa Marques

    Quem nasce em Costa Marques é costa-marquense.
    Criação: 16 de junho de 1981;
    Instalação:1º de fevereiro de 1983.

    Cujubim

    Quem nasce em Cujubim é cujubiense.
    Criação: 22 de junho de 1994n
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Espigão D’Oeste

    Quem nasce em Espigão do Oeste é espigãoense.
    Criação: 16 de junho de 1981,
    Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

    Governador Jorge Teixeira

    Quem nasce em Governador Jorge Teixeira é jorge-teixeirense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Antes o município era distrito de Jaru e era, antes da emancipação, chamado de Pedra Branca.

    Guajará-Mirim

    Quem nasce em Guajará-Mirim é guajará-mirense.
    Criação: 12 de julho de 1928.
    Instalação: 10 de abril de 1929.
    No dia 13 de setembro de 1943, pelo Decreto-Lei nº 5 812, o município de Guajará-Mirim passou a fazer parte do Território Federal do Guaporé.

    Itapuã do Oeste

    Quem nasce em Itapuã do Oeste é jamariense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Jaru

    Quem nasce em Jaru é jaruense.
    Criação: 16 de junho de 1981;
    Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

    Ji-Paraná

    Quem nasce em Ji-Paraná é ji-paranaense.
    Criação: 11 de outubro de 1977;
    Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

    Machadinho D’Oeste

    Quem nasce em Machadinho d’Oeste é machadinhense.
    Criação: 11 de maio de 1988;
    Instalação: 31 de dezembro de 1988.

    Ministro Andreazza

    Quem nasce em Ministro Andreazza é andreazense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Mirante da Serra

    Quem nasce em Mirante da Serra é mirantense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Monte Negro

    Quem nasce em Monte Negro é monte-negrino.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Nova Brasilândia D’Oeste

    Quem nasce em Nova Brasilândia D’Oeste é brasilandense.
    Criação: 19 de junho de 1987;
    Instalação: 31 de dezembro de 1988.

    Nova Mamoré

    Quem nasce em Nova Mamoré é nova-mamonense ou nova-mamorense.
    Criação: 6 de julho de 1988;
    Instalação: 31 de dezembro de 1988.

    Nova União

    Quem nasce em Nova União é nova-uniense.
    Criação: 22 de junho de 1994;
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Novo Horizonte do Oeste

    Quem nasce em Novo Horizonte do Oeste é novo-horizontino;
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Na época recebeu o nome de Cacaieiros, mas foi modificada para Novo Horizonte do Oeste no dia 30 de dezembro de 1993.
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Ouro Preto do Oeste

    Quem nasce em Ouro Preto do Oeste é ouro-pretense.
    Criação: 16 de junho de 1981;
    Instalação: 1º fevereiro de 1983.

    Parecis

    Quem nasce em Parecis é parecisense.
    Criação: 22 de junho de 1994;
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Pimenta Bueno

    Quem nasce em Pimenta Bueno é pimenta-buenense.
    Criação: 11 de outubro de 1977;
    Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

    Pimenteiras do Oeste

    Quem nasce em Pimenteiras do Oeste é pimenteirense.
    Criação: 27 de dezembro de 1995;
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Porto Velho

    Quem nasce em Porto Velho é porto-velhense.
    Criação: 2 de outubro de 1914;
    O município pertencia ao Amazonas, mas após a criação do Território Federal do Guaporé, Porto Velho foi elevado à categoria de capital.
    Instalação: 24 de janeiro de 1915.

    Presidente Médici

    Quem nasce em Presidente Médici é mediciense.
    Criação: 16 de junho de 1981;
    Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

    Primavera de Rondônia

    Quem nasce em Primavera de Rondônia é chamado de primaverense.
    Criação: 22 de junho de 1994;
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Rio Crespo

    Quem nasce em Rio Crespo é rio-crespense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Na época a cidade se chamada Cafelândia, mas teve o nome modificado para Rio Crespo.
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Rolim de Moura

    Quem nasce em Rolim de Moura é rolimorense.
    Criação: 5 de agosto de 1983;
    Instalação: 28 de dezembro de 1984.

    Santa Luzia D’Oeste

    Quem nasce em Santa Luzia d’Oeste é santa-luziense.
    Criação: 11 de maio de 1986;
    Instalação: 31 de dezembro de 1986.

    São Felipe D’Oeste

    Quem nasce em São Felipe D’Oeste é são-felipense.
    Criação: 22 de junho de 1994;
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    São Francisco do Guaporé

    Quem nasce em São Francisco do Guaporé é são-francisquense.
    Criação: 27 de dezembro de 1995;
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    São Miguel do Guaporé

    Quem nasce em São Miguel do Guaporé é miguelense.
    Criação: 6 de julho de 1988;
    Instalação: 31 de dezembro de 1988.

    Seringueiras

    Quem nasce em Seringueiras é seringueinense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Teixeirópolis

    Quem nasce em Teixeirópolis é teixeirense;
    Criação: 22 de junho de 1994;
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Theobroma

    Quem nasce em Theobroma é theobromense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Urupá

    Quem nasce em Urupá é urupaense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Vale do Anari

    Quem nasce em Vale do Anari é anariense.
    Criação: 22 de junho de 1994;
    Instalação: 1º de janeiro de 1997.

    Vale do Paraíso

    Quem nasce em Vale do Paraíso é vale-paraisense.
    Criação: 13 de fevereiro de 1992;
    Instalação: 1º de janeiro de 1993.

    Vilhena

    Quem nasce em Vilhena é vilhenense.
    Criação: 11 de outubro de 1977;
    Instalação: 1º de fevereiro de 1983

    *Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO