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Rondônia assume coordenação das Rotas Amazônicas Integradas em 2025

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Encontro do Rio Pacaaás Novos e Mamoré, em Guajará Mirim (RO). Foto: Gildo Júnior/Setur RO

No mês de dezembro de 2024, os secretários e dirigentes de turismo da Região Norte elegeram a nova coordenação das Rotas Amazônicas Integradas (RAI), que reúnem representantes dos sete Estados da Amazônia: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Tocantins, Pará e Rondônia.

A reunião correu de forma online com a presença de todos os Estados-membros, que discutiram os avanços da RAI nos anos de 2023/2024 com a liderança da AmazonasTur, destacando o acordo de cooperação técnica firmado com a Embratur para promoção da Região Norte em eventos internacionais e a estruturação de produtos e serviços locais e a participação da RAI no salão Nacional de Turismo em 2023 e 2024.

Para a condução das atividades da RAI no biênio 2025/2026, foi eleito por unanimidade o superintendente de turismo de Rondônia, Gilvan Pereira Junior, para coordenar as ações do grupo regional.

O superintendente atua na RAI desde a sua criação em 2021, quando a instância foi criada durante o Roraima Fishing Roraima, com a assinatura da Carta do Turismo da Amazônia.

A nova coordenação já apresentou as diretrizes para a atuação no seu mandato, tendo como foco principal a promoção do turismo da região no mercado internacional, tanto na América Latina em países como a Colômbia, Argentina, Peru e Chile, quanto em Portugal, aproveitando as conexões com a Europa via Belém e Manaus.

Segundo o coordenador local, Bruno Muniz de Brito, diretor do Departamento de Turismo de Roraima, será criado um vídeo promocional da RAI com a temática do turismo sustentável que será o foco da ação em 2025.

Turismo sustentável

Em 2024, uma estratégia que visa não apenas atrair turistas nacionais e internacionais, mas também preservar a rica biodiversidade e as culturas locais. Em vista da crescente demanda por viagens que respeitem o meio ambiente, a RAI pretende posicionar a Amazônia como um destino atrativo e responsável.

Dentre as ações previstas, destacam-se campanhas de divulgação que evidenciam as belezas naturais da região, como as florestas, rios e fauna, além da rica diversidade cultural dos povos amazônicos.

A RAI planeja ainda parcerias com agências de turismo e plataformas digitais para ampliar a visibilidade das Rotas Amazônicas, criando pacotes turísticos que incentivem a experiência autêntica e a imersão na cultura local. Pretende promover eventos e feiras de turismo, que servirão como vitrine para os atrativos da Amazônia.

*Com informações do Governo de Roraima

Comunicação indígena será decisiva para enfrentar mudanças climáticas em 2025

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Foto: Ana Amélia Hamdan/ISA

Enquanto o mundo assiste a eventos climáticos cada vez mais extremos como as secas históricas que assolaram a Amazônia em 2023 e 2024, e o sul do país com chuvas torrenciais que inundaram várias cidades no Rio Grande do Sul em maio passado, uma pergunta ecoa: como enfrentaremos a crise climática global? No coração dessa resposta estão os indígenas.

Em 2025, os povos originários terão muito a ensinar sobre como enfrentar um fenômeno que já afeta milhares de vidas no planeta.

Na bacia do Rio Negro, localizada no extremo noroeste do estado do Amazonas, onde vivem 23 povos indígenas, comunidades que habitam a região há milhares de anos enfrentam tanto as cheias recordes quanto secas prolongadas que desafiam sua sobrevivência. Foi que aconteceu em 2023, quando a navegabilidade dos rios foi afetada pela seca histórica, dificuldade o acesso à roça, de onde tiram o seu principal alimento, a mandioca.

Essas populações dependem da floresta e dos rios para viver. Mudanças no ciclo das chuvas afetam a dinâmica e comportamento dos peixes, das minhocas e até a fertilidade do solo. Esses impactos não são meramente “dados” para os povos indígenas: são vivências que alteram profundamente suas práticas de subsistência, rituais e a sua relação com a natureza.

Nessa região, desde 2005, quem tem feito esses registros são os Agentes Indígenas de Manejo Ambiental, uma iniciativa da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA). Os resultados dessas pesquisas são publicados em uma revista chamada Aru, que está em sua quarta edição, disponível na internet e também circulando no formato impresso na região.

Mesmo diante dos desafios apresentados pelas mudanças climáticas, os modos de vida tradicionais dos povos indígenas oferecem um farol em meio à crise. Com práticas sustentáveis, como o manejo agroflorestal e o uso de técnicas de pesca e roçado que respeitam os ciclos naturais, essas comunidades demonstram que é possível viver em harmonia com a natureza eles preferem afirmar que são partes da própria natureza e da terra mãe, por isso, há tanto cuidado e respeito com ela.

As técnicas parecem simples, mas carregam uma sofisticação baseada em milhares anos de observação e interação direta com a natureza um conhecimento que os cientistas recém começam a reconhecer como essencial no enfrentamento das mudanças climáticas. Isso é comprovado por vários estudos, que deixam claro que os territórios indígenas são os mais preservados no Brasil.

Porém, os povos indígenas, guardiões das florestas, sofrem ataques aos seus direitos e garantias constitucionais todos os dias, seja no Executivo, no Legislativo e Judiciário. Por isso a necessidade de uma mobilização permanente e de luta por essas conquistas.

Foto dos comunicadores da Rede Wayuri sentados em frente a uma árvore
Foto: Ana Tui/ISA

Em um cenário de mobilização e de luta, a comunicação tem um papel crucial. É aqui que entra a Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro, a Rede Wayuri. Criada em 2017 para fortalecer as narrativas dos povos indígenas, a rede utiliza podcasts, redes sociais e materiais educativos para divulgar informações que combinam saberes tradicionais e práticas contemporâneas. Além de alertar sobre os impactos das mudanças climáticas, a Wayuri valoriza e compartilha estratégias indígenas de adaptação, aproximando os povos da região e levando suas vozes ao mundo.

A Rede Wayuri também age como um radar, registrando os efeitos das mudanças climáticas em territórios indígenas e mobilizando comunidades para agir. Um exemplo é o trabalho realizado para documentar cheias e secas extremas, que não apenas informam os próprios indígenas, mas também ajudam a alertar a sociedade sobre a gravidade da crise. É a prova viva de que os povos indígenas não são apenas vítimas das mudanças climáticas, mas protagonistas na luta por soluções.

Enquanto o planeta busca saídas para a crise em reuniões e eventos como as COPs, os saberes indígenas e a comunicação comunitária se mostram ferramentas indispensáveis. Reconhecer isso não é apenas um ato de justiça histórica, mas também uma estratégia urgente para salvar o futuro de todos. Como a floresta, os rios e as comunidades que nela vivem nos mostram, é preciso conectar saberes, práticas e vozes em uma verdadeira teia de soluções climáticas.

Em 2025, a tendência é que a comunicação popular, as redes comunitárias ocupem os espaços de decisão a respeito do clima, para poder comunicar aos povos da floresta o que se tem proposto para salvar o planeta, pois somos nós que estamos a segurar essa panela de pressão do aquecimento global.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Farol Jornalismo, escrito pela Rede Wayuri e faz parte da série O Jornalismo no Brasil em 2025

Com quase 20 mil visitantes, turismo internacional cresce em 2024 no Acre

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Foto: Pedro Devani/Secom AC

O ano de 2024 foi de crescimento na chegada de turistas internacionais ao Acre. Um levantamento do Ministério do Turismo, Embratur e Polícia Federal mostrou que 19,8 mil visitantes de outros países passaram pelo estado, o que representa 15% de aumento em relação a 2023, quando 17,2 mil turistas internacionais visitaram o estado.

Ainda de acordo com o balanço, foram 1.714 turistas de outros países no Acre somente em dezembro. O estudo não detalha destinos nem períodos do ano, mas o ministério destacou o Parque Nacional da Serra do Divisor como um dos principais atrativos do estado, junto a locais da capital Rio Branco, como o Mercado Velho.

Leia também: Parque Nacional da Serra do Divisor: ecoturismo atrai turistas do mundo todo ao Acre

Em todo o país, foram 6,6 milhões de turistas internacionais em 2024, com destaque para Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. A nacionalidade que compôs a maioria desses visitantes foi argentina, seguida por turistas de Estados Unidos e Chile.

“Trazer esses visitantes estrangeiros para nosso país, reforça a capacidade turística dos nossos destinos, com experiências, onde a diversidade cultural, a gastronomia autêntica e as belas paisagens se destacam. Nossa meta é continuar atraentes, para que mais turistas de todo o mundo venham conhecer as belezas do Brasil”, destacou o ministro do Turismo, Celso Sabino.

*Com informações da Rede Amazônica AC

Casal amazonense é confirmado como uma das duplas da Pipoca no BBB 25

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Foto: Reprodução

Tem dupla amazonense no BBB 25. A esteticista Arleane Marques, de 34 anos, e o marido Marcelo Prata, de 38 anos, foram confirmados como participantes do time “Pipoca” na 25ª edição do Big Brother Brasil, em anúncio feito na noite desta quinta-feira (9).

Além de ser rainha de bateria da Escola de Samba A Grande Família, Arleane se destaca como influenciadora digital, com quase 60 mil seguidores no Instagram, e realiza parcerias com marcas.

Marcelo é professor na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e se define nas redes sociais como “Trabalhador da Educação” e “Engenheiro da Prevenção”.

Casados há 11 anos, Arleane e Marcelo se conheceram durante uma apresentação de escola de samba. Enquanto ele assistia, ela sambava à frente da bateria. Apenas uma semana depois, estavam juntos e, desde então, nunca mais se separaram. Além disso, são “papai e mamãe” de duas filhas de quatro patas, Mel e Leona.

Arleane se define como uma mulher autêntica, alegre e cheia de energia, que adora aproveitar a vida e se divertir. Ela não é do tipo tímida – onde chega, chama atenção e faz amizades com facilidade. Sua grande paixão é a dança, e ela tem orgulho de ser uma mulher indígena apaixonada pelo samba. Aos sete anos, saiu de sua aldeia e se mudou para um bairro periférico de Manaus, em busca de melhores oportunidades de estudo.

“Sou uma mulher indígena apaixonada pelo samba. Eu costumo falar que ele é a calmaria e eu sou a tempestade”, disse a influenciadora em sua apresentação.

Marcelo se descreveu como um homem altamente comprometido com seu trabalho e com a responsabilidade para com a família. Desde criança, sempre foi de “pegar no pesado”, passando por várias experiências, desde vendedor de picolé até guia turístico.

O servidor público acredita compartilhar preferências semelhantes com a esposa e se vê como um homem divertido, sensível e muito forte.

“Sou um cara muito divertido, gosto de boteco, gosto de tomar aquela cervejinha. Sou uma pessoa externamente muito forte, mas, por dentro, sou muito sensível”, pontuou.

O casal compartilha uma relação repleta de brincadeiras e desafios, principalmente quando o tema é quem manda mais em casa. De maneira descontraída, Arleane destacou a dinâmica do relacionamento.

“Ele gosta de mandar de um lado e eu também mando de outro. Eu sou uma mulher muito ciumenta, então se eu pegar ele olhando de canto, o bicho vai pegar”, brincou.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Pesquisa analisa percepção de professores e estudantes sobre violência sexual no Amazonas

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Foto: Cristiane Fernandez/Acervo pessoal

Conhecer a visão e as ações de professores e alunos de escolas públicas sobre violência sexual de crianças e adolescentes, a fim de identificar de que forma o espaço escolar tem contribuído ou não para redução desses casos  foram os objetivos da pesquisa ‘Enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes: a responsabilidade da escola na proteção de direito’, apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvida por pesquisadoras da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O estudo coordenado pela doutora em Política Social, Cristiane Fernandez, fomentado pelo Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas) da Fapeam, edital nº 006/2019, aponta que os estudantes sabem o que é violência sexual, conseguem identificar as consequências e têm a clareza do que se constitui uma violação de direitos ao corpo do outro. E também aponta que os estudantes reconhecem a situação de vulnerabilidade em que se encontram crianças e adolescentes diante de adultos opressivos, autoritários e abusadores sexuais, assim como sabem diferenciar a sexualidade saudável

A pesquisa foi realizada em diversas etapas, com revisão de literatura sobre o assunto, treinamento com os pesquisadores sobre a metodologia adotada, entrevista com os diretores de cinco escolas de Manaus, Novo Airão, Coari, Iranduba e Rio Preto da Eva; roda de conversa com os adolescentes e grupo focal, que consiste numa entrevista coletiva com os professores.

Em relação aos professores, a pesquisa identificou que há uma reflexão sobre o tema, mostram conhecimentos em relação ao entendimento sobre violência sexual, sendo perceptível a necessidade de formação continuada e ações intersetoriais para intervenção nesta área. Além de apontarem a família como fundamental na educação sobre a sexualidade e na orientação da proteção.

Cristiane defende que a educação exerce papel fundamental no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes por integrar a rede de proteção.  Para ela, a educação ou orientação realizada na escola constitui uma ferramenta importante para a prevenção de diversas formas de violência sexual ocorridas na escola e, principalmente, no espaço familiar.  

O estudo também mostra que a maioria das escolas promove reuniões, palestras, discussão em sala de aula, em disciplinas que envolvem sexualidade humana, como Biologia, mas que as ações de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes das escolas públicas estudadas são ainda muito tímidas frente à complexidade do problema, além de conhecimento reduzido sobre esse crime sexual e trabalho articulado em rede.

Levantamentos

O estudo, que iniciou em 2019 e foi finalizado em 2022, contou com a parceria da doutora em Serviço Social, Roberta Justina da Costa, e está inserido no conjunto de trabalhos relacionados à temática de enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes desde 2003.

 “O apoio recebido pela Fapeam permitiu a divulgação dos achados da pesquisa por meio da realização de um seminário e da publicação de um livro. Nossa gratidão à Fapeam que proporcionou as condições necessárias para realização desta importante pesquisa”, disse Cristiane Fernandez.

*Com informações de Fapeam

Áreas de pecuária na Amazônia apresentam maior incidência de leishmaniose cutânea, mostra estudo

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A leishmaniose cutânea causa úlceras na pele que costumam ser arredondadas e têm as bordas elevadas e avermelhadas, podendo deixar cicatrizes nos pacientes. Foto: Organização Pan-Americana de Saúde.

Quem já se aventurou por qualquer floresta tropical, mesmo que apenas por algumas horas, e esqueceu de se proteger com quantidades suficientes de repelente, certamente sentiu na pele as dificuldades de conviver com alguns de seus mais vorazes habitantes: os mosquitos. A picada causa desconforto por si mesma, mas também pode redundar em complicações mais severas devido à possibilidade de transmissão de vírus causadores de doenças como a dengue, a malária e a leishmaniose cutânea. Esta última enfermidade, aliás, integra a lista das dez principais doenças tropicais negligenciadas, produzida pela Organização Pan-Americana de Saúde, e estima-se que gere anualmente mais de 50 mil novos casos no mundo.

A leishmaniose cutânea, ou tegumentar, como também é chamada, é uma doença não contagiosa que provoca úlceras na pele e nas mucosas. As lesões podem levar anos para cicatrizar, deixando a pele do paciente marcada para o resto da vida. Outro fator que torna essa patologia particularmente preocupante é a falta de avanços em prevenção e tratamento. Enquanto a vacinação contra a dengue já é uma realidade, a terapêutica para a leishmaniose evoluiu muito pouco desde que foi descrita, 120 anos atrás. De maneira geral, nos últimos 70 anos, o tratamento mais adotado envolve a aplicação de dolorosas injeções no músculo ou na área infectada.

No Brasil, ela ocorre com maior frequência nos estados da floresta amazônica. A região é classificada como de alto risco para eclosão de epidemias, devido à grande variedade de vetores que podem ser envolvidos no processo de transmissão, como moscas, mosquitos e mamíferos, e, também, às altas taxas de desmatamento. Para além da relação entre a destruição de florestas e o surgimento de casos de doenças tropicais, um grupo de pesquisadores liderados por Tatiana Pineda Portella, da USP, e que envolveu docentes da Unesp, da UFABC e da Universidade de Lausanne, na Suíça, identificou quais as formas de uso da terra que apresentam potencial maior para resultar no aumento do risco de casos de leishmaniose cutânea.

Os resultados foram divulgados no artigo ‘Bayesian spatio-temporal modeling to assess the effect of land-use changes on the incidence of Cutaneous Leishmaniasis in the Brazilian Amazon‘, publicado na revista científica Science of the Total Environment. O trabalho teve como objetivo analisar de que maneira a conversão do uso de terra na floresta amazônica, especialmente devido ao avanço das atividades humanas, pode se relacionar com a incidência de casos de leishmaniose cutânea na região. A partir de análises que cobriram dados socioeconômicos, de vegetação e de clima, referentes ao período entre 2001 e 2017, o grupo de pesquisadores constatou que o avanço da pecuária é a principal ameaça para o crescimento da incidência de leishmaniose cutânea em cidades amazônicas.

Presença de gado impacta no número de casos

A ideia do estudo surgiu depois que análises prévias apontaram as cidades amazônicas como principal foco da leishmaniose cutânea, em especial aquelas situadas no chamado arco do desmatamento.

O grupo empregou metodologias estatísticas para combinar séries diferentes de dados relativos ao uso de terra, à população das cidades e à situação socioeconômica dos municípios, e também registros do clima e da temperatura. No total, foram analisados dados de 503 cidades da Amazônia Legal, região que compreende os estados de Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Foram utilizados dados relativos ao período entre 2001 e 2017, e o largo intervalo de tempo analisado trouxe mais segurança aos pesquisadores para apontar os principais fatores associados ao crescimento dos casos de leishmaniose cutânea.

Além da escala temporal, outro diferencial da pesquisa está em considerar os diferentes usos de terra e coberturas vegetais que existem na região. Foram criadas cinco categorias pra abarcar as regiões existentes na Amazônia e que poderiam influenciar nos casos de leishmaniose cutânea: a cobertura florestal, que é o principal habitat dos vetores; as plantações permanentes, que também podem atuar como habitat e fonte de alimento para os vetores; áreas desflorestadas, nas quais as interações entre pessoas e mosquitos podem se intensificar; áreas de extrativismo, outro ambiente de contato intenso entre humanos e os vetores da doença; e, por fim, áreas de pecuária, nas quais existe, em grande quantidade, alimento para mosquitos transmissores de leishmaniose cutânea.

Esta classificação permitiu aos pesquisadores estabelecer de maneira mais direta e específica relações entre o tipo de uso da terra e a incidência de casos da doença. Para surpresa do grupo, o principal achado do estudo mostrou que os casos de leishmaniose cutânea têm relação com a interação entre áreas de cobertura florestal e de criação de gado. “Observamos que a presença de gado próximo de áreas de cobertura vegetal eleva os casos de leishmaniose cutânea”, diz Kraenkel. A ocorrência de desmatamento no terreno se mostrou como o segundo fator com maior associação aos casos.

Os pesquisadores não esperavam que a presença de florestas pudesse se revelar como um fator significante, e consideraram o resultado “contraintuitivo”, mas logo conceberam uma explicação. O habitat natural do mosquito são as florestas, portanto, áreas com maior cobertura vegetal implicam naturalmente a ocorrência de mais mosquitos. Isso aumenta as chances de que ocorra a transmissão do vírus da doença. Entretanto, em matas fechadas ou no coração da Amazônia a presença de humanos é extremamente reduzida. Logo, apesar da alta população de transmissores, não há pessoas que possam ser infectadas, o que dificulta que ocorram casos em número significativo.

Essa realidade muda quando o desmatamento ocorre para a criação de gado, ensejando um aumento da população nas regiões próximas das florestas. “A transmissão ocorre nas áreas fronteiriças, nas quais de um lado acontece a criação de gado e do outro está a área com cobertura vegetal”, diz Kraenkel.

A partir dos resultados, os pesquisadores acreditam que a proximidade entre o gado e a floresta proporciona ao mosquito maior oferta de alimento, na forma das cabeças de gado e, ao mesmo tempo, aumenta a interação entre mosquitos e humanos, o que leva ao maior número de casos da doença.

Motivos ainda são incertos

Kraenkel ressalta que, ainda que tenha elaborado essa hipótese a partir da interpretação dos dados, investigá-la mais a fundo vai exigir um tipo diferente de pesquisa. “O controle e o estudo dessa doença são muito complicados, porque se trata de uma zoonose, ou seja, é transmitida por meio de animais silvestres e insetos, e é impossível obter um levantamento de quantos insetos estão contaminados e são potenciais vetores”, conta. “Então temos que fazer o exercício de pensar: o que pode levar à existência de mais ou menos mosquitos na área?” indaga.

Os autores do artigo especulam que a presença do gado próximo às regiões de floresta represente maior disponibilidade de alimento para os insetos. Esse quadro não se verificaria, por exemplo, em lavouras, uma vez que os vetores não obtêm alimento das plantações.

Ainda que o estudo traga tantas perguntas quanto respostas, Kraenkel diz que os resultados são importantes para pensar em políticas públicas na região e refletir sobre o próprio modo de ocupação das terras. “O mais óbvio de apontar é que, se existem áreas de fronteira entre floresta e gado, é preciso ter um cuidado aumentado. Nesses municípios deveriam ser feitas campanhas de conscientização sobre esse risco. Isso é uma política de saúde pública que pode ser adotada de forma imediata”, diz.

O trabalho também acrescenta uma peça no quebra-cabeça da relação entre desmatamento e a eclosão de epidemias, evidenciando neste caso o impacto que a pecuária pode exercer sobre a saúde das populações de cidades amazônicas. Ao pensar em medidas para favorecer a saúde pública a longo prazo, os autores recomendam, inclusive, que a atividade econômica predominante nessas áreas seja repensada. “Nossa recomendação é que tomadores de decisão priorizem investimentos em alternativas mais sustentáveis de desenvolvimento econômico na Amazônia, com o objetivo de criar um ecossistema mais saudável, tanto para o meio ambiente como para os seres humanos”, concluem no texto do artigo.

A leishmaniose cutânea causa úlceras na pele que costumam ser arredondadas e têm as bordas elevadas e avermelhadas, podendo deixar cicatrizes nos pacientes. Crédito: Organização Pan-Americana de Saúde.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Malena Stariolo

Canaranas: ‘mar verde’ na orla de Manaus é consequência da seca e ameaça ecossistema

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‘Ilhas de vegetação’ surgem na praia da Ponta Negra e podem impactar ecossistema. Foto: Wiliam Duarte/Rede Amazônica AM

Apesar da subida do Rio Negro, os impactos da seca ainda são visíveis em Manaus (AM). O fim da vazante resultou em um “mar” de capim que tomou conta da orla da cidade. À primeira vista, pode parecer apenas vegetação comum, mas, segundo especialista ouvido pelo Grupo Rede Amazônica, o que parece inofensivo representa uma ameaça ao ecossistema local.

Em outubro, o cenário da Praia da Ponta Negra, principal balneário de Manaus, era de um rio extremamente baixo e uma vasta faixa de areia. No entanto, agora, com o aumento das águas, chegam quilômetros das temidas “canaranas” ou “capim marreco”, cobrindo a região.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é capim-marreca?

Um vídeo divulgado nas redes sociais pelo videomaker Alcides Neto mostra a invasão das canaranas na orla de Manaus, chamando a atenção tanto dos moradores quanto dos visitantes da cidade.

O biólogo André Menezes alerta que, embora as canaranas pareçam, à primeira vista, um capim comum, elas representam uma ameaça para o equilíbrio ambiental de Manaus e podem causar sérios impactos:

  • Risco para animais: Cobras e jacarés podem se esconder no capim, representando perigo para quem frequenta a área.
  • Água imprópria para banho: O capim em decomposição torna a água contaminada e insegura para atividades aquáticas.
  • Impacto na vida aquática: A vegetação reduz a oxigenação da água, prejudicando peixes e outros seres vivos do rio.

Mas, afinal de contas, de onde surgiu esse capim?

Segundo André, tudo está relacionado com a oscilação das águas. “Durante a cheia do rio, os sedimentos acumulam muitos nutrientes no fundo. Assim, quando ocorre a seca, o solo fica fértil e propício para o crescimento de vegetação. Se ninguém planta, o capim se aproveita e cresce”, explicou o biólogo.

Com a subida do rio, o capim formado se solta da terra, criando um “tapete verde”. Isso foi registrado no último trimestre do ano passado, quando um vasto campo de grama surgiu às margens do Rio Negro, chamando a atenção da população e viralizando nas redes sociais.

“Quando se solta do solo, a vegetação se torna morta, cheia de microrganismos e bactérias, que podem representar riscos à saúde humana, além de prejudicar os peixes. É uma vegetação densa e fibrosa, que não desaparece facilmente. Por isso, é necessária a ação do poder público para remover”, alertou o biólogo.

O que poderia ser uma solução econômica para o bolso do contribuinte acaba se tornando mais caro à medida em que as autoridades demoram para remover o capim.

“Eu vinha alertando sobre isso: é preciso tirar esse capim antes da subida das águas, e não quando já está tudo tomado. Nesse momento os custos aumentam, pois é necessário mobilizar toda uma estrutura, o que não sai barato”, alertou.

O capim vai desaparecer ou será levado pelo rio?

Segundo o especialista, é crucial agir rapidamente para remover as “canaranas”, pois o capim não desaparecerá ou descerá facilmente pelo rio.

“Essas ilhas, após a subida das águas, se espalham de forma aleatória, o que dificulta ainda mais a remoção. Como é uma vegetação fibrosa, ela não se desloca facilmente. Pode até descer o rio, mas isso só transfere o problema de lugar. Para os ribeirinhos, que dependem diretamente do rio, isso é extremamente prejudicial”, explicou.

Para quem é dono de embarcação, o capim também representa um grande problema, como explicou André. “Esse capim pode enroscar na hélice e travar o motor da embarcação. É algo bem complicado, e fora o cheiro. Quando você chega perto, sente o odor de decomposição, já que ele está em processo de apodrecimento”.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Prefeitura inicia retirada das canaranas na Ponta Negra

Na última semana, a Prefeitura de Manaus começou a remoção do vasto campo de capim formado na Praia da Ponta Negra, na Zona Oeste.

De acordo com o secretário municipal de limpeza urbana, Sabá Reis, as canaranas não apenas afetam a paisagem, mas também comprometem a navegabilidade do Rio Negro, dificultando a passagem de embarcações.

Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Acre está entre 10 estados com maior percentual de mulheres em cargos de liderança

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Vice-governadora Mailza Assis é uma das mulheres de destaque do governo, respondendo também pelo cargo de secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos. Foto: José Henrique/Sefaz AC

Um levantamento feito por um comitê gestor formado pelos institutos Aleias, Alziras, Foz e Travessia Políticas Públicas, com dados coletados entre dezembro de 2023 e março de 2024, coloca o Acre em nono lugar no ranking de mulheres em cargos de liderança. O ranking com a porcentagem de cada estado foi divulgado na página oficial do Centro de Liderança Pública (CLP), no dia 2 de janeiro.

Foram contabilizadas secretarias, procuradorias, controladorias e casas militares – órgãos que na maioria dos territórios analisados constam como respondentes diretos do chefe do Executivo.

Mapa mostra cada estado com a porcentagem de mulheres ocupando espaços de liderança. Imagem: Reprodução/CLP

Os dados apontam que as mulheres à frente desses órgãos são altamente qualificadas e possuem sólida experiência profissional no setor público, com maior presença nas pastas do setor social.

O estado com maior participação feminina na gestão é Alagoas, com 54%. Nesta lista, o Acre configurou o nono lugar, com 27% de mulheres nesses setores. Quando analisada apenas a região Norte, o Acre fica atrás apenas do Amapá, que tem 41% de gestoras.

No entanto, o último levantamento feito pela Secretaria de Administração do Estado (Sead) mostra que das 49 secretarias e autarquias em todo o estado, 17 são comandadas por mulheres, ocupando 33,33% da gestão estadual.

A diferença se dá devido à metodologia da pesquisa, que excluiu alguns órgãos da contagem, como ouvidorias, defensorias, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e guardas. O fato de dar destaque ao público feminino também tem como pilar fortalecer a representatividade de um estado com população formada por 50% de mulheres. Dos 830.018 habitantes do Acre, 414.686 são do sexo feminino.

Mulheres tem ganhado espaço e são reconhecidas em suas áreas. Foto: Reprodução

Essa expressão também reflete no número de servidores públicos. Dos 37.600 servidores ativos no Estado, 21.370 são mulheres, ou seja, 56,84%. Os outros 16.230 são homens.

Nesse quesito, o governador Gladson Cameli tem marcado seu nome na história ao retomar a Secretaria Estadual da Mulher, colocar à frente da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas a primeira mulher a assumir o cargo e também ser o primeiro chefe de Estado a empossar uma mulher para o Comando-Geral da Polícia Militar.

O governador destaca que o espaço ocupado pelas mulheres não se trata apenas de uma política de igualdade de gênero, mas de reconhecimento a profissionais que têm uma trajetória marcada pela capacidade de liderar e se destacar nas áreas que atuam.

Sobre o ranking que dá um destaque positivo ao Acre, Cameli enfatiza que isso reflete a mensagem que seu governo pretende passar à população. “Sou um democrata. Quando vejo esses números, esses índices, me faz crer que a população vai se sentir motivada, as mulheres vão poder ver e acreditar que não há limite para os cargos que estejam aptas a ocupar”.

*Com informações de Agência Acre

“Afogados” no rio Tarumã Açu

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Foto: Dudu Monteiro de Paula/Acervo pessoal

Por Dudu Monteiro de Paula

Em dezembro de 2018 tive a ideia de, durante o Réveillon, filmar a tradicional queima de fogos da passagem do ano de dentro de uma voadeira em noventa graus, ou seja, deitado na canoa filmando os fogos de artifícios.

Convidei a minha querida e amada Sylwia Zrubik e a amiga Suzan para que, juntos, vivêssemos estes belos momentos. Saímos de casa cedo e fomos direto ao Tarumã, na praia Dourada, em Manaus (AM). Embarcamos em uma lancha que faz o transporte das pessoas até o flutuante desejado, no caso era o flutuante da Suliene. Detalhe: já deixamos acertado o horário que nos buscariam para voltarmos a praia Dourada. Isto foi fundamental no início do ano de 2019.

Um belo flutuante com toda infraestrutura, quartos, cozinha, banheiros, ou seja, completo para o atendimento confortável. Como chegamos relativamente cedo, logo começamos a comer e beber na espera da hora oportuna para nos deslocarmos para a Ponta Negra no Rio Negro.

Quando faltavam quinze minutos resolvemos que era a hora para o deslocamento, porém antes de embarcar, aconselhei que todos usássemos colete salva-vidas, algo plenamente aceito, menos pelo piloto. Paciência.

Era uma boa lancha, mas com pouca iluminação. Durante o trajeto estávamos juntos com centenas de embarcações dos tamanhos mais variados e todos em direção da Ponta Negra. Ao lá chegar, nos posicionamos no ponto que eu desejava e as imagens ficaram maravilhosas e, lógico, dentro barco muita festa até pela proximidade de dezenas outras embarcações, muitas com o som bastante alto.

Feitas as imagens e a com a parada definitiva dos fogos, já eram os primeiros minutos de 2019. Hora de voltar. Nossa lancha com pouca iluminação, dezenas de barcos voltando na direção do Tarumã Açu: o banzeiro era bastante intenso e, em um determinado momento, a nossa embarcação acabou entrando em uma galhada (galhos de árvores grandes com folha e tudo).

Quando o piloto percebeu que estava dentro de uma galhada, imediatamente engatou uma ré. Pronto. Aí surgiram os problemas!

Com a parte dianteira engatada nos galhos e com a ré ligada fomos imediatamente para o fundo do rio. Eu diria que foi tão rápido que nem deu tempo de sair da canoa e sim que “ela saiu de nós”. Nos segundos iniciais que pareceram horas intermináveis cada um cuidou de se assegurar que estava boiando, pouco a pouco fomos tomando consciência da situação. Alguns mais agitados, mas a maioria com relativa tranquilidade.

Estava muito escuro, com alguns barcos passando em velocidade sem nos enxergar. Começamos a pensar como sair daquela situação. Estávamos todos com os celulares ou molhados ou no fundo do rio (que foi meu caso). Já havia passado longos minutos quando subitamente ouvimos um celular tocar no bolso de uma das pessoas mais agitadas, que ao atender ficou repetindo várias vezes: “SOCORRO! ME AJUDA!”

Alguém do grupo pegou o celular e explicou a quem chamava o ocorrido. Era o dono da voadeira que tinha se comprometido em buscar-nos para voltar a praia Dourada. Ufa! Mesmo assim ficamos na espera a deriva no rio por mais ou menos 40 minutos.

Bom! As imagens do réveillon seguramente algum peixe deve estar assistindo até hoje. Pelo menos acho. Acredito que poucos casais na vida viveram uma aventura como essa e estão aí para contar. Sylwia e eu vivemos o que só aumentou o amor que temos um com o outro.

Por hoje é só! FUUUUUUUUIIIIIIIIIIII!!!

Sobre o autor

Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Puno busca reconhecimento da ‘Rosqueada’ como Patrimônio Cultural do Peru

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Foto: Reprodução/Agência Andina

Todo dia 1º de janeiro, o distrito de Pomata, na província de Chucuito, na região de Puno, no Peru, se transforma em um cenário de celebração cultural e tradição com a ‘Rosqueada‘, também conhecida como ‘Festa do Pão‘. Este ritual, marcado por simbolismo e identidade ancestral, está em processo de reconhecimento como Patrimônio Cultural da Nação pelo Ministério da Cultura do Peru.

A ‘Rosqueada’ é promovida pelos vice-governadores cessantes de Pomata e celebra a transição de autoridades locais em um clima festivo. Durante o evento, as autoridades que deixam seus cargos desfilam pela praça principal, vestindo ponchos e chapéus decorados com pães especiais em formato de rosquinha, enfeitados com peras moldadas. Estes pães, que simbolizam uma colheita abundante para o novo ano, tornam-se o centro das atenções da festa.

Além do desfile, a celebração inclui uma missa e um ato de ação de graças, reforçando a espiritualidade e o caráter comunitário da tradição. No final do evento, os pães decorativos, bengalas e chapéus feitos de pão são distribuídos aos participantes, tornando a festividade ainda mais inclusiva.

Preservação e reconhecimento cultural

Richard Butron Arcaya, responsável técnico pela iniciativa de reconhecimento, destacou que os esforços para obter o título de Patrimônio Cultural da Nação começaram em abril de 2024. O processo, que envolve a coleta de documentos e provas, está em estágio avançado, e o arquivo final deve ser submetido ao Ministério da Cultura em março deste ano.

O trabalho de Butron conta com o apoio do prefeito de Pomata, Mario Torres Vásquez, e das autoridades distritais. Segundo ele, além de revalorizar os costumes ancestrais, o reconhecimento busca assegurar que Pomata seja identificada como o berço original da ‘Rosqueada’, evitando apropriações culturais por outros distritos ou províncias.

Um símbolo de identidade

Para os habitantes de Pomata, a ‘Rosqueada’ vai além de uma festa tradicional; é uma expressão viva de sua cultura, história e conexão com a terra. A cada ano, a celebração une gerações, promovendo um senso de comunidade e continuidade cultural.

Os promotores da iniciativa esperam que 2025 seja o ano em que a ‘Rosqueada’ receba o título de Patrimônio Cultural da Nação, consolidando ainda mais o valor desta tradição única no panorama cultural do Peru.

Enquanto aguardam a decisão oficial, os moradores de Pomata seguem mantendo viva essa herança, celebrando com entusiasmo e preservando os costumes que moldam sua identidade.

*Com informações da Agência Andina