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Entenda o que são as florestas públicas não destinadas

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Gleba Castanho, no Amazonas, em 2022, foi a primeira área não-destinada a entrar no processo de concessão florestal. Foto: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

As florestas públicas não destinadas localizadas na Amazônia são terras de domínio dos governos estaduais ou federal que aguardam pela destinação para uma categoria fundiária, como determinado pela Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei 11.284/06). 

Elas somam uma área do tamanho da Espanha (56,5 milhões de hectares) e estocam quase um ano de emissões globais de carbono – ou sete bilhões de toneladas de carbono. No entanto, as florestas públicas sem destinação ficam mais vulneráveis à grilagem e ao desmatamento ilegal. 

Localização de florestas públicas não destinadas na Amazônia

6,18 milhões de hectares dessa área foram anunciados para estudo de destinação pelo Governo Federal

Fonte: Observatório das Florestas Públicas

Para contribuir com a proteção das florestas públicas não destinadas, o Amazoniar – iniciativa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) para promover um diálogo global sobre a Amazônia – responde às principais perguntas sobre essas terras e como defendê-las.  

Por que proteger as florestas públicas não destinadas? 

A proteção das florestas públicas não destinadas é crucial, pois nelas vivem diversos povos indígenas e comunidades tradicionais que dependem diretamente desses territórios e cuidam de toda sua biodiversidade através de seus modos de vida. A preservação de suas culturas, tão vitais para o equilíbrio climático e o futuro do planeta, depende da garantia de seus direitos, inclusive da demarcação e autogestão de seus territórios. 

Proteger essas terras deve ser prioridade não apenas para garantir os direitos de quem já as ocupa, mas também como uma das soluções para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater as mudanças climáticas, devido ao seu estoque de carbono. 

Qual é o maior desafio para a proteção das florestas públicas não destinadas? 

O maior desafio é a constante pressão de atividades ilegais que essas áreas sofrem. Embora a Lei de Gestão de Florestas Públicas determine que essas florestas devem ser conservadas ou utilizadas de forma sustentável, sem a definição de uma categoria de uso, elas ficam mais vulneráveis à grilagem e, consequentemente, ao desmatamento ilegal e à degradação.  

Uma pesquisa do IPAM revela que, entre 2019 e 2021, mais da metade (51%) do desmatamento ocorreu em terras públicas, sendo as florestas públicas não destinadas as mais atingidas: tiveram alta de 85% na área desmatada, passando de 1.743 km² derrubados anualmente para mais de 3.228 km².  

O mesmo estudo mostra como aparatos legais são usados para disfarçar a grilagem de terra. Até o fim de 2020, mais de 18 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas estavam declarados no SICAR (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural), de forma ilegal, como propriedades particulares.  

Por que as florestas públicas são um grande alvo de grileiros? 

O enfraquecimento da fiscalização ambiental é o fator que mais abre espaço para que a ocorrência de grilagem nessas florestas aumente. Pessoas e empresas dificilmente entram em áreas para grilar sem saber que são públicas. 

Além do aumento dos registros de CAR (Cadastro Ambiental Rural) fraudulento no sistema, as áreas declaradas vêm apresentando tamanhos cada vez maiores. Uma nota técnica do IPAM mostra que, em 2021, cerca de 44% dos CAR que apresentavam sobreposição às florestas públicas não destinadas tinham mais de 1,5 mil hectares. É “um forte indício [de] que a grilagem esteja ligada a ações de grupos capitalizados e organizados que buscam, cada vez mais, ocupar grandes frações de terra pública”.

Como a grilagem em florestas públicas funciona na prática? 

Na maioria das vezes, os grileiros fazem um levantamento para identificar as características da terra – por exemplo, se é plana, com fácil acesso à água e à estrada. 

Escolhido o lugar, começa o ciclo:  

1) entram na área, usando o CAR (Cadastro Ambiental Rural) como um suposto documento comprovação de propriedade;  

2) desmatam a floresta; e então  

3) iniciam um processo parecido com a especulação imobiliária, com o objetivo de vender a terra desmatada para outros fins, em especial para a pecuária. Para se ter uma ideia, mais de 70% dos desmatamentos em florestas públicas não destinadas são transformadas em pasto para gado. 

Para saber mais sobre a grilagem, leia a cartilha “Por uma Amazônia livre de grilagem”, do Amazoniar.

Como proteger as florestas públicas não destinadas? 

A destinação é uma das políticas ambientais mais urgentes e eficazes para proteger as florestas públicas do desmatamento e da degradação. A ciência já provou que essas florestas são mais preservadas sob o cuidado de povos indígenas e comunidades tradicionais: o conjunto de terras indígenas e unidades de conservação estocam cerca de 56% do carbono da Amazônia brasileira. 

Um instrumento que pode facilitar a regularização de territórios e a destinação é a CDRU (Concessão de Direito Real de Uso). Por meio deste contrato administrativo, o poder público pode ceder o uso de uma determinada terra a populações originárias e tradicionais, contribuindo para a garantia de direitos dessas pessoas ao mesmo tempo em que salvaguarda o interesse público de proteger as florestas. 

Em paralelo, é preciso fortalecer o comando e controle ambiental, a ação mais efetiva para reduzir o desmatamento de forma imediata. Isso significa fortalecer a fiscalização e aplicar punições pelo cometimento e financiamento de crimes ambientais.  

Conheça outras alternativas para o combate ao desmatamento na cartilha “Soluções para o desmatamento na Amazônia”, do Amazoniar.  

O que uma floresta pública não destinada pode se tornar? 

Foto: Divino Silvério

As florestas públicas podem ser destinadas para uso comunitário, sustentável, proteção integral ou ainda fins militares. Alguns exemplos de destinação são: 

Terras indígenas – Os povos indígenas são os guardiões da Amazônia há milênios e desempenham um papel fundamental na manutenção da integridade dos ecossistemas e no combate às mudanças climáticas. No Brasil, as terras indígenas ocupam 13,9% do território nacional e guardam 19,5% da vegetação nativa do país. 

De acordo com levantamento do MapBiomas de 2022, o desmatamento em terras indígenas foi de apenas 1% em 30 anos. 

Unidades de conservação – Conforme explica ((o))eco, essas áreas garantem a representatividade de diferentes populações e ecossistemas, preservando o patrimônio biológico. Ao mesmo tempo, oferecem às populações tradicionais que as habitam os recursos naturais necessários para o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis. 

São categorias de Unidades de Conservação: 

  • Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) 
  • Reserva extrativista (Resex) 
  • Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) 
  • Reserva Biológica  
  • Refúgio de Vida Silvestre 
  • Parque nacional, estadual e natural municipal 
  • Monumento natural 
  • Floresta nacional, estadual e municipal 
  • Estação Ecológica 
  • Área de Proteção Ambiental 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM

Estudo levanta perfil do turista que visita o Acre

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Foto: Pedro Devani/Secom AC

O fomento do turismo do Acre, além das belezas naturais e outros atrativos, também advém de políticas públicas e privadas. Para auxiliar na formação destas, o Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento divulgou o resultado da pesquisa do Estudo Econômico ‘Revisitando o Turismo: um olhar pensando no futuro’, que mostra o perfil do turista que visita o Acre.

O estudo mostrou que homens com nível superior, que ganham, aproximadamente, R$ 4 mil, visitam o Acre para passar cinco dias, de segunda a sexta-feira, a negócios.

O professor doutor Rubicleis Gomes da Silva, pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), do Fórum Empresarial e da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino e Pesquisa e Extensão (Fundap), conduziu o estudo e ressaltou a importância de conhecer o perfil dos turistas que visitam o Acre.

O secretário de Estado de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, destacou que a ferramenta tem grande importância para os processos de crescimento e desenvolvimento do Acre enquanto destino turístico.

“A percepção que o visitante tem sobre um destino é muito significativa para propagar de forma positiva a imagem local e, conhecer o perfil do turista que visita nosso estado é indispensável para sermos competitivos frente aos desafios. Informações demonstradas na pesquisa são muito ricas e irão nortear o desenvolvimento de políticas públicas, planejamento estratégico, subsidiar tomada de decisão mais assertiva, seja pelo poder público ou classe empresarial, objetivando o aumento do fluxo de turistas, gerar mais oportunidade de emprego e renda para a nossa população”, afirmou.

Para desenvolver ainda mais o turismo no Acre, que conta com tantas belezas naturais, a união entre a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo e as demais instituições é essencial para fomento do setor no estado. Pesquisas como o Estudo Econômico que mostra o perfil do turista no Acre é uma das ferramentas que auxiliam no crescimento dessa área.

O professor doutor Rubicleis Gomes da Silva conduziu o estudo. Foto: Arquivo pessoal

Aplicação da pesquisa

Para levantar esse perfil, o Fórum Empresarial do Acre elaborou uma pesquisa e aplicou questionários na rodoviária e no aeroporto de Rio Branco, entre 27 de julho e 22 de outubro, com 401 turistas que estavam chegando ou saindo do estado acreano.

A rodoviária representou 47,88% do total das respostas na pesquisa, sendo o local com maior frequência de aplicação dos questionários, indicando que quase metade dos turistas chegam a Rio Branco com transporte terrestre.

O aeroporto também teve uma participação significativa, com 32,17% das aplicações. Esse percentual reflete a importância do transporte aéreo no turismo local, destacando o aeroporto como o segundo principal ponto de acesso dos visitantes.

“A equipe de aplicação dos questionários não teve acesso à sala de embarque no período noturno, ficando a aplicação dos questionários limitada aos voos diurnos. Destaca-se que a equipe tentou aplicar os questionários no saguão do aeroporto, contudo, pouquíssimos passageiros se dispuseram a responder a pesquisa. Além disso, é importante destacar que, no período da pesquisa, os voos noturnos eram bem superiores aos diurnos”, explicou outro trecho do estudo, que pode ser conferido na íntegra aqui.

O professor Rubicleis Gomes explicou, ainda, que a pesquisa deve ser feita durante os 12 meses do ano, para entender, de fato, qual perfil do turista no Acre. “É preciso aplicar também nas cidades de Assis Brasil, Brasileia e Epitaciolândia, que são porta de entrada do Peru e Bolívia e têm um grande fluxo de pessoas”, afirmou.

*Com informações da Agência Acre

Com decisão histórica, é criada instância de participação indígena na COP da Desertificação

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Foto: Reprodução/MPI

A proposta brasileira de criação do Caucus Indígena na 16ª Conferência das Partes (COP16) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD), realizada em Riad, na Arábia Saudita, foi aprovada no dia 13 de dezembro.

Os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lideraram a articulação das demandas dos povos de diferentes países para a criação da instância de negociação, que vai funcionar como um espaço de debate e integração dos povos de diversas partes do mundo.

Conhecida como COP da Desertificação ou COP do Solo, essa é a terceira das conferências firmadas na Rio-92, a segunda Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. A COP da Desertificação era a única entre as três, a do clima e da biodiversidade biológica, que ainda não contava com uma instância formal para a participação indígena e de outros povos e comunidades tradicionais. Junto com a criação do Caucus Indígena, também foi criado um Caucus para as comunidades locais.

Com o tema central “Nossa Terra, nosso futuro”, a conferência teve início no dia 2 de dezembro e reuniu representantes de cerca de 195 países e da União Europeia, entre membros do governo e da sociedade civil. 

Nas conferências, a instância é o espaço para coordenação de estratégias e propostas entre os povos indígenas de diversas regiões do planeta, além de funcionar também como uma instância de diálogo e consulta entre esses povos.

Em discurso durante o Fórum dos Povos Indígenas na conferência, o diretor de Gestão Ambiental, Territorial e Promoção ao Bem Viver Indígena da Secretaria de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do MPI, Bruno Potiguara, falou da necessidade de atitudes imediatas que interrompam o avanço e retroalimentação do processo de desertificação no planeta. 

A proposta brasileira foi apresentada durante a mesa de negociação, realizada nesta sexta, por Edel Moraes, chefe de Delegação do Brasil e secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA.

O “People’s Day” foi realizado pela primeira vez nesta COP no último sábado, dia 7, e passou a ser mais uma entre as sete datas temáticas da programação. Na mesma data foi realizado o Fórum dos Povos Indígenas, sendo a primeira vez, nos cerca de 30 anos da COP da Desertificação, que esses povos contaram com um fórum específico para integrar e fortalecer suas perspectivas.

Em declaração entregue para apreciação das partes nesta ocasião, o caucus é apontado como solução para os povos indígenas articulados na conferência, que reforçam no texto do documento que o sucesso das estratégias de combate à desertificação só será viável com a colaboração destes grupos. A iniciativa é distinta do espaço já formalizado nas conferências para organizações da sociedade civil.

A declaração

Em seu discurso no Dia do Povo, o presidente da COP 16, Osama Faqeeha, afirmou que a data, que também integrou plenárias com foco na juventude, foi criada com o objetivo de promover a inclusão de grupos que representam a resiliência à seca.

O texto da declaração foi dividido em quatro tópicos, que defendem o respeito e o reconhecimento dos povos indígenas pelas partes reunidas pela conferência e a proteção dos seus direitos nas decisões. Também exige a participação plena e efetiva desses grupos nos debates, o reconhecimento dos seus sistemas de conhecimento e da sua contribuição para a restauração e gestão dos solos. E, por último, defende o acesso direto pelos povos indígenas e suas organizações representativas ao financiamento voltado à proteção e restauração de terras e territórios, como uma maneira de respeitar a autonomia indígena.

O documento também reforça a necessidade de que os territórios e os direitos territoriais, os sistemas de manejo e de governança indígena sejam reconhecidos e fortalecidos. 

*Com informações do MMA

Pará vai investir mais de R$ 30 milhões em projetos para economia limpa até 2026

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Foto: Divulgação

Para promover crescimento da economia e inclusão social, tendo a bioeconomia como aliada, uma das estratégias do Governo do Pará é a implantação do Plano Estadual de Bioeconomia (Planbio), que atualmente conta com 92 ações implementadas ou em andamento, mais de 50% das ações previstas.

Lançado na COP 27, no Egito, em 2022, o Planbio impacta diretamente a vida de 67 mil pessoas, com a realização de 12 marketplaces de bioprodutos da Amazônia, o que promove a diversidade de produtos sustentáveis e aumento da renda de mais de 1.056 famílias. Atualmente, são mais de R$ 34 milhões investidos no apoio a mais de 275 negócios.

Integrante do Comitê Executivo do PlanBio e com a missão de fomentar o desenvolvimento de pesquisas e inovações que se aplique o conhecimento científico e tecnológico na produção de produtos para a bioeconomia, a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) fomenta atualmente 89 projetos diretamente ligados ao desenvolvimento de pesquisas e inovações, além de mais 69 startups apoiadas, entre 2023 e 2024.

Pesquisas

São projetos de pesquisa, apoio às empresas inovadoras, formação de jovens pesquisadores, apoio na formação de núcleos de excelência, fortalecimento de programas de pesquisa nas universidades e parcerias internacionais. Na lista de iniciativas, há também a formação de núcleos de excelência, fortalecimento de programas de pesquisa nas universidades e parcerias internacionais.

Entre os projetos está o da engenheira de produção, Ingrid Teles, fundadora da startup Ver-o-Fruto, que utiliza o caroço de açaí para produzir cosméticos e filtrar água, em comunidades ribeirinhas. A cada sabonete produzido, são impedidos de chegar ao meio ambiente 100g de caroço de açaí. Assim, com a proposta de promover a economia circular com um bioproduto, a pesquisadora utiliza o caroço de açaí como sua matéria prima base e transforma caroço em sabonete facial.

Com o beneficiamento deste resíduo, a Ver-o-Fruto movimenta a economia local, impactando toda a cadeia produtiva do açaí. “Hoje terceirizamos toda a produção e fortalecemos todo um quadro de funcionários já atuante, além de fortalecer as comunidades que são fornecedores de nossos parceiros”, informa a pesquisadora.

A Associação de Batedores de Açaí de Belém estima que 16 toneladas de caroços são descartados por dia, o que gera poluição visual, do solo e hídrica.

Foto: Divulgação

Investimentos

Somente em 2023, a Fapespa investiu mais de R$ 11,3 milhões em projetos alinhados à bioeconomia e voltados para a valorização do conhecimento tradicional amazônida. Já em 2024, mais 10,5 milhões foram investidos para novos projetos de ciência, tecnologia e inovação. Um montante que até 2026, deve chegar a R$17.645.152,25 para o complemento de projetos já contratados. Esse trabalho prevê ainda novos editais e parcerias que estão em andamento e com a previsão de que em 2025, possamos contar com um aporte de mais R$ 15 milhões.

São projetos como agricultura sintrópica; geração de novos produtos a partir da fauna, flora e microbiota; fortalecimento tecnológico de cadeias como o açaí e o cacau; geração de energia limpa e sustentável; mitigação dos riscos às populações de plantas e animais; novos bioativos para as indústrias farmacêuticas e de cosméticos; validação acadêmica dos conhecimentos ancestrais; formação de mão de obra qualificada, entre outros.

Integração

Considerando que o planejamento plurianual do Estado busca atender o território paraense, as ações são planejadas de forma que possibilite a participação e o benefício de toda a população. Para isso, a seleção dos projetos é dividida considerando-se as regiões de interação. A seleção ocorre via editais da Fapespa ou a partir de parcerias estratégicas com outras instituições do Sistema nacional de CT&I.

Na região do Guajará, atualmente, são fomentados 32 projetos. Entre eles está o AmazonCel, o primeiro laboratório de celulose e papel da região Amazônica, que produz papel a partir da fibra do açaí visando produzir embalagens sustentáveis. O laboratório já tem os primeiros resultados que mostram que a fibra é viável e pode ser convertida em celulose utilizando menos produtos químicos do que a convencional indústria.

O projeto está estudando propor papéis mistos de açaí e eucalipto. A coordenadora do projeto explica que o trabalho possui um terceiro objetivo, que é o cientificamente mais avançado, pois trata da produção de nanocelulose e nanopapéis a partir das fibras, além da bioativação desses papéis com óleos e resinas da Amazônia. “O equipamento para o último objetivo chegará início de 2025, mas já posso adiantar que será uma nova linha de papéis do açaí inovadores envolvendo nanotecnologia”, informa a coordenadora da pesquisa, Lina Bufalino, professora UFRA.

Além dos objetivos previstos, o laboratório tornou possível o desenvolvimento de uma linha paralela de papéis, de papel reciclado convencional com fibras do resíduo do açaí. “Estes papéis ficaram interessantes do ponto de vista estético e têm potencial, por exemplo, para serem papéis para convites, presentes ou de apelo Amazônico, já que é possível ver a fibra do açaí dispersa no papel reciclado”, informa a pesquisadora.

*Com informações da Agência Pará

Livros destacam potencial da cultura e do turismo de Roraima

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Foto: Reprodução/Governo de Roraima

O livro ‘Trekking ao Monte Roraima’, de Evandro Torezan, destaca o turismo de Roraima e é uma das obras que divulgam o potencial da cultura roraimense para o mundo contribuindo para a formação de bibliografias a disposição da comunidade.

A obra, além de narrar uma jornada de aventura, explora as riquezas históricas e geográficas do Monte Roraima, uma das mais imponentes montanhas da América do Sul, localizada no Planalto das Guianas, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

O autor, conhecido como “Ser Pedalante”, compartilha sua experiência ao percorrer o trajeto a pé, destacando a natureza exuberante e os desafios físicos da caminhada, além das lendas e histórias que permeiam a região.

Outra publicação importante é o livro ‘Kalu Brasil – Da Aldeia para o Mundo’, lançado em dezembro, que reúne as receitas e memórias de Kalu Brasil, de 83 anos, e reflete sobre a história de Roraima.

Já o livro ‘Monte Roraima: a morada de Makunaima’, do escritor e fotógrafo Bruno Garmatz, apresenta mais de 450 fotografias, resultado de quatro anos de pesquisa sobre a cultura, o turismo e as paisagens de Roraima.

Essas obras têm potencial para impulsionar o turismo em Roraima, promovendo o estado como destino turístico e fomentando a valorização de sua cultura. Segundo Bruno Muniz de Brito, diretor do Detur (Departamento de Turismo) da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), iniciativas como essas são essenciais para divulgar as belezas locais, atraindo visitantes de diferentes partes do mundo.

“Essas obras se somam a diversas outras disponíveis em nossa hemeroteca, que dispõe de monografias, dissertações e teses sobre a atividade turística local”, disse o diretor.

Hemeroteca do Detur

A Hemeroteca Antônio Tolrino Veras, do Detur, também dispõe de outros materiais, como monografias, dissertações e teses, que contribuem para a compreensão e promoção do turismo local. O acervo pode ser acessado aqui.

A Hemeroteca reúne estudos sobre diversos aspectos do turismo em Roraima, como o trabalho da Dra. Ana Sibelônia Saldanha Veras, que aborda a sustentabilidade do geoturismo na Amazônia Setentrional, com foco no município de Mucajaí. Outro estudo relevante é da pesquisadora Dayana Soares Araújo Paes, que analisou os saberes ancestrais das ceramistas Macuxi da comunidade Raposa 1, em Normandia, e o papel cultural do barro na região.

A pesquisadora estudou os processos e saberes ancestrais das ceramistas Macuxi que vivem em Boa Vista e na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, por meio de um trabalho de campo etnográfico, no qual passou a conviver durante alguns períodos na Comunidade Indígena Raposa I, participando de ações voltadas para a produção cerâmica e momentos de festividade, como o Festival das Panelas de Barro.

*Com informações do Governo de Roraima

Laboratório em Belém é o primeiro da Região Norte a ter tecnologia que agiliza diagnóstico de câncer

Foto: Divulgação

Laboratório IPCM (Instituto de Patologia Cirúrgica e Molecular), de Belém (PA), é o primeiro da Região Norte a adquirir a patologia digital da Roche Diagnóstica. A inovação, que chegou recentemente ao país, é caracterizada pelo escaneamento das amostras de tecidos em lâminas, que são enviadas digitalmente para que os patologistas possam, em qualquer localização física, interpretar as características anatomopatológicas de acordo com suas especialidades e compor o laudo com os resultados observados.

Atualmente, 15% da rotina do IPCM é digital, com tecnologias que permitem a coleta, análise e compartilhamento de dados do laboratório de forma automatizada e em tempo real. A expectativa é chegar a 50% até final de 2025. 

O laboratório atua há 10 anos em Belém com o propósito de ofertar serviços na especialidade de anatomia patológica, área da medicina focada na análise de órgãos, tecidos e células, contribuindo para o diagnóstico de lesões, tratamento e prognóstico das doenças, principalmente cânceres.

“Apenas 2% dos patologistas do Brasil estão na Região Norte. Portanto, com a inovação da Roche, conseguimos transpor barreiras e, assim, captar remotamente médicos patologistas em outros estados do país. Além disso, outro grande diferencial dessa inovação é a utilização de algoritmos de inteligência artificial, uma ferramenta a mais para auxiliar a dinâmica do laboratório, garantindo maior eficiência, acurácia e fluxo operacional. Estamos trazendo tecnologia de ponta, ou seja, o que há de mais moderno no mundo em anatomia patológica, para a população de Belém e região”, conta Augusto Silva, do IPCM.

No laboratório, o equipamento VENTANA Slide Scanners da Roche gera imagens de alta qualidade para vários tipos de tecidos, com uma digitalização de alta velocidade e interface de usuário intuitiva, sendo capaz de dar acesso às imagens em tempo real à patologistas em qualquer lugar do mundo.

“A chegada da patologia digital da Roche Diagnóstica à Região Norte é essencial para um diagnóstico mais ágil, eficaz e seguro para a população. Isso porque, quando a amostra é enviada para outros lugares, o risco de perda da amostra ou comprometimento da qualidade é alto. A nossa inovação proporciona uma estrutura adequada, onde todos os processos podem ser feitos no mesmo local, ajudando a minimizar os riscos de transporte e garantindo mais qualidade e segurança”, afirma Carlos Martins, presidente da Roche Diagnóstica no Brasil.

O laboratório possui capilaridade na região Norte atuando em outros importantes municípios do estado do Pará (Santarém, Castanhal, Marabá e Tucuruí), mas também em Manaus (AM) e Macapá (AP).

Pesquisa aponta que todos os municípios do Acre têm presença de facções criminosas

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Foto: Reprodução/Arquivo Iapen AC

Todos os municípios do Acre têm presença de facção criminosa, e pelo menos 18 municípios acreanos têm a presença majoritária de apenas uma delas. Isto é o que aponta o estudo ‘Cartografias da violência na Amazônia’, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Instituto Mãe Crioula (IMC), e que abrange os estados da Amazônia Legal.

Leia também: Conflito por território é principal gerador de violência na Amazônia, aponta estudo

Além do Acre, a Amazônia Legal é formada por mais oito estados: Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e por parte do Maranhão, num total de 772 municípios. A área foi delimitada em 1953 por uma lei federal com o objetivo de criar políticas para o desenvolvimento socioeconômico da região.

O estudo destaca a presença das facções Comando Vermelho (CV), Bonde dos 13 (B13) e Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado do Acre. Todos os 22 municípios estão sob influências de grupos criminosos, sendo que o CV se encontra hegemônico em 18 municípios.

A pesquisa de novembro do ano passado indicava que apenas Santa Rosa do Purus e Acrelândia não havia presença de facções. Contudo, foi apontado que o cenário pode modificar por conta da dinâmica dos grupos criminosos, e foi o que aconteceu, já que os dois municípios agora têm facções.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Rio Branco

Atualmente, os municípios que estão em disputa entre as facções no estado são:

Brasiléia
Epitaciolândia
Sena Madureira
Rio Branco

Os municípios onde há a presença apenas de uma facção são:

Capixaba
Manoel Urbano
Rodrigues Alves
Tarauacá
Xapuri
Porto Acre
Cruzeiro do Sul
Brasiléia
Assis Brasil
Epitaciolândia
Bujari
Jordão
Feijó
Mâncio Lima
Marechal Thaumaturgo
Sena Madureira
Senador Guiomard
Plácido de Castro
Santa Rosa do Purus
Acrelândia

Em todas estas cidades acima, há apenas a presença do CV. Antigas facções existentes no estado, como a Irmandade Força Ativa Responsabilidade Acreana (IFARA), foram incorporadas a outras, dentre elas o B13 e o PCC, que são aliadas no estado.

Em Rio Branco, as três facções presentes disputam território, sendo que em alguns bairros estão em constante disputa entre esses grupos criminosos, “que evidenciam situações de confrontos e violências que são, muitas vezes, letais”, complementa.

*Com informações da Rede Amazônica AC

Guardiões da cultura ancestral são destaque em dossiê do Boletim do Museu Goeldi

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Foto: Reprodução/Acervo MPEG

Relatos de estudantes indígenas em defesa de uma Antropologia do “pensar indígena“, textos e fotos raras feitas pelos pesquisadores Eduardo e Clara Galvão e outras informações sobre o extremo oeste da Amazônia brasileira estão na edição mais recente do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi – Ciências Humanas.

Seja em que tempo for e com ou sem recursos tecnológicos de ponta, observar e registrar cenas e fatos com foco na reflexão sobre as relações de povos indígenas e não indígenas é algo estrutural para a existência humana. Ainda mais verdadeiro na Amazônia, região que está na pauta do dia em escala mundial por causa da questão ambiental e social.

Assim, ainda na primeira metade da década de 1950, o antropólogo e etnógrafo Eduardo Galvão e a mulher dele, a bibliotecária Clara Galvão, empreenderam expedições históricas pelo noroeste da Amazônia, ao longo do rio Negro, e legaram para a humanidade um acervo de textos, testemunhos e fotografias raros sobre as relações de poder entre povos naquela região do Brasil, especialmente no sistema de aviamento no ciclo da borracha.

E, na atualidade, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um grupo de estudantes indígenas produzem artigos relatando os obstáculos para uma melhor compreensão e perpetuação dos conhecimentos dos povos originários por parte deles próprios, dada a concepção enraizada de conceitos não indígenas.

Esses dois casos de protagonismo na Amazônia integram o conjunto de nove artigos do Dossiê ‘Temporalidades e interações socioambientais no noroeste amazônico. Parte II’, no Boletim Museu Paraense Emílio Goeldi – Ciências Humanas, volume 19 nº 3 (setembro-dezembro de 2024). A publicação da segunda parte do dossiê encerra o ano de 2024, quando transcorrem 130 anos da primeira edição dessa publicação do Museu Goeldi.

Protagonismo

No artigo ‘Pamusé: fermentação de uma Antropologia indígena‘, de autoria dos pesquisadores indígenas João Paulo Lima Barreto (do povo Tukano), Justino Sarmento Rezende (do povo Tuyuka), Silvio Sanches (do povo Bará) e Jaime Fernandes Diakara (do povo Dessana), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), é possível conferir a busca por uma prática que valorize a produção e difusão de conhecimentos sobre povos originários do Brasil a partir do olhar, do protagonismo, dos próprios pesquisadores indígenas.

Esses quatro autores integram o coletivo de pesquisadores do Núcleo de Estudo da Amazônia Indígena (Neai), coordenado pelos professores Gilton Mendes dos Santos e Carlos Dias. O que move o coletivo é a “fermentação” de ideias, para além da mera tradução dos sistemas de conhecimentos indígenas.

No relato individual está exposto o desafio de se despir das concepções não indígenas assimiladas em um processo de longa duração para, por meio do conhecimento e de metodologias gerados pela Antropologia, se “pensar o pensamento indígena”, vencendo o ‘matapi’ cultural de até então, isto é, a visão preconceituosa da sociedade e valores impostos aos povos originários pelos povos não indígenas.

História e memória do Alto Rio Negro

“O Dossiê traz, do ponto de vista social, importantes questões relacionadas à história e à memória da região do alto e do médio rio Negro, no noroeste amazônico. Temos o texto dos próprios autores indígenas que escrevem um artigo sobre a experiência deles de pesquisadores indígenas na região; há também um trabalho sobre a presença indígena na cidade de Barcelos no século 18, e então, temos uma história do tempo presente e esse outro de uma história mais antiga. Entre outros trabalhos interessantes, está um texto sobre o acervo do antropólogo Eduardo Galvão que traz algumas informações inéditas dos diários de campo dele e também de fotografias que o Galvão fez naquela época sobre o sistema de aviamento no rio Negro, como importante contribuição para a história indígena dessa área de estudos. “, destaca o pesquisador Márcio Meira, do MPEG, e um dos organizadores.  

Na reunião de pesquisas sobre o Alto Rio Negro, são abordados aspectos do ‘processo civilizatório’ experimentado por grupos Yuhupdeh, como eles próprios se autodenominam, dando voz a uma discussão do ponto de vista etnográfico acerca dos sentidos assumidos pela noção de ‘civilização’ como escreve Michel Barbará em “Entre o mito e a história: os sentidos da civilização entre os Yuhupdeh do alto rio Negro”.

O surgimento de lideranças indígenas contemporâneas com novas habilidades de resistência a partir da década de 1990 implica em uma série de transformações promovidas por esses sujeitos singulares no contexto das comunidades. São lideranças com um novo perfil: habilidades de escolarização, capacidade para tratar com as burocracias dos projetos, para negociar com agentes governamentais e do terceiro setor. É sobre esses aspectos da contemporaneidade das lutas indígenas que tratam Aline Fonseca Iubel e Renato Martelli Soares em “O movimento das lideranças no rio Negro: trajetórias, transições e continuidade”.

Outros temas envolvem: a constituição de uma rede indígena de manejo de plantas, com destaque para as mulheres ‘donas de roça” como apresentam Laure Emperaire e Elaine Moreira no artigo “Coleções vegetais no noroeste da Amazônia”; e, ainda, a contribuição do antropólogo Eduardo Galvão sobre a cultura material com fotografias do trabalho feminino de tecelagem na região do rio Negro, em artigo de Lucia Hussak van Velthem.

Contato

O contato entre povos indígenas e não indígenas permanece ocorrendo na sociedade brasileira atual, e um tema que sempre vem à tona a partir desse fato é o questionamento sobre a ação de aculturação dos povos originários, em que a cultura dos povos originários cede lugar à dos não indígenas. Pois bem, o antropólogo e etnólogo carioca Eduardo Galvão, que atuou no Museu Emílio Goeldi, empreendeu com a mulher dele, Clara Galvão, duas expedições pela região do rio Negro, em 1951 e em 1954.

Eles levantaram informações até hoje preciosas sobre as relações sociais e econômicas naquela região. Portanto, Galvão foi além desse paradigma referente à aculturação, como assinalam os pesquisadores Márcio Meira e Lucia Hussak Van Velthem, ambos do MPEG, autores de “Testemunhos de Eduardo Galvão sobre o sistema de aviamento no rio Negro: excertos de documentos do Arquivo do Museu Paraense Emílio Goeldi”.

Esse e outros documentos (diários de campo e fotografias) raros e muito pouco divulgados, são fonte de dados, inclusive, para lideranças indígenas. Os documentos em vários formatos constituem o Fundo Eduardo Galvão e Clara Galvão, do Arquivo Guilherme de la Penha, do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Aviamento

Em seus estudos, Eduardo Galvão destacou: “O índio, recentemente “descido” ou já de segunda geração e fixado nos sítios e seringais, não atua como elemento simplesmente passivo que, engajado na economia local e tendo abandonado a sociedade tribal, substitui seus elementos culturais pelos do caboclo com que está em convívio. Pelo contrário, atua sobre a cultura do caboclo, reavivando nela os elementos indígenas herdados na geração passada”. Essa fala do pesquisador denota a complexidade das relações de poder entre povos e até mesmo entre integrantes de um mesmo povo, como ele explicitou no estudo que fez com Clara Galvão acerca do processo de aviamento relacionado ao ciclo da borracha no noroeste da Amazônia, fundamentalmente no seringal Providência, nas ilhas próximas a embocadura do rio Padauiri, na década de 1950. A foto da capa deste Boletim do MPEG vol.19 n 3 mostra uma cena do aviamento na Amazônia.  

O aviamento envolvia basicamente o adiantamento de gêneros e material por parte de comerciantes em casas aviadoras, como a firma J. G. Araújo, para quem atuava na obtenção do látex nas matas, a fim de ser, em seguida, pago com a produção. Nesse processo de obtenção da borracha in natura, indígenas eram ‘descidos’ de suas aldeias, ou seja, tornavam-se mão de obra compulsoriamente. O texto traz testemunhos de comerciantes e outras pessoas dessa época, precisamente no contexto da crise da borracha.

Como é possível se verificar no Dossiê, os conhecimentos indígenas têm um caráter dinâmico que afeta os antigos e novos indivíduos nos povos originários. São expressivas as peculiaridades da linguagem adotada por povos distintos para se referirem aos seres das águas, bem como as nuances da experiência de formação de agentes indígenas de manejo ambiental. Etnias demonstram capacidade incomum de se recriarem diante das conjunturas históricas (relações de poder) na região nos últimos três séculos, como verificado na construção da vila colonial de Barcelos, no baixo rio Negro.

O Dossiê “Temporalidades e interações socioambientais no noroeste amazônico. Parte II”, com apresentação dos pesquisadores Geraldo Andrello, Pedro Lolli e Márcio Meira, reúne textos como: “Pamusé: fermentação de uma Antropologia indígena”, por João Paulo Lima Barreto, Justino Sarmento Rezende, Silvio Sanches e Jaime Fernandes Diakara; “Aprender a (não) ser visto na Amazônia: encantados e gente-peixe nos rios Negro e Uaupés”, por Geraldo Andrello e Luiz Augusto Sousa Nascimento; “Conhecimentos indígenas e colaboração intercultural no rio Tiquié, noroeste amazônico”, a cargo de Aloisio Cabalzar; “O papel estratégico da mão de obra indígena na urbanização da vila colonial de Barcelos (1755-1761)”, pelos pesquisadores Ricardo Borges, Décio de Alencar Guzmán e Márcio Meira.

Artigos

São acessados neste Boletim do MPEG vol. 19, n. 3, além do Dossiê, os artigos: “Ɨitü’iheẽ ou quando tudo mudou: sobre o contato e a ocupação de terras Aikanã na região Corumbiara-Apediá, no sudeste amazônico”, de Lisa Katharina Grund, do MPEG; “As representações zoomórficas no estado de São Paulo, Brasil: uma análise temática e cenográfica”, de Marilia Perazzo, Maíra Rodrigues Lima, Kamila Rezende Firmino e Astolfo Gomes de Mello Araujo, da Universidade de São Paulo / Museu de Arqueologia e Etnologia São Paulo, e Daniela Cisneiros, da Universidade Federal de Pernambuco.

Podem também ser conferidos os artigos: “Os anuros de Bertha Lutz: a diversidade de práticas científicas na herpetologia brasileira entre as décadas de 1940 a 1970”, de Jorge Tibilletti de Lara e Rebeca Capozzi, da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz; “Evidências linguísticas e contato Tupi-Guarani/Carib nas Guianas orientais:Wajãpi kasi ‘ser forte’, pipi ‘irmã do pai’ e kasuru ‘pérola’ “, por Fernando O. de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro / Museu Nacional Rio de Janeiro; “As batalhas com jacarés na ilha de Mexiana”, por Gottfried Hagmann”, de Matheus Camilo Coelho, da Universidade Federal do Pará, e João Batista Poça da Silva, da Secretaria de Educação do Pará, além de resumo de tese “Território, modo de vida e pesca artesanal marítima: análise comparada entre Bahía Solano, no Pacífico Colombiano, e Maxaranguape, no Atlântico brasileiro”, de Dorival Bonfá Neto, da Universidade de São Paulo.

Para ler o dossiê e a edição completa, acesse AQUI.

*Com informações do Museu Goeldi

Felicidade Consciente nas empresas. Por onde começar?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

A pergunta não era esperada, mas não tive dúvidas em responder: pela conscientização.

Inicialmente, pela conscientização de que, sendo a felicidade o principal objetivo do ser humano, deveria ser também o das empresas. Está mais do que provado que a felicidade favorece a produtividade e a realização de negócios, sendo um fator determinante para melhores resultados.

Conscientização de que não é responsabilidade da empresa fazer ninguém feliz, mas que a ela cabe criar condições de bem-estar que envolvem remuneração, benefícios, ambiente etc. Além disso, as empresas podem fazer mais, podem ensinar as pessoas a desenvolverem um modelo mental e a agirem de uma maneira que as aproximem da Felicidade, caso optem por aprender. Isto significa estender a conscientização para líderes e colaboradores.

Sim, a Felicidade precisa ser ensinada. Talvez um dia isto ocorra nas escolas. Pelos estudos já existentes da psicologia positiva e da neurociência, sabe-se que a Felicidade pode e deve ser ensinada. Não apenas para as crianças, mas também para nós, adultos. Interessadas diretamente no assunto, empresas podem hoje cumprir este papel, estimulando que cada um depois faça o seu. Não é sua obrigação, mas podem fazer e se beneficiar com isto.

Para atrair e criar vínculos maiores, no caso com os colaboradores, não é suficiente pensar no curto prazo e em soluções de bem-estar. Também não é criar um clima de “oba-oba”, como se a vida e o mercado fossem eternas brincadeiras. Felicidade não é alienação. Ao contrário, a palavra-chave para a Felicidade é consciência. Uma empresa feliz é uma empresa consciente e isto é capaz de criar vínculos verdadeiros. Mas o que seria uma empresa consciente?

Uma empresa consciente alia foco em resultados com impactos positivos para todos os agentes com quem se relaciona, sejam internos ou externos. Ela exerce os valores que declara possuir, sem contradições, fazendo com que as decisões e escolhas sejam previsíveis e coerentes.

Em uma empresa consciente, da alta direção ao corpo de colaboradores, existe uma compreensão clara de sua missão, a finalidade de sua existência e o que ela tem a contribuir com o bem comum.

Nesta companhia, há um propósito inspirador, capaz de tocar corações e mentes de sua equipe e de se alinhar aos propósitos individuais de cada um, que também são estimulados e valorizados. Há um convite a todos a colocar sentido naquilo que é feito e é oferecido.

A consciência favorece a criação de relações saudáveis, seja entre colegas, clientes, fornecedores e todas as pessoas envolvidas. Uma empresa consciente cuidará particularmente do estilo de liderança que deseja adotar, comunicando e monitorando a sua prática.

Numa empresa consciente, há a definição de metas e objetivos, estimulando o desenvolvimento contínuo. Nas conquistas e realizações, há reconhecimento e comemoração.

Uma empresa é consciente quando o conhecimento é transmitido e disseminado. É estimulado não apenas o conhecimento técnico, mas também os que favorecerão pensamentos e ações positivas.

Uma empresa consciente trata adultos como adultos e não adota atitudes paternalistas que estimulam a dependência e a estagnação.

Uma empresa consciente é capaz de atrair e criar vínculos fortes e duradouros, valorizando pessoas e resultados. Empresas conscientes são empresas potencialmente felizes.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pesquisa avalia Lithothamnium como tecnologia para melhorar cultivo do milho no Maranhão

Foto: Ivana Machado Fonseca

Estudos da Embrapa Cocais vem pesquisando os Granulados Bioclásticos Marinhos (GBM), conhecidos como lithothamnium, cujas maiores reservas do mundo estão no Maranhão, como corretivo da acidez do solo e fonte de nutrientes para as plantas, como alternativa aos calcários, que são os corretivos agrícolas mais empregados no Brasil para neutralização da acidez dos solos. 

O objetivo é avaliar a viabilidade agronômica do lithothamnium na correção da acidez do solo e como fonte de nutrientes para cultura do milho cultivada em latossolos. Espera-se que, com os estudos, dúvidas sobre a dose mais adequada para garantir a neutralização da acidez do solo e maior produtividade da cultura do milho seja identificada e, assim, poder oferecer ao setor agrícola um insumo de disponibilidade nacional e com eficiência comprovada.

Segundo explica a pesquisadora Ivana Machado Fonseca, da Embrapa Cocais, líder do projeto de pesquisa, além de corrigir a acidez do solo, o lithothamnium possui em sua composição química mais de 20 elementos o que, constatando sua capacidade em fornecer nutrientes para as plantas, poderá reduzir a demanda das culturas agrícolas por fertilizantes convencionais.

“Acredita-se que o poder corretivo do lithothamnium pode ser superior, por apresentar uma atividade muito intensa no solo devido à elevada superfície específica que é decorrente da porosidade do corpo da alga, o que, teoricamente, pode permitir maior reatividade com o solo e um efeito mais rápido na mudança do pH do solo quando comparado ao calcário. A pesquisa tem avaliado o potencial do lithothamnium na correção da acidez do solo e também seus efeitos na nutrição vegetal, uma vez que os materiais corretivos impactam a fertilidade do solo, na disponibilidade dos nutrientes e, consequentemente, na absorção e translocação de nutrientes nas plantas”, adianta. 

Nesta primeira etapa, os testes estão sendo realizados em latossolos e suas variações (textura arenosa e textura argilosa), conhecidos pela baixa fertilidade natural, em ambiente controlado da Unidade de Execução de Pesquisa – UEP/Balsas-MA em parceria com a inciativa privada.

A partir da comprovação do produto como corretivo de acidez do solo, alterando significativamente os valores de pH do solo, o fornecimento de cálcio, magnésio e outros nutrientes para as plantas, bem como na produtividade de biomassa da cultura do milho, a Embrapa seguirá com a etapa de validação dessa tecnologia em ambientes de produção relevantes.

Além da viabilidade agronômica, é preciso também realizar a viabilidade econômica do produto, juntamente com a empresa parceira, para que se obtenha o devido sucesso mercadológico do lithothamnium para a agricultura.

O que é o lithothamnium?

O lithothamnium é uma alga marinha, conhecida como alga vermelha, que acumula carbonato de cálcio em seu interior. Vive até aproximadamente 15 anos e é encontrada em águas profundas (até 200 metros de profundidade). É comercializado no Brasil e no exterior para uso na agricultura como fertilizante 100% natural, condicionador de solo, ativador microbiológico e bioestimulante de plantas. 

Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), os Granulados Bioclásticos Marinhos (GBM) são areias e cascalhos inconsolidados, constituídos por fragmentos de algas coralíneas (algas vermelhas), artículos de Halimeda (algas verdes), moluscos, briozoários, foraminíferos bentônicos e quartzo. Os depósitos mais importantes do ponto de vista econômico são os que formam acumulações em que predominam as algas coralíneas não articuladas ou incrustantes, sob a forma de nódulos esféricos, discoides ou elipsoides (rodolitos) ou como fragmentos ramificados do gênero Lithothamnium (mäerl).

*Com informações da Embrapa