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UNICEF alerta para cuidados com crianças após período de seca e fumaça no Norte do Brasil

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UNICEF alerta para cuidados com crianças após período de seca e fumaça. Foto: Bruno Kelly/UNICEF/BRZ

A seca prolongada e os incêndios na Amazônia em 2024 trouxeram impactos significativos para as populações ribeirinhas e indígenas, especialmente crianças e adolescentes. Doenças respiratórias e infecciosas, agravadas pela fumaça das queimadas e pela falta de água potável e alimentação adequada e nutritiva, seguem como principais ameaças à saúde dessas comunidades. 

Além disso, a seca também pode causar problemas como estresse, ansiedade e depressão, especialmente entre agricultores e comunidades rurais que dependem da agricultura e podem sofrer com grandes perdas financeiras. Apesar do retorno gradual das chuvas, o nível dos rios ainda não se normalizou, e a situação demanda atenção contínua.   

A Oficial de Saúde e Nutrição do UNICEF para o Território Amazônico, Lídia Pantoja, destaca que as condições de seca favorecem o aumento de doenças transmitidas pela água como hepatite e diarreias, além de problemas respiratórios decorrentes da má qualidade do ar. A escassez de água também impossibilita o acesso seguro para o consumo humano, preparação de alimentos e práticas adequadas de higiene, o que intensifica o risco de contaminações. Lídia ainda ressalta que o aquecimento global tem permitido a expansão de doenças como malária e dengue na região. 

Leia também: Duas secas: como falta de chuvas e baixa umidade do solo agravam incêndios na Amazônia

Cuidados com a saúde das crianças  

O UNICEF recomenda medidas simples, mas essenciais, para proteger as crianças. É fundamental filtrar a água com um pano limpo ou coador de papel e tratá-la com hipoclorito de sódio a 2,5%, prioritariamente. Para cada litro de água, devem ser adicionadas duas gotas do produto, disponível em Unidades Básicas de Saúde. Caso o hipoclorito não esteja disponível, a água deve ser fervida por pelo menos três minutos para torná-la segura para o consumo.   

Além disso, recipientes de armazenamento de água devem ser higienizados regularmente, e alimentos como frutas, verduras e legumes precisam ser lavados em água corrente e deixados de molho em solução de hipoclorito ou água sanitária por 10 minutos.  

Acesso a água potável. Foto: Divulgação/Cosama

Evitar exposição das crianças à fumaça e manter os ambientes limpos ajuda a prevenir doenças respiratórias, enquanto práticas regulares de higiene, como banhos com sabonete e a lavagem das mãos, podem evitar problemas de pele e doenças causadas por microrganismos.   

As doenças respiratórias, como pneumonia e bronquiolite, e as de origem hídrica, como diarreias graves, apresentam sinais de alerta que não devem ser ignorados, especialmente em crianças. Tosse persistente, dificuldade para respirar, febre alta, vômitos e sinais de desidratação, como boca seca e aumento da frequência de evacuações, presença de fezes líquidas ou pastosas, náuseas e vômitos, são sintomas que requerem atenção médica imediata. Diante de qualquer um desses sinais, é essencial que as famílias procurem a unidade de saúde mais próxima para avaliação e tratamento adequado, reduzindo os riscos de complicações graves. 

Ações do UNICEF no Território Amazônico 

Em 2024, o UNICEF intensificou ações emergenciais para mitigar os efeitos da crise climática na Amazônia. Por meio do projeto “Respostas à Crise Climática na Amazônia”, coordenado pelo UNICEF em parceria com a ADRA, Caritas Suíça e SPM, foram beneficiadas mais de 64 mil pessoas em 196 comunidades indígenas e ribeirinhas. Entre as iniciativas, destacam-se a construção de três cisternas com capacidade de 60 mil litros cada, na região do Rio Solimões, melhorias na infraestrutura de água em 39 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e capacitação de 631 agentes comunitários em Água, Saneamento e Higiene (WASH). 

No Pará, o projeto “Emergência Munduruku: Água, Saneamento, Higiene e Promoção da Saúde para Crianças e Adolescentes em situações de Vulnerabilidade da Terra Indígena Munduruku” atendeu povos indígenas do rio Tapajós, pressionados pela expansão do garimpo ilegal, com intervenções em saúde e WASH. Além disso, mais de 32 mil crianças foram indiretamente beneficiadas com capacitações voltadas para agentes indígenas de saúde em oito Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) prioritários nos estados do Amazonas, Roraima, Acre e Pará.   

Em parceria com a Associação dos Povos Indígenas da Terra Indígena São Marcos e com o apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima, foram implementadas ações para mitigar os efeitos da estiagem, como atividades de atenção primária à saúde, nutrição, água, saneamento e higiene, que beneficiam diretamente cinco comunidades prioritárias da Terra Indígena.  

Essas ações são parte de uma estratégia mais ampla do UNICEF para fortalecer comunidades e apoiar governos locais na adaptação às mudanças climáticas, assegurando os direitos de crianças e adolescentes mesmo em cenários de emergência. Lídia reforça que “as comunidades impactadas pela seca enfrentam desafios que vão além do acesso à água, incluindo o fortalecimento das capacidades locais para lidar com emergências climáticas e proteger a saúde infantil.”   

Prevenção e compromisso 

O UNICEF reitera a importância de um esforço coletivo para garantir o acesso a serviços básicos e prevenir doenças em tempos de crise. Investir na saúde, na educação, nos serviços de água e saneamento, e na proteção de crianças e adolescentes é essencial para mitigar os impactos das emergências climáticas, que afetam de forma desproporcional as populações mais vulneráveis. O UNICEF segue comprometido em garantir os direitos das crianças e adolescentes na região amazônica e em ampliar parcerias para promover soluções duradouras que mitiguem os impactos das mudanças climáticas.   

*Com informações do Unicef

Boa Vista é a primeira capital da Amazônia Legal a implantar um Centro de Compostagem de Resíduos Orgânicos

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Centro de compostagem de resíduos orgânicos. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Há um ano, Boa Vista inovou e se tornou a primeira capital da Amazônia Legal a implantar um Centro de Compostagem de Resíduos Orgânicos. O local já recebeu 1.800 toneladas de resíduos e produziu 250 toneladas de composto. Além do material úmido (resto de alimentos), 1.300 toneladas são provenientes de podas de árvores feitas na limpeza da cidade.

O composto produzido no Centro de Compostagem de Resíduos Orgânicos em Boa Vista beneficia não apenas produtores da agricultura familiar que participam do Plano Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA), e comunidades indígenas, mas também entidades beneficentes. A distribuição do adubo é coordenada pela Secretaria Municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas (SMAAI).

Leia também: 8 curiosidades sobre Boa Vista que você precisa conhecer 

Centro de compostagem de resíduos orgânicos. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Desde o início da distribuição do composto, 75 famílias agricultoras fizeram retirada, além do envio de 39 toneladas de adubo para comunidades indígenas, atendendo cerca de 100 famílias envolvidas em plantios coletivos. Segundo o prefeito Arthur Henrique, o Centro de Compostagem executa um processo natural e controlado de decomposição de materiais orgânicos, transformando-os em um composto de alta qualidade.

“Esse trabalho é mais um investimento da Prefeitura de Boa Vista na agricultura familiar do município, que fortalece a produção sustentável, aumenta a produtividade e promove o cuidado com o meio ambiente. É um material que seria desperdiçado e a gente reaproveita, ao transformar em adubo”, disse.

Leia também: Novas técnicas de cultivos sustentáveis na agricultura familiar recebem fomento no Pará

Centro de compostagem de resíduos orgânicos. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Distribuição de composto

Produtora de macaxeira, graviola, capim, melancia, feijão e milho, a Associação Beneficente Agapão, clínica de reabilitação para dependentes químicos, já foi beneficiada com como calcário, sementes e fertilizantes, e agora com o composto orgânico.

“Hoje, trabalhamos com 122 famílias, entre internos e pessoas carentes que recebem doação dos nossos produtos. Estamos com grandes expectativas com relação à influência positiva desse adubo na nossa plantação. Já recebemos outros insumos da prefeitura e ficamos surpresos com a qualidade dos frutos colhidos. Então, para a gente tem sido uma experiência excelente’, contou o diretor da Agapão, Jadiel Ribeiro.

*Com informações da Prefeitura Municipal de Boa Vista

Amapá avança na regulamentação da pesca esportiva como ativo turístico

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Foto: Divulgação

O Governo do Amapá realizou uma reunião estratégica na sede da Secretaria Extraordinária de Representação em Brasília (Seab) no dia 22 de janeiro para tratar da regulamentação e do uso sustentável das Unidades de Conservação voltadas à pesca esportiva.

Leia também: Entenda como funciona a pesca esportiva e como deixar o peixe menos ‘estressado’ durante a pescaria

Também foram discutidas normas para a implementação da atividade no estado, assegurando a prática conforme a legislação vigente. O objetivo é consolidar o Amapá como um destino turístico de referência para praticantes da pesca esportiva, fomentando o turismo de base comunitária e ampliando as oportunidades de geração de renda e emprego.

As tratativas fazem parte de uma articulação integrada entre as secretarias de Estado do Turismo (Setur), Pesca e Aquicultura (Sepaq), Desporto e Lazer (Sedel) e Comunicação (Secom).

A secretária da Sedel, Cibely Peixoto, ressaltou que a regulamentação da pesca esportiva será um importante para fortalecer e fomentar o potencial natural do esporte no Amapá.

Foto: Divulgação

A pesca esportiva já é reconhecida oficialmente no Amapá como um evento cultural, graças à aprovação, em 2023, do projeto de lei que instituiu o Torneio Amapaense de Pesca Esportiva na Região dos Lagos. De autoria do deputado Pastor Oliveira (Republicanos), a legislação abrange os municípios de Amapá, Pracuúba e Tartarugalzinho, inserindo o torneio no calendário oficial do estado e fortalecendo o turismo esportivo e a economia local.

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Participaram do encontro o secretário da Seab, Zico Araújo, e o subsecretário de Representação do Município de Santana, Danilo Rodrigues, que dialogaram com a equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Tradição, anonimato e dança: touloulous ganham destaque no Carnaval na Guiana Francesa

Foto: Reprodução/YouTube-Dicckson Tyler

O Carnaval da Guiana Francesa é um espetáculo singular que mescla cultura, tradição e dança em um dos períodos mais vibrantes do ano. Durante as semanas de celebração, os bailes de máscaras ganham destaque, trazendo à tona uma das tradições mais icônicas da região: o protagonismo das misteriosas touloulous.

As touloulous são mulheres mascaradas e completamente disfarçadas, vestindo trajes que cobrem todo o corpo, incluindo luvas e véus que escondem até mesmo as menores pistas sobre sua identidade. Essa figura é central no Carnaval da Guiana Francesa, representando o anonimato absoluto. Durante os bailes, é permitido apenas às touloulous convidarem seus parceiros para dançar, criando um espaço de empoderamento feminino e de inversão social temporária.

Os bailes acontecem em salões de dança embalados pelo som de orquestras que tocam ritmos tradicionais como a biguine, a mazurca e o piké djouk. Cada uma dessas danças possui passos e características únicas. No salão, os convidados aguardam, enquanto as touloulous escolhem seus parceiros. A regra é clara: o anonimato deve ser respeitado a todo custo.

A tradição do anonimato permite que as touloulous vivenciem uma liberdade rara em um contexto onde, geralmente, os papéis sociais são mais definidos. Durante o baile, elas podem convidar para dançar quem quiserem – colegas, conhecidos ou até mesmo seus empregadores – sem que ninguém saiba quem está por trás do disfarce.

Tololos

Embora as touloulous sejam as protagonistas, há também uma versão masculina da tradição. Nesse caso, os homens se disfarçam como tololos, assumindo um papel semelhante ao das mulheres mascaradas. Contudo, essa versão é menos comum e não possui a mesma relevância cultural que os bailes tradicionais das touloulous.

Pesquisador de plantas da floresta no Juruá cria laboratório de remédios naturais

Francisco criou a marca Alquimia da Floresta para comercializar os seus remédios naturais.Foto: Diego Silva/Secom AC

A preservação da floresta amazônica passa por atividades produtivas sustentáveis que possam gerar oportunidades e renda aos seus moradores. Um dos caminhos possíveis para gerar desenvolvimento econômico sem a destruição do meio ambiente é a exploração do potencial natural da grande diversidade de plantas da região para a fabricação de remédios e cosméticos.

Antônio Francisco dos Santos Puyanawa, de 68 anos, conhecido no Vale do Juruá como Francisquinho, tem dedicado a sua vida para conhecer o potencial medicinal da plantas da Amazônia. Montou um laboratório na sua casa em Rodrigues Alves, no Acre, e, mais recentemente, criou a marca ‘Alquimia da Floresta’ para comercializar os seus remédios, que são considerados naturais pela Anvisa.

Mas, junto com as suas filhas Júlia, que é biomédica, e Marbelita, bióloga, e também do seu filho André, que é engenheiro florestal, luta para alcançar mais um grau de regularização para que os seus produtos sejam considerados fitoterápicos.

Francisquinho morou em diversos lugares do Vale do Juruá. Nasceu no Seringal Nazaré, em Porto Walter, onde foi criado, e na juventude viveu na Aldeia Puyanawa, em Mâncio Lima. Posteriormente, se transferiu para o Meritzal, em Cruzeiro do Sul, até se estabelecer definitivamente em Rodrigues Alves.

“A minha pesquisa com as plantas começou quando eu era bem jovem. Morava em colocações na floresta e a maneira de curar as doenças que apareciam era por meio daquilo que a gente tinha disponível. Cascas de árvores, arbustos, raízes e uma infinidade de plantas. A gente fazia chá, garrafadas, xaropes e fui percebendo aquilo que dava resultado para a saúde humana”, relembra ele.

Apesar de atualmente as suas habilidades de alquimista serem reconhecidas por muita gente de outros estados e países que encomendam os xaropes, tinturas e garrafadas, ele prefere manter a humildade.

“Eu não falo em cura, mas em tratamento e se a cura vier é uma bênção. Ao longo da minha vida tomei gosto para trabalhar com as plantas. Fui testando misturas a partir do conhecimento tradicional. Fazia muitos testes e via os resultados. Quero ajudar as pessoas a encontrarem saídas para o sofrimento, porque muitas vezes elas não têm dinheiro para fazer um tratamento. Mas aqui comigo sempre foi assim, se tiver dinheiro leva, mas se não tiver leva também”, diz ele.

A criação da empresa Alquimia da Floresta é a maneira que Francisquinho encontrou com os seus filhos para poder ampliar os estudos das plantas medicinais e comercializar os produtos para outros lugares do Brasil e do exterior.

“É claro que para produzir esses remédios naturais eu preciso de recursos. Porque tenho que ir pra mata passar muito tempo para encontrar as plantas medicinais, fazer a limpeza e preparar o álcool de frutas e de folhas, que serve de base para os remédios”, conta.

Quando perguntado o quanto já investiu em alguns equipamentos para fazer extração das plantas e as misturas, ele responde que não tem a menor ideia.

“Todos os equipamentos foram comprados com recursos próprios, pouco a pouco, economizando daquilo que foi comercializado. A venda acontece para outros estados por meio de uma divulgação boca a boca. Muita gente vem procurar porque alguém fez o tratamento e deu resultado e assim divulgam para os outros”, lembra Francisquinho.

Foto: Diego Silva/Secom AC

Apoio institucional da Funtac para as pesquisas

A Alquimia da Floresta está se tornando conhecida como uma alternativa à pesquisa da biodiversidade amazônica para a fabricação de remédios. A partir dos conhecimentos tradicionais dos moradores mais antigos da floresta é possível identificar plantas que sejam benfazejas para a saúde humana.

“Temos tido o apoio da Fundação de Tecnologia do Acre, a Funtac, no sentido da articulação com outras entidades como o Sebrae, com quem conseguimos recursos para melhorar o laboratório. A Funtac já realizou várias visitas ao nosso laboratório para a orientação das metodologias de trabalho”, lembra ele.

Para Francisquinho, a preservação da floresta permite uma gama de possibilidades para o empreendedorismo sustentável.

“Esse é um serviço que estamos prestando à comunidade. A planta viva na floresta tem mais utilidade do que acabar com tudo e fazer pasto pra boi. Essa atividade sustentável é muito mais rentável e benéfica. Se alguém estudar uma área de floresta nativa para retirar plantas medicinais e para cosméticos terá muito mais lucro do que criando gado”, analisa.

Francisquinho tem uma área de terra de 15 hectares na Gleba 13 de Maio, em Rodrigues Alves, de onde tira grande parte da matéria-prima para os seus remédios.

“Todos desmataram e eu preservei para retirar as plantas. Só fiz o manejo de duas quadras para o manejo de outras plantas medicinais que não tinham na minha área. Então, eu criei uma sementeira que é uma verdadeira farmácia viva”, ressalta.

O objetivo de Francisquinho é trabalhar fazendo a sua parte para a regeneração da floresta. “Na verdade, estamos fazendo um Reflorestamento dessa área com plantas que estão em extinção na nossa região, como a copaíba, a cerejeira, o mogno, o molungu, o Sangue de Dragão, o jenipapo. Esse manejo produz sementes que garantem a existência dessas plantas no Acre”, destaca ele.

Entre tantos produtos da Alquimia da Floresta alguns se tornaram mais conhecidos. Entre eles o Tônico Regenerador, contra a anemia, e o anti-malárico, que segundo Francisquinho serve tanto para prevenir de contrair a malária quanto para expulsar a doença do organismo. Esse remédio é feito a base das plantas mangerioba, quina-quina, angico e raiz do açaí.

*Com informações da Agência Acre

Pesquisa avalia saúde dos peixes e qualidade da água no rio Javaés, no Tocantins

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Foto: Divulgação

Uma pesquisa em desenvolvimento no Rio Javaés, no Tocantins, busca avaliar as condições ambientais da região por meio da análise de peixes bioindicadores, como a espécie Pygocentrus nattereri (conhecida como piranha-vermelha). O estudo, coordenado pelo professor Alysson Soares da Rocha e financiado pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), conta com um investimento de R$ 100 mil. 

Ao considerar as variações sazonais, o objetivo principal é associar a condição fisiológica dos peixes ao índice de qualidade da água e ao nível do reservatório. Além disso, os dados obtidos formarão um banco de informações sobre a saúde dos peixes e as condições ambientais do rio, permitindo a detecção de impactos específicos, como poluição orgânica, derramamento de óleo, alterações de pH, níveis de oxigênio dissolvido e presença de pesticidas. 

Indicadores biológicos como ferramenta de diagnóstico ambiental 

De acordo com o professor Alysson Soares, o uso de bioindicadores é essencial para identificar diferentes tipos de impactos ambientais. “Muitas espécies são sensíveis a certos poluentes, como pesticidas, enquanto outras são mais tolerantes. Isso nos permite criar índices personalizados para monitorar e combater problemas ambientais”, explica. 

Foto: Divulgação

A pesquisa avalia parâmetros hematológicos da Pygocentrus nattereri e a qualidade da água em diferentes pontos de coleta ao longo do Rio Javaés. O método permite identificar possíveis variações no ecossistema fluvial, correlacionando fatores ambientais às condições de saúde da fauna aquática. 

Rio Javaés 

O Rio Javaés é um dos principais corpos hídricos da região e desempenha um papel crucial no equilíbrio ecológico e no abastecimento de comunidades locais. A iniciativa busca também promover a conscientização sobre a preservação ambiental e a importância do monitoramento contínuo da qualidade da água para garantir a sustentabilidade do ecossistema e das populações que dependem do rio. 

*Com informações do Governo de Tocantins

STF dá prazo de 60 dias para estados e municípios da Amazônia aderirem ao Sinaflor

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Foto: Pedro Devani/Secom AC

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), fixou o prazo de 60 dias – a partir de 21 de janeiro -para que estados e municípios da Amazônia e do Pantanal adotem o Sistema Nacional de Controle da Emissão de Produtos Florestais (Sinaflor) como única forma de emitir a Autorização para Supressão de Vegetação Nativa (ASV).

A medida foi implementada nas Ações de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs) 743, 746 e 857, em que o STF determinou que a União reorganize a política de prevenção e combate aos incêndios no Pantanal e na Amazônia.

De acordo com o ministro Dino, o objetivo da unificação da emissão das ASVs pelo Sinaflor é melhorar o controle, a transparência e a publicidade dos procedimentos ambientais. Ainda segundo a decisão, as ASVs emitidas fora do sistema depois desse prazo serão consideradas nulas.

Sinaflor

O Sinaflor é um sistema do governo federal que controla a origem de produtos florestais, como madeira e carvão. Ele é gerido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais (Ibama), órgão responsável pelo licenciamento ambiental de obras e empreendimentos de interesse social ou de utilidade pública que precisam desmatar áreas de vegetação nativa.

O Ibama relatou ao STF que, como nem todos os estados e municípios usam o Sinaflor, é comum que suas equipes de fiscalização encontrem autorizações emitidas em desacordo com a legislação vigente. Para o Ibama, a falta de unificação prejudica a eficácia das ações de fiscalização e o combate ao desmatamento.

Foto: Marcos Vicentti/Acervo Secom AC

Prevenção de incêndios

O ministro Flávio Dino também marcou para o dia 13/3 uma audiência de contextualização e conciliação para avaliação compartilhada dos três planos apresentados pelo governo federal para prevenir incêndios florestais em 2025, de modo a verificar o cumprimento dos prazos, metas e articulação com os estados envolvidos.

A União e os estados deverão estar representados por seus procuradores e pelos titulares ou substitutos imediatos do Ministério e das respectivas secretarias de Meio Ambiente.

Leia a íntegra da decisão.

*Com informações do STF

Porto Velho 110 anos: veja fotos do antes e depois de monumentos e prédios históricos

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Catedral Sagrado Coração de Jesus. Fotos: Reprodução/IBGE (esquerda) e Mateus Santos/g1 Rondônia (direita)

A cidade de Porto Velho completa 110 anos de instalação no dia 24 de Janeiro. Fundada no dia 24 de janeiro de 1915, a partir da construção da construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, a capital deixa sua história escrita em construções, monumentos e praças.

Como forma de homenagear a cidade, o Grupo Rede Amazônica fez uma curadoria de imagens antigas e atuais de alguns desses lugares, para observar a passagem do tempo ao longo dos anos, confira:

*Por Mateus Santos, do Grupo Rede Amazônica RO

Projeto de lei cria rota turística entre Pacaraima e Rorainópolis, em Roraima

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Foto: Divulgação/Embratur

Tramita no Senado um projeto de lei que cria uma rota turística entre os municípios de Pacaraima e Rorainópolis, em Roraima. Apresentada pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), a iniciativa (PL 4.728/2024) visa interligar as regiões pela BR-174 e suas rodovias complementares, para promover o desenvolvimento econômico, cultural e social da região, por meio do incentivo às atividades de turismo histórico, ecológico, cultural e gastronômico. A proposta aguarda indicação de relator na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR).

A Rota Turística Pacaraima-Rorainópolis se estenderá pelos municípios de Pacaraima, Amajari, Uiramutã, Normandia, Boa Vista, Cantá, Alto Alegre, Bonfim, Mucajaí, Iracema, Caracaraí, São Luiz, São João da Baliza, Caroebe e Rorainópolis. Além disso, serão implementados programas de turismo regional promovendo os atrativos turísticos locais.

Leia também: Portal Amazônia responde: por que Pacaraima não pode ter cemitério?

A rota proposta vai permitir explorar de forma integrada os principais atrativos de Roraima, como o Monte Roraima, em Pacaraima, e a rica biodiversidade da Floresta Amazônica presente em toda rodovia. A visita às comunidades tradicionais também está inserida no percurso, para fortalecer a preservação das identidades culturais locais.

Foto: Divulgação

Para o senador, a rota é estratégica para fomentar o desenvolvimento econômico e cultural do estado e vai contribuir significativamente para a integração e o fortalecimento da Região Norte do Brasil.

*Com informações da Agência Senado

Japu-preto usa fibras de plástico para fazer seus ninhos no litoral do Pará

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Foto: Reprodução/Acervo da pesquisa

Diferentes espécies de animais habitam o litoral do estado do Pará, uma delas é o japu-preto (Psa­rocolius decumanus), ave de cor marrom-escura conhecida por sua cauda amarela e pelo bico branco amarelado, bem como por seus ninhos – elaborados e longos – suspensos em galhos de árvores. Normalmente, esse pássaro utiliza fibras naturais de folhas secas, raízes de orquídeas e/ou fungos rizomorfos alongados para a construção do seu refúgio.

No entanto o estudo ‘Blue nests: The use of plastics in the nests of the crested oropendola (Psarocolius decumanus) on the Brazilian Amazon coast‘, liderado pela mestra em Oceanografia e integrante do Laboratório de Oceanografia Biológica da Universidade Federal do Pará (LOB-UFPA), Adrielle Caroline Lopes, revelou que o japu-preto tem utilizado materiais sintéticos em seus ninhos, como fibras e cordas plásticas, tornando-os predominantemente azuis.

Dado o amplo impacto causado por resíduos plásticos no litoral brasileiro, muitas espécies de aves marinhas adotam comportamento semelhante ao do japu-preto. Em geral, os estudos sobre esta espécie limitam-se a listas de verificação e distribuição geográfica ou a alguns aspectos biológicos e ecológicos, como o mapeamento e a descrição de locais de nidificação. A pesquisa conduzida por Lopes inova ao identificar os tipos, a composição química e a frequência de plásticos e corantes associados aos ninhos de P. decumanus.

Por meio de busca ativa em três locais da costa paraense – a Praia do Maçarico e a Praia do Farol Velho, em Salinópolis, e a Ilha de Maiandeua, dentro da Área de Proteção Ambiental Algodoal-Maiandeua (município de Maracanã) -, foram coletados 36 ninhos abandonados, no período de setembro de 2022 a setembro de 2023. O material foi inspecionado em laboratório e, com o auxílio de um estereomicroscópio, separaram-se os resíduos plásticos da matéria orgânica.

Análise classificou plásticos por tipo e por cor

Os plásticos isolados foram classificados por tipo, de acordo com o Grupo Conjunto de Peritos sobre os Aspectos Científicos da Proteção Ambiental Marinha (Gesamp, na sigla em inglês), e por cor, conforme as diretrizes para o mo­nitoramento de plásticos em rios e lagos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês). Isso porque as aves marinhas escolhem materiais de nidificação principalmente com base na forma e na cor.

Os resultados evidenciaram que o japu-preto utiliza, de maneira generalizada, fibras de polietileno para a cons­trução do seu refúgio – provavelmente em decorrência da rigidez e potencial durabilidade desse material. A opção pelo plástico depende não apenas da abundância de detritos perto do ninho, mas também da disponibilidade de fibras naturais para a nidificação.

A pesquisa também analisou a composição química de 79 fibras presentes nos ninhos de P. decumanus a fim de avaliar a composição e a presença de potenciais contami­nantes químicos (corantes orgânicos). Foram identificadas seis substâncias: Cobalt Phthalocyanine (predominante em 66 fibras), Hostasol Green G-K, Irgazin Blue (Phthalo­cyanine), Indanthren Dark Blue, Copper Phthalocyanine e Sepisol Fast Blue. Esses aditivos são amplamente utilizados em aplicações industriais como corantes para plásticos, nylon, algodão e outros materiais.

Efeitos das substâncias em aves ainda são desconhecidos

À exceção do Irgazin Blue (Phthalocyanine), os demais componentes químicos são conhecidos pelo baixo grau de toxicidade em modelos animais, como roedores e microcrustáceos. Os efeitos em pássaros são desconhecidos, mas é possível estimar potenciais riscos à saúde das aves, como sensibilização respi­ratória, mutagenicidade em células germinativas e carcinogenicidade, além da possível transferência de contaminantes para os ovos e filhotes.

Ainda que não se possa generalizar os resultados do estudo, a predominância do Cobalt Phthalocya­nine nos ninhos de japu-preto levanta preocupações, uma vez que o corante é listado como perigoso pela Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos da América (OSHA, na sigla em inglês).

Da mesma forma, é preciso mais estudos para atestar se os resíduos plásticos aumentam o risco de predação dos pássaros, dada a maior visibilidade dos ninhos.

Ninhos comuns de japu. Foto: Reprodução/Facebook-Museu da Amazônia

Sobre a pesquisa

O artigo ‘Blue nests: The use of plastics in the nests of the crested oropendola (Psarocolius decumanus) on the Brazilian Amazon coast’, publicado na Revista Marine Pollution Bulletin (2024), resulta da dissertação ‘Ninhos azuis: o uso de resíduos plásticos na nidificação de Psarocolius decumanus (Passeriformes icteridae) na costa amazônica, Brasil’.

O estudo foi desenvolvido por Adrielle Caroline Lopes, com orientação do professor José Eduardo Martinelli Filho, no Programa de Pós-Graduação em Oceanografia (PPGOC/UFPA), entre 2022 e 2024, com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Bolsa Capes nº 88887.687937/2022-00).

*O conteúdo foi originalmente publicado no Jornal Beira do Rio, edição 173, da UFPA, escrito por Thays Braga