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Saiba como amenizar o impacto da fumaça das queimadas na saúde

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Fumaça e ar seco das queimadas se alastraram por todo o país. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Em meio à onda de fumaça causada por incêndios que cobriu o país, foi impossível não perceber em nossos corpos a conexão entre seres humanos e o meio ambiente. E como essa destruição impacta diretamente nossa saúde e a do planeta como um todo.

Nos últimos dias, a poluição das queimadas no Centro-Oeste e na Amazônia, colocou diversas cidades do Brasil entre os centros urbanos com os piores índices de qualidade do ar no mundo.

Com a intensificação da seca, todos os sistemas climáticos são afetados. Os rios voadores da Amazônia, que normalmente carregam grandes quantidades de água transportadas por correntes de ar, estão alastrando a fumaça das queimadas e o ar seco para outras regiões.

Neste cenário, os impactos à saúde humana são muitos. A fumaça contém materiais tóxicos, além de partículas que podem ser inaladas, causando problemas respiratórios graves, sobretudo para quem já convive com doenças pré-existentes. Gases como monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio também são liberados, o que aumenta o risco e agrava doenças pulmonares e cardiovasculares.

Após os recordes de má qualidade do ar devido à estiagem e às queimadas, o Ministério da Saúde divulgou algumas orientações para a proteção individual com o intuito de diminuir os impactos no organismo.

São elas:

  • Aumentar a ingestão de água potável;
  • Umidificar o ambiente sempre que possível, com toalhas e baldes com água;
  • Evitar atividades físicas em áreas abertas;
  • Evitar ficar próximo aos focos de queimadas;
  • Uso de máscaras do tipo PFF2, N95 ou P100, principalmente em áreas próximas a queimadas;
  • Evitar exposição prolongada em locais com partículas no ar;
  • Em casos de sintomas como náusea, vômito, falta de ar, tontura, confusão mental ou dores de cabeça intensas, busque atendimento médico.

O que resta — além de seguir as recomendações do Ministério da Saúde para amenizar os efeitos da fumaça — é pressionar as autoridades por uma resposta rápida. Pelo fim da impunidade e pela investigação e responsabilização dos incêndios criminosos e forte atuação na prevenção e estratégias de adaptação à realidade de eventos extremos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Greenpeace Brasil. Confira a matéria completa AQUI.

TCE-AM cria comitê para intensificar enfrentamento às queimadas no Estado

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Foto: Filipe Jazz/TCE-AM

A conselheira-presidente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Yara Amazônia Lins, anunciou no dia 17 de setembro a criação do Comitê de Enfrentamento às Queimadas no Controle Externo, durante a 33ª Sessão Ordinária do Tribunal Pleno. A iniciativa, aprovada por unanimidade, visa coordenar e intensificar ações de controle e combate às queimadas que têm atingido o Amazonas, especialmente no período de seca.

A portaria que oficializa o comitê será publicada ainda hoje no Diário Oficial Eletrônico do TCE-AM, disponível em doe.tce.am.gov.br.

Conforme a conselheira-presidente do TCE-AM, o comitê será responsável por avaliar programas com foco na eficiência, eficácia e efetividade à luz da legislação ambiental.

A criação responde às dificuldades dos órgãos ambientais em coordenar a prevenção e combate às queimadas, levando em conta, inclusive, constatações feitas pelo programa Blitz TCE em visitas técnicas aos órgãos de controle ambiental municipal e estadual.

Estrutura e atribuições

O comitê será composto por seis membros, incluindo um conselheiro-coordenador, que presidirá os trabalhos, além de um procurador de contas e servidores das secretarias de Inteligência (Segin), de Controle Externo (Secex) e da Consultoria Técnica (Consultec). O mandato será de dois anos, com possibilidade de recondução.

Entre as atribuições do comitê estão a avaliação de programas governamentais de controle ambiental, a verificação da eficácia do licenciamento ambiental e a promoção de ações coordenadas entre estado e municípios. O comitê também buscará propor soluções para melhorar as políticas de combate às queimadas e monitorar o cumprimento da legislação ambiental.

*Com informações do TCE-AM

Você luta contra o tempo?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Outro dia ouvi de um cliente: “estou em guerra contra o tempo”. Outro disse: “vivo correndo contra o tempo”. Fiquei pensando: “será que eles acham que têm chance de vencer? Ao contrário, se não estabelecermos uma boa relação com o tempo, é certo que teremos sofrimentos e, dificilmente, seremos bem-sucedidos. Aliás, penso que a expressão “relação com o tempo” é melhor do que “gestão do tempo” ou mesmo “administração do tempo”, pois estas dão a impressão de que temos total controle sobre ele, o que não é verdade. Temos, porém, uma forte influência sobre o nosso tempo, aquele que recebemos sob a forma de vida. Em grande parte, ele será fruto de nossas escolhas, ou de não escolhas.

O tema já foi fruto de outras conversas, mas percebo que, cada vez mais, ele se torna um fator de pressão e de estresse. Para muitos, o tempo é artigo de luxo. Precisamos lidar bem com ele, se quisermos ser felizes.

Todos temos demandas em todos os setores e é difícil conciliar tudo. Como malabaristas, não podemos deixar nenhum dos pratos cair. Desejamos ainda atingir novas metas e objetivos e cultivamos sonhos de realização. Como encaixar tudo isto se os dias continuam do mesmo tamanho, mesmo diminuindo nossas horas de sono? Desde cedo, estudamos muitas coisas, mas não somos educados a nos relacionar com o tempo.

Uma metáfora imperfeita, mas útil, é a de que possuímos um “estoque de tempo”. Não sabemos que estoque é este no seu total, pois não temos ideia do quanto viveremos. Mas sabemos quantas horas tem um dia, que a semana tem sete dias e que um mês pode ter como base 30 dias, ou 4 semanas, independentemente do calendário. Podemos estender o raciocínio para meses e anos, mas talvez não seja prático pensar em tanto tempo. Porém, olhar o horizonte de um mês básico, um mês qualquer, nos dá uma boa noção do tamanho do “estoque de tempo” que podemos planejar de forma recorrente.

Retiradas as horas de sono, teremos em torno de 16 horas por dia, 80 horas numa semana, 320 horas em um mês. É um “estoque de tempo” limitado, mas dá para fazer muita coisa. Estamos falando de nossa vida em um período de 30 dias. Como este “estoque de tempo” deve ser utilizado? Como deve ser vivido?

A resposta parece clara. Naquilo que for importante e desejável. As prioridades precisarão ser definidas a partir daí. Elas precisarão ser distribuídas em uma frequência como diária, semanal, mensal e imediatamente blocarem o “plano de agenda”, antes que outra coisa não importante a ocupe.

O que entra na categoria importante para você, com que duração e com que frequência? Se for, por exemplo, a ida à academia, uma hora, três vezes por semana, são 12 horas mensais do seu “estoque de tempo”. O que é importante você blocar considerando o cargo que você ocupa, o seu papel como pai ou mãe, ou de marido ou mulher, o seu desenvolvimento pessoal, a sua prática religiosa, a sua atividade voluntária, a atenção aos seus pais ou, simplesmente, o horário que você quer estar livre para fazer o que quer? O que mais para você é importante?

Boa parte destas coisas, talvez, não seja importante para mais ninguém. Se você não blocar rapidamente no seu “plano de agenda”, ele logo será ocupado por coisas não importantes. As urgências, por exemplo, tendem a aumentar, quando o importante não é tratado no devido tempo.

Num sentido mais amplo. para quem refletiu sobre a sua Missão, desenvolveu um Propósito e sabe o que quer deixar como Legado não será difícil estabelecer prioridades. Também conseguirá enxergar melhor o que é importante em seus diversos papéis.

A experiência nos mostra que começar com um “plano de agenda” é o primeiro passo para estabelecer uma ótima relação com o tempo. A maior parte das pessoas vai descobrir que o importante planejado não ocupará, na maior parte das vezes, mais do que 50% ou 60% do tempo. Vai descobrir que é possível ter uma vida mais feliz, mais leve e mais produtiva e que não é preciso lutar contra o tempo.

Que tal começar o exercício agora, antes da virada do próximo mês?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Amapaense fica em 1° lugar em fórum internacional com trabalho sobre atuação policial no Estado

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Foto: Joseph Portásio

A egressa do Mestrado Profissional em Estudos de Fronteira da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Jade Figueiredo, teve trabalho premiado durante o 4° FIA Fórum Internacional sobre a Amazônia – Regional Amapá, ocorrido de 15 a 18 de agosto, no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), em Macapá (AP). Com o título ‘Revoltante, uma desgraça dessa ainda tem direitos humanos: perspectivas de direitos para apoiadores da polícia do Amapá’, o trabalho ficou em primeiro lugar.

O trabalho é fruto da pesquisa desenvolvida no mestrado, sob supervisão do Prof. Dr. Marcus André de Souza Cardoso da Silva, e aponta como o senso de direitos humanos e de justiça são construídos e abordados por apoiadores da polícia amapaense, a partir da análise de comentários e publicações no perfil do Instagram “Devotos do Bope AP”.

“Pra mim, foi muito importante ter tido a oportunidade de apresentar meu trabalho aqui no Amapá. Quando a gente faz um trabalho acadêmico, a gente espera que ele traga alguma contribuição para a comunidade. Fico feliz dele ter sido considerado um trabalho que traz essa contribuição e ter tido uma boa avaliação (…) Fico feliz de ter conseguido a classificação, mas não era minha meta, fui com a intenção de apresentar e felizmente ele ficou nessa posição melhor classificada”, afirma Jade Figueiredo.

Segundo Jade, o tema da pesquisa surgiu ainda na graduação, em um trabalho apresentado em 2020 sobre a espetacularização midiática do estado em torno da temática da violência e que foi agraciado com o Prêmio Lévy Strauss, uma premiação dada a trabalhos de acadêmicos pela Associação Brasileira de Antropologia.

Dentre os perfis do Instagram que apoiam a polícia militar no estado, Jade escolheu a “Devotos do Bope AP” por ter os elementos necessários para o desenvolvimento da pesquisa no mestrado, como publicação regular e ativa de posts e interação dos seguidores com comentários frequentes. De acordo com a pesquisadora, foi possível observar que as pessoas que comentam são quase que 100% apoiadoras da polícia.

“No perfil não há pessoas que discordam constantemente daquilo que é narrado: supostas trocas de tiros, algumas relações com pessoas que ‘parecem’ merecer a vida e outras que não merecem. (…) Com a pesquisa, foi possível identificar algumas ideias específicas sobre senso de justiça no Amapá, uma realidade que aponta que existem determinadas categorias êmicas [categorias e valores internos próprios às sociedades e grupos em estudo] que sugerem que determinados indivíduos parecem merecer direitos humanos e outros não”, aponta Figueiredo.

*Com informações da Unifap

Seca severa em Manaus interdita banho na Praia da Ponta Negra

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Foto: Clóvis Miranda/Semcom Manaus

A seca severa que tem ocorrido em Manaus (AM) este ano provocou novamente a interdição, nesta terça-feira (17), de banho na Praia da Ponta Negra, importante ponto turístico na região. Segundo o gerente de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil (SGB) de Manaus, Andre Martinelli, já foram entregues sete laudos desde 2012.

A interdição ocorre em resposta ao nível do Rio Negro, que registrou cota de 15,99 metros na segunda-feira (16). A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), anunciou medidas administrativas e de segurança, bem como solicitou laudos do SGB e do Corpo de Bombeiros do Amazonas (CB-AM) para avaliar as condições de balneabilidade. A praia continuará aberta para outras atividades esportivas e de lazer, como o uso do calçadão e áreas de entretenimento. 

A iniciativa faz parte dos esforços de enfrentamento da vazante que, pelo segundo ano consecutivo, tem causado grandes impactos no local. Placas de aviso serão instaladas no local, informando os frequentadores sobre a interdição, que seguirá até que as condições de segurança sejam restabelecidas.

Leia também: Museu do Seringal fecha por conta da seca do Rio Negro em Manaus 

Histórico de laudos sobre a Praia

O Laudo Técnico VII da Praia da Ponta Negra, em Manaus (AM) – 2023, elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), indica que as condições do leito do rio, na área aterrada da praia, permanecem similares às observadas em levantamentos anteriores, realizados em novembro de 2012, janeiro de 2013, novembro de 2013, dezembro de 2014, outubro de 2015, novembro de 2018 e novembro de 2022. 

A superfície submersa apresenta grande irregularidade, com quedas bruscas de profundidade, tanto no sentido transversal quanto longitudinal. A partir da cota de 16 metros, tomando como referência a estação linimétrica do Porto de Manaus, essas irregularidades no leito se aproximam da margem, o que representa um risco elevado para os banhistas. Tendo em vista a característica da vazante deste ano, é prudente evitar o perigo pela aproximação de usuários a essas áreas irregulares. 

No momento, é importante redobrar a atenção, já que a cota do rio está em uma faixa crítica, onde já se observam os desníveis mais acentuados.

Diante disso, o Serviço Geológico do Brasil tem recomendado a realização de estudos geotécnicos para uma melhor avaliação da estabilidade do aterro, especialmente considerando a ocorrência de sucessivos eventos extremos de vazante.

Veja aqui o documento completo.

*Com informações do SGB

Grupo de trabalho busca padrão de classificação da castanha-do-brasil

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Foto: Divulgação/Observatório castanha da Amazônia

O Grupo de Trabalho de Qualidade da Cadeia da Castanha-da-Amazônia (GT-SAQ) organizado pelo Observatório Castanha-da-Amazônia (OCA), está promovendo uma consulta para coletar insumos com o objetivo de revisar e atualizar a Portaria MAPA nº 846/1976, que define o padrão de classificação da castanha-do-brasil. 

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

Essa consulta é parte dos Diálogos Pró-Castanha-da-Amazônia, iniciativa que tem como objetivo promover o engajamento de produtores, indústrias de beneficiamento, especialistas e representantes das comunidades extrativistas e indígenas em um diálogo aberto neste processo participativo de composição e revisão da anteproposta de atualização da portaria.

Em abril deste ano, o GT-SAQ propôs a realização de reuniões on-line para discussões e contribuições sobre capítulos específicos da minuta de anteprojeto, visando o aprofundamento temático e técnico sobre as práticas conceitos empregados pelo setor. Além desses encontros, especialistas da EMBRAPA e auditores do MAPA, representando o GT-SAQ, visitaram indústrias em Rondônia para observar a aplicação das normas vigentes.

Foto: Divulgação/Observatório castanha da Amazônia

A atualização da portaria, discutida nos Diálogos Pró-Castanha-da-Amazônia, visa otimizar o reconhecimento, os conceitos e os parâmetros praticados pelo setor. A proposta é alinhar os padrões de classificação às demandas atuais do mercado, que exige produtos diferenciados, sustentáveis e de alta qualidade. 

Para isso, o GT-SAQ aprimorou a estratégia dos trabalhos e está realizando consultas bilaterais com os atores da cadeia. A primeira consulta é direcionada aos representantes das indústrias de beneficiamento da castanha-do-brasil, focando em processos e parâmetros de comercialização. O formulário de consulta será enviado nominalmente a um representante por indústria. 

Interessados em participar também podem enviar um e-mail para: observatoriocastanhadaamazonia@gmail.com, com o assunto: “Consulta a indústrias de beneficiamento da castanha (nome da sua organização)”.

O GT SAQ planeja retomar os encontros on-line e, em breve, realizará as próximas consultas voltadas aos demais atores da cadeia, visando construir uma proposta que seja mais adequada às práticas das indústrias de beneficiamento da castanha.

Esta atividade é realizada pela rede do Observatório da Castanha-da-Amazônia (OCA), em uma mobilização conjunta com instituições como o Instituto Internacional do Brasil (IEB), o projeto Bioeconomia e Cadeias de Valor, da Cooperação Brasil-Alemanha junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDAF),a NewCast – Novas soluções tecnológicas e ferramentas para agregação de valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia, financiado pela FINEP e coordenado pela Embrapa, a Universidade Federal de Rondônia (UNIR), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), além de empresas, cooperativas e outras organizações da sociedade civil.

*Com informações do Observatório Castanha-da-Amazônia

Jovens acreanos lutam por legado de Chico Mendes em meio à crise climática

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Foto: Hannah Lydia/Comitê Chico Mendes e Movimento Jovens do Futuro

Desde o início de setembro, as fumaças têm aumentado os risco à saúde do povo brasileiro, especialmente na Amazônia. No Acre, terra do ativista Chico Mendes, todas as cidades estão em alerta, variando entre níveis “muito insalubres” e “perigosos” de qualidade do ar. Neste momento, Rio Branco é a capital do país com o pior índice de poluição.

“Mesmo sofrendo até para respirar, tem gente que não entende que o problema é um sistema que impacta a nossa vida em busca de lucro. Já existem soluções e alternativas, o que falta são investimentos”.

No início do ano, o Acre registrou a maior enchente da história, com inundações de rios e igarapés que deixou 19 dos 22 municípios em situação de emergência. Agora, o estado inteiro enfrenta uma seca severa e queimadas persistentes, alimentadas pelo avanço da agropecuária, responsável por 74% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, principalmente pelo desmatamento.

Para enfrentar essa emergência climática e promover soluções, surge o Movimento Jovens do Futuro, com apoio do Comitê Chico Mendes, que promove a formação socioambiental de jovens acreanos nas cidades e nas florestas, fortalecendo sua atuação política e valorizando a cultura amazônica.

O Movimento e o Festival Jovens do Futuro

O Movimento Jovens do Futuro nasceu de uma carta para juventude escrita por Chico Mendes, assassinado há 35 anos, e que virou seu testamento, deixando a sua luta de herança para os mais jovens. Todo ano, em setembro, o Festival Jovens do Futuro celebra esse legado, com atrações culturais que perpetuam sua memória.

Este ano, o lema “Futuro é Agora” chamou atenção para urgência da crise no clima. O Greenpeace Brasil foi convidado a fazer parte da programação, exibindo o filme ‘Antes do Prato’ no histórico Cine Teatro Recreio, em Rio Branco. Devido à fumaça, as atividades ao ar livre foram canceladas, com exceção do “Empate pela Amazônia”, no Dia da Amazônia (5/9), para denunciar a gravidade em curso.

Foto: Hannah Lydia/Comitê Chico Mendes e Movimento Jovens do Futuro

Há poucos dias, quando as escolas ainda estavam abertas e ela ia trabalhar de bicicleta, relata que sentia dificuldade para pedalar e respirar; atividades comuns se tornaram cansativas. “Temos que acabar com esse modelo que visa o lucro e priorizar o senso de comunidade, a consciência das nossas ações e escolhas.”

Foto: Hannah Lydia/Comitê Chico Mendes e Movimento Jovens do Futuro

Emergência Climática na Amazônia

O agronegócio que avança sobre a maior floresta tropical do mundo agrava as mudanças climáticas, reduz a produção dos alimentos e aumenta os preços. Carne, feijão, laranja, por exemplo, estão mais caros devido à seca, a pior em 44 anos.

Os povos da floresta estão entre os prejudicados. “Não temos assistência do poder público. O desmatamento cresceu e os extrativistas estão muito vulneráveis, vendendo as terras, porque não tem como ficar por lá”, relata Marta Jane, 20 anos, filha e neta de seringueiros da Reserva Extrativista Chico Mendes. “Pessoas de fora que têm dinheiro, compram e fazem fazenda, desmatam e criam gado.” No Acre, tem 5 vezes mais gado do que pessoas.

Graças às desigualdades sociais, as tragédias climáticas causam mais impactos às populações do campo, indígenas, quilombolas e periféricas. Transformar essa realidade, portanto, requer assegurar qualidade de vida a essas pessoas, estimulando uma agricultura e uma economia mais sustentável, que gera saúde, renda e conservação ambiental.

Outro desafio é a falta de escolas nas áreas rurais, mesmo sendo direito de toda criança e adolescente, forçando a juventude a sair de seus territórios para estudar.

Foto: Hannah Lydia/Comitê Chico Mendes e Movimento Jovens do Futuro

Chico vive e as soluções também

Imagina o Brasil se os bilhões de verba pública que vão para o agronegócio fossem para a agroecologia. Como viveríamos se o Plano Safra, principal política agrícola do país, priorizasse a agricultura familiar e ecológica? E se a sociobioeconomia fosse fortalecida e a educação ambiental fosse estimulada em todas as regiões?

A juventude da Resex Chico Mendes conta que suas famílias, assim como muitas outras espalhadas Brasil afora, não têm incentivos públicos ou privados para sobreviver e se sustentar da floresta, através da seringa, castanha, açaí e demais cultivos – ao contrário da soja, que recebe subsídio do governo para sua produção.

Mesmo com pouco apoio, a agricultura familiar é a maior responsável pela diversidade alimentar no Brasil e já ajudou a tirar o país do Mapa da Fome em 2014. “Hoje, basicamente, não tem essa valorização, essa visibilidade para o setor”, diz Marta Jane. “De alguma forma, o benefício tem que chegar para o produtor da floresta, porque não chega”.

O Comitê Chico Mendes defende que sonhos coletivos viram realidade e que, com investimento e educação, a transformação ecológica é possível na Amazônia e no mundo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Greenpeace, escrito por Andressa Santa Cruz

Estudo sobre resiliência climática em serviços de saúde na Amazônia peruana ganha destaque em revista científica

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Foto: Divulgação/Agência Andina

A revista científica internacional BMJ Global Health, do Reino Unido, publicou o estudo intitulado “Caminhos para fortalecer a resiliência climática dos sistemas de saúde na Amazônia Peruana trabalhando com líderes, comunidades indígenas e autoridades de saúde”, desenvolvido pelo Ministério da Saúde (Minsa) e a Universidade Peruana Cayetano Heredia (UPCH).

“Este estudo segue as diretrizes de gestão estabelecidas pelo Ministro da Saúde, César Vásquez, um passo fundamental para fortalecer a colaboração entre os sistemas de saúde oficial e indígena”, afirmou o diretor-geral de Gestão de Risco de Desastres e Defesa Nacional em Saúde (Digerd), Miguel Aponte Jurado.

Ele acrescenta que as conclusões e recomendações “proporcionam uma base sólida para a integração de abordagens tradicionais e modernas na resiliência climática, garantindo que as nossas comunidades indígenas estejam melhor preparadas para enfrentar os desafios apresentados pelas alterações climáticas”. 

A investigação é fruto dos compromissos nacionais determinados em saúde face às alterações climáticas, estabelecidos na Resolução Ministerial n.º 599-2022/MINSA, e no Acordo n.º 003-2023-MINSA de cooperação interinstitucional entre ambas as instituições.

Para o desenvolvimento da pesquisa foram realizadas entrevistas, questionários e revisão de literatura a fim de compreender a adaptação e resiliência às mudanças climáticas dos sistemas de saúde na Amazônia peruana, atuando na Rede Alto Amazonas em Loreto e na Rede Satipo em Junín, especificamente nas comunidades indígenas pertencentes a Satipo e Balsapuerto (Loreto).

O estudo foi realizado em 2023 e fornece evidências das respostas implementadas nos sistemas de saúde oficiais, indígenas, agentes comunitários de saúde e membros da comunidade diante dos perigos climáticos, e presta assessoria para a articulação dos dois sistemas (oficial e indígena), em benefício da saúde da população das comunidades indígenas.

Uma equipe da Faculdade de Saúde Pública e Administração da UPCH participou em colaboração com o Minsa, através da Direção de Promoção da Saúde, Direção de Saúde Mental e da Direção dos Povos Indígenas e Nativos, da Direção Geral de Intervenções Estratégicas em Saúde Pública, além da Direção Geral de Gestão do Risco de Desastres e Defesa Nacional em Saúde.

Também participaram a Direção Regional de Saúde de Junín e sua Rede de Saúde Satipo, a Gerência Regional de Saúde de Loreto e sua Rede de Saúde do Alto Amazonas, a Organização de Mulheres Indígenas Amazônicas Asháninka da Selva Central e o Governo Territorial Autônomo Shawi de Loreto, com financiamento da Aliança para Pesquisa em Políticas e Sistemas de Saúde da Organização Mundial da Saúde.

*Com informações da Agência Andina

Protocolo de conduta é elaborado para militares que atuarão próximos às terras indígenas

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Foto: Divulgação/Funai

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) vai analisar o protocolo de conduta para militares que atuarão junto às terras indígenas elaborado pelo Exército Brasileiro. O documento foi apresentado na segunda-feira (16), em reunião na sede da Funai, em Brasília. No texto, a autarquia indigenista pretende reforçar que os povos indígenas são cidadãos brasileiros e que devem ter suas diferenças culturais, sociais e linguísticas respeitadas pelo Estado brasileiro. 

O protocolo foi elaborado com base em orientações fornecidas pela Funai sobre indigenismo, considerando a diversidade e especificidade de cada povo indígena. A ideia é preparar os militares que chegam para prestar apoio às comunidades  ou em áreas próximas a territórios tradicionalmente ocupados de modo a qualificar as operações, com o devido respeito às culturas, tradições e organização social dos povos indígenas. 

A presidenta substituta da Funai, Mislene Metchacuna, destacou a importância do diálogo entre as instituições de Estado para promover e proteger os direitos indígenas e corrigir erros que prejudicam as comunidades, como o preconceito e o racismo institucional.

Mislene, que também é diretora de Administração e Gestão, lembrou que uma das atribuições da Funai é realizar a articulação da política indigenista junto a outras instituições públicas de modo a qualificar a atuação do Estado brasileiro. Para ela, o protocolo de conduta é algo extremamente necessário para reparar os equívocos que, muitas vezes, resultaram em violações dos direitos indígenas.

A diretora de Proteção Territorial, Janete Carvalho, enfatizou a importância de o Estado brasileiro considerar e respeitar os protocolos de consulta aos povos indígenas sobre quaisquer decisões que digam respeito a eles e/ou aos territórios que tradicionalmente ocupam.

O protocolo proposto pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) atende ainda a uma das demandas apresentadas pelos indígenas Yanomami sobre a atuação de quaisquer instituições em seu território, conforme a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) .

Pela Funai, participaram da reunião a presidenta substituta, Mislene Metchacuna; a diretora de Proteção Territorial, Janete Carvalho; a coordenadora de Prevenção de Ilícitos, Isolde Lando; e a chefe de gabinete da Presidência, Marinete Cadete. Representaram o Exército o coronel Peixoto dos Santos; o major Felipe Cavalcante e o assessor Fernando Magno. As discussões para a criação do protocolo começaram em julho de 2024. 

*Com informações da Funai

Candidaturas indígenas aumentam 14,13% nas Eleições de 2024

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Em 6 de outubro, mais de 461,7 mil candidatas e candidatos disputarão cargos de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, em 5.569 municípios, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A partir de dados extraídos da corte eleitoral, neste ano, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) publicou o estudo Perfil do Poder – Eleições 2024, em parceria com o coletivo Common Data, com a análise das candidaturas registradas.

O levantamento aponta que, se consideradas as candidaturas para todos os três cargos por cor e raça, este ano, 207.467 (45,64%) candidatos se declararam brancos; 187.903 (41,34%) se autodeclararam pessoas pardas; 51.782 (11,39%) se declararam pretos; 2.479 (0,55%) são pessoas indígenas; 1.756 (0,39%) são pessoas amarelas; e 3.141 (0,69%) não informaram sua cor/raça.

Com base nesses números, o Inesc constatou que os candidatos declarados indígena são os únicos que tiveram a participação ampliada nas eleições deste ano. Os indígenas passaram de 2.172 registros, em 2020, para 2.479 registros, em 2024, o que representa uma alta de 14,13%. O crescimento foi notado em todas as regiões do Brasil. Antes da resolução do TSE, a declaração de cor ou raça no registro de candidatas e candidatos era opcional.

Pela primeira vez, neste ano, os candidatos puderam também declarar, de forma opcional, o pertencimento étnico. Das 2.479 candidaturas indígenas registradas, 1.966 divulgaram sua etnia, o que somou 176 etnias, de acordo com o TSE. As três maiores são 168 candidaturas do povo Kaingang; 150, Tikúna, e 107 candidatos da etnia Makuxí.

Candidaturas indígenas

O maior número proporcional de candidaturas de indígenas está no estado de Roraima, onde 7,10% do total de candidatos se declararam indígenas. Em 2020, Roraima já era o estado com a maior concentração de indígenas (7,95%). O Inesc considera que o aumento geral reflete um maior engajamento político dessas comunidades em todo o país.

Embora as candidaturas indígenas estejam em ascensão, a representatividade em cargos executivos ainda é limitada, registra o Inesc. A assessora política do Inesc Carmela Zigoni avalia que a correlação de forças nesses espaços de poder eletivos, seja no poder Executivo ou nas casas legislativas, é ruim para os indígenas eleitos.

Isto porque a participação dos povos originários em espaços de poder ainda é baixa e os indígenas enfrentam desafios para tentar propor políticas públicas e legislações de proteção a seus povos e territórios, em tempos de avanço de sistemas agropecuários predatórios e da mineração.

Em relação ao gênero dos candidatos indígenas, 1.568 (63,25%) são homens e 911 (36,75%) são mulheres.

Partidos

Em relação ao alinhamento político, 41,87% dos candidatos indígenas estão afiliados a partidos de direita. Os partidos de esquerda têm 40,42% das candidaturas desse público e, o restante (17,71%), é de centro.

O Inesc interpreta que essa distribuição reflete a diversidade de perspectivas políticas dentro das comunidades indígenas. A assessora política explica que, entre os motivos para esse fenômeno, está a falta de diretrizes programáticas dos partidos políticos, o que impede a divulgação de agenda clara nos municípios sobre o que o partido defende.

Ela avalia ainda que os partidos mais à esquerda defendem os direitos ambientais, mas, na prática, a agenda é a do desenvolvimentismo, o que pode representar políticas negativas aos direitos indígenas.

“Observamos um forte apego a políticas para apressar licenciamentos ambientais, grandes incentivos fiscais para empresas mineradoras e investimentos em infraestrutura para o agronegócio de exportação. Então, gera uma contradição para candidaturas e votos dessas populações”, disse

Cargos

Se considerados todos municípios, o número de indígenas que pleiteiam o poder Executivo nas prefeituras chega a 46, sendo seis mulheres e 40 homens. Os postulantes ao cargo de vice-prefeito somam 63, sendo 26 mulheres e 37 homens.

Consideradas apenas as 26 capitais onde haverá eleições no próximo mês, o Instituto de Estudos Socioeconômicos identificou que há apenas um candidato indígena concorrendo ao cargo de prefeito. Trata-se de Lucínio Castelo de Assumção, da etnia Guarani, que disputa a Prefeitura de Vitória, pelo Partido Liberal (PL).

E para ocupar a vice-prefeitura de uma capital, somente uma indígena concorre ao posto: Amanda Brandão Paes Armelau, disputa a vaga no Rio de Janeiro, também filiada ao PL, e de etnia não informada.

Brasil

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que quase 1,7 milhão de indígenas vivem no Brasil, correspondendo a 0,83% da população total do país, que corresponde a 266 povos indígenas.

A maior parte dos indígenas (867,9 mil ou 51,2%) vive na Amazônia Legal, região formada pelos estados do Norte, Mato Grosso e parte do Maranhão. O Censo 2022 revelou também que muitos dos indígenas são jovens, com mais da metade tendo menos de 30 anos de idade (56,10%).

Eleições municipais

Este ano, estão em disputa 69.602 cargos nos municípios, divididos em 5.569 para prefeitos e vice-prefeitos e 58.464 para vereadores. De acordo com o TSE, dos 461.703 pedidos de registro de candidatas e candidatos nas eleições de outubro, são 15.478 candidatos ao cargo de prefeito; 15.703 candidatos a vice-prefeitos e 430.522 postulantes a vereador.

A justiça eleitoral informa que a eleição municipal deste ano é a maior de todos os tempos porque há mais de 155,91 milhões de eleitores e eleitoras, sendo que 140,03 milhões de eleitores não têm a informação de cor e raça no cadastro eleitoral. Entre o eleitorado que tem esse dado, 8,5 milhões (5,45%) são pessoas pardas; 5,29 milhões (3,39%) são brancas; 1,8 milhão (1,16%) são pessoas pretas; 155,6 mil (0,10%) são indígenas; 114,38 (0,07%) são pessoas amarelas.

O primeiro turno das eleições municipais está marcado para 6 de outubro. O segundo turno ocorrerá em 27 de outubro, em cidades com mais de 200 mil eleitores, se nenhum dos candidatos ao posto obtiver mais da metade dos votos válidos, excluídos os votos em branco e nulos, para ser eleito.

*Com informações da Agência Brasil