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Após meses de seca histórica, Rio Madeira volta a subir

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Foto: Tiago Frota/Rede Amazônica RO

O rio Madeira voltou a ultrapassar a cota de um metro no domingo (3) após mais de um mês batendo recordes de mínimas históricas. De acordo com Serviço Geológico do Brasil (SGB), em setembro, o nível do rio chegou a 96 centímetros, o menor desde o início do monitoramento em 1967, e, em outubro, atingiu seu ponto mais crítico, marcando apenas 19 centímetros.

De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), as chuvas nas cabeceiras do rio, na Bolívia, vêm contribuindo para a recuperação gradual do nível das águas, pois cerca de 70% da vazão do rio Madeira vêm das regiões de cabeceira na Bolívia e no Peru.

De acordo com a Defesa Civil de Rondônia, a continuidade dessas chuvas é fundamental para que o rio recupere seu volume, impactando diretamente a logística e o funcionamento dos portos na região que teve uma redução de 60% no transporte de cargas.

O Porto de Porto Velho, uma das principais rotas de escoamento do Norte, permanece com operações limitadas desde o final de setembro. As rotas Porto Velho–Itacoatiara (AM), Porto Velho–Manaus (AM) e Porto Velho–Santarém(PA) foram fortemente impactadas.

O baixo volume afetou a Hidrelétrica de Santo Antônio, que precisou paralisar parte das unidades geradoras e funciona com apenas 14% das turbinas.

A seca extrema também alterou a realidade de famílias ribeirinhas que vivem às margens do rio Madeira, algumas sobreviviam com menos de 50 litros de água por dia em razão estiagem extrema em Rondônia.

Neste cenário, os peixes, principal fonte de subsistência das família ribeirinhas, desapareceram. Ao invés de pescar e vender, os pescadores compram peixe de outras regiões para conseguir se alimentar.

Durante o nível mais crítico, pescadores tiveram que criar “corredores” na lama em meio ao deserto que se formou onde antes era o rio Madeira.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Mato Grosso aposta em crescimento da mineração sustentável

Foto: Divulgação/Nexa Resources

Durante a palestra “Comunicação e Mineração” realizada dia 25 de outubro e organizada pelo Grupo de Trabalho de Mineração da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que é liderado pelo deputado estadual Max Russi (PSB), a advogada e organizadora da 2ª Expominério, Pâmela Alegria, enfatizou a importância de divulgar mais as ações positivas do setor mineral.

Para o líder do GT da Mineração da ALMT, deputado Max Russi, o debate sobre a exploração mineral sustentável em Mato Grosso é importante, uma vez que o debate permite desmitificar a atividade minerária de uma imagem negativa.

“É um setor que contribui com mais de 4% do nosso PIB, gera emprego e desenvolvimento e precisa evoluir. O que temos que combater é a extração ilegal, isso sim é crime. Mas, a atividade minerária que cumpre todas as regras ambientais é de suma importância para o estado e não pode ser marginalizada”, destacou Russi, que apoia a Expominério desde sua primeira edição.

A 2ª edição da Expominério, marcada para ocorrer de 7 a 9 de novembro de 2024, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, vai debater o potencial econômico da mineração, desmistificar percepções negativas e destacar práticas sustentáveis do setor.

O evento reunirá empresários e profissionais do setor e buscará promover uma comunicação mais objetiva com a sociedade e a imprensa para reforçar que mineração responsável não deve ser confundida com extração ilegal de recursos. “É preciso separar o crime de uma atividade profissional legalizada, demonstrando à sociedade a importância do setor para o desenvolvimento do estado e do País”.

O evento abrirá espaço para debates sobre políticas públicas voltadas ao setor mineral, tema que enfrenta desafios políticos e ambientais. Pâmela também destacou o apoio do deputado estadual Max Russi (PSB), presidente do Grupo de Trabalho de Mineração, a projetos educativos, como o Educa Mineração, que sensibiliza crianças e adolescentes sobre a importância da mineração, mostrando seu papel em tecnologias, dispositivos eletrônicos, água mineral e infraestrutura.

“É uma atividade econômica fundamental e, como qualquer outro setor produtivo, está cada vez mais vinculada à responsabilidade ambiental e social. Hoje, não existe mineração legal e responsável sem atender a essas normas”, reforçou.

Para o coordenador da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) em Guarantã do Norte, Humberto Paiva de Oliveira, Mato Grosso tem se destacado pela evolução no setor mineral, com governança estadual fortalecida para atrair investimentos. A Metamat apoia pequenos mineradores e media conflitos entre garimpeiros e grandes mineradoras, consolidando o estado como um polo seguro para investidores. Nos últimos dez anos, o valor da produção mineral de Mato Grosso saltou de R$ 500 milhões para R$ 7 bilhões, um crescimento de 15 vezes.

Paiva destacou que a pesquisa mineral contribui significativamente para o desenvolvimento de pequenas mineradoras, promovendo extração com menor impacto ambiental e custos operacionais reduzidos. Ele também elogiou o uso do sistema de satélites Planet, gerido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que monitora operações em tempo real, garantindo práticas sustentáveis na mineração e no agronegócio. “O estado é referência em governança ambiental e oferece segurança jurídica para investidores que querem crescer de forma responsável e sustentável. Isso atrai investidores que buscam segurança para aportar recursos em projetos de mineração em Mato Grosso”, comentou Paiva.

Com mais de sete mil cooperados, a Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe) é organização no setor de mineração de pequena escala em Mato Grosso que trabalha com o foco na regularização e sustentabilidade. Gilson Camboim, presidente da cooperativa, destaca que as atividades são totalmente legalizadas e que a Coogavepe tem o compromisso de atuar apenas em áreas autorizadas, respeitando as licenças ambientais exigidas.

Em Mato Grosso, a Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) requer uma série de licenças, como a Licença Prévia (LP), a Licença de Instalação (LI) e a Licença de Operação (LO), que garantem que as cooperativas operem em conformidade com a legislação.

Ele também comentou que a mineração de pequena escala representa cerca de 80% da produção mineral no Brasil. “A mineração de pequena escala explora camadas superficiais, enquanto a mineração industrial explora camadas mais profundas, que exigem tecnologia avançada”, explicou Camboim, enfatizando a importância de cada segmento dentro de suas respectivas capacidades e o papel da mineração no desenvolvimento econômico e sustentável de Mato Grosso.

A Expominério 2024 conta com o patrocínio oficial do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e da Companhia de Mineração de Mato Grosso (Metamat). Também tem patrocínio da Alpha Minerals e da Federação das Cooperativas de Mineração de Mato Grosso (Fecomin), Azevedo Sette Advogados, Nexa, Keystone, Aura Apoena, Rio Cabaçal Mineração, Ero Brasil Xavantina e Fomentas Mining Company.

*Com informações do Brasil61

Programa ‘Mulheres em Campo’, em Roraima, impulsiona empreendedorismo feminino rural

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Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

O programa ‘Mulheres em Campo‘, criado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem como intuito despertar o interesse pela gestão e ampliar o protagonismo feminino na administração das empresas rurais. 

Além disso, auxilia a mulher do campo na descoberta do potencial de cada uma em sua propriedade, ensinando a planejar e transformar o dia a dia e a vida financeira.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Em Roraima, o curso já realizou três edições, que envolvem mulheres em varias atividades práticas orientando detalhes que vão desde o uso das frutas regionais disponíveis em suas propriedades e região, até a venda e administração de seu negócio.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A produtora rural Marivalda de Tomaz é uma das alunas da segunda turma do curso realizado na comunidade indígena do Sucuba, na zona rural do município de Alto Alegre. Ela relata com entusiasmo a participação no treinamento, sobre o conhecimento compartilhado nos cinco dias de curso.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A equipe do Senar Roraima afirma que é importante a participação de mulheres em cursos como este, pois promovem sua independência:

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Segundo a equipe técnica do Senar Roraima, o programa é realizado desde 2018 e mais de 130 mulheres já foram beneficiadas. O projeto já assistiu municípios como Boa Vista, Alto Alegre, Bonfim, Mucajaí e Cantá. O projeto acontece a partir de demanda proveniente de sindicatos, cooperativas, associações, entre outros. Neste ano já foram realizadas três ações, duas na zona rural de Boa Vista e uma na zona rural de Alto Alegre, em uma comunidade indígena. 

Público-alvo

  • Produtoras rurais com escolaridade mínima de 5º ano (antiga 4ª série);
  • Mulheres a partir dos 16 anos.

A carga horária é de 40 horas, dividida em cinco encontros de 8 horas, com intervalos de sete dias entre eles. Durante os encontros, as mulheres participam de discussões, dinâmicas, atividades de grupo, realizam atividades individuais e com a suas famílias. Além de estudos de caso e exposições, que tornam o aprendizado mais efetivo e atrativo.   

Confira:

Vídeo: Youtube-Amazon Sat

                                                                                         

Conheça 6 artistas independentes de MPB da Região Norte

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Duo Chapéu de Palha. Foto: Divulgação

A nova geração da música popular brasileira (MPB) no Norte do Brasil está ganhando destaque com uma nova onda criativa que ultrapassa as fronteiras. Esses músicos estão experimentando uma fusão de gêneros globais, combinando a MPB com elementos de jazz, rock, pop e eletrônica e oferecendo uma nova leitura da produção artística brasileira.

Fora do eixo Sul-Sudeste, os artistas do Norte enfrentam desafios em termos de visibilidade e oportunidades, mas vêm conquistando espaço graças às plataformas digitais e aos festivais locais que impulsionam novos talentos. Nomes como Natália Matos, que mistura em suas canções ritmos latinos com o pop, e Luê, que combina bossa nova com beats contemporâneos, são exemplos dessa nova geração que está atraindo público tanto no Brasil como no exterior.

A diversidade desses artistas não se limita às influências musicais, mas também permeia as temáticas abordadas em suas letras, que dão voz às questões ambientais, sociais e culturais da região Norte.

Leia também: 6 artistas que são amazônidas e você nem imagina

Nessa curadoria, vamos explorar o trabalho (EPs, singles ou álbuns) de seis artistas independentes de MPB da região Norte, que estão redefinindo os limites da música popular. Suas vozes e produções trazem a efervescência de uma cena artística rica em inovação, que carrega uma força cultural autêntica e singular:

Dan Stump – Céu Tropical

Cantor, compositor e diretor, o amazonense Dan Stump iniciou sua carreira musical em 2015 com a publicação de covers em vídeo. Desde então, vem conquistando seu espaço na cena independente. Seu primeiro álbum, Tudo Que Eu Penso São Palavras Perdidas Que Tento Organizar, explora suas paixões, tristeza, alegria, saudades e angústias. Em 2022, apresentou seu segundo álbum, Transe Tropical, que resgata suas raízes amazonenses e a produção contemporânea brasileira. Entre amores tropicais e despedidas, sua música se destaca ao mesclar sonoridades amazônicas com MPB e folk.

Gabriê – Até Onde Eu Posso Chegar

Gabrielle Junqueira, conhecida como Gabriê, nasceu em 1998 em Porto Velho, capital de Rondônia. Aos 15 anos, começou a postar vídeos na internet, interpretando canções próprias e de outros compositores, e venceu um festival de música na categoria autoral. Durante a pandemia de covid-19, lançou seu álbum de estreia, Até Onde Eu Posso Chegar, no qual apresenta onze faixas que abordam autoconhecimento, pertencimento e paixões, em harmonia com a apreciação da natureza. Em alguns versos, Gabriê celebra o amor, em outros, denuncia a luta amazonense por um respiro em meio ao fogo. Em “Da Beira”, a artista traz a urgência da realidade nortista, da resistência e da arte.

Soprü – Enquanto A Orquestra Não Vem

Formada em Palmas, no Tocantins, a Soprü é uma banda engajada na criação de experiências sonoras. Composta por Iuri Grooveman, Caio Paiva, Carvalho Samuel, Wellis Raik e Jesus, a Soprü começou suas atividades em 2018, inicialmente com a intenção de gravar um álbum, e se define como rock nortista, sem um gênero fixo, expressando a diversidade de suas influências. Com um estilo que mistura indie rock e psicodelia, seu álbum de estreia, Enquanto A Orquestra Não Vem, lançado em abril, traz oito faixas que combinam groove, melancolia e composições multirrítmicas, explorando temas de romances e libertação pessoal. As letras sobre ócio e dúvidas se entrelaçam com uma sonoridade que toca como o sol na pele.

Chapéu de Palha – Elo

Formado em março de 2019, o duo amazonense Chapéu de Palha, composto por Giovanna Póvoas e Helder Cruz, começou a sua trajetória publicando gravações amadoras de suas composições de voz e violão na plataforma SoundCloud. Em 2021, lançaram seu primeiro álbum, começando com o single “O Amor do Mundo Inteiro”, que foi acompanhado por um clipe gravado nas belezas naturais de Novo Airão (AM). A falta, a solidão e o vazio se contrastam com a paixão, as borboletas no estômago e o calor.  A religiosidade também se faz presente nas letras, com referências a Ogum e Oxum. O nome da dupla surgiu em 2019, quando uma amiga de Giovanna começou a cursar agronomia na UFAM e usou um chapéu de palha durante o trote. Ela achou a ideia incrível e decidiu adotar o chapéu, mesmo não sendo da turma.

Gabi Farias – Vazante

Gabi Farias é uma artista multidisciplinar amazonense, atuando como cantora, compositora, performer, professora de música e produtora. Com uma linguagem lúdica e nostálgica, seus trabalhos oferecem experiências sinestésicas que trazem memórias. Em 2019, lançou seu primeiro EP solo, “VAZANTE”, que narra histórias de partidas e incertezas, marcando o início de sua trajetória musical. Anos depois, lançou seu álbum de estreia, “ENCHENTE”, em 2021, apresentando a estética pop experimental por meio dos singles “Sóis” e “Olhos Negros (Devaneio)”. O álbum, que conta com onze faixas e dez participações, reflete a fluidez da água e proporciona uma experiência sonora imersiva, resgatando memórias e destacando suas vivências como mulher amazônida.

Reiner – ¿brasil PROFUNDO feat. Eliakin Rufino

Reiner é um músico e produtor da nova geração da música de Belém (PA), que combina tradições musicais brasileiras com influências globais. Sua carreira começou em 2016 com o EP “Filho da Nuvem”. Seu álbum de estreia, “ELÔ, continua essa jornada, misturando referências musicais e abordando temas sociais de relevância para a atualidade. Ao navegar pelas correntes de uma Amazônia futurista, Reiner cria um som que reverencia o passado e projeta um olhar inovador para o futuro, equilibrando elementos locais e globais. Suas composições combinam influências da música negra e indígena com guitarras que ecoam Sepultura e samples de Portishead, resultando em uma sonoridade envolvente.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Melissa Sayuri

Universidade paraense sedia maior evento de observação da Terra por satélite

Imagem de PIRO por Pixabay

A Universidade Federal do Pará (UFPA) sedia, de 4 a 8 de novembro, no Campus Guamá, em Belém, o principal evento internacional dedicado à observação da Terra por satélite. Nesta edição, além de atividades teórico-práticas, incluindo tutoriais especializados on-line e presenciais, reuniões paralelas e workshop, serão realizados dois simpósios: o ISPRS Technical Commission: III Remote Sensing Midterm Symposium e o XXI Simpósio Internacional da Sociedade de Especialistas Latino-Americanos em Sensoriamento Remoto (Selper).

O encontro contará com a presença de pesquisadores como Catherine Nakelembe (Nasa Harvest África); Jianya Gong (Universidade de Wuhan) e Jaime Hernandez (Universidade do Chile). Entre os temas que serão discutidos, estão ‘sensoriamento remoto e impactos globais’; ‘tomada de decisão baseada em dados’; ‘futuras explorações espaciais’ e ‘monitoramento ambiental e segurança’.   

O objetivo da programação é discutir o conhecimento científico acerca do sensoriamento remoto, que, como tema principal do evento, vai abranger técnicas de aquisição de imagens da superfície terrestre por satélite, algoritmos de processamento e análise dos dados, e suas aplicações para a pesquisa e gestão do meio ambiente.

Para o professor Laurent Polidori, atual coordenador da Comissão Científica Internacional da ISPRS, o evento vai contribuir para reposicionar o Brasil na área de sensoriamento remoto.

“O sensoriamento remoto é essencial para conhecermos a superfície terrestre, especialmente em regiões como a Amazônia, onde os métodos tradicionais de levantamento são dificultados pela imensidão do território, pelas dificuldades de acesso e pelas paisagens complexas, que mudam o tempo todo. Por isso as tecnologias espaciais são amplamente utilizadas das geociências, da cartografia e do monitoramento ambiental”, destaca o Polidori.

A expectativa é que a programação atraia cerca de 500 pessoas de 40 países. A palestra de abertura será da brasileira Thelma Krug, que abordará o tema “Observações espaciais para monitoramento de indicadores de mudança do clima: desafios e oportunidades”.

Durante os cinco dias de evento, as programações simultâneas estarão distribuídas entre o Centro de Evento Benedito Nunes e dois grandes estandes projetados no campus

*Com informações da UFPA

PF conclui inquérito sobre assassinato de Bruno Pereira e Dom Philips

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Foto: Reprodução/Instagram – © Opi.Isolados

Após quase dois anos e meio de investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu, na última sexta-feira (1º), o inquérito sobre os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

Pereira e Phillips foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, em Atalaia do Norte, no Amazonas, quando visitavam comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior área do país destinada ao usufruto exclusivo indígena e que abriga a maior concentração de povos isolados em todo o mundo.

No relatório final sobre a apuração, a PF manteve o indiciamento de nove investigados. Ou seja, o órgão ofereceu denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) de nove pessoas contra as quais assegura ter reunido provas suficientes para acusá-las de participar do duplo homicídio. O MPF pode pedir o arquivamento, caso entenda não haver elementos probatórios contra os investigados, ou denunciá-los à Justiça Federal, transformando-os em réus.

Entre os indiciados está Ruben Dario da Silva Villar, apontado como mandante do crime. Sem citar nomes, a PF informou que os outros oito indiciados tiveram papéis na execução dos homicídios e na ocultação dos cadáveres das vítimas.

A reportagem – da Agência Brasil – ainda não conseguiu contato com a defesa de Villar, que já tinha sido indiciado pelo mesmo motivo em janeiro de 2023, quando a PF divulgou que tinha identificado a maioria das pessoas envolvidas no assassinato.

“Temos provas de que ele [Colômbia] fornecia munições para o Jefferson e o Amarildo, as mesmas encontradas no caso”, disse, na época, o então superintendente regional da PF no Amazonas, Alexandre Fontes, afirmando que Villar também pagou as despesas iniciais com a defesa de Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, primeiro suspeito a ser preso, em 7 de junho de 2022.

Interesses contrariados

Colaborador de publicações jornalísticas prestigiadas, como os jornais britânico The Guardian e os estado-unidenses The New York Times e Washington Post, Dom Phillips, 57 anos, viajou à região com o propósito de entrevistar lideranças indígenas e ribeirinhos para um novo livro-reportagem sobre a Amazônia que planejava escrever.

Embora falasse português fluentemente e já tivesse visitado a região outras vezes, Phillips viajava na companhia de Pereira por este ser um experiente indigenista Pereira. Com 41 anos de idade, estava licenciado da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desde fevereiro de 2020, por questões políticas, e atuava como consultor técnico da organização não governamental União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Os agentes da PF responsáveis pela apuração do crime concluíram que Pereira e Phillips foram mortos em decorrência do trabalho do indigenista. Mesmo licenciado da Funai, Pereira continuou contrariando interesses de grupos que ameaçam o bem-estar e a integridade de parte da população local. Na Univaja, auxiliava na implementação de projetos para permitir às comunidades tradicionais proteger seus territórios e os recursos naturais neles existentes. 

“A vítima atuava em defesa da preservação ambiental e na garantia dos direitos indígenas”, destacou a PF, na nota que divulgou hoje – e na qual reforça que segue monitorando os riscos aos habitantes da região do Vale do Javari e que continua investigando ameaças contra indígenas que vivem na mesma região onde Pereira e Phillips foram mortos.

Linha do Tempo – Bruno Pereira e Dom Philips. Arte: Agência Brasil

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Alex Rodrigues

Livro reúne fotos que contam histórias da colonização de Rondônia

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Kim-Ir-Sen Pires Leal e sua obra: uma contribuição para a história. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O repórter fotográfico goiano Kim-Ir-Sen Pires Leal acaba de lançar o livro “Rondônia em Imagens”, retratando um período que vai do final da década de 1970 ao início da década de 1980. A obra apresenta cerca de 200 imagens em cores e em preto e branco, com cenas inusitadas e impactantes de um tempo bem diferente, em que estado recebia milhares de migrantes que chegavam a todo momento, em sua maioria a bordo de paus-de-arara e ônibus.

As fotografias capturam paisagens de povoados em construção, com seus casarios de madeira e ruas empoeiradas, e trazem intrinsecamente várias críticas sociais e a capacidade de resistência do povo brasileiro. O autor considera que o conteúdo seja “antropológico social”. No entanto, as imagens também são obras de arte, com beleza plástica em cada composição, feitas com muita qualidade técnica e poética nas capturas das máquinas analógicas. O único filtro utilizado foi o olhar acurado de Kim, um verdadeiro mestre da fotografia.

O principal foco da obra são as expressões das pessoas comuns: o engraxate, o homem encantado com o cinema, o barbeiro, a tristeza e alegria convivendo em simbiose. Gente incomum, aventureira e corajosa de um Brasil Profundo, vinda de várias partes do país cheias de esperança na vida nova representada pela ocupação desenfreada das terras de Rondon, que se transformou no estado de Rondônia em 1981.

O livro surge como um importante documento histórico. Inclusive, com a fenda sobre os reflexos da onda migratória nas comunidades indígenas seculares, abandonadas à própria sorte diante da “civilização” que se instalou. O jornalista Montezuma Cruz produziu os textos explicativos — publicados em português e inglês — das fotografias; o projeto leva a assinatura da diretora de cinema Raíssa Dourado. Trabalhos de excelência de todos os envolvidos, resultando num belíssimo produto gráfico e editorial.

“A vovó agricultora e o menino debaixo da lona do caminhão em Vilhena, a mãe e as filhas buscando água em Espigão do Oeste retratam pessoas recebidas de braços abertos por Rondônia, que alcançaria em 1985 o seu primeiro milhão de habitantes; são fotos emblemáticas”, analisa Montezuma Cruz, um profundo conhecedor das entranhas rondonienses; ele atua no jornalismo local há meio século.

O livro foi contemplado pela Lei Rouanet, garantindo a publicação por meio do patrocínio do Grupo Energisa. Com isso, os exemplares serão distribuídos em todas as escolas públicas estaduais, além de estar disponível para download gratuito na internet. Confira:

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Tradição viva: Centro Cultural do povo indígena Kambeba é inaugurado no Amazonas

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Foto: Patrick Marques/g1 Amazonas

O Centro de Desenvolvimento Cultural, Humano e Sustentável do povo indígena Kambeba, no Amazonas, foi inaugurado no dia 1° na Comunidade Três Unidos, há 60 quilômetros de Manaus. Cerca de 220 indígenas do povo vivem no local e o espaço tem o intuiro de manter viva a tradição dos povos originários na região.

Com o intuito de preservar e incentivar essa tradição, a empresa NTICS, que ajuda iniciativas a se conectarem com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), inaugurou o Centro de Desenvolvimento Cultural, Humano e Sustentável Kambeba na Amazônia, dentro da comunidade.

No espaço, o povo Kambeba que mora na comunidade vai poder trabalhar e desenvolver seus costumes e tradições de diferentes maneiras, segundo o tuxaua da comunidade, Waldemir Kambeba.

“A comunidade do povo Kambeba, que era uma comunidade que, aliás, era uma cultura que estava se esquecendo e que hoje está fortalecida com mais um centro cultural. Vai acabar de fortalecer muito mais, garantir o fortalecimento de toda a nossa cultura, manter esse território em forma de culturas tradicionais, como de medicina, dos nossos conhecimentos, das nossas danças, das nossas línguas, da nossas crenças que isso é importante para o nosso povo”, disse.

A ideia de construir o espaço veio em 2022, quando a NTICS esteve na comunidade três unidos para fazer um documentário sobre o povo kambeba, segundo o representante da empresa, Bellmond Viga

“Para nós, chegar aqui mais de dois anos atrás, na época do documentário, e ter vivenciado isso, foi sair desse lugar mental, onde a gente sabe de várias problemáticas, de vários diagnósticos, mas entender na prática o que poderia ser feito. Então, mais do que chegar aqui, a gente começou a entender profundamente que soluções da Amazônia pro mundo precisam existir e não ao contrário, como hoje em dia acontece”, contou viga.

O momento especial para os moradores teve uma roda de conversa sobre diferentes assuntos como as necessidades do povo e fortalecer suas raízes e os saberes da comunidade.

O esporte também teve espaço, com a participação de atletas indígenas da canoagem, que já foram campeões regionais e representaram o Amazonas em competições nacionais.

Outro momento que marcou a abertura do espaço, foi o lançamento do livro chamado “Curas da Terra”, escrito por Baba Kambeba, matriarca da comunidade, que não pôde estar presente por questões de saúde.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

CODAM: setor eletroeletrônico da ZFM deverá fechar 2024 com o melhor desempenho dos últimos 5 anos

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Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Durante a 310ª reunião ordinária do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), realizada na quinta-feira, 31, no auditório do SESI, Distrito Industrial, o secretário Serafim Corrêa, do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), fez breve balanço das ações do governo e da iniciativa privada no enfrentamento das severas consequências da estiagem que se abate sobre a região, que superou 2023, até então a maior da história. Na oportunidade, ele destacou a brilhante ideia dos dois portos privados de Manaus – Super Terminais e Chibatão- consubstanciada na construção e operação em caráter emergencial de dois píeres flutuantes, que funcionaram como balsas para carregar contêineres dos grandes cargueiros de calados incompatíveis com a profundidade do rio durante este período.

A ideia funcionou perfeitamente e, graças a iniciativa, bem como às medidas do Executivo amazonense de flexibilização de prazos de recolhimento de tributos e coordenação de ações preventivas, segundo Corrêa, as perdas do governo, indústria e comércio foram significativamente menores em relação às de 2023. Na oportunidade receberam placas de homenagem do governo do Estado o diretor Marcello Di Gregório, do Super Terminais, e o diretor-executivo geral do Grupo Chibatão, Jhony Fidelis.

De acordo com sumário apresentado na ocasião pelo secretário executivo de Desenvolvimento Econômico, economista Gustavo Adolfo Igrejas Filgueiras, durante a 310ª reunião ordinária do CODAM, foram aprovados 56 projetos industriais com projeção de investimentos da ordem de R$ 1,3 bilhão e a geração de novos 1,6 mil postos de trabalho que deverão produzir impactos positivos na economia estadual, impulsionando o crescimento do Polo Industrial de Manaus (PIM), cujo faturamento total este ano deverá ultrapassar US$ 40 bilhões, o segundo maior da história, só perdendo para 2011, ano em que ultrapassou US$ 41 bilhões.

Durante a reunião do CODAM, a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) apresentou um balanço do desempenho econômico-financeiro e tecnológico do setor e patrocinou uma exposição especial dos produtos fabricados pelo Polo Industrial de Manaus, na qual estão mostrados resultados expressivos no setor. Para o presidente da Eletros, José Jorge Nascimento Jr., de janeiro a setembro deste ano as vendas do setor cresceram 29% em relação ao mesmo período do ano anterior, ressaltando o impacto positivo do setor na economia local. O setor mantém o forte ritmo de crescimento registrado ao longo do ano, impulsionado pela alta demanda por produtos fabricados na ZFM. A expectativa, segundo José Jorge Jr., é de que o ano de 2024 encerre-se com o melhor resultado verificado nos últimos 5 anos. A Eletros reúne e representa as maiores e mais importantes indústrias nacionais de eletrodomésticos e eletroeletrônicos do país. Criada em 1994, congrega 35 empresas de alto porte tecnológico espalhadas pelo país, salientou.

Os números do setor são impressionantes: Ar-condicionado – com produção 100% concentrada na região amazônica, o Brasil se tornou o segundo maior polo produtor de ar-condicionado do mundo, graças ao modelo aqui desenvolvido, que vem atraindo o interesse das principais fabricantes globais do segmento. O segmento cresceu 52% em janeiro- setembro deste ano. Em 2024 a produção atingiu a marca de 4,3 milhões de unidades, ante 2,8 milhões fabricados no mesmo período do ano anterior. Com produção integralmente em Manaus, a Linha Marrom — que inclui produção de TVs e equipamentos de áudio — cresceu 17% entre janeiro e setembro de 2024, com a comercialização de 9,6 milhões de unidades, contra 8,1 milhões registradas no ano passado. No setor de tecnologia da informação, também conhecidos como TIC, produzidos integralmente na ZFM, cresceram 10% no período, com a venda de 1,5 milhão de produtos, ante 1,4 milhão em 2023.

Para o titular da Sedecti, Serafim Corrêa, o setor eletroeletrônico, um dos pilares da economia da Zona Franca de Manaus, mantém-se em constante crescimento buscando ajustar-se ao padrão tecnológico mundial por meio de investimentos em inovação , que traz inovação e investimentos significativos para a região, impulsionando a criação de empregos e a qualificação da mão de obra local. Além do mais, Corrêa destaca que o Brasil, “um dos poucos países do mundo autossuficientes na produção de eletroeletrônicos, a Zona Franca de Manaus contribui com 70% da produção global do setor.Não por acaso, o setor responde pelo segundo maior faturamento do Polo Industrial de Manaus, alcançando a marca de 32,5 bilhões em 2023”.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Sete rios e afluentes na Terra Yanomami estão contaminados por mercúrio usado em garimpos, mostra projeção

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Imagens de satélite evidenciam garimpos na bacia do Uraricoera, na Terra Yanomami. Foto: ESRI. Adaptado usando QGIS.

Sete rios na Terra indígena Yanomami e três afluentes deles estão contaminados por mercúrio e têm peixes com alto índice de contaminação. É o que aponta uma projeção da WWF-Brasil, organização não governamental voltada para a preservação do meio ambiente, divulgada nessa quarta-feira (30).

Os rios são Parima, Uraricaá, Amajari, Apiaú, Uraricoera, Mucajaí e o Couto de Magalhães. As afluentes são Auaris, Trairão e Ereu, na bacia do rio Uraricoera.

Eles ficam próximos de áreas de garimpo ilegal, onde os invasores usam o metal durante a extração de minérios. A bacia do Uraricoera é a via fluvial mais usada pelos garimpeiros para entrar na Terra Yanomami, e o rio Mucajaí, um dos mais afetados pela atividade ilegal no território.

O estudo da WWF-Brasil usa um modelo baseado na probabilidade, desenvolvido pela Agência Ambiental Americana (U.S. Environmental Protection Agency – USEPA), para projetar a distribuição e bioacumulação de mercúrio em grandes bacias amazônicas a partir do destino ambiental do mercúrio.

A concentração do metal foi analisada com base nos dados do Observatório do Mercúrio, uma plataforma desenvolvida pelo WWF-Brasil em parceria com outras instituições.

Usado por garimpeiros para separar o ouro de outros sedimentos e, assim, deixá-lo “limpo”, o mercúrio é um metal altamente tóxico ao ser humano. Após ser usado, ele é depositado nos rios — processo que passa pela evaporação do material e circulação na atmosfera, causando poluição ambiental. Além disso, entra na cadeia alimentar dos animais e afeta diretamente a saúde da população, principalmente os povos tradicionais.

O estudo apontou que o rio Uraricoera e o Mucajaí apresentam um maior potencial de bioacumulação de mercúrio em peixes, com valores acima de 0,31 microgramas por grama (μg/g) para peixes não-piscívoros (que comem alimentos de origem vegetal) e 1,79 μg/g para piscívoros, que se alimentam exclusivamente de outros peixes — os valores estão acima do limite aceitável de 0,5 µg/g, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os rios Parima, Uraricaá e Amajari, e afluentes como Auaris, Trairão e Ereu na bacia do Uraricoera também apresentaram alto potencial de bioacumulação. Na bacia do rio Mucajaí, se destacam o rio Apiaú e o Couto de Magalhães.

Localizada em Roraima e no Amazonas, a Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil em extensão territorial e enfrenta uma crise sanitária e humanitária causada pelas ações do garimpo ilegal. O território abriga 31 mil indígenas, que vivem em 370 comunidades.

Em 2022, um laudo da Polícia Federal sobre contaminação dos rios na Terra Indígena Yanomami revelou que quatro rios da região estavam altamente contaminados por mercúrio, com nível 8600% superior ao estipulado como máximo para águas de consumo humano.

À época foram analisadas amostras das águas correntes dos rios Couto de Magalhães, Catrimani, Parima e Uraricoera, todos próximos a garimpos ilegais.

Em abril de 2024, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Socioambiental (ISA) também apontaram que em 9 comunidades Yanomami, 94% dos indígenas têm alto nível de contaminação pelo metal. As comunidades que participaram da pesquisa ficam às margens do rio Mucajaí.

Ciclo de contaminação do mercúrio

Mercúrio é usado em garimpos ilegais. Foto: Divulgação/Arquivo Ipen

O ciclo de contaminação do mercúrio começa com o processo de amalgamação, técnica que faz com o ouro e o mercúrio se fundam em uma liga metálica para que o metal precioso possa ser extraído “limpo”.

Depois, a liga é aquecida, fazendo com que o mercúrio evapore e passe a circular na atmosfera. Segundo o estudo, a maior parte do mercúrio gasoso é “guardada” nas árvores próximas ao garimpo e depois depositada no solo.

Na análise dos pesquisadores, a maior parte do mercúrio que chega aos rios é absorvido nas partículas do solo. O desmatamento de árvores, por exemplo, acelera o processo de erosão e, consequentemente, a deposição de metal tóxico nos rios.

Com pouco oxigênio e altas concentrações de matéria orgânica, o mercúrio particulado se transforma em metilmercúrio. É nesta forma que ele é capaz de se acumular na cadeia alimentar, especialmente em peixes “canibais”. Esses peixes são consumidos pelas populações locais, que podem adoecer.

Recomendações

A ideia do estudo é fornecer as bases científicas necessárias para planejar e implementar políticas públicas eficazes e adequadas às realidades locais das regiões afetadas pela contaminação do metal. Ele recomenda como necessária:

  • A implementação de um programa de monitoramento amplo, adaptado às condições das diferentes sub-regiões. O sistema deve priorizar áreas mais vulneráveis e buscar produzir informações que aprimorem o planejamento de maneira iterativa. A colaboração com comunidades e parceiros locais é chave para alcançar resultados contínuos e abrangentes;
  • O aprimoramento da legislação brasileira, substituindo os limites fixos atualmente estabelecidos por parâmetros baseados em análise de risco que considerem o alto consumo de peixe na região;
  • O estabelecimento de um conselho alimentar ativo e dinâmico, capaz de fornecer diretrizes claras para as populações locais acerca do consumo de peixe. As orientações devem considerar as diferentes espécies e sua frequência de ingestão, respeitando sempre as características socioeconômicas de cada comunidade;
  • A implementação de um sistema padronizado de informações e a complementação das bases de dados existentes, como o Observatório do Mercúrio, para apoiar o planejamento governamental e guiar a tomada de decisões.

Terra Yanomami

Com 9,6 milhões de hectares, a Terra Yanomami é considerada o maior território indígena do Brasil em extensão territorial e enfrenta uma crise sem precedentes, com casos graves de indígenas com malária e desnutrição severa.

O território é alvo do garimpo ilegal há décadas, mas a invasão se intensificou nos últimos anos. A atividade impacta diretamente o modo de vida dos povos originários, isto porque a invasão destrói o meio ambiente, causa violência, conflitos armados e poluição dos rios devido ao uso do mercúrio.

Em janeiro do ano passado, o governo federal começou a criar ações para enfrentar a crise, com o envio de profissionais de saúde, cestas básicas e materiais para auxiliar os Yanomami. Além disso, forças de segurança foram enviadas para a região para frear a atuação de garimpeiros no território.

Mesmo com o enfrentamento, um ano após o governo decretar emergência, o garimpo ilegal e a crise humanitária permanecem na região.

Em março, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) estimou que cerca de sete mil garimpeiros ilegais continuam em atividade no território. O número de invasores diminuiu 65% em um ano, se comparado ao início das operações do governo federal, quando havia 20 mil invasores no território.

*Por Yara Ramalho e Alessandro Leitão, da Rede Amazônica RR