Equipes atuam em operações próprias e em apoio à Sema, Ibama e outras instituições de proteção a fauna e a flora. Foto: Wellyngton Souza/PMMT
O Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA) aplicou R$ 176,4 milhões em multas e prendeu 92 pessoas em flagrante por crimes contra o meio ambiente, em Mato Grosso, em 2024. As equipes realizaram 104 operações de fiscalização próprias e de apoio às outras instituições, resgataram 1.022 animais, apreenderam 194 quilos de pescado irregular e retiraram 30 tratores de circulação.
No ano anterior, durante às ações de enfrentamento a crimes contra o meio ambiente, foram registrados 288 autos de infração, 256 autos de inspeção, além da assinatura de 221 termos de embargo e interdição e 54 de destruição e inutilização de veículos.
Os policiais militares apreenderam 839 materiais de pesca irregular, entre espinhel, redes, tarrafas e outros apetrechos. Ao todo, 14 embarcações foram detidas e outras 310 vistoriadas.
As equipes apreenderam, no último ano, 3.660 m³ de madeira extraída irregularmente, 28 motosserras, 17 armas de fogo e 133 munições de calibres diversos.
O comandante do Batalhão Ambiental da PM, tenente coronel Fagner Augusto do Nascimento, apontou como produtivas as ações de enfrentamento, combate e preservação ambiental no Estado.
“Essas ações têm sido bastante exitosas graças a integração dos órgãos. Além disso, os importantes investimentos por parte do Governo do Estado, com armamentos, viaturas e recursos tecnológicos, contribuem para uma patrulhamento tático e ostensivo mais preciso, principalmente em áreas de difícil acesso. A Polícia Militar tem um papel importante. Além da capacidade técnica, temos o aparato de segurança necessário para garantir o cumprimento da lei na preservação do meio ambiente”, destacou.
As equipes atuam em operações próprias e em apoio à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outras instituições para proteger a fauna e a flora em Mato Grosso.
Uma área de aproximadamente dois hectares de terra, situada dentro da área da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, foi transformada em um laboratório para experimentos de alunos e professores dos cursos de medicina veterinária e engenharia agronômica. É em um galpão que funciona especificamente o programa de extensão denominado Ufac Leite.
Esse programa consiste em melhorar as técnicas de ordenha, de qualidade do produto e até possibilitar maiores cuidados com a saúde do animal. No local há sete vacas leiteiras e cinco bezerras. O leite é retirado e colocado em um recipiente para depois ser vendido para parceiros locais. Os recursos são investidos no próprio projeto, que tem apenas três anos.
A estrutura montada foi pensada em uma pequena propriedade, a fim de ajudar os pequenos produtores com custos que são mais acessíveis. Os cuidados ajudam a melhorar a produção e a dar menos trabalho, já que a ordenha aqui é mecanizada.
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC
Para que as vacas tenham qualidade no leite e produzam mais, é preciso uma suplementação alimentar diferenciada. A professora Bruna Rosa explica que o aporte nutricional correto ajuda na ordenha, já que o animal gasta muita energia nesse momento, como proteínas, minerais e vitaminas. Por isso, a ração ajuda nesse trabalho.
Com esse laboratório foi possível observar que as vacas respondem melhor com o estímulo por meio da ração preparada, aliada à pastagem.
“A suplementação com a ração, uma ração meio formulada, ela auxilia nessa energia mais rápida, porque eu estou dando alimentos que têm o teor de amido, que é a principal fonte energética dos alimentos aí para os animais. Então de uma forma mais rápida ela tem uma energia maior. Você direciona mais nutrientes para a produção de leite e consegue ter uma produção melhor,” explica Bruna.
Alunos desenvolvem irrigação
Feitos esses procedimentos, as vacas são levadas para os locais onde ficam a maior parte do dia, que são os piquetes, como são chamadas pequenas áreas de pasto. Nesse espaço, outro experimento foi colocado em prática, a fim de ajudar todo esse processo.
Os alunos, em parceria com os professores, desenvolveram uma irrigação para garantir a permanência do capim em períodos secos e assim ajudar os produtores com mais uma alternativa para que tenham pasto o ano inteiro.
Para que o projeto funcione é preciso que o produtor tenha em sua terra água disponível e energia.
“Para a gente montar uma irrigação tem que ter em mente as características do solo, porque você tem que pensar nele como se fosse uma grande caixa d’água de armazenamento. Solos mais arenosos não conseguem acumular muita água, solos mais argilosos já têm essa capacidade maior, então isso também vai influenciar no projeto o relevo da área. Também é importante considerar as condições climáticas aqui no Acre elas são propícias porque diferente de outras regiões em que na época seca também ocorre a geadas aqui no Acre a gente não sofre com temperaturas abaixo de 15 graus,” esclarece Kelysomar Santos, acadêmico de engenharia agronômica.
Para os alunos, essas são experiências que ajudam os produtores a encontrarem melhores maneiras de trabalho, além de fortalecer o conhecimento desses novos profissionais no futuro.
“Falando como aluno, é a questão da experiência, né? Aqui nós temos muitos casos que a gente já trabalha com várias áreas, então a gente trabalha com a parte nutricional, com a parte clínica, a gente trabalha com a parte de manejo, de boas práticas de ordenha, né? São inúmeras práticas ali na questão do dia a dia. De como a gente vai ajudar o produtor, que essa é uma importância para nós aqui como alunos futuros, profissionais, agrônomos, veterinários, que é de levar esse nosso conhecimento técnico”, avalia o estudante Gustavo Henrique Abecassis.
O Governo do Amapá alerta para a proibição da pesca do caranguejo-uçá, que entra no defeso de 13 a 18 de janeiro de 2025. Neste período, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) reforça as fiscalizações que resguardam a reprodução do crustáceo.
No Amapá, fica proibida a captura, manutenção em cativeiro, transporte, beneficiamento, industrialização, armazenamento e a comercialização da espécie, bem como as partes isoladas (quelas, pinças e garras) durante o período reprodutivo, conhecido como “suatá”, época em que eles saem das tocas para acasalar e liberar os ovos.
Além de ser uma medida fundamental para a preservação da espécie, o defeso contribui para a manutenção da biodiversidade, para o equilíbrio dos ecossistemas de manguezais e para a sustentabilidade econômica das comunidades costeiras, pois o caranguejo-uçá é uma importante fonte de renda e alimento para os ribeirinhos.
“A Sema reforça as ações de proteção da espécie com fiscalização de nossas equipes que atuam diretamente nas feiras e portos de desembarques. A medida é uma das iniciativas que visam proteger o ciclo reprodutivo do crustáceo e a reposição da espécie à natureza”, enfatizou a secretária de Estado do Meio Ambiente, Taísa Mendonça.
Foto: Reprodução/Ascom IMA
A esfera estadual, o defeso do caranguejo-uçá e a regulamentação do tamanho de sua captura nos demais períodos do ano é definido pela portaria nº 118/2013 – Sema-AP. No âmbito federal, o defeso é regulamentado pela portaria interministerial MPA/MMA nº 22, de 30 de dezembro de 2024.
As pessoas físicas ou jurídicas que atuam na manutenção em cativeiro, conservação, beneficiamento, industrialização ou comercialização do caranguejo-uçá no Amapá, deverão fornecer ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a declaração de estoque com relação detalhada dos animais vivos, congelados, pré-cozidos, cozidos, inteiros ou em partes, permitindo, desta forma, a comercialização da espécie durante o período de defeso correspondente.
“É importante destacar que o desrespeito ao defeso é uma infração ambiental passível de multas e outras sanções. Assim, respeitá-lo também significa cumprir as legislações ambientais, contribuindo para a gestão responsável dos recursos naturais”, ressaltou o coordenador de Monitoramento e Fiscalização Ambiental da Sema, Bruno Esdras.
Confira os próximos períodos de andada do caranguejo-uçá:
13 a 18 de janeiro de 2025;
29 de janeiro a 3 de fevereiro de 2025;
27 de fevereiro a 4 de março de 2025;
29 de março a 3 de abril de 2025.
Para impedir a sobrepesca e garantir a reposição dos estoques naturais, a portaria que regulamenta o defeso estabelece restrições em cinco períodos ao longo do ano, sempre alinhados às fases de lua nova.
Foto: Reprodução/Ascom IMA
A iniciativa reforça o compromisso do Plano de Governo da Gestão que prioriza o desenvolvimento sustentável, assegurando a proteção dos ecossistemas e o equilíbrio entre as necessidades ambientais e econômicas da população.
Ao longo do mês de dezembro aconteceu um dos mais belos eventos do rio Guaporé, em Costa Marques (RO): a soltura dos filhotes de tartarugas. No entanto, a mortalidade superior a 60% dos filhotes, foi causada pelo atraso na desova, segundo especialistas.
“Nunca, nunca ocorreu uma situação dessa. Primeira vez, 25 anos nunca aconteceu isso”, relatou o ambientalista José Soares Neto, fundador da Ecovale, a Organização Não Governamental que monitora os quelônios do rio Guaporé.
Normalmente a desova das tartarugas-da-amazônia ocorre entre agosto e setembro. Neste ano, elas encontraram o cenário ideal apenas em meados de outubro: um atraso de 53 dias. O motivo foi a densa camada de fumaça causada pelas queimadas florestais.
No final da desova, cerca de 700 mil filhotes chegaram até o rio. Em comparação com os outros anos, essa é uma quantidade muito inferior, assim como aponta José Soares Neto, mais conhecido como “Zeca Lula”, fundador da Ecovale. Em 2024, 1,4 milhão de filhotes sobreviveram.
Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o tabuleiro de desova do rio Guaporé é o maior do país. As tartarugas se espalham por quatro praias: Ilha, Alta, Suja e Tartaruguinha.
As queimadas em Rondônia causaram o atraso na formação dos ninhos de tartarugas, que tiveram pouco tempo para reproduzir. Com a chegada das chuvas, o rio subiu rapidamente e alguns animais não resistiram aos efeitos climáticos.
O cenário de aumento na mortalidade já era temido pelos especialistas do projeto, assim como explica o biólogo Deyvid Muller:
primeiro as tartarugas cavam buracos na areia da praia e colocam os ovos;
depois disso os ovos são enterrados e chocados;
meses depois, os filhotes eclodem, saem dos ninhos e são “resgatados” pelos voluntários.
No entanto, neste ano, a desova atrasou quase dois meses e o rio subiu muito rápido para “buscar” os filhotes, quando grande parte deles ainda não estavam prontos.
Segundo o Ibama, a mortalidade está atrelada à mudanças climáticas, como o atraso no início do período de desova e um fenômeno conhecido como repiquete: variações bruscas no nível dos rios.
“No caso do Guaporé, praias que tradicionalmente permaneciam secas durante o período de desova foram inundadas, resultando em um aumento expressivo na mortalidade dos filhotes”, diz trecho de nota do Ibama enviada ao Grupo Rede Amazônica.
Deyvid explica que a fumaça alterou a temperatura e a luminosidade do ambiente, impossibilitando a criação do “cenário ideal” para a desova das tartarugas no período regular.
“Nós acreditamos que o principal motivo foram as queimadas e a grande quantidade de fumaça, que afetaram a temperatura, e a falta do sol pela necessidade da temperatura da areia para que chocassem seus ovos”, explica.
Foto: Divulgação/Ecovale
As tartarugas monitoradas pelo projeto pertencem à espécie Podocnemis expansa, a maior de água doce da América do Sul, que pode atingir um metro de comprimento e pesar até 75 quilos.
Segundo a Ecovale, durante o período de monitoramento, os filhotes são mantidos em tanques por até 30 dias para perderem o odor que atrai predadores, aumentando suas chances de sobrevivência após a soltura.
Além dos voluntários dos projetos ambientais, a ação é feita em conjunto com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e o Programa Áreas Protegida da Amazônia (ARPA). A ação tem como objetivo garantir a sobrevivência das tartarugas, além de fortalecer a relação da população com o meio ambiente.
O veado-mateiro (Mazama americana). Foto: Whaldener Endo
Por Luciana Frazão
A Amazônia é terra de biodiversidade e cultura, onde natureza e crenças se entrelaçam. Aposto que você leitor com certeza já ouviu alguma lenda amazônica em que um animal é protagonista, certo? Entre as muitas riquezas da nossa floresta, destacam-se os animais que inspiraram histórias passadas de geração em geração pelos povos indígenas. Vamos conhecer cinco animais fascinantes que não são apenas parte da fauna, mas também personagens de lendas cheias de mistério e sabedoria ancestral.
Que tal se aprofundar um pouco mais em um mundo onde a floresta ganha voz e os animais revelam segredos que atravessam gerações?
Boto-cor-de-rosa: o encantador das águas
O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é um dos protagonistas mais famosos das lendas amazônicas. Conta-se que, nas noites de festa, ele se transforma em um belo jovem para encantar moças e levá-las para o fundo dos rios. O boto-cor-de-rosa é o maior dos botos podendo chegar até 2,55 metros de comprimento e pesar até 207 kg.
O boto-cor-de-rosa se mantém ativo tanto de dia como de noite e, durante o período de atividade, se alimenta basicamente de peixes. Esse golfinho de água doce, que vive nos rios da nossa região, é também conhecido por seu comportamento social e inteligência, reforçando seu papel quase mágico nas crenças populares.
O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis). Foto: Federico Mosquera / Fundação Omacha
Veado-mateiro: Anhangá, o espírito guardião do cervo
Nas narrativas indígenas, o Anhangá é um espírito protetor da floresta que muitas vezes assume a forma de um cervo de olhos flamejantes. Acredita-se que ele guia caçadores desavisados para longe de suas presas, protegendo a fauna. Alguns associam esse mito ao veado-mateiro (Mazama americana), uma espécie que habita as densas matas amazônicas e é conhecida por sua habilidade de se camuflar. São animais grandes, onde os adultos pesam em média 30 quilos, e apresentam entre 67 cm e 80 cm de altura (medida nas ancas). Os veados-mateiros são herbívoros e possuem um impacto considerável no ecossistema amazônico, sendo responsáveis por ajudar a dispersar sementes na floresta.
O veado-mateiro (Mazama americana). Foto: Whaldener Endo
Uirapuru: a melodia do amor
Pequeno e discreto, o uirapuru (Cyphorhinus arada) é celebrado como símbolo de sorte e amor. Diz a lenda que, ao ouvir seu canto, a floresta silencia para escutar. Este pássaro tímido, encontrado nas matas amazônicas, tem um dos cantos mais complexos e belos do mundo, o que reforça seu status quase mítico. O uirapuru tem o tamanho médio de 12,5 cm e se move no solo ou no meio das folhagens e se alimenta principalmente, insetos, mas também se alimenta de frutas. Há uma lenda que diz que com o seu canto ele atrai bandos de aves, mas esse comportamento é uma estratégia para otimizar a busca por alimento.
O uirapuru (Cyphorhinus arada). Foto: Hector Bottai
Cobra-grande: a guardiã dos rios
A cobra-grande, ou sucuri (Eunectes murinus), é um dos animais mais temidos e reverenciados na Amazônia. Segundo a lenda, ela habita as profundezas dos rios, protegendo seus segredos e punindo os invasores. Essa serpente, de fato, é uma das maiores do mundo, podendo chegar a mais de 5 metros de comprimento e pesar mais de 90kg. Apesar do tamanho que impõe respeito, esses animais não são peçonhentos e não costumam apresentar perigo aos seres humanos, e desempenham um papel essencial no equilíbrio ecológico dos rios amazônicos.
A sucuri (Eunectes murinus). Foto: Alexandre Almeida
Gavião-real: a ave celestial
O gavião-real (Harpia harpyja) é visto por muitos povos indígenas como um mensageiro dos deuses. Com suas poderosas garras e voo majestoso, ela simboliza força e proteção. Devido ao grande porte, é conhecido pelos indígenas como Uiraçu, um termo tupi que significa “ave grande”. Para muitas tribos indígenas brasileiras, o gavião-real é a personificação dos caciques, símbolo de altivez e força, sendo representado em diferentes manifestos culturais populares.
Essa ave, uma das maiores aves de rapina do mundo, podendo alcançar um pouco mais de 2 metros de envergadura de asa (o tamanho de uma ponta a outra da asa) e pesar até 9 quilos, no caso das fêmeas e 5 quilos os machos. O gavião-real habita as florestas densas e é um ícone tanto da biodiversidade quanto da espiritualidade da região.
O gavião-real (Harpia harpyja). Foto: Guilherme Jofili
Esses animais, além de desempenharem papéis importantes nos ecossistemas que habitam, são a conexão viva entre natureza e cultura. Eles nos lembram que a Amazônia não é apenas um lugar de beleza natural, mas também de histórias que enriquecem nossa identidade, herança e legado. Espero que tenham gostado dessa viagem pelas lendas e mistérios da nossa floresta. Abraços de sucuri pra vocês e até o próximo encontro com os animais incríveis da Amazônia!
Sobre a autora
Luciana Frazão é pesquisadora na Universidade de Coimbra (Portugal), onde atua em estudos relacionados as Reservas da Biosfera da UNESCO, doutora em Biodiversidade e Conservação (Universidade Federal do Amazonas) e mestre em zoologia (Universidade Federal do Pará).
Com a chegada de 2025, o Brasil e o mundo estão cada vez mais próximos da realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, que pela primeira vez será realizada em imersão na maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica. A capital do estado do Pará, Belém, sede do evento, se prepara para receber um público superior a 40 mil pessoas entre os dias 10 e 21 de novembro deste ano, de acordo com estimativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) já dão conta da escalada da procura de Belém como destino internacional. Uma comparação entre janeiro a novembro de 2023 (antes do anúncio da cidade como sede da COP) e janeiro a novembro de 2024 indica um crescimento superior a 59% nas chegadas por via aérea na capital paraense.
Enquanto, no período destes 11 meses, em 2023 foram 18.655 chegadas, em 2024 o número foi de 29.685, ano de movimentação recorde no Aeroporto Internacional Júlio Cezar Ribeiro. Nacionais do Suriname, França, Estados Unidos, Portugal e Holanda formam os principais grupos a terem desembarcado em Belém no último ano.
Capacitação aos profissionais do ramo, que se dedicarão a um público com características definidas, voltadas à sustentabilidade; atenção à rede hoteleira, com a construção de novos hotéis e restauração e modernização das instalações já existentes; e reforma de lugares centrais, como o Complexo Ver-o-Peso, maior feira livre da América Latina, e o Mercado de São Brás, que em dezembro de 2024 já foi reinaugurado, estão entre as ações na área turística. O Mercado foi a primeira obra entregue pelo governo federal e pela prefeitura de Belém no escopo de revitalizações com vistas à COP30.
“Estamos trabalhando para que o turista que vier a Belém possa conhecer nossa Floresta Amazônica e fique mais dias, tenha uma experiência que seja memorável e sustentável. O que está em disputa na COP30 é um novo modelo de desenvolvimento para a humanidade. Vamos mostrar, na prática, como o turismo é uma atividade que está conectada com os desafios postos, e pode promover sustentabilidade, gerando emprego e renda com impactos positivos para o meio ambiente e para as comunidades que recebem visitantes”, coloca Marcelo Freixo, presidente da Embratur.
Qualificação para o turismo
Além da execução de obras, outros movimentos via governo federal já estão encaminhados em perspectiva da Conferência. Em junho do ano passado, o Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur e a Caixa Econômica Federal, assinou um acordo de cooperação com previsão de R$ 6 milhões em investimentos para desenvolver o turismo de base comunitária em Belém e nas ilhas metropolitanas dos arredores da cidade.
O foco é na elaboração de projetos de experiência autêntica com participação ativa dos ribeirinhos, potencializando o que há de significativo na região. “Pela primeira vez na história nós vamos investir um valor tão significativo para desenvolver uma modelagem de turismo que aproxime as pessoas que mais precisam, de uma fonte de renda sustentável, e ainda proporcionar experiências turísticas memoráveis”, declarou o ministro do Turismo, Celso Sabino, na ocasião.
Em novembro, também em Belém, foi inaugurada a primeira Escola de Turismo do Brasil. A escolha da cidade para o projeto pioneiro do Ministério do Turismo foi motivada exatamente pela proximidade da COP em terras paraenses. Com aulas presenciais em Belém, Santarém, Vigia e Bragança e também com aulas na modalidade online, são 4,7 mil vagas nos cursos como os de “Gestão de Negócios para o Turismo”, “Educação Ambiental e Sustentabilidade”, “Governança para a Hospedagem Familiar” e “Condutor de Atrativos Turísticos”, além de idiomas como inglês e espanhol.
Investimentos federais
Os investimentos do governo federal estão na ordem de R$ 4,7 bilhões, entre recursos do Orçamento Geral da União, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Itaipu Binacional. Um valor que se traduz em uma série de obras e atividades que visam atender a demandas diversas para um evento que estará sob os olhares mundiais, ao receber chefes de Estado, diplomatas, investidores, ativistas e delegações dos 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) que têm como missão consolidar novas ações à urgência do chamado contra a mudança do clima.
A Prefeitura de Cuiabá realizou o lançamento do projeto Abrigo Amigo, em dezembro de 2024, uma iniciativa inovadora que busca fortalecer a rede de proteção às mulheres. Executado em parceria entre a Secretaria Municipal da Mulher, a Secretaria de Mobilidade Urbana e o Consórcio CS Mobi, o projeto combate a misoginia e fomenta o empreendedorismo feminino. O lançamento da iniciativa foi conduzido pela primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro.
O Abrigo Amigo, projetado pela empresa Eletromídia, gera segurança e conforto aos pontos de ônibus da capital mato-grossense. O primeiro abrigo, instalado na Avenida Getúlio Vargas, próximo à Praça Santos Dumont, conta com totens de atendimento remoto que funcionam das 19h às 4h.
O dispositivo permite que mulheres em situação de vulnerabilidade acionem apoio imediato, com conexão a uma central operada por profissionais especializados em São Paulo.
“O Abrigo Amigo é mais uma demonstração de que Cuiabá avança para ser uma cidade mais segura e acolhedora para as mulheres. Cada ação realizada pela gestão Emanuel Pinheiro reforça nosso compromisso com a desconstrução da misoginia e o fortalecimento do empreendedorismo feminino. Este legado será lembrado como um marco na defesa de direitos e na construção de uma sociedade mais igualitária”, afirmou a primeira-dama Márcia Pinheiro, grande articuladora da iniciativa.
A inovação, que inclui a exibição de campanhas educativas criadas pela Secretaria da Mulher, integra o programa de Parceria Público-Privada (PPP) com o Consórcio CS Mobi, responsável pela modernização do mobiliário urbano de Cuiabá. Ao todo, estão previstos 20 abrigos deste modelo em pontos estratégicos da cidade, ampliando o alcance da rede de proteção às mulheres e contribuindo para a redução de casos de importunação sexual no transporte público.
O prefeito Emanuel Pinheiro destacou o impacto do projeto no fortalecimento da cidadania: “O Abrigo Amigo é um exemplo do que buscamos com nossa gestão: criar ferramentas que protejam e empoderem a população, especialmente as mulheres, e deixem um legado de transformação. Cuiabá está avançando com respeito, inovação e inclusão”.
A iniciativa, que também conta com o suporte do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) por meio de câmeras de videomonitoramento, inclui reconhecimento facial e compartilhamento de imagens em tempo real.
O reconhecimento facial é uma tecnologia que identifica rostos humanos em imagens ou vídeos. A polícia utiliza esse recurso para comparar fotos de pessoas com mandados em aberto com imagens de bancos de dados.
“Com o pioneirismo do projeto Abrigo Amigo, Cuiabá reafirma seu compromisso com a segurança e o acolhimento das mulheres que dependem do transporte público diariamente”, declarou Luciana Zamproni.
Selo dos Correios, 1992: homenagem a Taunay. Foto: Reprodução
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Este 5 de janeiro de 2025, marca exatamente 197 anos desde a morte de Aimé-Adrien Taunay. Ele morreu enquanto atravessava a nado o Rio Guaporé, em Vila Bela da Santíssima Trindade, na época capital da província do Mato Grosso, que abrangia os atuais estados de Rondônia e Mato Grosso do Sul.
Ele foi um genial artista francês, nascido em 1803, em Paris. Aimé-Adrien se destacou como ilustrador científico e participou de importantes expedições exploratórias no século XIX no Brasil. Há importantes pinturas produzidas por ele sobre hábitos e costumes, incluindo os dos indígenas da Amazônia Legal.
‘RELATO DE VIAGEM’ (RÉCIT DE VOYAGE). Na página inicial, alguém anotou: “Caderno de notas de Amado Adriano Taunay [grafia em português]. Afogado nas águas do Guaporé a 5/1/1828”. O bloco, agora pertencente ao acervo do Museu Paulista da USP. Foto: Reprodução
O jovem francês fez parte de uma das mais importantes viagens ao Brasil Profundo no século XIX: a Expedição Langsdorff, que ocorreu entre 1824 e 1829. Com 39 homens a princípio, cruzaram o equivalente a nove estados brasileiros. Ao chegar ao Mato Grosso em 1827, a expedição era liderada pelo etnógrafo, médico e barão alemão (naturalizado russo) Georg Heinrich von Langsdorff (1774-1852).
Em Cuiabá (MT), a expedição se dividiu. Langsdorff seguiu pelo Rio Arinos, enquanto o grupo liderado por Aimé-Adrien Taunay partiu em 28 de novembro de 1827 para Vila Bela, e dali desceria pelo Mamoré e Madeira ao Rio Amazonas e Rio Negro. Foi durante essa viagem que Aimé-Adrien morreu afogado no Rio Guaporé, aos 25 anos de idade, enquanto tentava atravessá-lo a nado na fronteira entre o Brasil e a Bolívia.
Ruínas da antiga igreja onde Aimé foi sepultado. Foto: Júlio Olivar
Mesmo no dia de sua morte, o artista continuava desenhando. Seu corpo foi sepultado na Igreja de Santo Antônio dos Militares, ao lado do jazigo do grande geógrafo, engenheiro e explorador português Ricardo Franco de Almeida Serra (1748-1809), que esteve entre os construtores do Real Forte Príncipe da Beira, localizado agora em Rondônia.
Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
Esplanada dos Ministérios. Foto: Reprodução/Arquivo Agência Brasília
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Analistas internacionais batem o martelo. O ano que acabou foi praticamente perdido para o Brasil e 2025 pode repetir os retrocessos de 2024. De acordo com abordagem do DW Brasil (emissora internacional de notícias da Alemanha), “sem visão de para onde quer ir, o país anda em círculos com sinais contraditórios na economia e bloqueio mútuo do sistema político”. Talvez pior ainda: o recrudescimento do ódio entre brasileiros. A sociedade se vê mais dividida do que nunca, a imagem internacional do país em ruínas e o ambiente político em ebulição tais as intervenções descabidas do presidente Lula da Silva em questões que, prioritária e estrategicamente não dizem respeito aos interesses nacionais.
Desacertos que se agravam quando o país ainda chora numerosas famílias, amigos e circunstantes perdidos para o coronavírus. Tanto como no passado, por outro lado, forçoso reconhecer que minorias como indígenas, não obstante promessas fantasiosas, ainda se encontram ao abandono, e a política ambientalista submetida a interesses internacionais inconfessáveis. Mas, em vez de um novo alvorecer, um novo começo, observa o DW Brasil, “o país está há dois anos sem rumo, preso na letargia. Uma razão para isso é que Lula foi eleito principalmente por não ser Bolsonaro. Mas seu programa não tinha nada a oferecer que os brasileiros já não tivessem ouvido antes: picanha e cerveja barata para todos e um país que deveria ser “feliz” novamente. Isso era muito pouco, mas foi o suficiente para vencer a eleição”.
No plano internacional, o governo Lula, para a agência de notícias alemã, “enfraqueceu muito a reputação do Brasil na Europa ao se aproximar mais do Brics, hoje dominado por autocratas e ditadores”, que muito pouco têm a oferecer ao Brasil. Mesmo que o grupo esteja sob o comando de Dilma Rousseff, ex-presidente que, após processo de impeachment que se arrastou por 273 dias (de 2 de dezembro de 2015 a 31 de agosto de 2016), teve como resultado a cassação de seu mandato). Todavia, graças a manobras ardilosas do ministro presidente do STF, Ricardo Lewandowski, do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, condenado pela Justiça por corrupção, e de Renan Calheiros, presidente do Senado, ao tripudiar sobre a nação, fatiaram o processo em benefício da conservação de seus direitos políticos. De onde já se conclui que o BRICS não é lá tão digno da confiança mundial, muito menos para o Brasil real.
Em setores decisivos tudo indica que Lula da Silva foi abandonado pela sorte e pela habilidade política em 2024. Entregue a políticas populistas caracterizadas pela proliferação de ”bolsas, pés-de-meia e auxílios financeiros” a área econômica vem sofrendo desgastes muito perigosos. Ninguém aposta que o ministro Haddad tenha forças para superar o populismo demagógico e adotar medidas para desindexar os gastos do Orçamento federal. Particularmente no que tange à ideia do presidente de estabelecer teto de 2,5% acima da inflação para as despesas hoje vinculadas ao salário mínimo, como os benefícios previdenciários, e também para os pisos da saúde e educação, hoje atrelados à arrecadação do governo.
A despeito do crescimento do PIB e queda no índice de desemprego, processos, na verdade, iniciados no pós pandemia do Covid19, tais números não têm sido suficientes para atrair a confiança do povo e do empresariado brasileiros, que vêm pagando contas altíssimas pelo populismo ilimitado instalado. Tanto é verdade que, segundo pesquisa da Genial/Quaest, 61% dos brasileiros acreditam que a economia se deteriorou nos últimos 12 meses. Igualmente ruim para o Brasil, segundo o Estadão, há dois anos Lula da Silva vem pressionando em vão o Banco Central por uma redução da taxa de juros Selic, como se política econômica e fiscal se resolvessem em discussões de botequim. Enquanto isso, a desigualdade e o ódio entre brasileiros estão cada vez mais acirrados. Tomara que não irreversivelmente.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
A Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) da Unicamp divulgou os locais de prova do Vestibular Indígena, realizado de forma conjunta pela Universidade e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O exame acontecerá no dia 12 de janeiro de 2025, em cinco cidades do país: Santarém (PA), São Gabriel da Cachoeira (AM), Tabatinga (AM) e ainda Campinas (SP) e Recife (PE).Os locais de prova estão disponíveis para consulta na página da Comvest. No total, inscreveram-se 2.819 candidatos, de diferentes etnias e regiões do Brasil.
A cidade de Campo Grande (MS) não atingiu o número mínimo de 60 inscritos e, conforme o edital da prova, não realizará o exame.Os candidatos que haviam optado por fazer a prova nessa localidade devem dirigir-se a Campinas, como opção para participar do Vestibular.
Na UFSCar, essa é a 18ª edição da modalidade de ingresso para estudantes indígenas e na Unicamp, a sétima. A Universidade oferece 130 vagas, distribuídas por todos os seus cursos, e a UFSCar, 65.
Orientações
A prova, a ocorrer no dia 12 de janeiro, começará às 13 horas, segundo o fuso horário de cada local de realização do exame. A prova, em língua portuguesa, compõe-se de uma redação e de 50 questões de múltipla escolha, divididas da seguinte maneira:linguagens e códigos (14 questões); ciências da natureza (12 questões); matemática (12 questões); ciências humanas (12 questões).
A Comvest orienta os candidatos a chegarem com antecedência, pois o acesso aos locais de prova será permitido somente até as 13h, impreterivelmente. A prova durará no máximo quatro horas.
Os candidatos devem levar o original do documento de identidade indicado na inscrição, caneta de cor preta em material transparente, lápis preto e borracha. Os vestibulandos poderão usar um relógio analógico para controlar o tempo. É vedada a utilização de aparelhos celulares ou de quaisquer outros equipamentos eletrônicos, relógios digitais, corretivos de qualquer tipo, lapiseira, caneta marca-texto, bandana/lenço, boné, chapéu ou outros materiais estranhos à prova. Nas salas do exame, os candidatos poderão tomar água e suco e consumir alimentos leves.
Os vestibulandos deverão ainda comprovar que pertencem a uma das etnias indígenas do território brasileiro, por meio da documentação especificada no edital da prova, documentação essa a ser entregue no dia do exame. Estudantes ingressantes pelo Vestibular Indígena Unicamp 2019, 2020, 2021, 2022, 2023 ou 2024 devidamente matriculados(as) estão dispensados(as) da apresentação dessa documentação.
Divulgação do nome dos aprovados
A Comvest divulgará a primeira chamada de convocados para matrícula no dia 3 defevereiro de 2025, em sua página eletrônica. A matrícula dos candidatos aprovados nessa chamada deverá ser realizada de maneira online, no dia 4 de fevereiro (até as 17h), na página da comissão. A segunda chamada será divulgada no dia 10 de fevereiro, para matrícula no dia 11 de fevereiro. Estão previstas até cinco chamadas, conforme o calendário a seguir.
Cidades e locais de prova – Vestibular Indígena 2025