A exposição “Povo Cabano: Registros Documentais do Arquivo Público”, aberta ao público na última segunda-feira (6), em Belém (PA), retrata a vivência dos personagens que participaram da Cabanagem, revolta popular que completa 190 anos em 2025. O acervo conta com cartas escritas por mulheres, indígenas e negros. Mais de 50 pessoas já visitaram a exposição nesta primeira semana.
“Nesse acervo podemos observar que cada um desses personagens tem o seu próprio interesse, e isso enfraquece a revolta, pois a partir do momento que os revoltosos chegam ao poder começam a brigar entre si”, explicou Leonardo Torii, diretor do Arquivo Público do Pará.
Segundo ele, a cada edição do Preamar Cabano, programação cultural do governo do Estado, é exposto algo novo sobre esse período. Desta vez, a escolha pelas cartas dos participantes surgiu com a ideia de trazer o registro daqueles que não recebem tanto reconhecimento na história da Cabanagem.
“As pessoas costumam lembrar dos presidentes cabanos, que também foram figuras emblemáticas, ao seu modo, para a história, e esquecem desses que, de fato, foram os rostos da revolta. Se não fosse essa multidão de pessoas participando, o movimento não iria ganhar a amplitude que conquistou”, ressaltou Leonardo Torii.
Durante o período regencial, entre 1835 e 1840, na Província do Grão-Pará, região que atualmente abrange os estados do Pará, Amapá, Amazonas, Rondônia e Roraima, os rebeldes lutaram por melhores condições sociais e econômicas.
Foto: Reprodução/Agência Pará
História
Ivan Santa Rosa dos Santos, 73 anos, estudante de Licenciatura em História, está em Belém passando férias e soube da programação do Preamar Cabano. De acordo com ele, que deseja retornar a Belém, onde nasceu, para lecionar após a formatura, saber mais da história da revolta o ajuda a entender o passado da região.
“Acho imprescindível, para mim, que desejo dar aulas depois que me formar, saber mais da história do meu Estado. Mesmo morando há anos no Mato Grosso, a memória do Pará ainda é muito presente na minha vida, e desejo, cada vez mais, me aprofundar e entender. Achei muito interessante saber mais essa versão da história, contada pelos revoltosos. Sem dúvida, foi uma experiência única”, disse Ivan.
Junto com um grupo de amigos, o estudante de Filosofia João Pedro Costa soube da programação por meio das redes sociais da Secult (Secretaria de Estado de Cultura), e foi visitar a exposição. “Eu costumo sempre entrar nas redes sociais da Secult atrás das programações, até que eu vi essa exposição aqui no Arquivo e decidi vir. Coincidiu justo na semana que eu estou estudando sobre Domingos Antônio Raiol (que escreveu a obra ‘Motins Políticos’, sobre a Cabanagem, e recebeu o título de Barão do Guajará). Ter acesso a esses documentos expostos aqui me deixou entusiasmado”, contou o estudante.
Anfíbios anuros são bastante sensíveis à perda de água. Foto: Rafael Bovo
Um time internacional de pesquisadores realizou o mais completo mapeamento dos efeitos previstos sobre os anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) da combinação entre mais secas e o aquecimento do planeta. O estudo foi publicado na revista Nature Climate Change.
“Amazônia e Mata Atlântica são as áreas que têm mais espécies e a maior probabilidade de os eventos de seca aumentarem, tanto na frequência quanto na intensidade ou duração. Isso deve prejudicar a fisiologia e o comportamento de inúmeras espécies. Esses biomas estão entre as regiões do planeta com maior diversidade de anfíbios do mundo, com muitas espécies que só ocorrem nessas localidades”, conta Rafael Bovo, pesquisador da Universidade da Califórnia, em Riverside, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo.
A maior parte dos dados, inéditos para a ciência até então, foi coletada por Bovo durante o doutorado no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro, e o pós-doutorado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), ambos com bolsa da FAPESP.
O trabalho integra ainda o projeto “Impactos das mudanças climáticas e ambientais sobre a fauna: uma abordagem integrativa” , apoiado pela FAPESP e coordenado por Carlos Navas, professor do IB-USP que também assina o estudo. As previsões indicam que entre 6,6% e 33,6% dos hábitats dos anuros se tornarão mais áridos entre 2080 e 2100, a depender das emissões de gases de efeito estufa até lá. Num cenário moderado de emissões, em que as temperaturas aumentariam em 2 ºC, 15,4% desses locais estariam expostos a mais secas.
Caso as emissões no fim do século cheguem a um nível alto, com aquecimento de até 4 ºC, mais de um terço (36%) desses hábitats serão submetidos a secas que podem ser devastadoras para os anfíbios anuros, grupo particularmente sensível à perda de água devido à pele fina e altamente permeável.
Na prática, num futuro 4 ºC mais quente, os anfíbios da Amazônia, América Central, Chile, norte dos Estados Unidos e Mediterrâneo europeu devem vivenciar um aumento de mais de quatro meses por ano na frequência de secas.
Mesmo um aquecimento de 2 ºC, porém, deve aumentar a duração das secas entre um e quatro meses consecutivos por ano na maior parte das Américas, Europa, sul e centro da África e sul da Austrália.
Foto: Rafael Bovo
Impacto na reprodução
Os pesquisadores constataram que algumas regiões áridas podem até dobrar as taxas de perda de água pelos sapos, rãs e pererecas. Assim como a combinação de seca e aquecimento pode dobrar também a redução do tempo de atividade desses animais, comparando com o que se espera apenas com o impacto do aquecimento sozinho.
“Num ambiente mais quente e seco do que aquele que evolutivamente se adaptaram para viver, os anfíbios devem reduzir seu tempo fora dos abrigos para evitar o calor e o aumento da aridez, ambos aceleradores da perda de água por evaporação. Com isso, diminuem também o tempo em que se alimentam e que procuram parceiros reprodutivos, o que afeta diretamente a viabilidade das populações”, acrescenta Bovo.
Simulações biofísicas realizadas pelos pesquisadores apontaram, por exemplo, que na parte tropical do planeta, que inclui Amazônia e parte da Mata Atlântica, o tempo de atividade se reduz em todos os cenários climáticos ao longo do ano. Enquanto apenas o aquecimento reduziria esse tempo em 3,4% e a seca sozinha em 21,7%, a combinação de ambos faria os animais passarem 26% menos tempo em atividade.
Além das informações coletadas em campo e laboratório por Bovo, outra parte dos dados foi reunida e padronizada a partir da literatura científica existente. O processo durou cerca de três anos.
O banco de dados resultante reúne tanto projeções climáticas previstas para o fim do século em todo o planeta quanto informações de história natural de um conjunto de espécies. Entre outras, distribuição geográfica, uso de micro-hábitats e presença de estratégias comportamentais e fisiológicas para evitar perda de água, como postura ou uso de abrigo para não expor parte do corpo ao ambiente ou secreção e espalhamento de fluidos na pele, diminuindo a evaporação.
Em um trabalho anterior, Bovo e colaboradores mostraram como a amplitude térmica dos anfíbios anuros pode variar até numa mesma espécie e como isso pode influenciar previsões de impactos de mudanças climáticas baseadas apenas em tolerância térmica.
Os pesquisadores agora trabalham para entender se algumas espécies têm plasticidade suficiente para se ajustar a ambientes mais áridos num curto prazo, ou mesmo se são capazes de se adaptar na escala evolutiva, ao longo de milhares de anos.
Com esses dados, será possível aperfeiçoar os modelos de previsão de extinções locais ou regionais de espécies, que poderão servir de referência para outros grupos sensíveis ao aumento da temperatura e à disponibilidade de água.
“Só existem três soluções possíveis para essas espécies: migrarem, se adaptarem ou serem extintas. Queremos entender melhor quais ainda teriam capacidade de ajustar a fisiologia e o comportamento em vida, ou ao longo das gerações, para sobreviver a essas mudanças tão profundas e prever o que ainda nos restará de biodiversidade para o fim do século”, conclui.
Um projeto de lei apresentado no Senado propõe a criação do Plano Rios Livres da Amazônia, para promover a navegabilidade e a preservação dos corpos de água na região, onde os rios têm papel essencial na mobilidade e na economia. De acordo com o autor da proposta (PL 4.199/2024), senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o objetivo é integrar ações voltadas à conservação dos rios e à promoção de um transporte hidroviário mais eficiente e sustentável.
De acordo com o projeto, o plano será implementado em cooperação com os estados da Amazônia Legal e terá como unidade de gestão as bacias hidrográficas da região, abrangendo os estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá, Mato Grosso e partes de Tocantins, Goiás e Maranhão.
O plano, segundo Petecão, baseia-se nos princípios de precaução, prevenção, poluidor-pagador (quem polui deve responder pelo prejuízo ao meio ambiente), desenvolvimento sustentável e participação social. O texto também prevê que o Rios Livres será executado por meio de programas de execução das bacias hidrográficas, com ações de monitoramento, dragagem, sinalização e manejo integrado das vias navegáveis.
“O ponto focal do projeto é a manutenção hidroviária da Amazônia Legal, integrada às políticas públicas vigentes, notadamente aquelas voltadas ao meio ambiente e ao transporte”, afirma Petecão.
O autor lista, entre os objetivos principais do plano, as seguintes diretrizes:
promover a cooperação entre estados para execução do plano;
compatibilizar desenvolvimento econômico com a preservação dos recursos hídricos;
incentivar a educação ambiental e a participação social;
reduzir a poluição e danos ambientais nos corpos de água;
apoiar o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para o transporte hidroviário;
preparar e prevenir comunidades contra eventos hidrológicos críticos.
Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
A governança do plano ficará a cargo de um comitê gestor, composto por representantes dos órgãos e entidades federais e estaduais responsáveis pelos recursos hídricos e transporte hidroviário. Cada bacia hidrográfica terá seu comitê, que será responsável por instituir e acompanhar o programa de execução do plano em sua área de atuação, além de coordenar a integração entre os entes federativos.
O senador destaca que a Região Norte possui grande potencial para a navegação fluvial, mas enfrenta desafios, como falta de infraestrutura adequada, sazonalidade das chuvas, interferência das mudanças climáticas, poluição e degradação das margens dos rios.
O senador cita dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), segundo os quais apenas 31% dos 63 mil quilômetros de rios com potencial navegável são explorados comercialmente no Brasil. Para Petecão, o Plano Rios Livres da Amazônia permitirá um melhor aproveitamento do sistema hidroviário da região, em um modelo que valoriza a sustentabilidade e a participação social.
O projeto está na Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR), onde aguarda recebimento de emendas.
Com o montante de 245.701 votos, 256 candidatos indígenas foram empossados no início de janeiro para assumir cargos de vereadores, vice-prefeitos e prefeitos para os mandatos de 2025 a 2028 no país. Ao todo, 2.479 candidatos se declararam indígena para concorrer ao pleito do ano passado, o que indica um acréscimo de 14,13% de candidatos quando comparado às eleições de 2020, quando 2.172 candidatos foram registrados.
Do total de indígenas eleitos em 2024, nove são prefeitos (oito homens e uma mulher), 13 são vice-prefeitos (sendo quatro mulheres) e 234 são vereadores (36 são mulheres). De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 170 etnias foram registradas nas candidaturas indígenas. Segundo o Levantamento da Campanha Indígena da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), feito com base em dados do TSE, 1.635.530 votos foram direcionados para candidaturas indígenas no ano passado.
Os únicos estados que não elegeram indígenas para câmaras municipais e prefeituras foram Rio de Janeiro, Sergipe e Piauí. Os estados que mais elegeram indígenas são o Amazonas, com 47 eleitos; Pernambuco, com 31; e Paraíba, com 23. Já os que menos elegeram indígenas são Rio Grande do Norte, Rondônia e Goiás, com um vereador cada.
No comparativo com as eleições municipais de 2020, o aumento de indígenas eleitos foi superior a 8%, uma vez que 237 candidatos indígenas foram eleitos à época. Em relação às eleições de 2016, o resultado de 2020 apresentou o aumento de 28%.
Conforme o consultor legislativo do Senado Amael Moreira, o crescimento das candidaturas indígenas vem sendo observado há algum tempo. “A gente tem observado, tanto nas eleições municipais quanto nas eleições federais, um crescimento gradual de candidaturas indígenas. E isso está atribuído a uma maior conscientização e mobilização desse movimento e também da atuação muito importante de atores institucionais na promoção dessas candidaturas”, avaliou o consultor.
Confira quantos indígenas foram eleitos nos estados que compõem a Amazônia Legal:
Acre – 5 vereadores e 2 vice-prefeitos
Amapá – 5 vereadores
Amazonas – 43 vereadores, 1 prefeito e 3 vice-prefeitos
Pará – 9 vereadores e 1 vice-prefeito
Rondônia – 1 vereador
Roraima – 9 vereadores, 2 prefeitos e 1 vice-prefeito
Maranhão – 6 vereadores
Mato Grosso – 11 vereadores
Tocantins – 7 vereadores
*Com informações da Agência Senado e Ministério dos Povos Indígenas
Encontro do Rio Pacaaás Novos e Mamoré, em Guajará Mirim (RO). Foto: Gildo Júnior/Setur RO
No mês de dezembro de 2024, os secretários e dirigentes de turismo da Região Norte elegeram a nova coordenação das Rotas Amazônicas Integradas (RAI), que reúnem representantes dos sete Estados da Amazônia: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Tocantins, Pará e Rondônia.
A reunião correu de forma online com a presença de todos os Estados-membros, que discutiram os avanços da RAI nos anos de 2023/2024 com a liderança da AmazonasTur, destacando o acordo de cooperação técnica firmado com a Embratur para promoção da Região Norte em eventos internacionais e a estruturação de produtos e serviços locais e a participação da RAI no salão Nacional de Turismo em 2023 e 2024.
Para a condução das atividades da RAI no biênio 2025/2026, foi eleito por unanimidade o superintendente de turismo de Rondônia, Gilvan Pereira Junior, para coordenar as ações do grupo regional.
O superintendente atua na RAI desde a sua criação em 2021, quando a instância foi criada durante o Roraima Fishing Roraima, com a assinatura da Carta do Turismo da Amazônia.
A nova coordenação já apresentou as diretrizes para a atuação no seu mandato, tendo como foco principal a promoção do turismo da região no mercado internacional, tanto na América Latina em países como a Colômbia, Argentina, Peru e Chile, quanto em Portugal, aproveitando as conexões com a Europa via Belém e Manaus.
Segundo o coordenador local, Bruno Muniz de Brito, diretor do Departamento de Turismo de Roraima, será criado um vídeo promocional da RAI com a temática do turismo sustentável que será o foco da ação em 2025.
“É muito salutar a condução da RAI de forma partilhada com os Estados do Norte, de acordo com a vocação de cada um, e a renovação da coordenação permite novas perspectivas na condução das ações previstas”, salientou o diretor.
Turismo sustentável
Em 2024, uma estratégia que visa não apenas atrair turistas nacionais e internacionais, mas também preservar a rica biodiversidade e as culturas locais. Em vista da crescente demanda por viagens que respeitem o meio ambiente, a RAI pretende posicionar a Amazônia como um destino atrativo e responsável.
Dentre as ações previstas, destacam-se campanhas de divulgação que evidenciam as belezas naturais da região, como as florestas, rios e fauna, além da rica diversidade cultural dos povos amazônicos.
A RAI planeja ainda parcerias com agências de turismo e plataformas digitais para ampliar a visibilidade das Rotas Amazônicas, criando pacotes turísticos que incentivem a experiência autêntica e a imersão na cultura local. Pretende promover eventos e feiras de turismo, que servirão como vitrine para os atrativos da Amazônia.
Enquanto o mundo assiste a eventos climáticos cada vez mais extremos como as secas históricas que assolaram a Amazônia em 2023 e 2024, e o sul do país com chuvas torrenciais que inundaram várias cidades no Rio Grande do Sul em maio passado, uma pergunta ecoa: como enfrentaremos a crise climática global? No coração dessa resposta estão os indígenas.
Em 2025, os povos originários terão muito a ensinar sobre como enfrentar um fenômeno que já afeta milhares de vidas no planeta.
Na bacia do Rio Negro, localizada no extremo noroeste do estado do Amazonas, onde vivem 23 povos indígenas, comunidades que habitam a região há milhares de anos enfrentam tanto as cheias recordes quanto secas prolongadas que desafiam sua sobrevivência. Foi que aconteceu em 2023, quando a navegabilidade dos rios foi afetada pela seca histórica, dificuldade o acesso à roça, de onde tiram o seu principal alimento, a mandioca.
Essas populações dependem da floresta e dos rios para viver. Mudanças no ciclo das chuvas afetam a dinâmica e comportamento dos peixes, das minhocas e até a fertilidade do solo. Esses impactos não são meramente “dados” para os povos indígenas: são vivências que alteram profundamente suas práticas de subsistência, rituais e a sua relação com a natureza.
Nessa região, desde 2005, quem tem feito esses registros são os Agentes Indígenas de Manejo Ambiental, uma iniciativa da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA). Os resultados dessas pesquisas são publicados em uma revista chamada Aru, que está em sua quarta edição, disponível na internet e também circulando no formato impresso na região.
Mesmo diante dos desafios apresentados pelas mudanças climáticas, os modos de vida tradicionais dos povos indígenas oferecem um farol em meio à crise. Com práticas sustentáveis, como o manejo agroflorestal e o uso de técnicas de pesca e roçado que respeitam os ciclos naturais, essas comunidades demonstram que é possível viver em harmonia com a natureza eles preferem afirmar que são partes da própria natureza e da terra mãe, por isso, há tanto cuidado e respeito com ela.
As técnicas parecem simples, mas carregam uma sofisticação baseada em milhares anos de observação e interação direta com a natureza um conhecimento que os cientistas recém começam a reconhecer como essencial no enfrentamento das mudanças climáticas. Isso é comprovado por vários estudos, que deixam claro que os territórios indígenas são os mais preservados no Brasil.
Porém, os povos indígenas, guardiões das florestas, sofrem ataques aos seus direitos e garantias constitucionais todos os dias, seja no Executivo, no Legislativo e Judiciário. Por isso a necessidade de uma mobilização permanente e de luta por essas conquistas.
Foto: Ana Tui/ISA
Em um cenário de mobilização e de luta, a comunicação tem um papel crucial. É aqui que entra a Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro, a Rede Wayuri. Criada em 2017 para fortalecer as narrativas dos povos indígenas, a rede utiliza podcasts, redes sociais e materiais educativos para divulgar informações que combinam saberes tradicionais e práticas contemporâneas. Além de alertar sobre os impactos das mudanças climáticas, a Wayuri valoriza e compartilha estratégias indígenas de adaptação, aproximando os povos da região e levando suas vozes ao mundo.
A Rede Wayuri também age como um radar, registrando os efeitos das mudanças climáticas em territórios indígenas e mobilizando comunidades para agir. Um exemplo é o trabalho realizado para documentar cheias e secas extremas, que não apenas informam os próprios indígenas, mas também ajudam a alertar a sociedade sobre a gravidade da crise. É a prova viva de que os povos indígenas não são apenas vítimas das mudanças climáticas, mas protagonistas na luta por soluções.
Enquanto o planeta busca saídas para a crise em reuniões e eventos como as COPs, os saberes indígenas e a comunicação comunitária se mostram ferramentas indispensáveis. Reconhecer isso não é apenas um ato de justiça histórica, mas também uma estratégia urgente para salvar o futuro de todos. Como a floresta, os rios e as comunidades que nela vivem nos mostram, é preciso conectar saberes, práticas e vozes em uma verdadeira teia de soluções climáticas.
Em 2025, a tendência é que a comunicação popular, as redes comunitárias ocupem os espaços de decisão a respeito do clima, para poder comunicar aos povos da floresta o que se tem proposto para salvar o planeta, pois somos nós que estamos a segurar essa panela de pressão do aquecimento global.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Farol Jornalismo, escrito pela Rede Wayuri e faz parte da série O Jornalismo no Brasil em 2025
O ano de 2024 foi de crescimento na chegada de turistas internacionais ao Acre. Um levantamento do Ministério do Turismo, Embratur e Polícia Federal mostrou que 19,8 mil visitantes de outros países passaram pelo estado, o que representa 15% de aumento em relação a 2023, quando 17,2 mil turistas internacionais visitaram o estado.
Ainda de acordo com o balanço, foram 1.714 turistas de outros países no Acre somente em dezembro. O estudo não detalha destinos nem períodos do ano, mas o ministério destacou o Parque Nacional da Serra do Divisor como um dos principais atrativos do estado, junto a locais da capital Rio Branco, como o Mercado Velho.
Em todo o país, foram 6,6 milhões de turistas internacionais em 2024, com destaque para Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. A nacionalidade que compôs a maioria desses visitantes foi argentina, seguida por turistas de Estados Unidos e Chile.
“Trazer esses visitantes estrangeiros para nosso país, reforça a capacidade turística dos nossos destinos, com experiências, onde a diversidade cultural, a gastronomia autêntica e as belas paisagens se destacam. Nossa meta é continuar atraentes, para que mais turistas de todo o mundo venham conhecer as belezas do Brasil”, destacou o ministro do Turismo, Celso Sabino.
Tem dupla amazonense no BBB 25. A esteticista Arleane Marques, de 34 anos, e o marido Marcelo Prata, de 38 anos, foram confirmados como participantes do time “Pipoca” na 25ª edição do Big Brother Brasil, em anúncio feito na noite desta quinta-feira (9).
Além de ser rainha de bateria da Escola de Samba A Grande Família, Arleane se destaca como influenciadora digital, com quase 60 mil seguidores no Instagram, e realiza parcerias com marcas.
Marcelo é professor na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e se define nas redes sociais como “Trabalhador da Educação” e “Engenheiro da Prevenção”.
Casados há 11 anos, Arleane e Marcelo se conheceram durante uma apresentação de escola de samba. Enquanto ele assistia, ela sambava à frente da bateria. Apenas uma semana depois, estavam juntos e, desde então, nunca mais se separaram. Além disso, são “papai e mamãe” de duas filhas de quatro patas, Mel e Leona.
Arleane se define como uma mulher autêntica, alegre e cheia de energia, que adora aproveitar a vida e se divertir. Ela não é do tipo tímida – onde chega, chama atenção e faz amizades com facilidade. Sua grande paixão é a dança, e ela tem orgulho de ser uma mulher indígena apaixonada pelo samba. Aos sete anos, saiu de sua aldeia e se mudou para um bairro periférico de Manaus, em busca de melhores oportunidades de estudo.
“Sou uma mulher indígena apaixonada pelo samba. Eu costumo falar que ele é a calmaria e eu sou a tempestade”, disse a influenciadora em sua apresentação.
Marcelo se descreveu como um homem altamente comprometido com seu trabalho e com a responsabilidade para com a família. Desde criança, sempre foi de “pegar no pesado”, passando por várias experiências, desde vendedor de picolé até guia turístico.
O servidor público acredita compartilhar preferências semelhantes com a esposa e se vê como um homem divertido, sensível e muito forte.
“Sou um cara muito divertido, gosto de boteco, gosto de tomar aquela cervejinha. Sou uma pessoa externamente muito forte, mas, por dentro, sou muito sensível”, pontuou.
O casal compartilha uma relação repleta de brincadeiras e desafios, principalmente quando o tema é quem manda mais em casa. De maneira descontraída, Arleane destacou a dinâmica do relacionamento.
“Ele gosta de mandar de um lado e eu também mando de outro. Eu sou uma mulher muito ciumenta, então se eu pegar ele olhando de canto, o bicho vai pegar”, brincou.
Conhecer a visão e as ações de professores e alunos de escolas públicas sobre violência sexual de crianças e adolescentes, a fim de identificar de que forma o espaço escolar tem contribuído ou não para redução desses casos foram os objetivos da pesquisa ‘Enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes: a responsabilidade da escola na proteção de direito’, apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvida por pesquisadoras da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
O estudo coordenado pela doutora em Política Social, Cristiane Fernandez, fomentado pelo Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas) da Fapeam, edital nº 006/2019, aponta que os estudantes sabem o que é violência sexual, conseguem identificar as consequências e têm a clareza do que se constitui uma violação de direitos ao corpo do outro. E também aponta que os estudantes reconhecem a situação de vulnerabilidade em que se encontram crianças e adolescentes diante de adultos opressivos, autoritários e abusadores sexuais, assim como sabem diferenciar a sexualidade saudável
A pesquisa foi realizada em diversas etapas, com revisão de literatura sobre o assunto, treinamento com os pesquisadores sobre a metodologia adotada, entrevista com os diretores de cinco escolas de Manaus, Novo Airão, Coari, Iranduba e Rio Preto da Eva; roda de conversa com os adolescentes e grupo focal, que consiste numa entrevista coletiva com os professores.
Em relação aos professores, a pesquisa identificou que há uma reflexão sobre o tema, mostram conhecimentos em relação ao entendimento sobre violência sexual, sendo perceptível a necessidade de formação continuada e ações intersetoriais para intervenção nesta área. Além de apontarem a família como fundamental na educação sobre a sexualidade e na orientação da proteção.
“O enfrentamento a violências sexuais contra crianças e adolescentes requer o envolvimento de todos. Não há como resolver esse problema sozinho. A sociedade precisa sentir a responsabilidade de proteger crianças e adolescentes, em todo o tempo, em todo lugar”, destaca a coordenadora do estudo.
Cristiane defende que a educação exerce papel fundamental no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes por integrar a rede de proteção. Para ela, a educação ou orientação realizada na escola constitui uma ferramenta importante para a prevenção de diversas formas de violência sexual ocorridas na escola e, principalmente, no espaço familiar.
O estudo também mostra que a maioria das escolas promove reuniões, palestras, discussão em sala de aula, em disciplinas que envolvem sexualidade humana, como Biologia, mas que as ações de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes das escolas públicas estudadas são ainda muito tímidas frente à complexidade do problema, além de conhecimento reduzido sobre esse crime sexual e trabalho articulado em rede.
“A escola precisa desenvolver ações intersetoriais, conectar-se com outras políticas públicas, sentir-se como parte da rede de proteção e incentivar o protagonismo juvenil dos alunos para o enfrentamento da violência sexual”, afirma Cristiane.
Levantamentos
O estudo, que iniciou em 2019 e foi finalizado em 2022, contou com a parceria da doutora em Serviço Social, Roberta Justina da Costa, e está inserido no conjunto de trabalhos relacionados à temática de enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes desde 2003.
“O apoio recebido pela Fapeam permitiu a divulgação dos achados da pesquisa por meio da realização de um seminário e da publicação de um livro. Nossa gratidão à Fapeam que proporcionou as condições necessárias para realização desta importante pesquisa”, disse Cristiane Fernandez.
A leishmaniose cutânea causa úlceras na pele que costumam ser arredondadas e têm as bordas elevadas e avermelhadas, podendo deixar cicatrizes nos pacientes. Foto: Organização Pan-Americana de Saúde.
Quem já se aventurou por qualquer floresta tropical, mesmo que apenas por algumas horas, e esqueceu de se proteger com quantidades suficientes de repelente, certamente sentiu na pele as dificuldades de conviver com alguns de seus mais vorazes habitantes: os mosquitos. A picada causa desconforto por si mesma, mas também pode redundar em complicações mais severas devido à possibilidade de transmissão de vírus causadores de doenças como a dengue, a malária e a leishmaniose cutânea. Esta última enfermidade, aliás, integra a lista das dez principais doenças tropicais negligenciadas, produzida pela Organização Pan-Americana de Saúde, e estima-se que gere anualmente mais de 50 mil novos casos no mundo.
A leishmaniose cutânea, ou tegumentar, como também é chamada, é uma doença não contagiosa que provoca úlceras na pele e nas mucosas. As lesões podem levar anos para cicatrizar, deixando a pele do paciente marcada para o resto da vida. Outro fator que torna essa patologia particularmente preocupante é a falta de avanços em prevenção e tratamento. Enquanto a vacinação contra a dengue já é uma realidade, a terapêutica para a leishmaniose evoluiu muito pouco desde que foi descrita, 120 anos atrás. De maneira geral, nos últimos 70 anos, o tratamento mais adotado envolve a aplicação de dolorosas injeções no músculo ou na área infectada.
No Brasil, ela ocorre com maior frequência nos estados da floresta amazônica. A região é classificada como de alto risco para eclosão de epidemias, devido à grande variedade de vetores que podem ser envolvidos no processo de transmissão, como moscas, mosquitos e mamíferos, e, também, às altas taxas de desmatamento. Para além da relação entre a destruição de florestas e o surgimento de casos de doenças tropicais, um grupo de pesquisadores liderados por Tatiana Pineda Portella, da USP, e que envolveu docentes da Unesp, da UFABC e da Universidade de Lausanne, na Suíça, identificou quais as formas de uso da terra que apresentam potencial maior para resultar no aumento do risco de casos de leishmaniose cutânea.
Os resultados foram divulgados no artigo ‘Bayesian spatio-temporal modeling to assess the effect of land-use changes on the incidence of Cutaneous Leishmaniasis in the Brazilian Amazon‘, publicado na revista científica Science of the Total Environment. O trabalho teve como objetivo analisar de que maneira a conversão do uso de terra na floresta amazônica, especialmente devido ao avanço das atividades humanas, pode se relacionar com a incidência de casos de leishmaniose cutânea na região. A partir de análises que cobriram dados socioeconômicos, de vegetação e de clima, referentes ao período entre 2001 e 2017, o grupo de pesquisadores constatou que o avanço da pecuária é a principal ameaça para o crescimento da incidência de leishmaniose cutânea em cidades amazônicas.
Presença de gado impacta no número de casos
A ideia do estudo surgiu depois que análises prévias apontaram as cidades amazônicas como principal foco da leishmaniose cutânea, em especial aquelas situadas no chamado arco do desmatamento.
“Sabíamos, a partir de estudos sobre outras doenças tropicais, que essas regiões podem ser problemáticas. Quisemos investigar, especificamente, as eventuais correlações entre o desmatamento e a leishmaniose cutânea”, diz Roberto Kraenkel, pesquisador do Instituto de Física Teórica da Unesp, que participou do estudo. “Queríamos sair do âmbito do ‘achismo’ e obter informações precisas, especialmente sobre o aspecto ambiental”.
O grupo empregou metodologias estatísticas para combinar séries diferentes de dados relativos ao uso de terra, à população das cidades e à situação socioeconômica dos municípios, e também registros do clima e da temperatura. No total, foram analisados dados de 503 cidades da Amazônia Legal, região que compreende os estados de Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Foram utilizados dados relativos ao período entre 2001 e 2017, e o largo intervalo de tempo analisado trouxe mais segurança aos pesquisadores para apontar os principais fatores associados ao crescimento dos casos de leishmaniose cutânea.
Além da escala temporal, outro diferencial da pesquisa está em considerar os diferentes usos de terra e coberturas vegetais que existem na região. Foram criadas cinco categorias pra abarcar as regiões existentes na Amazônia e que poderiam influenciar nos casos de leishmaniose cutânea: a cobertura florestal, que é o principal habitat dos vetores; as plantações permanentes, que também podem atuar como habitat e fonte de alimento para os vetores; áreasdesflorestadas, nas quais as interações entre pessoas e mosquitos podem se intensificar; áreas deextrativismo, outro ambiente de contato intenso entre humanos e os vetores da doença; e, por fim, áreas de pecuária, nas quais existe, em grande quantidade, alimento para mosquitos transmissores de leishmaniose cutânea.
Esta classificação permitiu aos pesquisadores estabelecer de maneira mais direta e específica relações entre o tipo de uso da terra e a incidência de casos da doença. Para surpresa do grupo, o principal achado do estudo mostrou que os casos de leishmaniose cutânea têm relação com a interação entre áreas de cobertura florestal e de criação de gado. “Observamos que a presença de gado próximo de áreas de cobertura vegetal eleva os casos de leishmaniose cutânea”, diz Kraenkel. A ocorrência de desmatamento no terreno se mostrou como o segundo fator com maior associação aos casos.
Os pesquisadores não esperavam que a presença de florestas pudesse se revelar como um fator significante, e consideraram o resultado “contraintuitivo”, mas logo conceberam uma explicação. O habitat natural do mosquito são as florestas, portanto, áreas com maior cobertura vegetal implicam naturalmente a ocorrência de mais mosquitos. Isso aumenta as chances de que ocorra a transmissão do vírus da doença. Entretanto, em matas fechadas ou no coração da Amazônia a presença de humanos é extremamente reduzida. Logo, apesar da alta população de transmissores, não há pessoas que possam ser infectadas, o que dificulta que ocorram casos em número significativo.
Essa realidade muda quando o desmatamento ocorre para a criação de gado, ensejando um aumento da população nas regiões próximas das florestas. “A transmissão ocorre nas áreas fronteiriças, nas quais de um lado acontece a criação de gado e do outro está a área com cobertura vegetal”, diz Kraenkel.
“Não estamos falando de áreas preservadas, mas de remanescentes da floresta que estão misturados a regiões de criação de gado. É aí que está o problema: nosso achado sugere que é a pecuária que irá determinar qual é o efeito da cobertura vegetal”, afirma o físico.
A partir dos resultados, os pesquisadores acreditam que a proximidade entre o gado e a floresta proporciona ao mosquito maior oferta de alimento, na forma das cabeças de gado e, ao mesmo tempo, aumenta a interação entre mosquitos e humanos, o que leva ao maior número de casos da doença.
Motivos ainda são incertos
Kraenkel ressalta que, ainda que tenha elaborado essa hipótese a partir da interpretação dos dados, investigá-la mais a fundo vai exigir um tipo diferente de pesquisa. “O controle e o estudo dessa doença são muito complicados, porque se trata de uma zoonose, ou seja, é transmitida por meio de animais silvestres e insetos, e é impossível obter um levantamento de quantos insetos estão contaminados e são potenciais vetores”, conta. “Então temos que fazer o exercício de pensar: o que pode levar à existência de mais ou menos mosquitos na área?” indaga.
Os autores do artigo especulam que a presença do gado próximo às regiões de floresta represente maior disponibilidade de alimento para os insetos. Esse quadro não se verificaria, por exemplo, em lavouras, uma vez que os vetores não obtêm alimento das plantações.
“Mas ainda não sabemos o que, exatamente, regula a quantidade de insetos nesta região. Pode ser que a destruição da floresta ocasione uma perturbação da biodiversidade na área da fronteira, e isso tenha favorecido o aumento de mosquitos contaminados e, consequentemente, seu contato com humanos. Onde há desmatamento, há humanos”, diz Kraenkel.
Ainda que o estudo traga tantas perguntas quanto respostas, Kraenkel diz que os resultados são importantes para pensar em políticas públicas na região e refletir sobre o próprio modo de ocupação das terras. “O mais óbvio de apontar é que, se existem áreas de fronteira entre floresta e gado, é preciso ter um cuidado aumentado. Nesses municípios deveriam ser feitas campanhas de conscientização sobre esse risco. Isso é uma política de saúde pública que pode ser adotada de forma imediata”, diz.
O trabalho também acrescenta uma peça no quebra-cabeça da relação entre desmatamento e a eclosão de epidemias, evidenciando neste caso o impacto que a pecuária pode exercer sobre a saúde das populações de cidades amazônicas. Ao pensar em medidas para favorecer a saúde pública a longo prazo, os autores recomendam, inclusive, que a atividade econômica predominante nessas áreas seja repensada. “Nossa recomendação é que tomadores de decisão priorizem investimentos em alternativas mais sustentáveis de desenvolvimento econômico na Amazônia, com o objetivo de criar um ecossistema mais saudável, tanto para o meio ambiente como para os seres humanos”, concluem no texto do artigo.
A leishmaniose cutânea causa úlceras na pele que costumam ser arredondadas e têm as bordas elevadas e avermelhadas, podendo deixar cicatrizes nos pacientes. Crédito: Organização Pan-Americana de Saúde.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Malena Stariolo