Os fungos muitas vezes levam uma fama de mal e muitas pessoas pensam neles de forma negativa como mofo ou causadores de doenças, mas eles vão muito além disso. O primeiro antibiótico para humanos, por exemplo, foi produzido a partir de um fungo que impedia o crescimento de bactérias que causam doenças. Isso foi considerado um grande feito da medicina em 1928.
Além da sua aplicação na medicina, os fungos são considerados fundamentais para a nossa alimentação e na produção de bebidas. Sabe como? A cerveja, a famosa “geladinha”, é feita com a ajuda de um fungo que realiza a fermentação. Esse mesmo fungo também é utilizado para produzir massas, como pães.
Outra contribuição importante dos fungos é a grande diversidade de fungos comestíveis, encontrados na pizza, no sushi e no queijo. Eles são ricos em nutrientes, vitaminas, fibras, contém baixas calorias e contribuem para uma alimentação saudável. Porém apenas algumas espécies de fungos são comestíveis, outras são venenosas e não devem ser comidas em nenhuma hipótese.
Além disso, os fungos têm uma importante participação no meio ambiente. Eles ajudam a decompor os resíduos florestais, como folhas e madeira, devolvendo esses nutrientes para o solo. Também há fungos que se associam com árvores para ajudá-las a absorverem mais água e nutrientes.
De acordo com Rafaela Peres, bolsista do Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica (CENBAM), os fungos possuem funções necessárias para as florestas e para os seres humanos.
“É importante preservar os fungos ao longo da BR-319; eles são essenciais para o funcionamento da floresta e, ainda, podem ser grandes aliados na cura de doenças e da boa alimentação. Mas para fazer isso de maneira eficiente, precisamos conhecê-los, e esse tem sido um dos objetivos do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração do Sudoeste do Amazonas (PELD PSAM). Portanto, quando você pensar em fungos, lembre-se que ele é mais do que aquele mofo de pão velho e esquecido: ele é um grande aliado da nossa saúde e é essencial para a nossa existência!”, afirmou Peres.
Foto: Sergio Santorelli Jr.Foto: Sergio Santorelli Jr.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Observatório BR-319, escrito por Rafaela Saraiva Peres (Bolsista INCT Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica – CENBAM)
A Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas (Adaf) alerta a população que está proibida a entrada de mamão oriundo dos estados de Roraima, Amapá e Pará, onde já foi detectada a existência da mosca-da-carambola. O mamão foi incluído entre as dezenas de frutos hospedeiros da praga, por isso seu trânsito para o Amazonas está proibido.
Na Portaria nº 1.188, de 15 de outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) incluiu a espécie Mamoeiro (Carica papaya) como hospedeiro da praga Bactrocera carambolae. Essa lista tem cerca de 30 frutos, como a carambola, manga, caju, laranja, pitanga, jambo, acerola, goiaba e pimenta de cheiro.
“Essa portaria restringe o trânsito de mamão, assim como dos outros hospedeiros da mosca-da-carambola, dos estados onde a praga se encontra presente para os outros estados da federação”, explica o gerente de Defesa Vegetal da Adaf, Sivandro Campos.
A proibição já está vigente e as equipes de fiscalização da Adaf devem realizar a apreensão em caso de tentativa de entrada, no Amazonas, dos frutos vindos do Amapá, Pará e Roraima. Para garantir a sanidade vegetal do Estado, especialmente na divisa com estados onde a praga se faz presente, a agência mantém servidores nas barreiras de Jundiá (RR) e Parintins (a 369 quilômetros de Manaus), monitorando a entrada de pessoas de Roraima e Pará.
Foto: Divulgação/Governo do Amazonas
O gerente da Adaf destaca que a mosca-da-carambola não representa perigo à saúde humana, mas que “a praga, entrando no Estado, vai afetar a parte econômica e social”. Isso porque ela é devastadora para a fruticultura e ameaça a economia do Brasil, o terceiro maior produtor de frutas do mundo.
A mosca-da-carambola mede 8 milímetros de comprimento, tendo a parte superior do tórax de cor escura e o abdome amarelo, com listras pretas que se encontram formando um “T”. Suas asas são levemente amareladas e translúcidas.
Qualquer suspeita de ocorrência da praga no Amazonas deve ser imediatamente comunicada aos órgãos responsáveis. Informações e denúncias podem ser reportadas à GDV/Adaf pelo número (92) 99390-1750.
A taxa de desmatamento da Amazônia entre agosto de 2023 e julho de 2024, no estado do Amazonas, apresentou uma redução de 29% comparada ao mesmo período entre 2022 e 2023, segundo o relatório anual do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
De acordo com o relatório, a área desmatada no estado foi de 1.143 km² . No balanço divulgado no ano anterior, a área desmatada foi de 1.610 km².
Dentre os estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal, o Amazonas foi o terceiro que mais apresentou redução dentro do período avaliado, atrás apenas do Mato Grosso e Rondônia. Roraima foi o único estado a apresentar aumento.
O biólogo Leonardo Paz avalia a redução de forma positiva e atribuí a redução apresentada no Amazonas a fatores como fiscalização e conscientização. Ele também ressalta que o avanço tecnológico possibilitou um monitoramento mais preciso, o que ajuda no combate ao desmatamento.
“Tem um grande fator que é a maior introdução de tecnologias que auxiliam a fiscalização e os sistemas de alerta e monitoramento, permitindo melhores planejamentos de operações para impedir o desmatamento. Também tem a aplicação de tecnologias de monitoramento desenvolvidas no Brasil, que diminui custos com equipamentos e agiliza a obtenção dos materiais”, diz o especialista.
Foto: Reprodução/TV Brasil
Amazônia legal
Em toda a Amazônia legal a redução no desmatamento foi de 30% aponta o levantamento do Inpe. A área desmatada na Amazônia foi de 6.288 km² entre agosto de 2023 e julho de 2024.
Com essa redução de 2776 km², a taxa divulgada este ano é a menor para uma temporada do Prodes desde 2017.
Desmatamento cai, queimadas sobem
Embora, os números apresentem redução no desmatamento, o Amazonas registrou 24.965 mil queimadas entre 1º de janeiro de 2024 até esta segunda-feira (11) e, com isso, já é considerado o pior no número de focos de calor desde 1998, quando o Inpe começou a série histórica.
Até então, o pior índice de queimadas no Amazonas tinha sido registrado em 2022, quando o estado contabilizou 21.217 focos de calor. Já em 2023, foram quase 20 mil.
O estado está e emergência ambiental por conta das queimadas. O problema também gerou uma onda de fumaça que atingiu todas as 62 cidades amazonenses, incluindo a capital Manaus. Em agosto deste ano, uma mancha de fogo com cerca de 500 quilômetros de extensão chegou a cobrir o estado.
*Por Lucas Macedo e Juan Gabriel, da Rede Amazônica AM
Carlos e Maia Studart, inventor do Leite de Colônia. Foto: Jorge Franco de Sá
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
O Doutor Carlos Studart nasceu em Fortaleza, Ceará no dia 28 de março de 1862. Filho de John Willian Studart, um cidadão inglês que imigrou para o Brasil quando tinha 11 anos de idade, tendo criado raízes no Brasil por toda vida e se dedicado ao comércio.
[…] John Willian Studart casou-se com uma brasileira e segundo o professor Agnello Bittencourt seus filhos orientados pelo pai tornaram-se homens notáveis nas ciências, nas industriais e no comércio, destacadamente Guilherme Chambly Studart, de renome continental pelos seus grandes serviços à cultura e à humanidade, mas, conhecido pelo distintivo honorifico de Barão Studart.
Fonte: BITTENCOURT, Agnello. Dicionário Amazonense de Biografias: vultos do passado. Rio de Janeiro. Editora Conquista: 1973. Pg. 156.
Carlos Studart ficou órfão de sua mãe aos cinco anos de idade. Seu pai logo reconstruiu sua família casando com sua própria cunhada, senhora Augusta de Castro Studart, ela ficou responsável pela educação do sobrinho e enteado, vale destacar sua dedicação e carinho como madrasta, dedicando-se a ensinar-lhe as primeiras letras.
Adolescente ainda, Carlos Studart comunica aos pais que desejava começar a vida trabalhando no comércio. Obtém permissão para seguir rumo a Pernambuco sob a orientação do cônsul inglês em Recife. Tendo chegado a Recife consegue emprego de uma firma que comercializava com fazendas e tecidos. Vale a pena lembrar que neste período, o primeiro emprego de um jovem em um estabelecimento comercial, era de cacheiro – vassoura, fosse ele filho de um pobre ou de uma família que possuísse bens, naturalmente recebia o mesmo tratamento com rigor, conquistando a confiança logo foi promovido a cacheiro graduado, abandonando o espanador e a vassoura, porém, fazia as entregas na cabeça de grandes compras a pé pelas ruas. Na verdade foi o início de sua vida profissional.
A partir desse momento seu trabalho consistia em manter a casa limpa, fazer as entregas dos clientes ou em outras casas comerciais. Carlos, que era um moço franzino não reclamava de seu trabalho, nem o peso das mercadorias que entregava quase sempre em longas distâncias. O regime era duro, em contraste com o trato na residência de sua família. Essa experiência lhe tinha sido adversa, porém, acendeu em sua alma a explosão de uma revolta e amor na busca de sua independência.
Com o passar do tempo resolve regressar ao convívio da família, não como filho pródigo, mas cheio daquela experiência que lhe transformou em uma lição, assim, foi indescritível a alegria que seus pais o receberam em casa.
Os tempos mudaram neste momento os negócios de John Willian Studart já não iam bem levando-o quase a falência. Hábil Timoneiro torna a adversidade pondo em ação os destinos dos negócios. No decorrer do tempo ocorre o falecimento do chefe John, a 20 de fevereiro de 1878, ainda muito jovem com 59 anos.
Carlos resolve transferir-se para a Bahia, em cuja Escola de Medicina seus irmãos acabavam de concluir suas formaturas. Sua permanência ali, criou um forte desejo de estudar e realizar seus preparatórios para o vestibular. Carlos era um jovem sonhador e logo desperta a ideia de seguir a carreira militar, então viaja ao Rio de Janeiro, a fim de entrar na Escola Militar.
[…] Recém – chegado ao Rio – diz o seu filho e biografo, General Carlos Studart Filho – ardentemente desejava alistar-se cadete. Estava, porém, praticamente só naquela grande e estranha cidade, sem apoio, nem amigos que o orientassem, na consecução de seus projetos: os presentes, em cuja, casa-se hospedara, não viam com bons olhos a esdruxula inclinação do moço estudante pela carreira das armas e, por isso, não queriam dar-lhe o auxílio de que tanto carecia. Em tão aflitivo momento, resolveu valer-se do General Osório, então Ministro da Guerra do Gabinete Sinimbu. Procura-se em sua residencia e lhe expõe os seus anelos. O velho e benemérito militar ouviu-o com bondade e logo procurou dissuadi-lo desse proposito, fazendo-o ver a insensatez dos seus sonhos e toda a grandeza da pretensão. Havia poucas vagas no modelar estabelecimento de ensino e estas destinavam-se a filhos e protegidos dos altos figurões do império. Ele, um provinciano bisonho, sem padrinhos, nem bons amizades na corte, que poderia esperar? (Meu Pai, pág. 16).
Diante dos fatos, tendo gastos cerca de três anos em tentativas frustradas, Carlos Studart regressa a Salvador e matricula-se na Escola de Medicina – realiza o curso de Farmácia, diplomando-se em 18 de setembro de 1882. Munido do seu diploma, retorna a Fortaleza onde funda a Farmácia Studart, no centro comercial da cidade, a poucos passos da, já então famosa, Praça do Ferreira.
Quando Carlos Studart se retirou de Salvador para Fortaleza, lá deixava um compromisso de casamento com D. Maria Elvira Morais, o que cumpriu, em Salvador, em 1883. Mas, foi um enlace transitório, pois D. Maria Elvira vei a falecer, em Fortaleza, a 12 de setembro de 1884, sem descendentes.
Carlos Studart contrai novas nupcias com sua prima D. Maria da Fonseca Pereira, filha do comerciante Capitão Antônio Joaquim Pereira. Deste ser matrimônio, houve os seguintes filhos: Arthur Pereira Studart, farmacêutico, bacharel em direito, médico e industrial, nascido em Fortaleza a 4 de maio de 1886, e que a 30 de junho de 1910 se consorciou com a prima D. Leonisia da Cunha Studart; Hilda Pereira Studart, viúva do bacharel em Direito, José Maria Corrêa de Araújo, nascida em Fortaleza a 10 de novembro de 1887 e falecida, no Rio de Janeiro em novembro de 1961; Beatriz Pereira Studart, viúva do bacharel em Direito Jose Alves de Souza Brasil, nascida em Fortaleza a 19 de dezembro de 1891 e Carlos Studart Filho, doutor em Medicina e general professor, nascido em Fortaleza a 17 de junho de 1897, casado a 13 de novembro de 1924 com D. Neusa Dinoá da Costa. (Meu Pai, pág. 18.)
Fonte: BITTENCOURT, Agnello. Dicionário Amazonense de Biografias: vultos do passado. Rio de Janeiro. Editora Conquista: 1973. Pg. 157 e 158.
Foto: Jorge Franco de Sá
Carlos Studart casa-se pela terceira vez com a senhora Francisca Rodrigues das Neves, desse enlace matrimonial nasceu uma filha Emília Studart. Tomando parte nas atividades políticas do Ceará, entrega a gerência da Farmácia Studart a seu irmão e passa a visitar o interior da Província e propaganda partidária e abolicionista que por muitas vezes correu o risco de vida.
Com sucesso de sua farmácia passou a comprar propriedades no sertão, sua campanha política durou aproximadamente três anos, tornando-se conhecido em vários municípios e por fim retorna definitivamente a capital. Não lhe interessavam cargos públicos, em dado momento aceitou a função de Preparador de Química no Liceu do Ceará e naturalmente os trabalhos na Santa Casa de Misericórdia.
Amazônia naquele período tinha uma certa atração e o nordeste por sua vez era estimulado a emigrar, o que naturalmente motivou Carlos Studart a regressar com a família para Manaus, deixando Fortaleza no dia 4 de junho de 1899, e chegando a Manaus a 12 do mesmo mês. Não era uma imigração forçada e sim voluntária naturalmente com alguns recursos. Sua chegada foi cercada de pessoas acolhedoras e de expressões o que lhe permitiram aumentar a possibilidade de vencer.
Semi-ambientado, sobretudo, no meio da numerosa colônia cearense, cruza o centro da cidade, numa época em que se iniciativa o rush da valorização da borracha. Encontra, na esquina da florescente Av. Eduardo Ribeiro e da Rua Municipal, mais tarde Av. Sete de Setembro, o ponto estratégico para assentar a base dos seus esforços e, aí instala a Farmácia Studart, homônima daquela que fundara e deixara em Fortaleza. Estava montando a cavaleiro para as lutas do comércio e da riqueza.
O estabelecimento vivia abastecido de drogas nacionais e estrangeiras, do que havia de mais moderno e acreditado. A Farmácia Studart não havia mãos a medir nas preferências de uma grande freguesia.
Studart prosperou rapidamente. Sua residência particular enchia-se de conterrâneos. Com a franqueza que lhe era habitual, sua mesa de refeições, máximo nos domingos e feriados, parecia a de um patriarca. E, ele o era espiritualmente.
O irmão do Barão de Studart tinha na alma e no sangue, algo dos seus antepassados, da linha paterna: qualquer coisa de nômade e de aventureiro. E, pela etnia materna, o mesmo fenômeno, traçado pelo atavismo: os nordestinos dizem-se as pessoas mais andejas do mundo. Onde quer que se chegue, nos paramos da China e do Japão, encontram-se filhos da terra de Iracema.
Durante os 30 anos em que esteve no Amazonas, pequenos espaços de tempo permaneceu na sua farmácia. É que seu espírito de direção, na sua ausência, ficava otimamente entregue ao escalão da competência e da lealdade.
“Na gíria popular, era homem que não esquentava lugar”.
Itinerante incansável, Studart derivou repetidas vezes para o velho continente e, entre 1905 e 1911, cruzou, ora só, ora acompanhado da família, doze vezes o Atlântico (Obra cit., 31). Em suas excursões, visitou os países mais adiantados da Europa, não esquecendo as terras em que nasceram os trisavós, os Studart.
Depois da Primeira Grande Guerra, suas viagens também, por várias vezes, eram para o Ceará e para o Rio de Janeiro.
Dentro do Amazonas consta ter feito viagens: esteve no Rio Juruá, até S. Felipe, hoje Eirunepé.
Em 1921, liquidou seus negócios em Manaus e transferiu-se para São Paulo, fazendo-se industrial, manipulando o seu Leite de Colônia, de extraordinária procura. Com este produto de beleza Carlos Studart recheou sua algibeira, em pouco tempo, tornando-se. Parte de sua fortuna, entregou na construção de dois arranha-céus, no Rio de Janeiro, dando a um deles o nome de Manaus, grata lembrança da terra hospitaleira.
Fonte: BITTENCOURT, Agnello. Dicionário Amazonense de Biografias: vultos do passado. Rio de Janeiro. Editora Conquista: 1973. Pg. 158, 159, 160.
Informações cedidas por Jorge Franco de Sá
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Abacaxi de 8,5kg, do Tarauacá, Acre, e união de sabores tradicionais da farofa de pirarucu seco com castanha do Brasil torrada e banana frita, são algumas especialidades acreanas que impressionaram o público na Feira Internacional de Turismo de Gramado (RS).
Aos 75 anos, Olívia Minatti, representante da Naturallis Turismo, de São Paulo, foi à Festuris para negociar novos destinos e pacotes. No estande do Acre, Olívia ficou encantada com o abacaxi gigante de Tarauacá:
“É maravilhoso. Nossa! Nunca tinha visto igual e achei que era de Itú, lá em São Paulo, porque lá todas as coisas são grandes, é lápis grande, sorvete grande, tudo grande, mas um abacaxi desse, nunca vi igual. É lindo de se ver”.
Foto: Karolini Oliveira/Sete
Também visitando o Estado do Acre, a guia de turismo de Canoas (RS), Carmen Feiten, disse ter se impressionado com o sabor dos quitutes, entre eles, a farofa de pirarucu seco com castanha e banana comprida frita: “Olha, eu tô achando esse aqui a nível de MasterChef, muito gostoso. Aqui no sul a gente escuta muito sobre essas iguarias diferentes e é surpreendente, muito bom, gostei”.
Foto: Karolini Oliveira/Sete
O responsável pela farofa de sucesso é o chefe e professor da Escola de Gastronomia e Hospitalidade Miriam Assis Felício (Ieptec), Ivonaldo Portela Filho. Ele detalhou alguns dos preparos que fez para degustação no estande do Acre.
Foto: Karolini Oliveira/Sete
“A gente tem a farofa de pirarucu seco com castanha do Brasil torrada e banana da terra frita, são ingredientes regionais do Acre, como a farinha de Cruzeiro do Sul, vindo lá do Vale do Juruá. E a gente tem também um doce típico, que é o salame de cupuaçu com castanha que é tradicional da nossa terra”, disse o chefe.
Foto: Karolini Oliveira/Sete
Ivonaldo disse ter ficado contente com o resultado alcançado entre o público da feira: “O feedback tem sido muito positivo. As pessoas que estão experimentando vem com comentários surpreendentes, inclusive pessoas que a princípio tem um olhar negativo quanto a alguns ingredientes, como por exemplo o pirarucu, mas ao experimentar mudam de ideia, então não tem como ser uma resposta melhor”, acrescentou.
Neste sábado, 9, o chefe Ivonaldo Portela apresenta, na Arena Gastronômica da Festuris, um prato que representa um pouco da cultura acreana: arroz caldoso de rabada no tucupi e jambú. A expectativa é de que o sabor do prato agrade o público presente na feira.
Cores e sabores
Entre cores e sabores, o Acre também apresenta produtos que destacam os potenciais regionais. Participam o Sindicato da Indústria de Produtos Alimentares do Estado do Acre (Sinpal/Fieac), Vinhos Florisa, Café Raízes da Floresta, Café Contri, Café Sarah, Indústria Acreaninha e Miragina.
Foto: Karolini Oliveira/Sete
Também estão presentes as Bebidas Quinari, Império do coco, Tempero do Norte, Naturus Alimentos da Amazônia, Cachaça Mineirinha. Além disso, o estandes apresentou a degustação de farinha de tapioca, açúcar mascavo (gramixó), biscoitos de goma, salame de cupuaçú, pé de moleque acreano e rapadura.
Foto: Karolini Oliveira/Sete
“A gastronomia representa a cultura acreana e trazer os produtos fortalece o turismo gastronômico, valorizando os produtos regionais e a tradição do povo acreano”, disse Sirlânia Venturin, diretora de Turismo da Sete.
Comitivas acreana na Festuris 2024
A Feira Internacional de Turismo de Gramado (Festuris) teve abertura na quinta-feira, 7, em Gramado, na Serra Gaúcha. O evento reúne players do turismo nacional e internacional até este sábado, 9, com diversidade de apresentações e possibilidades de novos negócios.
O governo do Estado do Acre apoia a apresentação de especialidades da culinária acreana e destinos turísticos por meio da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), em parceria com o Programa REM (Redd Early Movers) e Instituto Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ieptec).
Foto: Karolini Oliveira/Sete
As diversas apresentações e exposições também acontecem em parceria com o Sindicato da Indústria de Produtos Alimentares do Acre, por meio da Federação das Indústrias do Acre (Fieac), e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/AC).
A comitiva acreana composta por representantes das instituições apoiadoras e parceiras, e profissionais do turismo Wigberto Nunes (Pousada Bom Conforto), Ruama Demir (Sebrae/AC), Thaly Figueiredo (Agência Destino Acre), Victor Toledo Pontes (Operadora Ayshawã Travel) e Antônio Pereira Mesquita (Amazon Tour Turismo).
Vizinhos, Acre e Peru mantêm uma relação amistosa há pouco mais de um século, desde o Tratado do Rio de Janeiro, em 1909, que estabeleceu de vez os limites geográficos entre as duas regiões. No Acre, uma das formas de notar essa proximidade é a através da culinária.
Pratos peruanos como o ceviche fazem sucesso nas cozinhas do estado brasileiro. Outro prato tradicional do Peru que também faz sucesso é o lomo saltado, que o chef peruano Nilton Izquierdo ensina a fazer.
Ele explica sobre a origem do prato: “O lomo saltado é um prato com influência chinesa. Os chineses trouxeram para o Peru e nós peruanos modificamos o preparo dele. E assim ele se converteu em um prato típico peruano e é um prato nacional nosso agora, igual ao ceviche”.
Ainda segundo o chef, o prato além de fácil de fazer, é versátil, podendo ser servido em diversas formas e ocasiões. “Pode ser consumido no almoço, na janta. Pode ser consumido sem arroz, com pão. No Peru é comum comer só o lomo saltado ao molho. Pode comer no café da manhã também. Pode fazer com qualquer carne ou acompanhamento, um arroz, batata frita ou macaxeira. Pode misturar que o prato fica muito saboroso”, garantiu.
Filé mignon ou qualquer corte de carne mole como patinho ou fraldinha
Coentro
Mistura de trigo com maisena para engrossar o caldo
Caldo de verduras
1 tomate e 1 cebola
Gengibre
1 dente de alho ou uma colher pequena de pasta de alho
Sal, pimenta e temperos de sua preferência
Vinagre
Molho shoyu
Modo de preparo
Coloque um fio de óleo em uma frigideira (Uma dica do chef é deixar a panela ficar bem quente antes de colocar a carne para preservar as proteínas); Tempere a carne com o alho, sal, pimenta os temperos de sua preferência e em seguida coloque as tiras para fritar; Jogue na mesma panela o tomate e a cebola cortados em pedaços grandes; Acrescente um pouco de vinagre, o shoyu e o caldo de verduras (Outra dica é ir cozinhando em fogo baixo); Ponha o gengibre e a mistura de trigo com maisena; E para finalizar acrescente o coentro para dar um aroma especial ao prato; Agora é só servir e se deliciar.
Rondônia alcançou recorde de exportação e está presente em 83 países, com 135 produtos. De janeiro a setembro de 2024, foram movimentados US$ 2,20 bilhões, o que equivale a R$ 12,72 bilhões. O valor é o maior que o registrado no mesmo período de 2023 (US$ 2,13 bi), e é o maior valor registrado em toda a série histórica, que começou a ser divulgada a partir de 1997. O levantamento é da Coordenação de Geointeligência de Dados Econômicos, vinculada à Secretaria de Estado Desenvolvimento Econômico (Sedec), com base nos dados do comércio exterior brasileiro: Comex Stat, e aponta uma evolução da evidência de Rondônia na segurança alimentar no mercado global.
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, explicou que o estado colhe os resultados de valorizar a produção local com a expansão do mercado consumidor.
‘‘Estamos percebendo uma elevação significativa das exportações a partir das ações criadas pelo governo de Rondônia, para tornar a produção do estado mais presente no mercado internacional. Isso significa que diversos países estão reconhecendo que os produtos rondonienses são bons, além disso fortalece os negócios, gera empregos e rendas, e melhora a qualidade de vida da população’’, ressaltou.
Produção Rondoniense
O estado é o terceiro que mais exporta na região Norte. Os principais produtos exportados são: soja, carne bovina, milho e estanho. Além disso, o café, o Tambaqui, assim como outros pescados do estado; castanhas e chocolates estão cada vez mais presentes na pauta de exportações.
Foto: Tony Santos/Secom RO
Rondônia é referência na produção do Tambaqui, café (robustas amazônicos), e cacau, que são produções com Selo do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). É historicamente um importante produtor de grãos, com destaque para soja e milho, e possui o maior rebanho do Brasil, livre de febre aftosa sem vacinação. O alto padrão de sanidade da carne bovina conquista até os mercados internacionais mais exigentes.
Em 2023, no top 10 dos países que mais importam de Rondônia; estão China, Turquia, Espanha, México, Argélia, Estados Unidos, Países Baixos, Emirados Árabes Unidos, Chile e Argentina. Para chegarem até o mercado internacional, os produtos rondonienses contam com uma logística estratégica com ligação por rodovias, aeroportos e a hidrovia do Madeira.
Levantamento com base nos dados do comércio exterior brasileiro, feito pela Coordenação de Geointeligência de Dados Econômicos da Sedec.
Desenvolvimento econômico
No estado, os empresários recebem o apoio da Invest Rondônia, a Coordenadoria de Atração de Investimentos da Sedec, que possui como uma das principais missões; aumentar a presença de Rondônia no mercado internacional, oferecendo acolhimento, apoio e assessoramento aos empreendedores e investidores.
O titular da Sedec, Sérgio Gonçalves, salienta que a Invest está atenta para impulsionar as rotas estratégicas de exportações e à procura das oportunidades para o desenvolvimento econômico. ‘‘Rondônia tem um dos melhores ambientes de negócios do Brasil, está estrategicamente localizado no coração da Amazônia, e o governo do estado busca dar todas as condições para que os negócios rondonienses prosperem, e que pessoas do mundo inteiro conheçam o diferencial dos produtos do estado”.
O ano ainda não acabou e a Amazônia já registrou quase o dobro de focos de incêndios em relação ao ano passado. 2024 foi o pior, dos últimos 26 anos, em relação ao número de queimadas na região — até outubro foram mais de 22 mil focos. Só em agosto, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram mais de 10 mil focos. No mês anterior, julho, a área de floresta queimada na Amazônia cresceu 132%, na comparação com 2023.
Para reduzir os focos e proteger a floresta, um dos projetos de lei de autoria do deputado Amom Mandel (CIDADANIA-AM) institui medidas para prevenir e combater incêndios florestais na Amazônia. O PL 4980/2023 foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente e inclui ainda a criação de protocolos de resposta rápida e campanhas de conscientização sobre o impacto do fogo nas florestas.
“Temos o pior ano de queimadas no bioma e alguma coisa precisa ser feita. Quando não temos efetividade nas ações que estamos realizando, temos que pensar em novas soluções. Acredito que mecanismos específicos de combate direcionados exclusivamente para a Amazônia vão ajudar até o próprio Ibama a agir mais rápido, porque vão avisar antes que o problema ganhe uma dimensão como a que estamos vendo, que encobre uma capital inteira de fumaça”.
Entre os artigos propostos pelo PL 4980/2023 estão:
Criação da Comissão Interestadual de Combate às Queimadas;
Criação do Fundo de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais na Amazônia (FPCIFA);
Alteração do Código Florestal de 2012, integrando a Política Nacional de Manejo e Controle de Queimadas;
Criação de protocolos de resposta rápida;
Promoção de campanhas de conscientização.
Comissão Interestadual de Combate às Queimadas
Um dos destaques do projeto é a criação da Comissão interestadual de Combate às Queimadas, que deve ter um papel fundamental para dar mais atenção às queimadas na região. Ou seja, potencializando o trabalho do Prevfogo na região e funcionando como uma espécie de comitê de monitoramento local. O autor do projeto explica.
“É basicamente uma reunião de setores para atuar, de forma coordenada, no monitoramento, prevenção e combate de queimadas. Chamamos de consórcios intergovernamentais e isso contribui para ampliar a representatividade e a coordenação entre estados, municípios, sociedade civil e setor empresarial que quer combater os incêndios florestais”.
Segundo Amom Mandel, a ideia não é tirar a competência dos órgãos já postos, como o Prevfogo, mas potencializar o seu trabalho na região.
Sobre o Prevfogo
O Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) é um Centro Especializado, que funciona dentro da estrutura do Ibama, e é responsável pela política de prevenção e combate aos incêndios florestais em todo o território nacional. O Prevfogo inclui atividades relacionadas com campanhas educativas, treinamento e capacitação de produtores rurais e brigadistas, monitoramento e pesquisa.
O projeto de lei ainda precisa ser aprovado pelas Comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça para ser votado no plenário da Câmara.
Com o objetivo de estimular a produção sustentável de alimentos por meio de técnicas de manejo agroecológicas, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) recomenda a produção de composto orgânico para utilização nas lavouras. A iniciativa, segundo o órgão, minimiza, também, os impactos das mudanças climáticas nas produções agrícolas e pode ser utilizado em substituição aos fertilizantes químicos.
De acordo com o gerente de Apoio à Agroecologia e Produção Orgânica (Geapo) do Idam, Mario Ono, a compostagem orgânica é um processo de decomposição de resíduos orgânicos de origem animal e vegetal, livres de contaminantes, que resulta composto orgânico. O bioinsumo, segundo ele, é utilizado na nutrição vegetal para o fornecimento de macro e micronutrientes às plantas, além de melhorar a estrutura e aumentar a atividade microbiana do solo.
“Para o preparo do composto orgânico, recomenda-se o uso de folhas secas, serragem, cinza, cupinzeiro, capim, palha, serapilheira, pau, esterco de gado e outros animais, cama de galinha, restos frescos de peixe, restos de culturas e folhas de leguminosas, que são materiais facilmente encontrados nas propriedades rurais”, informou o gerente.
Ono ressalta que a pilha de resíduos deve ser feita em um local próximo a fonte de água. Além disso, é importante que esteja fora do alcance de animais e crianças e, ainda, à sombra de árvores para não secar rapidamente em períodos de maior incidência solar.
Foto: Marfran Vieira/Idam
O preparo
A montagem da pilha de compostagem deve ser preparada com as seguintes camadas: 15 a 20 cm de material seco rico em carbono (material vegetal), cobrindo toda área demarcada; mais ou menos 5 cm de resíduos fonte de nitrogênio (estercos de animais); uma camada de 10 a 15 cm de material verde rico em carbono (material vegetal); uma camada fina de 1 a 2 cm de terra fértil ou cinza; as próximas camadas são a repetição das anteriores, até atingir uma altura de 1,5m.
Segundo ele, o composto fica pronto em torno de 90 a 120 dias, dependendo do número de reviradas e do tipo de materiais utilizados, quando estiver soltinho, com a cor marrom e cheiro de terra. “Para tanto, é importante controlar umidade e temperatura da pilha de compostagem para se obter um composto orgânico de qualidade. Depois disso, o composto deve ser peneirado e o material que não ficou bem decomposto deve ser adicionado a uma nova pilha de compostagem”, reforçou o gerente.
Partindo da premissa de que a geração de conhecimento possa ser revertida em benefício à sociedade, sobretudo à população de menor poder aquisitivo, o Laboratório de Ciências dos Alimentos (LCA), da Faculdade de Nutrição (ICS/UFPA), vem desenvolvendo estudos e pesquisas com a pupunha branca, uma variedade pouco consumida, de reduzido interesse comercial, encontrada em diferentes partes da Amazônia.
Também chamada pupunha albina, essa variedade possui casca e polpa inteiramente brancas. Apesar da polpa abundante, ela possui menos óleo que outras variedades: vermelha, amarela e verde – o que a torna mais seca, dando a sensação de formação de farinha na mastigação, e reduz a procura para seu consumo. No entanto é importante destacar que a pupunha branca é rica em compostos, como amido e fibra, conforme apontaram as pesquisas desenvolvidas no LCA, lideradas pela pesquisadora professora Orquídea Vasconcelos dos Santos, do Grupo de Pesquisa Aplicação de Tecnologias Analíticas para Agregação de Valor a Produtos e Subprodutos da Fruticultura Amazônica, chancelado pelo CNPq.
Um desses estudos foi realizado por Rosely Carvalho do Rosário, durante o Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA/UFPA), em que comprovou o elevado teor de amido da pupunha branca e a sua diversidade de uso. A dissertação ‘Caracterização do amido da pupunha albina’ deu continuidade às pesquisas nas quais os estudos de constituintes isolados dessa matriz vegetal reconheceram a alta potencialidade desse fruto, com destaque para a composição amilácea, ou seja, rica como fonte de amido.
“Partindo para uma etapa até então não realizada no campo científico, realizamos o isolamento desse amido e aprofundamos o estudo, avaliando características nutricionais, funcionais e tecnológicas. O isolamento apresentou um bom rendimento e alta potencialidade de aplicação em diversos segmentos industriais”, conta a pesquisadora, que defendeu sua dissertação em fevereiro de 2024.
Ela explica que, na caracterização, o amido do fruto em questão é analisado como um todo, desde a quantidade de proteínas e sais minerais até as suas potencialidades de aplicação, justamente para dizer à comunidade científica em que ele pode ser empregado. Um dos achados das pesquisas do grupo do LCA é que o amido de pupunha branca pode ser empregado tanto no desenvolvimento de alimentos como na indústria farmacêutica, por exemplo, na encapsulação de medicamentos e de compostos bioativos, na indústria da panificação e de massas, na área tecnológica, na fabricação de bioplásticos para envolver alimentos, entre outras.
Pesquisa garante que o fruto não apresenta risco à saúde
No Laboratório de Ciências dos Alimentos, as pesquisas com pupunha começaram em 2018, mas foram interrompidas em decorrência da pandemia da covid-19, o que causou perda de amostras e problemas com as parcerias científicas. A ideia de pesquisar a pupunha branca surgiu como uma forma de desmistificar o receio das pessoas em consumir o fruto, seja pela aparência, por medo de envenenamento, seja por achar que não gostariam do sabor. As pesquisas, no entanto, mostram que a pupunha branca pode ser consumida sem nenhum risco.
Segundo a professora Orquídea Vasconcelos, a pupunha branca causa uma admiração nas pessoas em razão da cor diferente, mas os vendedores dizem que vende muito pouco.
“As pessoas se admiram, mas não compram. Por causa desse pouco interesse comercial, os agricultores acabam utilizando-a como rejeito. Eles deixam na árvore até apodrecer. Depois trituram e colocam na raiz das plantas”, explica.
Buscando evitar esse desperdício, o grupo de pesquisa propôs adicionar o amido de pupunha branca ao trigo no preparo de pães e massas como forma de baratear a produção. De acordo com o que se sabe, o trigo é uma matéria-prima que encarece bastante os produtos, porque grande parte é importada para o Brasil. “Você pode substituir parcialmente o trigo daqueles produtos pelo amido de pupunha branca e de outras fontes não convencionais, assim barateando a produção da indústria e o preço ao consumidor”, informa.
A pesquisadora esclarece que o amido de pupunha não substitui o trigo totalmente, visto que eles têm propriedades diferentes: “Estamos testando proporções diferentes, de modo a manter a propriedade final do produto. O pão, por exemplo, não pode perder a propriedade elástica, dada pelo trigo. Isso está sendo feito por meio de uma substituição proporcional. Adicionamos 5, 10, 15% de amido ao trigo e observamos até onde a massa se mantém elástica e palatável”.
Orquídea Vasconcelos informa que é possível extrair amido de qualquer variedade de pupunha, mas o rendimento e a coloração variam conforme a cor do fruto. A pupunha branca fornece um amido branco mais apropriado à mistura com o trigo por não alterar a coloração dos produtos.
A pesquisadora cita um estudo do LCA sobre a composição mineral dos amidos de pupunhas, mostrando que essa composição não oferece nenhum risco à saúde humana.
“Realizamos esse rastreamento. Os metais pesados, para nós, do campo da nutrição, são extremamente importantes por causa dos efeitos danosos à saúde, mas, no caso das pupunhas, não representam nenhum risco. As pessoas devem consumir a pupunha branca sem receio”, diz.
Análise nutricional e funcional apresenta bons resultados
Foto: acervo da pesquisa
Em janeiro de 2023, a pesquisadora Mayara Santos defendeu sua dissertação no PPGCTA, na qual avaliou a composição nutricional e funcional dos extratos lipídicos isolados de variedades de pupunhas (vermelha, amarela, verde e branca), concluindo que o rendimento da pupunha branca é menor do que o das outras pupunhas. O rendimento é a quantidade de óleo presente em 100g de amostra. Enquanto as outras pupunhas oscilam entre 15 e 20%, a quantidade de óleo da pupunha branca é de 7%. Tendo menos óleo, ela perde o sabor.
No entanto a pesquisa detectou que, em relação à composição de ácidos graxos, a pupunha branca mantém a sua funcionalidade na prevenção cardiovascular, dado que os índices de aterogenicidade e trombogenicidade e as taxas hipocolesterolêmicas (redução do colesterol), por exemplo, ainda estão presentes em seu óleo, mesmo em quantidades reduzidas.
A pupunha branca também apresenta baixo teor de carotenoides, uma provitamina A que exerce, no organismo, a função de proteção contra agentes oxidantes celulares, podendo, assim, minimizar a etiologia de doenças cardiovasculares e o envelhecimento celular. Em escala progressiva, a pupunha vermelha apresenta maior teor de carotenoides; a amarela, um pouco menor; a verde, menor ainda. A branca é a última dessa escala.
De acordo com a professora Orquídea, as pesquisas do LCA buscam desenvolver produtos aplicando as potencialidades de cada uma dessas matrizes, ou seja, isolando e elaborando produtos alimentícios de fácil consumo e de custo reduzido. Alguns exemplos são as farinhas utilizadas em massas (biscoitos, pães, cookies e snacks em geral) e os óleos extraídos como fontes coadjuvantes na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, a provitamina A (carotenoides).
Laboratório tem dois pedidos de patente em tramitação
Atualmente, o Laboratório de Ciências dos Alimentos (LCA) está com dois pedidos de patentes em tramitação no Instituto Nacional da Propriedade Industrial; e um terceiro, postado. O processo é realizado em três etapas: a postagem e duas avaliações. A segunda avaliação encerra o processo, que leva em torno de quatro anos.
Orquídea Vasconcelos revela a preocupação social que norteia os trabalhos desenvolvidos no laboratório:
“Nossa intenção é que essas patentes sejam geradoras de conhecimento, tanto para os pesquisadores, dentro da Universidade, como para os agricultores e a população em geral. Não temos a pretensão de chegar às grandes indústrias, mas, sim, melhorar o aporte da cadeia produtiva, chegando ao pequeno produtor. Quando elaboramos um produto, normalmente visamos à merenda escolar, então não podem ser produtos caros. Pensamos em tamanhos menores, fáceis de transportar e de serem manipulados pelas merendeiras. Queremos baratear e incrementar o Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)”, explica.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, edição 172, da UFPA, escrito por Walter Pinho