Acre é pioneiro na implementação de programas estruturados para proteção ambiental e uso sustentável da biodiversidade. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC
O Ranking Estadual de Gestão Sustentável de Ativos Verdes, avaliação realizada pelo Centro de Liderança Pública (CLP), colocou o Acre em oitava posição entre as unidades da federação em relação a ativos verdes, que são recursos voltados para projetos de sustentabilidade.
Divulgado em dezembro, o levantamento avalia os entes subnacionais a partir de indicadores alinhados à visão ESG (environmental, social and governance) e à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e espelha a multidisciplinariedade da agenda de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental, expressos nas metas desenvolvidas pelas organizações internacionais.
O levantamento inédito mede o desempenho das 27 unidades federativas a partir de 33 indicadores, distribuídos em quatro pilares temáticos considerados fundamentais para a promoção da gestão ambiental dos estados: gestão do Cadastro Ambiental Rural (CAR), uso da terra, orçamento verde e sustentabilidade. Todos os dados são públicos do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar) e demais fontes, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Sistema Nacional de Informações Florestais (Snif), entre outros.
Com os dados e cruzamento, há como medir, segundo o estudo, a associação entre crescimento econômico e bem-estar e a promoção dos indicadores de sustentabilidade.
Acre no protagonismo
O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Serviços Ambientais do Acre (CDSA), José Luiz Gondim, afirma que o Acre tem se destacado no cenário nacional e internacional como protagonista no mercado de ativos ambientais, consolidando-se como referência em práticas sustentáveis e na gestão de recursos naturais.
“Sua localização estratégica na Amazônia Ocidental, aliada a políticas públicas robustas desenvolvidas desde o final do século 20 junto às diretrizes globais de sustentabilidade, posiciona o estado como um importante ator nas relações bilaterais e multilaterais voltadas para o mercado de carbono e a economia verde”, detalha.
O ranking é um reconhecimento do potencial estratégico do estado, que é pioneiro na implementação de programas estruturados para proteção ambiental e uso sustentável da biodiversidade, incluindo iniciativas como o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (Sisa) e desenvolvimento do Programa Isa Carbono, que possibilitou a implantação do primeiro programa de REDD+: REM Early Movers, financiado pelos governos inglês e alemão.
Outro coeficiente de grande impacto nesse resultado, que coloca o estado entre os dez que mais associam desenvolvimento e sustentabilidade, é o fato de o Acre ter mais de 98% da área cadastrada no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), com previsão de orçamento verde, com Plano Decenal de Desenvolvimento Socioeconômico Sustentável e um forte arcabouço técnico e científico que orienta decisões estatais como o Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE) e o Plano Estadual de Controle de Desmatamentos e Queimadas (PPCDQ).
“Essas ações e estratégias institucionais, integradas aos marcos regulatórios, internacionais, nacionais e estaduais, conferem ao Acre capacidade técnica e institucional para habilitar-se ao padrão internacional ART-Trees (The REDD+ Environmental Excellence Standard), permitindo a geração de créditos de carbono de alta qualidade e credibilidade no mercado global”, observa o presidente da CDSA.
Para Gondim, a posição do Acre no ranking reforça a posição de destaque e é determinante para o fortalecimento do mercado verde e para atrair investimentos internacionais.
Alguns dados do REM
A experiência do Acre com o Programa REM (REDD Early Movers), na avaliação do gestor, trouxe valiosas lições, que reforçam a capacidade de liderança no mercado de ativos ambientais, como o primeiro programa implementado no território brasileiro.
Durante as fases I e II, o estado utilizou a metodologia Acre Carbono Standard (ACS), devidamente convalidada internacionalmente, garantindo alta credibilidade e reconhecimento global.
“Além disso, os valores remanescentes de tCO2eq [ferramenta usada para comparar as emissões de diversos gases de efeito estufa], provenientes do contrato com os governos da Inglaterra e da Alemanha, permitiram a internacionalização de mais de cem milhões de toneladas de ativos em contabilidade verde, posicionando o Acre para atuação estratégica em mercados internacionais de carbono de mercado voluntário”, frisa.
O programa beneficiou, ainda em sua primeira fase, entre 2012 e 2018, diretamente 21.940 famílias, incluindo 7.929 pessoas em 28 terras indígenas, promovendo o manejo sustentável de florestas e o aumento de estoques de carbono florestal.
Os projetos possibilitaram capacitação, aquisição e manutenção de equipamentos para sistemas agroflorestais, assistência técnica, insumos, regularização fundiária, apoio logístico e fomento à produção, entre outros.
“As principais lições aprendidas incluem a importância de uma governança participativa, a necessidade de integração entre políticas públicas e a relevância de mecanismos de repartição de benefícios que alcancem as comunidades locais. Essas experiências posicionam o Acre como um estado preparado para implementar e gerir programas de REDD+ em larga escala, com transparência, eficácia e solidez no mercado global de carbono”, garante o presidente da CDSA.
Planejamento e estratégias
O Plano de Desenvolvimento Socioeconômico Sustentável do Acre, conhecido como Agenda Acre 10 Anos, define, a longo prazo, as prioridades para a próxima década, distribuídas em seis pilares para o desenvolvimento: reinvenção das cadeias produtivas, infraestrutura, cultura e turismo, capital humano, ambiente de negócios e inovação e serviços públicos ao cidadão.
Para cada pilar de desenvolvimento foram definidos indicadores e metas para os anos de 2023 a 2032.
“Esse plano visa promover o desenvolvimento socioeconômico com o uso sustentável dos recursos naturais, a diversificação e elevação de bens e serviços, e a geração de emprego e renda. A Agenda Acre 10 Anos foi apresentada durante a COP27, reforçando o compromisso do Estado com a sustentabilidade e a justiça social”, explica José Luiz Gondim.
O Estado já se destaca em negociações internacionais de carbono, sendo reconhecido como um parceiro confiável e estratégico em acordos bilaterais e multilaterais. A posição do Acre no mercado de ativos ambientais de carbono é sustentada por evidências empíricas e normativas que apontam para a correlação entre crescimento econômico, bem-estar e sustentabilidade, avalia o gestor.
“O Acre representa um exemplo vivo de como um estado pode aliar conservação ambiental, desenvolvimento sustentável e protagonismo geopolítico em mercados verdes. Sua abordagem inovadora, fundamentada em experiências exitosas em REDD+ Jurisdicional com a implementação do REM e na aplicação de metodologias reconhecidas internacionalmente, evidencia a capacidade do estado de traduzir seus vastos recursos naturais em ativos ambientais que beneficiam tanto a economia quanto as comunidades locais”, acentua.
O compromisso com a gestão dos recursos naturais e com a integração de políticas públicas robustas posiciona o Estado como um líder global no enfrentamento dos desafios climáticos, na visão de Gondim.
“No cenário internacional, o Acre surge como um catalisador para a construção de uma economia verde, liderando negociações bilaterais e multilaterais que contribuem para a transição econômica global. Assim, ao reforçar sua posição como referência em governança ambiental e inovação sustentável, o Acre não só consolida sua relevância no mercado de carbono, mas também reafirma seu papel como um ator essencial na agenda climática e ambiental global”, completa.
Para o governador Gladson Cameli, esse é o resultado de uma gestão realizada em conjunto, atuando em sinergia e colocando o bem-estar das pessoas em primeiro lugar.
“Queremos reforçar nosso compromisso de manter tudo aquilo que acordamos: o planejamento e a atenção à questão ambiental. Não abrimos mão desse compromisso. O Acre deve estar no protagonismo. Então, parabéns a todos os envolvidos. O mais importante é que, juntos e em colaboração, vamos conseguir alcançar nossos objetivos. A união é um fator essencial. Da parte do governo e de toda a equipe, nosso compromisso é não descumprir nenhum dos acordos firmados. Peço sempre essa compreensão e estou à disposição para qualquer coisa que precisarem”, ressalta Cameli.
Professora em escola rural indígena em Roraima: com projeto, profissionais terão provas de seleção com conteúdos específicos. Foto: Jackson Souza/Prefeitura de Boa Vista
O projeto de lei (PL 4414/2024) prevê o ensino adaptado às características da vida rural, indígena e quilombola em cada região do país. A proposta da senadora Teresa Leitão (PT-PE) inclui a necessidade de conteúdos curriculares e metodologias apropriadas a essas realidades.
O texto altera a Lei 9.394, de 1996, sobre as diretrizes e bases da educação (LDB). O objetivo é reconhecer as especificidades do ensino voltado para públicos com baixa visibilidade nas políticas públicas educacionais.
O PL pretende consolidar as diretivas do Plano Nacional de Educação (PNE) na LDB. O projeto acrescenta um artigo determinando que a seleção de professores para a educação indígena, do campo e quilombola deve ser, preferencialmente, por concurso público específico. E estabelece que o poder público deve incentivar a formação e a seleção de professores oriundos das próprias comunidades atendidas.
“Embora a distinção entre áreas rurais e urbanas seja bem estabelecida no âmbito educacional e a educação indígena também tenha se consolidado como modalidade de ensino, é bem mais recente a percepção de que os povos quilombolas e os diversos segmentos da educação do campo (…) possuem especificidades que devem ser consideradas pelas políticas públicas, entre as quais as de educação”, defende Tereza, na justificação do projeto.
A parlamentar inclui entre os segmentos considerados “educação do campo” agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, assentados e acampados da reforma agrária, trabalhadores assalariados rurais e comunidades que vivem na floresta.
LDB e PNE
A LDB já prevê programas integrados de ensino e pesquisa, com escolas bilíngue e intercultural para os povos indígenas. O propósito é recuperar memórias, reafirmando as suas identidades étnicas e valorizando línguas e ciências. Também recomenda a formação de pessoal especializado, o desenvolvimento de currículos com publicação de material didático específico e diferenciado.
O PNE 2014-2024 também incluiu a oferta de um programa para a formação de educadores para essas populações tradicionais e itinerantes, além de comunidades indígenas e quilombolas. A senadora argumenta que a proposta aumentará a qualidade do ensino ao aprofundar o conhecimento da realidade local e respeitar o perfil de cada povo.
A Galeria Municipal de Artes da Fundação Cultural de Palmas (FCP) recebe a exposição ‘Nativos’, do fotógrafo e indigenista Fernando Amazônia. A mostra está aberta até 31 de janeiro, de segunda a sexta-feira, das 8 às 22 horas, e propõe uma reflexão sobre a presença histórica e contemporânea dos povos indígenas em Palmas e no Tocantins.
‘Nativos’ é fruto de uma iniciativa da Associação de Preservação Ambiental e Valorização da Vida (Ecoterra), fundada em 24 de setembro de 1995. Com uma trajetória de quase três décadas, a Ecoterra atua nas áreas de educação, cultura e meio ambiente, sempre com um compromisso profundo com a valorização da vida e o respeito às tradições indígenas.
Entre suas ações, destacam-se os intercâmbios étnicos, participação em eventos como jogos, fóruns e seminários indígenas, e programas de habitação social com cotas para grupos étnicos. Além disso, a associação promove capacitações tanto em escolas urbanas quanto em aldeias, consolidando uma abordagem ampla e inclusiva na defesa dos direitos e da cultura dos povos originários. Esse conjunto de ações contribuíram na classificação do projeto ‘Nativos’, no edital Nª 006/FCP, PROMIC 2013.
‘Nativos’
Resultado de uma relação orgânica e respeitosa de Fernando Amazônia com os povos indígenas, a exposição é composta por fotografias marcadas por uma estética em preto e branco, que enfatiza a dualidade entre luz e sombra, e revela as características étnicas de indígenas que vivem em Palmas.
As imagens registram tanto a herança ancestral quanto a presença contemporânea dos povos nativos, tecendo um elo entre o passado e o presente, e convidando o público a refletir sobre a preservação dessas identidades.
Foto: Fernando Amazônia
O artista
Fernando Amazônia nasceu em Miracema do Tocantins, em 1981. É fotógrafo, professor, geógrafo e indigenista, militante dos movimentos socioambientais e atualmente vive em Palmas. É no ativismo que revela as belezas e contradições socioculturais do povo brasileiro, em especial do centro do Brasil, além de uma relação intensa com as questões ambientais, como os povos das florestas, daí o nome artístico Fernando Amazônia.
O artista se considera como filho da terra e como tal procura registrar, estudar o universo do lugar onde vive, dentro de um universo muito pessoal, onde a imersão na natureza é algo buscado como parte fundamental na criação de sua obra e na reconexão com seu ser.
Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
São 250 artigos durante 250 semanas, sem nenhuma interrupção, desde fevereiro de 2020. Nesta época, ainda não havia explodido a pandemia no Brasil e a ameaça parecia muito distante. Lembro que as pessoas ainda brincaram o carnaval, algumas semanas antes do isolamento, a que fomos todos submetidos.
No artigo 200, comentei como ocorreu o convite para escrever para o Portal Amazônia, pertencente ao Grupo Rede Amazônica de Comunicação, onde eu atuava como membro do Conselho Consultivo. Aceitar o convite era uma forma de aumentar o meu nível de contribuição ao grupo, além de uma honra. Seria por algum tempo, não por muito tempo. Sobre o tema dos artigos, não seria sobre a região, temática central do portal, já que não estaria qualificado por não ser de lá, mas algo para somar aos seus leitores. Poderia ser em uma frequência irregular, quando fosse possível, mas optei por estabelecer a mim mesmo o desafio de escrever semanalmente. Por poucas semanas. Até aqui, por 250 semanas.
Os artigos não se limitaram ao Portal Amazônia, que ajudou a materializar algo que estava sendo demandado pelo MCI (Mentoring Coaching Institute). A causa do instituto é a construção consciente da Felicidade, a consciência de que a cada um nós cabe construir a nossa felicidade. Ela é o objetivo final de todas as pessoas. Assim, o tema ficou definido como Felicidade. Para o portal, Felicidade no Mundo Corporativo, como está até hoje. O tema é abrangente e o conteúdo vem sendo tratado em diferentes abordagens para pessoas e para empresas. Em algum momento, foi incorporada à plataforma do Spotify e depois a do Youtube.
Em diversos pontos da jornada, estive tentado a interromper. Uma das limitações é o tempo disponível para isso, que é sempre um desafio. Chegar a 50 semanas foi a primeira marca, depois a 100 e a 150. Decidi que se chegara até ali, conseguiria ir até 200 artigos. Mais uma vez, segui em frente e me deparo aqui, no artigo 250, novamente em uma encruzilhada entre parar e seguir. Em cada momento destes, havia e há a questão: qual o sentido?
Em alguns momentos, o sentido veio pelo sentimento de cumprimento de Missão e de Propósito. Quando sentimos que estamos fazendo o que viemos fazer (Missão) e trabalhando algo de grande significado para nós mesmos (Propósito), uma coisa potencializa a outra e surge fortemente o Sentido.
Em outras ocasiões, este sentimento foi reforçado pelo incentivo de qualquer comentário, de qualquer leitor. Não fico preso a quantidade de leitores, embora de vez em quando goste de visitar os relatórios, mas qualquer pessoa que o leia e dê um retorno, mesmo que seja crítico, é muito significativo.
Em muitos momentos, senti um grande prazer em escrever. Isto ocorreu todas as vezes em que me senti plenamente conectado, como se estivesse apenas digitando algo que vem de algum lugar. Talvez venha do meu anjo da guarda ou do que os romanos chamavam de genius ou os gregos de musas, cuja função é inspirar seres humanos à arte. São forças interiores que atuam contra a resistência, que limita o uso de nossa capacidade criativa, segundo o roteirista de Hollywood Steven Pressfield. Sentir-se conectado a esta força interior e ser instrumento dela é uma sensação das mais prazerosas.
Nos questionamentos de parar ou seguir, o coração vem sendo ouvido e a razão também. Não sou capaz de medir o quanto os textos beneficiaram ou não os leitores, mas, racionalmente, reconheço alguns ganhos pessoais que tive. Um deles é o treino da disciplina e da determinação. Fazer o que me proponho a fazer me gera realização, que é uma das dimensões da felicidade. A busca pela realização também faz parte do sentido.
Quero agradecer ao Portal Amazônia e ao MCI pelo espaço. Quero agradecer ao meu anjo de guarda, ao meu genius interior e a minha musa. Quero agradecer a minha esposa Cláudia, que revisou todos os 250 artigos, a equipe de apoio que operacionaliza a publicação e a cada um dos leitores, que fizeram haver sentido nas publicações até aqui. Como você pode ver, é um verdadeiro trabalho em equipe. Se os artigos vão prosseguir? Quem sabe você não possa me ajudar a decidir?
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
Quando chega o período de chuvas mais intensas, conhecido como inverno amazônico, a incidência de acidentes com animais peçonhentos tende a aumentar em Rondônia e outros estados da Amazônia. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO), esse fenômeno ocorre principalmente devido ao comportamento dos animais, que saem de seus habitats naturais em busca de abrigos mais secos e quentes, o que acende um alerta para a população.
As espécies mais comuns incluem aranhas, escorpiões, lacraias, serpentes e outros animais, inclusive alguns tipos venenosos, que são encontrados em quintais e terrenos que acumulam entulhos, como madeiras e tijolos. A Corporação orienta que medidas básicas podem ser fatores decisivos para evitar ataques que podem levar a casos mais graves.
O tenente BM José Feliciano dos Santos Filho, que atua nas ações de orientação e captura realizadas pelo CBMRO, destaca a necessidade de conscientização sobre os cuidados necessários neste período chuvoso no estado.
“A prevenção é a chave para reduzir o número de acidentes, e estar atento aos sinais da presença desses animais com medidas simples pode salvar vidas. Além disso, o Corpo de Bombeiros realiza resgates, ações educativas e está à disposição para fornecer informações sobre locais de risco e como proceder em caso de acidentes”, explicou.
Cuidados em casa
Um espaço limpo e organizado tem menos chances de abrigar animais peçonhentos. Por isso, é recomendado manter o quintal limpo e evitar o acúmulo de detritos, sempre utilizando Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) no momento da limpeza. Outra medida é vedar frestas em portas, janelas e buracos no piso, para proteger as aberturas ao redor e garantir que locais inapropriados da casa não sirvam de esconderijos para animais, como cobras e lacraias.
A população deve, ainda, revisar periodicamente áreas como porões, sótãos, banheiros e garagens. A presença de aranhas, por exemplo, é comum nesses locais, especialmente as mais venenosas, que podem causar sérios problemas de saúde se não tratadas rapidamente. Já os escorpiões, frequentemente encontrados em áreas de pouca circulação, também são uma preocupação durante o inverno, pois se deslocam em busca de calor e umidade.
Em caso de acidentes
Em caso de ataque de um animal peçonhento, como uma mordida de serpente, picada de escorpião ou aranha, é essencial procurar atendimento médico de emergência imediatamente. O estado de Rondônia conta com unidades especializadas e multiprofissionais, como o Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cementron), que oferece atendimento de urgência, acompanhamento de casos de envenenamento e avaliação adequada ao tratamento de vítimas.
O tenente BM José Feliciano, ressalta ainda que, em algumas situações, o animal pode ser capturado e devolvido ao seu habitat natural, o que também ajuda a evitar futuros acidentes. “Caso algum desses animais seja encontrado dentro ou perto de casa, é importante manter a calma e evitar o contato direto. O responsável pelo local deve entrar em contato com o 193, que fará o resgate do animal, além de prestar as orientações necessárias. A colaboração da sociedade é decisiva para minimizar eventuais acidentes e preservar a saúde e segurança de todos”, orientou.
Outros canais de informação
Além do 193, o cidadão também pode contatar outros canais de comunicação disponíveis para garantir atendimento rápido e adequado. Podem ser acionados os seguintes números de emergência: 190 (Polícia Militar) e 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU).
Prestes a completar 409 anos, a cidade de Belém tem muitos motivos para celebrar. Em alguns meses, a capital paraense, também conhecida como ‘Portal da Amazônia’, vai sediar o evento mais importante de mudança climática do mundo: a reunião da cúpula climática da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP30, ‘Conference of the Parties‘. Neste edição, o evento ganhou dos paraenses o codinome de ‘COP da Floresta’. Belém será a primeira cidade do Brasil a receber a COP.
Em paralelo, o Plano Estadual de Bioeconomia, que tem como objetivo investir, principalmente, na sociobiodiversidade e na valorização do conhecimento tradicional, visando ao desenvolvimento socioeconômico baseado em baixas emissões de gases de efeito estufa (GEE), já implementou mais 55% das 114 ações previstas em seu planejamento, impactando diretamente a realidade de mais de 200 mil pessoas e estimulando a renda de aproximadamente 1.800 famílias, através de fomento das cadeias da sociobiodiversidade, rodadas de negócios, feiras da bioeconomia, entre outros.
Foto: Divulgação/Fapespa
O Plano, enquanto instrumento de política pública do Estado do Pará, já injetou mais de R$ 77 milhões em mais de 1.000 negócios que promovem a valorização do conhecimento tradicional, soluções baseadas na natureza e economia de baixas emissões de carbono.
Lançado pelo Governo do Pará oficialmente durante a COP 27, realizada no Egito, no final de 2022, o Plano é coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente (Semas) e ancorado na Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), sendo também um dos componentes do eixo desenvolvimento socioeconômico de baixo carbono do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA).
Desenvolvimento
O Plano prevê a promoção de soluções baseadas na natureza consolidando três eixos estratégicos:
– Fomento a cadeias produtivas, que conciliam desenvolvimento econômico com a preservação ambiental, produção de bioprodutos, manejo florestal sustentável e agricultura familiar;
– Reconhecimento e valorização da cultura e do conhecimento tradicionais das comunidades locais, com proteção da biodiversidade e do patrimônio genético do Estado;
– Apoio à pesquisa científica e tecnológica voltada ao desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios da bioeconomia.
“Este plano permite que os conhecimentos ancestrais dos indígenas, dos quilombolas, possam impulsionar uma indústria de biomateriais. Hoje, o plano de bioeconomia do Pará já aponta e subsidia o plano nacional de bioeconomia que está sendo confeccionado pelo governo federal. Cresceremos ainda mais com a construção do Parque de Bioeconomia da Amazônia, que entregaremos para a COP 30”, destaca o secretário de meio ambiente do Pará, Raul Protázio Romão.
Investimentos
Dentre os eixos de sustentação do Planbio estão a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, de responsabilidade da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), que priorizam projetos que aliam inovação, sustentabilidade e inclusão social para o desenvolvimento econômico da Amazônia.
Somente em 2023, a Fapespa investiu mais de R$ 11,3 milhões em projetos alinhados à bioeconomia e voltados para a valorização do conhecimento tradicional amazônida.
Já em 2024, mais R$ 10,5 milhões foram investidos para novos projetos de ciência, tecnologia e inovação. Um montante que até 2026, deve chegar a R$ 17.645.152,25 para o complemento de projetos já contratados. Esse trabalho prevê ainda novos editais e parcerias que estão em andamento e com a previsão de que em 2025, possamos contar com um aporte de mais R$ 15 milhões.
Apenas na região do Guajará, que inclui a cidade de Belém, atualmente, são fomentados 33 projetos pela Fapespa. Desses, sete projetos são diretamente ligados a pesquisas com novos alimentos que podem ser extraídos da bioeconomia. Há também oito projetos de startups que são fomentadas por meio do programa Centelha, realizado em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
São projetos na área do desenvolvimento econômico de base social do chocolate, de conexão do campo e da cidade para uma agricultura mais sustentável, beneficiamento de sementes de açaí, negócios de bioeconomia que têm um potencial muito grande de geração de emprego e renda, geração de energia limpa e sustentável; novos bioativos para as indústrias farmacêuticas e de cosméticos; validação acadêmica dos conhecimentos ancestrais, entre outros.
“De uma forma geral a Fapespa garante com pesquisas e estudos o desenvolvimento de novos setores ligados à bioeconomia. São novas indústrias verdes na área de biotecnologia, bioenergia, biorrefinarias, que vão certamente impulsionar este mercado. Além disso, a formação e a capacitação de mão de obra altamente especializada, através de quatro programas de pós-graduação incentivados pela Fapespa fomentados com bolsas de estudos no nível de mestrado, doutorado formarão os novos pesquisadores nessa área da bioeconomia”, destaca o presidente da Fundação, Marcel Botelho.
Foto: Divulgação
Biotecnologia
Entre esses projetos está o “Soluções Biotecnológicas para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Um projeto inovador que busca promover soluções biotecnológicas para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. A iniciativa aposta no aproveitamento de bioinsumos, como óleos e manteigas vegetais, e na valorização de resíduos agroindustriais, integrando o conceito de biorrefinaria.
Na Amazônia, onde a economia ainda é fortemente baseada no extrativismo, a pesquisa explora a valorização de resíduos lignocelulósicos e lipídicos para a geração de produtos como gás de síntese, polímeros e catalisadores avançados. Além disso, o uso de cianobactérias e rejeitos de mineradoras está sendo investigado para a produção de novos materiais e processos.
“A valorização dos resíduos é algo que pode gerar um novo produto, um lixo, que após os estudos de tecnologias, poderemos utilizar para gerar novos produtos. Tudo pode fazer com que essa cadeia seja ainda mais circular, favorecendo um ambiente de reutilização, de sustentabilidade e acima de tudo gerando renda e emprego para as pessoas da nossa cidade e mais qualidade de vida”, explica o professor Luis Adriano, Doutor em Físico-Química e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da UFPA.
A iniciativa também fortalece a bioeconomia local ao capacitar cooperativas e comunidades na extração e beneficiamento de óleos vegetais, como o de andiroba. Resíduos de cadeias produtivas, como a do açaí, são transformados em novos produtos, ampliando a economia circular e gerando empregos na cidade.
Botelho explica que com essas ações cria-se ambiente para atrair mais investimentos com empresas mundo afora e a redução dos impactos ambientais, o uso sustentável dos recursos naturais e o desenvolvimento de produtos novos.
“Observamos que é possível fazer a utilização mais eficiente dos recursos locais como os resíduos que podem agregar valor e incentivar a economia circular na nossa cidade. Também conseguimos a redução de importações a partir do uso de produtos locais da bioeconomia. Assim, garantimos que a economia circular retorne às populações tradicionais, a partir do seu trabalho com a floresta viva, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população do Pará como um todo, mas especialmente a população de Belém, que tem muito a ganhar com a criação de novos produtos, desenvolvimento de novas estratégias de bionegocios e o estabelecimento de uma indústria baseada na floresta viva, na bioeconomia”, avalia Botelho.
Abrir e manter pistas ilegais na floresta amazônica tornou-se um negócio em si dentro de Ucayali. Foto: Mongabay Latam
Uma voz angustiada é ouvida do outro lado do telefone. A ligação vem de um território nativo da Amazônia peruana. “Eles estão querendo voar de novo. Por favor, entre em contato com a Dirandro. Por favor, não quero ter problemas na minha comunidade”, arrisca-se a dizer um indígena, cuja identidade permanecerá anônima, que pede a presença de oficiais do Departamento Antidrogas da Polícia Nacional do Peru (Dirandro), enquanto vê um avião desconhecido escondido na floresta à distância.
No meio da escuridão, sem que ninguém pudesse vê-lo e com a respiração agitada, ele narra como um grupo de homens anota um carregamento de drogas em uma pista de pouso ilegal aberta no território de sua comunidade. O desespero é evidente, especialmente porque sabe que está enfrentando um monstro gigante entrincheirado em Ucayali, região que se tornou um novo foco do narcotráfico no país.
Esse pedido de socorro é um dos muitos que chegam de diferentes comunidades indígenas da floresta peruana que vivem cercadas pela ilegalidade. O líder que arrisca ligar é uma das mais de cinquenta fontes jornalísticas entrevistadas pela Mongabay Latam, como parte de uma investigação de um ano que conseguiu rastrear um total de 128 pistas de pouso ilegaisem seis regiões da Amazônia peruana: Ucayali, Huánuco, Pasco, Cusco, Madre de Dios e Loreto. Trabalhos de verificação posteriores confirmaram episódios de violência por trás de 76 delas. Dessas, foi constatado que 67 pistas estão ligadas ao tráfico de drogas — a maioria dentro ou no entorno de territórios indígenas.
Cada um desses vestígios de atividades ilegais na floresta foi detectado ou corroborado pelaEarth Genome, organização sediada na Califórnia, Estados Unidos, especializada em análise por satélite do território, com a qual a Mongabay Latam se uniu para trabalhar nesta investigação, e que conta com o apoio do Pulitzer Center. Especialistas desenvolveram uma ferramenta de busca que usa inteligência artificial (IA) para detectar pistas de pouso clandestinas na Amazônia peruana.
Para fazer a análise funcionar, as equipes trabalharam com informações do Open Street Map, com dados de pistas oficiais reportados pelo Ministério dos Transportes e Comunicações, e com vestígios de pistas usadas pelo narcotráfico identificados pelo Dirandro e pelo Governo Regional de Ucayali. Com todas essas informações, a inteligência artificial foi capaz de rastrear padrões semelhantes no território.
“Pedimos para a inteligência artificial procurar características semelhantes em imagens de satélite”, explicam os especialistas, que se propuseram a detectar novos vestígios ilegais escondidos na floresta. Os especialistas comentam também sobre a dificuldade dessa busca: “Imagine localizar um aeródromo a partir do espaço na Amazônia peruana; é como encontrar um palito de dente escondido em um campo de futebol irregular, como localizá-lo entre a grama, a vegetação rasteira e a terra nua”.
Feita a análise por satélite, cada faixa detectada foi verificada com fontes locais e oficiais por uma equipe jornalística da Mongabay Latam, que confirmou a localização, extensão, uso, data de abertura, presença dentro de espaços proibidos — como áreas protegidas, reservas indígenas e concessões florestais — bem como a proximidade de estradas e rios.
Imagens de satélite, que frequentemente tiram fotografias do planeta, nos permitem estabelecer detalhes, como quando as trilhas clandestinas foram abertas, uma vez que basta comparar o traço detectado pela ferramenta de busca desenvolvida com IA com a fotografia anterior do mesmo local, quando a floresta ainda estava de pé.
A análise por satélite das pistas clandestinas detectadas confirma a existência de rotas sólidas de tráfico de drogas que fogem ao controle das autoridades. A facilidade com que as pistas destruídas reabrem é prova disso. De acordo com o coronel da Polícia Nacional do Peru, James Tanchiva, também chefe da Divisão de Manobras Contra o Tráfico Ilícito de Drogas em Pucallpa, os traficantes de drogas mal levam uma semana para voltar à operação quando suas pistas são desativadas. “As organizações que traficam drogas”, diz ele, “têm uma boa logística, têm o braço armado e têm dinheiro. Essa é a realidade.”
A realidade também indica que a ilegalidade vai além do tráfico de drogas. “Estamos em um momento de confluência de crimes no Peru, porque não é mais apenas uma questão de tráfico de drogas, mas vários crimes que estão sendo gerenciados e tratados em conjunto”, comenta Luisa Sterponi, especialista em sensores remotos do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês).
Um relatório de junho de 2024, do qual Sterponi é o autor, afirma que nos últimos três anos houve um aumento na perda anual de floresta, apreensões de madeira ilegal e uma forte expansão das plantações ilícitas de coca. “O número de laboratórios de processamento de cocaína destruídos pela Polícia Antidrogas tem sido o maior do país, acompanhado por um aumento exponencial de pistas clandestinas.”
Sobrevivendo no triângulo da morte
O panorama bruto desenhado pelas narcopistas pode ser visto claramente no triângulo que compõe as regiões de Huánuco, Pasco e Ucayali.De fato, a ferramenta de busca com inteligência artificial gerada pelo Earth Genome evidenciou a alta concentração de pistas de pouso clandestinas em um espaço que poderia muito bem ser chamado de “triângulo da morte”. As pistas e plantações ilícitas de coca são cenário do assassinato de pelo menos 11 indígenas, segundo a Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos do Peru,embora o número suba para 15 na contagem da Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Floresta Peruana (Aidesep, na sigla em espanhol). Fontes locais apontam, no entanto, que as mortes que não são relatadas por medo de represálias não estão sendo consideradas.
“Conheço dois irmãos indígenas que foram assassinados em 2023 e um que desapareceu este ano”, conta um diretor de uma importante federação indígena da região, que pediu a proteção de seu nome. Os assassinatos e desaparecimentos fazem parte da violência enfrentada por 28 lideranças indígenas que estão sob ameaça nas três regiões, segundo mapeamento realizado pela Organização Regional Aidesep Ucayali (Orau).
Os traços ilegais no solo não apenas cortam o território e desmatam as florestas, mas também semeiam dinâmicas de terror. As imagens de satélite fornecem evidências concretas dessa realidade. Das 67 narcopistas detectadas pelo Earth Genome e Mongabay Latam em Huánuco, Pasco e Ucayali, 30 estão dentro de comunidades indígenas e 26 outras próximas a elas. Sete territórios em particular não estão apenas invadidos por pistas como também cercados por elas.
Outro dado relevante é sobre as plantações de coca nas três regiões, que somam 18.742 hectares: 12.221 em Ucayali, 4.960 em Huánuco e 1.561 em Pasco, de acordo com o último monitoramento de coca realizado pela Comissão Nacional para o Desenvolvimento e a Vida sem Drogas (Devida). No caso de Ucayali, a produção triplicou desde 2020, e em Huánuco dobrou.
Em sentido horário, pistas de pouso em Atalaya, Puerto Inca, Reserva Indígena Kakataibo Sul e Oxapampa. Imagens: Airbus DS 2022 / Earth Genome.
Para se ter uma ideia mais clara, é uma extensão equivalente a quase cinco Florestas da Tijuca, no Rio de Janeiro.
A pesquisa também confirmou que as 67 pistas de pouso clandestinas servem ao tráfico de drogas. Pelo menos 60 entrevistados, incluindo fontes locais e oficiais, bem como importantes líderes de três federações indígenas da Amazônia peruana, foram fundamentais para determinar com precisão seu uso.
No meio dessas rotas de tráfico de drogas, vivem comunidades indígenas que dizem estar aflitas com a mudança cultural abrupta que elas trouxeram a suas terras.
Algumas comunidades foram forçadas a dividir seu território com colonos encarregados de transportar carregamentos de drogas, monitorar laboratórios ou abrir novas pistas. Enquanto isso, devem se acostumar a parar sua rotina a cada voo. “Quando um avião vai pousar para ser carregado com drogas, todo o tráfego para. A população também. Isso não acontece com muita frequência, mas é assim que vivemos”, conta um líder indígena que morava em uma comunidade na província de Atalaya e que teve que deixar seu território por segurança.
Um cálculo feito pela Mongabay Latam, com base em dados da plataforma de monitoramento por satélite Global Forest Watch, mostra que, para abrir as 67 pistas, pelo menos 109 hectares de floresta tiveram que ser desmatados. No entanto, Luisa Sterponi, do UNODC Peru, explica que as consequências da presença de pistas clandestinas nas comunidades amazônicas vão além do impacto ambiental do desmatamento. “A abertura de uma pista clandestina é muito maior do que se pode imaginar. Eles têm um impacto direto no desmatamento, mas o impacto real é mais amplo e também envolve dimensões sociais.”
Miguel Guimarães, vice-presidente da Aidesep, está convencido de que o combate à ilegalidade não pode se basear apenas na repressão. “Não se trata apenas de expulsar as pessoas que trabalham em atividades ilegais, mas, para que esse local não seja invadido novamente e essas pessoas não retornem, ações sociais e civis concretas devem ser realizadas”, explica. Caso contrário, acrescenta, “é muito fácil reabrir as pistas clandestinas que foram destruídas, porque naquela área [Ucayali], nos próximos cinco anos, as autoridades não entrarão novamente”.
Duas comunidades localizadas entre Huánuco e Pasco convivem com15 narcopistas dentro e ao redor de seus territórios. A mais antiga das pistas foi inaugurada em dezembro de 2015 e a mais recente em fevereiro de 2023.
“Sim, existem pistas de pouso, não na comunidade, mas ao redor. O Estado sabe quantas pistas existem e onde elas estão. Em Constitución são mais de 100”, conta um líder indígena da região.
As duas comunidades, visitadas por uma equipe jornalística da Mongabay Latam, têm a má sorte de morar no meio de uma das rotas do narcotráfico que se articula a partir da cidade de Constitución, polo do narcotráfico onde “tudo que há de ruim” e “violência, extorsão e assassinatos” fazem parte da rotina, como descreve Florencio Carrillo, executivo do Escritório Regional La Merced, da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Vida sem Drogas (Devida). As comunidades também estão assentadas, além de tudo, em um setor central da floresta, onde convergem as sub-bacias dos rios Pichis, Palcazu, Santa Isabel e parte do Rio Pachitea.
Qual é a razão para o aumento de pistas clandestinas nessa área? Diante da pressão policial e militar no Vraem (Vale dos rios Apurímac, Ene e Mantaro) — local que concentra mais de 38 mil hectares de plantações de folha de coca, a maior quantidade em todo o país — , grupos criminosos são obrigados a deslocar o transporte da droga para outro ponto. Esses novos espaços de comércio são o se chama “triângulo da morte” e onde se observa o chamado “efeito balão”; ou seja, você pressiona um setor do território e a atividade passa imediatamente para outro.
Nicolás Zevallos, diretor de Relações Públicas do Instituto de Criminologia e Estudos sobre a Violência, explica que a área oferece duas vantagens aos traficantes. A primeira tem a ver com a facilidade logística e operacional para o transporte de drogas do Peru para a Bolívia, devido à proximidade dessa área com o país vizinho. E a segunda é a possibilidade de evasão do controle policial e militar.
“Operar dentro do Vraem, que produz muito mais cocaína do que o resto da região, é quase impossível em termos de voos e transporte, portanto é mais fácil deslocar o produto dois ou três distritos para cima e colocar as pistas de pouso nas áreas de Atalaya, Pichis-Palcazu-Pachitea e Aguaytía”, explica Zevallos.
É por isso que as máfias procuram os lugares mais remotos e menos acessíveis, como comunidades indígenas e reservas para povos indígenas isolados.
Nas comunidades nativas do entorno da Reserva Indígena Kakataibo, a inteligência artificial detectou três pistas de pouso clandestinas: uma dentro da reserva e outra ao redor, ambas localizadas na zona norte, e uma terceira muito próxima à zona sul do território protegido. Informação verificada pela equipe jornalística que chegou ao local.
Três outras pistas de pouso foram confirmadas em duas reservas indígenas: uma dentro e outra nos arredores da Reserva Indígena Murunahua; e uma terceira perto da Reserva Territorial Kugapacori, Nahua, Nanti. Nesses casos, os sulcos abertos são observados muito próximos aos rios e no meio da floresta densa.
“É chocante que existam pistas clandestinas em tantas reservas indígenas, o que significa que o Estado não pode garantir a proteção efetiva de nenhuma delas”, diz Vladimir Pinto, chefe da organização ambientalista Amazon Watch no Peru.
Em uma comunidade perto da reserva Kakataibo, um líder indígena disse à Mongabay Latam que “seu território está encurralado” e que as autoridades locais e regionais não prestam atenção às suas queixas. Somente a guarda indígena se esforça para liberar seu território da presença do narcotráfico e de outras atividades ilegais. Isso se repete em todas comunidades adjacentes às reservas dos Povos Indígenas em Isolamento ou Contato Inicial (Piaci).
“A guarda indígena faz rondas, destrói poços de maceração e queima lavouras, mas são muitas”, conta uma fonte no território.
O negócio dos ‘campinhos’
Quem mora na província de Atalaya, em Ucayali, sabe muito bem como funciona o narcotráfico. Os depoimentos o descrevem como um negócio planejado e bem articulado, no qual as pistas desempenham um papel fundamental. De fato, Atalaya é considerada pela Devida uma das áreas com maior concentração de pistas clandestinas em todo o país, e um dos territórios onde a ferramenta de busca desenvolvida com IA detectou uma das maiores concentrações de rastros ilegais.
Em Atalaya só se entra com avisos: não fale com estranhos, entre acompanhado, fique em lugares por pouco tempo e procure sempre passar despercebido. A premissa é clara: não confie em ninguém. Uma vez na área, os avisos dão lugar à dificuldade de conseguir fontes que estejam dispostas a conversar. A maioria deles pede a proteção de seus nomes.
A equipe jornalística conseguiu chegar a uma pista de pouso clandestina recém-aberta e liberada. “São 985 metros, um grande ‘campinho’”, como são chamadas as pistas usadas pelos narcotraficantes nessa parte da Amazônia peruana.
Os responsáveis por ‘facilitar’ a chegada e saída dos aviões carregados de drogas costumam ser pessoas que moram na área e que conseguiram se instalar dentro das comunidades nativas, diz um motorista da região. Seu trabalho é garantir que os traficantes de drogas tenham uma pista de pouso clandestina à sua disposição para que a operação transcorra sem problemas.
“Podem sair até quatro voos por dia. Às vezes, enquanto um avião está sendo carregado com drogas, outro está decolando. Cada operação deve levar no máximo cinco minutos. Assim, a mesma organização consegue transportar até 1.200 quilos de cocaína por dia”, disse uma fonte local ao repórter que visitou a área.
As 31 pistas detectadas na província de Atalaya pela ferramenta de busca desenvolvida com IA são apenas a imagem da situação atual. A pior parte é suportada pelas comunidades indígenas, porque, quando resistem ou se opõem à operação ilegal, tornam-se um obstáculo para as máfias. Ainda mais quando 13 das 31 pistas ilegais de Atalaya estão dentro de seus territórios e outras 13 ao redor. Guardas indígenas são, em muitos casos, a primeira linha de defesa.
No entanto, lutar contra um inimigo tão poderoso sem ajuda é impossível. Organizações criminosas, explicam especialistas, se reestruturam o tempo todo e mudam de estratégia. Agora, por exemplo, eles terceirizam algumas das tarefas da cadeia de ilegalidade, o que dificulta que a polícia e o exército encontrem os responsáveis.
Uma primeira transformação ocorreu com a chegada dos cartéis mexicanos que deram lugar a um sistema de terceirização, explica Nicolás Zevallos, do Instituto de Criminologia e Estudos da Violência. “Agora isso está ainda mais fragmentado, a ponto de basicamente serem os intermediários que controlam o transporte de drogas de um ponto para outro, mas eles não têm controle absoluto de toda a cadeia, usam vários fornecedores”, afirma. Zevallos acrescenta que no Peru, embora existam alguns grandes laboratórios que produzem cocaína, a grande maioria são pequenos laboratórios que produzem volumes reduzidos da droga que são estocados até que uma remessa “mais ou menos importante” seja obtida.
O especialista explica que, para que esse sistema fragmentado funcione, as organizações criminosas transnacionais enviam uma pessoa que serve de conexão com países produtores de drogas, como o Peru. Este sujeito contrata pessoas e coordena com os responsáveis locais a coleta e transporte das drogas, e depois sai.
Luisa Sterponi, do UNODC, concorda que diferentes fenômenos estão sendo observados em torno das drogas, desde o aparecimento de grupos criminosos menores e especializados que prestam serviços diretamente ao narcotráfico, até grupos criminosos transfronteiriços, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) que estão entrando no território peruano. “Esses grupos criminosos dedicados ao tráfico ilícito de drogas também estão se dedicando a outros crimes. A confluência de diferentes delitos nos grupos do crime organizado está aumentando dramaticamente.”
Noam López, professor da Escola de Governo e do Centro de Pesquisas Sociológicas, Econômicas, Políticas e Antropológicas da Universidade Católica do Peru (PUCP), e investigador principal em segurança Instituto de Análise Social e Inteligência Estratégica (Pulso-PUCP), tenta resumir. “Existem grupos do crime organizado instalados no Peru que atuam em todas as atividades ilegais ao mesmo tempo. O que deve ser levado em conta é que essas pessoas têm conhecimento do território e sabem como se aproximar das autoridades.”
Ele explica que geralmente há um líder que desenvolve uma estratégia e que, se for bem-sucedido, a repete diversas vezes: “Um líder organiza todas essas atividades. Então, imagine que você tem um batalhão de 30 a 50 jovens que têm o conhecimento do território. Quando ele se dá bem em um lugar e tem tudo organizado, passa para outra área. É isso que está acontecendo.”
Na cidade de Constitución, distrito de Pasco, as aeronaves leves são quase um símbolo local. Nas proximidades, encontram-se dezenas de pistas ilegais detectadas pela ferramenta de busca desenvolvida com IA para esta investigação. Foto: Mongabay Latam.
O especialista indica que a transferência de conhecimento é rápida e que, se alguém morre, é imediatamente substituído, pois já existem outras pessoas que conhecem o sistema. “É por isso que, se você destruir algumas pistas, elas são construídas e voltam a operar muito rapidamente.” A estratégia, especifica López, inclui a criação de empresas para lavar dinheiro. “Nosso foco deve ser o crime organizado, a lavagem de dinheiro e tudo o que tem a ver com fluxos ilícitos, porque é um negócio internacional e multiproduto”, conclui Luisa Sterponi, do UNODC Peru.
Para onde vai a droga que sai dessa região peruana? Um agente da área de Operações Táticas da Divisão de Manobras contra o Tráfico Ilícito de Drogas-Pucallpa disse à Mongabay Latam que aeronaves leves Cessna, com bandeira boliviana, pousam em Atalaya para transportar carregamentos de 300 a 350 quilos de cloridrato de cocaína. Eles costumam ter o departamento de Beni como destino e, em alguns casos, depois de pararem no norte da Bolívia, seguem a caminho do Brasil. Às vezes, eles também vão para a Colômbia, como menciona o coronel da Polícia Nacional do Peru, James Tanchiva, chefe da Divisão de Manobras Contra o Tráfico Ilícito de Drogas em Pucallpa.
Em resposta a um pedido de informação, o escritório central de Dirandro disse que, entre 2013 e 2022, eles destruíram 705 pistas de pouso clandestinas nas regiões de Huánuco, Pasco e Ucayali. As intervenções aumentaram especialmente entre 2019 e 2020, os anos mais críticos da pandemia e da violência nesses territórios. Além disso, 12 aeronaves leves destinadas ao tráfico de drogas foram destruídas nas três regiões e 19 aeronaves foram relatadas como danificadas entre 2012 e 2022.
Concessões para voos altos
“Eles deveriam construir um centro de operações do tipo Vraem em Ucayali, porque o tráfico de drogas está insustentável. Aprendemos a conviver, desde que a gente não mexa com eles”, disse o representante de uma concessão florestal na qual foi detectada uma pista de pouso clandestina. Apesar das denúncias apresentadas ao órgão responsável, ele diz que as autoridades não agiram.
Se você olhar para as imagens de satélite das pistas detectadas dentro das concessões florestais de Ucayali, você conseguirá ver que as manchas de plantações ilícitas de coca se sobrepõem a elas. Seis das dez pistas ilegais nas províncias de Atalaya, Coronel Portillo e Padre Abad estão no meio de plantações de coca.
“Aqueles que receberam concessões do Estado devem agir como guardiões da floresta e têm a responsabilidade de informar as autoridades e fazer uma denúncia quando ocorre uma invasão e quando encontram lavouras ilícitas ou pistas clandestinas”, disse Navarro. Pelo menos seis dos nove “guardiões” relataram o que encontraram e apontaram que as autoridades não deram consequência a suas reclamações, conforme consta nos relatórios da Osinfor. Vale ressaltar que hoje apenas quatro das nove concessões estão ativas; os títulos das demais concessões florestais expiraram.
Franco Navarro, do Governo Regional de Ucayali, disse à Mongabay Latam que, em sobrevoos realizados em 2023, foram detectadas até 21 pistas de pouso clandestinas dentro de concessões florestais e que todas as informações foram enviadas ao órgão responsável e às autoridades correspondentes, incluindo o Dirandro e a Procuradoria Provincial Especializada em Crimes de Tráfico Ilícito de Drogas de Ucayali. No entanto, um agente antidrogas de Pucallpa disse que não recebeu “nenhum documento de qualquer empresa com concessão florestal que aponte a existência de uma pista naquelas terras”.
Enquanto as responsabilidades se movem para frente e para trás, mais pistas são abertas.
O mapa mostra três camadas de informações: a localização das 10 concessões florestais, a presença de cultivos ilícitos de coca e as pistas de pouso clandestinas detectadas. Imagem: Mongabay Latam.
De todas as trilhas abertas dentro das concessões florestais, cinco delas foram construídas entre 2020 e 2021, em meio à pandemia de covid-19, época em que as inspeções florestais foram significativamente reduzidas devido às restrições aos trabalhos de campo.
“São 36 lideranças indígenas assassinadas (desde 2013), e esse número vai aumentar até que os problemas sejam resolvidos pela raiz. Isso vai continuar”, afirma Miguel Guimarães, vice-presidente da Aidesep, que aponta uma cifra maior para os crimes identificados pelo Coordenador Nacional de Direitos Humanos.
Sobre a reportagem
Os nomes de alguns entrevistados e pessoas que participaram da reportagem, além de todas as comunidades indígenas, foram alterados ou omitidos para sua segurança. A decisão foi discutida com a Organização Regional Aidesep Ucayali (Orau).
Esta pesquisa foi realizada em parceria com o Consórcio de Apoio ao Jornalismo Independente na Região (Capir), que lidera o Institute for War and Peace Reporting (IWPR) na América Latina.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay. Leia o conteúdo completo AQUI.
Mazagão Velho (AP) amanheceu em clima de festa e devoção com a realização da tradicional festividade de São Gonçalo neste dia 10 de janeiro. O evento, que reúne moradores e visitantes, é marcado pela união entre fé e cultura, reforçando a identidade e a história da comunidade.
Os foliões, vestidos com trajes amarelo, branco e verde, que representam o santo, transformaram as ruas do município em cenário de fé com cânticos, balançar de sinos e toque de violão. O trajeto saiu da casa do juiz do mastro, pessoa que tem a responsabilidade de guardar a imagem de São Gonçalo como sinal de fé e esperança, levando-a no dia seguinte à igreja matriz.
“Sou devoto há dois anos, a gente se sente muito feliz em participar desse evento que é tão importante na nossa comunidade. Sou o festeiro e o juiz do mastro que recebeu São Gonçalo em casa, e hoje a gente leva ele à igreja para que mais tarde com a nova derrubada do mastro outras pessoas possam também participar e serem escolhidas para receber em sua casa o santo”, explicou José Amaral, de 50 anos.
Após a missa, houve uma procissão seguida do cortejo cultural em volta do quarteirão que retornou à capela. Além dos ritos religiosos, a festividade segue pela parte da tarde com momentos de confraternização, almoço coletivo, música ao vivo e atividades tradicionais como o leilão e a derrubada do mastro.
“Recebemos essa herança religiosa dos nossos primórdios, e cabe a nós levarmos em frente esse dia como muita fé, amor e devoção ao nosso santo. O sentimento é só de felicidade em poder vivenciar mais um ano neste momento único”, celebrou a coordenadora do evento, Josely Jacarandá.
Com mais de 200 anos de história, o evento preserva a herança portuguesa no Brasil e marca na comunidade a chegada do calendário oficial das demais celebrações religiosas realizadas em Mazagão ao longo do ano, como a Festa de São Tiago.
Quem foi São Gonçalo?
O santo é conhecido como o padroeiro dos violeiros e também casamenteiro. São Gonçalo de Amarante, foi um português, que viveu entre os séculos 12 e 13. Visto como protetor dos humildes, sua trajetória foi marcada por milagres. Com sua inteligência, foi um sacerdote que buscou maneiras diferentes de atrair o público.
Foto: Reprodução/Governo do Amapá
Vendo que muitas vezes era difícil alcançar pessoas para falar sobre o divino, um dia ele resolveu se fantasiar como alguém comum para ir em frente aos bordéis tocar, cantar e dançar, e nesses pequenos gestos contínuos que levavam alegria e entretenimento ao público, ele conseguia aproximar as pessoas e assim evangelizar através da arte.
Belém (PA) celebra seus 409 anos de história neste dia 12 com uma ação ambiental inédita promovida entre o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), o Instituto Alashaster e a Ozone Conexão Natureza, uma associação que reúne adeptos da prática de remo.
O evento, batizado de ‘Remada Caminhos do Acari‘, ocorrerá na Área de Proteção Ambiental (APA) da Ilha do Combu, reunindo remadores e voluntários em uma jornada de conscientização ambiental e celebração da cultura local.
A ação integra atividades esportivas, coleta de resíduos e rodas de conversa sobre sustentabilidade, com o objetivo de promover o descarte correto do lixo e estimular a preservação das águas da região ribeirinha.
“Este evento simboliza o compromisso coletivo de preservar o meio ambiente e de celebrar a conexão histórica de Belém com suas águas. É uma oportunidade para inspirar mudanças e construir uma cidade mais sustentável”, destaca a responsável pela Ozone Conexão Natureza, Sylvia Gayoso.
Com concentração marcada para às 7h30 na Base Ozone, localizada na Marina Pública de Belém, o evento começa com uma travessia pelo rio Guamá em direção à Ilha do Combu. Durante o percurso, os participantes terão a oportunidade de vivenciar a beleza natural da região, enquanto contribuem diretamente para a limpeza das águas e margens. A coleta de resíduos será apoiada por uma lancha disponibilizada pelo Ideflor-Bio, que acompanhará a remada e garantirá o transporte dos materiais recolhidos.
Foto: Ozone Conexão Natureza/Divulgação
A ação integra atividades esportivas, coleta de resíduos e rodas de conversa sobre sustentabilidade, com o objetivo de promover o descarte correto do lixo e estimular a preservação das águas da região ribeirinha.
“Este evento simboliza o compromisso coletivo de preservar o meio ambiente e de celebrar a conexão histórica de Belém com suas águas. É uma oportunidade para inspirar mudanças e construir uma cidade mais sustentável”, destaca a responsável pela Ozone Conexão Natureza, Sylvia Gayoso.
Com concentração marcada para às 7h30 na Base Ozone, localizada na Marina Pública de Belém, o evento começa com uma travessia pelo rio Guamá em direção à Ilha do Combu. Durante o percurso, os participantes terão a oportunidade de vivenciar a beleza natural da região, enquanto contribuem diretamente para a limpeza das águas e margens. A coleta de resíduos será apoiada por uma lancha disponibilizada pelo Ideflor-Bio, que acompanhará a remada e garantirá o transporte dos materiais recolhidos.
Envolvimento
Sylvia Gayoso reforçou, ainda, a importância da participação coletiva no evento.
“Nosso propósito vai além da coleta de resíduos. Queremos inspirar um movimento contínuo de cuidado com o meio ambiente, que envolve não só os participantes da remada, mas também toda a comunidade de Belém e da região amazônica”, complementou.
Vale destacar que a ação também conta com o apoio de uma cooperativa de materiais recicláveis de Belém, a qual receberá os resíduos recolhidos para o devido tratamento e reaproveitamento, fechando o ciclo de impacto ambiental positivo. A expectativa é que a remada dure cerca de uma hora e meia, com o retorno à Base Ozone previsto para o final da manhã.
Para muitos, o evento representa mais do que uma atividade esportiva ou turística: é uma celebração da conexão de Belém com seus rios e um chamado à ação para preservar este patrimônio natural. “Estamos muito felizes em fazer parte desta iniciativa que une cultura, esporte e sustentabilidade em uma data tão especial para a cidade. O Ideflor-Bio sempre será parceiro de tudo aquilo que possa contribuir para a manutenção dos ecossistemas e o bem-estar da população”, complementa Júlio Meyer.
Os organizadores esperam reunir cerca de 100 participantes, entre remadores, voluntários e membros da comunidade ribeirinha, reforçando o caráter colaborativo da ação. Os interessados em participar devem se inscrever previamente diretamente com Ozone Conexão Natureza pelo número (91) 99143-1995. As vagas são limitadas.
O Amapá pode ter o primeiro projeto de contemplação sobre passarelas em uma cachoeira, semelhante ao encontrado nas Cataratas do Iguaçu (PR). A ideia está sendo analisada pelo governo do Estado e pela prefeitura de Laranjal do Jari na cachoeira de Santo Antônio, no Rio Jari, na divisa com o Pará.
Nesta semana, uma empresa realizou o georreferenciamento, topografia e a perfuração para estudo do solo. A ideia é ter uma ponte onde os visitantes poderão percorrer pontos por cima da cachoeira.
“Não tem uma previsão ainda para o início das obras, pois ainda está em processo de levantamento para fazer o projeto. Então, geograficamente, essa área onde vai ser construída essa passarela, é do lado da comunidade Santo Antônio da Cachoeira, que pertence a Laranjal do Jari”, descreveu Jairo Guerreiro, secretário de Turismo de Laranjal.
Atualmente a região é visitada apenas através de embarcações, que partem da sede do município. A cachoeira também abriga a Hidrelétrica de Santo Antônio, que fica um pouco acima do local.