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Câmara Municipal aprova lei dos circuitos e rotas turísticas de Porto Velho

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Foto: Divulgação

A Lei N° 3.222, de 4 de Novembro de 2024 foi sancionada pela Câmara dos Vereadores e dispõe sobre os circuitos e rotas turísticas criados pela Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Turismo e Trabalho (Semdestur) de Porto Velho (RO). A lei tem por objetivo geral o desenvolvimento econômico do turismo por meio da valorização e divulgação da cultura, história e natureza da capital.

Leia também: 4 rotas turísticas para explorar em Porto Velho

A campanha promocional ‘O Melhor de PVH – Terra de Bravos Pioneiros’ foi criada pela equipe da Semdestur, composta por turismólogos, a partir de um ordenamento turístico que catalogou mais de 70 pontos turísticos em 17 circuitos e quatro rotas. O trabalho vem sendo desenvolvido desde 2021 e, para além da catalogação, já desenvolveu soluções inovadoras para a divulgação do turismo, como as placas de QR Code, aplicativo, site, walking tours, eventos dentro e fora de Porto Velho e redes sociais.

O legado da campanha promocional turística ‘O Melhor de PVH – Terra de Bravos Pioneiros’ foi registrado em lei, que também contempla mecanismos de criação e gestão de Destinos Turísticos Inteligentes, Circuitos e Rotas Turísticas, bem como o Turismo de Base Comunitária.

O objetivo é estabelecer as atividades já desenvolvidas pela Semdestur, registrar os circuitos e rotas turísticas já existentes, bem como estabelecer novas diretrizes para a operação de guias e agências de turismo.

Foto: Divulgação

O Turismo de Base Comunitária tem por objetivo a valorização das comunidades ribeirinhas e dos recursos naturais, estimulando o turismo de forma sustentável, respeitando a natureza e contribuindo para a geração de renda.

Sobre os Destinos Turísticos Inteligentes, a lei dispõe sobre a inovação no âmbito do turismo, garantindo sustentabilidade e conectividade entre pessoas, destinos, produtos e serviços. Todo o ecossistema local faz parte da experiência do turista, por isso as iniciativas públicas, privadas, comércio e demais serviços devem estar alinhados.

A lei dispõe, ainda, sobre as modalidades de turismo já em desenvolvimento pela Semdestur, como o Turismo Pedagógico, que proporciona o contato com a história e cultura locais para estudantes de todas as idades em Porto Velho. A lei busca, ainda, valorizar as atividades gastronômicas, culturais, eventos sazonais como carnaval e a festa junina.

Os Circuitos e Rotas mencionados na lei já são conhecidos pela população e contemplam áreas como aventura, religioso, rural, artes, ecológico, dentre outros. A lei versa sobre a possibilidade da criação de novos circuitos e rotas no futuro, conforme necessidade e viabilidade econômica. Detalhes sobre capacitação de guia de turismo e operação de circuitos e rotas por agências de turismo podem ser encontrados dos Artigos 5 ao 7 da lei. 

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

Grupo de estudos cria e-book que divulga cultura paraense em inglês

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O Grupo de Estudos de Professores de Línguas do Pará (Geplipa), do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE) da Universidade do Estado do Pará (Uepa), lançou um e-book (livro eletrônico) gratuito voltado para professores de língua inglesa do Pará. Coordenado pela professora Erika Castro, o livro digital reúne atividades que integram o ensino de inglês com a rica cultura paraense, proporcionando uma experiência de ensino decolonial e reflexiva.

Confira o e-book na integra:

Desenvolvido esse ano como parte da disciplina de Estágio Supervisionado do curso de Letras – Língua Inglesa, o e-book foi criado pelos discentes do terceiro ano da Uepa, a partir de discussões sobre decolonialidade e educação crítica-reflexiva e intitulado Boca de Lobo – uma alusão ao famoso nó de atar redes. A obra é embasada em conceitos de Linguística Aplicada Crítica e Educação Linguística, com o intuito de valorizar as práticas culturais da região no processo de ensino da língua inglesa.

A iniciativa visa não apenas aprimorar o aprendizado do inglês entre os estudantes paraenses, mas também fortalecer o reconhecimento da identidade cultural local, permitindo que educadores incorporem elementos regionais em suas práticas pedagógicas.

Disponibilizado gratuitamente, o material é uma ferramenta acessível para todos os professores de inglês do estado, refletindo o compromisso do Geplipa em apoiar a formação de educadores com uma visão culturalmente consciente.

O acesso ao e-book também pode ser feito neste link. Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail: geplipa@gmail.com.

Foto: Divulgação

*Com informações da Uepa

Mil famílias de comunidades amazônicas no Peru recebem incentivos para conservação das florestas

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Foto: Divulgação/Agência Andina

Cerca de mil famílias de comunidades indígenas das regiões de Junín, San Martin e Ucayali, no Peru, recebem incentivos econômicos para a realização de atividades de conservação e restauração dos ecossistemas amazônicos, no contexto da estratégia “Gestão corporativa da biodiversidade”, implementada pelo Ministério do Meio Ambiente peruano (Minam).

Através desta experiência piloto, iniciada há 6 anos, estas atividades de recuperação ecológica tornam-se meios de subsistência para gerar rendimentos complementares para pequenos produtores que se dedicam à agricultura, pecuária ou ecoturismo.

Foto: Divulgação/Agência Andina

Isto surge da Plataforma Digital de Compensação pela Conservação no Peru, que envolve empresas comprometidas com a conservação do patrimônio natural e, ao mesmo tempo, contribui para a melhoria da qualidade de vida das populações locais.

Sobre esta intervenção setorial, William Llactayo, especialista da Direção Geral de Ordenamento Territorial e Gestão Integrada dos Recursos Naturais do Minam, disse que os projetos de restauração envolvem a recomposição de um conjunto de elementos-chave da biodiversidade, necessários para recuperar um ecossistema, e o conjunto de serviços que oferece pode gerar benefícios econômicos para a população.

Com o apoio técnico do Minam, esta iniciativa é desenvolvida pela Universidade Católica Sedes Sapientiae em aliança com a corporação Masbosques da Colômbia e com o financiamento da cooperação Suíça-SDC.

Espaço comum

Esta experiência de sucesso foi apresentada no Pavilhão do Peru na COP16, em Cali, onde especialistas nacionais trocaram conhecimentos com seus homólogos da Colômbia, com base nas práticas realizadas nos territórios amazônicos daquela zona fronteiriça.

O evento foi intitulado “Recuperação de ecossistemas em fazendas amazônicas: estratégia para restauração social do território, nas regiões de Junín, San Martin e Ucayali”.

Representantes do Serfor, da Universidade Santo Tomás e da organização Masbosques de Colômbia também participaram deste painel.


Foto: Divulgação/Agência Andina

*Com informações da Agência Andina

Atividades turísticas desordenadas ameaçam litoral paraense

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Fotos: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Nas águas do litoral paraense, onde o rio encontra o mar, há uma dança entre a preservação ambiental e a presença humana. Um compasso que se vê ameaçado com o avanço do turismo, que, se desordenado, pode transformar o paraíso em um cenário de degradação ambiental e conflitos sociais.

Com o objetivo de avaliar a contribuição das Unidades de Conservação para a gestão sustentável do turismo de sol e mar em praias do litoral paraense e entender qual o retorno social das atividades realizadas na região, Rubem Pessoa desenvolveu a pesquisa ‘A Importância das Unidades de Conservação na Qualidade Ambiental e Gestão Sustentável do Turismo no Litoral Amazônico, Pará, Brasil‘.

O estudo foi orientado pela professora Luci Cajueiro Carneiro Pereira e defendido no Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental, do Instituto de Estudos Costeiros do Campus de Bragança.

Apesar de ser uma forma de gerar renda na região das praias da Princesa (Ilha de Algodoal), de Ajuruteua (Bragança) e do Pesqueiro (Soure), quando realizadas de maneira desordenada, as atividades turísticas podem gerar mudanças no ambiente natural, as quais podem resultar em impactos irreversíveis dentro das comunidades receptoras, especialmente em áreas litorâneas.

Os planos de gestão, justifica o pesquisador, são necessários para garantir um equilíbrio sustentável entre o desenvolvimento econômico e a conservação do meio ambiente. Tais instrumentos englobam desde a regulamentação do uso do solo e da água até a promoção de práticas de turismo responsável, visando proteger as paisagens e os ecossistemas do litoral paraense para as gerações presentes e futuras.

Falta de planejamento gera desafios ambientais e sociais

A erosão costeira, a poluição das águas, a destruição de hábitats e a perda de biodiversidade estão entre os principais impactos observados no litoral paraense, fruto do turismo desordenado, e apresentados na pesquisa. De acordo com Rubem, as atividades turísticas feitas de forma não planejada tendem a provocar impactos negativos, capazes de gerar desequilíbrio no ambiente natural e nas próprias comunidades receptoras do turismo.

A praia de Ajuruteua, uma das citadas na tese, possui uma ocupação desordenada da região praial, inserida no ambiente de manguezais, com hotéis e residências que não seguem um plano de ocupação com foco nas características do local e na preservação do meio ambiente.

Impactos negativos afetam não apenas os moradores do entorno das praias, mas também a natureza e os turistas que visitam o lugar periodicamente. Os níveis de contaminação fecal na praia de Ajuruteua ocorriam principalmente durante o período de maré enchente, em virtude do lançamento direto de dejetos na praia, muitas vezes abaixo das pousadas, ou da presença de fossas irregulares dentro da zona de dunas, comprometendo a qualidade da água e a saúde dos banhistas. Essa situação não ocorre em Pesqueiro, principalmente em razão da gestão adequada, realizada pela Resex Marinha de Soure e pela comunidade.

O investimento insuficiente, a infraestrutura deficitária e a escassez de serviços básicos, aliados à presença de lixo, impactam tanto a comunidade quanto o turismo nas praias mencionadas.

Ações de proteção e gestão devem envolver comunidades

Ao estabelecer áreas protegidas, promover práticas de turismo responsável e envolver as comunidades locais na tomada de decisões, as Unidades de Conservação são aliadas importantes na proteção e gestão sustentável do litoral paraense.

O estudo de Rubem Pessoa destaca a necessidade de fortalecer essas áreas protegidas, garantindo que cumpram efetivamente sua missão de conservação e desenvolvimento sustentável.

Além disso, a comunidade local também pode se envolver no processo de gestão das praias para garantir um ambiente mais seguro e sustentável para os frequentadores.

“Todos os atores envolvidos ali precisam ser ouvidos, ser considerados em suas opiniões, em seus requerimentos em relação aos serviços, propostas e melhorias. Uma gestão participativa é integrar os órgãos políticos, de execução, de atuação seja do poder público ou privado, mas também ouvindo a comunidade local, porque é a que mais vai ser afetada pelas atividades turísticas. Esse é o caminho e o mecanismo para desenvolver uma atividade turística sustentável, com ganhos econômicos, com ganhos ecológicos e com qualidade social”, conclui.

Sobre a pesquisa

A tese ‘A Importância das Unidades de Conservação na Qualidade Ambiental e Gestão Sustentável do Turismo no Litoral Amazônico, Pará, Brasil‘ foi defendida por Rubem Manoel Coelho Pessoa, em 2020, no Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental (PPBA/IECOS), da Universidade Federal do Pará. A pesquisa teve a orientação da professora Luci Cajueiro Carneiro Pereira.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, edição 172, da UFPA, escrito por Evelyn Ludovina

Florestas em áreas degradadas queimam e ressecam mais o ambiente, expõe estudo

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Foto: Reprodução/Agência Brasil

Secas, queimadas e desmatamento fazem com que florestas absorvam mais água do solo como forma de sobreviver, tornando esses ambientes mais secos, suscetíveis ao fogo e diminuindo as chuvas nas regiões próximas. Os dados foram divulgados no artigo ‘Secas amplificam perdas de umidade do solo em florestas queimadas do Sudeste da Amazônia’, fruto do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), projeto do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) realizado na Estação de Pesquisa Tanguro, que estuda as interações entre natureza e áreas agrícolas na fronteira entre Cerrado e Amazônia.

O artigo detalha como florestas enfraquecidas por queimadas e um clima adverso liberam menos água na atmosfera, o que pode deixar o regime de chuvas mais imprevisível, aumentando a temperatura e prejudicando a produção agrícola na região. As alterações ecossistêmicas afetam os serviços naturais desempenhados pelas florestas e impactam os modos de vida tradicionais dos povos e comunidades dessas áreas.

Pesquisa de longo prazo

O início da pesquisa se deu em 2010, a partir da implantação de sondas em poços de até nove metros de profundidade para monitorar a dinâmica da umidade do solo em duas florestas queimadas: uma anualmente e a outra a cada três anos, entre 2004 e 2010, e uma floresta intacta. A ideia foi analisar como a umidade do solo responderia a este crescimento da vegetação pós-incêndio.

Foto: Wesley Pontes/ SMC

Ainda, observou-se que a redução da umidade no solo durante a seca de 2015 foi mais severa nas partes queimadas com mais frequência. “Nas parcelas onde está ocorrendo a recuperação foi onde a redução da água foi intensificada. Uma das implicações desses resultados é que as florestas em fase de recuperação podem sofrer mais com a recorrência desses grandes eventos de estiagem”, completa.

Pré-instalação das sondas em trincheiras no solo. A: Vista de cima e ausência de sondas no momento da instalação. B: Vista de baixo com algumas sondas já instaladas. Fotos: Antonio Silveiro/IPAM

Para Silveiro, o estudo reforça a necessidade de parar o desmatamento para que o fluxo de umidade atmosférica se mantenha e recarregue a água no solo. Tanto as florestas — em recuperação e as intactas — quanto às áreas agrícolas, que também dependem da estabilidade desse fluxo de água.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Mariana Abuchain

Museu Kuahí investe na preservação da herança indígena do Amapá

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Antiga fachada do museu, antes da reforma em 2024. Foto: Reprodução/Secult-AP

O município de Oiapoque, no Amapá, abriga cerca de 6 mil indígenas, em 34 aldeias, vivendo em uma área de 520 mil hectares nas Terras Indígenas Uaça, Galibi e Juminã. Por esse motivo, os povos indígenas do Oiapoque possuem um lugar especial para a preservação de sua história e sabedoria: o Museu Kuahí.

O museu integra os múltiplos saberes das populações indígenas, promovendo respeito à sua identidade cultural e oferecendo atividades que mantem o intercâmbio entre as aldeias, instituições acadêmicas, museus nacionais e internacionais e organizações socioambientais.

Fundado em 2007, seu nome se refere tanto a um pequeno peixe, também denominado matupiri, presente nas águas de diversas regiões das Terras Indígenas do Oiapoque, quanto a um padrão gráfico símbolo entre alguns povos da região, utilizado na decoração de artefatos locais. “Kuahí”, em língua tupi-guarani, significa “olhar para o futuro”. 

As etnias Karipuna, Palikur, Galibi Marworno e Galibi Kalinã são representadas no museu, cujo objetivo é integrar as atividades culturais e manter viva a tradição desses povos.

Foto: Divulgação

O espaço possui loja, sala de teatro, áreas para exposições fixas, temporárias e audiovisuais, biblioteca , feira do agricultor, reserva documental, etnográfica e arqueológica, maloca e jardim.

Ao entrar no museu Kuahí o visitante se depara com mastros e bancos do Turé (dança típica). E nos outros ambientes pode ver o processo de construção de cuias e canoas, joias em miçanga e penas, potes de barro e muitas outras peças da cultura indígena do Oiapoque.

De acordo com a Secretaria de Cultura do Estado do Amapá (Secult), a iniciativa de criar o museu partiu das quatro etnias que habitam o extremo norte do Brasil, na fronteira com a Guiana Francesa. Além de mostrar e preservar a sua cultura, as etnias também buscam estreitar os laços com os moradores da cidade de Oiapoque.

Fachada do museu após revitalização da cobertura. Foto: Jhon Martins/GEA

*Com informações da Secult e do Governo do Amapá

Da cozinha ao banho: sabão de pimenta-do-reino é criado no Pará

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Foto: Alexandre de Moraes

Um grão com um sabor diferente, picante ou levemente adocicado, dependendo da quantidade utilizada. Além de adicionar sabor aos pratos, é conhecido por suas propriedades digestivas, antioxidantes e anti-inflamatórias. Ele também melhora a circulação sanguínea devido às suas propriedades vasodilatadoras, possuindo atividade antibacteriana e antifúngica. Reconheceu essa especiaria?

A pimenta-do-reino (Piper nigrum) é amplamente utilizada na culinária mundial, tanto em pratos salgados quanto em sobremesas, pois realça o sabor dos alimentos e adiciona complexidade aos pratos. Além de possuir diversas características benéficas à saúde, ao ser transformada em óleo, potencializa suas propriedades, tornando-se uma opção versátil para diversos usos. O óleo, extraído com métodos ideais, é empregado na produção de sabão em barra, em que são utilizadas tecnologias para aprimorar tanto a eficácia quanto a qualidade do produto final.

A pesquisa ‘Estudo da utilização do óleo essencial da Pimenta-do-Reino e óleos fixos da Amazônia na obtenção de sabões‘ foi desenvolvida por Isis Gomes Campos, bolsista Pibic, da Faculdade de Engenharia Química (Itec/UFPA), com orientação do professor Davi do Socorro Barros Brasil. O estudo aborda a produção de sabão utilizando óleos essenciais (com destaque para o óleo da pimenta-do-reino) de maneira sustentável e benéfica ao meio ambiente.

A pesquisa realizada no Pará teve como objetivo principal a elaboração e a caracterização de sabonetes contendo óleo essencial de pimenta-do-reino e óleos fixos da região amazônica. Utilizando métodos de extração e análise, foram avaliadas as propriedades físico-químicas e terapêuticas desses óleos, visando aprimorar a qualidade e eficácia dos sabonetes resultantes. Além disso, buscou-se explorar benefícios adicionais para a saúde da pele e o bem-estar geral dos usuários, contribuindo, significativamente, para o desenvolvimento de produtos cosméticos mais naturais e eficientes.

Processo a frio preserva propriedades da matéria-prima

A metodologia empregada envolveu a produção de sabão por meio do processo a frio. A técnica foi escolhida para preservar as propriedades naturais do óleo essencial da pimenta-do-reino e garantir, assim, a integridade dos seus compostos ativos.

Foto: Reprodução/Semas PA

Para a fabricação do sabão em barra, foram empregados cinco tipos distintos de óleo: andiroba, castanha-do-pará, coco, açaí e, é claro, pimenta-do-reino. Essa seleção foi baseada nas propriedades funcionais e medicinais, visando criar um produto com diversos benefícios e de boa qualidade. O óleo essencial da pimenta foi escolhido pelo seu diferencial e por suas múltiplas propriedades.

A reunião dos óleos no sabão em barra criou um produto final que não apenas limpa, mas também hidrata e nutre a pele.

A intenção dos pesquisadores era produzir um sabão em barra que possuísse viabilidade social amazônica, do mesmo modo agregar valor a esses produtos. “Queríamos integrar a produção a um modelo sustentável e economicamente viável para os produtores locais. Essa abordagem impulsiona a pesquisa ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento da comunidade local, permitindo o crescimento coletivo”, avalia.

Etapas de produção aplicaram os princípios da química verde

Ao utilizar uma combinação de óleos vegetais na produção do sabão em barra, a iniciativa não só promove matérias-primas renováveis, como também prioriza a sustentabilidade em cada etapa do processo de fabricação, colocando em prática os princípios da química verde, quando, além de não causar poluição, ainda se agrega valor ao produto.

Essa abordagem minimiza a geração de resíduos, reduz as emissões de substâncias poluentes, resultando em produtos finais menos tóxicos e mais seguros para o meio ambiente e os consumidores. O compromisso com a sustentabilidade demonstra que é possível integrar a responsabilidade ambiental à produção de produtos de qualidade.

O trabalho conclui que a combinação de óleos vegetais na produção de sabão em barra apresenta-se como uma estratégia viável e promissora para a indústria de cosméticos. Essa abordagem não apenas oferece benefícios funcionais e medicinais para a pele, mas também demonstra um compromisso efetivo com a sustentabilidade, ao utilizar matérias-primas renováveis e minimizar os impactos ambientais ao longo do processo de fabricação.

Saiba mais sobre óleos e seus benefícios

  • Castanha-do-Pará (Bertholletia excelsa): Rico em Vitaminas A e E, possui propriedades emolientes, antioxidantes e cicatrizantes.
  • Pimenta-do-Reino (Piper nigrum): Possui ação anti-inflamatória, antioxidante e outras propriedades que otimizam processos cicatrizantes e combatem fungos e bactérias.
  • Andiroba (Carapa guianensis): Conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e analgésicas.
  • Açaí (Euterpe oleracea):Indicado para tratamentos de doenças de pele, auxiliando a regeneração, além de ser um antioxidante eficaz devido a sua alta concentração de vitamina C.
  • Coco (Cocos nucifera):Possui propriedades antioxidantes, antifúngicas, antibacterianas, calmantes, condicionantes, emolientes e hidratantes.

Fonte: Campos, 2022.

Sobre a pesquisa

O plano de trabalho ‘Estudo da utilização do óleo essencial da Pimenta-do-Reino e óleos fixos da Amazônia na obtenção de sabonetes‘ faz parte do Projeto de Pesquisa Potencial de oleaginosas da Amazônia para o aproveitamento e desenvolvimento de novos produtos.

A pesquisa foi realizada por Isis Gomes Campos, sob orientação do professor Davi do Socorro Barros Brasil. O estudo foi conduzido no Laboratório de Biossoluções e Bioplásticos da Amazônia (FEQ/ITEC), com financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, edição 172, da UFPA, escrito por Evelyn Ludovina

Estiagem seca tanques de peixe no Amazonas e piscicultores buscam soluções sustentáveis

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Foto: Francisco Carioca/Rede Amazônica AM

A seca intensa que atinge a região amazônica nos últimos meses tem gerado grande preocupação entre os piscicultores de Rio Preto da Eva, no interior do Amazonas, especialmente em comunidades com tanques escavados. A falta de chuvas tem levado as nascentes que abastecem os tanques a secar, reduzindo drasticamente o volume de água disponível e comprometendo a produção de peixes.

Em uma das propriedades mais afetadas, o piscicultor Antônio Leandro, que possui 18 tanques, relatou que a seca já causou a morte de muitos peixes devido à escassez de água e à queda da qualidade da água nos tanques. Para tentar salvar o restante de sua produção, ele teve que transferir os peixes para outros tanques e, diante da dificuldade, investiu em alternativas sustentáveis.

A situação se repete em outras propriedades. Seu José Gil Tavares, que também enfrenta a falta de água em seus dois tanques, tem se esforçado para minimizar o impacto, fazendo um manejo intensivo de água, bombeando o líquido para os tanques a cada duas horas.

“Eu já perdi praticamente todos os peixes. Quando a água falta, ela esquenta demais, e os peixes começam a sofrer. Decidi focar na criação de peixes, galinhas e porcos”, comentou.

O engenheiro de pesca Marcos Fábio, do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Estado do Amazonas (IDAM), explica que a evaporação é um problema crônico para a piscicultura na região.

Em meio a essa crise hídrica, os piscicultores também enfrentam o aumento dos custos e a queda na produção. Para tentar amenizar os efeitos da estiagem, muitos recorrem a soluções como painéis solares e poços artesianos. No entanto, a escassez de recursos e a falta de crédito rural tornam a situação ainda mais difícil.

José Maria Frad Junior, gerente do IDAM em Rio Preto, destaca a importância das linhas de crédito para os piscicultores neste momento crítico. “O crédito rural poderia fornecer os recursos necessários para investir em tecnologias que ajudariam a resolver o problema da falta de água nos tanques”, afirmou.

Enquanto os piscicultores buscam alternativas e aguardam a chegada das chuvas, a situação continua desafiadora. A falta de água tem afetado diretamente a saúde dos peixes, aumentando a mortalidade e reduzindo a produção. A esperança agora é de que as chuvas cheguem a tempo para reabastecer os tanques e minimizar as perdas.

*Por Francisco Carioca, da Rede Amazônica AM

Ecopainel de MDF da fibra de açaí desenvolvido no Amazonas será apresentado no Web Summit Innovation

Foto: Divulgação/UEA

O Ecopainel de MDF, produzido pelo resíduo do açaí, será exibido no Web Summit Innovation, em Lisboa (Portugal). O projeto, selecionado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), está sob a responsabilidade de Antônio de Lima Mesquita, Prof. Dr. da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) que descobriu na fibra do resíduo do caroço de açaí o potencial para produção de MDF de móveis sustentáveis, divisórias e placas acústicas.

O professor conta que estar em um dos eventos mais importantes da Europa, e onde estarão investidores buscando investimento de produtos, será importante para a universidade, que faz parte do ecossistema de inovação.

Ecopainel de MDF da fibra de açaí

O resíduo do caroço do açaí é reaproveitado e destinado como um painel de MDF ecologicamente correto e sustentável, em toda a sua cadeia produtiva. A produção é simples, mas diferenciada, porque é utilizada uma tecnologia distinta dos painéis tradicionais.

Sobre o Web Summit Lisboa 2024

O Web Summit Lisboa 2024 é o maior festival de inovação descentralizado de Portugal que reúne profissionais, empreendedores e inovadores. Para a edição de 2024, que ocorre entre 11 e 14 de novembro, o evento espera atrair 70 mil participantes e mais de 3 mil startups.

Conheça uma PANC medicinal anti-inflamatória e desintoxicante: o espinafre-amazônico

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Foto: Reprodução/Youtube-Sítio PANC

As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) são plantas que não costumamos consumir regularmente, como a alface, por exemplo, facilmente encontrada em mercados. Algumas delas possuem alto valor nutricional e até propriedades medicinais que ainda foram pouco difundidas.

Por isso, as PANC podem diversificar a alimentação, enriquecendo o cardápio brasileiro, mas também possuem o potencial de auxiliar na saúde. Elas são exemplo de alimento natural que pode se tornar fonte de renda para produtores, principalmente da agricultura familiar. 

Um das plantas que tem ganhado evidência não só pelo sabor, mas por ser uma uma PANC medicinal anti-inflamatória e desintoxicante, é o espinafre-amazônico (Alternanthera sessilis), da família Amaranthaceae. PANC rica em fonte de nutrientes e fácil de cultivar, pode ser explorada como um cultígeno (espécie domesticada cuja origem é desconhecida por não se ter registro de ocorrência de seu ancestral silvestre).

Foto: Reprodução/Youtube- Sítio PANC

O mestre em Ciências Biológicas (Botânica) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e doutor em fitotecnia, Valdely Kinupp, conta que a planta pode ser usada como chá calmante, para alívio da dor de cabeça e catarata.

Mas o espinafre-amazônico também tem ganhado destaque por sua versatilidade na cozinha. 

Foto: Reprodução/Youtube- Sítio PANC

Saiba como identificar essa planta e cultivar de forma sustentável: 

Vídeo: Reprodução/Youtube-Sítio PANC