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‘Pacote de Manaus’: entregas envolvem florestas tropicais, biodiversidade e energia limpa

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Foto: Diego Galba/MCTI

A ‘Declaração de Manaus’ aprovada por consenso na reunião ministerial do Grupo de Pesquisa e Inovação do G20 e divulgada na quinta-feira (19), em Manaus (AM), consolidou nove entregas. O conjunto de medidas foi chamado de ‘Pacote de Manaus’. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) coordenou o trabalho.

O G20 é um fórum multilateral que reúne os países responsáveis por cerca de 85% do PIB global. É um grupo heterogêneo formado por nações do Norte e do Sul Global. Matsumoto explica que dadas essas características, não é tão simples de convergir e, por isso, “trazer consensos é muito importante”. Ele lembra ainda que as medidas adotadas no âmbito do G20 fortalecem as ações entre os países que integram o fórum e tem repercussão global. “Esses resultados mudam a vida de pesquisadores, de pessoas que utilizam dados científicos”, complementou.

Além de uma estratégia para promover a cooperação em inovação aberta, e de  recomendações sobre diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade em ciência, tecnologia e inovação, o Grupo de Trabalho realizou um seminário internacional sobre desafios e oportunidades de pesquisa e inovação sobre Amazônia e florestas tropicais.

As entregas também contemplaram a efetivação de uma chamada para financiar pesquisas sobre florestas tropicais realizada em parceria com o Belmont Forum; a iniciativa para a facilitar o cadastro de informações sobre biodiversidade na plataforma global GBIF; e a disponibilização de bases de dados sobre tecnologias e políticas de inovação para energia limpa, ambas publicadas pela Agência Internacional de Energia (IEA).

Energia limpa 

A partir de uma requisição do GT de Pesquisa e Inovação, a IEA elaborou um compêndio de políticas nacionais de inovação em energia limpa para transição energética justa e uma base de dados interativa composta por mais de 550 projetos de tecnologias individuais e componentes que envolvem todo o sistema energético. Acesse o guia de tecnologias e o guia de políticas de inovação em energia limpa publicados.

Biodiversidade 

O G20 e o Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade (GBIF) estabeleceram um processo para facilitar a catalogação de espécies e expansão de bases de dados abertas de biodiversidade.
Uma das entregas é um programa de Informação sobre Biodiversidade para o Desenvolvimento, financiado pela União Europeia, que oferece bolsas para instituições como pequenos museus ou organizações da sociedade civil, para que organizem os dados disponíveis e disponibilizem na plataforma aberta GBIF.

Florestas tropicais 

A chamada de ação colaborativa de pesquisa ‘Florestas tropicais: implicações globais e ações prementes’, que recebe propostas até 12 de novembro deste ano, é uma parceria entre o Belmont Forum e G20. O edital envolve apoio de 19 fundações de fomento, entre as quais estão dez fundações estaduais de amparo à pesquisa do Brasil. A chamada está voltada para ações nas bacias da Amazônia, do Congo na África e de Borneo-Mekong, no Sudeste Asiático com abordagem transdisciplinar.  Leia os detalhes da chamada e submeta sua proposta aqui.

*Com informações do MCTI

G20 Amazônia: colaborações acadêmicas impulsionam inovação e sustentabilidade global

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Foto: Camila Barbosa/INPA

Na vanguarda das iniciativas internacionais voltadas para o desenvolvimento sustentável, a Amazônia ocupa um papel central, não apenas como um vasto ecossistema de importância mundial, mas também como um laboratório natural para a cooperação acadêmica. No encerramento do Seminário Internacional do G20 sobre Amazônia e Florestas Tropicais, representantes de instituições de pesquisa ressaltaram a importância das colaborações interinstitucionais no avanço de soluções para desafios científicos, tecnológicos e ambientais.

Sob a coordenação de Nicole Arbour, diretora do Fórum Belmont, o painel sobre cooperação acadêmica reuniu especialistas de renome como:

  • Jaime Alberto Barrera García, subdiretor cientifico do Instituto Amazônico de Investigações Científicas (SINCHI) da Colômbia;
  • Dalila Andrade Oliveira, diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
  • Denise Pires de Carvalho, presidente da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES);
  • e Max Bergman, professor de Investigação Social e Metodologia da Universidade de Basel (Suíça).

O debate centrou-se nas estratégias eficazes para ampliar redes de pesquisa e fomentar projetos conjuntos, promovendo não apenas o avanço científico, mas também o desenvolvimento socioeconômico da região.

Colaboração transnacional: o futuro da pesquisa na Amazônia

Amazônia é o lar de uma rica biodiversidade e recursos naturais. Contudo, o desmatamento, as mudanças climáticas e a pressão socioeconômica desafiam a sustentabilidade da região. Nesse cenário, as colaborações acadêmicas emergem como um fator chave para mitigar esses impactos e promover o uso sustentável dos recursos naturais.

“O Instituto SINCHI, na Colômbia, tem sido fundamental na construção de redes de cooperação com outras nações amazônicas”, explicou Jaime Barrera García.

“Estamos trabalhando para fortalecer a capacidade científica e tecnológica, ao mesmo tempo em que desenvolvemos soluções aplicáveis que impactam positivamente as comunidades locais e a biodiversidade”, finalizou.

Iniciativas brasileiras de internacionalização científica

No Brasil, instituições como o CNPq e a CAPES desempenham papéis fundamentais na promoção da internacionalização da ciência. Programas de fomento a projetos de pesquisa em parceria com instituições estrangeiras e apoio à formação de pesquisadores brasileiros no exterior são algumas das ações implementadas.

Dalila Andrade Oliveira, diretora do CNPq, apresentou as iniciativas brasileiras para promover a internacionalização da ciência. Ela destacou o papel do CNPq no fomento a projetos de pesquisa em parceria com instituições estrangeiras e no apoio à formação de pesquisadores brasileiros no exterior.

“A cooperação internacional é essencial para o avanço da ciência no Brasil, especialmente em áreas estratégicas como a Amazônia”, ressaltou Dalila.

Ela também apontou a necessidade de uma maior atenção para a disparidade regional na distribuição de recursos para a pesquisa no Brasil, com a região Norte, onde está localizada a maior parte da Amazônia, recebendo uma proporção muito menor de bolsas e financiamentos. “Precisamos de políticas que reduzam essas desigualdades e promovam o desenvolvimento científico de maneira mais equilibrada”, concluiu.

Denise Pires de Carvalho, presidente da CAPES, apresentou as ações da instituição para fortalecer a pós-graduação na Amazônia. Denise ressaltou o papel da CAPES na avaliação e financiamento de programas de mestrado e doutorado em todo o Brasil, destacando o crescimento recente dos cursos de pós-graduação na região Norte.

Ela também enfatizou a internacionalização como uma das prioridades da CAPES. Nosso objetivo é fortalecer parcerias com instituições de ponta em todo o mundo, trazendo novos conhecimentos e tecnologias para o Brasil”, afirmou.

Desafios globais e locais

Max Bergman, professor da Universidade de Basel, trouxe uma visão crítica sobre os desafios enfrentados pela ciência na Amazônia. Para ele, a cooperação acadêmica precisa ir além da pesquisa descritiva, focando em soluções práticas que possam ser aplicadas diretamente no território amazônico.

“Não basta apenas estudar os problemas da Amazônia, é preciso buscar soluções que envolvam as comunidades locais e outros atores, como o setor privado. A ciência tem que ser aplicada de maneira prática para ter impacto real”, defendeu Bergman.

“A cooperação científica entre os países amazônicos e outros parceiros internacionais é um pilar para o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidências”, concluiu Nicole Arbour. “Somente através do trabalho conjunto conseguiremos enfrentar os desafios que ameaçam a Amazônia e, por extensão, o planeta”.

*Com informações do MCTI

Justiça condena quatro pessoas a pagar R$ 11 milhões por desmatamento em Boca do Acre, no Amazonas

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Foto: Divulgação/Polícia Federal

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal condenou quatro pessoas por danos ambientais florestais e climáticos ocasionados pelo desmatamento ilícito em áreas inseridas no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Antimary, em Boca do Acre, no Amazonas. Os valores a serem pagos pelos condenados em indenizações somam mais de R$ 11 milhões. 

A área de desmatamento consolidado totalizava 13.921,98 hectares até 2018, com diversos registros de Cadastros Ambientais Rurais (CARs) sobrepostos ao PAE Antimary. Além da obrigação de recuperação da região degradada e proibição de utilizar a área, os quatro réus deverão pagar indenização por danos materiais, indenização por danos climáticos e indenização por danos morais coletivos.

Calculados de acordo com a área de cada CAR e a quantidade de liberação de equivalência em dióxido de carbono (CO2e) – medida que expressa a quantidade de gases de efeito estufa em termos equivalentes da quantidade de dióxido de carbono (CO2), levando em conta o potencial de aquecimento global –, os valores somam mais de R$ 11 milhões em indenizações a serem pagas.

Segundo critérios de cálculo apresentados pelo MPF à Justiça, o desmatamento ilegal das quatro CARs resultou na emissão de aproximadamente 400 mil toneladas de gás carbônico entre os anos de 2011 e 2020, o que representaria 9,6% das emissões de gases de efeito estufa relacionadas a mudanças do uso da terra em Boca do Acre, concorrendo de forma direta para o agravamento das mudanças climáticas.

PAE Antimary

O PAE Antimary é área de propriedade e interesse da União, gerida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), destinada à implementação da Política Nacional de Reforma Agrária e tradicionalmente ocupada por comunidades tradicionais – extrativistas de castanhas, dentre outros produtos florestais não-madeireiros.

O MPF monitora o PAE desde 2018, quando da criação da Força Tarefa Amazônia, em função de notícias que, desde 2016, chegavam ao órgão relatando invasões e desmatamento dentro da área pública, com destaque para o abate de castanheiras utilizadas por comunidades tradicionais da região.

De acordo com o MPF, o PAE Antimary vem sendo alvo de constantes atos de grilagem, loteamento, desmatamento, queimadas e intensos conflitos fundiários, inclusive com expulsão compulsória de beneficiários do projeto.

Em 2019, acatando recomendação do MPF, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) promoveu o cancelamento de todos os CARs então incidentes sobre o PAE Antimary que não fossem titularizados por beneficiários vinculados ao PAE, já que o projeto de assentamento, por sua modalidade, não admite divisão em lotes, destinando-se ao exercício coletivo de atividades extrativistas.

Consulta processual

*Com informações do MPF

Agência Nacional de Águas declara situação de escassez hídrica na Bacia do Tapajós, no Pará

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Alter do Chão em Santarém. Foto: Bruno Cruz/Agência Pará

Durante a 916ª Reunião Deliberativa Ordinário da Diretoria Colegiada, realizada em 23 de setembro, a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) aprovou a proposta de Declaração de Situação de Escassez Quantitativa de Recursos Hídricos no trecho baixo do rio Tapajós, compreendido entre as cidades de Itaituba e Santarém, no Pará, até 30 de novembro. A medida visa a aumentar a segurança hídrica da região e mitigar os impactos dos baixos níveis dos rios sobre os usos da água.

De acordo com os institutos de climatologia, a precipitação acumulada na bacia do rio Tapajós de outubro de 2023 a agosto de 2024 foi caracterizada por chuvas abaixo da média, tendência que continua no atual período seco.

As anomalias negativas de chuva afetaram os níveis do rio do Tapajós, especialmente no trecho entre Itaituba (PA) e Santarém (PA), onde as vazões atualmente estão abaixo dos mínimos observados no histórico. Como resultado, os usos da água estão sendo impactados, especialmente aqueles que dependem de níveis adequados nos corpos hídricos, como a navegação e as estruturas de captação.

O transporte aquaviário desempenha um papel crucial no desenvolvimento econômico e social da região amazônica, particularmente na Hidrovia do Baixo Tapajós. A carga transportada em 2023 foi de cerca de 14,6 milhões de toneladas, o equivalente a 11% da carga total transportada em vias interiores, destacando-se milho (45%) e soja (45%). Além de possibilitar o escoamento de cargas, os rios são as principais vias de acesso para muitas comunidades amazônicas, permitindo o deslocamento para serviços essenciais como saúde e educação.

Leia também: Seca histórica do Rio Madeira afeta transporte de cargas em Porto Velho

Segundo a Lei nº 9.984/2000, que dispõe sobre a criação da Agência, compete à ANA “declarar a situação crítica de escassez quantitativa ou qualitativa de recursos hídricos nos corpos hídricos que impacte o atendimento aos usos múltiplos localizados em rios de domínio da União, por prazo determinado, com base em estudos e dados de monitoramento”.

Os cenários hidrometeorológicos para este ano indicam a possibilidade de serem atingidos níveis ainda mais críticos em setembro e outubro com impacto sobre os usos, razão pela qual a proposta de Declaração de Situação de Escassez Quantitativa de Recursos Hídricos no trecho do Baixo Tapajós foi aprovada com o objetivo de aumentar a segurança hídrica da região e mitigar os impactos dos baixos níveis dos rios sobre os usos da água. 

Além disso, a declaração busca comunicar à população a gravidade da situação de seca na região, permitir que instituições gestoras e diferentes usuários de recursos hídricos no rio Tapajós adotem medidas preventivas para mitigar os impactos nos diversos usos da água e sinalizar aos usuários que a ANA, se necessário, poderá alterar regras de uso da água e adotar outras medidas.

Declaração de escassez hídrica

Esse instrumento foi utilizado pela primeira vez em 2021 na Região Hidrográfica do Paraná, por meio da Resolução ANA nº 77/2021. Naquele cenário, a RH do Paraná – que ocupa 10% do território brasileiro, abrangendo áreas de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Distrito Federal – vinha acumulando chuvas abaixo da média, impactando negativamente os volumes armazenados nos reservatórios.

Essa situação colocou em risco o atendimento dos usos múltiplos da água, especialmente a geração hidrelétrica, o que poderia comprometer todo o Sistema Interligado Nacional e a navegação. Por isso, a ANA emitiu a primeira Declaração de Escassez Hídrica. 

*Com informações da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)

Gramática Wapichana é lançada em Roraima para fortalecer língua indígena

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Imagem: Reprodução/Gramática Pedagógica Wapichana

A Comunidade Indígena Tabalascada, no município de Cantá (RR), é palco do lançamento da Gramática Pedagógica da língua Wapichana, nesta terça-feira (24). A iniciativa, promovida pelo Museu do Índio, órgão científico-cultural da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), conta com educacionais e de valorização cultural.

A Gramática Pedagógica Wapichana foi construída para ser uma das frentes de fortalecimento e revitalização da língua indígena Wapichana, em um contexto de escassez de formação específica para professores e falta de material didático adequado.

A nova coleção de Gramáticas Pedagógicas em línguas indígenas foi produzida no contexto do Projeto de Documentação de Línguas Indígenas, desenvolvido desde 2008 por meio de uma parceria entre Funai/Museu do Índio e Unesco, e surge como uma ferramenta essencial para fortalecer o ensino e a aprendizagem das línguas originárias, ao mesmo tempo em que promove reflexões sobre as estruturas gramaticais e a importância política do uso contínuo de suas línguas maternas.

O evento conta com a presença de lideranças e mestres do povo Wapichana, além de representantes de diversas instituições, como o diretor do Departamento Indígena, Leonardo Pereira da Silva; e o reitor da Universidade Federal de Roraima, José Geraldo Ticianeli. Exemplares da Gramática Pedagógica já foram distribuídos às escolas Wapichana com o apoio da Coordenação Regional da Funai em Roraima.

A gramática busca atender à heterogeneidade dos falantes, contribuindo para o fortalecimento da identidade e preservação cultural do povo Wapichana.

Sua criação atende a uma demanda por continuidade da formação de professores e ampliação dos materiais de apoio ao ensino da língua Wapichana.

A íntegra da Gramática Pedagógica da língua Wapichana pode ser consultada AQUI.

*Com informações da Funai

Galeria em Nova York, nos EUA, recebe imersão sensorial na Amazônia

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Foto: Márcio Menasce/Embratur

A Galeria Visit Brasil – Amazônia foi oficialmente aberta no dia 23 de setembro, em Nova York, nos Estados Unidos (EUA). A iniciativa da Embratur, em parceria com o Sebrae, apresenta as riquezas da região amazônica e a sustentabilidade de vida das comunidades locais por meio de uma jornada multissensorial: música, artesanato, fotografia, artes visuais, moda e gastronomia. 

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, participou da cerimônia de abertura e reforçou o objetivo do projeto.

O projeto inovador permite uma imersão pelo maior bioma do mundo instalado numa galeria de arte e receberá empresários, associações e operadores de turismo, formadores de opinião, influenciadores e jornalistas internacionais até o dia 27 de setembro.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, também marcou presença no primeiro dia de galeria. Ela acredita que o espaço-conceito irá contribuir para uma maior conscientização sobre a importância da ancestralidade indígena brasileira em sua totalidade.

“É um espaço para a chamada da tomada de consciência, onde as pessoas que não conhecem a Amazônia de perto, que nunca visitaram a Amazônia, têm aqui uma noção do que é a Amazônia em toda a sua diversidade, de culturas, de povos, de territórios, de espécies, e essas espécies precisam ser protegidas não só por nós indígenas, mas por todas as pessoas”, afirmou Guajajara.

De acordo com a diretora de Administração e Finanças do Sebrae, Margarete Coelho, a parceria entre a entidade e a Embratur aproxima o Brasil dos Estados Unidos e do público-alvo. “É aqui, na Galeria Visit Brasil, que o turismo brasileiro, principalmente com o destino da Amazônia, está sendo apresentado para os Estados Unidos e para o mundo. O Sebrae e a  Embratur têm uma parceria longeva, potente e que tem preparado os pequenos negócios para serem cada vez mais efetivos, mais lucrativos, mais sustentáveis, mais inclusivos e inovadores também no turismo”, pontuou Margarete Coelho. 

Estratégia

O mercado norte-americano é estratégico para a Embratur. Os Estados Unidos foram o segundo maior emissor de turistas internacionais para o Brasil em 2023, atrás apenas da Argentina. Segundo o Portal de Dados da Embratur, o país enviou 668.478 visitantes aos destinos brasileiros no ano passado, um salto de mais de 50% em relação a 2022, quando 441 mil turistas dos EUA visitaram o Brasil. De janeiro a agosto deste ano, já foram 461,3 mil visitantes. 

Para o cônsul-geral do Brasil em Nova York, Adalnio Senna, a importância deste momento vai além do turismo. “É importante uma integração global que mostre a importância da Amazônia para o mundo. Temos a convicção de que a partir da COP30 tenhamos uma inflexão positiva para manter a floresta em pé, sob a liderança do Brasil. Bioeconomia e transição energética são temas prioritários que tratamos com os Estados Unidos”, reforçou. 

Amazônia Legal

Os estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão compõem a região amazônica, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até 27 de setembro, os visitantes irão participar de painéis com representantes de entidades ligadas ao turismo sustentável, bioeconomia e a promoção de toda a Amazônia, exposições digitais de fotógrafos brasileiros renomados, degustação da gastronomia regional de chefs brasileiros e experiências interativas. 

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

Para o governador do Pará, Helder Barbalho, a Galeria é uma oportunidade de os norte-americanos conhecerem mais sobre a diversidade do estado. “Esta imersão na Amazônia, este chamamento para que se possa conhecer um pouco da experiência das nossas belezas, das nossas riquezas, certamente alavanca a visibilidade, a estratégia de apresentação da Amazônia”, afirmou.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, endossou as palavras de Barbalho. “A Amazônia é um local diferenciado. Ela faz com que a gente sinta experiências únicas, que não existem em outros lugares. Existem locais que o mundo sempre fala, agora é hora de conhecer esses lugares”, acrescentou. 

Diversidade

A riqueza de ingredientes amazônicos será representada por chefs brasileiros renomados que estarão no comando da cozinha da Galeria Visit Brasil em Nova York, promovendo degustações para encantar os visitantes internacionais. Para o chef paraense Saulo Jennings, um dos nomes que integram o time da gastronomia do espaço, a galeria consolida a Amazônia em um alto patamar da gastronomia mundial.

“Recentemente, fui nomeado pela ONU como embaixador do turismo gastronômico mundial e acredito que essa galeria vem mostrar toda essa diversidade do nosso turismo, diversidade do que a gente tem para oferecer para o mundo. É uma oportunidade de levar para o Brasil pessoas importantes, networking para a gente transformar em negócio e geração de emprego e renda”, finalizou. 

Conectividade

A promoção internacional da região amazônica também é acompanhada de uma estratégia que busca ampliar a conectividade aérea. A Embratur atua em parceria com as companhias aéreas para atrair novos voos internacionais, em acordos que preveem promoção conjunta das novas rotas. Hoje, os  visitantes estrangeiros podem acessar a região pela nova rota Lisboa (PT)-Belém (PA)-Manaus (AM), da companhia aérea TAP. Além disso, a frequência de voos para a região também aumentou. Atualmente são cinco voos Lisboa-Belém (TAP) e sete saindo de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Belém, pela Azul.

*Com informações da Embratur

Pescadores temem que Manaus sofra escassez de peixes devido à seca

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Para os feirantes o maior aumento foi na logística para trazer o pescado até Manaus. Foto: Lucas Macedo/g1 Amazonas

A seca severa que atinge o Amazonas deve ocasionar a escassez de peixe nas feiras e mercados de Manaus ainda em 2024, é o que diz a Federação de Pescadores do Amazonas (Fepesca-AM). Os impactos já são sentidos no bolso de quem compra e de quem depende da venda do animal para sobreviver.

Na sexta-feira (20), data da atualização mais recente, o nível do Rio Negro em Manaus era de 15,08 metros. No último dia 11, a Prefeitura de Manaus declarou situação de emergência na cidade.

Segundo a Fepesca-AM, com a redução drástica dos níveis dos rios, muitos pescadores enfrentam dificuldades para acessar os pontos de pesca tradicionais, o que pode significar uma redução na oferta de peixe no estado.

A situação se agrava com o aumento dos custos operacionais, uma vez que os pescadores precisam se deslocar para áreas mais distantes e menos produtivas. Durante o período de seca, as embarcações têm dificuldade de acesso aos locais. Por conta dessas variáveis, o preço dos peixes também pode subir.

Leia também: Seca histórica do Rio Madeira afeta transporte de cargas em Porto Velho

O pescador ainda ressalta que, o jaraqui, uma das espécies mais consumida pelos amazonenses, pode sofrer um aumento de até 40% neste devido a dificuldade da logística no atual cenário do estado.

Luiz Carvalho, de 52 anos, é vendedor de peixes na Feira da Manaus Moderna e garante que o frete para trazer o peixe está mais caro.

“Hoje tem mais dificuldade do peixe chegar até o consumidor. O que vem sendo caro é a logística, canoa, carreteiro, gelo”, explicou o feirante.

Outro trabalhador da feira, Thiago Queiroz, de 22 anos, afirmou que a dificuldade para o transporte da produção vem desde o início da seca, em julho deste ano.

Os impactos já são sentidos pelos consumidores. A autônoma Célia Amazonas, 62 anos, diz que não abre mão do peixe na mesa de casa, mas se surpreendeu negativamente com os valores.

“Eu consumo bastante peixe, só que hoje o peixe está mais caro que a carne, um absurdo. Antes comprávamos seis unidades de jaraqui por R$10, hoje em dia está custando seis (unidades) por R$25 ou R$30″, comentou.

Impacto Econômico

Segundo a economista Michele Aracaty, uma alternativa para driblar a escassez é a importação de pescado do estado de Rondônia, mas a medida pode não surtir efeito por muito tempo.

A economista, ressalta ainda, que o impacto da seca não se aplica só aos peixes, mas em toda a produção que é comercializada no estado por meio dos rios.

Levando-se em consideração a relevância regional dos rios todo e qualquer alteração ocorrida neste cenário impacta sobre o cotidiano de todos. No período da estiagem ou seca dos rios culturalmente os produtos ficam mais escassos o que eleva o seu preço para o consumidor final sem contar a ampliação do prazo de entrega”, explicou Michele.

Medidas do Governo do Amazonas

Em nota, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM), informou que o Governo do Amazonas está em fase inicial de estudos para encontrar uma solução para os pescadores que sofrem o impacto da estiagem.

Para mitigar os impactos da estiagem, algumas iniciativas estão sendo propostas, informou o Idam. Organizações locais e entidades governamentais estão discutindo estratégias para a recuperação dos habitats aquáticos e a implementação de sistemas de monitoramento que ajudem a prever e gerenciar melhor os recursos pesqueiros.

“O Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) informa que está em fase de levantamento de informações, por meio de 75 Unidades Locais (UnLoc’s) e postos avançados próprios, para identificar as necessidades dos pescadores artesanais no estado, que, atualmente, são mais de 60 mil, durante a estiagem”, afirma a nota.

O órgão também explica que mesmo com a grande vazante das calhas dos rios, os valores dos pescados que são comercializados no estado, ainda não sofrem um grande aumento.

“Com relação ao preço do pescado durante a estiagem, embora a captura seja mais fácil por conta da baixa da água dos rios, a tendência é o aumento do valor em algumas regiões do estado devido aos entraves logísticos. Por isso, o Idam tem realizado ações de crédito para que o pescador artesanal tenha meios para custear a atividade e garantir a chegada da produção dele nos mercados consumidores”, conclui o IDAM.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Pará avança na criação de parque para preservação das árvores gigantes da Amazônia

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Foto: Fernando Sette

O Dia da Árvore, em 21 de setembro, foi celebrado em todo o Brasil, destacando a importância da preservação ambiental. No Pará, as comemorações ganham um significado especial devido aos esforços para a criação do Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia. A nova Unidade de Conservação (UC), prevista para ser instituída nas próximas semanas, tem como objetivo proteger a maior árvore da América Latina e uma das maiores do mundo, um angelim-vermelho (Dinizia excelsa) de 88,5 metros de altura.

Leia também: Consulta pública é realizada no Oeste do Pará para criação da UC Árvores Gigantes da Amazônia

Descoberta em 2018, a árvore monumental está na Floresta Estadual (Flota) do Paru, município de Almeirim, no oeste paraense, a mais de 800 quilômetros de Belém. Ao seu redor foram identificadas outras 38 árvores de grande porte, duas com mais de 80 metros. Esta é a maior incidência de árvores gigantes na Amazônia, evidenciando a biodiversidade da localidade e sua prioridade nos planos de conservação do bioma.

A iniciativa para a criação do Parque Estadual das Árvores Gigantes é liderada pelo Governo do Pará, por meio do Ideflor-Bio, em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e financiamento do Andes Amazon Fund (AAF). Em maio de 2024, uma nova expedição foi realizada para aprofundar análises físicas e biológicas, a fim de estabelecer uma área protegida que preserve as árvores gigantes.

Foto: Fernando Sette

Descobertas

Durante a expedição realizada em maio, um grupo de pesquisadores e técnicos do Ideflor-Bio, IFAP e FAS percorreu rios e trilhas na Flota do Paru, coletando dados sobre a fauna, flora e características do solo. Foram identificadas novas árvores gigantes, incluindo exemplares de angelim-vermelho com mais de 65 metros de altura. Esse achado revelou a existência de um verdadeiro santuário de árvores gigantes, indicando que sua ocorrência é mais frequente e dispersa pelo território do que se imaginava.

Além do papel fundamental na preservação da biodiversidade, as árvores gigantes têm uma função vital na regulação do clima, absorvendo grande quantidade de carbono e ajudando a mitigar os impactos das mudanças climáticas. Elas são abrigo e fonte de vida para uma ampla variedade de espécies, tornando-se um patrimônio cultural, histórico e científico.

Foto: Fernando Sette

Futuro do bioma

A criação da Unidade de Conservação não só protegerá essas árvores monumentais, mas também promoverá a pesquisa científica e a sustentabilidade na região. “Os esforços conjuntos do Governo do Pará e da sociedade civil salvaguardam não apenas o futuro do bioma, mas também promovem o bem-estar das comunidades locais e em todo o mundo,” destaca o diretor de Gestão da Biodiversidade do Ideflor-Bio, Crisomar Lobato.

Com a conclusão dos estudos e relatórios técnicos, o Governo do Pará realizou, no último dia 11 de setembro, consulta pública com moradores do distrito de Monte Dourado, pertencente ao município de Almeirim, que abriga a floresta onde está localizada a árvore monumental, sobre a criação da nova UC.

O superintendente de Inovação e Desenvolvimento Institucional da FAS, Victor Salviati, ressalta o simbolismo da iniciativa. “A recategorização parcial da Flota do Paru é um compromisso concreto do Estado com a conservação da Amazônia. É uma honra para a FAS prover apoio técnico e buscar parceiros financiadores para intensificar essas ações”, enfatiza.

*Com informações da Agência Pará

Agroecologia pode aliviar efeito da crise climática e gerar renda, apontam pesquisadores

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Foto: Divulgação/Acervo do projeto

Depois de algumas semanas com diversas cidades brasileiras encobertas por uma densa fumaça, fica difícil imaginar que esteja tudo “ok” com o clima. Sentimos literalmente na pele, seca, o efeito prolongado da baixíssima umidade do ar. Nos olhos e no pulmão o efeito da poluição. E mesmo que a maioria dos incêndios em si não sejam obra de uma ação direta e criminosa, o que o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas afirma há anos é que sim, grande parte das mudanças climáticas que fazem com que essas catástrofes sejam cada vez mais frequentes são, de fato, responsabilidade de ação humana.

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), como Instituição de Pesquisa localizada em um estado que reúne três dos principais biomas do Brasil – Amazônia, Cerrado e Pantanal – e que estão sofrendo com as queimadas, é responsável por acompanhar esses fenômenos e propor inovações para que a sociedade possa mitigar os efeitos já bastante graves da crise climática.

Parte desses esforços podem ser vistos no campo da agricultura. Um dos principais setores responsáveis pela liberação de carbono fóssil na atmosfera, de acordo com o IPCC, é também um setor fundamental para a Economia de Mato Grosso, então o desafio dos pesquisadores é apontar as soluções para uma produção mais consciente. É o caso das pesquisas desenvolvidas pelo Centro Vocacional Tecnológico em Agroecologia (CVT AGROECO), coordenado pelo professor Henderson Nobre, do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade (DFF) da Faculdade de Agronomia e Zootecnia (FAAZ).

Em duas pesquisas apresentadas durante o X Congresso Internacional de Agroecologia, entre os dias 2 e 6 de setembro, em Portugal, os pesquisadores do CVT AGROECO apontaram possíveis formas de diminuir os impactos da produção.

A primeira delas é referente ao projeto “Do Campo à Mesa”, cujo objetivo é consolidar cadeias produtivas baseadas em princípios agroecológicos de integração de árvores com os cultivos em uma mesma área e no uso de tecnologias de baixo carbono, permitindo aos agricultores familiares aumentar sua renda com o fortalecimento de redes locais de comercialização, sem agredir o meio-ambiente.

“A gente pode dizer que os sistemas agroflorestais são uma das estratégias mais promissoras no sentido de alcançar um equilíbrio dinâmico dentro das áreas agrícolas, porque incorporam uma grande gama de processos ecológicos que conseguem, com isso, promover essa mitigação das mudanças climáticas. Por exemplo, a incorporação de árvores no sistema, o banimento do uso de agrotóxico, o melhor reuso da água, a cobertura do solo, evitando erosão e a menor pressão sobre as áreas de ecossistema natural em função dessa otimização dos agroecossistemas”, completou.

Nesse sentido, o projeto do Campo à Mesa teve como principais resultados a implantação de 47 unidades de referência em sistemas agroflorestais, que representam um manejo de cerca de 900 hectares, em 10 municípios da Baixada Cuiabana.

Outro estudo, esse do pesquisador associado ao CVT AGROECO e doutorando do Programa de Pós Graduação em Agricultura Tropical (PPGAT), Rafael Laranja, focou na produção de algodão via sistema agroflorestal como alternativa sustentável. Neste, concluiu-se que essa é uma alternativa viável para a agricultura familiar do estado, proporcionando benefícios ambientais e econômicos.

Já existem práticas da agroecologia sendo utilizadas, aponta o pesquisador. O uso de adubação verde para rotação de culturas, plantio direto, controle de pragas e doenças com microrganismos ao invés de agrotóxicos; todas estratégias no sentido de promover uma transição em pequena, média e grande escala.

“Fato é que a gente precisa de uma mudança de jeito, de matriz tecnológica de fazer agricultura. E, nesse sentido, nós da UFMT, com os projetos do CVT AGROECO, já estamos jogando uma luz, um farol para onde essa agricultura pode caminhar no sentido de alcançar mais sustentabilidade”, concluiu.

*Com informações da UFMT

Papel é produzido a partir da fibra do caroço do açaí no Pará

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Foto: Divulgação/UFRA

Além de cultura alimentar na Amazônia, o açaí é um dos principais produtos de exportação do Pará. Dados divulgados pela Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) apontaram que só no primeiro quadrimestre de 2024, o Pará exportou 4,2 mil toneladas de açaí. Um número que mantém o estado na liderança nacional de produção do fruto.

Mas a preocupação de pesquisadores como a professora Lina Bufalino, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), não é o açaí consumido ou o que sai da região. Mas o que sobra disso tudo.

O caroço do açaí é um poluente ambiental que ainda não possui uma destinação adequada na região.

Diante dessa preocupação surgiu o AmazonCel, o primeiro laboratório de produção de celulose a partir da fibra de caroço do açaí. A fibra é aquele “pelinho” que encobre o caroço depois que é extraída a polpa. Pelo menos oito equipamentos instalados no laboratório possibilitam toda a linha de produção de celulose até a formação do papel.

“Existem outros laboratórios de celulose no Brasil, mas a intenção do AmazonCel é o contexto da Amazônia, porque a maioria dos laboratórios produz a partir do eucalipto, enquanto o AmazonCel visa atender demandas relacionadas à matérias-primas da Amazônia”, explica. O laboratório Amazoncel foi inaugurado na Ufra em junho de 2024, a partir de recursos da Fundação de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

O projeto visa o potencial da fibra do caroço do açaí na produção de embalagens, que podem ser utilizadas na indústria de cosméticos, farmacêutica, alimentícia. “Hoje fazemos um protótipo desses papéis, porque precisamos descobrir a melhor forma de produção e aí sim pensar num escalonamento de produção”, explica Bufalino.

Os estudos iniciais focam na fibra do caroço do açaí, mas há a possibilidade de que sejam utilizadas outras fibras de plantas amazônicas. “A estrutura que temos vai permitir que futuramente possamos diversificar e testar outras matérias-primas, como o Miriti; cipó titica, Paricá, tachi branco, são várias possibilidades”, afirma.

Os pesquisadores já conseguiram produzir o papel de forma eficiente, agora estão realizando testes para verificar o quanto o produto é resistente.

O caroço, recolhido junto a batedores de açaí da cidade, precisa passar por um tratamento antes que vire papel. É preciso lavá-lo, secá-lo e depois separar as fibras.

“Nesse primeiro processo há um grande potencial de envolvimento e parceria de cooperativas e das comunidades nessa separação, porque para a fabricação do papel precisamos de fibra em muita quantidade”, diz.

A equipe também está planejando o desenvolvimento de máquinas que possibilitem essa remoção e auxiliem no processo, visando a transferência dessa tecnologia para mais pessoas.

Foto: Divulgação/UFRA

Etapas para a produção do papel

  • Com as fibras em mãos, o papel pode ser produzido em três dias, passando por oito equipamentos na linha de produção.
  • O primeiro processo se chama polpação ou cozimento, um processo em alta temperatura, pressão e com reagentes químicos. É um processo que serve para isolar a celulose.
  • A partir disso é preciso fazer uma limpeza dessa polpa, em um processo chamado depuração, onde será coletada qualquer sujeira ou fibra que não foi bem despolpada e precisa ser limpa.
  • Depois disso é feito um refino, que serve para deixar a fibra mais reativa, o que dá uma resistência melhor ao papel.
  • Então é feito o processo de formação da folha, onde são usados quatro equipamentos, incluindo uma prensa de folhas;
  • Aí se tem o papel pronto.

Óleo amazônicos

Outra etapa do projeto é associar esse papel à óleos amazônicos bem conhecidos na região, como a copaíba e a andiroba. Lina Bufalino explica que esses óleos poderiam agregar ao papel capacidade antifúngicas antibacterianas, por exemplo, o que seria interessante para a indústria de cosméticos.

“Ultimamente também estamos fazendo alguns papeis com valor decorativo, então seria interessante esses aromas para a identidade de papéis da Amazônia”, observa.

Para esses estudos é necessário um Nanofibrilador, equipamento que deve chegar ainda esse ano ao laboratório.

O caroço que fica

Enquanto a fibra tem potencial para produtos de maior valor agregado, ainda assim sobra o caroço. Segundo a pesquisadora, o caroço apresenta enorme potencial de virar bioenergia e biocarvão, ambas pesquisas que também são feitas pelo grupo.

“Bioenergia seria a queima direta do resíduo para produção de energia, algumas empresas já fazem isso”. Ela explica que para a bioenergia é necessário que tenha muita disponibilidade de resíduo (biomassa), o que é o caso do caroço.

O caroço também tem alta densidade, o que significa que num pequeno volume de caroço há bastante massa e consequentemente bastante energia estocada. “ Na prática isso significa maior rendimento energético ou maior rendimento em carvão vegetal”.

Já na produção como carvão, o Biochar, o caroço tem a vantagem de ter um tamanho regular, o que possibilita que a carbonização seja feita de modo regular. Mas é preciso ter cuidado com a carbonização, a partir de um processo chamado pirólise. “É um processo que temos que ter a presença controlada ou ausência de oxigênio. Se não tiver isso, a biomassa vira cinza, para ela virar carvão, essa degradação térmica tem que ser controlada”, explica.

O Biochar tem sido utilizado na agricultura, especialmente como potencial para recuperação de solos degradados e como retenção de carbono, estimulando os chamados créditos de carbono. O projeto também é desenvolvido por outros pesquisadores da universidade.

Lina Bufalino explica que o maior desafio com relação à bioenergia e biocarvão é a alta umidade do caroço. Mas a equipe já tem esse trabalho em andamento, testando formas de secagem para acelerar esse processo. “Além de perspectivas futuras, como secadores solar”, diz a professora.

*Com informações da UFRA