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Ponto de não retorno: a Amazônia não tem tempo a perder

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Foto: Pedro Devani/Secom AC

Ainda nos anos 1990, estudiosos da Amazônia discutiam a possibilidade de que o desmatamento excessivo conduzisse o bioma a um ponto de não retorno, o que poderia comprometer a continuidade da floresta tropical tal como a conhecemos. Mas aquilo que já foi um debate largamente teórico tornou-se hoje uma questão urgente e desafiadora, num contexto em que os efeitos do desmatamento são turbinados pelas rápidas e intensas mudanças climáticas globais.

O pilar central do conceito de ponto de não retorno estipula que se os níveis de desmatamento e degradação da Amazônia atingirem certos patamares, a floresta perderá a capacidade de se sustentar, independentemente de quaisquer iniciativas posteriores no sentido de mitigar a perda de cobertura vegetal. Essa autodegradação poderia transformar vastas áreas da floresta tropical em áreas pobres em biodiversidade, o que traria implicações devastadoras não apenas para a região, mas também para o clima global. 

Para esboçar um quadro do aspecto que teria essa Amazônia sem a floresta, algumas pessoas recorrem ao termo savana. Mas não é uma descrição lá muito precisa: uma Amazônia sem floresta se mostraria muito mais pobre, tanto em termos de fauna quanto de flora, do que uma savana.

Uma das principais descobertas que fundamentam a preocupação com a possibilidade de que ponto de não retorno esteja se aproximando é a relação entre o desmatamento e a extensão da estação seca no sul da Amazônia. 

Nesta região concentra-se boa parte do chamado Arco do Desmatamento. Este nome foi proposto pelo movimento ambientalista, e se tornou internacionalmente reconhecido, para identificar um vasto segmento do bioma amazônico onde a devastação avança em ritmo mais acelerado há décadas

Estudos pioneiros indicaram que o desmatamento contínuo pode prolongar a duração da estação seca para além dos quatro meses habituais. Essa jornada estendida poderia inviabilizar a possibilidade de que a floresta tropical sobreviva às duras condições do período seco.

E, segundo o cientista Carlos Nobre, um dos maiores climatologistas brasileiros, que se dedica a estudar a resiliência amazônica há 30 anos, esse quadro já está acontecendo. 

Arte: Equipe de Arte ACI – Fonte: Mapbiomas

Os dados científicos recentes, gerados a partir de pesquisas conduzidas em diversas áreas do bioma, delimitam um cenário ainda mais perigoso, porque a combinação de desmatamento e aquecimento global exacerba os problemas.

O desmatamento afetou cerca de 18% da área da floresta. Quando se somas também as áreas degradadas já afetou um pouco mais de 20% da área do bioma. Os estudos multidisciplinares mostram que, se o desmatamento alcançar 25% da área, e o aquecimento global ultrapassar a média global em 2°C, grande parte da floresta entrará no ciclo de autodestruição. Se estas condições se verificarem, as previsões apontam para o ponto de não retorno sendo alcançado até 2050, ou seja, em menos de 30 anos.

E as pesquisas sugerem que os efeitos extremamente danosos não se limitarão apenas à Amazônia, espalhando-se por toda a América do Sul, como um efeito dominó. Em especial, por meio da interrupção do fenômeno conhecido como “rios voadores”, os fluxos de vapor d’água que circulam da Amazônia para outras regiões do continente. A floresta, nas regiões onde ainda está preservada em sua exuberância, funciona como uma bomba d’água ativa, que exala umidade para a atmosfera. Esses grandes canais aéreos de vapor são responsáveis por levar umidade para o Cerrado e a Mata Atlântica. O impacto chega ao sudeste do Brasil e partes da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.

Arte: Equipe de Arte ACI – Fonte: Mapbiomas

Sem essa umidade, os demais biomas do continente se tornarão mais secos, enfrentando estações sem períodos de chuvas prolongadas e temperaturas mais altas. Essas alterações colocariam sob ameaça não apenas a biodiversidade do país como também sua agricultura. Todo o agronegócio brasileiro, concentrado no Cerrado, estaria, portanto, sob risco.

Perda de biodiversidade já é alarmante

Quando a análise passa do ponto de vista macro para processos mais regionais, é como se a tese do ponto de não retorno ganhasse ainda mais nitidez.

Em Rondônia, onde o grupo realiza as suas pesquisas, região onde o desmatamento e a degradação da maior floresta tropical do planeta é alto, a situação é classificada como “alarmante” pelo cientista da Unesp, por causa da perda de condições climáticas adequadas para a manutenção da biodiversidade aquática.

Brejão cita um estudo da International Union for Conservation of Nature, uma das mais reputadas ONGs ambientalistas, divulgado em 2023, que mostrou que um quarto das espécies de peixes de água doce do mundo estão ameaçados de extinção, principalmente devido às mudanças climáticas, à pesca excessiva e à poluição. 

No caso particular de Rondônia, os pesquisadores da Unesp estimam que as mudanças nos ecossistemas aquáticos vão afetar tanto espécies que são muito sensíveis ao desmatamento quanto aquelas que suportam esse tipo de impacto, sendo até beneficiadas por ele.

“Nos dois últimos anos, em que testemunhamos secas severas na Amazônia, já registramos impactos profundos sobre a biodiversidade aquática. Além disso, a própria malha de estradas acaba fragmentando a hidrografia e dificultando o deslocamento das espécies de peixes entre as diferentes manchas florestais”, analisa Brejão. O que mostra que, para além da questão climática, a ação direta do homem sobre o bioma também tem deixado marcas bastante negativas.

Como evitar o ponto de não retorno

Embora as previsões e cenários problemáticos sejam abundantes, a boa notícia é que há também alguns estudos científicos que sugerem que é possível impedir que o bioma afunde no buraco negro do ponto de não retorno. E essa perspectiva otimista é reforçada por iniciativas e projetos socioambientais já em andamento, que procuram manter a floresta em pé e gerar renda para os moradores da região.

Uma das possibilidades mais promissoras para reverter esse cenário, diz o climatologista Carlos Nobre,  é o plano conhecido como  “Arco da Restauração”, nome que indica o desejo de reverter o estrago feito no Arco do Desmatamento.

O plano foi  anunciado durante a COP28, no ano passado em Dubai, será liderado pelo Brasil e  visa restaurar, empregando recursos do BNDES, 240 mil km² de floresta até 2050, começando com 60 mil km² até 2030. O financiamento incluirá também recursos do Fundo Amazônia e do Fundo Clima, com R$ 550 milhões voltados para pecuaristas e pequenos agricultores. 

Os objetivos de longo prazo serão reverter os danos causados pelo desmatamento, reduzir a duração da estação seca e estimular uma nova economia sustentável baseada na floresta. Tais objetivos são realizáveis, ele diz, desde que a iniciativa ganhe a escala necessária.

Em paralelo, e essa é a grande menina dos olhos de alguns cientistas que buscam soluções para a Amazônia, inclusive de Carlos Nobre, quem começa a ganhar tração é o programa Amazônia 4.0. A meta é capacitar comunidades locais para produzir e comercializar produtos da biodiversidade, como cacau, cupuaçu e castanha.

Além disso, está em desenvolvimento um Instituto de Tecnologia da Amazônia, nos moldes do ITA, para impulsionar a pesquisa e inovação sustentável na região, com apoio de Brasil, Colômbia e Peru. O instituto será focado em áreas como biodiversidade, sistemas fluviais e restauração de áreas degradadas. O lançamento está previsto para a COP 30, no final de 2025, junto com cinco polos de inovação destinados a criar startups voltadas para essa nova socioeconomia da floresta em pé.

O manejo do pirarucu no médio Juruá e a plantação de café orgânico no Sul do Amazonas também são exemplos de como comunidades, cientistas e profissionais de várias áreas podem trabalhar de forma integrada em busca da preservação e geração de riqueza. No caso do município de Apuí, a pressão da expansão da agropecuária, com o desmatamento ligado ao gado e ao cultivo de soja, é uma realidade.

 No entanto, produtores locais estão tendo a chance de trabalhar com uma alternativa sustentável para a região, a partir de um projeto de produção de café orgânico. Com um aporte de R$ 11 milhões, o projeto-piloto, que envolvia cerca de 50 famílias, agora inclui 250 produtores.

Arte: Equipe de Arte ACI – Fonte: Mapbiomas

A iniciativa, liderada pela ONG Idesam, busca integrar a produção de café à preservação ambiental, cultivando o grão próximo à floresta, o que melhora a ciclagem de nutrientes no solo e reduz a necessidade de adubos. A expectativa é aumentar a produção em 5.000%, de 231 para 12 mil sacas de café, e expandir a área cultivada para mais de 600 hectares em dez anos. 

O café orgânico de Apuí já está sendo comercializado, com potencial de conquistar mercados internacionais. Além dos benefícios econômicos, o projeto visa a recuperação de áreas degradadas e a mitigação das emissões de carbono por meio do reflorestamento e da conservação ambiental.

O mesmo raciocínio é empregado no manejo do pirarucu, no interior do Amazonas. Uma das vitórias dos últimos anos da Associação de Produtores Rurais de Carauari (Asproc) é a abertura de um frigorífico na região de Manaus. A ideia dos associados, que estruturam a cadeia de produção há mais de uma década, sempre foi driblar os atravessadores. Por isso, todo o peixe pescado hoje é processado por parceiros, mas as receitas das vendas vão diretamente para os membros da associação, que fazem a divisão dos valores de acordo com as regras de cada comunidade.

Se a possibilidade de aumento de renda tem feito com que milhares de pessoas – mais de 2 mil segundo números oficiais da associação – aderissem ao manejo, isso não significa que o estoque pesqueiro do médio Juruá esteja em queda, muito pelo contrário. O número de famílias envolvidas com a pesca tem aumentado a uma taxa de 50% por ano. Isso porque o manejo, com regras definidas com base na ciência, controla o estoque de peixe de cada lago, ano a ano. Nos anos 1990, o pirarucu quase sumiu das águas amazônicas.

Da forma como é feita hoje, explica o cientista, com foco na proteção dos ecossistemas terrestres, apenas 22% da biodiversidade aquática está sendo efetivamente protegida. “Além disso é urgente que se contenha a degradação das florestas remanescentes no bioma e seja feito um planejamento para priorizar a restauração e recuperação das florestas ripárias (ou matas ciliares), reconectando a floresta e facilitando o deslocamento de fauna terrestre. Para os peixes, essa recuperação florestal e reconexão dos fragmentos pode conter o processo de perda de diversidade a que estamos assistindo em tempo real”, diz o professor do IB de Rio Claro.

O climatologista Carlos Nobre, outro que deixou de se restringir a elaborar diagnósticos para os grandes problemas da Amazônia e partiu para o encaminhamento de soluções, também não jogou a toalha.

Séries Jornal da Unesp

Este artigo faz parte da série Biomas do Jornal Unesp. Nesta série, o Jornal da Unesp mapeia os desafios ambientais presentes nos diferentes biomas do Brasil.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Unesp, escrito por Eduardo Geraque

COP 29: Amazonas defende agilidade para financiamento da agenda de mitigação e adaptação às mudanças climáticas

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Discurso de Secretário de Estado do Meio Ambiente do Amazonas. Foto: Magna Helena/Abema

Presente na COP 29, que acontece na cidade de Baku, em Azerbaijão, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) liderou, no dia 12, um painel sobre ‘Arquiteturas de Financiamento da Agenda do Clima a partir do Pagamento por Serviços Ambientais na Amazônia’.

O secretário da Sema, Eduardo Taveira, destacou a importância de acelerar o financiamento de agendas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

O painel foi dividido em duas mesas. Na primeira, participaram secretários de Estado do meio ambiente da região Norte amazônica, entre eles o secretário Executivo do Mato Grosso, Alex Marega; o Secretário de Tocantins, Marcello Lelis; o secretário de meio ambiente do Acre, Leonardo Carvalho; além dos secretários do Pará, Raul Romão, e o secretário da Sema Amazonas, Eduardo Taveira, como mediador.

O objetivo do encontro foi abordar experiências e novas possibilidades de financiamento climático, focado no Pagamento por Serviços Ambientais. A agenda de geração de créditos de carbono foi destaque do painel, tendo em vista o potencial de captação de recursos de maneira ágil, a partir da conservação da floresta, com benefício tanto para fundos climáticos como para as comunidades onde os créditos são criados.

“No Amazonas, essa repartição de benefícios é definida por Decreto: no máximo 15% vai para cobrir custos operacionais das instituições implementadoras e, do restante, metade de todo o recurso da venda dos créditos vai obrigatoriamente para a Unidade de Conservação que tiver projeto de carbono implementado. Ou seja, é garantia de que esses recursos voltam para as populações tradicionais, promovendo justiça climática e bem-estar social para os povos da floresta, com a prioridade e a urgência necessária”, completou.

A segunda mesa reuniu instituições financiadoras e órgãos de controle, com o objetivo de discutir a transparência e requisitos necessários para construir sistemas ágeis de inovadores de financiamento da agenda climática.

O encontro foi mediada pela CEO da FleishmanHillard Brasil, Ana Domingues, e contou com a participação do Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE/AM), Júlio Pinheiro; a Conselheira para Financiamento Climático do Banco Mundial, Svetlana Klimenko; o diretor GCF Task Force no Brasil, Carlos Aragon e o secretário Taveira.

*Com informações da Sema AM

Painel sobre ‘Soberania da Amazônia’ encerra temporada 2024 do projeto ‘Amazônia Que Eu Quero’

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A temporada 2024 do programa ‘Amazônia Que eu Quero’ chegou, oficialmente, ao fim das atividades com o tema ‘Soberania da Amazônia’. O evento que foi exclusivo para convidados ganhou transmissão no canal temático Amazon Sat e teve como objetivo criar um debate saudável sobre o futuro da região amazônica.

Entre os participantes que debateram sobre a soberania amazônica estavam o procurador-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), André Petzhold Dias; o Comandante Militar da Amazônia (CMA), Ricardo Augusto Ferreira Costa Neves; o General de Brigada e Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia, Reinaldo Sótão Calderaro, e o Secretário-Geral de Inteligência do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Sérgio Fontes.

Durante o painel, os participantes destacaram a importância da soberania da Amazônia. O procurador-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), André Petzhold Dias, afirmou que para alcançar a soberania o foco precisa ser no ser humano. “Tudo tem que ser voltado para que essa pessoa tenha seus direitos atendidos, dessa forma, ela ocupará o território e a soberania será exercida”, contou.

Outro ponto importante destacado no painel foi sobre a união dos amazônidas. “Problemas sempre existirão, eles vão se sucedendo. Solucionamos alguns, mas logo aparecem outros. Porém, se todos estiverem juntos com um propósito firme o problema será solucionado”, disse o Secretário-Geral de Inteligência do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Sérgio Fontes.

Ele explicou que para a Amazônia alcançar a soberania é necessário focar em quatro pontos: reforço da inteligência do país, integração de todos os órgãos, compartilhamento de experiência com os países vizinhos e investimento na ciência.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

A importância do debate

Este ano, o projeto trabalhou com o tema ‘Amazônia Continental’. Segundo a diretora executiva da Fundação Rede Amazônica (FRAM), Mariane Cavalcante, todas as capitais da região amazônica receberam debates que refletiam a importância de encontrar soluções para manter a Amazônia em pé.

“Este último painel foi uma grande celebração, afinal, o projeto está conosco há cinco anos. Durante o evento, falamos muito sobre soluções, mas também ressaltamos a importância de ter líderes que se transformem em protagonistas para pensar de dentro para fora”, disse.

De acordo com a coordenadora do projeto ‘Amazônia Que Eu Quero’, Debora Holanda, o painel final cumpriu o seu papel de promover um debate essencial sobre a defesa da Amazônia.

O CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior, afirmou que o projeto “tem todas as condições de continuar crescendo, pois trata de assuntos relevantes para a sociedade. A cada nova edição, mais pessoas nos procuram querendo conhecer mais do projeto. Vejo com um processo natural, quanto mais aprofundado for o tema debatido, mais relevante vai se tornar o evento”.

Foto: Reprodução/Fundação Rede Amazônica

Sobre o Amazônia Que Eu Quero

Concebido em 2019, o Programa ‘Amazônia Que eu Quero’ é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica e Grupo Rede Amazônica que tem por objetivo promover a educação política por meio da interação entre os principais agentes e setores da sociedade, além do levantamento de informações junto aos gestores públicos e da participação ativa da população, por meio de câmaras temáticas estabelecidas pelo programa, como foi o caso da edição de 2023 que discutiu três eixos centrais Educação, Turismo e Conectividade no contexto Amazônico.

Sobre a Fundação Rede Amazônica

A Fundação Rede Amazônica, é o braço institucional do Grupo Rede Amazônica, atua há 38 anos com os objetivos de capacitar pessoas, articular parcerias, desenvolver projetos e programas que contribuem para a proteção e desenvolvimento da Amazônia.

Parque convida público a escolher nome do novo morador do Mangal das Garças, no Pará

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Foto: Divulgação

Com uma postura altiva e um grande bico de cor vibrante, o mais novo morador do Mangal das Garças chegou para abrilhantar ainda mais o plantel de aves do Parque. Trata-se de um exemplar de Tucano-toco (Ramphastos toco), também conhecido por tucanuçu, considerado o maior dos tucanos. O animal passa por um período de quarentena e adaptação e logo será inserido nos projetos de educação ambiental do complexo zoobotânico. O nome do novo integrante será escolhido pelo público por meio de enquete nas redes sociais do Mangal.

A ave pertence a família ranfastídeos, que inclui tucanos e araçaris, os quais vivem em todo o Brasil central e partes da Amazônia. O Tucano-toco geralmente chega aos 56 centímetros e pesa 540 gramas. Com expectativa de vida de até 20 anos, esses animais têm como principal característica o longo bico amarelo-alaranjado, que pode alcançar até 22 centímetros.

O novo morador chegou ao Parque Zoobotânico Mangal das Garças por meio do Ideflor-bio, após entrega voluntária da família que o criava na Ilha do Marajó, ao órgão ambiental. O médico veterinário Camilo Gonzáles explica que ave é considerada jovem e passa por um período de quarentena e realização de exames.

O Mangal conserva outros quatro espécimes de tucanos e um aracari, com os quais o Tucano-toco será colocado em convivência para fins de readaptação e integração ao Parque. A ave também fará parte dos projetos de educação ambiental, nos quais o público poderá ver de perto e aprender mais sobre o modo de vida dos tucanos, além de saber curiosidades e garantir um registro com o animalzinho.

Foto: Divulgação

Curiosidades

Os tucanos-toco são muito inteligentes. No ritual de acasalamento, por exemplo, machos e fêmeas jogam caroços de frutas uns nos outros. Outra curiosidade é o grande bico, que apesar de parecer enorme e pesado, é constituído de tecido ósseo esponjoso que forma uma estrutura não maciça e areada, parecida com um favo-de-mel. Isso torna o bico mais leve e ajuda a não dificultar o voo. Geralmente se alimentam de frutos e também de ovos e pequenos vertebrados.

Ajude a escolher o nome do novo morador do Mangal

O Mangal quer a ajuda do público para a escolha do nome do novo morador. Será lançada uma caixinha de perguntas no perfil do Instagram do Parque para que os visitantes deixem sugestões de nomes para o bichinho. Para participar basta seguir o perfil @mangaldasgarcas e deixar a sugestão.

O Parque Zoobotânico Mangal das Garças é administrado pela Organização Social Pará 2000, por meio da Secretaria de Estado de Turismo e funciona de terça a domingo das 8h às 18h com entrada gratuita.

*Com informações da Agência Pará

Cartilha reúne pesquisa botânica de 30 espécies arbóreas da trilha principal da Funbosque

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Foto: Divulgação/Funbosque

A cartilha ‘Gigantes da Trilha: Árvores da trilha principal da Fundação Escola Bosque – Vol. 1’ é produto de um trabalho socioambiental e interdisciplinar, que contém a pesquisa botânica de 30 espécies arbóreas da trilha principal da escola localizada em Belém, no Pará, envolvendo a participação dos estudantes nas atividades para sua construção. A cartilha está disponível online na página principal do site da Funbosque.

O projeto foi elaborado pelos pesquisadores e engenheiros florestais Wanderson Silva e Ema Castaneira e teve início em outubro de 2023. Eles desejam que o material seja uma referência nas discussões técnicas, relativas à criação de uma área de proteção ambiental (APA) nas dependências da sede da Funbosque, assim como nos assuntos relativos à crise climática.

Iniciativas para uma nova Área de Proteção Ambiental

Ema Castaneira explica que a unidade sede da Funbosque ainda não possui classificação perante o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), regulamentada no ano 2000, segundo a Lei nº 9985 pelo Governo Federal, mas que pode adquiri-la após alguns procedimentos necessários, já que a legislação brasileira dá ao município competência para a criação.

O objetivo ao classificar a área segundo o SNUC é a preservação desse fragmento de floresta secundária e o desenvolvimento sustentável, a partir da proteção e da conservação de atributos bióticos, abióticos, estéticos e culturais, considerados essenciais para a qualidade de vida da comunidade. 

Foto: Divulgação/Funbosque

Estudantes como coautores

A execução do projeto fez parte de um plano de ação direcionado à rede escolar – para toda e qualquer disciplina que se adeque nos planos pedagógicos -, assim como, às práticas de percepção ambiental ou atividades relacionadas.

A cartilha contém desenhos dos ramos das espécies selecionadas, realizada com a colaboração de estudantes das turmas Ipê Rosa e Ipê Amarelo, ambas do 2º Ano do Ensino Médio Integrado – Técnico em Meio Ambiente, e a turma Boto, CII, 5° ano da unidade sede, alguns pré-avaliados por profissionais da equipe de psicopedagogia e saúde da escola, com indicativos de Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) e autismo. Dessa forma, a inclusão social e a tradição de representar os caracteres botânicos por meio de desenhos tiveram destaque no processo. 

Com o apoio das professoras Ray Silva e Rozi Azancort e da psicopedagoga Maria de Nazaré Silva, as atividades previamente definidas foram implantadas no cronograma pedagógico da formação técnica em meio-ambiente. Os jovens também tiveram participação no preparo do campo, junto aos pesquisadores, para se familiarizar com o material utilizado. Esse trabalho serve como estímulo para a iniciação científica no nível médio e de base para futuros projetos.

*Com informações da Funbosque

Rondoniense ganha concurso nacional de desenho com obra que representa ‘brasilidades’

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Desenho vencedor de Jhonatan Kallil. Foto: Jhonatan Kallil

Aos 17 anos, o estudante Jhonatan Kallil de Ji-Paraná (RO), venceu o Concurso Nacional de Desenhos durante a 21ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) de 2024. A obra apresenta referências da cultura e biodiversidade brasileira.

O trabalho de Jhonatan traz elementos emblemáticos culturais do país, como o vira-lata caramelo, chinelos de dedo, a fauna representada pela onça-pintada, capivara, mico-leão e boto rosa. A obra está atualmente exposta em Brasília (DF).

Jhonatan revelou que seu interesse pela arte começou na infância, quando escrevia e ilustrava histórias, além de fazer origamis. Ele começou a desenhar em 2019, após ser inspirado por artistas das redes sociais e depois aprimorou seu estilo. “Ganhar o concurso foi um misto de gratidão, alívio e orgulho”, disse.

Jhonatan se destacou não apenas pelo talento, mas também pela persistência. Segundo ele, depois de participar de outras edições do concurso sem chegar na final, ele decidiu tentar novamente.

Foto: Reprodução

“Sempre pensei que, se quero algo, vou fazer até alcançar o resultado que me deixe feliz”, declarou.

Jhonatan também é medalhista em várias olimpíadas de conhecimento, como de matemática e astronomia. O jovem acredita que desafios são oportunidades para aprender e crescer.

A obra de Jhonatan foi escolhida por votação popular entre 606 inscritos. O vencedor rondoniense ganhou uma viagem a Brasília, dispositivos eletrônicos, além de cartões postais com seu desenho.

*Por Gabriel Farias, da Rede Amazônica RO

Mochilas purificadoras de água são entregues em comunidade isolada pela seca na Zona Rural de Manaus

Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

Moradores da comunidade Bela Vista do Jaraqui, localizada a cerca de 40 km de Manaus (AM), receberam 30 mochilas-camelo que purificam água para consumo no dia 12 de novembro. A ação visa ajudar a população, que sofre com a severa estiagem na região, dificultando o acesso a água potável e alimentos.

O Amazonas vive a seca mais severa já registrada na história do estado. Segundo o boletim mais recente da Defesa Civil do Estado, divulgado na segunda-feira (11), são mais de 800 mil pessoas afetadas pelo fenômeno e prejuízos que já ultrapassam R$ 620 milhões em 2024. Todos os 62 municípios do estado seguem em estado de emergência.

Devido à estiagem, os moradores precisam caminhar por cerca de 30 minutos pela mata para chegar até a comunidade. Anteriormente, a área era inundada pelas águas do Rio Negro, o que permitia o acesso fácil da população local e visitantes.

Para ajudar a amenizar essas dificuldades, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) realizou a entrega de mochilas-camelo, equipamentos para captação, tratamento e armazenamento de até 15 litros de água. Essas mochilas-camelo são compostas por uma mochila, um filtro portátil e um suporte de parede, e têm sido usadas por centenas de famílias no Brasil para garantir o acesso à água potável.

O kit facilita o processo, permitindo aos moradores captar, transportar, armazenar e filtrar a água, tornando-a adequada para consumo. Segundo a superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da FAS, Valcleia Solidade, essa iniciativa busca proporcionar mais autonomia e qualidade de vida à comunidade, especialmente durante o período de estiagem.

Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

A superintendente também reforçou que a medida visa garantir o bem-estar dos moradores da comunidade, uma vez que o acesso a água contaminada pode acarretar em doenças.

“A gente sabe que um dos maiores vetores problemas de saúde, ele vem através da água, diarreia, essas coisas todas, então, essa tecnologia é uma tecnologia que ela é um preço acessível e ela pode atender essa demanda que é das famílias que estão morando de forma isolada”, explicou.

O pescador Raimundo, presidente da associação dos moradores da comunidade, afirmou que a entrega das mochilas-camelo é fundamental para garantir que os moradores tenham acesso a água de qualidade durante o período de seca.

Para os moradores que vivem da pesca e enfrentam a longa caminhada mencionada no início da matéria, a mochila-camelo será um utensílio essencial. Ela permitirá que possam se manter hidratados com água filtrada, garantindo a saúde e o bem-estar durante suas atividades, como no caso do pescador Maurício Dejacir.

“Às vezes é muito complicado depois que seca o rio aí. É um sofrimento bacana aí pro cara passar, né? Mas a gente vai enfrentando. Agora eu vou levar a mochila e tratar a água em casa e beber água”, finalizou o pescador.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

Câmara Municipal aprova lei dos circuitos e rotas turísticas de Porto Velho

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Foto: Divulgação

A Lei N° 3.222, de 4 de Novembro de 2024 foi sancionada pela Câmara dos Vereadores e dispõe sobre os circuitos e rotas turísticas criados pela Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Turismo e Trabalho (Semdestur) de Porto Velho (RO). A lei tem por objetivo geral o desenvolvimento econômico do turismo por meio da valorização e divulgação da cultura, história e natureza da capital.

Leia também: 4 rotas turísticas para explorar em Porto Velho

A campanha promocional ‘O Melhor de PVH – Terra de Bravos Pioneiros’ foi criada pela equipe da Semdestur, composta por turismólogos, a partir de um ordenamento turístico que catalogou mais de 70 pontos turísticos em 17 circuitos e quatro rotas. O trabalho vem sendo desenvolvido desde 2021 e, para além da catalogação, já desenvolveu soluções inovadoras para a divulgação do turismo, como as placas de QR Code, aplicativo, site, walking tours, eventos dentro e fora de Porto Velho e redes sociais.

O legado da campanha promocional turística ‘O Melhor de PVH – Terra de Bravos Pioneiros’ foi registrado em lei, que também contempla mecanismos de criação e gestão de Destinos Turísticos Inteligentes, Circuitos e Rotas Turísticas, bem como o Turismo de Base Comunitária.

O objetivo é estabelecer as atividades já desenvolvidas pela Semdestur, registrar os circuitos e rotas turísticas já existentes, bem como estabelecer novas diretrizes para a operação de guias e agências de turismo.

Foto: Divulgação

O Turismo de Base Comunitária tem por objetivo a valorização das comunidades ribeirinhas e dos recursos naturais, estimulando o turismo de forma sustentável, respeitando a natureza e contribuindo para a geração de renda.

Sobre os Destinos Turísticos Inteligentes, a lei dispõe sobre a inovação no âmbito do turismo, garantindo sustentabilidade e conectividade entre pessoas, destinos, produtos e serviços. Todo o ecossistema local faz parte da experiência do turista, por isso as iniciativas públicas, privadas, comércio e demais serviços devem estar alinhados.

A lei dispõe, ainda, sobre as modalidades de turismo já em desenvolvimento pela Semdestur, como o Turismo Pedagógico, que proporciona o contato com a história e cultura locais para estudantes de todas as idades em Porto Velho. A lei busca, ainda, valorizar as atividades gastronômicas, culturais, eventos sazonais como carnaval e a festa junina.

Os Circuitos e Rotas mencionados na lei já são conhecidos pela população e contemplam áreas como aventura, religioso, rural, artes, ecológico, dentre outros. A lei versa sobre a possibilidade da criação de novos circuitos e rotas no futuro, conforme necessidade e viabilidade econômica. Detalhes sobre capacitação de guia de turismo e operação de circuitos e rotas por agências de turismo podem ser encontrados dos Artigos 5 ao 7 da lei. 

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

Grupo de estudos cria e-book que divulga cultura paraense em inglês

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O Grupo de Estudos de Professores de Línguas do Pará (Geplipa), do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE) da Universidade do Estado do Pará (Uepa), lançou um e-book (livro eletrônico) gratuito voltado para professores de língua inglesa do Pará. Coordenado pela professora Erika Castro, o livro digital reúne atividades que integram o ensino de inglês com a rica cultura paraense, proporcionando uma experiência de ensino decolonial e reflexiva.

Confira o e-book na integra:

Desenvolvido esse ano como parte da disciplina de Estágio Supervisionado do curso de Letras – Língua Inglesa, o e-book foi criado pelos discentes do terceiro ano da Uepa, a partir de discussões sobre decolonialidade e educação crítica-reflexiva e intitulado Boca de Lobo – uma alusão ao famoso nó de atar redes. A obra é embasada em conceitos de Linguística Aplicada Crítica e Educação Linguística, com o intuito de valorizar as práticas culturais da região no processo de ensino da língua inglesa.

A iniciativa visa não apenas aprimorar o aprendizado do inglês entre os estudantes paraenses, mas também fortalecer o reconhecimento da identidade cultural local, permitindo que educadores incorporem elementos regionais em suas práticas pedagógicas.

Disponibilizado gratuitamente, o material é uma ferramenta acessível para todos os professores de inglês do estado, refletindo o compromisso do Geplipa em apoiar a formação de educadores com uma visão culturalmente consciente.

O acesso ao e-book também pode ser feito neste link. Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail: geplipa@gmail.com.

Foto: Divulgação

*Com informações da Uepa

Mil famílias de comunidades amazônicas no Peru recebem incentivos para conservação das florestas

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Foto: Divulgação/Agência Andina

Cerca de mil famílias de comunidades indígenas das regiões de Junín, San Martin e Ucayali, no Peru, recebem incentivos econômicos para a realização de atividades de conservação e restauração dos ecossistemas amazônicos, no contexto da estratégia “Gestão corporativa da biodiversidade”, implementada pelo Ministério do Meio Ambiente peruano (Minam).

Através desta experiência piloto, iniciada há 6 anos, estas atividades de recuperação ecológica tornam-se meios de subsistência para gerar rendimentos complementares para pequenos produtores que se dedicam à agricultura, pecuária ou ecoturismo.

Foto: Divulgação/Agência Andina

Isto surge da Plataforma Digital de Compensação pela Conservação no Peru, que envolve empresas comprometidas com a conservação do patrimônio natural e, ao mesmo tempo, contribui para a melhoria da qualidade de vida das populações locais.

Sobre esta intervenção setorial, William Llactayo, especialista da Direção Geral de Ordenamento Territorial e Gestão Integrada dos Recursos Naturais do Minam, disse que os projetos de restauração envolvem a recomposição de um conjunto de elementos-chave da biodiversidade, necessários para recuperar um ecossistema, e o conjunto de serviços que oferece pode gerar benefícios econômicos para a população.

Com o apoio técnico do Minam, esta iniciativa é desenvolvida pela Universidade Católica Sedes Sapientiae em aliança com a corporação Masbosques da Colômbia e com o financiamento da cooperação Suíça-SDC.

Espaço comum

Esta experiência de sucesso foi apresentada no Pavilhão do Peru na COP16, em Cali, onde especialistas nacionais trocaram conhecimentos com seus homólogos da Colômbia, com base nas práticas realizadas nos territórios amazônicos daquela zona fronteiriça.

O evento foi intitulado “Recuperação de ecossistemas em fazendas amazônicas: estratégia para restauração social do território, nas regiões de Junín, San Martin e Ucayali”.

Representantes do Serfor, da Universidade Santo Tomás e da organização Masbosques de Colômbia também participaram deste painel.


Foto: Divulgação/Agência Andina

*Com informações da Agência Andina