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A história do café adaptado à Amazônia

Florada de café Robusta Amazônico. Foto: Enrique Alves

Devido ao trabalho pioneiro com cultivo de cafés clonais, Rondônia é considerado o berço dos Robustas Amazônicos. Estudos mostram que esses cafés resultam da mistura entre cafés conilon, trazidos para a região na década de 1970, por produtores mineiros, paranaenses e capixabas, e materiais genéticos 100% robusta, trazidos do Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP), pela Embrapa Rondônia, em 1990.

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De acordo o pesquisador Marcelo Curitiba, da Embrapa Café, responsável por estudos com cafés clonais na Amazônia, esses materiais seminais se adaptaram bem ao clima e solos da região e se disseminaram entre agricultores da Amazônia. A denominação Robustas Amazônicos contempla todo material genético de café desenvolvido na região, por meio de cruzamento entre cafés conilon e robusta, sejam clones selecionados de forma empírica, pelos agricultores, ou desenvolvidos pela pesquisa.

“Esses cafeeiros híbridos reúnem características predominantes do café robusta e tiveram origem em processos de cruzamento natural, realizados por agricultores de diferentes localidades da Amazônia, que aprenderam a técnica de clonagem e passaram a selecionar plantas com elevado potencial de produção, nas lavouras comerciais. As plantas obtidas foram utilizadas como matrizes na produção de mudas para formação de novos plantios e serviram como base genética para renovação do parque cafeeiro da região, nos últimos dez anos”, explica o pesquisador.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café. Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Rondônia são os principais produtores do grão.

Mudas de café clonal Robusta Amazônico. Foto: Aliny Melo

Contribuições da pesquisa para a cafeicultura amazônica

O interesse crescente por cafés clonais Robustas Amazônicos e a ausência de informações sobre suas características genéticas gerou a necessidade de estudar esses materiais. Os estudos para melhoramento genético desses cafés, realizados pela Embrapa Rondônia, desde 2003, contam com a parceria da Embrapa Acre, produtores rurais e instituições de ensino. Como resultado desse esforço coletivo já foram recomendadas, pela Embrapa, 10 cultivares de café clonal para a Amazônia.

“Esse material genético foi muito bem caracterizado em relação à produtividade, rendimento no beneficiamento, resistência a doenças, vigor vegetativo, espaçamento necessário, ciclo de maturação, tamanho do grão e qualidade da bebida, entre outros aspectos agronômicos”, conta Curitiba.

Segundo ele, conhecer bem as características de cada clone permite ao agricultor escolher o arranjo mais adequado aos seus objetivos de produção. “Também é importante que o plantio seja realizado com outros materiais clonais, para diversificar o cultivo”, complementa o pesquisador.

A pesquisa científica também gerou informações técnicas essenciais para a implantação e manejo das lavouras, adubação, controle de pragas e doenças e monitoramento do estresse hídrico, além de práticas que ajudam a garantir eficiência na colheita, pós-colheita e beneficiamento dos grãos. Esse vasto conhecimento, compartilhado entre cafeicultores e profissionais da extensão rural, tem contribuído para consolidar a cafeicultura amazônica como uma atividade sustentável no bioma.

De acordo com o pesquisador Enrique Alves, entre os clones desenvolvidos e recomendados pela Embrapa, há materiais que proporcionam um café de alta qualidade, com foco na participação em concursos e acesso a mercados diferenciados.

“As colheitas cuidadosas, com alto índice de frutos maduros, a secagem lenta e o uso de técnicas de processamento em via úmida e de fermentação autoinduzida possibilitam uma bebida exótica, genuína, com aroma agradável, doçura, corpo aveludado e sabor marcante. Essas características, aliadas à origem amazônica e produção sustentável, favorecem o uso desses cafés como componente principal de bebidas finas no Brasil e em mercados internacionais”, ressalta o especialista.

Expansão da cafeicultura para além da Amazônia

O último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que 19,9 famílias rurais praticam o cultivo comercial de café clonal na Amazônia, número ainda pequeno frente à existência de mais de um milhão de agricultores existentes na região. Para ampliar o cultivo de cafés Robustas Amazônicos, a Embrapa, em parceria com produtores familiares, universidades, empresas privadas e outras instituições, investe na transferência dessas tecnologias para propriedades rurais de diferentes estados.

Produção de café Robusta Amazônica no Sitio Rio Limão, em Cacoal, Rondônia. Foto: Renata Silva

“Além dos 10 clones desenvolvidos pela pesquisa, outros 50 clones de café estão em avaliação em Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e Mato Grosso. O objetivo é conhecer aspectos do cultivo desses materiais genéticos e identificar os melhores clones para cada estado, mas a disseminação dos cafés Robustas Amazônicos não se restringe à Amazônia. Enviamos esses clones também para outras localidades como Ceará, Piauí, Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais”, enfatiza Curitiba.

Outro fator decisivo para a expansão e fortalecimento da cafeicultura na Amazônia é a produção de mudas clonais com qualidade genética e fitossanitária, em larga escala.  Para viabilizar a atividade, a Embrapa atuou fortemente no apoio à formação de uma rede de viveiristas. Atualmente, centenas de empresas estão credenciadas pelo Mapa e órgãos responsáveis pelo processo de Certificação Fitossanitária de Origem para o processo de multiplicação de clones de cafés Robustas Amazônicos nos diversos estados da região. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Trajetória de Marcus Lacerda, especialista em malária na Amazônia, é destaque em publicação médica internacional

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Foto: Michell Mello

Pesquisador clínico especialista em malária do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), o médico infectologista Marcus Larcerda é destaque da revista The Lancet, edição de fevereiro/2025, em artigo publicado sobre a sua trajetória como pesquisador em saúde pública na Amazônia e a relevância do seu trabalho como cientista no enfrentamento a doenças infecciosas, em especial a malária, do tipo Plasmodium vivax, predominante na região amazônica brasileira.

A publicação destaca a importância dos estudos, coordenados por Larcerda, sobre o uso da Tafenoquina, única terapia para a cura radical da malária causada pelo Plasmodium vivax, aprovada nos últimos 40 anos. Há 24 anos, Lacerda tem se concentrado nessas pesquisas, conforme salienta a publicação no The Lancet.

O texto ressalta que, embora a malária seja o seu principal foco, Lacerda também contribuiu para outras áreas de pesquisa em doenças infecciosas, com o reconhecimento da comunidade científica internacional. “A adesão à Fiocruz possibilitou me envolver mais intimamente nas questões relacionadas às drogas”, diz o especialista à revista.

A publicação destaca que “o trabalho de Lacerda é valorizado pelos colegas” e exemplifica: Quique Bassat, diretor geral do ISGlobal, em Barcelona (​​Espanha) comentou que “Marcus Lacerda é um especialista em saúde global do século 21 gigante que dedicou sua vida profissional a dar visibilidade aos problemas de saúde da região amazônica brasileira e além. Sua pesquisa fundamental sobre o manejo da malária vivax e eliminação, seu trabalho incrivelmente rigoroso sobre o COVID-19 durante as dificuldades da pandemia, e seu compromisso destacando doenças tropicais ainda muito negligenciadas, são todos testemunho de sua motivação e lealdade para servir às necessidades de seus pacientes e comunidades”.

Na pandemia de COVID-19, Marcus Lacerda liderou um grupo de pesquisadores que fez um estudo de segurança de duas doses de difosfato de cloroquina para COVID-19 grave. Os resultados negativos do ensaio desafiaram as opiniões de alguns líderes mundais e por um período Lacerda recebeu ameaças online por extremistas políticos. “É estranho ser mais conhecido pelo público por este trabalho do que as duas décadas de trabalho que tenho feito sobre a malária”, diz Lacerda ao The Lancet.

O artigo descreve ainda aspectos pessoais da vida do cientista. Conta que Lacerda nasceu na periferia de Brasília e que foi inspirado em seu tio João Felix Cunha, ginecologista, que decidiu ingressar na faculdade de medicina na Universidade de Brasília, aos 16 anos. Como estudante de medicina, morou por três meses com missionários católicos canadenses, período no qual trabalhou como único médico, ainda não qualificado, no município de Caapiranga, interior do Amazonas.

Durante seus estudos médicos, Marcus Lacerda começou a ver a importância da pesquisa. Sua primeira experiência na área foi em imunologia e mais tarde em malária. Em 2002, passou a fazer parte da Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado, em Manaus (AM), onde continua a trabalhar como Especialista em Doenças Infecciosas/Tropicais Especialista em Medicina.

Seu primeiro ensaio clínico teve como finalidade testar arteméter – lumefantrina para malária falciparum não grave nas Américas, que mais tarde se tornou o regime padrão no Brasil. Concluiu seu Doutorado em Medicina Tropical em 2007 e prosseguiu sua carreira em medicina e pesquisa.

Lacerda foi presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical entre 2015 e 2017, tendo dedicado grande parte do seu tempo para formar alunos de pós-graduação na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus. Também levantou financiamentos para ensaios clínicos junto a agências brasileiras e internacionais.

O artigo relembra também que não foi só na malária que Lacerda tem a sua marca. Trabalhando com Beatriz Grinsztejn, que lidera a área de HIV e questões de saúde sexual para a Fiocruz, Marcus Lacerda utilizou a infraestrutura que havia estabelecido em Manaus para o teste de implementação no Brasil da profilaxia oral pré-exposição (ImPrEP) para prevenção do HIV em 2018, além de testes de cabotegravir e lenacapavir como PrEP injetável de ação prolongada.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, escrito por Júlio Pedrosa

Produtores familiares quadruplicam rendimento de cafés Robustas Amazônicos

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Foto: Alexsandro Teixeira

O cultivo de variedades de café clonal, conhecidas como Robustas Amazônicos, associado a outras tecnologias recomendadas pela Embrapa, tem possibilitado lavouras mais produtivas e grãos de qualidade em propriedades rurais familiares da Amazônia

Leia também: Você sabe quais tipos de café a Amazônia mais produz?

Produtores do Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima e outras localidades da região têm conseguido quadruplicar a produção, em relação a cultivos seminais, saindo de uma produtividade entre 20 e 30 sacas de 60 quilos de café em grãos por hectare, para até 120 sacas. Esse resultado garante mais renda e qualidade de vida para as famílias rurais.

Os cafés Robustas Amazônicos são cultivados há décadas na Amazônia e, nos últimos dez anos, ganharam visibilidade no mercado e a preferência dos cafeicultores da região. 

Leia também: Café Robusta Amazônico é declarado patrimônio cultural e imaterial de Rondônia

A atividade iniciou com agricultores de Rondônia e se expandiu entre produtores de outros estados, que passaram a renovar antigos cafezais seminais e implantaram novos plantios com variedades clonais. Segundo a pesquisadora da Embrapa Acre, Aureny Lunz, os cafés seminais apresentam alta variabilidade genética, fator que limita a produção e torna a cultura pouco competitiva.

“Já os cafés clonais Robustas Amazônicos, além de altamente produtivos, proporcionam maturação uniforme, essencial para obtenção de grãos de qualidade, e o uso de variedades precoces ou tardias permite planejar a colheita. Esses materiais genéticos, aliados a tecnologias de manejo, conferem à cafeicultura expressiva capacidade de gerar renda e agregar valor à produção familiar e elevam o potencial de transformação da cultura, ainda mais visível na vida de pequenos produtores”, destaca.

Salto na produtividade

De acordo com Enrique Alves, pesquisador da Embrapa Rondônia, a cafeicultura na Amazônia evoluiu de um modelo quase extrativista para uma produção tecnológica sustentável. A atual média de produção de estados como Acre (45 sacas por hectare) e Rondônia (52 sacas), em nada lembra a produtividade de um passado recente, que raramente superava 10 sacas por hectare.

“Alcançamos avanços significativos na cultura e dispomos de tecnologias que possibilitam aproveitar todo o potencial agronômico dos clones de cafés Robustas Amazônicos e elevar a produção. Por isso, é comum encontrar propriedades familiares com produtividade de 120 a 150 sacas de café por hectare e algumas lavouras superam 200 sacas”, ressalta o pesquisador.

O agricultor Wanderlei de Lara, morador de Acrelândia, principal polo de produção de café do Acre, plantou os primeiros clones de Robustas Amazônicos em 2016, depois de conhecer, junto a outros produtores, a experiência de cafeicultores de Nova Brasilândia, em Rondônia. 

Foto: Diego Gurgel

Ele conta que esses cafés possibilitaram um salto na produtividade, resultado da qualidade genética dos materiais clonais e adoção de práticas adequadas de manejo e irrigação das lavouras.

“Saímos de 20 sacas de 60 quilos, com os cafés seminais, para 100 sacas por hectare. Na safra de 2024 produzimos 120 sacas por hectare, comercializadas entre mil e duzentos e mil e trezentos reais, cada”, relata o produtor, informando que o retorno econômico na atividade possibilitou modernizar a produção e a infraestrutura da propriedade. 

“Hoje, vendemos o nosso café todo torrado e moído, pronto para ser embalado. Minha família tem melhores condições de trabalho e uma vida mais confortável, graças à cafeicultura clonal”, enfatiza Lara, que também investe na produção de café fermentado, produto vendido pelo dobro do preço do café em coco.

Foto: Diego Gurgel

Negócio familiar rentável

No Juruá, uma das regionais do Acre, o café é cultivado há mais de duas décadas, mas a produção ganhou força a partir de 2021, com a criação da Cooperativa dos Cafeicultores do Vale do Juruá (Coopercafé), iniciativa que reúne 92 produtores familiares e incentiva o uso de clones Robustas Amazônicos em pequenas propriedades. 

Na propriedade do agricultor Romualdo da Silva, em Mâncio Lima, a produção chama a atenção pelo vigor do cafezal e os resultados alcançados possibilitaram a criação do café Vô Raimundo, já disponível em mercados locais.

“Somente com o uso de clones adequados, manejo nutricional baseado nas necessidades das plantas e um sistema de irrigação eficiente, a cultura evoluiu. Produzimos 120 sacas de grãos em uma área de 1,2 hectares, um desempenho produtivo excelente. Com o apoio da cooperativa, adequamos a propriedade para um processo de produção que vai do campo à xícara e transformamos a atividade em um negócio familiar rentável. Ver o nosso café nas prateleiras de supermercados é a realização de um sonho”, declara o agricultor.

Para Michelma Lima, agrônoma da Secretaria de Agricultura do Acre (Seagri), a cafeicultura é uma atividade em expansão na Amazônia, processo fruto de investimentos em tecnologias.

“No Acre, o aumento da área cultivada e da eficiência produtiva na cafeicultura é prioridade do programa de fortalecimento da produção agrícola do estado. Além de excelentes ganhos no rendimento dos cafezais, o acesso dos produtores a clones adaptados à região e à assistência técnica continuada reduz custos na produção”, avalia.

Cafeicultura gera turismo rural sustentável

Foto: Imagem cedida pela família Bento

Outro exemplo de como a cafeicultura tem ajudado a transformar a produção familiar e a vida no campo é a família Bento, de Cacoal (RO), que mantém uma produtividade de 100 sacas de café por hectare, desempenho que gera renda para cinco famílias no Sítio Rio Limão. 

O trabalho compartilhado e os investimentos em tecnologias de cultivo e para melhoria da qualidade dos grãos tornaram a propriedade uma referência em cafés Robustas Amazônicos de excelência e em turismo rural sustentável na Amazônia.

O produtor Ronaldo Bento explica que a colheita no tempo certo e os processos de secagem e fermentação bem orientados, além de procedimentos adequados no armazenamento, transformaram o perfil sensorial dos grãos, resultando em um café especial, premiado em concursos estaduais e nacionais. A qualidade e notoriedade do produto chamou a atenção de turistas e, nos últimos cinco anos, a propriedade já recebeu visitantes de mais de 20 países.

“Atendemos cerca de dois mil turistas por mês, que buscam conhecer as lavouras e o processo produtivo e degustam um típico café colonial. Vendemos uma média de 200 quilos de café por semana, somente na propriedade. Cada embalagem com 500 gramas de café comum ou 250 gramas de café gourmet custa 25 reais. Além disso, nosso café abastece mercados locais e de outros estados. Produzir café está no nosso sangue. Não imagino minha família em outra atividade”, enfatiza Bento.

Café indígena

Foto: Aliny Melo

Os cafés Robustas Amazônicos também são cultivados em diferentes terras indígenas e se destacam como vitrine da sociobioeconomia amazônica. Em Rondônia, o “Projeto Tribos”, iniciativa do Grupo 3 Corações, apoiada pela Embrapa, implementa um modelo de produção sustentável que gera renda para cerca de 150 famílias, de oito etnias que habitam as terras indígenas Sete de Setembro e Rio Branco.

“O trabalho se baseia na transferência de tecnologias que preconizam a preservação das florestas, o protagonismo indígena e a qualidade da produção. Entre os resultados alcançados está um café especial, produzido por uma família Suruí, avaliado com nota 100, máxima pontuação atribuída a cafés Robustas em premiações, no mundo”, explica o pesquisador Enrique Alves.

No estado de Roraima, a produção de Robustas Amazônicos envolve agricultores de diferentes municípios, incluindo indígenas da comunidade Kauwê, na Terra indígena Raposa Serra do Sol, localizada em Pacaraima, onde os primeiros cafezais foram implantados em 2020, com apoio da Embrapa. 

Idauto Pedrosa Lima cultiva 10 variedades desses cafés, com a participação de toda a família, e o rigor na atividade, especialmente na colheita, seleção e torra dos grãos, resultou em um café indígena com qualidade aprovada por consumidores de diversas partes do mundo.

“Testamos a bebida com a comunidade e a aceitação foi muito positiva. A partir desse resultado, buscamos um nome e uma identidade visual que refletissem a sua origem e batizamos o produto de Café Uyonpa (“café família” na língua Macuxi). A produção é vendida para turistas que visitam a Terra Indígena e pela internet e gera uma renda média mensal de quatro mil reais. Queremos expandir o cultivo e aprimorar ainda mais a produção porque acreditamos que com a cafeicultura podemos melhorar a vida da família e garantir um futuro próspero para filhos e netos”, declara o agricultor.

Saiba mais: Robusta Amazônico: conheça café produzido dentro de Terra Indígena em Rondônia

Foto: Aliny Melo

O analista da Embrapa Roraima, Lourenço Cruz, que acompanha as atividades na Terra Indígena, considera o apoio às famílias indígenas essencial para viabilizar uma atividade econômica sustentável.

“Os produtores são comprometidos com a produção de café de qualidade e já estão gerando renda para suas famílias. O projeto tem potencial para ser replicado em outras comunidades indígenas de Roraima”, afirma.

Aproveitamento de áreas degradadas

Segundo o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) Edson Barcelos, o cultivo de cafés clonais no Amazonas começou há pouco mais de uma década e tem se tornado uma alternativa para o aproveitamento e conversão de áreas alteradas em espaços produtivos.

“A cafeicultura é uma importante atividade econômica para dez municípios amazonenses; a maioria dos cultivos tem até dois hectares e predominam clones Robustas Amazônicos”, destaca.

Foto: Rafael Rocha

No município de Silves, a atividade teve início, a partir de 2015, com Unidades de Referência Tecnológica (URTs) implantadas com apoio da Embrapa, na área da Associação Solidariedade Amazonas (ASA), na estrada da Várzea. A família Lins, uma das primeiras a aderir à parceria, passou a colher dez vezes o que produzia com o café seminal. Além de boa produtividade e qualidade diferenciada, a atividade, realizada somente em áreas de capoeira, permite conservar a floresta em pé.

Conciliar produção de qualidade e conservação ambiental rendeu à família o prêmio Florada Premiada, na categoria Campeãs Regionais Canéfora, em 2024. Para a matriarca Maria Karimel Lins (a dona Vanda), a conquista é resultado do conhecimento adquirido em capacitações sobre diferentes aspectos da cafeicultura. “Melhoramos procedimentos de colheita, pós-colheita e os cuidados para manutenção da qualidade dos grãos”, relata a produtora, que acredita que a premiação pode inspirar outros agricultores a valorizar a qualidade e o meio ambiente na produção de café.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Turismo sustentável e pesca esportiva geram faturamento de R$ 6,3 milhões no Amazonas

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Foto: Rodolfo Pongelupe

Empreendimentos de turismo e de pesca esportiva apoiados pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), na região do Baixo Rio Negro e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no Amazonas, geraram um faturamento de R$ 6,3 milhões no período de janeiro a novembro de 2024. 

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O resultado veio em um ano de desafios impostos por mais uma estiagem severa na Amazônia e mostrou a importância do Turismo de Base Comunitária (TBC) para as famílias ribeirinhas que dependem dessa atividade econômica, além de contribuir para a manutenção da floresta em pé.

Por meio do programa ‘Conservação da Amazônia: uma Aliança entre Natureza e Criatividade’, em parceria com o grupo LVMH, a FAS apoiou 25 empreendimentos de turismo com capacitações, beneficiando 17 comunidades situadas em quatro Unidades de Conservação (UCs) do estado do Amazonas.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Na região do Baixo Rio Negro, foram 17 empreendimentos de turismo apoiados, que geraram um faturamento bruto de R$ 4,56 milhões. A região recebeu um fluxo de 5.910 turistas, beneficiando nove comunidades locais.

Já durante a temporada de pesca esportiva na RDS do Uatumã, foram 12 os empreendimentos do ramo apoiados pela FAS, resultando em um faturamento bruto de R$ 1,74 milhão e um fluxo de 350 turistas. Ao todo, oito comunidades foram beneficiadas com a atividade.

Capacitações e intercâmbio

Uma das ações de destaque do programa foi a capacitação em gastronomia realizada para um grupo de 22 mulheres que trabalham com o TBC no baixo Rio Negro, na comunidade Tumbira, distante 69 quilômetros de Manaus. Durante quatro dias, as participantes receberam aulas teóricas sobre segurança dos alimentos e reconhecimento de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), aulas práticas sobre técnicas de preparo com ingredientes regionais, utilização de PANCs e preparação de cardápios diversificados que atendam clientes com restrições alimentares (como intolerância à lactose) e opções vegetarianas e veganas.

Saiba mais: Conheça as PANC, plantas alimentícias não convencionais da Amazônia

A comunidade do Tumbira também foi espaço para um intercâmbio de conhecimentos sobre TBC entre alunos do curso de Gestão em Turismo da Universidade Nilton Lins, da modalidade presencial, em Manaus, e os alunos da modalidade Ensino a Distância (EaD), que vivem em comunidades ribeirinhas de Unidades de Conservação, no interior do Estado do Amazonas. Ao todo, 38 pessoas participaram do intercâmbio, entre alunos e comunitários, que destacou os potenciais empreendimentos, atrativos culturais e naturais da região.

Foi ofertado o curso de arrais amador para 26 comunitários que atuam com pesca esportiva na RDS do Uatumã. Arrais Amador é uma habilitação náutica que permite a condução de embarcações recreativas, como lanchas, barcos de pesca e veleiros, em águas abrigadas (rios, lagos e baías).

Resiliência

Para o empreendedor Roberto Brito, o ano foi de muito trabalho e superação de desafios. Proprietário da Pousada do Garrido, na comunidade Tumbira, um dos empreendimentos apoiados pela FAS, ele relata que a temporada de 2024 iniciou bem, com destaque para os meses de junho a agosto. A partir de setembro, com a seca dos rios, as atividades turísticas paralisaram. Roberto enfatiza a importância do TBC, não só para a geração de renda, mas também para a conservação da floresta, que contribui para o combate aos efeitos das mudanças climáticas.

“O turismo de base comunitária agrega os três pilares da sustentabilidade, o econômico, o social e o ambiental. Ninguém quer vir de fora ver a natureza destruída, o rio poluído, a floresta queimada. Quanto mais conservado, mais clientes e mais renda. É uma parte que gera muito resultado positivo. Nosso empreendimento faz esses avanços para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que trabalham com isso”, explica o empreendedor.

Entenda: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Ele também cita as ações que valorizam a cultura regional, como o curso de gastronomia para mulheres. “A capacitação fortaleceu e trouxe opções que têm na própria comunidade e que as pessoas não usam na culinária. Isso foi ótimo, pois trouxe para os empreendimentos, principalmente os que trabalham com turismo, a melhoria da parte da gastronomia com os ingredientes que já estão aqui na comunidade”, afirmou.

Segundo Wildney Mourão, gerente do Programa de Empreendedorismo da FAS, a força do turismo de base comunitária está não só na capacidade de gerar renda, mas também de ser uma ferramenta de conservação e conservação ambiental.

“Estamos enfrentando eventos climáticos extremos que mostram cada vez mais a importância de manter a floresta em pé para combatermos os efeitos das mudanças climáticas. O TBC é uma das alternativas econômicas neste cenário, pois é uma atividade sustentável, que gera emprego e renda, fomenta os empreendimentos  locais e promove a valorização da biodiversidade, envolvendo as comunidades e os turistas que vêm conhecer a nossa região. Os resultados dos empreendimentos de turismo apoiados pela FAS, mesmo num cenário desafiador de seca, demonstram a importância dessa atividade e que é sim possível gerar renda de forma sustentável  sem prejudicar a floresta”, declarou. 

*Com informações da FAS

Marechal Rondon: o explorador que conectou a Amazônia e defendeu os povos indígenas

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Foto: Reprodução/Senado

Cândido Mariano da Silva Rondon foi um dos exploradores do Brasil de maior destaque, deixando um legado que se estende da construção de redes telegráficas à defesa dos direitos indígenas. Sua trajetória foi marcada por desafios extremos, pioneirismo e uma visão humanista que o diferenciou de outros exploradores de sua época.

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Rondon nasceu em 5 de maio de 1865, no distrito de Mimoso, em Mato Grosso. Filho de um vaqueiro e descendente de indígenas bororo e terena, perdeu os pais ainda na infância e foi criado por um tio. Seu sobrenome “Rondon” foi uma homenagem a esse tio, Manuel Rodrigues da Silva Rondon. Desde cedo, se destacou nos estudos e ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde se formou em Engenharia, Matemática e Ciências Físicas e Naturais.

Em 1890, ainda como tenente, Rondon integrou uma comissão de engenharia que tinha como objetivo construir uma rede telegráfica entre Mato Grosso e Goiás. Naquela época, Mato Grosso sofria com o isolamento, pois a comunicação com o Rio de Janeiro dependia de longas viagens fluviais pela Bacia do Prata. O trabalho de Rondon ajudou a reduzir esse isolamento e possibilitou a integração da região ao restante do país.

Posteriormente foi designado para liderar uma nova comissão, desta vez expandindo a rede telegráfica até as fronteiras do Brasil com a Bolívia e o Paraguai. Entre 1890 e 1906, participou da construção de mais de 1.700 km de linhas telegráficas, atravessando territórios desconhecidos e estabelecendo contato com diversas etnias indígenas.

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Rondon foi um verdadeiro explorador da Amazônia. Foto: Reprodução/Senado

Defesa dos indígenas

Em 1907, Rondon embarcou em uma das suas maiores missões: liderar a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas do Mato Grosso ao Amazonas. A jornada, que durou até 1910, exigiu coragem e resistência, levando os exploradores a enfrentarem doenças tropicais, territórios hostis e dificuldades de abastecimento. Durante essa missão, Rondon manteve seu compromisso com a paz, promovendo contatos amistosos com os povos indígenas.

Em 1910, Rondon ajudou a criar o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), tornando-se seu primeiro diretor. A instituição tinha como objetivo proteger os indígenas de violências cometidas por seringueiros, fazendeiros e garimpeiros, além de garantir direitos básicos para essas comunidades.

Expedição Rondon-Roosevelt

Em 1913, Rondon participou de uma das expedições mais notáveis da história: a Expedição Rondon-Roosevelt. Junto ao ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, explorou o chamado ‘Rio da Dúvida’, que posteriormente recebeu o nome de Rio Roosevelt. A jornada foi exaustiva e quase fatal para Roosevelt, que contraiu malária e ficou gravemente debilitado.

Nas décadas seguintes, Rondon esteve envolvido com diversas questões políticas e diplomáticas. Durante a Revolução Paulista de 1924, foi promovido a general. Posteriormente, supervisionou as fronteiras do Brasil e atuou como mediador em conflitos entre Peru e Colômbia. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi um ferrenho opositor do fascismo e defendeu a entrada do Brasil ao lado dos Aliados.

Foto: Reprodução/Senado

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Reconhecimento

Foram muitas as realizações de Cândido Mariano. Algumas marcaram a história; como a criação do Parque Nacional do Xingu; primeiro mapa com todas as referências do estado de Mato Grosso; proposição e criação dos primeiros açudes na região Nordeste (seca de 1919); demarcação de todas as 10 fronteiras do Brasil (1930) e o acervo de Rondon deu origem ao Museu Nacional do Índio no Rio de Janeiro.

O reconhecimento pelo trabalho de Rondon veio em vida. Em 1955, foi promovido ao posto de Marechal. Sua dedicação à exploração, ciência e defesa dos povos indígenas resultou em diversas homenagens, incluindo a nomeação do Estado de Rondônia e do Meridiano 52 em sua honra.

Marechal Rondon faleceu em 19 de janeiro de 1958, deixando um legado inestimável para a história do Brasil. Seu lema, ‘Morrer se for preciso; matar, nunca’, resume seu compromisso com a paz e a justiça. Seu trabalho pioneiro na exploração e defesa dos povos originários continua a inspirar gerações de pesquisadores, indigenistas e historiadores.

No dia 29 de abril de 2014, a Câmara Federal aprova o Projeto de Lei 1834/07, do Senado, que inscreve o nome de Cândido Mariano da Silva Rondon no Livro dos Heróis da Pátria.

Rondon foi uma das personalidades brasileiras mais importantes e recebeu inúmeras honrarias tanto no Brasil quanto no exterior. “O prestígio de Rondon transpunha fronteiras. O meridiano 52 tem o nome de Rondon. Rondônia também é o único estado brasileiro que tem nome de ser humano. Em 1957 foi indicado, por Nova York, para o prêmio Nobel da Paz, mas não pôde concorrer, pois morreu em 19 de janeiro de 1958”, relata Gabriel.

Ibama cria ‘Programa Arapaima’ no Amazonas para incentivo ao manejo do pirarucu

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Foto: Reprodução/Idam

Na data em que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) celebra seus 36 anos de fundação, e, 21 de fevereiro, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, oficializou a criação do Programa Arapaima no estado do Amazonas. A assinatura da portaria nº 22 de 20 de fevereiro de 2025 institui o Programa de Manejo Sustentável do Pirarucu (Arapaima gigas) e Conservação dos Ecossistemas de Várzea. A solenidade contou com a presença de diversas autoridades, incluindo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

“É um projeto muito importante, que é um sucesso no Estado do Amazonas. Temos um desafio enorme de levar essa experiência para os demais estados”, declarou o presidente do Ibama durante a cerimônia.

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A criação do programa é celebrada como um marco histórico para o sistema de manejo do pirarucu, desenvolvido por pescadores e cientistas há 26 anos. Cristina Buck, analista ambiental do Ibama e uma das pessoas que estiveram à frente da estruturação do programa, destacou a importância da conquista: “A publicação do programa é uma vitória coletiva. A força do grupo, somada à conjuntura atual, foi fundamental para avançarmos. Somos muito gratos ao apoio do Coletivo e de todos os manejadores e manejadoras”, comemorou.

Rodrigo Agostinho, presidente do IBAMA e Joel Araújo, superintendente do Ibama no Amazonas. Foto: Divulgação/Ibama

Sobre o Programa

O Programa Arapaima visa estimular práticas comunitárias de proteção dos ambientes aquáticos onde ocorrem naturalmente as populações de pirarucu (Arapaima gigas), bem como fomentar a organização coletiva dos pescadores envolvidos no manejo e apoiar a geração de benefícios socioeconômicos para as comunidades envolvidas na conservação dos ecossistemas de várzea amazônica.

Os principais objetivos da iniciativa incluem fortalecer o manejo sustentável do pirarucu, aprimorando a proteção territorial, a contagem, a pesca e as avaliações de sustentabilidade nas áreas de manejo; garantir a rastreabilidade para monitoramento, controle e exportação da espécie; conservar ecossistemas de várzea, contribuindo para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas; promover a bioeconomia com inclusão social das comunidades ribeirinhas, indígenas, pescadores e populações tradicionais; e apoiar a vigilância comunitária nas áreas de manejo, fortalecendo a proteção dos territórios.

O Programa Arapaima será implementado nas áreas naturais de ocorrência do pirarucu na bacia do rio Amazonas, com foco no estado do Amazonas e possibilidade de expansão para Acre, Amapá, Pará, Roraima e Rondônia.

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370 mil pessoas em comunidades ribeirinhas e indígenas da Região Amazônica irão receber internet

Foto: Divulgação

A Entidade Administradora de Faixa (EAF) concluiu, no dia 20 de fevereiro, o lançamento do cabo subaquático da Infovia 02, parte do Programa Norte Conectado. A conclusão da instalação do cabo no leito do Rio Solimões representa mais uma etapa da operação que está implementando a infraestrutura para levar sinal de dados estável e de alta velocidade a 13 municípios do Amazonas, cobrindo mais de mil quilômetros com cabos de fibra óptica. 

“Estamos concluindo uma importante etapa da Infovia 02 para levarmos internet à população do Amazonas, especialmente às pessoas que vivem em áreas de difícil acesso. Após o trecho de Tabatinga, faremos os trabalhos por via terrestre a partir de Belém de Solimões. Com essa infraestrutura digital pronta, haverá benefícios como conectividade segura e de qualidade, melhor acesso aos serviços públicos e progressos na educação, na saúde e na segurança pública”, disse o ministro das Comunicações, Juscelino Filho.

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Implantação da infovia. Foto: Divulgação

“Trata-se de uma iniciativa essencial para a inclusão digital nesta região. Com a conectividade, a população terá acesso a todos os benefícios que a Internet proporciona aos cidadãos e cidadãs”, afirma Carlos Baigorri, presidente da Anatel.

“Estamos comprometidos em entregar uma infraestrutura de qualidade que servirá de base para políticas públicas transformadoras”, explica Antonio Parrini, diretor de operações da EAF.

Com um investimento de R$ 268 milhões, a Infovia 02 vai beneficiar aproximadamente 370 mil pessoas em localidades como Tefé, Alvarães, Uarini, Fonte Boa, Jutaí, Tonantins, Santo Antônio do Içá, Amaturá, São Paulo de Olivença, Belém do Solimões, Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte, que será interligada por terra, pela BR-307. Em Belém do Solimões, a infraestrutura também atenderá cerca de 12 mil indígenas distribuídos em 30 aldeias.

“A conclusão do lançamento do cabo de fibra optica subfluvial da Infovia 02 representa uma etapa técnica importante para a evolução das obrigações da EAF e para a expansão a conectividade na Região Amazônica”, explica Leandro Guerra, CEO da EAF. “Nosso trabalho se concentra em garantir que cada quilômetro de fibra óptica seja instalado de forma segura e eficiente, considerando os desafios logísticos e ambientais únicos da região.” 

A infraestrutura subfluvial instalada será conectada às redes metropolitanas, também implementadas pela EAF, que levarão conexão de alta capacidade para escolas públicas, unidades de saúde, prefeituras, tribunais e organizações das Forças Armadas nas localidades beneficiadas, que ainda contarão com uma praça pública equipada com Wi-Fi, ampliando o acesso à internet para toda a comunidade.

Implantação da infovia. Foto: Divulgação

Descarte responsável de resíduos na operação

A operação de lançamento do cabo da Infovia 02 seguiu rigorosos protocolos ambientais exigidos pelo IBAMA para obtenção da licença de operação, garantindo o correto gerenciamento dos resíduos gerados tanto pela tripulação embarcada quanto pela instalação da infraestrutura. Durante os 20 dias de expedição, mais de 100 pessoas estiveram a bordo da plataforma de lançamento, o que demandou um planejamento detalhado para a coleta, armazenamento, tratamento e destinação adequada de resíduos orgânicos, recicláveis e não recicláveis. 

Foram seguidas as práticas do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes (PGRSE), em conformidade com as diretrizes do Licenciamento Ambiental, para minimizar impactos ambientais, incluindo a trituração e o armazenamento de resíduos orgânicos em freezers durante o período de navegação, a separação seletiva de recicláveis e o descarte seguro de materiais não reutilizáveis.

Os resíduos recicláveis foram classificados, armazenados em big bags e encaminhados para pontos de coleta especializados. Já o lixo orgânico foi triturado, transformado em ração animal e doado a fazendas da região. Materiais de risco, como restos de fibra óptica e combustíveis, foram lacrados e incinerados conforme as normas ambientais vigentes. Toda a operação foi acompanhada por fiscais do IBAMA. 

Implantação da infovia. Foto: Divulgação

Norte Conectado

A Infovia 02 faz parte do Programa Norte Conectado, que contempla a implementação de oito infovias nos rios da Amazônia. A EAF é responsável pela construção de seis delas, totalizando mais de 9 mil quilômetros de cabos de fibra óptica subaquáticos e investimento de cerca de R$ 1,34 bilhão, provenientes do leilão do 5G. A entidade já concluiu a implementação da Infovia 03, conectando Belém (PA) e Macapá (AP). 

A Infovia 04 – que passa por Vila de Moura (AM), Santa Maria do Boiaçú (RR), Caracaraí (RR) e Boa Vista (RR) – teve o lançamento do cabo subaquático finalizado e encontra-se em fase de implementação da infraestrutura terrestre. Já as Infovias 05, 06 e 08 fazem parte da segunda etapa de implementação.

Sobre a EAF

A Entidade Administradora de Faixa (EAF) é uma instituição não governamental e sem fins lucrativos, responsável por liderar a construção de seis infovias na região Amazônica, apoiar a migração do sinal dos canais abertos de TV das parabólicas tradicionais (Banda C) para as parabólicas digitais (Banda Ku) e construir redes privativas para o governo federal. A entidade é formada pelas operadoras Claro, TIM e Vivo, vencedoras dos blocos nacionais do leilão do 5G com as licenças da faixa de 3,5 GHz.

Projeto na Amazônia solta 6,5 milhões de filhotes de quelônios e conserva o maior local de desova da América do Sul

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Programa de Conservação e Manejo de Quelônios. Foto: Divulgação

Nos últimos 13 anos, 6,5 milhões de filhotes de tartarugas-da-Amazônia, tracajás e pitiús foram soltos no Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Tabuleiro do Embaubal, em Senador José Porfírio, no Pará, importante reduto da biodiversidade e o maior local de desova de quelônios da América do Sul. Toda a atividade, desde o monitoramento dos ninhos até a soltura dos animais, é desenvolvida pelo Programa de Conservação e Manejo de Quelônios da Usina Hidrelétrica Belo Monte, realizado em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), responsável pelo Revis e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pela fiscalização.

Entre outubro de 2024 e janeiro de 2025, foram soltos 308.567 filhotes das três espécies no rio Xingu e o monitoramento identificou 1.692 ninhos. Apesar das mudanças climáticas e da estiagem severa que atingiu o Norte do país em 2024, incluindo o Xingu, o nascimento de filhotes foi maior que o registrado em 2023. No ciclo reprodutivo daquele ano foram soltos 217.437 filhotes.

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As ações de preservação dos quelônios são de suma importância, principalmente no que diz respeito à região amazônica, pois as tartarugas têm um simbolismo cultural. O presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, destacou que a soltura de mais de 6,5 milhões de filhotes de quelônios ao longo dos últimos 13 anos no Tabuleiro do Embaubal demonstra o compromisso contínuo do Instituto e de seus parceiros com a conservação da biodiversidade amazônica. 

“Este é um dos maiores berçários naturais de quelônios da América do Sul, e a manutenção desse ecossistema é fundamental para a preservação das espécies e para o equilíbrio ambiental. Além da importância ecológica, essa iniciativa reforça a conscientização da população local sobre a necessidade de proteger nossa fauna. Seguiremos trabalhando para garantir que essas espécies tão simbólicas para a Amazônia continuem a prosperar”, enfatizou.

Para manter o programa, a Norte Energia, concessionária de Belo Monte, já investiu cerca de R$ 26 milhões. A equipe conta com biólogos e técnicos ambientais. Diversos funcionários da empresa e alunos de escolas da região também atuam como voluntários para proteger e ajudar a escavar os ninhos e garantir que parte dos filhotes consigam chegar em segurança até as águas do rio Xingu. Além de promover a soltura, a iniciativa busca conscientizar a população sobre a importância da preservação da fauna local. 

O voluntário Nikaelyson Batista compartilha sua experiência ao participar do projeto pela primeira vez. “Participar do projeto foi uma experiência única. A gente teve a oportunidade, coletivamente, de aprender muita coisa, principalmente sobre a importância da preservação das espécies da nossa região. São três espécies, e tivemos a chance de conhecer mais sobre cada uma, suas particularidades e os desafios que enfrentam, desde a desova até chegarem ao rio. Com certeza vou transmitir o que aprendi aqui hoje com outras pessoas”, enfatiza.

Programa de Conservação e Manejo de Quelônios. Foto: Divulgação

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“Ao envolvermos a população local nas atividades de monitoramento desenvolvidas pela Norte Energia, há um processo de ganha-ganha para todos os lados. O meio ambiente é beneficiado com o aumento do número de filhotes soltos no rio e a população ganha com a geração de empregos e maior conservação do rio e das florestas. Tem pessoas da comunidade que trabalham nos projetos desde a sua concepção em 2011”, avalia Roberto Silva, gerente de Meios Físico e Biótico da Norte Energia.

As campanhas da Norte Energia, em parceria com o Ideflor-Bio, acontecem todos os anos e começam em agosto, quando as tartarugas iniciam o processo de reprodução e depositam seus ovos nas praias do Tabuleiro do Embaubal. A eclosão ocorre entre o final de outubro até janeiro. No entanto, com o objetivo de proteger as áreas de desova, o trabalho de fiscalização acontece a partir de julho com ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e secretarias municipais. 

Leia também: Cientistas documentam maior nascimento de filhotes de tartarugas-da-amazônia; confira o vídeo

Importância dos quelônios

A preservação dos quelônios é importante para manter o equilíbrio do ambiente e a biodiversidade. Eles contribuem para a dispersão de sementes, participando de complexas teias alimentares, e limpam os rios ao ingerirem grandes quantidades de matéria morta. Além disso, esses animais possuem grande simbolismo cultural para a região amazônica, representando longevidade, estabilidade, sabedoria, paciência, proteção e resiliência. 

Tabuleiro do Embaubal 

O REVIS Tabuleiro do Embaubal foi criado por meio do Decreto Estadual em 17 de junho de 2016, possui área de 4.033,94 hectares e está aproximadamente a 906 km da cidade de Belém. Além da vasta diversidade de quelônios, a região encanta pela grande beleza cênica com praia, várzea e igapó, exibindo uma rica diversidade biológica com presença de espécies ameaçadas de extinção, migratórias e endêmicas.

Militar húngaro encontra suas raízes no sul de Rondônia

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Vig Kristóf József, em Vilhena. Foto: Júlio Olivar

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O jovem Vig Kristóf József, ou simplesmente Kristóf, embarcou em uma aventura de tirar o fôlego. Sem nunca ter viajado para fora da Europa, ele partiu da Hungria, na Europa Central, e chegou a Vilhena na semana passada, após três dias de jornada desde sua pequena cidade natal, Bókaháza, situada a 202 km da capital, Budapeste.

Sua chegada ao Brasil foi marcada por uma aterrissagem em São Paulo e, posteriormente, um voo até Cuiabá. A última etapa da viagem foi uma longa jornada de ônibus até Vilhena, que durou mais de doze horas. Ao todo, Kristóf percorreu quase 11 mil km. No entanto, o maior desafio foi lidar com o fuso-horário (aqui, quatro horas antes atrás) e o clima. Enquanto na Hungria as temperaturas nesta época do ano giram em torno de dois graus negativos – mas no inverno, despencam para até 15 graus abaixo de zero – , em Vilhena, o calor tropical era uma novidade.

“Gringo” participou de movimentos de guerrilha antes de fugir para Vilhena. Foto: Júlio Olivar

Aos 23 anos, Kristóf chegou a Vilhena com o objetivo de se conectar com o passado de sua família. Ele, apaixonado por história, veio em busca de informações sobre seu tio-avô, József, que chegou a Vilhena em 1968. Conhecido como “Gringo”, József fez história na cidade como mecânico, trabalhou no 5º BEC (Batalhão de Engenharia e Construção) e proporcionou as primeiras sessões de cinema na vila, então com 300 habitantes. Nas horas vagas, ele atuava como goleiro e técnico de futebol, além de ser um fervoroso torcedor do Flamengo. József viveu no Brasil desde 1957 e faleceu em Ji-Paraná, em 1999, aos 67 anos, vítima de diabetes.

Em 2017, Kristóf teve contato com Andressa, neta de József e sua prima de terceiro grau, que hoje é médica. Ela havia visitado a Hungria e, desde então, Kristóf decidiu retribuir a visita. “Comecei a planejar a viagem após minha prima nos visitar na Hungria. Ela e sua mãe me convidaram. Eu precisava terminar a escola e obter minha profissão. Porém, devido ao confinamento da Covid-19, a viagem teve que ser adiada.”

Kristóf: “Vim pesquisar sobre meu tio-avô”. Foto: Arquivo de família

Após 57 anos da chegada de József a Rondônia, Kristóf foi recebido calorosamente pela viúva de seu tio-avô, Angelita, de 95 anos, e sua filha, Denise, de 58, junto com suas duas filhas. Em Vilhena, Kristóf teve acesso a cartas, fotos e memórias que lançaram luz sobre a história de sua família. “Tudo isso ocorreu bem antes de eu nascer. Tive interesse em trazer informações que ouvi em minha família e levar outras daqui”, relatou Kristóf. “Vi fotos de József que nunca tinha visto antes e ouvi a história de como ele viveu e o que fez aqui. É muito interessante e surpreendente a saga dele.”

József, cujo nome ele grafava sem acento, percorria a região exibindo filmes de forma itinerante com um projetor manual. Além de Vilhena, ele morou em Cabixi e Cacoal. Sua decisão de se refugiar na Amazônia decorreu de envolvimentos em confrontos armados no pós-Segunda Guerra Mundial. Em 1957, József fugiu para o Brasil em uma embarcação, sendo dado como morto por muitos. Deixou para trás uma esposa e um filho. “Ele tinha que deixar o país, caso contrário, seria preso. Não sabemos os motivos exatos, pois ele não falava muito sobre isso. Seu apelido era Partisan”, esclareceu Kristóf. Na Hungria, “partizán” refere-se a membros de movimentos de guerrilha que faziam resistência e lutavam contra regimes opressivos durante e após a Segunda Guerra Mundial.

Durante sua curta estadia, Kristóf pretende explorar Vilhena e retornar à Hungria no dia 25 de fevereiro. “Levarei comigo memórias que nunca esquecerei. Na próxima vez, gostaria de passar mais tempo em Vilhena do que duas semanas”, revelou.

Até chegar ao Brasil, Kristóf sabia pouco sobre a Amazônia. Porém, ele observou que a cultura brasileira permeia a Hungria, seja através das novelas de televisão, da música ou dos bares temáticos. O futebol também é uma paixão compartilhada entre os dois países.
Além de estreitar laços familiares, Kristóf buscou conhecer a história e a cultura local. Ele visitou o museu Casa de Rondon e desfrutou de uma tarde agradável aprendendo sobre as origens de Vilhena. “Cultura e memória estão na alma europeia”, refletiu Kristóf, destacando a impressionante arquitetura da Hungria, com seus castelos medievais, igrejas góticas e edifícios Art Nouveau.

Kristóf ao lado de Angelita, viúva de seu tio-avô, e sua prima Denise, em Vilhena. Foto: Júlio Olivar

Apaixonado por carros antigos, Kristóf contou que na Hungria existe uma frota turística de veículos dos tempos comunistas. Ele participa anualmente de um encontro de carros antigos da Alemanha Oriental. “Fiquei sabendo de um carro feito totalmente em inox aqui em Vilhena, uma verdadeira obra-prima”, mencionou, referindo-se ao modelo Ford 29 criado pelo alemão Hermes Balcon, radicado em Rondônia. Sim, Rondônia, é uma verdadeira Torre de Babel. E nem todos sabem as origens de quem ajudou a construir esta civilização na Amazônia. Kristóf quis saber.

QUEM É: Kristóf trabalhou como garçom antes de ingressar nas Forças de Defesa da Hungria, onde atua como especialista em suprimentos (alimentação). É um jovem idealista e estudioso.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Produção de mel se torna fonte de renda para famílias de apicultores no Acre

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

O apicultor Gildemar dos Santos trabalha com a produção de mel há seis anos, no município de Senador Guiomard, no Acre. Com a ajuda do filho, ele se prepara para mais um dia de coleta do mel, checa as roupas de proteção e abastece o fumegador.

“A arma do apicultor hoje é o fumegador. Ou então a gente coloca fumaça, não com essa, com muito cuidado pra não usar muito fumaça, pra não dar problema no mel, né? Porque a fumaça, o mel, ele é muito fácil de contaminar com o cheiro e com o sabor. Se você colocar muita fumaça, ela vai pegar o cheiro do mel sabor. Então, tem o sistema certinho de colocar a fumaça pra não chegar contaminar o mel”, explica.

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Foto: Reprodução/Amazônia Agro

Os equipamentos são necessários para verificar as cerca de oitenta colmeias de abelhas conhecidas por aqui como italianas, espécie que é resultado do cruzamento de abelhas africanas com europeias.

Gildemar é apicultor há 30 anos, mas desenvolve a produção de mel na região há seis e trabalha em parceria com fazendas de gado. Ele usa áreas das propriedades para instalar os apiários, caixas onde ficam as colmeias. Em troca, o produtor fornece mel para os fazendeiros.

“A gente usa um lugar que a fazenda não usa. Você vê que é estratégico e é um lugar, um buraco , entendeu? Então, a fazenda não usa esse espaço. A gente destinou para a apicultura. Daqui mais uns 50, 60 metros tem água que é muito importante para as abelhas. Elas refrigeram muito a casa com água, muita água, entendeu? Então, tem que ter água próxima e a gente usa na fazenda com parcerias com os donos das fazendas em lugares estratégicos e não atrapalha o ritmo de trabalho da fazenda. É que a gente se beneficia com isso também”, afirma Gildemar.

A reportagem da Rede Amazônica acompanhou algumas das mais de 80 colmeias que o seu Gildemar possui nas propriedades da região. É dali que eles vão tirar as melgueiras, que são estruturas que possuem os favos da onde eles extraem o mel. Para fazer a retirada dessas melgueiras, eles jogam a fumaça com o fumegador pra afastar as abelhas e assim poderem tirar as melgueiras com segurança.

Depois da coleta, ele retorna para a casa, no ramal da Bonal. Lá, as melgueiras são levadas para um galpão, onde o mel é extraído por meio de uma centrífuga. Após os processos de extração e filtragem, o mel é envasado em uma sala e depois rotulado. O produto é encaminhado para redes de supermercados e pequenos comércios da capital.

“Hoje a gente está com esse mel nas duas maiores redes de supermercados e outros mercadinhos que se envolvem já trabalhando com o nosso produto também. É um ponto principal de renda que eu tenho, entendeu? Hoje, a apicultura realmente me mantém, então é nela que eu foco. Ela é o meu ponto principal, minha atividade principal, o meu trabalho para minha sobrevivência”, garante.

E Gildemar quer expandir o catálogo de produtos resultantes da criação das abelhas.

“Na verdade, o produto que a abelha trabalha, que é mais barato para o consumidor, é o mel e o mel é um dos produtos mais barato que tem. A gente tem a possibilidade de tirar agora a cera, a possibilidade de tirar o própolis e o pólen. Esses três a gente vai entrar com um recurso agora no Idaf Para legalizar o produto, para mandar no mercado. A gente trabalhou com uns derivados do mel, que foi produtos cosméticos, entendeu? E do própolis também que a gente trabalhou com pomada de própolis, sabonete e tudo feito derivado do mel e alguns esfoliantes. E alguns cremes, assim também, foram os quatro itens produzidos do mel”.

Fonte de renda para famílias

A produção de mel no Acre é importante para muitas famílias. Segundo a Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri), existem mais de 200 produtores de mel nas regiões do Alto e Baixo Acre.

Leia também: Mel de abelha é fonte de renda para ao menos 200 famílias de apicultores em Roraima

Mas a produção ainda é pequena se comparada com o restante do país. Em 2023, o Acre foi o menor produtor com pouco mais de nove toneladas em todo o ano. Pra se ter uma ideia, o maior produtor, o Rio Grande do Sul, teve uma produção mil vezes maior que o Acre no mesmo período.

O estado possui ainda o segundo menor valor de produção do mel de abelha, com R$ 557 mil, superando apenas o Amapá.

“Cada um quilo dá um litro, digamos, de mel das abelhas sem ferrão é algo de R$ 120. Já o mel de abelhas com ferrão, é algo de R$ 75, então é um valor, o preço é diferenciado, mas cada um tem o seu valor, tanto para o medicinal e outras finalidades,” explica Zandra Pilar, técnica da Seagri-AC. Para quem trabalha com a criação de abelhas, a satisfação vai muito além da renda.

“É gratificante. Você vai em um supermercado e chega lá, está o mel. Eu pensei muito tempo atrás em ver isso e hoje está sendo uma realização de muito tempo, de uma coisa que eu pensava que ia chegar lá. Que esse é o mel da minha indústria, da indústria onde a gente processa, a gente que está colocando e isso é muito gratificante pra gente”, diz Gildemar.

*Por Murilo Lima, da Rede Amazônica AC