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Coco babaçu é usado para criar alimento similar a hambúrguer no Maranhão

Foto: Flavia Bessa

A união entre conhecimentos científicos e tradicionais na Amazônia Maranhense resultou em dois novos produtos à base de plantas, que, além de aliarem nutrição, saúde e sustentabilidade, atendem a nichos de mercados crescentes por produtos naturais e ricos em proteína no Brasil. O análogo de hambúrguer de babaçu e a farinha de amêndoas abarcam ainda a marca da inovação tecnológica e social porque foram desenvolvidos em parceria entre cientistas e quebradeiras de coco da região. Essa sinergia de sucesso já havia dado origem a novas formulações de biscoito e de gelado, uma bebida tipo leite e a um análogo do queijo, todos oriundos do coco babaçu.

Leia também: Farinha de babaçu é principal ingrediente para uma ‘revolução gastronômica’ no Maranhão

Para o desenvolvimento desses coprodutos, participaram as mulheres da Cooperativa Mista da Agricultura Familiar e do Extrativismo do Babaçu – Coomavi, em Itapecuru-Mirim, da Associação Clube de Mães Quilombolas Lar de Maria, da comunidade Pedrinhas Clube de Mães em Anajatuba, e ainda da Associação de Quebradeiras de Coco de Chapadinha do Assentamento Canto do Ferreira, em Chapadinha. Como representantes da ciência, fizeram parte dos estudos pesquisadores da Embrapa Maranhão (MA), Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Rede ILPF e financiamento da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) no Brasil.

Foto: Flavia Bessa

O objetivo foi a valorização do trabalho das quebradeiras de coco e do babaçu como produto da sociobiodiversidade brasileira com a diversificação dos coprodutos da palmeira para atender nichos de mercado. Para tal, o bagaço da amêndoa – até então resíduo da extração do óleo da amêndoa – foi transformada em farinha da amêndoa, matéria-prima para outros produtos, como o análogo do hambúrguer, e incluída em formulações de biscoitos, pães, bolos, mingaus e sorvetes, resultando em mais economia e satisfação dos consumidores.

A pesquisadora Guilhermina Cayres, líder do projeto de pesquisa, diz que os novos alimentos foram desenvolvidos considerando as condições específicas das agroindústrias comunitárias e as práticas tradicionais das quebradeiras de coco, integrando melhorias e padronizações – incluindo as boas práticas de processamento e segurança alimentar – e levando em conta também a aceitação sensorial do produto, agregação de valor às amêndoas quebradas e diversificação de produção.

“Promovemos a interação de conhecimentos técnicos e tradicionais para aumentar o valor agregado da produção artesanal e ocupar nichos de mercado específicos, como os de produtos associados à identidade sociocultural e os voltados para dietas com restrição de consumo de glúten e lactose. Sabemos que os alimentos oriundos do babaçu são elementos potenciais para criar sistemas alimentares que valorizam a identidade sociocultural de povos e comunidades tradicionais do Maranhão, gerando inclusão produtiva e riqueza com baixo impacto ambiental e inserindo o estado como referência na bioeconomia e no uso sustentável de produtos da sociobiodiversidade”, destaca a pesquisadora.

Saberes tradicionais e científicos embasaram o desenvolvimento dos produtos

Foto: Flavia Bessa

O professor Harvey Villa, do Departamento de Engenharia Química da UFMA, explica como foi o processo para se chegar ao alimento tipo hambúrguer.

“Utilizamos metodologia inversa. Em vez de irmos primeiramente ao laboratório e depois levar o produto para a comunidade, partimos de uma avaliação das condições locais e do potencial das matérias-primas que elas têm, inclusive dos próprios resíduos, o que é muito importante porque a amêndoa do coco babaçu inicialmente é empregada para extração de óleo a frio e a quente. Essa torta, fruto do processo de prensagem, normalmente era usada como ração para animais e sabíamos que ainda tinha bastante conteúdo de lipídios, carboidratos, podendo ser utilizada como um tipo de farinha por meio de bom tratamento e processamento. A ideia era reaproveitar 100% do produto e obtivemos êxito. A farinha que está sendo utilizada para o hambúrguer não é a do mesocarpo, é da amêndoa, antes resíduo e agora, matéria-prima. Assim, adaptamos o processamento às condições reais das quebradeiras, sempre com o cuidado de atender às exigências delas, e facilitamos que a elaboração desses produtos seja de forma simples, mas microbiologicamente correta do ponto de vista higiênico-sanitário”, relata.

Do ponto de vista físico-químico, a farinha da amêndoa – em comparação à do mesocarpo – tem uma boa proposta para a carne de hambúrguer, pois utiliza casca da banana como agente estruturante junto com a amêndoa para dar sabor e maciez ao fritar, e mais a farinha de arroz para dar a liga junto com os temperos, o que garante boa validade do ponto de vista de vida útil e qualidade nutricional para dieta vegana.

Além disso, atingiu um percentual de proteína de 13,17% por 100g de produto, valor adequado para o tipo de alimento. O produto não tem conservantes e dura até seis meses congelado. Foram feitas quatro formulações e chegou-se a duas: uma com casca de banana e outra com polpa de jaca. Devido à maior disponibilidade e regularidade da banana ao longo do ano, o hambúrguer à base de amêndoa de babaçu e casca de banana foi a opção priorizada entre as quebradeiras de coco e a equipe técnica para prosseguir com os testes e análises.

Foto: Flavia Bessa

Segundo a professora da UFMA Yuko Ono, nutricionista e membro da equipe técnica, uma das características funcionais da casca de banana é a presença de inúmeros sítios ativos responsáveis pela absorção de metais, entre os quais se destaca o cobre, presente em muitos processos industriais, mas nocivo à saúde humana quando em alta concentração. “Além disso, a casca da banana apresenta também teores de nutrientes maiores do que a polpa, como fibras, vitaminas, minerais e é rica em pectina. As fibras atuam na melhoria do trato gastrointestinal e no controle e prevenção de certas doenças crônico-degenerativas”, acrescenta Ono.

Leia também: Estudo desenvolve bebida e queijo feitos a partir da castanha de babaçu

Jefferson Marinho, bolsista do projeto, se envolveu diretamente na produção do hambúrguer e relembra o processo. “Partimos do zero, queríamos que o produto tivesse as características organolépticas mais similares possíveis às da carne, além de ingredientes específicos, como a farinha da amêndoa do babaçu, que é bastante rica nutricionalmente e energeticamente”, diz. Para isso, os pesquisadores envolvidos uniram os conhecimentos científicos aos saberes tradicionais das quebradeiras para definir a forma de preparo e os ingredientes.

Rosângela Lica, da Coomavi, detalha a descoberta da farinha da amêndoa obtida a partir do resíduo da prensa do óleo. “Nós não fazíamos farinha do bagaço do óleo, usávamos como ração animal. O costume era fazer farinha do mesocarpo. Aprendemos a assar e torrar o bagaço no forno para atingir o ponto certo e transformá-lo em farinha da amêndoa, um produto que substitui o coco ralado em todas as formulações, dá muito mais crocância e tem melhor aceitação pelos consumidores, pois os produtos são 100% feitos com o babaçu”, ressalta.

Para Alana Licar, também da Coomavi, “os impactos foram positivos, pois agregam mais sabor e qualidade, evitam desperdícios e garantem um produto benéfico, oriundo de uma matéria-prima encontrada em abundância”. Antonia Vieira, da comunidade quilombola Pedrinhas Clube de Mães, fala da presença das mulheres quebradeiras desde o início da pesquisa. “Somos parte desse processo, muito rico para nós e para os pesquisadores. É uma troca maravilhosa”, celebra.

Consumidores aprovam novos produtos

Os novos produtos atendem diferentes exigências do mercado de alimentos – nutrição, saúde, boas práticas de qualidade, segurança alimentar, padronização e valorização de produtos da culinária e cultura regionais e comercialização – e passaram por testes de análise sensorial. A qualidade dos alimentos compreende, basicamente, três aspectos fundamentais: o microbiológico, o nutricional e o sensorial.

Foto: Flavia Bessa

O aspecto sensorial é o que mais atrai o consumidor na hora de escolher um produto alimentício. Por isso, deve apresentar características sensoriais agradáveis, próprias do produto, tais como cor e aparência, consistência e textura, aroma e sabor característicos e desejáveis.

Segundo a engenheira de alimentos Glória Bandeira, professora da UFMA, essa etapa da pesquisa é importante em diversas situações. Entre elas, o desenvolvimento de novos produtos, melhoria de um produto existente, comparação com um produto concorrente já estabelecido no mercado, mudança na formulação, melhoramento genético e mudança de equipamento ou processo.

“A análise sensorial é fundamental para analisar as características de um produto com base nos sentidos humanos e fornecer dados confiáveis para a tomada de decisão. No caso dos alimentos do babaçu, fizemos análise físico-química, microbiológica e nutricional e também estudo de vida de prateleira dos produtos. Convidamos os alunos dos cursos do IEMA Gastronomia para degustar e avaliar dos produtos, que foram aprovados em todas as etapas e liberados para comercialização”, observa.

Para o professor Paulo Sousa, da UFC, parceiro para coordenação da avaliação sensorial, a análise tem o objetivo de avaliar a aceitação de potenciais consumidores, além de fornecer uma caracterização qualitativa do produto em relação ao aroma, sabor e textura. “Buscou-se aferir o percentual de aceitação, e também a possibilidade de ajustes do produto antes que o mesmo entre no mercado consumidor”, acrescenta.

Foto: Flavia Bessa

Inovação social contínua

Para multiplicar os conhecimentos gerados no processo de inovação social, as mulheres receberam treinamentos, dialogaram com os parceiros da pesquisa, exercitaram os novos conhecimentos, ajustaram práticas de acordo com seu conhecimento tradicional com formulação de alimentos e treinaram outros grupos de mulheres para a produção dos novos alimentos oriundos da amêndoa do babaçu para promover o empreendedorismo e a autonomia de mais mulheres.

Samara Bontempo, bolsista do projeto, entende que participar das pesquisas com alimentos à base de babaçu em diferentes comunidades agroextrativistas tem sido fundamental para sua formação e a de outros jovens cientistas que valorizam o conhecimento tradicional e o potencial da sociobiodiversidade.

Foto: Flavia Bessa

“Pra mim, fazer parte da equipe de pesquisa amplia a visão dos pontos de vista sociohistórico, geográfico e ambiental. Temos o objetivo de tornar essas organizações autossuficientes, atores dos seus processos de decisão, inovação, sustentabilidade e mercado, mostrando uma nova perspectiva do babaçu como elemento âncora de um sistema alimentar com a identidade cultural do Maranhão”, ressalta.

Transformando vidas pela ressignificação do extrativismo do babaçu

Foto: Flavia Bessa

O Maranhão se destaca pela produção de coco babaçu. São mais de 300 mil maranhenses, conhecidas por quebradeiras de coco, que vivem dessa atividade e, ao longo do tempo, foram colocadas à margem do processo de desenvolvimento. Por isso, o foco da pesquisa vai além do produto e abrange o desenvolvimento das quebradeiras de coco para que possam fortalecer suas organizações e usufruir dos benefícios da ciência, com produtos de preço justo e agregação de valor e renda aos seus negócios.

É unânime entre as quebradeiras de coco que os novos produtos e formulações alimentícias já impactam a qualidade de vida das famílias das comunidades tradicionais. “Nosso esforço está sendo recompensado. Os consumidores veganos estão adorando e os não veganos também. Estamos muito felizes com os resultados do tipo hambúrguer e da farinha da amêndoa. Nas feiras de São Luís, os produtos são sucesso junto aos consumidores”, diz Rosângela Licar, da Coomavi. Maria Domingas, da Comunidade Pedrinhas Clube de Mães, reforça que “o babaçu não é um simples coco, é um trabalho enorme que gera renda, qualidade de vida e cidadania”.  

O professor Harvey Villa avalia os resultados colhidos com a pesquisa em parceria com as quebradeiras de coco babaçu. “Mostrar aos alunos que existe um mercado de trabalho com foco no desenvolvimento socioeconômico de uma região abre perspectivas de trabalho e opções laborais. Trabalhar em parceria com as mulheres do babaçu foi muito gratificante. O hambúrguer é muito gostoso, é um hambúrguer espetacular. Nosso objetivo foi cumprido. Elas vendem o produto a um preço bem competitivo e os consumidores estão apreciando bastante. Não sobra nada”, comenta

Westphalen Nunes, representante da Agência GIZ no Brasil, resume os efeitos da valorização da cadeia do babaçu. “Estamos felizes em colaborar para que o babaçu possa explorar suas potencialidades, gerando mais renda e qualidade de vida às quebradeiras, mais opções de produtos de qualidade para o mercado consumidor e mais riqueza com desenvolvimento sustentável para o Maranhão”.

Hambúrguer é premiado

Como reconhecimento pelo desenvolvimento do alimento tipo hambúrguer, a equipe técnica liderada pela pesquisadora Guilhermina Cayres foi uma das finalistas do prêmio Con X Tech Prize: Amazônia, uma competição global que busca inovações científicas e tecnológicas de vanguarda para transformar as atuais economias destrutivas e extrativistas da Amazônia em economias modernas e regenerativas.

Um dos requisitos é que as soluções devem proteger a integridade dos ecossistemas, respeitar os povos indígenas e as comunidades locais, bem como seu conhecimento tradicional, e apoiar a distribuição justa dos benefícios gerados pela comercialização de produtos e serviços florestais.

Foto: Flavia Bessa

Parceiros e recursos

A iniciativa teve a coordenação da Embrapa Maranhão, com financiamento da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) no Brasil e gestão financeira da Rede ILPF, em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Embrapa Agroindústria Tropical, Universidade Federal do Ceará (UFC), iniciativa privada, organizações não governamentais e outros agentes das cadeias de valor. Esse projeto está vinculado à parceria da Embrapa com o The Good Food Institute (GFI) e com o Conservation X Labs (CXTP), sob gestão financeira da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe).

*Com informações da Embrapa Maranhão

Veja como foi o ensaio técnico do Carnaboi 2025 e detalhes do que vem por aí

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Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Faltam poucas horas para um dos maiores eventos culturais de Manaus: o Carnaboi. A festa que encerra o período carnavalesco e inicia a temporada bovina, como uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital amazonense. A entrada é gratuita.

Confira a programação do primeiro dia AQUI.

Confira a programação do segundo dia AQUI.

Veja como foi o ensaio técnico:

Saiba mais: Grupo Rede Amazônica transmite o Carnaboi 2025; saiba onde assistir

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Potencial de produtos amazônicos da bioeconomia é analisado em estudo realizado no Amazonas

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Foto: Reprodução/Idam

Fomentar a bioeconomia inclusiva e sustentável na Amazônia, priorizando o bem-estar humano e a conservação da biodiversidade foi o objetivo do estudo ‘Cadeias produtivas com base na biodiversidade para geração de emprego e renda nos Estados do Amazonas e São Paulo’.

O estudo foi apoiado pelo Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no âmbito da Chamada Pública nº 01/2020 – Fapesp-Fapeam, e coordenado pelo doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Leia também: Adalberto Val: pesquisador revela origem de seu fascínio pelos peixes da Amazônia

O estudo abordou a importância de ações relacionadas ao campo da bioeconomia e investigou o potencial de produtos florestais não-madeireiros da Amazônia. Foram considerados aspectos que envolvem o desenvolvimento sustentável da região como a redução do desmatamento, o combate das mudanças climáticas, a competitividade econômica global, a conservação da biodiversidade, a preservação da cultura e dos conhecimentos tradicionais e a geração de renda para as comunidades locais.

Governança Experimentalista

O projeto reuniu diferentes pesquisadores para o aprofundamento da análise das cadeias da sociobioediversidade e da governança da política pública em bioeconomia no estado do Amazonas.

Um dos estudos buscou entender se (e como) o sistema de governança da emergente política pública em bioeconomia no estado do Amazonas está integrado aos esforços de implementação em nível local.

A pesquisa gerou o artigo ‘Experimentalist governance in bioeconomy: Insights from the Brazilian Amazon‘, escrito por Vanessa Cuzziol Pinsky, Jacques Marcovitch e Adalberto Luis Val, que foi publicado na Revista de Administração Contemporânea (RAC).

Segundo a pesquisadora Vanessa Pinsky, pós-doutora em administração, especialista em negócios sustentáveis, e uma das coautoras do estudo, a Governança Experimentalista tem diferentes níveis de implementação, e permite uma abordagem mais flexível, envolvendo a participação de profissionais do setor público e privado, e podendo ajudar a garantir que uma política pública em nível nacional tenha práticas e resultados também em nível local, beneficiando não só o desenvolvimento socioeconômico, mas também a conservação ambiental dos territórios.

“As lições aprendidas com esse processo mais flexível de governança podem melhorar a elaboração de regras e metas, considerando os desafios e as experiências bem-sucedidas da implementação no nível local”, pontuou.

Vanessa Pinsky explica ainda que diferentes arranjos institucionais são necessários para operacionalizar esse sistema flexível de governança experimentalista, com monitoramento contínuo e métodos sustentáveis.

“Melhorar a qualidade e agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade, atrelado ao uso sustentável da floresta e à geração de emprego e renda, são bases estruturantes que devem ser consideradas na formulação de políticas de desenvolvimento regional na Amazônia”, completou.

De acordo com Adalberto Val, uma abordagem experimentalista pode ter impacto significativo na bioeconomia amazônica, promovendo novas oportunidades de negócios, geração de empregos e renda, e a garantia da segurança alimentar. Ele avalia que a tecnologia foi um elemento essencial na realização do estudo, auxiliando na execução de práticas e na formulação de políticas públicas.

*Com informações da Fapeam

Carnaboi: o início da temporada bovina no Amazonas

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Manaus, a capital do Estado do Amazonas, é conhecida tanto por seus atrativos turísticos quando por sua rica diversidade cultural. É nesse ambiente diverso que muitas “misturas” acontecem, gerando inclusive festivais que são a cara da região. 

Entre as festividades que revelam essa identidade única, destaca-se o Carnaboi, uma festa popular que mescla a alegria do Carnaval com o ritmo típico do Festival Folclórico de Parintins:

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Rainha da Amazônia: amostra de água vista com microscópio tem a forma de uma coroa

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Imagem: Leonardo Rocha/UFPA e Hilton Tulio Costi/MPE

A coroa na imagem apareceu quando o biólogo Leonardo Rocha examinava, ao microscópio eletrônico de varredura, uma amostra de água dos arredores da ilha de Cotijuba, na Região Metropolitana de Belém (PA).

Leia também: A história por trás das ruínas de Cotijuba, a Alcatraz de Belém

Foi o primeiro registro dessa diatomácea Polymyxus coronalis, um tipo de microalga com largura de cerca de 60 micrômetros, usando a tecnologia. A espécie é típica da baía do Guajará e funciona como indicador de qualidade ambiental.

Para as biólogas Ana Paula Linhares e Pryscilla Almeida, orientadoras do estudo, é um argumento a favor da candidatura da região como Área de Proteção Ambiental. O registro foi premiado em dezembro de 2024, no I Encontro Brasileiro de Diatomologia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Veja detalhes do ensaio técnico do Carnaboi 2025; FOTOS

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Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Faltam poucas horas para um dos maiores eventos culturais de Manaus: o Carnaboi. A festa que encerra o período carnavalesco e inicia a temporada bovina, como uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital amazonense. A entrada é gratuita.

Confira a programação do primeiro dia AQUI.

Confira a programação do segundo dia AQUI.

Nesta quinta-feira (6) foi realizado o ensaio técnico. Veja o que vem por aí:

Saiba mais: Grupo Rede Amazônica transmite o Carnaboi 2025; saiba onde assistir

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Grupo Rede Amazônica transmite o Carnaboi 2025; saiba onde assistir

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Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

O Carnaboi, parte do projeto Carnaval Amazônico, une a temporada carnavalesca com a temporada bovina no Amazonas. Após o sucesso em 2024, a segunda edição conta com a transmissão ao vivo do Grupo Rede Amazônica.

Este ano, a festividade acontece nos dias 7 (sexta-feira) e 8 (sábado) de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus. A entrada para o Carnaboi é gratuita. Mas para quem não conseguir comparecer, a festa pode ser acompanhada em transmissões ao vivo. 

“O Carnaval Amazônico 2025 é um projeto da Fundação Rede Amazônica que resgata a tradição e a história dos blocos, bandas de Carnaval e do Carnaboi em Manaus e em Parintins, promovendo cultura, sustentabilidade e ações sociais”, informa a equipe da Fundação Rede Amazônica (FRAM), realizadora do projeto.

De acordo com o coordenador de conteúdo e programação do canal Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, a transmissão do canal temático vai apresentar para os telespectadores a prévia da festa, com bastidores e mostra dos projetos ligados ao Carnaval Amazônico, além da festa.

“Temos como missão transmitir uma das festas mais populares do Brasil de uma forma alegre e leve, representando o Carnaval Amazônico e como o Amazonas é, dentro da nossa programação”, afirmou o coordenador. 

Onde assistir

A transmissão no Amazon Sat e também no Portal Amazônia, começa a partir das 20h na primeira noite de evento (hora de Manaus), com o programa especial do Carnaval Amazônico e segue para o Carnaboi. Já no segundo dia, a programação começa a partir das 21h. Saiba onde assistir AQUI.

A transmissão da Rede Amazônica, no g1 Amazonas e CBN Amazônia começa a partir das 22h15 no dia 7 e a partir das 23h40 no dia 8. A transmissão acontece logo após a exibição do reality ‘Big Brother Brasil (BBB)’, da Rede Globo, na sexta, e no sábado após o Altas Horas.

A Rede Amazônica também preparou uma cobertura especial para os telespectadores que estão fora da região. A transmissão será feita ao vivo também para os estados do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. Além disso, haverá ampla cobertura através de suas plataformas digitais e GloboPlay, ampliando o alcance e a visibilidade do evento.

Confira a programação do primeiro dia AQUI.

Confira a programação do segundo dia AQUI.

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

MPF defende manutenção da vazão no Rio Xingu para proteger piracemas e povos tradicionais no Pará

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Usina de Belo Monte. Foto: Divulgação/Norte Energia

O Ministério Público Federal (MPF) pediu, no dia 27 de fevereiro, a suspensão imediata de decisão da Justiça Federal favorável à empresa Norte Energia (Nesa), dona da hidrelétrica de Belo Monte (PA), em processo em que a empresa requer autorização para reduzir drasticamente o fluxo de água liberada para o curso natural do rio Xingu.

O fluxo de água foi aumentado após a vazão da usina hidrelétrica ter sido reduzida, em 22 de janeiro, devido à queda de cinco torres de transmissão de energia. A redução da vazão ocasionou inundação inesperada, dando origem a centenas de berçários com ovas de milhares de peixes. Caso a decisão judicial seja mantida, a reprodução dos peixes será afetada, assim como o sustento de indígenas e comunidades tradicionais da área.

Para o MPF, há uma contradição na decisão, que afirma querer manter a integridade do meio ambiente ao mesmo tempo em que autoriza a redução do fluxo de água pela hidrelétrica. Além disso, a Justiça invalidou a determinação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), emitida em 14 de fevereiro, para que a Nesa mantivesse os níveis altos de fluxo de água até o final do período de defeso, que se encerra em 15 de março, o que garantiria a reprodução dos peixes.

A decisão considerou que o Ibama teria tentado fazer uma revisão do hidrograma, o plano que define o quanto de água vai para a usina e o quanto sobra para o Trecho de Vazão Reduzida (TVR) da Volta Grande do Xingu. Entretanto, a vazão não foi reduzida e segue aumentando até hoje, de forma que, no último dia 23, a Nesa emitiu comunicado informando que o nível do rio subiria aos poucos e diariamente pelas próximas duas semanas, relata o MPF no recurso.

O MPF também destaca que, tendo em vista que o aumento da vazão foi causado por um fato inesperado, a decisão do Ibama, de determinar a manutenção dos níveis da vazão para o Xingu, foi uma medida excepcional, não prevista na outorga.

“A medida de precaução adotada pelo Ibama manifesta exercício de seu regular poder de política ambiental, enquanto licenciador, e teve como único objetivo evitar grave dano socioambiental, o que virá a se consumar caso a Nesa retome as vazões previstas no hidrograma de Belo Monte”, alerta o MPF.

A Nesa entrou na Justiça, em 17 de fevereiro, com pedido de suspensão da determinação do Ibama. Dois dias depois, a Justiça Federal concedeu à empresa uma decisão favorável, que agora está sendo contestada pelo MPF. “No presente momento, a única forma de garantir a proteção ao meio ambiente, em total consonância com o princípio da precaução – como propõe a decisão judicial – é reconhecer o fato atual, determinando a manutenção da vazão do TVR, mantendo-se os efeitos do ato administrativo do Ibama”, frisam os membros do MPF no recurso.

Vida ou morte

Em sua manifestação à Justiça Federal, o MPF cita nota técnica em que especialistas aprofundam a análise acerca do risco de dano ambiental a ecossistema já fragilizado e analisam os argumentos econômico-energéticos da Nesa.

A nota ressalta que a vazão extra deste ano no rio Xingu já possibilitou o alagamento de áreas importantes para a reprodução dos peixes, que são chamadas de piracemas, e que uma redução abrupta, neste momento, comprometeria o desenvolvimento de ovas e embriões, com efeitos nocivos para a fauna, a pesca e a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas e indígenas da Volta Grande.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a piracema?

Sobre as alegações da Nesa de que a manutenção de maior vazão para a TVR significaria a necessidade de acionamento de termelétricas, as pesquisadoras e pesquisadores lembram que o Sistema Interligado Nacional (SIN) tem outras opções de fontes e que cabe ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidir qual será usada, e não à Nesa.

E, mesmo que fosse necessário o acionamento de termelétrica, os dados sobre emissões de gases de efeito estufa, apresentados pela empresa, correspondem a apenas 0,2% das emissões brasileiras anuais. Isso não justifica as perdas dos ecossistemas aquáticos, que podem ser evitadas pela alteração excepcional no hidrograma, com duração de apenas dois meses e meio, observam os autores do estudo.

“Corroboramos a preocupação do órgão ambiental com o impacto imensurável que a descida abrupta do nível da água e o rebaixamento do nível pode continuar causando nas áreas de reprodução da ictiofauna na região da Volta Grande, e que podem gerar reflexos negativos de médio prazo (nos próximos três anos ou mais) na pesca e na segurança e soberania alimentar das populações tradicionais da Volta Grande do Xingu”, concluem especialistas da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), do MPF e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Processo 1000963-77.2025.4.01.3903

Íntegra do recurso

Nota técnica

Consulta processual

*Com informações da MPF

Ensaio técnico: o que esperar do Carnaboi 2025?

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Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Faltam poucas horas para um dos maiores eventos culturais de Manaus: o Carnaboi. A festa que encerra o período carnavalesco e inicia a temporada bovina, como uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital amazonense. A entrada é gratuita.

Nesta quinta-feira (6), durante o ensaio técnico, foi realizada a passagem de som, testes e toques finais para certificar que o evento aconteça com segurança e muitas surpresas para o público, conduzidas pelos bois-bumbás Caprichoso e Garantido.

O especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica (FRAM), Matheus Aquino, conta que a preparação envolve várias pessoas tanto para deixar o local seguro e confortável, quanto para assegurar que os espetáculos tornem as duas noites mais uma referência cultural manauara.

“Esse ano, inclusive, temos um diferencial. Vamos ter uma ativação em que as pessoas vão poder aprender temáticas ambientais através de jogos com direito à brindes”, revelou.

O diretor de eventos do Movimento Amigos do Garantido (MAG), Rivaldo Pereira, conta que o evento é um pós-Carnaval cujo legado é levar o ritmo da Amazônia para mundo. “Isso traz para nós a valorização do ritmo do boi-bumbá, do samba e engrandece, sem dúvida nenhuma, a valorização do artista, do dançarino, da torcida. O Carnaboi é muito especial porque é o envolver de tudo isso”, afirma.

Segundo o diretor de eventos do Boi Caprichoso, Carlos Kaita, uma “estrutura gigantesca” foi preparada para levar a alegria dos bois parintinenses ao público em Manaus. “Vai ser um grande espetáculo. Uma diversidade muito grande”, destaca, lembrando que além dos itens oficiais dos bois, outros artistas também participam do evento.

Confira a programação do primeiro dia AQUI.

Confira a programação do segundo dia AQUI.

Por falar em atrações, quem já estava no aquecimento para a grande festa era o cantor David Assayag, levantador de toadas do boi Garantido. “Estou desde o princípio dos eventos do Carnaboi, desde a primeira edição, e a gente vem trazendo essa festa que é uma tradição do boi-bumbá em Manaus. Participar é sempre maravilhoso porque a gente divulga a nossa festa, traz visitantes para o estado, a economia aquece, então é muito importante a gente participar e trazer esse povo pra brincar de boi-bumbá com a gente aqui”, destacou.

Do “contrário”, estava também no ensaio Prince do Boi, Amo do Boi Caprichoso. “O Carnaboi é uma alegria para a cidade de Manaus, para os artistas, para a nossa música, para o nosso ritmo. Isso dá uma força muito grande, ainda mais abrindo a temporada. O Carnaboi vem com tudo, com uma grande festa para dar o ponta-pé inicial da temporada bovina”, assegura.

Saiba mais: Grupo Rede Amazônica transmite o Carnaboi 2025; saiba onde assistir

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Carnaval com boi-bumbá: os bois Caprichoso e Garantido mantém vivo o Carnaboi

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Foto: Reprodução/Festival de Parintins

Quem disse que Carnaval é movido apenas a samba e marchinhas? Em Manaus (AM), além dos desfiles das escolas de samba e dos blocos carnavalescos, outro evento se destaca na celebração momesca: o Carnaboi. No Amazonas, a festa de toadas se tornou uma tradição que une o ritmo do boi-bumbá ao espírito carnavalesco.

Com 29 anos de atuação no cenário cultural, o produtor artístico e cultural Rivaldo Pereira tem participação ativa no Carnaval de Manaus. Além disso, ele é diretor de eventos do Boi Garantido na capital e do Movimento Amigos do Garantido (MAG). Para ele, o Carnaval brasileiro é plural e importante para a valorização de todas as manifestações culturais.

“O Carnaboi em Manaus e também na Ilha de Parintins prova que a diversidade cultural é essencial para nós. O ritmo do boi-bumbá se mistura perfeitamente com a festa de Carnaval. O importante é termos consciência de que isso faz parte da nossa identidade”, afirmou.

Divisão dos bois

O Festival Folclórico de Parintins é um dos mais tradicionais do país. Também recebeu herança nordestina, do bumba-meu-boi, uma manifestação cultural conhecida no Estado do Maranhão que surgiu na região Nordeste no século XVIII e se tornou popular durante as festividades juninas.

O Festival, realizado na “ilha da magia”, o município de Parintins, no Amazonas, é tão grande que a cidade é literalmente dividida pelas cores dos bois: azul e vermelho. Mas o encantamento excede fronteiras e, em Manaus, os bois também são tradição. O Carnaboi é um dos exemplos.

Do lado vermelho

Foto: Marcely Gomes/SEC-AM

Durante anos, o evento foi realizado no Sambódromo de Manaus, onde cantores e itens oficiais dos bumbás Caprichoso e Garantido se apresentavam em trios elétricos. Esse formato ainda se mantém no Boi Manaus, festa que celebra o aniversário da cidade. No entanto, mudanças foram necessárias ao longo do tempo.

Rivaldo explicou que o Carnaboi sempre funcionou como um “esquenta” para o Carnaval e que nunca concorreu com os desfiles das escolas de samba. “Com o tempo, tivemos que adaptar a festa para outro local, no caso, o Studio 5. A mudança ocorreu devido ao período chuvoso da região amazônica. No Sambódromo, as pessoas ficavam à mercê do clima e não conseguiam se divertir plenamente”, destacou.

Para a edição de 2025, Rivaldo acredita que o público será tomado pela emoção. O Boi Garantido promete uma apresentação que une nostalgia e tradição. “Espero que os torcedores do Garantido aproveitem cada momento do evento. Nossos itens estão se preparando para levar ao Carnaboi a mesma qualidade artística do Festival de Parintins”, revelou.

Do lado azul

Não existe Garantido sem Caprichoso e vice-versa. Edwan Oliveira, membro do Conselho de Arte e Diretor de Arena do Caprichoso, também acredita que o Carnaboi valoriza a cultura regional. “A gente sabe que é uma festa muito importante para a cultura, que acabou se tornando essencial no calendário carnavalesco de Manaus”, disse.

Embora o Carnaboi não faça parte do calendário oficial do bumbá Caprichoso, Edwan explica que o evento funciona como um pré-ensaio para a temporada bovina, que culmina em junho com o Festival Folclórico de Parintins.

“Após o carnaval, iniciamos a abertura dos currais (ensaios técnicos do Caprichoso) e, dessa forma, damos o pontapé inicial na temporada de 2025”, contou.

Para Edwan, os bumbás de Parintins já se tornaram ícones da cultura amazonense. Além do Carnaboi, Caprichoso e Garantido também são personagens essenciais do Boi Manaus. Os bois azul e vermelho se destacam em eventos de alcance nacional e internacional.

“Há muitos anos, os bois já viajam para participar de eventos, tanto no Brasil quanto no exterior. Isso é o resultado de tudo o que acontece ao longo do ano para que o festival cresça a cada edição e traga mais visitantes para Parintins. O Caprichoso, por exemplo, participa de diversos eventos e sabe da importância disso para a cultura local”, explicou.

Os bonecos

Os bonecos dos bois Caprichoso e Garantido são estrelas do espetáculo durante as três noites de Festival. E é do tripa, nome dado ao homem responsável pelo movimento do boi durante a apresentação no bumbódromo, a missão de colocar em movimento a magia dessa festa.

Eles são o item 10 no Festival, julgados por sua evolução e encenação, leveza, coreografia e movimentos de um boi real.

Foto: Marcely Gomes/SEC-AM

Os homens que trazem vida a esse item tão querido pelas galeras são Alexandre Azevedo, tripa do boi Caprichoso, e Batista Silva, tripa do boi Garantindo.

Do lado azul, o boi é feito de materiais como isopor, esponja, fibra de vidro e veludo. Além disso, um dos efeitos especiais é soltar fumaça pelo nariz por meio de um sistema com tubos. Do lado vermelho, além de fibra de vidro e espoja, um detalhe simples faz diferença na confecção do rabo do item: a juta. 

E você imagina quando pesa cada boi? Entre 13 a 15 kg cada, sendo carregados por cerca de 2 horas e 30 minutos em cada dia do festival.

Outros bois?

E não são apenas os bumbás de Parintins que brilham no Carnaboi. O evento também abre espaço para os bois de Manaus, como o Boi Corre Campo, Boi Clamor de um Povo, Boi Brilhante, Boi Galante, Boi Tira Prosa e Boi Garanhão.

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Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.