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Pará perde Mestre Laurentino; artista completaria 99 anos em janeiro de 2025

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Foto: Reprodução/Instagram-mestrelaurentino

João Laurentino da Silva, conhecido como Mestre Laurentino, foi sepultado na tarde deste domingo (22), no cemitério São Jorge, no bairro da Marambaia, em Belém (PA). Natural da cidade de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó, ele era conhecido como o roqueiro mais antigo do Brasil e faleceu nesse sábado (21), de causas naturais. Mestre Laurentino tinha 98 anos e completaria 99 anos no próximo dia 1º de janeiro. 

O marajoara cresceu na capital paraense onde formou família se tornando pai de 27 filhos. Durante sua longa trajetória, o artista desenvolveu seus talentos de maneira autodidata: ele adorava ouvir rádio e, influenciado pelo ritmo do jazz, aprendeu a tocar sozinho, no quintal de casa.

Em suas pesquisas e experimentações, Laurentino gravou  centenas de fitas com diversos sons da natureza que o cercava: uivos de cachorros, o cacarejar de galinhas, o sons emitidos por papagaios e muitos outros. Ele incorporava posteriormente o som de sua  inseparável gaita para construir uma sonoridade própria, que ia para muito além do rock pelo qual era conhecido popularmente. Em paralelo a música, trabalhou em dezenas de funções como boxeador, ajudante de pedreiro e mecânico de aviação ao longo de sua vida quase centenária.

Seu talento só foi descoberto pelo grande público em 2014, quando gravou seu primeiro CD, “Laurentino e os Cascudos”. O sucesso, ainda que tardio, lhe rendeu reconhecimento de público e crítica, com participações em festivais e músicas gravadas por personalidades da MPB como Tom Zé e Otto; Gilberto Gil e a banda pernambucana Mundo Livre S/A, que incluíram no seu repertório a composição do Mestre chamada “Lourinha Americana”.

O Governo do Estado do Pará decretou luto oficial pela morte de Mestre Laurentino.

*Com informações da Radio Agência Nacional

IBGE divulga que Brasil tem mais de 8,5 mil localidades indígenas

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População indígena está distribuída em 4.833 municípios brasileiros e corresponde a 0,83% da população total do país. Foto: Estevam Rafael/Audiovisual/PR

Dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no dia 19 de dezembro, indicam que há 1,69 milhão de indígenas no país, distribuídos em 4.833 municípios, o que corresponde a 0,83% da população total do país. Entre 2010 e 2022, a população indígena aumentou 88,96%.

O estudo mostra que existiam 8.568 localidades indígenas em 2022, identificadas em todos os estados e no Distrito Federal. A maioria (71,55% ou 6.130) estava em terras indígenas declaradas, homologadas, regularizadas ou encaminhadas como reservas na data de referência do Censo, enquanto 2.438 (28,45%) encontravam-se fora dessas áreas. A região Norte (60,20%) concentrava a maior parcela das localidades indígenas. Isso equivale a 44,47% da população indígena do país.

O segundo lugar no ranking regional ficou com o Nordeste, onde havia 1.764 localidades (20,59%), seguido por Centro-Oeste, com 1.102 localidades (12,86%), Sul, com 308 localidades (3,59%), e Sudeste, onde existiam 236 localidades (2,75%).

Por região

O percentual mais expressivo de localidades fora de terras indígenas foi registrado na região Sul, onde 146 (47%) das 308 localidades enquadravam-se nessa situação. No Rio Grande do Sul, o índice alcançou 58,93%. O Nordeste alcançou 39% do total de localidades fora de terras indígenas e, com exceção do Maranhão e da Paraíba, todos os estados apresentaram mais da metade das localidades fora de terras indígenas. Em números absolutos, as maiores quantidades de localidades indígenas fora de terras indígenas estavam no Amazonas, com 1.078 (41,93%), em Pernambuco, com 237 (56,97%), no Pará, com 187 (21,52%), no Ceará, com 159 (79,50%), e na Bahia, com 138 (68,32%).

Características

Em 2022, 53,97% da população indígena, ou 914.746 pessoas, está em situação urbana (vive nas cidades) e 46% em situação rural (780.090 pessoas). Quando comparado a 2010, 36,22% vivia em situação urbana e 63,78% em situação rural. Os maiores percentuais de indígenas residindo em áreas urbanas em 2022 foram observados em Goiás (95,52%), Rio de Janeiro (94,59%) e Distrito Federal (91,84%). Por outro lado, os estados com maiores proporções de pessoas indígenas residindo em áreas rurais em 2022 foram Mato Grosso (82,66%), Maranhão (79,54%) e Tocantins (79,05%). No Amazonas, 59 (95,16%) dos 62 municípios que abrigam 28,44% da população indígena do país tiveram perda de percentual da população indígena em áreas rurais. Cenário semelhante de perdas de população indígena em áreas rurais ocorreu em Roraima (11 dos 15 municípios) e no Acre (15 dos 22 municípios).

Analfabetismo em queda

De 2010 para 2020, a taxa de analfabetismo da população indígena recuou de 23,40% para 15%, segundo dados do Censo 2022. Entre os indígenas vivendo em áreas rurais, a taxa de analfabetismo caiu de 32,16% para 20,80%. Para os de áreas urbanas, a taxa recuou de 12,29% para 10,86%. Dentro das terras indígenas, a taxa de analfabetismo recuou de 32,30% para 20,80%, de 2010 para 2022. No mesmo período, a taxa de analfabetismo da média da população do país recuou de 9,62% para 7%.

Saneamento

No Brasil, 97,28% da população urbana residia em domicílios conectados à rede geral de abastecimento de água ou a poço, fonte, nascente ou mina canalizada até dentro do domicílio. Entre os indígenas em áreas urbanas e fora das terras indígenas, esse percentual era de 89,92%. Ou seja, 13,3% da população indígena residindo em áreas urbanas e fora de terras indígenas tinha acesso a água em condições de maior precariedade, enquanto para a média da população urbana o percentual era 2,72%. Em relação ao esgotamento sanitário, cerca de 83,05% da população urbana do país reside em domicílios conectados à rede geral ou pluvial de esgoto, ou com fossa séptica ou fossa filtro.

Em contrapartida, 59,24% da população indígena em áreas urbanas e fora das terras indígenas tinham acesso a esse tipo de saneamento básico em 2022. “Povos tradicionais residindo em territórios remotos não poderiam apresentar os mesmos percentuais de acesso ao saneamento que a média da população do país. No entanto, o Censo 2022 mostra que, mesmo em áreas urbanas, a população indígena tem menor acesso aos serviços de saneamento que o conjunto da população do país”, destacou Marta Antunes, coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE.

Predominância feminina

A razão de sexo da população indígenas mostra que, dentro de terras indígenas, havia 104,9 homens para cada cem mulheres. Nas terras indígenas em áreas urbanas, havia 101,55 homens para cada cem mulheres. Nas terras indígenas em áreas rurais, havia 105,33 para cada cem mulheres. Além disso, em áreas rurais fora de terras indígenas, havia 106,65 homens para cada cem mulheres. No entanto, em áreas urbanas fora de terras indígenas, havia 89,37 homens para cada cem mulheres.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Projetos de inovação em Engenharia Civil e Agronomia de Roraima são aprovados pelo CNPq

Foto: Reprodução/UFRR

Dois projetos coordenados por professoras da Universidade Federal de Roraima (UFRR) foram aprovados em edital lançado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A chamada nº 19/2024 intitulada ‘Centros avançados em áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável da região amazônica – Pró-Amazônia’ possui o objetivo de apoiar projetos de pesquisa em rede que visem contribuir para o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação dentro da região da Amazônia Legal de forma sustentável, incluindo também projetos de inovação social.

Para tanto, os projetos devem contemplar temas e áreas estratégicas, como recuperação dos ecossistemas amazônicos, biotecnologia, geração de energia renovável, sistemas alimentares sustentáveis, adaptação e mitigação a mudança climática, educação, cultura, povos e saberes tradicionais, entre outros.

Pela UFRR, os projetos contemplados foram da professora do departamento de Engenharia Civil, Mariana Chrusciak que garantiu R$ 4.076.540 e da professora do curso de Agronomia e Programa de Pós-graduação em Agronomia, Kedma da Silva Matos que conseguiu financiamento de R$ 2.391.976.

A professora Mariana, responsável pelo projeto que cria uma rede de pesquisas que envolvem a UFRR, o Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), além da Newcastle University, conta que o intuito é produzir conhecimento sobre o solo da região.

Mariana é coordenadora geral e local, em Boa Vista. Além dela, integram o projeto os professores e pesquisadores da UFRR, Alex Bortolon de Matos, Franciele Oliveira Campos da Rocha e Thais Oliveira Almeida. Da UFMA faz parte a professora Mayssa Alves da Silva Sousa, do IFTO o professor Flavio da Silva Ornelas, da UFAM o professor Matheus Pena da Silva e Silva e da Newcastle University da Inglaterra, a professora Bruna de Carvalho Lopes.

Já a segunda aprovação na chamada do edital foi com o projeto intitulado “Bioprospecção e caracterização da diversidade microbiana de plantas nativas visando práticas agrícolas sustentáveis para a Amazônia Setentrional”. A pesquisa da professora Kedma Matos trabalha com plantas nativas, como o camu-camu, araçá-boi e caimbé.

O objetivo é bioprospectar (procurar por organismos vivos) e caracterizar microrganismos associados a essas plantas nativas da Amazônia Setentrional que possuem capacidade de promoção do crescimento vegetal e controle biológico de patógenos (organismos capazes de causar doenças em um hospedeiro) em culturas de interesse econômico. “O intuito é desenvolver inoculantes microbianos sustentáveis e eficientes contribuindo para a agricultura de baixo impacto ambiental e para a conservação da biodiversidade microbiana da região”, destaca a professora.

Desta forma, o projeto é focado nestas espécies nativas pouco estudadas, o que contribui para alavancar inovações na agricultura tropical sustentável. “Isso se alinha com as demandas globais por práticas agrícolas ecologicamente responsáveis. Nossa iniciativa posiciona a região amazônica na vanguarda da pesquisa em microbiologia agrícola tropical, prometendo impactos significativos na conservação da biodiversidade, no desenvolvimento econômico sustentável e na valorização dos recursos genéticos da Amazônia”, conta Kedma.

O projeto de pesquisa também é realizado por meio de uma ação multi-institucional envolvendo professores, técnicos, alunos e pesquisadores na execução das suas etapas. Neste caso, a parceria da UFRR ocorre com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Ocidental, Manaus – AM e Centro Nacional de Pesquisa de Florestas, Colombo – PR), a Universidade Estadual de Roraima (UERR), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), a Universidade Federal de Viçosa (UFV), além do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e o Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana (IIPA) em Iquitos no Peru.

Para as professoras, a aprovação na chamada do CNPq é uma chance de viabilizar financeiramente os projetos e trazer benefícios para a pesquisa produzida na UFRR e em Roraima. “Buscamos construir um centro de pesquisa e vamos interligar uma rede com universidades do Tocantins, Amazonas, Maranhão e até de fora do País. Com o investimento, vamos comprar equipamento para as universidades que fazem parte dessa rede, sendo que o principal beneficiário é a UFRR”, afirma Mariana.

Aprovação em outro edital do CNPq é estímulo à participação de meninas e mulheres nas Engenharias

A professora Mariana Chrusciak também teve o projeto “Conversas entre meninas e engenheiras: construindo redes” aprovado no edital do CNPq nº 31/2023 – Meninas nas ciências exatas, engenharias e computação”.

O objetivo é estimular o ingresso, formação, permanência e ascensão de meninas e mulheres nas engenharias por meio da organização de uma rede colaborativa de instituições acadêmicas e não acadêmicas. Conforme a professora, o projeto prevê ações de formação, grupos de estudo, sensibilização sobre políticas públicas de igualdade de gênero, acompanhamento de egressas, entre outras, atuando em uma rede que envolve quatro estados e o Distrito Federal somando seis instituições de ensino superior (IES) e cinco escolas de ensino fundamental e médio (EFEM).

Participam do projeto as unidades voltadas para o ensino de Engenharias da Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade de Brasília (UFB/UNB), Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) e UFRR compondo uma coordenação em rede nacional. A atuação ocorrerá no Colégio Estadual Nazir Safatle em Goiânia (GO), Casa de Educação Popular em Marabá (PA), Escola Municipal Joca Vieira em Teresina (PI), Colégio de Educação Fundamental – CEP 120 Samambaia em Brasília (DF) e Colégio de Aplicação da UFRR.

O projeto receberá R$ 1.186.440 durante três anos (2024-2027) para pagamento de custeio e 63 bolsas em várias modalidades.

*Com informações da UFRR

Árvore amazônica, Samaúma é escolhida como logomarca do Brics Brasil

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Foto: Divulgação

“Guardiã da floresta”, “mãe das árvores”, “escada do céu”. Estas são algumas formas populares de referência à Samaúma (Ceiba pentandra) que, podendo chegar a 60 metros de altura e dois metros de diâmetro, é uma gigante da Amazônia. Em uma proposta visual que, dentre tantos outros aspectos, busca traduzir a grandiosidade diplomática, socioeconômica e política do BRICS, é esta árvore que inspira a construção da logomarca da presidência brasileira do fórum em 2025.

Leia também: Portal Amazônia responde: Sumaúma ou Samaúma?

Não há como pensar no Brasil sem pensar na Amazônia, e a Samaúma, profundamente respeitada pelas comunidades indígenas da floresta, carrega significados alinhados a valores centrais do Brics. Enquanto a copa da árvore, aberta e horizontal, que protege outras espécies da flora, simboliza proteção e inclusão, as sapopemas, raízes vigorosas e visíveis que sustentam a árvore, simbolizam a força da união entre as partes.

Já a capacidade da Sumaúma de retirar água das profundezas do solo, mesmo em tempo de seca, e compartilhá-la com outras plantas, simboliza a cooperação e o desenvolvimento compartilhado. As sapopemas também são usadas para comunicação na floresta. A estrutura de maneira combinada à quantidade de água acumulada no tronco, uma vez golpeada, propicia um som que ecoa por longas distâncias, o que evoca a ideia de conexão e diálogo.

No início do ano, o presidente Lula plantou duas mudas da árvore na residência oficial , o Palácio da Alvorada, destacando o tamanho que a Samaúma pode chegar.

Uma identidade plural

Depois de receber o G20, e 15 anos após a primeira cúpula do Brics no Brasil, o único país do continente americano a ser membro do grupo reassume o comando do Brics em 2025, ano que marca a expansão dos países-membros e abertura de portas para países parceiros. Assim, a inspiração na Ceiba pentandra busca comunicar também esta diversidade, ao ser encontrada em outros países da América e na África Ocidental. As cores oficiais para as manifestações gráficas são inspiradas nas cores das bandeiras dos países-membros.

Uso da marca

A marca possui uma licença de uso livre (Creative Commons CC BY-NC-SA) e pode ser aplicada em materiais impressos e digitais que vierem a ser produzidos – sites, redes sociais dos governos e da sociedade civil, outdoors, brindes de eventos e outros sem solicitação prévia de uso, desde que respeitado o manual da marca, que pode ser acessado aqui.

A licença de uso da marca permite a remixagem, adaptação e cocriação a partir da marca original para fins não comerciais, desde que atribuam ao governo federal o devido crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos.

*Com informações da Secretaria de Comunicação do Governo Federal

Dossiê “Amazônia contra o Antropoceno” aborda sociodiversidade da região

Luar na casa comunal Wai Wai. Comunidade Katual TI Trombetas Mapuera, Roraima. Foto: Claide Moraes

O Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) publicou o dossiê Amazônia contra o Antropoceno”, organizado pelos professores Claide de Paula Moraes e Miguel Aparicio, ambos do Instituto de Ciências da Sociedade (ICS) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

Na publicação constam nove artigos de arqueólogos, antropólogos e ecólogos, indígenas e não indígenas, entre eles, docentes pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia e Antropologia (PPGAA) da Ufopa.

Para eles, as visões convencionais sobre a Amazônia têm dado uma especial relevância às características de sua biodiversidade. Com menor frequência é reconhecido o destaque da sua sociodiversidade, componente fundamental na configuração da Amazônia e, nas últimas décadas, tão ameaçada quanto a biodiversidade.

Os impactos sobre as florestas da Amazônia incidem também, em grande escala, sobre as formas de vida humana que modelaram suas paisagens. Com todo o avanço predatório sobre seus sete milhões de quilômetros quadrados, no século XXI, a Amazônia continua sendo o lar de uma ampla diversidade de povos indígenas, falantes de cerca de 180 línguas, além de inúmeras populações tradicionais que se estabeleceram na região em períodos mais recentes.

“A partir da perspectiva da Arqueologia, da Antropologia e da Ecologia queremos trazer para o debate o que os pelo menos 12 mil anos de história humana na Amazônia mostram sobre uma convivência com o ambiente que imprimiu marcas profundas nas paisagens. Frente a um viés homogeneizante no debate do Antropoceno, pretendemos destacar os impactos positivos para a manutenção da biodiversidade promovidos pelas populações indígenas e tradicionais da Amazônia, num movimento divergente e resistente aos modelos próprios da invasão colonial, em contínuo processo de avanço”, alertam.

Para concluir, os pesquisadores esclarecem os seus objetivos:

*Com informações da Ufopa

IBGE informa que mais de 60% dos indígenas do Amazonas moram em cidades

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Mais de 60% dos indígenas do AM moram em cidades, aponta IBGE. Foto: Janailton Falcão/FAS

Cerca de 62% dos indígenas no Amazonas moram em cidades. É o que aponta uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no dia 19 de dezembro. O recorte ainda é do Censo realizado em 2022, pelo órgão.

Segundo o IBGE, a população indígena total, em 2022, foi de 490.935 pessoas, sendo que 62,3% vive em áreas urbanas (305.866) e 37,7% em áreas rurais (185.069).

Já em relação ao número de indígenas que moram em terras indígenas, esses são 149.080 (30,4% do total indígena). Desses, 22,2% vivem em áreas urbanas (33.070), enquanto a maioria (77,8%) permanece em áreas rurais (116.010).

Fora de terras indígenas, o IBGE aponta que a população é majoritariamente urbana, com 341.855 indivíduos (69,6% do total indígena).

O Censo também aponta que, os cinco municípios do Amazonas com maior população indígena nas cidades foram:

  1. Manaus: 69.747 indígenas;
  2. Tabatinga: 26.091 indígenas;
  3. São Paulo de Olivença: 18.265 indígenas;
  4. Tefé: 15.544 indígenas; e
  5. Santo Antônio do Içá: 13.863 indígenas,

Já em áreas rurais, destacaram-se São Gabriel da Cachoeira (24.913), Maués (8.092), Tabatinga (8.406), São Paulo de Olivença (8.354) e Santo Antônio do Içá (5.019), mostrando forte presença em territórios rurais.

Manaus continua sendo a cidade mais indígena do Amazonas

A pesquisa também apontou que Manaus é a cidade com o maior número de indígenas no Amazonas. Segundo o Censo, são 71.691 indígenas que, segundo o órgão “demonstra o impacto da urbanização e da migração em busca de oportunidades”.

A lista também contempla:

  • São Gabriel da Cachoeira, com 48.256 indígenas, destaca-se como um dos principais polos culturais e tradicionais indígenas;
  • Tabatinga, com 34.497, representando a influência das comunidades indígenas na região de tríplice fronteira;
  • São Paulo de Olivença (26.619) e Autazes (20.447) evidenciam a relevância indígena em áreas mais interioranas.
  • Tefé (20.394), Santo Antônio do Içá (18.882), Benjamin Constant (17.811), Barcelos (14.178) e Santa Isabel do Rio Negro (13.622) completam a lista, mostrando a ampla presença indígena nas regiões do médio e alto Rio Negro e do Solimões, que preservam tradições e enfrentam desafios em infraestrutura e serviços públicos, como saúde e educação.

Pesquisa de Roraima ganha prêmio máximo em congresso internacional de química

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Foto: Pablo Felippe/Coordcom/UFRR

A pesquisa Determining the content of paracetamol using machine learning with the use of a smartphone‘, realizada por meio de uma parceria entre Universidade Federal de Roraima (UFRR) e o Instituto Federal de Roraima (IFRR), recebeu a premiação de melhor pôster na categoria Quimiometria no 9º Congresso Ibero Americano de Química Analítica (Ciaqa), ocorrido em Belém em setembro deste ano.

A pesquisa trata da quantificação de paracetamol usando a inteligência artificial com o uso de um smartphone. Participaram da elaboração do estudo o grupo de pesquisa em Quimiometria do Extremo Norte da Amazônia junto com integrantes do Departamento de Química e da Escola Agrotécnica da Universidade Federal de Roraima (UFRR), além de docentes do Instituto Federal de Roraima (IFRR).

O estudo é realizado dentro de uma área da química chamada de Quimiometria que se concentra em auxiliar no entendimento de dados que são oriundos de análises químicas facilitando o planejamento e o desenvolvimento de métodos e modelos estatísticos voltados para diversas aplicações.

Conforme explica o professor do curso de química da UFRR, Francisco dos Santos Panero, os pesquisadores buscaram a quantificação de paracetamol nas formulações farmacêuticas utilizando para isso imagens digitais adquiridas com um smartphone e uma técnica de inteligência artificial. 

Foto: Pablo Felippe/Coordcom/UFRR

A professora da UFRR, Mirla Janaina Augusta Cidade, que representou o grupo de pesquisa no congresso apresentando o pôster, destaca que o método de medição utilizado no estudo é realizado de modo simples, porém bastante eficaz. 

“A técnica envolve uma reação química que muda a cor da solução, capturada pelo celular com o app PhotoMetrix-Pro®. Usando essas imagens, o estudo consegue determinar a concentração de paracetamol de forma precisa e acessível”, explica.

Além da aluna Sara Rocha e dos professores Francisco Panero e Mirla Cidade, também participaram da pesquisa o professor da Eagro/UFRR, Wilson Botelho Nascimento Filho, a aluna do curso de química, Rosana Ferreira de Sousa e o professor do IFRR, Pedro dos Santos Panero.

Com uma pesquisa envolvendo a parceria entre duas instituições públicas federais, para Mirla esse tipo de união é fundamental e o resultado positivo demonstra a importância e a qualidade da ciência roraimense.

Foto: Pablo Felippe/Coordcom/UFRR

Um dos participantes fundamentais para a aprovação da pesquisa, o professor Wilson Botelho também destaca a satisfação em receber a premiação e a qualidade das pesquisas realizadas na Amazônia.

“Nesse evento tínhamos diversas instituições e de todas as regiões do Brasil. É um reconhecimento para nós como professores e pesquisadores e mostra que aqui no extremo norte, na Amazônia roraimense, conseguimos desenvolver trabalhos de ponta que podem ser tão importantes quanto os trabalhos de outras instituições espalhadas pelo nosso país, instituições essas consolidadas no cenário nacional e internacional. Isso motiva a continuar nesse caminho e chegar a um ponto que seremos reconhecidos por nossas contribuições na pesquisa brasileira e quem sabe futuramente no cenário internacional”, afirma Wilson.

UFRR terá representante como embaixador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem)

Foto: Arquivo Pessoal/Gabriel Zazeri

A Universidade Federal de Roraima terá um representante como embaixador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem). Nesta primeira edição do Programa Embaixadores do Centro, o professor escolhido foi Gabriel Zazeri, do departamento de Física que será um dos 28 embaixadores espalhados pelo Brasil.

O Programa Embaixadores do Cnpem é uma iniciativa que tem o objetivo de expandir o alcance da ciência e tecnologia pelo país incentivando o engajamento de pesquisadores com áreas de pesquisa que necessitam de alta resolução dentro das Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Ciências Biológicas.

A primeira edição do programa foi voltada apenas para profissionais que atuam nas regiões Norte e Nordeste também com o intuito de fortalecer ações de capacitação e divulgação do centro de pesquisa na região. A aproximação também busca trazer pesquisadores e estudantes para utilização dos laboratórios e estruturas de referência do centro.

Conforme destaca o professor Gabriel Zazeri, o objetivo do embaixador é divulgar o papel desses laboratórios e do Sirius na busca por conectar a sociedade científica aos avanços tecnológicos e científicos feitos no CNPEM, além de promover o acesso a oportunidades e conhecimentos que visam beneficiar a comunidade científica e a sociedade em geral.

*Com informações da UFRR

Parque da Cidade, em Belém, terá mais de 2,5 mil árvores

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Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Com mais de 60% do paisagismo finalizado, as obras do Parque da Cidade avançam em ritmo acelerado em Belém. O Parque, que será o palco da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30, no Pará em 2025, já tem mais de 1.300 árvores plantadas, das 2.500 previstas para serem entregues na primeira fase da obra, em novembro de 2025.

Dessas 1.300 árvores que já compõem o paisagismo do Parque, 190 foram transplantadas. O processo prima pela sustentabilidade, como explica a engenheira florestal responsável pela execução do projeto, Regina Meireles. “Podemos dizer que o transplante de árvores adultas é uma técnica de sustentabilidade, pois estamos ‘mudando o endereço’ de uma árvore”, explica.

O transplante segue etapas criteriosas. Primeiro, avalia-se a viabilidade da árvore para ser removida. Em seguida, realiza-se a sangria, cortando 50% das raízes para estimular sua conservação, ao mesmo tempo que a folhagem é podada para reduzir o estresse da planta. Depois, corta-se o restante das raízes e a base da árvore é envolvida com terra nutritiva, preparando-a para o transporte.

No novo local, o plantio ocorre em um “berço” adequado, com irrigação abundante e adubação química e orgânica para garantir a nutrição da árvore. Após o plantio, monitora-se o rebrotamento das folhas e realiza-se manejos como poda e adubações, quando necessário. “O acompanhamento continua com medições regulares para avaliar o crescimento e a recuperação da árvore”, completa Regina.

Floresta na cidade

Entre as espécies plantadas, está a samaumeira, espécie emblemática da Amazônia e de Belém. Mas não só ela: também seringueiras, pau-preto, pau-ferro, pau-mulato, sibipiruna, jatobá, ipê, pau-brasil, mamorana, jambo, mangueira, andiroba, copaíba, cedro, açaí, jerivá, bacaba, flamboyant e diversas outras. São mais de 100 espécies.

Margareth Maroto, idealizadora do projeto de paisagismo, explica que o conceito foi trazer a floresta amazônica para a cidade. “O paisagismo foi inspirado na vegetação do bioma da Amazônia. Quisemos valorizar e perpetuar as espécies regionais, com todo o espaço remetendo à região amazônica. A ideia foi replicar uma floresta dentro do parque, e essa elaboração aconteceu em três anos”, conta.

Cronograma

Ursula Vidal, titular da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), pasta que gerencia e fiscaliza as obras do Parque, garante que o projeto é um compromisso de legado para Belém e todo o Pará. “Estamos falando em uma área paisagística grandiosa, com um investimento de mais de 50 milhões, um dos maiores do Brasil em paisagismo adulto”, destaca a secretária.

Ela também ressalta que as obras estão dentro do cronograma estipulado.

Porto Futuro

Além do Parque da Cidade, o Porto Futuro II, localizado no bairro do Reduto, é mais uma obra que ficará para os moradores da capital como um dos legados da COP 30, e que também segue dentro do cronograma exigido. A obra avançou 61%, com etapas concluídas, como é o caso das revitalizações das praças Pedro Teixeira e Barão de Mauá.

O complexo abrigará um Centro Gastronômico, um Parque de Inovação e Bioeconomia e a Caixa Cultural, a primeira da Região Norte, além do Museu das Amazônias. Haverá ainda uma espaço de convivência interno com playground, quiosques e fonte de água interativa. A entrega do equipamento também está prevista para novembro de 2025.

*Com informações da Agência Pará

Entenda o que são as florestas públicas não destinadas

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Gleba Castanho, no Amazonas, em 2022, foi a primeira área não-destinada a entrar no processo de concessão florestal. Foto: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

As florestas públicas não destinadas localizadas na Amazônia são terras de domínio dos governos estaduais ou federal que aguardam pela destinação para uma categoria fundiária, como determinado pela Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei 11.284/06). 

Elas somam uma área do tamanho da Espanha (56,5 milhões de hectares) e estocam quase um ano de emissões globais de carbono – ou sete bilhões de toneladas de carbono. No entanto, as florestas públicas sem destinação ficam mais vulneráveis à grilagem e ao desmatamento ilegal. 

Localização de florestas públicas não destinadas na Amazônia

6,18 milhões de hectares dessa área foram anunciados para estudo de destinação pelo Governo Federal

Fonte: Observatório das Florestas Públicas

Para contribuir com a proteção das florestas públicas não destinadas, o Amazoniar – iniciativa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) para promover um diálogo global sobre a Amazônia – responde às principais perguntas sobre essas terras e como defendê-las.  

Por que proteger as florestas públicas não destinadas? 

A proteção das florestas públicas não destinadas é crucial, pois nelas vivem diversos povos indígenas e comunidades tradicionais que dependem diretamente desses territórios e cuidam de toda sua biodiversidade através de seus modos de vida. A preservação de suas culturas, tão vitais para o equilíbrio climático e o futuro do planeta, depende da garantia de seus direitos, inclusive da demarcação e autogestão de seus territórios. 

Proteger essas terras deve ser prioridade não apenas para garantir os direitos de quem já as ocupa, mas também como uma das soluções para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater as mudanças climáticas, devido ao seu estoque de carbono. 

Qual é o maior desafio para a proteção das florestas públicas não destinadas? 

O maior desafio é a constante pressão de atividades ilegais que essas áreas sofrem. Embora a Lei de Gestão de Florestas Públicas determine que essas florestas devem ser conservadas ou utilizadas de forma sustentável, sem a definição de uma categoria de uso, elas ficam mais vulneráveis à grilagem e, consequentemente, ao desmatamento ilegal e à degradação.  

Uma pesquisa do IPAM revela que, entre 2019 e 2021, mais da metade (51%) do desmatamento ocorreu em terras públicas, sendo as florestas públicas não destinadas as mais atingidas: tiveram alta de 85% na área desmatada, passando de 1.743 km² derrubados anualmente para mais de 3.228 km².  

O mesmo estudo mostra como aparatos legais são usados para disfarçar a grilagem de terra. Até o fim de 2020, mais de 18 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas estavam declarados no SICAR (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural), de forma ilegal, como propriedades particulares.  

Por que as florestas públicas são um grande alvo de grileiros? 

O enfraquecimento da fiscalização ambiental é o fator que mais abre espaço para que a ocorrência de grilagem nessas florestas aumente. Pessoas e empresas dificilmente entram em áreas para grilar sem saber que são públicas. 

Além do aumento dos registros de CAR (Cadastro Ambiental Rural) fraudulento no sistema, as áreas declaradas vêm apresentando tamanhos cada vez maiores. Uma nota técnica do IPAM mostra que, em 2021, cerca de 44% dos CAR que apresentavam sobreposição às florestas públicas não destinadas tinham mais de 1,5 mil hectares. É “um forte indício [de] que a grilagem esteja ligada a ações de grupos capitalizados e organizados que buscam, cada vez mais, ocupar grandes frações de terra pública”.

Como a grilagem em florestas públicas funciona na prática? 

Na maioria das vezes, os grileiros fazem um levantamento para identificar as características da terra – por exemplo, se é plana, com fácil acesso à água e à estrada. 

Escolhido o lugar, começa o ciclo:  

1) entram na área, usando o CAR (Cadastro Ambiental Rural) como um suposto documento comprovação de propriedade;  

2) desmatam a floresta; e então  

3) iniciam um processo parecido com a especulação imobiliária, com o objetivo de vender a terra desmatada para outros fins, em especial para a pecuária. Para se ter uma ideia, mais de 70% dos desmatamentos em florestas públicas não destinadas são transformadas em pasto para gado. 

Para saber mais sobre a grilagem, leia a cartilha “Por uma Amazônia livre de grilagem”, do Amazoniar.

Como proteger as florestas públicas não destinadas? 

A destinação é uma das políticas ambientais mais urgentes e eficazes para proteger as florestas públicas do desmatamento e da degradação. A ciência já provou que essas florestas são mais preservadas sob o cuidado de povos indígenas e comunidades tradicionais: o conjunto de terras indígenas e unidades de conservação estocam cerca de 56% do carbono da Amazônia brasileira. 

Um instrumento que pode facilitar a regularização de territórios e a destinação é a CDRU (Concessão de Direito Real de Uso). Por meio deste contrato administrativo, o poder público pode ceder o uso de uma determinada terra a populações originárias e tradicionais, contribuindo para a garantia de direitos dessas pessoas ao mesmo tempo em que salvaguarda o interesse público de proteger as florestas. 

Em paralelo, é preciso fortalecer o comando e controle ambiental, a ação mais efetiva para reduzir o desmatamento de forma imediata. Isso significa fortalecer a fiscalização e aplicar punições pelo cometimento e financiamento de crimes ambientais.  

Conheça outras alternativas para o combate ao desmatamento na cartilha “Soluções para o desmatamento na Amazônia”, do Amazoniar.  

O que uma floresta pública não destinada pode se tornar? 

Foto: Divino Silvério

As florestas públicas podem ser destinadas para uso comunitário, sustentável, proteção integral ou ainda fins militares. Alguns exemplos de destinação são: 

Terras indígenas – Os povos indígenas são os guardiões da Amazônia há milênios e desempenham um papel fundamental na manutenção da integridade dos ecossistemas e no combate às mudanças climáticas. No Brasil, as terras indígenas ocupam 13,9% do território nacional e guardam 19,5% da vegetação nativa do país. 

De acordo com levantamento do MapBiomas de 2022, o desmatamento em terras indígenas foi de apenas 1% em 30 anos. 

Unidades de conservação – Conforme explica ((o))eco, essas áreas garantem a representatividade de diferentes populações e ecossistemas, preservando o patrimônio biológico. Ao mesmo tempo, oferecem às populações tradicionais que as habitam os recursos naturais necessários para o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis. 

São categorias de Unidades de Conservação: 

  • Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) 
  • Reserva extrativista (Resex) 
  • Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) 
  • Reserva Biológica  
  • Refúgio de Vida Silvestre 
  • Parque nacional, estadual e natural municipal 
  • Monumento natural 
  • Floresta nacional, estadual e municipal 
  • Estação Ecológica 
  • Área de Proteção Ambiental 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM

Estudo levanta perfil do turista que visita o Acre

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Foto: Pedro Devani/Secom AC

O fomento do turismo do Acre, além das belezas naturais e outros atrativos, também advém de políticas públicas e privadas. Para auxiliar na formação destas, o Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento divulgou o resultado da pesquisa do Estudo Econômico ‘Revisitando o Turismo: um olhar pensando no futuro’, que mostra o perfil do turista que visita o Acre.

O estudo mostrou que homens com nível superior, que ganham, aproximadamente, R$ 4 mil, visitam o Acre para passar cinco dias, de segunda a sexta-feira, a negócios.

O professor doutor Rubicleis Gomes da Silva, pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), do Fórum Empresarial e da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino e Pesquisa e Extensão (Fundap), conduziu o estudo e ressaltou a importância de conhecer o perfil dos turistas que visitam o Acre.

O secretário de Estado de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, destacou que a ferramenta tem grande importância para os processos de crescimento e desenvolvimento do Acre enquanto destino turístico.

“A percepção que o visitante tem sobre um destino é muito significativa para propagar de forma positiva a imagem local e, conhecer o perfil do turista que visita nosso estado é indispensável para sermos competitivos frente aos desafios. Informações demonstradas na pesquisa são muito ricas e irão nortear o desenvolvimento de políticas públicas, planejamento estratégico, subsidiar tomada de decisão mais assertiva, seja pelo poder público ou classe empresarial, objetivando o aumento do fluxo de turistas, gerar mais oportunidade de emprego e renda para a nossa população”, afirmou.

Para desenvolver ainda mais o turismo no Acre, que conta com tantas belezas naturais, a união entre a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo e as demais instituições é essencial para fomento do setor no estado. Pesquisas como o Estudo Econômico que mostra o perfil do turista no Acre é uma das ferramentas que auxiliam no crescimento dessa área.

O professor doutor Rubicleis Gomes da Silva conduziu o estudo. Foto: Arquivo pessoal

Aplicação da pesquisa

Para levantar esse perfil, o Fórum Empresarial do Acre elaborou uma pesquisa e aplicou questionários na rodoviária e no aeroporto de Rio Branco, entre 27 de julho e 22 de outubro, com 401 turistas que estavam chegando ou saindo do estado acreano.

A rodoviária representou 47,88% do total das respostas na pesquisa, sendo o local com maior frequência de aplicação dos questionários, indicando que quase metade dos turistas chegam a Rio Branco com transporte terrestre.

O aeroporto também teve uma participação significativa, com 32,17% das aplicações. Esse percentual reflete a importância do transporte aéreo no turismo local, destacando o aeroporto como o segundo principal ponto de acesso dos visitantes.

“A equipe de aplicação dos questionários não teve acesso à sala de embarque no período noturno, ficando a aplicação dos questionários limitada aos voos diurnos. Destaca-se que a equipe tentou aplicar os questionários no saguão do aeroporto, contudo, pouquíssimos passageiros se dispuseram a responder a pesquisa. Além disso, é importante destacar que, no período da pesquisa, os voos noturnos eram bem superiores aos diurnos”, explicou outro trecho do estudo, que pode ser conferido na íntegra aqui.

O professor Rubicleis Gomes explicou, ainda, que a pesquisa deve ser feita durante os 12 meses do ano, para entender, de fato, qual perfil do turista no Acre. “É preciso aplicar também nas cidades de Assis Brasil, Brasileia e Epitaciolândia, que são porta de entrada do Peru e Bolívia e têm um grande fluxo de pessoas”, afirmou.

*Com informações da Agência Acre