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5 animações inspiradas e produzidas na Amazônia que vão te surpreender

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A Amazônia, reconhecida mundialmente por sua vasta biodiversidade e importância ambiental, começa a ganhar espaço também no cenário da animação brasileira, trazendo uma abordagem única, repleta de elementos regionais e temas da floresta.

Entre os recentes lançamentos e projetos em andamento, surge uma nova geração de criadores locais que, com a tecnologia e narrativas envolventes, mostra o poder da região no campo audiovisual.

Conheça cinco animações que foram produzidas e inspiradas na região amazônica:

‘Cem Pilum – a história do dilúvio’, de Thiago Morais

O curta-metragem de animação ‘Cem Pilum – a história do dilúvio’ foi produzido em 2021 pelo produtor audiovisual Thiago Morais. A animação leva o expectador ao tempo antigo, quando existiam mais animais ferozes do que pessoas e Deus Criador quis acabar com as cobras, onças e outros animais. Então ordenou o dilúvio.

‘Cem Pilum – a história do dilúvio’ é o resgate de uma das histórias contadas pelo aquarelista Feliciano Lana, fazendo uma homenagem ao artista que teve suas obras reconhecidas internacionalmente.

‘Caçador de Cabeças’, de Rod Rodrigues

O curta ‘Caçador de Cabeças’ é uma animação experimental, feita no estilo motion comics, produzida no final de 2021, com incentivo do edital Cultura Digital – Aldir Blanc, por equipe 100% paraense. O enredo da animação é inspirado em relatos de caçadores e moradores do vilarejo Bomfim, do município de São João da Ponta (PA).

‘A Inacreditável História do Milho Gigante’, de Aldenor Pimentel

O curta de animação ‘A Inacreditável História do Milho Gigante’ foi dirigido pelo boavistense Aldenor Pimentel. Foi selecionado para cinco mostras de cinema nacionais. O vídeo, de 5 minutos, foi inteiramente produzido em Roraima e realizado pela produtora Platô Filmes.

‘Nazaré: do verde ao barro’, de Juraci Júnior

‘Nazaré: do verde ao barro’ é um filme de Juraci Júnior, que faz um mergulho na história de formação da comunidade e a relação de seus moradores com a natureza e, especialmente, com o movimento do rio. A obra conta com trilha original de Tullio Nunes, músico e produtor musical nascido em Porto Velho (RO); com aquarelas da poeta e ilustradora Roberta Marisa; e montagem, animação e finalização de Rone Mota.

‘Solitude’, de Tami Martins

A busca da protagonista ‘Sol’ pelo autoconhecimento e a mudança pessoal após o término conturbado de um relacionamento amoroso é o fio condutor da trama de ‘Solitude’, primeiro curta-metragem de animação produzido no Amapá com recursos da Agência Nacional do Cinema (Ancine). A obra, que também recebeu financiamento do governo estadual, foi aprovada no 1º Edital de Produção Audiovisual do Amapá.

Levantamento geofísico orienta busca por artefatos arqueológicos debaixo d’água em assentamentos indígenas na Amazônia

Foto: Rodrigo Méxas/FioCruz Imagens

A Aldeia de Jenipapo, no Pantanal Maranhense, teve os seus assentamentos construídos por populações indígenas que lá habitaram durante o período pré-colonial. No local, que fica às margens do Tio Turiaçu, foram erguidas palafitas, moradias sustentadas por pilares de madeira. As palafitas foram construídas entre cerca de (1 e 1100 depois de Cristo), sendo um tipo de habitação humana registada a longo prazo em todos os continentes, com exceção da Antártica. As mais antigas palafitas documentadas correspondem a povoações que mostram a transição do Neolítico para a Idade do Bronze (5000 a 500 antes de cristo) na Europa, com registros na região Circum-Alpina, em países como Suíça, França, Itália e Alemanha.

Com a proposta de ampliar o conhecimento sobre o sítio arqueológico subaquático na região da Amazônia Oriental, que é onde se localiza a Aldeia de Jenipapo, foi aplicado um levantamento pioneiro de Radar de Penetração no Solo (GPR), cujos resultados foram publicados na revista científica Journal of Archaeological Science Reports por pesquisadores do Departamento de Geofísica do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), dos Departamentos de Oceanografia e Limnologia e de História da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e do Departamento de Geofísica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT).

O trabalho demonstra a capacidade do método GPR em mapear um pilar de madeira subaquático e aumentar a probabilidade de encontrar artefatos arqueológicos no fundo do rio, o que contribui para melhorar o conhecimento da arqueologia amazônica no Brasil. Para tanto, foram estabelecidos doze perfis GPR, todos eles adquiridos com antenas de 270 MHz, utilizando um barco de borracha. Os doze perfis tinham ~425 metros de comprimento na direção norte-sul com formato irregular e espaçamento de ~20 metros entre as linhas, quase paralelos entre si.

Os resultados do GPR indicaram uma reflexão do sinal no fundo do rio e várias hipérboles de difração suspensas sobre o fundo do rio, relacionadas ao topo dos pilares de madeira. “Nós conseguimos fornecer um mapa em alta resolução do fundo do rio Turiaçu e dos topos dos pilares de madeira que sustentavam as casas de palafitas no período pré-colonial”, afirma o geofísico Jorge Luís Porsani, professor do Departamento de Geofísica do IAG-USP e autor correspondente do estudo.

Para apoiar a interpretação dos resultados, foi realizada uma modelagem numérica GPR para simular as hipérboles de difração suspensas na água, relacionadas aos pilares de madeira. De acordo com os autores, a modelagem numérica GPR apresentou boa concordância com dados reais, o que auxiliou na interpretação dos resultados. Além disso, eles observam que a localização de diversas hipérboles de difração pode orientar os mergulhadores na busca e coleta de artefatos arqueológicos ao redor dos pilares de madeira subaquáticos.

A importância do estudo após La Niña e suas aplicações

Desde 2018, esses sítios não estão secando, devido ao La Niña, que é um fenômeno oceânico e atmosférico que provoca fortes chuvas na região. Com isso, a busca por artefatos arqueológicos deixou de ser realizada, porque os lagos e rios ainda são relativamente profundos durante o período seco.

Assim, a aplicação do método GPR, que é indireto e não invasivo, contribui para a investigação arqueológica das seguintes formas:

  • Podem ser localizados os pilares de madeira no leito do lago ou rio e, desta forma, criar um mapa do local da vila de palafitas;
  • Uma vez localizados os pilares de madeira, podem ser colhidas amostras para datação e, assim, analisar as madeiras para descobrir as espécies utilizadas na construção das aldeias.
  • O GPR também possibilita a procura artefatos entre os pilares de madeira. Em trabalhos de campo anteriores, quando os locais estavam secos, os pesquisadores do LARQ da UFMA conseguiram recuperar diversos artefatos que revelam o cotidiano dessas pessoas, desde os tipos de panelas, até mesmo aquelas utilizadas em interações e rituais com grupos distantes, como o muiraquitã, um amuleto de pedra verde (jade nefrítico) no sítio Boca do Rio. Esse achado corrobora a existência de uma conexão em rede entre esses grupos e outros localizados em áreas mais distantes, uma vez que o jade não existe na região do Maranhão. Esses artefatos também indicariam redes de longa distância entre viajantes do baixo Amazonas e, possivelmente, das Antilhas e do Caribe.
  • Trabalhos futuros podem utilizar o GPR para ajudar a definir a forma e a extensão das aldeias. Além disso, outros métodos geofísicos, como o Side Scan Sonar (que criam imagens de grandes áreas do fundo do mar), poderiam ser combinados com o GPR para ajudar nesta tarefa.

Com esta linha de pesquisa, portanto, os autores vislumbram, além de contribuir para reduzir custos e otimizar a investigação arqueológica, também ajudar a melhorar o conhecimento sobre os sítios arqueológicos subaquáticos na região da Amazônia Oriental, que é uma das duas partes da Amazônia Legal, composta pelos estados do Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Mato Grosso, Acre, Roraima, Rondônia e Acre.

Projeto Mosaic coleta dados de saúde na Tríplice Fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia

Foto: Divulgação/Fiocruz Amazônia

O Projeto Mosaic, coordenado pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França, deu início esta semana à etapa de coleta de dados no Brasil, começando pela região do Alto Solimões, no Amazonas, área da Tríplice Fronteira (Brasil/Peru e Colômbia), na primeira missão do grupo na América Latina. O projeto tem como finalidade implementar ecossistemas de informação multimodais abertos e replicáveis acerca da saúde das populações nas áreas de fronteira do Brasil com a Guiana Francesa e a Colômbia e Peru, e na fronteira entre Quênia e Tanzânia, no continente africano.

Um grupo formado por pesquisadores da França, Portugal, Polônia, Quênia, Colômbia, Peru e Brasil, com a participação do coordenador científico e da gestora do projeto, Emmanuel Roux e Lucile Guerin, foi recebido na Fiocruz Amazônia, em Manaus, no dia 21/10, marcando o início da missão.

O projeto Mosaic foi selecionado pelo programa Horizon Europe, da União Europeia, para financiamento no período 2024 a 2027. É o primeiro edital europeu de fomento à pesquisa com participação da Plataforma Internacional para Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PICTIS), fruto do acordo de cooperação firmado pela Fundação Oswaldo Cruz, por meio do IOC/Fiocruz, com a Universidade de Aveiro, em Portugal.

O grupo recebeu as boas-vindas da diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, que destacou o caráter inovador da abordagem do projeto, nos processos de ações de saúde e vigilância nas regiões de fronteiras, e a importância da participação conjunta das instituições. Junto com a Fiocruz Amazônia, compõem o projeto pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz).

Foto: Divulgação/Fiocruz Amazônia

Carlos Eduardo destaca o papel estratégico da Plataforma para a viabilização da participação de pesquisadores da Fiocruz no programa.

A Plataforma Internacional para Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde da Fiocruz (PICTIS) está voltada para a consolidação de um centro internacional de investigação em saúde tendo como instituições líderes a Fiocruz e a Universidade de Aveiro, em Portugal. Ela gere e participa de atividades de ensino, pesquisa, desenvolvimento e inovação em saúde, com o objetivo de gerar novos produtos, processos e serviços, assim como participar na transferência e difusão de novos conhecimentos e tecnologias para o bem-estar da sociedade.

O pesquisador do Laboratório de Doenças Parasitárias do IOC/Fiocruz e do Laboratório Setorial One Health/Global Health da Plataforma Internacional para Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Paulo Peiter, destacou a importância da parceria entre os pesquisadores que integram o projeto e o engajamento das populações na iniciativa de vigilância transfronteiriça comunitária em saúde.

Pela Fiocruz Amazõnia, atuam no projeto os pesquisadores Sérgio Luz Bessa, José Joaquín Carvajal Cortes e Alessandra Nava, do Núcleo de Patógenos, Reservatórios e Vetores na Amazônia – PreV Amazônia, do Laboratório de Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA).  Também integram o Mosaic o Centro de Conservação Africano, do Quênia; da Universidade de Warszawski, da Polônia; da Universidade de Lisboa, de Portugal; do Centro Hospitalar de Caiena, da Guiana Francesa; do Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Ambiente, do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento e das Universidades de Perpignan, D’Aix Marselha e D’Artois, da França, Universidade de Brasília (UnB), Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e a Universidade Nacional da Colômbia.

“O Projeto Mosaic tem uma trajetória acompanhada com muita atenção por instâncias relevantes, no âmbito da União Europeia e no Brasil, a exemplo do Ministério das Relações Exteriores e Delegação da União Europeia em Brasília, além de outras instâncias da Fiocruz, nesta fase importante de construção de uma aliança estratégica ILMD, IOC, ICICTI e ENSP e os outros parceiros que constituem esse consórcio”, afirma o coordenador científico do PICTIS, José Cordeiro, observando que a primeira missão do Mosaic no Quênia foi exitosa e bem conduzida por todos os parceiros.

Foto: Divulgação/Fiocruz Amazônia

Tríplice fronteira

Na Tríplice Fronteira, o grupo se reuniu com pesquisadores e atores locais na Universidade Nacional da Colômbia, compartilhando experiências em vigilância em saúde, mudanças climáticas e projetos exitosos em sáude e melhoria e melhoria das condições de vida, envolvendo as comunidades que vivem no território transfronteiriço.

No segundo dia, a equipe realizou trabalhos de campo junto à unidade de Atenção Básica Upetana, em Tabatinga, pertencente ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Solimões, onde ocorreu roda de conversa com os pesquisadores do Projeto Mosaic e as parteiras da etnia Tikuna e foi feita a apresentação da cartografia social local pelos técnicos do DSEI, pertencentes à etnia Kokama e egressos do Programa Vigifront. As atividades também envolveram visitas ao Laboratório de Fronteira (Lafron), em Tabatinga, e ao Instituto Sinchi – Instituto Amazônico de Investigaciones Cientificas, em Letícia, cidade na Colômbia situada na fronteira com o Brasil.

Ensino técnico ajuda no combate ao êxodo rural no Acre

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Foto: Reprodução/YouTube – Amazon Sat

No Acre, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) tem contribuído através de cursos técnicos, na diminuição do êxodo rural, definido como o movimento migratório das populações que vivem no campo para outras regiões. Esses tipos de cursos, como os de zootecnia, desempenham um papel fundamental no desenvolvimento socioeconômico dessas áreas, segundo o Senar.

Cursos técnicos como os ofertados pelo Serviço Nacional, colaboram no atendimento às necessidades locais, capacitando e melhorando suas habilidades, aumentando a produtividade nas atividades agrícolas, na economia rural, na agroindústria e na turismo rural, sempre priorizando práticas sustentáveis.

A pedagoga e secretária escolar do Senar Acre, Katiane Lima, relata a importância da participação direta dos filhos dos produtores nos cursos técnicos de duas formas: na contribuição técnica do curso e na diminuição do fenômeno social do êxodo rural.

Foto: Reprodução/YouTube – Amazon Sat

De acordo com a equipe técnica pedagógica do Senar Acre, dentro da formação de zootecnia, por exemplo, o papel desempenhado é crucial na diminuição do êxodo rural, porque dentro dessa formação são abordados diversos fatores que capacitam os interessados a desenvolverem suas atividades de maneira mais eficiente e sustentável.

Foto: Reprodução/YouTube – Amazon Sat

O Senar introduz novas tecnologias e práticas agrícolas, que tornam a atividade rural mais viável e atraente. O órgão informa que realiza a promoção a conservação dos recursos naturais pensando na qualidade do solo, da água, nas competências e habilidades que são trabalhadas, dentro das atividades práticas e teóricas da formação técnica, explorando novas oportunidades de mercado.

Três projetos de jovens da Amazônia Legal recebem premiação internacional

Foto: Divulgação

Com o objetivo de transformar a realidade de suas comunidades, 107 jovens de todos os estados da Amazônia Legal participaram do UNLEASH Amazon Innovation Lab, programa que visa capacitar pessoas para desenvolver soluções inovadoras e sustentáveis em nível local. A iniciativa encerrou no sábado (19/10), com uma cerimônia de premiação no Palacete Provincial, no Centro de Manaus, que reconheceu os três melhores projetos com prêmios de R$ 15 mil e R$ 20 mil.

Leia também: Mais de 100 jovens da Amazônia participam de imersão para criação de soluções inovadoras e sustentáveis

Esta foi a primeira edição do UNLEASH Amazon Innovation Lab realizada nas Américas e Manaus foi escolhida para sediar a iniciativa inédita. O programa reuniu jovens de diversas populações tradicionais, incluindo indígenas, ribeirinhos, extrativistas e quilombolas, além de moradores de áreas urbanas, engajados em propor soluções para os desafios vividos em seus cotidianos.

Desde a última terça-feira (15/10), os participantes se encontraram na Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA), onde foram divididos em 27 equipes. Eles trabalharam em propostas focadas nos temas “Proteção e Responsabilidade Ambiental” e “Desenvolvimento Sustentável e Bioeconomia”, em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao longo dos cinco dias de atividades intensivas, com orientação de especialistas, os participantes trocaram experiências e conhecimentos, culminando em 27 projetos concretizados. A cerimônia de encerramento teve início com o “Festival de Soluções”, permitindo que todas as equipes apresentassem suas ideias em formato de pitching.

Das 27 soluções, oito foram selecionadas para a grande final. O projeto “Kisemun – Primeiro Viveiro de Manivas e Centro de Tradições da Mandioca em Roraima” conquistou o primeiro lugar por votação popular e recebeu um prêmio de R$ 20 mil.

Na trilha de Proteção e Responsabilidade Ambiental, o projeto “Turismo de Impacto: Compartilhe conhecimento, conecte-se à natureza e à cultura de comunidades ribeirinhas” foi premiado com R$ 15 mil, após a avaliação de um júri especializado no setor de inovação.

Foto: Divulgação

“Ainda estamos digerindo essa questão do projeto ter vencido. Conseguimos mostrar que nosso projeto tem viabilidade. A gente sai com uma grande lição: de sempre escutar a diversidade da cultura brasileira. Escutar, escutar e escutar para poder chegar a uma solução”, afirmou Nailson Gonçalves, integrante da equipe vencedora da trilha.

Também avaliado pelo júri especializado e premiado com R$ 15 mil, o projeto “Kunay Moda com Propósito – Empoderando Jovens de Comunidades Tradicionais por Meio da Moda” foi o vencedor da trilha de Desenvolvimento Sustentável e Bioeconomia.

“Eu não esperava que a gente ganhasse, mas acho que no sentido de inovação, não tem nada parecido com a proposta que a gente trouxe de empoderar esses jovens dessas comunidades, que muitas vezes não se sentem bonitos o suficiente para nos representar mundo afora”, afirmou o jovem líder indígena Ehn Xyn.

O júri especializado foi composto por Marcus Bessa, co-fundador do Impact Hub Manaus; Jeibi Medeiros da Costa, secretário executivo da pasta estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti); e Ashley Valle, diretora para America Latina e Caribe da empresa global de desenvolvimento sustentável Chemonics International.

“Fiquei muito feliz de participar desta oportunidade de linkar o conhecimento, a inovação e essa colaboração global. Isso me encanta. Umas das ideias que mais me encantaram aqui foi ver o renascimento do povo, muito do que criar ideias, eles se sentirem pertencentes às suas origens”, afirmou o secretário Jeibi Medeiros da Costa, integrante do júri.

Além dos projetos premiados, que receberam um incentivo em dinheiro para serem postos em prática, os demais terão a oportunidade de continuar seu desenvolvimento por meio de programas de incubação oferecidos pelas instituições: Impact Hub, Venture Hub, Fundação CERTI e Sebrae. O início das parcerias está previsto para as próximas semanas.

Besenbacher também exaltou a criatividade e o empenho que foram entregues pelos participantes para a solução das problemáticas vividas na região. “Esses novos talentos me dão uma grande esperança num futuro mais sustentável e inclusivo”, acrescentou.

José Fonseca Moura: uma ausência e uma saudade

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Foto: Reprodução/Youtube – Rui Alves

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Ouvimos dizer que uma das formas da manutenção e perpetuação da espécie humana é através da escrita biográfica, cuja materialização lhe promove a imortalidade, no olhar de seus leitores. Como artífice de muitos trabalhos, especialmente consertando rádio da Oficina Antena, na época de José Azevedo, José Fonseca Moura tomou para si, a tarefa muitas vezes árdua, porém sensível, de agasalhar nos seus pensamentos, no seu mundo interior, todos os motivos, todos os sonhos, especialmente sua crença em Nossa Senhora de Fátima e muito mais trabalhando duro para seu crescimento financeiro.

Foram ações que ele se dedicou carinhosamente, tudo quanto fez e promoveu na sua passagem entre nós. É neste apostolado de eleitos que o homem José Fonseca Moura trabalhou com a generosidade de seus talentos e ofereceu o labor humanamente inexplicável de toda sua arte de criar e recriar para aproximar amigos do seu convívio social.

Há quem construa na trajetória da vida a sua própria história. José Fonseca de Moura, hoje ausente de nosso convívio pessoal, pôde apresentar-se já a partir de sua inserção no mundo do trabalho e da luta pela sobrevivência, um exemplo de conquista. Feliz o homem que faz de seu existir um testemunho de luta diária para construir sua própria história, são seres desta estirpe que ajudam a vida a ser melhor. Foi essa ação constante, metódica, consciente, heroica algumas vezes e abnegada outras tantas, que forjou seu caráter, sua história, com tantas passagens importantes que ele conseguiu constituir o mútuo e legítimo orgulho de seus familiares.

São tantos os portugueses que dedicaram suas vidas ao Luso Sporting Club e a Sociedade Beneficente Portuguesa que acabaram escrevendo suas narrativas com linhas de ouro e que ficam marcadas nas águas do rio da memória, tão caudalosas são suas vidas que se confundem, com os rios da Amazônia.

José Fonseca de Moura foi diretor do Luso e da Beneficente em Manaus. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Histórias de vidas como se fossem o triângulo que movimenta nossas canoas na batida compassada e rítmica, nos remos que a faz deslizar. José Fonseca Moura é um desses portugueses que em busca de dias melhores, aportou em Manaus trazendo consigo a sua juventude e a saudade dos familiares que ficaram para trás em Portugal. Já se foram anos com a forte lembrança dos sábados à noite e dos domingos pela manhã que ele trabalhava como discotecário nas manhãs ensolaradas do Amazonas no Luso Sporting Clube.

No sábado era a noite do bolero e no domingo as manhãs de sol. José Fonseca Moura colocava toda sua sensibilidade musical trabalhando como discotecário, perlustrava uma verdadeira viagem musical. Outro momento que vale a pena lembrar é a sua participação nas pastorinhas, fato que até hoje é referência neste clube lusitano. Como diretor atuante passou por várias funções, inclusive tendo presidido o Conselho Deliberativo do Clube.

Homem sensível na percepção dos significados humanos, cuja generosidade estava sempre presente na sua melhor tradição na colônia portuguesa. Nasceu lá em além-mar, exatamente em Loriga, Portugal, tendo chegado a Manaus no dia 10 de março de 1963.

Trabalhador e homem simples, teve sua vida construída profissionalmente de início na empresa S. Monteiro, nos períodos de folga e finais de semana ajudava o Rádio Técnico José Azevedo na oficina de sua propriedade, Oficina Rádio Técnica Antena. Manaus foi para ele a descoberta, acredito para tantos outros portugueses, que acreditaram na realização e na vivência seguida do prazer da própria descoberta de um amanhã venturoso. José Fonseca Moura como tantos outros portugueses partilhou da ideia de construir sua trajetória de vida em outra pátria e configurando um modelo aplicável de que trabalhando é possível vencer. Em nenhum momento curvou-se diante dos problemas e das dificuldades, pois, problemas eram sempre comuns especialmente a saudade da família que logo fora superado.

Logo o coração buscou companhia e encontrou abrigo no calor humano da jovem Benvinda. Mulher, companheira, amiga que o recebeu em matrimônio e logo Deus lhe ofereceu as filhas: Ida Paula, Maria dos Anjos e Cinthia. Filhas que completaram argumentação de que se pode ser feliz em qualquer lugar deste mundo de meu Deus. Ela nasceu no dia 3 de maio de 1946 e faleceu no dia 11 de outubro de 2023.

Ida Paula Brandão, esposa de Ronaldo Tafuri Brandão, com quem teve os filhos Guilherme Moura Brandão e Leonardo Moura Brandão. Maria dos Anjos da Silva, casou-se com Hamilton Pereira da Silva Júnior, ficou viúva. Teve os filhos: Gabriella Duanne da Silva Moura e Hamilton José Pereira da Silva. E Cinthia da Silva Moura dos Reis, casada com Victor Pereira dos Reis, com quem teve as filhas Beatriz Moura dos Reis e Isabella Moura dos Reis.

Dona Benvida em companhia dos genros. Foto: Acervo da família

Loriga, a cidade de nascimento de José Fonseca Moura

Fundada originalmente no alto de uma colina entre ribeiras onde hoje existe o Centro Histórico da Vila. Loriga foi escolhida a mais de 2 mil anos devido à facilidade de defesa (uma colina entre ribeiras), a abundância de água e de pastos, bem como ao fato de as terras mais baixas providenciarem alguma caça e condições mínimas para a prática da agricultura. Desta forma estavam garantidas as condições mínimas de sobrevivência para uma população e povoação com alguma importância.

Última visita da família à Portugal. José Fonseca (à esquerda) com a família. Foto: Acervo da família

Quando os romanos chegaram, a povoação estava dividida em dois núcleos. O maior, mais antigo e principal, situava-se na área onde hoje existem a Igreja Matriz e parte da Rua de Viriato e estava fortificado com muralhas e paliçada. No local do atual Bairro de São Guinés, existiam já algumas habitações encostadas ao promontório rochoso, em cima do qual os Visigodos constituíram mais tarde uma ermida dedicada aquele santo.

Loriga era uma paróquia pertencente a Vigararia do Padroado Real e a Igreja Matriz foi mandada construir em 1233, pelo Rei Dom Sancho II. Esta Igreja, cujo orago (padroeiro) era já o de Santa Maria Maior e que se mantêm. De estilo romântico, com três naves e traça exterior lembrando a Sé Velha de Coimbra, esta Igreja foi construída pelo sismo de 1755, dela restando apenas partes das paredes laterais.

O sismo (terremoto) de 1755 provocou enormes estragos na vila, tendo arruinado também a residência paroquial e aberto algumas fendas nas robustas e espessas paredes do edifício da Câmara Municipal construído no século XII. Um emissário do Marquês de Pombal esteve em Loriga a avaliar os estragos, mas ao contrário do que aconteceu com a Covilhã (outra localidade serrana muito afetada em Portugal), não chegou do governo de Lisboa qualquer auxílio.

Após o século XVIII

Loriga é uma vila industrial (têxtil) desde a segunda metade do século XIX. Chegou a ser uma das localidades mais industrializadas da Beira Interior e a atual sede de conselho só conseguiu suplantá-la quase em meados do século XX. Tempos houve em que só a Covilhã ultrapassava Loriga no número de empresas.

Nomes de empresas, tais como: Regato, Redondinha, Fonte dos Amores, Tapadas, Fandega, Leitão & Irmãos, Augusto Luís Mendes, Lamas, Nunes Brito, Moura Cabral, Lorimalhas, etc, fazem parte da rica história industrial desta vila. A principal e maior avenida de Loriga tem o nome de Augusto Luís Mendes, o mais destacado dos antigos industriais loriguenses, apesar dos maus acessos, que se resumiam a velhinha estrada romana de Loriga numa vila industrial.

Foto tirada da “Penha dos Abutres” – Uma das Sentinelas Vigilantes e altivas de Loriga. Foto: Reprodução/Vila de Loriga

Porém, a partir da segunda metade do século XIX, como já foi mencionado, tornou-se um dos principais polos da Beira Alta, com a implantação, da indústria dos lanifícios (produtos de lã), que entrou em declínio durante a última década do século XX, o que está a levar a desertificação da Vila. Atualmente, a economia loriguense baseia-se nas indústrias metalúrgica e de panificação, no comércio, na agricultura e pastorícia.

Loriga e a sua região possuem enormes potencialidades turísticas e as únicas pistas e estância de esqui existentes em Portugal estão localizadas na Serra da Estrela, dentro da área da freguesia de Loriga.

Em termos de patrimônio histórico, destacam-se a ponte e a estrada romanas (século I a. C.), uma sepultura antropomórfica (século VI a. C.) chamada popularmente de caixão da moura, a Igreja Matriz (século XIII, reconstruída), o Pelorinho (século XIII, reconstruído), o bairro de São Ginês, a Rua de Viriato e a Rua da Oliveira.

A estrada romana e uma das duas pontes (a outra ruiu no século XVI após uma grande cheia na Ribeira de São Bento), com as quais os romanos ligaram Loriga, na Lusitânia, ao restante do império.

A Rua da Oliveira é uma rua situada no centro histórico da vila. A sua escadaria tem cerca de 80 degraus em granito, o que lhe dá características peculiares. Esta rua recorda muitas das características urbanas medievais. O Bairro de São Ginês, histórico de Loriga, tem características que o tornam um dos bairros mais típicos da vila. Curioso é o fato de este bairro dever o nome a São Gens, um santo de origem céltica martirizado em Arles, na Gália, no tempo do imperador Diocleciano. Com o passar dos séculos os loriguenses mudaram o nome do santo para São Ginês.

Vale ressaltar a importância dos imigrantes portugueses oriundos de Loriga ao Amazonas. Eram comerciantes importantes na praça de Manaus e no dia 5 de junho de 1909 fizeram publicar um jornal em número único que retratava a importância desses portugueses longe de sua pátria mãe.

Página original da edição única do jornal A Voz de Loriga. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Foram muitos recursos enviados a partir de Manaus contabilizados pelos loriguenses. Entre os melhoramentos levados a efeito em Loriga, destaca-se até uma canalização de água para abastecimento público (foto de destaque na matéria). Foi enviado para Loriga, importâncias em 1 mil reis, especialmente para implantação das fontes e pela necessidade da ausência de água encanada seus moradores se abasteciam nas fontes. Muito foi feito também para implantação da iluminação pública.

Outro fato interessante da contribuição dos Loriguenses residentes em Manaus, foi quando chegou as notícias do grande terremoto que sofreu Portugal. Logo começaram enviar recursos para país natal.

Crescia dia a dia o grande entusiasmo da Colônia Loriguense residentes em Manaus. Notícias chegadas de Loriga informavam sobre as quatro fontes que jorravam água cristalina. Vale lembrar que os loriguenses residentes em Belém do Pará também se uniram em prol de enviar recursos para atender a necessidade de Loriga, no entanto, Manaus se destacou, com número expressivo.

Os contribuintes de Manaus foram: Jeremias Pina, João Marques da Fonseca, Pedro d’Almeida, Emília Augusta, Dr. Manoel da Mota Veiga, estes sócios honorários.

Sócios contribuintes de Manaus: Emygdio Alves Nunes de Pina, Antônio Ambrósio de Pina, José Ambrósio de Pina, Abílio Diogo Gouveia, Albino Pinto Martins, Joaquim de Pina Monteiro, Antônio Duarte dos Santos, Alfredo de Moura Frade, João de Moura Pina, José Martins de Pina, Albano de Mello, José Pinto Matheus, Emílio Freire Mendes de Reis.

Sócios contribuintes em Belém do Pará: Manoel Nunes Ferreira, Antônio Diogo Gouveia, José Fernandes Maurício, Augusto Simões Carril, Antônio Apáricio Martins, Alexandre de Moura Galvão, Antônio de Moura Lemos, Manoel dos Santos Silva, Antônio Duarte Pina, João de Moura Pina.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

COP-16, na Colômbia, pouco avança em relação às metas do evento, “Paz com a natureza”

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Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A 16ª edição da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-16) começou nesta segunda-feira, 21, em Cali, Colômbia, e se estendeu até 1º de novembro. Com o tema “Paz com a Natureza” ajustado ao Dia Internacional da Diversidade Biológica, comemorado na terça-feira, 22, a ONU, organizadora do evento, espera que “todos tenham um papel a desempenhar: “os povos indígenas, as empresas, as instituições financeiras, as autoridades locais e regionais, a sociedade civil, as mulheres, os jovens e o meio acadêmico, que devem trabalhar em conjunto para valorizar, proteger e restaurar a biodiversidade de uma forma que beneficie a todos”. Segundo registros da Agência Brasil, “será a primeira COP da Biodiversidade após a estruturação do Marco Global de Kunming-Montreal (GBF – Global Biodiversity Framework, em inglês), assinado por 196 países em dezembro de 2022, durante o último encontro liderado pelos chineses e ocorrido no Canadá”.

O documento reúne 23 metas globais a serem alcançadas até 2030 em busca da regeneração de todo o conjunto de vida na Terra. De acordo com o documento base do GBF, quatro metas gerais a serem alcançadas até 2050 focam na saúde dos ecossistemas e das espécies, assim entendidos: a) Deter a extinção de espécies induzida pela ação humana, b) Promover o uso sustentável da biodiversidade, c) Garantir a partilha equitativa dos benefícios da biodiversidade e d) Reduzir a lacuna de financiamento da biodiversidade de US$ 700 bilhões por ano. Por outro lado, as vinte e três metas a serem alcançadas até 2030 incluem: a) Garantir a conservação de 30% da terra, mar e águas interiores; b) Restaurar 30% dos ecossistemas degradados pela ação humana; c) Reduzir pela metade a introdução de espécies invasoras e d) Reduzir US$ 500 bilhões/ano em subsídios prejudiciais à natureza.

No tocante às expectativas brasileiras quanto à nova COP estão sendo esperados debates relacionados ao alinhamento à Estratégia e Plano de Ação Nacional para a Biodiversidade (NBSAP – National Biodiversity Strategies and Action Plans, em inglês) pelos países ao GBF. A versão brasileira, elaborada e publicada em 2017, abrangendo o período 2010/2020, relaciona-se às metas de Aichi, aprovadas na COP-10, no Japão. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), embora as discussões sobre a atualização das EPANB no Brasil ainda não estejam esgotadas, a proposta está bastante avançada e as políticas públicas adotadas pelo governo federal já estão alinhadas ao compromisso internacional assumido pelo Brasil, incluindo “uma série de iniciativas que a gente espera poder divulgar e a partir delas construir intercâmbios, interações, parcerias e inclusive novos entendimentos”. O documento do MMA especifica que o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, parte central do Plano Clima, que por sua vez agrega ações para biodiversidade e de
enfrentamento à mudança climática, em um movimento tem sido defendido globalmente pelo Brasil”.

Como previsto na COP-29, o Marco Global de Kunming-Montreal provisionou US$200 bilhões anuais para financiar os esforços globais de conservação da biodiversidade. Há metas anuais estabelecidas, como os R$ 100 bilhões aprovados na COP-21, em Paris, recursos provenientes da parte obrigatória de financiamento dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento. Contudo, segundo o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apenas 23% dessas metas foram cumpridas até o primeiro semestre deste ano. O Brasil também participará da discussão sobre a eficiência do Fundo do Marco Global para a Biodiversidade (Global Biodiversity Framework Fund – GBFF, em inglês), gerido pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility – GEF), como forma de financiamento. Entretanto, o governo repassou até agora, para esse fim, apenas 1% do aporte previsto.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pesca esportiva: ministérios do Turismo e da Pesca vão mapear potencialidades do Pará

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Foto: Divulgação/Ideflor-Bio

Pelas suas características geográficas e diferentes biomas, o Brasil é reconhecidamente um país que apresenta as condições ideais para o desenvolvimento da pesca amadora e esportiva. Com o objetivo de fortalecer esse potencial, o Ministério do Turismo (MTur) e o Ministério da Pesca e Aquicultura firmaram um Acordo de Cooperação Técnica, visando a promoção de atividades turísticas relacionadas à pesca esportiva de maneira sustentável e responsável.  

A parceria está alinhada ao Plano Nacional de Turismo 2024/2027, buscando ampliar a oferta de experiências e produtos turísticos no segmento da pesca, além de fortalecer a cultura pesqueira em todo o território nacional. Por meio dessa iniciativa, os turistas e praticantes terão a oportunidade de vivenciar momentos únicos que combinam lazer, esporte e conexão com a natureza.  

O Pará apresenta um enorme potencial para o turismo de pesca, representado por inúmeras espécies de peixes alvo da pesca esportiva, tanto nacional quanto mundial, representados tanto em ambientes marinhos como em ambientes continentais. Assim como em destinos turísticos distribuídos pelos inúmeros rios, lagoas, lagos das hidroelétricas e região costeira, conhecida como região do Salgado.

Há espécies de enorme interesse desse turista de pesca na costa, na região do Salgado, como o robalo, a pirapema, pescada amarela e xaréu, que são foco da pesca esportiva mundial. Já na região continental o tucunaré, trairão e os peixes de couro em diversos rios atraem praticantes da atividade. “Nossa proposta é recolocar o Pará no cenário nacional e internacional da pesca esportiva. Esse é o desafio”, afirma o secretário de Turismo do Pará, Eduardo Costa.

Ele também destacou a importância dessa iniciativa para a região Norte: “A pesca esportiva é uma atividade com grande potencial de atrair turistas nacionais e internacionais, principalmente na Amazônia, que oferece cenários únicos e biodiversidade incomparável. Este mapeamento vai nos ajudar a consolidar esse segmento, promover nossos destinos e fortalecer a economia local por meio do turismo sustentável”, explica

A colaboração dos agentes locais será essencial para a elaboração desse mapeamento. O MTur solicitou que os pontos focais em cada estado preencham um formulário específico até o dia 31 de outubro de 2024, disponibilizando informações detalhadas sobre as experiências turísticas oferecidas. O formulário pode ser acessado na interne, e também aqui

Para consolidar essas ações, a Coordenação-Geral de Produtos e Experiências Turísticas do MTur lançará em breve a 12ª edição do Boletim de Inteligência de Mercado no Turismo (BIMT), com foco no Turismo de Pesca. A publicação terá como objetivo mapear as ofertas turísticas nas 27 unidades federativas, identificando os principais produtos e serviços disponíveis no segmento.  

O mapeamento realizado pelo BIMT será fundamental para subsidiar ações de promoção e marketing do turismo brasileiro, além de apoiar a comercialização das experiências relacionadas à pesca. O MTur reforça a importância da consulta a agentes receptivos e prestadores de serviços do setor, garantindo que o levantamento seja um retrato fiel da oferta disponível em cada destino. 

Dúvidas sobre o preenchimento do formulário ou o processo de mapeamento podem ser encaminhadas para o email produtos@turismo.gov.br

Estudo técnico sugere criação de Unidade de Conservação Municipal no Pará

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Foto: DGBio/IDEFLOR-Bio

A equipe da Diretoria de Gestão da Biodiversidade (DGBio) do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) concluiu, neste mês de outubro, o levantamento técnico no município de Concórdia do Pará, nordeste paraense, com o objetivo de criar uma nova Unidade de Conservação (UC) municipal.

Foto: DGBio/IDEFLOR-Bio

A área estudada, que possui aproximadamente 9 hectares, tem potencial para se tornar um Parque ou Bosque Municipal, com o nome previsto de Pedro da Mapema em homenagem ao antigo proprietário que doou a terra para preservação.

Os estudos, que incluíram inventários de fauna e flora, além de análises do meio físico, são parte fundamental do processo de criação da UC. A nova área protegida será gerida pela Prefeitura de Concórdia do Pará, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e caso os estudos indiquem a criação de um Bosque Municipal, será um dos primeiros no estado a ser instituído sob o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC), uma política implementada pelo Governo do Pará no final de 2024.

Parceria

A prefeita de Concórdia do Pará, Elisangela Celestino, participou ativamente do processo de alinhamento com a equipe do Ideflor-Bio e técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Para a gestora, a criação da UC será um avanço para o município, proporcionando não apenas a preservação da biodiversidade, mas também oportunidades de lazer e educação ambiental para a população local.

Foto: DGBio/IDEFLOR-Bio

O estudo contou ainda com reuniões entre a equipe técnica do Ideflor-Bio e representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, visando detalhar o processo de criação da UC.

Foto: DGBio/IDEFLOR-Bio

A criação dessa nova UC poderá abrir espaço para atividades de pesquisa científica, turismo ecológico e lazer, fortalecendo o papel do município no cenário ambiental do Pará. A área também deverá servir como um importante recurso para a educação ambiental, despertando na comunidade local a importância de preservar a natureza e proteger os recursos naturais.

Etapas

Os próximos passos no processo de criação da Unidade de Conservação incluem a consolidação dos estudos realizados e a elaboração dos documentos legais que serão submetidos à aprovação. Está prevista ainda uma audiência pública no início de 2025, onde a população de Concórdia do Pará poderá participar ativamente da criação da nova área protegida.

Se tudo correr conforme o planejado, o município de Concórdia do Pará estará prestes a se tornar um exemplo de gestão ambiental para outras regiões do estado, com a implementação de uma política que visa garantir a sustentabilidade e a proteção dos recursos naturais em parceria com o Governo do Pará, por meio do Ideflor-Bio.

*Com informações do Ideflor-Bio

Mel da florada do açaí possui altos teores de compostos antioxidantes

Foto: Ronaldo Rosa

O mel de abelhas africanizadas (Apis mellifera L.), produzido a partir da florada do açaizeiro, possui elevados níveis de compostos bioativos derivados da palmeira amazônica. Essas substâncias são reconhecidas por ter um papel importante na promoção e manutenção da saúde humana. A descoberta é resultado da análise e comparação de méis com origens em diferentes regiões do País e abre caminho para a valorização de um produto da sociobiodiversidade amazônica.

O artigo, intitulado ‘Evaluation of the Bioactive Compounds of Apis mellifera Honey Obtained from the Açai (Euterpe oleracea) Floral Nectar‘, foi publicado na revista científica Molecules por pesquisadores Embrapa, Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Para ser considerado um mel monofloral, o produto do trabalho das abelhas deve ter na sua origem a predominância de néctar da flor de uma determinada espécie vegetal. A legislação brasileira estabelece como critério para essa classificação a presença de pólen de uma única espécie superior a 45% em uma amostra de mel.

Essa concentração em um tipo de florada confere ao mel características únicas no sabor, aroma e cor, além de propriedades funcionais específicas. No caso do mel de açaí, as amostras coletadas no município de Breu Branco (PA) e Santa Maria (PA) foram analisadas e comparadas com méis monoflorais de quatro origens: mel de aroeira, de Minas Gerais; mel de cipó-uva, do Distrito Federal; mel de Timbó, do Rio Grande do Sul; e mel do mangue, do Pará.

De acordo com o pesquisador Daniel Santiago, da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e um dos autores, a escolha desses méis para comparação se deveu às reconhecidas propriedades funcionais e à presença de compostos bioativos que eles possuem, em especial o mel de aroeira, um dos mais valorizados do País.

Foto: Vinícius Braga

Benefícios à saúde

As análises revelaram que o mel de açaí possui elevada capacidade antioxidante. Entre as amostras, o mel monofloral da palmeira amazônica superou em quatro vezes o mel de aroeira na avaliação dessa atividade. “Isso sugere que os méis compostos predominantemente da florada do açaizeiro têm uma capacidade antioxidante mais forte, provavelmente devido a maiores concentrações de polifenóis e outros compostos bioativos”, afirmam os autores.

Outro autor do artigo, o professor da UFPA Nilton Muto, explica que os compostos bioativos, como os polifenóis presentes no mel de açaí, são substâncias encontradas em alimentos e, embora não sejam consideradas nutrientes essenciais (como vitaminas ou minerais), podem ter efeitos benéficos para a saúde. Eles ocorrem naturalmente em pequenas quantidades em plantas e animais e podem influenciar funções biológicas e processos metabólicos no organismo.

De acordo com a literatura científica, a maior concentração de compostos bioativos está relacionada à coloração do mel para um tom mais escuro. E isso se verificou na coloração das amostras de méis de açaí, que variaram de âmbar a âmbar escuro. Muto esclarece, no entanto, que outros fatores também podem influenciar a coloração escura do mel, como os processos de desumidificação e a maturação do produto. “No caso do mel de açaí, ele fica escuro, quase totalmente negro, o que acaba se tornando um atrativo para o produto”, avalia.

Quanto ao sabor do mel de açaí, o professor afirma que o produto foi muito bem avaliado pelos grupos de voluntários e analistas sensoriais. Ele não chega a ser tão doce quanto os demais e possui notas de café.

As análises da pesquisa também confirmaram a presença de vários compostos bioativos que a literatura científica relaciona a propriedades anti-inflamatórias, antibacterianas, antimicrobianas e antitumorais no mel de açaí. Segundo Muto, a verificação dessas capacidades já é objeto de outras pesquisas em andamento.

Foto: Vinícius Braga

Atividade com potencial de expansão

Impulsionados pelo crescente preço do fruto, os plantios de açaizeiro têm se expandido no Pará e os produtores têm buscado formas de incrementar a produtividade por meio da polinização dirigida. Nesse processo, as abelhas são introduzidas nos locais de plantio para que visitem as flores e realizem a polinização.

No Pará, as abelhas que melhor desempenham o papel de polinizar o açaizeiro são as espécies nativas, conhecidas como abelhas sem ferrão. No entanto, o pesquisador da Embrapa explica que, como não existe um mercado estabelecido para oferecer colmeias de abelhas sem ferrão, a alta procura inviabilizou o acesso a muitos agricultores interessados na polinização dirigida do açaizeiro. “Há lugares onde uma colmeia de abelha sem ferrão chega a custar 600 reais”, exemplifica.

Dessa forma, uma alternativa utilizada pelos produtores de açaí para a polinização dirigida tem sido a criação de abelhas da espécie Apismellifera, conhecidas popularmente como africanizadas, por se tratar de um híbrido oriundo do cruzamento de raças europeias e africanas.

Elas são maiores que as nativas, o que representa uma desvantagem no contato com as flores pequenas do açaí, e visitam bem mais as flores masculinas que as femininas. “Ainda assim, as abelhas africanizadas possuem um raio de ação maior, que pode chegar a 1.500 metros, o que favorece que sejam colocadas nas bordas dos cultivos”, pontua.

De acordo com Santiago, ainda não há dados científicos sobre a efetividade da polinização dirigida com abelhas africanizadas para o cultivo do açaí, apenas a percepção positiva dos produtores.

Em 2023, o Brasil produziu 64 mil toneladas de mel. À região amazônica, coube aproximadamente 2% desse total, dos quais o Pará figura com 1,5%. De acordo com o pesquisador, a atividade da apicultura tem grande potencial de ampliação no estado e hoje envolve cerca de 3 mil famílias. “Considerando que o açaí se transformou em um produto internacionalmente conhecido, é possível que osderivados relacionados à identidade dessa fruta também contribuam para aprimorar a apicultura da região”, conclui.

Artigo é resultado de pesquisa integrada sobre a biodiversidade da região

O estudo das propriedades do mel de açaí é fruto da parceria entre a Embrapa Amazônia Oriental, produtores e academia. No Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia, ligado ao Parque de Ciência e Tecnologia Guamá e à Universidade Federal do Pará (UFPA), alunos e professores investigam as possibilidades de novos produtos a partir da biodiversidade da região, enquanto em propriedades de agricultores e na Embrapa aprendem sobre o manejo de abelhas, nativas e africanizadas, e sua relação com a polinização de cultivos. O tema foi trabalhado pelo projeto Agrobio, financiado pelo Fundo Amazônia/BNDES.

Para ela, a descoberta de uma ampla variedade de compostos bioativos no mel de açaí indica um caminho para a produção de ciência com base na biodiversidade da Amazônia. “É um ponto de partida para estudarmos futuramente aplicações em novos produtos”, conclui.

Também assinam o artigo Jéssica Lyssa Araújo, Marly Souza Franco, Camilla Mariane Moura de Souza, Daniel Santiago Pereira, Cláudia Quintino da Rocha, Hervé Rogez e Nilton Akio Muto.

*Com informações da Embrapa