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Pesquisa aponta contaminação de peixes em rios amazônicos por microplásticos

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Foto: Reprodução/UFMT

98% dos peixes de 14 espécies que habitam os riachos amazônicos têm algo em comum: microplásticos no trato gastrointestinal e nas brânquias. Esse foi o resultado de pesquisa realizada pela professora Danielle Regina Gomes Ribeiro-Brasil, do Laboratório de Ecologia e Conservação de Ecossistemas Aquáticos (Lecea), vinculado ao Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) do Câmpus do Araguaia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O artigo ‘Dos rios e mares à mesa: peixes contaminados’ faz parte do relatório “Fragmentos da destruição: Impactos do plástico na biodiversidade marinha brasileira” , publicado pela Oceana Brasil.

O artigo indicou que polietileno, polipropileno, polietileno tereftalato, poliestireno e cloreto de polivinila representam 90% dos polímeros plásticos usados e dão origem à maioria dos microplásticos encontrados nesse ambiente. 

Além desses números, a situação do Brasil não é nada confortável: além de ser o maior poluidor da América Latina, o país é o oitavo maior do mundo, cenário composto pelo descarte de 1,3 milhões de toneladas de plástico por ano no oceano.

“A Oceana Brasil é uma organização não governamental (ONG) dedicada à proteção e preservação dos oceanos e das suas espécies marinhas. A Oceana Brasil atua em diversas frentes para promover o uso sustentável dos recursos marinhos e a proteção de ecossistemas críticos. A importância social dos estudos publicados no relatório ‘Fragmentos da destruição: Impacto do plástico na biodiversidade marinha brasileira’ da Oceana Brasil envolve aspectos de conscientização e educação ambiental. Ao divulgar informações relevantes de forma acessível, a Oceana ajuda a mobilizar cidadãos em prol da conscientização ambiental e preservação do ambiente. Além disso, há uma influência política, uma vez que o referido relatório pode auxiliar com dados científicos na regulamentação para a proteção dos oceanos e sua biodiversidade”, explica a docente.

Perigo em cadeia

A pesquisa afirma que o artigo mostra que os centros urbanos contaminam de diversas formas o ambiente aquático e os peixes de riachos estão se alimentando do que os centros urbanos estão jogando no ambiente. 

“Falando da ictiofauna especificamente, estes peixes de riachos são peixes pequenos (em média dez centímentros de comprimento) popularmente denominados de piabas, algumas populações não se alimentam deles, as que se alimentam consomem eles fritos inteiros; esses peixes possuem uma importância ecológica muito grande, se alimentam de larvas de mosquitos, por exemplo, então fazem o controle biológico de vetores de doenças. Se estes peixes reduzirem a sua função no ambiente, poderá haver a proliferação em massa das larvas do mosquito da dengue e esses mosquitos irão infectar os centros urbanos das proximidades. Sendo assim, o relatório mostra a importância da preservação da biodiversidade aquática dos riachos”, explica a docente.

Sobre o impacto dos microplásticos nos organismos dos peixes, a pesquisadora explica que eles podem se distribuir por todo o organismo, a depender do tamanho da partícula.

“Partículas pequenas, menores que um milímetro, são mais fáceis de prender-se nas brânquias dos peixes e isto interfere nas trocas gasosas e transporte de íons para a respiração dos peixes. Além disso, interfere na captação de fonte alimentar para peixes filtradores. Partículas pequenas, de um a cinco milímetros, por exemplo, que ocupa o estômago de um peixe grande, tem efeito diferente de partículas que ocupam o estômago de peixes pequenos. As partículas ocupam o espaço de um item alimentar, causando a falsa sensação de saciedade, reduzindo o esforço de alimentação das espécies. É importante lembrar que os microplásticos não são nutritivos, irão reduzir a capacidade natatória e de reprodução das espécies. Além disso, há estudos mostrando que os microplásticos causam estresse oxidativo, alterando o sistema de defesa antioxidante”, finaliza.

Acesse a integra do Relatório “Fragmentos da destruição: Impactos do plástico na biodiversidade marinha brasileira”

*Com informações da UFMT

Degradação da Amazônia passa dos 20 mil km² em setembro e é a maior em 15 anos

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Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

A degradação florestal explodiu na Amazônia em setembro e chegou aos 20.238 km², o que equivale a mais de 13 vezes a cidade de São Paulo. Essa foi a maior área atingida pelo dano ambiental dos últimos 15 anos. Destruição que ameaça gravemente a biodiversidade amazônica, um dos temas discutidos neste momento na Conferência das Nações Unidas para a Diversidade Biológica, a COP 16, em Cali, na Colômbia.

Os dados são do instituto de pesquisa Imazon, que monitora o desmatamento e a degradação florestal na Amazônia por imagens de satélite desde 2008 e 2009, respectivamente. Em relação a setembro do ano passado, quando a área degradada foi de  1.347 km², houve um aumento de 15 vezes. 

A pesquisadora do Imazon Larissa Amorim explica que o desmatamento ocorre quando a vegetação é totalmente removida e a degradação quando a floresta é afetada pela exploração madeireira ou pelas queimadas, ambos danos ambientais que ameaçam espécies da fauna e da flora.

SAD Degradacao Serie Historica Setembro - Degradação da Amazônia passa dos 20 mil km² em setembro, a maior em 15 anos
Foto: Divulgação/ Imazon

Além disso, setembro foi o quarto mês consecutivo com aumento nas áreas degradadas. Fato que contribuiu para que o acumulado desde janeiro também fosse o maior dos últimos quinze anos, atingindo 26.246 km². Antes disso, o recorde para o período era de 2022, quando a degradação somou 6.869 km². Ou seja: quase quatro vezes menos do que em 2024.

SAD Degradacao Serie Historica Acumulado Janeiro a Setembro - Degradação da Amazônia passa dos 20 mil km² em setembro, a maior em 15 anos
Foto: Divulgação/ Imazon

Pará concentrou 57% da degradação em setembro

Apenas o Pará registrou 57% das áreas de floresta degradadas na Amazônia. No estado, a degradação passou de 196 km² em setembro de 2023 para 11.558 km² no mesmo mês deste ano, quase 60 vezes mais. E sete dos 10 municípios que mais degradam a região são paraenses, incluindo os três primeiros: São Félix do Xingu (3.966 km²), Ourilândia do Norte (1.547 km²) e Novo Progresso (1.301 km²).

Os outros estados com percentuais significativos de áreas degradadas em setembro foram: Mato Grosso (25%), Rondônia (10%), Amazonas (7%), com destaque negativo para Rondônia. Nesse estado, a degradação pasou de 50 km² em setembro de 2023 para 1.907 km² no mesmo mês de 2024, uma alta de 38 vezes.

Ranking com os municípios mais degradados em setembro de 2024

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1São Félix do XinguPA3966
2Ourilândia do NortePA1547
3Novo ProgressoPA1301
4Peixoto de AzevedoMT1144
5AltamiraPA1131
6ParauapebasPA745
7Cumaru do NortePA737
8VilhenaRO684
9ItaitubaPA552
10ComodoroMT531
Fonte: Reprodução/Imazon

Também foi o Pará que registrou a maior quantidade de unidades de conservação com degradação no período. Sete dos 10 territórios com as maiores áreas degradadas ficam no estado.

Ranking com as unidades de conservação mais degradadas em setembro de 2024

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1APA Triunfo do XinguPA1030
2Flona do JamanximPA670
3APA do TapajósPA165
4Flona de AltamiraPA124
5APA Santa RosaMT104
6Parna do Rio NovoPA102
7Parna do JamanximPA77
8Rebio Nascentes da Serra do CachimboPA67
9Parna MapinguariAM/RO55
10PES Cristalino IIMT53
Fonte: Reprodução/Imazon

Já entre as terras indígenas, a Kayapó segue pelo segundo mês consecutivo como a mais degradada. O território concentrou 17% de toda a área com degradação na Amazônia em setembro, com 3.438 km² afetados.

Ranking com as terras indígenas mais degradadas em setembro de 2024

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1KayapóPA3438
2Xikrin do CatetéPA670
3MenkragnotiPA/MT746
4AripuanãRO/MT646
5Capoto/JarinaMT594
6RooseveltRO/MT388
7KayabiPA/MT284
8XinguMT245
9Vale do GuaporéMT229
10Tapirapé/KarajáMT220
Fonte: Reprodução/Imazon

Desmatamento em setembro é o oitavo maior da série histórica

A derrubada também cresceu na Amazônia e teve o quarto mês seguido com alta. Em setembro de 2024, um território de 547 km² foi impactado, o que equivale a perda 1.823 campos de futebol por dia de floresta. Essa área, porém, foi apenas 0,2% maior do que em 2023, quando foram degradados 546 km².

Já ao se observar o acumulado de janeiro a setembro, a área desmatada foi de 3.071 km², a oitava maior da série histórica.

SAD Acumulado do desmatamento Janeiro a Setembro SAD de 2024 - Degradação da Amazônia passa dos 20 mil km² em setembro, a maior em 15 anos
Foto: Divulgação/ Imazon

Dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, três concentraram 83% de todo o desmatamento identificado em setembro. O Pará liderou com 52% da devastação, seguido pelo Amazonas com 16% e pelo Acre com 15%. Além disso, sete dos dez municípios que mais desmataram são paraenses.

Municípios mais desmatados (km²) – SAD setembro de 2024

RankingNome EstadoÁrea (km²)
1UruaráPA27
2FeijóAC21
3PrainhaPA20
4PacajáPA16
5PortelPA16
6MedicilândiaPA16
7PlacasPA16
8LábreaAM15
9Porto VelhoRO12
10AlmeirimPA12
Fonte: Reprodução/Imazon

O Pará também reuniu sete dos dez assentamentos e sete das dez unidades de conservação com as maiores áreas destruídas. Já entre as dez terras indígenas mais desmatadas, três estão integralmente no Pará e outras três têm parte da sua área no estado. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Número recorde: Mato Grosso, Pará e Amazonas tem áreas de matas mais impactadas pelo fogo em 2024

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Focos de queimadas no parque indígena do Xingu, Pará. Foto: Reprodução/Google Earth

Mapeamento feito pela Embrapa das áreas impactadas pelas queimadas durante o período de seca no Brasil em 2024 revela que os principais focos ocorreram em áreas de formação florestal, principalmente na Amazônia e no Pantanal matogrossense.

Durante a estiagem de 2023, foram registrados cerca de 90 mil focos de calor no País. Em 2024, esse número foi superior a 200 mil entre os meses de maio até o fim de setembro, com forte intensificação da incidência de queimadas em agosto, segundo o pesquisador (Figura 4).

Figura 4

“Identificados pelo sensor Modis, embarcado nos satélites Aqua e Terra, seis municípios brasileiros tiveram mais de 5 mil focos de calor, dentro e fora de áreas de matas”, informa Guimarães. São eles: São Félix do Xingu (PA), com 7.657 focos de queimadas; Altamira (PA), com 6.687 focos no mesmo período; Apuí (AM), com 5.906 focos; Corumbá (MS), totalizando 5.860 registros; Novo Progresso (PA), com 5.498 queimadas; e Lábrea (AM), chegando a 5.205 focos (Figura 3). As imagens do sensor Modis, de Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer, são analisadas pelo Programa Earth Science Data Systems (ESDS) da agência espacial norte-americana (Nasa) e distribuídas em diferentes formatos em seu site. “Os pontos com cores quentes vistos nas imagens são as queimadas”, explica o cientista da Embrapa.

Figura 3

Na visão de Guimarães, o cenário de forte estiagem visto em 2024, em que as queimadas atingiram com maior intensidade as áreas com formação florestal no Brasil, apresenta peculiaridades e desafios para a recuperação desses biomas.

Impacto na agricultura

As áreas agrícolas também foram muito afetadas, e os canaviais os mais impactados, com a ocorrência de mais de quatro mil focos de queimadas em 2024 (Figura 5) – em 2023, foram registrados 650 focos, segundo o pesquisador. “Veremos perdas tanto pela ação do fogo quanto pela queda de produtividade causada pelo estresse hídrico”, apresenta. Segundo Guimarães, a forte estiagem terá impactos na próxima safra.

“As áreas de cultivo de soja se encontravam em época de pousio e as perdas estão relacionadas com a queima da matéria orgânica e da cobertura do solo. Já as lavouras de café tiveram baixa incidência de queimadas, mas terão forte impacto devido à deficiência de água na zona radicular. Condição similar ocorre nas áreas de fruticultura”, relata Guimarães.

Figura 5

Eventos extremos

A chegada do período chuvoso em grande parte do País na segunda semana de outubro marcou o fim da estiagem que causou a maior incidência de queimadas no Brasil, com enormes prejuízos econômicos e danos ambientais incalculáveis. De acordo com Guimarães, a intensidade das estiagens está sendo avaliada com base na extensão do período sem chuvas e na atuação do fenômeno El Niño Oscilação Sul (Enso).

“Isso conduz a erros de interpretações e atrasos na tomada de ações para mitigar os danos causados pela seca, como verificado nessa última estação de estiagem. As chuvas ocorridas nas regiões Sudeste e Nordeste ficaram próximas das normais climatológicas; na Região Sul foram maiores que as médias históricas; já na Região Norte ficaram abaixo da média. Essas variações sazonais e a condição de neutralidade da temperatura do Pacífico desde o início de maio não serviram de alerta para a tragédia que se avizinhava”, explica Guimarães (Figura 1).

Figura 1

Segundo o pesquisador, a forte estiagem foi ocasionada pela perda de água dos solos em razão das altas temperaturas, dos baixíssimos índices de umidade relativa do ar e da ação dos ventos, causando uma estação de inverno atípica, com secagem precoce das gramíneas e uma perda excessiva de folhagem nas áreas florestais.

Figura 2

Medidas de prevenção

Daniel Guimarães comenta que os eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes, com catástrofes causadas pelas chuvas como as ocorridas na Região Sul do País, e as estiagens, que atingiram áreas enormes. “Porém, nossas bases de informações, principalmente as obtidas a partir de sensores orbitais, são suficientes para o monitoramento em tempo real e para orientar as tomadas de decisões mais assertivas”, diz.

O pesquisador reforça que as condições de umidade dos solos e os níveis de estresse da vegetação permitem que ações sejam tomadas, como campanhas educativas, proibição do uso de queimadas e ações de fiscalização, com pelo menos dois meses antes do período crítico. “A mitigação desse problema nacional depende do monitoramento e da previsão das condições climáticas, da análise da geolocalização dos focos de incêndios em tempo real em integração com as bases de relevo, uso do solo e Cadastro Ambiental Rural (CAR), além da fiscalização das áreas de risco com o apoio de sensores remotos”, conclui.

*Com informações da Embrapa

Biólogo alerta que mudanças climáticas e modelo econômico ameaçam saúde na Amazônia

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Foto: Abel Rabelo/Ministério da Saúde

A avaliação é do biólogo Wilsandrei Cella professor adjunto do Centro de Estudos Superiores de Tefé da Universidade do Estado do Amazonas (Cest/UEA), que participou do VIII Congresso Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, organizado pela Universidade Paranaense (Unipar).

O evento, que ocorreu no dia 24 de outubro, reuniu especialistas de países como Paraguai, Portugal e Estados Unidos para debater avanços e desafios globais em ciência, tecnologia e inovação. Durante o congresso, o professor palestrou sobre “Doenças Tropicais Negligenciadas no Bioma Amazônico X Atual Modelo de Desenvolvimento Econômico da Amazônia Legal e Mudanças Climáticas”, e discutiu os desafios enfrentados neste bioma devido ao avanço das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs). Segundo Cella, o atual modelo econômico da Amazônia Legal, aliado às mudanças climáticas, prejudica o controle dessas doenças socialmente determinadas (DSDs), o que exige uma reavaliação das políticas de desenvolvimento regional.

Dados de pesquisa

Na ocasião, Cella também apresentou dados da pesquisa intitulada “Morphometry of the Wings of Anopheles aquasalis in Simulated Scenarios of Climate Change”, que investiga como as mudanças climáticas podem alterar as características morfológicas de insetos vetores.

Os resultados indicam que as transformações ambientais estão modificando essas características, o que pode intensificar a disseminação de algumas DSDs transmitidas por vetores e impactar diretamente a epidemiologia da malária em escala global.

A participação do professor no congresso reforça a necessidade urgente de estudos científicos interdisciplinares que explorem a convergência entre desenvolvimento econômico, mudanças climáticas e saúde pública na Amazônia, em um momento de intensas transformações no bioma.

Cella destaca que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que ocorrerá em Belém em 2025, representa uma oportunidade única para o Brasil mostrar ao mundo o potencial dos produtos da biodiversidade amazônica.

*Com informações da UEA

Pesquisa destaca potencial das libélulas para impulsionar ecoturismo de base comunitária na Amazônia

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Exemplar de libélula encontrada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. Foto: Acervo da pesquisa

Estudo inédito, realizado por uma equipe de cientistas da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade do Algarve (UAlg), de Portugal, revela que as libélulas, insetos pertencentes à ordem Odonata, podem desempenhar um papel fundamental na promoção do ecoturismo de base comunitária na Amazônia brasileira.

Os resultados da pesquisa, publicados na revista Global Ecology and Conservation, destacam a importância do conhecimento ecológico tradicional e da participação comunitária no desenvolvimento de iniciativas de conservação em áreas protegidas na Amazônia.

A pesquisa é detalhada no artigo “Neotropical dragonflies (Insecta: Odonata) as key organisms for promoting community-based ecotourism in a Brazilian Amazon conservation area”, que tem como autores os cientistas Mayerly Alexandra Guerrero-Moreno (Ufopa), Leandro Juen (UFPA), Miguel Puig-Cabrera (UAlg), Maria Alexandra Teodósio (UAlg) e José Max Barbosa Oliveira Junior (Ufopa).

De acordo com os pesquisadores, a incorporação de insetos no ecoturismo aumenta a conscientização sobre sua importância nos ecossistemas. No entanto, a inclusão desse grupo em atividades ecoturísticas ainda é rara, mas com grande potencial.

Por isso, táxons emblemáticos, como as libélulas, conhecidas na Amazônia como jacinas, com perfis de alta popularidade, podem fomentar o interesse de públicos de todas as idades em relação a outros invertebrados, o que é vital, dada a atual perda de biodiversidade.

O estudo foi realizado na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, situada na Amazônia brasileira, onde foram entrevistados 415 líderes e moradores indígenas e não indígenas, revelando que 98,55% dos participantes reconhecem esses organismos e atribuem a eles valores estéticos, ambientais, culturais e econômicos. “Esse estudo faz parte do INCT Sínteses da Biodiversidade Amazônica e do PPBIO Amazônia Oriental, que buscam promover essa integração, pois acreditamos que ela seja essencial para a conservação da biodiversidade e para o desenvolvimento sustentável”, afirma Leandro Juen, um dos autores do artigo.

Segundo o estudo, 96,38% dos participantes afirmaram que atividades de ecoturismo atuais não incluem informações sobre invertebrados. Essa lacuna poderia ser preenchida pelo uso das libélulas como atrativos ecoturísticos, dadas suas características chamativas, cores vibrantes e voo elegante.

A maioria dos entrevistados manifestou interesse em observar libélulas (99,04%) e participar no desenvolvimento de atividades ecoturísticas com Odonata (89,88%), indicando que sua inclusão no ecoturismo de base comunitária poderia aumentar a conscientização ambiental e proporcionar uma nova fonte de renda para as comunidades da reserva.

A pesquisadora destaca ainda que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem o programa Monitora, que avalia a biodiversidade em áreas protegidas, incluindo o uso das libélulas como indicadores ambientais. “Integrar essas iniciativas com o ecoturismo comunitário pode fortalecer a proteção ambiental e a valorização cultural na região”, afirma.

Professor do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA) e do PPGSND, ambos da Ufopa, José Max Oliveira Júnior afirma que o ecoturismo de base comunitária, centrado em Odonata, não só tem o potencial de atrair turistas, mas também de promover a participação e o empoderamento de populações indígenas e não indígenas que habitam a reserva.

Para garantir que o ecoturismo com libélulas seja benéfico e sustentável, os pesquisadores enfatizam a necessidade de desenvolver políticas públicas, programas de financiamento e suporte técnico que possibilitem o desenvolvimento dessas iniciativas pelas comunidades locais. A pesquisa aponta ainda que a implementação de programas educacionais e de treinamento é essencial para preparar as comunidades para a gestão dessas atividades, promovendo um turismo sustentável e inclusivo.

Confira o artigo completo (em inglês): https://doi.org/10.1016/j.gecco.2024.e03230.

*Com informações da Ufopa

Título de Doutor Honoris Causa é aprovado pela UERR ao Trio Roraimeira por promoção da cultura regional

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Trio Roraimeira completa 40 anos. Foto: Divulgação/Semuc

A Universidade Estadual de Roraima (UERR) aprovou a concessão do título de Doutor Honoris Causa aos artistas Eliakin Rufino, Neuber Uchôa e Zeca Preto, que compõem o Trio Roraimeira. A honraria é a maior concedida por instituições de ensino superior no país.

Com 40 anos de uma união artística que se consolidou como o Movimento Roraimeira, um marco na cultura roraimense, o grupo musical foi reconhecido pela “sua atuação na promoção da cultura e da música regional”.

Leia também: Caldeirão de culturas e valorização regional: Movimento Roraimeira completa 40 anos

A honraria será entregue no dia 11 de novembro, no aniversário de 19 anos da instituição. A solicitação foi feita pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática (Ppgec), em conjunto com outros programas de ensino da universidade estadual, ao Conselho Universitário.

Criado em 1984, o Movimento Roraimeira surgiu da genialidade de Zeca, Neuber e Eliakin, e uniu músicos, escritores, poetas e artistas visuais do Norte do país, tendo na música a expressão mais marcante.

A honraria de Doutor Honoris Causa não será o primeiro título do trio. Entre os louros colhidos durante as décadas de carreira, está a maior honraria dada a um artista no Brasil: a medalha da Ordem do Mérito Cultural, concedida ao trio em 2018. Hoje, eles são “cavaleiros da cultura brasileira”.

O trio Roraimeira surgiu como uma oportunidade de mostrar a beleza de Roraima tanto para trazer alegria para o coração do roraimense quanto para atrair turistas. Entre os monumentos naturais destacados nas composições do trio estão pontos turísticos como a Pedra Pintada, o lago Caracaranã, além da cultura indígena e das comidas e cheiros da terra de Makunaima.

Durante as quatro décadas de carreira o trio viveu muitos momentos especiais e importante para o Movimento Roraimeira, como em 1996 e 1998, quando Zeca Preto e Neuber Uchôa fizeram show na Suíça e o Eliakin Rufino se apresentou na Alemanha, levando a cultura roraimense para a Europa.

Além de shows internacionais, eles fizeram turnê pelo Norte do Brasil e apresentações no Rio de Janeiro e em Curitiba. O trio também teve músicas regravadas por artistas nacionais, como Gaby Amarantos, que regravou “Pimenta com Sal”, uma composição de Eliakin Rufino.

Estudante do Amapá que criou adubo com carcaça de caranguejo é premiada e vai aos EUA

Foto: Reprodução

A estudante amapaense Ana Clara Souza, de 16 anos, foi premiada nesta segunda-feira (28) durante a Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), em Novo Hamburgo (RS). Ela apresentou um projeto que criou um fertilizante para plantações de soja a partir da carcaça do caranguejo-uçá.

Leia também: Estudante amapaense cria fertilizante com carcaça de caranguejo

O projeto “K+: análise da farinha do processamento da carcaça do caranguejo-uçá como uso orgânico para fertilizantes na sojicultura” ficou em primeiro lugar na categoria “Ciências Animais e das Plantas”.

Com a premiação, a estudante do primeiro ano da Escola Alexandre Vaz Tavres, em Macapá, vai representar o país na Feira Internacional de Ciências e Engenharia (ISEF, traduzido do inglês), que ocorrerá em maio do ano que vem nos Estados Unidos.

O projeto é voltado para o melhoramento da produção do grão com o uso de resíduos orgânicos encontrados na região.

Foto: Aldeni Melo

O projeto foi desenvolvido no laboratório de ciências da Escola Estadual Irmã Santina Rioli, em Macapá, onde Ana Clara estudou até o ano passado. Atualmente é ela é aluna da Escola Estadual Alexandre Vaz Tavares, também na capital.

A ideia recebeu orientação do professor Giovanne Tavares Ferreira e coorientação do professor Aldeni Melo. Para participar da Mostratec, o projeto foi aprovado e premiado na Mostra Amazônica, que ocorreu no fim de setembro em Macapá.

Para a produção da farinha do caranguejo-uçá, a aluna coletou carcaças e triturou no laboratório da escola. Foram realizados testes químicos e de amostragem de solo com o cultivo de alface e soja para analisar a biomassa produzida e a eficiência da farinha.

A proposta é criar uma alternativa inovadora para o melhoramento da produção de grãos como fonte de renda para moradores de comunidades do interior do estado.

Para testar a proposta, a aluna introduziu a agricultura da soja em uma comunidade com limitações de acesso.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

COP 16: parlamentares lançam declaração para proteção da biodiversidade global

Foto: André Aroeira/MMA

Parlamentares de Brasil, Reino Unido, Argentina, Equador, Peru, Sri Lanka, Venezuela, Bolívia, Quênia e Colômbia aderiram à Declaração de Cali na COP16, uma iniciativa que busca fortalecer o papel dos países na criação de políticas eficazes para a conservação da biodiversidade global.

A declaração, que foi concluída com a assinatura de 18 pontos durante o encontro em Cali, na Colômbia, reafirma o compromisso com a implementação efetiva do Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal (GBF, na sigla em inglês), fortalecendo marcos legislativos, bem como o aumento do financiamento para a conservação e o monitoramento contínuo das políticas ambientais.

Na COP15, no Canadá, foram definidas 23 metas para 2030 que objetivam deter e reverter a perda de biodiversidade para colocar a natureza em um caminho de recuperação para o benefício das pessoas e do planeta, conservando e usando de forma sustentável a biodiversidade e garantindo a distribuição justa e equitativa dos benefícios do uso de recursos genéticos.

O GBF inclui medidas específicas, como colocar 30% do planeta e 30% dos ecossistemas degradados sob proteção até 2030, reduzir pela metade a introdução de espécies invasoras e reduzir US$ 500 bilhões por ano em subsídios prejudiciais à natureza.

Foram estipuladas também quatro metas gerais a serem alcançadas até 2050, com foco na saúde dos ecossistemas e das espécies: deter a extinção de espécies induzida pela ação humana; promover o uso sustentável da biodiversidade; garantir a partilha equitativa dos benefícios da biodiversidade e reduzir a lacuna de financiamento da biodiversidade de US$ 700 bilhões por ano.

Países amazônicos

Parlamentares amazônicos de seis países, incluindo o Brasil, entregarão uma carta aberta a Muhamad pedindo para que a declaração final da Conferência faça um apelo para que os países “saiam gradualmente dos combustíveis fósseis” na Amazônia e em outros ecossistemas.

De acordo com o documento, “a crise climática e a perda de biodiversidade estão intrinsecamente relacionadas, e a extração continuada de petróleo, gás e carvão segue sendo um dos principais motores de ambas. O vínculo entre a exploração de combustíveis fósseis e a degradação de ecossistemas não apenas agrava os impactos das mudanças climáticas, mas também coloca em risco a integridade de zonas vitais para a biodiversidade global, como o bioma Amazônico”.

A iniciativa é liderada por um Comitê da Rede de “Parlamentares por um futuro livre de combustíveis fósseis”. Ao todo, 12 congressistas assinam o documento. Além do Brasil, há signatários de Colômbia, Equador, Bolívia, Venezuela e Canadá.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Degradação de florestas na Amazônia bate recorde mensal em setembro

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Foto: Divulgação/Polícia Federal

A degradação florestal na Amazônia Legal atingiu 20.238 quilômetros quadrados (km²) em setembro de 2024, o que equivale a mais de 13 vezes a área da cidade de São Paulo. O número representa um aumento de 1.402% em relação a setembro de 2023, quando a degradação detectada foi de 1.347 km².

O instituto de pesquisa Imazon apontou que essa foi a maior área atingida – no período de um mês – pelo dano ambiental dos últimos 15 anos. Degradação ambiental é o processo de deterioração do meio ambiente, que pode ser causado por ações humanas ou naturais.

Os dados de desmatamento e degradação florestal na Amazônia, do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), são monitorados pelo Imazon por imagens de satélite desde 2008 e 2009, respectivamente.

O desmatamento corresponde à remoção completa da floresta, enquanto a degradação é um dano causado por queimadas ou pela extração madeireira – não remove toda a vegetação, mas destrói parte dela. A entidade ressalta que ambos ameaçam espécies da fauna e da flora.

Foto: BPA/PM-AC

Ela afirmou que esse pico da degradação é bastante preocupante e que rios importantes da Amazônia estão em situação crítica. O Imazon atribui o resultado do levantamento ao aumento das queimadas causadas pela ação humana e favorecidas pela seca severa na região.

Setembro deste ano foi ainda o quarto mês consecutivo com aumento nas áreas degradadas, o que contribuiu para que o acumulado desde janeiro também fosse o maior dos últimos 15 anos, atingindo 26.246 km². Antes disso, o recorde para o período era de 2022, quando a degradação alcançou 6.869 km².

Estado mais afetado

O estado do Pará concentrou 57% das áreas de florestas degradadas na Amazônia em setembro deste ano. A degradação passou de 196 km² em setembro de 2023 para 11.558 km² no mesmo mês de 2024, área quase 60 vezes maior. Sete dos 10 municípios que mais degradam a região amazônica são paraenses, incluindo São Félix do Xingu (3.966 km²), Ourilândia do Norte (1.547 km²) e Novo Progresso (1.301 km²).

Outros estados com percentuais significativos, segundo o Imazon, de áreas degradadas em setembro foram Mato Grosso (25%), Rondônia (10%), Amazonas (7%). A entidade destacou, também, a situação de Rondônia, onde a degradação passou de 50 km² em setembro de 2023 para 1.907 km² no mesmo mês de 2024, o que representa uma alta de 38 vezes.

Além disso, o Pará concentra sete das 10 unidades de conservação mais degradadas no período. As quatro primeiras do ranking são Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, com 1030 km²; Flona do Jamanxim, com 670 km²; APA do Tapajós, com 165 km²; e Flona de Altamira, com 124 km².

Entre as terras indígenas, a Kayapó segue pelo segundo mês consecutivo como a mais degradada, com 3.438 km² afetados. O território concentrou 17% de toda a área com degradação na Amazônia em setembro.

“A permanência dessa terra indígena entre as dez com as maiores áreas degradadas é um forte indicativo de que as medidas para conter o fogo na Amazônia não estão sendo suficientes. A presença desse problema ambiental nas áreas indígenas e unidades de conservação ainda compromete diretamente a biodiversidade local, ameaçando tanto a fauna quanto a flora, e representa um impacto negativo no modo de vida, na subsistência e na saúde das populações tradicionais”, explicou Larissa.

Desmatamento

O desmatamento também cresceu na Amazônia em setembro deste ano e teve o quarto mês consecutivo com alta, após 14 meses corridos de redução de devastação na região. No mês, um território de 547 km² foi desmatado, o que significa a perda 1.823 campos de futebol por dia de floresta, destacou o Imazon. A área foi 0,2% maior do que em 2023, quando foram degradados 546 km².

No acumulado de janeiro a setembro, a área desmatada foi de 3.071 km², a oitava maior da série histórica.

A maioria do desmatamento, em setembro deste ano, ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse (61%). O restante do desmatamento foi registrado em Assentamentos (30%), Unidades de Conservação (7%) e Terras Indígenas (2%).

Dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, três concentraram 83% de todo o desmatamento identificado em setembro. O Pará liderou com 52% do desmatamento, seguido pelo Amazonas (16%) e pelo Acre (15%). Sete dos dez municípios que mais desmataram são paraenses.

Assentamentos

O Pará reúne ainda sete dos dez assentamentos e sete das dez unidades de conservação com as maiores áreas desmatadas. Já entre as dez terras indígenas mais desmatadas, três estão integralmente no Pará e outras três têm parte da sua área no estado.

“No mês de setembro, o território paraense liderou o desmatamento destruindo uma área correspondente a 970 campos de futebol de floresta por dia. Todo esse impacto está refletido nos municípios, assentamentos, unidades de conservação e terras indígenas. Por isso, é urgente investir em ações eficazes e integradas que protejam a região, como o investimento nos órgãos ambientais de fiscalização”, disse Carlos Souza.

Ele avalia que, dessa forma, será possível combater as mudanças climáticas que são impulsionadas pela retirada de vegetação e oferecer uma maior proteção à biodiversidade e aos povos que habitam a floresta. Outro ponto de atenção, de acordo com os pesquisadores do instituto, é a busca de alternativas para reduzir os impactos das queimadas que já ocorreram tanto na cobertura florestal quanto nas populações.

*Com informações da Agência Brasil

5 animações inspiradas e produzidas na Amazônia que vão te surpreender

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A Amazônia, reconhecida mundialmente por sua vasta biodiversidade e importância ambiental, começa a ganhar espaço também no cenário da animação brasileira, trazendo uma abordagem única, repleta de elementos regionais e temas da floresta.

Entre os recentes lançamentos e projetos em andamento, surge uma nova geração de criadores locais que, com a tecnologia e narrativas envolventes, mostra o poder da região no campo audiovisual.

Conheça cinco animações que foram produzidas e inspiradas na região amazônica:

‘Cem Pilum – a história do dilúvio’, de Thiago Morais

O curta-metragem de animação ‘Cem Pilum – a história do dilúvio’ foi produzido em 2021 pelo produtor audiovisual Thiago Morais. A animação leva o expectador ao tempo antigo, quando existiam mais animais ferozes do que pessoas e Deus Criador quis acabar com as cobras, onças e outros animais. Então ordenou o dilúvio.

‘Cem Pilum – a história do dilúvio’ é o resgate de uma das histórias contadas pelo aquarelista Feliciano Lana, fazendo uma homenagem ao artista que teve suas obras reconhecidas internacionalmente.

‘Caçador de Cabeças’, de Rod Rodrigues

O curta ‘Caçador de Cabeças’ é uma animação experimental, feita no estilo motion comics, produzida no final de 2021, com incentivo do edital Cultura Digital – Aldir Blanc, por equipe 100% paraense. O enredo da animação é inspirado em relatos de caçadores e moradores do vilarejo Bomfim, do município de São João da Ponta (PA).

‘A Inacreditável História do Milho Gigante’, de Aldenor Pimentel

O curta de animação ‘A Inacreditável História do Milho Gigante’ foi dirigido pelo boavistense Aldenor Pimentel. Foi selecionado para cinco mostras de cinema nacionais. O vídeo, de 5 minutos, foi inteiramente produzido em Roraima e realizado pela produtora Platô Filmes.

‘Nazaré: do verde ao barro’, de Juraci Júnior

‘Nazaré: do verde ao barro’ é um filme de Juraci Júnior, que faz um mergulho na história de formação da comunidade e a relação de seus moradores com a natureza e, especialmente, com o movimento do rio. A obra conta com trilha original de Tullio Nunes, músico e produtor musical nascido em Porto Velho (RO); com aquarelas da poeta e ilustradora Roberta Marisa; e montagem, animação e finalização de Rone Mota.

‘Solitude’, de Tami Martins

A busca da protagonista ‘Sol’ pelo autoconhecimento e a mudança pessoal após o término conturbado de um relacionamento amoroso é o fio condutor da trama de ‘Solitude’, primeiro curta-metragem de animação produzido no Amapá com recursos da Agência Nacional do Cinema (Ancine). A obra, que também recebeu financiamento do governo estadual, foi aprovada no 1º Edital de Produção Audiovisual do Amapá.