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Festival Amazônia Mapping reúne atrações internacionais em Belém; confira a programação

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Foto: Divulgação

O Festival Amazônia Mapping 2024 chega com atrações internacionais e espetáculos com feats inéditos para contagiar o centro histórico de Belém (PA) com arte e tecnologia. Celebrando 11 anos de trajetória, a programação traz obras de dezenas de artistas de toda a Pan Amazônia e é gratuita. O evento ocorre nos dias 1° e 2 de novembro, a partir de 19h, no Museu do Estado do Pará, na Cidade Velha.

O line-up do Festival Amazônia Mapping traz espetáculos de música e imagem. A programação traz pela primeira vez ao Pará:

  • o Ciclope Studio, projeto de artes visuais da Bolívia;
  • as experimentações imagéticas e sonoras de Luiza Lian, em apresentação do melhor show de 2023, premiado nacionalmente;
  • o feat entre Tambores do Pacoval e Mestra Bigica, conectando o carimbó de Soure e Marapanim, com projeções das obras de Ronaldo Guedes, ceramista central do Marajó;
  • o encontro entre a artista e ativista indígena Djuena Tikuna e Aíla, cantora e compositora de Belém, com visuais criados por Roberta Carvalho, em uma conexão Amazonas-Pará.

Outra novidade é que este ano o Festival traz apresentações artísticas em locais diferentes do usual, e, para além do palco, ocupa novos espaços da fachada do Museu do Estado e faz intervenções artísticas no jardim interno e na Capela do MEP.

Foto: Divulgação

Ao longo de seus 11 anos de existência, o Festival Amazônia Mapping tem fomentado encontros inéditos entre arte e público, recebendo cerca de 200 artistas e atraindo um público de mais de 50 mil pessoas. Nas edições de 2013, 2016 e 2017, movimentou Belém e Santarém com arte e tecnologia no espaço urbano. Em 2020, realizou uma edição 100% online e ganhou a categoria “Inovação: Música e Tecnologia”, um importante prêmio da Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM SP), a maior feira do mercado de música da América Latina.

Ao colocar a tecnologia e a arte digital em diálogo com as realidades locais, o Festival amplia as formas de representar a Amazônia.

“Ao longo de mais de uma década, o Festival Amazônia Mapping tem desempenhado um papel fundamental na construção de uma nova compreensão sobre a Amazônia contemporânea, indo muito além dos clichês que frequentemente a reduzem a estereótipos exóticos. O festival permite que os próprios artistas amazônidas sejam os narradores de suas histórias, utilizando linguagens contemporâneas, como o videomapping e as novas mídias, para expressar as complexidades e potências da região, mostrando que ela é um território dinâmico, com inovação, cultura pulsante e grande diversidade de perspectivas”, aponta Roberta Carvalho, artista visual paraense idealizadora do Amazônia Mapping.

Em 2024, o Amazônia Mapping volta às ruas e se expande como nunca ao trazer para as projeções mapeadas obras de toda a Pan-Amazônia, combinando artes visuais, tecnologia, música e realidades mistas, fazendo da Amazônia protagonista da cena de artes digitais e novas mídias no mundo.

Programação

1 de Novembro:

Palco Principal: Luiza Lian + Bianca Turner
Palco Principal: Tambores do Pacoval convida Mestra Bigica + Ronaldo Guedes
Palco Jardim MEP: DJ Pedrita
Palco Jardim MEP: Will Love

2 de Novembro:

Palco Principal: Djuena Tikuna convida Aíla + Roberta Carvalho
Palco Principal: DJ Méury + PV Dias
Palco Jardim MEP: Maderito
Palco Jardim MEP: Nat Esquema

O Festival Amazônia Mapping também conta o apoio da Fundação Cultural de Belém e Prefeitura de Belém. Idealização e produção da “11:11 ARTE”, com realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal. O patrocínio master do Instituto Cultural Vale, via Lei de Incentivo à Cultura.

*Com informações da Agência Pará

Setor mineral paraense ultrapassa marca de 300 milhões de toneladas produzidas

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Foto: Amarildo Gomes/Divulgação

O Pará se consolidou, por mais um ano, como potência nacional no setor extrativo mineral, com 17,7% de participação na produção nacional de 2023. O estado se mantém como segundo maior produtor de minério, atrás apenas de Minas Gerais. Em 2022, a mineração no Pará gerou, aproximadamente, 330 mil empregos indiretos, evidenciando sua vocação mineral e seu potencial, impulsionado por grandes projetos e investimentos locais. Parauapebas, Canaã dos Carajás, Marabá, Paragominas e Oriximiná têm se destacado, fomentando a arrecadação de royalties e dinamizando o mercado de trabalho regional.

Considerando essa potência econômica, a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) lança o “Boletim da Mineração 2024”, com uma abordagem abrangente, que detalha a evolução produtiva e comercial, assim como avalia a geração de emprego e renda do setor.

Produção mineral

Produção mineral é toda a atividade de extração e tratamento de minérios, constituída da soma de minerais metálicos (ferro, cobre alumínio), não metálicos (areia, caulim, sal), energéticos (carvão mineral e radioativos) e gemas e diamantes. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil produziu 1,7 bilhão de toneladas de minérios no ano de 2023. Neste mesmo ano, o estado do Pará produziu 302,9 milhões de toneladas da substância, equivalentes a 17,7% da produção nacional.

O destaque vai para o alumínio (bauxita), que tem o Brasil como quarto maior produtor do mundo e o Pará como maior produtor nacional. É o metal não ferroso mais utilizado pelo homem em utensílios domésticos, equipamentos elétricos, móveis, eletrodomésticos, produtos de higiene, embalagens, no transporte, em cosméticos e produtos farmacêuticos. No contexto da economia mineral brasileira, seis estados registraram produção de alumínio no ano de 2023, sendo que Pará e Minas Gerais concentraram 95,1% de toda a produção do país. O Pará produziu 42,1 milhões de toneladas ou 90,8% da produção nacional. Minas Gerais produziu 2 milhões de toneladas, o que representou 4,4% do alumínio brasileiro.

Já o minério de ferro é a substância mais representativa do Pará dentre todas as substâncias minerais produzidas no estado. Sob a ótica econômica, é o principal insumo de siderúrgicas para a fabricação do aço, base de diversas indústrias, como construção civil, eletrodomésticos e carros. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de minério de ferro. No contexto da economia mineral brasileira, apenas 10 estados apresentaram essa produção.

O Pará produziu 174,7 milhões de toneladas, o que correspondeu a 30% de todo o ferro produzido no Brasil. O estado fica atrás apenas de Minas Gerais, que produziu 391,5 milhões de toneladas ou 67,3% do ferro do país. Por outro lado, ao analisar a evolução histórica da produção de ferro nos dois maiores estados brasileiros produtores, no período de 2011 a 2023, verificou-se que o Pará aumentou a sua produção em 45,9%. Assim, em termos absolutos, a produção paraense passou de 0,1 bilhão para 0,2 bilhão de toneladas. Já Minas Gerais manteve a produção em 0,4 bilhão de toneladas.

Por fim, outro destaque é o minério de cobre, um dos mais explorados em todo o mundo por sua forma metálica ter propriedades como alta durabilidade, ductibilidade, maleabilidade e resistência à corrosão a altas temperaturas, além do fato de ser um produto escasso na geologia global. Apenas cinco estados brasileiros apresentaram produção de cobre em 2023. O Pará é o maior produtor, com 57,8 milhões de toneladas produzidas, equivalente a 60,6% do cobre brasileiro.

Goiás vem em seguida, com produção de 29,5 milhões de toneladas, correspondente a 31% da produção nacional. Em comparação a 2022, mais destaque ao cobre paraense, que cresceu 14,1%, resultado que gerou maior incremento para o país, que, por sua vez, apresentou aumento de 13% na produção do minério. Em uma análise histórica, de 2011 a 2023, verificou-se que o Pará quadruplicou a produção da substância, passando de 15,2 milhões para 57,8 milhões de toneladas de cobre.

Exportação

No Pará, os produtos minerais correspondem, em média, a 72% da pauta exportadora do estado. Em 2023, 10 estados brasileiros contribuíram com 99,2% das exportações minerais do país. O Pará alcançou o maior valor de exportação, atingindo a cifra de US$ 15,7 bilhões, o que correspondeu a 43,5% do valor total exportado de minérios.

O registro marca um crescimento de 5,6% no valor exportado. O ferro ocupa a maior parte dos produtos exportados pelo estado do Pará, representando, em 2023, 82,6% das exportações da indústria extrativa paraense. O cobre foi o segundo produto com maior comercialização externa, com participação estadual de 15%. O terceiro mineral mais representativo foi a bauxita, com participação de 0,9%. Os outros 1,4% foram oriundos dos demais produtos da indústria extrativa.

“Por fim, hoje, o Boletim de Mineração é talvez o estudo mais completo sobre o setor, servindo de base para elaboração de políticas públicas e uma verdadeira bússola para investidores, ainda mais num cenário de pré-COP 30, onde Belém sediará o evento e atrairá a atenção do mundo todo”, avalia Márcio Ponte.

Mercado de trabalho

A análise do mercado de trabalho é fundamental para avaliar a capacidade do setor mineral na geração de emprego e de renda, bem como para dimensionar os níveis de produtividade associados ao segmento. No Pará, foram registradas 78 mil pessoas ocupadas no setor mineral, o que significou um incremento de 50% em relação a 2014 e crescimento de 21,9% em relação a 2022. Aqui, entende-se por população ocupada aquela com 14 anos de idade ou mais, que exerce atividade profissional (formal ou informal, remunerada ou não) durante, pelo menos, uma hora completa, na semana. Portanto, a composição do quadro do mercado de trabalho revela ainda que, em 2023, o setor extrativo participava com 16,3% de todas as pessoas ocupadas no setor industrial do estado do Pará. Em 2022, este percentual era de 14,2%.

Quanto aos empregos formais, no ano de 2022, o Brasil possuía 203 mil empregos formais no setor mineral, o que representou crescimento de 4,2% em relação ao ano de 2012 e de 3,7% frente a 2021. No estado do Pará, houve o registro de 25 mil vínculos formais em 2022, representando incremento de 31,9% em comparação com 2012 e acréscimo de 1,7% sobre o resultado de 2021.

Segundo projeções do Ministério das Minas e Energia (MME), para cada um emprego direto efetivado no setor extrativo mineral, 13 empregos indiretos são efetivados ao longo de toda a cadeia produtiva associada ao setor. Dessa forma, é possível concluir que, em 2022, no Pará, 25 mil vínculos registrados foram capazes de gerar, indiretamente, mais de 330 mil empregos na cadeia produtiva. Na esfera estadual, houve incremento de 31,9% de empregos indiretos na comparação entre 2012 e 2022.

A atividade mineral que mais gera vínculos formais no Pará segue sendo a de extração de minério de ferro, com participação de 48,6% do total registrado no mercado de trabalho do setor mineral no ano de 2022. Em seguida, está a extração de minérios de cobre, chumbo, zinco e outros metálicos não ferrosos, com participação de 18,7% no total de empregos formais em 2022. Entre 2021 e 2022, a atividade de extração de calcário e dolomita foi a que apresentou o maior incremento de vínculos, com aumento de 38% no período.

Municípios

Dentre todos os municípios brasileiros, Parauapebas, no Pará, concentrou a maior quantidade de vínculos no setor extrativista mineral, participando com 4,2% do total registrado no ano de 2022, totalizando 8.497 mil empregos. Outros municípios paraenses que despontaram no ranking nacional foram Canaã dos Carajás, com 2,3% de participação e estoque de 4.671 vínculos, e Marabá, com estoque de 3.106 empregos formais em 2022.

*Com informações da Fapespa

Finep assina acordo de R$ 20 milhões para criação do Museu das Amazônias

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Foto: Carlos Tavares/Agência Pará

Um dos legados da 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30), que será realizada em Belém (PA), em 2025, será o Museu das Amazônias, que ficará instalado perto do Porto do Futuro II, na capital paraense. A obra está prevista para ser entregue em novembro do próximo ano, data em que será realizado o encontro com os líderes dos países que participarão da COP.

Leia também: COP 30: projeto Museu das Amazônias recebe doação de US$ 800 mil

Para dar andamento ao projeto do museu, o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Celso Pansera, assinou um convênio com o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), que prevê o repasse de R$ 19,9 milhões para a criação do Museu das Amazônias. Esse recurso, não reembolsável, é oriundo do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O acordo para a criação do Museu foi assinado pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e pelo governador do Pará, Helder Barbalho, em julho deste ano.

A responsabilidade pela implementação do museu ficará a cargo do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), unidade vinculada ao MCTI também localizado em Belém. De acordo com o diretor do MPEG, Nilson Gabas Jr., o Museu das Amazônias será plural e desenvolvido com um amplo processo de escuta dos múltiplos atores da região amazônica.

O museu será uma plataforma permanente com o objetivo de retratar um dos biomas mais importantes do mundo, as comunidades da floresta e toda a sua biodiversidade, contribuindo para o diálogo sobre desenvolvimento sustentável e conservação ambiental.

O Museu das Amazônias é uma colaboração com outras instituições, como o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e o Museu da Amazônia (MUSA), e deverá contar com financiamentos de outras fontes. O recurso destinado pela Finep representa cerca de 25% do valor total do empreendimento.

*Com informações

Movimentos indígenas realizam atos contra a PEC do Marco Temporal em todo o país

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Foto: Edgar Kanaykõ/Greenpeace

Movimentos indígenas convocaram para esta quarta-feira (30), atos em manifestação contra a PEC do Marco Temporal em todo o país. O Greenpeace Brasil destacou que este é um “novo momento de tensão e desafio em relação aos direitos dos povos indígenas, que estão ameaçados por um conjunto de projetos legislativos apelidado de “Pacote Anti-Indígena”” (veja a relação feita pelo Greenpeace abaixo).

Leia também: Portal Amazônia responde: Entenda o que é o ‘marco temporal’ para terras indígenas

De acordo com a publicação: “Ele [o pacote] inclui Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e Projetos de Lei (PLs) que querem desmantelar os direitos conquistados ao longo de décadas, ameaçando a convivência harmônica entre os povos indígenas e a natureza existente dentro de suas terras”.

Segundo o Greenpeace Brasil, a esse cenário, soma-se a mesa de negociação convocada pelo Ministro Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal (STF), cujas reuniões não tem sido satisfatórias para os movimentos indígenas.

“Vale lembrar que o início do processo nessa mesa de negociação foi marcado por uma série de violências simbólicas contra os povos originários. A situação foi tão ruim que a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que representa as populações originárias a nível nacional, se retirou da conversa, alegando que não estava claro o objeto de discussão e que a presença de ruralistas nessa mesa sinalizava que o lobby do agronegócio estava presente nos debates”, destaca.

A principal ameaça aos direitos indígenas, segundo a organização, é a Lei 14.701, promulgada pelo Congresso Nacional no final de 2023. Além de reincorporar a tese do Marco Temporal à legislação brasileira, essa lei impôs novos critérios para a demarcação de Terras Indígenas, erguendo barreiras ainda maiores contra o direito dos povos originários e seus territórios ancestrais.

O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) também publicou informações sobre a convocação ao movimento, que tem ponto principal de concentração em Brasília (DF). O objetivo é fortalecer a defesa dos povos originários e denunciar os ataques contínuos e sistemáticos aos seus direitos e territórios.

O conselho divulgou, na terça-feira (29), uma carta endereçada aos três poderes da República, Legislativo, Executivo e Judiciário.

Foto: Reprodução/Conselho Indígena de Roraima

“O Estado brasileiro que tem o dever constitucional de demarcar e proteger nossos territórios participa de uma Mesa de Conciliação, no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a Lei nº 14.701/2023, que permanece em vigor dificultando a demarcação das terras indígenas, e na qual outros interesses dos ruralistas, das corporações do agronegócio e da mineração sobre nossas terras se apresentam”, prossegue o documento.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) informou sobre a marcha centralizada em Brasília com o objetivo de entregar a carta aos Três Poderes do Estado Brasileiro.

“O momento é muito delicado. Estamos passando por uma grave ameaça no Senado Federal, que insiste em regulamentar o marco temporal. Quero chamar todos que possam somar à nossa luta, seja em Brasília, nos territórios ou nas redes sociais. Estamos passando por um processo de desconstituinte, ou seja, de um desmonte do texto constitucional. Não podemos permitir que retirem direitos fundamentais dos povos indígenas. Não podemos permitir que retirem direitos fundamentais da população brasileira!”, destacou Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib.

Conheça as iniciativas que ameaçam os direitos indígenas

PEC 48/2023 – Quer incluir o Marco Temporal na Constituição Federal, o que limitaria o direito dos indígenas às terras que estavam sob sua posse em 5 de outubro de 1988, dia da promulgação da Constituição. Essa proposta desconsidera toda a história de expulsão e violência sofrida por muitos povos antes dessa data.

PEC 59/2023 – Pretende transferir a responsabilidade pela demarcação de Terras Indígenas da União para o Congresso Nacional. Isso pode politizar ainda mais o processo, abrindo brechas para a influência de interesses econômicos no processo de demarcação.

PEC 10/2024 – A proposta quer permitir que povos indígenas realizem atividades agropecuárias e florestais em suas terras e estabeleçam contratos de arrendamento com terceiros, permitindo a comercialização de sua produção. Isso abre caminhos para a exploração econômica de terras indígenas, contrariando o uso sustentável tradicional.

PEC 36/2024 – Bem semelhante à PEC 10, essa proposta amplia as possibilidades para qualquer atividade econômica em terras indígenas, seja feita diretamente ou mediante arrendamento, o que compromete o uso sustentável dessas áreas e abre as portas para atividades que degradam o meio ambiente.

PEC 132/2015 – Quer indenizar os invasores de Terras Indígenas demarcadas até 5 de outubro de 2013. Isso significa que os invasores, em vez de serem responsabilizados, receberão compensações financeiras.

PL 6050/2023 – Propõe liberar atividades de mineração, garimpo e até geração de energia em Terras Indígenas. A exploração dos recursos naturais nessas áreas representa um risco para o meio ambiente e para a vida das comunidades.

PL 6053/2023 – Inclui impedimentos para que antropólogos participem dos processos de demarcação e define que uma comunidade só pode ser considerada indígena se tiver modos de vida distintos das comunidades não-indígenas ao redor. Essa proposta abre caminho para interpretações arbitrárias, comprometendo o reconhecimento de identidades indígenas.

PL 4039/2024 – Modifica a Lei 14.701/2023 para que, em casos de retomadas indígenas em áreas ainda não demarcadas, o poder público indenize proprietários não-indígenas por danos materiais e morais, e suspende os processos de demarcação enquanto essas ocupações continuarem. Na prática, favorece os interesses dos proprietários e penaliza os indígenas que lutam por suas terras.

*Com informações do Greenpeace, CIMI, Apib e Coiab

Aprenda como preparar moqueca acreana com pirarucu e banana da terra

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Moqueca acreana leva pirarucu e banana da terra. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

A culinária tradicional do Nordeste brasileiro combinada com elementos da cultura gastronômica da Amazônia, essa é a definição da moqueca acreana.

Saem os peixes de água salgada e entra em cena o pirarucu, um dos maiores pescados da região, além disso a banana da terra ajuda a dar um sabor único à receita.

“Maravilhoso para você poder fazer na sua casa, um prato super regional e uma delícia. Eu tenho certeza que vocês vão gostar e agora é só saborear”, garantiu a chef Kamilla Mantovanelli.

Ingredientes

Um fio de dendê
200 ml de leite de coco
⁠3 rodelas de pimentão vermelho
⁠3 rodelas de pimentão amarelo
⁠3 rodelas de pimentão verde
⁠3 rodelas de cebola
⁠3 rodelas de tomate
⁠1 maço de cheiro verde picado .
⁠Pimenta de cheiro a gosto picada
⁠2 maços de chicória picados
500 ml de água
Sal a gosto
Trigo ou maisena

Modo de preparo

Pique o cheiro verde, a chicória e a pimenta de cheiro. Além disso, corte os pimentões, a cebola e o tomate em rodelas.

Coloque a panela no fogo com um fio de azeite de dendê e faça camadas com a cebola, tomate e pimentões.
Em seguida intercale a banana e o pirarucu, acrescente sal a gosto e 500 ml de água.

Quando ferver acrescente a pimenta de cheiro e a chicória e devagar vá acrescentando o leite de coco.

Depois de cozinhar o peixe, o que pode levar de 20 a 40 minutos, finalizar com um pouco de trigo ou maisena para engrossar o caldo (à gosto) e acrescentar o cheiro verde. Agora é só servir e se deliciar!

Eleições municipais: banidos partidos fora do novo contexto político brasileiro

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Foto: Roberto Jayme/TSE

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A vitória dos partidos conservadores nas eleições em segundo turno deste domingo, 27, confirma um fato insofismável: o Brasil cansou de líderes populistas, demagogos e intolerantes cujo ativo maior é deter e espalhar o ódio, a insídia, a mutreta, a velhacaria, como nos tempos dos coronéis de barranco para manter o poder de seus grupos políticos, mantendo amordaçados eleitores com baixa capacidade interpretativa da conjuntura política do país.

A hora pois é de mudança, de reconstrução. Nem esquerda nem direita radicais presas a dogmas ideológicos ultrapassados, démodé. Dogma é um princípio que se convenciona não discutir e, muitas vezes, que não se aceita discussão. É isso e pronto. Exemplos são encontrados em aspectos de doutrinas de uma religião, como o catolicismo romano, ou os pontos de vista de um filósofo ou de uma escola filosófica como Estoicismo ou iluminismo, que com o tempo tornaram-se pensamento dogmático, mesmo se inicialmente não o fossem, e, por fim, nos regimes de força ditatoriais de esquerda ou de direita.

O mundo mudou. Salvo em certos enclaves miseráveis da África ou da América Latina, de repúblicas islâmicas sunitas ou xiitas, no mais a sociedade avançou seu padrão educacional e de esclarecimento político. Consequentemente, de discernimento entre o bem e o mal, o útil e o desperdício, a objetividade e a subjetividade, o pragmatismo e o abstrato, o positivismo e o negativismo. Perda de tempo, além de vergonhoso, além de abominável o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, ter tido a ousadia de afirmar que “eleição não se vence, se toma” ou que um presidiário petista pregue o fim das Forças Armadas ou das escolas cívico-militares. Tais assanhamentos ideológicos estão inteiramente superados, obsoletos, antiquados, fora da nova ordem mundial.

O mundo na verdade anseia por progresso, desenvolvimento social e econômico, mesmo que certos países
prefiram a guerra à paz, o desrespeito a direitos geopolíticos consolidados, ou ainda, nações ocupadas por forças terroristas cujo único objetivo político é anular vizinhos que se opõem a seus dogmas e intolerâncias. Para alcançar esses objetivos as nações precisam muito mais do que ideologismos, demandam gestão pública; planos, programas e projetos estruturantes voltados ao solucionamento de ancestrais problemas que se agravam sobre o padrão da infraestrutura do país (meios de comunicação, rodovias, saneamento básico), da tecnologia, da pesquisa e inovação, da educação, saúde pública e segurança que mantêm subservientes importantes camadas sociais, presas exatamente a esses radicalismos inúteis, improdutivos.

Sobre o pleito municipal, os resultados espelham com precisão esse contraditório animado por falsos líderes em contradição com ânsias e desejos ardentes de extensas camadas populacionais dependentes de emprego, renda e bem estar social. Portanto, há de se perguntar: Quem de fato ganhou as eleições? O PSD de Gilberto Kassab? Ou os candidatos que melhor souberam interpretar as idiossincrasias vigentes nos rincões das cidades e vilas? Claro, ganhou o partido (PSD) com mais municípios sob seu comando a partir de 2025, somando 887 prefeituras no país. Depois, MDB e PP, com 856 e 747 Executivos municipais, respectivamente.

Dentre as capitais, considerando primeiro e segundo turno, o MDB levou cinco cidades: Macapá, com Dr. Furlan, Boa Vista, com Arthur Henrique, Belém, com Igor Normando, Porto Alegre, com Sebastião Melo, e São Paulo, com Ricardo Nunes.

Já o PSD ficou com uma a menos: Curitiba, onde venceu Eduardo Pimentel, Belo Horizonte, com Fuad Noman, Florianópolis, com Topázio, Rio de Janeiro, com Eduardo Paes, e São Luís, com Eduardo Braide.

O PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, em quinto lugar, conquistou quatro: Aracaju, com Emília Corrêa, Cuiabá, com Abílio Brunini, Maceió, com João Henrique Holanda Caldas, e Rio Branco, com Tião Bocalom.

O outrora todo poderoso PT, do presidente Lula, está em nono, com apenas 252, uma só capital, Fortaleza. No mais tornou-se um partido coadjuvante necessitando de um novo norte para ajustar-se ao padrão político século XXI. No qual o radicalismo, seja de direita e de esquerda não tem mais vez.

O mapa em anexo espelha com exatidão o quadro e o quanto o Brasil mudou, sobretudo em relação às expectativas políticas da sociedade. O país pagou o vermelho do mapa predominante em 2020, e voltou a ser azul, verde, amarelo e branco.

Quanto mais radicais as agremiações, exemplos PSOL e PCB, menos prefeituras conquistadas ou zeradas. Líderes que consigam interpretar com exatidão o processo de mudanças em curso permanecerão no cenário político brasileiro; do contrário, serão impiedosamente banidos.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Inpa celebra 50 anos de ações em prol da conservação

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Foto: Fernanda Farias/AMPA

Histórias, pesquisas e ações para a conservação dos mamíferos aquáticos da Amazônia estão eternizados nesses 50 anos de atuação do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LMA/Inpa).

A comemoração, realizada no dia 23 de outubro, reuniu pesquisadores e amigos que relembraram momentos importantes do LMA desde a criação, em 1974, quando a pesquisadora canadense Diana Magor resgatou um filhote de peixe-boi, a “Boo”.

Leia também: Boo, peixe-boi da Amazônia fêmea mais antigo do Inpa faz 50 anos

A contribuição do laboratório para a conservação desses animais reúne vários estudos e ações inéditas, desde entrevistas com pescadores sobre a caça ilegal de peixe-boi até à pesquisa de fórmula láctea que se assemelha ao leite da espécie para reabilitar os filhotes.

A pesquisadora do Inpa e coordenadora do LMA, Vera da Silva, comenta que um dos períodos mais importantes, no início, foi entre os anos de 1975 e 1985.

Foto: Mariana Tuesta/PCE-Inpa

Parceria com a AMPA

Outro marco foi a criação da Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA), em 2000, que hoje é a principal parceira do LMA na luta pela conservação dos mamíferos aquáticos. 

“Essas duas instituições, juntas, trabalham em atividades de conscientização ambiental e pesquisa, graças aos diversos parceiros que nos apoiam e já apoiaram na realização dessas atividades, como Seaworld e Taboca, atuais parceiros, e a Itochu, Jica, Petrobras Ambiental, dentre outras empresas e instituições”, explica o presidente da Ampa, o veterinário Rodrigo Amaral.

O Programa de Soltura de Peixes-bois da Amazônia já devolveu mais de 40 animais à natureza e hoje, mais de 20 estão em processo de reabilitação no berçário e 23 em processo de readaptação em sem cativeiro.

Desde a criação do programa, há mais de quatro décadas, o LMA recebe filhotes de peixes-boi resgatados oriundos da caça ilegal e captura acidental em redes de pesca. 

Com o sucesso das pesquisas, no processo de reabilitação e manejo dos peixes-bois, gerou um plantel de animais apto para retornar à natureza. Isso permitiu a criação em 2008, com o apoio da Ampa, do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, hoje nomeado Programa de Soltura.

Programa de Educação Ambiental 

O LMA, em parceria com a Ampa, participa do Programa de Educação Ambiental que tem como principal objetivo promover o envolvimento da sociedade no cuidado e proteção dos mamíferos aquáticos da Amazônia e dos ecossistemas.

Atualmente, o Programa promove dezenas de atividades de educação ambiental para os mais diferentes grupos, em locais como o Parque Aquático Robin Best no Inpa, em escolas de Manaus e outros municípios, além de comunidades ribeirinhas onde são realizadas as solturas dos peixes-boi.

Vera da Silva 

Vera da Silva é coordenadora do laboratório desde 1996 e pesquisa duas espécies amazônicas, o  peixe-boi e o boto-vermelho há mais de 40 anos. A bióloga é a primeira mulher das Américas a ser membro honorário da maior organização internacional de Mamíferos Aquáticos. 

*Com informações do Inpa e Ampa

Ribeirinhos cavam leito de canal que secou no Bailique durante estiagem no Amapá

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Foto: Divulgação

Moradores do Arquipélago do Bailique, no litoral amapaense, realizaram um mutirão para cavar o leito do Canal do Livramento, na foz do Rio Amazonas, na última semana. Boa parte dos canais, responsáveis pela conexão entre as 56 comunidades existentes no conjunto de ilhas, estão praticamente intrafegáveis.

Com a estiagem intensificada em outubro, o governo do Amapá decretou no dia 23 situação de emergência em todo estado de forma preventiva. O documento garante que os municípios continuem combatendo os efeitos da estiagem.

No conjunto de ilhas o problema soma-se ao da salinização das águas e do fenômeno das “Terras Caídas”, assoreamento que vem alterando a paisagem e afetando as comunidades ribeirinhas.

Para o pescador artesanal Filico Rocha, de 54 anos, descreveu que a sobrevivência dos moradores está difícil depois que os rios e lagos onde pescavam secaram.

No Bailique, ribeirinhos cavam leito de canal que secou durante estiagem no Amapá. Foto: Divulgação

“Os nossos lagos estão bem secos. Os pescadores da piracema sobrevivem da pesca das espécies tamoatá, traíra, jiju. Após a pesca da piracema eles pescam nos lagos que são os nossos campos, mas estão bem secos. Os peixes estão todos morrendo”, disse o pescador.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a piracema?

Entre as comunidades mais afetadas estão: Ponta da Esperança, Capinal, Arraio, Livramento, Ilha das Marrequinhas, Equador, Campos do Jordão, Maranata, Igaçaba, Ponta do Bailique, Igarapé do Meio, Franquinho, Macedônia, Progresso e Freguesia.

“Todas as 56 comunidades estão sendo impactadas por conta da estiagem e do assoreamento dos igarapés. Hoje as pessoas não passam mais pelo canal. Inclusive tinha uma força-tarefa lá dos pescadores tentando escavar o canal para poder ter acesso à passagem. O Bailique vem sendo impactado, primeiro por conta das terras caídas, que durante os últimos 10 anos já levou, já foi engolido pelo rio mais de mil residências”, acrescentou o pescador.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Tese de pesquisador da UFPA é premiada pela Sociedade Brasileira de Física

Foto: Haroldo Lima/Acervo pessoal

Conhecido por ser um dos maiores reconhecimentos na área da Física em nível nacional, o Prêmio José Leite Lopes da Sociedade Brasileira de Física (PJLL/SBF) costuma contemplar teses de doutorado com excelência que contribuem para o avanço do conhecimento sobre a natureza no país. Foi nessa perspectiva que a tese ‘Challenging the Kerr Hypothesis with Scalar Fields, Tidal Forces and Shadows‘, produzida pelo pesquisador Haroldo Cilas Duarte Lima da Universidade Federal do Pará (UFPA), ganhou o PJLL de 2024. A pesquisa premiada contou com a orientação do professor do Programa de Pós-Graduação em Física (PPGF/UFPA), Luís Carlos Crispino.

Ao longo do seu estudo, o pesquisador buscou compreender o funcionamento dos buracos negros e desenvolver simulações e técnicas computacionais, a fim de investigar o comportamento dos objetos que circundam o universo.

A pesquisa foi desenvolvida na própria estrutura do Programa de Pós-Graduação em Física da UFPA, com algumas atividades realizadas durante um ano de doutorado sanduíche na Universidade de Aveiro, em Portugal.

“São feitas pesquisas na UFPA com uma qualidade comparável às melhores pesquisas feitas no país e no mundo. Este prêmio é uma mostra disso. A Amazônia possui duas principais vocações naturais, que são a Biologia e a Geologia. Mas não é só isso. Nossos jovens e nosso povo, de uma maneira geral, quando lhes é dada a devida oportunidade, têm condições de fazer pesquisa de ponta em qualquer tema. Talvez a sociedade não tenha conhecimento da relevância das investigações científicas realizadas na Amazônia em diversas áreas e acredito que este reconhecimento pode ajudar nesta percepção”, pontua o orientador da tese premiada e professor do PPGF da UFPA, Luís Carlos Crispino.

Resultados da pesquisa

A tese obteve como resultado o apontamento de como o ambiente astrofísico pode impactar as propriedades de um buraco negro, se diferenciando dos modelos mais utilizados que consideram um buraco negro completamente isolado.

Foto: Divulgação

Neste sentido, o estudo indicou que as sombras relacionadas às imagens desses buracos negros podem ser muito distintas, o que depende das circunstâncias se eles encontram-se isolados ou na presença de um campo magnético externo.

*Com informações da UFPA

Pesquisa aponta contaminação de peixes em rios amazônicos por microplásticos

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Foto: Reprodução/UFMT

98% dos peixes de 14 espécies que habitam os riachos amazônicos têm algo em comum: microplásticos no trato gastrointestinal e nas brânquias. Esse foi o resultado de pesquisa realizada pela professora Danielle Regina Gomes Ribeiro-Brasil, do Laboratório de Ecologia e Conservação de Ecossistemas Aquáticos (Lecea), vinculado ao Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) do Câmpus do Araguaia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O artigo ‘Dos rios e mares à mesa: peixes contaminados’ faz parte do relatório “Fragmentos da destruição: Impactos do plástico na biodiversidade marinha brasileira” , publicado pela Oceana Brasil.

O artigo indicou que polietileno, polipropileno, polietileno tereftalato, poliestireno e cloreto de polivinila representam 90% dos polímeros plásticos usados e dão origem à maioria dos microplásticos encontrados nesse ambiente. 

Além desses números, a situação do Brasil não é nada confortável: além de ser o maior poluidor da América Latina, o país é o oitavo maior do mundo, cenário composto pelo descarte de 1,3 milhões de toneladas de plástico por ano no oceano.

“A Oceana Brasil é uma organização não governamental (ONG) dedicada à proteção e preservação dos oceanos e das suas espécies marinhas. A Oceana Brasil atua em diversas frentes para promover o uso sustentável dos recursos marinhos e a proteção de ecossistemas críticos. A importância social dos estudos publicados no relatório ‘Fragmentos da destruição: Impacto do plástico na biodiversidade marinha brasileira’ da Oceana Brasil envolve aspectos de conscientização e educação ambiental. Ao divulgar informações relevantes de forma acessível, a Oceana ajuda a mobilizar cidadãos em prol da conscientização ambiental e preservação do ambiente. Além disso, há uma influência política, uma vez que o referido relatório pode auxiliar com dados científicos na regulamentação para a proteção dos oceanos e sua biodiversidade”, explica a docente.

Perigo em cadeia

A pesquisa afirma que o artigo mostra que os centros urbanos contaminam de diversas formas o ambiente aquático e os peixes de riachos estão se alimentando do que os centros urbanos estão jogando no ambiente. 

“Falando da ictiofauna especificamente, estes peixes de riachos são peixes pequenos (em média dez centímentros de comprimento) popularmente denominados de piabas, algumas populações não se alimentam deles, as que se alimentam consomem eles fritos inteiros; esses peixes possuem uma importância ecológica muito grande, se alimentam de larvas de mosquitos, por exemplo, então fazem o controle biológico de vetores de doenças. Se estes peixes reduzirem a sua função no ambiente, poderá haver a proliferação em massa das larvas do mosquito da dengue e esses mosquitos irão infectar os centros urbanos das proximidades. Sendo assim, o relatório mostra a importância da preservação da biodiversidade aquática dos riachos”, explica a docente.

Sobre o impacto dos microplásticos nos organismos dos peixes, a pesquisadora explica que eles podem se distribuir por todo o organismo, a depender do tamanho da partícula.

“Partículas pequenas, menores que um milímetro, são mais fáceis de prender-se nas brânquias dos peixes e isto interfere nas trocas gasosas e transporte de íons para a respiração dos peixes. Além disso, interfere na captação de fonte alimentar para peixes filtradores. Partículas pequenas, de um a cinco milímetros, por exemplo, que ocupa o estômago de um peixe grande, tem efeito diferente de partículas que ocupam o estômago de peixes pequenos. As partículas ocupam o espaço de um item alimentar, causando a falsa sensação de saciedade, reduzindo o esforço de alimentação das espécies. É importante lembrar que os microplásticos não são nutritivos, irão reduzir a capacidade natatória e de reprodução das espécies. Além disso, há estudos mostrando que os microplásticos causam estresse oxidativo, alterando o sistema de defesa antioxidante”, finaliza.

Acesse a integra do Relatório “Fragmentos da destruição: Impactos do plástico na biodiversidade marinha brasileira”

*Com informações da UFMT