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Mini-cabras de 35 cm encantam visitantes de fazendinha na Expoferr

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Foto: Nalu Cardoso/g1 Roraima

O que é o que é? Tem menos de 35 centímetros de altura, se alimenta com apenas 50 gramas de ração por dia e faz sucesso na Exposição-Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr)? É ela! A mini-cabrinha. A curiosa versão mini do animal compõe o elenco da “Fazendinha”, que segue em exposição na festa até o próximo sábado (9), e tem chamado a atenção dos visitantes.

Como o nome já diz, esses animais são bem menores que os normais, que têm cerca de 65 centímetros. Para se ter uma ideia, a diferença entre elas e as cabras tradicionais é de praticamente 30cm. São duas mini-cabras para uma cabra.

Quem visita o stand pode conferir cinco exemplares das versões mini da cabra, bode e cabrito. Sobre a reprodução, o proprietário responsável por esses bichinhos, Dorian Pedroso, de 49 anos, explica que são resultados de cruzamentos genéticos entre cabras convencionais.

O sucesso das pequenas não é proporcional ao tamanho, já que estão roubando a cena na Expoferr 2024. Elas estão localizadas próximo a área da Secretária Estadual de Saúde (Sesau). As visitas podem ser feitas durante os cinco dias de evento, e a entrada custa R$ 5. A visitação é gratuita para crianças de até 9 anos.

Dorian é responsável pelos animais da 'Fazendinha' — Foto: Nalu Cardoso / g1 RR
Foto: Nalu Cardoso/g1 Roraima

A alimentação delas varia entre a ração e a grama, além do cuidado com o sal mineral, segundo o proprietário. Dorian afirma, ainda, que as pequenas chamam mais atenção de famílias que passam pelo local.

A prova disso é a técnica em saúde bucal Regina Almeida, de 30 anos. Ela foi uma das mães que não resistiu aos encantos da mini-fazenda. Ela levou os dois filhos para passearem, e conta que achou os animais “diferentes”.

Regina Almeida conheceu a 'Fazendinha' com seus dois filhos — Foto: Samantha Rufino / g1 RR
Foto: Samantha Rufino/g1 Roraima

Além das mini-cabras, a “Fazendinha” tem diversos outros animais, de tamanhos variáveis. Entre eles, mini-vacas, mini-cavalo, mini-boi, ovelhas, porquinhos da índia e a grande novidade do ano: Lhamas.

Os animais são trazidos da capital do Amazonas, em Manaus. Dorian conta que cria mini-cabras há 10 anos, e é a primeira vez que expõe em Boa Vista.

Os preços variam. Uma mini-cabra fêmea, é vendida por 5 mil reais e a macho, por 3 mil. Já as tradicionais, são vendidas por cerca de 3 mil reais, é o que afirma Eneias Pereira, conhecido como “Neto do Carneiro”, que também é responsável por cabras que estão em exposição na Feira Agropecuária.

“Elas chegam a pesar 45, 50 quilos. É um animal rústico, africano e está se adaptando muito bem aqui no estado, no Brasil, que é nosso. [É importante] uma boa alimentação, para quando ela parir, ter uma boa lactação para seus filhos”.

Famílias visitam fazendinha na Expoferr — Foto: Samantha Rufino/g1 RR
Foto: Samantha Rufino/g1 Roraima

Expoferr 2024

A 43ª edição da feira começou nessa terça-feira (5) e segue até o dia 9 de novembro no Parque de Exposição Dandãezinho, localizado no Monte Cristo, zona Rural de Boa Vista.

Chamada pelo governo de “Expoferr Show”, a feira agropecuária é organizada pela Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária de Roraima (Faerr).

Este ano, o espaço da feira deve tem mais de 93 mil m² em infraestrutura montadas no Dandãezinho. A expectativa é receber 500 mil pessoas nos cinco dias de festa e movimentar R$ 600 milhões em negócios.

*Por Nalu Cardoso, da Rede Amazônica RR

Refúgio Tabuleiro do Embaubal, no Pará, celebra desova de quelônios de 2024

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Foto: Victor Baía

No Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal, em Senador José Porfírio, no sudoeste paraense, a temporada de desova de tartarugas-da-amazônia, tracajás e pitiús trouxe uma verdadeira explosão de vida. Considerada uma das maiores áreas de reprodução de quelônios no mundo, a Unidade de Conservação (UC) do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) tem sido refúgio para a perpetuação dessas espécies ameaçadas, onde entre 500 mil a 700 mil filhotes nascem anualmente. Este fenômeno torna o local uma das áreas mais importantes para a conservação de quelônios na Amazônia.

Criado pelo Decreto nº 1.566, de 17 de junho de 2016, o Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal possui uma área de 4.033,94 hectares e fica a cerca de 906 km de Belém. A UC, gerida pelo Ideflor-Bio, é um local de Proteção Integral, onde o uso de recursos naturais é restrito. Esse status garante a preservação das áreas de desova e assegura um ambiente seguro para esses quelônios.

A UC abriga a maior área de desova da tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), uma das espécies mais vulneráveis da região. No local, também ocorre a reprodução de tracajás (P. unifilis) e pitiús (P. sextuberculata). As tartarugas percorrem grandes distâncias para chegar ao Tabuleiro do Embaubal, o que reforça o papel da área na proteção de animais migratórios. “Esse local é vital para a continuidade das espécies, pois elas buscam o ambiente seguro do Tabuleiro para garantir a perpetuação das novas gerações,” destacou o técnico em Gestão Ambiental do Ideflor-Bio, Átilla Melo.

Biodiversidade

Além dos quelônios, o Tabuleiro do Embaubal também é habitat de outras espécies amazônicas de importância para a conservação, como o boto-vermelho (Inia geoffrensis), o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) e diversas espécies de jacarés. A presença dessas espécies no refúgio evidencia a importância ecológica da região, que serve não só como área de reprodução, mas como um verdadeiro santuário de biodiversidade.

A grande variedade de fauna atrai também aves migratórias, como a águia pescadora (Pandien haliaeteus) e o maçarico, representando ainda uma parada estratégica para várias espécies de aves. Esse intercâmbio entre diferentes grupos de animais ajuda a preservar a cadeia ecológica local, mantendo o equilíbrio dos ecossistemas amazônicos. “O Tabuleiro do Embaubal é um verdadeiro berço da vida amazônica. Proteger esse refúgio é garantir que futuras gerações conheçam a riqueza natural que temos aqui,” afirmou o gerente da Região Administrativa do Xingu, Marco Aurélio de Oliveira.

Ações

Com o período de desova, as ações de monitoramento e fiscalização no refúgio são intensificadas para garantir a segurança dos ovos e dos filhotes de quelônios. A equipe do Ideflor-Bio atua para evitar a predação natural e coibir a ação de caçadores e comerciantes ilegais, ameaças recorrentes que comprometem a sobrevivência dos animais. As operações de patrulha com o apoio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA) e educação ambiental envolvem tanto os técnicos quanto os agentes da segurança pública e a comunidade local, que é orientada sobre a importância da preservação.

O trabalho realizado no Tabuleiro do Embaubal é essencial para a recuperação das populações de quelônios na região. Segundo Átilla Melo, “cada filhote que nasce aqui é uma vitória. Nosso trabalho busca garantir que esses animais tenham uma chance de chegar à idade adulta e, assim, contribuir para a preservação de suas espécies”, frisou o especialista. 

A desova no Tabuleiro do Embaubal é um espetáculo natural que atrai também o interesse de pesquisadores e turistas, contribuindo para o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e ecoturismo. A presença de visitantes, sob regras restritas, ajuda a conscientizar sobre a importância das UCs e reforça o compromisso de todos com a preservação da biodiversidade.

Relembre como foi a soltura em 2023:

*Com informações da Agência Pará e Amazon Sat

No STF, Funai defende celeridade nos processos de demarcação como forma de reduzir violência contra os povos indígenas

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Foto: Gustavo Moreno/STF

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) apresentou na primeira semana de novembro o funcionamento e as etapas do procedimento demarcatório, no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Foi durante reunião de conciliação para discutir a Lei 14.704/2023, que estabelece a tese do Marco Temporal e outros dispositivos prejudiciais aos direitos indígenas. A autarquia indigenista defendeu estratégias para acelerar os processos de demarcação e lembrou a importância dos territórios para assegurar a existência dos povos indígenas e o acesso a direitos, além de reduzir a violência.

A diretora de Proteção Territorial, Janete Carvalho, representou a Funai na audiência. Ela explicou de forma detalhada as etapas do processo de demarcação. Com 20 anos de atuação na Funai, a diretora ressaltou o trabalho minucioso e técnico desenvolvido pelos servidores da autarquia indigenista desde a etapa de estudos até a regularização de terras. Embora a missão institucional da Funai de promover e proteger os direitos dos povos indígenas seja clara, a autarquia atua respeitando todas as normas legais, de modo a não violar direitos de terceiros.

Durante a audiência, a Funai, que é o órgão indigenista oficial do Estado brasileiro, apontou a necessidade de ampliar o quadro de servidores para a execução dos trabalhos. Atualmente, a autarquia tem cerca de 1.300 servidores para atender todo o país, sendo que quase 14% do território nacional é composto por terras indígenas. Após o sucateamento pelo qual passou nos últimos anos, a Funai trabalha para se reestruturar e recuperar sua capacidade de atuação.

Segundo a diretora da Funai, a judicialização em todas as etapas da demarcação é outro ponto que atrasa o processo. A cada pequena fase o Judiciário é acionado, explica Janete. Muitas vezes, sem argumentação fundamentada, o que trava o andamento dos procedimentos.

Além disso, a Funai destacou a importância do envolvimento dos governos estaduais e municipais como forma de aprimorar e acelerar a demarcação, a exemplo do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a autarquia indigenista e o Governo do Ceará. O mecanismo de cooperação resultou na demarcação física de três terras indígenas no estado em 2024.

A Funai reafirma o seu compromisso em promover e proteger os direitos dos povos indígenas e reforça a prioridade na demarcação de terras como o principal meio para garantir o acesso das comunidades indígenas a direitos como saúde, educação, segurança e cidadania.

Etapas da demarcação

As fases do procedimento demarcatório das terras tradicionalmente ocupadas são definidas pelo decreto 1.775/1996. O processo só é finalizado com a homologação e registro da área em nome da União com usufruto dos povos indígenas.

Confira as etapas

Em estudo: fase na qual são realizados os estudos antropológicos, históricos, fundiários, cartográficos e ambientais, que fundamentam a identificação e a delimitação da área indígena.

Delimitadas: fase na qual há a conclusão dos estudos e que estes foram aprovados pela presidência da Funai pela publicação no Diário Oficial da União (DOU) e do Estado em que se localiza o objeto sob processo de demarcação.

Declaradas: fase em que o processo é submetido à apreciação do ministro da Justiça, que decidirá sobre o tema e, caso entenda cabível, declarará os limites e determinará a demarcação física da referida área objeto do procedimento demarcatório, mediante portaria publicada no DOU.

Homologadas: fase em que há a publicação dos limites materializados e georreferenciados da área por meio de Decreto Presidencial, passando a ser constituída como terra indígena.

Regularizadas: fase em que a Funai auxilia a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), como órgão imobiliário da União, a fazer o registro cartorário da área homologada.

Além das fases mencionadas, pode haver, em alguns casos, o estabelecimento de restrições de uso e ingresso de terceiros para a proteção de indígenas isolados, mediante publicação de portaria pela Presidência da Funai, ocasião em que há a interdição de áreas nos termos do artigo 7º do Decreto 1.775/96.

*Com informações da Funai

Indígena do povo Yanomami é o 1° a se formar na UFRR e celebra: “vou começar a alfabetizar os meus curumins”

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Genivaldo Yanomami. Foto: Evilene Paixão/HAY/Divulgação


Estes são os planos de Genivaldo Krepuna Yanomami, de 39 anos, após se graduar na Universidade Federal de Roraima (UFRR) no curso de Licenciatura Intercultural pelo Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena. Ele é o primeiro indígena Yanomami a se formar na instituição.

No dia 2 de novembro, Krepuna afirmou que está muito feliz com a conquista. Agora, ele planeja retornar para a comunidade e repassar os conhecimentos adquiridos na graduação para o seu povo. A cerimônia de colação de grau ocorreu na última quinta-feira (31), no Centro Amazônico de Fronteiras (Caf) da UFRR.

“Eu quero trabalhar na área e ajudar outros Yanomami a estudar na universidade também, porque a dificuldade é muito grande para eles”, contou.

Genivaldo nasceu na região do Papiu, na Terra Yanomami e é morador da comunidade Tihinaki, no território Yanomami em Roraima. A região fica distante a uma hora de Boa Vista, onde as aulas ocorrem, e só é possível acessar através de aeronave.

No Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), ele contou os desafios de ser um Yanomami e estudar em uma universidade pública. Entre as barreiras enfrentadas, além da distância, Krepuna menciona o corte da bolsa permanência para indígenas e pandemia de Covid-19.

No período em que estudou na universidade, o novo graduado relembra que a cada 30 dias saía da Terra Yanomami para Boa Vista para estudar. Em um período, a própria UFRR chegou a fretar avião para trazê-lo às aulas.

“Tinha várias hospedagens que eu ficava, no Silvio Leite, Aparecida, na seda Hutukara [Associação Yanomami] e em algumas casas de apoio também. Trinta dias eu ficava aqui e depois voltava para a comunidade”, conta Krepuna, que em Tihinaki, sustenta os três filhos e a esposa através da roça e da caça.

Foto: Evilene Paixão/HAY/Divulgação

O processo de construção do trabalho de conclusão de curso durou três anos e foi escrito em Yanomami. O plano é ter uma versão bilíngue, em português, da pesquisa. “Graças a Omama [Deus da criação em Yanomami] eu venci”, celebra.

Krepuna se formou no Instituto Insikiran, o primeiro Núcleo de Formação Superior exclusivo para Indígenas no Brasil. O Insikiran surgiu em 2001, após reivindicação do movimento indígena roraimense. O núcleo oferta três cursos: Licenciatura Intercultural Indígena, Gestão Territorial Indígena e Gestão em Saúde Coletiva Indígena.

Antes de se formar na UFRR, ele foi um dos professores formado pelo Magistério Yarapiari, Projeto desenvolvido anos atrás pela Comissão Pró-Yanomami (CCPY), a partir de uma demanda do xamã e presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), Davi Kopenawa, para que formassem jovens yanomami para defender os direitos e a Terra Indígena Yanomami.

O Magistério Indígena Yarapiari é um curso voltado especificamente para os professores Yanomami, tratando dos saberes tradicionais e da cultura singular, com currículo específico nas escolas e no magistério. Dentre todas as etnias, os Yanomami são o grupo com menor percentual de professores qualificados em Magistério, segundo a Secretaria Estadual de Educação e Desporto.

Em agosto de 2022, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) formou uma turma de 42 professores Yanomami. A cerimônia ocorreu no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), o mais indígena do país.

Foto: Evilene Paixão/HAY/Divulgação

Terra Yanomami

Com cerca de 10 milhões de hectares distribuídos no Amazonas e em Roraima, onde fica a maior parte, a Terra Yanomami tem 371 comunidades de difícil acesso espalhadas ao longo da densa floresta amazônica. O povo Yanomami é considerado de recente contato com a população não-indígena. Além disso, no território há, ainda, indígenas isolados, sem contato ou influência externa.

Oficialmente demarcada em 25 de maio de 1992, o processo de avaliação e registro da Terra Indígena Yanomami durou quase 15 anos, o que envolveu uma longa batalha, com articulação internacional, até o governo brasileiro, à época presidido por Fernando Collor, homologar o território.

Nos últimos anos, a Terra Yanomami enfrentou uma crise humanitária e sanitária sem precedentes, com casos graves de indígenas com malária e desnutrição severa – problemas agravados pelo avanço de garimpos ilegais nos últimos quatro anos.

A invasão do garimpo predatório, além de impactar no aumento de doenças no território, causa violência, conflitos armados e devasta o meio ambiente – com o aumento do desmatamento, poluição de rios devido ao uso do mercúrio, e prejuízos para a caça e a pesca, impactando nos recursos naturais essenciais à sobrevivência dos indígenas na floresta.

*Por Samantha Rufino, da Rede Amazônica RR

Autoridades do Amapá defendem pesquisa na Foz da Bacia do Amazonas durante reunião com a Petrobras

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Autoridades do Amapá reuniram com a Presidente da Petrobras no dia 1º de novembro. Foto: Divulgação

Reuniram-se com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, no dia 1º de novembro, no Rio de Janeiro, os líderes representantes do Amapá, governador Clécio Luís, senador Davi Alcolumbre (União), coordenador da bancada federal e o líder do governo no Congresso Nacional, Senador Randolfe Rodrigues (PT), para tratativas sobre a exploração de petróleo na região da Foz da Bacia do Amazonas, na Margem Equatorial.

Os representantes do Amapá afirmaram no encontro o desejo de seguir com a exploração e “realizar o o sonho da população amapaense”, segundo o senador Davi. Magda afirmou ainda que a Petrobras vem empenhando todos os esforços para a região e acredita na possibilidade da Avaliação Pré-Operacional (APO).

“A Petrobras reitera sua total crença e todos os seus esforços na margem equatorial do Amapá. Vamos buscar transformar o potencial do estado em riquezas para a população”, disse a presidente.

Se autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a APO avança com testes de perfurações, que devem acontecer a cerca de 540 quilômetros da costa amapaense.

Alcolumbre destacou ainda que a possibilidade de pesquisar a exploração do petróleo no Amapá é um direito no Brasil, que promove a descoberta de mais riquezas na região, gerando mais empregos e qualidade de vida.

Randolfe Rodrigues disse que o Amapá não deve abrir mão das pesquisas para o maior conhecimento do potencial exploratório.

“Não é aceitável que, sob o rótulo de técnica, se expresse uma manifestação política que atenta contra o Amapá, os interesses dos amapaenses e contra a soberania nacional”, disse o senador.

Já o governador do estado, Clécio Luíz, disse que a margem equatorial é promissora por conta da similaridade de forma geológica, à localidades como as Guianas e Suriname, onde foram feitas descobertas de gás e petróleo.

O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, não compareceu devido à conflitos de agenda, mas informou que segue acompanhando a tratativa para o Amapá

Na reunião, a Petrobras afirmou empenho na exploração, apresentando uma equipe de 100 profissionais que devem realizar a proteção dos animais e preservação do meio ambiente e mais 12 embarcações apenas para esta atividade.

A empresa apresentou ainda, que pretende trabalhar com sistemas avançados de contenção de óleo, bloqueio de vazamentos de poços, ou capping, estrutura de coordenação e resposta a emergências, além de se responsabilizar pelo resgate e reabilitação dos animais do local em casos de vazamento.

Em maio do ano passado, o Ibama negou um pedido feito pela Petrobras para perfurar a bacia da Foz do Amazonas com o objetivo de explorar petróleo na região.

Segundo o documento, o plano da Petrobras possuía incertezas para atendimentos à fauna em possíveis acidentes com o derramamento de óleo. Outro ponto destacado foram lacunas quanto à previsão de impactos da atividade em três terras indígenas em Oiapoque.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Novos sítios arqueológicos no Parque Nacional de Anavilhanas são mapeados pelo ICMBio

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Foto: Adson da Silva Colares

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizou uma expedição histórica para mapear inscrições rupestres recentemente descobertas no Parque Nacional de Anavilhanas, no estado do Amazonas. A ação, realizada em razão da seca severa dos anos de 2023 e 2024, revelou registros arqueológicos até então desconhecidos, contribuindo para o fortalecimento do patrimônio cultural e ambiental da região.

Leia também: Plano de proteção para sítios arqueológicos do Amazonas é lançado pelo Iphan

Motivada por relatos de operadores de turismo locais sobre o avistamento de novos petróglifos (representações gravadas pelo Homem em pedra ou em rochas), a equipe do ICMBio conduziu um trabalho de pesquisa e verificação nos Parnas Anavilhanas e Jaú.

Foram identificados e georreferenciados três novos sítios arqueológicos localizados em Pedral do Najatuba, Terra Preta da Base 2 e Boca do Baependi. Além disso, novas inscrições também foram registradas em sítios conhecidos do Parna Jaú.  

A equipe foi composta por servidores do ICMBio e profissionais da área audiovisual, que captaram imagens e registros das inscrições para auxiliar na divulgação e preservação desses sítios.  

As rotas aquáticas percorridas durante a expedição foram registradas e estão disponíveis em formato digital, permitindo que pesquisadores e interessados possam visualizar os trajetos por meio do aplicativo Wikiloc. A iniciativa visa facilitar futuras pesquisas e promover a conscientização sobre a importância de proteger esses locais históricos.

Os resultados da expedição serão compartilhados com instituições parceiras, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), para apoiar ações conjuntas de conservação e divulgação do patrimônio arqueológico da Amazônia. 

*Com informações do ICMBio

Como indígenas da Amazônia se conectam com exposição de fotógrafas nonagenárias

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Catrimani 10, retrato de criança yanomami feito por Claudia Andujar no início dos anos 1970. Foto: Coleção da Artista/Cortesia Galeria Vermelho

Em 2015, a antropóloga Sylvia Caiuby Novaes saía do cinema quando uma cena lhe chamou a atenção. Ela viu as fotógrafas Claudia Andujar e Maureen Bisilliat e a antropóloga Lux Vidal caminhando juntas pela rua Augusta, em São Paulo, com os braços entrelaçados. “Essa imagem me inspirou a investigar quais eram as afinidades entre aquelas três mulheres”, lembra Caiuby Novaes, professora do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP).

A ideia originou o projeto de pesquisa “Fotografias e trajetórias: Claudia Andujar, Lux Vidal e Maureen Bisilliat”, coordenado por Caiuby Novaes, com apoio da FAPESP, entre 2019 e 2022, que se desdobrou em um site e mais recentemente na exposição Trajetórias cruzadas, em cartaz até fevereiro de 2025 no Centro MariAntonia da USP.

“Elas têm vários pontos em comum que vão além do fato de hoje serem nonagenárias”, conta Caiuby Novaes, que assina a curadoria da mostra com a antropóloga Fabiana Bruno, coordenadora adjunta do Laboratório Antropológico de Grafia e Imagem (La’grima) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora colaboradora do Departamento de Antropologia da USP.

Na beira do rio (sem data), registro do povo Xikrin por Lux Vidal.
Cortesia Laboratório de Imagem e Som em Antropologia da Universidade de São Paulo

Segundo as curadoras, as interseções começam na infância: as três nasceram na Europa, na década de 1930, época de ascensão de regimes totalitários como o nazismo. A suíça Andujar, por exemplo, cresceu entre a Hungria e a Romênia e, durante a Segunda Guerra Mundial, seu pai e a família paterna, de origem judaica, foram enviados aos campos de concentração de Auschwitz, na Polônia, e Dachau, na Alemanha. Já Vidal nasceu na Alemanha e passou a maior parte da infância e da juventude na Espanha e na França. “Sua família mudou-se várias vezes por causa da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Civil espanhola”, diz Bruno. Por sua vez, a britânica Bisilliat morou em diversos países, como Dinamarca, Colômbia e Argentina, quando criança por conta da profissão do pai, que era diplomata.

A passagem por Nova York antes de se radicarem no Brasil é outro ponto em comum na trajetória das três mulheres, que moraram e estudaram na cidade norte-americana a partir da década de 1940. “Claudia frequentou o Hunter College, quando começou a pintar telas inspirada pelo expressionismo abstrato”, conta Bruno. “Na mesma ocasião, Lux tornou-se bacharel em artes pelo Sarah Lawrence College, onde cursou antropologia, literatura e teatro. E Maureen, que começou a pintar em 1952, na Argentina, estudou cinco anos mais tarde na Arts Students League, que também fica em Nova York.”

Homem prepara urucum para pintura corporal no Xingu; fotografia (s/d) de Maureen Bisilliat. Cortesia Acervo Instituto Moreira Salles

Bisilliat, que já havia passado pelo Brasil no início da década de 1950, se muda em definitivo para o país no final de 1957. “Claudia chegou em 1955. Quando vêm morar aqui, as duas abandonam a pintura e começam a se dedicar à fotografia”, relata Caiuby Novaes.

Nos anos 1960, ambas vão trabalhar como fotojornalistas para revistas como Realidade, da editora Abril. É dessa época o ensaio Caranguejeiras (1968), que Bisilliat fez para Realidade e registra um grupo de mulheres catadoras de caranguejos na Paraíba – parte das fotos pode ser vista na exposição. 

“Desde a década de 1950, elas viajaram muito pelo Brasil e pela América do Sul, inclusive sozinhas, o que não era tão comum na época. Basta lembrar que foi somente com o Estatuto da Mulher Casada, de 1962, que as mulheres passaram a ter liberdade de viajar desacompanhadas no Brasil”, prossegue a antropóloga.

Além do trabalho em fotojornalismo, as curadoras destacam mais uma contribuição da dupla. “Claudia e Maureen tiveram papel importante na inserção da fotografia nos espaços expositivos brasileiros, como museus e exposições, a exemplo das bienais, sobretudo na década de 1970”, informa Caiuby Novaes. “Dentre outras coisas, elas passaram a fazer parte da Comissão do Setor de Fotografia do MAC [Museu de Arte Contemporânea da USP], em 1970.”

Algumas das imagens do acervo de Lux Vidal expostas no Centro MariAntonia da USP. Divulgação/Eduardo Fujise

Tanto Andujar quanto Bisilliat foram contempladas com bolsas FAPESP para realizar projetos de pesquisa. Devido a esse apoio concedido entre 1976 e 1978, a primeira prosseguiu o registro fotográfico dos Yanomami, que iniciaram em 1970, durante um trabalho para a revista Realidade, e também deu continuidade à coleta de desenhos realizados por eles. Entusiasta da literatura e da cultura popular do Brasil, Bisilliat recebeu os auxílios “Existência do mágico na realidade brasileira: Mário de Andrade”. “A presença mágica na realidade brasileira: Roger Bastide”, em 1981, e “Indumentária popular brasileira: Devolução, inspirado livremente nos escritos de Mário de Andrade”, em 1984.

Dentre as três, Vidal, que é professora emérita da USP, possui a trajetória mais vinculada ao mundo acadêmico. Após chegar a São Paulo em 1955, ela lecionou na Aliança Francesa e no Liceu Pasteur, e, em 1967, voltou a estudar antropologia na USP. Dois anos depois, tornou-se professora daquela instituição de ensino e a partir de então desenvolveu pesquisas com diversos povos indígenas, especialmente os Mebengokré-Xikrin, do Pará. “Ao longo dessas décadas, Lux fez cerca de 5 mil fotos, que estão guardadas no Laboratório de Imagem e Som em Antropologia da USP. Parte do material exposto foi publicada em seus livros, mas até então nunca tinha sido visto em grande formato”, afirma Bruno.

Desenhos do povo Yanomami recolhidos por Claudia Andujar na década de 1970. Divulgação/Eduardo Fujise

Dividida em três salas, a mostra reúne cerca de 300 fotografias, desenhos Xikrin e Yanomami, além do vídeo “Aqui é o mundo”, dirigido por Maíra Bühler, que registra um encontro das três fotógrafas no final do ano passado. Cinquenta por cento das imagens expostas são sobre a temática indígena e refletem um forte vínculo com essa questão. Bisilliat, que foi pela primeira vez ao Parque Nacional do Xingu no início da década de 1970, lançou dois livros sobre as viagens: Xingu (Editora Práxis, 1978) e Xingu/Território tribal (Livraria Cultura Editora, 1979), este em parceria com os indigenistas Claudio Villas-Boas (1916-1998) e Orlando Villas-Boas (1914-2002). Também dirigiu o documentário Xingu/terra (1981), em parceria com Lúcio Kodato.

No entanto, o envolvimento com a questão indígena não se restringe ao registro de imagens. Andujar ajudou a fundar no final da década de 1970 a Comissão pela Criação do Parque Yanomami (CCPY), que lutou pelo reconhecimento do território desse povo, só homologado em 1992. Já Vidal contribuiu para a criação de várias organizações indigenistas, como a Comissão Pró-índio de São Paulo, em 1978.

Maloca em chamas, imagem que integra a série A casa (1976), de Claudia Andujar. Coleção da Artista. Cortesia Galeria Vermelho

Parte das imagens de Vidal foi restaurada para a exposição a partir de pesquisa de iniciação científica financiada pela FAPESP da fotógrafa Isabella Finholdt, na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, sob orientação do fotógrafo João Luiz Musa. O estudo, que integrou o projeto “Fotografias e trajetórias: Claudia Andujar, Lux Vidal e Maureen Bisilliat”, investigou, por exemplo, formas de tratar imagens analógicas produzidas entre as décadas de 1960 e 1980.

Ao todo, o acervo fotográfico de Andujar, administrado pela galeria Vermelho, de Bisilliat, hoje depositado no Instituto Moreira Salles, e de Vidal, abriga mais de 50 mil imagens. “Apenas em relação à questão indígena, elas registraram vários temas como cotidiano, caça, casas, aldeias, rituais e pintura corporal”, informa Bruno. “Decidir quais dessas imagens entrariam na mostra foi um dos nossos grandes desafios”, conclui.

*O conteúdo foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP, escrito por Ana Paula Orlandi

Artista acreano tem obras selecionadas para exposição em museus no RJ e SP com artistas de todo o Brasil

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Foto: Ivan Campos/Arquivo Pessoal

Em meio a mais de 300 obras de artistas de todo o Brasil, o artista acreano Ivan Campos expõe seu trabalho em duas importantes exposições no circuito Rio de Janeiro/São Paulo: ‘Fullgás’, no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, e no Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Para a exposição ‘Fullgás – Artes Visuais e anos 80 no Brasil’, as obras foram escolhidas pela curadoria de Raphael Fonseca e, de acordo com o artista, foram produzidas desde o fim do Ato Institucional Número Cinco (AI-5), na ditadura militar, até após o período do impeachment do presidente Fernando Collor.

Nessa exibição, a intenção é proporcionar ao público o contato com uma geração que depositou muita energia não apenas em fazer arte, mas também em novos projetos de país e cidadania. ‘Fullgás’ permanece no CCBB do Rio de Janeiro fica até o final de janeiro de 2025 na cidade e, em seguida, irá percorrer os CCBBs dos demais estados brasileiros.

Ivan Campos expõe sua obra na exposição Fullgás – Artes Visuais e anos 80 no Brasil. Foto: Ivan Campos/Arquivo pessoal

Já na 38ª edição do Panorama da Arte Brasileira, intitulada Mil Graus, o curador Germano Dushá, escolheu a obra: “Rebanhos do Céu”, que é uma obra de sete metros de comprimento que faz parte do acervo da Assembleia Legislativa do Estado do Acre, explorando minuciosamente a exuberância da floresta amazônica a partir da visão do artista.

A mostra bienal do MAM apresenta 34 artistas de 16 estados brasileiros e está ocorrendo no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) onde permanecerá até o dia 26 de janeiro de 2025.

Ivan diz que sempre gostou da pintura ambiental, pois sempre amou pintar animais e sua técnica foi aprimorada através de observações.

A obra “Rebanhos do Céu” de 7 metros está exposta no 38º Panorama da Arte Brasileira: Mil graus. Foto: Ivan Campos/Arquivo pessoal

Ivan Campos

Acreano nascido em Rio Branco, o artista conta que seu interesse pela arte começou quando criança, após passar um longo período internado para tratamento de tétano. Durante essa época, ganhava diariamente da mãe desenhos feitos em sobras de papel de pequenas dimensões.

Campos guardou todos eles e, logo ao receber alta, começou a desenhar figuras vegetais e humanas que serviam de modelo para os bordados feitos pela mãe, Gercina. Durante a infância, ele também se ocupava de colecionar histórias em quadrinhos cujas imagens eram usadas de referência para seus decalques.

Foi com esses materiais feitos à mão – sobras de papel e histórias em quadrinhos de baixo custo – que Ivan Campos aprendeu a desenhar de maneira autodidata. Seu trabalho em pintura veio depois, quando jovem, após anos de aprendizagem com o desenho.

Artista acreano, Ivan Campos, expõe sua obra em exposição no Rio de Janeiro e São Paulo. Foto: Ivan Campos/Arquivo pessoal

Segundo o artista, desde o começo de sua produção até sua fase mais recente, o motivo da pintura é encontrado no ambiente em que está inserido: a floresta amazônica, com seus rios e igarapés, aspectos místicos de sua vivência com a ayahuasca e cenas de interiores sendo alguns dos mais frequentes.

Sua primeira exposição individual aconteceu em 2000, na Galeria de Artes do Sesc, em Rio Branco. Em 2005, foi laureado com medalha de ouro no 1º Salão Hélio Melo de Artes Plásticas, evento realizado pela Associação de Artistas Plásticos do Acre (AAPA), com a obra Alicerces da Terra.

Em 2005, duas de suas obras foram selecionadas para o Projéteis de Arte Contemporânea, da Rede Nacional de Artes Visuais – Redemergências: uma das abordagens possíveis de um novo olhar sobre a produção artística atual, organizado pela Funarte/RJ.

Artista acreano, Ivan Campos, expõe suas obras em exposições no Rio de Janeiro e São Paulo. Foto: Ivan Campos/Arquivo pessoal

Em 2012, participou do projeto Trajetórias – Artes Visuais, com exposição de suas obras na Galeria Chico Silva, na Usina de Arte João Donato. Em 2018, recebeu a insígnia no Grau Cavaleiro do Quadro Ordinário da Ordem da Estrela do Acre, honraria concedida a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do Estado ou protagonizaram atuações decisivas em prol da população.

Em setembro de 2024, Ivan Campos passou a ser representado pela Galeria Almeida & Dale, que promove o trabalho e legado de artistas brasileiros entre instituições e coleções privadas em todo o mundo. A galeria desempenha o papel de revisitar a produção de artistas fundamentais na história da arte, incluindo nomes consagrados e outros ainda pouco conhecidos.

Intervenção urbana

Em 2014, as ruas da capital acreana receberam obras de 12 artistas que vivem em Rio Branco, sendo que um dos escolhidos foi o Ivan. A fotógrafa Talita Oliveira decidiu levar as galerias de artes para as ruas com o projeto ‘Artista de Plástico’, ampliando em grandes formatos (1,30m x 90 cm) fixou através de lambe-lambe [colagens em áreas urbanas normalmente feitas com cola de polvilho ou farinha], em diferentes bairros da cidade.

Em 2015, Ivan também fez parte de outra intervenção urbana também produzida pela fotógrafa Talita Oliveira, dessa vez, na cidade de Porto Velho (RO). Ela expôs obras reproduzidas fotograficamente de quatro artistas acreanos.

*Por Hellen Monteiro, da Rede Amazônica AC

Frutas e vegetais colombianos: 5 receitas diferentes de sucos naturais 

Foto: Divulgação/Procolombia

Frutas e vegetais são importantes para a saúde e uma das melhores formas de apreciá-los é preparando receitas de sucos naturais. Os sucos colombianos são uma opção diferente quando se trata de desintoxicar o corpo e podem combater até mesmo a retenção de líquidos. Além disso, ajudam o corpo a se recuperar do impacto de certos alimentos, bebidas, álcool e até cigarros.

É importante procurar orientação médica antes de começar uma desintoxicação, especialmente se você estiver grávida ou amamentando. No entanto, se quiser experimentar os sucos feitos com frutas colombianas, os seguintes são opções nutritivas para aproveitar a qualquer hora do dia:

1. Suco de beterraba, banana e laranja

Mais de 4.000 hectares no departamento colombiano de Boyacá são dedicados ao cultivo de beterraba. Este vegetal tem um sabor doce e é rico em ferro, cálcio e vitamina A e C, o que o torna o vegetal ideal para preparar um suco para começar o dia.

Corte meia beterraba em cubos e bata com uma laranja e uma banana para criar um shake cremoso, rico em nutrientes. Pode ser adoçado com mel ou açúcar.

Foto: Divulgação / Procolombia

2. Suco de Physalis, cenoura e laranja

A Colômbia é um dos maiores produtores mundiais de uchuvas, também conhecidas como groselhas do cabo, bagas douradas, golden berries ou ainda Physalis. Esta fruta pequena e ligeiramente ácida é um alimento básico nos departamentos de Cundinamarca, Boyacá, Santander, Antioquia e Nariño.

Esta fruta exótica é fonte de vitamina A, B e C , e também fósforo. Seu sabor dará um impulso ao seu suco de laranja matinal diário.

Extraia o suco de um punhado das golden berries e bata com uma cenoura e uma laranja para criar um dos melhores sucos naturais de frutas.

Foto: Divulgação / Procolombia

3. Suco verde: uvas, maçã verde, abacate e espinafre

O departamento de Valle del Cauca tem alguns dos maiores vinhedos do país, mas suas uvas brancas não são apenas um ingrediente na produção de vinho colombiana. Elas são muito procuradas também por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias e podem ajudar a retardar os sinais de envelhecimento.

Misture uvas brancas com maçãs verdes, um maço de espinafre e meio abacate colombiano Hass para criar um suco verde cheio de nutrientes. É melhor consumi-lo com o estômago vazio logo pela manhã, pois ele vai impulsionar seu corpo com vitaminas para prepará-lo para o dia que está por vir.

Foto: Divulgação / Procolombia

4. Smoothie de manga e maracujá

O maracujá é uma das frutas exóticas mais amadas da Colômbia no mundo. Mais de 70% do maracujá colombiano é cultivado para exportação e é ideal para misturas de sucos saudáveis, graças ao seu alto teor de vitamina C e ferro e ao fato de ser cheio de antioxidantes.

Misture polpa de maracujá com manga colombiana (as variedades incluem manga rainha, manga açúcar e manga maçã) para criar um smoothie. Você também pode misturar este smoothie com água com gás para criar um coquetel refrescante e sem álcool para aproveitar com os amigos.

Foto: Divulgação / Procolombia

5. Suco verde: maçã e feijoa

Feijoa é um alimento básico nos departamentos colombianos de Boyacá, Caldas, Cundinamarca e Antioquia. Nos últimos 15 anos, suas exportações aumentaram, alcançando principalmente o mercado europeu e, especialmente, a Alemanha.

A feijoa estimula os sistemas digestivo e cardiovascular do corpo, também é usada para uso dermatológico, é rica em tiamina e vitaminas C e E. Desintoxique seu corpo e melhore seu sistema imunológico com um suco verde que mistura polpa de feijoa com pedaços de maçã verde logo pela manhã.

*Com informações do Procolombia

“É um problema nosso”: especialista em manguezais fala sobre a importância de preservá-los

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Martim-pescador-verde (Chloroceryle amazona), espécie de ave que pode ser encontrada em manguezais. Foto: Martha de Jong-Lantink via Flickr (CC BY-NC-ND 2.0).

Ainda criança, Mário Soares explorou pela primeira vez um manguezal em Guaratiba, Rio de Janeiro, lugar que permaneceu importante ao longo de sua vida. Após graduar-se em Oceanografia e realizar uma pesquisa sobre uma espécie de caranguejo de manguezal na Baía de Sepetiba, Soares decidiu mudar seu foco para a ecologia de ecossistemas. Durante seu doutorado na Universidade de São Paulo, ele retornou a Guaratiba para estudar os manguezais da região e, mais tarde, serviu como chefe da Reserva Biológica de Guaratiba.

Leia também: Conheça os manguezais da Amazônia, o maior cinturão de manguezais do mundo

Hoje, com mais de 30 anos de pesquisa em manguezais, Soares é professor no departamento de Oceanografia Biológica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordena o Núcleo de Estudos em Manguezais (Nema), onde conduziu pesquisas pioneiras no Brasil sobre o impacto das mudanças climáticas sobre os manguezais e seu papel no sequestro de carbono.

No Nema, ele adota uma abordagem transdisciplinar na pesquisa dos manguezais, colaborando com áreas como oceanografia química, geografia, ciência política e antropologia. Seu trabalho busca produzir ciência aplicada, colaborando com gestores ambientais. Nos últimos 15 anos, também investiga conflitos socioambientais em diversos contextos no Brasil.

Soares conversou recentemente com a Mongabay em uma chamada de vídeo. A seguinte entrevista foi editada para maior concisão e clareza.

Com mais de 30 anos de pesquisa em manguezais, Mário Soares é professor no departamento de Oceanografia Biológica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordena o Núcleo de Estudos em Manguezais (Nema). Foto cedida pelo Núcleo de Estudos em Manguezais – Nema/UERJ.

Qual a importância dos manguezais na mitigação das mudanças climáticas?

Mário Soares: A importância [dos manguezais] não é apenas na mitigação. Quando a gente fala de mitigação pelos manguezais, a gente acaba falando muito em termos de sequestro de carbono — que eles aprisionam muito carbono —, mas essa é uma das formas de eles mitigarem. A outra forma é reduzir a vulnerabilidade das zonas costeiras. Essa é uma das críticas que eu faço à questão do carbono. A gente acaba generalizando o manguezal como um aprisionador de carbono, quando, na verdade, ele tem diversas funções.

Por exemplo, eles funcionam como protetores contra tempestades. A gente sabe que as áreas da zona costeira que estão associadas aos manguezais são muito mais protegidas, mais resilientes e menos vulneráveis a tempestades e a eventos extremos, que são algumas das consequências das mudanças climáticas. Eles também são como uma mata ciliar, funcionando como uma esponja e reduzindo a probabilidade ou os efeitos de inundações na zona costeira.

Ainda há outras funções relacionadas à redução da vulnerabilidade. Por exemplo, pelo fato de propiciarem diversos serviços às comunidades que os exploram para pesca, os manguezais fornecem bens e serviços fundamentais para manter essas pessoas menos vulneráveis em cenários de escassez.

E como as mudanças climáticas podem impactar os manguezais?

Mário Soares: Como ele é um sistema natural, também é vulnerável às mudanças climáticas. Então, o que eu sempre falo é que tem um ciclo que se retroalimenta: para que os manguezais possam exercer o papel deles na redução da vulnerabilidade e na mitigação, a gente precisa ajudá-los a ter a sua própria vulnerabilidade reduzida. Ou seja, se a gente não trabalhar para que eles se perpetuem, o papel deles na redução de vulnerabilidade vai ser perdido.

Então, a gente tem que reduzir a vulnerabilidade deles para que eles reduzam a vulnerabilidade da zona costeira. A gente está falando de um sistema de florestas na região que a gente chama de entremarés — entre a maré baixa e a maré alta. Então, a primeira coisa que a gente vê é que ele vai sofrer principalmente com a elevação do nível do mar; se o nível do mar subir rapidamente, ou eles se afogam ou eles se adaptam. Uma das formas de eles se adaptarem é se reposicionar na zona costeira, como se o sistema todo migrasse conforme o nível do mar vai subindo.

Isso tem ocorrido, e a gente monitora a floresta de mangue com esse objetivo há 25 anos. Tem uma área no Rio de Janeiro, na Reserva Biológica de Guaratiba, que não era um manguezal há 25 anos e hoje é uma floresta de mangue; era uma área atrás do manguezal. Só que, para isso acontecer, você precisa ter um planejamento de ocupação da zona costeira em longo prazo. Não adianta construir uma estrada, uma cidade ou uma indústria atrás, porque o manguezal não vai conseguir se adaptar. Então, a gente tem que deixar essas áreas “reservadas” para que eles possam se acomodar e aí a gente poder se beneficiar da existência deles.

E, da mesma forma que ele protege a zona costeira de eventos extremos, ele é vulnerável a esses eventos. Em áreas com furacões e tempestades, os manguezais muitas vezes são destruídos, mas isso não quer dizer que eles não possam se recuperar. E, ao ser destruído, na verdade, ele está dando a vida pela zona costeira, porque ele amortece o efeito da tempestade, que encontra uma barreira e não bate de frente com o que está atrás dos manguezais.

Pode haver um impacto por alteração nas características climáticas em termos de distribuição e intensidade de chuvas. Como uma floresta, ele precisa de água doce e uma dessas fontes é a chuva. O clima pode ficar mais úmido, o que pode ser bom, mas ele pode ficar mais seco, árido e mais quente. Então, ele também vai sofrer o impacto dessas mudanças em termos de precipitação, de temperatura, de disponibilidade de água doce nesta região.

Um dos principais argumentos usados em favor da conservação dos manguezais é ressaltar sua alta capacidade de retenção de carbono. Quais poderiam ser as limitações e problemas dessa abordagem?

Mário Soares: A primeira coisa que a gente tem que ter clareza é que a gente está submetendo o sistema à lógica do mercado. Eu me lembro que, quando comecei a estudar manguezais, o carbono era carbono. Hoje, você abre o computador e encontra na internet várias cotações do carbono. Ou seja, a gente está querendo resolver um problema aplicando a lógica que criou o problema — a lógica do mercado — e ninguém resolve um problema aplicando a mesma lógica que o criou.

A segunda questão é que o mercado de carbono não ataca o problema; ele ataca o sintoma. Ou seja, você não reduz as emissões. Na verdade, o que a gente tem visto é o aumento das emissões, e o que acontece é que, de certa forma, você está dando uma autorização para a manutenção de emissões a serem compensadas pelo sequestro em outro sistema.

E com essa moda, houve uma correria nos últimos editais de pessoas procurando áreas para plantar mangue. Inclusive, eu tenho visto projetos de plantio de mangue em áreas que não eram manguezais. Porque virou uma febre, virou um negócio e uma possibilidade de projeção para o governo, para ONGs, pesquisadores e empresas. Ou seja, é visibilidade, prestígio e acesso a recursos.

Além disso, eu tenho observado um crescente assédio sobre as comunidades tradicionais. Ou seja, comunidades sendo assediadas por empresas, ONGs, empresas de plantio de florestas, empresas de crédito de carbono, de certificação. E alguns desses projetos não respeitam o modo de vida dessas comunidades.

Por outro lado, plantar sempre é bom, mas essa não é a solução do problema. Por isso, no policy briefing [da COP 28, publicado em 2023] a gente fala que, antes de plantar, a gente tem que reduzir as emissões. Mas a recuperação de áreas que devem ser recuperadas sempre é bem-vinda.

Os manguezais do Brasil, por mais que tenham tido redução histórica em algumas áreas, 80% estão em unidades de conservação, então a gente precisa protegê-los.

No meu ponto de vista, o fato do manguezal ter uma alta quantidade de carbono quando comparado a outros sistemas, mostra a importância da conservação dos manguezais. A gente tem um sistema com uma grande quantidade de carbono; se a gente destroi esse sistema, essa quantidade de carbono é colocada para a atmosfera. Então, o foco é nas emissões evitadas. A gente tem que mostrar que é importante ter recurso e financiamento para conservação dos sistemas ou para recuperar os que têm que ser recuperados.

Atualmente, quais são as principais ameaças aos manguezais e às comunidades que dependem desses ecossistemas?

Mário Soares: Quando a gente fala de comunidades associadas aos manguezais, normalmente, a gente fala de comunidades tradicionais e de uma enorme diversidade de grupos, porque os manguezais ocorrem no Brasil desde Laguna, em Santa Catarina, até Oiapoque, no Amapá. Uma comunidade tradicional que vive no Pará é totalmente diferente de uma comunidade tradicional que vive em Laguna. Você tem desde os caiçaras no Sul e no Sudeste até quilombolas, povos originários das regiões costeiras, ribeirinhos e um monte de gente que vive associada aos manguezais.

Mas os manguezais não estão beneficiando só essas comunidades; eles estão beneficiando a gente também. Quando eles sequestram carbono, estão sequestrando para todo mundo; quando eles protegem a linha de costa, estão protegendo não só a comunidade tradicional, mas também a cidade próxima. E quando alguém pesca, pesca não só para subsistência, mas para você também, que come o peixe.

Muita gente diz: “isso não é meu problema”. É um problema nosso, tanto é que, quando você destrói um sistema natural como a Caatinga ou o manguezal, e a comunidade que depende dele passa a ficar vulnerável, essa comunidade pode migrar e se tornar uma subsociedade dentro de um centro urbano próximo, afetando você indiretamente, ou ela pode ser atendida por programas sociais que saem dos nossos impostos. Então, diz respeito a todos nós.

Então, quando a gente fala de ameaça a essas comunidades, estou falando das grandes ameaças aos manguezais do Brasil: expansão urbana — e aí todo o litoral brasileiro sofre disso — esgoto, lixo, exploração de petróleo. E, quando eu falo de exploração de petróleo, estou falando de toda a cadeia do petróleo, desde a exploração e o transporte (seja por navio, seja por dutos) até a manipulação e o refino. A gente já teve acidentes com navio, com plataforma e com duto. Então, esse é um problema generalizado.

Quando eu falo de expansão urbana, a gente pode incluir também o setor de turismo nesta conta. E no Nordeste a gente tem um problema extremamente sério, que é a exploração e destruição de manguezais para a implantação de fazendas para a criação de camarão marinho, o que chamamos de carcinicultura. É o mesmo problema que a gente observa no interior do Brasil, porque é um estilo de agronegócio que não só destrói o ambiente, mas também cria fortes conflitos socioambientais. A gente tem trabalhado muito com essas pessoas desde a década de 90. É um setor problemático, porque tem um forte lobby; é um setor de concentração de terra e que gera conflitos socioambientais.

Ou seja, são diversos problemas que afetam os manguezais, porque a gente está falando de um ambiente que ocorre na zona costeira, que é uma área valorizada para a ocupação de empreendimentos turísticos e, muitas vezes, também é a mesma área onde você vai ter cidades, grandes centros urbanos, portos e polos industriais, porque o manguezal ocorre em áreas abrigadas — em lagoas, baías e desembocaduras.

Como o Nema envolve as comunidades locais na resolução de problemas ambientais?

Mário Soares: A gente tem trabalhado muito com as comunidades, não só na produção de conhecimento, mas no apoio a algumas lutas. Um exemplo bastante emblemático para entender é o derramamento de óleo na costa do Nordeste em 2019. O governo não se mostrou nem um pouco sensibilizado para enfrentar o problema. Então, o enfrentamento estava sendo feito pelas populações tradicionais, pelos moradores, pelas ONGs e alguns cientistas. Enquanto via alguns colegas querendo pegar dados e já pensando em publicar artigos, eu fui a um fórum geral e articulei um projeto com as comunidades de uma reserva extrativista na Bahia.

A gente colocou à disposição das comunidades um laboratório de geoquímica orgânica que é nosso parceiro dentro da faculdade de Oceanografia, porque eu falei para eles: a gente tem que tentar conter o óleo, mas em pouco tempo vocês vão enfrentar um problema de segurança alimentar. Então, a gente já tem que pensar nisso lá na frente: vão proibir vocês de consumirem peixe e vão proibir vocês de comercializarem pescado porque não sabem se está contaminado.

Então eu falei: a gente vai colocar à disposição de vocês um laboratório que faz essa análise. Cederemos o laboratório, os pesquisadores e os técnicos. E aí eu falei: só que quem vai fazer o desenho de amostragem são vocês. Então eles definiram: a gente tem esses peixes, esses moluscos, esses crustáceos. Uma equipe fez a coleta com eles e trouxe o material. A gente fez a análise com a participação dos pescadores e, graças a Deus, não estava nada contaminado; eles podiam consumir e comercializar.

Passaram-se dois anos, a gente escreveu o artigo e um dos pescadores é coautor do artigo. Óbvio, ele não vai ficar discutindo química analítica. Mas ele teve um papel no desenvolvimento do estudo. Então, é um exemplo de como a gente encara. O que eu prego muito para os meus alunos é que não existe um conhecimento mais importante que o outro — eles se complementam.

Manguezal visto do mar. Foto cedida pelo Núcleo de Estudos em Manguezais – Nema/UERJ.

Porque os manguezais são particularmente vulneráveis a derramamentos de óleo?

Mário Soares: Existe uma tabela que foi desenvolvida na década de 70 e foi utilizada pela NOAA [Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, com sede nos Estados Unidos] com uma escala de sensibilidade de 1 a 10. O manguezal é o 10, sendo o sistema considerado mais sensível ao óleo. São vários motivos. Em primeiro lugar, é um sistema extremamente relevante em termos de importância ecológica, produtividade e manutenção da diversidade biológica. Além disso, uma vez atingido, não há nenhuma estratégia eficaz de remoção do óleo. É uma floresta com lama. Você não consegue entrar com maquinário e, se entrarem ali, vão pisotear e fazer com que o óleo penetre ainda mais na lama. Diferente do que acontece na praia, onde a areia é removida e jogada fora, ou no costão rochoso, onde se faz um jateamento.

Quando o óleo entra no manguezal, ele pode permanecer lá por décadas. Existem duas formas de remoção do óleo: pela lavagem das marés e pela degradação pela microbiota. O óleo nada mais é do que matéria orgânica. E como qualquer matéria orgânica, ele é passível de ser degradado por bactérias. Isso faz com que haja a possibilidade de uma remoção biológica pela degradação. O que acontece no manguezal é que a lama tem muito pouca concentração de oxigênio, então a degradação da matéria orgânica é mais lenta. Além disso, aquela lama já possui muita matéria orgânica. Quando a gente entra no manguezal e sente um cheiro de ovo podre, é a matéria orgânica sendo degradada de forma anaeróbica.

Esse óleo vai competir com a matéria orgânica natural pela degradação pela comunidade microbiana. Então, além de ser um ambiente sensível pela sua importância, e de não existirem métodos eficazes de limpeza do óleo que cai no manguezal, o óleo tende a ser degradado de forma muito lenta. Uma aluna de doutorado fez a tese dela com hidrocarbonetos de petróleo; coletou colunas de sedimento na Baía de Guanabara, fez análise dos hidrocarbonetos do óleo e datação. Assim, conseguimos reconstituir os últimos 100 anos. Ela encontrou no meio desse testemunho óleo de um derramamento que ocorreu na Baía de Guanabara em 1975. Está lá; a gente vê o derramamento de 1975, o de 1997 e o de 2000 ainda no sedimento. Então, pode levar décadas para o manguezal se recuperar e o óleo continua lá.

Recentemente, você participou de um projeto de pesquisa nos manguezais da costa norte do Brasil. O que caracteriza e torna tão especial essa faixa de manguezais?

Mário Soares: Na verdade, ela não é mais especial que os outros manguezais — todos são especiais e importantes. Em uma escala nacional, 80% dos manguezais brasileiros estão na costa norte. Então, é a maior área de manguezais do Brasil, uma área extensa; do Maranhão até a foz do Amazonas, a gente tem a maior área contínua de manguezais do planeta.

Além disso, a gente tem várias reservas extrativistas ali, ou seja, várias comunidades tradicionais que utilizam aqueles manguezais, mas não só elas, existe toda uma cadeia produtiva da pesca que depende deles. Então, eles têm um papel econômico muito forte, existe turismo associado a esses manguezais. Se você for em algumas áreas do Pará, tem uma cadeia de pesca esportiva enorme, tem passeios, turismo, educação, ou seja, existe uma diversidade muito grande de usos nesses manguezais.

Você poderia explicar, de forma geral, a proposta do projeto no qual você participou na costa norte do Brasil?

Mário Soares: Foi um projeto que envolveu muitos laboratórios e foi coordenado por uma empresa de oceanografia. A gente foi estudar manguezais do Maranhão ao Amapá, e tem áreas no Amapá que, saindo do Rio de Janeiro, leva uns quatro dias para chegar na área onde você vai trabalhar.

A gente realizou estudos de campo que consistiram em medir vegetação, colocar sensores de coleta de dados de maré e de circulação, sensoriamento remoto por satélites com imagens de alta definição e LiDAR [sensor remoto de detecção e alcance de luz]. E a gente fez uma modelagem nova no país.

O objetivo do projeto era propor uma nova metodologia de vulnerabilidade dos manguezais a derramamento de óleo. Toda a análise dos manguezais com petróleo é em cima dessa tabela de sensibilidade [da NOAA], onde os manguezais têm a sensibilidade 10. E o que a gente prega é que os manguezais não são homogêneos, eles são únicos. Então se você sobrevoa os manguezais, você vai ver uma floresta homogênea, mas se você for lá dentro, ele é totalmente diferente. A sensibilidade dele é diferente se o manguezal está próximo do mar, se o manguezal está mais próximo da terra, se ele é mais lavado pelas marés.

Então, o primeiro desafio do projeto era fazer uma abordagem que a gente chamou de infrassistêmica. É dizer que os manguezais, naquela escala, têm sensibilidade 10, que é alta, mas o que a gente defendia é que existem manguezais que têm sensibilidade maior ainda. Então a gente já partiu nessa escala de alta sensibilidade: muito alta e extremamente alta, foi o que a gente chegou. A gente queria mostrar que ele não era homogêneo. Esse era o primeiro ponto.

O segundo ponto: a gente quis mostrar que a vulnerabilidade, muitas vezes, é usada conceitualmente de formas diferentes e equivocadas. Às vezes você está falando de vulnerabilidade, mas na verdade está falando de sensibilidade ou suscetibilidade. Então, a gente defendia que a vulnerabilidade é dividida em três componentes. Mas é importante primeiro entender que a vulnerabilidade diz respeito a algum agente. As pessoas muitas vezes falam “é vulnerável à mudança climática”, isso é um vazio porque a mudança climática pode ser elevação no nível do mar, pode ser mudança de chuva, pode ser ao mesmo tempo vulnerável à elevação do nível do mar e não ser vulnerável a tempestades.

Então, você definindo o agente, no nosso caso o derramamento de óleo, você tem a sensibilidade, que é o quanto o sistema vai sentir o efeito desse agente se ele for atingido, ou seja, o quanto eu sou sensível a esse agente. Esse é o primeiro componente.

O segundo componente é a suscetibilidade, que é a probabilidade de ser atingido pelo agente, no caso pelo óleo. A probabilidade a gente calculou através de modelagens. É um modelo de probabilidade. Então, é a probabilidade de um óleo que sai de um ponto chegar ao outro ponto. E o terceiro componente da vulnerabilidade é a resiliência, que é a capacidade de você se recuperar. Ou seja, a sua resposta ao agente. Qual é a capacidade de você se recuperar se você for atingido pelo óleo.

Durante a sua palestra na Conferência Nacional dos Manguezais, você menciona que na costa norte “você precisa se curvar às forças da natureza que regulam todo seu processo de trabalho”. Quais são os grandes desafios de se trabalhar em uma região como essa?

Mário Soares: Quando você vai lá e fica em um barquinho à deriva ao largo da Ilha de Marajó, na desembocadura do Rio Amazonas, você vê que não é fácil. Além da gente estar falando de uma área enorme, com milhares de quilômetros e um cinturão de manguezal que vai do Maranhão até o Oiapoque, tem um sistema com uma corrente super forte que vem de leste para oeste. A gente tem uma amplitude de marés extremamente alta, aquela que a gente cresce ouvindo na escola, a pororoca.

A amplitude de marés, que é a diferença entre a maré baixa e a maré alta, aqui no sul do Brasil é menor que 2 metros, ou seja, a maré oscila menos de dois metros. Lá, a gente está falando de 8 a 10 metros. Isso é muita energia. Além disso, tem aqueles rios enormes desembocando e, dependendo da época, uma grande quantidade de chuva. A época chuvosa no norte do Brasil é uma doideira, porque você tem um sistema de corrente enorme, de repente sobe a maré, de repente a maré desce. No fim da tarde, cai aquela chuva, você olha para o chão e vê aquela água evaporar — é muita energia.

Quem defende a exploração de petróleo naquela região fala: “Mas a tecnologia está melhor”. Não é questão de tecnologia. São forçantes naturais, uma área enorme com grande energia, e se a gente não consegue conter de forma decente um derramamento de óleo dentro da Baía de Guanabara, um lugar confinado, sem nenhuma dessas energias que eu mencionei, a gente nunca vai conseguir conter. A gente nem tem equipamento suficiente para conter uma coisa dessa em uma extensão tão grande.

Ainda tem um agravante: o sistema de correntes leste-oeste extremamente forte. Ele tem um agravante forte de política internacional. Dependendo da área onde está sendo explorado o petróleo, qualquer derramamento de óleo pode atingir os países vizinhos, como Guiana Francesa, Guiana, Suriname, Venezuela e até alguns estados da região do Caribe, por causa desse sistema de circulação oceânica. Então, não é uma questão só do Brasil. É uma questão que envolve relações internacionais, um problema sério em termos diplomáticos.

Não é uma questão de se tiver um derramamento de óleo, é uma questão de quando tiver. É fato, sempre tem. E tem muita coisa em risco. A gente está colocando vários outros setores da economia e da sociedade em risco. A gente acha que a venda vai gerar riqueza. Pode até gerar riqueza para alguns setores e de forma pontual, mas é só olhar as áreas onde o setor de petróleo se colocou que a gente vê a quantidade de problemas sociais e ambientais que vão junto.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Vitor Prado dos Anjos