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Pesquisa desenvolve alimentação animal a partir da mandioca no Pará

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Foto: Divulgação/Fapespa

A mandioca, raiz nativa, que já ganhou o título de “alimento do século 21”, pela Organização das Nações Unidas (ONU), é a base da pesquisa do projeto ‘Desenvolvimento de produtos para a alimentação animal a partir da mandioca e seus derivados’. A iniciativa cria e avalia alimentos ensilados e desidratados a partir de derivados da mandioca, utilizando-os como alternativa para alimentação de bovinos e ovinos. 

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Financiada com recursos do Governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), a proposta tem foco na Sustentabilidade e no desenvolvimento socioeconômico da Amazônia e busca, ainda, reduzir custos na pecuária, oferecendo alternativas de baixo custo aos alimentos convencionais utilizados, como milho e soja.

No total, são seis experimentos, sendo quatro experimentos que se concentram na análise dos processos de conservação dos alimentos (ensilagem e desidratação), verificando a qualidade fermentativa e a composição química; e dois experimentos que avaliam os produtos gerados em ovinos, analisando variáveis como consumo, digestibilidade e desempenhos dos animais.

Leia também: Mandioca ou macaxeira: pesquisadora paraense explica as diferenças

Deste modo, são desenvolvidos produtos para a alimentação animal a partir de derivados oriundos do cultivo e processamento da mandioca, avaliando os impactos produtivos e econômicos da sua utilização em propriedades rurais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. E ainda, contribui para diminuir o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado dos resíduos e para a formação de recursos humanos qualificados nas áreas agrárias.

Para o doutor, Thiago Carvalho, pesquisador responsável e professor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), “o desenvolvimento deste projeto de pesquisa é de grande relevância devido aos seus amplos impactos econômicos, sociais e ambientais. Ele visa promover o desenvolvimento socioeconômico e a diversificação de renda para pequenos produtores de mandioca e farinheiras, agregando valor aos derivados da cultura”.

Mandioca como alimento

Os resultados iniciais da pesquisa indicaram que a casca de mandioca é mais bem preservada na forma de silagem do que quando exposta, uma prática comum entre produtores. Nesse processo, foi adicionado o componente da torta de dendê, aditivo esse capaz de absorver a umidade e contribuir para redução da deterioração da silagem. 

Em testes com animais, os dados fundamentaram que a silagem de casca de mandioca pode substituir o milho nas dietas, sem perda de desempenho, e, também, resultou no desenvolvimento de um produto já comercializado: a silagem de casca de mandioca com torta de dendê. 

mandioca
Foto: Marcos Santos/USP

As pesquisas que resultaram em três defesas de mestrado, em 2025, apontaram a expansão das formas de utilização dos derivados da mandioca além da ensilagem. Além disso, demonstraram a boa conservação por desidratação solar dos farelos de folha e casca, que são fontes de proteína e energia, respectivamente, nas dietas animais. 

Outra inovação avaliada foi o enriquecimento proteico da casca de mandioca, um derivado energético. Este processo visa aumentar a concentração proteica da casca por meio da inclusão de ureia e do crescimento de leveduras. E, ainda estão em desenvolvimento, mais duas pesquisas adicionais: uma destaca a qualidade fermentativa e composição química dos derivados em formulações de rações parciais, e a outra visa validar o uso de todos os produtos gerados (farelos e casca enriquecida) em animais.

Inovação

O projeto mantém parcerias estratégicas com o Museu da Mandioca da Amazônia, localizado na comunidade de Espírito Santo do Itá, Santa Izabel -PA, e com a empresa Bonnagro, responsável pela disseminação dos produtos. 

Em outubro de 2025, o pesquisador, Thiago Carvalho, esteve nos Estados Unidos (EUA) divulgando os resultados do projeto financiado pela Fapespa e gerenciado pela Fundação Guamá.

Foram três apresentações: a primeira apresentação foi para o grupo da professora Tanya Gressley e do doutor Limjn Kung Jr., referências na área de conservação de forragens, na University of Delaware em Newark-DE, onde o pesquisador concluiu seu doutorado sanduíche, de 2013 a 2014.

A segunda apresentação na University of Florida’s Institute of Food and Agricultural Sciences (UF/IFAS), Animal Science Building, com o grupo de pesquisa do professor indiano Vyas e sua equipe de pesquisadores de diversos países, como Índia, Paquistão, Estados Unidos, Brasil e outros. Por fim, na University of Florida, em Gainesville-FL e em Marianna-Florida, na University of Florida – North Florida Research and Education Center (NFREC), para o grupo do professor Dubeaux.

O projeto traz inovações tecnológicas, utilizando a escala TRL da NASA, possíveis patentes, cartilhas e outros produtos técnicos e tecnológicos. Ao todo, mais de 25 discentes já foram capacitados com o projeto. Além disso, o projeto já tem impactos econômicos e sociais, além da geração de dados e produtos.

Para o pesquisador, o financiamento da Fapespa “é o que permite transformar a proposta de pesquisa em realidade, fornecendo o capital necessário para a infraestrutura, insumos e recursos humanos dedicados à pesquisa e ao desenvolvimento sustentável na Amazônia”, declarou.

Segundo Marcel Botelho, presidente da Fapespa “o Pará é um dos principais produtores de mandioca do país, e tem um potencial incrível para duplicar e até mesmo triplicar a sua produção. Pesquisas como essa tornam possível essa aplicação da produção por trazer novos mercados para a mandioca, agregando tecnologia, agregando valor e tornando mais rentável essa cadeia produtiva. Estamos falando de uma evolução científica que trará benefícios para todos os produtores paraenses não só na produção da mandioca mas também para aqueles que trabalham com a produção animal de forma intensiva. O governo do estado valoriza a pesquisa pois sabe que esse é o caminho para a sustentabilidade da Amazônia”.

*Com informações da Agência Pará

Saiba como fazer um pirarucu aromatizado com raspas de limão

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

A culinária da Amazônia é, sem dúvida, um destaque nacional. O pirarucu, um dos peixes mais populares da região, ganha novas releituras na gastronomia de tempos em tempos e, nesta receita, foi “perfumado”. Melhor dizendo: aromatizado, com raspas de limão.

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O prato, preparado pela chef de cozinha acreana Rafysa Assem, ganha complementos que mostram a variedade do paladar amazônico, como o arroz preparado com castanha-da-Amazônia e um molho pesto de jambu.

O pirarucu (Arapaima gigas), um dos maiores peixes de água doce do mundo e originário da bacia amazônica, já é conhecido por sua textura firme e sabor delicado. Confira a receita:

Ingredientes

  • filé de pirarucu fresco (a quantidade que preferir para o prato)
  • sal
  • pimenta do reino
  • raspas de limão
  • arroz agulhinha
  • azeite
  • alho
  • castanha do brasil
  • jambu
  • chicória
  • pimenta de cheiro
  • queijo parmesão ralado

Leia também: Saiba como fazer jaca à casaca

Modo de preparo

Para o pirarucu

Pegar as postas do peixe e fazer marcações de quatro dedos. Nessas partes temperar com sal, pimenta do reino a gosto e as raspas do limão.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Em uma frigideira colocar azeite para esquentar e adicionar o peixe para selar. Adicione água para dar mais tempo de cozimento ao peixe se ficar cru.

Para o molho

Para o molho pesto é preciso de um liquidificador, um mixer ou um pilão. Adicionar 200 ml de azeite, 80 gramas de jambu fervido, três folhas de chicória, duas pimentas de cheiro.

Adicionar também suco do limão, cinco castanhas, dez gramas de queijo parmesão ralado e uma colher de sopa de pimenta do reino e levar para processar tudo.

Para o arroz

Fazer um arroz branco com alho e adicionar castanha do brasil torrado no forno ou na frigideira.

Montagem

Preparar o prato com o arroz e colocar por cima o peixe. Ao seu entorno colocar o molho preparado no liquidificador e uma folha de jambu para decorar.

Projetos inovadores impulsionam o agronegócio e fortalecem a sustentabilidade em Roraima

Projetos impulsionam o agro em Roraima. Foto: Raquel Maia/Amazônia Agro/Rede Amazônica RR

A inovação tecnológica ocupa um espaço cada vez maior no agro de Roraima, inclusive para melhorar atividades marcadas por trabalhos manuais e pelo alto risco à vida dos trabalhadores. É o caso da colheita do açaí, por exemplo, tradicionalmente feita de forma manual, mas que tem ganhado novas oportunidades por meio da inovação.

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Segundo Reginaldo Rhubí, coordenador de inovação na Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) em Roraima, políticas públicas adotadas pelo Governo estadual com foco no agro tem colaborado para a mudança e melhoria do setor.

“Nos últimos anos houve, na gestão do governador Denarium, uma mudança estratégica na política de gestão do desenvolvimento, fazendo com isso uma reestruturação e dentro desse aspecto nós tivemos duas mudanças significativas do que diz respeito à inovação. Uma delas é a criação da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento e Inovação, fazendo com que o Governo do Estado tenha uma política oficial e efetiva sobre ciência, tecnologia e inovação, e também com a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPERR), que são instituições que têm fins complementares dentro do processo de inovação”.

Segundo ele, nesse aspecto, com a execução da política geral de desenvolvimento ‘Roraima 2030’, “existe o eixo de desenvolvimento sustentável que tem como visão transversal a ciência, a tecnologia e a inovação, com aspectos que, olhando para o agro, hoje nós temos muitos projetos alinhados com essa iniciativa, observando a inovação com aspecto à política do agro”.

Um dos exemplos é a própria FAPERR que, por meio de editais, tem incentivado os projetos inovadores roraimenses, que também contemplam o agro.

“Nesse aspecto, nos últimos anos, nós temos adotado dentro da Expoferr o que nós chamamos de Hub Seadi de Innovation, que é o nosso hub de inovação aonde discutimos, trazemos e agregamos projetos de inovação e tecnologia com o foco no agro”, exemplifica.

“Na última edição da Expoferr (em 2025), nós tivemos o primeiro edital do Agro Inventores, que foi uma iniciativa do secretário Márcio Granjeiro, com a experiência que ele tem de agrônomo, de produtor rural e também de uma sensibilidade em entender que o produtor tem demandas que muitas das vezes não são atendidas pelo mercado. O próprio produtor acaba sendo inventor e resolve a sua necessidade. Por isso criamos o prêmio que, nesta primeira edição, nos mostrou que esse é um incentivo muito importante para ser feito junto com quem realmente tem a demanda”, completa Rubhi.

Saiba mais: Prêmio AgroInventores de Roraima impulsiona inovação durante Expoferr Show 2025

A ação promoveu incentivo aos “inventores” (estudantes, universitários, produtores, etc) e o coordenador de inovação espera que a edição de 2026 seja ainda maior, como uma forma de “incentivar cada vez mais a capacidade inventiva local, para que com isso a gente estimule a criação de novos negócios, de negócios de impacto ao setor agropecuário”.

Incentivo à inovação: universo agro é amplo

Lembra o exemplo da colheita do açaí? Um dos cases de inovação que mostra o potencial no agro é o do Climbot: um robô desenvolvido para mecanizar a colheita do açaí em áreas de floresta nativa, especialmente na Amazônia, e que se destaca como uma solução inovadora para a realidade do extrativismo

A ideia do projeto surgiu em 2019, a partir de um problema conhecido por quem vive do extrativismo, já que para alcançar os cachos de açaí, o trabalhador precisa subir palmeiras que podem ultrapassar dezenas de metros de altura. Além de colocar vidas em risco, essa atividade limita a escala de produção e impacta diretamente a renda de quem depende da prática.

Agro em Roraima
Colheita de açaí no agro em Roraima. Foto: Wenderson Nunes.

Foi nesse contexto que o Climbot começou a ser desenvolvido, e funciona como um equipamento escalador que é capaz de subir pelo tronco do açaizeiro, realizar o corte do cacho com precisão e retornar o solo, sem que o trabalhador precise se expor ao risco de altura.

Todo o sistema foi projetado para operar em ambientes de floresta, lidando com irregularidades naturais e com a variação de diâmetro do tronco das palmeiras, além de reduzir significativamente o risco de acidentes. 

Desenvolvido pela Agranus, uma startup de base tecnológica, o robô foi concebido especificamente para a realidade do açaizeiro e da floresta amazônica, já que diferentemente de máquinas adaptadas de outros setores, o Climbot tem como objetivo respeitar a floresta em pé, sem a necessidade de derrubada das palmeiras ou de alterações no ecossistema.

Além disso, o projeto também prevê ações de compensação ambiental, como a produção e distribuição de mudas de açaí para produtores, fortalecendo a sustentabilidade da atividade.

Leia também: Conheça o processo de produção do açaí até ficar pronto para consumo

Robô Cilmbot ajuda no extrativismo do açaí no agro em Roraima. Foto: Arquivo pessoal/ Carlos Coutinho

“O objetivo principal do projeto é substituir ou reduzir drasticamente o risco da colheita manual, promovendo maior segurança ao trabalhador, aumento da produtividade, padronização do processo e melhoria das condições de trabalho no extrativismo do açaí. Além disso, o Climbot busca viabilizar a colheita em regiões onde há escassez de mão de obra qualificada, garantindo a continuidade da atividade econômica de forma sustentável”, explica o CEO da startup, Carlos Coutinho

De acordo com Coutinho, o projeto incorpora avanços em engenharia mecânica, com um sistema de escalada próprio, e está em evolução para integrar visão computacional, software embarcado e inteligência artificial, permitindo maior automação, precisão na identificação dos cachos e otimização do processo de colheita.

Para a Agranus, segundo o CEO, o impacto social do projeto é tão relevante quanto o tecnológico. ”O Climbot representa uma inovação também do ponto de vista social e econômico, ao reduzir acidentes de trabalho, aumentar a eficiência da colheita e gerar impacto positivo direto na renda dos produtores”, ressalta. 

Leia também: Prêmio AgroInventores de Roraima impulsiona inovação durante Expoferr Show 2025

Foto: Rafael Rocha/Embrapa

Atualmente, o Climbot passa por testes em campo, acompanhado por empresas que validam o desempenho do equipamento. Com a patente já submetida, o projeto avança para a fase de consolidação como produto comercial e desponta como uma das iniciativas mais promissoras do agro na amazônia.

O Climbot mostra que é possível aliar tecnologia, sustentabilidade e impacto social positivo no campo. E assim como ele, outros projetos inovadores começam a surgir em Roraima, como a startup que faz trabalhos com foco no ambiental, não só para propriedades rurais, mas também com foco na recuperação de áreas. 

Cheia do rio Guaporé causa de morte de filhotes de tartarugas em Rondônia

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Filhotes de tartarugas no rio Guaporé são encontrados mortos. Foto:  Milton Castelo/Secom RO

A cheia do rio Guaporé ameaça o maior berçário de tartarugas de água doce do mundo, localizado em São Francisco do Guaporé, na fronteira de Rondônia com a Bolívia. Com a elevação do nível do rio, áreas que antes ficavam secas foram alagadas, fazendo com que muitos filhotes morram afogados ainda nos ninhos.

Leia também: Infográfico – Saiba quantas e quais espécies de quelônios existem na Amazônia

As alterações no regime de chuvas têm afetado diretamente o ciclo reprodutivo das tartarugas na região amazônica. As mudanças climáticas atrasaram o período de desova e alteraram o nascimento dos filhotes, aumentando os riscos à espécie.

Para tentar minimizar os impactos, voluntários trabalham diariamente cavando a areia das margens do rio para resgatar as tartaruguinhas ainda dentro dos ninhos.

O trabalho é realizado pela Ecovalle, uma associação sem fins lucrativos que há 26 anos atua em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na preservação da espécie. A mobilização tem atraído não só voluntários da associação, mas também moradores, pescadores e turistas.

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filhotes de tartaruga são encontradas mortas pós cheia ddo rio guaporé
Tartaruga-da-Amazônia. Foto: Frank Néry/Secom RO

“Pescadores, turistas, vieram e se sensibilizaram com essa situação e estão aqui ajudando a salvar filhotes, estávamos salvando o maior número possível que a gente conseguir”, conta o voluntário Zeca Lula.

O local é considerado o maior berçário de tartarugas de água doce do mundo. Somente nesta temporada de nascimento, mais de 150 mil filhotes já foram soltos na natureza.

Ninho de filhotes no rio Guaporé

Cada ninho pode abrigar mais de 100 tartarugas. No entanto, o atraso no período de desova, de quase dois meses fora do previsto, e a cheia inesperada têm comprometido a sobrevivência dos filhotes.

De acordo com o coordenador de Meio Ambiente, José Carrath Neto, o trabalho exige atenção constante às mudanças climáticas.

“O grande aprendizado é que, ano após ano, a gente aprende que as condições climáticas na região acabam alterando alguns ciclos e nós precisamos estar atentos a essa mudança para que a gente possa criar métodos e estratégias para poder minimizar os impactos em relação à fauna, à vegetação”, explica.

Rio Guaporé (RO). Foto: Ésio Mendes/Secom RO

Segundo dados do Ibama, o número de tartarugas que conseguem chegar à idade reprodutiva subiu de 1,5% para 3% desde o início das ações de preservação. Mesmo assim, especialistas alertam para riscos futuros.

A médica veterinária Camila Ferrara, especialista em quelônios amazônicos da WCS Brasil, acompanha o trabalho há mais de 20 anos e destaca que o problema não é isolado. Segundo ela, o fenômeno não aconteceu apenas no rio Guaporé, mas em vários rios da Amazônia.

“Mas se esse fenômeno passar a acontecer todos os anos, a gente não vai ter a entrada de novos indivíduos na população, que é o que a gente chama de recrutamento”, alerta.

*Por Gedeon Miranda, da Rede Amazônica RO

Ovitrampas: nova estratégia vai monitorar o Aedes aegypti em Manaus para combater a dengue

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Foto: Divulgação/Semsa Manaus

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), anunciou o uso de uma nova estratégia para o controle e monitoramento do Aedes aegypti, mosquito transmissor de arboviroses como dengue, zika e chikungunya: as ovitrampas.

Manaus registrou uma redução de 52,7% dos casos de dengue em 2025, em comparação com 2024. A titular da Semsa, Shádia Fraxe, destaca que a nova tecnologia vai começar a ser implementada a partir de fevereiro, tendo o apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Ministério da Saúde.

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As ovitrampas são recipientes que vão permitir contabilizar e mapear digitalmente os locais com maior presença do mosquito na capital amazonense.

“As doenças transmitidas pelo Aedes são uma preocupação permanente da Prefeitura de Manaus, por isso a Semsa atua de maneira sistemática no combate ao mosquito e busca inovações para aprimorar os processos e o resultado das medidas de controle”, destaca a gestora.  

Leia também: 1 mosquito e 4 doenças: conheça o Aedes aegypti, o “maldito do Egito”

O chefe da Divisão de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores da Semsa, Alciles Comape, explica que as ovitrampas são recipientes de plástico com palhetas de madeira Eucatex que, no caso de já existirem mosquitos circulando na comunidade, servem para que as fêmeas do Aedes coloquem os ovos.

Após alguns dias da instalação, os agentes de saúde fazem a retirada da palheta para que seja possível verificar a quantidade de ovos produzida em cada área.

“Depois da instalação, as ovitrampas devem ser retiradas pelos agentes de saúde no prazo de cinco a seis dias, ou seja, antes do nascimento das larvas do mosquito, evitando que se torne um criadouro do Aedes. As palhetas com os ovos são encaminhadas ao laboratório para contagem e o registro do quantitativo no aplicativo Conta Ovos, disponibilizado com o apoio do Ministério da Saúde e Fiocruz”, informa Alciles Comape.

De acordo com o planejamento da Semsa, serão instaladas 240 ovitrampas em cada uma das quatro zonas urbanas de Manaus (Norte, Sul, Leste e Oeste), em bairros ou localidades selecionadas, incluindo os 18 bairros em Alta Vulnerabilidade identificados do 4º Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado em novembro de 2025.

Instalação das ovitrampas

O planejamento para 2026 envolve a instalação das ovitrampas por no mínimo 26 semanas, representando 50% das semanas epidemiológicas ao longo do ano, como recomendado pelo Ministério da Saúde.

“Cada ovitrampa será instalada em um imóvel que esteja localizado na área central entre nove quarteirões, tornando possível a avaliação da situação de infestação do mosquito em cada localidade. Os locais de instalação poderão ser modificados ao longo do ano, de acordo com a necessidade identificada pelos serviços de vigilância epidemiológica e ambiental”, informa Alciles.

A instalação não será feita dentro das residências, mas na área externa dos imóveis, em uma altura preferencialmente de até 80 centímetros ou, dependendo do caso, no máximo de 120 centímetros. Também deverá ficar ao abrigo da chuva e da luz do sol, e fora do alcance de crianças e animais domésticos, e a ovitrampa não deve ser movimentada até o dia da coleta.

monitoramento de dengue em manaus - aplicação de ovitrampas
Foto: Divulgação/Semsa Manaus

“Para isso, precisamos do apoio da população para que a nova estratégia de monitoramento e controle do Aedes aegypti possa ser efetivada. As informações obtidas vão gerar mapas de calor, indicando os bairros com maior risco e ajudando as equipes de saúde a agir de forma mais rápida e eficiente nas ações de controle. É uma estratégia moderna que fortalece a prevenção das arboviroses e contribui para a proteção da saúde da população”, destacou Alciles Comape.

Em 2026, a Semsa pretende realizar um LIRAa no mês de novembro, quando poderá identificar os bairros vulneráveis que servirão de indicador para as novas instalações das ovitrampas no ano de 2027.

Casos de dengue em Manaus

No ano passado, o município de Manaus registrou 1.237 casos confirmados de dengue, o que representou uma redução de 52,7% em comparação com 2024, quando foram registrados 2.615 casos. A Semsa ainda registrou no ano passado 10 casos confirmados de zika e 79 de chikungunya.

No último LIRAa realizado em 2025, Manaus manteve o indicador de médio risco para as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, com um nível de infestação predial de 1,8%, considerando que médio risco compreende valores entre 1,0 e 3,9.

O levantamento indicou seis bairros com alto risco no índice de infestação predial (índices acima de 4% de infestação):

  • Tarumã,
  • Da Paz,
  • Alvorada,
  • Lírio do Vale,
  • Nova Esperança
  • e Santo Agostinho.

A partir dos indicadores de infestação, associados com o número de notificações de dengue, zika e chikungunya, a Semsa elaborou um Mapa de Vulnerabilidade, que mostrou 18 bairros considerados como em alta vulnerabilidade:

  • Tarumã-Açu,
  • Tarumã,
  • Cidade Nova,
  • Parque 10 de Novembro,
  • Flores,
  • Aleixo,
  • Jorge Teixeira,
  • Gilberto Mestrinho,
  • Zumbi,
  • São José Operário,
  • Compensa,
  • Centro,
  • Santa Etelvina,
  • Colônia Terra Nova,
  • Alvorada,
  • Nova Esperança,
  • Santo Antônio
  • e Petrópolis.

“Os dados do LIRAa permitem o direcionamento das ações de controle para as áreas de maior vulnerabilidade, buscando a prevenção das doenças. A utilização de ovitrampas vai reforçar o trabalho utilizando novas tecnologias. Apesar disso, a população deve manter a atenção para evitar depósitos de água que possam virar criadouros do mosquito, como forma de colaborar com o controle do mosquito e prevenção de doenças”, orienta Alciles Comape.

*Com informações da Semsa Manaus

Módulo é lançado para monitorar desenvolvimento de crianças indígenas

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Foto: João Risi/Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde anunciou um novo projeto para a promoção e proteção da saúde de crianças indígenas. Por meio da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), foi desenvolvido o primeiro módulo de Monitoramento do Desenvolvimento na Infância dentro do Sistema de Atenção à Saúde Indígena (Siasi), ferramenta tecnológica que coleta, gerencia e disponibiliza dados sobre a saúde indígena.

“Com esse módulo inédito, teremos melhorias no acompanhamento pediátrico integral dessas crianças e poderemos registrar os marcos de desenvolvimento. Dessa forma, será possível a identificação precoce de agravos e doenças prevalentes na infância”, aponta a diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena, Putira Sacuena.

Leia também: Mortalidade de crianças indígenas é mais que o dobro das não indígenas

Anteriormente, o rastreio do desenvolvimento infantil não possuía um campo específico no SIASI, o que dificultava a padronização dos registros e a análise dos dados. Com essa inovação, será possível a supervisão integral de crianças de 0 a 10 anos.

Segundo o MS, o módulo será uma ferramenta essencial de apoio às equipes multidisciplinares para organização da puericultura, avaliação dos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor, acesso à triagem neonatal, rastreio de sinais de risco para o transtorno do espectro autista (TEA) e identificação de situações de vulnerabilidades, incluindo suspeitas de violência.

Lançamento do módulo de Monitoramento do Desenvolvimento na Infância Indígena no Siasi
Diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena, Putira Sacuena. Foto: Reprodução/Youtube Sesai

A iniciativa também fortalecerá a articulação entre a atenção primária, a vigilância em saúde e o diálogo com especialistas das medicinas indígenas.

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Lançamento do Módulo

O lançamento oficial do módulo de Monitoramento do Desenvolvimento na Infância Indígena no Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (Siasi) ocorreu nesta segunda-feira (19), no Auditório Emílio Ribas da sede do Ministério da Saúde.

O evento foi transmitido pelo YouTube da Sesai. Participam da atividade representantes dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Assista:

*Com informações do Ministério da Saúde

Perfuração da Petrobras na costa do Amapá segue sem previsão de retomada

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Foto: Divulgação/Petrobras

A operação de perfuração realizada por uma sonda da Petrobras, na Foz do Amazonas, localizada na costa do Amapá, permanece paralisada após um vazamento de fluido registrado em 4 de janeiro.

Saiba mais: MPF solicita ao Ibama e Petrobras informações sobre vazamento na foz do Amazonas

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou que a retomada só poderá ocorrer mediante autorização da agência.

A liberação está condicionada à entrega de um diagnóstico inicial que explique as causas imediatas do ocorrido, os impactos sobre as barreiras de segurança e sobre a operação.

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Segundo a ANP, a Petrobras ainda não enviou relatório detalhado sobre o incidente. Diante disso, a perfuração segue suspensa.

O Grupo Rede Amazônica entrou em contato com a Petrobras, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Leia também: Vazamento na Foz do Amazonas: Petrobras confirma que vai atender solicitação do MPF

Bacia Sedimentar Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial brasileira, na costa do amapá
Foz do Amazonas está localizada na costa do Amapá. Imagem: Divulgação/Acervo Petrobras

Prazo para entrega

De acordo com a Resolução ANP nº 882/2022, a Petrobras tem 90 dias, a contar da constatação inicial do vazamento na perfuração realizada na costa do Amapá, para apresentar o relatório completo com as causas do incidente.

O que deve constar no relatório

O documento precisa seguir o conteúdo mínimo definido pelo Anexo II da Resolução 882/2022, incluindo:

  • Causas imediatas do incidente
  • Impactos sobre as barreiras de segurança
  • Ações mitigadoras adotadas

Próximos passos da ANP

Após receber o relatório, a ANP irá:

  • Avaliar as causas determinadas e as ações propostas para tratamento.
  • Solicitar evidências de implementação das medidas, se necessário.
  • Seguir acompanhando o caso junto à Petrobras, à Marinha e ao Ibama, no âmbito do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA).

Prevenção de novos incidentes na costa do Amapá

A ANP reforça que o regime de Segurança Operacional adotado no Brasil é alinhado a normas internacionais, como as da Noruega e do Reino Unido, e tem foco preventivo.

No caso atual, a falha foi controlada e não houve danos ao meio ambiente ou às pessoas. A retomada da perfuração só ocorrerá após a constatação das causas e a adoção das medidas necessárias.

*Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

Casos de Doença de Chagas mostram importância do manejo de alimentos à base de frutos amazônicos

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Foto: Éder Souza/Acervo pessoal

A ocorrência recente de episódios severos de Doença de Chagas no Pará, entre eles a morte de um jovem de 26 anos na Região Metropolitana de Belém, evidencia um problema recorrente: a contaminação causada, sobretudo, por falhas no preparo de alimentos à base de frutos amplamente consumidos na Amazônia, como açaí, bacaba, buriti e outros derivados de palmeiras.

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Em Ananindeua, o paciente recebeu diagnóstico e faleceu poucos dias depois. A principal linha de investigação das autoridades sanitárias aponta para a ingestão de açaí contaminado durante a etapa de manipulação.

A administração municipal confirmou novos registros, ampliou inspeções em estabelecimentos comerciais e passou a acompanhar moradores com sinais compatíveis. O caso ocorre em um contexto onde esses alimentos integram a rotina alimentar, a economia local e práticas culturais tradicionais.

Leia também: Mudanças climáticas podem ampliar área de risco da Doença de Chagas na Amazônia

Para o biólogo Éder Souza, professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, situações como essa integram a dinâmica regional da enfermidade. “Na Amazônia, a Doença de Chagas não se limita ao contato com o barbeiro. A via oral tem papel central e está diretamente relacionada à ausência de controle sanitário adequado durante o preparo dos alimentos”, explica.

Para o pesquisador, os indicadores reforçam o papel estratégico da cadeia produtiva dos alimentos, sem estigmatizar o consumo. “O problema não está no açaí, na bacaba ou no buriti. O risco surge quando o manejo não segue as orientações sanitárias. Optar por pontos de venda confiáveis é uma medida essencial de proteção”, destaca.

Casos da Doença de Chagas na Amazônia Legal

Na Amazônia Legal, a concentração expressiva dos casos está no Pará. O estado lidera as notificações da doença no país e responde por cerca de 80% dos registros da região Norte, na última década. Dados da Secretaria de Saúde do Pará mostram a notificação de 536 casos da doença em 2023, número que caiu para 485 em 2024.

Já em 2025, foram contabilizados 484 episódios e oito óbitos, com maior incidência em municípios como Breves, Barcarena, Belém, Muaná, Ananindeua e Abaetetuba. O órgão informa que 89% das infecções locais ocorrem por via oral, associadas a produtos contaminados.

Casos de Doença de Chagas
Pesquisa analisa relação de alimentos amazônicos com a Doença de Chagas. Foto: Éder Souza/Acervo pessoal

No Amazonas, a evolução da Doença de Chagas também demonstra permanência do agravo no território, embora sem muita incidência. Em 2023, foram 11 casos, com redução para cinco em 2024 e quatro em 2025.

Nos demais estados da Amazônia Legal, os dados consolidados de 2024, disponíveis no DataSUS, apontam o Amapá com 41 casos, o Acre com 17, Maranhão e Mato Grosso com dois episódios cada, Rondônia e Tocantins com apenas uma notificação. Roraima não apresentou registros no período. O quadro confirma que, embora o Pará concentre a maior parte das ocorrências, a doença permanece ativa em praticamente toda a região.

Éder Souza, que ministra no curso de Medicina da Afya a disciplina “Tópicos em doenças infecciosas e parasitárias aplicadas ao contexto amazônico”, avalia que essas variações não indicam superação do problema nos estados com menor número de notificações. “Elas revelam a presença contínua do parasita no território, influenciada por fatores ambientais, climáticos, sociais e também pela capacidade de diagnóstico e vigilância”, afirma.

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Como ocorre a contaminação

A contaminação ocorre quando o protozoário Trypanosoma cruzi alcança o alimento durante a colheita, o transporte ou o beneficiamento, geralmente por meio de insetos infectados ou de seus resíduos. Diferente da forma vetorial clássica, essa modalidade pode atingir várias pessoas simultaneamente, como em surtos familiares ou comunitários.

Segundo Souza, a proteção depende de práticas rigorosas, porém viáveis. “Higienizar adequadamente os frutos, aplicar o choque térmico, manter ambientes limpos e utilizar água potável no preparo são ações simples, eficazes e amplamente recomendadas pelos órgãos de saúde”, observa.

Para o público, a orientação envolve observar a procedência dos produtos e estar atento a sinais como febre persistente, fadiga intensa, dores musculares, inchaço facial, náuseas ou mal-estar após o consumo de alimentos artesanais. A procura imediata por assistência médica é fundamental, já que o tratamento na fase aguda apresenta elevada eficácia.

Nível do Rio Acre está acima da cota de inundação, mas em processo de descida

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Bacia do Rio Acre. Foto: Clemerson Ribeiro/Anac

O rio Acre está em processo de descida na capital Rio Branco (AC), segundo Boletim de Alerta Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado na tarde desta segunda-feira (19/01). De acordo com os dados, o nível está na marca de 14,41 m, acima da cota de inundação fixada em 13,50 m. A previsão é que o rio chegue a 14,20 m no período da noite. As informações foram divulgadas às 14h (horário de Brasília) e às 12h (horário local do Acre).

Nas demais estações, o nível do rio está na cota considerada normal para o período. Em Xapuri (AC), o rio marca 9,64 m e, em Brasiléia (AC), o nível está em 8,05 m.

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O monitoramento em tempo real pode ser acompanhado pelo Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Acre (SAH Acre).

Os boletins de alerta hidrológico da Bacia do Rio Acre continuarão a ser divulgados pelo SGB até que os níveis de todas as estações se normalizem. Após esse período, o SGB retoma com a emissão semanal de boletins de monitoramento hidrológico, como parte da Operação 2025-2026 do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Acre.

rio acre
De Assis Brasil até Rio Branco, todas as cidades registraram vazante. Foto: Pedro Devani/Secom AC

Monitoramento do rio Acre

O SGB iniciou, na terça-feira (13/01), a emissão de boletins de alerta hidrológico do SAH Acre em razão do grande volume de chuvas na região e da rápida elevação do nível do rio. Esses boletins apresentam previsões dos níveis dos rios para as próximas horas, contemplando as cidades de Rio Branco, Xapuri, Brasiléia e Epitaciolândia. Até o momento, 19 boletins foram publicados.

Com o instrumento, o SGB informa sobre os níveis que o rio deve atingir nos municípios e possibilita antecipar cenários nas cidades localizadas nas bacias. Desse modo, auxilia as Defesas Civis e órgãos municipais nas atividades de prevenção e apoio às populações afetadas por inundações.

Clique aqui para acompanhar os boletins disponíveis no portal SACE.

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Parceria

O monitoramento dos rios é feito a partir de estações telemétricas e convencionais, que fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O SGB opera cerca de 80% das estações, gerando informações que apoiam os sistemas de prevenção de desastres, a gestão dos recursos hídricos e pesquisas. As informações estão disponíveis na plataforma SACE.

Governo federal reconhece emergência em Rio Branco

O governo federal reconheceu a situação de emergência em Rio Branco por conta das enchentes. A medida foi oficializada por meio da Portaria nº 153, de 15 de janeiro, publicada no Diário Oficial da União (DOU) pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil nesta segunda-feira (19).

A decisão do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), assinada pelo secretário Wolnei Wolff Barreiros, tem como base o decreto nº 1.212, de 14 de março de 2025, que foi prorrogado no último dia 29 de dezembro em razão da segunda cheia do Rio Acre em menos de um ano.

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil e da Rede Amazônica AC

Norte apresenta níveis de perda de água acima da média nacional, aponta Trata Brasil

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Norte e Nordeste são as regiões com maior perda de água. Foto: balouriarajesh/Pixabay

Diante de cenários de escassez hídrica e da intensificação das mudanças climáticas, o controle de perdas de água torna-se indispensável para manter a segurança e a disponibilidade do abastecimento. Um estudo do Instituto Trata Brasil alerta que esses desperdícios geram impactos negativos ao meio ambiente, à receita e aos custos de produção das empresas e, principalmente, à população.

Segundo dados do SINISA, ano-base 2023, 40,31% da água produzida nos sistemas de distribuição é perdida antes de chegar aos consumidores.

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Ao considerar o volume total não faturado — consumida sem autorização ou perdida antes de chegar ao consumidor — em 2023, cerca de 5,8 bilhões de m³, esse montante equivale a 6.346 piscinas olímpicas de água tratada ou 21.153.224 caixas d’água, suficientes para abastecer diariamente uma família de cinco pessoas.

Quadro 1 – Perdas na Distribuição por Macrorregião Brasileira, 2023

Norte e Nordeste apresentam níveis de perdas de água acima da média nacional, aponta Trata Brasil

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Norte e Nordeste são as regiões mais afetadas com a perda de água

A situação de perdas no Brasil apresenta significativas diferenças quando se comparam suas diversas macrorregiões.

É possível concluir que Norte (49,78%) e Nordeste (46,25%) são as regiões mais carentes e que enfrentam os maiores desafios para a redução dos índices de perdas.

Além disso, são também aquelas que apresentam os piores indicadores de atendimento de água, coleta e tratamento de esgotos.

Alagoas (69,86%), Roraima (62,51%) e Acre (62,25%) são os estados que mais perdem na
distribuição.

Conforme definido como meta pela Portaria nº 490/2021, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), o nível aceitável de perdas deve ser de, no máximo, 25% na distribuição e 216 litros por ligação/dia até 2034.

*Com informações do Instituto Trata Brasil