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Produto Interno Bruto do Pará é o maior da Região Norte, aponta Fapespa

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Foto: Wellyngton Coelho/Agência Pará

O Pará contribuiu com 41,1% do Produto Interno Bruto (PIB), na Região Norte, mantendo-se na 1ª colocação. Em 2022, as atividades econômicas com maiores taxas de crescimento em volume foram:

  • artes, cultura, esporte e recreação e outros serviços (26,1%);
  • alojamento e alimentação (21,9%);
  • serviços domésticos (17,3%)
  • e produção e distribuição de energia e água (11,4%).

Destacam-se também as atividades que registraram quedas em volume de produção: indústria extrativa (-10,9%); serviços de informação (-3,5%); e indústria de transformação (-1,9%).

Os dados foram apresentados pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), em colaboração com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). Trata-se dos resultados das Contas Regionais do Brasil para o ano de 2022, que contemplam o Produto Interno Bruto (PIB) Estadual e apresenta uma análise detalhada das principais variações em relação ao ano de 2021.

Foto: Jader Paes/Agência Pará

Entre os setores produtivos, destaca-se o setor de serviços, excluindo o valor da administração pública, que apresentou o maior ganho de participação relativa na composição da economia do estado em 2022, passando a contribuir com 34,3%, um aumento de 7,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior (27%). O setor da administração pública teve uma participação de 22,6%, um ganho de 6% em relação a 2021.

A agropecuária contribuiu com 11,4%, com um ganho de 1,3%. E, a atividade industrial teve uma participação de 31,8%, apresentando uma redução significativa de 14,6% em relação a 2021.

Comércio, manutenção e reparação de veículos (10,6% em 2022) e atividades imobiliárias (7,1% em 2022) mantiveram, respectivamente, a terceira e quarta posições entre as atividades com maior participação na economia regional em termos de Valor Adicionado.

Foto: Divulgação/Agência Pará

A Indústria Extrativa, por outro lado, destacou-se negativamente como a atividade com maior redução no VA. Embora ainda ocupasse a segunda posição entre as atividades econômicas do Pará em Valor Adicionado, registrou uma queda de R$ 46,5 bilhões, reduzindo sua participação de 34,1% em 2021 para 16,7% em 2022. Essa queda deve-se, em parte, à variação no volume de produção da extração mineral, que registrou um encolhimento de 9,9% em 2022, com destaque para a redução na produção de minério de ferro (-9,2%), além da queda em volume de outros minerais, afetados por níveis elevados de chuva e por licenciamentos e processos de manutenção mais prolongados que o previsto. 

Agropecuária

O Setor Agropecuário composto pela Agricultura, Pecuária e a Produção Florestal, Pesca e Aquicultura, em 2022 teve bom desempenho influenciado, em grande medida, pela atividade agrícola, que apresentou expansões de produção e de valor, em seus principais produtos. Entre esses produtos destacam-se: açaí, soja, milho e dendê, que expressaram aumentos de quantidade produzida (14,9%, 11,4%, 12,0% e 2,0%, respectivamente) e elevação significativa dos preços praticados pelo produtor. 

A Construção Civil, dentro do setor industrial, contribuiu com 13,1% (R$ 8,78 bilhões) na geração do Valor Adicionado, apresentando uma variação nominal de 2% em relação a 2021 (R$ 8,61 bilhões) e registrando um crescimento real de 7,3% em 2022.

Serviços

O setor de Serviços, que já possuía grande relevância em 2021, retomou em 2022 a liderança no Valor Adicionado da economia paraense, sendo responsável por 56,8% do total, o equivalente a R$119,79 bilhões – uma variação nominal de 14,7% em relação a 2021. Das 11 atividades desse setor, 10 apresentaram variação nominal positiva em 2022, mantendo o bom desempenho observado em 2021. As três principais atividades do setor permaneceram inalteradas, com uma leve variação negativa na concentração: em 2021, essas atividades concentravam 72,2% do Valor Adicionado, reduzindo para 70,9% em 2022. Essas atividades são: Administração pública (39,7%), Comércio, manutenção e reparação de veículos (18,6%) e Atividades Imobiliárias (12,6%).

*Com informações da Fapespa

10 curiosidades sobre o tucano-toco, o maior dos tucanos

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Foto: Divulgação/Mangal das Garças

O tucano-toco (Ramphastos toco) é uma das aves mais emblemáticas das florestas tropicais e uma figura marcante da fauna amazônica. Com seu bico imponente e porte elegante, essa espécie encanta pesquisadores, fotógrafos e amantes da natureza.

Conheça algumas curiosidades fascinantes sobre esse animal:

Etimologia

“Tucanuçu” e “tucanaçu” vêm do tupi tukanu’su, que significa “tucano grande”.

O maior tucano de todos

O tucano-toco é o maior representante da família dos tucanos. Ele pode alcançar até 66 cm de comprimento, sendo que cerca de um terço dessa medida corresponde ao seu bico.

Um bico que surpreende

Apesar de grande, o bico do tucano-toco é incrivelmente leve, pois é feito de queratina e preenchido por uma estrutura esponjosa. Isso permite que a ave o manuseie com facilidade para capturar alimentos e regular sua temperatura corporal, já que o bico funciona como um “radiador”.

Foto: Reprodução/Viviane Rodrigues Reis/Pick-upau

Um mestre da alimentação variada

Essa ave é onívora e possui uma dieta diversificada. Além de frutas, seu alimento principal, o tucano-toco consome insetos, pequenos répteis e ovos de outras aves.

Habitação surpreendente

Apesar de seu tamanho imponente, o tucano-toco prefere viver em cavidades de árvores, muitas vezes reutilizando buracos escavados por outras espécies. Eles também podem ser vistos em campos abertos e até áreas urbanas.

Pokémon?

Sabia que a espécie já foi homenageada em Pokémon? Toucannon é um Pokémon dos tipos ‘Normal’ e ‘Voador’, categorizado como ‘Pokémon Canhão’ e foi introduzido na Sétima Geração. Não é preciso de muito esforço para dizer qual animal serviu como inspiração para o Toucannon, né? Se você respondeu o tucano, está correto. Pertencente à família Ramphastidae, o tucano é um bicho com bico longo, colorido, cortante e leve.

Leia também: Conheça 8 Pokémon inspirados na região amazônica

Foto: Reprodução

Comunicação peculiar

Os tucanos emitem sons graves e roucos, usados para se comunicar com outros membros de sua espécie. Esses chamados podem ser ouvidos de longe, auxiliando na defesa de território e na aproximação entre parceiros.

Vida social intensa

O tucano-toco é uma ave sociável que vive em pequenos bandos. Quando descansam, é comum vê-los agrupados em galhos, muitas vezes se apoiando uns nos outros para se equilibrar melhor. No ritual de acasalamento, por exemplo, machos e fêmeas jogam caroços de frutas uns nos outros.

Adaptação à paisagem urbana

Embora esteja associado às florestas tropicais, o tucano-toco é extremamente adaptável e pode ser encontrado em áreas urbanas, desde que haja disponibilidade de árvores e fontes de alimento.

Ameaças à conservação

Apesar de não estar em perigo de extinção, a destruição de habitats naturais e o tráfico de animais representam ameaças significativas para essa espécie.

Coletivo alerta que seca dos rios no Amazonas ameaça o manejo do pirarucu 

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Foto: Adriano Gambarini

O Amazonas enfrenta uma seca sem precedentes pelo segundo ano consecutivo, com as principais calhas dos rios registrando níveis mínimos históricos. A baixa no volume das águas provoca um efeito dominó, afetando o transporte e abastecimento das cidades, comprometendo ecossistemas, a segurança alimentar e ameaçando atividades como o manejo sustentável do pirarucu, essencial para a economia local.

Em resposta, o Coletivo do Pirarucu enviou uma carta aberta a órgãos federais e suas superintendências regionais, pedindo ações urgentes para mitigar os prejuízos causados pela forte estiagem.

Impactos socioeconômicos e culturais da seca extrema

Os 62 municípios do Amazonas decretaram situação de emergência em razão da seca, que impacta diretamente 186.921 mil famílias, segundo monitoramento do Governo do Estado. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostram que durante a seca extrema de 2023 os manejadores deixaram de pescar cerca de 30% da cota autorizada pelo órgão, ocasionando a perda de uma receita aproximada de 10 milhões de reais.

Em um estudo recente publicado na revista Nature, especialistas projetam uma queda de até 19% na renda global até 2050 devido aos impactos da mudança climática. Para os povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia, que dependem dos rios e das florestas para sobreviver, essa realidade destaca uma urgência inadiável.

Além dos impactos econômicos, a carta destaca os prejuízos culturais que a seca causa às populações indígenas e ribeirinhas, que têm uma relação intrínseca com os rios amazônicos. “Os rios desempenham um papel fundamental nos modos de vida das populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia, sendo mais do que meras fontes de água; são verdadeiros agentes de vida e cultura, pois moldam suas identidades, tradições e subsistência”, destaca trecho do documento.

Principais reivindicações 

Na carta, os representantes das organizações manejadoras, instituições de assessoria técnica e de apoio nos diversos territórios onde ocorre o manejo do pirarucu, solicitam que:

  • O prazo de pesca do pirarucu e do aruanã seja prorrogado até 31 de janeiro de 2025 e que também haja a extensão do prazo para entrega do relatório técnico anual do manejo até 1º de maio de 2025;
  • O manejo do pirarucu seja incluído nos programas de seguro rural do Plano Safra;
  • Ações emergenciais para os pescadores afetados, incluindo auxílio extraordinário;
  • Um plano de emergência climática seja construído em parceria com as lideranças, organizações manejadoras e de apoio técnico para mitigar os efeitos dos eventos climáticos extremos na Amazônia.

Enviado aos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima, da Pesca e Aquicultura, e ao Ibama, o documento representa um chamado urgente para garantir a continuidade do manejo sustentável do pirarucu e, ao mesmo tempo, proteger os direitos, o conhecimento tradicional e a biodiversidade da Amazônia.

Leia a carta na íntegra:

*Com informações do Coletivo do Pirarucu

Expoferr 2024 realiza a Cacau Day, evento voltado para o pequeno produtor 

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Você já ouviu falar no Cacau Day? Um dia inteirinho focado somente na produção de cacau. O evento aconteceu na Expoferr Show 2024, em Roraima, com o objetivo de levar mais conhecimentos aos cacauicultores do estado através de cursos e palestras.

Segundo a Agroclima, o Brasil ocupa hoje o 6º lugar na produção mundial de cacau, segundo a International Cocoa Organization (ICCO). De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, há mais de 93 mil estabelecimentos produtores de cacau no país. Eles estão concentrados na Bahia e no Pará, que juntos representam 96% da produção nacional.

Foto: Reprodução / YouTube – Amazon Sat
Foto: Reprodução / YouTube – Amazon Sat

Os cacauicultores, na Expoferr, tiveram a oportunidade de aprender técnicas com nomes de grande referência na área, como o produtor e empresário Ademir Venturin, dono da Cacau Way, marca criada em Medicilândia no Pará.

O produtor de cacau seu Iltamar Soares, do município de Caroebe interior de Roraima, participou do evento, e relata que projetos como a Cacau Day, fortalecem os pequenos produtores.

Em constante contribuição na construção profissional junto aos produtores do estado de Roraima, a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima (Faerr) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), em parceria com outras instituições também participaram do projeto. 

Para a superintendente da Faerr, Jucélia Rodrigues, todo e qualquer curso ofertado, é um estímulo e importante valorização ao produtor. 

Foto: Reprodução / YouTube – Amazon Sat

Segundo o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural de Roraima (Iater), Caroebe possui área plantada de 257 há de lavoura de cacau, implantado nos anos de 2019 e 2020, envolvendo 55 produtores rurais, apenas de produtores e áreas contemplados no projeto Polo Cacaueiro.

Principais atividades desenvolvidas no Cacau Day

O Cacau Day foi um dia com ciclo de palestras sobre a cultura do cacau. Quem esteve presente pode conferir quatro palestras, elas foram:

– Tecnologia para gestão de propriedade e rastreabilidade

– Tecnologia para novos modelos de financiamento da produção agrícola e como alcançar mercados mundiais.

– O futuro da cacauicultura: do Brasil para o mundo

– Verticalização da produção de cacau uma fonte de renda para a agricultura familiar.

Confira o Amazon Sat Especial da Expoferr Show 2024:

Boi-bumbá Malhadinho conquista bicampeonato no Festival Folclórico Duelo na Fronteira

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O Boi-bumbá Malhadinho conquistou o título de bicampeão no Festival Duelo na Fronteira 2024, que aconteceu entre os dias 15 a 17 de novembro em Guajará-Mirim (RO).

O Boi da Nação azul e branca venceu com 835 pontos, contra 827,5 do Flor do Campo, uma diferença de 7.5 na pontuação geral das duas noites de disputa. O tema defendido esse ano foi ‘TEKOHÁ’, com o significado ‘este chão é nossa essência’. O enredo buscava celebrar as raízes e histórias de Rondônia. O tema escolhido fez uma homenagem à resistência dos povos originários e dos negros quilombolas, protagonistas de uma luta histórica por dignidade e preservação de suas identidades.

No sábado, primeira noite de apresentação, o Boi Malhadinho foi o primeiro a entrar no Bumbódromo Márcio Paz Menacho.

Fotos: Ceiça Pereira

Durante o espetáculo, o Malhadinho mostrou lendas da região amazônica e deu espaço para apresentar a cultura do Divino Espírito Santo, que acontece às margens do Rio Guaporé entre Brasil e Bolívia.

No domingo, o Boi da Nação azul e branca abordou a celebração da vida e resistência dos povos da Amazônia.

Entre elas, levou a conhecimento a “A Lenda do Pirarucu”, que conta a história de um jovem indígena cruel e egoísta que foi transformado em um peixe gigante.

Para a presidente do boi-bumbá Malhadinho, Camila Miranda, a conquista é resultado de muito trabalho:

Fotos: Ceiça Pereira

Flor do Campo

O Boi-bumbá Flor do Campo levou para arena o tema ‘Terra de um Povo Mestiço’, como forma de homenagem aos povos que sobrevivem dentro das raízes negras, indígenas e caboclas.

Durante toda a noite de sábado, a apresentação da agremiação da Nação vermelha e branca retratou a as culturas que formam a identidade mestiça da Amazônia.

No domingo, a agremiação levantou subtemas como a arte como forma de resistência, destacando a força de um povo.

De acordo com o presidente do boi-bumbá Flor do Campo, Ricardo Maia, a agremiação trouxe um espetáculo esse ano e entregou o prometido:

Cada agremiação teve 2h30 de apresentação na arena e, durante o processo de apuração, uma comissão de jurados avaliou 21 critérios das duas equipes.

O Festival foi criado em 1995 e é uma das tradições realizadas em Guajará-Mirim, em Rondônia. É um dos maiores eventos culturais do estado de disputa entre os dois bois-bumbás. Em 2023 foi considerado Patrimônio Cultural Imaterial rondoniense.

*Por Leiliane Byhain

Rede de diagnóstico de malária em Boa Vista busca ser referência para a região Norte

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Foto: Rebeca Lima/PMBV

Boa Vista (RR) é a única capital da região Norte a oferecer testes rápidos de Malária em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A conquista é resultado de um projeto elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) no final de 2023, que teve como objetivo ampliar a rede de diagnóstico da doença no município. No dia 11 de novembro foi a vez de apresentar ao Ministério da Saúde (MS) os resultados alcançados.

O projeto foi motivado pela necessidade de fortalecer o diagnóstico precoce e tratamento adequado da Malária em Boa Vista, tendo em vista as inúmeras dificuldades enfrentadas na região amazônica no controle da doença. Após a implantação, o município avançou no acesso aos testes e na consequente cobertura da doença, facilitando a detecção precoce dos casos durante 2024.

Um dos resultados mais expressivos alcançados foi o aumento de testes em gestantes, que é um dos indicadores do Ministério da Saúde para as capitais da região amazônica. De janeiro a agosto de 2023, foram 1.138 testes no município. No mesmo período deste ano, foram mais de 10 mil testes, representando um aumento de mais de 87% na cobertura.

A superintendente de Vigilância em Saúde, Ana Paula Merval, destacou que Boa Vista já atendia os indicadores antes do projeto e agora passa a atender de forma mais qualificada.

Referência para a região Norte

A ampliação da rede de diagnósticos envolve a oferta de testes em todas as unidades, mas também a capacitação das equipes e o fortalecimento da logística para a distribuição dos testes, o que impacta diretamente na cobertura e tratamento dos casos positivos. Na região Norte, Boa Vista se torna uma referência para as demais capitais que também devem atender aos indicadores do MS.

Foto: Rebeca Lima/PMBV

O diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde, Pablo Amaral, destacou que o projeto deverá causar um impacto relevante na região Norte, tendo em vista que uma das primeiras ações na Malária é o diagnóstico oportuno.

“O projeto é excelente e ótima iniciativa. Ter a ampliação da rede diagnóstica com o uso de teste rápido e a população ter mais pontos de acesso, isso é fundamental para a gente conseguir eliminar a Malária. Boa Vista deve ser referência para a região Norte, porque a realidade da doença entre as cidades na região amazônica é semelhante”, pontuou.

Os resultados do projeto foram apresentados em Brasília, em setembro do ano passado, para todas as áreas técnicas em Malária das capitais do Norte.

*Com informações da Prefeitura de Boa Vista

Selo reconhece qualidade de panelas de barro produzidas por mulheres Macuxi em Roraima

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 Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica RR

Com uma forma de produção artesanal, passada de geração em geração e que perpetua uma tradição secular, as panelas de barro produzidas por mulheres do povo Macuxi na comunidade Raposa I, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, ganharam um selo de Identificação Geográfica (IG) que atesta a qualidade e a autenticidade do produto.

A comunidade é a primeira em Roraima e a segunda localizada em terras indígenas no Brasil a ter um projeto com a certificação, que é concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Costume ensinado desde 1870, a produção das panelas de barro por mulheres Macuxi é uma atividade ancestral que representa orgulho para a comunidade e garante fonte de renda para os indígenas que vivem na região.

Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica RR

A identificação geográfica é usada para identificar produtos ou serviços que tenham uma origem geográfica específica. Ela destaca a procedência do produto e é concedida a um local conhecido e reconhecido a nível nacional e também internacional como um centro de fabricação.

No caso das ‘Panelas da Raposa’, o trabalho feito por mulheres indígenas despertam o interesse daqueles que visitam a comunidade, que realiza o etnoturismo e recebe visitantes de todo o mundo, além de chamar a atenção de empresas de outros estados e até países. As panelas já foram vendidas para Boa Vista, Normandia, Amazonas, São Paulo e até a Guatemala.

Panelas de barro produzidas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. — Foto: Ailton Alves/Divulgação
Foto: Divulgação /Ailton Alves

O selo foi concedido no dia 13 de agosto e entregue a comunidade durante o tradicional Festejo das Panelas de Barro, dedicado a celebração do artesanato, realizado entre os dias 8 e 10 de novembro. Há dez anos a comunidade Raposa I, no município de Normandia, ao Nordeste do estado, é palco do evento.

Os moradores celebram a tradição com indígenas de comunidades vizinhas, que são convidados para os três dias de festa, que ocorre tradicionalmente em novembro. Neste ano, o selo trouxe ainda mais significado para a festa.

Tradição secular

Não há uma data definida de quem iniciou primeiro a tradição, mas os indígenas garantem que o trabalho começou há muito tempo, ainda no século 19, quando os seus ancestrais viviam no arredores das serras da terra indígena, de onde o barro é retirado. Hoje em dia, eles ainda vivem nas regiões das serras, porém em comunidade mais afastadas dos pés das montanhas.

Claucimar da Silva Raposo, líder das ceramistas na Raposa Serra do Sol. — Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica
 Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica RR

Líder do grupo de paneleiras, que formam uma associação dentro da comunidade indígena para compartilhar as experiências e conhecimento, a indígena Macuxi Claucimar da Silva Raposo explica que a produção das panelas de barro é um trabalho demorado. Ela herdou a tradição de mulheres da família e exerce o trabalho artesanal com o barro há mais de 15 anos.

A produção começa com a extração da terra, que é retirada de uma área de serras. A busca pela matéria prima exige uma caminhada de quatro horas.

Ceramistas Claucimar Raposo e Lilibete da Silva (da esquerda para a direita) durante o processo de peneirar o barro.  — Foto: Yara Ramalho/g1 RR
Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Com a goma e o barro em pó, as ceramistas iniciam a modelagem das panelas. Inicialmente, os dois materiais são misturados e ao atingirem uma determinada homogeneidade, a massa descansa por duas horas ou, no máximo, uma noite.

Depois, a massa é modelada a mão e passa por um aperfeiçoamento de até dois dias, dependendo da data de entrega do produto. Durante o processo, a peça também é polida com uma pedra de jaspe e aquecida em um forno a lenha, por 20 ou 30 minutos.

Aquecida, a panela é coberta por pedaços de caimbé, uma árvore encontrada no lavrado roraimense, e queimada. Após a queima, as panelas passam por um processo de “cura” onde os indígenas cozinham arroz ou tucupi, molho tradicional da região Norte, extraído da mandioca brava, dentro da peça, que filtra o óleo.

Mulheres do povo Macuxi usam urucum benzido para pedir permissão da 'Vovó Barro'. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR
 Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Mas o trabalho das ceramistas envolve muito mais do que esforço físico e técnicas, ele depende, principalmente, da ligação das indígenas com a ancestralidade. Mentora de toda essa tradição, a entidade indígena Ko Ko Non, que em macuxi quer dizer “Vovó Barro”, é sempre consultada.

Para não deixá-la assim, quem manipula a argila que se transforma em panela seguem regras como: as mulheres não podem tocar no barro durante o período menstrual, isso para não adoecer ou não correr o risco do artesanato desandar. Estar feliz também é um pré-requisito para participar da produção.

Selo de referência

O processo de certificação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) começou em maio de 2021, com o apoio e orientação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Roraima.

O processo envolveu dez etapas: sensibilização das ceramistas, formação de um comitê gestor, capacitação do comitê, adequação de conselho regulador, criação de intensidade visual, dossiê histórico, delimitação geográfica, elaboração de um Caderno de Especificações Técnicas (CET), simulação do processo e o protocolo e acompanhamento.

Povo Macuxi: cultura da produção de panela de barro feita por mulheres deve ganhar selo. Além do artesanato, as famílias da comunidade Raposa I tem ligação próxima com a agricultura familiar. Os indígenas cultivam diversas culturas para consumo interno e comercialização.

O produtor rural Eduardo Galvão, por exemplo, trabalha com a fruticultura — um ramo da agricultura que se dedica especificamente às plantações de frutas.

Através do intercâmbio entre diferentes regiões e realidades, os indígenas esperam que novos projetos evoluam e possam ser reconhecidos, tal qual as panelas feitas pelas mulheres do povo Macuxi.

*Por Ailton Alves, da Rede Amazônica RR

Geoportal utiliza tecnologia para direcionar ações no combate aos incêndios florestais em Rondônia

Reforço na Brigada aérea do CBMRO está entre as ações de combate aos incêndios florestais em Rondônia. Foto: Frank Néry/Secom RO

O governo de Rondônia tem intensificado o combate aos incêndios florestais e o investimento com a contratação de aeronaves de combate ao fogo e operações que reúnem as forças de segurança do estado, a exemplo das operações “Verde Rondônia”, “Protetores do Bioma”, “Mapinguari” e “Temporã” (fases 1 e 2) que atuam diretamente no Parque Estadual Guajará-Mirim e na Estação Ecológica Soldado da Borracha.

As ações recebem o suporte direto da Sala de Situação da Coordenadoria de Geociências (Cogeo) da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), que ocupa função na estratégia de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, destacando-se por pesquisas e avanços tecnológicos na análise de solo, água e outros componentes ambientais.

Geoportal

Através da Sala de Situação, a Sedam/Cogeo faz o monitoramento de focos de calor existentes dentro do estado e seu entorno, gerenciando um banco de dados de focos de calor gerados diariamente do sítio eletrônico da Nasa. As informações ficam a disposição da população no Geoportal na página da Sedam.

De acordo com o secretário da Sedam, Marco Antônio Lagos, com os dados, a Sedam monitora diariamente focos de incêndio, tanto em Rondônia quanto em regiões vizinhas, como Acre, sul do Amazonas, norte do Mato Grosso, além da fronteira com a Bolívia, compondo um panorama detalhado da situação regional.

Imagem: Reprodução/Geo Portal

Ações Efetivas

Para conter os focos de incêndios florestais, a Sedam têm realizado diversas operações nas áreas de preservação ambiental, onde há os maiores registros de focos de incêndio e calor. O grupo também é composto por policiais que realizam investigação e policiamento para identificar e prender os autores de queimadas ilegais, que estão prejudicando o estado.

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia (CBMRO) está em curso com a “Operação Verde Rondônia”, que iniciou as atividades em 6 de junho de 2024, justamente para combater a prática desse tipo de crime. São seis bases distribuídas estrategicamente pelos municípios do estado, que registraram um total de 22.074 ações preventivas, 5.135 incêndios combatidos, 1.160 averiguações realizadas e 116 multas aplicadas.

Foto: Frank Néry/Secom RO

Monitoramento

A Sala de Situação da Cogeo opera com base em informações atualizadas de plataformas de satélites que monitoram diariamente os focos de calor na região amazônica. Segundo os dados mais recentes, Rondônia registrou um aumento nos focos de incêndios durante o período de seca. De acordo com as Informações de incêndios para Sistemas de gerenciamento de recursos (FIRMS/Nasa), de junho a outubro deste ano, foram registrados 78.468 focos de incêndio no estado.

Foto: José Leandro Barbosa/Secom RO

Entre os estados vizinhos da Amazônia Legal, os números só são maiores que os do Acre, que teve 36.122 focos. Nos outros estados a situação é ainda mais alarmante. No Mato Grosso, foram mais de 355.505 registros de queimadas. No Amazonas, a situação também exige atenção, com destaque para os municípios de Boca do Acre, Lábrea e Apuí, que acumula mais de 153.734 focos de incêndio no mesmo período, enquanto na Bolívia, a área de fronteira com Rondônia foi a que mais sofreu com os incêndios florestais com mais de 787.552 focos entre os meses de junho e outubro.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, ressalta que ao identificar as áreas mais críticas, o governo do estado pode direcionar os esforços das equipes de combate em tempo real.

Articulação

Em agosto, a Cogeo recebeu a visita de representantes da Força-Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas (Governors’ Climate and Forests Task Force – GCF-TF), uma colaboração subnacional única entre 38 estados e províncias do Brasil, Indonésia, México, Nigéria, Peru, Espanha e Estados Unidos, focada em construir uma colaboração entre governos, sociedade civil e setor privado para reduzir o desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável.

Em setembro, foi a vez de uma missão técnica internacional, composta por representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em parceria com a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), com o apoio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

O grupo conheceu os sistemas e tecnologias utilizados pelo governo de Rondônia na defesa ambiental e nos sistemas de alerta. Os dados são fundamentais para o acompanhamento e avaliação dos indicadores ambientais, proporcionando um panorama mais preciso sobre as condições dos ecossistemas da região e auxiliando na elaboração de políticas públicas efetivas para a proteção do meio ambiente.

*Com informações do Governo do Estado de Rondônia

Projeto sobre antioxidantes naturais presentes em frutos da Amazônia é aprovado em concurso internacional

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Foto: Divulgação/Ueap

Um projeto de pesquisa realizado pela Universidade do Estado do Amapá (Ueap), em parceria com a Universidad San Sebastián (USS) do Chile, foi aprovado no Concurso de Fomento à Vinculação Internacional (Fovi 2024), também do país sul-americano. A premiação visa financiar redes de colaboração chilenas e estrangeiras, promovendo o intercâmbio de conhecimentos entre países.

A iniciativa coordenada no Brasil pelo professor Gabriel Araújo-Silva, do colegiado de Licenciatura em Química, visa avaliar antioxidantes naturais presentes em frutos da Amazônia e da floresta austral chilena, para aplicações industriais em alimentos e cosméticos. O projeto vai contar com a formação de estudantes, realização de estágios e intercâmbios entre os dois países.

A partir do recurso, será possibilitada execução do projeto de pesquisa, com o pagamento de bolsas de doutorado, custeio das missões de trabalho da equipe do Chile no Brasil e vice-versa. O financiamento será viabilizado pela Agência de Pesquisa e Desenvolvimento (Anid) do Governo chileno, organizador do concurso.

Uso do açaí e da “limona”

No Amapá, projeto de pesquisa vai estudar os potenciais antioxidantes do açaí
Açaí. Foto: Reprodução/Secom PA

A pesquisa é liderada no Chile pela professora Luisa Quesada, da USS, e estuda as propriedades de uma espécie ancestral de maçã do país, mais especificamente a variante “Limona”. Com colaboração dos pesquisadores brasileiros e da Ueap, o projeto também vai estudar os antioxidantes presentes no açaí e outros frutos amazônicos.

A ideia da iniciativa é criar uma rede de pesquisa voltada ao desenvolvimento de métodos de extração ambientalmente corretos e capazes de obter os compostos antioxidantes presentes nessas frutas típicas de cada local. Além dos professores dos dois países, também compõem a equipe os pesquisadores associados Marcela Mansilla, Carlos Galleguillos e Saulo da Silva.

*Com informações do Governo do Estado do Amapá

Amapaense vence prêmios internacionais por geração de energia a partir de óleo residual

Foto: Hadassa Gama/Acervo pessoal

A jovem cientista do Instituto Nacional Leva Ciência (INLC), Hadassa Paulino Lopes Gama, tem apenas 14 anos e já busca fazer a diferença no Amapá. Com um projeto inovador sobre produção de energia elétrica de forma sustentável, Hadassa recebeu duas medalhas de reconhecimento internacional em um evento científico no Chile.

Sobre o projeto

Hadassa desenvolveu com a orientadora Danielle Brito, o projeto para produzir energia elétrica a partir de óleo residual, com o objetivo da solução de dois problemas que atingem o estado: o acesso limitado a energia elétrica em comunidades locais e o descarte inadequado de óleo vegetal.

Além disso, outro fator para o desenvolvimento do projeto, é a dificuldade que as famílias de comunidades isoladas no estado possuem para acessar energia elétrica.

Foto: Hadassa Gama/Arquivo Pessoal

Prêmio Internacional

Em agosto deste ano, a jovem recebeu credencial para participar da ‘Latinamerican Expo Ciências’, organizada pela Mouvement International pour le Loisir Scientifique Et Technique (Milset), no Chile.

Sem patrocínio, ela contou com o apoio da família e vendeu brigadeiros e rifas para financiar sua participação.

Foto: Hadassa Gama/Arquivo Pessoal

No evento, que aconteceu na Universidade Central do Chile, em Santiago, entre 12 e 16 de novembro, a jovem cientista conquistou dois títulos, sendo: Medalha de bronze e Medalha de mérito científico.

Hadassa é pesquisadora pelo Instituto Nacional Leva Ciência, uma instituição sem fins lucrativos que promove a iniciação científica com crianças, adolescentes e jovens.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP