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Manual técnico-científico propõe soluções para a arborização urbana na Amazônia

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Foto: Daniel Vilhena/AID/Alepa

Qual a importância de uma adequada arborização para as pessoas e para as cidades? Tanto em uma grande metrópole ou em municípios com população menor, a arborização urbana ocupa um lugar significativo no que se refere à saúde e ao bem-estar da população, além de ser uma aliada no combate às mudanças climáticas. No entanto, recorrentemente, a presença das árvores é subestimada ou vista apenas como um detalhe estético no planejamento urbano.

Muito mais que sombras e paisagens, as árvores contribuem para a redução da temperatura nas cidades frequentemente afetadas pelo chamado “efeito ilha de calor”, um fenômeno causado, entre outros fatores, pelo excesso de concreto e asfalto que retêm calor. Além disso, as árvores melhoram a qualidade do ar, pois absorvem gases poluentes, como o dióxido de carbono (CO₂), e liberam oxigênio. Também atuam como filtros naturais, capturando partículas em suspensão, como poeira e fuligem, que podem causar problemas respiratórios.

Para que os benefícios da presença de árvores nas cidades, ou seja, da arborização em espaços urbanos sejam plenamente aproveitados, é necessário que ocorra um planejamento de forma criteriosa, desde a escolha das espécies e o plantio, considerando as mais adequadas para cada ambiente urbano.

Publicação

O Brasil, que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, apresenta desafios no que se refere à arborização urbana. Essa realidade ganha ainda mais destaque na Amazônia, onde a abundância de espécies nativas contrasta com a preferência histórica por plantas exóticas em áreas urbanas. Buscando alternativas a esse cenário, os pesquisadores Rafael P. Salomão e Nélson A. Rosa (in memoriam) apresentam o Guia de Seleção de Árvores Ornamentais: Paisagismo Urbano para a Amazônia, um manual técnico-científico que propõe diretrizes para a escolha e manejo adequado de espécies em espaços urbanos.

Disponível no portal do Museu Goeldi, o guia destaca a importância das árvores não apenas como elementos estéticos, mas como agentes que podem impulsionar a qualidade de vida nas cidades. Na Amazônia, onde altas temperaturas e umidade são constantes, a arborização urbana pode ser uma solução eficaz para atenuar o desconforto térmico, melhorar a qualidade do ar e promover o bem-estar das populações. Contudo, como apontado pelos autores, o planejamento adequado e o uso de espécies nativas são fundamentais para alcançar esses objetivos.

O guia apresenta uma matriz de seleção que analisa diversos atributos de espécies arbóreas, com destaque para características como altura da árvore adulta, forma da copa, floração, folhagem e valor cultural ou legal. Esses critérios ajudam gestores públicos, paisagistas e ambientalistas a tomar decisões informadas sobre quais árvores plantar em diferentes espaços urbanos.

Análise da Arborização Urbana em Belém

O pesquisador Rafael Salomão destaca que analisou a arborização na capital paraense qualitativa e quantitativamente, examinando, também, a legislação municipal sobre o tema.

“Durante esse processo de análise, verificamos que é de 78 o número de espécies que foram usadas na arborização de Belém. Dessas, apenas 10 espécies correspondem a mais de 90% do total de árvores plantadas e apenas duas são originárias da Amazônia”, pontua.

O Manual de Orientação Técnica da Arborização Urbana de Belém, publicação de 2013 coordenada pela Prefeitura de Belém e Universidade Federal Rural da Amazônia, recomenda 85 espécies, das quais 46 são da Amazônia e 39 exóticas. Considerando que grande parte das cidades do interior do Estado tende a seguir os projetos paisagísticos da capital, segundo o pesquisador, pode-se considerar que a composição e a densidade não se distanciam destes números.

Rafael destaca, ainda, a matriz de seleção de espécies ornamentais para uso urbano, relacionando 151 espécies com uso atual e potencial no paisagismo urbano, das quais 89 são adequadas às vias urbanas e 54 às áreas verdes. Entre estas, 32 foram consideradas como de extrema beleza, 49 como muito belas e 70 como ornamentais. Espécies com flores perfumadas somaram 26, e outras 15 proporcionam sombra abundante.

Atributos

Dentre as características arbóreas que o guia destaca, está a altura. A altura de uma árvore é um fator determinante para seu uso em áreas urbanas, especialmente sob redes elétricas. O guia classifica as árvores em três categorias: pequenas (até 6 metros), médias (entre 6 e 12 metros) e grandes (acima de 12 metros). Para áreas sob fiação elétrica, recomenda-se espécies de menor porte, enquanto árvores de grande porte são ideais para parques e praças. Essa avaliação previne conflitos com a infraestrutura urbana e reduz custos com manutenção, como podas frequentes.

A forma copa das árvores é fundamental por proporcionar sombra e conforto térmico, especialmente em regiões de altas temperaturas. O guia destaca tipos de copa, como as densas e largas, que oferecem excelente cobertura, e as ralas e estreitas, mais adequadas para espaços menores. Exemplos práticos incluem copas esféricas, como a do oitizeiro  (Licania tomentosa), e copas em forma de guarda-chuva, como a do visgueiro (Parkia pendula).

Além disso, as flores são um dos principais atrativos ornamentais das árvores. O manual valoriza espécies com florações vistosas, como o ipê amarelo (Handroanthus serratifolius) e o ipê roxo (Handroanthus impetiginosus), reconhecidos pela exuberância de suas cores. Apesar de muitas flores terem curta duração, seu impacto visual e ecológico, ao atrair polinizadores, as torna elementos essenciais no paisagismo urbano.

Por fim, o guia também destaca que muitas árvores têm importância cultural e legal, sendo símbolos de identidade local. O guia ressalta espécies como as mangueiras (Mangifera indica), indissociáveis da paisagem de Belém, conhecida como “Cidade das Mangueiras”. Além disso, algumas espécies, como o pau-brasil (Caesalpinia echinata) e a castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa), são protegidas por leis devido à sua relevância histórica, econômica e ambiental.

Leia também: Entenda porque Belém é chamada de “cidade das mangueiras”

Plantas para Belém

Os assuntos do Guia são relevantes para o debate sobre o processo de arborização na capital paraense e foram tópicos do evento “Plantas para Belém: estratégias para a arborização e jardinagem de Belém frente aos desafios urbanos e climáticos”, realizado em novembro de 2024, no Auditório Paulo Cavalcante – Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, como resultado do acordo de cooperação técnica com a Prefeitura de Belém sobre a educação ambiental e arborização da cidade.

No decorrer do evento, os presentes participaram de palestras e dinâmicas de grupo com temáticas referentes à estrutura urbana de Belém; vulnerabilidades urbanas frente às mudanças climáticas; resiliência, sustentabilidade e conservação ambiental a favor da inclusão; e aproveitamento de espécies nativas da região amazônica.

A Coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi, Marlúcia Martins, destacou a importância do debate e a busca de um consenso sobre espécies adequadas em função das características específicas de Belém.

O professor Sérgio Brazão, da Universidade Federal Rural da Amazônia, enfatiza a importância de uma abordagem técnica para a arborização urbana em Belém, considerando as especificidades geográficas da cidade. Durante a oficina, Brazão ressaltou que, por ser uma cidade plana, mas com áreas de baixa altitude e subsolos ricos em água, é essencial escolher espécies adaptadas a essas condições para garantir a sobrevivência das árvores. Ele também enfatizou a necessidade de selecionar espécies adequadas para as áreas de terra firme, visando criar uma arborização que reflita a identidade amazônica.

Na construção de uma cidade resiliente às mudanças climáticas, Marlúcia Martins destaca que a arborização urbana deve ser planejada como parte integrante da infraestrutura da cidade, contribuindo para a contenção do solo, amenização de temperaturas, absorção de carbono e manutenção da fauna, como polinizadores e aves. Além disso, a distribuição equitativa de áreas verdes no espaço urbano é essencial para garantir benefícios socioambientais em todas as regiões da cidade, promovendo maior justiça climática.Nelson Rosa

*Com informações do Museu Goeldi

Levantamentos geológicos na Bacia do Tacutu, em Roraima, avaliam potencial de óleo e gás

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Foto: Divulgação/SGB

A Bacia do Tacutu, que atravessa trecho da fronteira entre o Brasil e a Guiana, tem sido objeto de estudos que avaliam seu potencial para a geração de óleo e gás. Os trabalhos realizados na Guiana contribuíram para o reconhecimento de um meio-gráben (estrutura de uma fossa tectônica profunda e assimétrica), de idade jurássico-cretáceo e com uma espessura sedimentar e vulcânica estimada entre 1.200 e 6.000 metros.

No Brasil, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) liderou as primeiras investigações geológicas de superfície na Bacia do Tacutu. Essas pesquisas indicaram a necessidade de estudos mais aprofundados, como poços estratigráficos para verificar o empilhamento sedimentar e a existência de camadas geradoras de hidrocarbonetos. As análises destacaram elementos estruturais associados ao meio-gráben, como blocos falhados, que podem funcionar como armadilhas para o acúmulo de óleo e gás.

O SGB tem ajudado no avanço dos estudos estratigráficos da Bacia do Tacutu. Na atividade de mapeamento geológico, assomam o reconhecimento da estratigrafia, do arcabouço estrutural, da geofísica terrestre e de subsuperfície, de estudos de palinologia (flora/fauna) e geocronologia. 

Recentemente, um acordo de cooperação técnica entre o SGB e a Guyana Geology and Mines Commission (GGMC) trouxe a integração de informes geológicos e da geodiversidade entre os dois países.

Esses esforços conjuntos colocam a Bacia do Tacutu como uma região promissora à exploração de óleo e gás, unindo ciência e cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais.

Em décadas passadas, estudos exploratórios, conduzidos pela Petrobras no Brasil e pela canadense Home Oil Company na Guiana, contribuíram significativamente para identificar rochas geradoras e suas potencialidades.

Resultados promissores e novos desafios

Análises químicas revelaram altos níveis de carbono orgânico total (COT) em folhelhos negros de uma de suas camadas, registrando boa favorabilidade na geração de hidrocarbonetos e reforçando, por sua vez, o potencial da bacia na geração de óleo e gás. A descoberta de ocorrência subcomercial de óleo em basalto fraturado no poço Karanambo (Guiana) tem incentivado a continuidade das investigações exploratórias.

*Com informações do SGB

Ensino de geografia ajuda a promover inclusão digital no Amazonas

Foto: Flávio Teixeira Lima/Arquivo pessoal

Melhorar a qualidade do ensino a partir do uso de meios e ferramentas tecnológicas de geoprocessamento como forma de inclusão digital e incentivo ao mercado de trabalho, para alunos da rede estadual de ensino foi o objetivo de uma pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

O estudo amparado pelo edital n° 006/2021 – Programa de Desenvolvimento e de Inovação para Educação Básica – Prodeb/Fapeam teve como premissa encorajar o pensamento crítico dos estudantes e incentivá-los na entrada ao mercado de trabalho.

A pesquisa “Aplicações tecnológicas do geoprocessamento nos estudos ambientais como ferramenta de inclusão digital e preparação ao mercado de trabalho, direcionadas ao ensino médio da rede estadual de educação do Amazonas” foi coordenada por Flávio Teixeira Lima, mestre em Ciência e Engenharia de Materiais; doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e professor da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar.

O projeto multidisciplinar teve como base a disciplina de Geografia na análise espacial, e também integrou conhecimentos da Matemática, Física e Química no Sensoriamento Remoto; de Informática no contato com softwares especializados em Geoprocessamento; e da Língua Inglesa.

Com essa metodologia, foi possível identificar dados de componentes físicos, bióticos e antrópicos do espaço geográfico de uma determinada região. E dessa maneira, trouxe a possibilidade de contribuição para o debate sobre a relação da sociedade com o meio ambiente.

Para o coordenador, uma das formas de melhorar a qualidade de ensino é a partir da disponibilização de ferramentas tecnológicas em sala de aula ainda nos primeiros anos da vida escolar, especialmente para aqueles alunos com acesso limitado ao mundo digital.

“A inclusão digital permite a inserção de habilidades que possam ser melhoradas ao longo do tempo, além de criar uma cultura voltada ao mundo da tecnologia, uma vez que é uma área que traz imensas contribuições sociais”, disse.

Durante a pesquisa realizada na Escola Estadual Manuel Rodrigues de Souza, localizada no bairro Armando Mendes, zona leste de Manaus, foi apresentado aos estudantes o conjunto de técnicas que fazem parte da Geotecnologia, que cuida da coleta, da interpretação e da investigação dos dados reunidos, possibilitando acesso a softwares especializados como ArcGIS Dashboards e ArcGIS Pro, e a técnicas da aerofotogrametria com o uso de drones.

Flávio Lima espera que o projeto tenha despertado o interesse dos alunos para o mercado de trabalho na área de tecnologia, bem como para a investigação científica em geral. O pesquisador explica que, a depender do que faz parte da grade curricular, a escola também tem influência direta não só no desenvolvimento intelectual dos alunos, mas também no campo profissional.

“A tecnologia está presente em todas as áreas do conhecimento. Isso faz com que gere ampla possibilidade de escolha, permitindo que o indivíduo busque uma área que seja compatível com seus interesses profissionais”, pontuou.

Ele acredita que tem sido cada vez mais relevante que os métodos de ensino sejam repensados, para atrair a atenção dos estudantes, promovendo a autonomia e o trabalho colaborativo, integrando teoria e prática. Para isso, são necessárias atividades que estejam de acordo com as diretrizes da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e que estimulem a curiosidade dos estudantes em um espaço de análise crítica e de criatividade.

“A aliança entre teoria e prática possibilita mais autonomia nos estudos. Facilita o aprendizado, uma vez que torna o aluno alguém mais crítico, desencadeando assim maior poder de busca do conhecimento e de situações do ambiente que o envolve”, declarou.

De acordo com o coordenador, a inclusão digital em sala de aula não se trata apenas da disponibilização de equipamentos, mas também da necessidade de mostrar aos estudantes de que maneiras a tecnologia pode contribuir no dia a dia, e quais oportunidades podem surgir a partir do domínio dessas ferramentas.

Resultados

O estudo gerou a produção do artigo científico “As Contribuições das Geotecnologias na Construção do Conhecimento Geográfico Frente aos Desafios da Consolidação do Pensamento Espacial e do Raciocínio Geográfico na Nova BNCC”, que foi publicado na Revista Presença Geográfica (RPGeo), da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), disponível no link: periodicos.unir.br

Além disso, imagens e vídeos foram produzidos a respeito da análise geográfica, bem como materiais cartográficos a partir dos estudos de Geoprocessamento.

*Com informações da Fapeam

Startup cria biocosméticos amazônicos com design de embalagens inspirado na região

Foto: Divulgação

Cupuaçu, buriti, açaí, murumuru e castanha-da-amazônia são os principais componentes dos cosméticos produzidos pela startup Brava Amazônia. Os biocosméticos foram fomentadas pelo Programa Inova Amazônia-Módulo Tração, Edital Nº 001/2023, e são desenvolvidos com ingredientes naturais e biodegradáveis selecionados para minimizar o impacto ambiental.

A coordenadora do projeto, Kevelyn Sbravati, destaca que o descarte responsável de resíduos faz parte da missão da empresa, e reforça os benefícios dos insumos da Amazônia à pele e à saúde.

“Utilizamos insumos como manteiga de cupuaçu, óleos de buriti, de açaí, de castanha-da-amazônia, manteiga de murumuru e seiva de sangue dragão selecionados com base em critérios de qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade. Os produtos são desenvolvidos com ingredientes naturais e biodegradáveis, cuidadosamente escolhidos para minimizar o impacto ambiental”, ressaltou.

Em parcerias com comunidades locais, a startup busca fomentar o desenvolvimento econômico local, respeitando a cultura e os direitos das comunidades amazônicas, seguindo práticas de manejo sustentável e garantindo a preservação dos recursos naturais.

A criação conta como apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O apoio da Fapeam através do Programa Inova Amazônia amparou a startup nas oito etapas para garantir a qualidade e a responsabilidade social do produto, produzindo resultados eficientes sem abrir a mão da preservação ambiental na criação do produto no laboratório e nas embalagens eco-friendly (amigas do meio ambiente).

Brava Amazônia

Atualmente, a empresa já passou pelas fases de pesquisa, desenvolvimento, registros, e Minimum Viable Product (MVP) – produto mínimo viável, em tradução livre – e está iniciando a fase de lançamento do lote piloto.

“No momento estamos gerando conteúdos educativos com a audiência através das mídias sociais, divulgando nosso compromisso com sustentabilidade e valorização da Amazônia e aquecendo o público para o lançamento oficial que acontecerá em fevereiro”, comentou Sbravati.

A startup tem parcerias com as indústrias no Polo Industrial de Manaus (PIM) que garantem práticas sustentáveis por meio do manejo ético dos insumos, produção com baixo impacto ambiental e uso de embalagens recicláveis e biodegradáveis.

*Com informações da Fapeam

5 drinks criados na Amazônia que unem o regional e o moderno

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Foto: Reprodução

Cada lugar possui uma riqueza de ingredientes que compõem sua gastronomia original. Na Amazônia, seus sabores famosos, como o cupuaçu ou o açaí, estão cada vez mais presentes em receitas diferentes e inovadoras. E que tal incluir essa riqueza de sabores nos drinks?

Em Manaus (AM), alguns bares tem explorado, cada vez mais, a inclusão de ingredientes típicos da região para criar novos sabores que surpreendem o paladar e promovem a cultura local. Conheça alguns desses drinks e onde encontrar:

Kin-Maru

Criado pelo restaurante Kin Sushi Bar, o Kin-Maru tem como ingrediente principal o Cumaru, conhecido como “Baunilha da Amazônia“. Esse drink é refrescante e ideal para o clima quente da região.

As sementes de Cumaru são infusionadas em cachaça por aproximadamente 10 dias. Depois de pronta, a cachaça é misturada com uma dose de maracujá, sumo de limão e mel natural.

A mistura é batida com gelo em uma coqueteleira e servida. Para um toque final, pode-se coar para remover as sementes do maracujá.

Foto: Gabriel Gardinni

Amazônico

O bar Brazin criou o Amazônico, um drink que tem como estrela a cachaça de Jambu, conhecida pelo efeito levemente anestésico que provoca na boca.

A receita leva uma dose de cachaça de Jambu, pedaços de abacaxi, sumo de limão e melado de cana. O toque final fica por conta das raspas de Cumaru e da casca de limão siciliano para decorar e aromatizar a bebida.

Foto: Mariana Guerreiro

Moscow Mule Amazônico

O tradicional Moscow Mule ganhou uma versão amazônica. Presente na carta de drinks do restaurante Tambagrill e do bar LeBar, essa releitura mantém a base original (vodka, sumo de limão e sugar syrup), mas substitui a espuma tradicional pela espuma de taperebá e adiciona um toque regional com a Fisális, também conhecida como a “cereja da Amazônia“.

Foto: Divulgação

CaipiMaru

A clássica caipirinha ganhou um toque amazônico no Tambagrill. A cachaça infusionada com Cumaru transforma essa versão do drink em uma experiência única. O sabor levemente adocicado da “baunilha brasileira” faz toda a diferença nessa releitura de um dos drinks mais famosos no mundo.

Foto: Divulgação

Piña Colada Amazônica

O Tambagrill também reinventou a tradicional Piña Colada ao incorporar ingredientes regionais. A versão amazônica leva suco de cupuaçu, vodka, xarope de açúcar e uma espuma cremosa de taperebá, criando um equilíbrio perfeito entre dulçor e acidez.

Foto: Divulgação

*Com informações do Grupo Rede Amazônica

Projeção aponta que o Pará será o estado com 3° maior crescimento econômico do Brasil em 2025

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Foto: Alexandre Costa/Agência Pará

O Pará deve alcançar um crescimento econômico de 3,5%, este ano. O percentual é maior do que a projeção prevista para o Brasil, cujo aumento do Produto Interno Bruto (PIB) tende a ser de pouco mais de 2%. Os dados são da Tendências Consultoria e colocam o Pará como o terceiro Estado do país com maior índice de crescimento do PIB e o maior da Região Norte do país.

Setores como o Agronegócio, a Mineração e o de Serviços são os que mais contribuem para o desenvolvimento econômico acelerado da economia estadual. Também, tem destaque o fortalecimento e investimentos para a consolidação da Bioeconomia.

“O Pará, nos últimos cinco anos, com a gestão do governador Helder Barbalho, vem investindo fortemente em um equilíbrio entre a produção e a conservação da floresta. Por isso, o nosso Estado vem se destacando cada vez mais não só no crescimento das suas vocações naturais, que são o Agronegócio, a Mineração e os Serviços, mas também nos serviços ecossistêmicos, no crédito de carbono, que são cadeias produtivas que vêm cada dia mais se consolidando e ganhando espaço, na Bioeconomia”, destaca o presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), Marcel Botelho.

Ele ressalta que o Pará tem uma economia diversificada. “Nós temos um agronegócio pujante, com o segundo maior rebanho do Brasil, uma grande produção e expansão de soja e de milho. Nós possuímos outros produtos da agricultura, da agrofloresta, como açaí, o cacau, que são líderes nacionais”. 

“Temos uma mineração fortíssima, uma das maiores províncias minerais do mundo está aqui, no Pará. Nós temos a maior jazida de ferro do mundo, então, por isso, a nossa balança comercial sofre outras influências, o nosso PIB sofre outras influências”, diz Marcel Botelho.

A Fapespa também projeta o crescimento real da economia paraense em 3,3%. Entre os investimentos estratégicos que devem acelerar esse aumento estão a expansão da mineração, melhorias na infraestrutura logística, bioeconomia, energia renovável e o fortalecimento das cadeias produtivas do agronegócio, comércio exterior e turismo.

A economista Renata Novaes enfatiza que Pará responde por 41,1% do PIB regional e a realização da Conferência Mundial Sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém, trará impactos ainda mais positivos para o crescimento da economia, com o aumento da visibilidade do Pará no cenário internacional, o que abre portas para novos investimentos em energia limpa, agricultura sustentável e ecoturismo.

Ela assinalou que eventos do porte da COP 30, Atrai investimentos, especialmente em infraestrutura. Já contamos com mais de 4 bilhões em investimentos na infraestrutura viária, para melhorias na rede hoteleira e locais turísticos, o que gera empregos e movimenta a economia”, pontua Renata.

“A bioeconomia também ganha força, estimulando negócios sustentáveis e novas oportunidades para a região”, completa.

*Com informações da Agência Pará

Com inscrições prorrogadas, Elos da Amazônia quer investir mais de R$ 1 milhão em startups indígenas

Foto:

A Elos da Amazônia 2024 prorrogou as inscrições para a edição de empreendedorismo científico indígena que busca reconhecer empreendedores com tecnologia de inovação a partir da biodiversidade amazônica.

As inscrições devem ser efetuadas através do formulário até o dia 7 de fevereiro. Tanto a inscrição como a participação no programa são gratuitas. A chamada pública busca selecionar duas startups (projetos) que tenham sido desenvolvidas por até cinco anos antes da publicação do edital.

Conforme o edital, a edição de 2024, busca trazer oportunidades de criação de negócios e preparar para o mercado de empreendedorismo pessoas que sejam autodeclaradas indígenas.

” [A Elos da Amazônia] acredita que a tecnologia pode surgir de todos os lugares, seja com base na racionalidade, empírica ou com experiências de dentro ou fora da pesquisa”, enfatizou um trecho do edital.

Os candidatos devem propor os projetos a partir das seguintes linhas de pesquisa do Programa Prioritário de Bioeconomia (Ppbio), que procura solucionar a exploração da economia sustentável da biodiversidade, com base na ciência, tecnologia e inovação:

  • Alimentos ou cosméticos: formas de produzir alimentos.
  • Processos e equipamentos: soluções que apresentem melhores formas de fazer atividades.
  • Materiais: desenvolvimento de produtos para outras funcionalidades, como moda, construção civil, design, entre outros.

O Ppbio abrange todos os estados que fazem parte da Amazônia Ocidental (Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima) e Amapá de acordo com atuação da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Para o líder de Inovação em Bioeconomia do Idesam, Paulo Simonetti, a prorrogação tem como objetivo alcançar ainda mais pessoas.

Decidimos pela prorrogação para que as pessoas tenham essa oportunidade agora um pouco mais extensa para conseguir se inscrever e concorrer a esse investimento de R$ 1 milhão. Como lançamos o edital no final de dezembro, após o período de festas começamos a ter uma boa procura e interesse desses negócios’’, explicou.

Ainda, segundo o edital, os benefícios para os projetos selecionados é de R$ 1 milhão sendo que R$ 500 mil será do Programa Prioritário de Bioeconomia (Ppbio) com objetivo de acelerar os negócios e R$ 500 mil do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (Indt) que apoiará no desenvolvimento do projeto e poderá ter acréscimo de até R$ 500 mil pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

As soluções serão selecionadas por uma banca examinadora interna de especialistas que terão seis fases:

  • Fase 1: submissão de inscrições até 7 de fevereiro.
  • Fase 2: triagem eliminatória das inscrições que não atenderem os critérios do edital.
  • Fase 3: triagem de classificação de acordo com os critérios de julgamento.
  • Fase 4: apresentação dos classificados e avaliação da comissão julgadora.
  • Fase 5: processo de avaliação dos classificados.
  • Fase 6: divulgação dos selecionados prevista para o dia 20 de fevereiro.

O edital é promovido pelo Idesam, Programa Prioritário de Bioeconomia, Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (Indt) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Também conta com o apoio financeiro da Embrapii e possui apoio de divulgação do InPactas, Rede Amazônica e Parceiros Pela Amazônia (PPA).

De acordo com os idealizadores do projeto, o objetivo é promover o empreendedorismo indígena, transformando conhecimento acadêmico e tradicional em soluções.

“Esse edital é muito importante para que os povos originários possam trazer para o mercado aqueles conhecimentos adquiridos ao longo dos anos”, reforçou Geraldo Feitoza, Diretor Executivo do INDT.

*Por Amanda Silva, estagiária sob supervisão de Yuri Marcel na Rede Amazônica AC

Metodologia de assistência técnica muda realidade de fazendas de bovinocultura leiteira em Tocantins

Foto: Reprodução/YouTube – Amazon Sat

Em Augustinópolis, no Norte de Tocantins, as metodologias ensinadas pelas equipes técnicas do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) tem contribuído para mudanças significativas em pequenas propriedades que os técnicos acompanham, mudando o cenário econômico da região. 

O esforço dos produtores e federações para o crescimento da bovinocultura leiteira no estado tem gerado aumento na produção de leite, que gera esperança a centenas de produtores de pequeno porte que desejam investir na área, mas que, sem o auxílio necessário, acabam colocando em risco todo o esforço e investimento financeiro, como aconteceu com o produtor Antônio Apolônio.

“As coisas estavam indo de mal a pior antes da equipe do Senar chegar. Eu ia parar com a produção de leite, ia desistir, mas com o acompanhamento deu uma melhorada nas coisas. Em termo de pasto, sistema de cerca, me ajudaram com o corredor, aumentamos a quantidade de pasto e entre outras melhorias”, disse o produtor. 

Foto: Reprodução/YouTube – Amazon Sat

Segundo a equipe técnica do Senar, a propriedade de Antônio tornou-se uma prioridade, pois ele já estava desistindo da atividade. Eles afirmam que, assim como os demais produtores, as dificuldades para iniciar o trabalhos de acompanhamento são as mesmas. 

“Sempre tem a descrença do produtor em relação a implantação de novas tecnologias. Eles já viram outros produtores implantando sem acompanhamento e sem resultado, foram induzidos a fazerem investimentos e depois foram abandonados sem acompanhamento e ficaram no prejuízo”, explicou a equipe técnica.

Foto: Reprodução/ YouTube – Amazon Sat

Um sistema de controle com os próprios animais e uma vigilância mais firme com o financeiro torna a administração da propriedade mais ágil, pontua a equipe:   

“A falta de dados financeiros e zootécnicos prejudica. A maioria dos produtores não sabe a idade das matrizes, quantidade de cria, intervalo de partos, nem produção média diária e outros”. 

Tecnologia simples e barata 

“A principal tecnologia para uma produção de leite viável é o investimento em pastagem. Na região, é o melhor alimento em relação a custo benefício. A forma mais fácil de manejar corretamente uma pastagem é o ‘rotacionado’, ou seja, intensificação de pequenas áreas que viabilizam a adição de adubação constante”, informou o Senar.  

Foto: Reprodução/ YouTube – Amazon Sat

A produção do leite é baseada em nutrição, sanidade e genética do rebanho, “um tripé importantíssimo”:

  • Investe-se em alimentação, volumoso de qualidade e em quantidade adequada aos animais durante todo o ano (inverno e verão), sem mudanças bruscas na dieta diária das matrizes.
  • Implantação de um calendário sanitário que é de suma importância para o controle das medicações a serem utilizadas no rebanho, atentando aos prazos de aplicação e na alternância de princípio ativo a cada dois anos (evitar a resistência). 
  • Trabalha-se com genética, podendo o produtor aderir à inseminação artificial ou mesmo na troca de reprodutor e matrizes.                                                                                                         

Elevação de genética dos animais sem aumentar custos

De acordo com a equipe do Senar Tocantins, é possível elevar a genética de uma propriedade sem aumentar os custos, fazendo a seleção do seu próprio rebanho. A partir dos dados zootécnicos de persistência de lactação, intervalo de parto, período de serviço e produção média diária da matriz, as bezerras devem permanecer na propriedade para compor o rebanho.

Essa forma de seleção genética demanda tempo ao produtor, visto que o ciclo para a produção de uma matriz leva pelo menos três anos. 

A equipe reafirma e lista as principais técnicas colocadas em prática quando se trata de pastagens para a melhoria da alimentação do animal:

  • Implantação de rotacionado visando à intensificação da pastagem;
  • Oferta volumosa no ponto correto, as matrizes devem comer ponta de capim todo dia;
  • Roço de talos das touceiras de capim para maximizar a área foliar;
  • Entrada nos piquetes no final do dia, horário mais propício ao pastoreio, devida à baixa temperatura;  
  • Adubação e correção do solo, visando a disponibilidade de nutrientes na pastagem;
  • Proximidade da pastagem e do curral de manejo, evita que os animais percorram grandes distâncias todos os dias;
  • Controle de carrapatos e outros parasitas na pastagem com uso de fungos (controle biológico);
  • Adubação orgânica, que melhora a saúde da pastagem e evita a disseminação de pragas e doenças como ervas daninhas, lagartas e cigarrinhas.

Ano da serpente: o que sabemos sobre esses animais na Amazônia?

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Suaçuboia (Corallus hortulanus). Foto: Tomaz Nascimento de Melo/MUSA

No zodíaco chinês, o ano de 2025 é considerado o “Ano da Serpente”. Segundo a cultura desse país, isso significa um ano de sabedoria e transformação, características também atribuídas a esses animais. Bem longe da China e do zodíaco, o que sabemos sobre as serpentes da região amazônica?

Leia também: Portal Amazônia responde: Cobra e serpente são diferentes?

Segundo a professora Annelise D’Angiolella, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Capitão-Poço, atualmente são conhecidas 435 espécies de serpentes no Brasil.

A pesquisadora, que desenvolve trabalhos relacionados a herpetologia (estudo de répteis e anfíbios) destaca que a região Norte está entre as mais ricas em espécies de répteis, onde trabalhos recentes catalogaram 247 espécies de serpentes.

“Na Amazônia temos muitas espécies endêmicas de vertebrados e invertebrados. No caso das serpentes podemos destacar a Bothrops atrox, a jararaca da Amazônia”, diz.

Saiba mais: Conheça a jararaca-do-norte: A cobra mais comum e mais emblemática da região amazônica

Esses animais acabam sendo mais conhecidos por serem peçonhentos e por poderem causar envenenamento. O que algumas pessoas não sabem é que além de terem um valioso papel na natureza, como controladoras de pragas, elas são importantes também para a saúde humana.

“O veneno da jararaca brasileira – Bothrops jararaca,  é usado no mundo inteiro no tratamento de hipertensão e insuficiência cardíaca. Muitos anticoagulantes, usados no tratamento da trombose e coágulos sanguíneos são extraídos ou tem como base o veneno das serpentes. Um dos remédios mais usados em todo o mundo, é o captopril, usado para controle da pressão arterial e produzido a partir do veneno da jararaca”, diz Annelise D’Angiolella.

Outro exemplo de espécie endêmica na Amazônia, ou seja, que só existe na região, é a sucuri-malhada (Eunectes deschauenseei), que segundo a pesquisadora só ocorre no leste do estado do Pará (incluindo a ilha do Marajó) e na Guiana Francesa.

Ela explica que o endemismo das espécies pode ser influenciado por diversos fatores, entre eles as condições ambientais, ecologia da espécie, fatores geográficos, história evolutiva e também pressões antrópicas.

“A floresta Amazônica tem um alto grau de endemismo devido a sua complexidade ambiental, diversidade de micro-habitats e barreiras geográficas, como rios de grande porte. Espécies podem ser endêmicas de regiões específicas devido o isolamento proporcionado por grandes rios, como Madeira, por exemplo”. 

Mudança de pele

A mudança de pele, chamada de “ecdise”, é um processo que ocorre ao longo de toda a vida da serpente. “Esse processo é essencial para para o crescimento e renovação da pele. A muda ocorre mais frequentemente em indivíduos juvenis, que estão em fase de crescimento. Geralmente se inicia alguns dias após a di..gestão completa do alimento”, diz.

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Veneno

Annelise Batista destaca que as serpentes são peçonhentas, e não venenosas, como muitos dizem. Isso se deve ao fato de possuírem glândula de veneno e apresentarem aparato inoculador desse veneno, o que, no caso delas, são os dentes modificados em presas. “Considerando toda a diversidade de espécies de serpentes do mundo, apenas cerca de 10% destas espécies são de importância médica, ou seja, capazes de causar acidentes graves que podem evoluir ao óbito em humanos. A maior parte das espécies peçonhentas não oferece perigo ao homem”, afirma a pesquisadora.

Entre as serpentes peçonhentas, as jararacas, cascavéis, surucucu-pico-de-jaca e corais verdadeiros são capazes de causar acidentes graves em humanos. A picada de uma cobra coral, por exemplo, pode chegar a matar um homem adulto em seis horas.

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“Todas as corais verdadeiras tem veneno neurotóxico, ou seja, as toxinas agem diretamente no sistema nervoso. A maioria dos acidentes pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória aguda, principal causa de óbito neste tipo de acidente. Apesar disso, acidentes com essas serpentes não são frequentes, somente cerca de 0,5% dos acidentes ofídicos no Brasil são causados por corais. Isso porque são animais que se enterram (chamados de fossoriais) ou vivem no ambiente aquático, fazendo com que o encontro com com eles seja mais difícil”, afirma.

Segundo a pesquisadora, as jararacas costumam ser as responsáveis por cerca de 90% dos acidentes ofídicos no país. Acidentes com esses animais acometem principalmente homens, em zonas rurais, que tem seus membros inferiores, que são as pernas e pés, mais atingidos. “Apesar da elevada quantidade de acidentes envolvendo essas serpentes, a grande maioria evolui para cura, sem grandes complicações, se as recomendações do ministério da Saúde forem seguidas”, adverte.

Cuidados e tratamento

Ao avistar uma serpente, a recomendação melhor é tentar manter a distância e pedir ajuda a profissionais capacitados no manejo. E não machucar o animal. 

“A recomendação que eu costumo dar é que, na dúvida, não mexa. Existem órgãos devidamente capacitados para fazer o resgate de animais silvestres como o Corpo de Bombeiros e o Batalhão de Polícia Ambiental, que devem ser acionados caso esses animais sejam encontrados. É importante que o manejo de serpentes seja feito por pessoas treinadas para evitar o estresse do animal e principalmente, evitar que ocorra algum acidente em decorrência do manuseio errado do animal”, diz Annelise D’Angiolella.

Uma vez que a pessoa é picada por uma cobra, ela deve imediatamente procurar um posto de saúde. O tratamento é feito com o soro antiofídico específico para cada caso, que deve ser administrados em ambiente hospitalar e sob supervisão médica. O site do Ministério da Saúde disponibiliza uma lista de hospitais, por região e município, de locais aptos ao atendimento com serpentes. 

E por que o recomendado é nunca realizar torniquete ou amarrar o local em que foi picado? A professora Annelise D’Angiolella explica: “O veneno das jararacas e surucucus tem propriedades proteolíticas e hemorrágicas, que levam ao sangramento e destruição dos tecidos, e ajudam na digestão de suas presas. Ao amarrarmos o local para evitar que o veneno circule, estamos concentrando-o no membro atingido, fazendo com que essas ações sejam potencializadas, provocando a necrose e muitas vezes, a amputação do membro em casos mais graves”. 

Segundo dados do último Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, em 2023 foram registrados 32.595 acidentes com serpentes no Brasil. Os dados fazem parte do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sisan). No boletim, o estado do Pará aparece como o que mais notificou acidentes com serpentes: 5.234 casos, com 17 óbitos.

*Com informações da Ufra

Parque Nacional Cayambe Coca: o tesouro natural do Equador entre vulcões e florestas amazônicas

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Foto: Reprodução/Ecuador Lives

A Reserva Ecológica Cayambe Coca, localizada entre as províncias equatorianas de Pichincha, Imbabura, Napo e Sucumbíos, é um verdadeiro tesouro ambiental. Criada em 17 de novembro de 1970, cobre uma área de 403.103 hectares e desempenha um papel crucial na preservação da biodiversidade e na regulação de recursos hídricos.

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Com altitudes que variam desde os 600 até os 5.790 metros acima do nível do mar, o clima da parque oscila entre 5 °C e 25 °C, dependendo da altitude. Esse gradiente altitudinal favorece uma diversidade impressionante de ecossistemas, incluindo florestas tropicais e pântanos.

A reserva onde está o parque é uma fonte de água para o Equador, abrigando nascentes de grandes bacias hidrográficas. Os rios Napo-Marañón-Amazonas, cujas águas deságuam no Oceano Atlântico, e os rios Mira e Esmeraldas, que fluem para o Oceano Pacífico, têm origem nesta área.

Biodiversidade

A rica fauna e flora da Cayambe Coca tornam a reserva um santuário para inúmeras espécies, muitas delas endêmicas ou ameaçadas de extinção. Espécies icônicas como o urso-de-óculos, puma, gato-andino e o veado-anão habitam a reserva. Há também animais endêmicos, como o camundongo andino de páramo e o rato aquático.

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Foto: Reprodução/Governo do Equador

Com 395 espécies de aves catalogadas, o local é um paraíso para observadores de pássaros. Espécies raras como o condor-andino são destaques. A reserva também é lar de 65 espécies de anfíbios e répteis, incluindo rãs, salamandras, cobras e lagartos.

Atrações Naturais

O Parque Cayambe Coca oferece experiências únicas para amantes da natureza e aventureiros. Confira algumas opções para aproveitar:

Montanhas e Vulcões

O vulcão Cayambe (5.790 m), conhecido por ser uma das montanhas com maior cobertura de neve no Equador, destaca-se junto ao vulcão El Reventador, ativo e em constante emissão de fumarolas.

Complexo de Pântanos Ñucanchi Turupamba

A 50 km de Quito, esse pântano localizado a altitudes entre 3.500 e 4.000 metros é um dos principais atrativos.

Termas e Lagoas

As Termas de Papallacta e Oyacachi oferecem águas vulcânicas ricas em minerais curativos. As lagoas de Sucus, Loreto e Baños completam a experiência de relaxamento e contemplação.

Parque de Escalada Cuyuja

Localizado próximo a Papallacta, é um dos melhores locais no Equador para escalada, com rotas de até 75 metros de altura.

Desafios

A superfície da reserva integra o Cinturão de Fogo do Pacífico, o que a torna uma região sujeita a eventos naturais extremos, como erupções vulcânicas, especialmente do El Reventador.

Como chegar?

Para chegar à Reserva Ecológica Cayambe-Coca, no Equador, pode ir de ônibus de Quito até Cayambe e depois caminhar até a reserva.