Foto de capa: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Desde a captação em lagos e mananciais até chegada nas torneiras, o processo de tratamento e distribuição de água potável à população inclui uma série de etapas. Uma delas é a desinfecção do líquido através da cloração, que consiste na adição de cloro para eliminar microrganismos causadores de doenças.
Conhecido por sua alta capacidade de descontaminação, o cloro é um elemento químico amplamente utilizado como desifetante potente para água potável e obrigatório nas Estações de Tratamento de Água (ETAs) para garantir a segurança microbiológica até a chegada da água ao consumidor.
Para a engenheira química Cristiane Costa, o cloro é essencial para a saúde pública. “Digo, sem exagero nenhum, que o cloro é uma elemento químico que salva e tem salvado vidas ao longo da história da humanidade. Não é nenhum medicamento de última geração, é simplesmente um vetor importante para o combate de doenças mortais e preservação da água que consumimos”, reforçou.
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A especialista destaca que a utilização do cloro durante o tratamento de água potável contribui para a eliminação de agentes patológicos causadores de doenças que já foram consideradas preocupantes pelas autoridades sanitárias nas últimas décadas.
“O cloro é tão fundamental no tratamento da água porque previne uma série de doenças como cólera, febre tifoide e hepatite A, que foi precursor de várias pandemias no passado. Mas graças à cloração sistemática da água, essas doenças foram praticamente extintas. Então, o cloro não é uma ameaça, e sim um escudo de proteção à nossa saúde”, destacou a especialista.

Critérios para uso do cloro na água
Segundo Cristiane, o uso do cloro na água atende à critérios estabelecidos na Portaria nº 888/2021 do Ministério da Saúde, que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.
A norma determina uma quantidade concentrada mínima e máxima de cloro na água para assegurar uma proteção contínua durante todo o seu percurso na rede de abastecimento.
“A regulamentação do Ministério da Saúde estabelece uma concentração mínima de cloro residual na saída do tratamento de água, que é em torno de 0,2 mg/l e no máximo 5 mg/l. A rede de distribuição de água tem que ter esse mínimo necessário, muitas das vezes a população fica receosa quando ela sente um pouco do cheiro de cloro, mas isso é chamado de residual. No entanto, esse cloro residual é sinônimo de que a água foi tratada e que ela apresenta qualidade para ser consumida”, explicou.
Segurança e saúde
A engenheira química destacou também a importância do profissional responsável pelo controle do cloro para a garantia da saúde pública.
“Se tem cloro insuficiente, a gente tem um risco biológico imediato que são as doenças infecciosas. Já o cloro em excesso tem o risco químico a longo prazo, então a segurança está na dosagem precisa do monitoramento técnico do cloro. Por isso a importância do profissional de química ligado diretamente a esse controle, não só da quantidade, mas sim dos parâmetros corretos como pH, alcalinidade, a própria turbidez da água, e por aí vai. É extremamente importante ter atenção a todos esses fatores”, alertou.
Águas que Transformam
A entrevista com Cristiane Costa faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 15 de abril.

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.
Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:17):
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