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Greenpeace Brasil destaca cinco ações na Amazônia em comemoração aos 33 anos da organização

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Ação do Greenpeace na serraria Maginco, em Rio Maria, Pará, Brasil, no ano de 1992, contra a exploração de mogno. Foto: Steve Morgan/Greenpeace

A proteção da Amazônia é um chamado que costura os capítulos da história do Greenpeace Brasil. Tão conectadas como as raízes das florestas ou o encontro das águas nos rios, as campanhas da organização sempre tiveram centralidade na defesa do bioma, lar de uma imensa biodiversidade e de milhares de comunidades indígenas e populações tradicionais.

Não teria como ser de outra forma. Afinal, a maior floresta tropical contínua do mundo ocupa cerca de 59% do território brasileiro com uma imensidão que cobre nove estados, além de abrigar uma biodiversidade única e desempenhar um papel crucial na regulação do clima global. 

Veja também: Greenpeace Brasil mostra impacto da crise climática em documentário com imagens da Amazônia

No entanto, tão grande quanto sua importância, são as ameaças que a afetam. É justamente por isso que, desde sua origem, na década de 90, os ativistas do Greenpeace Brasil enfrentam projetos, pessoas e empresas que lucram com a destruição do bioma. 

Ao longo desses 33 anos de história, celebrados no dia 26 de abril, foram muitas as denúncias e manifestações contra o comércio ilegal de madeira, o desmatamento e o garimpo ilegal, que cresceu exponencialmente em Terras Indígenas nos últimos anos.

O Greenpeace Brasil atua junto a comunidades amazônidas, fortalecendo a luta por seus direitos e apoiando iniciativas que mostram concretamente como a convivência equilibrada e saudável com a floresta é possível. 

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Confira alguns desses momentos marcantes e conheça mais da história da organização:

1. Protestos contra o comércio de mogno

Logo em 1992, ano de fundação do Greenpeace Brasil, os ativistas da organização denunciaram o crescimento da extração destrutiva de mogno, uma das madeiras mais nobres da Amazônia e espécie ameaçada de extinção.

Em novembro daquele ano, foi realizada uma ação de bloqueio em frente à serraria de mogno Maginco em Rio Maria, no Pará, que na época era a maior empresa de comércio de mogno do Brasil. Esse foi o primeiro de muitos protestos e ações de uma intensa campanha que seguiu pelos anos seguintes.

No início dos anos 2000, as vitórias chegaram: a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas inseriu o mogno brasileiro em sua lista e passou a exigir controle rígido e comprovação de origem legal para qualquer comércio internacional.

Antes mesmo dessa decisão, diante da grande mobilização pública, o governo brasileiro já havia suspendido a exploração e o comércio de mogno em 2001 por meio de uma instrução normativa do Ibama, proibindo a extração de mogno de florestas nativas.

O mogno se tornou um símbolo da luta contra o desmatamento ilegal e a atuação do Greenpeace Brasil nesse tema segue sendo uma referência.

2) 100% crime

A maior contribuição do Brasil na emissão de gases do efeito estufa vem da  produção agropecuária, sendo o setor também um dos grandes responsáveis pelo desmatamento ilegal.

Em 2006, ativistas do Greenpeace ocupam uma área de 1.645 hectares da Amazônia que foi desmatada ilegalmente. Um enorme banner de 2.500 metros quadrados com a mensagem “100% crime” foi aberto para chamar a atenção para a questão. 

O responsável pelo crime, o então presidente da Associação de Produtores Agropecuários de Santarém, já havia sido responsabilizado pelo Ibama por esse desmatamento ilegal, o maior da região de Santarém naquela época.

A sequência de imagens mostra a recepção hostil de nossa ação, com o banner sendo destruído por uma caminhonete.

3) 400 mil vidas

Em abril de 2021, em meio à pandemia da Covid-19, o Brasil atingiu a marca de 400 mil mortos. Em homenagem às vítimas e suas famílias, os ativistas do Greenpeace realizam uma ação pacífica no Encontro das Águas – o ponto em que os rios Negro e Solimões se encontram para formar o rio Amazonas – em Manaus, uma das cidades que mais sofreu com a crise causada pela pandemia.

Diante da situação de calamidade pública, a ação também cobrou responsabilidade do poder público no combate ao vírus. Para formar a mensagem “400 mil vidas”, de 14 x 92 metros, foram utilizadas 18 toneladas de alimentos, itens de higiene, máscaras e cilindros de oxigênio, que foram doados para instituições de atendimentos assistenciais na região de Manaus.

Sendo a solidariedade também um pilar da organização, seus ativistas também se dedicaram ao projeto Asas da Emergência, que em 2020 e 2012 transportou toneladas de equipamentos e insumos de saúde para populações indígenas e outras comunidades tradicionais da região Norte – confira o que foi feito. 

 4) Expedição “Amazônia que precisamos”

Em 2022, realizamos uma expedição fluvial no sul do Amazonas, em apoio à ciência e à luta de comunidades do Rio Manicoré, onde comunidades que vivem às margens do rio lutam por sua existência e pela preservação da floresta e de seu território.

Durante a Expedição “Amazônia que precisamos, centenas de espécies de fauna e flora do rio Manicoré foram identificada pelos pesquisadores que nos acompanharam, algumas delas ainda não descritas pela ciência.

O projeto também foi importante para fortalecer a luta das famílias associadas à Central das Associações Agroextrativistas do rio Manicoré (CAARIM em defesa da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do rio Manicoré – uma área protegida que não só decretaria, por lei, a conservação daquela região, como também permitiria a elas que continuassem manejando os recursos da área de maneira sustentável.

5) Cadê o rio que passava aqui?

Ano passado, uma estiagem sem precedentes atingiu a Amazônia. Com o intuito de evidenciar os impactos da crise climática, ativistas do Greenpeace Brasil foram até o leito seco do Rio Solimões com um imenso banner, questionando: “Cadê o rio que passava aqui?”.

Ações como essa são uma potente ferramenta de conscientização das pessoas, já que por meio delas é possível registrar e denunciar a gravidade da situação.

No mesmo local, a organização também colocou um outro banner com a frase “Who pays?”, em inglês, trazendo uma reflexão sobre quem realmente está pagando o preço da crise climática.

*Com informações do Greenpeace

Cacica transforma aldeia no Baixo Tapajós, no Pará, com iniciativa de ecoturismo

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Cacica Irenilce Batista Souza. Foto: Bibiana Garrido/IPAM

Irenilce Batista Souza é cacica da aldeia Vista Alegre do Kapixauã, na terra Indígena Kumaruara, no Baixo Tapajós, no Pará, e aos 41 anos conta como passou os últimos sete: trabalhando pela gestão do território. Escolhida pelo povo Kumaruara para assumir o posto aos 34, a cacica hoje celebra as melhorias em prol do ecoturismo que é fonte de renda para todos.

Leia também: Ecoturismo na Amazônia: conheça lugares para se conectar à natureza

“Nós já trabalhamos há 25 anos com o turismo aqui na aldeia, mas do jeito da gente, recebendo os clientes debaixo de árvores, apresentando os atrativos. Só recentemente que fomos contemplados com um empreendimento que vem trazendo renda para as famílias”, conta a cacica.

O ecoturismo na aldeia ganhou mais estrutura com a aprovação de um projeto para construção de uma pousada em uma parte do território bem próxima às margens do rio. O empreendimento, inaugurado em 2024, conta com cozinha, área de alimentação, banheiros, quartos e redários para hospedagem.

São cerca de 30 famílias vivendo em Vista Alegre. A aldeia também tem uma escola para ensino infantil e fundamental. Ainda, recebe eventos em conjunto com aldeias vizinhas e parceiros de outras localidades.

“Trabalhamos em forma de rodízio entre as famílias e todas ganham do turismo. A gente já participou de curso de culinária, de manipulação de alimentos, porque para trabalhar no empreendimento tem que estar capacitado. Depois vamos ter curso de guia de turismo, queremos também o de inglês”, comenta.

A realização dos cursos é apoiada pelo projeto Saúde e Alegria, diz a cacica, o que reforça a profissionalização das famílias que querem trabalhar com o ecoturismo. Nos passeios, os turistas têm a oportunidade de conhecer a aldeia, caminhar por áreas de floresta nativa, navegar e nadar em igarapés.

Na ocasião desta entrevista, a aldeia recebia uma formação para lideranças indígenas sobre REDD+, carbono e mudanças climáticas na Amazônia. A data do evento deve de ser postergada pela seca do rio Tapajós, o que impossibilitava a chegada dos participantes, de alimentos e dos materiais necessários.

“A mudança climática tá cada vez avançando mais e isso só prejudicou a gente. Ficou muito quente, morreu muita planta, inclusive as que a gente regava e que davam frutas. Nosso roçado ficou seco. Muitos familiares ficaram sem mandioca. O clima mudou muito para nós. Até para o turismo isso piorou: passamos metade do verão tendo que buscar os turistas lá na ponta, porque não dava para pegar lancha”, lembra a cacica.

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Com decisões tomadas coletivamente, a cada bater do sino – que chama a comunidade para se reunir na maloca central – novos passos são dados em direção à prosperidade e bem-estar na aldeia. Desde o resgate da identidade indígena do povo Kumaruara, em 2011, segundo conta a cacica, a instalação de uma escola indígena na aldeia com ensino da língua para crianças, jovens e adultos, tem dado continuidade à memória viva.

Os planos para o futuro do território incluem, além de investir no trabalho com o ecoturismo, articular cada vez mais ações em prol da conservação da região. Para a cacica, realizar o desejo que tem desde criança: “ver minha aldeia crescer”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Bibiana Alcântara Garrido

Saúde mental e felicidade, além da obrigação legal

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Em maio, entra em vigor a nova norma NR1 que obriga as empresas a fazerem um diagnóstico dos riscos de doenças mentais dos empregados e a estabelecerem medidas para preveni-las. A norma não é nova, mas a versão anterior, que trata da prevenção e tratamento de doenças ocupacionais, não enfatizava a questão mental dos trabalhadores. Nova também é a declarada intenção de multas financeiras, depois de um prazo de adaptação, para aquelas que não atenderem às exigências. A preocupação é a doença mental. Segundo o Atlas de Saúde Mental – OMS 2022, o Brasil ocupa a posição de país mais ansioso do mundo, o segundo mais estressado e o quinto mais depressivo. O mundo do trabalho é apontado como um dos principais vilões. Foi preciso que o quadro se apresentasse grave e acompanhado de ameaças de punições para que o assunto ganhasse relevância.

A questão é que o foco na doença gera uma distorção. Não ser doente não significa ser saudável, assim como não ser infeliz não significa ser feliz. O foco precisa ser na saúde e na felicidade. Todos querem possuí-las, mas elas não caem do céu. Precisam ser construídas, consciente e intencionalmente. As empresas que constituem, para muitos, a instituição mais poderosa de nossos tempos, acima mesmo de países, da ciência e das religiões têm, obrigatoriamente, a responsabilidade de dar a sua contribuição.

Vale lembrar que a felicidade não é formada apenas por momentos de alegria e de prazer e que há outras dimensões a serem consideradas como: o engajamento, o propósito, as relações positivas, as realizações de sonhos e metas e a maneira como lidamos com as dificuldades. Sabemos também que ela dependerá muito mais de fatores internos do que externos, como confirmam estudos mais recentes da neurociência e da psicologia positiva e como já nos ensinavam os antigos filósofos. É neste contexto que ganha relevância a construção consciente de felicidade, um ato de autorresponsabilidade de cada um.

Não cabe a ideia superficial de que seria reponsabilidade da empresa fazer a sua equipe feliz. Isto cabe a cada um individualmente. À empresa, cabe sim, criar as condições básicas para que isto aconteça, preparando um bom terreno. Os sistemas de cargos e salários, os benefícios, as condições materiais e tecnológicas, os programas de treinamento e a adoção clara de um estilo de liderança que favoreça o desenvolvimento das pessoas representam a parte da companhia. Para isto ela também precisa estar saudável financeira e economicamente. Ou seja, pessoas e resultados caminham juntos.

Um passo a mais das empresas pode ser o de estimular o aprendizado de algo que não faz parte de nossa educação curricular, a construção da felicidade, mesmo sendo ela o maior anseio do ser humano.

Há modelos mentais e práticas que nos aproximam da felicidade e outros que nos afastam dela. Isto pode ser ensinado depois de um convite aceito e não pode ser imposto. Como diz um velho ditado: “você pode levar o cavalo até o rio, mas não pode obrigá-lo a beber água”. Repetindo: a construção consciente de felicidade é um ato de autorresponsabilidade individual que pode, sim, ser favorecido pelas empresas, que serão fortemente beneficiadas, pois saúde e felicidade geram produtividade, atraem e retêm os maiores talentos e são boas para os negócios.

Existem empresas felizes e saudáveis mentalmente? Sim, assim como existem empresas doentes e infelizes. Além dos números financeiros, como estão as pessoas que as compõem?

Vamos aguardar os efeitos da nova versão da norma RN1 e qual será a sua influência nas empresas, nas suas lideranças e nos colaboradores. O foco na doença e na punição não é o melhor, mas pode ser um primeiro passo. É preciso, porém, que se vá além, onde as leis humanas não conseguem chegar. É preciso que o desejo de construir uma sociedade saudável e feliz seja mais que um dever legal, mas um ideal, um propósito que una todos nós, pessoas e empresas. Cada um com a sua parte e responsabilidade, conscientemente.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Terra Indígena Apiaká do Pontal, em Mato Grosso, avança na construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental

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Oficinas na comunidade da Barra de São Manoel. Foto: Túlio Paniago/OPAN

O Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Terra Indígena Apiaká do Pontal e Isolados (MT) está ganhando corpo. Em março de 2025, durante oficinas realizadas na comunidade da Barra de São Manoel, foram firmados os acordos de dois dos cinco eixos temáticos que irão compor o PGTA. 

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Durante as oficinas, conduzidas pelo antropólogo e indigenista Rinaldo Arruda, foram discutidas todas as questões levantadas pelos Apiaká relacionadas aos eixos “Território e Ambiente” e “Organização Social e Governança”. Nos próximos encontros serão definidos os acordos dos três eixos temáticos restantes: Economia; Saúde e Segurança Alimentar; Educação e Cultura. 

“Nós, Apiaká, vamos trabalhar com o PGTA que nós mesmos estamos elaborando. Vamos ter o privilégio de ter o nosso plano de gestão para fazer o trabalho que estamos montando dentro desse território”, avalia Robertinho Morimã, cacique da aldeia Matrinxã, sobre o PGTA da TI Apiaká do Pontal e Isolados, que será concluído em 2026. 

Terra Indígena Apiaká
Terra Indígena Apiaká do Pontal e Isolados. Foto: Adriano Gambarini/OPAN

PGTAs são planos de vida coletivos que reúnem uma série de pactuações e acordos  comunitários que servem como bússola para o presente e mapa para um futuro sustentável dos territórios indígenas. Eles também apresentam a cultura, a cosmovisão, os valores e as aspirações do povo que o elaborou.

“Envolve todos os moradores de uma terra indígena num processo de mapear o que se tem no território, as ameaças externas, as potencialidades e projetar o que se quer. Esse trabalho se consolida num livro, uma carta de visita que mostra quem são, o que querem e como querem”, explica Rinaldo Arruda.

Leia também: Povo Panará lança PGTA para garantir o futuro de seu território e de seus modos de vida

Principais acordos 

Muitos acordos foram firmados a partir desses dois primeiros eixos, como a abertura de novas aldeias em pontos estratégicos para implementar a vigilância e o monitoramento do território, principalmente em áreas que sofrem pressões e ameaças externas. Também foram definidos critérios internos para abertura dessas e outras aldeias. 

povo Apiaká
Cacique Robertinho Morimã durante as oficinas. Foto: Túlio Paniago/OPAN

Em relação aos lugares sagrados, decidiram mapear e listar todos que estão dentro e no entorno do território e buscar o reconhecimento dos mais importantes por parte do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), além de registrar as narrativas dos anciãos sobre esses lugares.

Foram estabelecidas regras internas para caça, pesca, manejo de quelônios e coleta de frutos e palhas, todas visando a conservação da biodiversidade e o bem viver da comunidade indígena. Também trataram das queimadas, que devastaram áreas dentro do território nos últimos anos. Decidiram formar, com apoio de órgãos ambientais, uma equipe de brigadistas, além da construção de bases de vigilância.

No que diz respeito às associações Apiaká, decidiram buscar formações em elaboração de projetos e gestão organizacional, além de incluir mais jovens e mulheres em sua composição para que a atuação seja cada vez mais alinhada aos anseios da comunidade. 

Leia também: Terras Indígenas são as áreas mais preservadas do Brasil, aponta estudo

Metodologia das Oficinas

O primeiro ciclo de oficinas ocorreu em novembro de 2024, quando os Apiaká estabeleceram cinco eixos temáticos inter-relacionados (Território e Ambiente; Organização Social e Governança; Saúde e Segurança Alimentar; Educação e Cultura; Economia), a partir dos quais se situa o horizonte de vida que se quer alcançar, definido pelo conceito geral de bem viver.

povo Apiaká
Antropólogo Rinaldo Arruda falando com povo Apiaká durante a oficina. Foto: Túlio Paniago/OPAN

Este segundo ciclo de oficinas, realizado entre os dias 03 e 05 de março, foi centrado nos dois primeiros eixos temáticos, sendo que cada eixo é composto por uma série de temas/questões levantadas pelos Apiaká. O eixo “Território e Ambiente” reúne 15 temas, como regularização fundiária; monitoramento territorial; queimadas; locais sagrados; e aldeias. Enquanto “Organização Social e Governança” engloba outros nove temas, como organização social das aldeias; normas de convivência; associação/governança; e organização das mulheres e da juventude Apiaká. 

Divididos em grupos compostos por jovens, mulheres, anciãos e homens adultos, os Apiaká discutiram todos os temas levantados dentro de cada eixo. Primeiro, enfocando a descrição da questão (por que o tema é relevante para o povo) para, em seguida, definir quais as soluções/encaminhamentos possíveis. Por fim, a partir dos encaminhamentos apresentados por cada grupo em plenária, foram realizadas discussões e firmados os acordos que irão compor o PGTA. 

“A gente tem um planejamento do território. É importante pensar o que nós vamos fazer para desenvolver melhorias nas aldeias envolvidas. O PGTA vai dar um direcionamento, vai apontar como deve ser feito, por isso que ele é importante”, ressalta Raimundo Paigo, liderança Apiaká da aldeia Pontal. 

Leia também: Saiba quantas terras indígenas existem na Amazônia Legal

PGTA

A elaboração do PGTA da TI Apiaká do Pontal e Isolados e a implementação do PGTA do povo Rikbaktsa são eixos estruturantes do Berço das Águas, projeto realizado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) junto aos povos Apiaká e Rikbaktsa, com patrocínio do Programa Petrobras Socioambiental. 

Os Planos de Gestão Ambiental e Territorial pensam a gestão do território em aspectos sociais e ambientais. É um instrumento de luta política que reúne as principais diretrizes de cada povo no que diz respeito à história, organização social e política, cultura, educação, saúde, geração de renda, vigilância, monitoramento, alimentação…

Além de uma série de acordos internos sobre diversos temas, os PGTAs reúnem instrumentos de gestão (etnomapeamento e etnozoneamento) dos territórios e constituem importante ferramenta política e de autonomia comunitária, afinal possibilitam que os povos projetem suas vozes em questões de soberania e conservação ambiental.

Por que as aves estão desaparecendo mesmo em áreas preservadas da Amazônia?

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Papa-formiga-de-topete (Pithys albifrons). Foto: Philip Stouffer

Já faz algum tempo que cientistas sabem que vem ocorrendo uma queda na população de aves tropicais. A causa dessa redução era comumente atribuída à degradação e à fragmentação florestal. Entretanto, em 2020, um estudo apontou uma diminuição de certo tipo de aves também em áreas da Amazônia ainda não alteradas pela espécie humana.

Leia também: Temperatura global aumenta 1,6°C e segue subindo: “É como tentar parar um caminhão em alta velocidade”

Para investigar mais a fundo essa causa, cientistas de instituições brasileiras e norte-americanas analisaram o comportamento de aves insetívoras de sub-bosque, ou seja, aquelas que se alimentam de insetos e vivem mais próximas do solo, em uma área de floresta preservada a cerca de 80 km de Manaus (AM).

pesquisa, divulgada recentemente, confirmou uma desconfiança dos pesquisadores: as mudanças climáticas estão transformando a vida das aves mesmo em áreas antes tidas como refúgios, com microclima mais estável, dossel da floresta intacto e boa oferta de alimentos.

Ao analisar dados de coletas de pássaros dos últimos 27 anos, o levantamento indicou a redução nos números de 24 das 29 espécies estudadas. A principal causa era o aumento do período de secas e a diminuição das chuvas nos últimos anos.

“Esse artigo associa, de maneira inequívoca, as mudanças no clima com a sobrevivência das aves. Até então era uma hipótese, mas essa análise confirma que elas são uma causa importante da morte de pássaros na Amazônia Central”, diz o biólogo Jared Wolfe, professor da Universidade Tecnológica de Michigan (EUA) e autor principal do estudo.

O chirito-de-coleira (Microbates collaris) é uma das aves mais vulneráveis, segundo o estudo. Foto: Philip Stouffer

Uma previsão feita por Wolfe e seus colegas aponta que um aumento de 1 °C na temperatura média da estação seca amazônica reduzirá a sobrevivência média da comunidade de aves em 63%. E esse pequeno salto no termômetro, que pode parecer mínimo para leigos, mas para animais não é, já foi registrado, de maneira generalizada na Amazônia Central, desde o começo deste século.

O alerta que o estudo traz não diz respeito apenas à diminuição da quantidade de pássaros na maior floresta tropical do mundo, mas também à possível extinção local de espécies e, em longo prazo, seu desaparecimento por completo em outras áreas.

“O que torna a Amazônia tão especial é que ela não foi impactada pelos eventos glaciais da Terra. Há florestas lá por milhões e milhões de anos e isso permitiu que aves evoluíssem ali, na ausência da extinção, fazendo coisas incríveis. É como um playground da evolução, com pássaros exibindo cores e comportamentos fantásticos, como as danças dos tangarás, por exemplo”, explica Wolfe.

Para ele, só foi possível ter esse nível de diversidade e evolução porque a Amazônia conseguiu oferecer estabilidade climática, e isso a fez ser realmente única globalmente.

“Obviamente, ao longo desses milhões de anos, essas aves passaram por alterações de temperaturas de 1 oC ou 2 oC. Contudo, elas aconteceram lentamente e permitiram que essas espécies tivessem tempo de se adaptar. Agora estamos falando de transformações rápidas, em 10, 20 anos, e esses pássaros não possuem a capacidade de acompanhar essas mudanças. E isso é muito triste”, lamenta.

Área de floresta amazônica onde foi realizado o estudo. Foto: Vitek Jirinec

Estresse climático e menos alimentos

De acordo com os pesquisadores, existem duas hipóteses para o aumento da mortalidade de aves. “Primeiro, fisiologicamente, o clima mais seco faz com que seja mais difícil para elas sobreviverem. Se está muito quente ou chove menos, esses são efeitos diretos do clima”, diz David Luther, professor da Universidade George Mason (EUA) e um dos coautores do estudo. “Já um impacto indireto seria que há uma menor disponibilidade de alimentos, particularmente os insetos dos quais elas se alimentam.”

O pesquisador acredita, entretanto, que a segunda hipótese seja a mais provável causa para explicar o que acontece na Amazônia. Luther também participou de outro estudo, no Panamá, em que pássaros capturados na floresta eram expostos a temperaturas mais altas, e, para surpresa dos envolvidos, eles pareciam tolerar razoavelmente bem as variações.

O aumento da mortalidade dos pássaros amazônicos então seria parte de um efeito cascata produzido pelas mudanças climáticas. Populações de insetos seriam reduzidas em número e diversidade por não suportarem as temperaturas extremas e a maior aridez do solo, diminuindo, por sua vez, a oferta de alimento às aves.

Mãe-de-taoca-de-garganta-vermelha (Gymnopithys rufigula). Foto: Hector Bottai, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Impacto é maior entre espécies que vivem mais

Todavia, há ainda outro ponto levantado pelo estudo. Segundo Wolfe, a alteração no clima amazônico parece estar afetando especialmente aves com maior longevidade. Em geral, os pássaros de sub-bosques tropicais têm vidas mais longas e investem mais na própria sobrevivência do que na reprodução.

“Se há uma menor oferta de alimentos, essas aves provavelmente diminuirão ainda mais seus esforços de reprodução e desistirão por completo, por simplesmente não terão a capacidade energética para tal”, sugere o pesquisador.

O próximo passo dos biólogos é comparar os resultados obtidos agora com um novo estudo que avaliará o declínio de aves em trechos fragmentados de floresta e com um segundo projeto, já em andamento, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas, em que uma área está sendo irrigada durante o período de seca para poder analisar a resposta dos pássaros a esse experimento.

“Estamos medindo os insetos, analisando o metabolismo de pássaros para saber o quão bem alimentados eles estão e as condições de reprodução para entender como exatamente a temperatura afeta essas regiões de microclima”, ressalta Wolfe.

O biólogo Jared Wolfe em campo. Foto: Philip Stouffer

O que já se tem certeza, e não há mais necessidade de pesquisas futuras, é que, definitivamente, o aquecimento global já está afetando a sobrevivência das aves da Amazônia.

“Se as altas temperaturas persistirem e os períodos de seca se tornarem mais intensos, a grande maioria das espécies continuará a diminuir até o momento em que elas não existirão mais”, alerta Luther. “E, à medida que se começa a perder mais e mais espécies, todo esse enorme e complexo ecossistema será impactado”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Suzana Camargo

Davi Kopenawa destaca mestrado de três indígenas do Amazonas: “marco histórico para o Brasil”

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Davi Kopenawa no ufam durante o evento e defesa de mestrado Yanomani. Foto: Kamilla Barroso

“Eles abriram espaço para outros Yanomami também entrarem. Estou muito contente com meus parentes, meus primos que tiveram coragem”.

É assim que Davi Kopenawa, xamã e uma das principais lideranças indígenas do Brasil, comemora a defesa das três primeiras dissertações de mestrado desenvolvidas por indígenas Yanomami no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que representa um marco histórico para a educação indígena.

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A declaração foi feita durante a mesa de abertura do encontro “Davi Kopenawa: palavras de um xamã Yanomami”, realizado dia 22 de abril, na UFAM, em Manaus (AM), reunindo mais de 800 pessoas:

Kopenawa é presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), coautor das obras “A Queda do Céu” e “O Espírito da Floresta”, e detentor do título de Doutor Honoris Causa (em latim, “por causa de honra”).

Saiba mais: Davi Kopenawa Yanomami tem título de Doutor Honoris Causa aprovado pela Universidade Federal de Roraima

Reconhecido internacionalmente pela defesa dos direitos indígenas e da floresta amazônica, ele participa pela primeira vez como avaliador em uma banca de mestrado e considera a conquista um marco que ficará registrado na história da educação indígena do Brasil.

Durante sua fala, Kopenawa abordou os desafios enfrentados pelo seu povo, como o avanço do garimpo e do desmatamento, e destacou a urgência em preservar os valores culturais do povo Yanomami.

“Temos que aprender mais a falar português, mas não podemos esquecer nossa própria língua Yanomami. Nossa própria língua é nossa arma. Vocês [parentes] podem aprender, mas precisam voltar para a aldeia, não podem nos abandonar. […]. Agora é nossa vez de mostrar a nossa força, sabedoria e inteligência. Nós somos lutadores contra invasores. A doença invade nossas comunidades, invade nossa vida, mata nossas crianças, mulheres, mães e pais. Mas vamos continuar [resistindo]”, enfatizou o xamã.

Davi Kopenawa no ufam durante o evento e defesa de mestrado yanomani
Davi Kopenawa no ufam durante o evento e defesa de mestrado yanomani. Foto: Kamilla Barroso

Leia também: ‘Reunir forças’, Davi Kopenawa celebra união entre povo Yanomami e cultura negra em desfile da Salgueiro

Defesa de Mestrado

Os mestrandos são Odorico Xamatari Hayata Yanomami, Edinho Yanomami Yarimina Xamatari e Modesto Yanomami Xamatari Amaroko. Todos são o município de Santa Isabel do Rio Negro (a 631 quilômetros de Manaus), no Alto Rio Negro, e atuam como professores de ensino básico em Xaponos (casas coletivas Yanomami), localizados no Rio Marauiá.

Ao longo de dois anos, eles desenvolveram dissertações com foco na ancestralidade do povo Yanomami, tratando de temas como música, cantorias, rituais xamânicos e o ensino da língua materna às crianças.

Indígenas Yanomami
Indígenas Yanomami recebem título de mestre pela Ufam. Foto: divulgação

Odorico, cuja pesquisa foi conduzida por meio de autoetnografia, explica sua motivação para concluir o mestrado. “Por que quero ser Mestre? Porque eu, no meu corpo, no meu sentido, no meu sonho, quero ser tal… Como os napë [homem branco fala] fala que o Yanomami não sabe escrever, não sabe falar bem português. Eu entendo a crítica do napë. Por causa disso que sou Mestre”, compartilha.

Já Modesto, que aborda em sua dissertação a função e transformação das amöa (músicas) no Xapono, reforça o valor comunitário de sua formação. “É importante para mim, porque vou ser preparado para a comunidade. Não é para mim, mas sim para ajudar [outros indígenas] da comunidade”, fala.

Leia também: Conheça quatro das principais lideranças indígenas da Amazônia

O evento

A mesa de abertura reuniu outras autoridades para enaltecer o marco histórico. Uma delas é Iraildes Caldas Torres, diretora do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), que destacou o papel das universidades públicas na valorização dos saberes indígenas.

“A UFAM entra nesse cenário pioneiro de inovar as nossas ações ‘indigenistas’, porque o Mestrado e o Doutorado não deixam de ser uma política pública. No Brasil, fazer uma defesa genuinamente no contexto indígena é também um desafio. É uma forma de dizer que nós, como povos indígenas da Amazônia, temos o direito de pensarmos diferentes”, disse.

Acadêmicos aproveitaram o momento para acompanhar a defesa dos Indígenas Yanomami
Acadêmicos aproveitaram o momento para acompanhar a defesa dos Indígenas Yanomami. Foto: Kamilla Barroso

O coordenador do PPGSCA, Caio Souto, enfatiza que “Abrimos este curso de mestrado contando com apoio de outras instituições. […]. Tivemos que pegar espaços emprestados, de alianças para que acontecesse. Houve percalços, mas deu tudo certo. Com o anúncio do novo campus, (em São Gabriel da Cachoeira), esperamos que tenha cursos oferecidos de forma regular, o que vai aumentar a captação de profissionais e fomentar o desenvolvimento da região”, detalha.

Kopenawa demonstrou ainda apoio à construção de escolas em territórios indígenas, como forma de manter vivas as tradições e ampliar o acesso ao conhecimento.

“Só falta nós estudarmos na universidade. […]. Já esperamos muito a escola [na região]. As autoridades só falam sobre educação e saúde, mas eu não quero ficar escutando promessas. Hoje é o nosso futuro. […]. Tem dinheiro para construir as escolas para nossos filhos aprenderem a escrever, matemática, trabalhar em Saúde, a ser professor e ensinar os próprios parentes. Esta é a minha luta e vou continuar”, finalizou o xamã e líder Yanomami.

Durante o registro feito pelo canal oficial da Universidade Federal do Amazonas no YouTube, o xamã Yanomami e ativista indígena, falou sobre a preservação da Amazônia, a demarcação de terras indígenas e os saberes do povo Yanomami na universidade:

Saiba quais são as sete “cidades gêmeas” que comemoram aniversário de fundação juntas no Acre

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Foto: Reprodução

Uma dupla de gêmeos já surpreende. Mas e sete gêmeos? Calma, porque no caso quem compartilha “aniversário” são os municípios acreanos de Acrelândia, Bujari, Capixaba, Epitaciolândia, Jordão, Porto Acre e Santa Rosa do Purus. Em 2025, eles comemoram 33 anos de autonomia no dia 28 de abril.

Essas cidades acreanas foram criadas pelo então governador Edmundo Pinto por meio de lei em 1992. E, apesar de também terem a data de 28 de abril como fundação oficial, os municípios de Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves comemoram em outras datas, 5 de novembro, 25 de junho e 28 de julho respectivamente.

O historiador Marcus Vinícius já explicou ao Grupo Rede Amazônica, em 2017, que toda cidade tem o direito de definir a data do seu aniversário e isso é uma atribuição do próprio município feita através dos poderes Legislativo e Executivo que propõem uma data, geralmente com alguma ligação com a história da região, que passa a valer após ser sancionada pelo prefeito.

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Todas cidades do Acre estão abaixo da média nacional de desenvolvimento sustentável, aponta relatório
Xapuri, no interior do Acre, foi a cidade brasileira com a pior qualidade do ar em 2023, segundo levantamento
O Acre, que foi território, passou por inúmeras transformações até junho de 1962, quando foi elevado à categoria de Estado.

Na época da constituinte do Acre, em 1963, foi prevista a criação de vários outros municípios, mas só executaram esse plano em 1976 com a criação de outras cidades como Senador Guiomard e Epitaciolândia.

Após isso, já em 1992, houve uma outra discussão em que foi proposta uma divisão territorial para os municípios do Acre onde alguns municípios perderam territórios e outros foram criados, chegando no número de 22 que compõem o Acre hoje.

Muitos desses municípios nasceram a partir do desmembramento de outras cidades. É o caso de Epitaciolândia, criada após a divisão de Brasiléia, bem como Marechal Thaumaturgo, separada de Cruzeiro do Sul, e Santa Rosa do Purus, que se desvinculou de Manoel Urbano.

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Curiosidades

A capital, Rio Branco deu origem às cidades de Porto Acre e Bujari. Já Acrelândia era parte dos municípios de Plácido de Castro e Senador Guiomard.

Epitaciolândia foi elevada à categoria de município no mesmo dia 28 de abril de 1992 desmembrado de Brasiléia e Xapuri.

Acrelândia

A cidade se intitula “terra do café”, devido à importância da atividade cafeeira no município. Por lá, a espécie mais cultivada é a do café clonal, que tem produção de até o dobro do café comum. Em 2020, mesmo em meio à pandemia de Covid-19, a estimativa de colheita no município foi de pouco mais de mil e quatrocentas toneladas, em uma área de quatrocentos hectares.

A pouco mais de 100 quilômetros de distância de Rio Branco, é o município mais ao leste do estado, e berço político do prefeito da capital, Tião Bocalom (PL), que geriu a cidade por três mandatos.

No Censo 2022, o município apareceu com 14.021 habitantes, 15ª população do estado. O atual prefeito é Olavinho Boiadeiro (Republicanos).

Foto: Ingrid Kelly/Secom-AC

Bujari

A cidade tem sua fundação ligada à construção da rodovia BR 364. No local, funcionava um seringal de mesmo nome, onde três famílias moravam e produziam borracha e pequenas plantações. Com a inauguração da estrada, na década de 60, mais pessoas se mudaram para lá, até que em 1992 foi oficializado como município.

Bujari foi o município acreano com o maior crescimento populacional em 12 anos, saindo de 8.471 pessoas em 2010 para 12.917 em 2022 (+52,48%), 16ª população no estado. O atual prefeito é Padeiro (PDT).

Foto: Reprodução/Secom-AC

Capixaba

Distante pouco mais de 80 km da capital, o município surgiu em um local onde funcionava a “Serraria do Capixaba”. Nos anos 70, a família Tessinari veio do Espirito Santo ao Acre, onde instalou a serraria que viria a dar nome à cidade. Com o crescimento da região onde também funcionavam seringais, foi feito um plebiscito que escolheu entre os nomes de Vila Capixaba ou Vila Santo Antônio.

Para votar, os eleitores tinham que colocar um caroço de milho, para aqueles que quisessem o nome Vila Santo Antônio, ou um caroço de feijão para quem escolhesse Vila Capixaba.

A população 10.392 pessoas no Censo de 2022, o que representa um aumento de 18,12% em comparação com o Censo de 2010, 19ª população no estado. O atual prefeito é Manoel Maia (União Brasil).

Foto: Paulo Roberto Parente/Arquivo pessoal

Epitaciolândia

Localizada próxima à fronteira com a Bolívia, a cidade também tem seu surgimento ligado aos seringais, além do cultivo de cacau e agricultura familiar. Fica a pouco mais de 200 km de Rio Branco.

O nome é uma homenagem ao ex-presidente Epitácio Pessoa, que governou o país entre 1919 e 1922. Durante a criação de municípios em 1992, foi desmembrada de Brasiléia e Xapuri.

Sua população chegou a 18.757 pessoas no Censo de 2022, o que representa um aumento de 24,22% em comparação com o Censo de 2010, a 9ª população no estado. Atualmente, o prefeito é Sérgio Lopes (PSDB).

Foto: Arquivo/Prefeitura de Epitaciolândia

Jordão

Um dos municípios isolados, fica a cerca de 450 km de Rio Branco, sem ligação terrestre com o restante do estado. Está localizado onde funcionava o Seringal Duas Nações, de propriedade Levi Saveda, e pertencia ao município de Tarauacá. Pouco depois, passou a se chamar Vila Jordão.

Tem cerca de 9.222 habitantes, segundo o Censo 2022, sendo a 20ª população do estado. Atualmente, o prefeito é Naudo Ribeiro (PP).

Foto: Jardy Lopes/Arquivo pessoal

Porto Acre

Cidade que já foi chamada de Puerto Alonso quando o território pertencia à Bolívia, foi um dos focos da Revolução Acreana, conflito armado que culminou na venda do Acre ao Brasil. Foi desmembrado de Rio Branco e transformado em município.

Por meio do Rio Acre, era um dos acessos utilizados por seringueiros e seringalistas, e até hoje é rota de circulação de mercadorias e pessoas. O município tem foco no cultivo de melancia, banana, hortaliças, mandioca e outras culturas de subsistência.

Décima segunda população no estado, viu o número de habitantes subir 12% entre 2010 e 2022. O atual prefeito é Máximo Antônio (PP).

Foto: Alex Machado/FEM

Santa Rosa do Purus

Menor população do estado, com apenas 6,7 mil moradores, segundo o Censo 2022. A região é povoada por uma grande diversidade ao nível da fauna e da flora, existindo espécies em via de extinção, tais como a onça-pintada, o jacaré-açu e a ararinha-azul.

Foi desmembrado de Manoel Urbano, e fica às margens do Rio Purus. As principais atividades econômicas de Santa Rosa dos Purus ainda são a caça e a pesca de subsistência. O município é gerido por Tamir Sá (MDB).

Foto: Reprodução/Prefeitura de Santa Rosa do Purus 

*Por Victor Lebre, da Rede Amazônica AC

Desmatamento aumenta 18% de agosto a março na Amazônia, aponta Imazon

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Imagem de satélite mostra área desmatada em Mato Grosso, em março de 2025. Imagem: Reprodução/SAD Imazon

As áreas desmatadas da Amazônia tiveram um aumento de 18% nos primeiros oito meses do chamado “calendário do desmatamento”, período que por causa do regime de chuvas no bioma vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte.

Conforme dados do monitoramento por imagens de satélite do instituto de pesquisa Imazon, a derrubada passou de 1.948 km² entre agosto de 2023 e março de 2024 para 2.296 km² entre agosto de 2024 e março de 2025. Uma área maior do que Palmas, a capital do Tocantins.

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SAD Desmatamento Calendario do Desmatamento de 2024 e 2025 - Desmatamento aumenta 18% de agosto a março na Amazônia

Apesar do aumento, essa devastação é quase 60% menor do que a registrada entre agosto de 2020 e março de 2021, quando foram desmatados 5.552 km² — a maior destruição desde 2008, quando iniciou o monitoramento.

“Mesmo que os indicadores estejam abaixo desses picos, o crescimento observado em 2025 é um sinal de alerta. Estamos em uma janela de tempo que pode permitir a reversão desse cenário, onde as chuvas são mais frequentes na região. Logo, os distúrbios na floresta não são tão intensos quando comparamos com os meses mais secos, como de junho a outubro. Por isso, é preciso agir com urgência”, destaca a pesquisadora do Imazon Larissa Amorim.

Serie historica do Calendario do Desmatamento Agosto a Marco - Desmatamento aumenta 18% de agosto a março na Amazônia

Mato Grosso liderou desmatamento em março

Apenas em março de 2025, o desmatamento da Amazônia atingiu 167 km², uma alta de 35% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram destruídos 124 km². Entre os estados, Mato Grosso liderou a destruição em março, com 65 km² perdidos (39%). Em segundo ficou o Amazonas, com 39 km² (23%), e em terceiro o Pará, com 29 km² (17%). Ou seja: apenas esses três estados concentraram 80% de toda a destruição registrada na Amazônia no mês.

Serie historica do desmatamento em marco - Desmatamento aumenta 18% de agosto a março na Amazônia

Já entre os municípios, o campeão de desmatamento em março foi Apuí, no Amazonas, com 15 km² destruídos — 38% do registrado no estado. Itaituba, no Pará, ficou em segundo, com 13 km² devastados — 45% do detectado em solo paraense.

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1ApuíAM15
2ItaitubaPA13
3MauésAM11
4ColnizaMT11
5Nova MaringáMT8
6AripuanãMT5
7AmajariRR5
8Nova MutumMT5
9CotriguaçuMT4
10ItaúbaMT4

Outro destaque negativo de março foi o desmatamento registrado no assentamento Rio Juma, no Amazonas, que atingiu 14 km², o equivalente a 1.400 campos de futebol. É uma área sete vezes maior do que a derrubada no PDS Realidade, de 2 km², o segundo assentamento mais desmatado em março, também em solo amazonense.

Já entre as unidades de conservação, a mais desmatada em março foi a Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, no Pará, que teve 7 km² destruídos, o equivalente a 700 campos de futebol. O segundo território protegido mais desmatado, a APA do Lago de Tucuruí, também em solo paraense, registrou 1 km² de devastação.

“Esses dados indicam uma concentração significativa da pressão em locais específicos, que devem ser prioridade na montagem de estratégias de combate e fiscalização”, observa Manoela Athaide, pesquisadora do Imazon.

Degradação cai 90% em março, mas calendário segue em alta

A degradação florestal, ocasionada pelas queimadas e extração madeireira, atingiu em março deste ano 206 km², uma redução de 90% em relação ao mesmo mês do ano passado, que havia registrado o maior índice da série histórica para o período, de 2.120 km².

Serie historica da degradacao em marco - Desmatamento aumenta 18% de agosto a março na Amazônia

Porém, considerando o calendário de desmatamento acumulado de agosto a março, houve um aumento de 329% na degradação florestal, que passou de 7.925 km² de agosto de 2023 a março de 2024 para 34.013 km² de agosto de 2024 a março de 2025. Isso se dá principalmente por causa das grandes áreas atingidas por queimadas nos meses de setembro e outubro de 2024.

Calendario do Desmatamento para degradacao de 2024 e 2025 - Desmatamento aumenta 18% de agosto a março na Amazônia

Por causa desses incêndios, a degradação florestal entre agosto de 2024 e março de 2025 também foi a maior da série histórica, que iniciou em 2008.

Serie historica do Calendario do Desmatamento para degradacao Agosto a Marco - Desmatamento aumenta 18% de agosto a março na Amazônia

Entre os estados, o Pará foi o responsável por 91% da degradação registrada em março, de 188 km². Maranhão ficou em segundo lugar, com 9 km² (4 km²), e Roraima em terceiro, com 8 km² (4%). O restante ocorreu em Mato Grosso, 1 km² (1%).

Veja aqui os dados de março

Acesse aqui todos os boletins de desmatamento e degradação

Saiba mais sobre o SAD aqui

*Com informações do Imazon

Carimbó e siriá: as principais diferenças entre dois ritmos paraenses

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Fotos: Reprodução/Prefeitura de Belém

No coração da cultura paraense, dois ritmos dançam entre a ancestralidade e a resistência: o carimbó e o siriá. Embora compartilhem raízes indígenas e africanas, essas manifestações possuem identidades próprias que as distinguem na música, na dança, nas vestimentas e em suas origens simbólicas.

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A equipe do Portal Amazônia procurou pelas principais diferenças entre as danças que são sensações no Pará. Confira:

Carimbó

Originário da região do Salgado, próximo a Belém, o carimbó tem seu nome derivado do tupi: curi (pau oco) e mbó (furado), referindo-se ao tambor com que se marca seu ritmo envolvente.

A dança carrega a força dos povos indígenas com uma batida forte herdada dos africanos escravizados, tornando-se, ao longo do tempo, uma expressão vibrante e coletiva da cultura amazônica.

Leia também: Rodando com carimbó: artistas mobilizam resgate de tradições culturais do Pará

Na coreografia, o homem convida a parceira para a dança com palmas e, juntos, os casais formam uma roda animada. A mulher gira, tentando lançar a saia sobre o rosto do parceiro. Caso consiga, ele é desmoralizado e precisa deixar a roda. Um dos momentos mais esperados é a chamada ‘dança do peru’, em que o homem deve pegar um lenço com a boca, uma prova de agilidade e galanteria.

O vestuário é colorido e simples: mulheres de saias floridas e blusas brancas, homens com calças curtas e camisas estampadas. Todos dançam descalços, em uma celebração que é tanto artística quanto simbólica. Figuras como Mestre Verequete, Mestre Cupijó, Pinduca e Mestre Lucindo foram responsáveis por difundir o carimbó e adaptá-lo a sonoridades mais modernas, influenciando inclusive ritmos como a lambada e o zouk.

Leia também: Conheça Dona Onete, a diva do carimbó chamegado

Foto: Reprodução/Gustavo Serrate

Siriá

Se o carimbó nasce da musicalidade cotidiana, o siriá brota de um gesto de agradecimento. Em Cametá, conta-se que escravos e indígenas, após um dia de trabalho árduo, encontraram grande quantidade de siris que se deixavam apanhar facilmente. Vendo nisso um milagre, criaram uma dança para agradecer, a batizando de Siriá, uma distorção fonética típica da região amazônica.

Com base no batuque africano, o siriá apresenta um compasso que começa lento e vai acelerando, acompanhando os versos entoados durante a coreografia. Os casais fazem volteios com o corpo inclinado para os lados, em um balé que exalta a resistência cultural e a alegria de viver.

As vestimentas lembram as do carimbó, mas com variações: as mulheres usam saias rodadas com blusas rendadas, colares e enfeites na cabeça. Os homens se destacam pelos chapéus de palha adornados com flores, que as mulheres retiram em sinal de contentamento. A música, o canto e o ritmo do Siriá ainda ecoam em festas tradicionais e apresentações folclóricas.

Foto: Arquivo/Agência Pará

Expressões distintas

Embora ambos compartilhem a influência de povos originários e africanos, o carimbó e o siriá expressam diferentes narrativas: o primeiro, um jogo de conquista e brincadeira, marcado por passos coreografados e desafios simbólicos; o segundo, um agradecimento coletivo que transforma um episódio de sobrevivência em arte.

No Pará, terra de ritmos e tradições vivas, esses dois estilos continuam sendo celebrados e reinterpretados por novas gerações. Carimbó e Siriá são mais que danças: são manifestações que resistem ao tempo, fortalecendo a identidade cultural amazônica com cada batida, giro e verso entoado.

IA identifica mais de 600 castanheiras nativas em tempo recorde na Amazônia

A integração da IA ao inventário florestal possibilita uma gestão mais sustentável dos castanhais nativos e de outras espécies florestais. Foto: Caio Alexandre Santos

A combinação de drones e inteligência artificial (IA) inova a realização de inventários florestais na Amazônia. Em um sobrevoo de pouco mais de duas horas, a metodologia Netflora, desenvolvida pela Embrapa Acre (AC), identificou 604 castanheiras-da-amazônia (Bertholletia excelsa) e mais de 14 mil árvores de outras espécies arbóreas em uma área de 1150 hectares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no Amazonas.

O uso dessa tecnologia representa um avanço significativo em relação aos métodos tradicionais de inventário florestal, que demandam 73 dias de trabalho e uma equipe de cinco profissionais para mapear a mesma área. A inovação não apenas reduz o tempo necessário para a coleta de dados, mas também aumenta a precisão e eficiência do monitoramento ambiental.

O mapeamento foi realizado em parceria com a Embrapa Amazônia Ocidental (AM) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema/AM),  na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. A atividade, conduzida em fevereiro, integra o Projeto Geoflora, financiado com recursos do Fundo JBS pela Amazônia.

Segundo Evandro Orfanó, pesquisador da Embrapa Acre e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Netflora, a integração da IA ao inventário florestal possibilita uma gestão mais sustentável dos castanhais nativos e de outras espécies florestais, além de conectar conhecimento científico aos sistemas tradicionais de uso da terra.

Castanhal digital

Os benefícios dessa inovação vão chegar diretamente à comunidade da RDS do Uatumã, que terá acesso ao inventário digital dos castanhais por meio de um aplicativo de celular. A ferramenta disponibiliza planilhas e mapas dinâmicos, e permite que os extrativistas localizem com precisão as castanheiras e outras espécies de interesse dentro da floresta.

“Por meio do aplicativo será possível visualizar a localização exata das árvores e se orientar na floresta da mesma forma que navegamos em uma cidade em busca de um endereço. Cada árvore mapeada passa a ter um endereço único, representado por coordenadas geográficas”, explica Orfanó.

Além de facilitar a coleta, esse sistema de georreferenciamento otimiza rotas e reduz o esforço físico dos extrativistas com longas caminhadas. A digitalização das informações também contribui para um monitoramento mais preciso da comunidade das áreas de extração, aspecto que auxilia na preservação dos recursos naturais e possibilita que a exploração dos castanhais seja realizada de forma sustentável.

Mais de 70 mil hectares de floresta já foram mapeados na Amazônia

O inventário florestal tradicional exige um grande esforço humano, com uma equipe de cinco pessoas levando um dia inteiro para identificar e localizar as árvores em uma área de aproximadamente 20 hectares. De acordo com Orfanó, esse processo é demorado e oneroso, o que desestimula empreendedores e, principalmente, comunidades locais a adotarem ferramentas de planejamento florestal.

Foto: Caio Alexandre Santos

No entanto, com a adoção do NetFlora, essa realidade mudou rapidamente. “Atualmente, é possível mapear até 3.500 hectares por dia e produzir informações detalhadas sobre o inventário florestal, como reconhecimento de espécies, localização geográfica, métricas e mapas, em uma velocidade de 2 hectares por segundo”, complementa.

O impacto dessa inovação já pode ser visto na prática. Mais de 70 mil hectares de floresta na Amazônia já foram mapeados, resultando na coleta de um vasto banco de dados de imagens de espécies florestais, captadas por câmeras RGB a bordo de drones (ortofotos). “Além de aprimorar a precisão dos inventários, essa tecnologia reduz cerca de 90% dos custos”, enfatiza o pesquisador.

Otimização do manejo

Um dos principais produtos extraídos na região Amazônica é a castanha-da-amazônia (também conhecida como castanha-do-pará ou castanha-do-brasil), que desempenha um papel vital na bioeconomia local. A coleta e a comercialização desse recurso natural é o principal sustento de diversas famílias agroextrativistas, contribuindo para a melhoria da renda e fomentando práticas sustentáveis de uso dos recursos naturais.

Além do valor econômico, a castanha-do-amazônia está profundamente ligada aos saberes tradicionais das comunidades locais, que se reflete na relação harmoniosa entre o homem e a floresta. Essa conexão é fundamental para a preservação cultural e a transmissão de conhecimentos entre gerações.

A chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Amazônia Ocidental, Kátia Emídio da Silva, coordena o projeto “Otimização da Coleta Extrativista da Castanha-do-Brasil no Amazonas“, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O objetivo principal da iniciativa é validar o uso de cabos aéreos para o transporte das castanhas-da-amazônia em áreas de difícil acesso, a fim de minimizar o esforço físico dos agroextrativistas.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

Foto: Mauricilia Silva

De acordo com a pesquisadora, tradicionalmente, os trabalhadores carregam sacos ou paneiros de castanha, atividade que, ao longo do tempo, pode causar sérios problemas ergonômicos, como dores na coluna.

“Nossa meta é reduzir esse impacto e tornar a atividade menos exaustiva. A parceria com a Embrapa Acre, além de facilitar a instalação dos cabos aéreos – semelhantes a tirolesas-, dentro da floresta, resultou no mapeamento preciso das castanheiras. Com essas informações, os extrativistas poderão ampliar as áreas de coleta em outras regiões da reserva ainda inexploradas”, destaca.

Outro aspecto apontado pela pesquisadora é que novas tecnologias podem atrair jovens para o extrativismo, que hoje não querem mais continuar na atividade dos pais, especialmente pelo grande esforço físico  exigido na coleta e transporte primário da castanha-da amazônia, devido ao peso dos produtos e às longas distâncias.”, afirma.

Silva pontua ainda que, com a varredura do Netflora, novas espécies florestais de interesse comercial foram identificadas, como breu, baru e copaíba, entre outras, e também poderão ser manejadas na Reserva do Uatumã. A expectativa é que o mapeamento mais amplo das espécies na reserva auxilie os extrativistas na estimativa de produção e coleta, e possa trazer benefícios significativos para a comunidade local.

A identificação das castanheiras, no ambiente natural, não é uma tarefa fácil, devido à grande diversidade florística existente nas florestas tropicais que pode chegar a uma multiplicidade de até 300 espécies por hectare. “Essa configuração se torna um dos principais desafios durante a realização do inventário”, observa a pesquisadora.

Integração entre ciência e saberes tradicionais

A integração da inteligência artificial ao inventário florestal representa um avanço significativo para a gestão sustentável dos recursos naturais. Para Orfanó, essa tecnologia não apenas moderniza os métodos tradicionais de mapeamento, mas também fortalece as comunidades locais, oferecendo ferramentas que facilitam e aprimoram o seu trabalho diário.

Com acesso a dados precisos sobre a localização e distribuição das castanheiras e de outras espécies de interesse, os extrativistas poderão ampliar suas áreas de coleta de maneira organizada e responsável. Essa iniciativa promove uma exploração mais eficiente e sustentável desses recursos naturais, além de reduzir impactos ambientais e assegurar a conservação da floresta a longo prazo.

“Mais do que uma inovação tecnológica, esse projeto representa um avanço na integração do conhecimento científico com o saber tradicional, promovendo o uso da terra de forma equilibrada e sustentável”, destaca o pesquisador.

IA amplia conhecimento sobre a diversidade da floresta amazônica

A realização de novos voos em diferentes áreas de floresta tem sido fundamental para expandir o banco de dados do Netflora.  Os primeiros treinamentos dos algoritmos começaram com cerca de 30 mil imagens, mas, com os novos sobrevoos, esse número mais que dobrou. A meta dos pesquisadores é alcançar entre 100 mil e 150 mil imagens, número que permitirá treinar os algoritmos de forma mais robusta e ampliar a aplicação da ferramenta em diferentes biomas.

Orfanó enfatiza que a IA já demonstrou uma capacidade avançada de identificar padrões regionais e realizar comparações entre espécies semelhantes. “Por exemplo, já é possível reconhecer a copa de uma palmeira da região Nordeste e classificá-la corretamente, mesmo em áreas nunca antes analisadas”, relata.

Imagem: Evandro Orfano

O pesquisador ainda explica que o sistema foi treinado para identificar espécies com base em dados provenientes de diversas regiões, demonstrando um grande potencial para mapear e classificar automaticamente novas áreas. “A IA reconhece padrões específicos, aspecto que facilita a identificação de novas espécies e o enriquecimento contínuo do banco de dados do Netflora”, acrescenta.

Outro avanço significativo foi a análise das imagens coletadas pelos drones, que, ao serem cruzadas com dados existentes, possibilitaram um enriquecimento substancial do banco de dados. Dessa forma, além das espécies já conhecidas, o algoritmo identificou muitas outras, incluindo diferentes tipos de palmeiras, clareiras e árvores mortas, ampliando o conhecimento sobre a diversidade da floresta amazônica.

Como utilizar a metodologia

De livre acesso, o Netflora está disponível no repositório do GitHub e pode ser facilmente executado por meio de um Notebook Colab simplificado (plataforma colaborativa aberta e gratuita, hospedada na nuvem do Google).

O uso da metodologia não demanda conhecimentos especializados, o passo a passo para sua adoção poderá ser conferido no curso Detecção de espécies florestais com uso do Netflora, de acesso gratuito, na plataforma e-campo, ambiente de aprendizagem virtual da Embrapa. Para mais informações sobre como utilizar os algoritmos treinados, acesse a página do Netflora.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa