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ZFM 58 anos: galeria dos superintendentes responsáveis pelos primeiros passos do Polo Industrial de Manaus – Parte II

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Foto: Reprodução/Google

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Dando seguimento ao relato sobre os primórdios do parque industrial da ZFM, o texto hoje destaca os trabalhos de Aloisio Campelo, Ruy Lins, Igrejas Lopes e Régis Guimarães.

Aloísio Campelo, nomeado em 10 de dezembro de 1974, permaneceu à frente da Suframa até 1979. Na sua estão houve incremento do setor industrial, com o esboço de uma política para o setor. A Suframa firma convênios com o GEICOM (Grupo Executivo Interministerial de Componentes e Materiais), INMETRO (Instituto Nacional de Normalização e Metrologia e Qualidade Industrial) e o CTA (Centro Técnico Aeroespacial da Aeronáutica) para suporte técnico sobre definição de políticas e acompanhamento dos projetos industriais em implantação. Começam a formar-se os primeiros pólos industriais: relojoeiro, ótico, eletroeletrônico e o de veículos de duas rodas. No período houve também o primeiro contingenciamento das importações para a indústria e o comércio determinado pelo Governo Federal, e a exigência de índices mínimos de nacionalização para os produtos fabricados na ZFM. Na sua administração, a Suframa recebeu do Estado a doação da área do Distrito Agropecuário.

Ruy Alberto Costa Lins ocupou a Suframa de 1979 a 1983. Prosseguiu o trabalho técnico iniciado por Campello, prosseguindo o trabalho de expansão do Distrito Industrial e aumentou a presença da Suframa nos outros Estados da Amazônia Ocidental – dois deles, à época, ainda territórios federais. Na sua gestão a Suframa construiu o Campus da Universidade do Acre, implantou os distritos industriais de Rio Branco/AC e Boa Vista/RR, construiu o mini-campus da Universidade do Amazonas, criou a Fucapi (Fundação Centro de Análise de Produção Industrial), como laboratório de aplicação. Fundou o Consórcio do Distrito Industrial – Condin, destinado à gestão e conservação do DI e o CECOMIZ (Exposição Permanente dos Produtos da Zona Franca de Manaus), um show-room dos bens fabricados em Manaus. Na sua gestão foram criados, em 1982, os Prêmios Suframa de Jornalismo, História, Literatura e Artes Plásticas.

Joaquim Igrejas Lopes foi nomeado em 21 de junho de 1983. Em sua administração deu ênfase ao setor agropecuário, com a criação da Fundação Centro de Apoio ao Distrito Agropecuário – Fucada e uma Fazenda Modelo naquele distrito, onde as experiências bem sucedidas eram repassadas à iniciativa privada. Implantou a Fucapi e transformou o Cecomiz no Centro Comercial da Indústria da Zona Franca de Manaus. As ações do Funcomiz passaram a abranger também o esporte e a cultura regional, com ênfase na edição de livros de autores amazonenses. Nessa época o Conselho aprovou a Resolução Nº 400/84, obrigando as empresas a veicular em toda a publicidade impressa e de vídeo, a legenda “Produzido na Zona Franca de Manaus”, estabelecendo ainda que o lançamento de novos produtos deveria ser feito, em caráter nacional, em Manaus. Deixou o cargo em 04 de abril de 1985.

Régis Ribeiro Guimarães, ex-secretário-geral do Ministério do Interior quando assumiu como interventor, em 1º de abril de 1986, um dos períodos mais conturbados da Suframa. A intervenção, prevista para durar até 12 meses, foi rápida e ele permaneceu na função até 03 de junho de 1986, quando concluída a auditoria interna realizada na Autarquia. Entre as decisões tomadas nos dois meses em que esteve à frente da Suframa destacam-se a suspensão de todos os cadastros antigos e o recadastramento de empresas industriais e comerciais, bem como a elaboração de novos critérios para a distribuição das quotas de importação na Zona Franca de Manaus, aprovados na 123ª reunião ordinária do Conselho de Administração da Suframa. O período de Régis como interventor coincide com a publicação do Decreto nº 92.560 (de 16 de abril de 1986) que prorrogou a vigência da Zona Franca de Manaus por 10 anos, de 1997 a 2007, prazo final da vigência dos incentivos fiscais instituídos pelo DL 288/67.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Comunidade indígena do Amazonas transforma áreas degradadas em sistemas agroflorestais sustentáveis

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Reflorestamento traz perspectiva de um futuro melhor para comunidade indígena no Amazonas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O futuro da floresta está sendo reescrito na Amazônia. Em uma comunidade indígena de Manaus, um projeto de reflorestamento transforma áreas degradadas em agroflorestas sustentáveis, unindo saberes tradicionais e ciência.

A comunidade Tatuyo cultiva mudas de árvores nativas, como andiroba e castanheira, garantindo uma fonte de renda sem destruir a floresta.

“Há muito tempo eu sonhava com isso, mas não tinha como buscar conhecimento. Hoje em dia, graças a Deus, esse sonho está sendo realizado. Eu coleto sementes, ando por onde me convidam, falo sobre reflorestamento, porque precisamos recuperar a Amazônia. Isso não é só para nós aqui, é para todo mundo”, diz Edmildo Yhepassoni, indígena da comunidade.

Leia também: Agrofloresta: implantação do sistema de cultivo aumentou a renda de famílias em Juruti, no Pará

Para a esposa de Edmildo, Cármen Yhepassoni, o trabalho de reflorestamento é também uma maneira de garantir o futuro de seus filhos e netos: “Eu quero que meus filhos, meus netos, plantem junto comigo. Que todos trabalhem juntos para que isso cresça e se torne algo grande”.

A nova geração também está comprometida com o futuro da floresta. Santiago, filho de Edmildo, vê no projeto uma oportunidade de garantir um futuro mais sustentável para sua comunidade.

“Daqui a alguns anos, isso aqui vai estar com árvores altas, que dão semente, frutos, sombra. Vai ser melhor, porque daqui pra frente, a gente vai plantar agora, vai ter pequenas árvores, mas logo estarão grandes, pra nossos filhos colherem e plantarem”.

Com o apoio do projeto Reflora, realizado pelo Instituto Ipê, comunidades locais têm se tornado protagonistas na preservação da floresta.

“O projeto surgiu da própria demanda dos comunitários, o que é mais interessante, porque aí a gente está surgindo como uma instituição apoiando essas atividades vindas da própria comunidade. Isso fortalece ainda mais a Reserva de Desenvolvimento Sustentável e, consequentemente, a cadeia da restauração no estado do Amazonas. A escolha das espécies não é aleatória, envolve técnicas específicas para cada tipo de solo e necessidade da comunidade, desde o uso madeireiro até o artesanato”, afirma o coordenador executivo do projeto Reflora, Paulo Roberto Ferro.

Mas, para que as mudas cheguem a essas áreas distantes, é preciso enfrentar desafios logísticos.

“A dimensão amazônica é tudo maior, mais gigantesca, e a logística não deixaria de ser um dos grandes desafios. Para trazer as mudas até a última comunidade da Puranga, foram pelo menos 6, 7, 8 horas de barco. Muitas espécies vieram de longe, até de Rondônia e da divisa com o Pará. No futuro, a gente quer coletar e produzir as mudas aqui mesmo, reduzindo custos e garantindo espécies mais adaptadas”, completa Paulo.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

A implementação do sistema agroflorestal tem se mostrado eficaz para o cultivo de diferentes espécies. proporcionando um ciclo de vida que beneficia tanto o solo quanto as futuras gerações, conforme explica a extensionista Ananda Matos.

“o sistema agroflorestal é uma técnica de restauração produtiva que vincula espécies agrícolas, espécies florestais e espécies frutíferas, trazendo um retorno não só econômico, mas também ambiental para aquela área. a curto prazo seriam as agrícolas, a médio prazo as frutíferas e a longo prazo as madeireiras, que podem trazer não só madeira, mas também produtos não madeireiros, como sementes e casca para chá e remédio.”
Depois de sete horas de barco pelo Rio Negro, sete mil mudas de árvores nativas chegaram à Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, em Manaus.

“Sustentabilidade não é só sobre conservar a floresta, mas também sobre gerar renda para quem mora aqui. O projeto ajuda a fortalecer a economia local, seja pela produção de mudas, pelo manejo sustentável ou pelo uso das sementes. Tudo isso cria oportunidades para as comunidades e contribui para a restauração florestal em uma escala maior”, afirma Paulo Roberto Ferro.

]Além da recuperação ambiental, o projeto incentiva a geração de renda para 18 comunidades, com a coleta de sementes e produção de mudas. As matérias-primas também podem ser usadas na indústria de cosméticos e medicamentos, conectando a biodiversidade amazônica ao mercado sustentável.

“Quando as árvores crescerem, o clima vai melhorar, a água vai se normalizar. O problema não é a natureza que está se acabando, é o ser humano que está destruindo. Precisamos reflorestar, plantar madeira de lei, frutas, trazer alimentos para nossas famílias. Isso é o que queremos para o futuro”, conclui Yhepassoni.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Lúcia Tereza, a primeira mulher eleita prefeita na Amazônia

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Lúcia Tereza. Foto: Reprodução/ALE-RO

Em 1982, Lúcia Tereza Rodrigues (PP) fez história ao se tornar a primeira mulher eleita prefeita na Amazônia. Com uma carreira iniciada no magistério e marcada pelo compromisso com a educação, ela conquistou a confiança da população de Espigão do Oeste (RO) e expandiu sua influência ao ser eleita para a Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), onde permaneceu por duas décadas.

Embora tenha nascido em São Paulo, Lúcia Tereza era apaixonada por Rondônia, estado em que chegou em 1973. Naquele período, tornou-se uma importante aliada do ex-governador Jorge Teixeira de Oliveira na luta pela transformação do Território Federal do Guaporé em Estado de Rondônia.

Antes de entrar para a política, Lúcia Tereza era professora e ocupou o cargo de diretora da Escola 7 de Setembro, em Espigão do Oeste. Carinhosamente chamada de “Mamãe Lúcia”, se destacou também na defesa de pessoas carentes.

Quando faleceu, em dezembro de 2016, Lúcia ainda ocupava o cargo de deputada estadual e tinha 70 anos. Ela sofreu um aneurisma na aorta, passou por uma cirurgia e foi transferida para a UTI, mas acabou falecendo horas depois.

Ações como parlamentar

Lúcia Tereza iniciou sua trajetória política como prefeita de Espigão do Oeste, cargo que ocupou em dois mandatos (1990-1994 e 2000-2004). Em 1990, também foi eleita deputada estadual, sendo reeleita em 1994. Após um intervalo, assumiu novamente a Assembleia Legislativa em 1999, como suplente. Em 2014, retornou ao cargo de deputada estadual, consolidando sua longa carreira política.

Durante sua gestão como prefeita, sancionou leis que estabeleceram a planta de valores para a cobrança do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e regulamentaram o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza no município, visando aprimorar a arrecadação e a gestão fiscal local.

Leia também: Líder Awajún, Elaine Shajian promove desenvolvimento na Amazônia peruana

Como deputada, esteve envolvida em ações voltadas para a valorização profissional, como a regularização de propriedades rurais e urbanas, garantindo dignidade e acesso à moradia para famílias de baixa renda e agricultores familiares.

Lúcia também foi autora do Programa de Ação Cultural em Rondônia que tinha o objetivo de apoiar as manifestações culturais locais, incentivando atividades que envolviam música, dança, teatro, artes plásticas, entre outras formas de expressão artística.

Durante seus mandatos, foram criados ou reformados espaços culturais para que os profissionais das artes tivessem lugares para se apresentar e desenvolver seu trabalho, ampliando a visibilidade e o reconhecimento.

Homenagens

Uma das principais homenagens póstumas a Lúcia Tereza Rodrigues dos Santos foi a mudança do nome da rodovia BR-364, que passou a se chamar Rodovia Lúcia Tereza Rodrigues dos Santos, em reconhecimento à sua importante contribuição para o estado. A proposta, feita pela Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO), celebra seu legado em Rondônia, onde a BR-364 é uma das vias mais essenciais, conectando diversas cidades da região.

Em Espigão do Oeste, o prédio que abriga a Secretaria Municipal de Educação (Semed) também foi batizado de “Centro de Formação Lúcia Tereza Rodrigues dos Santos”. Além disso, escolas e praças receberam seu nome, ampliando as homenagens à sua memória e ao impacto duradouro que deixou na comunidade.

*Por Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO

Mais de 27 mil pessoas participam do Carnaboi 2025; FOTOS

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Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

A segunda edição do Carnaboi no Studio 5 Centro de Convenções, em Manaus (AM), reuniu mais de 27 mil pessoas nas duas noites, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM).

Em sua 24ª edição, o evento acontece pelo segundo ano consecutivo como parte do projeto Carnaval Amazônico, realizado pela Fundação Rede Amazônica. Confira alguns dos melhores momentos da festa:

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Veja como foi a segunda noite do Carnaboi 2025

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Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

O Carnaboi 2025, parte do projeto Carnaval Amazônico, seguiu em sua segunda noite neste sábado (8). A festa que une a temporada carnavalesca com a temporada bovina no Amazonas aconteceu no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus, com transmissões ao vivo pelo Grupo Rede Amazônica. 

Além das atrações musicais de ambos bois, os itens que disputam título no Festival Folclórico de Parintins também participam do festejo. E ainda aconteceu uma surpresa para o público: a presença da Kamélia.

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Estação seca mais quente reduz em 63% taxa de sobrevivência de aves da Amazônia

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Mãe-de-taoca-de-garganta-vermelha, papa-formiga-de-topete e cabeça-branca: três das 29 espécies de aves estudadas. Foto: Philip Stouffer

Na Amazônia, muitas aves encontram refúgio na rica vegetação de menor porte que cresce abaixo da copa das árvores. Artigo publicado em 29 de janeiro no periódico Science Advances sugere que o aumento de 1 grau Celsius (ºC) na temperatura média durante a estação seca, de maio a outubro, tenha reduzido em quase dois terços a taxa de sobrevivência aparente das aves que habitam sub-bosques da floresta tropical, mesmo que essa área esteja em uma região praticamente sem interferência humana.

A conclusão do estudo se baseia em um trabalho de modelagem estatística que associou dados de temperatura e de pluviosidade com números de captura e de recaptura de 4.264 exemplares de 29 espécies de aves, previamente pegas, identificadas por meio de um anel e soltas na natureza. 

Os animais foram apanhados entre 1985 e 2012 em 20 pontos dentro dos 3.180 hectares de floresta preservada do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), situado a 80 quilômetros ao norte de Manaus. Composto de 23 parcelas de floresta, o PDBFF é uma unidade de conservação federal e a pesquisa em sua área é coordenada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em parceria com o Instituto Smithsonian, dos Estados Unidos.

Segundo o estudo, o aumento de calor durante a estação seca reduziu em 63% a taxa média de sobrevivência aparente da comunidade das aves que vivem nos sub-bosques do PDBFF. Isso significa que, em razão do aumento da temperatura, a probabilidade de uma ave sobreviver de um ano para o outro caiu para cerca de um terço do que seria o esperado caso a temperatura tivesse se mantido mais amena.

“Aves tropicais são muito sensíveis às mudanças que afetam seu meio de vida”, afirma a Pesquisa FAPESP o autor principal do estudo, o ornitólogo Jared Wolfe, da Universidade Tecnológica de Michigan, nos Estados Unidos, e colaborador do Inpa. “Há uma influência bastante dramática de uma estação seca cada vez mais quente e árida na sobrevivência de praticamente todas as aves que analisamos no sub-bosque da Amazônia”.

Leia também: Você sabe quais aves representam os Estados da Amazônia Legal?

No cenário geral, 24 das 29 espécies se mostraram afetadas pelo aquecimento da região, com tendência de impacto maior no grupo de aves que vivem por mais tempo. Espécies como o barranqueiro-pardo (Automolus infuscatus), o arapaçu-de-garganta-pintada (Certhiasomus stictolaemus), o bico-virado-miúdo (Xenops minutus) e o mãe-de-taoca-de-garganta-vermelha (Gymnopithys rufigula) estão entre as mais vulneráveis identificadas pelo estudo.

“No nosso modelo estatístico, os dados relativos à temperatura explicavam cerca de 85% da variação na taxa de sobrevivência aparente das aves”, comenta Wolfe.

Quando um ano ficava mais quente, a taxa caía; quando esfriava, ela aumentava. O trabalho também calculou qual teria sido o impacto de uma redução de 10 milímetros (mm) de chuva durante a estação seca na taxa anual de sobrevivência aparente das aves. 

O efeito foi bem menor do que no caso do aumento da temperatura. Em média, a queda na pluviosidade estaria associada a uma redução de 14% na quantidade de aves da população estudada.

Sobrevivência aparente é um conceito usado para expressar a manutenção da vida em animais previamente identificados dentro de uma área determinada ao longo do tempo. A queda nessa taxa não significa necessariamente que houve morte entre os membros da amostra. 

Três fatores, que essa definição não distingue, podem jogar para baixo os números relativos à sobrevivência aparente: o óbito propriamente dito de membros da população estudada, a migração para fora da área de estudo e até a simples não recaptura de animais dentro do prazo esperado.

Área de sub-bosque dentro do projeto PDBFF, a 80 quilômetros de Manaus. Foto: Vitek Jirinec

Quando uma ave não é recapturada, isso é sinal de que pode ter morrido ou simplesmente não foi pega de novo. Os autores do artigo utilizaram um modelo estatístico para distinguir essas duas probabilidades. Assim, ajustaram as estimativas de sobrevivência aparente, que indicam a probabilidade de uma ave ainda estar viva no ano seguinte.

É possível que o aumento da tem­peratura e a queda observada na chuva influenciem as aves a procurarem outro território, menos quente e com maior oferta de água. Mas a recorrência na falha de recaptura ano a ano é, na avaliação de Wolfe, um indicativo de que o calor e a secura vêm sendo mais fatais para os bichos.

A chuva, a disponibilidade de água e a diversidade do relevo local parecem ser importantes para criar microclimas que permitam às aves se refrescar diante de temperaturas cada vez mais altas.

“Essas espécies têm a capacidade adaptativa para desenvolver respostas evolutivas que acompanham as condições que estão enfrentando agora?”, indaga o biólogo Philip Stouffer, da Universidade Estadual de Louisiana, outro autor do estudo, em entrevista a Pesquisa FAPESP. “Sob as condições atuais, as populações estão diminuindo e sua sobrevivência se reduz. Até agora, os resultados não são encorajadores”.

Segundo o biólogo, a resiliência das aves de sub-bosque depende da manutenção de amplos trechos de floresta intacta. Dessa forma, mesmo com populações em declínio, as espécies poderiam se manter viáveis. 

“Áreas mais baixas dentro da floresta, como ao longo de riachos, também são particularmente relevantes para proteger as aves, pois parecem fornecer nichos de refúgio”, observa Stouffer.

O ornitólogo Mario Cohn-Haft, curador do setor de aves do Inpa, também enfatiza que os resultados do estudo reforçam a importância de conservar grandes áreas de floresta intacta. “As mudanças climáticas se devem, em parte, ao desmatamento”, diz ele, que não participou do trabalho publicado na Science Advances. 

Foto: Philip Stouffer

“Precisamos restaurar a floresta e parar de desmatar. Isso ajudará a restabelecer o clima e a preservar as condições necessárias para a manutenção da biodiversidade”.

Para a bióloga evolutiva Ana Paula Assis, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), o estudo feito na Amazônia se destaca por ter utilizado dados de longo prazo, de quase 30 anos.

“Se eles obtiveram esses resultados trabalhando em áreas de mata virgem, imagine o quão pior deve ser o cenário em trechos de floresta desmatada ou que sofreram fragmentação”, indaga Assis, que também não participou do artigo.

Ela sugere um possível desdobramento para a pesquisa: tentar entender se existe alguma variação na taxa de sobrevivência entre as aves que possa estar relacionada a fatores hereditários. 

“Se alguns indivíduos das espécies mais ameaçadas conseguem sobreviver bem ao aumento de temperatura, talvez eles possam passar essa capacidade para os filhotes caso essa resiliência esteja baseada numa característica genética”, comenta a bióloga.

Estudos semelhantes ao feito no PDBFF foram realizados no Panamá e no Equador. Os trabalhos indicam que as aves, em especial as de espécies que comem insetos, estão desaparecendo das seções mais baixas e intermediárias das florestas. Trabalhos como o realizado na Amazônia, que vincula as mudanças do clima à sobrevivência das aves, ainda são raros e há poucos dados de longo prazo sobre essa questão.

Artigo científico

WOLFE, J.D. et al. Climate change aggravates bird mortality in pristine tropical forestsScience Advances. 29 jan. 2025

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Renata Fontanetto

Em 10 anos, mais de 9 mil indígenas venezuelanos migraram para o Brasil

Foto: Benjamin Mas/ACNUR

Mais de 9 mil indígenas deixaram a Venezuela e migraram para o Brasil na última década (2015 – 2024), conforme levantamento da InfoAmazonia com base em dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), em conjunto com o governo brasileiro.

A análise dos boletins migratórios dessas instituições revela que, além da crise política e econômica no país, a migração dos povos também tem relação com impactos ambientais, como os causados pelas obras de represamento de rios e pelo avanço da exploração petrolífera na região.

Leia também: Migração na Amazônia: conheça os principais fluxos de pessoas na região

A reportagem identificou, por meio do levantamento da OIM, 13 povos indígenas originários da Venezuela vivendo em todos os estados do Brasil. Entre os 3.725 indígenas contabilizados, a maioria pertence às etnias Warao (2.633) e Taurepang (703). Os dados consideram o fluxo migratório entre 2015 e 2024 e apontam que fatores climáticos e ambientais estão entre as principais motivações do deslocamento.

Veja no gráfico abaixo quais grupos indígenas foram mapeados no levantamento:

Povo Warao representa 71% dos indígenas migrantes venezuelanos no Brasil

Levantamento da OIM em conjunto com o governo brasileiro identificou 13 povos indígenas originários da Venezuela vivendo nos 26 estados do país mais o Distrito Federal.

Fonte: Organização Internacional para as Migrações (OIM). Análise e Visualização: InfoAmazonia.

Entre as 65 comunidades indígenas entrevistadas pela OIM, 35% (23) afirmaram que seus territórios foram atingidos por inundações na Venezuela. A contaminação de água foi relatada por 19% (12), e a ocorrência de fortes chuvas foi citada por 14% (9) das comunidades entrevistadas na época. 

Realidade em ascensão

Os indígenas estão entre os 568.058 venezuelanos presentes no território brasileiro, de acordo com dados atualizados até junho de 2024, pela Plataforma R4V, que monitora o fluxo e inclui informações de agências da ONU e da sociedade civil envolvida no processo migratório. 

No Brasil, as primeiras mudanças sobre a migração foram sentidas a partir de Pacaraima, cidade fronteiriça ao norte de Roraima, porta de entrada para venezuelanos. Do outro lado da fronteira, no país vizinho, está a cidade de Santa Elena de Uairén.

Para lidar com o intenso fluxo de migrantes que começaram a entrar no Brasil por Pacaraima, em 2018, o governo federal criou a Operação Acolhida, que oferece atendimento aos venezuelanos, incluindo indígenas, por meio da regularização do processo migratório e do acesso aos abrigos.

Atualmente, Roraima conta com sete abrigos, sendo três exclusivos para a população indígena: Janokoida, Waraotuma a Tuaranoko e Jardim Floresta, todos na capital Boa Vista. Juntos, esses espaços acolhem 1.893 indígenas, o que representa 32% dos 5.971 migrantes abrigados no estado.

 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No entanto, ainda em Boa Vista, há uma ocupação espontânea onde vivem migrantes indígenas em situação de vulnerabilidade na periferia. Antes, o local, um antigo ginásio de esporte do governo no bairro Pintolândia, zona oeste, era gerido pela Operação Acolhida. No entanto, foi desativado em 2022 por questões estruturais. As famílias indígenas seguem morando por lá.

Foi neste mesmo abrigo que em agosto de 2021 militares do Exército Brasileiro, responsáveis pela segurança, foram flagrados “punindo” indígenas no chamado “canto dos maus-tratos”, um espaço onde os migrantes eram detidos sem mandado judicial. À época, a história foi revelada pela  Repórter Brasil.

O professor e pesquisador sobre migrações na Universidade Federal de Roraima (UFRR), João Carlos Jarochinski, acompanhou as mudanças na rotina e na cultura do estado com a chegada dos migrantes, principalmente em relação aos indígenas, que passaram a ser vistos com frequência nas ruas de Boa Vista.

“Essa primeira faceta visível [dos indígenas migrantes nas ruas] gerou também um processo no social, colocando esses indígenas numa condição de subalternidade em relação ao restante da população”, destaca o professor. De acordo com ele, houve muita dificuldade de aplicar as normativas internacionais e nacionais em relação aos povos originários.

“No caso brasileiro, acho que o principal fator que agravou a situação de alguns desses grupos, foi a demora por parte do Estado no reconhecimento dessa condição de povos indígenas”, completa Jarochinski.

O problema citado pelo professor também foi apontado pela OIM. Em 2020, a organização denunciou que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) não participava do processo de registros de documentação dos migrantes indígenas que chegavam no Brasil. A ausência da entidade também foi percebida no acompanhamento da presença de indígenas Warao em cidades brasileiras. 

Em resposta à InfoAmazonia, a Funai disse que “acompanha o fluxo migratório dos indígenas venezuelanos desde 2016, porém, dentro de seus limites orçamentários, estruturais e de pessoal”.

Ainda na avaliação de Jarochinski, também é necessário que o debate sobre migração indígena seja ampliado para questões além das sociais, como as ambientais e culturais que envolvem cada povo.

“As pessoas que têm que deixar as suas localidades, seja de forma permanente ou temporária, necessitam de proteção, elas precisam de políticas públicas específicas para a sua realidade. É um tema bastante difícil no contexto internacional, que a gente precisa ir construindo aos poucos”, explicou.

Em razão da falta de ações específicas do governo brasileiro no contexto migratório indígena, organizações não governamentais desenvolvem projetos que integram as diferentes culturas indígenas. Um deles foi promovido pela Cáritas Brasileira na terra indígena de São Marcos, em Pacaraima. Desde 2019, a comunidade indígena Tarau-Paraú acolhe cerca de 600 indígenas venezuelanos do povo Taurepang-Pemon.

Foto: Reprodução/Cáritas Brasileira

De acordo o assessor nacional de monitoramento da Cáritas Brasileira, organização ligada à igreja Católica que atua no serviço humanitário, Wellthon Leal, falta estrutura, principalmente, para os indígenas que estão fora dos abrigos.

“A gente está passando por um refluxo grande de apoio, de ajuda humanitária. Existe uma pressão internacional para que o governo brasileiro assuma isso”. 

Em janeiro de 2024, a Cáritas chegou a anunciar a paralisação das atividades do Projeto “Wash Orinoco: Águas que atravessam fronteiras”, que oferecia serviços de água, saneamento e higiene aos imigrantes. O motivo foi a suspensão do repasse de recursos oriundos da USAID, anunciada pelo Governo Trump.

O povo Warao

Maioria entre os migrantes indígenas venezuelanos no Brasil, o povo Warao vive na região delta do rio Orinoco, no nordeste da Venezuela, e é a segunda etnia mais populosa do país vizinho, com cerca de 49 mil pessoas, conforme o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), da ONU.

O povo Warao iniciou o processo migratório por volta de 2013, quando a crise na Venezuela começou a eclodir – foi nesta mesma época que o presidente Hugo Chávez morreu e Nicolás Maduro assumiu. Nos anos seguintes, o sucateamento se agravou e milhares de pessoas deixaram o país, incluindo indígenas, mas o modo de vida do povo Warao inclui interferências territoriais registradas anos antes. 

Leia também: Inspirada na cultura Warao, publicação apresenta método de consulta às comunidades indígenas

Em dezembro de 1960, um decreto assinado pelo então presidente venezuelano Rómulo Betancourt instituiu a criação da Corporación Venezolana de Guayana. O órgão seria encarregado de construir um dique-estrada para represar águas do rio Manamo, na bacia do Orinoco. O objetivo era criar um sistema de diques na região do delta Orinoco, que tornaria cerca de 300 mil hectares de terras até então inundáveis, disponíveis para a agricultura e para a pecuária. 

Os povos indígenas, incluindo os Warao, no entanto, não foram ouvidos durante os estudos para implementação da intervenção, conforme um levantamento antropológico feito no país, o “Planificando el desastre ecológico”, feito por pesquisadores da Universidad Central de Venezuela (UCV), que analisa o impacto das obras executadas no delta do Orinoco.

À época, a obra avançou e a primeira parte foi entregue em 1965, com consequências ambientais à região e ao modo de vida dos povos. A principal foi a intensificação da salinização dos rios, que afetou a fertilidade dos solos e a diminuição da quantidade de água para consumo humano, além de prejudicar a vegetação e a pesca. O documento classifica o ocorrido como o “maior desastre ecológico da Venezuela”.

Anos depois, em 1976, uma grande enchente provocou mortes entre os Warao. Nos anos 1980, existia um movimento migratório em direção às cidades próximas, como Barrancas e Tucupita.

Nos centros urbanos, os indígenas foram submetidos a trabalhos precários e governos locais construíram moradias improvisadas nas redondezas dos municípios para impedir que muitos se instalassem na zona urbana. Na década de 1990, o início da exploração petrolífera terminou em mais danos ambientais. A tendência migratória para os centros urbanos se mantém e comunidades inteiras deixam de existir.

Esta reportagem foi realizada com o apoio do Programa Vozes pela Ação Climática Justa (VAC), que atua para amplificar ações climáticas locais e busca desempenhar um papel central no debate climático global. A InfoAmazonia faz parte da coalizão “Fortalecimento do ecossistema de dados e inovação cívica na Amazônia Brasileira” com a Associação de Afro Envolvimento Casa Preta, o Coletivo Puraqué, PyLadies Manaus, PyData Manaus e a Open Knowledge Brasil.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo InfoAmazônia, escrito por Herbert Brandão

Portal Amazônia responde: o que é greenwashing?

Foto: Reprodução/Iberdrola 

Greenwashing? Você já ouviu falar nessa palavra ou sabe seu significado? Greenwashing quer dizer “lavagem verde”, um termo cujo uso está associado à uma estratégia de marketing enganosa, geralmente praticada pelos interessados para afirmar que seus produtos ou serviços são sustentáveis. 

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Atualmente, a sociedade tem buscado com mais frequência por produtos, serviços e marcas que “pensam sustentável” e que, de alguma forma, colaborem com um futuro mais viável para o planeta. Por isso, questões ambientais tem sido cada vez mais debatidas em estudos de interesse mundial. 

Algumas empresas costumam investir pesado na divulgação e propagandas para atrair consumidores preocupados com o meio ambiente. No entanto, outras também usam os investimentos em propaganda, mas não na execução de fato de formas sustentáveis para seus produtos ou serviços.

Como identificar um greenwashing?

O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) lista sete sinais para identificar o “falso sustentável” mais utilizadas pelas empresas:

1. ‘Não contém ingredientes animais’ – Sem provas.

Produtos que se dizem “ambientalmente corretos”, mas não especificam os fatos e dados científicos em que são baseados, como cosméticos que alegam ser veganos, mas não possuem certificados ou não explicitam os ingredientes no rótulo.

2. ‘Até 50% de economia em água’ – Troca oculta.

Ocorre quando uma questão ambiental é enfatizada em detrimento de outras preocupações potencialmente mais sérias. Um exemplo é incentivar o uso de plástico, negativo sob o ponto de vista ambiental, alegando economia de água, pois não há necessidade de lavagem do copo.

3. ‘Amigo do meio ambiente’ – Vagueza e imprecisão.

Uso de expressões mal definidas e amplas, como o uso de termos vagos como “sustentável” e “amigo do meio ambiente” em embalagens, sem fornecer qualquer detalhe ou explicação de atitudes ambientalmente concretas referentes ao produto, deixando o consumidor em dúvida sobre seu real significado.

4. ‘Não contém CFC’ – Irrelevância.

Apelo que pode ser verdadeiro, mas não é relevante para o consumidor que procura um produto com vantagem ambiental. “Não contém CFC” é o exemplo mais comum. O uso da substância (clorofluorcarboneto, clorofluorcarbono ou CFC) é proibido por lei, o que significa que o produto não é mais ambientalmente correto que qualquer outro da categoria.

5. ‘50% menos plásticos’ – Menor de dois males.

Ocorre quando o apelo ambiental pode ser verdadeiro, mas distrai o consumidor de impactos ambientais maiores. Um exemplo prático é um produto descartável afirmar possuir menos plástico, mas, no fim, ele continua sendo um problema na geração de lixo.

6. ‘Produto com descarte seletivo’ – Lorota.

Embalagens que contêm declarações e reivindicações que são simplesmente falsas. Um exemplo é afirmar falsamente que um produto possui descarte seletivo, quando a empresa não possui controle sobre o mesmo.

7. ‘Menor consumo de energia’ – “Adorando” falsos rótulos.

Quando há falsa sugestão ou imagem que parece um selo para induzir os consumidores a pensar que o produto possui certificação de terceiros e se tratar de produto “verde” – por exemplo, uma embalagem com imagem de lâmpada que afirma economia de energia, com um certificado que não é oficial ou conferido por entidade confiável.

ESG/ODS

O termo greenwashing teve origem na década de 1980, quando ambientalistas começaram a observar as práticas enganosas de empresas e comunicações em busca de uma “imagem sustentável” para conquistar clientes, etc. Com a crescente conscientização ambiental em função de debates sobre, por exemplo, o ESG e os ODS, o termo voltou a ganhar força.

Produção de banana na Amazônia é impulsionada por técnica de controle da Sigatoka-negra

Foto: Siglia Souza

Produtores de banana nos estados do Amazonas, Acre e Rondônia comemoram o aumento da produtividade de seus plantios. Desenvolvida pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM), uma técnica simples e acessível de aplicação de fungicida permitiu o controle eficiente da Sigatoka-negra, principal doença da bananeira na Amazônia.

Além de elevar a produtividade, a solução promoveu o retorno de variedades tradicionais ao mercado, viabilizou a bananicultura na região e trouxe maior segurança para os agricultores.

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Os dados fazem parte do Relatório de Avaliação de Impactos das Tecnologias geradas pela Embrapa nos últimos 15 anos nos três estados. O documento foi e elaborado por três Unidades da Embrapa (Acre, Amazônia Ocidental e Rondônia) sob a responsabilidade dos pesquisadores Francisco de Assis Correa Silva, Lindomar de Jesus de Sousa Silva e Márcio Muniz Albano Bayma.

O texto “Recomendação de aplicação de fungicidas para o controle químico da Sigatoka-negra na produção de banana na Amazônia Ocidental” aponta os ganhos econômicos, social e ambiental da tecnologia. Ele conclui ainda que a sua adoção foi um instrumento essencial para a continuidade do cultivo de banana tradicionalmente apreciada pelas comunidades amazônicas.

“Os impactos foram positivos, em sua maioria, evidenciando melhorias significativas na geração de renda, possibilitando o desenvolvimento da propriedade de forma sustentável, viabilizando uma produção capaz de contribuir para o desenvolvimento das unidades familiares de produção e garantir que a população tenha acesso a um importante fruto: a banana”, explica Lindomar Silva.

Foto: Léo Cunha

Expansão do mercado

Há uma perspectiva do aumento da área cultivada com a superação de problemas estruturais como a implantação de casa de embalagens e a adesão ao sistema de mitigação de risco da Sigatoka-negra. Com isso, os produtores rurais e suas entidades de classe poderão acessar novos mercados, atualmente restrito aos estados da Amazônia.

A tecnologia foi desenvolvida pela Unidade da Embrapa no Amazonas e validada nos estados do Acre e Rondônia pelos centros de pesquisa da Empresa nesses estados.

Posteriormente, foram implantadas Unidades Demonstrativas para a capacitação para multiplicadores, distribuição de materiais informativos e palestras com o intuito de transferir a tecnologia. O aplicador foi gerado em 2001, disponibilizado aos agricultores em 2008 e a sua adoção começou em 2009.

Como funciona a tecnologia 

A solução se baseia no uso de um equipamento e técnica para aplicação de fungicida na axila da segunda folha da bananeira. Para uso dessa técnica, foi elaborado um equipamento adaptado a partir de uma seringa veterinária, mangueira de silicone ou látex e um cano com uma das pontas curvadas.

O equipamento permite colocar gotas do fungicida no local específico, com uma dose recomendada, dependendo do fungicida utilizado de um a dois mililitros por planta. Isso evita a dispersão do produto no ambiente e torna possível controlar a doença com apenas três aplicações por ciclo produtivo, que seria em torno de dez a 12 meses.

Foto: Léo Cunha

Perdas de bananais 

Com o surgimento da Sigatoka-negra houve uma redução substancial de bananais cultivados com variedades tradicionais na Amazônia brasileira. Variedades como Prata Comum, Maçã e o plátano Pacovan, cultivadas há décadas pelos agricultores, deixaram de ser encontradas nos mercados e feiras locais. “Com a disponibilização da tecnologia de controle da Sigatoka-negra tem possibilitado o retorno das bananas tradicionais à mesa dos amazonenses, acreanos e rondonienses”, comenta o pesquisador.

Os métodos oficiais de levantamento da produção primária não consideram os grupos de banana (prata, maçã, D’Angola), sendo apresentados de forma agregada como produto único nas estatísticas. Assim, observa-se que os indicadores de desempenho produtivo da última década apontam uma retomada na oferta do produto nos três estados.

Produção e produtividade cresceram nos três estados 

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2023), no período de 2013 a 2022, observou-se um incremento de produção e ganhos de produtividade no cultivo de banana nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia. Quanto à produção, no estado do Acre esta saltou de 77,7 mil para 82,8 mil toneladas no referido período. Também foi registrado um incremento de produtividade atingindo 12,4 toneladas por hectare (t/ha) (2022) ante 10,6 t/ha (2013).

No Amazonas, nos últimos dez anos, registrou-se crescimento moderado na produção da banana passando de 84,7 mil, em 2013, para 88,7 mil toneladas, em 2022. Nesse período, o pico da produção foi em 2018 com 113,3 mil toneladas. A produtividade aumentou de 12,7 t/ha para 14,4 t/ha, no referido período.

Já no estado de Rondônia a produção passou por um crescimento gradativo na última década, passando de 70,6 mil para 81,9 mil toneladas. Os crescimentos de produtividade foram expressivos atingindo 11,6 t/ha em 2022, bem superior ao volume registrado em 2013 (8,5 t/ha).

Logística para atender os mercados

Entre os estados estudados, o principal mercado consumidor é a cidade de Manaus (AM), cuja produção não é suficiente para atender a demanda local pelo produto. Por isso, foi construído ao longo dos anos um eficiente arranjo de logística envolvendo transporte rodoviário (Rio Branco / Porto Velho) e hidroviário (Porto Velho / Manaus) como forma de escoar uma parte da produção do Acre e de Rondônia para a capital amazonense. Esse arranjo, associado à adoção da tecnologia, tornou competitivos os bananicultores dos municípios de Buritis e Porto Velho (RO) e Acrelândia (AC), no fornecimento ao estado vizinho.

Para a agricultora Cristiana Gomes, do município de Presidente Figueiredo (AM), a tecnologia permitiu que ela continuasse plantando a banana Pacovan.

“Com a técnica da Embrapa mudou todo o meu jeito de plantar. Antes, eu precisava plantar todo ano, por causa da doença, mas agora eu já estou a Pacovan [plantada] desde 2018 que continua dando cacho satisfatório, cacho bonito”, relata a produtora. 

Como a banana Pacovan é uma variedade muito procurada pela população, a produção destina–se principalmente aos mercados tradicionais como feiras livres, supermercados, mercearias e sacolões das capitais dos estados (Manaus, Porto Velho e Rio Branco). Uma pequena quantia é destinada ao mercado institucional como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), comumente abastecidos por bananas oriundas de cultivares resistente a doença, principalmente a Thap Maeo.

A renda obtida com a comercialização da banana auxilia no desenvolvimento das propriedades. Os recursos são investidos no aumento dos plantios, com a recuperação de novas áreas, ou na diversificação produtiva. Há propriedades que iniciaram cultivos de maracujá, melancia, açaí, mandioca, hortaliças, criação de peixes e em lavouras de outras variedades de banana como: Thap Maeo, a FHIA 18 e a Caipira

A disponibilização de uma tecnologia capaz de incentivar o plantio de variedades tradicionais de banana, tem impactado positivamente nos aspectos cultural e econômico do mundo rural e urbano da Amazônia Ocidental. No aspecto cultural, está o fato de a tecnologia ter possibilitado a população o acesso a um produto tradicional, cujo consumo passou de pai para filho, e o econômico com a geração de renda e desenvolvimento das propriedades.

*Com informações da Embrapa

Confira um resumo de como foi a segunda noite do Carnaboi 2025; FOTOS

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Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat

O Carnaboi 2025, parte do projeto Carnaval Amazônico, seguiu em sua segunda noite neste sábado (8). A festa que une a temporada carnavalesca com a temporada bovina no Amazonas aconteceu no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus, com transmissões ao vivo pelo Grupo Rede Amazônica. 

Além das atrações musicais de ambos bois, os itens que disputam título no Festival Folclórico de Parintins também participam do festejo. E ainda aconteceu uma surpresa para o público: a presença da Kamélia.

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.