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Entenda lei aprovada pelo Governo Federal que altera limites de reservas extrativistas em Rondônia

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Amanhecer no Lago do Cuniã em Porto Velho. Foto: Emily Costa/g1 RO

O Governo Federal sancionou uma lei que altera os limites de duas reservas extrativistas em Rondônia. A área da Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto terá o tamanho reduzido para ampliar as terras da Resex do Lago do Cuniã.

De acordo com a Lei nº 15.039, a proposta busca a proteção do ecossistema local, conservar os recursos naturais renováveis e garantir a subsistência das famílias extrativistas. O projeto aponta que a área que será ampliada é rica em biodiversidade e alto grau de conservação.

Com as mudanças, a reserva Ouro Preto, que atualmente tem 204.583 hectares, passará a ter 184.169,55. Já a Resex do Cuniã, quem tem 55.850 hectares, terá 74.659. A área do Cuniã abriga mais de 37 mil jacarés em seu lago, além de ter o turismo como uma das bases sustentáveis da comunidade.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Rio Negro sobe 12 centímetros por dia em Manaus, informa SGB

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O Rio Negro mantém o ritmo de recuperação em Manaus (AM), com subidas de 12 centímetros (cm) por dia. No dia 10 de deembro, a cota chegou a 15,22 metros, de acordo com o 51º Boletim de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB). 

A marca ainda está abaixo da faixa de normalidade para o período, mas já sinaliza uma resposta do rio às chuvas, explica a pesquisadora Jussara Cury, superintendente Regional de Manaus: “A regularidade das chuvas na região de cabeceira, nos últimos dias, está contribuindo para o processo de enchente dos rios da bacia, que registram subidas diárias maiores”.

Caso as elevações continuem, a previsão é que o rio chegue aos 16 m até a próxima semana e saia do intervalo das cotas mínimas para o período. Essa marca foi definida como crítica, considerando a cota mínima de segurança definida pelas autoridades locais para a Praia de Ponta Negra. As projeção do SGB mostram o tempo necessário para recuperação dos níveis, com base no comportamento do rio nos anos mais críticos da história.

Cenário similar é observado no Rio Solimões. Na estação de Tabatinga (AM), foram registradas elevações de 15 cm por dia. Em Itapéua (AM), a cota sobe, em média, 18 cm diariamente e, em Manacapuru (AM), a elevação é de 15 cm.

O Rio Madeira já registra subidas de 23 cm por dia em Porto Velho (RO) e de 10 cm em Humaitá (AM). Nessa bacia, os níveis voltaram para a faixa da normalidade para a época. 

Os dados atualizados sobre os rios da Bacia do Rio Amazonas podem ser conferidos aqui.

*Com informações do SGB

Primeiro restaurante de comida Huni Kuin inaugurado no Acre preserva cultura e segurança alimentar

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O Restaurante Piti Kuin foi inaugurado no Centro Indígena Huwã Karu Yuxibu. Foto: Maria Fernanda Arival/Sete

Para além da movimentação intensa da capital acreana, no quilômetro 36 da AC-90, conhecida como Transacreana, o Centro Indígena Huwã Karu Yuxibu preparou uma grande celebração para a inauguração do primeiro restaurante de culinária Huni Kuin do Acre.

O restaurante Piti Kuin traz a gastronomia do povo e foi construído em parceria com o Instituto Alok e a empresa Gaslive. O local tem como objetivo atender a gastronomia social e o etnoturismo, promovendo e fortalecendo a identidade cultural e segurança alimentar do povo Huni Kuin em Rio Branco.

O Restaurante Piti Kuin foi inaugurado no Centro Indígena Huwã Karu Yuxibu. Foto: Maria Fernanda Arival/Sete
O líder espiritual Mapu Huni Kuin, que também comemorou seu aniversário durante a inauguração, agradeceu a todos os envolvidos no projeto, como o Instituto Alok, empresa Galive, e instituições como o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), representada pela diretora de Turismo, Sirlânia Venturin, e a Prefeitura de Rio Branco, além de outros órgãos presentes.

A diretora de Turismo da Sete, Sirlânia Venturin, ressaltou que o povo indígena traz muita cultura e história para toda população do Acre e o apoio do governo do Acre, por meio da Sete e outras instituições, em iniciativas que apresentem ainda mais a cultura indígena para o público.

“Nós estamos aqui para comemorar junto com o aniversário do líder espiritual, a abertura desse restaurante para todas as comunidades. O governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo, tem apoiado essa iniciativa com o intuito de fomentar o turismo e o empreendedorismo da cultura indígena e, acima de tudo, resgatar toda essa importância que nós temos dessa história ancestral da comunidade indígena”, explicou.

O Piti Kuin fica dentro do Complexo Campo da Fartura, que tem toda a área de cultivo e de roçado que abrange as plantas nativas, dentre elas 80% são de reflorestamento. Os alimentos do restaurante serão cultivados dentro do Campo da Fatura e atenderão as crianças, idosos e gestantes atendidos pelo projeto social, com a alimentação tradicional Huni Kuin, além de ser aberto ao público para fomento do etnoturismo.

O diretor do Instituto Alok, Devam Bhaskar, que representou também o DJ Alok, lembrou que a inauguração do restaurante é um sonho de quase três anos. “Estamos muito honrados e emocionados com essa inauguração do restaurante Peti Kuin, pois é um sonho que sonhamos junto com o Mapu. Quando ele começou a gravar com o Alok, a gente começou a conversar sobre que projetos faríamos aqui no Centro Huwã Karu Yuxibu, e de lá para cá, a gente tem vindo com esse projeto. Temos projetos de agrofloresta para começar aqui em janeiro do ano que vem”, disse.

Mapu Huni Kuin também explicou que o Piti Kuin tem como objetivo colocar alimento de qualidade e resgatar as tradições do povo Huni Kuin que está na cidade, principalmente em Rio Branco, centro urbano mais próximo do restaurante.

“Estamos trabalhando bastante para que possamos voltar a colocar o alimento de qualidade na nossa mesa, que vai garantir a nossa saúde, por isso tudo que a gente for comer aqui é o que está em nossa volta, fruto do Campo da Fartura, e o restaurante é um espaço que celebra essa cultura e gastronomia tradicional do nosso povo”, frisou.

Sirlânia Venturin ao lado do líder espiritual Mapu Huni Kuin e o diretor do Instituto Alok, Devam Bhaskar. Foto: Bruno Morais/Sete

Povos Huni Kuin

Segundo os dados sócio-ambientais da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a etnia Huni Kuin está presente em todo o Brasil, com mais de 14 mil pessoas. As estatísticas da Comissão Pró-Indígena de 2019, apontam que 7.202 indígenas moram na cidade de Rio Branco e muitos deles estão à margem da sociedade em situação de vulnerabilidade social.

O projeto da Associação do Centro Indígena Huwã Karu Yuxibu atende 210 indígenas, dentre os 7.202 que vivem em situação de vulnerabilidade, que estão fora das suas terras indígenas e moram na cidade.

Durante o evento de inauguração, a nutricionista responsável pelo restaurante, a professora do curso de Nutrição na Universidade Federal do Acre (Ufac), Eline Oliveira, conhecida como Mukani, fez uma breve apresenção antropológica e nutricional do menu de inauguração. Além disso, Mapu Huni Kuin também fez a apresentação do Complexo Campo da Fartura, onde funciona o restaurante e está toda a plantação dos alimentos usados no restaurante.

No menu da inauguração os pratos disponíveis eram mandioca com amendoim, mandioca com folha, piau muquinhado, tambaqui assado, tambaqui cozido, farofa de banana verde, açaí, mingau de banana com amendoim e suco de fruta da época.

“Os amendoins vem trazendo toda a parte da proteína dos alimentos e as gorduras saudáveis. A folha da mandioca que vem na própria mandioca é rica em cálcio, potássio e flavonoides, que vão prevenir o câncer, fortalecer também a dentição e dá energia também. Nós temos peixe, que além de dar saciedade, tem essa questão da vitalidade dos indígenas de trabalhar e tem gorduras boas, que nosso organismo precisa. Outros pratos, o açaí, que todo mundo consome, riquíssimo também em antioxidantes. Hoje o prato que a gente vai trazer hoje é riquíssimo em flavonoides, antioxidantes, cálcio, potássio, gorduras saudáveis, gorduras boas para o nosso organismo e bastante carboidrato”, explicou Mukani.

*Com informações da Agência Acre

80 anos de Chico Mendes: luta permanece viva

Chico Mendes. Arte: Agência Brasil

Neste 15 de dezembro, Chico Mendes completaria 80 anos, se em 22 de dezembro de 1988, uma semana depois de fazer 44 anos de idade, não tivesse sido assassinado a tiros de escopeta nos fundos da própria casa, em Xapuri, no Acre (AC), município cravado na Amazônia, região onde o sindicalista e ativista transformou a vida de muitas pessoas, que, como ele, nasceram e viveram na e da floresta.

Nascido no mesmo local de sua morte, Francisco Alves Mendes Filho traçou uma trajetória de vida curta e intensa. Com início duro e de poucas oportunidades no Seringal Porto Rico, onde trabalhou desde os 11 anos de idade, em vez de frequentar a escola.

Só viu oportunidade de transformar a própria realidade nos seringais de condições análogas à escravidão. Até castigos físicos sofreu. Aos 16 anos, foi alfabetizado por Euclides Távora, um militante comunista cearense, refugiado político do governo Getúlio Vargas. Com o conhecimento que o letramento lhe possibilitou, Chico Mendes foi muito além, como recorda o amigo e também militante, Gumercindo Rodrigues, o Guma.

“O próprio Chico dizia, eu pensei primeiro que eu estava defendendo a seringueira, depois eu pensei que eu estava defendendo os seringueiros, que estava defendendo a floresta, de repente eu descobri que eu estava defendendo o planeta, estava lutando pelo planeta”, diz.

Uma luta marcada por inúmeros ‘empates’, uma das primeiras ferramentas usadas por Chico Mendes em suas batalhas diante das constantes ameaças de expulsão. A estratégia, criada pelo também seringueiro, Wilson Pinheiro, garantia a proteção da floresta e das seringueiras, de forma pacífica, por meio da reunião da maior quantidade possível de trabalhadores e suas famílias para ‘empatar’ em número e argumento com os desmatadores e, dessa forma, ‘empatar’, no sentido de impedir, o cumprimento da ordem dada pelos latifundiários.

“Essa prática se tornou bastante forte na região de Brasileia (AC) e foi conduzida com bastante maestria pelo Wilson Pinheiro, a primeira grande liderança de trabalhadores rurais, assassinado dia 21 de julho de 1980. Exatamente por causa de sua grande capacidade de mobilização e de resistência, ele fez parte dessa criação do empate lá atrás”, conta Guma.

Resex

Novas ferramentas de mobilização foram sendo construídas por Chico Mendes, como a Aliança dos Povos da Floresta, um movimento social que reuniu extrativistas, indígenas, ribeirinhos e outros povos tradicionais; na década de 1980. A criação do Conselho Nacional dos Seringueiros e do conceito das reservas extrativistas (Resex) foram outras formas de fortalecer a luta do ambientalista na coletividade e no vínculo com os territórios.

Para Ângela, com a ideia de regularização das áreas onde os seringueiros moravam, em um processo onde o cuidado com o ambiente era associado ao modo de vida dos povos tradicionais, Chico Mendes “abre as portas para uma modalidade que permite a presença das pessoas na floresta. E hoje já está mais do que provado que as pessoas, as populações tradicionais, têm uma relação harmoniosa com o seu território, de guardião desse território, de guardião de uma ancestralidade também. Então é uma outra relação”, destaca.

Inspiração

A chegada das escolas nos seringais, por meio do Projeto Seringueiro, com metodologia para adultos baseada nas ideias de Paulo Freire, também teve, na sua origem, a experiência de alfabetização tardia vivida por Chico Mendes. A iniciativa implantada por universitários liderados pela antropóloga e amiga do ambientalista, Mary Allegretti, ganhou fôlego e resistência com o apoio do Centro de Trabalhadores da Amazônia, organização social estruturada no cooperativismo e que teve, também, participação do líder seringueiro.

Solidariedade

Segundo Ângela, aqueles que conviveram com Chico Mendes o consideram vivo através das ideias que ele deixou e que continuam inspirando iniciativas de proteção às florestas e de quem vive nela. E foram muitas pessoas, diz a filha do ambientalista. “Ele era uma pessoa intensamente carismática e que inspirava a confiança dos seus companheiros, o quanto ele era fraterno”.

A filha recorda que, em uma visita que fez ao pai, encontrou todas as roupas da casa e do seringueiro no chão, até o único terno que tinha, que usou aos ser condecorado, em Nova York, com a Medalha da Sociedade para um Mundo Melhor.

“Eu estranhei aquilo e perguntei, e ele falou que teve uma assembleia no sindicato, nem todo mundo conseguiu ficar lá alojado, e alguns companheiros foram dormir na casa dele. Ele botou tudo que ele tinha no chão para que as pessoas não passassem frio”, disse Ângela.

Futuro

Para o amigo Guma, a Amazônia e todo o planeta pagam um preço alto pela partida precoce de Chico Mendes. “Nós tínhamos um porta-voz que era extremamente eficiente, tranquilo, conversava com todo mundo, mas era extremamente firme nas suas posições. Eu acho que ele teria conseguido aglutinar muito mais gente nessa resistência”, afirma.

Guma, o agrônomo que virou advogado para apoiar os povos da floresta, entende que é necessário avançar na forma como se pensa o desenvolvimento na Amazônia e, para isso, a melhor resposta está no modo de vida tradicional, que sempre precisou da floresta em pé. Ele diz que o Brasil precisa atingir o desmatamento zero em todos os biomas e, para isso, é necessário punir de forma mais efetiva quem desmata e causa queimadas.

“Eu acho que não é cadeia que resolve. Eu acho que, a responsabilização civil, a obrigação de reparar o dano, é a melhor punição. Desmatou mil hectares, tem que plantar dois mil hectares de florestas nativas, de espécies nativas, não de monocultura de eucalipto, que é de deserto verde”, ressalta.

Ângela complementa que também é preciso cuidar do futuro, para que tudo que Chico Mendes construiu, permaneça vivo.

*Com informações da Agência Brasil

Science publica artigo assinado por cientistas indígenas do Alto Rio Negro, no Amazonas

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Foto: Janailton Falcão/FAS

A revista norte-americana Science publicou no dia 12 de dezembro um artigo assinado por cientistas indígenas da Região do Alto Rio Negro, no Amazonas. O texto, intitulado ‘Indigenizando a ciência da conservação para uma Amazônia sustentável’ é assassinado por cientistas dos povos Tukuya, Tukano, Bará, Baniwa e Sateré-Mawé, além de pesquisadores não indígenas.

O trabalho, assinado por Carolina Levis, Justino Rezende, João Paulo Barreto, Silvio Barreto, Francy Baniwa, Clarinda Sateré-Mawé, Fábio Zuker, Ane Alencar, Miqueias Mugge, Rodrigo Moraes, Agustín Fontes, Marina Hirota, Carolos Fausto e João Biehl, fala sobre o conhecimento dos indígenas da Região do Alto Rio Negro e como isso pode impactar na ciência e também na conservação da biodiversidade da Amazônia.

A pesquisa também fala sobre a importância da Amazônia como um campo de promoção do diálogo entre as ciências ocidentais e indígenas.

“A Amazônia armazena entre 150 e 200 bilhões de toneladas de carbono em seu solo e vegetação e abriga mais de 410 grupos étnicos indígenas distintos que detêm direitos territoriais sobre 27% da região”, completa o estudo.

“Esses povos diversos desenvolveram um profundo conhecimento ecológico da dinâmica florestal e contribuíram para ecologias florestais sustentáveis ​​por mais de 12.000 anos. A rede existente de territórios indígenas reflete a resiliência dos povos indígenas sobreviventes após séculos de genocídio e epistemicídio”, explica.

Por fim, os pesquisadores também abordam as práticas realizadas pelos indígenas do Alto Rio Negro “para estabilizar o mundo e garantir que ele permaneça o mais equilibrado possível”.

Operação ‘Protetor dos Biomas’ gastou R$ 12 milhões para combater focos de incêndio no Acre

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Foto: Jardel Angelim/Rede Amazônica AC

Mais de 8 mil focos de calor foram atendidos pelas forças integradas da Segurança durante a operação ‘Protetor de Biomas Fogo Controlado‘ em todo o Acre. Os dados foram divulgados durante entrevista coletiva no dia 13 de dezembro em Rio Branco.

De acordo com os números, foram investidos R$ 12 milhões com viaturas, equipamentos, combustíveis e pessoal, sendo 50% da verba disponibilizada pelo Ministério da Justiça e 50% pelo Governo do Acre.

A operação foi encabeçada pelo Corpo de Bombeiros e cerca de 486 militares atuaram nas duas fases, que ocorreram em maio, com a preparação e formação de brigadas, e junho, no período mais crítico. Veja os números abaixo:

-Focos de calor atendidos: 8.500

-Militares que atuaram: 486

-Atendimentos de ocorrências: 7.600

-Animais resgatados: 477

-Animais feridos ou mortos que conseguiram detectar: 53

O coordenador da operação, capitão Francisco Carlos Freitas Filho, o ano de 2024 foi desafiador, principalmente por conta das mudanças climáticas. O comandante operacional do interior citou uma recente pesquisa divulgada pelo centro europeu Copernicus, que definiu 2024 como o ano mais quente já visto na Terra.

Queimadas

De acordo com os dados do Corpo de Bombeiros, o número de focos de calor em relação ao ano passado aumentou em 32%, e o número de atendimentos foi 65% maior.

Incêndio atinge área de 60 hectares por fogo no AC — Foto: Asscom/CBMAC
Foto: Asscom/CBMAC

Além disto, a estiagem das chuvas em 2024 começou no mês de maio, o que ocorre geralmente em agosto. Ou seja, nesse ano iniciou antes do previsto.

Bombeiros dão banho em anta durante contenção de incêndio em zona rural do Acre;  o secretário de Segurança Pública coronel José Américo de Souza Gaia, disse que essa foi uma operação integrada, onde todas as forças de segurança atuaram juntas.

Historicamente, o mês de novembro costuma dar sequência à redução das queimadas no estado registrada a partir de outubro. Em 2023, o número saiu de 1.675 em outubro para os 160 focos registrados. Em dezembro, o número voltou a cair e ficou em 30, até o último dia 12.

*Por Jardel Angelim e Hellen Monteiro, da Rede Amazônica AC

Belém é primeira capital do país a participar do Ciclo de Fóruns Regionais sobre inclusão da cultura oceânica em currículos escolares

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Foto: Divulgação

Com foco em promover o Currículo Azul na Região Norte, a Universidade Federal do Pará (UFPA) recebeu o Fórum da Cultura Oceânica, um espaço estratégico de diálogo sobre a integração da Cultura Oceânica nas políticas públicas educacionais. Este conceito, que conecta o oceano à cidadania, formações profissionais e sustentabilidade, é essencial para preparar nossa sociedade frente aos desafios climáticos e ambientais do presente e do futuro.

A programação representa o início de um processo nacional de discussão de como fortalecer e ampliar a inclusão da cultura oceânica nos currículos escolares do Brasil, nos níveis municipal, estadual e federal.

De acordo com o professor Ronaldo Christofoletti, presidente do Grupo Mundial de Especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, a ideia é propor subsídios para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) com base nas contribuições geradas nos encontros, que acontecerão em todas as regiões do país.

O fórum é destinado à elaboração de políticas públicas educacionais, mediante o envolvimento de professores, gestores da área da educação e estudantes, reunindo contribuições e opiniões sobre a forma como esse tema da realidade oceânica deve ser incluído nos currículos escolares.

Segundo Christofoletti, a implementação do Currículo Azul é uma meta estabelecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para todos os países membros iniciarem suas propostas até 2025. Até o momento, em torno de 20 municípios brasileiros e três estados já aderiram a essas políticas públicas (Paraíba, Ceará e Alagoas), sendo Barcarena, no Pará, o primeiro município no mundo a ter 100% de suas escolas públicas municipais na rede Escola Azul.

O fórum é promovido pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, coordenada pelo Programa Maré de Ciência, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O evento tem o apoio nacional da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), da Rede Clima, do Impo (Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas), da Fundação Grupo Boticário, do Pulitzer Center e do CNPq, e, em Belém, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Especialização em Cultura Oceânica e Sustentabilidade

A Capes ofertará, via Universidade Aberta do Brasil (UAB), um curso de Especialização em Cultura Oceânica e Sustentabilidade. Serão abertas 1.050 vagas para professores graduados das redes públicas de educação básica atuantes em salas de aula nos ensinos fundamental e médio. A carga horária total será de 360 horas, distribuídas ao longo de três semestres, com início na segunda metade de 2025.

As ofertas dos cursos serão distribuídas em sete Instituições de Ensino Superior de quatro regiões do Brasil, com oferta de 150 vagas em cada um dos cinco polos. Entre as instituições participantes, constam as Universidades Federais do Pará (UFPA), de Alagoas (Ufal), de Pernambuco (UFPE), do Rio Grande (Furg), de Santa Catarina (UFSC) e de São Paulo (Unifesp), além da Estadual do Ceará (UECE). São parceiros, ainda, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

O curso está incluído em uma das quatro dimensões de ações previstas para o enfrentamento às mudanças climáticas pelo aperfeiçoamento do conhecimento das relações das pessoas com o oceano: a Educação. Atuar na educação de base é assegurar que, desde crianças, as pessoas estejam cientes de sua relação com o oceano. As outras se darão em múltiplos sistemas de conhecimento, comunicação e conexões culturais.

“É preciso olhar o oceano que temos, entender a ciência que precisamos para termos o oceano que queremos”, afirmou o presidente do Grupo de Especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, Ronaldo Christofoletti. “A Capes, ao propor um curso de formação de professores na cultura oceânica, entende seu papel nessa estrutura”, continuou Christofoletti, que também é coordenador do Programa Maré de Ciência, da Unifesp.

Na edição piloto, o objetivo principal será formar professoras(es) e aprofundar os conceitos relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e à ciência oceânica na formação continuada deles. A consequência esperada é o aperfeiçoamento do trabalho em sala de aula e na comunidade escolar, com incorporação dos conteúdos às práticas pedagógicas.

*Com informações da UFPA

Painel em congresso debate soluções para a gestão ambiental da zona costeira paraense

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Foto: Reprodução/Agência Pará

A gestão ambiental da zona costeira paraense foi um dos temas em debate no 1º Congresso Amazônico de Meio Ambiente, realizado no último dia 11 em Belém, pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). Durante o painel ‘Desenvolvimento Local e Sustentabilidade da zona costeira paraense: um diálogo necessário’, representantes de comunidades, do poder público, da academia e do terceiro setor discutiram soluções inovadoras e tradicionais para a defesa deste ecossistema. 

Maura de Sousa, gerente sênior de Implementação de Programas da Rare Brasil, destacou a importância ambiental das zonas costeiras.

Legislação para gerenciamento costeiro

Este ano, o governador Helder Barbalho sancionou o Decreto nº 3.835/2024, que regulamenta a Lei Estadual nº 9.064, que em 2020 instituiu a Política Estadual de Gerenciamento Costeiro do Pará (PEGC/PA). Dono do segundo maior litoral do Brasil (1.429,57 quilômetros de linha de costa), considerando apenas os municípios de frente para o Oceano Atlântico, o Pará tem a gestão sustentável desses territórios exercida pela Semas.

A Política estabelece a abrangência geográfica da zona costeira paraense com 47 municípios, onde vivem aproximadamente 40% da população do Estado, em um contexto social de comunidades tradicionais, populações extrativistas, da pesca artesanal, dos centros urbanos da Região Metropolitana de Belém e destinos turísticos importantes para o Estado.

“Dentro da Rare, buscamos um desenvolvimento sustentável para a zona costeira, trabalhando junto com a Semas, comunidades, academia e setor privado. As comunidades costeiras precisam ser valorizadas, não apenas pelo papel que exercem, mas também pelo modo de vida que preservam. Até hoje, temos comunidades costeiras resilientes e devemos apoiar o modo como vivem para garantir sua prosperidade”, garante Maura de Sousa.

Foto: Reprodução/Agência Pará

Brasil tem Brasil tem cerca de 100 mil hectares de zonas costeiras

Os ecossistemas de surf ao redor do mundo conseguem reter carbono, gerar biodiversidade e criar economias sustentáveis. Em picos de surfe de países como a Indonésia, os conselhos de comunidades locais, compostos por pessoas envolvidas com o esporte e a conservação, buscam estratégias de longo prazo para a proteção dessas áreas. O turismo regenerativo é uma oportunidade importante para a conservação das zonas costeiras”, diz a diretora.

José Galvão, produtor de ostras da Vila Lauro Sodré, no município de Curuçá, vive na prática a conservação da zona costeira. Ele representou no painel a Associação de Aquicultores de sua comunidade, que conta com 50 ostreicultores, homens e mulheres conduzindo as atividades de maneira ancestral, trabalhando da mesma forma como faziam seus avós e bisavós. A principal atividade econômica da comunidade é a produção de ostras, utilizando viveiros tradicionais, de forma sustentável. Ele apresentou o projeto Aquavilla, que atua na preservação dos recursos pesqueiros da região.

Banco natural de ostras em Curuçá

O produtor José Galvão, de Curuçá, afirmou: “nós retiramos as matrizes e cada uma gera um milhão de sementes de ostras, que saem para várias associações do Pará. Até hoje não foi descoberto um banco natural como esse. A gente trabalha lá, toda a família faz esse trabalho lá nesse rancho. Esse é o nosso banco natural onde a gente trabalha e preserva junto com a nossa família. Este projeto está sendo abraçado com força e garra. Nós esperamos este projeto por anos e anos, é um sonho nosso”.

“O projeto da Aquavilla está diretamente relacionado à política estadual de mudanças climáticas, à política de gerenciamento costeiro, ao programa de regularização fundiária e à valorização dos saberes tradicionais. A associação tem um impacto positivo na gestão ambiental e está integrada a diversas políticas públicas e programas que buscam promover a sustentabilidade. A associação protege os recursos naturais e garante a preservação do processo reprodutivo das ostras”, destaca Carla Lopes, Técnica em Gestão de Meio Ambiente da Gerência de Gerenciamento Costeiro e Zoneamento Ambiental (GERCOZ) da Semas.

“Em 30 anos de pesquisa, vimos que a ciência tem um papel fundamental na construção de políticas públicas na Amazônia. A produção científica é essencial para fundamentar boas políticas públicas”, garante o professor Otávio do Canto, do Núcleo de Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará (NUMA/UFPA). “Fico contente com os trabalhos apresentados, pois percebo que estamos caminhando na direção correta, com foco na melhoria da qualidade de vida das pessoas. A inovação e o empoderamento social, impulsionados pela ciência, podem contribuir significativamente para o desenvolvimento sustentável”, declara o professor.

*Com informações da Semas-PA

Projeto vai usar ‘assinatura química’ e DNA de árvores para rastrear madeira no Amapá

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Pesquisa da USP e da Ueap na Floresta Nacional do Amapá (Flona). Foto: Divulgação/INCT MRFor

Uma pesquisa inédita no Amapá vai usar o DNA e a assinatura química de árvores para fazer o mapeamento genético de espécie de madeira da Amazônia. A partir dessa identificação, a madeira retirada em florestas da região poderá ser identificada em qualquer parte do país, como em fiscalizações, por exemplo.

O objetivo é evitar desmatamentos e o transporte ilegal. O projeto é coordenado pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) e tem parceria com universidades amazônicas, como a do Estado do Amapá (Ueap).

A coleta inicial no estado ocorreu na primeira semana de dezembro, na Floresta Nacional do Amapá (Flona), que é uma unidade de conservação federal e que tem concessão para manejo florestal. Foram coletadas folhas e troncos de espécies como cumaru, maçaranduba, angelim, cupiúba, ipê amarelo e ipê roxo.

De acordo com Perseu Aparício, pesquisador da Ueap e coordenador do Grupo de Pesquisa e Ecologia de Ecossistemas Amazônicos, após as análises será possível identificar o padrão de origem dessas espécies.

Floresta Nacional do Amapá — Foto: INCT/Divulgação
 Foto: Divulgação / INCT

Também foram feitas coletas de amostras a partir da perfuração de árvores dentro da área de manejo florestal de uma das concessionárias da Flona.

Para Ana Batista, doutoranda no Cena, com os dados será possível a criação de um perfil para produtos madeireiros da Amazônia.

A pesquisadora informou que a Flona é uma área importante para a construção do perfil isotópico para a região, devido a suas características climáticas e de relevo.

Na Amazônia, a metologia já foi usada em outros estados, como destacou a professora Marta Scott, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

“Estou compondo a equipe de coleta de madeira para o projeto. No ano passado, no INPA, nós discutimos a definição de um protocolo de coleta para que seja implementado nos estados da região amazônica. No início do mês de novembro, nós fizemos a primeira coleta na Floresta Nacional do Jamari e agora estamos replicando a metodologia aqui no Amapá”, informou.

Importância do mapeamento genético

A pesquisadora do Cena, Gabriele Rossini Moreira, descreveu que o objetivo é usar o mosaico da composição de solos presentes na região amazônica para identificar de forma precisa a origem da madeira.

Segundo Gabriele Moreira, atualmente, a identificação dessas amostras é feita com base em documentos físicos que são fáceis de serem adulterados. A ideia é utilizar essas características da madeira para dizer, de fato, de onde essa madeira veio, utilizando uma característica que não pode ser adulterada.

Árvore na Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

A ideia ao fim do projeto é consolidar um banco de dados robusto. Para isso, os pesquisadores buscam conseguir o maior número possível de amostras de diferentes regiões dentro da Floresta Amazônica.

Gabriele destacou que a União Europeia e países como os Estados Unidos estão “fechando o cerco” e exigindo certificações de origem para importação de commodities como a soja e carne. “Para a madeira, a gente acredita que isso vai acontecer muito em breve, já que as pressões relacionadas ao cuidado com o meio ambiente estão cada vez maiores”.

Ela destacou ainda que no atual contexto de emergência climática, é de grande importância que estudos como esse sejam desenvolvidos e que parcerias sejam constituídas entre universidades, institutos de pesquisas e empresas privadas para que a ferramenta possa chegar até os órgãos de fiscalização.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Filme reúne respostas de indígenas sobre como recuperar a floresta

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Foto: Fabrício Marinho/Platô Filmes/ISA

“Para começar a fazer um bom diálogo, começaria no setor de Educação, dentro das escolas”, responde a liderança Maurício Ye’kwana à pergunta  “como a floresta vai se recuperar?”, que conduz o filme do V Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana lançado no dia 11 de dezembro, no Youtube do Instituto Socioambiental (ISA).

Com relatos de lideranças e entrevistas com a presidenta da Funai, Joenia Wapichana, e do chefe da Casa de Governo, Nilton Tubino, o minidoc de 13 minutos conta ainda com imagens inéditas de um sobrevoo feito em outubro sobre as regiões mais afetadas pelo garimpo ilegal, como Alto Rio Catrimani, Rio Couto Magalhães, Xitei e Rio Parima.

Assista ao filme:

Vídeo: Reprodução/ Youtube – Instituto Socioambiental (ISA)

A reunião ocorreu após as cicatrizes deixadas pela gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022), descrita como um período de “pesadelo para os povos indígenas” por Maurício, e um ano e oito meses após presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretar uma ação emergencial para retirar invasores e estruturar a Saúde na Terra Indígena Yanomami.

O V Fórum de Lideranças Yanomami ocorreu de 23 a 27 de setembro na comunidade Fuduuwaaduinha, em Auaris, onde vivem os Ye’kwana. O evento reuniu lideranças de todas as regiões da Terra Indígena Yanomami e contou com a presença de representantes do governo federal para prestar contas aos indígenas sobre as ações no território.

Indígenas Yanomamis de diversas idades aparecem sentados durante o V Fórum que reuniu lideranças de todas as regiões
Foto: Fabrício Marinho/Platô Filmes/ISA

Nilton Tubino mostrou resultados de prejuízos ao garimpo que já havia atingido o valor de R$209 milhões. Tubino afirma que operações e sobrevoos noturnos continuarão sendo feitos para combater a invasão do território e expulsar os garimpeiros insistentes.

“Na parte da saúde, que era o nosso compromisso quando a gente chegou, tinha sete unidades de saúde fechadas e hoje todas estão funcionando. A nossa estratégia a partir de agora é fazer um pente fino no território, repassando por todas as áreas que historicamente tiveram garimpo para fazer um levantamento”, afirmou Tubino.

Davi Kopenawa e Dário Kopenawa, pai e filho e representantes da Hutukara Associação Yanomami (HAY), também deram depoimentos para o filme. Davi foi enfático ao dizer que os Yanomami desejam continuar no caminho que Omama construiu para o seu povo, enquanto Dário alertou para a necessidade de respeitar a natureza.

Dário Vitório Kopenawa Yanomami, Vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), dando depoimento para comunicadores durante o V Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana
Foto: Fabrício Marinho/Platô Filmes/ISA

Como a comunidade Fuduuwaaduinha fica a cerca de 10km da Venezuela, indígenas Yanomami e Ye’kwana do país vizinho puderam participar do evento. Desde 2008, o governo venezuelano não demarca terras indígenas. Além disso, os Ye’kwana relatam forte presença de garimpeiros e pescadores nas terras indígenas.

O filme, assim como a carta final do V Fórum, é assinado pelas nove associações da Terra Indígena Yanomami. A HAY e o ISA são os responsáveis pela realização do minidoc, que teve produção da Platô Filmes.

Thiago Briglia assina a produção executiva, enquanto a produção é de Fabrício Araújo, que também assina o roteiro junto com Yare Perdomo. O filme tem imagens e direção de fotografia de Lucas Silva, assistência de fotografia de Fabrício Marinho e edição de Yare Perdomo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental (ISA)