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Abaetetuba, no Pará, já confirmou 276 casos de Doença de Chagas em 2025

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Foto: Divulgação/Fiocruz

De janeiro a abril deste ano, o serviço especializado em Doenças de Chagas de Abaetetuba, no Pará, já confirmou 276 casos da forma crônica da doença, aquela que não apresenta sintomas imediatos. Outros 272 casos estão em investigação.

Leia também: Mudanças climáticas podem ampliar área de risco da Doença de Chagas na Amazônia

Profissionais de saúde apontam a ligação direta entre o clima, o desmatamento e a exposição da população aos barbeiros, vetores da doença. Fagner Carvalho é médico com especialização em infectologia, professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Abaetetuba e coordenador do serviço especializado em Doença de Chagas no município. Ele comenta a situação.

“Porque a Doença de Chagas é causada por um parasita, transmitida principalmente pelo barbeiro, que é um inseto que vive nas áreas silvestres, mas pode se aproximar das casas, especialmente quando o ambiente natural que ele vive ele é derrubado. E as mudanças climáticas, o aumento da temperatura, o desmatamento e alterações, com o clima da chuva, faz com que esses insetos se espalhem mais facilmente para os locais onde antes não tinham áreas para sobreviver, as áreas urbanas. Então, a gente tá tendo um aumento muito grande do parasita convivendo em área urbana. Além disso, as enchentes, as queimadas, elas desorganizam todo o ambiente”.

Além do aumento de vetores, o consumo de alimentos contaminados como açaí mal higienizado também contribui para a transmissão da doença.

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De acordo com o médico infectologista Fagner Carvalho, a maioria dos casos registrados na Amazônia atualmente tem origem nesse tipo de contaminação, agravada pelo modo de produção em áreas ambientalmente fragilizadas. Ele comenta as ações de combate do vetor.

“Em casos relacionados há um aumento do consumo de açaí que é associado à transmissão oral. Mas vale lembrar que nem sempre é só a transmissão oral que vai fazer a transmissão do parasita. E como é que a gente trabalha aqui no município? Abaetetuba, depois do projeto Integra Chagas, está em andamento, um projeto coordenado pela Fiocruz do Rio de Janeiro, onde foi feito a testagem rápida dos pacientes para Doença de Chagas crônicas, observou um aumento muito grande dos pacientes que positivaram, mesmo estando sem sintomas. E, através disso, a secretaria criou um serviço de Doença de Chagas dentro do SUS, no município de Abaetetuba e um serviço que vai integrar três principais grandes áreas. Primeiro, nós atendemos os pacientes que são diagnosticados, confirmados, acompanhando os exames desses pacientes com eletrocardiograma; depois nós trabalhamos junto com a atenção básica, apoiando os profissionais médicos que estão na atenção básica, ajudando o diagnóstico, capacitando esses profissionais; e também a gente atua junto com a vigilância epidemiológica para investigar os casos onde há surto de doença de chagas agudas, principalmente nas zonas rurais, nas zonas ribeirinhas”.

Para discutir os impactos das mudanças climáticas na saúde da população amazônica, especialistas, jornalistas e representantes da sociedade civil se reuniram este mês em Belém no evento Saúde e Clima na Amazônia: histórias reais, soluções urgentes. A proposta foi construir soluções que promovam a união entre saúde pública, segurança alimentar e preservação ambiental.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

A fé em São João que deu vida aos bois Caprichoso e Garantido em Parintins

Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins, também abriga a imagem de São João Batista. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Muito antes de encantarem multidões no Bumbódromo de Parintins e se tornarem ícones da cultura popular brasileira, os bois Caprichoso e Garantido nasceram movidos por fé e promessas feitas a São João Batista — o segundo dos três santos juninos, ao lado de Santo Antônio e São Pedro.

Há 58 anos, esses dois bois realizam o maior espetáculo folclórico a céu aberto do Brasil: o Festival Folclórico de Parintins, que neste ano acontecerá nos dias 27, 28 e 29 de junho, reunindo milhares de pessoas no município amazonense em celebração à cultura e às tradições amazônicas.

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Foi no ano de 1913 que a história começou a ser escrita. Em lados opostos da ilha, os dois bois surgiram quase simultaneamente, ambos ligados à religiosidade popular e à devoção que marca o mês de junho na região amazônica.

Leia também: Zeca Xibelão e Lindolfo Monteverde: os nomes por trás dos currais dos bois Caprichoso e Garantido

A origem do Garantido ❤️

Na Baixa do São José, o vermelho do Garantido começou a pulsar com força quando Lindolfo Monteverde, seu criador, enfrentou uma grave doença.

Movido pela fé, ele fez uma promessa a São João Batista: se fosse curado, construiria um boi para alegrar o povo nas festas do santo. A cura veio, a promessa foi cumprida — e assim nasceu o Boi Garantido, com seu coração vermelho vibrando a cada batida de tambor e cada toada.

​”Minha vó, a dona Alexandrina, conhecida como Xanda, não sabia mais o que fazer e pediu para o meu pai fazer essa promessa para ficar curado. Três dias depois o milagre aconteceu”, contou a filha de Lindolfo, Maria do Carmo Monteverde.

Maria do Carmo Monteverde, guardiã da memória e das histórias do Boi Garantido. Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

Desde então, o Garantido carrega não só o brilho do folclore, mas também o peso simbólico de uma fé que se renova a cada junho. No dia 24, data dedicada a São João Batista, a comunidade da Baixa mantém viva uma das tradições mais comoventes da festa: a ladainha ao santo, entoada com velas, fé e emoção diante da fogueira acesa.

É nesse clima sagrado que os brincantes aguardam, na madrugada, o cortejo do boi pelas ruas, numa celebração que mistura religiosidade, memória e resistência cultural.

“A ladainha é uma tradição trazida pelo meu pai. Quando ele ficou curado prometeu para São João fazer essa homenagem e antigamente vinham as famílias da Baixa para a oração e depois o Boi Garantido saía pelas casas e visitava as casas. Até hoje fazemos isso”, concluiu Maria do Carmo Monteverde.

A promessa do Caprichoso ⭐

No mesmo ano, do outro lado da cidade, em uma área conhecida como Urubuzal, no então chamado “Reduto do Esconde”, outra promessa a São João dava origem a um boi.

Os irmãos Roque, Antônio e Beatriz Cid, vindos do Crato, no Ceará, sonhavam com dias melhores na Amazônia. Em Manaus, Roque se encantou com um boi chamado Caprichoso que viu na Praça 14 de Janeiro. A imagem e a alegria daquele boi não lhe saíram da cabeça.

Ao chegar a Parintins, e sem que ainda tivessem prosperado na nova terra, os irmãos decidiram que retornariam às origens. Mas antes, como um último gesto de fé, prometeram a São João Batista que, se conseguissem se estabelecer, criariam um boi como aquele que tanto os encantou.

“O Roque sempre foi um apaixonado pela cultura popular. Ele prometeu que se ele e a família conseguissem se estabelecer, eles iam criar um boi para homenagear São João, e conseguiram. Hoje tá aí o Caprichoso, que é o nosso arauto da cultura”, contou Karina Cid, uma das descendentes de Roque Cid.

Promessas feitas a São João Batista deram origem a dois dos maiores ícones da cultura amazônica. Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

No dia 20 de outubro de 1913, a promessa foi cumprida: nasceu o Boi Caprichoso, construído com as próprias mãos e muita devoção no local onde hoje fica a Travessa Sá Peixoto.

“Hoje o Caprichoso não é mais da família Cid. Ele é do povo. Nasceu aqui, mas ganhou o mundo e tudo isso como uma promessa para São João”, declarou.

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Fé que pulsa no ritmo dos tambores

Mais de um século depois, a fé que deu origem aos bois continua viva nas manifestações culturais e religiosas do povo de Parintins. Caprichoso e Garantido não são apenas símbolos folclóricos — são frutos da fé popular, das promessas cumpridas e do poder transformador das tradições juninas.

Em cada ladainha, em cada Boi de Rua, em cada fogueira acesa, em cada promessa renovada no coração dos brincantes, está presente a essência que fez nascer esses dois gigantes da cultura amazônica: a fé em São João Batista, o santo padroeiro dos bois de Parintins.

*Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Saiba como se inscrever para visita guiada ao Bumbódromo no Festival de Parintins

Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

O palco do tradicional duelo entre os bois Caprichoso e Garantido, o Bumbódromo, estará aberto para visitação ao público durante o 58º Festival Folclórico de Parintins 2025. A iniciativa do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, ocorrerá entre os dias 25 e 29 de junho, com agendamento prévio e vagas limitadas.

Leia também: Fachada do Bumbódromo de Parintins ganha mais cores e vida há quatro anos; conheça as pinturas

O link para agendamento será aberto no dia anterior de cada visitação, sendo fechado após o preenchimento das vagas e reabrindo no dia seguinte, sempre às 9h.

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Os interessados poderão realizar o agendamento a partir desta terça-feira (24/06), no Portal Cultura do AM. A visitação será dividida em grupos de 40 pessoas cada, nos horários das 9h às 9h40; 9h40 às 10h20; 10h20 às 11h; e 11h às 11h40. 

Além de conhecer o Bumbódromo, o público também será contemplado com a apresentação teatral ‘Parintins, Folclore em Festa!’, com os alunos do Núcleo de Teatro do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro de Parintins. A encenação será realizada no hall do centro cultural, integrando o roteiro de visitação.

Leia também: Bumbódromo: conheça a arena que sedia a disputa dos bumbás Garantido e Caprichoso no Amazonas

Os visitantes também vão poder conhecer:

  • o hall de de entrada, onde acontece a exposição 60 anos Festival de Parintins e estandes dos bumbás Caprichoso e Garantido; ⁠
  • Camarote Tapiri (sétimo andar), vista aérea da Arena do Bumbódromo;
  • corredores internos do Bumbódromo, acesso às salas de produção, camarins dos itens individuais, e salas de atendimento ao elenco dos bumbás;
  • Arena do Bumbódromo, visualização e identificação dos lados azul e vermelho e posicionamento de jurados;
  • e área externa (frente do Bumbódromo) – arte em relevo de paisagens de contos, lendas e cotidiano ribeirinho esculpidos no muro do prédio feitas por artistas da Associação dos Artistas plásticos de Parintins (AAPP).

De acordo com o diretor-geral do Circuito da Cultura 2025, Tiago Rocha, para agendar a visita, é necessário que o turista preencha um formulário com nome completo, CPF, data de nascimento e dependentes. São esperadas 160 pessoas por dia durante o período de visitação.

“Para cada horário serão disponibilizadas 40 vagas, todos assistem o espetáculo e em seguida serão divididas em quatro grupos de 10 pessoas para seguir o roteiro”, explicou o diretor-geral do Circuito da Cultura 2025, Tiago Rocha.

Também responsável pela direção e roteiro da peça teatral, Tiago Rocha destaca que a experiência proporciona uma imersão cultural, aproximando turistas e torcedores da magia que envolve o maior festival folclórico do Norte do país.

*Com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Verão Amazônico: Orquestra Villa-Lobos de Porto Velho emociona público com repertório que mistura cinema, pop e música brasileira

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Orquestra Villa-Lobos de Porto Velho se apresentou neste sábado (21) no Teatro Palácio das Artes. Foto: Divulgação

A noite de sábado (21) foi marcada pela temporada 2025 do Concerto Verão Amazônico, da Orquestra Villa Lobos de Porto Velho. A apresentação foi realizada no Teatro Estadual Palácio das Artes, na capital de Rondônia, e lotou o auditório, levando ao público uma mistura cultural de música erudita e popular.

O repertório trouxe sucessos que atravessam gerações e estilos: de trilhas de filmes como O Rei Leão e Indiana Jones, passando por Beatles, Queen e A-ha, até chegar aos clássicos brasileiros de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Dominguinhos e Luiz Gonzaga.

Para o maestro Marcelo Yamazaki, a apresentação é fruto de anos de dedicação e estudos da turma que compõe a escola de música.

“Não é fácil fazer música erudita em Porto Velho. Tem momentos que dá vontade de desistir. Mas, só de ver os frutos desse trabalho, ver essas crianças que iniciaram como alunos do instituto e hoje estão tocando na Orquestra Villa-Lobos, ver as pessoas gostando e aplaudindo tanto, é muita emoção”, destacou.

Diversidade de pessoas e gostos musicais representados no concerto Verão Amazônico. Foto: Divulgação

Marina Prestes Carvalho, produtora cultural e uma das responsáveis pelo projeto, celebrou o sucesso que a orquestra tem gerado na cena musical local.

“Fazer parte dessa história, pra mim, que sou da terra, é motivo de muita gratidão. A gente trouxe a música orquestral para Porto Velho e é emocionante ver esse sonho se realizando”, afirmou.

Na plateia, quem assistia também se emocionou. A enfermeira Jaciara Aguiar contou que assistir ao filho, músico da orquestra, foi um momento inesquecível para a família.

“Foi uma experiência única. Na nossa casa, todos nós somos envolvidos com a música e o nosso filho toca na orquestra. Então, nos sentimos emocionados vendo que ele está percorrendo esse caminho da música, que é algo cultural e enriquecedor para o conhecimento dele”, disse.

Entre os músicos da orquestra, o sentimento era de alegria e orgulho por fazer parte de algo tão significativo.

“A música é uma ferramenta muito forte para conectar não só com as pessoas, mas com a alma delas e trazer um pouco de alegria e cor para o nosso mundo”, comentou o músico Caio Abrantes.

Para Davi Salomão, músico da orquestra, cada apresentação é uma oportunidade de aprendizado e emoção. “Fazer parte da orquestra me deixa emocionado, porque é algo que vai ficar marcado para o resto da minha vida como músico. Eu consigo adquirir grandes experiências com isso”, disse.

A violinista Linda Félix destacou que, mesmo com a experiência de outras apresentações, o momento no palco continua sendo especial a cada nova performance. “Todas as vezes eu me emociono vendo que tanta gente gosta do nosso trabalho”, relatou.

Desmatamento na Amazônia ajuda a provocar casos de oropouche em outras regiões

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Foto: Divulgação/Fiocruz

Dois estudos recentes, ambos com colaboração de pesquisadores da Fiocruz, revelam como o vírus oropouche, historicamente associado à Amazônia, chegou ao Sudeste do Brasil. Os artigos detalham a introdução do arbovírus no Espírito Santo e no Rio de Janeiro desde o início de 2024. Fatores como desmatamento e mudanças climáticas são apontados como propulsores da circulação do patógeno, que, segundo análises genômicas, originou novas sublinhagens fora da Amazônia.

Transmitido principalmente pelo maruim (Culicoides paraensis), o oropouche provoca sintomas semelhantes aos da dengue e da chikungunya, como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre maruins e mucuins?

“A nova linhagem do oropouche chegou ao Sudeste no início de 2024 e, em dois meses, já havia muitos casos. O vírus encontrou um nicho ecológico favorável e se espalhou rapidamente, criando ainda outras sublinhagens”, explica o chefe do Laboratório de Arbovírus e Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coautor dos dois estudos, Felipe Naveca.

As investigações contaram com a participação de profissionais da Fiocruz Amazônia, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e de outras instituições de pesquisa.

Dispersão acelerada no Espírito Santo

No Espírito Santo, o artigo ‘Emergência do Vírus Oropouche no Estado do Espírito Santo, Brasil, 2024’, publicado na revista Emerging Infectious Diseases, analisou 339 casos confirmados de oropouche notificados entre março e junho de 2024. Os pesquisadores se basearam em dados de vigilância epidemiológica coletados pelo Ministério da Saúde, por meio dos sistemas e-SUS Notifica e Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL).

Distribuídas em 17 municípios capixabas, a maioria das ocorrências foi observada em regiões de cultivo de café, cacau, pimenta e coco. Esses ambientes, segundo Naveca, são ideais para a proliferação do maruim.

“Essa associação com culturas como banana e cacau faz sentido, porque são locais com muita matéria orgânica em decomposição e umidade — condições favoráveis à proliferação do maruim”, comenta.

A análise genômica revelou que os casos capixabas estão ligados à linhagem conhecida como OROVBR-2015–2024, originado na Amazônia, que foi descrita no artigo Surtos humanos de um novo vírus Oropouche recombinante na região amazônica brasileira, coordenado por Naveca. Os dados mostram que essa versão do vírus é resultado de um rearranjo genético, ou seja, ela herdou parte do material genético de outros vírus que circularam recentemente na Amazônia, formando uma nova combinação de segmentos genômicos.

As novas pesquisas também identificaram múltiplas introduções independentes do vírus no Espírito Santo, vindas de diferentes regiões da Amazônia, o que reforça o potencial de expansão da arbovirose para outras áreas do Sudeste. Outro aspecto que chamou a atenção dos cientistas foi a velocidade de transmissão. Em cerca de onze semanas, o oropouche atingiu um número de casos semelhante ao de arboviroses já estabelecidas no estado, como dengue e chikungunya.

O artigo estima que cada pessoa infectada pode transmitir o vírus pelo vetor para outros três indivíduos, em média. “A transmissibilidade estimada, é semelhante às dinâmicas observadas em arbovírus urbanos e silvestres que circulam em populações que tiveram pouco ou nenhum contato com o vírus”, observa.

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Na prática, esses dados indicam que o oropouche encontrou no Espírito Santo um ambiente com grande quantidade de pessoas vulneráveis, o que favoreceu a rápida disseminação. Para os pesquisadores, a alta taxa de transmissão, somada à falta de imunidade coletiva, representa um sinal de alerta para o risco de novos surtos em outras regiões que ainda não enfrentaram a circulação do vírus.

O estudo ainda destaca que o perfil dos infectados foi majoritariamente de homens adultos, especialmente aqueles com mais de 20 anos. Esse perfil, segundo Naveca, é compatível com a rotina de trabalhadores das propriedades rurais, que estão mais expostos ao vetor. “A predominância masculina pode refletir a exposição ocupacional em atividades agrícolas rurais, aumentando o contato com o vetor”, comenta.

‘Intercâmbio viral’ entre Rio e Espírito Santo

No estado do Rio de Janeiro, o estudo Transmissão sustentada do vírus Oropouche na Mata Atlântica do Rio de Janeiro: evidências genômicas ao longo de um período de dois anos, disponível em formato de preprint na plataforma medRxiv, analisou a disseminação do oropouche no estado a partir de dados de vigilância epidemiológica. Os pesquisadores utilizaram informações do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, que registrou mais de 1,5 mil casos confirmados entre janeiro de 2024 e maio de 2025.

Ainda em andamento, a pesquisa já foi capaz de indicar que o epicentro da transmissão foi o município de Piraí, no Sul Fluminense. De lá, o vírus se espalhou para a Região Metropolitana e o Norte Fluminense, atingindo principalmente municípios pequenos localizados em áreas de Mata Atlântica.

As análises genômicas identificaram uma sublinhagem chamada OROVRJ/ES, presente tanto no Rio de Janeiro quanto no Espírito Santo. A descoberta reforça o cenário de intercâmbio viral entre os dois estados, indicando que o vírus não apenas chegou ao Sudeste, mas também passou a circular de forma local nas duas regiões.

“A linhagem OROVBR-2015–2024 saiu da Amazônia e se espalhou por diferentes regiões do Brasil, estabelecendo surtos fora das áreas tradicionais. No Espírito Santo e no Rio de Janeiro, observamos sublinhagens específicas que mostram como o vírus se adaptou e circulou localmente”, destaca Naveca.

Além de mapear as rotas de disseminação, o estudo calculou a velocidade média de propagação do vírus no Estado do Rio. Segundo os pesquisadores, a sublinagem OROVRJ/ES se espalhou a uma taxa média de 0,3 km por dia, com picos de até 0,5 km/dia no início de 2024, caindo para cerca de 0,1 km/dia ao longo de 2025.

A maioria dos deslocamentos ocorreu em distâncias muito curtas, considerando o trajeto entre os locais de transmissão identificados nas análises genômicas. O texto explica que metade dos eventos de dispersão do vírus aconteceu em menos de 2 km, enquanto outros 30% ocorreram entre 2 e 10 quilômetros. Na prática, esse padrão de dispersão ajuda a explicar por que os casos se concentraram em pequenos municípios no entorno da Mata Atlântica, onde a proximidade entre comunidades e áreas de vegetação preservada favoreceu a transmissão local do vírus.

Mudanças climáticas e importância da vigilância genômica

Naveca reforça que fatores como mudanças climáticas e degradação ambiental estão diretamente ligados à expansão do oropouche para áreas fora da Amazônia. “Desmatamento e alterações no regime de chuvas intensificaram a abundância de vetores na Amazônia e criaram zonas de dispersão, como o sul do Amazonas, Acre e norte de Rondônia — que se tornaram áreas com alta concentração de casos e intensa transmissão viral”, explica Naveca.

Segundo o pesquisador, embora o Espírito Santo tenha registrado queda nos casos recentemente, é possível que, no futuro, o vírus se torne recorrente em estados como ES, RJ e MG. Isso porque o oropouche pode circular silenciosamente em animais e voltar a infectar humanos quando houver vetores suficientes.

Leia também: Professor da UFMA explica o que é e os principais cuidados contra a febre do oropouche

“Nós temos uma população sem imunidade prévia. Se houver condições ecológicas favoráveis e vetores abundantes, o vírus pode se estabelecer de forma permanente fora da Amazônia”, alerta. Os resultados reforçam a importância da vigilância genômica no monitoramento de arboviroses emergentes.

Segundo o pesquisador, a inclusão do oropouche nos protocolos de diagnóstico foi fundamental para a identificação dos casos no Sudeste. “Se não houvesse teste específico para oropouche, esses casos passariam como suspeitos de infecção por dengue”, salienta o especialista.

Além do IOC, participaram do estudo no Espírito Santo pesquisadores da Fiocruz Amazônia (ILMD/Fiocruz), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e da Secretaria da Saúde do Espírito Santo. Para a pesquisa no Rio de Janeiro, profissionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) atuaram ao lado do IOC/Fiocruz.

*Com informações da Fiocruz

Belém possui 389 áreas com riscos de inundação e erosão, aponta relatório

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Além dos riscos, pesquisadores também apontaram soluções. Foto: Júlia Marques

A cidade de Belém (PA) possui 301 setores de risco de inundação e 88 áreas com risco de erosão na região das ilhas do Combu, Cotijuba, Mosqueiro e Outeiro. Esses são alguns dos resultados que serão apresentados durante o III Encontro sobre o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Belém, coordenado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Após 15 meses de trabalho, os resultados finais do plano foram apresentados em audiência pública, neste mês. Foram convidadas lideranças comunitárias que participaram das etapas do plano, além de instituições como a Defesa Civil e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). 

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Plano mapeou 37 bairros de Belém e apresenta resultados finais. Foto: Bruno Chaves/Ascom Ufra

O PMRR de Belém integra os 20 PMRRs que estão sendo desenvolvidos em todo o Brasil, com coordenação geral do Ministério das Cidades, Secretaria Nacional de Periferias, Departamento de Mitigação e Prevenção de Riscos em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, Defesa Civil e universidades de todo o Brasil.

Em Belém o projeto é coordenado pela Ufra, a partir da professora Milena Andrade e uma equipe interdisciplinar de nove pessoas que compõem o Grupo de Pesquisa e Extensão em Desastres e Geotecnologia na Amazônia (Geodesastres). 

“Além de Belém, também esta sendo feito um PMRR em Manaus, são os primeiros da região Norte. Esse é mais um instrumento que auxilia no planejamento e no ordenamento territorial e traz apontamentos concretos sobre quais são as áreas prioritárias, devido o grau de risco que elas apresentam. É um plano que pode ajudar a criar uma cultura de prevenção e uma cidade melhor para todos. Mesmo antes das mudanças climáticas isso já era urgente, pois historicamente Belém tem problemas com inundação e erosão costeira. É um instrumento que a prefeitura pode usar não só pra planejar, mas para efetivamente agir e tentar reduzir o risco nessas áreas”, explica a professora Milena Andrade. 

Leia também: Verão Amazônico: em Belém, ilhas revelam praias paradisíacas

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Professora Milena Andrade coordena o PMRR Belém. Foto: Vanessa Monteiro/Ascom Ufra

Durante a audiência serão apresentados os números de setores de riscos mapeados; número de ameaças e vulnerabilidades indicados pela população durante o mapeamento participativo; Indicativos de propostas de intervenção estrutural de engenharia e as respectivas precificações; além de indicação de medidas não estruturais, voltadas à prevenção e educação para redução de riscos.

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Além do mapeamento, também foram produzidas cartilhas, folders e até um glossário como produtos do PMRR Belém. Foto: Vanessa Monteiro/Ascom Ufra

No local, o público também terá acesso a folders, cartilhas e um glossário voltados à prevenção de riscos, que podem ser utilizados como material educativo em escolas. 

Mapeamento 

Em Belém foram mapeadas duas ameaças principais, que foram as ameaças de inundação e erosão costeira. 

“São processos distintos, já que a inundação está relacionada ao transbordamento dos rios e a erosão costeira está relacionada à áreas específicas das ilhas onde você encontra habitações que estão perto de áreas que podem colapsar”, explica a coordenadora. 

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Mapeamento ocorreu de forma participativa com a comunidade. Foto: Bruno Chaves/Ascom Ufra

As áreas mapeadas pelo PMRR foram classificadas em graus de risco médio, alto e muito alto risco. Dos 37 bairros mapeados na cidade, cinco são considerados prioritários para ações de intervenção de obras do setor público: Tapanã; Curió-utinga; Paracuri; Terra firme e São João do Outeiro (bairro da ilha de Outeiro).

“Nós colocamos esses bairros como prioritários diante do número de setores de riscos que eles apresentaram, considerados muito alto e alto, o grau de complexidade das obras que precisam ser realizadas, o custo da intervenção por edificação, número de edificações e o custo total”, explica a coordenadora do plano, professora Milene Andrade. 

“Quando falamos de riscos, nessa área geohidrológica, existem dois fatores: um evento com potencial de causar danos e edificações de baixo padrão construtivo localizadas onde esse evento pode causar danos. Isso está vinculado à questão de ordenamento territorial, da forma como a cidade foi constituída. Nós temos 14 bacias hidrográficas, a maioria delas foi aterrada, são áreas baixas, de 0 a 4 metros de altitude. E a infraestrutura em algumas dessas áreas é mais precária, são áreas de vulnerabilidade socioeconômica”, explica a professora. 

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E as costumeiras chuvas da região, especialmente no chamado “inverno amazônico”, são um fator que precisa ser considerado em um plano de riscos. “Na cidade, há muita precipitação, ou seja, chove bastante e há marés altas no primeiro trimestre. A tendência da água é escorrer para o seu rio principal, mas se essa área está aterrada ou impermeabilizada então a possibilidade de ocorrer inundação é muito alta se não forem tomadas medidas preventivas. Essa combinação de fatores é que leva a que as áreas de risco sejam constituídas”, explica Milena Andrade.  

Sugestões

Pelo menos 31 dos bairros mapeados receberam proposições de medidas estruturais que podem ser feitas de forma preventiva, para evitar que os desastres ocorram.

“Os seis bairros que não foram contemplados apresentam apenas setores de risco médio. Os setores de risco alto e muito alto foram os primeiros critérios para indicar as medidas estruturais”, destaca a coordenadora.

As sugestões são apontamentos que vão desde de micro e macro drenagem, até limpeza, canalização, dragagem e recomposição vegetal. O plano também indica uma sugestão sobre a precificação do custo dessas obras, com base com base no Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI), da Caixa Econômica Federal. 

Segundo a professora, além da construção de novas infra estruturas, é importante manter o que já existe e que impede as inundações. “É o tipo de intervenção que a gente propõe, a manutenção de estruturas que já existem, como a macrodrenagem. O processo de limpeza periódica dessas estruturas precisa estar na agenda do município, porque elas foram criadas para essa finalidade”, diz.  

O documento será encaminhado para a Defesa Civil do município, para servir como mais um instrumento para prevenção de riscos e captação de recursos para obras. 

*Com informações da UFRA

Fachada do Bumbódromo de Parintins ganha mais cores e vida há quatro anos; conheça as pinturas

Foto: Eduardo Melo/Liceu Parintins

Inaugurado em 1988, o Centro Cultural de Parintins, no município amazonense, mais conhecido como Bumbódromo, tem sido o espaço de grandes apresentações dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido. E com toda arte que envolve o festival folclórico mundialmente conhecido, a arena da disputa dos bumbás também ganhou mais cores e vida.

Isso porque, desde 2022, uma gigantesca pintura marca a fachada, tornando o local ainda mais importante para a cultura local.

2022: ‘Vitória da Cultura Popular’

Fachada do Bumbódromo de Parintins
Foto: Divulgação/SEC AM

Apenas duas pinturas já fizeram parte da ação de incentivo aos artistas. A primeira foi na revitalização realizada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, e recebeu a assinatura da dupla de artistas parintinenses Curumiz (Alziney Pereira e Emerson Freitas).

Os preparativos eram para o 55º Festival e transformaram os quase 30 metros de altura em uma obra de arte a céu aberto.

Unindo os bumbás à natureza, a obra intitulada ‘Vitória da Cultura Popular’ precisou de 138 litros de tinta líquida e em spray, 12 rolos e pincéis e diversos andaimes. À época, os Alziney comentou que a ação era um ato de “orgulho cultural inexplicável”.

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O trabalho envolveu a participação de cerca de 90 profissionais. A obra foi finalizada às vésperas da edição de 2022 do festival e permaneceu como parte do cenário artístico do Bumbódromo.

2023: Arte em nova fachada do bumbódromo

Em junho de 2023, a arena dos bois recebeu uma nova obra no contexto de reforma completa, que envolveu teto, arquibancadas, geradores e mais investimentos de R$ 3,2 milhões do Governo do Amazonas. A fachada principal continuou com a arte feito pelos Curumiz, mas o artista Pito Silva produziu o mural ‘Brasil, futuro ancestral’, localizado na entrada pela Avenida Paraíba.

Com 97 metros de extensão, o mural retratou a ancestralidade dos povos indígenas, figuras como um curumim e uma cunhatã da etnia Sateré‑Mawé, além de um indígena idoso no centro. A obra visou preservar a memória cultural e ficou exposta durante o 56º Festival de Parintins.

Governador Wilson Lima em foto com equipe que participou da pintura “Brasil, futuro Ancestral”. Foto: Alex Pazuello/ Secom

2024: ‘Patrimônio em Festa’

Com o sucesso da ação, o Governo do Estado abriu um espaço ainda maior para a arte popular e a valorização dos artistas parintinenses com o lançamento do edital inédito do ‘Mural Bumbódromo 2024’, durante o 57º Festival Folclórico de Parintins.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Segundo o regulamento, os artistas participantes deveriam ser nascidos em Parintins e o trabalho selecionado seria usado como referência para criação da marca oficial do festival folclórico naquele ano.

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O artista parintinense Pito Silva foi o selecionado e sua criação, ‘Patrimônio em Festa’, escolhida para estampar a fachada em 2024/2025. A arte foi escolhida entre 11 propostas inscritas no edital lançado pelo Governo do estado.

Governador Wilson Lima cumprimentou Pito Silva durante anúncio no Teatro Amazonas, em Manaus, da arte da fachada escolhida para o Bumbódromo em 2024. Foto: Alex Pazuello/Secom AM

A produção, realizada com recursos do Governo do Amazonas, por meio de edital da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, foi selecionada com base em critérios como criatividade, originalidade e capacidade de representar os elementos do festival, consolidando o mural como símbolo visual da festa que atrai visitantes do Brasil e do exterior, como explicou o governador na época do anúncio.

Após o fim do 58º Festival de Parintins a expectativa é para o lançamento de um novo edital.

Galeria a céu aberto

Mais de 2 mil metros de muros espalhados pela cidade já foram coloridos por artistas de Parintins, para o projeto também da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa batizado como ‘Parintins – Galeria Cidade Aberta’. A ação visa abranger artistas visuais que não estão na cadeia produtiva dos bois.

Fachada do Bumdódromo antes do primeira arte, em 2019. Foto: Reprodução/Arquivo Secom AM

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia

Pesquisa no Pará utiliza mandioca e caroço de açaí na produção de embalagens sustentáveis

Foto: Divulgação

Pela primeira vez realizada na Amazônia, a COP 30 – conferência que reunirá países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) – encontrará em Belém um cenário promissor na busca por soluções sustentáveis. Uma dessas iniciativas é o Projeto ‘Bioembalagens da Amazônia‘, desenvolvido pelo Laboratório de Biossoluções e Bioplásticos da Amazônia (Laba), da Universidade Federal do Pará (UFPA), com apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e Universidade do Estado do Pará (Uepa).

A partir de dois elementos essenciais na gastronomia paraense – a mandioca e o açaí -, pesquisadores trabalham para reduzir o impacto ambiental causado por resíduos plásticos, que degradam principalmente os oceanos, utilizando os recursos naturais da região.

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O Projeto, que também conta com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), e intervenção da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), visa substituir embalagens derivadas de petróleo por alternativas biodegradáveis, produzidas a partir de amido de mandioca e resíduo do caroço de açaí — matérias-primas abundantes no Pará.

Bioeconomia

“O objetivo é criar protótipos de embalagens sustentáveis, alinhados a políticas públicas de inovação tecnológica e sustentabilidade, reduzindo o descarte inadequado de plásticos convencionais. Além disso, valorizamos recursos naturais locais e fortalecemos a bioeconomia regional”, explica o coordenador da pesquisa, professor José de Arimateia Rodrigues.

Foto: Divulgação

O açaí foi escolhido como base devido à sua relevância socioeconômica — o Pará é o maior produtor nacional do fruto, que integra o cardápio diário da maioria da população. Já a mandioca, além de expressiva na agricultura local e também obrigatória na alimentação (principalmente na forma de farinha), é amplamente estudada como matéria-prima para bioplásticos.

O desenvolvimento das embalagens envolve análises físico-químicas, produção de filmes biodegradáveis, testes tecnológicos e criação de protótipos para aplicação industrial.

A pesquisa realizada no Pará busca solução para um problema global. Conforme o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os plásticos representam 85% dos resíduos encontrados nos oceanos. Até 2040, esse volume pode chegar a 37 milhões de toneladas por ano. No Brasil, mais de 3 milhões de toneladas de plástico têm potencial para poluir o meio ambiente anualmente, e a foz dos rios amazônicos é uma das áreas mais críticas.

Estudos da UFPA apontam que 98% dos peixes analisados na Amazônia possuem partículas plásticas em seus organismos. “Esse projeto contribui diretamente para enfrentar essa realidade, promovendo o uso sustentável de resíduos agroindustriais e fortalecendo cadeias produtivas locais”, destaca José de Arimateia Rodrigues.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre economia verde e bioeconomia?

Conhecimento científico

O projeto também está integrado aos marcos estratégicos do Governo do Pará voltados ao desenvolvimento sustentável, como a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas (PEMC), o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA) e a Estratégia Estadual de Bioeconomia (PlanBio). Além disso, atende a diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, como o ODS 12 (Consumo e produção responsáveis), ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima), ODS 14 (Vida na água) e ODS 15 (Vida terrestre).

Foto: Divulgação

“O conhecimento científico pode ser a base para políticas públicas mais sustentáveis e para um futuro climático mais seguro. Nosso projeto mostra que a Amazônia é também um centro de inovação e soluções sustentáveis, contribuindo diretamente para os debates que antecedem a COP 30”, afirma o coordenador.

Além de contribuir para a preservação ambiental e inovação científica, a iniciativa tem um papel importante na formação de profissionais qualificados. Já participaram do projeto 13 estudantes de graduação, três de mestrado, dois de doutorado e três de pós-doutorado, consolidando o “Bioembalagens da Amazônia” como um polo de excelência acadêmica e científica na região.

*Com informações da Agência Pará

Projeto da Aldeia Sagrada Yawanawa é destaque na Bienal de Arquitetura, em Veneza

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Pavilhão do Brasil na Bienal de Arquitetura valoriza o saber ancestral. Foto: Divulgação

Um conjunto arquitetônico que celebra os saberes tradicionais e a sustentabilidade da floresta amazônica está entre os destaques da 19ª Exposição Internacional de Arquitetura, a Biennale Architettura, em Veneza (Itália). O projeto foi desenvolvido na Aldeia Sagrada Yawanawá, no Alto Rio Gregório, fruto da parceria entre o cacique Biraci Yawanawá e o escritório Rosenbaum Arquitetura.

As construções, o Centro Cerimonial (Shuhu), a Casa Modelo e a Universidade dos Saberes Ancestrais, foram selecionadas para a mostra, que é realizada entre 10 de maio e 23 de novembro, por representarem uma arquitetura situada, colaborativa e atenta à emergência climática.

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A curadoria da Bienal, conduzida por Carlo Ratti, traz o tema “Intelligens. Natural. Artificial. Collective”, destacando práticas arquitetônicas que unem tecnologia, natureza e coletividade.

Construídas com madeira nativa e técnicas sustentáveis, as edificações foram erguidas por uma equipe multidisciplinar com intensa participação da comunidade Yawanawá e construtores ribeirinhos. O processo de construção enfrentou desafios logísticos extremos, como o transporte de um trator desmontado rio acima, em plena floresta.

Edificação carrega em sua estrutura a identidade do povo Yawanawa, sendo composta por áreas abertas de convivência e harmonia. Foto: Cedida

A participação indígena é um fator decisivo da criação arquitetônica, como destaca o cacique Biraci: “Tudo que construímos vem da nossa ancestralidade. Somos um povo conectado às novas tecnologias, mas com as nossas raízes no chão. Cuidamos da natureza à nossa volta e não dá pra fazer isso sozinho, por isso precisamos de alianças e parcerias. Com novos instrumentos, podemos fortalecer cada vez mais o nosso trabalho de preservação da natureza”.

Leia também: No coração da floresta, a sagrada aldeia do povo Yawanawá

A diretora de Povos Indígenas da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas do Estado (Sepi), Nedina Yawanawa, destaca a relevância do projeto como símbolo de fortalecimento da identidade dos povos originários: “Essas edificações não são apenas estruturas físicas. Elas carregam a essência da nossa ancestralidade, dos saberes antigos, do modo de ser e viver do povo Yawanawá. Desde o início, o planejamento feito pelo cacique foi conduzido com muito cuidado”.

Ela também exalta: “O arquiteto Marcelo Rosenbaum compreendeu com sensibilidade e respeito o que o cacique quis transmitir. Ele materializa uma visão que ultrapassa o físico e atinge o simbólico. Cada linha da arquitetura carrega uma mensagem, uma cosmovisão. Isso é o que queremos levar ao mundo: mostrar que temos uma forma própria de ver, sentir e viver, e que isso também tem valor, tem beleza, tem poder”.

Arquitetura com raízes na ancestralidade

Shuhu localizado no meio da propriedade compreende as principais atividades sociais da Aldeia Sagrada. Foto: Cedida

Com 1.265 metros quadrados, a Universidade dos Saberes Ancestrais é a maior dos três edifícios. Seu desenho em formato de “Y”, proposto pelo cacique, simboliza a união entre diferentes caminhos do conhecimento. O espaço abriga 12 salas de aula, refeitório para 250 pessoas, uma cozinha industrial e área para 150 redes.

A Casa Modelo foi pensada para oferecer conforto térmico e integração com o ambiente. Possui sala e cozinha integradas, quatro quartos, dois banheiros e um pátio central, favorecendo a ventilação cruzada. Já o Shuhu, o Centro Cerimonial, é dedicado a rituais e práticas espirituais. Sua imponente cobertura circular tem 41 metros de diâmetro e 33 metros de vão livre, totalizando 1.150 metros quadrados.

Para Marcelo Rosenbaum, o projeto representa uma nova forma de pensar e fazer arquitetura: “A gente não chega com uma ideia pronta. Nossa função é reconhecer o conhecimento ancestral e integrar esses conhecimentos em um espaço construído com respeito e sentido”.

“Esse projeto é um exemplo de como o encontro de conhecimentos pode responder a problemas globais. Ao lado do povo Yawanawá, aprendemos que a floresta não é um lugar a ser conquistado, mas um lugar com o qual devemos dialogar”, conclui Marcelo Rosenbaum.

Trabalho de Rosenbaum na Aldeia Sagrada é resultado de uma relação de 14 anos com a comunidade Yawanawá, especialmente com o cacique e sua família. Foto: Cedida

*Com informações da Agência Acre

Oito filmes para entender como retratam a realidade do povo nortista

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‘Ela mora logo ali’. Foto: Divulgação

Você já parou para pensar em quantas vezes consumiu o cinema produzido no Norte do Brasil? Ou se já teve a oportunidade de prestigiar alguma obra feita na região?

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Apesar da riqueza cultural, o cinema nortista ainda é pouco explorado no audiovisual brasileiro. Para enaltecer as obras regionais, reunimos junto ao diretor paraense San Marcelo, oito produções que colocam a Amazônia como protagonista:

Ela mora logo ali (Rondônia)

De que forma a literatura pode impactar o cotidiano da vida das pessoas? O curta-metragem ‘Ela mora logo ali’ aborda exatamente isso: como a literatura tem o poder de transformar a realidade.

O filme, vencedor de diversos festivais de cinema, conta a história de uma humilde ambulante e mãe atípica, cujo cotidiano muda ao conhecer uma jovem leitora no caminho de volta para casa. A partir desse encontro ela embarca em uma jornada de novas descobertas e desafios para encontrar um bom livro para seu filho. O filme está disponível em plataforma de streaming.

O Território (Rondônia)

Vencedor do Emmy 2023, o filme documental conta a história do povo Uru-eu-wau-wau na luta contra o desmatamento causado por grileiros e posseiros ilegais.A obra foi gravado em Rôndonia e coloca o público no centro do conflito através das rotinas da ativista Neidinha e de Bitaté, um jovem Uru-eu-wau-wau, que arriscam suas vidas para salvar a floresta, utilizando da tecnologia e equipes independentes para expor e revidar os crimes cometidos contra a amazônia brasileira. O documentário na plataforma Disney.

Aqui en la Frontera (Roraima)

Umas das maiores crises imigratórias da América Latina, ganha um novo olhar. O documentário filmado na froteira da Venezuela com o Brasil, conta três distintas histórias de venezuelanos que, de certa forma, são guiados pelo mesmo desejo: o recomeço.

O filme retrata as histórias de Stephanny, que precisa retornar a Venezuela para buscar a filha. A versão de Francis uma mulher trans e líder de um abrigo de refugiados militarizado pelo governo brasileiro. E Argenis que organiza uma ocupação com mais de 300 venezuelanos, sob ordem de despejo. A obra está disponível em plataforma de streaming.

O Barulho da Noite (Tocantins)

Uma dramática história envolve uma família da zona rural de Tocantins. Sônia, uma mãe que se sente invisibilizada e castigada pelas lembranças do passado. Agenor, um pai dedicado e afetuoso. E as filhas Maria luiza e Ritinha. A chegada de Athayde, sobrinho e ajudante da roça de Agenor, irá alterar toda a estrutura familiar.

“O Barulho da Noite”, retrata a perda de ingenuidade e o grito por socorro e está disponível em plataforma de streaming.

Terruá Pará (Pará)

“Terrua Pará”, aborda a diversidade da música paraense. O retrato da riqueza cultural do estado, através dos depoimentos de personagens como Dona onete, Manoel Cordeiro e Pio Lobato. O documentário busca representar o espirito do Pará, as origens e diferentes formas da música no estado. O documentário está disponível na Prime Vídeo.

O barco e o Rio (Amazonas)

As irmãs Vera e Josi, cuidam sozinhas de uma simples embarcação herdada pela família em Manaus. Ambas com diferentes personalidades. Enquanto uma é religiosa e se preocupa com o barco, a outra prefere beber e viver sua sexualidade com os homens do porto. Ao mesmo tempo que viam destinos diferentes para o futuro do barco. O curta-metragem está disponível em plataforma de streaming.

Noites Alienígenas (Acre)

Os jovens Sandra, Paulo e Rivelino, amigos de infância que cresceram na periferia de Rio Branco, acabam se reencontrando devido a uma tragédia em comum.O longa utiliza de elementos fantasiosos para retratar a chegada das facções criminosas do sudeste do Brasil à Amazônia urbana.

O filme retrata os impactos causados na vida dos três amigos, que de maneiras distintas sofrem pelo mesmo motivo: a criminalidade. O filme está disponível no Globoplay.