Durante três noites, o 16º Arraiá no Meio do Mundo encerrou a temporada do Arraiá do Povo 2025, em Macapá (AP), entre os dias 30 de junho e 2 de julho. A competição foi a última das três que realizadas durante a programação promovida pelo Governo do Amapá no Corpo de Bombeiros Milita, na Zona Norte da capital.
Agentes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros garantiram segurança do evento. Foto: Jhon Martins/GEA
Comemorando o Dia Nacional do Quadrilheiro, o Arraiá do Povo 2025 aconteceu dos dias 27 de junho até 2 de julho, levando à Cidade Junina, na Zona Norte de Macapá (AP), uma multidão apaixonada pelas festas juninas.
Promovido pelo Governo do Amapá, o evento gratuito teve apresentações de mais de 60 grupos juninos de todos os 16 municípios do estado. Além da celebração cultural, o grande destaque deste ano foi o esquema de segurança pública, que garantiu tranquilidade aos visitantes com mais de 300 agentes por noite, entre policiais militares, bombeiros e equipe do Detran-AP.
Segurança em todos os detalhes
A segurança no Arraiá do Povo 2025 é fruto de um planejamento integrado entre as forças de segurança estaduais. O efetivo contou com policiais militares diariamente, atuando de forma ostensiva com viaturas, motocicletas e policiamento a pé.
“O patrulhamento interno permite uma resposta rápida a qualquer situação, ao mesmo tempo em que aproxima o agente da comunidade”, explicou o tenente-coronel Iran Andrade, responsável pela primeira noite da operação.
Para reforçar a vigilância, a Polícia Militar contou com drones e um ônibus de videomonitoramento equipado com câmeras de visão 360º.
Presença estratégica do Detran-AP
O Departamento Estadual de Trânsito do Amapá (Detran-AP) também marcou presença em todas as noites da festa, com um estande na entrada da Cidade Junina. O espaço ofereceu atividades educativas e interativas, como o desafio dos óculos simuladores de embriaguez, que mostram os efeitos do álcool na condução de veículos.
“A experiência foi surreal, você perde totalmente o equilíbrio e a noção de distância”, relatou o visitante Edmar Ribeiro, após participar da dinâmica. “A mensagem que fica é: se for beber, não dirija. Chame um amigo, pegue um táxi, mas preserve a sua vida e a dos outros”, reforçou.
Edmar Ribeiro (direita) participou de dinâmica do Detran-AP. Foto: Fabiano Menezes/Detran-AP
As crianças também participaram de atividades lúdicas com foco na educação no trânsito, como a Trilha do Trânsito Infantil, que garantiu aprendizado e diversão com brindes educativos. Além disso, o Detran-AP realizou orientações sobre o uso do nome social na CNH, como parte das ações do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+.
“O Governo do Amapá tem um compromisso com a vida, e levar educação para o trânsito a um evento como o Arraiá do Povo é essencial”, declarou Emmanuel Dante, diretor-presidente interino do Detran-AP. “Essa é uma forma de reduzir acidentes e construir um trânsito mais seguro”, completou.
Corpo de Bombeiros: prevenção e atendimento emergencial
Com efetivo superior a 150 militares por noite, o Corpo de Bombeiros Militar do Amapá (CBM-AP) também desenvolveu um plano estratégico durante todo o evento. “Temos observadores de risco espalhados por toda a área. São militares treinados para oferecer os primeiros atendimentos e garantir o bem-estar da população”, explicou o tenente-coronel Sandro Sanches, da coordenação de grandes eventos do Governo, antes do evento.
Viaturas especializadas, atendimento pré-hospitalar e ambulâncias do CBM e do Samu estiveram a postos para socorrer casos de desmaios, quedas e outros sinistros. A estrutura ainda incluiu um posto fixo de saúde montado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), onde os primeiros atendimentos seriam realizados antes de um possível encaminhamento a unidades hospitalares.
População aprovou
Morador do bairro São Lázaro, José Ramos Feitosa, de 81 anos, foi um dos primeiros a chegar no evento. Vestido a caráter, ele fez questão de destacar o impacto positivo da presença das forças de segurança.
“Eu moro aqui atrás do prédio do Corpo de Bombeiros. Dei uma andada por aqui, vi muita polícia. Isso faz a gente se sentir seguro, muito bacana”, disse.
José Ramos Ferreira de 81 anos falou que se sentiu seguro no Arraiá do Povo 2025. Foto: Jhon Martins/ GEA
Educação, inclusão e segurança
Outra ação educativa, dessa vez realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), foi o projeto Arraiá Amazônico. A proposta era unir tradição, cultura popular e responsabilidade social, aproximando os estudantes das manifestações culturais típicas da região Norte.
Durante a programação, os alunos e a comunidade escolar puderam prestigiar apresentações de quadrilhas juninas como ferramenta de inclusão e conscientização com toda segurança oferecida pelo evento.
A Vila de Paricatuba, localizada a 30 km de Manaus (AM), será palco de um evento especial no próximo sábado, 5 de julho: a primeira edição da Mostra Cine Paricá, que acontece a partir das 18h30 no Restaurante da Mara Lins. A programação é gratuita e aberta ao público.
Realizada pela produtora Audiovisual Mendes, sob curadoria do cineasta Anderson Mendes, a mostra apresenta quatro curtas-metragens que refletem a potência criativa e a diversidade cultural do Amazonas. São eles: DaSilva DaSelva (de Anderson Mendes), Jiupá (Márcio Nascimento), e as pré-estreias de Solo Verde um faroeste caboclo (Lucas Martins, Max Michel / Branca3 Filmes), e Fantasmas na Floresta (Manoel Castro Júnior).
Três dos filmes exibidos — DaSilva DaSelva, Solo Verde e Jiupá — tiveram cenas rodadas em Iranduba, fortalecendo os laços entre o cinema produzido na região e o território que o inspira.
“A mostra Cine Paricá nasce do desejo de aproximar o cinema das pessoas. Paricatuba sempre foi generosa com os artistas, e nada mais justo do que retribuir levando os filmes de volta para onde nasceram ou passaram. É também uma forma de incentivar o pertencimento cultural e valorizar o interior do Amazonas como espaço de criação e exibição”, afirma o idealizador Anderson Mendes.
A proposta é que o Cine Paricá se torne um evento contínuo, com edições bimestrais, sempre destacando produções locais e promovendo debates e encontros com realizadores e moradores.
Para Jacqueline Lins, presidente da comunidade da Vila de Paricatuba, a mostra representa um passo importante para a valorização cultural do território: “Paricatuba é rica em histórias, paisagens e talentos. Ter um evento como esse aqui, acessível e com filmes feitos por gente da terra, nos dá orgulho. É bonito ver a comunidade se enxergar na tela e saber que fazemos parte dessa arte”, celebra Jacqueline.
A Mostra Cine Paricá é um convite para que o público vivencie o cinema em sua forma mais comunitária e afetiva — em contato direto com o lugar, as pessoas e as narrativas que compõem o imaginário amazônico.
Mostra Cine Paricá – classificação indicativa: 14 anos
Vila de Paricatuba – Distrito de Iranduba Restaurante Mara Lins, a partir das 18h30
5 de julho de 2025 – entrada gratuita
DASILVA DASELVA
Gênero: documentário Classificação indicativa: Livre Duração: 17 minutos Direção: Anderson Mendes Sinopse: Um artista amazonense recria a Amazônia com os próprios olhos — e depois, com a própria lembrança. Em DaSilva DaSelva, a trajetória e a obra de Da Silva da Selva são contadas por ele mesmo, em um mergulho poético e sensorial em seu universo criativo. Autodidata e visionário, Da Silva transforma sua memória em matéria-prima para construir um mundo visual fantástico, onde ciência, espiritualidade e imaginação se entrelaçam. Mesmo diante da perda progressiva da visão seguiu produzindo com intensidade, evocando seres, formas e paisagens que nascem de um tempo interior — o tempo da arte. Um filme que propõe uma experiência de escuta, contemplação e permanência, uma travessia estética por uma Amazônia subjetiva, íntima e inventada — onde o legado artístico é também resistência, afeto e reinvenção do olhar.
Da Silva Da Selva. Foto: Divulgação
Jiupá
Gênero: ficção Classificação indicativa: 10 anos Duração: 15 minutos Direção: Márcio Nascimento Sinopse: Kiara vive com seu filho Anauê distante da comunidade Fé em Cristo interior do amazonas, apesar da cegueira de seu filho, os dois vivem seus dias tranquilos, até o aparecimento de Jiupá que lhe faz uma proposta que irá mudar suas vidas para sempre.
Jiupá. Foto: Divulgação
Fantasmas na floresta
Gênero: Drama / Terror Classificação indicativa: 12 anos Duração: 20 minutos Direção: Manoel Castro Junior Sinopse: Carlinhos está em profunda depressão após a morte de sua esposa. Durante uma viagem solitária, ele acaba isolado em uma estrada deserta no meio da selva. Ao encontrar uma velha casa e buscar ajuda, eventos estranhos e perturbadores começam a atormentá-lo, fazendo-o questionar o que é real e o que é sobrenatural.
Fantasmas na floresta. Foto: Divulgação
Solo Verde – um faroeste caboclo
Gênero: Drama / Terror Classificação indicativa: 14 anos Duração: 13 minutos Direção: Lucas Martins , Max Michel Sinopse: Durante uma noite, a casa dos xerifes Marcos e Jorge, recebe uma visita inesperada, um pistoleiro, velho conhecido da vila, amaldiçoado por um pajé local, chega no terreno dos irmãos em sua motocicleta trazendo caos ao local. A situação se complica mais ainda quando Jorge acaba sendo infectado pela maldição do pistoleiro. Marcos agora precisa enfrentar sozinho o dilema de lutar contra seu irmão e enfrentar uma maldição que invade a casa deles.
Um peixinho com talento peculiar de inflar o próprio corpo para espantar predadores é personagem marcado nos filmes de animações. Mas se engana quem pensa que ele é exclusivo dos mares e das telinhas. O baiacu, popularmente conhecido como peixe-balão, também é encontrado nos rios amazônicos.
Segundo o biólogo Fernando Dagosta, o peixe pertence à família Tetraodontidae, que reúne cerca de 190 espécies encontradas nos oceanos tropicais de todo o mundo. Dessas, quase 30 podem viver em águas doces da América do Sul, África e Sudeste Asiático.
“As espécies amazônicas são: Sphoeroides-tocantinensis e Sphoeroides-sellus. A primeira ocorre nos rios da Amazônia Oriental, como Uatumã, Trombetas, Tapajós, Xingu e Tocantins, enquanto a segunda ocorre na na Amazônia Ocidental nos rios Madeira, Juruá, Solimões etc”, explica o especialista.
As espécies do norte possuem características próprias, tem cerca de 15 centímetros e os traços que misturam amarelo esverdeado e preto.
Mas você sabe por que e como o baiacu infla?
A capacidade de inflar o corpo é uma adaptação evolutiva. Quando se sente ameaçado, o peixe se infla para assustar e confundir os predadores, ganhando tempo para fugir.
Ao engolirem rapidamente água, ou ar, os peixes expandem seu volume corporal de maneira súbita, tornando-se difíceis de engolir ou manipular”, explica o biólogo.
Esse mecanismo é possível graças à ausência de costelas, à musculatura especial e à flexibilidade da pele, coluna e tecidos internos.
Eles são venenosos?
Os baiacus amazônicos possuem toxinas em partes do corpo, principalmente no fígado e nos ovários. Por isso, o consumo desses peixes deve ser evitado. Assim como ocorre com outros tipos de baiacu no mundo, o veneno pode representar risco à saúde humana.
A característica que chama atenção no baiacu da Amazônia é a forma com que se locomove no seu habitat. Enquanto a maioria das espécies de peixe fazem movimentos ondulatórios, o baiacu nada de forma mais rígida, movimentando apenas as nadadeiras dorsal, anal e peitoral para se impulsionar. Enquanto a nadadeira caudal praticamente serve apenas como um leme que coordena a direção.
“Esse tipo de nado confere aos baiacus uma movimentação mais lenta, deixando as espécies mais vulneráveis a predadores, o que é compensado com a presença de um mecanismo de defesa de inflar o corpo”, comenta Fernando.
Características e hábitos da espécie
As duas espécies amazônicas de baiacu são bastante parecidas. Elas têm corpo arredondado, olhos grandes e ausência de nadadeiras pélvicas. As nadadeiras dorsal e anal ficam posicionadas bem atrás e de forma simétrica. Os dentes são unidos em quatro lâminas e os órgãos olfativos aparecem como tubos salientes perto dos olhos.
Ilustração do baiacu da Amazônia. Foto: Fernando Dagosta
Eles se alimentam de pequenos invertebrados aquáticos, como crustáceos, moluscos e outros animais do fundo dos rios, que conseguem esmagar com seus dentes fortes. Ambos costumam nadar sozinhos ou em grupos pequenos, com dois ou três indivíduos.
Como se reproduzem?
Ainda se sabe pouco sobre a reprodução dos baiacus amazônicos. Pesquisadores acreditam que eles desovam perto das margens dos rios, especialmente nas fozes de lagos de várzea e afluentes, durante o período da cheia. As larvas seriam levadas pela correnteza até os lagos, onde encontrariam proteção e alimento.
Essa estratégia é comum entre várias espécies de peixes da Amazônia. As larvas de baiacu costumam ser pequenas e são encontradas em locais específicos, como a foz de canais laterais. Isso indica que os ovos também são pequenos. Ainda não há informações confirmadas sobre migração reprodutiva nessas espécies.
Carnavalescos da Mangueira selecionam samba-enredo no Amapá. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
A Estação Primeira de Mangueira promove pela primeira vez no Amapá o concurso de samba-enredo. A composição selecionada será cantada na Marquês de Sapucaí, no carnaval do Rio de Janeiro (RJ) em 2026.
A explicação da sinopse do enredo aconteceu nesta quarta-feira (2) no Museu Sacaca, na Zona Sul de Macapá, aos compositores interessados. Musicistas de todo o Brasil participam do concurso.
A ação é realizada por meio dos representantes da Mangueira em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado do Amapá (Secult). O tema da escola no próximo ano será ‘Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra’.
Sidney França, carnavalesco da Mangueira, explicou que uma composição amapaense, berço da temática, leva um significado ainda maior à avenida carioca em 2026.
“É a perspectiva do compositor da Terra, daquele que entende a vivência do Amapá, de acordo com a leitura do enredo. O enredo fala especificamente sobre. Tradições e a cultura afroindígena do estado, que tem uma nomenclatura mais ampla como Amazônia Negra. Nós estamos na expectativa de que esses sambas tenham uma densidade, uma poesia muito própria daqui. E essa iniciativa gera visibilidade para os talentos regionais”, disse.
França explicou que o enredo vai exaltar o saber negro e amazônico, celebrando a sabedoria ancestral que cura, protege e resiste, com um desfile de forte impacto político e poético, unindo encantamento visual, ritmos afro-indígenas.
Mangueira divulga seu enredo para 2026. Foto: Divulgação/Estação Primeira de Mangueira
Após a etapa na região, a melodia ou melodias aprovadas – podendo ser mais de uma, passam para a semifinal. As etapas seguintes são realizadas nos dias 16 e 20 de agosto. A etapa final acontece no dia 23 de agosto, no Rio de Janeiro.
O diretor de carnaval da Mangueira, Dudu Azevedo, explicou que foram selecionadas datas para que os criadores do samba-enredo possam tirar dúvidas, nos dias 9 e 16 de agosto, através de videochamada. O compositor deve ir presencialmente à Secult.
“O compositor vai gravar o seu samba, vai entregar para a Estação Primeira de Mangueira no dia 15 (de agosto), aqui no Museu Sacaca, e no dia 16 ele já canta um lugar a ser definido. Vamos eliminar algumas obras, a gente canta de novo no dia 20, na quarta-feira, e a escolha final no dia 23”, disse.
A celebração toma as ruas da cidade com a programação da tradicional Corrida Internacional 9 de Julho. Foto: PMBV
O mês de julho chegou e, com ele, a data mais especial do calendário municipal. No próximo dia 9, Boa Vista comemora 135 anos de história e de muito orgulho para os seus moradores. A celebração toma, literalmente, as ruas da cidade com a programação da tradicional Corrida Internacional 9 de Julho.
A 23ª edição da principal corrida do estado deve reunir mais de 12 mil atletas de todas as idades, em várias categorias. Da explosão de fofura na Corridinha Baby à disputa acirrada nos 5 km e 10 km, passando por novas modalidades (saiba mais abaixo), a capital respira esporte e emoção.
“É o aniversário da cidade e não tem como comemorar sem a grande Corrida 9 de Julho, que esse ano traz novidades, como a Corrida Vertical e a Corrida de Patins, sem contar com as tradicionais Corridas Baby, Kids, Adulto e Pet”, disse o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), Dyego Monnzaho.
A 23ª edição da principal corrida do estado deve reunir mais de 12 mil atletas de todas as idades, em várias categorias. Foto: Divulgação/PMBV
Corrida 9 de Julho e a paixão pelo esporte
Uma cena se tornou comum em Boa Vista, seja no amanhecer, pôr do sol ou à noite, praças e ruas são ocupadas por atletas profissionais e amadores, que tentam melhorar seus tempos e se preparar para as competições. É assim o ano inteiro, mas basta julho se aproximar que o movimento aumenta.
Um desses atletas é Lessandro José Lima, de 42 anos. Ele é um apaixonado por corridas e já perdeu as contas de quantas edições da 9 de Julho participou. O que ele não perde é a motivação e a oportunidade de estar mais uma vez na competição. Para ele, a corrida representa muito mais que uma disputa.
“Muda totalmente a vida das pessoas. Não é só correr. Cada quilômetro percorrido é uma vitória pessoal, uma prova de que você é capaz de superar obstáculos e de que a força interior é tão importante quanto a força física. A Corrida 9 de Julho é um patrimônio nosso e é um privilégio poder participar todos os anos desse lindo evento”, disse.
O atleta Lessandro chegou a montar um grupo de corrida com a família e amigos. Foto: Divulgação/PMBV
Lessandro chegou a montar um grupo de corrida com a família e amigos. Experiente na competição, o atleta ressalta a importância do comprometimento para alcançar bons resultados. “Tem que treinar bastante, não só nosso corpo, mas também nossa mente. Com os treinos e sono em dia e alimentação saudável, a corrida fica mais fácil”, completou.
A programação está dividida em dois dias, 6 e 9. No domingo, 6, a Vila Olímpica Roberto Marinho recebe os miniatletas da Corridinha Baby e Corridinha Kids, além dos “esportistas de quatro patas” na Corridinha Pet. As provas iniciam a partir das 8h.
Um dos principais cartões-postais da cidade, o Parque do Rio Branco, também será cenário da competição em comemoração ao aniversário de Boa Vista. O Mirante Edileusa Lóz vai receber a inédita Corrida Vertical. São 454 degraus e 120 metros de subida e muita aventura. A largada está programada para 17h.
Prepare o fôlego para uma competição de alto nível
A programação está dividida em dois dias, 6 e 9 de julho. Foto: Divulgação/PMBV
No dia 9, os atletas amadores e de elite entram na competição. A programação começa com as provas de Ciclismo, pela manhã, com largadas às 8h, 9h e 10h15, na avenida Ene Garcez, no Terminal Luiz Canuto Chaves, e percurso pela avenida Ville Roy.
À tarde, às 16h, será a vez de mais uma novidade, a prova de Patins, que ocorre no Centro Cívico, com total de cinco voltas em torno da praça.
A partir das 17h iniciam as corridas de rua de 5 km e 10 km. As largadas serão dadas da avenida Ene Garcez, próximo ao Terminal Luiz Canuto Chaves, com percurso pela avenida Ville Roy.
Afroteca Willivane Melo, primeira afroteca inaugurada no Pará. Foto: Reprodução/ Ministério Público do Estado do Pará
As Afrotecas são espaços de educação e combate ao racismo que com histórias infantis, instrumentos musicais, jogos e brincadeiras ensinam, valorizam e refletem a cultura negra, quilombola, indígena e afro-brasileiras em escolas.
No Pará, três unidades estão localizadas em escolas públicas dos municípios de Belterra, Santarém e Oriximiná, e duas serão inauguradas nos municípios Monte Alegre e Alenquer.
As unidades são fruto de uma parceria entre a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e as prefeituras dos cinco municípios, e no total foram investidos R$695.310,00 do MIR para viabilizar a instalação desses espaços.
”Essas afrotecas são espaços de combate ao racismo, consciência e reflexão sobre a atuação da cultura africana na formação do Brasil e, principalmente, na formação da Amazônia. Parece estranho a gente falar de cultura africana na Amazônia, porque, historicamente, o que vem na nossa cabeça é cultura indígena. No entanto, o Pará é o quarto estado do Brasil com o maior número de comunidades quilombolas”, declarou Hosenildo Gato Alves, mestre em história pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ao Portal Amazônia.
brinquedos da Afroteca Amoras localizada no Cemei Paulo Freire. Foto: Reprodução/ Prefeitura de Santarém
As afrotecas são iniciativas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa em Literatura, História e Cultura Africana, Afro-Brasileira, Afro-Amazônica e Quilombola (Afroliq). Esses espaços têm como objetivo consolidar práticas pedagógicas antirracistas e afrocentradas no cotidiano escolar da região Oeste do Pará.
A Afroteca Willivane Melo foi a primeira a ser inaugurada no Pará, localizada o Theatro Victória, em Santarém, a afroteca começou a funcionar em 11 de agosto de 2022. O nome é uma homenagem a psicóloga Willivane Melo, que atuou como professora e pesquisadora no Pará, onde se dedicou aos temas de educação, comunidades quilombolas e relações étnico-raciais
Localizada na Escola Municipal Vitalina Motta, em Belterra, às margens da BR-163, dentro de uma comunidade quilombola, está a Afroteca Kiriku. Em Santarém, a Afroteca Bucala funciona na Escola Municipal Nossa Senhora do Livramento, no Quilombo Saracura.
Já em Oriximiná, a Afroteca Marina dos Santos está instalada na Escola Municipal Boa Vista, situada no Quilombo Boa Vista. Marina foi a primeira professora e a primeira agente de saúde da comunidade, também atuou como catequista e foi participante ativa do movimento de mulheres quilombolas.
A Afroteca Amoras é uma biblioteca voltada ao estudo da cultura negra e afrodescendente para a educação infantil, ela fica localizada no Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) Paulo Freire, em Santarém.
Crianças em momento de leitura na Afroteca Amoras. Foto: Reprodução/ Prefeitura de Santarém
A Afroteca Abayomi será inaugurada na Escola Municipal Peafu,no Quilombo Peafu, em Monte Alegre, no dia 25 de julho, às 14 horas; e a Afroteca Ambirá, será inaugurada na Escola Municipal Martinho Nunes, no Quilombo Pacoval, em Alenquer, no dia 28, às 10 horas.
Segundo Hosenildo essas bibliotecas possuem acervos para a comunidade, e principalmente crianças, terem acesso a livros, bibliografias, obras, pinturase artefatos que remetem à cultura afro-brasileira, à cultura afro-amazônica. Além disso, é um espaço de de reflexão de como a prática terrível da escravidão era direcionada à população africana que veio para a Amazônia, e como essa população vai lutar, resistir e combater a escravidão.
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar (com informações da Ufopa e da Prefeitura de Santarém)
O 58º Festival Folclórico de Parintins, realizado entre os dias 27 e 29 de junho de 2025, registrou números inéditos e consolidou-se como um dos maiores eventos culturais da Região Norte. Segundo balanço apresentado no dia 1º de julho pelo governador do Amazonas, Wilson Lima, a edição deste ano recebeu mais de 120 mil visitantes, superando todas as estimativas anteriores.
“Este ano, tivemos um evento grandioso. O Estado, juntamente com as principais secretarias envolvidas no processo, levou uma estrutura muito grande. E aqui eu quero publicamente parabenizar os servidores estaduais, porque são eles que efetivamente fazem isso acontecer, juntamente com o povo de Parintins, com a prefeitura e com os trabalhadores de Garantido e Caprichoso”, declarou o governador durante a apresentação dos dados.
A mobilização logística do festival foi expressiva. Foram registradas mais de mil operações aéreas no Aeroporto Júlio Belém, o que representa um aumento de 146% em relação ao último ano com dados comparáveis, 2019. A média foi de 209 operações por dia em 2025. No transporte fluvial, 691 embarcações atracaram em Parintins, movimentando mais de 105 mil passageiros – 25% a mais do que em 2024.
Entre os eventos paralelos, a Festa dos Visitantes atraiu 27 mil pessoas, alcançando arrecadação de cerca de 40 mil itens alimentícios. Já no Bumbódromo, palco das apresentações dos bois Caprichoso e Garantido, a média de público foi de 18 mil pessoas por noite.
A estrutura estadual envolveu mais de 5 mil servidores de cerca de 20 órgãos do governo. Só na área da segurança pública, mil agentes foram destacados para atuar no município. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, houve redução de 24% nos furtos de celulares e de 41% nos casos de lesão corporal, na comparação com 2024.
Uma das inovações deste ano foi o uso do Sistema Paredão, que emprega tecnologia de reconhecimento facial e leitura de placas. Com 80 câmeras instaladas em pontos estratégicos, o sistema contribuiu para a prisão de dez pessoas durante os dias de festa. Também foram utilizados drones para monitoramento, além do programa RecuperaFone, da Polícia Civil, e uma embarcação especializada no combate a incêndios.
No setor do turismo, dados da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) indicam que, entre 2019 e 2025, o Festival de Parintins atraiu mais de 527 mil visitantes, com média anual de 105 mil, mesmo com a interrupção do evento em 2020 e 2021 devido à pandemia. A movimentação econômica estimada para 2025 é superior a R$ 184 milhões, com expectativa de que o acumulado dos últimos anos se aproxime dos R$ 700 milhões.
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Durante cinco dias, o Turistódromo instalado na Praça da Catedral de Nossa Senhora do Carmo recebeu uma média de 50 mil pessoas por dia. No local, funcionaram feiras de artesanato e economia solidária, que somaram R$ 2,7 milhões em vendas. A Mostra de Artesanato e Economia Solidária, organizada pela Secretaria Executiva do Trabalho e Empreendedorismo, contou com 73 artesãos e resultou na venda de 64,5 mil itens, movimentando mais de R$ 1,8 milhão.
A 5ª Feira de Artesanato Indígena também teve crescimento significativo. Com a participação de 115 artesãos, a iniciativa alcançou um volume de vendas de mais de R$ 950 mil, um aumento de 50% em relação ao ano anterior, segundo a Fundação Estadual dos Povos Indígenas do Amazonas (Fepiam).
Entre os investimentos recentes no município, o governador assinou, durante a abertura do festival, o contrato para elaboração do projeto do novo Bumbódromo. Desde 2019, já foram aplicados R$ 21,2 milhões na revitalização da arena. Para a edição deste ano, foram investidos R$ 4,4 milhões em reforma preventiva e mais R$ 10 milhões repassados diretamente para os bois Caprichoso e Garantido.
Nos dias que antecederam o festival, também foram realizadas entregas como a primeira etapa do Programa de Saneamento Integrado (Prosai), que garantiu abastecimento de água tratada em toda a cidade. Além disso, foram inaugurados a nova sede do Cetam, o Ginásio Poliesportivo Elias Assayag, o serviço de Telessaúde e o próprio Turistódromo.
Com esse conjunto de ações, Parintins se tornou o centro das atenções do país durante os dias de festival, reunindo cultura, tradição, tecnologia e grandes volumes de circulação de pessoas e recursos.
Jovens de comunidades tradicionais da Amazônia. Foto: divulgação
Fortalecimento de políticas públicas, financiamento direto para organizações comunitárias, educação e saúde contextualizadas com a realidade amazônica, apoio técnico, político e financeiro, fortalecimento das economias da sociobiodiversidade, segurança territorial, entre outras pautas, compõem a Carta Regional das Juventudes de Povos e Comunidades Tradicionais.
O documento foi elaborado por mais de 400 jovens indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas, após intensos debates e trocas de saberes durante o Encontro das Juventudes de Povos e Comunidades Tradicionais, realizado na última semana.
O evento destacou o protagonismo de jovens das florestas e águas da Amazônia, e ocorreu no Quilombo São Francisco do Bauana, localizado entre o município de Alvarães e a Floresta Nacional (Flona) de Tefé (a 531 km de Manaus) — região duramente impactada pela crise climática, com a morte de centenas de botos-cor-de-rosa, peixes e outros animais, além do isolamento de milhares de famílias, reflexo direto do aumento da temperatura global e da forte estiagem que atingiu o Amazonas nos últimos dois anos.
Além das discussões políticas e ambientais, o encontro também celebrou marcos históricos: os 40 anos do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), os 35 anos de criação das Reservas Extrativistas (Resex) e os 14 anos do projeto “Jovens como Protagonistas pelo Fortalecimento Comunitário”.
Para viabilizar a participação dos jovens, foi realizada uma operação logística envolvendo voos, traslados por estradas de barro, rios, barcos regionais e dezenas de canoas que percorreram diversas comunidades da região de Tefé. Mais de 60 famílias do quilombo acolheram os participantes, oferecendo espaços da escola, refeitório, centro comunitário, casas de moradores, além do campo e da quadra de futebol.
Denise Godim do Carmo, jovem da comunidade Bauana (RDS Uacari, em Carauari – a 788 km de Manaus), participou pela primeira vez do evento. Para ela, foi uma oportunidade concreta de construção de políticas públicas com a participação da juventude. “Nós, jovens, podemos atuar, dar nossas vozes e falar sobre nossa emancipação dentro do território, sobre os trabalhos que desenvolvemos e, principalmente, sobre as políticas públicas que desejamos e almejamos conquistar”, afirmou.
A Carta Regional das Juventudes de Povos e Comunidades Tradicionais traz reivindicações claras aos governos e à sociedade civil, com foco na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontecerá neste ano, em Belém (PA).
Jovens de comunidades tradicionais. Foto: divulgação
O texto reforça que a Amazônia é um território vivo e habitado, e não um “vazio” a ser explorado, como ainda é tratado por muitas políticas públicas e pelo mercado. Os jovens relatam que as mudanças climáticas afetam diretamente suas vidas, dificultando a pesca, agricultura, navegação e o acesso à educação. Ainda assim, continuam cuidando das florestas, rios, saberes e culturas.
“Vivemos grandes avanços na construção de uma carta de reivindicação dos povos e comunidades tradicionais — que será revisada e entregue às autoridades na COP30 e ao Governo Federal. A juventude está presente, sonhando e propondo alternativas para manter a floresta em pé. Porque decidimos estar nesses espaços de decisão coletiva”, afirma Wendel Araújo, secretário de Juventude do CNS.
Durante o encontro, também foram realizadas diversas manifestações culturais. Os moradores do Quilombo Bauana apresentaram um desfile com imagens em defesa da fauna, da flora amazônica e das economias da sociobiodiversidade. No segundo dia, encenaram a tradicional dança do agricultor, com moradores carregando utensílios das roças.
Jovens de comunidades tradicionais. Foto: divulgação
Além disso, no terceiro dia, uma instalação artística em uma árvore chamou a atenção para a defesa dos saberes e da importância das populações extrativistas na luta contra as mudanças climáticas.
A iniciativa foi promovida pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Memorial Chico Mendes (MCM), Jovens Protagonistas (JP) e Associação dos Moradores e Produtores Agroextrativistas da Flona de Tefé e Entorno (APAFE), com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), SOS Amazônia, Instituto Clima e Sociedade (ICS), Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Rainforest Noruega (RFN), GIZ, ICMBio, Prefeitura de Alvarães, Câmara de Vereadores de Alvarães, CONAQ-AM, grupo Mulheres Protagonistas da Flona Tefé, Quilombo São Francisco do Bauana, Rede Maniva de Agroecologia (REMA), entre outras organizações locais.
A construção de soluções climáticas eficazes e duradouras exige, mais do que nunca, a integração ativa da sociedade civil nos grandes fóruns internacionais. Essa é a principal conclusão do relatório Promovendo o Engajamento Inclusivo da Sociedade Civil na COP30 e Além, a partir de entrevistas com lideranças de seis das últimas oito COPs do Clima, além de representantes de atores estatais e organizações da sociedade civil.
Elaborado pelo WWF e o Boston Consulting Group (BCG), o estudo também se baseia na análise de mais de 30 fontes públicas e nas diretrizes da UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima.
O trabalho reúne e sistematiza as melhores práticas para assegurar que a participação da sociedade civil seja de fato significativa, contribuindo de forma concreta para a governança climática global, destacando que o sucesso da COP vai além dos acordos entre governos.
Para que a conferência seja realmente transformadora, é essencial que ela promova inclusão, transparência e uma atuação climática contínua, construída em diálogo com organizações da sociedade civil, povos indígenas, comunidades tradicionais, juventudes, movimentos sociais e demais grupos historicamente pouco representados.
Para isso, o estudo propõe estratégias práticas que ajudam a aproximar a sociedade civil dos objetivos da conferência – como a criação de redes colaborativas, ajustes logísticos que ampliem a acessibilidade e o desenvolvimento de espaços integrados, voltados à construção de soluções concretas.
A proposta inclui ainda, mecanismos de acompanhamento que assegurem a continuidade do engajamento antes, durante e após o evento e recomenda que a presidência da COP30 exerça um papel estratégico de catalisação e articulação institucional para promover escutas e a inclusão da sociedade civil no processo de tomada de decisões da Conferência.
Apesar de os avanços no reconhecimento do papel da sociedade civil nas negociações climáticas, o relatório aponta que ainda há barreiras significativas a serem enfrentadas. As tensões geopolíticas e as disparidades econômicas seguem desafiando o multilateralismo, dificultando a integração plena de vozes diversas nos espaços decisórios.
Além disso, restrições logísticas e financeiras limitam a presença de grupos sub-representados, sobretudo em regiões com menos recursos. A complexidade dos processos de credenciamento e a ausência de mecanismos eficazes para acompanhar os compromissos voluntários assumidos também enfraquecem o impacto da participação social.
Imagem aérea de queimadas na cidade de Altamira, Estado do Pará. Foto: Victor Moriyama/Greenpeace
Superar esses obstáculos requer reformas estruturais que promovam inclusão, transparência e co-responsabilidade no processo, além de um redesenho dos critérios que definem o sucesso das COPs, colocando o engajamento social como um dos pilares centrais.
Tatiana Oliveira, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil, afirma que “mais do que uma proposta técnica, o relatório é um chamado à ação coletiva. Ele aponta caminhos que podem ser úteis para a COP de Belém, de modo que ela seja mais inclusiva e potencialize as conexões e parcerias entre sociedade civil, governos e outros atores relevantes na agenda, valorizando a pluralidade de perspectivas como elemento central para enfrentar a crise climática global”.
Para a especialista, a realização da COP30 em solo brasileiro representa uma oportunidade histórica para o país liderar, pelo exemplo e com responsabilidade, um novo capítulo da governança climática. “Diante de um cenário internacional marcado por desafios geopolíticos e desigualdades profundas, fortalecer o multilateralismo e o diálogo entre diferentes setores é fundamental. Nesse contexto, o evento se configura como uma possibilidade única para demonstrar que somente com cooperação internacional, participação cidadã efetiva e compromisso político é possível construir soluções sustentáveis e justas para o planeta”, afirma.