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Jorge Teixeira ou ‘Jorge Texas’: saiba quem é o patrono do bairro mais populoso de Manaus

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Jorge Teixeira e sua mulher Aida Fibiger. Foto: Rosinaldo Machado/Arquivo pessoal

Oficialmente, Jorge Teixeira, mas para quem é da área, é o famoso “Jorge Texas“. O bairro mais populoso da capital amazonense ganhou esse apelido que “bomba” entre os moradores, especialmente nas redes sociais. Com mais de 133 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nome faz homenagem a um antigo prefeito de Manaus e ao primeiro governador de Rondônia.

Sabia disso? Não?! Então vem conhecer a história dessa personalidade!

De acordo com o acervo de biografias da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Jorge Teixeira não nasceu no Amazonas nem em Rondônia, mas em General Câmara, uma pequena cidade no Rio Grande do Sul.

Ele ingressou na Academia Militar das Águas Negras e se tornou aspirante do Exército em 1947. Em 1966, já durante a Ditadura Militar, alcançou o posto de tenente-coronel e fundou, em Manaus, o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), que comandou até 1971.

Foi também nesse período que Teixeira atuou no combate à Guerrilha do Araguaia, nas regiões do sul do Pará e norte de Goiás (atualmente Tocantins). Após esse episódio, retornou a Manaus, onde fundou, em 1971, o Colégio Militar de Manaus, permanecendo à frente da instituição até 1973.

No ano seguinte, em 1974, Jorge Teixeira foi nomeado prefeito de Manaus pelo então presidente Ernesto Geisel.

Durante sua gestão, ficou conhecido por rasgar cartões de visita de políticos que pediam empregos, justificando que não se devia “misturar uma coisa com a outra”, segundo sua biografia.

Aida Figiber e Jorge Teixeira. Foto: Rosinaldo Machado/Arquivo pessoal

Teixeira foi prefeito de Manaus até 1979, quando foi nomeado pelo presidente João Figueiredo para o governo do então território de Rondônia, pelo Partido Democrático Social (PSD), cargo que ocupou até 1985, quando foi substituído por Ângelo Angelim.

Embora pouco se saiba sobre seus grandes feitos na capital do Amazonas, como a criação do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e do Colégio Militar de Manaus, seu legado está fortemente associado ao bairro que leva seu nome. A principal avenida que liga as Zonas Oeste e Centro-Oeste da cidade também homenageia Jorge Teixeira: a Avenida Coronel Teixeira.

O bairro

Localizado na periferia de Manaus, o bairro conta com 133.448 habitantes, segundo o Censo do IBGE. É um verdadeiro reduto de famílias manauaras, além de abrigar uma grande variedade de pequenos e médios comércios que impulsionam a economia local.

Segundo Antonaccio, o bairro surgiu oficialmente durante o primeiro mandato de Arthur Neto como prefeito de Manaus, entre 1989 e 1992.

Avenida Itaúba, via conhecida no bairro Jorge Teixeira, em Manaus. Foto: Eliana Nascimento/Acervo/g1 Amazonas

A fundação do bairro ocorreu em 25 de março de 1989, com a realização da primeira missa no local.

O bairro também é conhecido pela Rua do Fuxico, um importante centro comercial da Zona Leste de Manaus. No entanto, os dados de Segurança Pública indicam que é um dos locais mais violentos da cidade. Em 2021, por exemplo, mais de 80 homicídios foram registrados em apenas sete meses.

“O comércio local é bastante movimentado, com venda de alimentos como milho, feijão, mandioca, arroz e açúcar, além de materiais de construção, eletrodomésticos e eletrônicos. Esses produtos estão presentes tanto na Avenida Penetração quanto na Jorge Teixeira, que atravessa grande parte do bairro e conecta à Grande Circular”, conclui Antonaccio.

A falta de infraestrutura nas moradias é outro desafio enfrentado pelos moradores da região. Em 2023, um deslizamento de terra em uma comunidade do bairro tragicamente causou a morte de oito pessoas.

*Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Projeto de fossa ecológica beneficia comunidades rurais em Tomé-Açu, no Pará

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Foto: Divulgação

Buscando oferecer soluções sustentáveis para o tratamento de águas escuras (esgoto sanitário), um projeto idealizado pela professora Marcela Cunha, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), vem desenvolvendo fossas ecológicas em comunidades rurais de Tomé-Açu, no nordeste do Pará.

O projeto, que iniciou em 2023, nasceu da necessidade local de tratar esgoto, especialmente na zona rural, onde a ausência de sistemas adequados é uma realidade crítica. A iniciativa utiliza a tecnologia de fossas ecológicas ou bacias de evapotranspiração (BET), que combinam materiais de baixo custo e reaproveitados, como entulhos, pneus usados e restos de construção, para criar um sistema fechado e eficaz de tratamento.

A professora explica que toda essa estrutura é sustentável e ecologicamente responsável. “A BET é um sistema fechado de tratamento de água escura [esgoto sanitário]. A tubulação que sai do vaso sanitário chega na BET e desce até o túnel de pneus. Lá dentro, vai ocorrer a fermentação da matéria orgânica contida na água escura. Em seguida, a água entra em contato com as diferentes camadas que existem dentro da BET: camada de entulho grosseiro, pedra, restos de cerâmica, seixo, brita e areia. Nestas camadas, os processos de filtragem e decomposição continuam, dando origem aos nutrientes orgânicos que vão ser absorvidos pelas raízes das plantas que sobrepõe a BET, como bananeiras, mamoeiros, taiobas e etc. Vale ainda lembrar que as plantas eliminam a água do sistema por evapotranspiração”.

Foto: Divulgação

O principal objetivo do projeto é fornecer às comunidades rurais um sistema acessível e replicável para o tratamento de esgoto, evitando a contaminação do solo e dos recursos hídricos. Até o momento, seis BETs foram instaladas, beneficiando diretamente mais de 30 pessoas em cinco famílias da comunidade quilombola de Marupaúba.

Além disso, o sistema foi implementado na Associação Agropecuária do Vale do Acará, servindo como ponto de demonstração da tecnologia durante eventos agropecuários. A escolha de Marupaúba, uma comunidade localizada a 46 km de Tomé-Açu, se deve à necessidade de evitar a contaminação do solo próximo ao poço artesiano que abastece os moradores locais.

O projeto já capacitou moradores de três comunidades: Nova Vida, Itabocal Ponte e Marupaúba, para construir BETs, promovendo autonomia e sustentabilidade. A expectativa é instalar mais de 10 BETs até o final do projeto, com a implementação de sistemas em outras comunidades quilombolas e ribeirinhas da região.

Além das famílias diretamente atendidas, toda a comunidade se beneficia da redução na contaminação ambiental. “Sem esse sistema, as águas provenientes do vaso sanitário seriam lançadas diretamente no solo, contaminando o lençol freático e as fontes de abastecimento da população”, concluiu Marcela Cunha.

*Com informações da Ufra

Taça da felicidade amazônica: receita com itens regionais para celebrar um novo ano

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Foto: Reprodução/Amazon Sat

No programa Sabores da Amazônia, do Amazon Sat, é possível conhecer receitas e releituras culinárias com a adição de itens da região. Para esta virada de ano, aprenda com o chef Manoel Brelaz uma receita simples da popular taça da felicidade, mas com um ingrediente muito querido da região: a banana pacovã frita:

Ingredientes

300 gramas (g) de banana pacovã madura frita, confeitada com açúcar e canela

100 g morango

100 g de kiwi

300 g de pudim cortados 

300 g de chantilly à gosto

400 g de crème pâtissière

Decoração

30 g de chocolate derretido no bico

Frutas para finalizar a decoração

Modo de preparo

Esta é uma receita simples e que pode ser feita de acordo com o gosto de quem a montar. Basta distribuir as frutas cortadas em uma taça conforme sua imaginação e seguir as dicas do chef:

A sementinha perseverante…

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Imagem ilustrativa gerada por meio de IA

Por Estevão Monteiro de Paula*

Em uma floresta exuberante, vivia uma pequena semente. Chamava-se Esperança. Ela sonhava em se tornar uma grande árvore, com raízes profundas e galhos que tocassem o céu. Mas a seca havia assolado a floresta e o solo estava rachado e árido.

Esperança tentava de todas as formas germinar, mas a terra seca e o sol escaldante a impediam. Seus amigos, os animais da floresta, a incentivavam: a formiga trabalhadora lhe dizia para não desistir, o sabiá cantava melodias alegres para animá-la e a capivara a convidava para beber água em um pequeno poço que havia encontrado.

Um dia, enquanto buscava por um pouco de umidade, Esperança, entristecida pela possibilidade de não florescer, observa a formiga arrastando uma folha maior que ela e pergunta:

– Formiguinha, você nunca desiste, não é? Como consegue tanta força para carregar coisas tão pesadas?

A formiga para e olha para a Sementinha, com seus olhos brilhantes:

– É simples, Sementinha. O trabalho em equipe move montanhas! E a persistência é a chave para tudo. Mesmo que seja só um pouquinho a cada dia, a gente consegue grandes coisas.

Esperança olha fixamente para a formiga e diz:

– Estou sem força, acho que não conseguirei cumprir a minha missão de florescer. Falta umidade, água para que eu possa absorver nutrientes dos fungos do solo e começar a crescer.

O sabiá que estava pousado em um galho próximo a cantar uma melodia suave, percebendo a tristeza da Esperança, interrompe a canção e pergunta:

– Por que você está tão desanimada, pequena Sementinha?

A Sementinha explica sua situação e o sabiá, com sua voz melodiosa, responde:

– Lembre-se, Sementinha, mesmo nas maiores tempestades, o sol sempre volta a brilhar. Acredite em si mesma e na força da natureza. As raízes mais profundas encontram as melhores águas.

Esperança, a pequena sementinha, apesar de desolada, mas confortada com as palavras dos amigos, continua procurando a umidade para umedecer seu corpo e finalmente alimentar-se dos fungos para germinar.

De repente, Esperança sentiu um tremor no solo. Um grupo de onças, guiadas por uma velha e sábia onça, aproximava-se. A Sementinha se aproxima e, com voz tímida, pergunta:

– Senhora Onça, você acredita que eu possa encontrar água? A seca está tão forte.

A onça, com um olhar sábio, responde:

– Pequena Sementinha, não desanime, a natureza é cheia de surpresas. A vida sempre encontra um caminho, se você buscar com determinação encontrará o que precisa. Busque nas profundezas da terra, onde a água ainda pode ser encontrada.

A onça se agacha e, com sua pata macia, afaga a cabeça da Sementinha, transmitindo-lhe força e confiança.

Inspirada pelas palavras e a atitude da onça, Esperança começou a cavar com todas as suas forças. Seus brotos se aprofundavam cada vez mais, até que, finalmente, sentiu a umidade da terra. Com grande esforço, suas raízes alcançaram uma veia d’água subterrânea.

A partir dali, Esperança começou a crescer forte e saudável. Seus galhos se estenderam em direção ao sol, e suas raízes se fixaram profundamente no solo. Logo, uma pequena árvore surgiu no meio da floresta seca, trazendo vida e esperança para todos os seres que ali viviam.

Moral da história:

Mesmo diante das maiores dificuldades, a esperança e a perseverança podem nos levar a alcançar nossos objetivos. Assim como a pequena semente, podemos superar qualquer obstáculo e florescer, trazendo alegria e beleza para o mundo.

Feliz ano novo!!!

*Observação: Este texto foi escrito por meu irmão Estevão e gentilmente cedido para fazermos uma reflexão sobre este dia. 

Sobre o autor

Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pesquisa analisa efeitos da ingestão de microplásticos em caranguejo vermelho no Amazonas

Foto: Gustavo Yomar Hattori/Arquivo pessoal

Um grupo de pesquisadores do município de Itacoatiara (distante 176 quilômetros de Manaus), no Amazonas, avaliou os efeitos da ingestão de microplásticos em caranguejos vermelhos (Dilocarcinus pagei), espécie comum na região amazônica encontrada em área de várzea. A pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), buscou conhecer os impactos dos poluentes, na preservação dos crustáceos e da fauna aquática.

Amparada via Programa de Apoio a Pesquisa–Universal Amazonas da Fapeam, edital Nº 006/2019, a pesquisa intitulada ‘Resíduos de microplásticos e sua influência na biologia do caranguejo vermelho Dilocarcinus pagei capturados nas áreas de várzeas de Itacoatiara’ foi desenvolvida por cientistas do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O estudo constatou que a ingestão de microplástico pode causar efeitos negativos no crescimento de juvenis, ganho de peso e influenciar na sobrevivência dos adultos dessa espécie de caranguejo de água doce.

Segundo o coordenador da pesquisa, Gustavo Yomar Hattori, as partículas de microplásticos vêm sendo encontradas em grande variedade e quantidade em ambientes de água doce, com exposição cada vez mais frequente nos organismos aquáticos.

Doutor em Zootecnia, Gustavo Hattori afirma que o efeito da ingestão do microplástico misturado na ração e à macrófita também foram avaliados no crescimento de juvenis dos caranguejos, recém eclodidos por um período de 90 dias, além do efeito no ganho ou perda de peso de machos e fêmeas adultos.

Foto: Divulgação

Microplásticos

O estudo analisou via microscopia eletrônica de varredura (MEV), lupas com sistema de análise de imagem e a espectroscopia vibracional Raman para identificar e confirmar a presença das partículas microplásticos oriundas de sacolas plásticas de polietileno fragmentadas 0,5 e 1 milímetro nos crustáceos.

O coordenador da pesquisa, relata que os caranguejos têm o hábito alimentar onívoros além de serem atraídos por matéria orgânica em decomposição.

Para conscientizar sobre a contaminação dos microplásticos nos rios, lagos e igarapés da região, os pesquisadores também realizaram oficinas nas escolas da zona urbana de Itacoatiara.

*Com informações da Fapeam

Projeto de lei cria Plano de Gestão Integrada de Recursos Hídricos na Região Norte

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Foto: Ricardo Oliveira/Ipaam

O Projeto de Lei 2912/24 cria o Plano de Gestão Integrada de Recursos Hídricos na Região Norte. A proposta tem como objetivo garantir o uso sustentável das águas superficiais e subterrâneas. O texto acrescenta a previsão na Política Nacional de Recursos Hídricos.

O projeto estabelece o monitoramento e mapeamento contínuo dos recursos hídricos; a gestão integrada das bacias hidrográficas; a participação da sociedade civil e de organizações não governamentais na gestão dos recursos hídricos como diretrizes da proposta.

O autor, deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), afirma que a medida é crucial para garantir o uso sustentável dos recursos hídricos na região Norte, promovendo uma gestão eficiente e participativa das águas superficiais e subterrâneas.

Próximos passos

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pelos deputados e pelos senadores.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

Vídeo: documentário lançado no Pará aborda Artesanato Florestal

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Foto: Divulgação

Situada na Reserva Extrativista Renascer, no município de Prainha, no Pará, a comunidade Santo Antônio é o lar de um grupo de moradores que, além do artesanato, dedicam-se à pesca, agricultura familiar e extrativismo. A sede da gestão da área de conservação está localizada em Santarém, mas a verdadeira alma da reserva está na vida cotidiana dessas famílias que dependem da floresta para seu sustento.

Nesse sentido, o documentário ‘Arte da Floresta: Uma Viagem sob os Olhares e Mãos de Artesãos Tradicionais’ foi lançado, em dezembro, como forma de valorizar o artesanato florestal.

Realizado pela Associação Tamuá, o projeto conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Prainha e da Prefeitura Municipal de Prainha, e tem a Farol do Norte Produções como produtora contratada. A produção foi viabilizada pela Lei Paulo Gustavo, reforçando o compromisso com a valorização da cultura e da economia sustentável da Amazônia.

O documentário apresenta o trabalho desses artesãos, que transformam materiais coletados na floresta – como cipós, madeiras caídas, folhas e galhos – em peças únicas e sustentáveis. Todo o processo é feito manualmente, em um profundo respeito à natureza e à biodiversidade local. Este trabalho artesanal, fruto de saberes passados de geração em geração, já ultrapassou as fronteiras da Amazônia, ganhando reconhecimento em feiras internacionais de produtos amazônicos e naturais.

Além de destacar o trabalho artesanal, o filme aborda os desafios sociais e econômicos enfrentados pela comunidade. Ao documentar o cotidiano de Santo Antônio, o projeto busca valorizar a importância da economia sustentável na Amazônia, onde os recursos naturais são usados de forma consciente, garantindo tanto o sustento das famílias quanto a preservação do meio ambiente.

Com imagens exuberantes e depoimentos tocantes, ‘Arte da Floresta’ convida o público a conhecer a riqueza cultural e ambiental da Reserva Extrativista Renascer e a importância do artesanato como um elo vital entre as comunidades e a floresta.

Confira:


• Plataformas: https://youtube.com/@leandroxavierof e @leandroxavier.blog.br
• Direção: Leandro Xavier
• Proponente: Maria do Socorro Guedes Costa
• Realização: Associação Tamuá
• Apoio: Secretaria Municipal de Cultura de Prainha e Prefeitura Municipal de Prainha
• Produção: Farol do Norte Produções

Baixada da Sobral: conheça a história do maior aglomerado de bairros de Rio Branco

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15 bairros da regional são cortados pela Avenida Sobral. Foto: Reprodução/Google Street View

Não é incomum ouvir pessoas mais velhas falarem isso, especialmente em Rio Branco (AC), onde o desenvolvimento urbano está relacionado à exploração de terras por latifundiários. No caso da Baixada da Sobral, o maior aglomerado de bairros da capital acreana, isso se confirma.

Atualmente, a regional se confirma como o maior aglomerado de bairros de Rio Branco. No total, mais de 100 mil pessoas moram nos 18 bairros existentes na localidade, ultrapassando até a quantidade de moradores de Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do estado.

O bairro Sobral herdou o nome de uma fazenda que funcionava no local. A região cresceu em volta do estabelecimento e do Aeroporto Francisco Salgado Filho, que deu origem ao bairro Aeroporto Velho.

Foto: Reprodução/Blog Fala Baixada

‘O sol brilha para todos’


Atualmente, compõem a Baixada da Sobral os seguintes bairros:

Preventorio
Palheiral
Bahia Velha
Bahia Nova
João Eduardo I
João Eduardo II
João Eduardo III
Glória
Pista
Aeroporto Velho
Airton Sena
Boa União
São Sebastião
Boa Vista
Sobralzinha
Santo Afonso
Plácido de Castro
João Paulo

Entre os anos de 2008 e 2009, os moradores participaram de uma eleição que escolheu um nome para a regional. O nome, escolhido por votação popular, foi apresentado ao conselho municipal, mas não chegou a ser adotado oficialmente.

“A gente [conselheiros municipais] falava aqui da região, como era a nossa região, o que tinha de bom, o que tinha que se mudar. Foi crescendo [o bairro], e começaram a dar a ideia de escolher um novo nome para a regional, porque não tinha só a Sobral. E aí ficou Baixada do Sol, que tem a ver com movimento, com alegria. Porque aqui é periferia, mas o povo é alegre, o povo é hospitaleiro, o povo acolhe as pessoas. Não tem aquele negócio de andar no salto alto. O sol é aquela coisa lá em cima, né? Brilha, por onde você passa, ele brilha para todo mundo”, acrescenta Janete.

Na regional que acolheu pessoas de origens tão diferentes, a produtora cultural Arinete Araújo se encontrou. Ela também se lembra dos bairros ainda no estágio inicial de desenvolvimento.

Com o passar dos anos e o envolvimento com a comunidade, Arinete também participou da formação da quadrilha junina Assanhados na Roça, que representa a regional, e já existe há cerca de 30 anos.

Arinete conta que a junina surgiu a partir de uma ideia de Janete, que notou a falta de opções de lazer e diversão na região, apenas alguns campos de futebol e igrejas.

Ela entrou na organização para ajudar na presidência por um mês, pois, como deficiente, tinha direito a um cartão de ônibus especial, o que facilitava na participação em reuniões no quadrilhódromo, que ficava longe da regional. Porém, acabou sendo escolhida como líder da junina, e ajudou a desenvolver.

“A gente corria atrás de ir para a reunião, e aí começou a vir um bairro, começou a vir outro, aí nós sentávamos com os moradores para escolher os nomes dos bairros. Participei de várias coisas, do João Eduardo também, que, através da igreja, a gente fazia todo o acompanhamento, aquela luta na assistência social, economia solidária, Mesa Brasil”, ressalta.

Célebres moradores

Goleiro titular da seleção brasileira de futebol na conquista do então inédito ouro olímpico nas Olímpiadas do Rio de Janeiro, em 2016, e vencedora do reality show Big Brother Brasil, da Rede Globo, em 2018. Estes são os dois maiores exemplos de moradores famosos da Baixada da Sobral.

Gleici Damasceno, de família humilde da periferia da capital, tem dois irmãos, 15 tias e 50 primos, e é a única deles a ter concluído o ensino médio e a fazer curso superior. Ela também é militante dos direitos humanos e da juventude negra. Após quase 90 dias confinada, Gleici venceu o reality com 57,28% dos votos. Pouco tempo depois da vitória, ela voltou à baixada, onde foi recebida por uma multidão.

 Foto: Aline Nascimento/Rede Amazônica AC

“Não sabia a dimensão disso aqui. Parece que estou sonhando. Não sei explicar o que é porque nunca vivi isso. Estou nervosa, até tremendo”, contou Gleici.

E a grande população da baixada não costuma abandonar os seus. O goleiro Weverton ganhou uma homenagens dos torcedores acreanos na véspera da estreia da Seleção na Copa do Mundo do Catar, em 2022. Um boneco que simboliza o jogador acreano foi pendurado em cima de uma placa de sinalização na Avenida Sobral.

Vestido com camisa da amarela, o boneco foi colocado de braços abertos. Uma bandeira do Brasil também foi pendurada no mesmo local. O ge entrou em contato com familiares do jogador em Rio Branco, mas foi informado que nem o boneco e nem a bandeira foram colocados pela família.

Quem também homenageou Weverton foram as crianças da Creche Sorriso de Criança, situada na baixada. Ao lado dos educadores, as crianças produziram banners personalizados para o goleiro.

*Por Victor Lebre, da Rede Amazônica AC

Cacau produzido no Pará ganha destaque mundial por gerar desenvolvimento com sustentabilidade

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Foto: Divulgação/Fapespa

O Pará é o maior produtor de amêndoa de cacau do Brasil, responsável por quase 145 mil toneladas, o que supera em 53% toda a produção nacional. O Estado conta com mais de 31,5 mil produtores, segundo dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa). Medicilândia, Uruará, Anapu, Brasil Novo, Placas, Altamira, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio, Tucumã e Pacajá são os municípios paraenses que mais produzem o fruto.

No contexto da economia mundial, o Brasil se destaca dentre os principais produtores, estando na sétima posição, com quase 270 mil toneladas em 2020, o que corresponde a 4,7% da produção global. E o Pará figura entre os maiores produtores do planeta, seguido pela Bahia.

A comercialização externa é outra dimensão da cacauicultura. De 1998 a 2022 o preço do cacau bruto paraense no comércio externo passou de US$ 1,6 por kg para US$ 3,4 por kg – um aumento de 118,4% no período.

Já o cacau em pó, com maior valor agregado, começou a ser mais comercializado pelo Pará a partir de 2018, saindo de US$ 2,2 por kg, para US$ 5,2 por kg, correspondente a quase duas vezes o preço do cacau bruto nos últimos anos.

Agricultura familiar

Esses dados mostram o resultado de investimentos do governo do Estado na cadeia produtiva do cacau. Atualmente, a Fapespa destina R$ 2.535.079,20 para dez projetos que envolvem cacau, sendo sete de pesquisa e três de apoio a Startups.

Grande parte do cacau produzido no Pará é oriundo da agricultura familiar, geralmente de sistemas agroflorestais (SAFs), os quais permitem um ecossistema diversificado e benéfico ao desenvolvimento das plantas e à qualidade do solo, garantindo maior eficiência.

O engenheiro agrônomo e florestal Deyvison Medrado, diretor Científico da Fapespa, explica que a sustentabilidade dessa cadeia produtiva é resultado de vários fatores, incluindo aumento da produtividade, com utilização de técnicas adequadas de manejo, como poda, controle de pragas e doenças, e uso eficiente de fertilizantes. Essas técnicas resultam em mais cacau produzido por hectare, aumentando a renda dos agricultores sem a necessidade de expandir a área cultivada.

Outro fator essencial é a conservação do solo e da água, uma vez que práticas como o plantio em contorno, cobertura do solo e sistemas agroflorestais ajudam a conservar esses dois recursos naturais, o que melhora a saúde do cacaueiro e protege o solo e os cursos d’água, garantindo sustentabilidade em longo prazo.

Foto: Divulgação/Fapespa

Diversificação

A sustentabilidade da cacauicultura também depende da diversificação de culturas, pois a integração do cacau com outras espécies em sistemas agroflorestais pode diversificar a renda dos agricultores, o que os ajuda a enfrentar flutuações de mercado e mudanças climáticas. A diversidade de plantas também pode melhorar o ecossistema agrícola.

Deyvison Medrado destaca ainda as certificações de mercado premium, práticas de manejo sustentável que permitem aos agricultores obter certificações, como Fair Trade ou Rainforest Alliance, que muitas vezes permitem acesso a mercados premium e preços mais competitivos para o cacau.

“Daí a importância de o Estado investir nas pesquisas, uma vez que o aprimoramento das técnicas de manejo agronômico do cacau potencializa a produtividade, a qualidade dos frutos e seus derivados, o que reflete no escalonamento das vendas”, informa o pesquisador.

Inovação tecnológica

Entre os projetos apoiados pela Fapespa está “Utilização de inteligência artificial para reconhecimento por imagem das principais doenças da cultura do cacau na região amazônica”, denominado “CIDD: Cacau Inteligente – Diagnóstico de Doenças”, cujo objetivo é prevenir possíveis pragas nas lavouras paraenses que acometem o cacau, como a vassoura-de-bruxa, a podridão parda e o mal do facão, que se destacam visualmente, permitindo que sejam detectadas com o uso de técnicas de reconhecimento de imagem (também conhecidas como técnicas de visão computacional).

O projeto coletou imagens de cacau de diferentes regiões do Pará, como Paragominas (no sudeste), Tomé-Açu (nordeste), Benevides (Região Metropolitana de Belém) e Altamira (oeste), e montou um banco de dados, que serviu de base ao treinamento para o modelo de inteligência artificial. A partir desse modelo, foi construído um aplicativo móvel (CIDD).

A pesquisa também resultou em parcerias com a República Dominicana para implantação do Projeto “Use of artificial intelligence for image recognition of the main diseases of cocoa cultivation in the Dominican Republic”, desenvolvido naquele país da América Central e financiado pelo FONDOCyT, do “Ministry of Higher Education, Science and Technology (MESCyT), que está em execução desde o início de 2024.

Prevenção

Entre os desafios futuros, o grupo de pesquisadores pretende acrescentar a tecnologia molecular (Ciências Ômicas) ao projeto, elevando o combate aos fungos para atingir um nível preventivo, e não apenas reativo. O grupo propõe a implantação de uma vigilância genômica do cacau, o que permitiria detectar de forma antecipada pragas bem mais severas, como a Monilíase.

“As pesquisas fomentadas pela Fapespa são fundamentais para o desenvolvimento de novos produtos e pela intensificação e o aprimoramento daquelas cadeias produtivas já existentes. No caso do cacau, nosso Estado já detém a maior produtividade do mundo, e certamente com essas novas tecnologias teremos a oportunidade de ampliar ainda mais essa vantagem competitiva”, enfatiza o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.

*Com informações da Fapespa

A promessa de Natal que não pode ser cumprida

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Momentos mágicos. O Natal nos traz lembranças de lugares adormecidos, misturando nós mesmos com pessoas que fomos um dia e com pessoas que já não estão por aqui. Quanto mais idade, mais natais e mais misturas. Quando eu era criança, existia o Papai Noel. Quando minhas filhas nasceram, Papai Noel voltou. Na época, o Natal na casa dos meus pais tinha quase 10 crianças, e a família crescia a cada ano. A árvore cheia de presentes aguardava até meia-noite para que fossem abertos. Eu era o locutor oficial da distribuição. Gritava alto de fulano de tal para beltrano e entregava o presente que era aberto imediatamente, na presença de todos. Nos bastidores, fofocas de família, brigas de ocasião e, na hora certa, o clima de final de novela, com todos em paz, amando uns aos outros, como nos ensina o aniversariante.

A memória vai para a frente e estou agora em outro Natal. É literalmente outra vida. Minhas filhas já estão em seus próprios natais, em outras localidades. Meus pais, um dos irmãos e minha primeira esposa já não estão por aqui. Estou conhecendo uma outra família. Neste momento, eu já não sou o sogro, papel que me acostumei ao longo dos anos. Agora eu sou o genro. Nunca tive sogros antes, pois os pais da minha primeira esposa, com quem fui casado por mais de 30 anos, morreram antes de nos casarmos e o pai dela, nem cheguei a conhecer. Eu me tornei sogro muito novo e, agora, bem mais velho, virei genro.

A casa também estava cheia e as pessoas felizes. Era o mesmo Natal, mas não existem Natais iguais e este também era único. Também era mágico. Na nova condição de genro, sem pensar muito, fiz uma promessa aos meus sogros. Uma promessa que sempre esperei dos meus genros. Algo que todo pai pediria ao Papai Noel. Disse a eles: “farei a sua filha feliz”.

Fui sincero na minha promessa, mas não verdadeiro. Ninguém pode fazer ninguém feliz. Hoje, passados doze anos, e estudando melhor o assunto, sei que a felicidade precisa ser construída pela própria pessoa. Falamos sobre isso em outros artigos, quando tratamos da felicidade nas empresas. As organizações têm um papel, mas a cada pessoa cabe a responsabilidade de construir a sua própria felicidade.

É Natal e as famílias já se juntaram. Daqui a poucas horas, será a ceia e o Papai Noel é esperado. Não é possível juntar todo mundo. Uma filha e neta estão por aqui e outra filha e cinco netos estão no exterior. Mundo pequeno e mundo grande demais. Além de outros parentes nossos, por parte da minha mulher estão: filhos, irmãos, sobrinhos e os seus pais, que lideram a comunhão de todos.

Relembro a promessa que fiz aos meus sogros, agora meus amigos do peito: “farei a sua filha feliz”. Eles estranham e olham para ela. A filha deles está com um sorriso aberto e transborda alegria na maior parte de seus dias. Ela é, grata, possui um propósito, cultiva amizades e trabalha por atingir seus objetivos, além de gostar de ser útil. Ela é feliz. Ela constrói a sua felicidade e eu apenas busco ajudá-la nesta jornada.

Voltando às empresas e, também, ao papel de pais, amigos, ou profissionais, não é o que podemos fazer? Criar condições para que cada um construa a sua própria felicidade? Penso que é o melhor presente que Papai Noel pode nos dar neste e nos próximos natais. Que todos sigam construindo felicidade para o seu redor e para si mesmos. O mundo precisa, e a felicidade tem poder multiplicador, muito além do que podemos supor. Que os próximos natais sejam ainda mais mágicos e mais felizes!

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista