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COP-16, na Colômbia, pouco avança em relação às metas do evento, “Paz com a natureza”

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Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A 16ª edição da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-16) começou nesta segunda-feira, 21, em Cali, Colômbia, e se estendeu até 1º de novembro. Com o tema “Paz com a Natureza” ajustado ao Dia Internacional da Diversidade Biológica, comemorado na terça-feira, 22, a ONU, organizadora do evento, espera que “todos tenham um papel a desempenhar: “os povos indígenas, as empresas, as instituições financeiras, as autoridades locais e regionais, a sociedade civil, as mulheres, os jovens e o meio acadêmico, que devem trabalhar em conjunto para valorizar, proteger e restaurar a biodiversidade de uma forma que beneficie a todos”. Segundo registros da Agência Brasil, “será a primeira COP da Biodiversidade após a estruturação do Marco Global de Kunming-Montreal (GBF – Global Biodiversity Framework, em inglês), assinado por 196 países em dezembro de 2022, durante o último encontro liderado pelos chineses e ocorrido no Canadá”.

O documento reúne 23 metas globais a serem alcançadas até 2030 em busca da regeneração de todo o conjunto de vida na Terra. De acordo com o documento base do GBF, quatro metas gerais a serem alcançadas até 2050 focam na saúde dos ecossistemas e das espécies, assim entendidos: a) Deter a extinção de espécies induzida pela ação humana, b) Promover o uso sustentável da biodiversidade, c) Garantir a partilha equitativa dos benefícios da biodiversidade e d) Reduzir a lacuna de financiamento da biodiversidade de US$ 700 bilhões por ano. Por outro lado, as vinte e três metas a serem alcançadas até 2030 incluem: a) Garantir a conservação de 30% da terra, mar e águas interiores; b) Restaurar 30% dos ecossistemas degradados pela ação humana; c) Reduzir pela metade a introdução de espécies invasoras e d) Reduzir US$ 500 bilhões/ano em subsídios prejudiciais à natureza.

No tocante às expectativas brasileiras quanto à nova COP estão sendo esperados debates relacionados ao alinhamento à Estratégia e Plano de Ação Nacional para a Biodiversidade (NBSAP – National Biodiversity Strategies and Action Plans, em inglês) pelos países ao GBF. A versão brasileira, elaborada e publicada em 2017, abrangendo o período 2010/2020, relaciona-se às metas de Aichi, aprovadas na COP-10, no Japão. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), embora as discussões sobre a atualização das EPANB no Brasil ainda não estejam esgotadas, a proposta está bastante avançada e as políticas públicas adotadas pelo governo federal já estão alinhadas ao compromisso internacional assumido pelo Brasil, incluindo “uma série de iniciativas que a gente espera poder divulgar e a partir delas construir intercâmbios, interações, parcerias e inclusive novos entendimentos”. O documento do MMA especifica que o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, parte central do Plano Clima, que por sua vez agrega ações para biodiversidade e de
enfrentamento à mudança climática, em um movimento tem sido defendido globalmente pelo Brasil”.

Como previsto na COP-29, o Marco Global de Kunming-Montreal provisionou US$200 bilhões anuais para financiar os esforços globais de conservação da biodiversidade. Há metas anuais estabelecidas, como os R$ 100 bilhões aprovados na COP-21, em Paris, recursos provenientes da parte obrigatória de financiamento dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento. Contudo, segundo o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apenas 23% dessas metas foram cumpridas até o primeiro semestre deste ano. O Brasil também participará da discussão sobre a eficiência do Fundo do Marco Global para a Biodiversidade (Global Biodiversity Framework Fund – GBFF, em inglês), gerido pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility – GEF), como forma de financiamento. Entretanto, o governo repassou até agora, para esse fim, apenas 1% do aporte previsto.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pesca esportiva: ministérios do Turismo e da Pesca vão mapear potencialidades do Pará

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Foto: Divulgação/Ideflor-Bio

Pelas suas características geográficas e diferentes biomas, o Brasil é reconhecidamente um país que apresenta as condições ideais para o desenvolvimento da pesca amadora e esportiva. Com o objetivo de fortalecer esse potencial, o Ministério do Turismo (MTur) e o Ministério da Pesca e Aquicultura firmaram um Acordo de Cooperação Técnica, visando a promoção de atividades turísticas relacionadas à pesca esportiva de maneira sustentável e responsável.  

A parceria está alinhada ao Plano Nacional de Turismo 2024/2027, buscando ampliar a oferta de experiências e produtos turísticos no segmento da pesca, além de fortalecer a cultura pesqueira em todo o território nacional. Por meio dessa iniciativa, os turistas e praticantes terão a oportunidade de vivenciar momentos únicos que combinam lazer, esporte e conexão com a natureza.  

O Pará apresenta um enorme potencial para o turismo de pesca, representado por inúmeras espécies de peixes alvo da pesca esportiva, tanto nacional quanto mundial, representados tanto em ambientes marinhos como em ambientes continentais. Assim como em destinos turísticos distribuídos pelos inúmeros rios, lagoas, lagos das hidroelétricas e região costeira, conhecida como região do Salgado.

Há espécies de enorme interesse desse turista de pesca na costa, na região do Salgado, como o robalo, a pirapema, pescada amarela e xaréu, que são foco da pesca esportiva mundial. Já na região continental o tucunaré, trairão e os peixes de couro em diversos rios atraem praticantes da atividade. “Nossa proposta é recolocar o Pará no cenário nacional e internacional da pesca esportiva. Esse é o desafio”, afirma o secretário de Turismo do Pará, Eduardo Costa.

Ele também destacou a importância dessa iniciativa para a região Norte: “A pesca esportiva é uma atividade com grande potencial de atrair turistas nacionais e internacionais, principalmente na Amazônia, que oferece cenários únicos e biodiversidade incomparável. Este mapeamento vai nos ajudar a consolidar esse segmento, promover nossos destinos e fortalecer a economia local por meio do turismo sustentável”, explica

A colaboração dos agentes locais será essencial para a elaboração desse mapeamento. O MTur solicitou que os pontos focais em cada estado preencham um formulário específico até o dia 31 de outubro de 2024, disponibilizando informações detalhadas sobre as experiências turísticas oferecidas. O formulário pode ser acessado na interne, e também aqui

Para consolidar essas ações, a Coordenação-Geral de Produtos e Experiências Turísticas do MTur lançará em breve a 12ª edição do Boletim de Inteligência de Mercado no Turismo (BIMT), com foco no Turismo de Pesca. A publicação terá como objetivo mapear as ofertas turísticas nas 27 unidades federativas, identificando os principais produtos e serviços disponíveis no segmento.  

O mapeamento realizado pelo BIMT será fundamental para subsidiar ações de promoção e marketing do turismo brasileiro, além de apoiar a comercialização das experiências relacionadas à pesca. O MTur reforça a importância da consulta a agentes receptivos e prestadores de serviços do setor, garantindo que o levantamento seja um retrato fiel da oferta disponível em cada destino. 

Dúvidas sobre o preenchimento do formulário ou o processo de mapeamento podem ser encaminhadas para o email produtos@turismo.gov.br

Estudo técnico sugere criação de Unidade de Conservação Municipal no Pará

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Foto: DGBio/IDEFLOR-Bio

A equipe da Diretoria de Gestão da Biodiversidade (DGBio) do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) concluiu, neste mês de outubro, o levantamento técnico no município de Concórdia do Pará, nordeste paraense, com o objetivo de criar uma nova Unidade de Conservação (UC) municipal.

Foto: DGBio/IDEFLOR-Bio

A área estudada, que possui aproximadamente 9 hectares, tem potencial para se tornar um Parque ou Bosque Municipal, com o nome previsto de Pedro da Mapema em homenagem ao antigo proprietário que doou a terra para preservação.

Os estudos, que incluíram inventários de fauna e flora, além de análises do meio físico, são parte fundamental do processo de criação da UC. A nova área protegida será gerida pela Prefeitura de Concórdia do Pará, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e caso os estudos indiquem a criação de um Bosque Municipal, será um dos primeiros no estado a ser instituído sob o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC), uma política implementada pelo Governo do Pará no final de 2024.

Parceria

A prefeita de Concórdia do Pará, Elisangela Celestino, participou ativamente do processo de alinhamento com a equipe do Ideflor-Bio e técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Para a gestora, a criação da UC será um avanço para o município, proporcionando não apenas a preservação da biodiversidade, mas também oportunidades de lazer e educação ambiental para a população local.

Foto: DGBio/IDEFLOR-Bio

O estudo contou ainda com reuniões entre a equipe técnica do Ideflor-Bio e representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, visando detalhar o processo de criação da UC.

Foto: DGBio/IDEFLOR-Bio

A criação dessa nova UC poderá abrir espaço para atividades de pesquisa científica, turismo ecológico e lazer, fortalecendo o papel do município no cenário ambiental do Pará. A área também deverá servir como um importante recurso para a educação ambiental, despertando na comunidade local a importância de preservar a natureza e proteger os recursos naturais.

Etapas

Os próximos passos no processo de criação da Unidade de Conservação incluem a consolidação dos estudos realizados e a elaboração dos documentos legais que serão submetidos à aprovação. Está prevista ainda uma audiência pública no início de 2025, onde a população de Concórdia do Pará poderá participar ativamente da criação da nova área protegida.

Se tudo correr conforme o planejado, o município de Concórdia do Pará estará prestes a se tornar um exemplo de gestão ambiental para outras regiões do estado, com a implementação de uma política que visa garantir a sustentabilidade e a proteção dos recursos naturais em parceria com o Governo do Pará, por meio do Ideflor-Bio.

*Com informações do Ideflor-Bio

Mel da florada do açaí possui altos teores de compostos antioxidantes

Foto: Ronaldo Rosa

O mel de abelhas africanizadas (Apis mellifera L.), produzido a partir da florada do açaizeiro, possui elevados níveis de compostos bioativos derivados da palmeira amazônica. Essas substâncias são reconhecidas por ter um papel importante na promoção e manutenção da saúde humana. A descoberta é resultado da análise e comparação de méis com origens em diferentes regiões do País e abre caminho para a valorização de um produto da sociobiodiversidade amazônica.

O artigo, intitulado ‘Evaluation of the Bioactive Compounds of Apis mellifera Honey Obtained from the Açai (Euterpe oleracea) Floral Nectar‘, foi publicado na revista científica Molecules por pesquisadores Embrapa, Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Para ser considerado um mel monofloral, o produto do trabalho das abelhas deve ter na sua origem a predominância de néctar da flor de uma determinada espécie vegetal. A legislação brasileira estabelece como critério para essa classificação a presença de pólen de uma única espécie superior a 45% em uma amostra de mel.

Essa concentração em um tipo de florada confere ao mel características únicas no sabor, aroma e cor, além de propriedades funcionais específicas. No caso do mel de açaí, as amostras coletadas no município de Breu Branco (PA) e Santa Maria (PA) foram analisadas e comparadas com méis monoflorais de quatro origens: mel de aroeira, de Minas Gerais; mel de cipó-uva, do Distrito Federal; mel de Timbó, do Rio Grande do Sul; e mel do mangue, do Pará.

De acordo com o pesquisador Daniel Santiago, da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e um dos autores, a escolha desses méis para comparação se deveu às reconhecidas propriedades funcionais e à presença de compostos bioativos que eles possuem, em especial o mel de aroeira, um dos mais valorizados do País.

Foto: Vinícius Braga

Benefícios à saúde

As análises revelaram que o mel de açaí possui elevada capacidade antioxidante. Entre as amostras, o mel monofloral da palmeira amazônica superou em quatro vezes o mel de aroeira na avaliação dessa atividade. “Isso sugere que os méis compostos predominantemente da florada do açaizeiro têm uma capacidade antioxidante mais forte, provavelmente devido a maiores concentrações de polifenóis e outros compostos bioativos”, afirmam os autores.

Outro autor do artigo, o professor da UFPA Nilton Muto, explica que os compostos bioativos, como os polifenóis presentes no mel de açaí, são substâncias encontradas em alimentos e, embora não sejam consideradas nutrientes essenciais (como vitaminas ou minerais), podem ter efeitos benéficos para a saúde. Eles ocorrem naturalmente em pequenas quantidades em plantas e animais e podem influenciar funções biológicas e processos metabólicos no organismo.

De acordo com a literatura científica, a maior concentração de compostos bioativos está relacionada à coloração do mel para um tom mais escuro. E isso se verificou na coloração das amostras de méis de açaí, que variaram de âmbar a âmbar escuro. Muto esclarece, no entanto, que outros fatores também podem influenciar a coloração escura do mel, como os processos de desumidificação e a maturação do produto. “No caso do mel de açaí, ele fica escuro, quase totalmente negro, o que acaba se tornando um atrativo para o produto”, avalia.

Quanto ao sabor do mel de açaí, o professor afirma que o produto foi muito bem avaliado pelos grupos de voluntários e analistas sensoriais. Ele não chega a ser tão doce quanto os demais e possui notas de café.

As análises da pesquisa também confirmaram a presença de vários compostos bioativos que a literatura científica relaciona a propriedades anti-inflamatórias, antibacterianas, antimicrobianas e antitumorais no mel de açaí. Segundo Muto, a verificação dessas capacidades já é objeto de outras pesquisas em andamento.

Foto: Vinícius Braga

Atividade com potencial de expansão

Impulsionados pelo crescente preço do fruto, os plantios de açaizeiro têm se expandido no Pará e os produtores têm buscado formas de incrementar a produtividade por meio da polinização dirigida. Nesse processo, as abelhas são introduzidas nos locais de plantio para que visitem as flores e realizem a polinização.

No Pará, as abelhas que melhor desempenham o papel de polinizar o açaizeiro são as espécies nativas, conhecidas como abelhas sem ferrão. No entanto, o pesquisador da Embrapa explica que, como não existe um mercado estabelecido para oferecer colmeias de abelhas sem ferrão, a alta procura inviabilizou o acesso a muitos agricultores interessados na polinização dirigida do açaizeiro. “Há lugares onde uma colmeia de abelha sem ferrão chega a custar 600 reais”, exemplifica.

Dessa forma, uma alternativa utilizada pelos produtores de açaí para a polinização dirigida tem sido a criação de abelhas da espécie Apismellifera, conhecidas popularmente como africanizadas, por se tratar de um híbrido oriundo do cruzamento de raças europeias e africanas.

Elas são maiores que as nativas, o que representa uma desvantagem no contato com as flores pequenas do açaí, e visitam bem mais as flores masculinas que as femininas. “Ainda assim, as abelhas africanizadas possuem um raio de ação maior, que pode chegar a 1.500 metros, o que favorece que sejam colocadas nas bordas dos cultivos”, pontua.

De acordo com Santiago, ainda não há dados científicos sobre a efetividade da polinização dirigida com abelhas africanizadas para o cultivo do açaí, apenas a percepção positiva dos produtores.

Em 2023, o Brasil produziu 64 mil toneladas de mel. À região amazônica, coube aproximadamente 2% desse total, dos quais o Pará figura com 1,5%. De acordo com o pesquisador, a atividade da apicultura tem grande potencial de ampliação no estado e hoje envolve cerca de 3 mil famílias. “Considerando que o açaí se transformou em um produto internacionalmente conhecido, é possível que osderivados relacionados à identidade dessa fruta também contribuam para aprimorar a apicultura da região”, conclui.

Artigo é resultado de pesquisa integrada sobre a biodiversidade da região

O estudo das propriedades do mel de açaí é fruto da parceria entre a Embrapa Amazônia Oriental, produtores e academia. No Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia, ligado ao Parque de Ciência e Tecnologia Guamá e à Universidade Federal do Pará (UFPA), alunos e professores investigam as possibilidades de novos produtos a partir da biodiversidade da região, enquanto em propriedades de agricultores e na Embrapa aprendem sobre o manejo de abelhas, nativas e africanizadas, e sua relação com a polinização de cultivos. O tema foi trabalhado pelo projeto Agrobio, financiado pelo Fundo Amazônia/BNDES.

Para ela, a descoberta de uma ampla variedade de compostos bioativos no mel de açaí indica um caminho para a produção de ciência com base na biodiversidade da Amazônia. “É um ponto de partida para estudarmos futuramente aplicações em novos produtos”, conclui.

Também assinam o artigo Jéssica Lyssa Araújo, Marly Souza Franco, Camilla Mariane Moura de Souza, Daniel Santiago Pereira, Cláudia Quintino da Rocha, Hervé Rogez e Nilton Akio Muto.

*Com informações da Embrapa

Eleição municipal na Amazônia tem maior número de candidatos indígenas já registrado pelo TSE

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Foto: Fábio Nascimento/MNI

Desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a registrar a etnia dos candidatos no pleito municipal, em 2016, o número de indígenas que tentam se eleger na Amazônia Legal aumentou de 794 para 1.274 candidatos, uma alta de 60%.

Com 1.274 candidatos, a Amazônia Legal registra o maior número de candidaturas indígenas da história nas eleições municipais. Em 2016, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou o primeiro pleito para prefeitos e vereadores com o registro da etnia dos candidatos (o TSE passou a registrar a etnia dos candidatos em 2014, na eleição federal. A eleição de 2016 foi a primeira eleição municipal com o registro de etnia), foram 794 nomes, o que representa um aumento de 60% neste ano. Já comparado a 2020, quando havia 1.112 candidatos indígenas, o crescimento em 2024 é de 15%.

InfoAmazonia analisou o perfil e o crescimento da presença dos povos originários nas eleições municipais. Dentre as candidaturas em 2024, 96% (1.221) são para o cargo de vereador, apenas 1,5% (19) para prefeito e 2,5% (34) para vice-prefeito. A idade média dos candidatos é de 40 anos, e a maioria, 43,5%, possui Ensino Médio completo, enquanto 20% têm Ensino Superior.

As mulheres indígenas continuam aumentando sua participação nas disputas eleitorais. De 2016 para 2024, o crescimento foi de 130%, passando de 192 candidaturas para 441. Apesar disso, o eleitor ainda tem mais opções masculinas, que representam 66% dos candidatos, com 833 nomes neste ano. Comparado a 2016, o número de homens candidatos não cresceu tanto quanto o de mulheres, registrando um aumento de 38%.

Kleber Karipuna, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), afirma que as populações indígenas estão ingressando na vida política por dois motivos: o engajamento das organizações em espaços políticos, como as manifestações que ocorrem em Brasília na luta pela demarcação de terras, e o contexto nacional, em que seus direitos estão sendo ameaçados por parlamentares, especialmente após a presidência de Jair Bolsonaro.

“Desde 2017, há um movimento indígena organizado apoiando candidaturas, trabalhando diretrizes de atuação política, incentivando esses candidatos. Nós necessitamos de parlamentares do nosso lado, mais próximos da nossa realidade, alinhados com as nossas pautas”, afirma Karipuna.

A Apib tem apoiado a participação de lideranças indígenas nas eleições municipais e nacionais. Sonia Guajajara, que era coordenadora executiva da instituição, decidiu se candidatar à vice-presidência na chapa de Guilherme Boulos (PSOL) em 2018. Nas eleições de 2022, foi eleita deputada federal, mas abdicou da cadeira para assumir o cargo de ministra do primeiro Ministério dos Povos Indígenas, na atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além da candidatura de Guajajara em 2018, a Apib também atuou apoiando  indígenas nas eleições municipais de 2020 e criou a Campanha Indígena, um projeto que divulga os nomes dos candidatos e faz uma articulação entre lideranças para garantir mais votos. Em 2024, a campanha apresenta os candidatos indígenas em um único site, que reúne o perfil de cada um deles. O tema deste ano é “Aldear a política é nosso marco ancestral”, em referência à tentativa do Congresso de implementar o marco temporal para a demarcação de terras indígenas.

Inspirada pelos mandatos de Sonia Guajajara (PSOL) e Célia Xakriabá (PSOL), a candidata Nice Tupinambá tenta o cargo de vereadora no município de Belém, capital do Pará. Em 2022, ela também foi candidata à deputada federal, mas não se elegeu. “Nós temos representantes na política indígena [atuando] na Amazônia, mas eles não têm repercussão nem projeção, como têm outras pessoas que estão atuando fora [da Amazônia], como a Sonia e a Célia. Então, falta uma candidatura, um nome indígena da Amazônia, que defenda o nosso bioma, e a gente não tem isso ainda”, diz Nice.

Uma das principais propostas de Nice é o combate à desigualdade de gênero. Em seu plano de ações, ela propõe a reserva de vagas em creches para crianças com mães solteiras e cotas para mulheres em processos seletivos das secretarias municipais e empresas terceirizadas. Ela afirma que sente uma receptividade significativa por parte dos eleitores, principalmente em bairros considerados periféricos de Belém.

“Quando eles [eleitores] me veem de cocar, eles respeitam muito, querem tirar fotos, dizem que indígena precisa votar em indígena. Então, nesse sentido, a acolhida está boa, vejo que as pessoas estão mais conscientes de que a gente [indígenas] foi muito injustiçado durante a história do país e está na hora de a gente tomar conta dos espaços”, afirma. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, com o apoio do Instituto Serrapilheira, escrito por Jullie Pereira. Leia a reportagem completa AQUI.

BNDES seleciona projetos de restauração ecológica na bacia do Xingu entre Pará e Mato Grosso

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Foto: Reprodução/BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com a Energisa, a Norte Energia e o Fundo Vale, selecionou quatro projetos na bacia hidrográfica do Xingu, nos estados do Pará e de Mato Grosso, para destinar R$ 20,3 milhões em recursos não reembolsáveis para restauração de áreas degradadas e fortalecimento de cadeias produtivas da restauração, por meio da iniciativa Floresta Viva.

Os projetos selecionados são: 

  • Na trilha da Floresta Viva: restauração ecológica socioprodutiva na Bacia do Xingu , da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX), 
  • Xingu Sustentável: o cacau orgânico gerando renda e promovendo a restauração ecológica do Médio Xingu , da Cooperativa Central de Produção Orgânica da Transamazônica e Xingu (CEPOTX), 
  • Sempre Vivas, Sempre Verdes: restauração ecológica e inclusão socioprodutiva na Resex Verde para Sempre , com coordenação do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)
  • e Resset Assurini , sob a gestão da Fundação de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável Guamá.

As iniciativas serão responsáveis pela restauração de 700 hectares de áreas degradadas. Além disso também serão realizadas a mobilização e o fortalecimento de grupos de coletores de sementes, estruturação de viveiros, criação de uma agroindústria para beneficiamento de cacau e fomento à pesquisa científica.

O acompanhamento da execução das atividades previstas nos projetos tem gestão do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), organização da sociedade civil de interesse público (oscip), que também coordenou o processo de seleção dos projetos por meio de um edital lançado em setembro de 2023.

O apoio a projetos de restauração ecológica na Bacia do Rio Xingu, por meio da iniciativa Floresta Viva, reforça o compromisso do BNDES no desenvolvimento sustentável da Amazônia. Estamos reconstruindo a floresta com preservação da biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas, o Banco contribui para o bem-estar das populações que vivem na floresta, com a geração de empregos e do fortalecimento das comunidades locais”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

Corredor de Diversidade Socioambiental do Xingu

A bacia do Rio Xingu abrange cerca de 53 milhões de hectares e 50 municípios nos estados do Pará e de Mato Grosso. O rio percorre áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação, criando um corredor de sociobiodiversidade que conecta biomas, mas enfrenta desmatamento, tendo perdido 730 mil hectares, entre 2019 e 2022.

Floresta Viva

Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o Floresta Viva contribui para as metas globais de combate e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas ao apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas em diferentes biomas. Com a meta de investir R$ 693 milhões ao longo de 7 anos, a iniciativa conta com 50% de recursos oriundos do Fundo Socioambiental do BNDES, e 50% oriundos de Instituições Apoiadoras. Espera-se atingir entre 25.000 e 35.000 hectares de área restaurada, com a retirada de 8 a 11 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera.

Moradores do sul do Amazonas relatam situação desafiadora do verão amazônico

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Foto: Reprodução/Observatório BR-319

Olhos irritados, dificuldade para respirar, tempo seco, navegação prejudicada, falta de alimentos e água para beber. Essas são algumas das situações enfrentadas pelos amazonenses durante o verão de 2024. A combinação de crimes ambientais e mudanças climáticas impôs a moradores das sedes municipais e das zonas rurais desafios extremos de sobrevivência. O cenário é reflexo do aumento geral dos focos de calor na Amazônia Legal, apesar da redução no desmatamento, o que sugere que as queimadas continuam a ser uma prática preocupante na região, tanto em áreas já desmatadas, como em áreas de floresta. 

Leia também: “Verão amazônico”: entenda as origens do fenômeno e suas consequências

O depoimento de Pedro faz parte da série “Entre a fumaça e a seca: vozes do sul do Amazonas”, produzida pelo Coletivo Jovens Comunicadores do Sul do Amazonas (Jocsam) para dar visibilidade aos desafios enfrentados pelos moradores da região durante o verão, ano após ano. 

“Bom, quando a gente fala de Humaitá, o perímetro urbano tá sofrendo com a fumaça, muita gente passando mal, em hospitais, muitos idosos e crianças precisando de atendimento de saúde. E quando a gente fala da parte ribeirinha de Humaitá, da parte rural, muitas as pessoas estão com dificuldade pra escoar produção, para conseguir o acesso à escola, então é algo que tá bem complicado. A gente vê que os produtos estão aumentando o valor para quem está consumindo aqui na cidade e muitas vezes não está conseguindo chegar. E para o produtor que está lá, escoar também não está fácil porque tem muita praia, muita distância para carregar, muita coisa”, contou Del Belfort de Moraes, membro do GT Desmatamento e Queimadas da Aliança para o Desenvolvimento Sustentável do Sul do Amazonas e articulador da Rede Transdisciplinar da Amazônia (Reta). 

Del avalia que a abertura de áreas de pasto contribuiu para a situação vivida pelos moradores de Humaitá nos últimos meses. “A gente notou que esse ano teve muitas pessoas da região contribuindo, muitos empreendimentos da região. Então, assim, as queimadas no Apuí, em Lábrea, no próprio território de Humaitá para abrir espaço para o agronegócio, também é um grande contribuidor nesse desastre que a gente está vivendo nesse momento”, disse. 

Os municípios do sul do Amazonas estão entre os que mais desmatam e mais queimam na Amazônia. O próprio estado está entre os que mais destroem a floresta. A região fica na área de influência da rodovia BR-319, que, hoje, é o maior catalisador de desmatamento, focos de calor e degradação florestal no Amazonas. 

“Bom, o principal causador de queimadas na região, principalmente no sul do Amazonas, é a expansão da fronteira agrícola aqui nessa região, que é principalmente chamada de Arco do Desmatamento. A gente tem visto nos últimos anos o avanço dessa fronteira agrícola, juntamente com o avanço das queimadas. E esse aumento das queimadas aqui na região acontece principalmente próximo às rodovias. A gente percebe, também, que áreas ambientais, como unidades de conservação e terras indígenas, freiam um pouco o avanço tanto do desmatamento quanto das queimadas na região do sul do Amazonas”, disse Hildeberto F. Macedo Filho, engenheiro e mestrando em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). 

O manejo inadequado do solo e a falta de controle efetivo das queimadas podem estar agravando a situação, que se converte em impacto no bem-estar e no cotidiano da população. 

“A nossa motivação ao pensar na criação da série “Entre fumaça e seca: vozes do sul do Amazonas” está não somente em uma, mas em várias razões”, declara o Jocsam.

“Essas motivações refletem um compromisso com a justiça social, a preservação ambiental e o fortalecimento da identidade comunitária, queremos mostrar que tudo o que vivemos nunca, jamais será esquecido”, concluíram. 

Assista todos os depoimentos da série no perfil do Jocsam nas redes sociais.

Contexto 

Entre setembro de 2023 e setembro de 2024, a Amazônia Legal registrou um aumento expressivo no número de focos de calor, que passou de 33.247 para 41.463, o que representa um aumento de 24,71%. “Esse crescimento no número de focos de calor é um indicativo de que, embora o desmatamento tenha diminuído no período, a prática de queimadas, frequentemente associada ao manejo de áreas já desmatadas, intensificou-se, potencialmente devido a atividades agropecuárias ou à limpeza de áreas já convertidas para outros usos”, avalia o especialista em geoprocessamento e analista do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Heitor Paulo Pinheiro. 

Já no Amazonas, houve uma leve redução no número de focos de calor, de 6.990 em setembro de 2023 para 6.879 no mesmo período de 2024, representando uma diminuição de 1,59%. Segundo Heitor, essa redução é pequena, mas relevante, considerando a vasta extensão florestal do estado e a importância de manter baixos níveis de focos de calor. “Visto que esses focos estão diretamente relacionados à degradação florestal e à emissão de gases de efeito estufa”, destaca. “Vale ressaltar que mesmo com a diminuição no número de focos de calor, os números gerais ainda permanecem altos, e preocupantes, principalmente para saúde da população, devido à fumaça e também aos impactos a longo prazo na degradação de espaços naturais”. 

Em Rondônia, o cenário é diferente, com um pequeno aumento de 3,36% nos focos de calor, passando de 2.650 em setembro de 2023 para 2.739 em setembro de 2024. O estado é historicamente afetado pela expansão agropecuária e desmatamento e continua a apresentar desafios no controle das queimadas, que são muitas vezes usadas como técnica de manejo agrícola. “O aumento, embora pequeno, reflete a persistência de práticas que contribuem para a degradação ambiental”, diz Heitor. 

Nos municípios localizados na área de influência da rodovia BR-319, houve uma redução de quase 10% nos focos de calor, caindo de 3.936 em setembro de 2023 para 3.544 em setembro de 2024. “Essa redução de 9,96% é um dado positivo, especialmente considerando o potencial de impacto ambiental dessa área sensível, onde a pressão por expansão agrícola e pecuária, além da grilagem de terras é elevada. A redução dos focos de calor pode indicar uma maior eficiência nas políticas de prevenção e combate às queimadas, agregada ao aumento de chuvas na região”, avalia. 

“Vale ressaltar que o momento político, de eleições municipais contribui com este cenário de aumento e é a oportunidade de fazermos uma indagação: será que fogo e política não estão ligados? E como frear e identificar os causadores de tantas ocorrências? Sem políticas públicas eficazes e adaptadas à região esta será uma realidade que se repetirá ano após ano”, alerta Heitor. 

Brigada Indígena 

Em Lábrea, município que está em terceiro lugar no ranking de focos de incêndio em 2024, o povo Apurinã criou a Brigada Indígena de Incêndio da Terra Indígena Caititu, que desempenha um papel fundamental na proteção do território. Composta por 23 indígenas que receberam treinamento do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), através do projeto Raízes do Purus, realizado pela Operação Amazônia Nativa (Opan), a brigada atua no combate a incêndios florestais e na prevenção de queimadas ilegais em um território que sofre com a intensificação do desmatamento. A criação da brigada foi motivada pela necessidade de proteger os sistemas agroflorestais (SAFs), que são essenciais para a subsistência da comunidade. 

Os SAFs, que produzem alimentos como frutas, feijões e tubérculos, têm sido ameaçados por incêndios que se alastram para dentro da terra indígena. A brigada, formada por meio de um processo que envolveu treinamento técnico e a aquisição de equipamentos, atua em ações emergenciais e em atividades de prevenção, como a realização de queimadas controladas. A atuação da brigada tem sido crucial para evitar a perda de plantações e garantir a segurança alimentar do povo Apurinã. 

Foto: Reprodução/Observatório BR-319

O processo de criação da Brigada da Terra Indígena Caititu começou em 2022. Na época, Francisco Padilha, indígena do povo Apurinã que já tinha formação na área de combate a incêndios, ofereceu uma formação básica a um pequeno grupo. “Eram sete pessoas e já fizeram um bom trabalho. Agora são 23 brigadistas que estão atuando dentro da nossa terra”, conta Tata Apurinã. No mesmo ano, os Apurinã também fizeram a aquisição de equipamentos necessários para o trabalho, como abafadores, bomba costal, rádio comunicadores e equipamentos de proteção individual. 

Apesar dos desafios, como a alta demanda por trabalho e a necessidade de lidar com incêndios que se alastram rapidamente, os brigadistas demonstram grande comprometimento com a proteção do seu território. A brigada é vista como um exemplo de como as comunidades indígenas podem se organizar para enfrentar os desafios do desmatamento e das mudanças climáticas, contribuindo para a conservação da Amazônia. Saiba mais acessando este link.

Texto produzido em parceria com o Coletivo Jovens Comunicadores do Sul do Amazonas (Jocsam). 

Com informações de texto produzido pela jornalista Talita Oliveira, do projeto Raízes do Purus, executado pela Operação Amazônia Nativa (Opan).

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Observatório BR-319

Terapia fotodinâmica com corante de urucum é eficaz contra mau hálito

Foto: Reprodução/Cruda

Estudo publicado na revista PLOS ONE demonstrou que a terapia fotodinâmica antimicrobiana utilizando corante de urucum e LED azul é uma opção viável e eficaz para o tratamento de mau hálito em crianças respiradoras bucais.

Quando o indivíduo respira pela boca, explicam os autores, a saliva pode evaporar com mais facilidade, reduzindo seu efeito antibacteriano e suas propriedades de limpeza, o que pode levar a um aumento significativo da halitose. O grupo de pesquisa selecionou 52 crianças de 6 a 12 anos respiradoras bucais com diagnóstico de halitose confirmado com um medidor portátil de baixo custo encontrado em lojas on-line (possibilitando que o protocolo de diagnóstico seja realizado facilmente por cirurgiões-dentistas em seus consultórios). Halitose é o termo que define qualquer odor ou mau cheiro proveniente da cavidade bucal, de origem local ou sistêmica.

O artigo descrevendo os resultados é resultado de pesquisa realizada por Laura Hermida Cardoso, aluna do Programa de Doutorado Interinstitucional (Dinter) promovido pela Universidade Nove de Julho e a Universidade Católica do Uruguai, em parceria com pesquisadores da Universidade Metropolitana de Santos.

A terapia fotodinâmica antimicrobiana (aPDT, na sigla em inglês) é um tratamento no qual é utilizado um agente fotossensibilizador que, na presença de luz, produz radicais livres de oxigênio, provocando a morte das bactérias. Embora o estudo tenha sido feito apenas com crianças, o método pode ser aplicado para o tratamento da halitose em indivíduos de todas as idades.

Bussadori, que também é professora da Universidade Metropolitana de Santos e presidente da Associação Brasileira de Odontopediatria, conta que durante atendimentos percebeu que várias crianças e adolescentes apresentavam halitose. “Diante disso, começamos a estudar mais a fundo essa condição com o objetivo de desenvolver protocolos de tratamentos simples e eficazes”, afirma.

Tratamento acessível

Segundo Bussadori, quando se fala em terapia fotodinâmica a primeira opção que vem à mente no meio acadêmico é o fotossensibilizador azul de metileno associado ao laser vermelho.

Na sessão de aPDT, o fotossensibilizante de urucum foi misturado na concentração de 20% em forma de spray ( Sandra K. Bussadori et al./PLOS ONE)

Leia também: Ancestralidade indígena: conheça as diversas utilidades do urucum

Após várias formulações, pesquisas in vitro e clínicas, Bussadori conseguiu desenvolver o Spray de Urucum, cuja patente foi deferida em 2020. O urucum (ou urucu) é o fruto do urucuzeiro ou urucueiro, que se torna vermelho quando maduro.

As 52 crianças que atenderam os critérios de inclusão da pesquisa foram instruídas por meio de palestra sobre como realizar a escovação com creme dental fluoretado e usar o fio dental três vezes ao dia após as refeições durante 30 dias. Essas crianças foram divididas em dois grupos. No primeiro foi aplicada terapia fotodinâmica antimicrobiana no terço médio do dorso da língua e, no segundo, foi utilizado raspador de língua.

Na sessão de aPDT, o fotossensibilizante de urucum foi misturado na concentração de 20% em forma de spray, aplicado em quantidade suficiente para cobrir o terço médio do dorso da língua (cinco borrifadas) e deixado por dois minutos para incubação. Seis pontos foram irradiados com distância de 1 centímetro (cm) entre os pontos, considerando a propagação da luz e a eficácia da aPDT. A luz foi irradiada para garantir uma área de feixe de 2 cm de diâmetro por ponto. O tempo de exposição foi de 20 segundos por ponto.

Dados em relação à halitose e à saburra lingual foram obtidos antes e logo após o tratamento, bem como sete e 30 dias depois, analisados e comparados. A saburra lingual, de coloração branca ou amarelada, é composta principalmente por bactérias, metabólitos e restos alimentares que se acumulam geralmente na região posterior do dorso da língua.

Vários estudos mostram uma correlação entre saburra lingual e concentração de compostos sulfurados voláteis produzidos pelas bactérias, levando ao mau hálito. Porém, na pesquisa coordenada por Bussadori não foi encontrada uma relação direta entre a presença de saburra na língua e o mau hálito nas crianças respiradoras bucais. “A principal causa do mau hálito nessas crianças parece ser o ressecamento da boca causado pela respiração bucal”, explica.

Nos dois grupos houve melhora significativa do mau hálito, mas o grupo que recebeu aPDT apresentou resultados ainda melhores.

A halitose é considerada um importante fator social, pois causa constrangimentos e interfere nas relações interpessoais. Além de gerar preocupações relacionadas à saúde física, pode, portanto, provocar alterações psicológicas, conduzindo a uma barreira social.

O artigo Assessment of photodynamic therapy with annatto and led for the treatment of halitosis in mouth-breathing children: Randomized controlled clinical trial pode ser lido em:  https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0307957

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Ricardo Muniz

Aluna amazonense faz parte de delegação do Brasil em prova de astronomia e astrofísica internacional

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Foto: Euzivaldo Queiroz/Seduc-AM

Aluna da Escola Estadual (EE) Maria Calderaro, localizada em Presidente Figueiredo, no Amazonas, Maria Eduarda de Araújo, de 17 anos, é a única representante do estado na 2ª fase da Olimpíada Copernicus, uma competição internacional de astronomia e astrofísica. Com o resultado, a estudante vai viajar para o Texas, nos Estados Unidos, para realizar mais uma etapa do certame.

O bronze alcançado por Maria Eduarda na primeira etapa da Olimpíada Copernicus, entretanto, é apenas mais uma dentre as diversas medalhas conquistadas em olimpíadas. Com medalhas na Olimpíada Brasileira de Língua Inglesa, de Geopolítica, Biologia Sintética e honra ao mérito no Torneio Nacional de Física, a estudante busca participar ativamente em provas de diversas áreas do conhecimento.

Isso porque Maria Eduarda tem um plano bem definido para o futuro: cursar astrofísica em uma universidade no exterior. E para chegar lá, já organiza uma espécie de currículo intelectual para melhor aceitação nas instituições a partir de cartas de recomendação. Agora com 17 anos, Maria Eduarda conta que o interesse pela astrofísica e astronomia surgiu bem mais nova, aos 13 anos.

Experiências únicas

Destinada para alunos do 3º ano do Ensino Fundamental à 3ª Série do Ensino Médio, a primeira etapa da Olimpíada Copernicus consiste em uma prova com 25 questões de múltipla escolha. Aprovada, Maria Eduarda inicia a segunda fase do certame no dia 5 de janeiro de 2025, no Texas. Lá, a estudante realizará provas teóricas e práticas.

“Para mim é um sonho compor a delegação brasileira que irá representar o país na fase global da Copernicus. Visitarei a Nasa, estarei em museus e observatórios de astronomia, e estou muito empolgada”, compartilhou Maria Eduarda.

Suporte escolar

Apesar do interesse por assuntos complexos que fogem da grade curricular da escola, foi com o corpo docente da EE Maria Calderaro que a estudante encontrou apoio em sua trajetória. Para além dos aconselhamentos após as primeiras participações em olimpíadas, Maria Eduarda despertou uma verdadeira força-tarefa entre os professores de exatas da unidade de ensino.

De acordo com o docente Rodrigo Garcia, que orienta a estudante e ministra a matéria de Matemática na unidade de ensino, a adesão ao sonho de Maria Eduarda foi total entre os professores.

Com o auxílio do docente, Maria também participou da Olimpíada Internacional de Astrofísica, das primeiras edições da Olimpíada Brasileira Online de Astronomia e da Olimpíada Brasileira de Inovação, Ciência e Tecnologia, além da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.

No dia 23 de outubro, Maria Eduarda foi recebida pela secretária de Educação do Amazonas, Arlete Mendonça, em seu gabinete. O esforço em conjunto, de acordo com a secretária, é um exemplo de sucesso para a rede estadual.

“Tivemos com ela a participação intensa dos familiares, dos professores e do interesse da própria aluna. É muito satisfatório ver uma jovem cheia de sonhos e objetivos bem estabelecidos. E ter profissionais comprometidos enquanto possibilitadores desses destinos é muito importante. O Amazonas tem muito orgulho da Maria Eduarda”, finalizou Arlete Mendonça.

*Com informações da Agência Amazonas

Nova lei busca reduzir vulnerabilidade das florestas no Amapá

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Amapá possui unidade florestais mais preservadas da Amazônia. Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

Foi sancionada pelo Governo do Amapá, a Lei nº 3.128 que institui uma política estadual para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas ambientais, sociais, econômicos e culturais no estado, por conta de impactos causados pela mudança climática no estado mais preservado do país.

O documento consiste em uma série de medidas sustentáveis, que aborda a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas. A lei foi aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa do Amapá (Alap).

Entre as ações que buscam reduzir estas vulnerabilidades, estão o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) e o monitoramento das emissões de gases do efeito estufa. O Amapá é reconhecido como o estado mais preservado da Amazônia, e abriga vastas áreas de floresta tropical, sendo um importante guardião da biodiversidade.

O secretário adjunto de Meio Ambiente, Cássio Lemos, disse que esta nova legislação consiste em uma resposta aos desafios ambientais que o Amapá enfrenta nos últimos tempos.

“A sanção da lei pelo governador Clécio Luís assegura a proteção e manutenção de um meio ambiente ecologicamente equilibrado e estável, socialmente justo e economicamente viável em benefício das presentes e futuras gerações”, disse Lemos.

As medidas surgem de uma contribuição dos países que buscam a conservação da Amazônia, a partir da 28ª Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP 28), que aconteceu no ano de 2023.

A reunião teve como objetivo não apenas destacar as riquezas e preservação ambiental, mas também valorizá-la a partir da população que vive na região. Nestes encontros, o Amapá caminha para uma apresentação internacional como um local que segue os acordos ambientais e climáticos.

Além disso, a nova lei estabelece o Sistema Estadual do Clima e Incentivo aos Serviços Ambientais, além de criar um Comitê Técnico-Científico. Um dos seus principais focos é a proteção dos direitos das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas.

O documento prevê ainda, a adoção de incentivos econômicos e fiscais, gestão democrática e acesso à informação, promovendo uma economia verde de forma integrada e cooperativa, considerando as oportunidades, desafios locais e a conservação da biodiversidade, além da criação de programas e projetos.

Com isso, o estado busca atrair investimentos e fortalecer a bioeconomia e a economia de baixo carbono, mantendo o Amapá na vanguarda da conservação.

A nova política pública implementada busca não apenas reduzir os efeitos das mudanças climáticas, mas também se adaptar a eles, promovendo um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP