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MCTI quer transformar o Maranhão em um novo polo do programa espacial brasileiro

Foto: Luara Baggi/Ascom-MCTI

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), tem investido no fortalecimento do Maranhão como um polo estratégico do Programa Espacial Brasileiro, tendo como base o Centro de Lançamento de Alcântara.

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Como parte desse esforço, a ministra do MCTI, Luciana Santos, cumpriu uma extensa agenda na capital São Luís, nesta quinta-feira (23), onde visitou as instalações do Laboratório de Propulsão Aeroespacial da empresa Acrux Aerospace dentro da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e acompanhou o lançamento de um veículo lançador de satélites de pequeno porte.

“Esta área é parte da Estratégia Nacional de Defesa e do Programa Espacial Brasileiro, que tem na Base de Alcântara, uma posição privilegiada. Isso cria uma nova realidade, até mesmo para a economia do Maranhão”, afirmou a ministra, que estava acompanhada pelo governador do Maranhão, Carlos Brandão, e pelo reitor da UFMA, Fernando Carvalho Silva.

Pesquisadores e parceiros da UFMA estão desenvolvendo o projeto do Veículo Lançador de Pequeno Porte (VLPP), contratado pela Finep, com recursos do FNDCT, em parceria com um consórcio liderado pela empresa AKAER.

Foto: Luara Baggi/Ascom-MCTI

Esse consórcio inclui a empresa Acrux, responsável pelo desenvolvimento dos motores foguetes S-30 (1º e 2º estágio) e S-18 (3º estágio). Para o carregamento desses motores, será construída uma fábrica de propelentes em uma área adquirida pela empresa na ilha de São Luís. A construção representará um grande avanço para o Centro de Lançamento de Alcântara.

“Estamos anunciando R$ 30 milhões para a construção dessa fábrica de propelentes. Essa iniciativa será associada a projetos de veículos lançadores de pequeno porte, uma tecnologia que o Brasil ainda não domina completamente. Até 2026, o Brasil, pela primeira vez, não precisará mais lançar satélites fora do país. Isso é histórico, representa soberania nacional”, destacou a ministra.

Luciana Santos também comemorou o anúncio, que promete trazer desenvolvimento, empregos qualificados e renda para o estado. “Este investimento é fundamental para a indústria nacional e para o Nordeste. Com isso, também enfrentamos a assimetria regional”, acrescentou.

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O governador Carlos Brandão ressaltou que o Maranhão possui uma vantagem estratégica para se tornar uma potência na área espacial.

“Temos a localização privilegiada. Alcântara está a apenas dois graus abaixo da linha do Equador, o que reduz em 30% o custo de lançamento de foguetes, devido à economia de combustível. Essa característica é única no Brasil e se soma à expansão do cabeamento da Infovia, que chegará à Base de Alcântara, melhorando a conectividade da região”, explicou.

O investimento no projeto VLPP no Maranhão é de R$ 30 milhões, provenientes do FNDCT. Além do VLPP liderado pela AKAER, o programa inclui outros dois projetos de veículos lançadores, também contratados pela Finep e em desenvolvimento: um segundo VLPP, coordenado por um consórcio liderado pela empresa CENIC, e o veículo R.A.T.O (Rocket Assisted Take Off), projetado para transportar o veículo hipersônico 14-X até a atmosfera, alcançando altitudes de até 30 quilômetros.

Os dois VLPPs e o R.A.T.O. serão lançados em Alcântara até o final de 2026, conforme os prazos contratuais. No total, são R$ 486,8 milhões investidos nos três projetos.

O reitor da UFMA, Fernando Carvalho Silva, destacou o papel da Universidade nesse processo. “Nós estamos indo além dos muros da Universidade, firmando parcerias e prestando serviços a empresas. Também submetemos uma proposta a um edital de Parque Tecnológico da Finep, buscando atrair mais empresas e fortalecer o desenvolvimento tecnológico no estado”, disse.

Para o Maranhão, esses anúncios consolidam sua vocação como o segundo polo industrial científico-tecnológico do Programa Espacial Brasileiro, alinhado à Estratégia Nacional de Defesa (END) e às políticas do MCTI para descentralizar o desenvolvimento de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Brasil.

Centro de Pesquisas Espaciais

O MCTI está estudando a criação de um Centro de Pesquisas Espaciais no Maranhão, com foco no desenvolvimento de veículos lançadores e satélites. O projeto, que contará com recursos do FNDCT, está alinhado às diretrizes do Ministério para fortalecer as vocações regionais em CT&I.

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Uma comissão formada por representantes da Finep, da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) e da UFMA terá 90 dias para apresentar uma proposta de financiamento. 

O centro será integrado ao futuro Parque Tecnológico do Maranhão, cujo edital está em análise final pela Finep. A iniciativa busca atrair empresas do setor espacial, aproveitando as condições estratégicas do Centro de Lançamento de Alcântara.

*Com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação


Mapeamento com GPS revela papel das florestas na conservação de onças-pintadas

A fêmea Noca, uma das primeiras a ser monitorada no Pantanal, com o colar instalado cerca de um ano antes. Foto: Ricardo Boulhosa/Instituto Pró-Carnívoros

Um estudo que monitorou 54 onças-pintadas (Panthera onca) por florestas, áreas agrícolas, estradas e cursos d’água, em diferentes regiões da América do Sul, indicou que os felinos saem da mata fechada e voltam frequentemente às bordas de floresta e de áreas agrícolas.

“As onças agem assim provavelmente para caçar, mas preferem fragmentos maiores da floresta, que é onde permanecem mais tempo”, diz a bióloga boliviana Vanesa Bejarano Alegre, que fez o trabalho como parte de seu doutorado, encerrado em 2023, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro.

A pesquisadora é a primeira autora de um artigo publicado em dezembro na revista Perspectives in Ecology and Conservation. “A onça tem um papel importante de equilíbrio do ecossistema, a presença dela ajuda a regular a reprodução de algumas espécies”, explica Alegre.

“Se há onça, significa que há água limpa, plantas, insetos e uma cadeia ecológica funcional”.

Os animais foram monitorados por colares GPS, com registros de dados a cada quatro horas, em 12 áreas de estudo, onde Alegre marcou o tempo em que os animais passavam em um raio de 250 metros de cada localização, o quanto revisitavam os locais, a velocidade de movimentação e o momento da última visita. Para assegurar o bem-estar, as coleiras não pesam mais que 3% do peso do animal (no Pantanal, uma onça adulta pode chegar a 140 quilos).

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Medrosa e seu filhote Luca no Parque Estadual Encontro das Águas em 2020, depois de queimadas especialmente intensas. Foto: Ricardo Boulhosa/Instituto Pró-Carnívoros

“Capturar os animais é o problema, porque eles têm um território grande; mesmo os menores podem chegar a 40 quilômetros quadrados”, explica o médico-veterinário Ronaldo Morato, diretor da organização não governamental Panthera, que trabalha na conservação de felinos, e coautor do artigo.

Para instalar os colares nos animais, é utilizada uma armadilha em forma de laço. “Quando o animal pisa, prende o pé e aciona um alarme”, explica Morato. “Imediatamente fazemos a contenção com anestésico, instalamos o colar e coletamos sangue ou outras informações, dependendo do estudo.” Uma vez instalado, o equipamento envia informações via satélite na frequência determinada pelos pesquisadores.

É possível coletar dados e calcular velocidade, aceleração e direção, o que permite compreender diversos comportamentos dos bichos. Para não precisar de recaptura, as coleiras são programadas para se soltarem depois de um tempo.

Morato coordenou o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), por 18 anos, até 2023, e em 2018 publicou na revista Ecology um artigo que apresenta uma base de dados pública com 134.690 localizações de 117 onças-pintadas monitoradas por GPS em cinco países da América do Sul. Alegre selecionou dessa base 54 animais cuja movimentação permitira o monitoramento com mais regularidade.

Andanças vigiadas

O tempo em cada área florestal mostra que, seja por alimentação ou abrigo para si ou suas presas, as matas são fundamentais na conservação das onças. “O que temos visto é que, cada vez mais, esse animal está ficando acuado em função da perda de vegetação com a expansão urbana e agropecuária”, aponta o biólogo Rogério Cunha de Paula, que coordena o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Daí a importância de trabalhos como esse, que conjuga dados de imagem de satélite com os de GPS e demonstra essa grande dependência da onça em relação ao hábitat de maior qualidade”.

O Brasil abriga a maior população mundial de onças-pintadas, que já estiveram presentes em todos os outros biomas – atualmente já não é vista no Pampa. Um artigo publicado em 2018 na revista PLOS ONE, que ainda é referência nos estudos sobre a distribuição geográfica desses animais no país, mostra uma ocorrência concentrada no Pantanal e na Amazônia. Nos demais biomas, há somente manchas isoladas.

Um problema dessas regiões onde só estão disponíveis trechos restritos de floresta é que os fragmentos podem não ser suficientes para abrigar machos que migram a partir de seus grupos natais, que em alguns casos acabam sozinhos em áreas distantes e muito reduzidas.

“Eles buscam um novo território e vão viver lá até morrer, porque não conseguem se reproduzir”, avisa De Paula. “Esse é um grande risco, porque temos poucas áreas adequadas e as populações já estão há algumas décadas em um ritmo de declínio e a caminho de extinção local”.

Leia também: Descubra o que fazer quando encontrar uma onça-pintada

Noca quando avistada pela primeira vez, em 2010, alguns dias antes de ser capturada. Foto: Ricardo Boulhosa / Instituto Pró-Carnívoros

Para evitar a multiplicação desse cenário, é necessária a criação de corredores ecológicos conectando fragmentos florestais, inclusive aqueles em propriedade rurais, além da definição de estratégias de mitigação de conflitos. Segundo Alegre, ao se traçar áreas prioritárias de conservação é preciso pensar em zonas de amortecimento a partir de recursos sustentáveis, como as agroflorestas, e com uma gestão cuidadosa das estradas, inclusive as de terra, no interior das propriedades.

“O que percebo nesse estudo, e em outros que fizemos, é que um dos maiores impactos para as onças é a estrada, porque ela frequenta esses caminhos, seja para se deslocar melhor, seja porque pode encontrar presas mortas por atropelamento.”

Os corredores ecológicos evitariam o atropelamento das próprias onças, inclusive. Ainda que a quantidade de mortes seja difícil de precisar, o Cenap tem recebido mais notificações nos últimos anos.

“Temos cada vez mais registros de atropelamento de onças, especialmente no arco do desmatamento”, enfatiza Rogério de Paula, referindo-se à região na borda sul e sudeste da floresta amazônica brasileira. “São locais que os bichos usavam e, de repente, viraram vias de acesso, como vias pavimentadas ou estradas secundárias que vão sendo abertas para o escoamento de produção agrícola.”

O estudo liderado por Alegre revela que as onças se movimentam mais rapidamente próximo a estradas, evitando permanências prolongadas nessas áreas. “Isso sugere um comportamento de evitamento de risco”, explica a pesquisadora. Por outro lado, o deslocamento é mais lento próximo a cursos d’água, locais que as onças revisitam com frequência.

Para o biólogo Ricardo Boulhosa, esse achado valida uma máxima comum para a conservação de hábitats e planejamento ambiental.

“Sempre dizemos que é preciso água e mata para ter onça-pintada, e esse trabalho comprova isso. É um estudo que dá um refinamento sobre a ecologia desses animais e orienta o manejo de áreas de agropecuária”. Boulhosa é pesquisador do Instituto Pró-carnívoros, organização sem fins lucrativos que há quase 30 anos promove a conservação dos mamíferos carnívoros neotropicais e de seus hábitats. Assim como Rogério de Paula, ele não participou do estudo.

Projetos

1. Ecologia de movimento de um predador neotropical de topo através de diferentes hábitats e sua interação com presas (n° 18/13037-3); Modalidade Bolsa de Doutorado; Pesquisador responsável Milton Cezar Ribeiro (Unesp); Bolsista Vanesa Fabiola Bejarano Alegre; Investimento R$ 356.059,18.
2. Biodiversidade e serviços associados: PELD Corredor Cantareira Mantiqueira (nº 21/08534-0); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Milton Cezar Ribeiro (Unesp); Investimento R$ 309.404,64.
3. Biodiversidade no Antropoceno: Efeito dos agroecossistemas na conservação da biodiversidade e manutenção de funções ecossistêmicas (nº 20/01779-5); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Milton Cezar Ribeiro (Unesp); Investimento R$ 188.626,99.
4. Contribuições do pagamento por serviços ambientais sobre múltiplas dimensões na Mata Atlântica (nº 21/10195-0); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Milton Cezar Ribeiro (Unesp); Investimento R$ 3.054.695,07.

Artigos científicos

ALEGRE, V. B. et alJaguar at the Edge: Movement patterns in human-altered landscapesPerspectives in Ecology and Conservation. v. 22, n. 4, p. 358-66. out.-dez. 2024.
ALEGRE, V. B. et alThe effect of anthropogenic features on the habitat selection of a large carnivore is conditional on sex and circadian period, suggesting a landscape of coexistenceJournal for Nature Conservation. v. 73, 126412. jun. 2023.
JĘDRZEJEWSKI, W. et alEstimating large carnivore populations at global scale based on spatial predictions of density and distribution – Application to the jaguar (Panthera onca)PLOS ONE. v. 13, n. 3, e0194719. 26 mar. 2018.
MORATO, R. G. et alJaguar movement database: A GPS-based movement dataset of an apex predator in the NeotropicsEcology. v. 99, n. 7, p. 1691. jul. 2018.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa FAPESP, escrito por Guilherme Costa

Assistência técnica tem mudado cenário da agricultura em Rondônia

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) oferecida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) tem vencido grandes desafios ao lado dos pequenos produtores. Segundo o Governo do Rondônia, o estado tem ganhado destaque no cenário nacional com a produção de cafés premiados; do tambaqui; qualidade da carne proveniente do maior rebanho bovino do Brasil livre de febre aftosa sem vacinação; além da produção de grãos como soja e milho.

Um exemplo desse tipo de crescimento a partir da ATeG é o caso da propriedade da família Vital, que em pouco tempo teve suas principais dificuldades, tanto na produção de leite quanto na plantação da fazenda, sanada por técnicas aplicadas pelos proprietários após orientação.

O proprietário da fazenda, Diogo Vital, conta que uma das principais mudanças realizadas no local foi a silagem de milho (alimento produzido a partir da conservação da planta de milho através de fermentação anaeróbica), pois antes, no período de estiagem, não tinham água o suficiente para produzir os piquetes para o gado.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A equipe técnica do Senar relata que umas das principais dificuldades no geral, assim como na propriedade da família Vital, é a conservação de forragem, em especial no mês de janeiro, cuja oferta de forragem é menor por conta da restrição hídrica.

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Ainda de acordo com a equipe, o trabalho em conjunto com os produtores e fácil aceitação de novas estratégias podem ajudar a alavancar as propriedade para que se tornem referência, mudando a realidade da produção local e gerando mais satisfação econômica para o produtor.

Governo Federal nega transferência de terras indígenas para iniciativa privada

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A imagem mostra uma visão aérea da mata na Terra Indígena Rio Gregório (AC), lar do Povo Yawanawa. Foto: ASCOM/MPI

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que não é verdade que o Governo Federal, por meio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), tenha transferido a gestão de terras indígenas para a iniciativa privada. A Constituição Federal determina que as terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas são imprescritíveis.

O acordo firmado pelo MPI com a empresa Ambipar durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, trata de um compromisso preliminar estabelecido por meio de um Protocolo de Intenções. Esse instrumento, amplamente utilizado na gestão pública, não implica transferência de verbas públicas ou de responsabilidades do Estado. 

Diferentemente do que peças de desinformação propagam, o acordo não configura concessão de terras indígenas, não dependendo de licitação ou concorrência para tal.

A assinatura do protocolo está em consonância com a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), instituída pelo Decreto nº 7.747/2012, construída com ampla participação dos povos indígenas. A PNGATI busca reconhecer e apoiar as práticas de gestão ambiental e territorial já conduzidas pelos povos indígenas. Suas diretrizes incluem:

Garantia do direito à consulta prévia: conforme previsto na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), promulgada pelo Decreto nº 5.051, de 19 de abril de 2004;

Reconhecimento dos direitos relativos a serviços ambientais: em função das ações de proteção, conservação, recuperação e uso sustentável realizadas pelos povos indígenas em seus territórios, conforme a legislação vigente.

A parceria firmada com a empresa Ambipar insere-se no contexto de ampliação do diálogo entre o Governo Federal e diferentes setores da sociedade civil, sempre com o objetivo de fortalecer a proteção dos direitos dos povos indígenas. 

Essa iniciativa também está alinhada aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, e à proposta de inclusão do ODS 18 (igualdade étnico-racial) no conjunto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O Protocolo de Intenções tem como foco compromissos e iniciativas para qualificar e fortalecer os territórios indígenas, incluindo:

  • Projetos de conservação e recuperação ambiental;
  • Promoção da economia circular;
  • Gestão, destinação e disposição de resíduos sólidos;
  • Suporte técnico para prevenção e respostas a eventos extremos, como incêndios e enchentes;
  • e Reflorestamento de áreas desmatadas e desenvolvimento de projetos de bioeconomia e serviços ecossistêmicos.

O presente protocolo assim como outras iniciativas que poderão, conforme cada comunidade decidir, qualificar e fortalecer, reflete o compromisso do Governo Federal, especialmente do Ministério dos Povos Indígenas, em ampliar parcerias para a promoção dos direitos dos povos indígenas no Brasil. Ele representa um avanço no fortalecimento da gestão territorial indígena, sempre com o devido respeito aos direitos constitucionais e internacionais desses povos.

*Com informações da Agência Gov

Conservação florestal garante a produtividade do cacau no Pará, mostra estudo

Área analisada abrange 161 municípios responsáveis por 93% da produção nacional de cacau. Foto: Divulgação/Vale

A conservação de florestas favorece a produtividade do cacau no Pará, um dos estados líderes na produção brasileira do fruto, que é o principal ingrediente do chocolate. É o que aponta estudo publicado na revista Environmental Conservation por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e das universidades federais do Pará (UFPA) e de Goiás (UFG). No Pará, municípios que preservaram suas florestas tiveram aumento de cerca de 65% na produtividade do cacau desde a década de 80. Já municípios que sofreram forte desmatamento tiveram perdas de produtividade, alguns com reduções de mais de 40%.

Leia também: Cacau produzido no Pará ganha destaque mundial por gerar desenvolvimento com sustentabilidade

Os pesquisadores reuniram dados históricos sobre a produção do fruto em 60 municípios do Pará. A equipe calculou a diferença na produtividade entre os períodos de 1985 a 1987 e 2019 a 2021, comparando métricas como variação da cobertura florestal, da extensão de terras cultivadas e do nível de fragmentação florestal, assim como as áreas totais municipais e a porcentagem dedicada ao cultivo.

Independentemente do histórico de uso do solo nas regiões estudadas, nosso trabalho deixa claro que a perda de cobertura florestal é um fator determinante para a queda na produção”, ressalta Gustavo Júnior de Araújo, pesquisador do ITV e autor principal da publicação.

O estudo também revelou que os efeitos sobre as propriedades produtoras podem variar conforme o tamanho da área de cultivo. Em municípios paraenses nos quais o cacau não é o principal produto agrícola, a maior cobertura florestal beneficiou apenas grandes propriedades – aquelas com mais de 10 hectares –, possivelmente devido aos maiores recursos financeiros desses produtores.

Florestas densas aumentam a distância até centros comerciais e dificultam o acesso a tecnologias, o que pode limitar a lucratividade das pequenas propriedades. Já na Bahia, a produtividade, em ambas as escalas, foi menor em municípios com maior fragmentação florestal.

Fruto do cacau. Foto: Divulgação/Comunicação PMO

Leia também: Conheça o cacau da Amazônia, matéria-prima do chocolate

As conclusões alertam para a necessidade de repensar as práticas agrícolas utilizadas. “Em busca de retornos financeiros mais rápidos, muitos produtores recorrem a monocultivos de cacau a pleno sol, com variedades clonais”, relata Araújo. “Além das incertezas sobre a sustentabilidade desse modelo, a expansão dos monocultivos pode reduzir as florestas naturais e os serviços ecossistêmicos essenciais à cacauicultura”, complementa. Araújo explica que a conservação das florestas é essencial para a regulação climática natural, proteção do solo, polinização e controle biológico de pragas, por exemplo.

O autor defende a implementação de práticas que equilibram a produção e a conservação das florestas como passo fundamental para uma cacauicultura mais eficiente e ecológica. 

“É necessário incentivar políticas públicas que promovam os benefícios dos sistemas agroflorestais, apoiar financeiramente os produtores na transição para sistemas mais sustentáveis e fomentar a pesquisa sobre a viabilidade e os impactos dos monocultivos de cacau”, aponta. Araújo e sua equipe devem continuar contribuindo com a investigação de questões como a influência da diversidade genética das plantas, do clima e dos microrganismos presentes no solo, atentando para a rentabilidade dos produtores de cacau aliada à conservação da floresta.

*Com informações da Imprensa Vale

Projeto de conservação de crocodilianos em Rondônia comemora 20 anos

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Foto: Marcos Coutinho/RAN ICMBio

A Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, localizada em Rondônia, celebra duas décadas de atuação como referência em conservação e manejo sustentável de crocodilianos na Amazônia. Para marcar a data, o projeto, único na região a praticar o manejo de jacarés das espécies Melanosuchus niger (jacaré-açu) e Caiman crocodilus (jacaretinga), com fins socioeconômicos, publicou dois artigos científicos na revista Reptiles & Amphibians, trazendo contribuições inéditas sobre a ecologia de nidificação e o desenvolvimento embrionário do jacaré-açu. 

Desde 2004, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN/ICMBio), em parceria com a NGI Cuniã-Jacundá e sob a coordenação do pesquisador Dr. Marcos Eduardo Coutinho, conduz o Plano de Pesquisa e Monitoramento das Populações Naturais de Crocodilianos na Resex.

A iniciativa conta com a colaboração de instituições como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Liverpool John Moores University (Reino Unido), além da participação de pesquisadores locais e das comunidades extrativistas da reserva. 

Leia também: Centenas de jacarés atraem curiosos e ajudam projeto de turismo comunitário em reserva de Rondônia

Novos avanços científicos 

Os dois artigos publicados em 2024 representam marcos importantes para a conservação dos crocodilianos. O primeiro estudo analisou o desenvolvimento embrionário dos jacarés-açus, identificando variações no crescimento e na massa dos embriões entre diferentes ninhos, além de desvios em eventos morfológicos em relação a estudos anteriores realizados na mesma reserva. 

Já o segundo artigo explorou a ecologia térmica dos ninhos e os trade-offs entre o tamanho das ninhadas e as dimensões dos ovos. Os pesquisadores observaram que ninhadas maiores tendem a gerar ovos e filhotes menores, indicando uma relação inversa que pode impactar diretamente a sobrevivência das espécies. Esses achados oferecem percepções fundamentais para aprimorar o manejo sustentável e garantir a viabilidade das populações a longo prazo. 

Monitoramento Contínuo 

Ao longo da estação reprodutiva de 2024, entre setembro e dezembro, a pesquisa continuou com o uso de dataloggers para monitorar as variações de temperatura dos ninhos e do ar durante o período de incubação. Paralelamente, estudos de abundância e distribuição completaram uma série histórica de 20 anos de dados sobre as populações de jacarés na reserva. 

Esse monitoramento de longo prazo tem sido essencial para compreender as dinâmicas populacionais e ajustar as estratégias de manejo. A colaboração das comunidades locais, que integram o projeto desde o início, também é um diferencial, fortalecendo a conexão entre ciência, conservação e práticas tradicionais. 

Os dois artigos publicados são de livre acesso e estão disponíveis para leitura online: 

  • Nesting ecology of Black Caimans (Melanosuchus niger): Leia aqui 
  • Intraspecific variation in embryonic development: Leia aqui 

*Com informações do ICMBio

Literatura amazonense: um território contestado

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Foto: Reprodução/Chess

Por Jan Santos – jan.fne@gmail.com

O que define uma boa literatura?

Para mim, é uma pergunta fadada ao fracasso. Há tantos livros no mundo quanto peixes no mar, e para cada um, há um número ainda maior de leitores que podem apreciá-lo por sabe-se lá quais qualidades, e outros que o odiarão pelos mesmíssimos motivos.

Acho que a pergunta mais válida seria “o que define boa literatura para mim”?

A diferença entre uma pergunta e outra é que meu gosto por essa ou aquela história diz tanto sobre mim quanto sobre qual enredo escolho para leitura, e, consequentemente, quem escolho ler.

O ato da leitura é, naturalmente, um encontro de sujeitos – quem escuta e quem conta -, e entre esses, deve existir comunhão, partilha. Como em qualquer encontro, há a possibilidade de sucesso e de fracasso, e independente do resultado, a troca deixa vestígios, contribuições, pois é nesse embate que eu toco o outro, o outro me toca.

Digo embate porque não acredito em encontros de sujeitos que, eventualmente, não resultem em conflito, e acredito também que nada se transforma, para bem ou para mal, sem que haja esse conflito. O conflito é um motor, é fenômeno que demanda mudança, pois o que não muda, gasta, quebra, some.

Nos últimos meses, a cena literária amazonense tem passado por um conflito, e me arrisco a dizer que é uma das histórias mais velhas do mundo. Entre seus muitos episódios, um dos autores mais influentes do estado cita que o Clube da Madrugada – movimento artístico de destaque entre 1950 e 1960 – ainda é a principal referência de qualidade literária no Amazonas, seguido da declaração de uma colega de profissão na qual afirma que o crescente número de publicações independentes – possibilitadas pela internet ou pelos editais de fomento à cultura – valoriza quantidade acima de qualidade, o que comprometeria a integridade artística da literatura local.

Em contraposição, vários representantes do segmento da Literatura Marginal denunciaram tais posicionamentos como elitistas e excludentes. Se não fossem justamente a internet e os editais de fomento, é provável que vários desses artistas não encontrassem nos meios de publicação tradicionais espaço para que suas narrativas chegassem às mãos de leitores interessados em ouvir o que têm a contar.

Não vejo como me posicionar nessa discussão – uma vez que também sou escritor – sem deixar aqui um pouco da minha experiência. Entrei no curso de Letras em 2012 porque queria ser escritor, e achei que seria um bom lugar para começar. Posteriormente, já com livros publicados, fiz Mestrado em Estudos Literários e continuo tanto publicando quanto engajado em minha formação. No entanto, não foi a formação acadêmica que me fez escritor.

Jan Santos e o ilustrador Yan Bentes na campanha de promoção do livro “Rudá – filho da terra e das estrelas”. Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

Foram os filmes que assistia com meu pai quando ele chegava do trabalho, após passar o dia dirigindo um ônibus municipal. Foram as canções e histórias que ouvia de minha mãe, os causos sobrenaturais que ouvia de meu avô. Foram os desenhos animados de sábado, os videogames que jogava apenas quando ia na casa dos meus primos mais abastados. Foi toda arte que consumi, seja em casa, na rua ou na escola.

E com certeza não foi a academia que me permitiu publicar, nem o convite miraculoso de uma editora interessada no que um menino de 18 anos tem a dizer. Em Manaus, não funciona a ideia de que, se você tem talento, será visto (acho que em nenhum lugar do mundo). Não há muitos caminhos para a publicação tradicional aqui, e já ouvi de um certo escritor renomado – hoje defunto – que só é válido publicar se você for selecionado por uma editora de São Paulo.

Filho de pai motorista e mãe autônoma, não sobrava muito dinheiro para ir a São Paulo tentar a vida como escritor. Nenhum livro que lancei foi publicado de outra forma senão por financiamento coletivo ou editais de fomento à cultura. Sem esses caminhos alternativos, eu não teria publicado meu primeiro livro, há uma década, tampouco estaria me preparando para publicar o sexto.

Em uma cidade como Manaus, que não integra o eixo econômico – e, consequentemente, cultural – do país, quem sente a vontade violenta de contar histórias não pode se dar ao luxo de esperar ser notado pelos olhos de cima, nem dispor de algumas dezenas de milhares de reais para ter a satisfação de ter seu nome na capa de um livro. Nem todos calhamos de nascer com o sobrenome certo. 

Na cultura, é natural haver conflito: de um lado, movimentos artísticos bem estabelecidos, confortáveis em publicar quando a inspiração bate e o dinheiro não falta, e, de outro, vanguardas que desassossegam quem esquece o quanto é difícil ser artista no Brasil. Como diz Regina Dalcastagnè, tais vanguardas causam ruído, barulho, dissonância que, embora vistas superficialmente como manifestações caóticas, somam à diversidade de vozes que escapam ao gargalo dos meios tradicionais de publicação.

Com todo o respeito ao Clube da Madrugada, mas as pessoas não pararam de viver em 1960. Se vivem, logo escrevem.

E sem precisar de permissão.

Sobre o autor

Jan Santos é autor de contos e novelas, especialmente do gênero Fantasia. Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e com graduações em Língua Portuguesa e Inglesa, é um dos membros fundadores do Coletivo Visagem de Escritores e Ilustradores de Fantasia e Ficção Científica, além de vencedor de duas edições dos prêmios Manaus de Conexões Culturais (2017-2019) e Edital Thiago de Mello (2022).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Consulta pública propõe definir grafismos do povo Huni Kuĩ como Patrimônio Cultural

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Foto: Reprodução/Acervo Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), comunicou no dia 22 de janeiro que está em trâmite o processo administrativo referente à proposta de registro do Kene Kuĩ, grafismos do povo Huni Kuĩ, como Patrimônio Cultural do Brasil. O objetivo do comunicado é permitir que a sociedade apresente, no prazo de 30 dias, manifestações sobre o bem cultural.

A sociedade pode se manifestar sobre o pedido de registro até o dia 21 de fevereiro de 2025. As manifestações devem ser encaminhadas para o endereço eletrônico dpi@iphan.gov.br ou enviadas como correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural – Presidente – SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar – Brasília – Distrito Federal – CEP: 70390-135.

Finalizado o prazo para manifestação, o processo será encaminhado para análise do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão colegiado de decisão máxima do Iphan para os processos de reconhecimento do Patrimônio Cultural do Brasil.

Kene Kuĩ, grafismos do povo Huni Kuĩ

O povo Huni Kuĩ é originário da Amazônia Ocidental, na fronteira entre o Brasil e o Peru. Atualmente, habitam o estado do Acre e sul do Amazonas. O Kene Kuĩ é um conjunto de conhecimentos técnicos e rituais, materiais e imateriais, que envolvem a produção de padrões gráficos realizados pelo povo Huni Kuĩ.

Suas produções envolvem tecelagem, cestaria, pintura corporal, cerâmica, produção de redes e miçangas, entre outros objetos, representando a conexão entre os Huni Kuĩ e seus conhecimentos ancestrais. Mais do que uma manifestação artística, o Kene é considerado uma linguagem visual que incorpora saberes sobre o universo cosmológico, as relações sociais, as práticas rituais e os modos de vida do povo Huni Kuï.

Os grafismos dos Kene possuem uma unidade estilística inconfundível, marcada por uma estética que equilibra simetria e assimetria, figura e fundo, e utiliza padrões geométricos elaborados que narram histórias e refletem uma cosmologia rica e complexa. Tradicionalmente, a produção do Kene é realizada majoritariamente por mulheres, que desempenham o papel de “aïbu keneya” (mestras do desenho), transmitindo os saberes por meio de práticas orais, cânticos e rituais. O aprendizado dos Kene inclui também a observação e a relação com os “yuxibu” (seres da floresta), que inspiram e guiam a criação gráfica.

As mulheres tradicionalmente são as grandes guardiãs de conhecimento e prática do Kene Kuĩ. Foto: Ila Verus/CPI AC

O pedido de registro do Kene foi feito ao Iphan no ano de 2006, por meio do documento assinado por 127 representantes de comunidades e organizações indígenas do povo Huni Kuĩ (Kaxinawá), como a Associação dos Produtores Kaxinawá da Aldeia Paroá (APROKAP), a Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira (OPIRE); a Associação dos Seringueiros, Agricultores e Artesãos Kaxinawá de Nova Olinda (ASPAKNO); a Organização do Povo Huni Kuĩ do Alto Purus (OPIHARP) e a Federação do Povo Huni Kuĩ do Acre (FEPHAC).

Antes mesmo do pedido de registro junto ao Iphan, os Huni Kuĩ já haviam realizado pesquisas sobre o Kene Kuĩ com o apoio de organizações indigenistas, produzindo uma vasta documentação financiada por meio de editais de fomento à cultura ao longo dos anos. Ainda assim, havia a demanda pelo reconhecimento e salvaguarda deste patrimônio, que se encontrava em desuso entre os jovens indígenas de algumas aldeias, ao mesmo tempo em que os usos considerados indevidos se expandiram.

Foi nesse contexto que o pedido de registro do Kene foi discutido e solicitado pelo povo Huni Kuĩ. Foi destacado, no pedido de registro, que o Kene Kuĩ é uma das principais referências identitárias para o povo Huni Kuĩ, havendo a necessidade de se garantir o reconhecimento deste bem cultural enquanto conhecimento tradicional.

*Com informações do Iphan

União deve esclarecer ao STF pontos de plano de proteção da Amazônia

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Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a União apresente uma série de esclarecimentos complementares sobre o plano de proteção da Amazônia e o fortalecimento de órgãos e entidades ambientais federais. A providência faz parte da decisão, tomada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 760, em que o ministro homologa de forma parcial o cumprimento das determinações fixadas pelo STF no julgamento do caso.

Na ação, o Plenário do STF reconheceu, em abril do ano passado, a existência de falhas estruturais na política de proteção do bioma e estabeleceu obrigações, como a efetivação de um planejamento para prevenir e controlar o desmatamento. Em dezembro, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou as providências adotadas, e, diante das lacunas, Mendonça homologou o cumprimento de forma parcial.

Esclarecimentos complementares

Entre as obrigações complementares, o ministro determinou que sejam informados critérios mais detalhados de metas e objetivos a serem alcançados mês a mês pelo Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).

Para cumprimento das metas de aprimoramento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de melhora na articulação com governos locais na fiscalização ambiental, Mendonça determinou que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) edite uma norma para obrigar estados e municípios a integrar o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor).

Deverão ser compartilhados com o sistema os dados sobre autorização para remoção de vegetação, com indicação da propriedade rural em questão. Autoridades federais deverão ter acesso às informações estaduais sobre transporte de animais.

A União ainda deverá esclarecer os motivos de ter contingenciado valores de fundos como o destinado à Mudança do Clima (FNMC) e ao Meio Ambiente (FNMA). A informação terá que detalhar como os recursos serão usados para fortalecer órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Com relação à Funai, Mendonça deu 30 dias para que o órgão apresente plano de reestruturação das estruturas de proteção de terras indígenas da Amazônia Legal.

*Com informações do STF

Capivaras conquistam frequentadores e ajudam na manutenção de parque no Pará

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Foto: Ayla Ferreira/Fundação Guamá

Durante o período da pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022, o Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, no Pará, apresentou um cenário de circulação humana reduzida, devido ao isolamento social recomendado para conter a propagação do vírus. Esta área, por apresentar abundância de alimentos e presença de corpos d’água, atraiu uma manada de capivaras vindo de áreas vizinhas.

Seu nome, de origem tupi-guarani, significa “comedor de capim”, são os maiores roedores do mundo, vivem em média 15 anos, organizam-se em grupos e dividem seu território em áreas específicas para atividades como descanso, banho e alimentação. No PCT Guamá, que possui 72 hectares ricos em biodiversidade, a presença desses animais encanta residentes e visitantes, além de contribuir para a manutenção do ecossistema local.

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Ingrid Teles, pesquisadora e fundadora da startup Ver-o-Fruto, residente no PCT, encontra inspiração ao observar as áreas verdes e as capivaras que passeiam pelo complexo. “O parque é um refúgio de tranquilidade ideal para o meu negócio. Contrasta com a correria urbana. Amo quando encontro as capivaras passeando, especialmente os filhotes, mas sempre respeitando seu espaço”, comenta.

A pesquisadora Maria Cristina Costa, do Laboratório de Ecologia e Zoologia de Vertebrados (LABEV) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenadora do Programa ConViva, acredita que os animais tenham vindo de locais como o Parque Estadual do Utinga e a Embrapa, utilizando a margem do rio Guamá como um corredor. Inicialmente, o grupo contava com cerca de sete indivíduos, mas a rápida reprodução da espécie e chegada de novos indivíduos, aliada à ausência de predadores naturais, fez com que sua população crescesse, chegando a aproximadamente 80, segundo a última contagem.

Para além da aparência dócil e comportamento tranquilo, que as deixaram famosas nas redes sociais, as capivaras são essenciais para o ecossistema. Como herbívoros, alimentam-se de plantas aquáticas, folhas, frutas e cascas, controlando o crescimento da vegetação. “Sem herbívoros, seria impossível caminhar pelas áreas verdes do PCT e do campus, pois eles renovam a vegetação. Seus dejetos, ricos em nutrientes, fertilizam o solo e auxiliam no reflorestamento, funcionando como um adubo natural”, explica a pesquisadora.

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Cuidados 

Para garantir uma boa convivência com os animais, é essencial manter uma distância segura, evitando contato próximo que possa resultar em ataques ou na transmissão de doenças. “Se a capivara estiver com filhotes, por exemplo, pode se tornar agressiva para protegê-los. É instintivo. Fotografar e filmar é permitido, mas sempre com cautela e respeito ao espaço delas”, alerta Maria Cristina.

A pesquisadora destaca a possível transmissão de doenças, como a febre maculosa, em decorrência da picada de carrapatos que podem atingir capivaras. “As capivaras que estão no PCT Guamá e campus não apresentaram indícios de conter carrapatos infectados, mas seria necessário a realização de testagem para descartar qualquer doença. Por tanto, deve-se evitar contato com as capivaras e qualquer animal silvestre. Campanhas de educação ambiental são fundamentais para conscientizar a comunidade sobre o tratamento adequado aos animais. É um privilégio coexistir com eles”, conclui a pesquisadora.

Foto: Ayla Ferreira/Fundação Guamá

Referência em inovação na Amazônia

O PCT Guamá é uma iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), que conta com a parceria da UFPA, Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e gestão da Fundação Guamá.

É o primeiro parque tecnológico a entrar em operação na região Norte do Brasil e visa estimular a pesquisa aplicada e o empreendedorismo inovador e sustentável para melhorar a qualidade de vida da população.

Localizado às margens do rio Guamá, que dá nome ao complexo, o PCT Guamá está situado entre os campi das duas universidades e conta com um ecossistema rico em biodiversidade, estendendo-se por 72 hectares, destinados a edificações e à Área de Proteção Ambiental (APA) da Região Metropolitana de Belém.

O complexo conta com mais de 30 empresas residentes (instaladas fisicamente no parque), mais de 40 associados (vinculados ao parque, mas não fisicamente instalados), 12 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos, com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (Eetepa) Dr. Celso Malcher, além de atuar como referência para o Centro de Inovação Aces Tapajós (Ciat), em Santarém, oeste do Estado.

O PCT Guamá integra a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e International Association of Science Parks and Areas of Innovation (Iasp), e faz parte do maior ecossistema de inovação do mundo.

*Com informações da Agência Pará