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Aprenda como preparar moqueca acreana com pirarucu e banana da terra

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Moqueca acreana leva pirarucu e banana da terra. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

A culinária tradicional do Nordeste brasileiro combinada com elementos da cultura gastronômica da Amazônia, essa é a definição da moqueca acreana.

Saem os peixes de água salgada e entra em cena o pirarucu, um dos maiores pescados da região, além disso a banana da terra ajuda a dar um sabor único à receita.

“Maravilhoso para você poder fazer na sua casa, um prato super regional e uma delícia. Eu tenho certeza que vocês vão gostar e agora é só saborear”, garantiu a chef Kamilla Mantovanelli.

Ingredientes

Um fio de dendê
200 ml de leite de coco
⁠3 rodelas de pimentão vermelho
⁠3 rodelas de pimentão amarelo
⁠3 rodelas de pimentão verde
⁠3 rodelas de cebola
⁠3 rodelas de tomate
⁠1 maço de cheiro verde picado .
⁠Pimenta de cheiro a gosto picada
⁠2 maços de chicória picados
500 ml de água
Sal a gosto
Trigo ou maisena

Modo de preparo

Pique o cheiro verde, a chicória e a pimenta de cheiro. Além disso, corte os pimentões, a cebola e o tomate em rodelas.

Coloque a panela no fogo com um fio de azeite de dendê e faça camadas com a cebola, tomate e pimentões.
Em seguida intercale a banana e o pirarucu, acrescente sal a gosto e 500 ml de água.

Quando ferver acrescente a pimenta de cheiro e a chicória e devagar vá acrescentando o leite de coco.

Depois de cozinhar o peixe, o que pode levar de 20 a 40 minutos, finalizar com um pouco de trigo ou maisena para engrossar o caldo (à gosto) e acrescentar o cheiro verde. Agora é só servir e se deliciar!

Eleições municipais: banidos partidos fora do novo contexto político brasileiro

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Foto: Roberto Jayme/TSE

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A vitória dos partidos conservadores nas eleições em segundo turno deste domingo, 27, confirma um fato insofismável: o Brasil cansou de líderes populistas, demagogos e intolerantes cujo ativo maior é deter e espalhar o ódio, a insídia, a mutreta, a velhacaria, como nos tempos dos coronéis de barranco para manter o poder de seus grupos políticos, mantendo amordaçados eleitores com baixa capacidade interpretativa da conjuntura política do país.

A hora pois é de mudança, de reconstrução. Nem esquerda nem direita radicais presas a dogmas ideológicos ultrapassados, démodé. Dogma é um princípio que se convenciona não discutir e, muitas vezes, que não se aceita discussão. É isso e pronto. Exemplos são encontrados em aspectos de doutrinas de uma religião, como o catolicismo romano, ou os pontos de vista de um filósofo ou de uma escola filosófica como Estoicismo ou iluminismo, que com o tempo tornaram-se pensamento dogmático, mesmo se inicialmente não o fossem, e, por fim, nos regimes de força ditatoriais de esquerda ou de direita.

O mundo mudou. Salvo em certos enclaves miseráveis da África ou da América Latina, de repúblicas islâmicas sunitas ou xiitas, no mais a sociedade avançou seu padrão educacional e de esclarecimento político. Consequentemente, de discernimento entre o bem e o mal, o útil e o desperdício, a objetividade e a subjetividade, o pragmatismo e o abstrato, o positivismo e o negativismo. Perda de tempo, além de vergonhoso, além de abominável o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, ter tido a ousadia de afirmar que “eleição não se vence, se toma” ou que um presidiário petista pregue o fim das Forças Armadas ou das escolas cívico-militares. Tais assanhamentos ideológicos estão inteiramente superados, obsoletos, antiquados, fora da nova ordem mundial.

O mundo na verdade anseia por progresso, desenvolvimento social e econômico, mesmo que certos países
prefiram a guerra à paz, o desrespeito a direitos geopolíticos consolidados, ou ainda, nações ocupadas por forças terroristas cujo único objetivo político é anular vizinhos que se opõem a seus dogmas e intolerâncias. Para alcançar esses objetivos as nações precisam muito mais do que ideologismos, demandam gestão pública; planos, programas e projetos estruturantes voltados ao solucionamento de ancestrais problemas que se agravam sobre o padrão da infraestrutura do país (meios de comunicação, rodovias, saneamento básico), da tecnologia, da pesquisa e inovação, da educação, saúde pública e segurança que mantêm subservientes importantes camadas sociais, presas exatamente a esses radicalismos inúteis, improdutivos.

Sobre o pleito municipal, os resultados espelham com precisão esse contraditório animado por falsos líderes em contradição com ânsias e desejos ardentes de extensas camadas populacionais dependentes de emprego, renda e bem estar social. Portanto, há de se perguntar: Quem de fato ganhou as eleições? O PSD de Gilberto Kassab? Ou os candidatos que melhor souberam interpretar as idiossincrasias vigentes nos rincões das cidades e vilas? Claro, ganhou o partido (PSD) com mais municípios sob seu comando a partir de 2025, somando 887 prefeituras no país. Depois, MDB e PP, com 856 e 747 Executivos municipais, respectivamente.

Dentre as capitais, considerando primeiro e segundo turno, o MDB levou cinco cidades: Macapá, com Dr. Furlan, Boa Vista, com Arthur Henrique, Belém, com Igor Normando, Porto Alegre, com Sebastião Melo, e São Paulo, com Ricardo Nunes.

Já o PSD ficou com uma a menos: Curitiba, onde venceu Eduardo Pimentel, Belo Horizonte, com Fuad Noman, Florianópolis, com Topázio, Rio de Janeiro, com Eduardo Paes, e São Luís, com Eduardo Braide.

O PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, em quinto lugar, conquistou quatro: Aracaju, com Emília Corrêa, Cuiabá, com Abílio Brunini, Maceió, com João Henrique Holanda Caldas, e Rio Branco, com Tião Bocalom.

O outrora todo poderoso PT, do presidente Lula, está em nono, com apenas 252, uma só capital, Fortaleza. No mais tornou-se um partido coadjuvante necessitando de um novo norte para ajustar-se ao padrão político século XXI. No qual o radicalismo, seja de direita e de esquerda não tem mais vez.

O mapa em anexo espelha com exatidão o quadro e o quanto o Brasil mudou, sobretudo em relação às expectativas políticas da sociedade. O país pagou o vermelho do mapa predominante em 2020, e voltou a ser azul, verde, amarelo e branco.

Quanto mais radicais as agremiações, exemplos PSOL e PCB, menos prefeituras conquistadas ou zeradas. Líderes que consigam interpretar com exatidão o processo de mudanças em curso permanecerão no cenário político brasileiro; do contrário, serão impiedosamente banidos.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Inpa celebra 50 anos de ações em prol da conservação

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Foto: Fernanda Farias/AMPA

Histórias, pesquisas e ações para a conservação dos mamíferos aquáticos da Amazônia estão eternizados nesses 50 anos de atuação do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LMA/Inpa).

A comemoração, realizada no dia 23 de outubro, reuniu pesquisadores e amigos que relembraram momentos importantes do LMA desde a criação, em 1974, quando a pesquisadora canadense Diana Magor resgatou um filhote de peixe-boi, a “Boo”.

Leia também: Boo, peixe-boi da Amazônia fêmea mais antigo do Inpa faz 50 anos

A contribuição do laboratório para a conservação desses animais reúne vários estudos e ações inéditas, desde entrevistas com pescadores sobre a caça ilegal de peixe-boi até à pesquisa de fórmula láctea que se assemelha ao leite da espécie para reabilitar os filhotes.

A pesquisadora do Inpa e coordenadora do LMA, Vera da Silva, comenta que um dos períodos mais importantes, no início, foi entre os anos de 1975 e 1985.

Foto: Mariana Tuesta/PCE-Inpa

Parceria com a AMPA

Outro marco foi a criação da Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA), em 2000, que hoje é a principal parceira do LMA na luta pela conservação dos mamíferos aquáticos. 

“Essas duas instituições, juntas, trabalham em atividades de conscientização ambiental e pesquisa, graças aos diversos parceiros que nos apoiam e já apoiaram na realização dessas atividades, como Seaworld e Taboca, atuais parceiros, e a Itochu, Jica, Petrobras Ambiental, dentre outras empresas e instituições”, explica o presidente da Ampa, o veterinário Rodrigo Amaral.

O Programa de Soltura de Peixes-bois da Amazônia já devolveu mais de 40 animais à natureza e hoje, mais de 20 estão em processo de reabilitação no berçário e 23 em processo de readaptação em sem cativeiro.

Desde a criação do programa, há mais de quatro décadas, o LMA recebe filhotes de peixes-boi resgatados oriundos da caça ilegal e captura acidental em redes de pesca. 

Com o sucesso das pesquisas, no processo de reabilitação e manejo dos peixes-bois, gerou um plantel de animais apto para retornar à natureza. Isso permitiu a criação em 2008, com o apoio da Ampa, do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, hoje nomeado Programa de Soltura.

Programa de Educação Ambiental 

O LMA, em parceria com a Ampa, participa do Programa de Educação Ambiental que tem como principal objetivo promover o envolvimento da sociedade no cuidado e proteção dos mamíferos aquáticos da Amazônia e dos ecossistemas.

Atualmente, o Programa promove dezenas de atividades de educação ambiental para os mais diferentes grupos, em locais como o Parque Aquático Robin Best no Inpa, em escolas de Manaus e outros municípios, além de comunidades ribeirinhas onde são realizadas as solturas dos peixes-boi.

Vera da Silva 

Vera da Silva é coordenadora do laboratório desde 1996 e pesquisa duas espécies amazônicas, o  peixe-boi e o boto-vermelho há mais de 40 anos. A bióloga é a primeira mulher das Américas a ser membro honorário da maior organização internacional de Mamíferos Aquáticos. 

*Com informações do Inpa e Ampa

Ribeirinhos cavam leito de canal que secou no Bailique durante estiagem no Amapá

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Foto: Divulgação

Moradores do Arquipélago do Bailique, no litoral amapaense, realizaram um mutirão para cavar o leito do Canal do Livramento, na foz do Rio Amazonas, na última semana. Boa parte dos canais, responsáveis pela conexão entre as 56 comunidades existentes no conjunto de ilhas, estão praticamente intrafegáveis.

Com a estiagem intensificada em outubro, o governo do Amapá decretou no dia 23 situação de emergência em todo estado de forma preventiva. O documento garante que os municípios continuem combatendo os efeitos da estiagem.

No conjunto de ilhas o problema soma-se ao da salinização das águas e do fenômeno das “Terras Caídas”, assoreamento que vem alterando a paisagem e afetando as comunidades ribeirinhas.

Para o pescador artesanal Filico Rocha, de 54 anos, descreveu que a sobrevivência dos moradores está difícil depois que os rios e lagos onde pescavam secaram.

No Bailique, ribeirinhos cavam leito de canal que secou durante estiagem no Amapá. Foto: Divulgação

“Os nossos lagos estão bem secos. Os pescadores da piracema sobrevivem da pesca das espécies tamoatá, traíra, jiju. Após a pesca da piracema eles pescam nos lagos que são os nossos campos, mas estão bem secos. Os peixes estão todos morrendo”, disse o pescador.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a piracema?

Entre as comunidades mais afetadas estão: Ponta da Esperança, Capinal, Arraio, Livramento, Ilha das Marrequinhas, Equador, Campos do Jordão, Maranata, Igaçaba, Ponta do Bailique, Igarapé do Meio, Franquinho, Macedônia, Progresso e Freguesia.

“Todas as 56 comunidades estão sendo impactadas por conta da estiagem e do assoreamento dos igarapés. Hoje as pessoas não passam mais pelo canal. Inclusive tinha uma força-tarefa lá dos pescadores tentando escavar o canal para poder ter acesso à passagem. O Bailique vem sendo impactado, primeiro por conta das terras caídas, que durante os últimos 10 anos já levou, já foi engolido pelo rio mais de mil residências”, acrescentou o pescador.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Tese de pesquisador da UFPA é premiada pela Sociedade Brasileira de Física

Foto: Haroldo Lima/Acervo pessoal

Conhecido por ser um dos maiores reconhecimentos na área da Física em nível nacional, o Prêmio José Leite Lopes da Sociedade Brasileira de Física (PJLL/SBF) costuma contemplar teses de doutorado com excelência que contribuem para o avanço do conhecimento sobre a natureza no país. Foi nessa perspectiva que a tese ‘Challenging the Kerr Hypothesis with Scalar Fields, Tidal Forces and Shadows‘, produzida pelo pesquisador Haroldo Cilas Duarte Lima da Universidade Federal do Pará (UFPA), ganhou o PJLL de 2024. A pesquisa premiada contou com a orientação do professor do Programa de Pós-Graduação em Física (PPGF/UFPA), Luís Carlos Crispino.

Ao longo do seu estudo, o pesquisador buscou compreender o funcionamento dos buracos negros e desenvolver simulações e técnicas computacionais, a fim de investigar o comportamento dos objetos que circundam o universo.

A pesquisa foi desenvolvida na própria estrutura do Programa de Pós-Graduação em Física da UFPA, com algumas atividades realizadas durante um ano de doutorado sanduíche na Universidade de Aveiro, em Portugal.

“São feitas pesquisas na UFPA com uma qualidade comparável às melhores pesquisas feitas no país e no mundo. Este prêmio é uma mostra disso. A Amazônia possui duas principais vocações naturais, que são a Biologia e a Geologia. Mas não é só isso. Nossos jovens e nosso povo, de uma maneira geral, quando lhes é dada a devida oportunidade, têm condições de fazer pesquisa de ponta em qualquer tema. Talvez a sociedade não tenha conhecimento da relevância das investigações científicas realizadas na Amazônia em diversas áreas e acredito que este reconhecimento pode ajudar nesta percepção”, pontua o orientador da tese premiada e professor do PPGF da UFPA, Luís Carlos Crispino.

Resultados da pesquisa

A tese obteve como resultado o apontamento de como o ambiente astrofísico pode impactar as propriedades de um buraco negro, se diferenciando dos modelos mais utilizados que consideram um buraco negro completamente isolado.

Foto: Divulgação

Neste sentido, o estudo indicou que as sombras relacionadas às imagens desses buracos negros podem ser muito distintas, o que depende das circunstâncias se eles encontram-se isolados ou na presença de um campo magnético externo.

*Com informações da UFPA

Pesquisa aponta contaminação de peixes em rios amazônicos por microplásticos

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Foto: Reprodução/UFMT

98% dos peixes de 14 espécies que habitam os riachos amazônicos têm algo em comum: microplásticos no trato gastrointestinal e nas brânquias. Esse foi o resultado de pesquisa realizada pela professora Danielle Regina Gomes Ribeiro-Brasil, do Laboratório de Ecologia e Conservação de Ecossistemas Aquáticos (Lecea), vinculado ao Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) do Câmpus do Araguaia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O artigo ‘Dos rios e mares à mesa: peixes contaminados’ faz parte do relatório “Fragmentos da destruição: Impactos do plástico na biodiversidade marinha brasileira” , publicado pela Oceana Brasil.

O artigo indicou que polietileno, polipropileno, polietileno tereftalato, poliestireno e cloreto de polivinila representam 90% dos polímeros plásticos usados e dão origem à maioria dos microplásticos encontrados nesse ambiente. 

Além desses números, a situação do Brasil não é nada confortável: além de ser o maior poluidor da América Latina, o país é o oitavo maior do mundo, cenário composto pelo descarte de 1,3 milhões de toneladas de plástico por ano no oceano.

“A Oceana Brasil é uma organização não governamental (ONG) dedicada à proteção e preservação dos oceanos e das suas espécies marinhas. A Oceana Brasil atua em diversas frentes para promover o uso sustentável dos recursos marinhos e a proteção de ecossistemas críticos. A importância social dos estudos publicados no relatório ‘Fragmentos da destruição: Impacto do plástico na biodiversidade marinha brasileira’ da Oceana Brasil envolve aspectos de conscientização e educação ambiental. Ao divulgar informações relevantes de forma acessível, a Oceana ajuda a mobilizar cidadãos em prol da conscientização ambiental e preservação do ambiente. Além disso, há uma influência política, uma vez que o referido relatório pode auxiliar com dados científicos na regulamentação para a proteção dos oceanos e sua biodiversidade”, explica a docente.

Perigo em cadeia

A pesquisa afirma que o artigo mostra que os centros urbanos contaminam de diversas formas o ambiente aquático e os peixes de riachos estão se alimentando do que os centros urbanos estão jogando no ambiente. 

“Falando da ictiofauna especificamente, estes peixes de riachos são peixes pequenos (em média dez centímentros de comprimento) popularmente denominados de piabas, algumas populações não se alimentam deles, as que se alimentam consomem eles fritos inteiros; esses peixes possuem uma importância ecológica muito grande, se alimentam de larvas de mosquitos, por exemplo, então fazem o controle biológico de vetores de doenças. Se estes peixes reduzirem a sua função no ambiente, poderá haver a proliferação em massa das larvas do mosquito da dengue e esses mosquitos irão infectar os centros urbanos das proximidades. Sendo assim, o relatório mostra a importância da preservação da biodiversidade aquática dos riachos”, explica a docente.

Sobre o impacto dos microplásticos nos organismos dos peixes, a pesquisadora explica que eles podem se distribuir por todo o organismo, a depender do tamanho da partícula.

“Partículas pequenas, menores que um milímetro, são mais fáceis de prender-se nas brânquias dos peixes e isto interfere nas trocas gasosas e transporte de íons para a respiração dos peixes. Além disso, interfere na captação de fonte alimentar para peixes filtradores. Partículas pequenas, de um a cinco milímetros, por exemplo, que ocupa o estômago de um peixe grande, tem efeito diferente de partículas que ocupam o estômago de peixes pequenos. As partículas ocupam o espaço de um item alimentar, causando a falsa sensação de saciedade, reduzindo o esforço de alimentação das espécies. É importante lembrar que os microplásticos não são nutritivos, irão reduzir a capacidade natatória e de reprodução das espécies. Além disso, há estudos mostrando que os microplásticos causam estresse oxidativo, alterando o sistema de defesa antioxidante”, finaliza.

Acesse a integra do Relatório “Fragmentos da destruição: Impactos do plástico na biodiversidade marinha brasileira”

*Com informações da UFMT

Degradação da Amazônia passa dos 20 mil km² em setembro e é a maior em 15 anos

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Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

A degradação florestal explodiu na Amazônia em setembro e chegou aos 20.238 km², o que equivale a mais de 13 vezes a cidade de São Paulo. Essa foi a maior área atingida pelo dano ambiental dos últimos 15 anos. Destruição que ameaça gravemente a biodiversidade amazônica, um dos temas discutidos neste momento na Conferência das Nações Unidas para a Diversidade Biológica, a COP 16, em Cali, na Colômbia.

Os dados são do instituto de pesquisa Imazon, que monitora o desmatamento e a degradação florestal na Amazônia por imagens de satélite desde 2008 e 2009, respectivamente. Em relação a setembro do ano passado, quando a área degradada foi de  1.347 km², houve um aumento de 15 vezes. 

A pesquisadora do Imazon Larissa Amorim explica que o desmatamento ocorre quando a vegetação é totalmente removida e a degradação quando a floresta é afetada pela exploração madeireira ou pelas queimadas, ambos danos ambientais que ameaçam espécies da fauna e da flora.

SAD Degradacao Serie Historica Setembro - Degradação da Amazônia passa dos 20 mil km² em setembro, a maior em 15 anos
Foto: Divulgação/ Imazon

Além disso, setembro foi o quarto mês consecutivo com aumento nas áreas degradadas. Fato que contribuiu para que o acumulado desde janeiro também fosse o maior dos últimos quinze anos, atingindo 26.246 km². Antes disso, o recorde para o período era de 2022, quando a degradação somou 6.869 km². Ou seja: quase quatro vezes menos do que em 2024.

SAD Degradacao Serie Historica Acumulado Janeiro a Setembro - Degradação da Amazônia passa dos 20 mil km² em setembro, a maior em 15 anos
Foto: Divulgação/ Imazon

Pará concentrou 57% da degradação em setembro

Apenas o Pará registrou 57% das áreas de floresta degradadas na Amazônia. No estado, a degradação passou de 196 km² em setembro de 2023 para 11.558 km² no mesmo mês deste ano, quase 60 vezes mais. E sete dos 10 municípios que mais degradam a região são paraenses, incluindo os três primeiros: São Félix do Xingu (3.966 km²), Ourilândia do Norte (1.547 km²) e Novo Progresso (1.301 km²).

Os outros estados com percentuais significativos de áreas degradadas em setembro foram: Mato Grosso (25%), Rondônia (10%), Amazonas (7%), com destaque negativo para Rondônia. Nesse estado, a degradação pasou de 50 km² em setembro de 2023 para 1.907 km² no mesmo mês de 2024, uma alta de 38 vezes.

Ranking com os municípios mais degradados em setembro de 2024

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1São Félix do XinguPA3966
2Ourilândia do NortePA1547
3Novo ProgressoPA1301
4Peixoto de AzevedoMT1144
5AltamiraPA1131
6ParauapebasPA745
7Cumaru do NortePA737
8VilhenaRO684
9ItaitubaPA552
10ComodoroMT531
Fonte: Reprodução/Imazon

Também foi o Pará que registrou a maior quantidade de unidades de conservação com degradação no período. Sete dos 10 territórios com as maiores áreas degradadas ficam no estado.

Ranking com as unidades de conservação mais degradadas em setembro de 2024

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1APA Triunfo do XinguPA1030
2Flona do JamanximPA670
3APA do TapajósPA165
4Flona de AltamiraPA124
5APA Santa RosaMT104
6Parna do Rio NovoPA102
7Parna do JamanximPA77
8Rebio Nascentes da Serra do CachimboPA67
9Parna MapinguariAM/RO55
10PES Cristalino IIMT53
Fonte: Reprodução/Imazon

Já entre as terras indígenas, a Kayapó segue pelo segundo mês consecutivo como a mais degradada. O território concentrou 17% de toda a área com degradação na Amazônia em setembro, com 3.438 km² afetados.

Ranking com as terras indígenas mais degradadas em setembro de 2024

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1KayapóPA3438
2Xikrin do CatetéPA670
3MenkragnotiPA/MT746
4AripuanãRO/MT646
5Capoto/JarinaMT594
6RooseveltRO/MT388
7KayabiPA/MT284
8XinguMT245
9Vale do GuaporéMT229
10Tapirapé/KarajáMT220
Fonte: Reprodução/Imazon

Desmatamento em setembro é o oitavo maior da série histórica

A derrubada também cresceu na Amazônia e teve o quarto mês seguido com alta. Em setembro de 2024, um território de 547 km² foi impactado, o que equivale a perda 1.823 campos de futebol por dia de floresta. Essa área, porém, foi apenas 0,2% maior do que em 2023, quando foram degradados 546 km².

Já ao se observar o acumulado de janeiro a setembro, a área desmatada foi de 3.071 km², a oitava maior da série histórica.

SAD Acumulado do desmatamento Janeiro a Setembro SAD de 2024 - Degradação da Amazônia passa dos 20 mil km² em setembro, a maior em 15 anos
Foto: Divulgação/ Imazon

Dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, três concentraram 83% de todo o desmatamento identificado em setembro. O Pará liderou com 52% da devastação, seguido pelo Amazonas com 16% e pelo Acre com 15%. Além disso, sete dos dez municípios que mais desmataram são paraenses.

Municípios mais desmatados (km²) – SAD setembro de 2024

RankingNome EstadoÁrea (km²)
1UruaráPA27
2FeijóAC21
3PrainhaPA20
4PacajáPA16
5PortelPA16
6MedicilândiaPA16
7PlacasPA16
8LábreaAM15
9Porto VelhoRO12
10AlmeirimPA12
Fonte: Reprodução/Imazon

O Pará também reuniu sete dos dez assentamentos e sete das dez unidades de conservação com as maiores áreas destruídas. Já entre as dez terras indígenas mais desmatadas, três estão integralmente no Pará e outras três têm parte da sua área no estado. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Número recorde: Mato Grosso, Pará e Amazonas tem áreas de matas mais impactadas pelo fogo em 2024

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Focos de queimadas no parque indígena do Xingu, Pará. Foto: Reprodução/Google Earth

Mapeamento feito pela Embrapa das áreas impactadas pelas queimadas durante o período de seca no Brasil em 2024 revela que os principais focos ocorreram em áreas de formação florestal, principalmente na Amazônia e no Pantanal matogrossense.

Durante a estiagem de 2023, foram registrados cerca de 90 mil focos de calor no País. Em 2024, esse número foi superior a 200 mil entre os meses de maio até o fim de setembro, com forte intensificação da incidência de queimadas em agosto, segundo o pesquisador (Figura 4).

Figura 4

“Identificados pelo sensor Modis, embarcado nos satélites Aqua e Terra, seis municípios brasileiros tiveram mais de 5 mil focos de calor, dentro e fora de áreas de matas”, informa Guimarães. São eles: São Félix do Xingu (PA), com 7.657 focos de queimadas; Altamira (PA), com 6.687 focos no mesmo período; Apuí (AM), com 5.906 focos; Corumbá (MS), totalizando 5.860 registros; Novo Progresso (PA), com 5.498 queimadas; e Lábrea (AM), chegando a 5.205 focos (Figura 3). As imagens do sensor Modis, de Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer, são analisadas pelo Programa Earth Science Data Systems (ESDS) da agência espacial norte-americana (Nasa) e distribuídas em diferentes formatos em seu site. “Os pontos com cores quentes vistos nas imagens são as queimadas”, explica o cientista da Embrapa.

Figura 3

Na visão de Guimarães, o cenário de forte estiagem visto em 2024, em que as queimadas atingiram com maior intensidade as áreas com formação florestal no Brasil, apresenta peculiaridades e desafios para a recuperação desses biomas.

Impacto na agricultura

As áreas agrícolas também foram muito afetadas, e os canaviais os mais impactados, com a ocorrência de mais de quatro mil focos de queimadas em 2024 (Figura 5) – em 2023, foram registrados 650 focos, segundo o pesquisador. “Veremos perdas tanto pela ação do fogo quanto pela queda de produtividade causada pelo estresse hídrico”, apresenta. Segundo Guimarães, a forte estiagem terá impactos na próxima safra.

“As áreas de cultivo de soja se encontravam em época de pousio e as perdas estão relacionadas com a queima da matéria orgânica e da cobertura do solo. Já as lavouras de café tiveram baixa incidência de queimadas, mas terão forte impacto devido à deficiência de água na zona radicular. Condição similar ocorre nas áreas de fruticultura”, relata Guimarães.

Figura 5

Eventos extremos

A chegada do período chuvoso em grande parte do País na segunda semana de outubro marcou o fim da estiagem que causou a maior incidência de queimadas no Brasil, com enormes prejuízos econômicos e danos ambientais incalculáveis. De acordo com Guimarães, a intensidade das estiagens está sendo avaliada com base na extensão do período sem chuvas e na atuação do fenômeno El Niño Oscilação Sul (Enso).

“Isso conduz a erros de interpretações e atrasos na tomada de ações para mitigar os danos causados pela seca, como verificado nessa última estação de estiagem. As chuvas ocorridas nas regiões Sudeste e Nordeste ficaram próximas das normais climatológicas; na Região Sul foram maiores que as médias históricas; já na Região Norte ficaram abaixo da média. Essas variações sazonais e a condição de neutralidade da temperatura do Pacífico desde o início de maio não serviram de alerta para a tragédia que se avizinhava”, explica Guimarães (Figura 1).

Figura 1

Segundo o pesquisador, a forte estiagem foi ocasionada pela perda de água dos solos em razão das altas temperaturas, dos baixíssimos índices de umidade relativa do ar e da ação dos ventos, causando uma estação de inverno atípica, com secagem precoce das gramíneas e uma perda excessiva de folhagem nas áreas florestais.

Figura 2

Medidas de prevenção

Daniel Guimarães comenta que os eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes, com catástrofes causadas pelas chuvas como as ocorridas na Região Sul do País, e as estiagens, que atingiram áreas enormes. “Porém, nossas bases de informações, principalmente as obtidas a partir de sensores orbitais, são suficientes para o monitoramento em tempo real e para orientar as tomadas de decisões mais assertivas”, diz.

O pesquisador reforça que as condições de umidade dos solos e os níveis de estresse da vegetação permitem que ações sejam tomadas, como campanhas educativas, proibição do uso de queimadas e ações de fiscalização, com pelo menos dois meses antes do período crítico. “A mitigação desse problema nacional depende do monitoramento e da previsão das condições climáticas, da análise da geolocalização dos focos de incêndios em tempo real em integração com as bases de relevo, uso do solo e Cadastro Ambiental Rural (CAR), além da fiscalização das áreas de risco com o apoio de sensores remotos”, conclui.

*Com informações da Embrapa

Biólogo alerta que mudanças climáticas e modelo econômico ameaçam saúde na Amazônia

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Foto: Abel Rabelo/Ministério da Saúde

A avaliação é do biólogo Wilsandrei Cella professor adjunto do Centro de Estudos Superiores de Tefé da Universidade do Estado do Amazonas (Cest/UEA), que participou do VIII Congresso Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, organizado pela Universidade Paranaense (Unipar).

O evento, que ocorreu no dia 24 de outubro, reuniu especialistas de países como Paraguai, Portugal e Estados Unidos para debater avanços e desafios globais em ciência, tecnologia e inovação. Durante o congresso, o professor palestrou sobre “Doenças Tropicais Negligenciadas no Bioma Amazônico X Atual Modelo de Desenvolvimento Econômico da Amazônia Legal e Mudanças Climáticas”, e discutiu os desafios enfrentados neste bioma devido ao avanço das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs). Segundo Cella, o atual modelo econômico da Amazônia Legal, aliado às mudanças climáticas, prejudica o controle dessas doenças socialmente determinadas (DSDs), o que exige uma reavaliação das políticas de desenvolvimento regional.

Dados de pesquisa

Na ocasião, Cella também apresentou dados da pesquisa intitulada “Morphometry of the Wings of Anopheles aquasalis in Simulated Scenarios of Climate Change”, que investiga como as mudanças climáticas podem alterar as características morfológicas de insetos vetores.

Os resultados indicam que as transformações ambientais estão modificando essas características, o que pode intensificar a disseminação de algumas DSDs transmitidas por vetores e impactar diretamente a epidemiologia da malária em escala global.

A participação do professor no congresso reforça a necessidade urgente de estudos científicos interdisciplinares que explorem a convergência entre desenvolvimento econômico, mudanças climáticas e saúde pública na Amazônia, em um momento de intensas transformações no bioma.

Cella destaca que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que ocorrerá em Belém em 2025, representa uma oportunidade única para o Brasil mostrar ao mundo o potencial dos produtos da biodiversidade amazônica.

*Com informações da UEA

Pesquisa destaca potencial das libélulas para impulsionar ecoturismo de base comunitária na Amazônia

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Exemplar de libélula encontrada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. Foto: Acervo da pesquisa

Estudo inédito, realizado por uma equipe de cientistas da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade do Algarve (UAlg), de Portugal, revela que as libélulas, insetos pertencentes à ordem Odonata, podem desempenhar um papel fundamental na promoção do ecoturismo de base comunitária na Amazônia brasileira.

Os resultados da pesquisa, publicados na revista Global Ecology and Conservation, destacam a importância do conhecimento ecológico tradicional e da participação comunitária no desenvolvimento de iniciativas de conservação em áreas protegidas na Amazônia.

A pesquisa é detalhada no artigo “Neotropical dragonflies (Insecta: Odonata) as key organisms for promoting community-based ecotourism in a Brazilian Amazon conservation area”, que tem como autores os cientistas Mayerly Alexandra Guerrero-Moreno (Ufopa), Leandro Juen (UFPA), Miguel Puig-Cabrera (UAlg), Maria Alexandra Teodósio (UAlg) e José Max Barbosa Oliveira Junior (Ufopa).

De acordo com os pesquisadores, a incorporação de insetos no ecoturismo aumenta a conscientização sobre sua importância nos ecossistemas. No entanto, a inclusão desse grupo em atividades ecoturísticas ainda é rara, mas com grande potencial.

Por isso, táxons emblemáticos, como as libélulas, conhecidas na Amazônia como jacinas, com perfis de alta popularidade, podem fomentar o interesse de públicos de todas as idades em relação a outros invertebrados, o que é vital, dada a atual perda de biodiversidade.

O estudo foi realizado na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, situada na Amazônia brasileira, onde foram entrevistados 415 líderes e moradores indígenas e não indígenas, revelando que 98,55% dos participantes reconhecem esses organismos e atribuem a eles valores estéticos, ambientais, culturais e econômicos. “Esse estudo faz parte do INCT Sínteses da Biodiversidade Amazônica e do PPBIO Amazônia Oriental, que buscam promover essa integração, pois acreditamos que ela seja essencial para a conservação da biodiversidade e para o desenvolvimento sustentável”, afirma Leandro Juen, um dos autores do artigo.

Segundo o estudo, 96,38% dos participantes afirmaram que atividades de ecoturismo atuais não incluem informações sobre invertebrados. Essa lacuna poderia ser preenchida pelo uso das libélulas como atrativos ecoturísticos, dadas suas características chamativas, cores vibrantes e voo elegante.

A maioria dos entrevistados manifestou interesse em observar libélulas (99,04%) e participar no desenvolvimento de atividades ecoturísticas com Odonata (89,88%), indicando que sua inclusão no ecoturismo de base comunitária poderia aumentar a conscientização ambiental e proporcionar uma nova fonte de renda para as comunidades da reserva.

A pesquisadora destaca ainda que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem o programa Monitora, que avalia a biodiversidade em áreas protegidas, incluindo o uso das libélulas como indicadores ambientais. “Integrar essas iniciativas com o ecoturismo comunitário pode fortalecer a proteção ambiental e a valorização cultural na região”, afirma.

Professor do Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA) e do PPGSND, ambos da Ufopa, José Max Oliveira Júnior afirma que o ecoturismo de base comunitária, centrado em Odonata, não só tem o potencial de atrair turistas, mas também de promover a participação e o empoderamento de populações indígenas e não indígenas que habitam a reserva.

Para garantir que o ecoturismo com libélulas seja benéfico e sustentável, os pesquisadores enfatizam a necessidade de desenvolver políticas públicas, programas de financiamento e suporte técnico que possibilitem o desenvolvimento dessas iniciativas pelas comunidades locais. A pesquisa aponta ainda que a implementação de programas educacionais e de treinamento é essencial para preparar as comunidades para a gestão dessas atividades, promovendo um turismo sustentável e inclusivo.

Confira o artigo completo (em inglês): https://doi.org/10.1016/j.gecco.2024.e03230.

*Com informações da Ufopa