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Pesquisadores analisam qualidade da água de rios de Marabá no Pará

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Pesquisadores analisam qualidade da água de rios de Marabá: Foto: Arquivo do pesquisador

Professores e pesquisadores da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), realizaram, em janeiro de 2025, a coleta de amostras das águas dos rios Tocantins e Itacaiunas, em Marabá. Além da coleta, foi promovida uma ação de conscientização junto à comunidade local, com a distribuição de panfletos, bate-papo com moradores das áreas afetadas por inundações durante o período das enchentes, bem como a realização de coleta de resíduos sólidos.

Há 20 anos estudando a qualidade das águas dos rios Tocantins e Itacaiunas, a professora Andrea Hentz destacou a importância de conscientizar a população sobre os riscos do uso das áreas alagadiças como espaços recreativos. 

“Sabemos da elevada contaminação dessas águas, mesmo no período de estiagem. Durante as enchentes, a situação se agrava devido ao contato da água com esgotos, fossas domésticas e resíduos depositados nessas áreas, aumentando o potencial de contaminação. Além disso, há o risco de proliferação de doenças de veiculação hídrica, como a leptospirose. É fundamental alertar a população sobre os perigos do contato com essas águas”, ressaltou.

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Amostras de águas: Foto: arquivo do pesquisador

Resultados

Segundo os pesquisadores, durante o estudo foram entrevistadas 170 famílias ribeirinhas, e observou-se que 55,70% dos moradores da orla do Rio Tocantins, em Marabá, utilizam chafarizes públicos para consumo de água potável. Outros 22,60% utilizam poços semiartesianos, 17,90% compram água mineral, e apenas 3,80% possuem acesso à água encanada.

Quanto à qualidade das águas do Rio Tocantins na orla de Marabá, durante o período estudado – abrangendo tanto os meses de enchente quanto o veraneio –, a análise das 480 amostras coletadas revelou que 81,81% apresentavam a presença de coliformes totais. Esse dado evidencia que a água pode oferecer riscos à saúde humana.

A Portaria 2.914/11 define como potável a água destinada ao consumo humano que atenda aos padrões microbiológicos, físicos, químicos e radioativos estabelecidos, sem oferecer riscos à saúde. Essa norma também regulamenta os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água para consumo.

No que diz respeito à balneabilidade, a Resolução CONAMA 357/2005, em conjunto com a Resolução CONAMA nº 274/2000, estabelece que águas destinadas à recreação de contato primário são consideradas impróprias quando apresentam uma concentração superior a 2.500 coliformes fecais (termotolerantes), equivalente a 2,5 × 10³ UFC/mL.

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Pesquisadores analisam qualidade da água de rios de Marabá: Foto: arquivo do pesquisador

Os valores de coliformes termotolerantes encontrados no período de cheia (média das amostras coletadas ao longo dos anos) variaram entre 1,9 × 10² e 4,8 × 10¹³ UFC/mL. Já na seca (veraneio), os valores oscilaram entre 3,8 × 10² e 5,2 × 10¹⁰ UFC/mL. No caso dos coliformes totais, durante a cheia, os valores mínimos e máximos foram de 1,5 × 10² a 5,2 × 10¹³ UFC/100 mL, enquanto na seca variaram entre 1,5 × 10² e 4,3 × 10¹⁰ UFC/100 mL.

O estudo também apontou que, apesar dos investimentos públicos em infraestrutura urbana na região, o Rio Tocantins continua sendo amplamente utilizado para lazer: 47% dos entrevistados afirmaram usá-lo para essa finalidade. Além disso, a relação com o rio vai além do lazer, pois, somando-se as respostas, 75% dos entrevistados dependem de suas águas para a realização de atividades diárias.

“O processo de urbanização na região, intensificado a partir da década de 1960, continua se expandindo até os dias atuais. No entanto, a dinâmica das cidades frequentemente entra em conflito com as pressões pelo cumprimento das legislações urbanísticas e ambientais em níveis nacional, estadual e municipal”, conclui Hentz.

Farinha de babaçu é principal ingrediente para uma ‘revolução gastronômica’ no Maranhão

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Curso de Gastronomia do IEMA. Foto: Divulgação

Na terra dos babaçuais nasce o poder que vem da força de mulheres quebradeiras de coco. Com inovação e criatividade, elas são as personagens principais de uma revolução silenciosa no campo e no prato dos maranhenses. Um alimento de origem ancestral ganha uma gama enorme de utilidades a partir das mãos de mulheres do interior do Maranhão que aproveitam a polpa do babaçu para desenvolver uma farinha nutritiva e funcional, com grandes propriedades alimentícias e versatilidade na cozinha.

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A farinha do mesocarpo do babaçu, ou simplesmente farinha do babaçu, ganha cada vez mais espaço justamente por sua diversidade: pães, bolos, biscoitos, mingau e muitas outras delícias podem vir dessa farinha rica em amido, fibra e sais minerais. 

Para a nutricionista, professora doutora e pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Yuko Ono, é preciso mostrar na prática os benefícios desse alimento tão rico e ancestral.

Comida preparada com Farinha do Mesocarpo. Foto: Divulgação

Por isso, desde 2021, participa de projetos e parcerias com entidades agrícolas e as próprias comunidades produtoras no desenvolvimento de alimentos à base de derivados do babaçu, saudáveis e nutritivos, que aproveitem bem as propriedades do fruto.

“O Maranhão é riquíssimo e a população pouco conhece sobre as propriedades nutritivas e funcionais do babaçu”, analisa a docente.

A professora doutora, engenheira de alimentos e também pesquisadora da UFMA, Maria da Glória Almeida Bandeira lembra também de outro importante nutriente: “O maior benefício nutricional da farinha de babaçu é o seu teor de proteína, um valor aproximado de 1,4g por 100g de farinha. Sendo, portanto, maior que o da farinha de mandioca, que é de 1,08g”.

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Esse dado demonstra o quão vantajosa ela pode ser em substituição a outras farinhas e em dietas veganas, por exemplo. Assim, oferece uma grande e potente quantidade de nutrientes que podem ser bem aproveitados pela culinária de diversos modos.

Os maiores beneficiados pelo uso da farinha do babaçu podem ser justamente as crianças, principais afetadas pelo alto consumo de alimentos ultraprocessados, que podem passar a comer uma comida barata, nutritiva e saborosa. Elas provam que, antes de qualquer coisa, a comida tem que ser gostosa e afetiva, o que não é muito difícil de conseguir num pedaço de pão quentinho ou num biscoitinho feitos com mãos de fibra.

Tabela nutricional da farinha. Imagem: divulgação

Inserir o alimento na merenda escolar pode ser uma alternativa interessante para que o produto entre de vez no cardápio infantil – além de ser um produto sustentável e nutritivo, possui um grande apelo econômico-social. Por ser um produto feito por mulheres de comunidades rurais que possuem controle de todo o processo de produção, o salto no desenvolvimento social dessas comunidades pode ser enorme, empoderando as mulheres e melhorando a qualidade de vida e de trabalho no campo.

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A professora Yuko lembra que além das vantagens nutricionais, a farinha do mesocarpo do babaçu possui outras propriedades que podem ser de grande valia em vários segmentos da população. Além das fibras e amido, é rica em taninos que possuem potenciais antioxidantes e antiinflamatórios.

Sendo assim, um produto alimentício funcional que pode ser consumido por pessoas com problemas de saúde ou alergias, como intolerantes a glúten, por exemplo.

“Se usado com moderação e combinado com outros alimentos funcionais, pode ser uma alternativa interessante para diabéticos por sua ação antimicrobiana, antiinflamatória e de auxílio na cicatrização”, complementa.

É uma riqueza que, se bem explorada, pode significar uma grande revolução na alimentação. É o aproveitamento de conhecimentos milenares combinado com ciência e tecnologia dos alimentos, mostrando que as palmeiras de babaçu oferecem muito mais do que beleza: são uma alternativa de sustentabilidade e mudanças sociais intensas através das possibilidades de oferecer comida de verdade, natural e funcional.

A Farinha do Mesocarpo do Babaçu, da cooperativa Mulheres Mãos de Fibra, está no centro dessa revolução. Apoiadas pela Rede Mulheres do Maranhão, conseguem não só produzir a farinha como também derivados que são criados e feitos em uma pequena padaria. O poder dessa cooperativa de Tufilândia, no interior do Maranhão, consegue nos mostrar a força do babaçu de alimentar mais do que corpos, mas também sonhos, fruto de muito trabalho e empoderamento.

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Curso de Gastronomia IEMA. Foto: divulgação

Rede Mulheres do Maranhão

A Rede Mulheres do Maranhão tem como objetivo contribuir na inclusão e transformação socioeconômica das mulheres do Maranhão. Dentro da rede, são 16 negócios sociais, com impacto em mais de 200 empreendedoras, empreendedores e quebradeiras de coco babaçu, que encontraram no trabalho coletivo sua fonte de renda.

Aquário Municipal de Cuiabá abriga quase 40 espécies de peixes

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Foto: Luiz Alves/Prefeitura de Cuiabá

Inaugurado em 2002, o Aquário Municipal Justino Malheiros, de Cuiabá, é um dos principais pontos turísticos da capital mato-grossense, atraindo visitantes interessados na rica biodiversidade da região. Localizado às margens do Rio Cuiabá, este espaço foi concebido para educar e conscientizar o público sobre a fauna aquática, além de promover a preservação ambiental.

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O complexo tem cerca de 14 mil metros quadrados, sendo mais de 1,2 mil metros para apreciação de peixes da Bacia Amazônica e do Prata. Entre os peixes é possível encontrar, por exemplo, dourados, pacus e tambaquis

Além disso, há espaços também dedicados a espécies de água salgada, permitindo uma experiência diversificada.

Localizado na Avenida Manoel José de Arruda, n° 1899 – Porto, o aquário está aberto ao público com entrada gratuita, das 9h às 18h, de terça-feira a domingo.

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Foto: Luiz Alves/Prefeitura de Cuiabá

Reforma

Recentemente, o espaço foi completamente reformado. Além do aquário, o complexo inclui 3,6 mil metros quadrados de áreas verdes, bosques, fontes de água e praças de alimentação, que oferecem restaurantes, quiosques e espaços para pequenos empreendedores.

Outros 3,7 mil metros quadrados foram destinados ao estacionamento, que comporta 106 vagas para carros, 7 para ônibus e 26 para motos, garantindo acessibilidade e conforto aos visitantes.

Mergulhador

Com funcionamento de terça-feira a domingo, as segundas-feiras foram designadas como reservadas para manutenção e descanso da equipe. Porém, quem não descansa é o biólogo e mergulhador Matheus Lima. Isso porque ele é responsável pelo sistema de suporte à vida dos peixes.

Matheus afirma que o trabalho de manutenção básica também é feito diariamente e envolve a limpeza dos habitats, a alimentação dos peixes e a coleta de amostras de água.

Foto: Emanoele Daiane/Prefeitura de Cuiabá

“É um trabalho diário, de segunda a segunda. Na segunda-feira, essa manutenção é mais rigorosa. Os equipamentos permanecem em funcionamento e, caso seja necessário realizar algum reparo, ele é feito. Nossa análise é constante: coletamos amostras de água para realizar as correções necessárias e fazemos a manutenção dos habitats”, explicou.

*Com informações da Prefeitura de Cuiabá

Sindarma aponta as perspectivas da navegação no Amazonas em 2025

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Foto: Divulgação

A navegação no Amazonas enfrentou desafios extremos em 2024 devido às condições climáticas. A seca recorde impactou profundamente o setor, mas o retorno das chuvas nos últimos meses trouxe alívio, com 70 a 80% da navegabilidade já normalizada, segundo avaliação do Sindicato das Empresas de Navegação do Estado do Amazonas (Sindarma).

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De acordo com a entidade, que representa as principais empresas do setor no Estado, hoje, grande parte da frota de balsas opera normalmente, embora os reflexos das adversidades ainda sejam sentidos. O presidente do Sindarma, Galdino Alencar, destacou que os prejuízos acumulados na última estiagem superaram os de 2023.

“No inverno as embarcações navegam ‘full”, ou seja, com capacidade de carga completa. No verão, as mesmas rotas são feitas com redução de até 65%, mas os custos aumentam porque o tempo das viagens é maior. Foi um ano difícil, mas conseguimos manter as operações e o abastecimento em todo Estado”, avaliou.

O dirigente explicou que as paralisações em bacias importantes, como a do Rio Madeira, e o aumento de custos operacionais provocados por embarcações encalhadas, colisões com pedras e restrições da navegação noturna também contribuíram para os prejuízos em 2024.

“Embora o desabastecimento tenha sido evitado, a solução exigiu logísticas alternativas, como transferência de mercadorias para embarcações menores, o que encareceu produtos e aumentou os custos para o consumidor final”.

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Foto: Nailana Thiely / UEPA

Privatização do Rio Madeira

Entre as iniciativas que terão projeção em 2025, está a privatização do Rio Madeira, previsto para o 2º semestre e no qual o Sindarma tem participado ativamente dos debates, contribuindo com sugestões para a elaboração da proposta com a experiência acumulada das empresas para garantir que o processo traga melhorias efetivas, especialmente para as operações no interior do estado.

“Não somos contra. Mas queremos esclarecimentos sobre os benefícios que serão gerados, pois quem vai pagar a conta são os armadores. Quando privatizar vai ter dragagem o ano inteiro? Vão sinalizar os pedrais? Como vão ficar as 2 mil dragas de garimpo que operam no Madeira? A segurança é mais importante”, questionou Alencar.

Outro tema de interesse do setor é o megaporto chinês em Chancay, no Peru, que teve investimentos de US$ 3,4 bilhões. Localizado a 70 km ao norte de Lima, o complexo é considerado o maior da América do Sul e promete transformar o transporte e a logística no continente.

“Queremos trabalhar com os órgãos estaduais e federais, porque este porto pode ter um impacto econômico e social no Amazonas gigantesco se pudermos integrá-lo à nossa navegação. Atualmente, nossas balsas já chegam até a região peruana que fica a dois dias, via terrestre, de Chancay. A vantagem para o escoamento do PIM pode trazer um impulso econômico não apenas para a navegação, mas também gerar milhares de novos postos de trabalho e renda em diversos segmentos no Amazonas”.

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Pirataria: uma prioridade permanente

A segurança na navegação e o combate à pirataria continuarão como uma das principais prioridades do Sindarma em 2025. Segundo Alencar, as tentativas de assalto nos rios diminuíram em 2024 devido à manutenção de escoltas armadas. No entanto, o desafio permanece, e a entidade planeja investir mais em segurança para proteger as embarcações e cargas.

Na avaliação da entidade, as condições climáticas devem permanecer desafiadoras em 2025, com previsões de uma nova estiagem severa. No entanto, a entidade está confiante na capacidade de adaptação do setor, apostando em infraestrutura aprimorada e colaborações para superar os desafios.

“O futuro da navegação no Amazonas depende de novas iniciativas estruturantes, redução da burocracia, mais segurança e união de todos os segmentos. É um setor em crescimento, que faz parte da nossa história, e que esperamos ampliar em 2025”, acrescentou Alencar.

Memória iconográfica do Grupo Rede Amazônica no estado de Rondônia

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Ministro Hygino Corsetti cumprimentando o presidente da Rede Amazônica, jornalista Phelippe Daou, após o ato de assinatura do contrato de concessão para instalação de um canal de TV em Porto Velho (RO). Fato ocorrido em 8 de junho de 1973 (Brasília-DF). Registro feito por Aluísio Daou. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

A velocidade de transformação das cidades da Amazônia é narrada por um longo período por Silvino Santos. Sua obra iconográfica se destaca não só pela experiência da nova síntese de período glamoroso, mas pelo congelamento futurista que, somada a colagem de fragmentos, visões rápidas e múltiplas de nosso cotidiano urbano, aparenta hoje uma vida moderna da época em se instalavam o período do látex.

É nesse ambiente de efervescência cultural, econômica e política, de significados e alterações no espaço urbano e do cotidiano interiorano é que devemos inserir e entender a lente que documentou todo o momento com fotografias e filmes.

Silvino Santos, um imigrante português que tem uma importância diferenciada na história iconográfica da Amazônia, como também temos que considerá-lo como um dos pioneiros, juntamente, com o alemão Huebner, na tentativa de documentar e organizar a memória iconográfica da Amazônica e todo seu entorno.

Governador José Lindoso assina documento sendo observado por políticos e autoridades. Brasília, 8 de junho de 1973. Registro feito por Aluísio Daou. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Exímio fotógrafo e cineasta, como nenhum outro, soube retratar a atmosfera das cidades da Amazônia e seu cotidiano interiorano nas primeiras décadas do século XX. Sua produção retrata tudo aquilo que ele via, ao mesmo tempo, com as novidades que adentravam no espaço urbano, pouco se mostra do seu trabalho e atuação em estúdios, com retratos e crayon, produções praticamente pequena diante da exuberância de sua fotografia documental urbana. Isso é bastante raro na história da fotografia universal, já que no período foram poucas as fotografias que conseguiram escapar da tradição do ateliê.

Silvino Santos mergulhou na arte de fotografar, documentarista, cronista, que deu relevância à fotografia como informação na história das representações visuais e foram muitas. Assim, a velocidade de transformação de todas as cidades da Amazônia foram narradas por um longo período, por esses dois fotógrafos: George Huebner, que iniciou o fotografar a Amazônia em 1894, e Silvino Santos, no início do século passado a partir de 1910.

É nessa particularidade que fotógrafos comuns tentam recuperar para a história momentos importantes de acontecimentos diversos, que marcam para eternidade com qualidade excepcional para a época o fato registrado. Na verdade este fato que enriquece não apenas o patrimônio e imagético da Amazônia, mas a própria cultura fotográfica de uma empresa em particular e de um período não muito distante, porém, histórico.

Reprodução do jornal ‘Alto Madeira’ – quarta-feira, 22 de maio de 1974. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Este fotógrafo que se encontrava no momento exato, nos dá a oportunidade de ampliarmos a investigação e a pesquisa tanto no campo da fotografia quanto da história, do cotidiano urbano e da paisagem humana. Tudo isso garante o acesso irrestrito para pesquisadores, estudantes de fotografia, fotógrafos amadores e profissionais ou interessados neste segmento.

Não podemos esquecer de um período de ampliadores, câmeras, obturadores, lentes e tripés, balanças, bacias, prensas, lanternas e cortadores, químicas, filmes e chapas de vidro, papéis e fórmulas especiais, álbum, cartões-postais, pass-partouts, produtos para acabamento e apresentação dos trabalhos de um período que ficou para trás. Todas essas variedades de materiais e marcas foi a época a consolidação desse importante mercado, tanto profissional quanto o amador da época conheceram, hoje já estamos na era digital.

A bem da verdade, as obras de George Huebner e de Silvino Santos se destacaram não só pela experiência de uma nova síntese de um período glamoroso, mas pelo congelamento futurista que, somada pela colagem de fragmentos visões rápidas e múltiplas da arte de fotografar o nosso cotidiano urbano, retrataram uma vida moderna daquela época.

É nesse ambiente de oportunidade de significado importante que o senhor Aluísio Daou, no dia 8 de junho de 1973, documentou o ato de assinatura da homologação do canal da TV Rondônia, pertencente ao Grupo Rede Amazônica, no gabinete do Ministro em Brasília (DF).

Estavam presentes: o diretor técnico da Embratel, Rubens Bussaco; o diretor-presidente do Grupo Rede Amazônica, jornalista e empresário das Comunicações, Phelippe Daou; o senador Raimundo Parente; o senador José Lindoso; e deputado federal Ney Oscar de Lima Rayol.

Aluísio Daou conseguiu inserir através da lente de sua máquina fotográfica Olimpus Trip 35 a documentação desse importante momento que, usando da sensibilidade, soube retratar para posteridade a atmosfera desse acontecimento histórico. O senhor Aluísio Daou, naquela oportunidade, encarnava os espíritos dos dois maiores fotógrafos da Amazônia – George Huebner e Silvino Santos – documentando este fato histórico.

Aluiísio Daou foi o responsável pelos registros. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Trata-se de um fato importante, documentado com a exuberância de sua fotografia. Todo esse fragmento histórico documentou o tempo, as pessoas, com registro do antes e a possibilidade de estudo, depois, com recorte através dos vestígios da imagem iconográfica daquele período.

A matéria de que se alimenta esta memória lembra, principalmente, a luta desigual, as portas que se fecharam e, naturalmente, outras tantas que se abriram, as conversas em gabinetes como fios que se entrelaçaram encadeados em cores e sonhos, muitas vezes difíceis de serem atingidos, mas certamente encantadores, pois hoje são reais.

A linha divisória das realidades e das idealidades é sempre diluída pelo sonho de fazer realizar, sem se importar com os sofrimentos em nome de uma boa causa.

Porto Velho era a meta. A Amazônia era o alvo de conquista. A crise econômica, o obstáculo. A grande maioria da população, entretanto, parecia respirar sonhos com a realidade.

A Amazônia foi revelada pelo olhar dos viajantes missionários e naturalistas e mostrada para o país a partir da chegada da Rádio TV do Amazonas. Esta chegada criou o fascínio da nossa tela, o que também se enredou nas teias sedutoras das novelas e minisséries, embora não tenha mudado o curso das águas do velho Madeira, criou um novo olhar de outro horizonte, além da preservação assumida, de forma muito própria, não permitindo a descaracterização da nossa região, motivo de preocupação, até hoje, por parte de toda a diretoria da Rádio TV do Amazonas.

Câmera usada por Aluísio Daou no registro do contrato em Porto Velho. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Pensar o regional foi fazer o “globalismo” tornar-se um desafio constante no decifrar da região. Este fato nos permitiu a conquistas da realidade. Tudo isso buscado através da motivação que marca a longa e brilhante existência das nossas cores em toda região amazônica.

A partir daí, deu-se o início de uma nova era. O então território de Rondônia contava com um aliado, a Rádio TV do Amazonas e um aliado forte que, juntos, seguiram lado a lado, com um único objetivo, trabalhar pelo engrandecimento de Rondônia.

Para homenagear o território, a emissora receberia o nome de TV Rondônia. Uma justa homenagem para uma Rede de Televisão que estava apenas começando.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

O impasse amazônico: como construir a terceira natureza e promover o desenvolvimento sustentável da região

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Embrapa investe em projetos de agroenergia. Foto: Vivian Chies/Embrapa

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

As limitações tecnológicas da região são por demais conhecidas. Os cientistas estão motivados para promover esta mudança e ela é possível. A Embrapa, por exemplo, foi protagonista de três revoluções tecnológicas, como a produção de agroenergia, a viabilização da agricultura nos cerrados e a domesticação de plantas amazônicas (seringueira, guaraná, cupuaçu, castanha do pará, açaí, bacuri, etc.). Ao mesmo tempo, a engenharia nacional domina a exploração de petróleo em alto-mar e a fabricação de aviões regionais, que são exemplos da capacidade nacional de promover uma revolução tecnológica na Amazônia, desenvolvendo uma agricultura tropical com sua flora e fauna. Na Amazônia Legal, 83% das propriedades são de pequenos produtores, dos quais metade encontram-se em razoáveis condições de vida. O desafio está em encontrar oportunidades produtivas para outra metade, representada pelos colonos assentados, indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e populações tradicionais que apresentam baixo padrão de vida.

Estas são algumas das conclusões a que chegou o pesquisador Alfredo Homma, da Embrapa Amazônia Oriental, em seu estudo “Construindo a Terceira Natureza na Amazônia”. O desafio, segundo ele, relaciona-se às tecnologias agrícolas e ambientais que precisam ser desenvolvidas nos próprios locais para integrar o conhecimento local com a capacidade tecnológica de nosso País. A falta dessa integração reflete-se na redução dos recursos naturais, na importação de alimentos e na geração de emprego e renda. Homma defende a tese de que as alternativas agrícolas mais sustentáveis para a região amazônica dependem do estabelecimento de um novo padrão tecnológico.

Para isso, “é necessário efetuar um grande esforço de ampliação da fronteira do conhecimento científico e tecnológico, com resultados para os pequenos, médios e grandes produtores. O atual sistema de financiamento de pesquisa e de avaliação dos pesquisadores tem prejudicado a pesquisa agrícola por exigir longo tempo. A redução dos impactos ambientais e a geração de emprego e de renda vão depender da mudança das propostas usuais, como extrativismo vegetal, venda de créditos de carbono e atividades tradicionais, defendidas pelas organizações não governamentais e entidades externas. Aproveitar as áreas desmatadas com atividades produtivas mais adequadas é mais importante para o conjunto da população do que o retorno à floresta”.

Esta mesma solução, aponta o estudo, “precisa ser encontrada para os problemas ambientais e agrícolas na Amazônia, com a criação de alternativas tecnológicas e econômicas em vez da criação de mercados difusos ou artificiais, como a venda de créditos de carbono. A população precisa de alimentos e matérias-primas com menor dano ambiental. A Amazônia Legal concentra mais de 104 milhões de bovinos (44,51%) do país, em 2022, sendo que Mato Grosso tem o maior rebanho estadual (14,61%), o Pará o segundo (10,57%) e Rondônia o sexto (7,55%). Em termos de rebanho bubalino, a Amazônia Legal concentra 75,25% do efetivo nacional estimado em 1.598 mil reses, destacando-se os estados do Pará e do Amapá, salienta o pesquisador”.

O estudo conclui afirmando que “a Amazônia precisa aumentar sua produtividade agrícola para reduzir a pressão sobre os recursos naturais, promover a domesticação de plantas potenciais e substituir importações (interna e externa) de produtos tropicais (borracha, dendê, café, cacau, açúcar, arroz, leite, aves, ovos, hortaliças, etc.) e incentivos à recuperação de áreas que não deveriam ter sido desmatadas. Os problemas ambientais na Amazônia não são independentes, mas conectados a outras partes do País e do mundo e sua solução vai depender da utilização parcial da Segunda Natureza e de um forte aparato de pesquisa científica e de extensão rural”.

As análises de Homma conduzem a uma constatação óbvia, ou seja, a “necessidade de se construir o futuro da Amazônia em um cenário sem desmatamento ilegal e queimadas, independentemente de pressões externas, gerando alternativas tecnológicas e econômicas em relação ao uso de recursos da flora e da fauna sobre os quais impõe-se concentrar ações de planejamento econômico e agroflorestal. Espera-se que a realização da COP 30 venha a se tornar um marco decisivo para a Amazônia, não como um torniquete para as atividades produtivas, mas a partir de uma agricultura tropical mais sustentável para a região, que tem potencial real de resgatar mais de 11.300.000 brasileiros amazônidas da sua atual condição de pobreza, salienta o estudo.

O documento projeta, por fim, que a COP 30, que se realiza em novembro deste ano em Belém, PA, possa se tornar um marco decisivo para a Amazônia, “não como um torniquete para as atividades produtivas, mas que é possível uma agricultura tropical mais sustentável para a região a qual tem potencial real de resgatar mais de 11.300.000 brasileiros amazônidas da sua atual condição de pobreza”.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Histórias e saberes regionais: e-book traz conteúdo que valoriza diversidade amazônica

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Foto: Reprodução/Acervo da pesquisa

Entre estudos, pesquisas e atividades em sala, os pro­fessores do ensino fundamental desempenham um papel importante: além de ensinar, eles introduzem as crianças no universo da ciência, despertando nelas o interesse e o respeito pelo ambiente ao seu redor. Dessa forma, os educadores são agentes fundamentais para aju­dar os pequenos cidadãos a perceberem que a natureza está entrelaçada com a vida de cada um e é parte integral de sua existência. Apesar de nossa tendência em separar natureza e humanidade, é crucial entender que a natureza humana faz parte do todo natural.

Este primeiro contato é essencial para que as crianças se sintam pertencentes ao meio ambiente e responsáveis por ele, dando os primeiros passos para se tornarem adultos conscientes e comprometidos com a preservação da natureza. Os conteúdos abordados em sala de aula devem estimular os alunos a refletir criticamente sobre ações e comportamentos que se estendem além do espaço escolar. 

Com esse propósito, surgiu o E-book Histórias para Entender e Ensinar Ciências na Amazônia: Educação CTS a partir de temáticas regionais decoloniais no Ensino Fundamental‘. O material busca incentivar reflexões sobre as relações que moldam a construção do conhecimento científico e sua presença no cotidiano escolar.

Leia também: “Ouvidos, mas não escutados”: professor defende conhecimento científico indígena no Pará

Produzido por Iris Caroline dos Santos Rodrigues como parte de sua dissertação de mestrado, o e-book é um recurso educacional voltado para o ensino de Ciências. Sob orientação da professora Ana Cristina Pimentel Carneiro de Almeida, Iris desenvolveu o projeto no Programa de Pós-Graduação em Docência em Ciências e Matemáticas (PPGDOC/Iemci). Nascida em Belém e com passagem por São Caetano de Odivelas, Iris traz para o e-book a vivência e as influências culturais dessa região, reforçando a importância de uma educação que dialogue com a dinâmica amazônica.

Obra apresenta ciência e cotidiano nos estudos de caso

Segundo a pesquisadora, o e-book nasceu do desejo de trazer visibilidade a uma “Amazônia miúda”, uma Amazônia que vive nas florestas, nas cidades, nos rios e que se manifesta em cores, músicas, histórias, saberes e crenças. É uma Amazônia que existe e resiste, mas, dentro da lógica capitalista, é frequentemente retratada apenas como um bioma exuberante, ignorando a complexidade de seus povos e culturas. A escolha desse tema reflete a intenção de resgatar os saberes dos diversos atores que compõem a sociedade amazônica: do pescador de caranguejos à pesquisadora da universidade, cada um tem muito a dizer e a contribuir para o entendimento da região.

O material está organizado em duas partes: uma seção teórica, que aborda a Educação CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade), a decolonialidade e o ensino de Ciências na Amazônia; e uma seção metodológica, baseada em Estudos de Caso de Ensino. Nesta segunda parte, são apresentados cinco casos desenvolvidos pela autora, com sugestões de atividades para aplicação em sala de aula, incentivando uma educação científica que dialogue com a realidade amazônica e valorize o conhecimento local.

Os estudos de caso foram todos elaborados por Iris Caroline Rodrigues, que escolheu temas que permitissem trabalhar o conteúdo de forma crítica e não reducionista. Seu critério foi selecionar assuntos que unissem decolonialidade, cultura e ciência, mantendo uma conexão com os conteúdos abordados em sala de aula para propor uma alternativa enriquecedora no ensino. Essa proposta busca relacionar o ensino de Ciências com o cotidiano dos alunos, permitindo-lhes observar tanto a Via Láctea, da Astronomia Ocidental, quanto a constelação da Anta do Norte (Tapi’i), do povo Guarani.

Metodologicamente, o material promove a construção coletiva do conhecimento, incentivando a argumentação, a autonomia, a formulação de hipóteses e a solução de problemas.

A coletânea traz temas que integram o conhecimento científico com saberes populares da Amazônia, promovendo reflexões sobre o meio ambiente e a cultura regional. Entre elas, estão:

  • “Quando eu descobri que a Via Láctea era uma reunião de antas”, a astronomia indígena é explorada ao lado dos impactos do crescimento urbano na visibilidade das estrelas;
  • “O mistério da pedra do Saci” aborda o intemperismo e a transformação da paisagem pela monocultura;
  • e “O encantador de caranguejos” ressalta a importância dos manguezais e os desafios dos pescadores durante o período de defeso.

A autora compartilha uma experiência que ilustra o impacto desses temas: “Eu ministrei uma palestra para professores de Ciências, em Castanhal, e uma das professoras contou que trabalhou em comunidades indígenas que possuem seu próprio calendário, influenciado por uma etnoastronomia própria. É interessante ver que os temas abordados não estão esgotados. Deixo isso bem claro no texto”.

Abordagem promove visão crítica e integrada da Ciência

A Educação CTS (Educação em Ciência, Tecnologia e Sociedade), conceito central do e-book e da pesquisa citados, é uma abordagem educacional, alternativa ao ensino tradicional, que promove uma visão mais crítica e integrada da ciência e da tecnologia, destacando seus impactos sociais, éticos e ambientais. 

O objetivo é formar cidadãos conscientes, que questionem o papel da ciência em suas vidas e participem ativamente de discussões sobre temas como sustentabilidade, saúde pública e inovação, conectando o aprendizado científico às questões do cotidiano amazônico. Para isso, o e-book propõe que os educadores incentivem, em cada aula, os alunos a reconhecerem seu lugar na Amazônia, compreendendo-se como parte de um ecossistema vivo e diverso.

“Quando uma pessoa consegue entender um problema, ela desenvolve uma expectativa de como resolvê-lo, por exemplo, cobrar de uma empresa de mineração que está despejando rejeitos de maneira indevida ou de uma empresa que não tem responsabilidade com a reciclagem de resíduos sólidos. Esse olhar crítico é fundamental para formarmos cidadãos que consigam atuar como produtores de ciência no país”, explica a pesquisadora.

As histórias podem e devem ser adaptadas conforme o contexto em que são inseridas. O material foi projetado para que o professor o adapte ao contexto dos alunos, investigando os temas presentes no cotidiano das crianças e tornando o aprendizado mais lúdico e prático. Isso reduz a homogeneização, preserva as marcas culturais e enriquece os questionamentos.

Cada cenário educacional é único e traz desafios que precisam ser enfrentados com criatividade e comprometimento.

Sobre a pesquisa

A dissertação Histórias para Entender Ciências na Amazônia: Educação CTS a partir de Temáticas Regionais Decoloniais no Ensino Fundamental foi defendida por Iris Caroline dos Santos Rodrigues, em 2022, no Programa de Pós- Graduação em Docência em Ciências e Matemáticas (PPGDOC/Iemci), da Universidade Federal do Pará, sob orientação da professora Ana Cristina Pimentel Carneiro de Almeida.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, edição 173, da UFPA, escrito por Evelyn Ludovina

Pesquisa para conter desmatamento ilegal na Amazônia é destaque na revista Nature Sustainability

Foto: Reprodução/Pixabay

O desmatamento na Amazônia já foi considerado uma situação fora de controle. Índices recentes, porém, indicam tendência de redução, devido principalmente aos mecanismos de controle implementados e as pesquisas científicas que viabilizaram um monitoramento eficaz das florestas.

São várias vertentes de soluções nascendo dentro das universidades e uma delas, a que auxilia a conter a extração ilegal de madeira no Brasil, foi destacada pela edição janeiro/2025 da revista Nature Sustainability, uma das mais importantes publicações científicas do mundo.

Um dos autores do artigo e coordenador do projeto é o professor Luis Gustavo Nonato, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC/USP-São Carlos) e pesquisador do CEPID-CeMEAI.

Segundo ele, a base do estudo está na análise da rede de comércio madeireiro no Brasil.

“Ao implementar mecanismos de controle e regulamentações, o governo brasileiro conseguiu impactos positivos nas taxas de desmatamento”, disse. “Ao mesmo tempo, produziu dados importantes sobre o comércio madeireiro, uma vez que todo produto resultante da extração de madeira, desde toras brutas até madeira processada, que devem ser registrados nos sistemas de controle a fim de serem transportados e comercializados, permitindo a modelagem e análise da rede madeireira ao longo do tempo”.

Leia também: Mais de 90% do desmatamento da Amazônia é para abertura de pastagem, informa MapBiomas

O professor responsável pela pesquisa. Foto:Divulgação/FGV EMAp

Nonato observa que o grande desafio foi a integração de dados oriundos dos três principais sistemas de controle operando no Brasil.

“Este estudo integra dados desses sistemas para criar redes de comércio de madeira, que ajudam a identificar empresas ou grupos que operam fora dos padrões esperados. Também propomos um método para rastrear prováveis ​​cadeias de suprimentos de empresas madeireiras, abordando preocupações governamentais de longa data sobre a rastreabilidade da madeira”, explicou o autor.

Entre os resultados, o estudo demonstra que certas componentes da rede de comércio de madeira operam sem conexões com florestas licenciadas, sugerindo que madeira não registrada é inserida nesses componentes, o que é ilegal. “Mostramos ainda como a análise da cadeia de suprimentos pode aumentar consideravelmente a confiança de consumidores na legalidade dos produtos de madeira adquiridos”.

O trabalho publicado na Nature Sustainability foi desenvolvido em parceria com Victor Russo, Bernardo Costa, Felipe Moreno Vera, Guilherme Toledo, Osni Brito de Jesus, Robson Vieira, Marco Lentini e Jorge Poco.

“A abordagem proposta faz uso de dados já existentes nos sistemas de controle, evitando o emprego de tecnologias economicamente custosas e de difícil implementação. Sistemas de rastreamento mais eficientes tendem a reduzir fraudes. Além da redução do desmatamento ilegal em si e preservação da biodiversidade, a confiabilidade sobre a origem dos produtos adquiridos aumenta a competitividade da madeira amazônica no mercado global, atraindo investimentos sustentáveis que fortalecem o setor. Estamos contribuindo ainda com a melhoria nas condições de trabalho e beneficiando as comunidades locais, uma vez que a extração e o comércio ilegal fomentam conflitos sociais que impactam principalmente as populações mais vulneráveis”.

Leia também: Desmatamento e degradação aumentam pelo quinto mês consecutivo na Amazônia

Outro fator importante a ser destacado, segundo o pesquisador, é o fato do modelo proposto ser adaptável a outros contexto, viabilizando soluções para problemas semelhantes que envolvam a modelagem e análise de redes comerciais e cadeias de suprimentos, abrindo caminho para projetos novos. 

*Com informações da USP São Carlos

Projeto usa aditivos digitais para preservação e restauração ambiental em Itacoatiara

Foto: Reprodução/Agropecuária Aruanã

Desenvolver a sustentabilidade através de certificação, metodologias, registros e uso de ativos digitais são os principais objetivos da startup Tero Carbon, apoiada por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O projeto já conseguiu um impacto positivo de preservação ambiental de mais de 6 mil hectares de floresta e restauração de áreas degradadas, no município de Itacoatiara, no Amazonas.

A primeira iniciativa de créditos de carbono certificado pela Tero Carbon, o Projeto Aruanã, conseguiu R$ 2,2 milhões de créditos de carbono pela atividade de restauração florestal e redução/evitação, pela atividade de desmatamento.

De acordo com o coordenador do projeto, Mateus Bonadiman, mestre em Engenharia Eletrônica e Computação, a Tero Carbon tem capacidade técnica para auditar projetos, gerar ativos ambientais, realizar transferências e aposentadorias de créditos de carbono, além de reportar registros de forma transparente e alinhada às melhores práticas internacionais.

O coordenador ressalta que a Fapeam foi crucial para a trajetória da Tero Carbon, o que permitiu alinhar as práticas com os padrões internacionais mais reconhecidos e exigidos pelo mercado.

Tero Carbon

A Tero Carbon nasceu em 2022, com sede em Manaus, e tem como compromisso protagonismo à Amazônia, desenvolvendo metodologias adaptadas à realidade da região, com certificação que prioriza a integridade, a qualidade e a sustentabilidade.

startup tem registros de aditivos digitais em plataformas renomadas mundialmente, como a CAD Trust, uma iniciativa do Banco Mundial e da IETA, e a OpenSea, o maior marketplace de NFTs do mundo. A tecnologia blockchain é integrada ao processo de certificação da Tero Carbon na fase de registro dos ativos ambientais. Após a verificação dos impactos do projeto, os créditos de carbono são gerados e cunhados em blockchain como NFTs, utilizando a rede pública da Polygon, uma das mais sustentáveis disponíveis atualmente.

Outro grande diferencial é o suporte técnico-científico proveniente de parcerias estratégicas com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Como a expertise do Laboratório de Manejo Florestal (LMF) e do Laboratório de Psicologia e Educação Ambiental, cujas pesquisas e estudos contribuem diretamente para o desenvolvimento e aplicação de metodologias adaptadas à realidade amazônica.

Para expandir seus projetos e gerar mais impacto positivo no combate à mudança climática, a startup pretende ampliar parcerias locais, participar da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém, para desenvolver projetos de mitigação e reforçar o papel de certificadora de referência. Além de apoiar iniciativas que promovam a regulamentação fundiária de projetos nas zonas rurais.  

Inova Amazônia

O Projeto Inova Amazônia- Módulo Tração tem o objetivo de fomentar, apoiar e desenvolver pequenos negócios, startups, empreendimentos e ideias inovadoras alinhadas à bioeconomia e que tenham como premissa a preservação e uso sustentável dos recursos da biodiversidade do bioma Amazônia.

*Com informações de Fapeam

Tráfico de drogas se reinventa na Amazônia: interdição aérea leva crime às hidrovias e aumenta violência

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Foto: Fábio Jr./Arsepam

A política de interdição aérea implementada no Brasil em 2004 trouxe uma série de consequências para o tráfico de drogas na Amazônia, levando a um deslocamento das rotas aéreas para os rios da região e contribuindo para o aumento da violência. Essa é a principal conclusão do estudo “Aterrizando na água: interdição aérea, tráfico de drogas e violência na Amazônia brasileira”, publicado pelo projeto Amazônia 2030

A restrição ao uso de aviões para o transporte de cocaína tornou a logística aérea mais arriscada e cara, levando traficantes a utilizar hidrovias amazônicas. Esse deslocamento expôs comunidades ribeirinhas ao crime organizado, resultando em um aumento expressivo da violência. Entre 2005 e 2020, cerca de 1.430 homicídios em municípios ao longo dos rios amazônicos foram diretamente relacionados a essa mudança no tráfico. 

De acordo com o estudo conduzido pelos pesquisadores Leila Pereira, Rafael Pucci e Rodrigo R. Soares, a restrição ao tráfego aéreo fez com que traficantes passassem a utilizar rotas fluviais, afetando diretamente comunidades ribeirinhas.

“A interdição aérea impactou diretamente a logística do tráfico de drogas na região, deslocando a criminalidade para áreas antes menos expostas, como as margens dos rios amazônicos. Isso trouxe desafios adicionais para as forças de segurança e para as comunidades locais, que passaram a conviver mais de perto com essa dinâmica criminosa”, explica Rodrigo R. Soares.

Dados do Amazônia 2030

O estudo também revela que o aumento dos homicídios esteve diretamente relacionado ao crescimento da produção de cocaína nos países andinos (Bolívia, Colômbia e Peru). Além do crescimento dos homicídios, o estudo aponta um aumento das mortes por overdose, indicando maior disponibilidade de cocaína nos municípios afetados. A pesquisa também revela que o crime organizado demonstrou alta capacidade de adaptação, utilizando redes locais e tecnologias para manter suas operações, apesar da intensificação da fiscalização aérea.

Leia também: conheça os países da Amazônia internacional 

Os pesquisadores alertam para a necessidade de uma abordagem mais integrada no combate ao tráfico, evitando medidas isoladas que possam gerar impactos colaterais. “Políticas públicas de segurança devem levar em consideração os deslocamentos do crime organizado e seus efeitos sobre as comunidades locais. O combate ao tráfico na Amazônia precisa de estratégias que contemplem diferentes modais de transporte e a realidade social da região”, destaca o estudo.

Sobre o Amazônia 2030

Como desenvolver a Amazônia, aproveitando de forma sustentável os recursos naturais? Para responder a essa pergunta, quatro reconhecidas organizações de pesquisa brasileiras se juntaram para fazer o mais completo plano de ações para a Amazônia dar um salto de desenvolvimento humano e econômico preservando seus recursos naturais até 2030. Trata-se do projeto Amazônia 2030. O projeto é uma iniciativa conjunta do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do Centro de Empreendedorismo da Amazônia, ambos situados em Belém, com a Climate Policy Initiative (CPI) e o Departamento de Economia da PUC-Rio, localizados no Rio de Janeiro. Pesquisadores têm gerado conhecimento a partir das experiências dos povos da floresta, empresários, empreendedores e agentes públicos. Esses documentos reúnem recomendações práticas, que poderão ser aplicadas por agentes privados e públicos.

Para baixar o estudo completoclique aqui.

*Com informações da Amazônia 2030