Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá (PA) — Foto: PCMC/Divulgação
O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC) registrou um encalhe em massa dos peixes-bois na foz do rio Amazonas, na região do Gurupá, no Pará. Os pesquisadores estudam a possibilidade de contaminação da água ou da vegetação em que esses animais vivem.
O projeto é realizado pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) e o Instituto Federal do Amapá (Ifap).
Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá (PA) — Foto: PCMC/Divulgação
As mortes foram relatadas pelos moradores das localidades, no período de 22 de junho a 2 de julho. A comunidade relatou ter visto pelo menos 6 animais encalhados em 5 dias.
Em uma análise da carcaça de um dos peixes-boi, foi detectado que o animal não possuía marcas externas de traumas. Mas na parte interior do animal foi detectado um hematoma.
“Esse acontecimento é algo raro e inédito, é o primeiro registro que a gente tem de um encalhe em massa de peixe-boi. A suspeita é que esses animais tenham indo a óbito em outros locais e a correnteza tenha levado os animais até a comunidade do Gurupá, e os moradores registram pra gente.”, disse Cláudia Funi, coordenadora do PCMC no Amapá.
Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá (PA) — Foto: PCMC/Divulgação
Os pesquisadores coletaram amostras da água e das algas e aguardam os resultados. A ideia é conseguir entender se existe contaminação e se ela seria química ou biológica.
O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos é realizado desde o ano passado. A iniciativa é uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a ideia é fazer o monitoramento das bacias do Pará-Maranhão e Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.
Os pesquisadores pedem a ajuda da população para acionamento em casos de encalhe de animais marinhos, através dos números: (96) 99206-3344 e (96) 99116-3712.
*Por Luan Coutinho, g1 AP e Rede Amazônica — Macapá
Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu três dias após a picada da cascavel — Foto: Arquivo Pessoal
Uma mulher identificada como Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu nesta terça-feira (8) em decorrência de uma picada de cascavel na Vila São José, município do Cantá, Norte de Roraima. Ela confundiu a cobra com uma corda, pegou o animal e foi picada na mão.
O irmão de Ana, o entregador Antonio Carlos Gonçalves, de 37 anos afirmou que o acidente aconteceu no sábado (5). Ele explicou que a irmã “tinha dificuldades de visão”. Ela viu os cachorros da casa agitados com a cascavel e achou que eles estavam brincando com uma corda.
Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu três dias após a picada da cascavel — Foto: Arquivo Pessoal
“Ela se abaixou para pegar e acabou sendo picada. Quando viu os cachorros brincando com algo, pensou que fosse uma corda e foi pegar. Foi aí que a cobra mordeu”, contou o irmão.
Ela tinha histórico de problema nos nervos e também pressão alta. Ao ser picada, ela foi levada a um posto de saúde no município. De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), com a peçonha, a mão de Ana “inchou rapidamente e o quadro se agravou, com pressão muito alta que não respondia bem aos remédios”.
Ana também apresentava sangramentos em várias partes do corpo — efeito típico do veneno da cascavel, que afeta a coagulação do sangue. Ela foi transferida para o Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista (35,8 km de distância do Cantá) em estado grave.
Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu três dias após a picada da cascavel — Foto: Arquivo Pessoal
A Secretaria de Saúde de Roraima, responsável pelo HGR, afirmou que Ana chegou na unidade após quatro horas do incidente, “apresentando quadro de pico hipertensivo refratário, distúrbio de coagulação grave e edema no local da picada”.
“Foi seguido todo o protocolo pertinente ao caso, com aplicação de soro na dosagem máxima, solicitação de plasma, conduzido o pico hipertensivo, e iniciado antibiótico, além da avaliação médica por médicos infectologista, neurocirurgião e nefrologista”.
Ana morreu por volta das 4h da manhã, no leito do HGR.
Diversas fontes foram de água analisadas pelo estudo. Foto: Sávio Ferreira/Acervo pessoal
Nascenteslocalizadas na Zona Leste de Manaus(AM) apresentam qualidade de águaque se assemelha às áreas de floresta primária, indicando a oportunidade de restauração de ambientes aquáticos e a possibilidade de preservação ambiental em área urbana. Foi o que apontou pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
O estudo ‘Influências Antrópicas em Compartimentos do Ciclo Hidrológico em Microbacias da Amazônia Central – Uma Análise a partir do Uso de Múltiplos Traçadores’ foi desenvolvido através de parceria entre a Fapeam e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na Chamada Pública Nº 001/2020 – Programa Fapesp/Fapeam.
Igarapé agua branca, em Manaus. Foto: Amazon Sat
Com a finalidade de entender os processos hidrológicos, tanto em área urbana, quanto em áreas de floresta primária em Manaus, foi realizada a análise da composição isotópica (identificação dos elementos químicos) de variadas fontes de água, como as de: precipitação (da chuva), superficial (igarapés), subterrânea (poços) e esgoto (que drenam para os igarapés).
A presença dos isótopos deutério (2H) e do Oxigênio-18 (18O) foram analisados nas amostras. Ambos existem naturalmente na natureza, mas devido a variações da composição da água, são utilizados como ferramentas para entender as origens dos fluxos de água em bacias hidrográficas.
O coordenador da pesquisa e doutor em Ciências da Engenharia Ambiental, Sávio José Filgueiras Ferreira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), afirmou que o conhecimento da variabilidade de nutrientes em diferentes sazonalidades e níveis topográficos é importante para entender sobre as condições abióticas (componentes físicos e químicos do ambiente que não são seres vivos) em florestas de terra firme na Amazônia Central.
Monitoramento de riachos. Foto: Agência Andina
“Na área urbana do município, sabemos que há retirada de água subterrânea e isso tem causado um rebaixamento do nível de água, e lançamento de esgoto que, no período de estiagem, podemos perceber seus efeitos como mau cheiro, principalmente à noite, e há grande quantidade de resíduos e lixo nos canais”, disse Sávio Ferreira sobre a motivação da pesquisa de entender as fontes de água da bacia do Educandos, do igarapé do Quarenta e de seus principais tributários, cursos menores que desaguam em um rio principal.
A análise foi realizada em duas microbacias em área de floresta primária:
a do Igarapé Açu, localizada na Reserva Biológica do Cuieiras (área preservada);
e a do Igarapé Educandos, em área urbana, que corresponde a parte do Instituto Federal do Amazonas – Campus Manaus Zona Leste (Ifam/CMZL) e ao Refúgio da Vida Silvestre Sauim-Castanheiras, apresentando algumas áreas protegidas nas proximidades de seus divisores, mas predominantemente com ocupação urbana.
Logo após também foi adicionada uma área na Bacia do Tarumã Açu, localizada na Reserva Florestal Adolpho Ducke.
Igarapés em Manaus foram analisados. Foto: Sávio Ferreira/Acervo pessoal
Técnicas usadas
Durante o processo, foram utilizadas técnicas hidroquímicas, isotópicas e hidrológicas. Sávio afirma ainda que o diferencial do estudo foi apresentar a composição isotópica de múltiplas fontes em área urbana e em locais que ainda apresentam águas naturais na Amazônia Central, fornecendo informações que podem ser comparadas com outras bacias hidrográficas em regiões nacionais e internacionais. E, dessa forma, contribuir para a melhoria de políticas de proteção ambiental e para o maior monitoramento nesses corpos de água.
Foto: Sávio Ferreira/Acervo pessoal
Ele complementa ainda que pesquisar e monitorar os ambientes aquáticos são atividades fundamentais para a sociedade, uma vez que o conhecimento é estratégico para a gestão dos recursos hídricos.
Outro ponto destacado pelo pesquisador foi a respeito da importância das áreas de vegetação, como a encontrada no Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras e a do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) da Zona Leste, onde as áreas de captação da água da chuva, em grande parte, infiltram e chegam ao lençol freático, o que compensa a água subterrânea que foi retirada para outros fins.
“A principal mudança do fluxo de água em área natural para área urbana aconteceu nas fontes subterrâneas entre as microbacias hidrográficas. Os isótopos indicaram águas mais recentes transportadas pelo fluxo de base, em área urbanizada”, explicou.
Cacau é uma das produções ligadas à agricultura familiar em Rondônia. Foto: Frank Nery/Secom RO
Com o objetivo de fortalecer e modernizar as cadeias produtivas no estado, o governo de Rondônia, por meio da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas, Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero), segue com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Cadeias Produtivas (PAP-Cadeias Produtivas), que visa financiar projetos de pesquisa e desenvolvimento que tem por objetivo fortalecer e otimizar as cadeias produtivas, promover inovação e ampliar a competitividade, especialmente de projetos ligados à agricultura familiar, inovação, sustentabilidade e competitividade dessas cadeias.
Com investimento global de R$ 3.369.920 milhões, o programa está apoiando seis projetos estratégicos, cada um com recursos de até R$ 421.240 mil, selecionados por meio do Edital nº 8/2023. Entre as iniciativas financiadas, destaca-se o ‘Catálogo Digital do Banco Ativo de Germoplasma de Cacau da Ceplac em Rondônia (CATBAG-Cacau)’, que busca preservar a diversidade genética do cacau produzido no estado e fomentar pesquisas inovadoras para o setor.
As cadeias produtivas englobam todas as etapas que vão desde a extração da matéria-prima até a chegada do produto final ao consumidor. Esse conjunto de processos interligados é responsável por agregar valor aos produtos e impulsionar o desenvolvimento econômico.
Na agricultura familiar, as cadeias produtivas desempenham papel fundamental na geração de emprego e renda para diversas comunidades em Rondônia. A incorporação de práticas inovadoras e o uso de tecnologias apropriadas têm sido fatores decisivos para aprimorar a eficiência, agregar valor aos produtos e ampliar a competitividade no mercado.
CATBAG-Cacau
CATBAG-Cacau. Foto: Divulgação/Fapero
Coordenado pelo pesquisador da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Paulo Wadt, o Catálogo Digital do Banco Ativo de Germoplasma de Cacau da Ceplac em Rondônia (CATBAG-Cacau) organiza e disponibiliza informações técnicas sobre as variedades de cacau mantidas no Banco Ativo de Germoplasma (BAG) da Ceplac, localizado na Estação Experimental de Ouro Preto do Oeste.
A proposta prevê a criação de um repositório digital com dados genéticos, fenotípicos e agronômicos, facilitando o acesso para pesquisadores, melhoristas e instituições públicas e privadas.
A iniciativa contribui para programas de melhoramento genético, amplia a rastreabilidade do material conservado e fortalece a produção de cacau em Rondônia, tornando o estado referência nacional no setor.
Com foco no fortalecimento da agricultura familiar, a Fapero está financiando o desenvolvimento de um Catálogo Digital do Banco Ativo de Germoplasma de Cacau da Ceplac por meio do programa PAP-Cadeias Produtivas. Ao preservar a diversidade genética, sistematizar informações técnicas e apoiar o uso qualificado do germoplasma, o projeto dialoga diretamente com os objetivos do PAP-Cadeias Produtivas e com as diretrizes de inovação e sustentabilidade do governo estadual.
O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, enfatizou a ligação entre a produção agrícola e o avanço da ciência.
“O fortalecimento das cadeias produtivas está diretamente ligado ao avanço da ciência. Financiamentos como esse impulsionam setores estratégicos, como o cacau, e reafirmam o compromisso da Fapero em ser agente de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico e científico em Rondônia”.
A floresta amazônica, com seus mistérios, saberes e desafios, é o pano de fundo e a alma pulsante do livro ‘Conexus: Yepak‘, estreia literária de Joab Hardman Fagundes, advogado, gestor ambiental e mestre em gestão de áreas protegidas. Voltada ao público infantojuvenil a partir dos 10 anos, mas com profundidade suficiente para envolver leitores adultos, a obra transporta os leitores para um universo encantado no coração do Amazonas, onde fantasia, autoconhecimento e preservação ambiental se entrelaçam em uma narrativa poética e sensorial.
A história gira em torno de José, um jovem ribeirinho que, após viver uma tragédia pessoal, é guiado a um mundo mágico, povoado por seres encantados e forças ancestrais. Nessa jornada de descoberta e superação, o protagonista compreende que o verdadeiro poder reside na harmonia com a floresta, no respeito à vida e na coragem de enfrentar seus próprios medos.
Com uma linguagem lírica e carregada de simbolismos, Joab Fagundes constrói uma alegoria decolonial, na qual a Amazônia deixa de ser apenas cenário exótico e passa a ser símbolo vivo de resistência e sabedoria ancestral. A floresta é apresentada como fonte de fantasia, aprendizado e transformação. “A fantasia nasce da própria floresta e de suas histórias”, afirma o autor.
“Conexus é um livro de resistência da floresta viva. Uma fantasia nortista que propõe reflexões ambientais, sociais, sobre autoconhecimento e intolerância, valorizando o poder da conexão consigo mesmo, com os outros e com os elementos da natureza. A história tem início no interior do Amazonas, retratando a dura realidade enfrentada por muitas pessoas da região”, complementa.
Ao longo da obra, temas urgentes como intolerância, destruição ambiental, identidade e busca por propósito são abordados de maneira delicada, mas contundente. ‘Conexus: Yepak’ apresenta a natureza como protagonista e convida o leitor a repensar seu papel no mundo, a partir da conexão com suas raízes e com o meio ambiente.
As ilustrações que acompanham o livro acentuam o clima onírico e encantado da narrativa, proporcionando uma imersão ainda mais profunda no universo construído por Fagundes. Disponível nas versões impresso e e-book, a obra já se destaca entre os lançamentos da plataforma Kindle Brasil.
Para Joab Fagundes, que cresceu vivenciando o cotidiano amazônico e atua em áreas ligadas à gestão ambiental, o livro é fruto direto de sua trajetória pessoal e profissional: “Sou advogado, gestor ambiental e mestre em gestão de áreas protegidas. O livro só foi possível por conta dessa junção de formação e experiências que tive e tenho sobre Amazônia e meio ambiente. Conhecer a realidade do interior do Amazonas foi fundamental para pensar e escrever Conexus”.
Ao unir a imaginação literária à vivência ambiental, o autor propõe um convite sensível e poderoso: o de se reconectar com a essência, com o outro e com a floresta.
“Que cada leitor encontre em si a semente da transformação — assim como a floresta renasce após a tempestade”, diz Fagundes.
Com uma proposta inovadora e profundamente enraizada no contexto amazônico, Conexus: Yepak surge como uma obra literária que emociona, inspira e conecta — chamando atenção para o valor da natureza, das culturas tradicionais e da força interior necessária para enfrentar tempos de incerteza e ruptura.
Aqueles que se interessam por fantasia, Amazônia e narrativas de resistência encontram em Conexus uma leitura envolvente e transformadora, capaz de encantar leitores de todas as idades com uma mensagem que ressoa além das páginas.
A obra está atualmente no top 80 livros do gênero fantasia, mesma categoria de famosos como Harry Potter, Perry Jackson, Crepúsculo, entre outros.
Bragança, no Pará, originalmente habitado por indígenas Tupinambá, foi um dos polos iniciais da ocupação e colonização da Amazônia. A cidade completa 412 anos em 2025 e estudos indicam que os franceses foram os primeiros europeus a conhecer a região, possivelmente, a partir de 8 de julho de 1613.
Em 2 de outubro de 1854, foi elevada à categoria de cidade pelo então presidente da Província do Grão-Pará, o tenente-coronel Sebastião do Rego Barros com a denominação de Bragança, uma homenagem à Família Real Orleans e Bragança.
Com mais de 130 mil habitantes, segundo o Governo do Pará, um dos pontos atrativos da cidade tanto para os moradores quando para os visitantes é a Orla do Rio Caeté, reconstruída em 2023.
“Minha mãe sempre foi moradora daqui, é filha de Bragança. A gente está aqui para valorizar o município de Bragança, que somos filhos de bragantinos, a gente tem que valorizar o que é nosso. Que as pessoas tenham um acesso mais próximo ali à beira do rio, porque antigamente não tinha nada disso, a orla não era atrativa para as pessoas. Agora está bem melhor, bem atrativo mesmo, né? Isso aumenta a economia, o lazer”, disse a professora.
Outro ponto é a orla na praia de Ajuruteua. Ambas receberam obras de urbanização, drenagem, pavimentação e se tornaram pontos turísticos que fomentam a cultura e fortalecem a economia local da região. Para o governo estadual, as orlas promovem qualidade de vida à população.
Foto: Augusto Miranda/Agência ParáFoto: Wellyngton Coelho/Agência Pará
Outro ponto atrativo é a cultura local, inclusive com a criação da primeira biblioteca pública comunitária em um território quilombola, a Quilomboteca, instalada em abril deste ano por meio da Fundação Cultural do Pará. O Quilombo do América tem mais de 200 anos de existência, e teve seu território legalizado pela Fundação Cultural Palmares em 21 de janeiro de 2015. Formada atualmente por 505 quilombolas, a comunidade recebeu 800 livros de autores paraenses com o objetivo de incentivar a alfabetização e leitura entre os comunitários.
Quilomboteca é a primeira em Bragança. Foto: Aycha Nunes
De acordo com o governo, Bragança é um dos municípios mais importantes do Estado no que tange a economia, que gira, basicamente, em torno das atividades pesqueiras, da agricultura e do comércio. A reconstrução do Centro de Treinamento Agroecológico, Inovação, Tecnologia e Pesquisa Aplicada do Nordeste do Pará, conhecido como Unidade Didática de Bragança (UDB); a certificação de agroindústrias para assegurar a qualidade dos produtos produzidos, via Selo Artesanal Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará); e a recente assinatura do Termo de Cooperação Técnica para fortalecer e ampliar os serviços de assistência técnica rural aos agricultores familiares do município, estão entre os investimentos nesse setor.
Cota de inundação no Amazonas em 2025. Foto: Michel Castro/Rede-Amazonica
Seis cidades do Amazonas que tiveram situação de emergência por inundação reconhecida pelo Governo Federal receberão o repasse total de R$ 5,4 milhões por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O valor será dividido entre as localidades, conforme autorização publicada na edição de sexta-feira (4) do Diário Oficial da União (DOU) abaixo.
O ato administrativo indica que os valores serão usados em ações emergenciais como assistência humanitária, aquisição de alimentos e reparos em infraestrutura danificada. A Defesa Civil Nacional citou que os municípios beneficiados devem apresentar prestação de contas detalhada dos recursos aplicados.
Cheia do Rio Solimões em Manacapuru — Foto: José Lima/Rede Amazônica
Na decisão consta que, caso os municípios não apliquem as verbas de forma adequadas, podem haver a suspensão de novos repasses e responsabilização prevista na legislação.
No dia 2 de junho, o Governo Federal reconheceu 30 cidades amazonenses em situação de emergência por inundações, através de portaria publicada no Diário Oficial da União.
Cheia no Porto de Manaus. Foto: divulgação
Também foi reconhecido o status emergencial a outros dois municípios do Amazonas: Barreirinha, por chuvas intensas, e Carauari, por erosão de margem fluvial.
A cidade de Borba é a única do estado a ter dois reconhecimentos vigentes, sendo um por inundações e outro por chuvas intensas.
Com o reconhecimento, as prefeituras podem solicitar recursos federais para ações de assistência, como distribuição de cestas básicas, água potável, kits de higiene e limpeza, além de refeições para equipes que atuam nas áreas atingidas.
Cheia atinge toda a Amazônia. Foto: divulgação
Veja a lista completa abaixo:
Amaturá – Inundações
Anamã – Inundações
Apuí – Inundações
Barreirinha – Chuvas intensas
Benjamin Constant – Inundações
Boa Vista do Ramos – Inundações
Boca do Acre – Inundações
Borba – Inundações/Chuvas intensas
Caapiranga – Inundações
Carauari – Erosão da Margem Fluvial
Careiro – Inundações
Careiro da Várzea – Inundações
Coari – Inundações
Eirunepé – Inundações
Fonte Boa – Inundações
Guajará – Inundações
Humaitá – Inundações
Ipixuna – Inundações
Itamarati – Inundações
Japurá – Inundações
Juruá – Inundações
Jutaí – Inundações
Manacapuru – Inundações
Manaquiri – Inundações
Manicoré – Inundações
Maraã – Inundações
Novo Aripuanã – Inundações
Santo Antônio do Içá – Inundações
São Paulo de Olivença – Inundações
Tefé -Inundações
Tonantins – Inundações
Urucurituba – Inundações
Para acessar os recursos, os municípios precisam enviar um plano de trabalho por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). A equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados. Após a aprovação, o valor é oficializado em nova portaria publicada no DOU.
Nanossatélite, batizado de Jussara-K, tem a missão de coletar dados ambientais. Foto: Divulgação
O Maranhão se prepara para um feito inédito na área espacial. Previsto para ser lançado em setembro, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), o nanossatélite Jussara-K será o primeiro satélite desenvolvido no estado a entrar em órbita em um voo comercial.
Fruto de um acordo de cooperação do Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o projeto recebeu apoio para sua finalização e marca um avanço expressivo na ciência e tecnologia local. O Jussara-K foi projetado para coletar dados ambientais, com aplicações que vão desde o monitoramento de queimadas até a preservação de espécies.
“O Maranhão tem um papel estratégico no setor aeroespacial do país. Com este projeto, além de estarmos apoiando o lançamento do primeiro satélite maranhense, estamos também investindo na formação de recursos humanos altamente qualificados e no fortalecimento da pesquisa científica e tecnológica em nosso estado”, destacou o presidente da FAPEMA, Nordman Wall, que estava acompanhado do diretor científico da fundação, Cristiano Capovilla.
O Jussara-K é o primeiro satélite desenvolvido na UFMA. Do tipo spin-off, derivado do Aldebaran, tem como marco o pioneirismo de ser o primeiro satélite do Maranhão lançado a partir da base de Alcântara. Um feito emblemático também por representar o primeiro lançamento orbital de um satélite diretamente do CLA.
A iniciativa integra o projeto “Desenvolvimento de um Cubesat Padrão 1U de Baixo Custo para Missão Alcântara em Órbita”, que prevê o desenvolvimento, montagem, testes e integração do Jussara-K ao lançador HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana INNOSPACE. A ação envolve diretamente alunos do curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA, que participam de todas as etapas do processo – da concepção da missão ao descarte do satélite –, promovendo uma formação prática e especializada em tecnologia espacial.
O reitor da UFMA, Fernando Carvalho, destacou que a Fapema tem dado grande apoio à ciência, tecnologia e inovação no estado. A nova parceria é exemplo desse esforço.
“É muito importante este acordo de cooperação, que tem como objetivo lançar o nanossatélite para realizar avaliações ambientais, principalmente na questão das queimadas, que prejudicam muito o meio ambiente. O satélite fará esse monitoramento na região da Amazônia Legal”, explicou o reitor.
Apoio
O apoio da Fapema inclui a aquisição de painéis solares para o sistema de energia do satélite, o desenvolvimento de uma Plataforma de Coleta de Dados (PCD), o custeio de despesas da equipe técnica da UFMA envolvida na integração com o foguete lançador e a divulgação pública do lançamento.
O lançamento do Jussara-K será realizado a partir do CLA, considerado um dos locais mais favoráveis do mundo para lançamentos em órbita equatorial. Coordenador do curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA e coordenador-geral do projeto Jussara-K – Missão Alcântara em Órbita –, Carlos Brito explicou a escolha do nome do satélite:
“Nós colocamos o nome Jussara porque representa uma fruta regional. Só aqui no Maranhão chamamos de juçara, e não açaí. E é Jussara com dois ‘s’, que faz referência a ‘smallsat’, ou seja, exatamente a categoria do satélite com a qual estamos trabalhando”.
Responsável pelo segmento espacial do satélite, o professor da UFMA Luís Cláudio de Oliveira Silva informou que o equipamento vai orbitar a Terra a uma altitude aproximada de 500 km, com velocidade de cerca de 27.800 km por hora.
“A proposta é, além de contribuir para a proteção e o monitoramento do meio ambiente, testar uma carga útil baseada em Inteligência Artificial. Trata-se de um sistema inovador, que será experimentado no espaço. Com certeza, essa é uma contribuição significativa para o setor aeroespacial, para a formação dos nossos alunos e também para a preservação ambiental, dando um retorno à comunidade maranhense”, pontuou.
O pesquisador que revolucionou o monitoramento da Amazônia. Foto: Imazon
O biólogo, pesquisador e especialista em sensoriamento remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Dalton de Morisson Valeriano que morreu no mês de junho, aos 69 anos, deixou como legado ferramentas que mudaram a história da gestão ambiental no país.
Servidor de carreira por mais de 40 anos, Valeriano teve papel decisivo na concepção de ferramentas que hoje formam a base do combate ao desmatamento na Amazônia. Entre elas, o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), que abriu aos órgãos de fiscalização ambiental a possibilidade de monitoramento das florestas em tempo quase real.
Dalton Valeriano, o pesquisador que revolucionou o monitoramento da Amazônia. Foto: Alessandro Dantas/ Ministério do Meio Ambiente
“Ele revolucionou o monitoramento da Amazônia e, com isso, contribuiu fortemente para o sucesso no enfrentamento do desmatamento ilegal”, disse ao OC o agrônomo e especialista em sensoriamento remoto Cláudio Almeida, atual coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e Demais Biomas do Inpe.
Graduado em biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1978, o pesquisador concluiu o mestrado em sensoriamento remoto pelo Inpe em 1984 e o doutorado em geografia pela Universidade da Califórnia em 1996.
Para Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, Valeriano foi um “cientista fundamental e um contador de histórias incrível”. “Sem o Dalton e o time do Inpe, a queda que vemos do desmatamento não teria ocorrido. O MapBiomas se alimenta muito desse legado”, afirmou.
A presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, lembrou que a contribuição de Valeriano não se limitou ao bioma amazônico. ”Dalton contribuiu muito para o Atlas da Mata Atlântica na parceria da SOS com o Inpe. Tivemos muitas e boas conversas”, relembrou.
Dalton Valeriano, o pesquisador que revolucionou o monitoramento da Amazônia. Foto: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações
Diretor do INPE de 2005 a 2012, o pesquisador Gilberto Câmara classificou o colega de “gigante” que deixou como legado ferramentas que mudaram a história da gestão ambiental no país. “Embora não tenha desenvolvido o Prodes, ele foi o principal responsável por estruturá-lo a partir de 2000. Colocou o sistema na linha. E criou o Deter, ou seja, fez uma enorme diferença. Sem ele, a história da Amazônia teria sido outra”, avaliou.
Em nota oficial, o Inpe qualificou Valeriano como um “visionário da floresta”, cuja voz “mostrou ao país a real situação da floresta Amazônica”. “Sua trajetória profissional entrelaça-se de forma indelével com a história do monitoramento da maior floresta tropical do mundo”, afirma o Inpe.
Dalton Valeriano, o pesquisador que revolucionou o monitoramento da Amazônia. Foto: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações
De acordo com o instituto, o pesquisador dedicou sua vida a aperfeiçoar a metodologia de análise de imagens de satélite, “transformando dados brutos em informações críticas e acionáveis”.
“Seu trabalho garantiu que o Brasil possuísse um sistema de grande rigor científico, capaz de informar a extensão da devastação ano após ano, fornecendo a base incontestável sobre a qual se assenta o diagnóstico da situação amazônica.”
Em entrevista concedida em 2009, Valeriano manifestou preocupação com o ritmo da devastação da Amazônia (“Se continuar como está, um dia vai acabar”), mas destacou como positivo o fato de haver mais “capacidade de controle”. “Eu acredito que a transparência é a chave de tudo”, afirmou ele à época.
Entre janeiro e junho, foram contabilizados 220 focos no estado, contra 666 no mesmo período de 2024. Com isso, o Amazonas ocupa a sexta posição entre os estados da Amazônia Legal com maior número de registros no período.
Imagem aérea feita na terça-feira, 16 de agosto de 2022 mostra área de queimada na fronteira do estado de Rondônia com o Amazonas. — Foto: Ruan Gabriel/Rede Amazônica
A maior parte dos focos ocorreu em áreas sob jurisdição federal, que concentraram 70,45% dos casos. As áreas estaduais responderam por 15%, enquanto 14,55% foram registrados em regiões classificadas como vazios cartográficos que são territórios sem regularização fundiária definida.
Ainda segundo dados do Inpe, o Amazonas registrou queda de 52,46% na área desmatada em junho de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foram desmatados 6.614 hectares, frente aos 13.915 hectares registrados em junho de 2024.
Imagem aérea de queimadas na cidade de Altamira, Estado do Pará. Foto: Victor Moriyama/Greenpeace
Também houve redução de 60,76% nos alertas de desmatamento, que passaram de 650 para 255 registros no período.
No recorte territorial referente ao mês de junho de 2025, os municípios com maior área desmatada foram:
Lábrea: 2.103 hectares;
Apuí: 1.276 hectares;
Boca do Acre: 890 hectares.
Em relação à quantidade de alertas de desmatamento, os mesmos municípios lideram o ranking, com Lábrea registrando 59 alertas, seguido por Apuí e Boca do Acre, ambos com 49 registros.