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Militar húngaro encontra suas raízes no sul de Rondônia

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Vig Kristóf József, em Vilhena. Foto: Júlio Olivar

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O jovem Vig Kristóf József, ou simplesmente Kristóf, embarcou em uma aventura de tirar o fôlego. Sem nunca ter viajado para fora da Europa, ele partiu da Hungria, na Europa Central, e chegou a Vilhena na semana passada, após três dias de jornada desde sua pequena cidade natal, Bókaháza, situada a 202 km da capital, Budapeste.

Sua chegada ao Brasil foi marcada por uma aterrissagem em São Paulo e, posteriormente, um voo até Cuiabá. A última etapa da viagem foi uma longa jornada de ônibus até Vilhena, que durou mais de doze horas. Ao todo, Kristóf percorreu quase 11 mil km. No entanto, o maior desafio foi lidar com o fuso-horário (aqui, quatro horas antes atrás) e o clima. Enquanto na Hungria as temperaturas nesta época do ano giram em torno de dois graus negativos – mas no inverno, despencam para até 15 graus abaixo de zero – , em Vilhena, o calor tropical era uma novidade.

“Gringo” participou de movimentos de guerrilha antes de fugir para Vilhena. Foto: Júlio Olivar

Aos 23 anos, Kristóf chegou a Vilhena com o objetivo de se conectar com o passado de sua família. Ele, apaixonado por história, veio em busca de informações sobre seu tio-avô, József, que chegou a Vilhena em 1968. Conhecido como “Gringo”, József fez história na cidade como mecânico, trabalhou no 5º BEC (Batalhão de Engenharia e Construção) e proporcionou as primeiras sessões de cinema na vila, então com 300 habitantes. Nas horas vagas, ele atuava como goleiro e técnico de futebol, além de ser um fervoroso torcedor do Flamengo. József viveu no Brasil desde 1957 e faleceu em Ji-Paraná, em 1999, aos 67 anos, vítima de diabetes.

Em 2017, Kristóf teve contato com Andressa, neta de József e sua prima de terceiro grau, que hoje é médica. Ela havia visitado a Hungria e, desde então, Kristóf decidiu retribuir a visita. “Comecei a planejar a viagem após minha prima nos visitar na Hungria. Ela e sua mãe me convidaram. Eu precisava terminar a escola e obter minha profissão. Porém, devido ao confinamento da Covid-19, a viagem teve que ser adiada.”

Kristóf: “Vim pesquisar sobre meu tio-avô”. Foto: Arquivo de família

Após 57 anos da chegada de József a Rondônia, Kristóf foi recebido calorosamente pela viúva de seu tio-avô, Angelita, de 95 anos, e sua filha, Denise, de 58, junto com suas duas filhas. Em Vilhena, Kristóf teve acesso a cartas, fotos e memórias que lançaram luz sobre a história de sua família. “Tudo isso ocorreu bem antes de eu nascer. Tive interesse em trazer informações que ouvi em minha família e levar outras daqui”, relatou Kristóf. “Vi fotos de József que nunca tinha visto antes e ouvi a história de como ele viveu e o que fez aqui. É muito interessante e surpreendente a saga dele.”

József, cujo nome ele grafava sem acento, percorria a região exibindo filmes de forma itinerante com um projetor manual. Além de Vilhena, ele morou em Cabixi e Cacoal. Sua decisão de se refugiar na Amazônia decorreu de envolvimentos em confrontos armados no pós-Segunda Guerra Mundial. Em 1957, József fugiu para o Brasil em uma embarcação, sendo dado como morto por muitos. Deixou para trás uma esposa e um filho. “Ele tinha que deixar o país, caso contrário, seria preso. Não sabemos os motivos exatos, pois ele não falava muito sobre isso. Seu apelido era Partisan”, esclareceu Kristóf. Na Hungria, “partizán” refere-se a membros de movimentos de guerrilha que faziam resistência e lutavam contra regimes opressivos durante e após a Segunda Guerra Mundial.

Durante sua curta estadia, Kristóf pretende explorar Vilhena e retornar à Hungria no dia 25 de fevereiro. “Levarei comigo memórias que nunca esquecerei. Na próxima vez, gostaria de passar mais tempo em Vilhena do que duas semanas”, revelou.

Até chegar ao Brasil, Kristóf sabia pouco sobre a Amazônia. Porém, ele observou que a cultura brasileira permeia a Hungria, seja através das novelas de televisão, da música ou dos bares temáticos. O futebol também é uma paixão compartilhada entre os dois países.
Além de estreitar laços familiares, Kristóf buscou conhecer a história e a cultura local. Ele visitou o museu Casa de Rondon e desfrutou de uma tarde agradável aprendendo sobre as origens de Vilhena. “Cultura e memória estão na alma europeia”, refletiu Kristóf, destacando a impressionante arquitetura da Hungria, com seus castelos medievais, igrejas góticas e edifícios Art Nouveau.

Kristóf ao lado de Angelita, viúva de seu tio-avô, e sua prima Denise, em Vilhena. Foto: Júlio Olivar

Apaixonado por carros antigos, Kristóf contou que na Hungria existe uma frota turística de veículos dos tempos comunistas. Ele participa anualmente de um encontro de carros antigos da Alemanha Oriental. “Fiquei sabendo de um carro feito totalmente em inox aqui em Vilhena, uma verdadeira obra-prima”, mencionou, referindo-se ao modelo Ford 29 criado pelo alemão Hermes Balcon, radicado em Rondônia. Sim, Rondônia, é uma verdadeira Torre de Babel. E nem todos sabem as origens de quem ajudou a construir esta civilização na Amazônia. Kristóf quis saber.

QUEM É: Kristóf trabalhou como garçom antes de ingressar nas Forças de Defesa da Hungria, onde atua como especialista em suprimentos (alimentação). É um jovem idealista e estudioso.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Produção de mel se torna fonte de renda para famílias de apicultores no Acre

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

O apicultor Gildemar dos Santos trabalha com a produção de mel há seis anos, no município de Senador Guiomard, no Acre. Com a ajuda do filho, ele se prepara para mais um dia de coleta do mel, checa as roupas de proteção e abastece o fumegador.

“A arma do apicultor hoje é o fumegador. Ou então a gente coloca fumaça, não com essa, com muito cuidado pra não usar muito fumaça, pra não dar problema no mel, né? Porque a fumaça, o mel, ele é muito fácil de contaminar com o cheiro e com o sabor. Se você colocar muita fumaça, ela vai pegar o cheiro do mel sabor. Então, tem o sistema certinho de colocar a fumaça pra não chegar contaminar o mel”, explica.

Leia também: Mel de abelha: saiba 8 propriedades do alimento

Foto: Reprodução/Amazônia Agro

Os equipamentos são necessários para verificar as cerca de oitenta colmeias de abelhas conhecidas por aqui como italianas, espécie que é resultado do cruzamento de abelhas africanas com europeias.

Gildemar é apicultor há 30 anos, mas desenvolve a produção de mel na região há seis e trabalha em parceria com fazendas de gado. Ele usa áreas das propriedades para instalar os apiários, caixas onde ficam as colmeias. Em troca, o produtor fornece mel para os fazendeiros.

“A gente usa um lugar que a fazenda não usa. Você vê que é estratégico e é um lugar, um buraco , entendeu? Então, a fazenda não usa esse espaço. A gente destinou para a apicultura. Daqui mais uns 50, 60 metros tem água que é muito importante para as abelhas. Elas refrigeram muito a casa com água, muita água, entendeu? Então, tem que ter água próxima e a gente usa na fazenda com parcerias com os donos das fazendas em lugares estratégicos e não atrapalha o ritmo de trabalho da fazenda. É que a gente se beneficia com isso também”, afirma Gildemar.

A reportagem da Rede Amazônica acompanhou algumas das mais de 80 colmeias que o seu Gildemar possui nas propriedades da região. É dali que eles vão tirar as melgueiras, que são estruturas que possuem os favos da onde eles extraem o mel. Para fazer a retirada dessas melgueiras, eles jogam a fumaça com o fumegador pra afastar as abelhas e assim poderem tirar as melgueiras com segurança.

Depois da coleta, ele retorna para a casa, no ramal da Bonal. Lá, as melgueiras são levadas para um galpão, onde o mel é extraído por meio de uma centrífuga. Após os processos de extração e filtragem, o mel é envasado em uma sala e depois rotulado. O produto é encaminhado para redes de supermercados e pequenos comércios da capital.

“Hoje a gente está com esse mel nas duas maiores redes de supermercados e outros mercadinhos que se envolvem já trabalhando com o nosso produto também. É um ponto principal de renda que eu tenho, entendeu? Hoje, a apicultura realmente me mantém, então é nela que eu foco. Ela é o meu ponto principal, minha atividade principal, o meu trabalho para minha sobrevivência”, garante.

E Gildemar quer expandir o catálogo de produtos resultantes da criação das abelhas.

“Na verdade, o produto que a abelha trabalha, que é mais barato para o consumidor, é o mel e o mel é um dos produtos mais barato que tem. A gente tem a possibilidade de tirar agora a cera, a possibilidade de tirar o própolis e o pólen. Esses três a gente vai entrar com um recurso agora no Idaf Para legalizar o produto, para mandar no mercado. A gente trabalhou com uns derivados do mel, que foi produtos cosméticos, entendeu? E do própolis também que a gente trabalhou com pomada de própolis, sabonete e tudo feito derivado do mel e alguns esfoliantes. E alguns cremes, assim também, foram os quatro itens produzidos do mel”.

Fonte de renda para famílias

A produção de mel no Acre é importante para muitas famílias. Segundo a Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri), existem mais de 200 produtores de mel nas regiões do Alto e Baixo Acre.

Leia também: Mel de abelha é fonte de renda para ao menos 200 famílias de apicultores em Roraima

Mas a produção ainda é pequena se comparada com o restante do país. Em 2023, o Acre foi o menor produtor com pouco mais de nove toneladas em todo o ano. Pra se ter uma ideia, o maior produtor, o Rio Grande do Sul, teve uma produção mil vezes maior que o Acre no mesmo período.

O estado possui ainda o segundo menor valor de produção do mel de abelha, com R$ 557 mil, superando apenas o Amapá.

“Cada um quilo dá um litro, digamos, de mel das abelhas sem ferrão é algo de R$ 120. Já o mel de abelhas com ferrão, é algo de R$ 75, então é um valor, o preço é diferenciado, mas cada um tem o seu valor, tanto para o medicinal e outras finalidades,” explica Zandra Pilar, técnica da Seagri-AC. Para quem trabalha com a criação de abelhas, a satisfação vai muito além da renda.

“É gratificante. Você vai em um supermercado e chega lá, está o mel. Eu pensei muito tempo atrás em ver isso e hoje está sendo uma realização de muito tempo, de uma coisa que eu pensava que ia chegar lá. Que esse é o mel da minha indústria, da indústria onde a gente processa, a gente que está colocando e isso é muito gratificante pra gente”, diz Gildemar.

*Por Murilo Lima, da Rede Amazônica AC

MMA lança edital de concessão para exploração de recursos de floresta no Amazonas

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Foto: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou o edital para concessão de exploração de recursos na Floresta Nacional do Jatuarana, localizada no município de Apuí, no Sul do Amazonas. O leilão para as empresas interessadas em apresentar propostas está agendado para o mês de maio deste ano.

O evento de lançamento do edital, realizado em Brasília, contou com a presença do prefeito de Apuí e do secretário de Meio Ambiente do Amazonas. Através dessa concessão, tanto o município quanto o estado devem arrecadar recursos.

De acordo com o edital, o concessionário terá permissão para extrair até 233 mil metros cúbicos de toras de madeira anualmente. A estimativa é de que a atividade gere receitas de R$ 5,4 milhões por ano para a prefeitura de Apuí e o mesmo valor para o governo do Amazonas, além de recursos também para o governo federal. A concessão deve ainda gerar cerca de 932 empregos diretos e 466 indiretos.

Segundo o MMA, as comunidades locais terão direito a aproximadamente R$ 1 milhão por ano para investimentos em projetos de desenvolvimento na região.

O próximo passo será a publicação do edital, seguida por um ‘roadshow’ em março, para apresentar a concessão a potenciais investidores. O leilão ocorrerá no dia 21 de maio na B3, a bolsa de valores de São Paulo.

Atualmente, existem 23 contratos de concessão em vigor nesse modelo, localizados em nove florestas nacionais nos estados do Amapá, Rondônia, Pará, Amazonas e Paraná. Entretanto, a transação envolvendo a Floresta Nacional do Jatuarana é a maior de todas.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Nova técnica utiliza luz infravermelha para reconhecimento de espécies na Amazônia

Pesquisadora Kelly Torralvo realizando a captura de uma cobra popularmente chamada de suaçuboia (Corallus hortulana), para posterior análise com o NIR. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Imagine um caixa de supermercado, onde um aparelho eletrônico escaneia cada item, identificando-o. Esse aparelho emite um feixe de ondas eletromagnéticas e mede a absorção e a reflectância da luz no objeto em questão, características que são únicas para cada item. Agora, imagine se algo semelhante pudesse ser utilizado para identificar espécies de animais silvestres?

Esse é justamente o tema da pesquisa de Kelly Torralvo, pesquisadora titular do Grupo de Pesquisa em Ecologia de Vertebrados Terrestres do Instituto Mamirauá. Com o auxílio de um dispositivo que utiliza esta tecnologia de espectroscopia de infravermelho próximo (NIR, na sigla em inglês), é possível “escanear” e identificar cada espécie aproximando-a do sensor que detecta sua “assinatura espectral” – uma espécie de impressão digital.

Contudo, para poder identificar um animal com este método é necessário antes ter um banco de referência que foi alimentado com os dados referentes a cada espécie.

Levantamento da diversidade de espécies de sapos na Reserva Mamirauá, muitas das quais são analisadas para compor o banco de referência. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Para isso, é preciso realizar a leitura dessa assinatura espectral em exemplares da maior quantidade de espécies possível. Para estudos sobre espécies depositadas em coleções biológicas, pode-se utilizar animais em museus e instituições de pesquisa. Porém, para trabalhar com animais vivos em campo, é preciso ter um banco de referência que contenha dados que foram coletados dos animais ainda vivos.

Tendo trabalhado principalmente com répteis e anfíbios ao longo de sua carreira, Kelly tem concentrado seus esforços em coletar dados com o NIR destas espécies. A busca ativa no final da tarde e ao anoitecer é o principal método para encontrar os animais, que são levados de volta ao laboratório para serem escaneados pelo aparelho.

Sobre a aplicabilidade desta pesquisa, Kelly comenta: “a ferramenta NIR representa um avanço em atividades práticas, alinhando o conhecimento de especialistas da biodiversidade às tecnologias disponíveis. Ao auxiliar no reconhecimento das espécies, esse método pode facilitar processos em inúmeras atividades de estudos acadêmicos, ações de monitoramento e/ou fiscalização e ações de manejo e conservação em situações e lugares onde o especialista não está presente para realizar o reconhecimento. É uma ferramenta que poderá ter um impacto em incontáveis esferas de atuação”.

Kelly Torralvo e Igor Yuri, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e parceiro do projeto, realizam a leitura da assinatura espectral da cobra capturada no laboratório flutuante do Instituto Mamirauá. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Em uma outra abordagem deste método, estão sendo desenvolvidos modelos para identificar carne de caça de animais silvestres utilizando o NIR. Por exemplo, é possível que a carne de um animal ameaçado de extinção seja misturada à carne de um outro animal para dificultar sua identificação. Ao realizar a leitura de amostras de carne de caça frescas, salgadas e congeladas – as principais condições em que são encontradas – é possível reconhecer a espécie que foi abatida, tornando o NIR uma ferramenta potencialmente útil para o monitoramento do comércio indevido.

Considerando somente a diversidade biológica encontrada na Amazônia, ainda há muito trabalho pela frente para ter um banco de referência representativo das assinaturas espectrais de tantas espécies. Mesmo assim, Kelly está confiante de que os esforços valem à pena.

“O método é muito promissor, tanto pelo preço relativamente baixo do equipamento quanto por ser portátil. Muitas espécies são praticamente idênticas, necessitando do olhar de um especialista para identificá-las – algo que, muitas vezes, não é possível em situações de fiscalização e monitoramento da biodiversidade. O aprimoramento do NIR para essa finalidade será um importante passo em direção a tomadas de decisão mais eficientes e confiáveis”, complementa.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Miguel Monteiro

Governo afirma que há avanço na destinação de florestas públicas a povos tradicionais na Amazônia

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Foto: Reprodução/Acervo MMA

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) lançaram portaria que define os procedimentos administrativos para regularizar a ocupação e o uso, pelos povos e comunidades tradicionais, de florestas federais não destinadas localizadas na Amazônia Legal.

Florestas públicas não destinadas são florestas naturais ou plantadas em áreas de domínio da União às quais não foi conferida qualquer destinação autorizada em lei. Não foram, por exemplo, transformadas em Unidades de Conservação, Terras Indígenas ou Projetos de Assentamento.

Leia também: Entenda o que são as florestas públicas não destinadas

Segundo a mais recente edição do Cadastro Nacional de Florestas Públicas, gerido pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), as florestas públicas federais não destinadas totalizam aproximadamente 31,2 milhões de hectares no país.

A destinação desses territórios aos povos e comunidades tradicionais é uma de suas maiores reivindicações. Além de garantir segurança jurídica aos beneficiários, a medida estimula o uso sustentável das florestas e contribui para a manutenção da redução do desmatamento na Amazônia.

O ritmo da supressão de vegetação nativa no bioma caiu 46% em 2024 na comparação a 2022, segundo o sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No último ano, de agosto de 2023 a julho de 2024, a diminuição foi de 30,63% em relação ao período anterior. É a maior redução percentual em 15 anos.

A Portaria Interministerial nº 1.309/2025 foi assinada em 4 de fevereiro em reunião realizada na sede do MMA, em Brasília, pelos ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.

A ministra destacou a importância do ciclo de prosperidade e de combate à desigualdade e ao desmatamento que a portaria incentiva.

“Nosso maior investimento agora é cuidar para que as populações tradicionais possam ter acesso aos seus territórios de floresta, contribuindo para a formação da nova economia que mantenha a floresta em pé”, afirmou.

Conforme a portaria, a regularização dos territórios será feita por meio da emissão de Contratos de Concessão de Direito Real de Uso (CCDRU). O CCDRU será coletivo (envolverá toda a comunidade ocupante da área que tenha manifestado sua concordância na aplicação da medida), inalienável (não pode ser transferido, vendido ou cedido a terceiros) e válido por prazo indeterminado.

Os procedimentos prevêem a realização de ações de campo para obtenção do consentimento da comunidade e para a elaboração, junto aos beneficiários, dos estudos de caracterização e delimitação dos territórios. Ao final, será publicada portaria de reconhecimento do uso e ocupação tradicional das áreas de florestas públicas federais e feita a emissão do CCDRU.

As ações de campo estão previstas para começar já no mês de março pelos estados do Acre, Amazonas e Maranhão, com expectativa de celebração dos primeiros CCDRUs durante a COP30, conferência do clima da ONU que ocorrerá em novembro na cidade de Belém

Com o CCDRU, os povos e comunidades tradicionais terão acesso facilitado a diversas políticas públicas, com foco na geração de renda a partir do uso sustentável da floresta, como o pagamento por serviços ambientais, créditos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e ações de assistência técnica e extensão rural.

Para beneficiar o maior número possível de comunidades, MMA e MDA têm buscado avançar na identificação dos povos e comunidades tradicionais da Amazônia brasileira. Para isso, são utilizadas informações de bases de dados já existentes e oficinas de busca ativa das comunidades, contando com a participação de outros órgãos públicos e organizações da sociedade civil que trabalham com essas populações.

*Com informações do MMA

Ruínas de vila fundada por Portugal há mais de 250 anos são estudadas no Amapá

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Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

Pesquisadores estão estudando as ruínas da Vila Vistosa da Madre de Deus, fundada pela Coroa Portuguesa em 1767, às margens do rio Vila Nova, zona rural do município de Santana, no Amapá. O local chegou a ter cerca de 500 moradores, mas foi abandonado completamente no início do século 19.

De acordo com o pesquisador Marcos Guedes, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o principal motivo foram epidemias, como a de cólera. Os habitantes que sobreviveram se mudaram para outros locais, como a Vila de São José de Macapá e a de Mazagão.

“Essa vila teve ligação com o contexto histórico da colonização portuguesa na região amazônica. Na segunda metade do século 18, foram criadas três vilas na região do atual estado do Amapá. Uma das razões pro abandono da população da vila, foram as graves epidemias que aconteceram e forçaram a população a migrar pra outros lugares abandonando a vila”, disse o pesquisador.

De acordo com os registros históricos, além do comércio, a vila foi implantada para garantir a defesa da área contra aventureiros franceses, ingleses e holandeses que tinham interesse nessa região. O responsável pela fundação foi o governador do Grão-Pará e Maranhão, Fernando da Costa Ataíde Teive.

Ruínas de igreja na Vila Vistosa da Madre de Deus, no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/g1
Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

“E nessa vila moraram cerca de 500 pessoas, entre portugueses, indígenas e africanos escravizados. Havia autoridades na vila, havia um pároco. E o Brasil precisa conhecer essa história, porque nessas terras da Madre de Deus uma parte da história do Brasil aconteceu”, descreveu Paulo Roberto, diretor-presidente do Museu Afro Amazônico.

A estrutura da igreja possui paredes com meio metro de espessura, 20 metros de comprimento e 10 metros de largura.

A Raimunda Bousse Nobre cresceu nessa região e descreveu que chegou a ver o telhado da igreja, antes de desabar com o passar do tempo.

Raimunda Bousse Nobre, na Vila Vistosa da Madre de Deus, no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/g1
Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

“Meu pai me disse que ela era muito bonita. Ela era coberta de telha de barro e atrás tinha várias salas, como uma república. Parece quando se faz uma igreja e atrás se faz lugar pra catequizar. No fundo, por dentro, ela tinha uma armação, tipo de um santuário, que deveria ser muito lindo”, disse a moradora da região.

Ruínas de igreja na Vila Vistosa da Madre de Deus, no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/g1
Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

ANTAQ e BNDES assinam contrato para iniciar estudos da concessão das hidrovias dos rios Tocantins e Tapajós

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Foto: Reprodução/Antaq

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) assinaram no dia 17 de fevereiro, em Brasília (DF) contrato para a estruturação do projeto de parceria para investimento e administração das hidrovias dos rios Tapajós e Tocantins, cobrindo cerca de 2.400 quilômetros de extensão de vias navegáveis.

O evento contou com a participação do diretor de Planejamento e Relações Institucionais do Banco, Nelson Barbosa, e do diretor-presidente da Antaq, Eduardo Nery Machado Filho.

As duas hidrovias estão entre os seis “Trechos Hidroviários Estratégicos” definidos no Plano Geral de Outorgas (PGO) da ANTAQ, sendo priorizadas pela política pública federal com base em critérios como o volume atual de transporte e o potencial de crescimento.

O projeto tem como objetivo viabilizar investimentos para ampliação de capacidade, dragagens de manutenção, sinalização, monitoramento e incremento da segurança da navegação, transformando o que atualmente são rios navegáveis em hidrovias de fato.

Ambos os rios enfrentam desafios comuns, como a necessidade de investimentos em dragagem e sinalização, especialmente em épocas de seca, conferindo perenidade para navegação ao longo do ano e um serviço de maior qualidade aos usuários transportadores de cargas.

“A maior utilização das hidrovias viabiliza o transporte de grandes volumes de carga de forma eficiente e com menor impacto ambiental em comparação ao transporte rodoviário. Além de reduzir as emissões de CO2, promovem o desenvolvimento regional, ao facilitar o escoamento da produção agrícola, mineral e industrial da região, gerando empregos e renda para a população”, explica o diretor do BNDES, Nelson Barbosa.

Segundo ele, “a outorga da administração das hidrovias nos rios Tapajós e Tocantins tem o potencial de promover o desenvolvimento econômico sustentável no chamado Arco Norte, fortalecendo a infraestrutura logística do Brasil e contribuindo para a integração regional.”

Hidrovia do rio Tapajós (650 km)

Hidrovia estratégica para a transferência de graneis sólidos vegetais oriundos principalmente do Mato Grosso, que seguem para transbordo em instalações portuárias aptas ao transporte marítimo em Santarém (PA), Santana (AP) ou Barcarena (PA). O Plano Geral de Outorgas (PGO) destaca o potencial para viabilizar navegações de cabotagem e longo curso nesse trecho, desde que sejam realizadas dragagens corretivas e o aprofundamento do canal. Serão estudados dois trechos: (i) entre Itaituba (PA) e Santarém (PA); e (ii) estreitos entre Breves (PA) e Abaetetuba (PA).

Hidrovia do rio Tocantins (1750 km)

Hidrovia que conecta o Centro-Oeste do Brasil ao Oceano Atlântico, tendo sido qualificada no Programa de Parcerias de Investimentos – PPI, por meio do Decreto nº 12.193/2024. Atualmente, a navegação de grande porte ocorre predominantemente entre o Porto de Vila do Conde e a foz do rio. O trecho entre Marabá (PA) e Barcarena (PA) também apresenta atividade de navegação comercial.

A médio e longo prazos, com a garantia de manutenção do trecho já navegável e investimentos na expansão da infraestrutura, especialmente em dragagens e no derrocamento do Pedral do Lourenço, a hidrovia pode agregar progressivamente novos trechos a montante, ampliando sua relevância para o transporte regional e nacional.

*Com informações do BNDES

Mirantes de Porto Velho, onde a natureza se une à gastronomia

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Foto: Reprodução/Instagram-Mirante Sapucaia

Porto Velho (RO) é um destino que atrai por suas belezas naturais e opções gastronômicas. Para quem busca um momento de contemplação aliado a uma boa refeição, a cidade conta com mirantes que oferecem vistas para a natureza e experiências gastronômicas únicas.

O Portal Amazônia encontrou cinco locais para desfrutar desse “combo” na capital de Rondônia:

Mirante Canoa Quebrada

Localizado às margens do Rio Madeira, o Mirante Canoa Quebrada é um dos locais mais procurados para admirar o pôr do sol em Porto Velho. Além da paisagem encantadora, o espaço conta com restaurante e bar que servem pratos típicos da região, como jatuarana sem espinha e rodízio de peixe. O ambiente rústico e acolhedor proporciona uma experiência completa para os visitantes.

Endereço: Rua Benjamin Constante, 180 – Arigolândia
Contato: (69) 3229-7274
Email: casaraodopeixepvh@hotmail.com

Foto: Reprodução/Rondônia Tem Turismo

Mirante Sapucaia

História e natureza se encontram no Mirante Sapucaia. Também situado à margem do Rio Madeira, o local permite uma vista privilegiada do rio e de sua movimentação fluvial. Além da beleza do cenário, há opções gastronômicas que valorizam os sabores amazônicos, com destaque para os pratos à base de tambaqui e pirarucu.

Endereço: Estr. Santo Antônio – Vila Candelária, 2740
Telefone: (69) 99283-2425

Foto: Divulgação/Mirante Sapucaia

Pittbull Restaurante

Para os amantes da natureza, o Pittbull Restaurante oferece uma visão panorâmica da floresta amazônica e do rio que corta a cidade. O espaço é especialista na culinária regional. O cardápio conta com petiscos e bebidas refrescantes, ideais para quem deseja relaxar enquanto aprecia a paisagem.

Endereço: Avenida Farquar, 2270 – Triângulo
Telefone: (69) 99933-9480

Foto: Reprodução/Facebook-Restaurante Pittbull

Vista do Madeira

O Vista do Madeira abriga um sofisticado restaurante que combina gastronomia contemporânea com ingredientes regionais, proporcionando uma experiência diferente.

Endereço: Tv. Belizário Pena, 191 – Triângulo
Telefone: (69) 99270-6909

Foto: Reprodução/Instagram-Vista do Madeira

Recanto do Tambaqui

Há mais de 40 anos servindo as famílias de Porto Velho, o Recanto do Tambaqui proporciona as famílias da capital um ambiente aconchegante e com uma vista para o Rio Madeira. O local também conta com um espaço para eventos, como casamentos e aniversários.

Telefone: (69) 99964-9946 / (69) 99233-3307
Endereço: Estrada de St Antônio, 510 – Vila Candelária

Foto: Divulgação/Instagram-Recanto do Tambaqui

Porto do Sol

Gastronomia e cultura são os focos do Porto do Sol. O restaurante tem uma bela visão do Rio Madeira. O cenário fica ainda mais bonito no pôr do sol. No cardápio, o cliente encontra o melhor da culinária regional.

Endereço: Rua Dom Pedro II, 269 – Centro
Telefone: (69) 98408-8711

Foto: Reprodução/Instagram-Porto do Sol

Irmã Rosita Milesi: religiosa premiada pela ONU trabalha com refugiados em Roraima

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Foto: Marina Calderón/ACNUR

Aos 79 anos, a brasileira Rosita Milesi recebeu um dos maiores reconhecimentos internacionais de sua trajetória, principalmente pelo trabalho desenvolvido com migrantes, inclusive em Roraima. A religiosa e ativista foi laureada com o Prêmio Nansen do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados, destacando-se pelo trabalho de acolhimento e defesa dos direitos de migrantes, apátridas e refugiados. Ela é a segunda brasileira a ser premiada, seguindo os passos do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, homenageado em 1995.

Leia também: Migração na Amazônia: conheça os principais fluxos de pessoas na região

Nascida em uma pequena comunidade no Rio Grande do Sul, filha de agricultores de origem italiana, Rosita cresceu em um ambiente de fé e solidariedade. Seus pais, mesmo com poucos recursos, ofereciam comida, abrigo e apoio a quem estivesse de passagem pela região. Esse exemplo marcou profundamente a jovem, que aos 9 anos deixou a casa da família para estudar em um colégio administrado pelas Irmãs Missionárias Scalabrinianas.

A congregação, fundada no final do século 19 para apoiar migrantes italianos, viria a moldar a vocação de Rosita. Em 1964, aos 19 anos, ela ingressou na congregação, dedicando-se inicialmente ao ensino e ao trabalho administrativo. Mas sua determinação em ir além a levou a buscar uma formação jurídica, mesmo enfrentando questionamentos internos.

Foto: Marina Calderón/ACNUR

O ponto de virada na trajetória de Irmã Rosita ocorreu na década de 1980, quando as Irmãs Scalabrinianas retomaram o compromisso com migrantes e refugiados. Ela fundou, em Brasília, o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), que se tornaria uma referência no apoio a essas populações vulneráveis e que ganhou uma sede em Roraima.

Por meio do IMDH, ela passou a oferecer assistência básica (abrigo, comida e atendimento médico), mas também apoio jurídico, cursos de idiomas e iniciativas para a integração ao mercado de trabalho. Seu trabalho abrange não apenas refugiados da Venezuela, mas também migrantes de outras partes do mundo que chegam ao Brasil em busca de segurança e dignidade.

Impacto nas políticas públicas

Além da atuação direta, Irmã Rosita desempenhou um papel crucial na formulação de políticas públicas no Brasil. Foi uma das principais vozes na ampliação da definição de refugiados na Lei de Refúgio de 1997, que incorporou os princípios da Declaração de Cartagena. Mais recentemente, ela também influenciou a aprovação da Lei de Migração de 2017, garantindo maior proteção aos direitos de migrantes e refugiados no país.

“Eu sabia que qualquer lei é difícil de ser alterada depois de aprovada. Por isso, mobilizamos todas as forças possíveis para garantir que fosse a melhor lei possível”, explica. Inclusive, ela chegou a escrever para o Vaticano pedindo apoio, que se manifestou ao governo brasileiro em favor de uma definição mais ampla de refugiados.

Foto: Marina Calderón/ACNUR

Reconhecimento internacional

Por sua dedicação inabalável ao longo de 36 anos, Irmã Rosita foi reconhecida como Laureada Global do Prêmio Nansen de 2024. O prêmio simboliza sua contribuição não apenas para a acolhida, mas também para a integração e dignidade de pessoas que precisaram deixar suas casas e recomeçar em um novo país.

“Sou inspirada pela crescente necessidade de ajudar, acolher e integrar refugiados. Não tenho medo de agir, mesmo que não alcancemos tudo o que queremos. Se assumo algo, vou virar o mundo de cabeça para baixo para fazer acontecer”, disse Rosita, com a serenidade de quem vive para servir.

*Com informações da ACNUR

Falhas na assistência levam produtores paraenses de dendê a romper contratos com agroindústria

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Produção de óleo de dendê é uma importante atividade econômica na Amazônia paraense. Foto: oneVillage Initiative/Wikimedia Commons

Após falhas no suporte à produção e comercialização de dendê, produtores do Pará passaram a romper contratos com agroindústrias que prometiam suporte técnico e financeiro. É o que aponta um estudo realizado em parceria entre a Embrapa Amazônia Oriental (Embrapa), as Universidades Federais do Pará (UFPA) e de São Carlos (Ufscar), publicado no dia 14 de fevereiro na Revista de Economia e Sociologia Rural.

O trabalho revela como a quebra de expectativas influenciou a decisão de ao menos quinze agricultores familiares e sugere adaptações na assistência às particularidades da produção.

Leia também: Oportunidades e desafios da produção de dendê na Amazônia paraense

A fim de investigar as razões que levaram à ruptura, assim como as implicações para os produtores de dendê, os pesquisadores entrevistaram quinze agricultores paraenses em cinco cidades do nordeste do estado — a principal região produtora de dendê do Brasil — entre 2019 e 2021. Todos haviam deixado parcerias com a agroindústria.

A pesquisa identificou quatro razões principais para os rompimentos: econômicas, familiares, produtivas e burocráticas. 

A insuficiência de recursos para manter os plantios, em oposição à expectativa de conquistar estabilidade econômica com a dendeicultura, foi determinante para o fim da relação.

“Os motivos econômicos foram o gatilho para a maioria das rupturas analisadas, mas em 12 dos 15 casos houve a convergência de duas ou mais razões”, explica Jamilly Brito Guimarães, autora do estudo. 

A pesquisadora também destaca que os agricultores enfrentaram restrições de mão-de-obra, o que demandou contratações e elevou custos de manutenção. “O apoio prometido foi entregue de forma descontinuada; uma cadeia produtiva que chegou prometendo estabilidade e retorno econômico terminou por exigir muito mais investimento e volume de trabalho”, alerta.

Entre as dificuldades produtivas, o contraste entre a falta de colheitas e os esforços despendidos. Quatro dos 15 entrevistados não puderam responder às questões referentes à produção e comercialização por não terem efetuado nenhuma colheita durante a integração. Queimadas nas propriedades vizinhas que invadiram as plantações, a entrega de mudas doentes e o não recebimento de insumos, como adubos e parcelas do financiamento, também afetaram os resultados. “Esses recursos eram essenciais para que o itinerário técnico fosse realizado e, sem ele, o agricultor familiar precisaria dispor de capital reserva” aponta Guimarães.

Após o rompimento dos contratos, dois dos produtores encerraram os vínculos com a terra, cinco arrendaram a área de dendê, três abandonaram o plantio, três venderam e dois retomaram as atividades de forma autônoma e integrada.

“Alguns agricultores buscaram alternativas de comercialização com outras empresas de mesmo perfil, o que demonstra que o problema, em certas situações, estava relacionado com conflitos ou quebra de acordos pré-estabelecidos”, diz a pesquisadora. 

Embora políticas de incentivo tenham sido fortes em meados dos anos 2000, ela diz que é necessário ajustar tais incentivos para oferecer um suporte efetivo para as necessidades locais. “A transparência sobre as cláusulas do contrato de forma mais acessível já diminuiria possíveis ruídos no decorrer da relação”, exemplifica.

Guimarães ressalta a importância da produção de dendê em um panorama mundial, incluindo seu papel ecológico, alimentar e até mesmo na geração de agrocombustíveis. “A dendeicultura converge com a demanda da política global de soluções sustentáveis ao agravamento climático, portanto, possui muitos espaços e holofotes; na Amazônia, foi apresentado e vendido como um reflorestamento eficaz, por exemplo”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori