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Milton Cunha recebe Título de Cidadão Parintinense

Foto: Kilmer Lima/CMP

Em uma cerimônia marcada por emoção e reconhecimento, a Câmara Municipal de Parintins, no Amazonas, concedeu no dia 23 de junho o ‘Título de Cidadão Parintinense’ ao carnavalesco, cenógrafo, psicólogo, professor universitário e comentarista de carnaval Milton Cunha.

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A solenidade, de autoria da vice-presidente da Câmara, vereadora Márcia Baranda, foi realizada no plenário da Casa Legislativa e contou com a presença de diversas autoridades locais. 

Participaram do evento o presidente da Câmara, vereador Cabo Linhares, e os vereadores Azamor Pessoa, Babá Tupinambá, Fábio Cardoso, Julvan Medeiros e Marcus Cursino. O prefeito de Parintins, Mateus Assayag; o presidente do Boi Bumbá Caprichoso, Rossy Amoêdo; o presidente do Boi Bumbá Garantido, Fred Góes; e o pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), professor doutor Darlisom Ferreira, também prestigiaram a homenagem ao artista, que há décadas enaltece o Festival Folclórico de Parintins com seu talento e entusiasmo. 

Natural do Pará, Milton Cunha é reconhecido nacionalmente como uma das vozes mais emblemáticas do Carnaval brasileiro, além de ser um multiartista, pesquisador e figura carismática. Apaixonado pelo Festival de Parintins desde os anos 1970, ele já participou como comentarista oficial nas transmissões televisivas e mantém uma ligação afetiva com a cidade. 

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“Milton é muito mais do que um artista, ele é um verdadeiro embaixador do Festival Folclórico de Parintins no Brasil e no mundo. Esta homenagem é um gesto de gratidão por tudo que ele representa para a nossa história e identidade cultural”, afirmou a vereadora Márcia Baranda.   

Em nome da UEA, o professor doutor Darlisom Ferreira agradeceu à Câmara Municipal de Parintins pela propositura e classificou a homenagem como um momento histórico.

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O prefeito de Parintins, Mateus Assayag, exaltou a importância do homenageado para a cidade, para o Festival Folclórico e para o povo parintinense, agradecendo por tudo o que ele tem feito por essa terra.

“Milton Cunha realiza um trabalho maravilhoso, fantástico, não apenas por Parintins, mas pela cultura popular, pela arte, pelo talento. Milton é uma magia que encanta a todos. Além da arte e da cultura que você ajuda a divulgar diariamente, o Festival passou a ter outras dimensões com sua contribuição. Você é um formador de opinião e leva a nossa arte, o nosso povo, a nossa identidade mundo afora. Muito obrigado por tudo, e parabéns por se tornar cidadão parintinense”, declarou o prefeito. 

Confira: Milton Cunha comanda programa em parceria com a UEA no Festival de Parintins 2025

Com sua emoção contagiante, Milton Cunha compartilhou sua trajetória com Parintins, desde a primeira vez que pisou na cidade. Falou sobre a importância dos bois, do Festival Folclórico e de seu encantamento profundo por esse evento e por essa terra.

“Os bois expressam a sabedoria do nosso povo. Agradeço às autoridades, mas, acima de tudo, agradeço aos bois, que nos concedem o direito de sonhar. Crianças que dançam, que sonham, que celebram sua cultura e sua identidade no mundo. Parintins é uma cidade mais feliz. Encantado, Parintins! Encantado de ser parintintin!”, declarou o mais novo cidadão parintinense. 

Doutor em Letras e especialista em festas populares, Milton Cunha também atua como pesquisador do Festival Folclórico de Parintins, produzindo conteúdo acadêmico e artístico sobre o evento. Ele se tornou “Embaixador Cultural” de Parintins, contribuindo para levar o festival ao imaginário do Brasil urbano e midiático. 

O título entregue a Milton Cunha simboliza o reconhecimento do povo de Parintins ao seu papel fundamental na valorização e divulgação do festival, considerado um dos maiores espetáculos culturais do Brasil.

*Com informações da Câmara Municipal de Parintins

Pito Silva, o artista parintinense responsável pelo Mural do Bumbódromo em 2025

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Pito Silva é um artista parintinense que ganhou destaque no Festival Folclórico, no Amazonas. O amor pela arte (dança e artes visuais) o levou à um dos postos que começam a criar um novo objetivo para os artistas locais: ser o autor do projeto do Mural do Bumbódromo.

Saiba mais: Fachada do Bumbódromo de Parintins ganha mais cores e vida há quatro anos; conheça as pinturas

Por meio de edital em 2024, iniciativa do Governo do Amazonas, realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), o inédito convocatório selecionou o trabalho de Pito como referência para criação da marca oficial do festival.

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Pito Silva
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Pitico

Pito Silva nasceu em fevereiro de 1988 na cidade de Parintins, no Amazonas, e é graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Nasceu em uma família de artistas, iniciando sua trajetória aos dois anos.

“A minha relação com a arte vem de berço. Venho de uma família de artistas. Meu irmão mais velho é dançarino e também artista visual. Eu cresci ali, na casa da minha mãe, vendo a sala dela ser ao mesmo tempo o atelier de pintura dele como sala de ensaio com o seu grupo. Me deixei influenciar pela arte. […] Porém nunca imaginei que seria a minha profissão”, conta o artista.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Foi assim, que ele cresceu no mundo das artes, e também mostrou seu talento, sendo reconhecido como Pito Silva por onde vá. O que muitos não sabe é que Glebson Oliveira da Silva, seu nome real, escolheu como nome artístico aquele que o faz levar no coração o amor da família.

“Ele [o nome Pito] é um agrado que tenho desde criança. Minha mãe conta que não sabe exatamente de onde vem, mas era ‘pitico’. A medida que fui crescendo ficou Pito”, revela.

O artista também desenvolve ações paralelas entre a pintura e a dança, em ambos os segmentos artísticos realiza trabalhos de curadoria, palestras, oficinas e coreografias.

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Reconhecimento

Completamente conectado e imerso na cultura amazônica, Pito conta que viu no edital do Governo do estado, uma oportunidade de levar seu trabalho mais longe.

“Pra mim, participar desse edital, falo por mim, creio que no início deu uma insegurança, um frio na barriga. Foi um desafio muito grande”, confessa.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Com treinamento e segurança técnica, Pito afirma que todo o processo após ter ‘Patrimônio em festa’ – tema de seu trabalho inscrito – selecionado pelo edital, mostrou que o incentivo à arte e à cultura tem sido cada vez mais priorizado.

“O mural, assim como me projetou, abriu portas para novos lugares, vai dar oportunidade para novos talentos de Parintins”, assegura.

Pito Silva venceu o edital aberto para elaborar a identidade visual do 57º Festival de Parintins, que seguiu até a 58ª edição. Ele também assina as obras que ficam na parte de trás do Bumbódromo, na entrada do centro cultural pela avenida Paraíba, sendo o cenário para a Praça dos Bois.

A arte estampa um menino e uma menina da etnia Sateré-Mawé, e no centro, um indígena ancião, resgatando a ancestralidade dos povos originários.

Leia também: Ilha da Magia: confira 7 curiosidades sobre Parintins

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Instrumentoteca: Liceu Cláudio Santoro incentiva novos artistas da música em Parintins

A instrumentoteca fica no Liceu Cláudio Santoro. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O Centro Cultural de Parintins, mais conhecido como Bumbódromo é um local de estímulo artístico que se tornou, em pouco mais de uma década, uma ferramenta importante para incentivar novos talentos na ilha tupinambarana.

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Caprichoso e Garantido brigam na arena, mas em volta de toda a produção dos bois estão diversos artistas que passaram a contar com uma formação focada em auxiliar a profissionalização com a instalação do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, a primeira unidade mantida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, fora da capital Manaus.  

Leia também: Fábrica de talentos: centro cultural em Parintins estimula o crescimento de artistas

No bumbódromo de Parintins funciona a instrumentoteca
No bumbódromo de Parintins funciona a instrumentoteca do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro. Foto: Governo do Amazonas

Leia também: Saiba como é e o que mostra uma visita mediada pelo Bumbódromo de Parintins; vídeo

Segundo o turismólogo do Liceu em Parintins, Jair Almeida, o local, quando foi construído, “foi visualizado junto com o Centro Cultural de Parintins e, dentro do mesmo espaço, tem a escola de arte e o Centro”.

Assim, o Centro conta com salas de visita como como os Memoriais dos bois, cinema, biblioteca e ainda as salas que auxiliam o liceu, como a instrumentoteca. “É nela que os instrumentos musicais cedidos aos alunos ficam guardados”, explica Almeida, sobre a origem do termo em referência à uma “biblioteca” de instrumentos.

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Os instrumentos são fornecidos pelo Governo do estado gratuitamente para uso exclusivo dos alunos. “Os alunos não precisam ter o instrumento. Se tiverem um particular, ajuda para estudar em casa, mas o liceu fornece para as duas aulas – teórica e prática – e dois dias de sala de estudo, como um reforço”, comenta.

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Foto: acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro

Leia também: 3 cursos no Liceu de Parintins que incentivam artistas no Festival Folclórico

Assim, a instrumentoteca se transforma em um ambiente que, além de proporcionar conhecimento, incentiva novos artistas da música em Parintins.

Entre os cursos de música disponibilizados estão teclado, violão, banda musical, musicalização, flauta, teoria, entre outros.

Veja mais: Instrumentoteca é uma das ferramentas que formam e incentivam novos talentos de Parintins; FOTOS

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

3 itens que só podem ser encontrados nos Memoriais dos bois-bumbás em Parintins

Itens que só podem ser encontrados nos Memoriais dos bois. Arte: Jorel Carter

Os Memoriais dos Bois-bumbás de Parintins, Caprichoso e Garantido, foram instalados há pouco mais de uma década, quando a primeira unidade do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro fora da capital, Manaus, foi criada pelo Governo do Estado do Amazonas.

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No museu dentro do Centro Cultural, no Bumbódromo, que conta a história dos bois, muitos objetos e acervo histórico podem ser conferidos pelos visitantes. Confira alguns dos mais curiosos:

3 itens que só podem ser encontrados nos Memoriais dos bois-bumbás
3 itens que só podem ser encontrados nos Memoriais dos bois-bumbás em Parintins. Arte: Jorel Carter

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Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Leia também: Saiba quem são os itens individuais de Caprichoso e Garantido que disputam o 58º Festival de Parintins

Pito Silva: a trajetória de um artista parintinense que ganhou destaque no Festival Folclórico; Assista o vídeo

Pito é o autor do projeto do Mural do Bumbódromo. Foto: Secom/AM

Pito Silva é um artista parintinense que ganhou destaque no Festival Folclórico, no Amazonas. O amor pela arte (dança e artes visuais) o levou à um dos postos que começam a criar um novo objetivo para os artistas parintinenses: ser o autor do projeto do Mural do Bumbódromo.

Saiba mais: Fachada do Bumbódromo de Parintins ganha mais cores e vida há quatro anos; conheça as pinturas

Pito é o autor do projeto do Mural do Bumbódromo
Pito é o autor do projeto do Mural do Bumbódromo. Foto: Secom/AM

Por meio de edital em 2024, iniciativa do Governo do Amazonas, realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), o inédito convocatório selecionou o trabalho de Pito como referência para criação da marca oficial do festival.

Conheça a trajetória de Pito Silva:

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Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Instrumentoteca é uma das ferramentas que formam e incentivam novos talentos de Parintins; FOTOS

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O Centro Cultural de Parintins, mais conhecido como Bumbódromo, é um local de estímulo artístico que se tornou, em pouco mais de uma década, uma ferramenta importante para incentivar novos talentos na ilha tupinambarana.

Caprichoso e Garantido brigam na arena, mas em volta de toda a produção dos bois estão diversos artistas que passaram a contar com uma formação focada em auxiliar a profissionalização com a instalação do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, a primeira unidade mantida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, fora da capital Manaus.  

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Entre os cursos de música disponibilizados estão teclado, violão, banda musical, musicalização, flauta, teoria, entre outros.

Confira como é o espaço que ajuda a formar as novas gerações de músicos no Amazonas e também para o próprio Festival de Parintins:

Coleção de instrumentos usados nas aulas do Liceu fica guardada na Instrumentoteca. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Normalmente a sala também pode receber visitas. Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Além dos instrumentos musicais, equipamentos de audiovisual também ficam guardados no local. Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Durante o período do Festival, além de abrigar outros diversos equipamentos, o local fica fechado para as visitas. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Ladainha do Garantido: entenda como a fé se tornou tradição no São João em Parintins

Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Uma apresentação que já dura mais de oito décadas. A Ladainha (nome que se dá a uma reza cantada) do boi-bumbá Garantido, de Parintins (AM) é uma tradição se repete todos os anos, no dia de São João Batista, para cumprir a promessa feita por Lindolfo Monteverde ao santo de levar um boi para brincar na rua caso fosse curado de uma enfermidade ainda na juventude.

Leia também: Zeca Xibelão e Lindolfo Monteverde: os nomes por trás dos currais dos bois Caprichoso e Garantido

Mais do que um simples cântico, a ladainha representa a união entre religiosidade popular e resistência cultural, sendo uma manifestação que mistura fé, tradição e identidade cabocla. Sua origem remonta às raízes profundas da cultura ribeirinha amazônica e guarda vínculos estreitos com o sincretismo religioso e os rituais de devoção característicos do povo da região.

A palavra “ladainha” tem origem no termo latino “litania” e está historicamente ligada à tradição católica como um tipo de oração repetitiva, na qual se invocam santos e se pede proteção divina. Essa prática foi assimilada ao universo cultural do boi-bumbá na região amazônica durante o século XX, período em que os primeiros bois surgiam em apresentações nos quintais e nas comunidades, geralmente associadas a celebrações religiosas em homenagem a santos, com destaque para São João Batista, o mais venerado entre os santos juninos no Brasil.

Em Parintins, a fé popular sempre caminhou junto com as manifestações do boi, e a ladainha tornou-se uma parte fundamental desse ritual.

Leia também: A fé em São João que deu vida aos bois Caprichoso e Garantido em Parintins

No contexto do Boi Garantido, a tradição da ladainha teve início com Lindolfo Monteverde, fundador do boi vermelho e branco. Homem humilde e profundamente religioso, especialmente devoto de São João, Lindolfo costumava abrir as apresentações de seu boi com orações e cantos de caráter litúrgico, buscando proteção espiritual para o espetáculo e agradecendo pelas bênçãos recebidas, como a saúde dos brincantes e o êxito das celebrações.

Com o passar do tempo, esse momento passou a ser conhecido como a “Ladainha do Garantido” e foi consolidado como um dos marcos simbólicos do início oficial das apresentações do boi, como se lembra a filha de Lindolfo Monteverde, Maria Monteverde:

“A malária era uma doença que matava muitas crianças em Parintins, então quando meu pai adoeceu, minha avó falou para que ele se apegasse a algum santo. E ele escolheu São João Batista para se apegar e como três dias já se viu melhoras nele”.

A ladainha é entoada tradicionalmente nos ensaios gerais e no início das apresentações no Festival Folclórico de Parintins. Ela representa um momento de recolhimento e respeito, em que os brincantes, torcedores e a galera vermelha e branca se unem em oração. Mas no dia 24 de junho, dia de São João, os torcedores do Boi Garantido se reúnem no curral do Garantido, na Rua Lindolfo Monteverde, em Parintins, e de lá seguem por diversas ruas da cidade.

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Recepção na ladainha do Garantido

Para saber para onde o boi deve seguir, pessoas enfeitam suas casas e acendem fogueiras. Esses são os sinais para que o Tripa que comanda o Boi Garantido durante a Ladainha saiba onde deve ir.

O conteúdo da ladainha pode variar de uma edição para outra, mas, em geral, inclui invocações a São João e a outros santos populares, com súplicas por iluminação, proteção e coragem para enfrentar a disputa cultural que está por vir. Frequentemente, os versos também expressam gratidão por conquistas anteriores e formulam desejos de sucesso nas batalhas futuras, tanto no plano simbólico quanto no concreto.

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A ladainha é vista como um dos momentos mais aguardados pelos torcedores do bumbá vermelho e branco. Apesar da evolução do festival e do uso crescente de tecnologias cênicas avançadas, essa tradição se mantém viva como um símbolo de fé e pertencimento. É nessa hora que o Garantido reafirma suas raízes, fincadas na Baixa do São José e nos corações de todos os que amam o boi do coração na testa.

Trata-se de um gesto de resistência cultural, uma conexão com o sagrado e uma homenagem ao legado de Lindolfo Monteverde, nascida da religiosidade de um povo humilde e que traduz a essência de uma tradição que atravessa o tempo.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia.

Fóssil de tartaruga gigante que viveu na Amazônia há 13 milhões de anos é encontrado no Acre

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Equipe formada por pesquisadores do Acre e de São Paulo atuam na expedição que encontrou o fóssil. Foto: Divulgação/Laboratório de Paleontologia da Ufac

Um grupo de pesquisadores do Acre e de São Paulo pode ter dado um importante passo na busca por registros de tartarugas gigantes que viveram na Amazônia há milhões de anos. Durante escavação às margens do Rio Acre, no interior do estado, a equipe achou um fóssil de uma tartaruga que viveu na Amazônia há cerca de 13 milhões de anos.

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O fóssil é um Stupendemys geographicus, um tipo de tartaruga que viveu no período Mioceno, época geológica que se estendeu de aproximadamente 23 milhões a 5,3 milhões de anos atrás. A equipe faz parte da Iniciativa Amazônia+10.

Os pesquisadores acreditam que a espécie tenha vivido entre 13 e 7 milhões de anos atrás na região onde hoje é o norte da América do Sul, na Amazônia.

A equipe está na localidade desde a última terça-feira (17) e tenta trazer o fóssil para a Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, capital acreana.

A região onde o fóssil foi encontrado é conhecida como Boca dos Patos, na cidade de Assis Brasil, que fica na Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre, na divisa do estado acreano com o Peru.

Fóssil ficará no laboratório de paleontologia da Ufac para estudos. Foto: Edson Guilherme/Acervo pessoal

Com o nível do rio abaixo dos três metros nesta época, o percurso da área urbana até o local dura em média 5h, feito por barco e de carro. O fóssil já foi retirado da área de escavação e levado para um acampamento montado na região.

As equipes tentaram fazer o transporte em uma caminhonete, durante o último fim de semana, contudo, por conta do tamanho e peso, não possível e aguardam um caminhão da universidade ir até a localidade buscar o fóssil e trazer para a capital.

Ao Grupo Rede Amazônica, o professor de biologia da Ufac e coordenador do grupo, Carlos D’Apolito Júnior, falou da importância do achado.

“Nunca foi visto [um fóssil] assim tão grande, tão bem preservado, então, é um fóssil muito importante para entender a paleontologia da região aqui, os animais que viveram no passado”, disse.

O coordenador destacou que ainda não mediu e nem pesou o fóssil. “É uma tartaruga, a maior tartaruga de água doce que já existiu, não temos o tamanho exato dela ainda, mas na literatura, essa espécie chegava a mais de 3 metros de comprimento”, explicou o professor.

Achado em 2020

Em 2020, pesquisadores encontraram, no deserto de Tatacoa, na Colômbia, e na região de Urumaco, na Venezuela, um casco de 3 metros de comprimento e um osso da mandíbula inferior, que deu a eles mais pistas sobre a alimentação do animal.

Os primeiros fósseis da espécie foram descobertos na década de 1970. O professor, paleontólogo e membro do laboratório de paleontologia da Ufac, Edson Guilherme, relatou que o fóssil ficará no laboratório da universidade para estudos.

“Só existe uma carapaça completa dela descoberta na Venezuela, a outra descobrimos nesta expedição. Infelizmente, só estava a metade da carapaça. Com o que temos do fóssil será possível estimar o tamanho do animal após os estudos no laboratório”, complementou.

Leia também: Há 18 milhões de anos, megapantanal na Amazônia abrigava animais gigantescos

Pesquisa

A pesquisa é feita dentro do projeto “Novas fronteiras no registro fossilífero da Amazônia Sul-ocidental” financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (Fapac) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O objetivo do projeto é fazer expedições em rios menos explorados e conhecidos, na região sul-ocidental amazônica, em localidades mais remotas, sobretudo no Acre, para prospecção e coleta sistemáticas de fósseis

A escavação na região é feita pelos pesquisadores Carlos D’Apolito, Ighor Mendes, Adriana Kloster, Francisco Ricardo Negri e Edson Guilherme, da Universidade Federal do Acre (Ufac); e Karina Alencar, Edson Jorge Pazini, Gabriel Barbosa, Annie S. Hsiou e Alessandro Batezzeli, da USP de Ribeirão Preto e Unicamp, respectivamente.

*Por Taiane Lima, da Rede Amazônica AC

Indígenas do Amapá participam de assembleia sobre ações emergenciais para segurança alimentar

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Assembleia com indígenas das aldeias Wajãpi no Amapá e representantes do governo do Amapá. Foto: Divulgação/GEA

Uma reunião entre indígenas do Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina) e representantes do governo do Amapá foi realizada no dia 23 de junho para discutir ações emergenciais e políticas públicas para a segurança alimentar, além de assistência técnica nas aldeias.

Durante a reunião, foi anunciado o início da emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), realizado pelo Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap), além da entrega de 600 sacas de farinha e tapioca como forma de diminuir os impactos da praga da mandioca na região.

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Outra ação importante que foi divulgada durante a reunião, foi a apresentação da Política de Assistência Técnica e Extensão Rural Indígena (ATER Indígena), executada pelo Rurap, que conta com a atuação de cinco Agentes Socioambientais Indígenas (ASAs), capacitados e contratados pelo Governo do Estado para atuar diretamente no enfrentamento à crise nas aldeias. Esses agentes receberam certificados de capacitação durante o evento.

Um caminhão que vai ajudar na logística de comercialização da produção extrativista dos Wajãpi, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Indígena), foi anunciado como nova aquisição.

‘Mel’ e ‘Açaí’: nomes foram escolhidos para filhotes de peixe-boi-da-Amazônia

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Campanha escolheu nomes para os filhotes de peixe-boi-da-Amazônia. Foto: Anselmo Affonseca/Arquivo pessoal

Dois filhotes de peixe-boi-da-Amazônia, espécie símbolo e ameaçada da região, ganharam os nomes ‘Mel’ e ‘Açaí’ após votação on-line realizada com o público. Com 48% dos votos, os nomes escolhidos fazem referência a alimentos tradicionais da Amazônia.

A ação teve como objetivo envolver a sociedade na preservação da biodiversidade amazônica e dar visibilidade ao trabalho de conservação da espécie.

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Os filhotes nasceram no Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos e Quelônios Aquáticos (CPPMQA), localizado próximo à Usina Hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas. O centro está em atividade desde 1985 e é responsável pela reabilitação e monitoramento de peixes-bois e outras espécies ameaçadas da região.

Leia também: Filhote de peixe-boi nasce em centro de preservação no Amazonas após 5 anos sem registros

A votação ocorreu por meio de um perfil no Instagram (@eletrobrasoficial), onde o público podia escolher entre três duplas de nomes: Morena e Carabá; Amana e Porã; e Mel e Açaí, sendo esta última a mais votada.

Centro de Preservação e Pesquisa

Mantido pela Eletrobras, o CPPMQA faz parte de um programa de conservação ambiental que, em 2024, contou com investimentos de R$ 269 milhões em projetos de proteção a 92 espécies ameaçadas em todo o país.

Atualmente, 46 peixes-bois vivem no CPPMQA, que em 2024 reintroduziu cinco animais na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, em parceria com a Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA). O trabalho é fundamental para a sobrevivência da espécie, que é considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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