Manaus, a capital do Estado do Amazonas, é conhecida tanto por seus atrativos turísticos quando por sua rica diversidade cultural. É nesse ambiente diverso que muitas “misturas” acontecem, gerando inclusive festivais que são a cara da região.
Entre as festividades que revelam essa identidade única, destaca-se o Carnaboi, uma festa popular que mescla a alegria do Carnaval com o ritmo típico do Festival Folclórico de Parintins:
Carnaval Amazônico
O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.
O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.
Imagem: Leonardo Rocha/UFPA e Hilton Tulio Costi/MPE
A coroa na imagem apareceu quando o biólogo Leonardo Rocha examinava, ao microscópio eletrônico de varredura, uma amostra de água dos arredores da ilha de Cotijuba, na Região Metropolitana de Belém (PA).
Foi o primeiro registro dessa diatomácea Polymyxus coronalis, um tipo de microalga com largura de cerca de 60 micrômetros, usando a tecnologia. A espécie é típica da baía do Guajará e funciona como indicador de qualidade ambiental.
Para as biólogas Ana Paula Linhares e Pryscilla Almeida, orientadoras do estudo, é um argumento a favor da candidatura da região como Área de Proteção Ambiental. O registro foi premiado em dezembro de 2024, no I Encontro Brasileiro de Diatomologia.
Faltam poucas horas para um dos maiores eventos culturais de Manaus: o Carnaboi. A festa que encerra o período carnavalesco e inicia a temporada bovina, como uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital amazonense. A entrada é gratuita.
O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.
O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.
O Carnaboi, parte do projeto Carnaval Amazônico, une a temporada carnavalesca com a temporada bovina no Amazonas. Após o sucesso em 2024, a segunda edição conta com a transmissão ao vivo do Grupo Rede Amazônica.
Este ano, a festividade acontece nos dias 7 (sexta-feira) e 8 (sábado) de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus. A entrada para o Carnaboi é gratuita. Mas para quem não conseguir comparecer, a festa pode ser acompanhada em transmissões ao vivo.
“O Carnaval Amazônico 2025 é um projeto da Fundação Rede Amazônica que resgata a tradição e a história dos blocos, bandas de Carnaval e do Carnaboi em Manaus e em Parintins, promovendo cultura, sustentabilidade e ações sociais”, informa a equipe da Fundação Rede Amazônica (FRAM), realizadora do projeto.
De acordo com o coordenador de conteúdo e programação do canal Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, a transmissão do canal temático vai apresentar para os telespectadores a prévia da festa, com bastidores e mostra dos projetos ligados ao Carnaval Amazônico, além da festa.
“Temos como missão transmitir uma das festas mais populares do Brasil de uma forma alegre e leve, representando o Carnaval Amazônico e como o Amazonas é, dentro da nossa programação”, afirmou o coordenador.
Onde assistir
A transmissão no Amazon Sat e também no Portal Amazônia, começa a partir das 20h na primeira noite de evento (hora de Manaus), com o programa especial do Carnaval Amazônico e segue para o Carnaboi. Já no segundo dia, a programação começa a partir das 21h. Saiba onde assistir AQUI.
A transmissão da Rede Amazônica, no g1 Amazonas e CBN Amazônia começa a partir das 22h15 no dia 7 e a partir das 23h40 no dia 8. A transmissão acontece logo após a exibição do reality ‘Big Brother Brasil (BBB)’, da Rede Globo, na sexta, e no sábado após o Altas Horas.
A Rede Amazônica também preparou uma cobertura especial para os telespectadores que estão fora da região. A transmissão será feita ao vivo também para os estados do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. Além disso, haverá ampla cobertura através de suas plataformas digitais e GloboPlay, ampliando o alcance e a visibilidade do evento.
O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.
O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.
Usina de Belo Monte. Foto: Divulgação/Norte Energia
O Ministério Público Federal (MPF) pediu, no dia 27 de fevereiro, a suspensão imediata de decisão da Justiça Federal favorável à empresa Norte Energia (Nesa), dona da hidrelétrica de Belo Monte (PA), em processo em que a empresa requer autorização para reduzir drasticamente o fluxo de água liberada para o curso natural do rio Xingu.
O fluxo de água foi aumentado após a vazão da usina hidrelétrica ter sido reduzida, em 22 de janeiro, devido à queda de cinco torres de transmissão de energia. A redução da vazão ocasionou inundação inesperada, dando origem a centenas de berçários com ovas de milhares de peixes. Caso a decisão judicial seja mantida, a reprodução dos peixes será afetada, assim como o sustento de indígenas e comunidades tradicionais da área.
Para o MPF, há uma contradição na decisão, que afirma querer manter a integridade do meio ambiente ao mesmo tempo em que autoriza a redução do fluxo de água pela hidrelétrica. Além disso, a Justiça invalidou a determinação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), emitida em 14 de fevereiro, para que a Nesa mantivesse os níveis altos de fluxo de água até o final do período de defeso, que se encerra em 15 de março, o que garantiria a reprodução dos peixes.
A decisão considerou que o Ibama teria tentado fazer uma revisão do hidrograma, o plano que define o quanto de água vai para a usina e o quanto sobra para o Trecho de Vazão Reduzida (TVR) da Volta Grande do Xingu. Entretanto, a vazão não foi reduzida e segue aumentando até hoje, de forma que, no último dia 23, a Nesa emitiu comunicado informando que o nível do rio subiria aos poucos e diariamente pelas próximas duas semanas, relata o MPF no recurso.
O MPF também destaca que, tendo em vista que o aumento da vazão foi causado por um fato inesperado, a decisão do Ibama, de determinar a manutenção dos níveis da vazão para o Xingu, foi uma medida excepcional, não prevista na outorga.
“A medida de precaução adotada pelo Ibama manifesta exercício de seu regular poder de política ambiental, enquanto licenciador, e teve como único objetivo evitar grave dano socioambiental, o que virá a se consumar caso a Nesa retome as vazões previstas no hidrograma de Belo Monte”, alerta o MPF.
A Nesa entrou na Justiça, em 17 de fevereiro, com pedido de suspensão da determinação do Ibama. Dois dias depois, a Justiça Federal concedeu à empresa uma decisão favorável, que agora está sendo contestada pelo MPF. “No presente momento, a única forma de garantir a proteção ao meio ambiente, em total consonância com o princípio da precaução – como propõe a decisão judicial – é reconhecer o fato atual, determinando a manutenção da vazão do TVR, mantendo-se os efeitos do ato administrativo do Ibama”, frisam os membros do MPF no recurso.
Vida ou morte
Em sua manifestação à Justiça Federal, o MPF cita nota técnica em que especialistas aprofundam a análise acerca do risco de dano ambiental a ecossistema já fragilizado e analisam os argumentos econômico-energéticos da Nesa.
A nota ressalta que a vazão extra deste ano no rio Xingu já possibilitou o alagamento de áreas importantes para a reprodução dos peixes, que são chamadas de piracemas, e que uma redução abrupta, neste momento, comprometeria o desenvolvimento de ovas e embriões, com efeitos nocivos para a fauna, a pesca e a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas e indígenas da Volta Grande.
Sobre as alegações da Nesa de que a manutenção de maior vazão para a TVR significaria a necessidade de acionamento de termelétricas, as pesquisadoras e pesquisadores lembram que o Sistema Interligado Nacional (SIN) tem outras opções de fontes e que cabe ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidir qual será usada, e não à Nesa.
E, mesmo que fosse necessário o acionamento de termelétrica, os dados sobre emissões de gases de efeito estufa, apresentados pela empresa, correspondem a apenas 0,2% das emissões brasileiras anuais. Isso não justifica as perdas dos ecossistemas aquáticos, que podem ser evitadas pela alteração excepcional no hidrograma, com duração de apenas dois meses e meio, observam os autores do estudo.
“Corroboramos a preocupação do órgão ambiental com o impacto imensurável que a descida abrupta do nível da água e o rebaixamento do nível pode continuar causando nas áreas de reprodução da ictiofauna na região da Volta Grande, e que podem gerar reflexos negativos de médio prazo (nos próximos três anos ou mais) na pesca e na segurança e soberania alimentar das populações tradicionais da Volta Grande do Xingu”, concluem especialistas da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), do MPF e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Faltam poucas horas para um dos maiores eventos culturais de Manaus: o Carnaboi. A festa que encerra o período carnavalesco e inicia a temporada bovina, como uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital amazonense. A entrada é gratuita.
Nesta quinta-feira (6), durante o ensaio técnico, foi realizada a passagem de som, testes e toques finais para certificar que o evento aconteça com segurança e muitas surpresas para o público, conduzidas pelos bois-bumbás Caprichoso e Garantido.
O especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica (FRAM), Matheus Aquino, conta que a preparação envolve várias pessoas tanto para deixar o local seguro e confortável, quanto para assegurar que os espetáculos tornem as duas noites mais uma referência cultural manauara.
“Esse ano, inclusive, temos um diferencial. Vamos ter uma ativação em que as pessoas vão poder aprender temáticas ambientais através de jogos com direito à brindes”, revelou.
Foto: Diego Oliveira/Portal AmazôniaFoto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
O diretor de eventos do Movimento Amigos do Garantido (MAG), Rivaldo Pereira, conta que o evento é um pós-Carnaval cujo legado é levar o ritmo da Amazônia para mundo. “Isso traz para nós a valorização do ritmo do boi-bumbá, do samba e engrandece, sem dúvida nenhuma, a valorização do artista, do dançarino, da torcida. O Carnaboi é muito especial porque é o envolver de tudo isso”, afirma.
Segundo o diretor de eventos do Boi Caprichoso, Carlos Kaita, uma “estrutura gigantesca” foi preparada para levar a alegria dos bois parintinenses ao público em Manaus. “Vai ser um grande espetáculo. Uma diversidade muito grande”, destaca, lembrando que além dos itens oficiais dos bois, outros artistas também participam do evento.
Por falar em atrações, quem já estava no aquecimento para a grande festa era o cantor David Assayag, levantador de toadas do boi Garantido. “Estou desde o princípio dos eventos do Carnaboi, desde a primeira edição, e a gente vem trazendo essa festa que é uma tradição do boi-bumbá em Manaus. Participar é sempre maravilhoso porque a gente divulga a nossa festa, traz visitantes para o estado, a economia aquece, então é muito importante a gente participar e trazer esse povo pra brincar de boi-bumbá com a gente aqui”, destacou.
Do “contrário”, estava também no ensaio Prince do Boi, Amo do Boi Caprichoso. “O Carnaboi é uma alegria para a cidade de Manaus, para os artistas, para a nossa música, para o nosso ritmo. Isso dá uma força muito grande, ainda mais abrindo a temporada. O Carnaboi vem com tudo, com uma grande festa para dar o ponta-pé inicial da temporada bovina”, assegura.
O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.
O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.
Quem disse que Carnaval é movido apenas a samba e marchinhas? Em Manaus (AM), além dos desfiles das escolas de samba e dos blocos carnavalescos, outro evento se destaca na celebração momesca: o Carnaboi. No Amazonas, a festa de toadas se tornou uma tradição que une o ritmo do boi-bumbá ao espírito carnavalesco.
Com 29 anos de atuação no cenário cultural, o produtor artístico e cultural Rivaldo Pereira tem participação ativa no Carnaval de Manaus. Além disso, ele é diretor de eventos do Boi Garantido na capital e do Movimento Amigos do Garantido (MAG). Para ele, o Carnaval brasileiro é plural e importante para a valorização de todas as manifestações culturais.
“O Carnaboi em Manaus e também na Ilha de Parintins prova que a diversidade cultural é essencial para nós. O ritmo do boi-bumbá se mistura perfeitamente com a festa de Carnaval. O importante é termos consciência de que isso faz parte da nossa identidade”, afirmou.
Divisão dos bois
O Festival Folclórico de Parintins é um dos mais tradicionais do país. Também recebeu herança nordestina, do bumba-meu-boi, uma manifestação cultural conhecida no Estado do Maranhão que surgiu na região Nordeste no século XVIII e se tornou popular durante as festividades juninas.
O Festival, realizado na “ilha da magia”, o município de Parintins, no Amazonas, é tão grande que a cidade é literalmente dividida pelas cores dos bois: azul e vermelho. Mas o encantamento excede fronteiras e, em Manaus, os bois também são tradição. O Carnaboi é um dos exemplos.
Do lado vermelho
Foto: Marcely Gomes/SEC-AM
Durante anos, o evento foi realizado no Sambódromo de Manaus, onde cantores e itens oficiais dos bumbás Caprichoso e Garantido se apresentavam em trios elétricos. Esse formato ainda se mantém no Boi Manaus, festa que celebra o aniversário da cidade. No entanto, mudanças foram necessárias ao longo do tempo.
Rivaldo explicou que o Carnaboi sempre funcionou como um “esquenta” para o Carnaval e que nunca concorreu com os desfiles das escolas de samba. “Com o tempo, tivemos que adaptar a festa para outro local, no caso, o Studio 5. A mudança ocorreu devido ao período chuvoso da região amazônica. No Sambódromo, as pessoas ficavam à mercê do clima e não conseguiam se divertir plenamente”, destacou.
Para a edição de 2025, Rivaldo acredita que o público será tomado pela emoção. O Boi Garantido promete uma apresentação que une nostalgia e tradição. “Espero que os torcedores do Garantido aproveitem cada momento do evento. Nossos itens estão se preparando para levar ao Carnaboi a mesma qualidade artística do Festival de Parintins”, revelou.
Do lado azul
Não existe Garantido sem Caprichoso e vice-versa. Edwan Oliveira, membro do Conselho de Arte e Diretor de Arena do Caprichoso, também acredita que o Carnaboi valoriza a cultura regional. “A gente sabe que é uma festa muito importante para a cultura, que acabou se tornando essencial no calendário carnavalesco de Manaus”, disse.
Embora o Carnaboi não faça parte do calendário oficial do bumbá Caprichoso, Edwan explica que o evento funciona como um pré-ensaio para a temporada bovina, que culmina em junho com o Festival Folclórico de Parintins.
“Após o carnaval, iniciamos a abertura dos currais (ensaios técnicos do Caprichoso) e, dessa forma, damos o pontapé inicial na temporada de 2025”, contou.
Para Edwan, os bumbás de Parintins já se tornaram ícones da cultura amazonense. Além do Carnaboi, Caprichoso e Garantido também são personagens essenciais do Boi Manaus. Os bois azul e vermelho se destacam em eventos de alcance nacional e internacional.
“Há muitos anos, os bois já viajam para participar de eventos, tanto no Brasil quanto no exterior. Isso é o resultado de tudo o que acontece ao longo do ano para que o festival cresça a cada edição e traga mais visitantes para Parintins. O Caprichoso, por exemplo, participa de diversos eventos e sabe da importância disso para a cultura local”, explicou.
Os bonecos
Os bonecos dos bois Caprichoso e Garantido são estrelas do espetáculo durante as três noites de Festival. E é do tripa, nome dado ao homem responsável pelo movimento do boi durante a apresentação no bumbódromo, a missão de colocar em movimento a magia dessa festa.
Eles são o item 10 no Festival, julgados por sua evolução e encenação, leveza, coreografia e movimentos de um boi real.
Foto: Marcely Gomes/SEC-AM
Os homens que trazem vida a esse item tão querido pelas galeras são Alexandre Azevedo, tripa do boi Caprichoso, e Batista Silva, tripa do boi Garantindo.
Do lado azul, o boi é feito de materiais como isopor, esponja, fibra de vidro e veludo. Além disso, um dos efeitos especiais é soltar fumaça pelo nariz por meio de um sistema com tubos. Do lado vermelho, além de fibra de vidro e espoja, um detalhe simples faz diferença na confecção do rabo do item: a juta.
E você imagina quando pesa cada boi? Entre 13 a 15 kg cada, sendo carregados por cerca de 2 horas e 30 minutos em cada dia do festival.
E não são apenas os bumbás de Parintins que brilham no Carnaboi. O evento também abre espaço para os bois de Manaus, como o Boi Corre Campo, Boi Clamor de um Povo, Boi Brilhante, Boi Galante, Boi Tira Prosa e Boi Garanhão.
Confira a série completa. Clique no banner:
Carnaval Amazônico
O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.
O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.
Kennedy Prata, campeão no Carnaval do Rio com a Beija-Flor. Foto: Michel Amazonas
Os talentos formados pela Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale, do Boi Caprichoso, estão conquistando cada vez mais espaço nos grandes carnavais do Brasil. Com um legado de criatividade e dedicação, esses artistas transcendem os limites de Parintins e se tornam referências em grandes escolas de samba do Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais.
Kennedy Prata: de Parintins ao título no Rio de Janeiro na Beija Flor
Kennedy Prata, que iniciou sua trajetória na escolinha de arte do Caprichoso, acumula 21 anos de dedicação ao Boi Negro da Amazônia. Referência na estética do boi azul e branco, ele também deixou sua marca no Carnaval carioca, passando por escolas como Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense, Unidos da Tijuca e Beija-Flor de Nilópolis. Trabalhando há 18 anos na Beija-Flor, Kennedy foi campeão neste ano, em homenagem ao icônico carnavalesco Laíla de quem também era amigo pessoal.
“Hoje é um dia muito especial para mim. Fico feliz porque Laíla foi um dos primeiros a me dar oportunidade na escola. Tive a honra de conquistar quatro títulos ao lado dele e, agora, homenageá-lo com esse desfile vencedor é uma emoção única”, celebra Kennedy.
O artista destaca a importância da Escola de Arte na formação de profissionais talentosos. “A vitrine que é o Caprichoso abriu portas para que eu e outros colegas pudéssemos brilhar no Rio e carregar o nome da nossa cidade com orgulho”, reforça.
Foto: Divulgação
Euler Alfaia: campeão com a Rosas de Ouro no Carnaval de São Paulo
Euler Alfaia, campeão em São Paulo com a Rosas de Ouro Foto: Michel Amazonas
O artista Euler Alfaia começou no Mini Caprichoso, passando pelo QG do Boi Caprichoso, até ser convidado a integrar o Carnaval de São Paulo. Trabalhou por cinco anos na Mocidade Alegre, depois na X-9 Paulistana e, desde 2018, está na Rosas de Ouro. Em 2024, ajudou a escola a conquistar o título com um desfile grandioso.
“Comecei na infância, brincando no Mini Caprichoso, e hoje tenho orgulho de ser parte da construção do Carnaval paulistano. A função que exerço aqui abrange desde a confecção dos carros até a finalização dos detalhes”, explica. Euler, que leva uma equipe de Parintins para trabalhar durante a temporada carnavalesca.
O artista também destaca a influência de Márcio Gonçalves e Emerson Brasil em sua trajetória. “Foi no Galpão do Caprichoso que Márcio Gonçalves me deu a primeira oportunidade. Depois, com Emerson Brasil, aprendi muito sobre alegorias e fui crescendo no meio. Eles foram fundamentais para que eu pudesse me destacar no Carnaval de São Paulo”, afirmou o artista. Hoje Euler compõe a equipe de Kennedy Prata, no Boi Caprichoso.
Euler Alfaia e equipe. Foto: Divulgação
Alex Salvador: reconhecimento no Prêmio Plumas e Paetês
Escultor e artesão da Imperatriz Leopoldinense, Alex Salvador foi vencedor no renomado Prêmio Plumas e Paetês, que celebra os profissionais que atuam nos bastidores do Carnaval. Criado na Escola de Arte, ele tem uma trajetória de 15 anos no Galpão do Boi Caprichoso e passou por escolas como Portela, Mocidade, Grande Rio, Beija-Flor, Tijuca e Vila Isabel.
“Quero agradecer pelo reconhecimento dos profissionais do Carnaval. Ninguém faz nada sozinho, e minha equipe foi fundamental para essa conquista”, declarou Alex.
Alex Salvador, vencedor do prêmio Plumas e Paetês. Foto: Michel Amazonas
Conselheiros de Arte do Caprichoso campeões no Carnaval de Manaus
O talento Caprichoso também esteve presente no Carnaval de Manaus. A campeã Reino Unido da Liberdade contou com a expertise de conselheiros de arte, como o carnavalesco Adan Silva, o diretor cênico Márcio Braz e Rainer Canto, contribuindo na concepção e desenhos para um desfile memorável.
Adan Silva, Márcio Braz e Rainer Canto, campeões em Manaus pela Reino Unido da Liberdade. Foto: Divulgação
Parintinenses brilham no Carnaval de Santos
No Carnaval de Santos, as escolas X-9, União Imperial e Unidos dos Morros empataram, e no critério de desempate, a X-9 sagrou-se campeã. A União Imperial contou com o talento do artista Leonam Pimentel, enquanto a Unidos dos Morros teve a contribuição de Preto Pimentel, ambos oriundos da tradição artística de Parintins.
Outros artistas parintinenses também se destacam no cenário carnavalesco, como Jucelino Ribeiro, Márcio Gonçalves, Nildo Costa (Naruna), Rayner Pereira, Braz Lira, Marlúcio Pereira, Eddy Dude e Nei Meireles, reforçando a presença e a influência dos talentos de Parintins no Carnaval brasileiro.
O reconhecimento dos artistas formados pelo Boi Caprichoso e por Parintins no cenário carnavalesco nacional mostra a força da cultura amazônica. Mais do que criar espetáculos visuais, esses profissionais levam a essência do festival parintinense para os grandes palcos do Brasil, consolidando o talento da região como referência em arte e inovação.
Natureza exuberante com cachoeiras, rios, lagos, morros, montanhas rochosas, lhamas e toda a imponência da Cordilheira dos Andes. Não à toa, o Peru é um dos destinos mais buscados pelos acreanos para passar férias ou a virada de ano.
Somado a toda beleza e riqueza cultural, o Peru fica aqui do lado, fazendo fronteira com o Brasil na cidade acreana de Assis Brasil.
Dados repassados ao Grupo Rede Amazônica, indicam que o posto de controle da Polícia Federal (PF) na fronteira de Assis Brasil registrou, entre 2024 e o início de 2025, mais de 117,1 mil atendimentos relativos à entrada e saída de turistas.
Desses, 60.615 correspondem à entrada no Brasil e 56.438 à saída. Entre os viajantes, destacam-se 45.184 brasileiros, 34.283 peruanos, 25.761 bolivianos e 5.958 venezuelanos, além de outras nacionalidades.
Para quem pensa em fazer essa viagem pela estrada do Pacífico, ou rodovia Interoceânica, como é conhecida, é importante se planejar para não passar perrengue.
O Grupo Rede Amazônica pegou a estrada e percorreu os mais de 1 mil quilômetros de Rio Branco até Cusco, antiga capital do império Inca, e preparou um guia com os pontos mais importantes.
Antes de mais nada, é preciso passar pelo controle de fronteira dos dois países: informar a saída do Brasil no posto da Polícia Federal em Assis Brasil e a entrada no Peru, no posto de imigração de Iñapari. (Fique atento: a falta de registro migratório no Peru pode resultar em multa altíssima).
Para quem vai de carro, o governo peruano exige a contratação do Seguro Obrigatório contra Acidentes de Trânsito (Soat). Ele pode ser contratado em um ponto de venda ao lado da Superintendência Nacional de Administração Tributária (Sunat), que fica na mesma rua do posto de imigração, na fronteira, e o custo depende do modelo do carro.
Outros documentos necessários:
Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV) impresso.
CNH dentro da validade.
Se o proprietário do carro não estiver presente, é preciso uma procuração autenticada em cartório, autorizando outra pessoa a conduzir o veículo.
Para todos:
RG com validade de até dez anos ou passaporte dentro do prazo de validade.
O novo RG (que agora leva o número do CPF) é aceito para entrar no Peru, mas é possível que na imigração solicitem o documento antigo para provar a entrada anterior no país. (Fique esperto!).
Vacinas: não é exigido comprovante de nenhuma vacina para entrar no Peru.
Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC
Seguro Viagem
Não é obrigatório, mas pode ser importante para garantir assistência médica em outro país. A maioria cobre despesas médicas, hospitalares, odontológicas, morte acidental, cancelamento de viagem e outros imprevistos. Eles custam em torno de R$ 150 por pessoa.
Casas de câmbio
Na fronteira em Iñapari também é possível fazer a conversão do real para o novo sol peruano ou para o dólar. Há várias casas de câmbio ao longo da rua. O uso do dinheiro físico pode ser necessário em várias situações.
Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC
Do Acre para Cusco
É importante sair cedo de Rio Branco até a cidade de Assis Brasil, pela BR-317. Esse trajeto tem duração de cerca de quatro horas (a estrada do lado brasileiro tem trechos com buracos e mal conservados). De Assis Brasil até Puerto Maldonado, capital do departamento Madre de Dios, são mais quatro horas de viagem. Do lado peruano, a estrada tem ótimas condições e boa sinalização.
Como a viagem até a cidade de Cusco é longa e cansativa, o ideal é fazer o trajeto em dois dias, pernoitando em Porto Maldonado. A viagem de Porto Maldonado até Cusco (469 km) tem duração média de dez horas.
Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC
O tempo vai mudando drasticamente na estrada, saindo do forte calor de quase 40ºC para temperaturas de até 4ºC, dependendo da época do ano. Por isso, é importante levar roupas leves, casacos e meias para trocar no carro.
Um dos momentos mais emocionantes da viagem pela estrada é chegar ao Pico Abra Pirhuayani, que fica a 4725 metros de altitude, e é o ponto máximo da Cordilheira dos Andes. Com sorte, é possível pegar neve na pista em janeiro. Os meses mais frios do ano no Peru são julho e agosto.
Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC
Mal de altitude e perigos na estrada
Após a cidade peruana de Mazuco, a paisagem começa a se transformar e a estrada vai ficando íngreme, sinuosa e estreita, com muitas curvas fechadas. Por isso, é fundamental que o carro esteja com a revisão em dia, pneus em boas condições e o condutor descansado.
Na subida, é comum que os viajantes sintam o ‘mal de altitude’, com náuseas, tontura, dor de cabeça e até falta de ar. Para aliviar os sintomas, é possível encontrar medicamentos para o desconforto em farmácias peruanas e oxigênio, em caso de necessidade. Os mais experientes indicam também beber o chá de coca ou mascar a folha, facilmente encontrada em mercados locais peruanos.
Na estrada é preciso ficar atento ainda aos riscos de deslizamento de pedras, o que pode obrigar uma parada inesperada para a limpeza da estrada. Além disso, há a possibilidade de animais, como cães, bois e ovelhas, atravessarem a via.
Próximo à Cordilheira dos Andes, uma densa neblina pode cobrir a estrada, comprometendo a visibilidade e exigindo ainda mais cautela.
Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC
Pedágios
Há três pedágios ao longo da rodovia. O primeiro entre Iñapari e Porto Maldonado, outro após Porto Maldonado – que cobram em média 8,80 soles cada – e o terceiro após Mazuco, sem cobrança.
Dirigir em Cusco? Melhor não!
Dirigir pelas ruas de Cusco pode ser uma verdadeira aventura. O trânsito é perigoso e caótico, as ruas são estreitas e os condutores peruanos buzinam sem parar. Além disso, quase não há locais para estacionar nas ruas.
Para não passar por esse transtorno, o recomendável é reservar uma hospedagem perto da Plaza de Armas e caminhar pelas belas ‘calles’ de Cusco ou pegar um carro por aplicativo ou mesmo um táxi. Os valores para pequenas distâncias custam em torno de 7 a 12 soles.
Em Cusco, também não é fácil encontrar hospedagens com estacionamento privativo, mas há garagens onde é possível deixar o carro pagando por hora ou diária.
De Cusco a Lima
É possível seguir de carro de Cusco para a Lima, capital do Peru. Mas também dá para deixar o carro em um estacionamento privativo em Cusco e seguir até Lima de avião. A viagem dura pouco mais de 1h.
Para deixar o carro no aeroporto Internacional de Cusco, a diária custa 25 soles (última atualização feita em 16 de janeiro).
De ônibus para Cusco/Lima
A empresa Trans Acreana opera a maior rota de ônibus do mundo. A linha percorre 6.200 km saindo do Rio de Janeiro e cruza os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre, chega a Cusco e segue até Lima.
De Rio Branco o ônibus sai em direção a Cusco aos domingos, a partir das 8h e a passagem custa R$ 600. A empresa também faz o trajeto até Lima pelo mesmo valor.
Ponta do Mosquito no Cabo Orange, no Amapá. Foto: Divulgação/ICMBIo
Um estudo divulgado pela plataforma Cazul revelou que o estado do Amapá concentra o terceiro maior estoque de carbono azul do país, com 312 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) armazenadas em seus manguezais. A pesquisa também identificou que, apesar da importância, as áreas de mangue enfrentam ameaças como desmatamento e poluição.
Segundo o levantamento, o potencial encontrado no Amapá pode gerar pelo menos R$ 8,067 bilhões em créditos de carbono no mercado voluntário. Os cálculos fazem parte do estudo “Oceano sem Mistérios: Carbono azul dos manguezais”, conduzido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e pelo projeto Cazul.
De acordo com o pesquisador Alexander Turra, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), professor titular do Instituto Oceanográfico da USP e responsável pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, para garantir a manutenção desse estoque, por estar associado a ambientes marinhos, os estados precisam proteger seus manguezais, mantendo-os saudáveis.
“Dessa forma, é possível assegurar todos os benefícios que esses ecossistemas oferecem, como a proteção da linha de costa, reduzindo a força e o alcance das ondas, a manutenção da produção pesqueira, a conservação da biodiversidade, entre muitos outros. Além disso, os créditos de carbono representam uma estratégia adicional para financiar a conservação dessas áreas”, descreveu o pesquisador.
O Brasil possui a segunda maior extensão de manguezais do planeta, ficando atrás apenas da Indonésia. O estudo “Oceano sem Mistérios: Carbono azul dos manguezais” identificou a presença de 1.390.664 hectares de manguezais ao longo da costa brasileira – área equivalente a nove cidades de São Paulo ou 11 cidades do Rio de Janeiro.
Eles estão presentes em 300 municípios brasileiros – principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Em relação aos biomas, 75% estão conectados com a Amazônia, 18% com a Mata Atlântica, 5% com o Cerrado e 2% com a Caatinga.
Estima-se que o Brasil já tenha perdido cerca de 25% da vegetação original de seus manguezais. As principais ameaças a esse ecossistema incluem:
a conversão de áreas para a produção de commodities na aquicultura e na agricultura, especialmente para o cultivo de camarões, peixes, arroz e palma;
o desmatamento para extração de carvão vegetal e madeira;
a ocupação desordenada devido ao crescimento urbano;
práticas predatórias de pesca, como a pesca de arrasto e a captura de espécies fora do período de defeso;
além da poluição causada por resíduos químicos (que incluem agrotóxicos e derramamento de óleo, por exemplo), além de lixo e esgoto.
Efeitos das mudanças climáticas, como o aumento do nível do mar e a erosão costeira, também intensificam os riscos para esses ambientes.
Manguezais da costa Amazônica
A costa Amazônica brasileira, que inclui o estado do Amapá, abriga a maior faixa contínua de manguezais do mundo. Esse ecossistema conectado à Amazônia ocupa 75% do território brasileiro, numa extensão de 1,043 milhão de hectares em 68 municípios da Amazônia Legal. Veja a distribuição:
29 no Pará
4 no Amapá
35 no Maranhão
Segundo a pesquisa, no total, os manguezais da Amazônia armazenam 1,3 bilhão de toneladas de CO₂, com um potencial de geração de até R$ 35,4 bilhões em créditos no mercado voluntário, com potencial de chegar a R$ 770,3 bilhões em um mercado regulamentado numa economia de baixo carbono.
Créditos de carbono
O mercado de créditos de carbono ganha força com as metas ambientais de cada país para frear o aquecimento global, tornando necessária a descarbonização de diversos setores da economia. Nesse cenário, o crédito de carbono é um mecanismo que permite que empresas e países compensem suas emissões de CO₂, comercializando créditos e investindo em projetos que reduzam ou capturem gases do efeito estufa, como a conservação de florestas e manguezais.
Parcela significativa das emissões vem de ações humanas, como o uso de combustíveis fósseis, o desmatamento, a agropecuária e processos industriais. Parte desse carbono é capturada pela vegetação, mas também por outros organismos fotossintetizantes, como as algas, e armazenada em troncos, galhos, raízes, folhas e, especialmente no manguezal, no solo, auxiliando no equilíbrio atmosférico e minimizando o aquecimento global e seus eventos extremos. Cada crédito equivale a uma tonelada de CO₂ que deixou de ser emitida ou foi absorvida da atmosfera.