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Casa especializada em vinhos aposta em rótulos com nomes inspirados em Roraima

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Rótulos de vinhos da Casa Freitas em que os nomes são inspirados em Roraima. Foto: Divulgação/Casa Freitas

Uma empresa roraimense especializada na venda de vinhos inaugura um complexo que envolve a bebida à base de uva que é uma paixão mundial e a gastronomia no dia 28 de novembro e dispõe de sete rótulos próprios com nomes inspirados em Roraima.

Há seis anos no mercado em Boa Vista, a Casa Freitas inaugura o “Complexo Enogastronômico Casa Freitas”, um espaço com estrutura de 1.037m² divida em cinco ambientes, sendo um deles para degustação de vinhos e uma cobertura na área externa.

Os rótulos próprios da Casa são:

Vite-Vite – inspirado no pássaro vite-vite-do-tepui, que pode ser encontrado em Roraima na fronteira do Brasil com a Venezuela, ao Norte do estado. Ao todo, são quatro variedades de espumantes, sendo moscatel e moscatel rosê, demisec e brut.
White River – vinho branco, com nome inspirado no Rio Branco, o principal rio de Roraima.
Reserva Boa Vista – vinho tinto seco, uma homenagem ao nome da capital Roraimense.
Casa Freitas – vinho tinto que leva o nome da empresa.

Na inauguração, haverá o lançamento do vinho Gran Reserva Tannat. A empresa expande a ideia de tratar o vinho como uma bebida “simples, descomplicada e democrática”.

No acervo, a empresa também tem o destilado próprio, o Kaikusi Gin, além opções de queijos, embutidos e pratos para jantar. “Oferecemos aos clientes novas experiências sensoriais em um ambiente alegre e descontraído”, afirma Beto Freitas, sommelier e um dos sócios do empreendimento.

*Com informações da Rede Amazônica RR

STF discute exigência de gravações de áudio e vídeo em processo de demarcação de terras indígenas

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Foto: Rosinei Coutinho/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta segunda-feira (25) a 11ª audiência de conciliação sobre a Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023) para demarcação de terras indígenas. Neste encontro, os participantes discutiram a obrigatoriedade de gravação, por meio de áudio e vídeo, de informações orais utilizadas no processo demarcatório.

A exigência está prevista no parágrafo 7º do artigo 4º da lei, que dispõe sobre os critérios em que são definidas terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas. Ao sancionar a lei, o Congresso estabeleceu que informações orais só têm valor de prova no processo de demarcação se forem apresentadas em audiências públicas ou registradas em gravações.

Ao longo do debate, representantes dos povos indígenas apontaram resistências dos povos originários em relação ao uso de vídeo e mostraram preocupação com a possibilidade de registros audiovisuais atrapalharem a evolução dos trabalhos. Por outro lado, integrantes dos partidos que defendem a constitucionalidade da lei alegaram que a medida é necessária para a segurança jurídica do processo.

Para o próximo encontro, os participantes deverão apresentar suas propostas de alteração legislativa sobre o tema. Além disso, é previsto que seja debatido o artigo 15 da lei, que discute a possibilidade de anulação do processo demarcatório.

Novas datas

Os integrantes aprovaram novas datas para as audiências de conciliação em 2025. Os encontros ocorrerão nos dias 3, 10, 17 e 24 de fevereiro – sempre uma segunda-feira –, das 14h às 19h, na Segunda Turma do STF.

Marco Temporal

Segundo a tese do marco temporal, os povos indígenas teriam direito de ocupar apenas as terras que ocupavam ou já disputavam na data de promulgação da Constituição de 1988. Em setembro de 2023, o STF decidiu que a data não pode ser utilizada para definir a ocupação tradicional da terra pelas comunidades indígenas.

Em dezembro, antes de a decisão do STF ser publicada, o Congresso Nacional editou a Lei 14.701/2023 e restabeleceu o marco temporal. Desde então, foram apresentadas quatro ações questionando a validade da lei (ADI 7582, ADI 7583, ADI 7586 e ADO 86) e uma pedindo que o STF declare sua constitucionalidade (ADC 87).

*Com informações do STF

Eletronorte, Funai e União devem indenizar indígenas do Amazonas por terras inundadas por hidrelétrica

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Hidrelétrica de Balbina. Foto: Ayrton Senna/Rede Amazônica AM

A Justiça Federal reconheceu os direitos preexistentes do povo indígena Waimiri-Atroari sobre as terras inundadas, nos anos 1980, pela Usina Hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF). A sentença considerou as provas históricas, antropológicas e testemunhais apresentadas pelo MPF, que demonstraram a ocupação tradicional indígena na região desde o século XIX, incluindo as áreas afetadas pela construção da hidrelétrica.

A Eletronorte, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a União também foram condenadas a pagar uma indenização pelos danos coletivos causados aos Waimiri-Atroari, que foram expulsos de suas terras para a construção da usina e sofreram prejuízos devido ao atraso na redefinição dos limites da Terra Indígena. O valor da indenização será determinado em uma etapa futura do processo.

A sentença da 1ª Vara Federal Cível também anulou os títulos de propriedade concedidos pelo Estado do Amazonas a particulares sobre a área, que havia sido indevidamente loteada, entre 1969 e 1971, desconsiderando a ocupação dos Waimiri-Atroari. Esses lotes, situados no chamado Loteamento Pitinga, foram posteriormente desapropriados pela Eletronorte para a construção do reservatório da usina.

Entenda o caso

Durante a ditadura militar, os Waimiri-Atroari sofreram graves violações de direitos, incluindo a execução de obras de infraestrutura em suas terras, como a construção da usina de Balbina. A ação do MPF mostrou que as terras indígenas haviam sido reduzidas de forma arbitrária por decretos federais em 1971 e 1989, limitando a área da reserva e desconsiderando o território tradicionalmente ocupado pelo grupo.

Além disso, o Estado do Amazonas loteou a área entre 1969 e 1971 e deu títulos de propriedade para pessoas estranhas à região, desconsiderando a ocupação pelos indígenas. Posteriormente, a Eletronorte desapropriou 66 lotes de 27 proprietários para que a área fosse inundada na instalação da usina.

O alagamento causado pela hidrelétrica Balbina alterou o ecossistema, impactou no uso e ocupação da área pelos indígenas e fragmentou sua relação cultural e espiritual com a terra – afetando locais sagrados e tradições ancestrais. O acesso ao rio Uatumã, por exemplo, foi prejudicado e afetou diretamente a pesca, prática essencial para a sobrevivência e cultura alimentar do grupo. Outros impactos incluem a perda de áreas de plantio, caça e coleta, fundamentais para a reprodução econômica e cultural dos Waimiri-Atroari.

A área atual do reservatório da usina é ainda hoje utilizada pelos indígenas para pesca e as terras das ilhas, formadas pela inundação, para roças e coleta.

*Com informações do MPF

AMAJAZZON: Festival reúne nomes internacionais do jazz e artistas da Amazônia

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Foto: Divulgação

A segunda edição do Festival AMAJAZZON em Belém (PA), evento internacional realiza sua segunda edição na capital do Pará, Belém, reunirá a música instrumental da Amazônia e o jazz mundial na cidade paraense. O espetáculo conta com grandes artistas da Espanha e Israel que se apresentam ao lado de talentos do Pará e de Manaus. O festival acontece nos dias 27 e 28 de novembro, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), no Teatro Gasômetro, a partir das 17h.

O line-up traz a Amazônia Jazz Band, reconhecida internacionalmente por sua excelência musical e compromisso com a preservação da herança amazônica, que apresentará no festival um repertório diversificado, mesclando clássicos do jazz com arranjos inspirados na cultura nortista, o carimbó instrumental, sons das florestas e instrumentos de percussão regional. A cantora Andrea Pinheiro também sobe ao palco ao lado da big band, e canta clássicos da música paraense, com repertório que celebra autores como Tinnôko Costa e Waldemar Henrique.

A programação faz um intercâmbio sonoro inédito entre os artistas internacionais e os músicos da Amazônia: o festival traz Tainá E I O U, do Amazonas, que se apresenta em palcos do Brasil e do mundo com seu repertório que tece relações entre a poesia concreta, a filosofia, o carimbó e o free jazz.

Das atrações internacionais, a dupla formada pelo pianista e cantor Diego Amador e o guitarrista José Maria Bandera, da Espanha, que apresentam o show “Paqueando”, uma homenagem ao flamenco, manifestação da cultura da Andaluzia; e o show “Brightlight”, do celebrado contrabaixista Avishai Cohen, de Israel, considerado um dos maiores músicos de jazz da atualidade.

Foto: Divulgação

“O intercâmbio cultural e musical no AMAJAZZON é vital para enriquecer o cenário artístico tanto dos músicos locais quanto dos visitantes internacionais. Ao compartilharem palcos, esses artistas trocam experiências, técnicas e perspectivas. A expectativa do festival é criar um ambiente de aprendizado mútuo e inspiração, além de abrir novos caminhos para colaborações futuras e fortalecer a presença global da música da Amazônia”, diz Anabela Cunha, da Connecting Dots, organizadora do evento.

Entre a tradição e a inovação espanhola – O flamenco é um ícone da cultura espanhola. Mais do que um estilo musical, ele retrata, em suas letras, gestos de dança, história e a complexa formação cultural da região da Andaluzia, no norte do país. Em 2010, ele foi reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Nascido em uma família de artistas flamencos, José Maria Bandera é discípulo de Paco de Lucía, uma figura central do ritmo espanhol: sua influência se estende por vários gêneros e deixou uma marca indelével na música mundial, com sua técnica incomparável, e espírito de inovação, misturando tradição e modernidade.

Já Diego Amador é considerado como “o Ray Charles cigano”. Aclamado como um “revolucionário da música”, mudou significativamente a atitude em relação ao piano, não apenas no flamenco, mas também na forma de tocar o instrumento em geral.

Juntos, Amador e Bandera tocam pela primeira vez em Belém no show “Paqueando”, uma homenagem a Paco de Lucía. O espetáculo traz Diego como cantor, com uma ampla progressão de estilos e ritmos flamencos, resultando em uma combinação excepcional de interpretação e musicalidade. “Acreditamos que o flamenco precisa de uma pausa para respirar sua essência e compartilhá-la de forma honesta”, afirma a dupla.

Eles trabalham juntos pela conservação e renovação da obra de Paco de Lucía, com um repertório tratado com nudez instrumental, respeitando a composição e o método de trabalho que Bandera conhece tão bem. As novidades sonoras incluem o destaque do piano e a presença do canto entre a tradição e a vanguarda.

Som de Israel

Considerado um dos maiores músicos de jazz da atualidade, Avishai Cohen também faz apresentação inédita em Belém. O celebrado contrabaixista israelense, nascido em Kabri, transformou o instrumento, elevando-o ao centro das atenções e expandindo os limites do jazz.

Suas composições únicas foram utilizadas em diversos filmes, programas de TV e outros meios de comunicação. A revista DownBeat o chamou de “um visionário do jazz em escala global”, enquanto a Bass Player o declarou um dos 100 baixistas mais influentes do século XX.

Em sua carreira solo, conta com mais de 20 discos, e realiza turnês nos principais festivais e palcos do mundo. Seu trabalho lhe rendeu prêmios internacionais e reconhecimento global, incluindo o prestigioso Prêmio Miles Davis no Festival de Jazz de Montreal em 2023.

Para Aslak Oppebøen, membro do Board Amajazzon, no festival a magia do jazz se encontra com a cultura do Brasil, proporcionando visibilidade internacional. “Um festival de impacto, que parte de Belém para o mundo, continuando a abrir portas para que o Brasil e o mundo experienciem a cultura amazônica em uma interculturalidade nacional e internacional, onde empreendedores locais e artistas da região são os principais anfitriões desta sociobioeconomia cultural”, diz.

Com a realização da Connecting Dots, o festival tem apoio do Governo do Pará, através da Secretaria de Estado de Cultura (Secult); da Academia Paraense de Música (APM); da Embaixada da Espanha no Brasil; da Assobio (Associação de Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia), e da Bioma (Consultoria e Assessoria ESG).

*Com informações da Agência Pará

Algodão ganha destaque como alternativa sustentável em Roraima

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Foto: Divulgação/Ascom Seadi RR

O plantio de algodão, realizado no início do Vitrine Tecnológica no Parque de Exposições, destaca o produto como alternativa sustentável em Roraima. O estado possui características ideais para o cultivo do algodão, como temperaturas constantes ao longo do ano e alta luminosidade, fatores que aceleram o ciclo de produção. O plantio do produto permite que a colheita aconteça entre cinco e sete meses depois, coincidentemente na entressafra nacional, ampliando as oportunidades de mercado.

Na mostra de algodão, um trabalho conjunto entre a Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), destaca uma pesquisa promissora para o estado, com objetivo de incentivar os produtores locais a investir na cultura.

Segundo o pesquisador da Embrapa, Wellington do Ó, o Brasil é líder mundial no cultivo e exportação de algodão, com destaque para os estados do Mato Grosso e Bahia. Em Roraima, a inclusão dessa cultura é estratégica, tanto pela rotação com a soja quanto pelo impacto socioeconômico.

Além do algodão transgênico, um projeto voltado para comunidades indígenas será implementado com o cultivo de algodão colorido, ressaltou do Ó. “A ideia é fomentar o artesanato e a agricultura familiar indígena, fornecendo tecnologia como descaroçadores para facilitar o manejo. Sendo que o caroço do algodão também pode ser aproveitado na produção de óleo e ração animal”, comentou.

Sausalém Bastos, coordenador da Agricultura Familiar e Indígena, ressaltou que a inclusão do algodão na vitrine tecnológica da Expoferr Show tem como objetivo diversificar a produção regional. “Estamos apresentando aos agricultores novas tecnologias e culturas já consolidadas no estado, como a soja e o milho, além de fortalecer o cultivo do algodão, que demonstra alta viabilidade econômica. O algodão é amplamente utilizado nas indústrias têxteis, farmacêuticas e na alimentação humana e animal”, enfatizou.

Apesar das vantagens, o servidor alerta para os desafios do manejo do algodão, que exige cuidado constante e equipamentos especializados. No entanto, ele reforça que a cultura é uma oportunidade de diversificação econômica para Roraima, especialmente com o apoio de incentivos fiscais previstos na Lei Estadual nº 215/1998, que também atrai investidores de outras regiões. “O cultivo do algodão em Roraima, embora ainda incipiente, promete se consolidar como uma alternativa inovadora e sustentável, capaz de alavancar o desenvolvimento agrícola do estado”, concluiu Bastos.

Vitrine Tecnológica

A Vitrine Tecnológica, apresentada durante a Expoferr Show 2024, trouxe avanços significativos em tecnologia e inovação, impulsionando o desenvolvimento sustentável. Com foco em oferecer soluções eficientes e econômicas para produtores de todos os portes, o espaço destacou culturas como milho, sorgo, soja, girassol, variedades de capim e algodão. Além de sua importância comercial, essas culturas foram apresentadas como exemplos de práticas de rotação, promovendo maior produtividade e sustentabilidade no campo.

*Com informações da Secom RR

“Todos somos iguais e precisamos uns dos outros”, afirma pajé sobre trabalho digno em Roraima

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Foto: Renard Batista/TRT-11

Promovido pela Escola Judicial (Ejud) do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11, AM/RR), o VIII Seminário Roraimense teve como tema “Garantias do Trabalho Digno e Seguro diante da Vulnerabilidade dos Imigrantes e dos Povos da Floresta Amazônica”. O evento ocorreu em 18 de novembro no auditório do Fórum Advogado Sobral Pinto, do Tribunal de Justiça de Roraima.

A diretora da Escola Judicial, desembargadora Ruth Barbosa Sampaio, fez a abertura do evento enfatizando a relevância de Roraima como palco de debates sobre imigração e povos originários, dada sua posição de destaque no acolhimento de migrantes e na população indígena.

“Os temas debatidos neste evento se relacionam ao debate acerca do acesso à Justiça na Amazônia, nos proporcionando um terreno fértil sobretudo à proposição e concretização de políticas públicas e judiciárias voltadas à superação do quadro de desigualdade e de exploração ao qual migrantes e indígenas estão, historicamente, submetidos”, afirmou.

Imigrantes

Abrindo os trabalhos, o primeiro painel, de tema ‘Imigrantes’, teve como painelistas a procuradora-chefe do MPT, Alzira Melo Costa, e o coronel Athos Roberto Souza, subcomandante da Força Tarefa Logística Humanitária. O painel contou ainda com a participação dos venezuelanos Dorelys Torres, Carlos José Jimenez, o professor de treinamento industrial Eduardo Rafael Albornet, e dos alunos dele Jenny Bolivar e Larry Jose Monagas. O mediador do painel foi o juiz do Trabalho Ney Rocha.

O subcomandante da Força Tarefa Logística Humanitária em Roraima, coronel Athos Souza falou sobre a Operação Acolhida: a criação, os eixos estruturantes, e os fatores que contribuíram para o sucesso do projeto. Ele explicou que se trata de uma força tarefa conjunta: “O projeto envolve militares das três forças armadas, e mais de 100 parceiros. O projeto é resultado do trabalho de diversos órgãos e das agências humanitárias, principais atores que atuam na linha de frente. Só o trabalho conjunto e a sinergia de todos os envolvidos faz a Operação Acolhida dar certo”.

“Somos um case de sucesso. Recebemos muitas visitas de vários órgãos de outros países para entender e aprender o funcionamento do projeto. E todos reconhecem a efetividade do trabalho desenvolvido pela Operação Acolhida”, afirmou.

Ao final, ele apresentou os números e o legado do projeto ao Estado Brasileiro. “Nós temos a capacidade de compreender os problemas humanos em todas as dimensões e atuar de uma maneira efetiva para resolvê-los. Que possamos nunca perder este espírito humanitário. O migrante da Venezuela é um ser humano! Podíamos ser nós nesta situação. Temos que pensar se fossemos nós, como gostaríamos de sermos tratados e acolhidos em outro país?”, encerrou.

Mudança de vida

Os imigrantes emocionaram os presentes ao falarem sobre o desafio de deixar o país onde nasceram e viveram parte da vida para recomeçar no Brasil. Eduardo Rafael tem 36 anos e está há oito e meio no Brasil. “Pra mim foi mais difícil porque não tinha ainda o projeto, toda a estrutura e o apoio que ele representa para os imigrantes. Levei mais de três meses para conseguir tirar minha documentação e, neste período, tive que ficar de forma irregular”, contou.

Depois de estabelecido no Brasil, ele entrou em uma das agências envolvidas no projeto e passou a ser ator humanitário, se especializando e apoiando o processo migratório. Hoje atua como professor, capacitando os migrantes e refugiados na área frigorífica. “São 50 migrantes a cada 15 dias. Após o curso eles têm a oportunidade de conseguir emprego na área frigorífica. Sou feliz em poder ajudar meus irmãos venezuelanos a se estabelecerem aqui no Brasil. Como eu, eles também podem conseguir”, afirmou.

Manual do Trabalhador

Após o intervalo, o presidente do TRT-11, desembargador Audaliphal Hildebrando, participou virtualmente do Seminário. Ele lançou o ‘Manual do Trabalhador Amazônico’ em formato de história em quadrinhos e em três línguas: português, espanhol e nheengatu (para os povos indígenas). Idealizado pelo atual presidente do TRT-11, a iniciativa reconhece a diversidade da força de trabalho na Amazônia, incluindo os povos originários e imigrantes venezuelanos, e busca oferecer orientações para a proteção de grupos vulneráveis.

Saiba mais: ‘Manual do Trabalhador Amazônico’ criado pelo TRT-11 ganha versão em nheengatu

Foto: Renard Batista/TRT-11

Povos originários

Seguindo a programação, ocorreu o painel de tema ‘Povos Originários’. A presidente da mesa foi a diretora da Ejud11, desembargadora Ruth Barbosa Sampaio, e os painelistas: o juiz do Trabalho da 8ª Região Jônatas dos Santos Andrade, também juiz auxiliar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e juiz do Trabalho Igo Zany Nunes Corrêa, vice-diretor da Ejud11. O painel teve a participação especial das representantes dos povos indígenas: Lúcia Wapichana; Pajé Wanda Domingos; Telma Taurepang, coordenadora da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira; e Marisa de Simão de Souza, da comunidade indígena do Uiramutã.

A indígena Lúcia falou sobre representatividade e sobre a luta dos povos indígenas pelo reconhecimento dos seus direitos. “Não é fácil! Precisamos lutar diariamente para buscar nossos direitos. E não há ninguém no mundo que fale melhor da gente que nós mesmos. Nenhum branco pode nos representar. Somos um povo pacífico e precisamos de mais diálogo e de mais atenção”, declarou.

A importância do diálogo

O juiz auxiliar do CNJ destacou a importância da compreensão efetiva e do diálogo correto do judiciário com os povos originários. “Este diálogo precisa de tradutores, não meramente uma tradução literal e linguística, mas se faz necessária uma tradução intercultural, com um tradutor preferencialmente pertencente ao povo indígena em questão”, afirmou. Ele falou sobre a 1a Resolução do CNJ envolvendo os povos originários, que ocorreu somente em 2019. “A resolução 287/2019 estabeleceu procedimentos para o tratamento de pessoas indígenas presas. Ela diz basicamente que é preciso entender, dialogar, compreender o drama no espaço de conflito entre indígenas e não indígenas no Brasil”.

Ele citou como fundamental as atividades da Justiça do Trabalho de forma a garantir um trabalho digno e seguro para os povos indígenas. Destacou a Resolução 460 do CNJ, sobre a Justiça Itinerante, que promove o acesso à justiça e à cidadania onde não há a presença de órgãos judiciais. “A itinerância aproxima a Justiça do cidadão, e os povos originários precisam, de forma especial, desta aproximação”, disse.

Trabalho mais digno

O 3º painel, de tema Trabalho Análogo ao Escravo, teve como presidente de mesa a desembargadora do TRT-11 Euláide Maria Vilela Lins. Os painelistas foram a juíza Graciete Sotto Mayor Ribeiro, titular da Vara da Justiça Itinerante do Tribunal de Justiça de Roraima, e o juiz do Trabalho do TRT-11 Gleydson Ney Silva da Rocha, titular da 1ª Vara do Trabalho de Boa Vista.

A juíza Graciete Ribeiro iniciou a explanação conceituando trabalho análogo ao de escravo. “Infelizmente 136 anos após a assinatura da Lei Áurea que aboliu a escravidão no país, 76 anos depois da Declaração dos Direitos Humanos e 36 anos da nossa Constituição Federal, ainda estamos tratando do tema trabalho escravo, uma face cruel do tratamento do ser humano. Já melhoramos, mas ainda é muito pouco diante do que ainda precisamos evoluir”, declarou. Ela destacou que a prática do trabalho escravo contemporâneo fere dois direitos fundamentais inegociáveis do indivíduo: a liberdade e a dignidade. Contou um pouco da experiência com a justiça itinerante e o privilégio em conhecer diversas localidades e diferentes culturas, tanto dos povos originários quanto dos imigrantes venezuelanos. “Tive que começar a fazer audiência com dois tradutores, para poder entender e ter segurança em estar compreendendo tudo aquilo que eles, indígenas ou venezuelanos, estavam querendo e precisando dizer. A justiça precisa ter este novo olhar com a população vulnerável”, defende.

 Mulheres que fazem a diferença

Ainda como parte da programação do 8° Seminário Roraimense foram premiadas as vencedoras da 6ª Edição do Prêmio Mulheres Formadoras e Informadoras da Justiça do Trabalho. A iniciativa da Ejud11 tem o objetivo de incentivar e reconhecer a participação institucional feminina, bem como a divulgação de boas práticas criadas e implementadas pelas personalidades indicadas à premiação.

A seleção deste ano ocorreu com base no perfil e contribuições regionais. A Ejud11 escolheu mulheres que representam o papel feminino na atuação perante o poder judiciário. Confira as premiadas:

● Ângela Águida Portella Alves, deputada estadual do Estado de Roraima;
● Lícia Catarina Coelho Duarte, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas da OAB/RR;
● Heidy de Abreu e Silva Xavier, adjunta na Assessoria de apoio para assuntos jurídicos do Comando da Força-Tarefa Logística Humanitária;
● Antonia Maria Matias da Silva, presidente da Central Única dos Trabalhadores no Estado de Roraima (CUT/RR);
● Niusarete Margarida de Lima, coordenadora do Subcomitê Federal para Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade (Sufai/MDS), na ocasião representada por Noelline Freire Lemos, assessora para assuntos de migrações do Sufai/MDS.

*Com informações do TRT-11

Emergência climática é tema de visita técnica do Ministério da Saúde em Roraima

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Foto: Dvulgação/Ascom Sesau

A Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS), da Secretaria de Saúde (Sesau), em Roraima, recebeu na manhã desta segunda-feira (25), a visita técnica de membros da Sala Nacional de Emergências Climáticas do Ministério da Saúde.

Até a sexta-feira (29), os técnicos do órgão ministerial estarão no Estado para auxiliar na realização de um diagnóstico situacional dos impactos de eventos climáticos no setor de saúde, ajudando a fortalecer as ações de resposta frente às emergências climáticas, especialmente seca e estiagem.

“É um diagnóstico [situacional] que será realizado em alguns municípios, com três deles já definidos, que são Pacaraima, Bonfim e Alto Alegre, além de Boa Vista. Por conta da falta de tempo, não será possível visitar outros municípios, mas vamos nos organizar para visitá-los em uma segunda visita técnica”, ressaltou o gerente do Núcleo de Vigilância de Desastres Naturais da CGVS, Guaracy Cabral.

Além dos técnicos dos departamentos de Vigilância Ambiental, Sanitária e Epidemiológica da CGVS e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, a reunião contou ainda com a participação de representantes das coordenadorias de Atenção Básica, Atenção Especializada e Assistência Farmacêutica da Sesau; Secretaria Estadual dos Povos Indígenas (SEPI), Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e Distritos Especiais Sanitários Indígenas do Leste e Yanomami.

Pelo cronograma definido pelos técnicos, a primeira visita será realizada nesta terça-feira (26), ao município de Pacaraima, Norte do Estado, na fronteira com a Venezuela. Na quarta-feira (27) será a vez Bonfim; na quinta-feira (28), a cidade de Alto Alegre, e sexta-feira (29), a capital Boa Vista.

Também na sexta-feira, à tarde, será realizada a apresentação dos resultados obtidos nas visitas aos municípios e explanação das ideias que podem fazer parte de um plano de ação para eventos climáticos no Estado.

“Nesse primeiro momento a nossa presença é para preparar e orientar o Estado em relação a organização e a própria necessidade de estrutura dos municípios em cenários de emergências climáticas. Nossa visita inicial será nessas três cidades, mas nós estamos à disposição para dialogarmos com os demais municípios”, pontuou o coordenador do Vigidesastres Nacional, Lucas Fonseca.

*Com informações da Secom Roraima

Atlético Rio Negro Clube: mais de 1 século fazendo história no esporte do Amazonas

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Família Nascimento, fundadora do Atlético Rio Negro Clube. Da esquerda para a direita: em pé, Manoel Affonso do Nascimento, jogador e fundador do Rio Negro. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

O Atlético Rio Negro Clube guarda na sua história diversos nomes de personalidades políticas e sociais destacadas. Conquistou a hegemonia nos concurso de beleza da cidade de Manaus com desfile de belas mulheres em seu refinado salão, tornou-se o clube preferido da elite amazonense sem perder o seu apelo popular nas disputas esportivas e sempre assistiu passar por suas fileiras atletas campeões do voleibol, do futebol, do futebol de salão e até do tênis de quadra.

Das personalidades políticas, destaca-se Leopoldo Amorim da Silva Neves, Flávio de Castro, Álvaro Maia, Gilberto Mestrinho e tantos outros. Leopoldo Amorim da Silva Neves, conhecido na intimidade como ‘pudico’ defendeu as cores do Rio Negro como atleta muito antes de se tornar deputado federal e Governador do Estado do Amazonas. Ainda destacam-se o ex-senador Arthur Virgílio Filho e o ex-deputado federal Adalberto Vale, ambos atleta do clube. Outro nome que manteve viva a vela votiva do clube por longo período foi professor Manoel Bastos Lira.

Ao longo da sua história de existência, uma característica que tomou conta do clube foi a de ser o preferido da nossa sociedade. As mais tradicionais famílias de Manaus foram presenças constantes e obrigatórias nos bailes e festas promovidas pelo clube, que ainda hoje resistem ao tempo. A parte social foi movimentada ainda com grandes bailes de Carnaval e no aniversário do clube o Famoso Porto de Honra e o baile das debutantes.

A massificação da prática desportiva, especialmente do futebol, o que foi a razão de sua fundação, popularizou a agremiação e contribuiu para que o clube torna-se eterno. Com mais de um século de existência coleciona muitos e inesquecíveis títulos. Em 11 de agosto de 1921 foi campeão de uma regata disputada no Rio Negro, o ano foi muito produtivo, pois marcou também a primeira conquista de futebol de campo que seria repetido em 1927, 1931, 1938, 1940, 1943, 1962, 1965, 1975, 1982 e com tetra campeonato de 1987 a 1990 e tantas datas que se perdem no esquecimento. Foi na década de 1990 que surgiu umas das maiores revelações do futebol profissional: Ninemberg Guerra, conhecido no mundo esportivo como Berg, comandante do tetra que depois brilhou por muitos anos como no Botafogo do Rio de Janeiro, antes de morrer ainda jovem vitima de um fulminante ataque cardíaco.

Flávio de Castro, Edil Antony, Aristophano Antony, Aury Matheus e Manoel Bastos Lira. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Apesar das dificuldades o clube se mantêm em pé fazendo questão de manter suas tradições. Destaco aqui o fato de seu equipamento jamais ter sido mudado desde a sua fundação, o preto e branco são intocáveis. Não podemos esquecer de Lauro Cavalcante que presidiu o clube entre 1915 a 1917, jovem médico que faleceu e foi homenageado dando nome a rua Lauro Cavalcante no trecho do igarapé de Manaus e Getúlio Vargas, exatamente onde se encontra a casa que guarda silenciosamente em seu porão a história da fundação do clube.

Outro nome importante foi Leopoldo Cunha Melo que presidiu o clube nos anos de 1920 a 1923 e 1924 a 1928. Sua primeira miss foi Edna Frazão Ribeiro e a que mais se destacou foi Terezinha Morango, esta miss Rio Negro, miss Amazonas, miss Brasil e vice miss Universo. Outro fato interessante é que jamais trocou de nome, nasceu como Athletico Rio Negro Clube, em 1913, e permanece até os dias atuais.

O Atlético Rio Negro Clube, apesar de todas suas dificuldades, guarda na memória mais de um século de história no esporte, no social e no cultural. Reconstituir sua história é inevitável, é só mergulharmos na história do clube para entender. A semente plantada por dezesseis jovens idealistas que concretizaram o início de uma trajetória de alegrias e glórias, que ainda hoje se refletem nos sócios rionegrinos de ontem e de hoje, como Edgard Lobão o primeiro presidente, que ao retornar a Manaus em 1961, recebeu uma homenagem do clube.

Hilton Gonçalves dos Santos, presidente do Flamengo. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

“… Os rionegrinos me presentearam com esta viagem de volta ao passado, uma reprodução perfeita e viva de uma página Goeth, pois como novo fausto eu me sentia transformado e redivivo, perfeitamente, mas sem influências magistélicas, já se vê e já se sabe. Evidentemente soube à ação da fumaça dos cachimbos dos velhos Pajés, dos Barés e dos Manaós, com a inovação das proteções dos mitos, das iaras, pedindo aos manitôs a sua ajuda e, esse valiosíssimo concurso protetor que acaboclada das matas me concedeu e como qual eu pude resistir com perfeita saúde emocional e com a graça de Deus, as vossas inesquecíveis manifestações de apreço e de amizade ao sócio n. 2.

Ouça meu glorioso Jesus meu agradecimento a todos vocês. Atendei Senhor com toda a vossa onipotência meu misericordioso Deus e minha súplica de derramar sobre o meu amado clube a tua luminosidade. Onde teu reflexo destacará o brilho radiante e colorido das vitórias-régias, que Deus salve o Rio Negro e todos seus atletas.”

Rio de Janeiro 13 de novembro de 1961.

Edgard Lobão.

Ata de fundação do Atlético Rio Negro Clube

… Aos treze dias do mês de novembro do ano de 1913 às 16h da tarde, na residência do senhor Manoel Afonso do Nascimento, à rua Henrique Martins, n. 149, sede do clube, estando presentes os associados Edgard Garcia Lobão, Raymundo Vieira, Schinda Uchôa, Manoel Affonso do Nascimento, João Falcão, Ascendino Bastos e AfFonso Nogueira, foi aberta a sessão pelo presidente provisório Edgard Garcia Lobão secretariado pelos senhores Schinda Uchôa e Raymundo Vieira.

Usou a palavra o senhor presidente, agradecendo aquele rasgo de benevolencia dos sócios presentes, convidando-o para presidir provisoriamente aquela sessão magna e não havendo quem quisesse usar da palavra, fala novamente o senhor presidente, dizendo o que o fim daquela sessão era eleger a diretoria, discutir o nome e distintivo do clube. Oferece o senhor presidente a palavra a quem dela quisesse fazer uso, fala então o senhor França Marinho que pede para se fazer imediatamente a eleição da diretoria do clube. Feita a apuração da eleição pelo primeiro secretário provisório Schinda Uchôa, foram eleitos para presidente Edgard Garcia Lobão com oito votos, para vice-presidente Raymundo Vieira com quatro votos, para secretário o senhor Schinda Uchôa com seis votos, para tesoureiro o senhor Manoel Affonso do Nascimento com cinco votos e para Capitain o senhor França Marinho com cinco votos.

Depois dessa apuração, o senhor presidente pede que qualquer dos sócios presentes, apresente um nome para o clube. É apresentado o de “Athlético Rio Negro Club” passando com dez votos. Então o senhor presidente convida o primeiro-secretário Schinda Uchôa para assumir a presidência enquanto ele apresentasse como sócio, sua proposta para o distintivo do clube que consistia em calção preto e camisa branca com escudo azul na mesma. Tendo o senhor Schinda Uchôa agora como presidente que apresentar sua proposta sobre o mesmo distintivo convida o senhor secretário Raymundo Vieira para presidir os trabalhos, sua proposta foi a de calção e camisa branco, pondo o senhor o senhor Raymundo Vieira a proposta do senhor Edgard Garcia Lobão em discussão, pede a palavra o senhor Schinda Uchôa, dizendo que apesar de já ter havido bairrismo no nome não devia haver o mesmo no distintivo, esclarecendo melhor, que o nome do clube não tinha nada a ver com o distintivo do clube. A proposta do senhor Edgard Lobão caiu, tendo a favor somente um voto.

Depois de pôr o senhor presidente a proposta de Schinda Uchôa em discussão, usa da palavra o senhor Edgard Lobão que sem atacar a proposta já citada, apresenta outra que consistia em calção e camisa branco com colarinho preto. Depois de posta em discussão sua última proposta põem o senhor presidente ambas em votação, ficando vitoriosa a do senhor Schinda Uchôa com dez votos. O senhor Manoel Affonso do Nascimento manda servir o vinho do Porto aos associados, usa então a palavra o senhor Schinda Uchôa agradecendo a benevolência dos sócios em elegerem para secretário e agradecia também o auxílio prestado por eles a sua ideia de fundar um clube de foot-ball que, apesar das negaças de muito e a má vontade de outros ele via realizada a sua ideia e pedia para brindar o progresso do Athlético Rio Negro Club. Em seguida falou o senhor Edgard Garcia Lobão que com palavras ardentes e imagens belíssimas agradeceu sua eleição para presidente e isto fazia na pessoa de Schinda Uchôa fundador do clube. Depois usou da palavra o senhor Raymundo Vieira, que em bela alocução que refere aos senhores Edgard Garcia Lobão e Schinda Uchôa, falando do destino este negro fantasma que perturba o sossego do espírito depois de se apoderar da matéria e que tinha feito desabar suas esperanças de moço. Homenageou o senhor Schinda Uchôa pela brilhantíssima ideia de fundar um clube de foot-ball, nesta época avassaladora e de crise. Fala em seguida o senhor Basílio Falcão que com palavras sentimentais, saudou os sócios do Athlético Rio Negro Club, desejando prosperidade e harmonia. Finalmente usa da palavra o senhor França Marinho que com palavras ardentes, agradece sua eleição para capitain desejando que sta agremiação de moços forme uma pirâmide no vértice da qual esteja fixado o nosso pendão, balançando pela brisa amazônica.

Não havendo mais nada a tratar encerra o senhor presidente a sessão. Diretoria: Edgard Garcia Lobão Presidente, Raymundo Vieira Vice presidente, Schinda Uchôa Secretário, Manoel Affonso do Nascimento Tesoureiro, J. França Marinho Capitain.

Sócios: Affonso Nogueira Rebelo, Gilberto C. D’Albuquerque, Outubriano da Silva Neves, Leopoldo Amorim da Silva Neves, João P. Leite de Paiva, Ércio Rabello, Antônio Rabello, Antônio Craveiro, Mário Fernandes, Basílio Falcão, Ascedino Bastos, Merolino Corrêa, Azevedo Souza, Paulo Nascimento, Luiz Pinto, Alkendi Uchôa, Frank Zagori e Joaquim Pinto.

Decálogo do Atleta Barriga Preta

Este decálogo foi apresentado em sessão do clube por Hilton Gonçalves dos Santos nasceu em Manaus em, 1889, foi diretor de Esportes do ARNC até 1927 e, posteriormente, transferiu-se para o Rio de Janeiro. Foi presidente do Clube de Regatas do Flamengo em 1946 e no biênio de 1958 a 1959. Idealizador do Edifício Hilton Santos, que durante anos foi a sede do clube. Faleceu aos 93 anos em 1982, na cidade do Rio de Janeiro.

Portanto, o Athlético Rio Negro Club é o único clube amazonense que teve um diretor presidindo o Clube de Regatas do Flamengo.

1. Não te darás por vencimento sem teres feito o máximo para vencer honrosamente;

2. Não terás desculpas e razões por perder;

3. Não te encherás de orgulho quando venceres;

4. Aprende a perder com dignidade;

5. Não tomarás vantagens ilícitas sobre teu adversário;

6. Não pedirás handcaps-injustos;

7. Estarás sempre pronto a dar o teu adversário o beneficio de qualquer dúvida;

8. Não faças pouco do teu adversário, nem exageres as tuas forças;

9. Lembra-te que praticar o esporte é que vale. Ganhar ou perder são detalhes menos importantes;

10. Honra ao esporte porque aquele que o pratica honrosamente, ganha mesmo quando perde.

Diretoria do Atlético Rio Negro Clube recepcionando o fundador e primeiro presidente do clube, Edgar Lobão (sentado ao centro, da esquerda para direita, em 1961. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O futebol, introduzido no sul do país começava interessar a mocidade amazonense. Manaus já possuía dois campos de futebol: o chamado Bosque Municipal e o Parque Amazonense, que vez por outra, também transformava-se em hipódromo para as corridas de cavalo.

O Athlético Rio Negro Clube que nasceu do futebol, também praticou outros esportes que animavam a juventude rionegrino. Foi campeão de basebol e, em 1922, campeão de remo. O futebol, porém, sempre foi a paixão dessa agremiação, são muitos os nomes que permanecem na memória dos rionegrinos dos grandes feitos e das grandes conquistas, como Isidoro Carvalho e Vidinho.

Não podemos deixar de destacar o Pantaleão que era o símbolo de um atleta disciplinado valoroso e que faleceu ainda em plena mocidade. Quem acompanha o futebol amazonense lembra de Hugo, Yano, Luizinho, conhecido como mão de grude, Clóvis e Aranha Negra, outros nomes se destacaram como Amâncio, Darci, Parintins, Hidelbrando, Zenith, Meireles, Dog, Cloter, Bizerra, Cláudio, Benjamin, Onety, Lê, Waldir Oliveira e tantos outros.

Ao falar de Rio Negro, obrigatoriamente, temos que lembrar de Jefferson Afonso César da Silva Oliveira, mais um destemido rionegrino a quem o clube tanto deve, figura humana e extraordinariamente agradável. Nessa corajosa arrancada de manter o clube vivo, não podemos esquecer sua esposa Jeanne Chaves de Abreu que ao lado dele ajudou a construir essa reserva histórica do clube centenário.

O tempo vai passando e a antiga rua Epaminondas, de paralelepípedos com os trilhos do bonde, hoje coberta pelo asfalto, ainda respira a bucólica Manaus dos anos quarenta, período em que o clube ali se instalou. Parte da reserva histórica do passado, que foi construída com muita luta e o apoio da família Nascimento repousa na coragem e determinação do atual presidente e sua diretoria, estabelecendo os desafios e a realidade que paira em sua volta.

É como se olhando para trás, mensurando tudo que fora criado no passado, torna-se possível trabalhar com a possibilidade de um amanhã aventuroso. O clube da Praça da Saudade, como é conhecido, não morreu, permanece de pé escrevendo sua própria história a espera da presença da torcida e dos rionegrinos.

Fachada do Atlético Rio Negro Clube, Manaus, 1940. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

COPs 16 e 29: sem urgência diplomática, não saem recursos comprometidos para salvar as florestas

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Foto: Reprodução/Greepeace

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Primeira etapa do que se considerou a trilha “Cali-Belém”, a 16ª edição da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-16), sob o tema “Paz com a Natureza”, garantiu vitórias aos indígenas, mas não assegurou o compromisso dos países ricos com a proteção ambiental. Uma das mais desafiantes questões levantadas durante COP16, realizada na cidade de Cali, Colômbia, de 21 de outubro a 1º de novembro, o progresso da implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (Plano de Biodiversidade), adotado na COP15, levada a cabo em Montreal, Canadá, pelos 196 países partes da CDB, em dezembro de 2022, não obteve ganhos substancialmente exequíveis. Nas palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem pelo Dia Internacional da Diversidade Biológica, comemorado neste dia 22, “todos temos um papel a desempenhar. Povos indígenas, empresas, instituições financeiras, autoridades locais e regionais, a sociedade civil, as mulheres, os jovens e o meio acadêmico devem trabalhar em conjunto para valorizar, proteger e restaurar a biodiversidade de uma forma que beneficie a todos”.

Mas não é precisamente assim que as coisas funcionam. Num dos painéis exibidos sobressaia-se o título em inglês: Opportunities blossom: How business can profit from nature’s revival (em tradução livre, “Oportunidades florescem: como as empresas podem lucrar com o renascimento da Natureza”). Num outro canto, a imagem de um simpático “Sagui-cabeça-de-algodão”, símio de florestas tropicais, morador das árvores altas que estão cada vez mais escassas por conta do desmatamento. Noutro slide, o desafio maior: “Como empreender com a parceria da Natureza? Isto é, identificar resultados mais fáceis de colher em qualquer setor; encontrar o maior impacto; reconsiderar soluções existentes; aplicar novas tecnologias e práticas”. Imensos desafios à pesquisa, ciência e desenvolvimento tecnológico. Motivações que, todavia, se perderam no limbo burocrático e fantasioso de mais uma etérea Conferência.

Para a TNFD (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures – em tradução livre “Força-tarefa para divulgação Financeira relacionada à natureza”), a sociedade, os negócios e as finanças dependem dos ativos e serviços proporcionados pela natureza. A aceleração da perda da natureza globalmente está corroendo a capacidade dos biomas de fornecer esses serviços vitais. Adotar medidas para restaurá-los, protegê-los e conservá-los é agora uma prioridade global crítica”. A realidade, contudo, não muda, os compromissos não avançam. Ao final da última plenária da COP-16, de acordo com relatos de fontes oficiais divulgados pela mídia, não se sabia ao certo qual seria o legado daquelas duas semanas de discussão.

Tão frustrante quanto, a COP29, sediada em Baku, capital do Azerbaijão, de 11 a 24 de novembro, além dos temas protocolares sobre clima e meio ambiente, a questão “financiamento” também mais uma vez fracassou. Até em relação ao “Marco Global de Kunming” aprovada na COP15, com um acordo histórico para orientar a ação global sobre a natureza até 2030, os US$200 bilhões anuais para financiar os esforços globais de conservação da biodiversidade foram transferidos para a COP30, a se realizar no próximo ano em Belém, Pará. Quanto ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, Tropical Forests Forever Facility), outra ousada proposta, seria uma das estratégias brasileiras para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Apresentado durante a COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o Fundo tem o intuito de remunerar países em desenvolvimento que conservam suas florestas tropicais, destinando o capital investido a ativos verdes e aplicando o retorno para manter as florestas de pé. A iniciativa realizará pagamentos por cada hectare de vegetação em pé, com penalização por hectare desmatado ou degradado, e garantirá recursos adicionais para a proteção da biodiversidade, de territórios tradicionais e a manutenção dos serviços ambientais. Ou seja, de promessas e promessas, de compromissos não cumpridos o assunto terá o destino presumido: o engavetamento burocrático. Mas as COPs não cessarão. Afinal, viajar, como navegar é preciso.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Concurso elege hino de Rio Branco; confira a letra

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Foto: Evandro Derze/Assecom

Finalistas do concurso de criação do hino oficial de Rio Branco, e moradores da cidade se reuniram na Praça da Revolução, no Centro da capital, para conhecer a composição vencedora. Os autores da letra levaram para casa o prêmio de R$ 12 mil.

Relembre: Você sabia? Rio Branco não tem hino oficial

Paulo Arantes e Maria das Graças, do Coral Rio Branco, tiveram sua composição escolhida e foram os grandes ganhadores da noite. Em segundo lugar, ficou Antônio Ferreira Pereira, levando R$ 5 mil e em terceiro lugar Hilda Lopes, levando ainda R$ 4 mil.

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, enalteceu a escolha e contou que descobriu que a capital ainda não tinha hino oficial, quando assumiu a gestão.

Foto: Evandro Derze/Assecom

Gladson Cameli, governador do Acre, também compareceu ao evento e ressaltou a importância da escolha para os moradores da capital.

Falta do hino

Em 2022, no aniversário de 140 anos de Rio Branco, o historiador Marcos Vinícius Neves explicou, que o hino até então atribuído à cidade é, na verdade, uma música em comemoração ao centenário da colonização do estado.

Em julho do ano passado, foi publicada a lei que dava providências para que houvesse a criação do hino oficial de Rio Branco. De acordo com a normativa de nº 2.465, de 6 de julho de 2023, a letra do hino deve fazer referência “à trajetória histórica e às situações geográfica, econômica e sociocultural do município”.

Também na época, houve até mesmo uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Rio Branco para discutir o projeto de lei que previa um concurso cultural para definir um hino oficial para a capital acreana.

Mais de um ano depois, a Fundação de Cultura, Esporte e Lazer Garibaldi Brasil (FGB) divulgou o edital de lançamento do concurso. Podiam concorrer composições criadas de forma individual ou em parceria.

O hino deveria ter, dentre outros, os seguintes objetivos:

  • Manifestar o espírito cívico e o amor ao município, reafirmando através do hino a manutenção e preservação de suas tradições, sua cultura, belezas naturais, seu povo, origem, economia e projeção futura,
  • Revelar e exaltar através da arte musical a expressão dos aspectos históricos e culturais de Rio Branco;
  • Criar a letra e melodia do hino de Rio Branco a partir da referência geo-histórica do município, atendendo-se no poema às citações sobre a trajetória; histórica com enfoque nas origens, fauna, flora, solo, aspectos culturais, turísticos, históricos, econômicos e sociais do município, observando-se que não haja promoção de individualidades e particularidades.
  • Apresentar à população de Rio Branco um hino que possa representar e promover o município em toda sua diversidade.

A composição foi avaliada nos critérios de consonância com a história, cultura e identidade, qualidade musical, métrica e estrutura, facilidade de execução, riqueza poética e qualidade literária, e acessibilidade. Os candidatos foram avaliados por uma comissão julgadora.

Confira a letra:

“Abraçado pela mata
Nosso rio viu nascer
Uma vila encantada
Uma vida a florescer

Luz, a quem vem chegando chuva, para o chão brotar
Céu, nos abençoando
Rio Branco é o nosso lar
Capital da natureza

Um sinal, de encanto e sedução Ela nasceu cercada de belezas do estado é o coração
Nossos povos da floresta
Seiva, vida pra ganhar
Algumas noites são de festa
E a sanfona a sanfonar

Refrão

Seringueiros vão à guerra
Brasileiros com armas na mão
Rio Branco! Nossa terra!
Um sagrado pedaço de chão!

Nossa gente mescla as cores
Sempre um povo tão gentil
Um buquê de muitas flores
Aquarela do Brasil
Nós, somos a história lendas, cantos e paixão
Mas, pela sua glória

Rio Branco é inspiração
Hoje é encanto e alegria
Um clarão, na hiléia tropical
Celebração da vida em harmonia

Na Amazônia ocidental
Gameleira é poesia
Viva, símbolo do amor
Toda frondosa é melodia
Num cenário encantador.

Refrão

Seringueiros vão à guerra
Brasileiros com armas na mão
Rio Branco! Nossa terra!
Um sagrado pedaço de chão!”

*Por Lucas Thadeu e Hellen Monteiro, da Rede Amazônica AC e informações da Prefeitura de Rio Branco