Criada em 1963, a reserva tem 10.000 hectares e presta homenagem ao entomologista e botânico Adolfo Ducke.
Confira algumas curiosidades sobre esse importante local de pesquisa:
1. A Reserva é considerada o maior fragmento florestal preservado dentro de uma área urbana no Brasil.
2. Localizada no bairro Cidade de Deus, oferece uma opção de contato e imersão com a natureza.
3. Faz parte da Rede de Pesquisa Ecológica de Longo Prazo (LTER), contribuindo para estudos sobre biodiversidade e fragmentação florestal.
Área verde da Reserva Florestal Adolfo Ducke se destaca no mapa. Foto: Reprodução/Google Maps
4. Contém parcelas de pesquisa permanentes que permitem o monitoramento detalhado da flora e fauna amazônica.
5. Sua localização entre as bacias do Rio Amazonas e Rio Negro permite estudos sobre diferentes ecossistemas e interações ambientais.
6. Devido à sua relativa intocabilidade e proximidade com Manaus, a reserva atrai cientistas do mundo inteiro.
7. O Museu da Amazônia (Musa) ocupa 100 hectares (1 km2) da Reserva Florestal Adolpho Ducke (do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA). Possui exposições interativas e torres de observação para apreciar a biodiversidade da floresta.
A arte parintinense perdeu o renomado artista do Festival Folclórico, mestre Jair Mendes. Ele morreu aos 82 anos, no hospital Delphina Aziz, em Manaus (AM).
A morte do artista plástico ocorreu neste sábado (15), às 12h30. De acordo com a família, ele já enfrentava problemas de saúde e estava internado há vários dias.
Legado cultural
Nascido em 12 de junho de 1942 na Ilha Tupinabarana, desde criança já integrava o grupo de brincantes do Boi Bumbá Garantido.
Aos 15 anos, Jair começou a pintar as alegorias do boi, que na época eram feitas com materiais pesados como madeira e cipó, dificultando a performance dos “tripas“.
Em 1978, com 36 anos, Jair revolucionou o Festival ao introduzir o “boi biônico”, uma versão mais leve e articulada do boi-bumbá.
O artista utilizou materiais como espuma e proporcionou movimentos mais realistas ao boi, permitindo que olhos, orelhas, cauda e boca se movessem de forma sincronizada.
Essa inovação encantou o público e elevou o nível artístico do festival, estabelecendo um novo padrão para as apresentações.
Assim, ao longo de sua carreira, Jair Mendes contribuiu para ambos bois, Garantido e o Caprichoso, tornando-se referência pela habilidade em criar alegorias com movimentos realistas.
Homenagens em vida
Em reconhecimento ao seu legado, o Boi Garantido inaugurou, em abril de 2023, o ‘Espaço Mestre Jair Mendes’ no curral Lindolfo Monteverde, homenageando sua trajetória e influência na cultura parintinense.
Jair também dá seu nome à Medalha do Mérito Cultural na cidade de Parintins. Em 2023 foi homenageado pelo bumbá vermelho e branco durante a apresentação do tema ‘Garantido por toda vida’.
O atual prefeito de Parintins, Mateus Assayag, prestou homenagem ao artista em sua rede social.
“Seu legado permanecerá vivo na história e no coração de todos que celebram e valorizam a cultura amazônica, especialmente entre nossos artistas parintinenses”, afirmou Assayag.
Os colombianos têm orgulho de sua culinária e gostam que os visitantes experimentem um pouco de tudo, o que pode significar provar algumas combinações de comidas bem incomuns e talvez estranhas.
Que tal dar a essas combinações culinárias uma chance? Você pode descobrir um novo favorito:
Cachorro-quente e abacaxi
Os colombianos adoram um pouco de junk food, especialmente das barracas de rua que decoram a maioria das cidades colombianas depois do anoitecer. E nada é mais popular do que o humilde cachorro-quente, especialmente porque os colombianos têm um número recorde de molhos para servi-lo.
Entediados com o tradicional ketchup de tomate, maionese, rosé e mostarda, muitos optam pelo surpreendentemente delicioso molho de abacaxi.
Chocolate e queijo
Chocolate e queijo combinam como… eles combinam? Os bons cidadãos da capital da Colômbia parecem pensar assim. Chocolate e queijo são os favoritos tradicionais tanto em Bogotá quanto em outros lugares dos Andes e estão disponíveis em várias formas.
O mais popular é com pedaços de queijo macio mergulhados em uma tigela de chocolate quente fumegante, ideal para uma manhã fria andina. Sanduíches de chocolate e queijo também não são inéditos.
Canja de Galinha e Creme
Se você pensou que chocolate e queijo eram uma combinação estranha de alimentos, espere até ver o que os bogotanos fazem com sua mundialmente famosa sopa.
Esta sopa de frango e batata requer: frango, é claro; três variedades diferentes de batata; erva guascas; espiga de milho; um pouco de arroz; uma fatia de abacate e… creme. Trocar este último por creme de leite ou creme fraiche simplesmente não resolve.
Bandeja Paisa
Muitas combinações estranhas de comida no mesmo prato! Como se você precisasse de mais uma prova de que os colombianos gostam de misturar e combinar quando se trata de cozinhar, não é? Mas vamos considerar a infame bandeja paisa.
Este é certamente um dos pratos mais recheados do mundo, já que combina: carne moída, chouriço, carne de porco frita, ovo frito, morcela, feijão vermelho (cozido com carne de porco), banana-da-terra, arepa, arroz branco, molho hogao, limão e abacate. Sim, você leu corretamente. É tudo isso mesmo!
Ovo e arepa
Do distrito de café amante da bandeja paisa à costa caribenha amante de ovos e arepas. Uma das tradições culinárias é devorar uma tradicional arepa e ovo no seu café da manhã. Este saboroso lanche é basicamente um bolo de milho frito com um ovo frito dentro.
É feito fritando a arepa, ou bolo de milho, até que esteja quase pronto. Em seguida, você faz um pequeno furo e despeja um ovo cru dentro, antes de selá-lo novamente e devolver a arepa à fritadeira.
Calentado significa “aquecido” e agora você provavelmente entendeu que os colombianos não gostam de desperdiçar sua comida.
O calentado é basicamente feito combinando suas sobras, como feijão, arroz, ovos fritos, arepas, carne e chouriço.
Ao contrário da bandeja paisa, onde esses alimentos só compartilham o mesmo prato, o que pode ser misturado, é misturado. Nada faz um colombiano se sentir mais nostálgico do que isso.
Os povos indígenas foram fundamentais para a geração de diversidade e dispersão da mandioca no continente americano, muito antes da chegada dos europeus. A conclusão é de um estudo publicado na revista Science no dia 7 de março que revela como se deu a evolução, a disseminação e o grau da diversidade genética da mandioca.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Embrapa e de instituições dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Bolívia e Chile, analisou o genoma de 573 variedades da planta e identificou um forte parentesco genético entre elas. Segundo os pesquisadores, essa conexão foi impulsionada por práticas indígenas como a troca de variedades entre aldeias e a seleção de plantas espontâneas, garantindo a propagação de clones de alta qualidade ao longo dos séculos.
O pesquisador Fábio Freitas, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), um dos autores do estudo, explica que foram analisados os códigos genéticos de amostras de mandioca e de seus parentes silvestres, distribuídos desde os Estados Unidos até o Chile. O objetivo foi traçar um panorama da evolução da diversidade da mandioca no continente.
Amostra arqueológica de mandioca com 2 mil anos
Para isso, os cientistas recorreram a coleções de bancos genéticos, a amostras de exsicatas (parte seca e prensada contendo folhas e flores que identificam uma planta – veja imagem à esquerda) de herbários, variedades tradicionais cultivadas por povos indígenas e até a amostras arqueológicas. “Nós conseguimos sequenciar um leque muito amplo de espécies e variedades, tanto no espaço quanto no tempo. Temos amostras coletadas no ano passado, outras obtidas há mais de 100 anos e até uma amostra arqueológica com 2 mil anos”, destaca Freitas.
Segundo o pesquisador, a mandioca foi domesticada há mais de seis mil anos na borda sul da Amazônia, em uma área que hoje abrange os estados do Acre e de Rondônia. Dali, espalhou-se por todo o continente e além desse. Mas, diferente do que é normalmente encontrado em espécies de propagação sexual por sementes, como o milho, em que é possível identificar linhas evolutivas, para a mandioca isso não foi percebido. No milho as variações genéticas se aprofundam quanto mais distantes geograficamente as amostras estão do seu centro de origem, diferentemente do que foi registrado nesse estudo.
“Na mandioca, toda a diversidade existente entre as diferentes amostras estão mais ou menos espalhadas de forma uniforme, independentemente do quão distantes estão da borda sul da Amazônia, de onde saíram as primeiras populações domesticadas”, ressalta. “É como se todas as plantas fossem parentes muito próximas, muitas das quais como mãe e filha. Por exemplo, comparamos uma amostra coletada em Cuba, em 1904, e constatamos que, geneticamente, ela é filha de outra planta coletada na Amazônia, em 1961. Isso mostra como a dispersão dessa cultura, promovida pelos povos indígenas e, ao mesmo tempo, a manutenção de determinadas variedades geração após geração, foi extremamente eficiente ao longo dos séculos”, explica.
Diversidade genética e cultura indígena
Para entender como isso aconteceu, é preciso conhecer um pouco essa cultura. A mandioca é propagada predominantemente por clonagem, ou seja, novos cultivos são formados a partir de pedaços da planta original, chamados manivas, sem a necessidade de sementes. Isso quer dizer que plantas com o mesmo código genético podem ser cultivadas durante anos. Esse tipo de reprodução traz muitas vantagens, mas poderia levar à perda de diversidade genética pelo acúmulo de mutações deletérias (uma alteração no DNA que pode diminuir a capacidade reprodutiva e de adaptação de um organismo), no entanto, a pesquisa revelou que a mandioca manteve uma variabilidade surpreendente ao longo do tempo.
Isso ocorre porque a mandioca apresentou um nível de heterozigosidade acima do esperado (até mesmo maior do que a espécie silvestre). Isso quer dizer que uma mesma planta pode ter variação genética entre os dois alelos do mesmo gene contidos nos pares de cromossomos homólogos, mesmo sendo clonada. Ou seja, um clone, às vezes pode apresentar a característica herdada pela planta mãe e outras vezes pelo pai. Esse fator funciona como um “buffer” genético, uma espécie de seguro natural que protege a cultura de mutações prejudiciais e a torna mais resistente a mudanças ambientais, como seca, pragas ou solos pobres.
Além disso, práticas tradicionais das comunidades indígenas contribuíram para a preservação e ampliação da diversidade genética da mandioca. Um exemplo disso é a Casa de Kukurro, uma tradição do povo Waurá, habitantes do Território Indigena do Xingu, no estado de Mato Grosso. Parte do ritual consiste em reunir todas as variedades de mandioca em dois montes ou covas a cerca de 40 metros um do outro, acreditando-se que essa prática fortalece a energia das plantas. Na prática, a Casa de Kukurro permite o cruzamento de diferentes variedades, promovendo o surgimento de novas plantas, essas de forma espontânea, por semente, as quais são avaliadas, selecionadas e, se aprovadas, incorporadas na coleção de variedades de mandioca que já possuem.
Na aldeia Ulupuwene, no Alto Xingu, o agricultor Tapaiê Waurá (foto à esquerda) realiza esse ritual sempre que abre um novo campo de cultivo de mandioca. Em 2018, o evento foi registrado pela primeira vez em vídeo pelo pesquisador Fábio Freitas e pelo videomaker Celso Viviani, da produtora Rentalpix. Voltaram à aldeia em 2019 para acompanhar a colheita e a seleção de novas variedades. O material resultou no documentário Casa de Kukurro, disponível no YouTube.
Mais do que um ritual, a Casa de Kukurro representa uma estratégia eficiente de melhoramento genético da mandioca. “Essa tradição do povo Waurá funciona como um banco genético que permite não apenas a conservação das variedades que já possuem, mas também estimula o surgimento de novas variedades e a ampliação da diversidade da cultura no local. Os povos tradicionais multiplicam e selecionam novos materiais, mantendo aqueles que apresentam características agronômicas, culturais e nutricionais de interesse para a aldeia”, explica Freitas.
Esforço histórico de coleta garante resultados
Os resultados do estudo só foram possíveis graças a um esforço histórico da pesquisa agropecuária na coleta e análise de amostras de espécies silvestres do gênero Manihot e de variedades da espécie cultivada. O sequenciamento de 573 genomas foi viabilizado pela ampla diversidade das coleções de mandioca da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, da Embrapa Cerrados e da Embrapa Mandioca e Fruticultura, que reúnem plantas de diversas procedências geográficas e coletadas ao longo de um extenso período.
“Diversos pesquisadores e técnicos trabalharam e ainda pesquisam há décadas esse gênero, que hoje é preservado em bancos de conservação (foto abaixo) espalhados por diferentes Unidades da Embrapa, além de coleções de DNA e herbários”, conta Freitas. O herbário da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, por exemplo, abriga a maior coleção de amostras de parentes silvestres da mandioca.
Na visão do pesquisador, o aprofundamento do estudo sobre a história evolutiva e a diversidade da mandioca permitirá compreender melhor suas características e, assim, aprimorar estratégias de conservação e melhoramento da espécie.
Câmara fria da Embrapa Mandioca e Fruticultura, onde plantas de mandioca são conservadas e utilizadas em pesquisas de melhoramento genético Foto: Léa Cunha
Pesquisa abre novas perspectivas para o melhoramento genético da mandioca
A diversidade presente nos bancos de sementes do solo e a seleção de variedades espontâneas têm sido fundamentais para gerar novos genótipos (indivíduos que, após cruzamentos, podem se tornar variedades).
“O estudo demonstrou que o cultivo tradicional da mandioca pode fornecer informações valiosas para o desenvolvimento de novos clones superiores e abre amplas possibilidades para a seleção de combinações parentais que maximizem a variância e a média de atributos agronômicos importantes”, explica Éder Jorge de Oliveira, pesquisador e melhorista da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), centro que contribuiu com dados genéticos de sua coleção de trabalho e com análises prévias da diversidade da mandioca.
A ênfase na diversidade genética também pode ser essencial para enfrentar desafios emergentes, como a vassoura de bruxa, recentemente identificada no estado do Amapá. “A conservação de genótipos geneticamente diversificados pode facilitar a identificação de genes de resistência, permitindo o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes a essa e outras ameaças”, explica Oliveira.
A Embrapa Cerrados, por sua vez, levou ao estudo materiais provenientes cultivados e preservados há gerações por comunidades da região do Cerrado, além de acessos de melhoramento genético com características distintas, como variações na cor da polpa e da raiz, resistência a pragas e doenças, diferenças nos teores de ácido cianídrico e variedades de mandioca açucarada, entre outras.
“A ideia era que, com essa base, pudéssemos estudar a diversidade genética da mandioca de forma mais ampla”, destacou o pesquisador Eduardo Alano, que também assina o artigo.
Alano faz parte da equipe que atua no programa de melhoramento genético da mandioca para as condições do Cerrado brasileiro e tem como base genética o banco de germoplasma da Unidade, que atualmente conta com 300 acessos representativos da diversidade genética da cultura no bioma. “Para o estudo, buscamos fazer uma amostragem da melhor forma possível para representar a diversidade genética do nosso banco de germoplasma”, explicou.
Para ele, os resultados obtidos são extremamente valiosos, pois permitem avanços mais rápidos no programa de melhoramento genético. “Esse conhecimento nos ajuda a entender o passado, compreender o presente e projetar o futuro da cultura da mandioca. Esse tipo de trabalho é essencial para isso”, ressaltou.
Povos indígenas foram fundamentais para a geração da diversidade que atualmente encontramos na mandioca. Foto: Celso Viviani
Você comeria um clone?
A resposta é sim! Todos os dias, consumimos clones sem perceber. Mas esqueça os filmes de ficção científica ou a novela O Clone, da Rede Globo. Na ciência, um clone nada mais é do que uma cópia genética exata de um organismo, ou seja, um ser vivo com o mesmo DNA do original.
Foto: Léa Cunha
A clonagem é extremamente comum no reino vegetal. Muitas espécies, como batata, banana, abacaxi e mandioca, são cultivadas a partir de pedaços de suas próprias estruturas, como caules ou raízes. No caso da mandioca, planta-se um pedaço do caule, a maniva (foto à direita), de onde nascem novas plantas geneticamente idênticas à original.
Essa reprodução por clonagem tem vantagens para a agricultura, pois garante uma produção padronizada e previsível. No entanto, a falta de diversidade genética pode ser um risco: se todas as plantas forem idênticas, uma doença ou outra condição adversa pode devastar uma plantação inteira.
A mandioca, no entanto, desafia essa lógica. O estudo publicado na Science demonstrou que essa cultura manteve uma diversidade genética surpreendente graças ao seu alto grau de heterozigosidade. Isso significa que, mesmo sendo clonada, a mandioca possui diferentes alelos em seus genes em cada planta, tornando-a mais resistente a doenças, pragas e variações ambientais.
A conservação de puma em áreas como o Parque Sierra del Divisor é vital para manter a saúde do ecossistema amazônico. Foto: Reprodução/Sernanp
Durante um exercício de monitoramento de rotina da flora e fauna no Parque Nacional Serra do Divisor (PNSDV), na região de Loreto, no Peru, um puma ou onça-parda (Puma concolor) foi avistado no setor Cashioya, refletindo a rica biodiversidade deste ecossistema amazônico.
Capturado em vídeo e fotografias pelos guardas florestais, este momento reflete o trabalho duro e marca um avanço significativo nos esforços de conservação do parque.
“Foi um momento mágico que reafirma nossa missão de proteger este ambiente natural “, disse Erick Gutiérrez Holguín, um dos guardas do parque.
🔴Avistan puma en el parque nacional Sierra del Divisor. ▶️Durante patrullajes en el sector Cashiboya, guardaparques lograron capturar un video y fotos del depredador tope.👉https://t.co/QMtZyceKr0
Este não é o primeiro registro desta espécie. Em 2023, sua presença foi registrada em diversas áreas durante o monitoramento biológico. Em 2024, armadilhas fotográficas em zonas de regeneração no setor Callería documentaram tanto o puma quanto a onça-pintada (Panthera onca), destacando a necessidade de proteger áreas degradadas.
A presença do puma, como predador de topo, é um indicador do estado de conservação do parque, que se mantém em 99,97%, dados que refletem os esforços contínuos das autoridades ambientais.
Este registro simboliza o comprometimento coletivo dos guardas florestais, que trabalham para proteger esse patrimônio natural.
“Isso nos motiva a continuar trabalhando para conservar a biodiversidade, demonstrando que nossos esforços estão dando frutos”, acrescentou Gutiérrez.
A Irlanda anunciou, no dia 12 de março, que doará 15 milhões de euros (o equivalente a cerca de R$ 91 milhões) ao Fundo Amazônia nos próximos três anos. O anúncio ocorreu em São Paulo, durante reunião entre a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o ministro dos Transportes irlandês, Seán Canney. Ao efetivar a contribuição, a Irlanda se juntará ao grupo de países doadores, que passará a ter oito membros.
De acordo com a ministra Marina Silva, o Fundo Amazônia é referência em mecanismos financeiros voltados ao enfrentamento do desmatamento e da mudança do clima.
“É um fundo de recursos não retornáveis, com ações nas agendas de combate à criminalidade e investimento em pesquisa e projetos inovadores de desenvolvimento. Tudo isso faz a diferença, porque o que nós queremos é um novo ciclo de prosperidade, sobretudo no contexto de agravamento da mudança do clima”, destacou.
A ministra afirmou ainda que a adesão da Irlanda ao Fundo Amazônia reforça o reconhecimento internacional dos esforços do Brasil na área ambiental.
“O importante apoio da Irlanda representa um reconhecimento dos bons resultados alcançados pelo Brasil no combate ao desmatamento, e permitirá ao país avançar ainda mais nesta agenda e no enfrentamento à mudança do clima”, complementou.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, se encontrou, em São Paulo, com a embaixadora da Irlanda no Brasil, Fiona Flood, e com o ministro dos Transportes irlandês, Seán Canney. Foto: Rogério Cassimiro/MMA
Mudança do clima
Em um ano considerado decisivo para as ações de combate à mudança do clima no Brasil, com a realização da COP30, que acontece em novembro em Belém (PA), a adesão da Irlanda reforça a estratégia brasileira com a retomada do Fundo Amazônia, após a recomposição de seu Comitê Orientador pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro dia do atual governo. Apenas em 2024, foram internalizados no Fundo Amazônia cerca de R$1 bilhão em doações contratadas em 2023 e 2024, de seis diferentes países.
“A doação da Irlanda ao Fundo Amazônia é um reconhecimento internacional da efetividade do Brasil no combate ao desmatamento e na promoção do desenvolvimento sustentável”, avaliou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
“Esse importante aporte reforça nossa capacidade de financiar iniciativas que protegem a floresta, fortalecem comunidades e impulsionam a bioeconomia. O BNDES, como gestor do fundo, continuará trabalhando para ampliar os impactos positivos dessa iniciativa e atrair novos parceiros comprometidos com a preservação ambiental e o enfrentamento da crise climática”, pontuou.
Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil (BNDES) sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Fundo é a maior iniciativa mundial para a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) e um dos principais instrumentos de execução da política ambiental e climática brasileira.
O mecanismo de financiamento ambiental tem como objetivo arrecadar doações para investimentos não reembolsáveis em iniciativas voltadas à prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de promover a conservação e o uso sustentável da Amazônia Legal. Também apoia o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outras regiões do Brasil e em países tropicais.
O Fundo Amazônia tem em sua carteira 123 projetos apoiados, no valor total de R$3,1 bilhões, sendo mais de R$200 milhões somente em 2024. Sete países já realizaram doações ao Fundo: Noruega, Alemanha, EUA, Reino Unido, Dinamarca, Suíça e Japão, além da Petrobras, superando R$4,5 bilhões em contribuições ao longo dos 16 anos de atuação. A Irlanda se juntará ao grupo.
*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Foto: Divulgação/Centro de Instrução de Guerra na Selva
Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) mostra que áreas protegidas da Floresta Amazônica são o principal refúgio para as onças-pintadas. Os pesquisadores mapearam populações de onça-pintadas em 22 áreas protegidas da Amazônia, por meio de 40 câmeras instaladas em parques nacionais, reservas extrativistas e terras indígenas no Brasil, Equador, Peru e Colômbia.
As áreas monitoradas foram escolhidas a fim de garantir a representatividade de todos os tipos de ecossistemas amazônicos, como florestas de terra firme, igapós e várzeas, em diferentes altitudes, médias de temperatura e níveis de pressão humana.
Segundo o artigo, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, registrou uma concentração de quase dez onças por 100 quilômetros quadrados, totalizando 1.180 fotografados, sendo a maior concentração da espécie encontrada na área de estudo, com um índice comparável aos registrados no Pantanal, que concentra uma média de doze onças por 100 quilômetros quadrados.
O estudo também buscou entender a relação entre os tipos de floresta e a população de onças. De acordo com as imagens capturadas, a espécie habita com mais frequência as áreas de várzea, que concentram maior quantidade de alimentos e facilitam a locomoção.
Os cientistas indicam que locais com grande presença de humanos forçam as onças a percorrerem áreas maiores, a fim de garantirem o acesso a quantidades adequadas de alimento.
Os pesquisadores ressaltam a importância da destinação das chamadas “florestas públicas não destinadas” como parte da proteção das onças. Hoje, essas terras somam 56,6 milhões de hectares, mesma área da Espanha. Elas aguardam pela definição de uso e vêm sofrendo cada vez mais com a grilagem.
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia revela que, entre 2019 e 2021, cerca de 51% do desmatamento ocorreu em terras públicas, sendo as florestas públicas não destinadas as mais atingidas.
Com uma extensão de 6.070,17 km² (607.017,24 hectares), a área é delimitada pelas bacias dos rios Jari, Amapari e Oiapoque, integrando o complexo das Montanhas do Tumucumaque.
Os grupos indígenas que vivem na região mantêm práticas de subsistência baseadas na agricultura, caça, pesca e coleta, mudando periodicamente a localização de suas comunidades para permitir a regeneração ambiental das áreas ocupadas.
História e Demarcação
De acordo com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), a ocupação tradicional da região pelos Wajãpi remonta a séculos, mas o processo formal de reconhecimento e demarcação da terra iniciou-se apenas nos anos 1970, com sua delimitação formal ocorrendo em 1980.
A homologação definitiva foi realizada em 1996, após um processo de demarcação que contou com intensa participação dos próprios indígenas.
A iniciativa foi coordenada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (GTZ) e do Centro de Trabalho Indigenista (CTI).
Fotos: Mário Vilela/Funai
Segundo o livro ‘Terra Indígena Wajãpi da demarcação às experiências de gestão territorial’, também do Iepé, no local podem ser encontrados árvores de copaíbas em ampla distribuição, mas dispersas. Segundo os Wajãpi, existem três tipos: a branca, vermelha e a negra com diferenças significativas na produção.
Apesar de sua rica cultura e resistência, os Wajãpi enfrentam constantes desafios. A TIW é rica em recursos minerais, como ouro e ferro, o que atrai o interesse de empresas de mineração e garimpeiros.
Para proteger seu território, os Wajãpi já participaram inclusive das manifestações contra o PL 490, que visa liberar mineração em terras indígenas.
O povo tem sido historicamente assediado por essas atividades, que ameaçam tanto o meio ambiente quanto o modo de vida tradicional das comunidades.
Fotos: Mário Vilela/Funai
O acesso às aldeias é feito por estradas, rios, igarapés e trilhas na floresta. Por isso, para manter a qualidade de vida e garantir a vigilância territorial, os Wajãpi apostam na ocupação dispersa do território.
Esse modelo não só assegura a subsistência em padrões considerados adequados pelo próprio povo, como também fortalece a proteção de seu espaço sagrado.
Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal atingiram o menor índice para o mês de fevereiro, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram registrados 80,95 km² de áreas desmatadas no mês em 2025, uma queda de 64,26% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram detectados 226,51 km² de desmatamento.
O pior ano foi 2023, quando houve alerta de desmatamento para uma área de 321,97 km² no período. Os alertas foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), desenvolvido como um sistema de alerta para dar suporte à fiscalização e controle de desmatamento e da degradação florestal realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e demais órgãos ligados à temática.
Estados
A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro e engloba os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Em fevereiro de 2025, o estado com mais alerta de desmatamento foi Mato Grosso (29 km²), seguido por Roraima (18 km²), Pará (15 km²), Amazonas (11 km²), Maranhão (4 km²), Rondônia (3 km²) e Acre (2 km²).
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foram registrados 80,95 km² de áreas desmatadas em fevereiro deste ano
Cerrado
O bioma Cerrado também apresentou queda nos alertas de desmatamento em fevereiro de 2025, quando foram desmatados 494,05 km², em comparação aos dados de 2024. No mesmo período do último ano, foram desmatados 655,51 km², o maior valor da série histórica iniciada em 2019.
Os estados do Piauí (118,1 km²), Bahia (104,71 km²) e Tocantins (97,45 km²) lideram o ranking de áreas desmatadas, concentrando a maior parte da devastação. Entretanto, o estado do Mato Grosso (52,81 km²) e o Maranhão (57,4 km²) apresentam índices menores.
Desmatamento zero
O Governo Federal vem implementando diversas políticas públicas para reduzir o desmatamento no país, reafirmando o compromisso do Brasil com o desmatamento zero até 2030. Uma das principais ações foi a reativação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), originalmente lançado em 2004 e descontinuado em 2019.
O plano, restabelecido em 2023, mantém os eixos estratégicos de ordenamento territorial e fundiário, monitoramento e controle ambiental, fomento às atividades produtivas sustentáveis e instrumentos normativos e econômicos.
Além disso, estabeleceu uma parceria de R$730 milhões com municípios amazônicos para combater o desmatamento e os incêndios florestais, parte do PPCDAm. Esses recursos, provenientes do Fundo Amazônia e do programa Floresta+, serão investidos até 2027 em ações como regularização fundiária e ambiental, assistência técnica para produção sustentável e criação de brigadas municipais de combate a incêndios.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima estabeleceu ainda uma lista de municípios prioritários no bioma para ações de prevenção, controle e redução dos desmatamentos e da degradação florestal.
*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Pertencente ao povo Kokama, Joeliton Vargas Moraes já acumula importantes conquistas no mundo do empreendedorismo digital, antes uma terra árida para a disseminação da cultura dos povos originários da Amazônia.
Ele se formou em Administração no Instituto de Natureza e Cultura (INC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em janeiro de 2025, mas dois anos antes, já ingressava no mercado das startups com uma proposta inovadora. A empresa Ikaben, idealizada por ele ainda quando cursava a disciplina de Empreendedorismo, em 2023, dá visibilidade aos grafismos de significado milenar entre os Kokama por meio da moda.
“A Ikaben é mais que uma marca, é uma voz. No dialeto Kayapó, Ikaben significa ‘voz’, e essa escolha não é por acaso. Queríamos não apenas falar por nós e pelos nossos parentes mais próximos, mas sim que a nossa voz ecoasse junto com a de outros povos indígenas, de etnias e territórios distintos, porque a nossa luta, a nossa cultura e a nossa resistência ultrapassam as fronteiras. A Ikaben não é só sobre uma identidade, mas sobre muitas identidades que se conectam. É sobre atribuir visibilidade a culturas que resistem há milênios e que seguem firmes, preservando suas raízes e sua sabedoria. Queremos que cada peça e cada criação carregue a mensagem de pertencimento, respeito e valorização”, explica o empreendedor.
Tudo começou quando o jovem universitário foi desafiado pelo professor Pedro Henrique Mariosa a pensar numa proposta de empreendimento que fosse capaz de valorizar a cultura indígena. Na época, Joeliton comercializava bonés comprados na capital para os parentes de sua comunidade, no município de São Paulo de Olivença.
A venda, no entanto, gerava lucros para as marcas já consolidadas na indústria da moda. Foi então que aluno e professor refletiram se não seria o caso mudar o sentido daquela equação, com a venda de produtos que valorizassem os elementos culturais próprios daquele povo e ainda gerando renda para a comunidade.
Empresa Incubada
A Ikaben germinou ali mesmo, na sala de aula, mas ganhou corpo depois de ser integrada à Incubadora de Negócios de Impacto Socioambiental do Alto Solimões (InPaCTAS). Em 2024, o professor Pedro Henrique Mariosa foi um dos três proponentes da Ufam contemplados no edital Pró-Incubadoras, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), e a InPaCTAS recebeu aporte de R$150 mil para potencializar as propostas aptas à incubação na região do Alto Solimões, onde fica o campus de Benjamin Constant.
À época da contemplação, o coordenador mencionou já haver demanda pelo serviço. “O Provalor identifica, mapeia e organiza iniciativas que promovam a inversão da subalternidade na Amazônia”, disse o professor Mariosa em 2024. De fato, é exatamente essa a ideia por trás da criação da Ikaben.
Durante a pré-incubação, houve oficinas, capacitações e mentorias, com o objetivo de estruturar as ideias dos proponentes. “A InPactas não é sobre aprender a vender, mas sobre como criar um negócio com propósito, impacto e sustentabilidade, fortalecendo redes de contato estratégicas para nos conectar ao mercado”, ressalta Joeliton Moraes.
A fase de incubação propriamente tem ajudado a empresa a crescer com bases sólidas e olhar para o futuro com mais estratégia e segurança.
“A importância desses processos não pode ser subestimada pelos novos empreendedores. No nosso caso, foi a partir dessas experiências que conseguimos transformar uma ideia, que um dia foi motivo de dúvida e até risadas, em um negócio real, estruturado e com impacto positivo na nossa região”, completa o jovem.
Foto: Reprodução/Ikaben
Tecnologia de rastreabilidade
A Ikaben foi fundada em 2023, como uma loja de roupas contendo grafismos atribuídos ao povo Kambeba, com atuação on-line. Ao aliar o uso de recursos tecnológicos a uma tradição cultural milenar, que são os grafismos indígenas do povo Kokama, a startup foi além.
Joeliton explica que o uso da tecnologia blokchain (cadeia de blocos, em tradução literal) é o que garante a rastreabilidade de origem no processo que envolve a fabricação de produtos como camisas, bolsas e bonés pela Ikaben. O emprego dessa tecnologia resultou da colaboração entre duas startups incubadas na InPaCTAS: a Ikaben e a Puwakana.
O modelo traz ao menos dois benefícios diretos: protege a propriedade intelectual dos grafismos indígenas e garante que haja um repasse financeiro justo para as comunidades.
“Unimos empreendedorismo socioambiental, tecnologia e tradição, conectando consumidores globais a histórias milenares e fortalecendo a voz dos povos originários da Amazônia”, orgulha-se Joeliton.
Além disso, o uso de blockchain fortalece toda a cadeia de valor em torno daquele negócio e incrementa o preço de venda das peças, pois permite a catalogação e monitora o uso comercial dos grafismos ancestrais, assegurando que haja mais transparência e respeito aos povos indígenas detentores desse artefato cultural.
Agora, ela busca acelerar o emprego da tecnologia blockchain para garantir a rastreabilidade e a autenticidade de peças vendidas pela própria empresa por outras lojas parceiras. Cada peça recebe o registro único digital, contendo o nome do artesão, o local de produção, os materiais utilizados e o significado cultural daquela arte.
O processo permite ainda que o produtor seja recompensado financeiramente, e que 15% dos lucros sejam repassados à comunidade. “Nós unimos empreendedorismo socioambiental, tecnologia e tradição, conectando consumidores globais a histórias milenares e fortalecendo a voz dos povos da Amazônia”, destaca Joeliton.
De acordo com o empreendedor, a ideia é mesmo construir junto com os artistas, visitando cada comunidade para apresentar a startup e facilitar o processo de entendimento pelos povos, cada qual com língua e cultura próprias, além de auxiliar no cadastro dos artesãos daquele povo. “Agora temos um caminho claro para seguir. Vamos expandir a coleção, trabalhar no desenvolvimento da tecnologia e criar oportunidades para que artistas indígenas se conectem ao mercado de forma justa e transparente”, conclui o jovem.
Fomento
A Ikaben foi selecionada na quinta edição do edital ‘Elos da Amazônia – Empreendedorismo Científico Indígena‘, do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), para receber um aporte financeiro de R$ 1 milhão em investimentos.
O edital é parte do Programa Prioritário de Bioeconomia, Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), e tem o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).