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Tetra: atleta paraense vence Copa Internacional de Kung Fu e é homenageado

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Foto: Divulgação

Com 34 anos e uma experiência sólida no esporte, o atleta paraense Renan Felizardo conquistou mais duas medalhas na carreira: um ouro e o bronze, além de receber um troféu de homenagem, inspiração e reconhecimento pela dedicação às artes marciais. Com sua participação no 20th International Cup Brazil of Kung Fu Championship, organizado pela Liga Brasileira de Kung Fu (LBKF), entre os dias 23 e 24 de novembro, em Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo, Renan volta à competição depois de 5 anos parado.

Em mais de 8 horas de competições e disputas e, apesar da apreensão do atleta, a mente precisou se manter estável para seguir na disputa e conquistar o título.

Com mais de 200 atletas de rendimento em alto nível e de mais de 10 países presentes, além de delegação de 12 estados brasileiros, a competição exigiu muito do atleta.

“O nível estava altíssimo, mais difícil do que eu esperava. Eu, único atleta do Pará na competição, só tinha uma chance, a de mostrar tudo que eu sabia e tinha construído com as artes marciais ao longo desses anos, e deu certo, conquistei a 4ª medalha internacional e estou muito feliz por isso”, conta o atleta.

A conquista das medalhas de ouro, na categoria outras armas, com o pudao e, bronze, na categoria armas longas, com o bastão, exigiu esforço e muita habilidade do atleta.

“Na primeira chave, competia com dois brasileiros e o restante eram atletas de outros países. Nessa, fiquei com o bronze. Mas na seguinte, competi como único brasileiro da chave diante de vários atletas internacionais e a responsabilidade pesou em representar meu país e conquistar o ouro. Entreguei meu máximo, recebi pressão e aproveitei minha última chance na competição e como resultado, a conquista do outro e o Tetra na categoria”, conta.

Homenagem

Em um momento único, a Liga Brasileira de Kung Fu homenageou Renan com um troféu o reconhecendo como atleta em toda sua bravura, resiliência, força e exemplo para os praticantes de artes marciais.

Ao lodo das autoridades esportivas e políticas da cidade, Renan recebeu a homenagem e uma saudação especial do Grão-mestre (Sigung) Chiu Chi Ling, que é uma das maiores autoridades do Kung Fu Hung Gar no mundo, atuou em mais de 70 filmes de Kung Fu com grandes astros de filmes de Kung Fu, tais como Bruce Lee, Jackie Chan, Jet Li, Ti Lung, Yukari Oshima, Sam Hui, Sammo Hung, Fung King Man, Stephen Chow, Tsui Hark, Yuen Woo Ping, Kwan Tak Hing, Chow Yun Fat, Carter Wong e outros mais.

Frigoríficos da Amazônia Legal não estão em conformidade com novas políticas de exportação da União Europeia

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Imagem: Reprodução/Imazon

A partir de dezembro de 2025, deve começar a valer a nova regulamentação para importações da União Europeia, o Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR), que visa promover o consumo de produtos livres de desmatamento

Os frigoríficos brasileiros devem ficar atentos à novidade, que pode impactar significativamente as exportações brasileiras de carne bovina para os países do bloco, uma vez que nenhuma das empresas localizadas na Amazônia Legal demonstra conformidade plena com as especificações da EUDR.

A conclusão é de nova análise do Radar Verde, que utilizou os resultados da pesquisa anual de 2023 para avaliar as políticas de desmatamento zero de quem, atualmente, exporta para a Europa.

Em 2022, as exportações de carne bovina brasileira para os países europeus alcançaram 85 mil toneladas e geraram para o Brasil cerca de US$ 661 milhões, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC).

A nova regulamentação, ao entrar em vigor, deve afetar significativamente esse mercado, pois o desempenho de todos os frigoríficos que operam na Amazônia Legal é insuficiente para as exigências da EUDR, que exige rastreamento de origem dos fornecedores indiretos, o que nenhum frigorífico analisado pelo Radar Verde faz.

A análise revela diferentes situações das empresas de carne bovina: algumas estão começando a adotar políticas de desmatamento zero, enquanto outras estão atrasadas nesse aspecto. Concentradas no estado do Mato Grosso, 63% das empresas habilitadas a exportar para a UE possuem controle sobre os fornecedores diretos e 25% apresentaram controle intermediário da cadeia de fornecedores. A eficácia da política contra o desmatamento das demais empresas foi baixa ou muito baixa. 

“A UE pode influenciar práticas sustentáveis na cadeia de produção de carne bovina brasileira, colaborando com instituições financeiras e agências governamentais para criar incentivos para práticas produtivas e ambientais melhores”, complementam.

O trabalho traz diversas outras recomendações do que as empresas e o governo podem fazer para evitar que o Brasil perca esses importantes compradores. 

Os frigoríficos podem começar participando da edição 2024 da pesquisa, que já está em andamento. Todos eles já receberam um convite para participar do indicador e têm até o dia 22 de novembro para responder ao questionário, que compõe a nota junto com os dados públicos disponibilizados em seus canais oficiais.

O Radar Verde

Criado em 2022, o Radar Verde é um indicador público e independente de transparência e controle da cadeia de produção e comercialização de carne bovina no Brasil, que busca dar visibilidade às empresas compromissadas com a redução do desmatamento na Amazônia Legal.

O indicador avalia iniciativas de frigoríficos e supermercados, em todas as etapas de sua cadeia de fornecedores, que indiquem o comprometimento com a garantia de que a carne bovina que compram e vendem não está relacionada ao desmatamento da Amazônia Legal. O índice classifica anualmente os frigoríficos e supermercados de acordo com o controle e transparência sobre sua cadeia da carne.

O objetivo do Radar Verde é oferecer informações relevantes aos financiadores e setor financeiro, responsáveis pela concessão de crédito a estas empresas; e aos consumidores de carne bovina, para que possam tomar decisões sobre o consumo livre de desmatamento no processo de produção. O Radar Verde é uma realização do Instituto O Mundo Que Queremos (IOMQQ) e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Indígenas são impedidos de plantar roças devido à venda de créditos de carbono na Amazônia 

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Assembleia reuniu comunidades indígenas da região de Iauaretê, no Rio Uaupés, onde mercado de carbono se tornou uma preocupação. Foto: Juliana Radler/ISA

O cotidiano dos povos Tukano, Kotiria (Wanano), Desano, Tariano, Piratapuia e outros que habitam o rio Uaupés e afluentes, na Terra Indígena (TI) Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, foi impactado pela contrato de venda de créditos de carbono realizado entre comunidades indígenas colombianas e a empresa suíça South Pole. 

Considerada uma das maiores consultorias do mercado de carbono, a empresa acumula em seu portfólio o polêmico projeto Kariba, no Zimbábue, que foi objeto de uma série de denúncias de jornais internacionais pela falta de transparência e repasses injustos de recursos às comunidades africanas.

Quatro associações indígenas brasileiras dos rios Uaupés e Papuri relataram ao Instituto Socioambiental (ISA) a insegurança que estão enfrentando desde que os “parentes colombianos” fecharam acordo de créditos de carbono na fronteira na região da Cabeça do Cachorro, no Noroeste Amazônico. Drones voando em cima das comunidades, das roças, das áreas de pesca e da floresta no entorno virou algo tão comum quanto o voo das aves amazônicas.

Medo e desinformação na fronteira

Os indígenas, inicialmente, não sabiam o motivo dos drones sobrevoarem a região. Medo e boatos de que poderiam ser narcotraficantes ou guerrilheiros se espalharam. Depois, foi descoberto que os drones eram da empresa South Pole, que estava fiscalizando as comunidades indígenas com o intuito de averiguar se a floresta vinha sendo queimada para a abertura de roças — prática milenar para a subsistência das comunidades. As roças indígenas rionegrinas compõe o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (SATRN), que são inclusive Patrimônio Cultural Imaterial tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As lideranças brasileiras contaram que nunca houve nenhuma comunicação oficial das associações colombianas, da empresa South Pole ou do governo colombiano sobre os projetos de carbono na fronteira. O problema se acentuou quando os indígenas colombianos passaram a invadir as áreas de roça do lado brasileiro, pois estão impedidos de plantar e levar seu modo tradicional de vida.

Liderança Kotiria da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Uaupés (Amiaru), disse que em sua comunidade as pessoas começaram a acreditar que seriam expulsas. 

“Primeiro, eu fiquei com muito medo. Uns falavam que iam tirar as nossas casas da comunidade”. A liderança contou que após participarem de algumas assembleias e reuniões convocadas pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) sobre o tema, com a presença de advogados, a comunidade ficou mais tranquila e ciente dos seus direitos. 

Falta de transparência

O processo de negociação entre empresa e indígenas colombianos ocorreu sem transparência e consulta às comunidades, segundo as lideranças brasileiras e a escuta feita pelo jurídico da Foirn na região. 

“Tudo foi feito sem diálogo comunitário, apenas com negociações envolvendo algumas famílias”, comentou o advogado da Foirn. As lideranças brasileiras informam que indígenas colombianos estão preocupados com o futuro das comunidades, já que não podem mais fazer suas roças e o recurso recebido também não é suficiente para o sustento.

“As maiores comunidades colombianas que estão invadindo as áreas de roça brasileiras são Ibacaba, São Joaquim e Igarapé Inambu. Já no Alto Papuri, são as comunidades de Santa Maria, Los Angeles e Acaricuara que estão vindo fazer roça no lado brasileiro”, explicou a liderança Tukano da Associação das Comunidades Indígenas Alto Rio Papuri (Aciarp).

Na comunidade colombiana de Ibacaba, uma das envolvidas na transação de créditos de carbono, os indígenas da etnia Kotiria não podem mais fazer roças. Acordos antigos entre Kotirias do Brasil e da Colômbia de uso dos territórios tradicionais para fazer roças, não estão mais vigorando. Assim, nascem conflitos e incertezas quanto ao futuro das comunidades e a permanência da população, já que os contratos são de longo prazo, segundo as lideranças indígenas. 

Paisagem florestal da terra indígena espelhada nas águas calmas do rio Uaupés, afluente do Negro que liga Brasil e Colômbia
 Foto: Juliana Radler/ISA

As comunidades indígenas brasileiras na fronteira com a Colômbia afirmam que a negociação de carbono realizada junto às comunidades colombianas nos rios Uaupés e Papuri trouxe um tremendo impacto negativo para o modo de vida indígena. 

A roça é mais do que o sustento alimentar, está na base da cultura indígena. Sem roça, não há vida na comunidade. Para os brasileiros, é preciso que haja um diálogo transparente entre as autoridades brasileiras e colombianas sobre os projetos de carbono nas terras indígenas fronteiriças. 

Nesta região da fronteira Brasil-Colômbia o trânsito entre indígenas é livre e o uso dos territórios indígenas em ambos os lados é regido por acordos comunitários entre povos que falam a mesma língua e possuem a mesma cultura, como é o caso dos Kotiria e dos Tukano. Há muitos anos, a convivência entre os indígenas brasileiros e colombianos nesta região é pacífica e com amplo intercâmbio.

Rio Uaupés em Iauaretê com vista para a torre de telefonia móvel já em território colombiano
Foto: Juliana Radler/ISA

Cowboys do carbono

Especialistas no mercado de carbono, como o Instituto Talanoa de Política Climática, alertam para o crescente número de projetos conflituosos, oriundos de negociações que envolvem empresas emergentes apelidadas de “cowboys do carbono”. 

De acordo com apuração do departamento jurídico da Foirn, federação indígena que representa as associações de base da região, a empresa South Pole é a responsável pelo projeto que vem causando impacto negativo nestas comunidades, denominado “Proyecto REDD + de Los Pueblos Indígenas del Vaupés Yutucu e Otros.

A empresa suíça South Pole está envolvida em uma das maiores polêmicas sobre negociação de créditos de carbono junto a comunidades tradicionais, no projeto Kariba, no Zimbábue, como noticiou o jornal britânico The Guardian em março deste ano. Estima-se que o projeto Kariba tenha arrecadado mais de 100 milhões de euros desde 2011, mas as comunidades envolvidas não se beneficiaram de forma justa dos recursos. 

Denúncias também foram feitas pela agência de jornalismo investigativo Follow the Money, pelo principal jornal alemão, Die Ziet e pela revista The New Yorker.

Amazônia colombiana

Na Amazônia colombiana, a South Pole desenvolve três projetos de REDD + nos departamentos do Uaupés (Vaupés ou Waupés) e do Amazonas, sendo dois deles registrados e validados na plataforma de certificação Verra, de acordo com o Diagnóstico de Projetos REDD+ na Amazônia Colombiana, feita pelo Instituto Amazónico de Investigaciones Cientificas, da Colômbia.

Este documento revela que a South Pole desenvolve o maior projeto de REDD+ na Colômbia, desenvolvido em outra área preservada, na região do Putumayo. Este projeto tem vigência de 30 anos e incide em uma área de 3.824.920 hectares, equivalente a 65,62% da área da reserva.

Já o projeto Yucutu e Outros, que vem impactando as comunidades indígenas brasileiras na TI Alto Rio Negro, tem vigência de 20 anos e abrange uma área de 850.062 hectares, o que equivale a 21,69% da área da Grande Reserva do Vaupés, na Colômbia, segundo o diagnóstico mencionado acima. A área de impacto do projeto engloba 74 comunidades indígenas colombianas.

A soma da área dos projetos implementados pelo South Pole na Colômbia chega a 4.806.513 hectares, o que equivale a 9,94% da área da Amazônia colombiana e 20% da área disponível para REDD+ nas suas reservas. Este número coloca a South Pole como a maior implementadora de projetos de REDD+ nas reservas amazônicas colombianas, conforme aponta o Instituto Amazónico.

O mercado voluntário de carbono teve uma rápida expansão na Colômbia e segundo dados da Plataforma Renare – Registro Nacional de Reducción de Emisiones y Remoción de GEI (Gases do Efeito Estufa), existe um total de 51 projetos de REDD+ na Amazônia colombiana, sendo nove já em fase de implementação, conclui o Diagnóstico sobre projetos de REDD+ na Colômbia. 

Para tudo

Diante de denúncias de violações de direitos e da desconfiança sobre a veracidade dos projetos locais de carbono, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF) posicionaram-se com recomendações claras para que as comunidades brasileiras não fechem contratos até que haja a definição de critérios e orientações para a inserção das Terras Indígenas no mercado de carbono.

A pergunta importante a ser feita é: os projetos locais de carbono são de fato soluções para o combate às mudanças climáticas ou apenas mera maquiagem verde (greenwashing) para enriquecer oportunistas?

Já em agosto passado, o MPF expediu recomendação para que fossem suspensas todas as operações, contratos e tratativas em andamento no tema de crédito de carbono e no modelo de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+), que incidem nos territórios indígenas e tradicionais, com ou sem regularização fundiária definitiva, no estado do Amazonas.

“O documento recomendou que a comercialização de créditos carbono, no Brasil ou no exterior, seja suspensa. Tal informação deve ser encaminhada para todos os atores envolvidos nas tratativas e negociações em andamento, já iniciadas ou finalizadas – desde comunitários, lideranças, empresas e instituições nacionais ou internacionais –, para ciência e adoção das medidas recomendadas”, noticiou o MPF em seu site oficial. No entanto, o Conselho Nacional do Ministério Público, em setembro passado, solicitou por liminar que houvesse a suspensão da recomendação do MPF do Amazonas afirmando que tal medida extrapola suas atribuições.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo ISA, escrito por Juliana Radler

Pesquisadores desenvolvem IA que identifica desmatamento na Amazônia

Foto: Reprodução/Imazon

O Centro de Projetos e Inovação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Centro Pi/IMPA), em parceria com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), produziu um algoritmo para auxiliar na detecção de desmatamento na Floresta Amazônica. O trabalho foi apresentado no dia 7 de novembro pelo doutorando do IMPA, Rodrigo Schuller, no XXI Simpósio Internacional SELPER: ‘Além do Dossel – Tecnologias e Aplicações de Sensoriamento Remoto‘, em Belém (PA).

O Imazon analisou imagens com e sem desmatamento da região, obtidas do Projeto Copernicus (ESA) através do Google, para treinamento dos modelos desenvolvidos pelo IMPA, com o uso de tecnologia de redes neurais. O trabalho ‘Artificial intelligence to support deforestation monitoring in the brazilian Amazon‘ (inteligência artificial para auxiliar o monitoramento de desmatamento na Amazônia brasileira) já resultou na primeira versão da ferramenta de IA que está em uso no Imazon.

Schuller explicou que o algoritmo tem taxa de acerto de 95% e representa uma economia de tempo de 30% no trabalho dos especialistas. Uma tarefa que antes consumia 1004 horas, passou a ser realizada em 705 horas com o uso da ferramenta.

“A performance do modelo de detecção de desmatamento não é suficiente para automatizar totalmente o processo, mas já podemos usar o modelo como um assistente”, disse.

Antes da IA, o Imazon utilizava um algoritmo simples capaz de excluir áreas sem indícios de desmatamento. Posteriormente, uma equipe do instituto se dedicava a analisar o restante das imagens de forma manual – o que demandava muito tempo de observação. Apesar da melhora, o Centro Pi estuda como reduzir ruídos e aumentar a acurácia do algoritmo para torná-lo mais eficaz.

“Existe um campo de machine learning chamado aprendizado robusto, que trata de rótulos ambíguos ou com ruído. Já que alguns fenômenos naturais – como afloramento rochoso – são similares à desmatamento quando vistos em imagens de satélites, processos de aprendizado ajustados para lidar com essas incertezas podem atingir maior performance”, explicou Schuller.

Além de Schuller, integram a equipe do projeto o cientista de projetos Francisco Ganacim e o pesquisador do IMPA Paulo Orenstein, que em julho deste ano foi premiado com o Google Research Awards pelo desenvolvimento do trabalho.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Primeira Escola Nacional de Turismo é inaugurada em Belém pelo MTur

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Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

O Ministro do Turismo, Celso Sabino, vai inaugurar no dia 29 de novembro, em Belém (PA), a primeira Escola Nacional de Turismo do Brasil, um projeto criado pelo Ministério do Turismo (MTur) que vai disponibilizar cursos para qualificar o profissional do setor.

A escola tem o objetivo de atender e ampliar a demanda de mão-de-obra turística no estado, com a oferta de cursos presenciais em Belém, Santarém, Vigia e Bragança e também, de forma online, em todo estado. O foco é fortalecer a atividade turística na capital paraense, porta de entrada da Amazônia Brasileira e que sediará em 2025 o maior evento climático do mundo, a COP30.

Além de Belém, o Rio de Janeiro também ganhará, no ano que vem, uma unidade da Escola Nacional de Turismo. O estado é uma das maiores portas de entrada de turistas estrangeiros no Brasil.

A unidade do Pará vai funcionar com a cooperação técnica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), que ficará responsável pela execução dos cursos nas modalidades presencial e à distânci,a para atender tanto a capital paraense quando o interior do Estado.

No primeiro ciclo, serão ofertadas 4,7 mil vagas em cursos focados em áreas estratégicas para contribuir com o desenvolvimento do turismo brasileiro, como “Gestão de Negócios para o Turismo”, “Educação Ambiental e Sustentabilidade”, “Governança para a Hospedagem Familiar”, “Condutor de Atrativos Turísticos”, entre outros cursos voltados para o segmento, além de idiomas como inglês e espanhol.

A inauguração da Escola Nacional de Turismo está prevista para acontecer dia 29 às 14h (horário de Brasília), no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Campus Belém, localizado na Avenida Almirante Barroso, n°.1155, em Belém.

Estudo internacional mostra que relação da Amazônia com a seca não é uniforme

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Amapá: floresta do escudo das Guianas revelou ser a mais resiliente. Foto: Léo Ramos Chaves/Revista Pesquisa FAPESP

Um estudo internacional uniu informações de satélite com dados de solo e relevo do vasto bioma amazônico para revelar uma visão abrangente e heterogênea das áreas que apresentam diferentes graus de vulnerabilidade às condições impostas pelos crescentes períodos de seca. A pesquisa, publicada em maio na revista Nature, teve participação de brasileiros e foi atrás de apontar os principais mecanismos responsáveis pela resposta da vegetação ser tão variável conforme sua posição geográfica.

Distribuições de múltiplas características no espaço, incluindo profundidade do lençol freático, altura das árvores e fertilidade do solo, foram adicionadas ao modelo que, ao final, mostrou que a vegetação com características naturalmente mais sensíveis à falta de água coincide com as terras mais produtivas e férteis que compõem parte do sul e sudeste amazônicos. A localização preocupa, já que é também a mais impactada pelo arco do desmatamento, do sul do Pará ao norte de Mato Grosso.

Para a chinesa Shuli Chen, primeira autora do estudo e especialista em análises espaciais na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, que conversou por e-mail com Pesquisa FAPESP, outra preocupação com as áreas ambientais de menor resiliência à seca encontradas nas análises é a de que boa parte delas integra o território do leste do bioma amazônico.

A floresta remanescente na porção oriental é também responsável por lançar para a atmosfera um imenso volume de vapor-d’água que segue para o oeste, irrigando cerca de 50% do que é necessário às árvores dali. Reciclada pela floresta essa água segue sua viagem pelos céus, direcionando chuvas ao restante do país e à parte sul do continente. O fenômeno ficou conhecido como rios voadores.

Um dos pesquisadores responsáveis pela popularização do conceito de rios voadores é o geocientista Antonio Donato Nobre, pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), coautor do estudo recente na Nature. O trabalho prévio de seu grupo na detecção e no mapeamento da água subterrânea ao longo do território amazônico por meio do modelo topográfico conhecido como “Hand”, sigla para height above nearest drainage (altura acima da drenagem mais próxima), motivou o coordenador da pesquisa, o cientista do clima norte-americano Scott Saleska, também da Universidade do Arizona, a procurar fatores que pudessem explicar as diferenças observadas nos padrões de morte da vegetação. “Boa parte das áreas que mais sofrem com a seca parecia ter a profundidade do lençol freático como causa direta e principal, mas faltava investigar as que não podiam ser resumidas a esse fator para termos uma resolução mais precisa do cenário”, contou Saleska, também por e-mail.

Com uma resolução mais detalhada em mãos e mais informações sobre o mosaico de fragilidades da Amazônia, os pesquisadores defendem que as ações em planos de conservação e políticas públicas possam se tornar mais focadas e eficientes.

Nobre ressalta que isso não quer dizer que áreas que não foram definidas como prioritárias pelo trabalho possam ser desmatadas, já que as partes da floresta dependem umas das outras na dinâmica do clima. O segredo para combater a crise climática, segundo ele, é a diversidade do sistema. “A floresta é complexa e precisa ser respeitada em sua complexidade e integridade.”

Arte: Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP

Evolução e relevo

De forma geral, o norte amazônico demonstrou conseguir lidar melhor com secas intensas do que o sul do bioma. Ainda assim, o sul apresenta regiões resilientes: áreas alagadas (com vegetação conhecida como igapó) ou as com o lençol freático próximo à superfície, que têm o acesso à água facilitado. No caso dos igapós, os períodos de seca podem até ser bem-vindos para um alívio temporário e oxigenação das raízes normalmente submersas, desde que a estiagem tenha curta duração.

Onde o lençol freático é profundo, sobrevivem há centenas de anos as espécies com raízes que alcançam a água. Como raízes profundas geralmente representam árvores mais antigas e mais altas, a estatura na fisionomia vegetal também foi um dos fatores no mapa de resiliência.

Mas o critério do lençol freático não se aplica a todo o território por onde se espalha o bioma. No escudo das Guianas, planalto ao extremo norte que abriga as árvores gigantes da Amazônia, foi encontrado o perfil de vegetação com a maior resiliência de todas. Lá, a distância entre a superfície e a água subterrânea não é um fator determinante. A constatação talvez seja explicada por uma característica marcante e conhecida da região: o solo infértil.

Estudos feitos ao longo dos últimos anos têm mostrado que em solos pobres em nutrientes o crescimento é extremamente lento, o que implica madeira e vasos internos da planta mais densos, possivelmente com maior resistência ao embolismo, processo em que os vasos internos da planta colapsam pela entrada de ar onde só deveria haver água, quando o solo seca demais.

O tamanho das árvores, a fertilidade do solo e a proximidade do lençol freático são fatores que atuam em combinação, com vantagens e desvantagens que se compensam. O pior cenário, típico da região do arco do desmatamento, é o que soma solo fértil, plantas baixas e lençol freático profundo. As árvores nessas condições são propensas ao embolismo, pois desenvolvem raízes que não conseguem alcançar o lençol freático.

Entre os parâmetros considerados pelo grupo de pesquisa, estava o da “verdidão”. O Índice Aprimorado de Vegetação (EVI) quantifica a concentração folhas de árvores saudáveis nas copas das árvores do dossel superior. Além do EVI, também levaram em conta medidas diretas da fotossíntese por meio do índice SIF (sigla para fluorescência de clorofila induzida por radiação solar). Ambos os índices são baseados em informações colhidas ao longo de mais de 20 anos por satélites da agência espacial norte-americana (Nasa).

Para os participantes do estudo, o critério apoiado nos índices de fotossíntese se justifica pela correlação que o EVI e o SIF têm com taxas de mortalidade e de crescimento da vegetação.

“O embolismo também é fundamental para entender o estudo porque descobrimos, em uma pesquisa anterior, que essa foi a maior razão por trás das mortes das árvores em uma das piores secas do sul amazônico, a de 2015”, explica Nelson.

Arte: Alexandre Affonso/Revista Pesquisa FAPESP

Mais modelos

Outras ameaças ao ciclo de chuvas podem ser adicionadas aos modelos, deixando-os mais detalhados, precisos e realistas na missão de projetar estratégias de conservação do ecossistema e da biodiversidade da Amazônia. A necessidade de abordagens multifatoriais para tratar do tema é um foco da matemática Marina Hirota, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e colegas, em um artigo que ganhou a capa da revista Nature em fevereiro deste ano.

Hirota também chegou a um mapa heterogêneo de respostas e fragilidades do território amazônico. Para isso, combinou uma série de outras perturbações ambientais, incluindo, além de secas passadas, a propensão à morte por inundações, incêndios e desmatamento. Ao fim, chegou à estimativa de que, até 2050, entre 10% e 47% da floresta amazônica estará exposta ao risco do chamado “ponto de não retorno”, ou ponto de inflexão, quando o ecossistema não consegue mais se recuperar do distúrbio que lhe foi infligido. Além das perturbações, a pesquisadora considerou forças que tendem a proteger a vegetação, como os limites de terras indígenas.

Segundo ela, os cientistas estão descobrindo que algumas regiões da Amazônia são mais resilientes às mudanças climáticas do que se sabia antes dos anos 1990, quando se começou a falar de pontos de inflexão climática para o bioma inteiro, de forma homogênea. Hirota lembra que o fato de a floresta ter mecanismos de resistência e resistência não significa que ela não vá sucumbir caso as alterações sejam drásticas demais. “Apenas significa que temos um pouco mais de tempo, mas não muito”, esclarece.

Hirota é coautora de um estudo, publicado em 2023 na Nature, incluído no estudo de Shuli Chen, que aponta as florestas do sudeste da Amazônia como evolutivamente mais resistentes quando avaliadas por uma medida de resistência ao embolismo. “Quanto mais negativos os valores, mais tensão de água a árvore aguenta nos vasos antes de sofrer embolismo”, explica.

Mas a ameaça sobre a região é descrita por outra medida, HSM (margens de segurança hidráulica), que mostra se as plantas estão operando dentro dos limites ecofisiológicos seguros para evitar a mortalidade por seca. Com base nisso, embora as florestas do sudeste sejam mais resistentes à seca, elas já estão operando fora dos limites seguros por estarem experimentando mais déficit hídrico. Já as florestas do oeste, sudoeste e noroeste, embora menos resistentes, não sofrem tanto impacto de mudança na disponibilidade de água. O trabalho foi liderado pela ecóloga Julia Tavares, atualmente pesquisadora em estágio de pós-doutorado na Universidade de Uppsala, na Suécia. A continuidade de estudos que integrem os indicadores e as características de cada parte da floresta deve permitir entender melhor os riscos e as áreas com maior probabilidade de permanecer íntegras.

Antonio Nobre atribui as estratégias de defesa aos sistemas da natureza que qualifica como elegantes e complexos, especialmente nos contextos de diversidade biológica e geofísica. “Sistemas assim, quando intactos, tendem a dar respostas apropriadas dentro de sua capacidade de se autorregular – até o momento em que os limites são ultrapassados, levando ao colapso ecológico, que é o que estamos vivendo agora.”

Floresta em transformação

Uma das respostas adaptativas pode ser o surgimento de uma nova flora, resistente às novas condições

Tanto o trabalho de cientista do clima norte-americano Scott Saleska quanto o da matemática Marina Hirota olharam para a vegetação pelo seu aspecto funcional, e não exatamente para a composição da flora, escolhendo focar nas capacidades e propriedades das plantas, sem distinguir espécies. Outra pesquisa, publicada em 2018 na revista Global Change Biology pela ecóloga brasileira Adriane Esquivel-Muelbert, à época na Universidade de Leeds, no Reino Unido, olhou para informações das espécies amazônicas coletadas ao longo de 30 anos e detectou que já estava em curso uma substituição na composição das árvores.

A pesquisadora mostrou que indivíduos de espécies que sobrevivem melhor em terras úmidas estão nascendo menos na Amazônia, dando lugar a plantas normalmente encontradas em ambientes mais secos e com maior abundância de gás carbônico na atmosfera. A troca gradual por árvores que sobrevivem nessas condições, no entanto, não acompanha a velocidade das alterações climáticas globais. Os indícios apontam para a mesma direção: as mudanças têm sido rápidas demais para que a floresta consiga se adaptar.

A reportagem acima foi publicada com o título “Resiliências da Amazônia” na edição impressa nº 345, de novembro de 2024.

Artigos científicos
CHEN, S. et alAmazon forest biogeography predicts resilience and vulnerability to droughtNature. v. 631, 111-7. 19 jun. 2024.
FLORES, B. M. et alCritical transitions in the Amazon forest systemNature. v. 626, 555-64. 14 fev. 2024.
TAVARES, J. V. et alBasin-wide variation in tree hydraulic safety margins predicts the carbon balance of Amazon forestsNature. v. 617, 111-7. 26 abr. 2023.
ESQUIVEL-MUELBERT, A. et alCompositional response of Amazon forests to climate changeGlobal Change Biology. v. 25, 39-56. 08 nov. 2018.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Laura Tercic

Porto Grande, no Amapá, obtém reconhecimento federal de situação de emergência devido a infecções em peixes

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Foto: Rogério Nascimento/PGR

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu, no dia 22 de novembro, a situação de emergência na cidade amapaense de Porto Grande, devido a infecção parasitária em peixes do rio Araguari. A portaria com o reconhecimento foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Agora, a prefeitura está apta a solicitar recursos do Governo Federal para ações de defesa civil. Até o momento, o Amapá tem 21 reconhecimentos vigentes, dos quais 16 por estiagem, quatro por outras infestações e um por vendaval.

Como solicitar recursos

Cidades com o reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública podem solicitar ao MIDR recursos para ações de defesa civil. A solicitação pelos municípios em situação de emergência deve ser feita por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).

Com base nas informações enviadas nos planos de trabalho, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados. Com a aprovação, é publicada portaria no DOU com o valor a ser liberado.

Denúncias foram feitas em julho

Moradores da comunidade ribeirinha de Sapo Seco, no município de Porto Grande, registraram vídeos no dia 9 de julho que mostram cardumes de várias espécies de peixes mortos no Rio Araguari. De acordo com os relatos o caso aconteceu após o nível da água baixar rapidamente.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) – Amapá protocolou no mesmo dia denúncias ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Amapá (MP-AP) e alegou que a morte de peixes ocorre sempre quando há o aumento de vazão na hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, uma das três instaladas no Araguari e a que fica mais próxima da comunidade.

Entre as espécies encontradas mortas estão: branquinha, cachorro de padre, sarda, cará, traíra, piaba, dentre outros.

O Rio Araguari é um dos mais importantes do Amapá e possui cerca de 300 quilômetros de extensão, com nascente no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e foz no Oceano Atlântico.

*Com informações do MIDR e da Rede Amazônica AP

Pará qualifica produção de chocolate na Rota do Cacau

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Foto: Divulgação

O Pará é um dos maiores produtores de cacau do Brasil e faz parte da Rota de Integração Nacional, uma iniciativa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional que estimula o desenvolvimento das cadeias produtivas. Para qualificar ainda mais essa produção, a cidade de Altamira recebeu quatro dias de workshop, com muita troca de experiências, para debater novas tecnologias e sustentabilidade. 

O coordenador-geral do Programa Rotas de Integração Nacional na Secretaria Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial, Tiago Araújo, considerou que a agenda foi uma oportunidade de atualizar a carteira de projetos da Rota do Cacau no Estado, reestruturar seu comitê gestor e conhecer, pessoalmente, fábricas de produção de chocolate.

“Tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente algumas unidades de referência tecnológica do cacau, também unidades experimentais da Embrapa e da Universidade Federal do Pará. Discutimos, em todos os momentos, com produtores, associações cooperativas, instituições estaduais, federais, e municipais e prefeituras parceiras”, destacou.Produores de cacau durante encontro em Altamira (PA) (Foto: Divulgação)

Temas como a estruturação do cacau e a promoção da cacauicultura na região transamazônica do Xingu foram amplamente abordados. O workshop também serviu para reestruturar o Comitê Gestor da Rota do Cacau no Pará e para visitar fábricas produtoras de chocolate. “Esse evento foi importantíssimo para a região de Altamira pois estamos discutindo, principalmente, os principais gargalos que a cadeia do cacau apresenta. Fazer isso dentro da Rota do Cacau, que é de extrema relevância aqui para a região, é algo necessário”, destacou o professor Miguel Alves Júnior, da UFPA.

A agenda foi trabalhada de modo a trazer novas ideias e olhares para a região cacaueira e para toda a cadeia produtiva do cacau. A coordenadora da Rota no estado entre 2018 e 2024, Elisâgela Trzeciak, lembra que a Rota  conseguiu colocar diferentes atores trabalhando com essa cadeia produtiva no território.

“Conseguimos sentar com produtores para entender os desafios apresentados por eles e, juntos, buscarmos soluções. Desde 2018, o Comitê já teve diferentes projetos implementados e finalizados”, comemora Trzeciak. “Sem dúvida, agora a gente entra numa segunda fase da Rota do Cacau, muito mais amadurecida, muito mais qualificada e com novos objetivos e projetos”, acrescentou.

Os maiores do mundo

A produtora orgânica e proprietária de uma fábrica de chocolate, Giovana Lunelli avalia a oportunidade de integração a partir do workshop. “Um evento como esse é interessante porque integra todo mundo, todos os municípios da região transamazônica do Xingu. O Pará, hoje, é um dos maiores produtores de cacau do Brasil, e temos as melhores amêndoas do mundo, além de um dos melhores chocolates. Um evento como esse faz com que o Brasil e o mundo também nos conheça”, compartilhou a empreendedora.

Elias Rodrigues, presidente da Copabam, cooperativa de produtores recém criada, também vê no projeto do MIDR uma oportunidade de acessar novos lugares. “Já tivemos momentos aqui muito difíceis do cooperativismo na nossa região, na região da Transamazônica. Felizmente, agora, estamos recebendo um olhar mais cuidadoso, diferente, de outro ângulo. Esse encontro vai mudar a nossa vida”, finalizou Elias.

Integrante da Cooperativa Central de Produção Orgânica, Gidiel Oliveira, explica que o objetivo principal do grupo é trabalhar o cacau com amêndoas de qualidade e com certificação orgânica, tanto para o mercado nacional quanto internacional.

Foto: Divulgação

O vice-prefeito de Vitória do Xingu, Rogério Pereira, comemorou a realização do workshop na região. “Para nós, é sempre uma satisfação estar acompanhando esses grandes eventos da Rota do Cacau, a qual Vitória do Xingu foi incluída recentemente. Poder colaborar com o crescimento e com o desenvolvimento dessa região, onde eu moro desde 1987, é muito especial”, comentou.

Rotas de Integração

As Rotas de Integração Nacional (ROTAS) são redes de arranjos produtivos locais associadas a cadeias produtivas estratégicas capazes de promover a inclusão produtiva e o desenvolvimento sustentável das regiões brasileiras priorizadas pela Política Nacional de Desenvolvimento Regional  (PNDR). Atualmente, o programa conta com 13 setores produtivos em 77 polos espalhados pelo País, em todas as regiões. São 20 estados atendidos pelo projeto e mais de 70 mil famílias beneficiadas.

*Com informações do MIDR

COP29 termina com acordo sobre nova meta de financiamento climático global

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Foto: Reprodução/MMA

A COP29, conferência do clima da ONU realizada em Baku, Azerbaijão, terminou no dia 24 de novembro com a aprovação de um acordo sobre a Nova Meta Quantificada Coletiva (NCQG, na sigla em inglês) de financiamento climático no âmbito do Acordo de Paris.

O texto estabelece que os países desenvolvidos devem “assumir a liderança” no fornecimento de, pelo menos, US$ 300 bilhões anuais até 2035 aos países em desenvolvimento, com o objetivo de apoiá-los na implementação de ações de redução de emissão de gases de efeito estufa (mitigação) e de adaptação aos impactos da mudança do clima. Os recursos devem partir de diversas fontes, incluindo públicas, privadas, bilaterais, multilaterais e alternativas.

A decisão também convoca as nações a cooperarem para que, até 2035, a cifra alcance a marca de US$ 1,3 trilhão, proveniente de fontes públicas e privadas.

Embora a definição da NCQG fosse o principal objetivo da conferência de Baku, o valor foi considerado insuficiente pelos países em desenvolvimento e pela delegação brasileira, que demandam US$ 1,3 trilhão por ano como base da meta. Estudos apontam que as necessidades dos países em desenvolvimento no enfrentamento à crise climática superam a casa dos trilhões de dólares anuais.

O resultado reflete os desafios de um contexto geopolítico marcado por conflitos e questionamentos ao regime climático internacional. Ainda assim, representa mais um avanço rumo ao fortalecimento do multilateralismo como instrumento para o enfrentamento à mudança do clima em escala global.

Negociada no artigo 9 do Acordo de Paris, a NCQG substituirá o atual objetivo global de financiamento, que estabelece a destinação de US$ 100 bilhões anuais, de 2020 a 2025, das nações desenvolvidas para as em desenvolvimento. Definido em 2009, em Copenhague, na Dinamarca, o compromisso não foi plenamente cumprido.

A COP29 estabeleceu o ‘Roteiro Baku a Belém para 1,3T’. Até novembro de 2025, quando ocorrerá a COP30, em Belém, no Pará, sob a presidência do Brasil, os países devem trabalhar para acordar uma trajetória de escalonamento do financiamento climático às nações em desenvolvimento. O texto estabelece que essa trajetória inclua principalmente recursos não reembolsáveis, instrumentos concessionais que não gerem endividamento e medidas capazes de criar espaço fiscal, considerando iniciativas multilaterais.

O financiamento é crucial para viabilizar a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), que estipulam as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa dos países. Até fevereiro de 2025, os países devem apresentar NDCs atualizadas, com compromissos de mitigação para 2035 alinhados ao objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento médio do planeta a 1,5ºC em comparação ao período pré-industrial.

Liderando pelo exemplo, o Brasil foi uma das primeiras nações a entregar à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) sua nova NDC, durante a COP29. O compromisso prevê o corte de até 67% das emissões brasileiras até 2035, em relação aos níveis de 2005.

Mercado de carbono e adaptação

Na COP29, os países também finalizaram a regulação da estrutura global dos mercados de carbono, prevista no artigo 6 do Acordo de Paris. O marco ocorre após nove anos de negociação desde a adoção do Acordo, em 2015. Foram resolvidas questões importantes para a implementação dos artigos 6.2, que regula trocas de resultados de mitigação entre países, e 6.4, que institui um mecanismo global para geração de créditos de carbono privados no âmbito da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC).

Além disso, a conferência aprovou decisão sobre a Meta Global de Adaptação que permite definir a metodologia dos indicadores que medirão o progresso alcançado em relação aos seus objetivos, definidos em 2022 durante a COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

O documento determina critérios, orientações e um calendário para que seja possível chegar à COP30 com uma proposta consistente a ser acordada entre as partes sobre os indicadores globais. Também reconhece a importância dos planos nacionais de adaptação e a necessidade de apoio para que sejam implementados até 2030.

O texto propõe, ainda, um conjunto gerenciável de, no máximo, 100 indicadores aplicáveis globalmente, que reflitam as circunstâncias nacionais e considerem informações relacionadas à inclusão social, povos indígenas, processos participativos, direitos humanos, igualdade de gênero, migrantes, crianças e jovens e pessoas com deficiência, além de ecossistemas específicos.

Alguns pontos prioritários para o Brasil nas negociações não foram incluídos nas decisões finais, como a adoção de linguagem que garanta os direitos das populações afrodescendentes e a promoção de sinergias entre as Convenções das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Diversidade Biológica e Combate à Desertificação. O Programa de Trabalho de Transição Justa terminou sem acordo, enquanto a decisão sobre o Programa de Trabalho de Mitigação limitou-se a indicar a continuidade das discussões.

Brasil recebe presidência designada da COP

Durante a plenária final da COP29, o Brasil recebeu do Azerbaijão a presidência designada da COP. Na ocasião, a delegação brasileira expôs preocupação com a nova reorganização geopolítica e seu potencial de influenciar a COP30, em Belém.

Marina destacou que o financiamento não favorece apenas os países em desenvolvimento, mas fornece apoio fundamental para que implementem suas metas climáticas em benefício de todo o planeta. Trata-se de uma responsabilidade coletiva com o cuidado e a atenção necessária sobre a mudança do clima, que tem efeito global.

A ministra usou a imagem das mulheres indígenas, que tecem conjuntamente, para ilustrar a importância do compromisso coletivo. “As mulheres indígenas fazem isso em uma roda de conversa, transformando algodão em matéria prima que aquece e protege a vida. A COP30 será fiar juntos, no sentido de garantir um futuro mais justo e sustentável para todos nós. É um desafio compartilhado”, frisou.

*Com informações do MMA

Desmatamento e degradação aumentam pelo quinto mês consecutivo na Amazônia

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Sobrevoo do Greenpeace mostra queimada na Amazônia em 2024. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

A Amazônia registrou em outubro o quinto mês consecutivo de aumento tanto no desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, quanto na degradação florestal, que é o dano causado pelo fogo ou pela extração madeireira. Por causa das queimadas, a degradação explodiu e chegou à média de 10 mil campos de futebol afetados por dia entre janeiro e outubro, o pior cenário em 15 anos.

Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto de pesquisa Imazon. Conforme o monitoramento por imagens de satélite, apenas em outubro a Amazônia teve uma área degradada de 6.623 km², o equivalente a quatro vezes a cidade de São Paulo. Esse número também foi quatro vezes maior do que o registrado em outubro de 2023, quando foram degradados 1.554 km² de floresta.


O que aumentou ainda mais a diferença da degradação acumulada de janeiro a outubro em relação aos anos anteriores da série histórica, que iniciou em 2009. Nos primeiros 10 meses de 2024, foram degradados 32.869 km², o equivalente a 21 vezes a cidade de São Paulo (ou 10 mil campos de futebol afetados por dia). Área quase três vezes maior do que o recorde de degradação até então, de 11.453 km², registrado em 2017.

O pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr., que coordena o Programa de Monitoramento da Amazônia, explica que é normal haver aumento da degradação florestal na época de seca, o chamado “verão amazônico”, por causa da alta nas queimadas. Porém, as áreas afetadas nos meses de setembro e outubro são muito superiores às que vinham sendo registradas pelo sistema. Souza Jr. aponta também que “a seca severa de 2024 aumenta o risco às queimadas”.

Pará, Mato Grosso e Amazonas lideram degradação em outubro

O estado com a maior área degradada em outubro foi o Pará, com 2.854 km², 43% do total registado na Amazônia. Mato Grosso, com 2.241 km² afetados, 34% do total, ficou em segundo. E a terceira colocação foi do Amazonas, com 1.082 km² degradados, 16% do detectado na Amazônia.

Comparativo da degradação nos estados da Amazônia

EstadoOutubro de 2023 (Km²)Outubro de 2024 (km²)Percentual da degradação em relação à Amazônia (outubro de 2024)Variação de outubro de 2023 a outubro de 2024(%)
Pará8442.85443%238%
Mato Grosso1182.24134%1.799%
Amazonas4121.08216%163%
Rondônia822183%166%
Tocantins221022%364%
Acre8861%975%
Maranhão47401%-15%
Amapá20
Roraima1

O Pará também concentrou seis municípios no ranking dos que mais degradaram, atingindo 2.390 km². Outros três, que totalizam 773 km², estão em Mato Grosso.

Ranking com os dez municípios que mais degradaram em outubro de 2024

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1São Félix do XinguPA1.023
2AltamiraPA477
3Boca do AcreAM313
4JuínaMT307
5Ourilândia do NortePA261
6Gaúcha do NorteMT254
7JacareacangaPA217
8JuaraMT212
9ItaitubaPA207
10Cumaru do NortePA205

Quando se observa a degradação nas terras indígenas em outubro, oito das 10 mais afetadas estão localizadas integral ou parcialmente em Mato Grosso. Porém, a mais prejudicada foi a Kayapó, localizada no Pará. Outubro foi o terceiro mês consecutivo em que esse foi o território indígena com a maior área degradada na Amazônia: 1.093 km2.

Ranking com os dez territórios indígenas mais degradados em outubro de 2024

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1TI KayapóPA1.093
2TI MenkragnotiPA/MT287
3PI XinguMT264
4PI AripuanãRO/MT242
5TI Capoto/JarinaMT170
6TI MundurucuPA/MT151
7TI Alto Rio GuamáPA/MA103
8TI NambiquaraMT94
9TI Apiaká do Pontal e IsoladosAM/PA/MT90
10TI KayabiPA/MT65

Desmatamento teve alta de 44% em outubro de 2024

Embora o desmatamento acumulado de janeiro a outubro tenha sido 8% menor do que em 2023, outubro apresentou uma alta de 44% na derrubada, passando de 290 km² para 419 km². Essa foi a sétima maior área devastada em outubro dos últimos 16 anos, desde que começou o monitoramento do Imazon.

Por isso, para que o acumulado do ano continue menor do que o de 2023, precisamos inverter essa tendência de aumento nesses últimos dois meses.

A derrubada foi liderada pelos estados de Mato Grosso (35%), Pará (31%) e Acre (12%), que juntos somam 330 km² destruídos, o que equivale a 78% de toda a perda registrada. Esses estados também concentram nove dos dez municípios que mais desmataram.

Ranking com os dez municípios que mais desmataram em outubro de 2024 

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1MarcelândiaMT71
2União do SulMT55
3LábreaAM17
4BujariAC15
5PortelPA14
6PacajáPA12
7Rio BrancoAC10
8ColnizaMT10
9Sena MadureiraAC9
10AnapuPA7

As unidades de conservação que mais perderam floresta estão concentradas no Pará e no Acre, cada um com três UCs. Juntas, somam cerca de 19 km², o equivalente a quase dois mil campos de futebol perdidos. Além desses estados, o Amazonas concentrou total ou parcialmente seis das dez terras indígenas que mais sofreram com o desmatamento no período.

“Esses números refletem a crescente pressão sobre as áreas protegidas e a vulnerabilidade dessas regiões, que têm sido constantemente ameaçadas por atividades ilegais. As populações desses locais são as principais afetadas pelos crimes ambientais. Por isso, os números reforçam a necessidade urgente de proteção desses territórios, garantindo a sua integridade e combatendo as atividades predatórias”, completa Raissa.

Ranking com as dez unidades de conservação que mais desmataram em outubro de 2024 

RankingNomeEstadoÁrea (km²)
1FES do AntimaryAC11
2Resex Chico MendesAC4
3APA Triunfo do XinguPA2
4Resex Verde para SemprePA1
5FES do ParuPA1
6RDS MamirauáAM1
7Resex Guariba-RooseveltMT1
8Rebio do GurupiMA1
9APA Caverna do Maroaga (Presidente Figueiredo)AM0,3
10FES Afluente do Complexo do Seringal JurupariAC0,3

Área degradada é quase 10 vezes maior do que a desmatada

Se compararmos o tamanho das áreas degradadas e desmatadas na Amazônia em 2024, de janeiro a outubro, a degradação é quase 10 vezes maior. Mais um alerta sobre a necessidade de medidas específicas para combater esse dano ambiental e suas emissões.


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*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon