Home Blog Page 31

Base do primeiro campus fluvial do Brasil será construída no Amapá

0

A estrutura da base vai atender comunidades ribeirinhas da Amazônia. Foto:

O Instituto Federal do Amapá (Ifap) assinou no dia 27 de janeiro, durante evento em Macapá, a ordem de serviço para a construção da base terrestre do primeiro campus fluvial do Brasil. A estrutura vai atender comunidades ribeirinhas da Amazônia.

A base terá salas de aula, laboratórios e espaço administrativo, além de suporte tecnológico para a embarcação que fará parte do projeto. A obra está orçada em R$ 6 milhões e deve ser entregue em até seis meses. Cerca de 20 técnicos administrativos vão atuar na nova unidade.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O campus fluvial inédito conta com o apoio da bancada federal do estado, do ministro da Educação, Camilo Santana, e do presidente Lula.

No evento, o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ressaltou a importância da iniciativa.

“Vai ser a primeira unidade no Brasil. De mais de 900 institutos federais distribuídos pelo país, o Amapá vai ter o primeiro Ifap Fluvial. Isso vai ser transformador, porque o estado tem relação direta com os rios, igarapés e lagos”, afirmou.

O reitor do Ifap, Romaro Antonio Silva, destacou que o campus fluvial é um projeto inovador e genuinamente amapaense.

“A expectativa é que em seis meses a empresa entregue o prédio, que vai dar suporte tecnológico à embarcação e, ao mesmo tempo, aproximar o Ifap da realidade dos ribeirinhos”, disse.

Leia também: Ifap apresenta projeto para construção de campus fluvial inédito na Amazônia

Base do primeiro campus fluvial do Brasil será construída no Amapá
Base terrestre dará suporte ao campus fluvial. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Segundo ele, a base dará suporte estratégico e gerencial ao novo campus, com salas de aula, laboratórios e estrutura administrativa.

Segundo a reitoria, a iniciativa busca reduzir a evasão escolar, ampliar oportunidades e garantir cidadania em regiões remotas. A primeira embarcação equipada com salas de aula deve contar com:

  • Energia solar como principal fonte de eletricidade;
  • Sistema sustentável de coleta e tratamento de dejetos;
  • Atuação de 40 professores e 26 técnicos;
  • Até 800 matrículas por ano, com alternância nos atendimentos.

Concurso Público para atuação na base

O reitor do Ifap anunciou o lançamento do edital do concurso público para docentes com 19 vagas em áreas estratégicas, com salário inicial de R$ 6.180,86.

As inscrições começam em 6 de fevereiro e vão atender os campi de Macapá, Santana, Oiapoque, Porto Grande, Pedra Branca do Amapari, Laranjal do Jari e o polo de Tartarugalzinho, anunciado em 2024.

Repasse do MIDR

O ministro Waldez ressaltou ainda a transferência de R$ 9 milhões do Governo Federal para o Ifap, destinados a três projetos estratégicos:

  • Economia circular, com ações para transformar resíduos sólidos em renda e emprego;
  • Comunicação, com a criação de laboratórios voltados à formação de jovens em setores produtivos;
  • Qualificação em gás e petróleo, incluindo capacitação para a rede hoteleira e atendimento às demandas emergenciais do setor.

Cursos propostos para o Campus Fluvial

Formação Inicial e Continuada / Qualificação Profissional

  • Eletricista de Sistemas de Energias Renováveis
  • Redeiro de Pesca
  • Agricultor Familiar / Orgânico
  • Açaicultor
  • Assistente Financeiro
  • Agente de Desenvolvimento Cooperativista
  • Condutor de Turismo de Pesca
  • Agente de Informações Turísticas
  • Agente de Recepção e Reservas em Meios de Hospedagem

Cursos Técnicos – Forma Concomitante

  • Técnico em Recursos Pesqueiros
  • Técnico em Pesca
  • Técnico em Agricultura
  • Técnico em Cooperativismo
  • Cursos Técnicos
  • Técnico em Sistemas de Energia Renovável
  • Técnico em Recursos Pesqueiros
  • Técnico em Pesca
  • Técnico em Agricultura
  • Técnico em Fruticultura
  • Técnico em Cooperativismo
  • Técnico em Guia de Turismo

Cursos Superiores

  • Tecnologia em Produção Pesqueira
  • Pós-Graduação lato sensu
  • Energias Renováveis
  • Agroextrativismo Pesqueiro e Desenvolvimento Rural
  • Gestão de Recursos Naturais

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Rabada no tucupi: prato típico do Acre gerou curiosidade depois de ser tema de conversa no BBB 26

0

Rabada no tucupi foi tema de conversa no BBB26. Foto: Jhenyfer de Souza/Rede Amazônica AC

Uma conversa despretensiosa sobre comidas regionais dentro da casa do Big Brother Brasil (BBB 26) acabou colocando a culinária acreana em evidência. Durante um bate-papo na quinta-feira (29), os participantes Leandro e Marciele falavam sobre pratos típicos de diferentes regiões do país, e a rabada no tucupi, receita tradicional do Acre, ganhou destaque no reality.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O assunto surgiu quando Leandro comentava sobre a presença da rabada como comida comum em feiras de cidades do interior e também em Salvador, na Bahia. Na sequência, Marciele, que é paraense, relembrou uma experiência gastronômica vivida em Rio Branco.

Leia também: BBB 26: Marciele Albuquerque e Lívia Christina, as representantes da cultura no Norte

Segundo ela, foi no Acre que ela provou, pela primeira vez, a rabada preparada com tucupi e jambu, uma combinação tradicional da culinária amazônica.

“E olha que a gente usa o tucupi lá [no Pará] para tudo, né?! Mas a rabada no tucupi, o tucupi bem apurado com jambu, meu Deus, é muito bom. Eu ainda não tinha comido, a primeira vez que eu comi foi lá. Muito gostoso mesmo, é algo típico de lá [Acre] mesmo”, frisou.

Marciele também comparou a rabada no tucupi com outros pratos mais conhecidos feitos à base do caldo amarelo extraído da mandioca brava, como o pato no tucupi e preparações com peixes.

“Já vi pato no tucupi, peixe no tucupi, um monte de coisa no tucupi. Mas rabada foi a primeira vez que eu vi. E é muito gostoso. Muito mesmo”, complementou.

Leia também: Como usar o tucupi em 5 receitas da culinária da Amazônia

Rabada no tucupi

O prato é uma adaptação regional que une ingredientes tradicionais da Amazônia e que aparece com frequência em festas populares e eventos culturais no Acre, sendo servida com acompanhamentos típicos com arroz branco, farinha d’água e pimenta de cheiro.

No ano passado, o Acre marcou presença com a receita regional no 9º Salão do Turismo, realizado em agosto do ano passado em São Paulo.

Veja abaixo como se prepara o prato, segundo o livro de receitas da Universidade Federal do Acre (Ufac):

Ingredientes

  • 500 g de rabo bovino
  • 1,5 litros de tucupi
  • 10 maços de jambu
  • 1 cebola
  • 3 pimentas de cheiro
  • Sal, pimenta do reino, cheiro verde e chicória a gosto
  • 3 dentes de alho
  • Óleo de soja para refogar

Modo de preparo

  • Limpe bem o rabo bovino e tempere a gosto;
  • Cozinhe até ficar no ponto;
  • Em outra panela, ferva o tucupi;
  • Enquanto isso, em uma panela grande acrescente um pouco e óleo e refogue a cebola picada, o alho, as pimentinhas, a chicória e o cheiro-verde;
  • Acrescente o rabo bovino já cozido e deixe apurar;
  • Após o tucupi ferver bem, adicione-o à mistura da carne e ajuste o sal, se necessário;
  • Escalde o jambu à parte em água fervente e, por último, acrescente-o ao preparo;
  • Sirva com arroz.
Estabelecimentos do AC vendem rabada no tucupi na cuia, também usada para tomar tacacá
Estabelecimentos do AC vendem o prato típico regional na cuia, também usada para tomar tacacá. Foto: Hellen Monteiro/Rede Amazônica AC

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC

Seis dicas para aproveitar o Carnaval de rua em Macapá com segurança

0

Foto: Reprodução/Arquivo PMM

Do axé ao piseiro, do bloco de rua ao espaço infantil, a diversidade marca o Carnaval de rua e, em Macapá (AP), reúne todos os anos milhares de foliões em diferentes pontos da cidade, com blocos tradicionais, apresentações musicais, cortejos culturais e atividades abertas ao público.

A programação ocorre em vias públicas, praças e espaços próximos à orla do Rio Amazonas, atraindo moradores e visitantes interessados nas manifestações culturais locais. Para acompanhar os eventos de forma organizada, algumas orientações contribuem para uma experiência segura e tranquila durante os dias de festa.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Antes de sair de casa, é importante verificar a programação oficial divulgada pelos órgãos responsáveis. Essas informações costumam indicar horários, locais dos blocos, interdições de ruas e pontos de apoio. O acompanhamento dessas atualizações ajuda no planejamento do deslocamento e evita circulação em áreas não autorizadas ou fora do trajeto dos eventos. Confira dicas para aproveitar as festas:

Hidratação

Durante uma festa de carnaval de rua, a hidratação é um cuidado essencial. Macapá apresenta clima quente e úmido, e a exposição prolongada ao sol pode causar mal-estar. Recomenda-se consumir água regularmente ao longo do dia, mesmo sem sentir sede. Além da água, sucos naturais e água de coco ajudam na reposição de líquidos e sais minerais. Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também contribui para manter o equilíbrio do organismo e reduzir riscos à saúde.

Alimentação

Outro ponto importante está relacionado à alimentação. Fazer refeições leves antes de sair para os blocos e optar por alimentos de procedência conhecida ajuda a evitar problemas gastrointestinais. Barracas autorizadas pela vigilância sanitária costumam ser identificadas e fiscalizadas, o que reduz riscos associados ao consumo de alimentos em locais improvisados.

Leia também: 13 pontos turísticos gratuitos para curtir em Macapá

Segurança

A segurança pessoal é um dos principais aspectos a serem observados no carnaval de rua. Utilizar roupas confortáveis, calçados fechados e adequados para longos períodos em pé facilita a locomoção e reduz o risco de quedas. Evitar portar objetos de valor, como joias, relógios caros e grandes quantias em dinheiro, é uma medida preventiva contra furtos. O uso de bolsas pequenas, doleiras ou mochilas à frente do corpo também auxilia na proteção de pertences.

Documentos pessoais podem ser levados em cópias ou versões digitais, quando possível. Celulares devem ser utilizados com atenção em locais de grande concentração de pessoas. Em caso de perda ou furto, é indicado procurar imediatamente um posto policial ou a delegacia mais próxima para registrar a ocorrência.

Pontos de encontro

Para quem participa dos eventos em grupo, combinar pontos de encontro previamente é uma estratégia útil em situações de desencontro. Em locais com grande fluxo de pessoas, a comunicação por telefone pode ficar comprometida, o que reforça a importância de estabelecer referências visuais conhecidas, como praças, monumentos ou prédios públicos.

blocos de Carnaval de rua Macapá
Carnaval de rua movimenta as principais vias das cidades no período festivo. Foto: Jéssica Alves/Acervo Rede Amazônica AP

Crianças e adolescentes somente com os responsáveis

Crianças e adolescentes podem participar de muitas festas que fazem parte do carnaval de rua, mas é preciso ficar atento ao acesso dos pequenos e eles devem sempre estar acompanhados pelos responsáveis, bem como estarem sempre identificados. As forças de seguranças orientam que durante as festas de carnaval de rua os menores estejam com pulseiras com nome e telefone de contato facilitando a localização em caso de separação. A orientação constante e a supervisão direta ajudam a prevenir situações de risco.

Mobilidade

Em relação à mobilidade urbana, o carnaval de rua costuma provocar alterações no trânsito e no transporte público. Algumas vias podem ser interditadas temporariamente, e linhas de ônibus podem operar com desvios ou horários especiais. Consultar previamente essas mudanças evita atrasos e transtornos. Sempre que possível, utilizar transporte coletivo ou serviços de transporte por aplicativo reduz o volume de veículos nas áreas de festa.

Emergências durante o carnaval de rua

Em situações de emergência, como acidentes, mal-estar ou ocorrências criminais, os foliões devem buscar ajuda junto aos órgãos de segurança e saúde presentes nos eventos. Normalmente, a programação conta com apoio da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e equipes de atendimento médico. Postos de atendimento costumam estar distribuídos nos principais pontos de concentração, com profissionais preparados para prestar assistência.

Caso a pessoa seja vítima ou testemunha de crime, a orientação é procurar imediatamente uma autoridade policial. Denúncias podem ser feitas presencialmente ou, em alguns casos, por meio de canais telefônicos oficiais disponibilizados pelas forças de segurança. O registro adequado contribui para a apuração dos fatos e para a adoção de medidas preventivas.

Outro cuidado relevante envolve o respeito às normas estabelecidas para os eventos. Evitar o uso de objetos cortantes, recipientes de vidro e materiais que possam causar ferimentos é uma medida comum em áreas de grande público. O cumprimento dessas regras auxilia na segurança coletiva e na continuidade das festividades.

O carnaval de rua em Macapá também é marcado pela diversidade cultural, com blocos que valorizam ritmos regionais, marchinhas e manifestações tradicionais do Amapá. A participação consciente, respeitando os espaços públicos, o meio ambiente e os demais foliões, contribui para a preservação dessas expressões culturais e para a convivência harmoniosa durante os dias de festa.

Com planejamento, atenção às orientações de segurança, cuidados com a saúde e conhecimento dos canais de apoio disponíveis, o público pode acompanhar o carnaval de rua de forma organizada, aproveitando a programação e os espaços da cidade durante o período festivo.

Macapá para o mundo ver

O projeto Macapá para o mundo ver é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) que propõe ações
integradas de comunicação, educação e valorização cultural durante o aniversário da cidade e o carnaval de
rua. Conta com o apoio da Tratalyx e da Prefeitura de Macapá.

Porto de Santana registra recorde na exportação de grãos em 2025

0

O resultado consolida o período como um dos mais relevantes do Porto de Santana. Foto: Divulgação/CDSA

A exportação de grãos pelo Porto de Santana, no Amapá, registrou um crescimento expressivo em 2025. Segundo dados da Companhia Docas de Santana (CDSA), foram embarcadas 1.174.774 toneladas, o que representa um aumento de 34,1% em comparação com o ano anterior. O resultado consolida o período como um dos mais relevantes do porto.

Leia também: Porto de Santana registra crescimento de 13,5% na movimentação de cargas em 2025

Segundo os dados, o avanço foi impulsionado principalmente pela soja e pelo milho, que juntos superaram pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas exportadas.

Comparativo:

  • Soja: crescimento de 61,8%, totalizando 568.199 toneladas
  • Milho: crescimento de 22,7%, alcançando 473.922 toneladas
Porto de Santana é o principal meio de escoamento de grãos do Amapá.
Porto de Santana é o principal meio de escoamento de grãos do Amapá. Foto: Reprodução/ Agência Amapá

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Investimentos no Porto de Santana

A companhia destacou que o recorde é resultado da combinação entre maior eficiência operacional, demanda aquecida no mercado externo e consolidação da infraestrutura logística.

O presidente da CDSA, Edival Tork, afirmou que os números refletem o planejamento e os investimentos realizados nos últimos anos.

“Tem se tornado constante nos últimos anos a realização de investimentos, sobretudo na melhoria da infraestrutura portuária, aliado ao planejamento e organização com que são conduzidas as ações dentro da CDSA. Isso resulta no aumento da confiança dos clientes que cada vez mais procuram o porto para realizar suas operações”, disse.

*Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

Afundamento dos navios Jaguaribe e Andirá: um confronto com ribeirinhos em Óbidos

0

Imagem gerada por IA

A Revolução Paulista de 1932 teve reflexos diretos na Amazônia. A movimentação política nacional gerou tensão em várias regiões e, nos estados da Amazônia, o episódio ficou marcado pelo afundamento dos navios Jaguaribe e Andirá. O fato, ocorrido no município de Óbidos (PA), envolveu forças revolucionárias e legalistas, em um conflito que abalou a navegação e a segurança dos rios da região.

As comunicações entre as cidades amazônicas, feitas principalmente pelos rios, tornavam os navios peças centrais tanto para o transporte quanto para a estratégia militar. A notícia da rebelião paulista chegou com atraso, mas rapidamente ganhou força.

Em pouco tempo, parte das guarnições locais começou a se mobilizar O governo do Amazonas, estado fronteiriço a cidade paraense, reagiu com medidas de contenção.

Leia também: A batalha naval que aconteceu no Rio Amazonas

A partir de então, a região vivenciou momentos de incerteza. Tropas leais ao governo federal e grupos alinhados com os revoltosos entraram em confronto. O episódio de Óbidos se tornou um dos mais emblemáticos da história dos navios da Amazônia, reunindo civis e militares em um cenário de forte tensão política.

O historiador e artista Moacir Andrade, no livro ‘História, costumes e tragédias dos barcos do Amazonas’, narra o contexto, as ações e as consequências dessa tragédia fluvial, que marcou profundamente a história da navegação na Amazônia e a memória militar da região.

📲Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Contexto político e a chegada dos navios

Durante o período, o Brasil enfrentava grande instabilidade. Na região, a repercussão dos afundamentos dos navios em São Paulo dividiu opiniões e despertou temores de insurreição. O governo do estado, chefiado por interventores federais, mantinha vigilância constante sobre as embarcações que circulavam pelos principais rios.

O Jaguaribe, um dos navios mais conhecidos da região, estava a serviço da Amazon River Steam Navigation Company, empresa inglesa que dominava o transporte fluvial. E o Andirá, de propriedade da Amazon Telegraph Company, era igualmente importante. Ambos foram requisitados para fins militares.

Leia também: Acidente inevitável: a colisão entre as embarcações ‘Boa Viagem’ e ‘Avelino Alves’ no Amazonas

Em 1932, com o avanço dos rumores de revolta, forças legalistas foram enviadas para conter supostos focos de rebeldia. Os portos de Parintins, Itacoatiara, ambos no Amazonas, e Óbidos, no Pará, tornaram-se estratégicos.

A flotilha legalista, sob comando do capitão de corveta Mário de Oliveira, partiu em direção a Óbidos, onde circulavam informações de que rebeldes teriam tomado a cidade.

Quando a embarcação Jaguaribe se aproximou, os defensores locais resistiram. O confronto foi intenso, confirme a narrativa de Andrade, envolvendo tiros de canhão e fuzilaria. Segundo o relato do autor, a troca de disparos durou horas e resultou em grandes danos às embarcações e à população ribeirinha.

O combate e o afundamento

O Jaguaribe e o Andirá foram alvejados durante o confronto. As forças rebeldes, munidas de armas posicionadas às margens do rio, resistiram à aproximação dos legalistas. O tiroteio se intensificou quando as embarcações tentaram ultrapassar as defesas de Óbidos.

Em meio ao fogo cruzado, um dos projéteis atingiu o Jaguaribe, causando graves danos à estrutura. A embarcação começou a adernar e, em pouco tempo, afundou parcialmente. O Andirá, que estava logo atrás, também foi atingido e teve o mesmo destino. O rio Amazonas, naquele trecho, tornou-se palco de uma das maiores tragédias fluviais da época.

Os tripulantes, em desespero, tentaram se salvar com o auxílio de canoas e jangadas. Parte dos soldados conseguiu alcançar a margem, enquanto outros desapareceram nas águas. A destruição dos navios representou uma grande perda para a logística regional e para a segurança dos transportes local

O livro relata ainda que a cidade de Óbidos ficou em estado de alerta por dias. Os combates deixaram dezenas de mortos e feridos, entre civis e militares. Após o episódio, o governo federal determinou o envio de reforços para restabelecer a ordem.

Leia também: Purus e Arary: a colisão em 1870 que marcou a história fluvial da Amazônia

Repercussões e registros históricos

O afundamento dos navios teve grande repercussão na região. As embarcações Jaguaribe e Andirá simbolizavam o poder da navegação fluvial e eram vistas como pilares do transporte e da comunicação regional. Sua destruição marcou o fim de uma era em que os grandes vapores dominavam os rios amazônicos.

Moacir Andrade destaca que a tragédia foi resultado de ordens militares mal coordenadas e da falta de informações precisas sobre a real situação política em Óbidos. O episódio passou a ser lembrado não apenas como um fato bélico, mas também como um alerta sobre os riscos da guerra em território amazônico.

Com o passar do tempo, o local do afundamento tornou-se ponto de referência histórica. Pescadores e navegadores da região relatavam a presença de destroços dos navios sob as águas, que ainda podiam ser vistos em determinados períodos de estiagem.

imagem aérea da cidade de Óbidos no Pará
Foto: Reprodução/Prefeitura de Óbidos

Memória e legado fluvial

O registro feito por Moacir Andrade preserva a memória desse episódio, que uniu política, guerra e tragédia em pleno coração da Amazônia. O autor enfatiza que o rio Amazonas, palco de tantos ciclos econômicos e sociais, também foi cenário de confrontos armados que deixaram marcas profundas.

O afundamento do Jaguaribe e do Andirá representa um dos capítulos mais dramáticos da história naval brasileira na região Norte. Ele evidencia a importância estratégica dos rios amazônicos e o impacto das decisões políticas nacionais sobre as populações ribeirinhas.

Ainda hoje, o episódio é lembrado como símbolo de resistência e como parte da identidade histórica de Óbidos e do rio Amazonas. A força dos rios, os riscos da navegação e a memória dos que perderam a vida nesses conflitos permanecem como lembranças vivas de um passado que moldou a trajetória da Amazônia fluvial.

Conheça a história de Silves, o “município­-ilha” do Amazonas

0

Foto: Divulgação/Prefeitura de Silves

O município de Silves, no Amazonas, celebra 363 anos de fundação neste 31 de janeiro. O município, situado na região do Médio Amazonas, é uma das cidades mais antigas e com maior riqueza histórica do estado, um local que carrega em suas paisagens, lendas e tradições, séculos de história desde o período colonial até os dias atuais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Localizada a cerca de 200 quilômetros da capital do Amazonas, Silves é uma ilha cercada por lagos e pela floresta amazônica, destacando-se pelo modo de vida peculiar de sua população, pela biodiversidade ao redor e pelas curiosidades que permeiam sua trajetória.

Da Missão do Saracá à formação de Silves

A história de Silves remonta ao século XVII, quando, em 1660, o local foi oficialmente povoado com a fundação da Missão do Saracá, uma missão religiosa criada pelos membros da Ordem das Mercês.

O projeto, inicialmente voltado à evangelização dos povos indígenas da região, foi marcado por conflitos entre colonizadores portugueses e comunidades originárias, refletindo tensões que marcaram as primeiras décadas da colonização amazônica.

Leia também: Silves, no Amazonas, elabora Plano de Ordenamento Turístico com foco no turismo sustentável

Praça da Matriz em Silves com a imagem de Nossa Senhora de Conceição é uma obra que mostra a marca religiosa no município do Amazonas. Foto: Reprodução/Prefeitura de Silves

Em seus primeiros anos, a missão passou por períodos de abandono e reocupação, até que, em meados do século XVIII, a localidade foi elevada à condição de vila com o nome de Silves, uma homenagem à cidade portuguesa de mesmo nome, reforçando os vínculos culturais entre o Brasil colonial e Portugal.

Ao longo dos séculos XIX e XX, a geografia administrativa de Silves sofreu diversas alterações: a sede do município foi alternada entre Silves e Itapiranga, anexando-se e desanexando-se em distintos períodos do território de Itacoatiara, até que, em 1956, tornou-se novamente um município autônomo e consolidado.

Entre a natureza e a cultura: curiosidades que encantam

Com uma localização singular, Silves é uma cidade encantadora por sua junção de história, natureza e tradição ribeirinha. A maior parte de seu território é composta por áreas de floresta tropical e uma intrincada rede de lagos, como o Lago Saracá, que moldam o estilo de vida local e oferecem cenários naturais únicos.

Uma das grandes curiosidades sobre Silves é o fato de a sede do município estar situada em uma ilha no meio do complexo de lagos amazônicos. Por isso, o acesso à cidade não é apenas terrestre, mas frequentemente também feito por via fluvial, em pequenas embarcações ou balsas, o que proporciona uma experiência típica da vida amazônica.

Silves também é conhecida por suas “praias” de água doce, como a popular Praia do Terceiro, com areias claras e águas tranquilas, que atraem visitantes em busca de lazer e contato com a natureza. Esses recantos naturais fazem da cidade um destino privilegiado para ecoturismo, pesca esportiva e experiências ligadas à vida ribeirinha.

Foto: Divulgação

O povo silvense e suas tradições

Os habitantes de Silves, chamados de silvenses, compõem uma comunidade acolhedora e de forte identidade cultural. A cidade é muitas vezes apelidada popularmente de “Ilha Risonha”, em referência à simpatia e receptividade de sua população, que valoriza suas tradições e seu modo de vida ligado à natureza.

As manifestações culturais locais refletem tanto a herança indígena quanto as influências coloniais portuguesas, presentes em festas religiosas, culinária e na arquitetura de alguns prédios históricos, como a igreja matriz de Silves, que ocupa lugar de destaque no patrimônio cultural da cidade.

Leia também: Conheça as cidades do AM que já se destacaram no setor petrolífero

Complexo Termelétrico Azulão 950,no município de Silves. Foto: Alex Pazuello – Secom Amazonas

Desafios

Embora Silves mantenha rica tradição cultural e belezas naturais, o município enfrenta desafios comuns em muitas regiões amazônicas, como a necessidade de infraestrutura adequada, acesso a serviços básicos e a sustentabilidade do turismo e da economia local. Ainda assim, iniciativas locais e a valorização do potencial ecológico colocam Silves em uma rota de desenvolvimento que busca conciliar preservação ambiental com melhorias sociais e econômicas.

Economicamente, o município tem base em atividades rurais, pesca e extrativismo, além de ganhar relevância no contexto regional pela proximidade com empreendimentos ligados à geração de energia e ao setor logístico, que movimentam a economia e influenciam oportunidades de emprego para a população.

A presença da empresa Eneva no município de Silves tem se tornado um dos mais relevantes vetores de transformação econômica e social para a região.

A energética, que é uma das principais operadoras privadas de gás natural no Brasil, investe em Silves por meio do Complexo Termelétrico Azulão 950, um grande projeto de geração de energia a partir do gás natural extraído na Bacia do Amazonas, com previsão de gerar energia para cerca de quatro milhões de residências e milhares de empregos diretos e indiretos na fase de construção e operação das usinas. Esse empreendimento envolve não apenas a infraestrutura energética, mas também parcerias sociais e educacionais com o município.

Leia também: Eneva lança obras do Complexo Termelétrico Azulão I e II em Silves com investimentos iniciais de R$ 5,8 bilhões

Entre essas iniciativas está a reforma e doação de uma escola técnica de tempo integral em parceria com o Governo do Amazonas e o CETAM, que oferece cursos voltados às demandas locais e bolsas-auxílio para os estudantes, ampliando oportunidades de qualificação profissional para os jovens silvenses — além de projetos voltados ao empreendedorismo e apoio comunitário.

Alta Floresta Não Atropela: programa urbano de mitigação de atropelamentos registra avanços e amplia parcerias no Mato Grosso

0

Os registros de animais cruzando vias movimentadas no município de Alta Floresta, no Mato Grosso, tornaram-se um alerta constante para gestores e moradores. Foi aí que surgiu o programa Alta Floresta Não Atropela, para criar pontes para que animais não precisem passar por áreas onde veículos passas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Relatórios do programa Alta Floresta Não Atropela divulgados pela prefeitura indicaram que, após a instalação das estruturas, centenas de travessias seguras foram registradas nos primeiros meses de monitoramento. As câmeras instaladas nas pontes registraram grupos de macacos utilizando os dosséis para cruzar a via sem descer ao asfalto.

Com o aumento dos deslocamentos de primatas e pequenos mamíferos, surgiram também pontos críticos de atropelamento no perímetro urbano que necessitaram uma melhor atenção do programa Alta Floresta Não Atropela.

Para enfrentar os problemas o município combinou ao programa Alta Floresta Não Atropela monitoramento, infraestrutura e educação ambiental para reduzir riscos e garantir travessias seguras.

Leia também: Primeira passagem superior de fauna, projetada para primatas ameaçados, é instalada na BR-319

Estrutura, funcionamento e ações implementadas

O Alta Floresta Não Atropela reúne diferentes medidas, todas definidas com base em levantamentos técnicos e no mapeamento detalhado das rotas usadas pelos animais. Entre essas ações estão a instalação de pontes de dossel, estruturas aéreas que permitem a passagem de primatas sem contato direto com o trânsito urbano.

As intervenções incluem ainda placas de sinalização, redutores de velocidade e adequações em bueiros para facilitar a movimentação de espécies terrestres. Técnicos envolvidos no projeto apontam que os corredores de travessia foram implantados justamente onde havia maior risco de atropelamentos.

Implementado em outubro de 2024 no município, o programa tem registrado que até maio de 2025 aconteceram 3.943 travessias seguras de mais de 10 espécies, incluindo roedores e marsupiais arborícolas, além de primatas. Essas ações integram o primeiro Plano Urbano de Mitigação da Amazônia brasileira a incluir soluções específicas para reduzir atrope lamentos de fauna e promover a reconexão de fragmentos florestais em áreas urbanas.

A Secretaria de Meio Ambiente do município de Alta Floresta afirmou por meio de sua secretária, Gercilene Leite que o plano foi construído com base em parcerias técnicas e em análises de especialistas que acompanharam o comportamento da fauna.

“O Alta Floresta Não Atropela, além de proteger os primatas, trouxe uma nova visão de conservação ambiental. A ideia é uma ação conjunta que busca respeitar a nossa biodiversidade e possibilita manter o ecossistema em equilíbrio”.

Parcerias e ampliação do monitoramento

Imagem capta primata passando por ponte. Foto: Divulgação/ Prefeitura de Alta Floresta

O programa é sustentado por uma rede de cooperação que envolve órgãos ambientais estaduais, universidades, institutos de pesquisa, organizações civis e empresas locais. Essa articulação permitiu ampliar o alcance das ações e reforçar o monitoramento das áreas de risco.

Uma das atualizações trimestrais divulgadas pela gestão municipal registrou mais de 1,8 mil travessias seguras ao longo de quatro meses. Essa contagem foi realizada por meio de registros automáticos e observações diretas, possibilitando análises frequentes sobre o uso das estruturas pela fauna.

Leia também: Regional de Alta Floresta multa e embarga áreas de desmatamento ilegal, garimpos e posto de gasolina em MT

O painel de monitoramento tornou-se referência local ao reunir gráficos, mapas e imagens captadas nas travessias. Essas informações são essenciais para determinar novos pontos de intervenção e orientar as próximas etapas do projeto.

Além da infraestrutura, o programa investe em campanhas educativas voltadas a motoristas, estudantes e moradores de regiões próximas às áreas de travessia. As ações destacam a importância de reduzir a velocidade e manter atenção redobrada nas vias que cortam áreas arborizadas.

Reconhecimento, expansão e próximos passos

Com o avanço das medidas, o Alta Floresta Não Atropela passou a ser citado na imprensa regional e em eventos relacionados à gestão ambiental. A visibilidade do projeto chamou a atenção de outras prefeituras, que buscaram conhecer o modelo aplicado em Alta Floresta.

Representantes municipais destacaram que o objetivo é expandir o número de pontes de dossel e reforçar a manutenção das estruturas já instaladas. Há previsão de novas implantações em trechos classificados recentemente como críticos, com base no monitoramento contínuo da fauna.

Mesmo com os progressos, técnicos afirmam que ainda existe a necessidade de ampliar as campanhas de conscientização e de fortalecer a fiscalização de velocidade em áreas próximas aos corredores de travessia. As análises indicam que o comportamento dos motoristas continua sendo um dos principais fatores de risco para atropelamentos.

O município afirma que o programa só continuará avançando com apoio constante da população e com a atualização permanente das estruturas instaladas. A expectativa é de que o Alta Floresta Não Atropela mantenha a tendência de redução de riscos e se torne referência para outros municípios que enfrentam desafios semelhantes na convivência entre áreas urbanas e fauna silvestre.

Iniciativas semelhantes em outras cidades da Amazônia

Além do programa em Alta Floresta, outras cidades amazônicas também desenvolveram programas voltados à redução de atropelamentos de fauna e à preservação da conectividade entre fragmentos florestais.

Em Manaus (AM), o projeto Fauna Viva nas Vias reforça ações de monitoramento e implantação de sinalização em trechos de maior circulação de animais silvestres, especialmente em áreas próximas a reservas e corredores ecológicos urbanos. A iniciativa inclui campanhas educativas e estudos técnicos que buscam identificar mudanças no comportamento da fauna em relação ao tráfego urbano.

Imagem de corredor suspenso para passagem de animais em Manaus. Foto: Divulgação/ Semcom – Prefeitura de Manaus

Outra referência é o Corredores Verdes de Santarém, no Pará, que trabalha com a instalação de passagens de fauna, adequação de trechos urbanos que cruzam áreas de mata e mapeamento contínuo dos pontos mais sensíveis ao atropelamento de animais. O programa também promove oficinas com comunidades escolares e motoristas, reforçando práticas de prevenção e a importância da preservação da fauna local.

Santa Rosa de Lima: Papa Leão XIV entroniza imagem de santa peruana no Vaticano

0

Foto: Reprodução/Vatican News

O Papa Leão XIV inaugurou um mosaico da Virgem Maria e a entronização de uma estátua de Santa Rosa de Lima nos Jardins do Vaticano neste sábado (31). O ato é considerado pelo Papa uma reafirmação dos laços históricos, espirituais e culturais entre o Peru e a Santa Sé. 

Durante o discurso, o Papa enfatizou o significado do gesto e sua ligação especial com o povo peruano:

“Este gesto renova os profundos laços de fé e amizade que unem o Peru, como vocês sabem, um país tão querido para mim, à Santa Sé”, disse ele aos presentes, incluindo representantes da Igreja, autoridades do Vaticano e a delegação diplomática peruana.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O Papa dirigiu uma saudação especial aos membros da Conferência Episcopal Peruana, ao embaixador do Peru junto à Santa Sé, Jorge Ponce San Román, e à presidente do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, Irmã Raffaella Petrini.

Nesse contexto, destacou o entorno natural do local e o trabalho realizado para a conclusão do projeto. “Reunidos neste belo lugar onde tudo nos fala do criador e da beleza da criação, quero agradecer, em primeiro lugar, aos artistas que criaram estas obras e àqueles que tornaram possível que hoje possamos desfrutar deste agradável evento, e a toda a família salesiana, neste dia da festa de São João Bosco, em que estamos aqui reunidos, parabenizando a todos ”, disse ele, agradecendo especialmente aos artesãos de Dom Bosco.

O Papa também refletiu sobre o chamado universal à santidade, invocando as figuras da Virgem Maria e da primeira santa latino-americana.

“Estas duas figuras, nossa Mãe Celestial e a primeira santa latino-americana, Santa Rosa de Lima, lembram-nos o tema da santidade”, recordou, citando o Concílio Vaticano II sobre a vocação de todos os fiéis à plenitude da vida cristã.

Leia também: HABEMUS PAPAM: Robert Francis Prevost, o Papa Leão XIV, é cidadão do Peru

papa-santa-rosa-foto-vatican-news
Foto: Reprodução/Vatican News

Embaixador do Peru no Vaticano agradece homenagem à Santa

Por sua vez, o embaixador do Peru junto à Santa Sé, Jorge Ponce San Román, expressou sua gratidão ao Papa e destacou o trabalho realizado pela missão diplomática peruana para concretizar este projeto no Vaticano.

“Certamente, quero agradecer à equipe da embaixada peruana, distribuída por esses jardins neste momento, pelo seu trabalho incansável para concretizar este projeto ”, disse ele, observando também que nas últimas semanas foram desenvolvidas atividades acadêmicas e culturais para promover a figura de Santa Rosa de Lima.

O diplomata lembrou que Santa Rosa é “a primeira santa do chamado ‘Novo Mundo’. A padroeira das Américas e das Filipinas”, cujo testemunho, disse ele, representa uma fé que se traduz em serviço e compromisso com os mais vulneráveis. “Santa Rosa continua sendo um exemplo nos dias de hoje”, enfatizou

Jorge Ponce também expressou os sentimentos do povo peruano e renovou o convite ao Santo Padre para visitar o Peru.

“Quero concluir reiterando a infinita gratidão de todo o povo do Peru ao nosso Papa Leão XIV por esta nova demonstração de afeto, e reiterar que esta terra sagrada, como o Papa Francisco a chamou, o aguarda com esperança e fé. Em nome do povo peruano, muito obrigado, Santo Padre. E como o senhor sabe, esperamos vê-lo muito em breve no Peru”, declarou.

*Com informações da Agência Andina

Dromedários na Amazônia? Grupo de animais do Marrocos vive em fazenda no Tocantins

0

Dromedários faziam parte de passei turístico no Rio Grande do Norte antes de serem levados para o Tocantins. Foto: Jorge Bretas via Tripadvisor

Desde 2024 um grupo de dromedários, animais originários da Ásia, África e Oriente Médio, vive no Tocantins. Mas somente no início deste ano os animais chamaram atenção para sua existência na Amazônia, depois de vídeo viralizar nas redes sociais.

Os dromedários vivem em uma fazenda, localizada entre Rio Sono e Lizarda, no leste do Tocantins, próximo ao Jalapão, um dos pontos turísticos brasileiros famosos por suas dunas de areia.

Leia também: Dunas do Jalapão: o melhor pôr do sol do Tocantins

A Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) informou que os animais estão mantidos dentro das regularidades solicitadas, com fiscalização e documentos atualizados, conforme o Guia de Trânsito Animal (GTA).

De onde vieram?

Os dromedários fizeram parte de uma atração turística nas dunas de Genipabu, em Extremoz (RN), por mais de 20 anos. Segundo a empresa responsável, a Dromedunas, as atividades foram encerradas em 2024 “por causa da baixa demanda”.

Os animais foram trazidos do Marrocos ao Brasil pelo suíço Philippe Landry, que comandou a Dromedunas Turismo, e conseguiram se adaptar ao clima quente e seco do Nordeste.

O passeio de dromedário pelas dunas durava cerca de 15 minutos, com outros serviços como a caracterização dos turistas com turbantes em alusão à experiência árabe.​

dromedunas - dromedários eram usados como atração turística no RN antes de irem para tocantins
Foto: Tati E via Tripadvisor

Em 2013, o empreendimento foi alvo de uma campanha na internet, com mais de 50 mil assinaturas, contra o uso dos dromedários para fins turísticos, porém o passeio era acompanhado por veterinários e órgãos ambientais locais, sendo considerado legal.

Leia também: Você sabia que existe um “Marrocos” na Amazônia?

No comunicado que anunciou o fim dos serviços turísticos na praia nordestina, a empresa informou que os animais seriam levados para a região Norte do país, em uma Fazenda Santuário tocantinense, com clima próximo suficiente dos que os animais estavam acostumados para viverem com conforto.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A escolha do local foi anunciada pelos administradores com o objetivo de reprodução e descanso para os animais, que não devem ser usados em atividades turísticas.

Camelo ou dromedário?

Muitas páginas nas redes tem se referido aos animais como camelos, mas há diferença. Os camelídeos são mamíferos ruminantes da família Camelidae, divididos entre os do Velho Mundo (com corcovas) – camelos e dromedários – e os da América do Sul (sem corcovas) – lhama, alpaca, guanaco e vicunha.

Visualmente é fácil distinguir as espécies asiáticas, pois o camelo (Camelus bactrianus) possui duas corcovas e pernas curtas, e o dromedário (Camelus dromedarius) possui apenas uma corcova e pernas mais longas.

Digital Amazon integra dados sobre gases de efeito estufa na Amazônia

Foto: Divulgação/Inpa

O Digital Amazon, plataforma que integra dados sobre emissões e absorções de gases de efeito estufa da Floresta Amazônica, já está disponível ao público. Desenvolvida no âmbito do projeto “Emissão de Gases de Efeito Estufa na Amazônia: Sistema de Análise de Dados e Serviço”, do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo (RCGI-USP), a ferramenta reúne informações dos nove países amazônicos e permite analisar, de forma integrada, a dinâmica regional dos GEEs.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“Trata-se da primeira plataforma a reunir, de forma integrada, dados de satélite, torres de medição e outros sensores sobre o ciclo de carbono na floresta amazônica. Isso representa um avanço fundamental para a ciência e para a formulação de políticas públicas eficazes frente às mudanças climáticas”, afirma Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e coordenador do projeto.

Análises complexas e série temporal

O Digital Amazon organiza dados fundamentais para compreender o papel da Amazônia na dinâmica global dos GEEs — em especial dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) — a partir de uma base unificada de informações antes dispersas. Essa centralização permite que tarefas que antes exigiam dias de preparação e organização agora sejam concluídas em poucos minutos, aumentando significativamente a produtividade dos pesquisadores.

O sistema também permite resolver disparidades nos dados divulgados por diferentes satélites, que variam em resolução, periodicidade e tecnologia. Algumas análises possíveis incluem:

  • o impacto da degradação florestal nas emissões;
  • os efeitos de El Niño e La Niña nas concentrações atmosféricas de GEEs;
  • o cálculo das emissões de metano em áreas alagadas;
  • e os efeitos da expansão agropecuária e das mudanças no regime de chuvas sobre os processos fotossintéticos da floresta.

Os dados cobrem inicialmente o período entre 2003 e 2017, reunindo informações obtidas por satélites, torres como a ATTO (Amazon Tall Tower Observatory), sensores de superfície e bancos de dados meteorológicos e ambientais. O próximo passo é atualizar a base até 2024, o que ampliará o alcance temporal das análises e reforçará o monitoramento contínuo da região.

Leia também: ATTO: com 325 metros, torre de observação na Amazônia ultrapassa a Torre Eiffel

home do site digital amazon - dados sobre gases do efeito estufa na amazônia
Imagem: Divulgação

Big data ambiental

O Digital Amazon é um data space, ou seja, uma estrutura digital voltada à integração e ao tratamento inteligente de grandes volumes de dados complexos. No caso, integrar e organizar dados ambientais de diferentes origens e formatos — como satélites, sensores terrestres e torres de medição — em um ambiente unificado, com curadoria, rastreabilidade e interoperabilidade.

“Toda essa infraestrutura está hospedada na nuvem da AWS [Amazon Web Services], o que garante acesso remoto, escalabilidade e segurança. Isso permite análises robustas e abre caminho para o uso de inteligência artificial em buscas, inferências e tomada de decisão. Trata-se de uma aplicação concreta dos princípios de big data voltada à complexidade da floresta amazônica”, afirma José Reinaldo Silva, professor da Escola Politécnica da USP e vice-coordenador do projeto.

O projeto, que contou em sua primeira fase com financiamento da Shell Brasil e da FAPESP por meio da cláusula de P&D da ANP, envolve uma rede de instituições de pesquisa, entre elas o Laboratório de Física Atmosférica da USP, o D-Lab (Design Lab da Poli-USP), o C2D (Centro de Ciência de Dados da Poli-USP), o Departamento de Engenharia Aeronáutica da USP (EESC), o INPE, o IMAZON, o MapBiomas e o CEMADEN, sob a coordenação do RCGI-USP.

Entre os próximos avanços previstos está o desenvolvimento de um visualizador intuitivo, voltado para usuários não especialistas. Como complemento às torres fixas e aos satélites, foram desenvolvidos protótipos de drones capazes de coletar dados atmosféricos em áreas remotas da floresta. A proposta é operar os drones a partir de barcaças na bacia amazônica, ampliando o acesso a regiões de difícil cobertura terrestre.

O sistema já está preparado para sincronizar com outros bancos de dados — e poderá ser integrado, futuramente, a plataformas internacionais como o Global Forest Watch. Também estão previstos relatórios periódicos com análises interpretativas, voltados à formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

“Nosso objetivo é oferecer uma infraestrutura robusta para que pesquisadores, gestores públicos e membros da sociedade civil possam acompanhar em detalhe o papel da floresta amazônica no balanço global de carbono”, afirma José Reinaldo. “Agora que temos uma estrutura tecnológica sólida, buscamos apoio para a continuidade e ampliação do projeto”. 

O Digital Amazon pode ser acessado mediante cadastro no site do Digital Amazon com liberação de diferentes níveis de acesso conforme o perfil do usuário.