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Comunidades indígenas e quilombolas se unem contra extinção de línguas no Brasil

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Projetos populares e tradicionais, aliados a políticas públicas auxiliam na proteção da diversidade das línguas brasileiras. Foto: Michel Becheleni/Rupestre Imagens

O que se perde quando uma língua desaparece? A resposta para essa pergunta é algo que o comunicador indígena Jefferson Tupari Makurap não pretende descobrir. Oriundo dos povos Tupari, por parte de pai, e Makurap, por parte de mãe, Jefferson, estudante de Gestão Pedagógica Intercultural, está engajado em uma batalha contra a extinção de sua língua materna, a Makurap. Não faz isso sozinho, mas ao lado de seus últimos falantes: os homens e mulheres mais velhos de seu povo, guardiões de saberes. 

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Tendo Rondônia como pano de fundo, a batalha pela manutenção de uma língua ancestral não mobiliza apenas a aldeia indígena Ricardo Franco, do território Rio Guaporé, no município de Guajaramirim (RO), onde é falada. Os povos Makurap também estão na Terra Indígena Rio Guaporé, sudoeste do estado, assim como na capital, Porto Velho. 

Essa multiterritorialidade, conforme detalha o livro Nossas Histórias Makurap, advém de relações de contato da etnia com núcleos situados no ambiente urbano. Segundo dados do Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (SIASI), de 2014, atualmente há cerca de 579 indígenas Makurap vivendo no estado de Rondônia. 

A ponta de lança do projeto de revitalização da língua do povo Makurap é a reunião dos saberes sobre a língua em materiais didáticos, como o livro Ensinando a língua Makurap, de autoria do professor Agnaldo Makurap, tio de Jefferson. A obra consiste na integração dos conhecimentos gramaticais da língua Makurap, tais como o alfabeto, suas vogais e consoantes, bem como suas respectivas pronúncias. 

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Além de exercícios de fonologia com separação silábica, o livro também conta com letras musicais de cânticos Makurap e exercícios para firmamento do conhecimento, tais como desenhar elementos relacionados à cultura da etnia. Ao final do volume (único, até o momento), é disponibilizado um vocabulário com cerca de 160 palavras relativas ao seu conteúdo para instruir seus estudantes ao longo da jornada de aprendizagem. 

A obra, voltada para a alfabetização, será ministrada em encontros e rodas de conversa pelos sabedores da aldeia.

“Esses sabedores indígenas, que são os mais velhos, hoje são nossos professores. Eles são pontos focais para a revitalização da nossa cultura”, explica Jefferson. 

O comunicador pontua, ainda, que a quantidade de atividades não-indígenas dentro da aldeia é um agravante nessa situação. “Também é por este motivo que precisamos mostrar para a nossa juventude que a língua do povo Makurap é muito importante para a nossa identidade.”

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Festa do Peixe no Território Rio Guaporé, do povo Makurap. Foto: Divulgação/ Bitate Juma

Um dos pontapés iniciais para a saga rumo à revitalização da língua do povo Makurap, segundo relata Jefferson, começou depois que sua avó e seus tios, membros anciãos da aldeia Ricardo Franco, começaram a se indagar sobre a pouca valorização dada à língua e à cultura de seu povo por parte da própria aldeia. “Eles queriam entender por que ninguém dava valor aos cânticos deles, à cultura tradicional do povo Makurap num geral”, comenta Jefferson.

Apesar do que tem acontecido na aldeia Ricardo Franco, o número de falantes indígenas com cinco anos ou mais dentro de terras indígenas aumentou ao longo de 12 anos. É o que atesta o Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o estudo, esse número foi de 293.853, em 2010, para 433.980, em 2022. 

Percebendo a pouca valorização dada à própria cultura, Jefferson e demais membros do aldeia, como o seu tio, passaram a se organizar em associação como forma de mobilizar a pauta cultural da comunidade, criando a Associação do Povo Makurap, a AWANDA. 

Essa mobilização acontece em torno de encontros e rodas de conversa e festas, como a Festa do Peixe, que já é um evento tradicional da aldeia Ricardo Franco. A aliança com outros povos indígenas, de diferentes etnias, também foi uma maneira encontrada de financiar esses eventos.

A iniciativa do povo Makurap para preservar a própria língua parte de uma parceria entre a comunidade e pesquisadoras ligadas à Universidade Federal da Paraíba e à Universidade Federal do Pará. O estudo é realizado junto ao Museu Paraense Emílio Goeldi, sediado em Belém (PA). O próximo passo do projeto é encaminhar os resultados do estudo feito sobre a língua Makurap para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), que gerencia essas iniciativas através do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), política de salvaguarda criada para prevenir a extinção de línguas brasileiras.

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Uma política de salvaguarda das línguas

As margens do desaparecimento linguístico não são povoadas apenas pelo povo Makurap. O Brasil possui 391 etnias e 295 línguas indígenas, segundo o Censo de 2022. De acordo com o Atlas das línguas em perigo da Unesco, cerca de 190 dessas línguas estão em risco de extinção. Mas problema também envolve línguas não-indígenas, como o Iorubá, de matriz africana, e o Hunsrück, língua de origem alemã falada no sul no Brasil. Diante dessa realidade, o que é necessário para preservar uma língua?

O surgimento do Inventário Nacional de Diversidade Linguística se deu tanto para tentar salvaguardar essas línguas quanto para distingui-las daquilo que é reconhecido como patrimônio histórico imaterial. A política de inventário surgiu anos depois da instituição do Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial, promulgado no ano de 2000 pelo decreto de nº 3551, um instrumento de preservação do patrimônio cultural imaterial brasileiro. A partir dele, foram criados quatro livros destinados a registrar bens culturais imateriais relacionados a saberes, festas, lendas e locais culturais. 

Apesar de cumprir com a sua finalidade, o instrumento não foi capaz de contemplar a diversidade linguística brasileira em sua totalidade porque não contava com categorias que incluíssem as línguas. Entendendo que a criação de um livro de registro para as línguas não seria o mais viável, visto que isso implicaria no reconhecimento da língua como um patrimônio, o Iphan adotou outras soluções.

“Quando falamos em patrimônio, partimos do princípio de uma seleção dos bens culturais mais representativos do que seria a identidade nacional. Mas essa lógica de seleção não se aplica às línguas, porque as línguas são tão estruturantes da cultura de um povo, que não faz sentido dizer que uma língua é patrimônio e a outra não, por um critério qualquer”, detalha o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI) do Iphan, Deyvesson Gusmão.

Artigos da etnia Mbyá Guarani, uma das mais de 300 etnias indígenas do Brasil. Foto: Desirée Ferreira/Nonada

A partir dessa distinção, o órgão chegou à conclusão sobre a necessidade da criação de um instrumento próprio para a identificação e reconhecimento das línguas brasileiras. A publicação do decreto nº 7387, em 2010, instituiu, então, o INDL, que funciona tanto como um instrumento de produção de conhecimento sobre as línguas a partir de sua identificação quanto como um instrumento de reconhecimento das mesmas através da chancela do Estado, por meio do Ministério da Cultura (MinC). 

“Quando uma língua é incluída no Inventário, ela é titulada como referência cultural brasileira, para diferenciar um pouco do reconhecimento como patrimônio num livro de registro. Quando um bem é registrado [num livro de registro], ele é reconhecido como patrimônio cultural do Brasil”, diferencia Deyvesson. 

Em 2023, o Iphan lançou um edital do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, no qual selecionou 9 propostas que abarcam projetos de pesquisa sociolinguística e tendo como referência o Guia Nacional da Diversidade Linguística.

Desde que o INDL surgiu em 2010, 7 línguas que estavam em risco de extinção, sendo que 6 delas são indígenas, já foram inventariadas e reconhecidas pelo MinC como referência cultural imaterial. São elas: 

  • a língua Asurini, que pertence ao tronco Tupi, da família linguística Tupi-Guarani, cujos falantes habitam a Terra Indígena Trocará, localizada às margens do rio Tocantins, em Tucuruí (PA); 
  • a língua Guarani M’bya, identificada como uma das três variedades modernas da língua Guarani, da família Tupi-Guarani e do tronco linguístico Tupi; 
  • as línguas NahukuáMatipuKuikuro e Kalapalo, de família linguística Karib e falada na região do Alto Xingu (MT); 
  • e a língua Talian (chamada de língua de migração por conta de seu contexto), que é falada, especialmente, nas regiões de forte influência camponesa do interior dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Espírito Santo. A língua Talian é formada a partir do contato de distintas línguas originárias da região do Vêneto, na Itália, de onde veio um grande contingente de imigrantes para o Brasil, a partir de meados do século XIX.

Fora as línguas que já foram salvaguardadas pela política de diversidade linguística, cerca de 20 outras línguas aguardam por esse reconhecimento. É o que acontece com a LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais; o Iorubá; o Yanomami, língua indígena do povo de mesmo nome; e com a língua Pomerana, de origem alemã e polonesa.  

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Proteger a diversidade linguística: uma tarefa transversal 

Deyvesson explica que essa espera por salvaguarda enfrentada por todas essas línguas é um reflexo da ingerência sobre o Iphan cometida durante o governo Bolsonaro, que extinguiu o MinC. Neste período, o órgão foi transferido para o Ministério da Cidadania, depois para o Ministério do Turismo, até retornar para o MinC, recriado em 2023, já no governo Lula.

Com essas sucessivas mudanças, a estrutura do colegiado, atualmente formado por uma comissão técnica com representantes de cinco órgãos públicos do governo federal e que avalia e aprova a inclusão de novas línguas no Inventário, foi prejudicada. 

“Agora, estamos aproveitando essa necessidade de reformulação para propor ao MinC a criação de um colegiado mais amplo, que atue como um conselho nacional de políticas da diversidade linguística”, diz. A nova proposta sugere o aumento do número de representantes do Estado de cinco para dez, bem como a inserção de dez representantes da sociedade civil no colegiado. 

Tambores do batuque. Foto: Talita Morais/UPF

O diretor explica que a reestruturação do colegiado visa garantir a participação social no reconhecimento das línguas como Referência Cultural Brasileira, objetivando a intersetorialização das demandas e políticas que relacionam cultura e diversidade linguística. Para isso, “o Iphan propôs a criação de um Conselho Nacional de Políticas para a Diversidade Linguística”. A proposta está em análise no MinC.

A intenção é unificar um processo que já faz parte da maneira como a língua é preservada no Brasil. No que diz respeito à atuação do Estado, além do INDL, do Iphan, outras frentes atuam para garantir que povos indígenas mantenham vivas suas tradições linguísticas. 

O Ministério da Educação, por exemplo, promove educação diferenciada para comunidades indígenas através da Política Nacional de Educação Escolar Indígena nos Territórios Etnoeducacionais, cuja premissa é garantir educação específica para esses povos, bilíngue e intercultural. 

O Ministério do Planejamento, através do IBGE, realiza o senso nos domicílios e apura sobre a quantidade de povos que habita cada território. Outros órgãos que atuam em frentes específicas, como a Funai e o Ministério dos Povos Indígenas, que tem o Departamento de Línguas e Memórias Indígenas, também se articulam no sentido da preservação linguística de povos tradicionais.

Se a nova estrutura do colegiado for aprovada, “a ideia é que tanto Estado quanto sociedade civil assumam o compromisso de salvaguarda, de preservação e fortalecimento das línguas”, conforme aponta o diretor do DPI.

Comunidade no centro 

Um dos princípios fundamentais da política de salvaguarda das línguas do Iphan é a participação social. Para incluir uma língua no Inventário Nacional da Diversidade Linguística, é necessário que o proponente dessa inclusão, no caso os pesquisadores, contem com a anuência das comunidades de onde vem essas línguas. 

Também é necessário que o processo de produção de conhecimento conte com a participação ativa de quem vive nos territórios, a fim de que seja garantido a legitimidade e o protagonismo das comunidades linguísticas na produção de conhecimento sobre sua própria língua.

Seguindo esse princípio, pesquisadores do Mukuá – Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Vissungo, ao lado das comunidades do Baú e do Ausente, no Serro, e do Quartel do Indaiá, na Diamantina, trabalham pela restituição de cantos e de palavras de línguas Bantu, como o Quimbundo e o Umbundu, a essas comunidades.

Comunidade quilombola no Vale do Jequitinhonha. Foto: Michel Becheleni/Rupestre Imagens

Esse processo, que está sendo realizado desde março com recursos do edital do INDL, se dá através do compartilhamento e da inventariação. Os cantos em questão se referem ao Vissungo, que além de comporem noções sobre vida e morte nas festas do Rosário do Serro (um misto de devoção religiosa e celebração cultural que homenageia Nossa Senhora do Rosário, com fortes raízes na cultura afro-brasileira), também são utilizados em contextos do cotidiano dessas comunidades. 

“O trabalho de restituição da língua com as comunidades é realizado por meio da parceria entre mestres, educadores populares e pesquisadores acadêmicos. O processo também envolve a organização de memórias e de palavras da tradição local e o compartilhamento de pesquisas, documentos e gravações históricas com as comunidades”, detalha a antropóloga Joana Corrêa, integrante do Mukuá. 

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O projeto acontece através de oficinas em que os participantes desenvolvem histórias que rememoram fundamentos e palavras da tradição do Vissungo. Ao todo, mais de 170 palavras já foram inventariadas pelo grupo. 

Além das oficinas com as comunidades de base do projeto, outras comunidades quilombolas do Serro, como Santa Cruz, Vila Nova, Queimadas e Capivari também estão inseridas no circuito do projeto através de rodas de prosa itinerantes. Como resultado final das oficinas do projeto, foi produzido o livro-cartilha Meu bisavô veio de Angola, em referência ao bisavô de Enilson Viríssimo, a partir de quem o projeto se estruturou. 

Enilson, contrabaixista e mestre popular, é morador da comunidade do Ausente e tem na sua ancestralidade a origem para o projeto que visa a restituição do Vissungo às comunidades. Esse tipo de canto é um conhecimento passado de pai para filho ao longo de três gerações, e teve início quando o bisavô de Enilson, João Norbert, veio de Angola, trazendo consigo o repertório cultural e linguístico do país. No Brasil, se refugiou da escravidão no território que hoje é a comunidade quilombola do Ausente. No meio desse repertório trazido por João, figurava o Vissungo. 

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Situadas no território afro-diaspórico do Alto Jequitinhonha, microrregião do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, as comunidades quilombolas do Ausente, do Baú e do Quartel do Indaiá são oriundas de um contexto histórico rico em diversidade linguística. Estima-se que em meados do século XIX, cerca de 80 a 90 por cento da população dos arraiais era de africanos, e majoritariamente negra, conforme contextualiza Joana. 

“Segundo registros históricos e memorialistas, entre fins do século XIX e até meados do século XX, as línguas africanas eram fluentemente usadas pelas populações locais. Com o apagamento das diversidades culturais e linguísticas empreendido por sucessivos atos legislativos, jurídicos e executivos do Estado brasileiro na implementação do regime republicano, desde o período pós-abolicionista até a Era Vargas, estas línguas ficaram restritas a áreas rurais mais isoladas, hoje reconhecidas como territórios quilombolas, e se mantiveram vivas nos cantos tradicionais dos Catopês dos Reinados do Rosário do Serro”, explica a antropóloga. 

Outro desdobramento tido a partir das oficinas é a produção do documentário Envém Vissungo, realizado por meio de entrevistas com mestres e mestras populares locais. Tanto o livro cartilha quanto o documentário serão lançados no fim do mês, na comunidade do Baú, com roda de prosa com o mestre Enilson e convidadas.

Envém é uma palavra que representa um devir e é comumente pronunciada na região. Ainda, o uso do termo no contexto do projeto se refere a olhar para quem vem do território. Embora o termo envém seja considerado como coloquial ou, em algumas interpretações, errado por não estar de acordo com a norma culta da língua portuguesa, Joana defende que sua oficialidade não é algo que se conteste. “Guimarães Rosa conquistou o mundo escrevendo em mineirês”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Alexandre Briozo Filho

UFPA participa do desenvolvimento de técnica para reduzir lacunas em montagem de genomas

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Foto: Luan Teixeira/UFPA

Um estudo recém-publicado na Revista Nature Communications apresenta um método inovador para a montagem de genomas, que é o conjunto de informações hereditárias presentes no DNA ou, em alguns vírus, no RNA. A pesquisa intitulada ‘Sequenciamento direcionado e montagem iterativa de genomas quase completos’ foi desenvolvida por uma colaboração internacional que inclui os professores Renata Coelho Rodrigues Noronha e Luís Adriano Nascimento, da Universidade Federal do Pará (UFPA). 

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Batizada de Cornetto, a nova técnica combina sequenciamento direcionado e procedimentos iterativos de reconstrução para gerar genomas praticamente completos com maior eficiência. Diferentemente dos métodos tradicionais, que produzem grandes volumes de dados sem distinção, o Cornetto utiliza o sequenciamento por nanoporo, uma tecnologia que lê moléculas de DNA ao fazê-las passar por poros minúsculos e medir variações de corrente elétrica, de forma seletiva, focando nas regiões genômicas que permanecem incompletas após a primeira montagem. 

A abordagem consiste em identificar trechos problemáticos, muitas vezes regiões repetitivas ou de difícil leitura, e direcionar novos ciclos de sequenciamento especificamente para essas áreas. Esse processo é repetido até que o genoma apresente alta completude, reduzindo custos e aumentando significativamente a qualidade do resultado final.

Participação de profissionais da UFPA

De acordo com o estudo, a técnica mostrou-se eficaz na diminuição de lacunas comuns nas metodologias convencionais.

“Trata-se do desenvolvimento mais rápido e eficiente de análise, que ajuda a entender melhor como as atividades desenvolvidas pelo homem podem influenciar o meio ambiente e as características dos seres vivos aqui da Amazônia, como os peixes”, explica o professor Luís Adriano. 

Leia também: Onça-pintada e peixe-boi têm genomas mapeados em alta qualidade, anuncia GBB

UFPA
Foto: Reprodução/UFPA

A professora Renata Noronha destaca a relevância do avanço: O desenvolvimento e a implementação do Cornetto ampliam significativamente as capacidades da pesquisa genômica na Amazônia, fornecendo uma ferramenta poderosa para o monitoramento e a proteção do ecossistema local com maior precisão e eficiência. Essa integração entre tecnologia de ponta, biodiversidade regional e cooperação internacional abre novos caminhos promissores para a conservação ambiental e para a compreensão dos efeitos das atividades humanas no bioma amazônico”. 

Aplicações de genomas na Amazônia

Uma das aplicações mais promissoras do Cornetto foi seu uso no sequenciamento do genoma de um peixe nativo da Amazônia. Com a técnica, foi possível obter, pela primeira vez, o genoma de alta cobertura de Geophagus surinamensis, um ciclídeo típico da região.  

Segundo a professora Renata Noronha, a espécie foi selecionada por estar sujeita a impactos ambientais significativos, o que a torna um organismo modelo relevante para estudos ecológicos e genéticos.

“Com esse sequenciamento detalhado, será possível analisar genes associados à resposta a diferentes tipos de poluição. Assim, os resultados abrem caminho para monitorar os efeitos das alterações ambientais e compreender como esses peixes se adaptam — ou são afetados — pelas mudanças provocadas por atividades humanas”, destaca a professora na UFPA. 

Confira a pesquisa completa aqui

*Com informações da UFPA

Relatório do SGB sintetiza geologia e potencial mineral de Roraima

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Foto:

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) lançou a ‘Nota Explicativa: Geologia e Recursos Minerais de Roraima‘, uma síntese técnico-científica que reúne décadas de pesquisas sobre a formação geológica do estado e seu potencial mineral. O relatório integra informações sobre rochas, estruturas geológicas e recursos econômicos, uma referência básica e estratégica para pesquisadores, gestores públicos e o setor mineral.

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A publicação sintetiza a evolução geológica de Roraima ao longo de mais de 2 bilhões de anos, mostrando que sua diversidade de rochas e ambientes geológicos é produto de sucessivos eventos que moldaram o Escudo das Guianas e deram origem a uma grande diversidade de rochas e ambientes geológicos.

O documento também apoia o planejamento territorial e ambiental no estado. “Os novos mapas ajudam a identificar áreas de potencial mineral e, ao mesmo tempo, fornecem bases para o uso sustentável do território”, explica Túlio Amós de Araújo Mendes, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto.

Ainda segundo o pesquisador, o projeto Geologia e Recursos Minerais de Roraima servirá como base para o melhor aproveitamento do solo, alocação de grandes obras de infraestrutura, gestão de recursos hídricos e fiscalização e apoio de empreendimentos do setor mineral.

“São informações preciosas para especialistas e líderes que atuam no setor público e que agora dispõem de um mapa e informações que norteiam as políticas de estado em Roraima”, completa.

Relatório do SGB sintetiza geologia e potencial mineral de Roraima
Foto: Divulgação/SGB

O pesquisador destaca que ainda há muito a investigar: “Roraima tem regiões com potencial mineral pouco estudado, e esse relatório aponta caminhos para novas pesquisas. Ainda é necessário avançar na cartografia geológica em escalas de maior detalhe para fomentar a indústria mineral no estado”.

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Relatório auxilia planejamentos

A publicação reforça o papel de Roraima como área-chave para compreender o Cráton Amazônico e amplia o acesso público às informações geológicas do extremo norte do país.

O conhecimento geológico integrado no projeto é fundamental tanto para as políticas de fomento e fiscalização da indústria mineral no Estado como também para nortear pesquisas iniciais em exploração.

*Com informações do SGB

Áreas inéditas da costa do Amapá são exploradas por pesquisadores em busca de onças-pintadas

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A onça-pintada é símbolo de imponência na Amazônia. Foto: Octavio Campos Salles

Pesquisadores do projeto Onças do Amapá iniciaram um mapeamento de onças-pintadas em três áreas de preservação ambiental: Parque Nacional do Cabo Orange, Estação Maracá Jipioca e Reserva do Lago Piratuba. As regiões são pouco exploradas e de difícil acesso.

O estudo vai durar três anos e integra o projeto Amazônia +10, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e desenvolvido pela Universidade Federal do Amapá (Unifap). É a primeira pesquisa desse tipo na costa do Estado.

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O objetivo é coletar informações sobre biodiversidade, genética e criar um banco de material biológico das onças-pintadas que vivem na região.

A coordenadora do projeto, bióloga Fernanda Michalski, explica que a escolha por áreas de difícil acesso foi estratégica. Segundo ela, a costa do Amapá é extensa, mas ainda se sabe pouco sobre os animais que vivem ali.

“Estamos trabalhando especialmente nas regiões da costa do Amapá que são aquelas que são poucos estudadas. São áreas que estão sendo ainda mais analisadas pela questão da potencial exploração de petróleo. Então é uma área que não se tem conhecimento sobre o que se tem de fauna. Da própria questão da onça-pintada: onde elas estão?”, disse Michalski.

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Os dados vão ajudar a definir estratégias de preservação de onças-pintadas para essas áreas. Participam do projeto 17 doutores, sendo 16 de instituições brasileiras — entre elas o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — e um da Guiana Francesa.

A pesquisa usa armadilhas fotográficas instaladas em árvores, análises genéticas e conversas com comunidades ribeirinhas. As câmeras foram colocadas em setembro.

Leia também: Biólogo explica por que reintrodução de onça-pintada na natureza é inviável

A proposta é observar o comportamento das onças-pintadas sem alterar o habitat e entender como comunidades tradicionais convivem com o animal.

O trabalho enfrenta desafios como marés, clima e longas caminhadas. Em alguns pontos, os pesquisadores percorrem mais de 15 quilômetros até chegar às áreas de monitoramento.

“É uma área de acesso muito difícil. Poucas pessoas estiveram lá justamente por causa da distância. É um lugar desafiador para estudar”, reforçou Michalski.

Ecossistemas do Amapá

No Amapá, as onças-pintadas vivem em várzeas, igapós, campos inundáveis, manguezais e áreas de transição. Esses ecossistemas estão sendo analisados pela pesquisa.

Parque Nacional do Cabo Orange: criado em 1980, é uma das principais áreas de conservação do Amapá. Fica na fronteira com a Guiana Francesa e protege manguezais, restingas e áreas costeiras. O acesso é feito pelo município de Oiapoque, por barco ou voadeira.

Estação Ecológica Maracá-Jipioca: criada há mais de 40 anos, é formada por ilhas costeiras e protege ecossistemas de grande relevância científica. É considerada um dos maiores patrimônios naturais do Amapá.

Reserva Biológica do Lago Piratuba: tem mais de 350 mil hectares e protege ecossistemas frágeis e espécies ameaçadas. Funciona como laboratório natural para pesquisas e barreira contra a degradação ambiental.

Importância das onças-pintadas

Armadilhas sendo instaladas pelo projeto Onças do Amapá. Foto: Divulgação/Projeto Onças do Amapá

A onça-pintada é símbolo da biodiversidade amazônica e representa a conexão entre passado, presente e futuro da floresta. A conservação da espécie é essencial para proteger culturas tradicionais e garantir serviços ambientais que sustentam a vida humana.

Nesta etapa, os pesquisadores recolhem as câmeras instaladas na floresta. As imagens serão analisadas para a próxima fase do estudo.

A expectativa é que os dados ajudem na criação de políticas públicas voltadas ao ecoturismo e ao desenvolvimento sustentável das comunidades tradicionais.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Prêmio Meritocracia 2025 destaca dedicação de professores de Boa Vista

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Recorde de participação: quase 900 inscritos celebraram o talento e a dedicação dos educadores de Boa Vista. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

A 12ª edição do Prêmio Meritocracia reuniu, nesta segunda-feira, 8, professores da Rede Municipal de Ensino em uma noite de celebração, no Parque do Rio Branco. Com cerca de 900 inscrições, o maior número já registrado, o evento bateu recorde de participantes e reconheceu o talento e a dedicação dos educadores de Boa Vista.

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Ao todo, 274 profissionais foram selecionados nas 16 categorias, dentre elas: Creche, Pré-Escola, 1º ao 7º Ano, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação Física, Arte Educador e Atendimento Educacional Especializado (AEE), Professor Mediador, Professor Bilingue (Libras), Professor Bilingue (Língua Indígena) e Professor de Braile.

Os primeiros colocados ganharam uma viagem de intercâmbio nacional para trazer novas ideias e mais inovação à rede municipal de ensino. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Participação histórica de professores

As experiências inscritas foram analisadas pela comissão julgadora e os vencedores anunciados na cerimônia. Os professores receberam pins, placas, uma remuneração mensal (o 14º salário) e, para os primeiros colocados, uma viagem de intercâmbio nacional custeada pela Prefeitura de Boa Vista para buscar novas ideias e devolver inovação à rede.

“Tivemos um aumento de mais de 25% nas inscrições em relação ao ano passado. Isso mostra que passamos o ano inteiro trabalhando duro, mas também sabemos comemorar no final”, disse o secretário de Educação e Cultura, Lincoln Oliveira da Silva.

Welington Costa Mafra ficou em 1º lugar na categoria Professor Bilíngue. Foto: Andressa Mariot/PMBV

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Premiação

O professor Welington Costa Mafra, bicampeão na categoria Professor Bilíngue/Língua Indígena (Macuxi e Wapichana) carregou junto a sua placa, o orgulho de toda a Comunidade Indígena Vista Nova. “É uma honra conquistar esse título mais uma vez. Estou muito honrado em representar minha escola e minha comunidade. É um motivo de muita alegria”, declarou.

A professora Leila Maria Barreto Duarte, campeã da categoria Creche, não escondeu a emoção. “Primeiro lugar é gratidão. O dia a dia do professor não é fácil, mas esse reconhecimento renova nossas forças”, afirmou, com a alegria de quem sabe o peso e a beleza da missão que carrega.

O evento seguiu em clima de celebração, com música, apresentações culturais e um jantar especial. Um lembrete simbólico de que o mérito é construído com esforço, compromisso e, acima de tudo, com amor à missão de educar.

Leila Maria Barreto Duarte, campeã da categoria Creche. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Conheça os primeiros colocados das categorias do Prêmio Meritocracia de 2025:

  • Professor de Educação Física – Daniele Maquine Rodrigues
  • Professor Arte Educador – Sumaia Costa Lima
  • Professor do Atendimento Educacional Especializado – Glauciene Dutra Silva
  • Professor Mediador – Luana Cristina dos Santos Camargo
  • Professor Bilíngue – LIBRAS – Kenia Alves Monteiro
  • Professor de Braille – Aldetânia Oliveira Santana
  • Professor Bilíngue – Língua Indígena (Macuxi e Wapichana) – Welington Costa Mafra
  • Professor da EJA – 1º Segmento – Marcilene Rosa Mendes
  • Professor Educação Infantil – Creche – Leila Maria Barreto Duarte
  • Professor Educação Infantil – Pré-Escola – Gizelly Silva Acquati
  • Professor Ensino Fundamental – 1º Ano – Mara Lima Richil
  • Professor Ensino Fundamental – 2º Ano – Rosilene de Jesus Serra Sales
  • Professor Ensino Fundamental – 3º Ano – Tássia Lorenna Alvarenga Carneiro
  • Professor Ensino Fundamental – 4º Ano – Kamila Ingrid Gomes Magalhães
  • Professor Ensino Fundamental – 5º Ano – Maria Jeovane Morais De Sousa
  • Professor Ensino Fundamental – 6º e 7º Ano – Jessica

Nova espécie de inhambu descoberta no Acre acende alerta sobre risco de extinção

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Foto: Luis Morais/Divulgação

Pesquisadores brasileiros confirmaram a identificação de uma nova espécie de inhambu na Serra do Divisor, no Acre, em uma descoberta considerada histórica para a ornitologia. A ave, registrada apenas entre 300 e 500 metros de altitude, recebeu o nome popular sururina-da-serra e o nome científico Tinamus resonans, em referência ao canto forte e prolongado que ajudou na sua detecção.

A confirmação da espécie de inhambu – nome popular dado a diversas espécies de aves da família dos tinamídeos – é resultado de indícios acumulados desde 2021, quando os ornitólogos Fernando Igor de Godoy e Ricardo Plácido registraram pela primeira vez um canto que não correspondia a nenhuma espécie conhecida. A partir desse registro, seguiram-se anos de busca, que culminaram na documentação completa entre 2024 e 2025.

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Canto único e características marcantes do Inhambu

As análises acústicas do inhambu revelaram um canto de mais de 45 segundos, dividido em dois módulos sonoros, considerado um dos mais longos e complexos já descritos entre os tinamídeos. A morfologia também impressionou os pesquisadores: a ave apresenta máscara cinza-azulada, peito ferrugíneo, dorso marrom-oliváceo com brilho bronzeado e flancos discretamente barrados. O corpo compacto e o comportamento manso reforçam a singularidade da nova espécie.

Segundo o pesquisador Luís Morais, a primeira observação direta em 2024 deste inhambu foi “chocante”, pela aparência distinta em relação a outros inhambus florestais conhecidos. A última descrição de um tinamu florestal pequeno havia ocorrido há cerca de 75 a 80 anos, o que reforça o caráter excepcional da descoberta.

“Nova espécie sem medo do ser humano”

Um dos aspectos mais surpreendentes observados nas expedições foi o comportamento dócil. Os pesquisadores relataram que a sururina-da-serra não demonstra medo de humanos, aproximando-se a poucos metros sem reagir.

Para Ricardo Plácido, esse comportamento aumenta o risco da espécie. Ele explica que, apesar de ser uma região protegida, a ausência de predadores naturais no topo da serra fez com que o inhambu não desenvolvesse mecanismos de defesa. A vulnerabilidade lembra a história do dodô, ave das ilhas Maurício extinta há cerca de 350 anos.

Dodó é uma ave extinta por consequências de ações humanas. Foto: Jacob Hoefnagel/Wikimedia Commons

Habitat extremamente restrito

A sururina ocorre exclusivamente nas áreas altimontanas da Serra do Divisor, em solos arenosos, ventos constantes e elevada umidade, onde predominam campinaranas de topo de serra. Essa faixa altitudinal é limitada e não possui áreas mais altas para expansão, o que torna a espécie altamente sensível a mudanças ambientais.

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O estudo indica que, entre os seis tinamús florestais pequenos registrados na região, apenas o Tinamus resonans se concentra acima dos 300 metros de altitude. A população estimada é de pouco mais de 2 mil indivíduos, distribuídos em fragmentos isolados no topo da serra.

Ameaças e risco de extinção

Embora viva dentro de um parque nacional, a espécie enfrenta riscos indiretos. O principal deles é a mudança climática, capaz de alterar temperatura, regime de chuvas e composição da vegetação. Caso o clima se torne mais quente, o “andar” de floresta adequado à sua sobrevivência tende a migrar para cima — mas o topo da serra já representa o limite.

Modelagens citadas pelos pesquisadores indicam que, a médio prazo, o aquecimento global pode reduzir ou eliminar o micro-habitat onde a espécie vive. Incêndios florestais, presença de animais domésticos, obras de infraestrutura e possíveis alterações nas regras de proteção ambiental também aparecem entre os fatores de risco.

Expedições e documentação científica

Para registrar a nova espécie, os pesquisadores percorreram áreas de difícil acesso, com trilhas íngremes, vegetação densa e longas caminhadas. Cada vocalização foi registrada com GPS e analisada posteriormente em laboratório, procedimento essencial para confirmar a distinção em relação a espécies próximas.

As descobertas foram publicadas na revista Zootaxa, reforçando a importância científica do achado. O grupo trabalha agora para que a ave seja incluída em listas oficiais de espécies ameaçadas, o que permitiria criar ações específicas de conservação.

A sururina-da-serra, que evoluiu isolada no alto da Serra do Divisor e demonstra comportamento similar ao do extinto dodô, já é considerada uma das aves amazônicas mais vulneráveis a distúrbios ambientais.

No acumulado até o terceiro trimestre, agro puxa crescimento da economia com alta de 11,6%

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No acumulado até o terceiro trimestre, agro puxa crescimento da economia com alta de 11,6%. Foto: Ministério da Agricultura e da Pecuária

A agropecuária brasileira segue se destacando na economia nacional. No acumulado do ano até o terceiro trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,4% em relação ao mesmo período de 2024. Nesse resultado, o maior destaque foi o desempenho da agropecuária, com crescimento expressivo de 11,6%. A Indústria avançou 1,7% e o setor de Serviços registrou alta de 1,8%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira (4).

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No terceiro trimestre de 2025, o PIB variou 0,1% frente ao trimestre anterior, considerando a série com ajuste sazonal. A agropecuária apresentou crescimento de 0,4%, a Indústria avançou 0,8% e os Serviços tiveram leve variação positiva de 0,1%, mantendo estabilidade no período.

Agro cresce no Brasil
Agro cresce no Brasil. Foto: Embrapa/Ronaldo Rosa

Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, o PIB cresceu 1,8% no terceiro trimestre de 2025. O aumento do Valor Adicionado a preços básicos foi de 1,9%, enquanto os Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios tiveram alta de 1,4%.

A agropecuária registrou crescimento de 10,1% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Além da contribuição positiva da pecuária, dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado em novembro pelo IBGE, indicam aumento na produção e produtividade de culturas com forte peso na safra do período, como milho (23,5%), laranja (13,5%), algodão (10,6%) e trigo (4,5%). Em contrapartida, a cana-de-açúcar apresentou leve retração de 1,0%.

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, os resultados refletem o fortalecimento da política agrícola e a ampliação das oportunidades para o setor. “O desempenho do agro mostra a força do produtor brasileiro, que segue inovando e ampliando a produção com sustentabilidade. Esse crescimento é resultado direto do acesso ao crédito e da abertura de mercados, que garantem mais competitividade ao nosso país”, destacou.

Os resultados do agro no PIB

O PIB acumulado nos quatro trimestres encerrados em setembro de 2025 cresceu 2,7% frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores. O resultado foi impulsionado pelo avanço do Valor Adicionado a preços básicos, também de 2,7%, e pelos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios, que cresceram 2,9%. Nesse período, a agropecuária teve crescimento de 9,6%, a Indústria avançou 1,8% e os Serviços registraram alta de 2,2%.

Foto: Richard Messias/PMBV

De acordo com a analista das Contas Trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, o bom desempenho do setor produtivo também impactou positivamente outras atividades da economia. Segundo ela, “o grande escoamento de produção de commodities, decorrente do bom desempenho da Extrativa Mineral e da Agropecuária, contribuiu positivamente para a atividade de Transporte, armazenagem e correio”.

*Com informações do Ministério da Agricultura e da Pecuária

Governo do Amazonas registra em novembro o menor número de focos de calor desde 2021

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Foto: Nilmar Lage/ Greenpeace

O Governo do Amazonas, por meio do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), registrou, em novembro de 2025, o menor número de focos de calor desde novembro de 2021, quando foram registrados 248 focos. Entre os dias 1º e 30 de novembro deste ano, foram identificados 271 focos, uma redução de 58,6% em relação ao mesmo período de 2024, com 656 ocorrências.

Os dados são do Programa de Queimadas (BD Queimadas), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), monitorados pelo Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP) do Ipaam. A queda também se expressa na distribuição por municípios: Nhamundá registrou 27 focos, Maués teve 19 e Apuí contabilizou 18.

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No acumulado de janeiro a novembro, o Estado totalizou 4.427 focos de calor em 2025, número 82,5% menor que o registrado no mesmo intervalo de 2024, quando houve 25.327 ocorrências. Municípios historicamente críticos também apresentaram redução significativa. Em Apuí, por exemplo, os focos caíram de 4.660 para 538, uma diminuição de 88,4%. Em Lábrea, a redução foi de 90,4%, passando de 4.273 focos para 408. E Humaitá registrou 404 ocorrências este ano.

O diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, Gustavo Picanço, destacou que os resultados de focos de calor estão diretamente ligados ao reforço das ações integradas de prevenção, fiscalização e monitoramento realizadas ao longo do ano. Segundo ele, a queda expressiva reflete tanto o planejamento estratégico quanto a atuação contínua das equipes em campo.

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Foto: Reprodução/Arquivo/Ipaam

“Esses números mostram que o esforço coordenado do Governo do Amazonas está dando resultados concretos. Seguimos trabalhando com rigor técnico, ampliando o monitoramento e fortalecendo as respostas rápidas para reduzir os impactos ambientais e proteger nossas florestas”, afirmou Gustavo Picanço.

A coordenadora do Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP), Priscila Carvalho, explicou que a identificação de focos de calor não significa, necessariamente, a ocorrência de queimadas. Segundo ela, esses pontos podem ser provocados tanto por atividades humanas autorizadas, como o uso de fogo controlado, quanto por fatores naturais associados ao período seco.

“Nem todo foco de calor é resultado de uma queimada ilegal. Em muitos casos, a origem está em fenômenos naturais ou em práticas agrícolas devidamente regularizadas”, afirmou.

Monitoramento dos focos de calor

O Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP) é uma unidade técnica vinculada ao Ipaam, responsável por coletar, processar, analisar e divulgar informações geoespaciais sobre o meio ambiente.

O centro realiza o monitoramento do desmatamento, dos focos de calor, das áreas protegidas e de outros indicadores ambientais, atuando de forma integrada com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e demais órgãos estaduais e federais.

As informações produzidas pelo CMAAP servem de base para ações de fiscalização, prevenção e controle ambiental em todo o estado.

*Com informações da Agência Amazonas

Escudo das Guianas

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Kordas on es.wikipediaCreative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

Localizado ao longo da costa norte da América do Sul, o Escudo é uma formação geológica de aproximadamente 1,7 bilhão de anos. Com 270 milhões de hectares, a região engloba a Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela e partes da Colômbia e do Brasil, incluindo os estados brasileiros de Roraima, Amapá, Pará e Amazonas. Em sua totalidade, o Escudo corresponde a 40% da área do bioma amazônico. 

O Escudo das Guianas é umas das regiões mais preservadas da Amazônia e de efetiva contribuição para o controle climático do planeta, mas sua sociobiodiversidade, ainda pouco estudada, vem sofrendo pressões de atividades econômicas degradantes.

*Com informações do ICMBio

MPF pede indenização por danos materiais e morais às vítimas do naufrágio da Anna Karoline III no Amapá

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Embarcação Anna Karoline III no saiu do Amapá em direção ao estado do Pará. Foto: Divulgação / Governo do estado do Amapá

O Ministério Público Federal do Amapá (MPF) pediu à Justiça que determine o pagamento de indenização por danos materiais e morais às vítimas, bem como aos seus familiares, do naufrágio da embarcação Anna Karoline III, ocorrido em 2020 no Amapá.

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A ação judicial foi movida contra a União, a Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), a empresa proprietária do barco e o comandante da embarcação. Na mesma ação, o MPF também pede a condenação por danos morais coletivos, no valor mínimo de R$ 20 milhões.

Embarcação Anna Karoline III no saiu do Amapá em direção ao estado do Pará.
Embarcação Anna Karoline III no saiu do Amapá em direção ao estado do Pará. Foto: Divulgação / Agência Amapá

Em 29 de fevereiro de 2020, no rio Amazonas, a embarcação Anna Karoline III naufragou próximo ao município de Vitória do Jari, no Amapá. O barco tinha saído de Santana (AP) com destino a Santarém (PA), com ao menos 93 pessoas a bordo e cerca de 176 toneladas de carga. A tragédia resultou na morte confirmada de 40 pessoas e o desaparecimento de 2 crianças, que se presume que também faleceram no naufrágio. As investigações demonstraram uma série de irregularidades na embarcação e falhas graves na fiscalização pública.

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O inquérito e os laudos periciais indicaram que a tragédia foi determinada por falhas de segurança e a omissão na fiscalização. Entre as irregularidades apontadas pelo MPF estão o excesso de carga e o armazenamento incorreto de mercadorias, o que comprometeu a estabilidade do navio. Além disso, a embarcação apresentava mau estado de conservação estrutural, incluindo corrosão na parte superior do casco e furos nas chapas de metal próximo à linha d’água, permitindo a entrada de água.

Ação judicial

Na ação judicial, o MPF aponta a responsabilidade da empresa proprietária do navio pelos danos causados às vítimas do naufrágio, tendo em vista a relação de consumo entre a empresa de transporte e os passageiros – que adquiriram bilhetes para o trajeto. O órgão também aponta a responsabilidade do comandante da embarcação, que assumiu o risco de zarpar com a embarcação com quase o dobro da carga autorizada.

Navio Anna Karoline 3 antes do acidente — Foto: Reprodução/Redes sociais

Além disso, o comandante parou o navio em local impróprio para transbordo de mercadorias e abastecimento irregular. O MPF argumenta que a conduta e as omissões dos responsáveis foram fatores determinantes para o acidente e para a elevada quantidade de vítimas.

O MPF também pede que a União e a Antaq sejam responsabilizadas por omissão específica no dever de fiscalização. O MPF destaca que a inspeção realizada pela Marinha (órgão da União) momentos antes da viagem foi “superficial e inadequada”, com duração de apenas cinco minutos, o que impediu a detecção das falhas estruturais e do excesso de carga. Já a Antaq é citada pela ausência de fiscalização efetiva na região, inclusive pela falta de um posto próprio no Amapá, criando um “vácuo” que permite a proliferação de operações irregulares.

Após a reflutuação do Anna Karoline 3, navio foi tracado em balsa particular em Santarém — Foto: Maurício Rebouças/TV Tapajós

Além da condenação ao pagamento de indenização individual pelos danos materiais e morais sofridos pelas vítimas e seus familiares , o MPF requer a reparação por danos morais coletivos. Segundo a instituição, a grave omissão e a falha na fiscalização abalaram a tranquilidade social e a confiança da população no transporte fluvial, que é um meio de locomoção essencial na região.

“O naufrágio da embarcação ANNA KAROLINE III representa uma tragédia de proporções inestimáveis, com 42 vítimas fatais e incontáveis danos a sobreviventes e familiares. A magnitude do evento, a complexidade da apuração das responsabilidades (envolvendo a União, autarquia federal e particulares) e a necessidade de garantir uma reparação justa e uniforme para todas as vítimas demonstram a imperiosa necessidade da atuação do Ministério Público do Amapá”, cita o procurador da República Aloizio Biguelini, que assina a ação.

Navio Anna Karoline 3 foi içado do fundo do rio um mês após o naufrágio, no Pará — Foto: GTA/Divulgação

O ajuizamento da ação civil pública em defesa dos direitos individuais homogêneos das vítimas se apresenta como o instrumento processual mais adequado e eficiente para o caso. O objetivo é garantir uma reparação justa e uniforme para todos os lesados, evitando o custo excessivo de ações individuais e o risco de decisões judiciais divergentes.

Prescrição

Embora a lei brasileira estabeleça prazo de 5 anos para mover ações de reparação de danos contra o Estado e fornecedores após um acidente, o MPF ainda pode entrar com o processo pelo naufrágio por uma regra específica da Lei do Tribunal Marítimo. A legislação determina que o prazo de 5 anos de prescrição é interrompido enquanto o Tribunal Marítimo estiver investigando o caso.

Como a decisão final do Tribunal no caso da embarcação Anna Karoline III só ocorreu em 16 de outubro de 2024, o prazo para o MPF buscar a reparação só recomeçou a contar a partir desta data. Dessa forma, a ação judicial, proposta pouco mais de um ano depois do fim da investigação, está dentro do prazo legal e não pode ser barrada pela prescrição. Na decisão, o Tribunal Marítimo condenou o comandante da embarcação por ter assumido o risco de navegar em condições inseguras e outros dois tripulantes por negligência.

Ação Penal

Em junho de 2021, o MPF denunciou seis pessoas, no caso Anna Karoline III, por homicídio culposo – crime de matar alguém sem a intenção por negligência, imprudência ou imperícia – e por atentado contra a segurança do transporte fluvial. Entre os réus estão o dono da embarcação, o comandante e dois militares da Marinha que vistoriaram o navio antes do início da viagem.

Na ação criminal, o MPF Amapá também pediu o pagamento de indenização mínima às vítimas do naufrágio da embarcação. Na ação civil protocolada agora, o MPF destaca que a fixação da indenização mínima na esfera criminal é um mecanismo que acelera a reparação à vítima, mas não exclui o direito de buscar a reparação integral dos danos em uma ação própria.

*Contém informações do Ministério Público Federal do Amapá