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Livros com histórias e saberes da comunidade Duraca são entregues para as crianças da própria etnia

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Livro infantil exalta histórias e saberes ancestrais. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

Crianças indígenas que vivem na comunidade Duraca, nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, receberam, neste sábado (7), a doação de exemplares do livro ‘Coleção Mágica’, obra que reúne histórias e saberes da própria cultura originária. O conteúdo será utilizado na escola da comunidade.

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A doação ocorreu durante uma missão institucional formada por representantes do Cieam, Fieam e do Conselho das Indústrias de Defesa da Amazônia. A missão acontece entre os dias 6 e 8 de fevereiro, com o objetivo fortalecer o diálogo com as Forças Armadas e ampliar o apoio social na região.

Segundo a professora Maristela Silvano da Silva, o material recebido representa um marco para a educação local. “Eu tenho certeza porque nós nunca tivemos apoio para a escola do jeito que vocês estão doando”, afirmou.

Livro revela importância da própria cultura para as crianças

O vice-presidente da Fieam, Luiz Augusto Rocha, destacou a importância da aproximação com os povos indígenas e ressaltou o valor da preservação da ancestralidade:

“Essas crianças vão poder estudar com a sua ancestralidade mantida e preservada”, disse.

Livro infantil exalta histórias e saberes ancestrais.
Entrega de livros para crianças indígenas no interior do Amazonas. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

Leia também: Conheça 20 livros de escritores indígenas de diferentes povos originários no Brasil

A comitiva foi recebida com cantos, danças tradicionais e o ritual do Caxiri, que emocionou os visitantes. Ao final, os empresários também receberam presentes da produção agrícola indígena. O gesto sensibilizou o diretor industrial da Bic Amazônia, o francês Jean Marc Hamon.

“Dou uma importância enorme para a cultura originária e para essa brasilidade, nossa língua original. Eu quase choro em certo momento ”, declarou o empresário.

A iniciativa reforça o papel da educação comunitária e da valorização cultural como pilares para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, colocando a “Coleção Mágica” como símbolo de união entre tradição e futuro.

Livro infantil exalta histórias e saberes ancestrais.
Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Paraguai: um desafio à ZFM?

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Foto: Marco André Briones

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Paraguai, vizinho brasileiro do Sudoeste, vem despertando curiosidade internacional – ou firmes interesses? – na atração de investimentos graças ao ambiente de estabilidade macroeconômica, energia barata, impulsionado pelo regime de Maquila (1% de imposto sobre valor agregado) e a carga tributária 10-10-10. O sistema tributário simplificado do Paraguai, conhecido por ser um dos mais competitivos da região, compreendendo:

  • 10% – IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) sobre o consumo;
  • 10% – IRE (Imposto de Renda Empresarial) incidente aos lucros das empresas;
  • e 10% – IRP (Imposto de Renda Pessoal) ou Dividendos aplicável à renda ou à distribuição de lucros.

Extraordinárias vantagens, vêm permitindo a implantação de um parque industrial de dimensões, neste momento, incalculáveis. Sua consolidação dependerá, contudo, da sedimentação das políticas públicas responsáveis pelo atual arrebatamento negocial que se esparrama em torno do país desde a América do Sul, sobretudo do Brasil, e o resto do mundo.

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O Paraguai, efetivamente, graças a um governo de visão desenvolvimentista, vive um boom imobiliário e diversificado em setores de energia limpa, mineração (urânio/lítio) e autopartes, e impulsionado pelo regime de maquila (1% de imposto sobre valor agregado). As principais vantagens do sistema:

  • a) Simplicidade, clareza e baixo custo operacional da estrutura tributária;
  • b) Territorialidade: o Paraguai adota um sistema territorial, tributando apenas o que é produzido dentro do país;
  • c) Redução de Custos devido menor burocracia e impostos fixos baixos;
  • d) Lei de Maquila, que permite a importação temporária de matérias-primas com suspensão de impostos para posterior reexportação, semelhante ao drawback brasileiro.

Embora atrativos, contudo, especialistas recomendam planejamento tributário para garantir a conformidade legal e evitar riscos. Estruturado em avançado sistema de governança, o Paraguai fortaleceu sua posição ao conquistar a classificação de grau de investimento Standard & Poor’s REDIEX, garantidor de um ambiente mais seguro e atrativo ao capital estrangeiro.

Para o economista amazonense Rodemarck Castello Branco, as vantagens da fabricação no Paraguai dependem fortemente do tipo de produto, sendo mais expressivas naqueles intensivos em mão de obra por unidade fabricada, como ocorre, por exemplo, com produtos têxteis, confecções e determinados bens de montagem manual. Sob o aspecto tributário, destaca-se o Regime de Maquila, além das vantagens na importação de máquinas, equipamentos e insumos com suspensão de tributos, desde que destinados à produção de bens voltados à exportação.

Salienta que “para o produto fabricado no Paraguai gozar de isenção do Imposto de Importação ao ingressar no Brasil é necessário o cumprimento das regras de origem do Mercosul, que normalmente exigem que ao menos 40% do valor agregado tenha origem no Paraguai ou em outros países do bloco”. Convém salientar, afirma, não haver “dúvidas quanto às vantagens competitivas da ZFM para vários segmentos industriais, notadamente duas rodas, eletrônicos de consumo e outros produtos sujeitos a elevada tributação interna”.

Castello Branco ressalta que as vantagens da fabricação no Paraguai dependem fortemente do tipo de produto, sendo mais expressivas naqueles intensivos em mão de obra por unidade fabricada, como ocorre, por exemplo, com produtos têxteis, confecções e determinados bens de montagem manual. Nesses casos, a mão de obra paraguaia apresenta custo significativamente inferior ao brasileiro, com encargos sociais substancialmente mais baixos e legislação trabalhista mais simples.

Sob o aspecto tributário, além dos benefícios da Maquila, destacam-se os referentes à importação de máquinas, equipamentos e insumos com suspensão de tributos, desde que destinados à produção de bens voltados à exportação. Releva, entretanto, que, “ao ingressar no mercado brasileiro, o bem produzido no Paraguai é tratado como importação, ficando sujeito aos tributos internos do Brasil, notadamente Imposto de Importação (se não atendida a regra de origem), IPI, ICMS, PIS e COFINS. Em razão disso, para produtos com elevada carga de IPI ou forte dependência de incentivos fiscais internos, a Zona Franca de Manaus (ZFM) tende a apresentar maior competitividade, uma vez que oferece um mix estruturado de incentivos fiscais federais e estaduais, concebido especificamente para o abastecimento do mercado nacional”.

O economista chama a atenção para um detalhe crucial. Ao que entende, a decisão empresarial quanto ao local de instalação da unidade fabril, quando a comparação se dá entre a Zona Franca de Manaus (ZFM) e o Paraguai, deve ser necessariamente realizada caso a caso, por meio de um Plano de Negócios estruturado, que contemple, de forma integrada, a análise dos custos logísticos, impactos tributários e disponibilidade e custo dos recursos humanos, além de aspectos regulatórios e de mercado.

“Não há dúvidas quanto às vantagens competitivas da ZFM para vários segmentos industriais, notadamente duas rodas, eletrônicos de consumo e outros produtos sujeitos a elevada tributação interna, especialmente aqueles com alto IPI. Por outro lado, o Paraguai configura-se como uma alternativa estratégica relevante para setores como calçados, vestuário e demais bens intensivos em mão de obra, nos quais o diferencial de custo trabalhista e o regime tributário simplificado podem gerar ganhos expressivos de competitividade”, salienta.

Segundo afirmou à coluna o presidente do grupo Bemol, Denis Minev, que se encontra em viagem de negócios à China, “o Paraguai evoluiu muito nos últimos anos em produtividade e, em certos aspectos, compete com Manaus dada sua posição geográfica mais favorecida em relação aos mercados do Sudeste do Brasil”. Informou ter estado recentemente em um evento com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, oportunidade em que conversaram sobre o recente acordo com a Suframa. Em minha opinião, destacou Minev, os modelos “são mais concorrentes do que complementares e assim não vejo muita lógica no comparativo ZFM/Paraguai, particularmente, pois o presidente Peña não pareceu muito interessado em distribuir no país os produtos ZF”.

Leia também: Transporte, base logística da produção agropecuária

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

100 de 117 escolas indígenas autorizadas para construção pelo Novo PAC serão na Amazônia Legal

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Os projetos escolares do Novo PAC foram desenhados para se adaptar à realidade de cada comunidade, considerando logística de transporte, clima e custos regionais, entre outros. Foto: Mário Vilela/Ascom Funai

O Governo do Brasil anunciou no início de fevereiro, no âmbito do Eixo Educação, Ciência e Tecnologia do Novo PAC, a autorização da construção e ampliação de 117 escolas indígenas em todo o país. A medida, oficializada pela Resolução nº 12/2026, prioriza infraestruturas que respeitem a identidade cultural, os modos de vida e as tradições de cada etnia.

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Ao todo, 17 estados estão aptos a receber investimento para construção de escolas indígenas e 100 das 117 escolas previstas estão em territórios dos estados da Amazônia Legal:

  • Acre (2),
  • Amazonas (25),
  • Amapá (17),
  • Maranhão (11),
  • Mato Grosso (10),
  • Pará (7),
  • Roraima (22),
  • Rondônia (3)
  • e Tocantins (3).

As demais estão distribuídas em: Alagoas (1), Bahia (4), Ceará (2), Mato Grosso do Sul (6), Pernambuco (1), Rio Grande do Sul (1), São Paulo (1) e Minas Gerais (1).

A iniciativa marca a Política Nacional de Educação Escolar Indígena (PNEEI-TEE), instituída em 2025. Além das escolas, o Governo também anunciou a construção de cinco novos campi de Institutos Federais (IFs) e a ampliação de investimentos em universidades federais, reforçando o compromisso com a educação pública em todos os níveis.

A medida responde diretamente à histórica demanda das comunidades por infraestrutura escolar específica nos territórios indígenas. A articulação entre a União e os estados, o respeito à organização dos territórios etnoeducacionais e a exigência de anuência das lideranças indígenas asseguram a legitimidade e a efetividade das ações propostas.

Especificidades culturais das escolas indígenas

Diferente das construções convencionais, os projetos escolares do Novo PAC foram desenhados para se adaptar à realidade de cada comunidade, considerando logística de transporte, clima, custos regionais, entre outros. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) disponibilizou modelos de duas e cinco salas de aula, definidos conforme o número de alunos e a capacidade de atendimento da comunidade.

A execução das obras ocorre em parceria direta entre a União e os estados, com unidades previamente definidas pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação (MEC), em articulação com os entes federativos. Para a seleção, foram observados critérios técnicos, territoriais e populacionais.

A formalização das propostas será realizada por meio do sistema TransfereGov, pelos chefes do poder Executivo estadual, com análise técnica preliminar do FNDE e operacionalização pela Caixa Econômica Federal.

A seleção dos estados e a definição do volume de obras foram conduzidas pela Secadi/MEC a partir de um mapeamento de vazios assistenciais, priorizando comunidades onde as atividades pedagógicas ainda ocorrem em espaços improvisados. O processo utilizou como diretriz a organização dos Territórios Etnoeducacionais (TEEs), que respeita a lógica sociocultural e a organização territorial dos povos indígenas em vez de se limitar a fronteiras estaduais.

educação em escola indígena
Foto: Geyson Magno

Além disso, foram aplicados critérios de vulnerabilidade socioeconômica e análise de pressão demográfica, assegurando que o investimento atenda às regiões com maior demanda educacional e carência de infraestrutura, sempre mediante a validação formal das manifestações de interesse dos entes federativos.

Novos Campi

Os novos campi de instituto federal que entraram na ação de expansão são: Campus Santa Maria do Instituto Federal Farroupilha (IF Farroupilha); Campus Ponta Grossa do Instituto Federal do Paraná (IFPR); Campus Luzilândia do Instituto Federal do Piauí (IFPI); Campus São Paulo – Jaçanã do Instituto Federal de São Paulo (IFSP); e Campus Triunfo do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul).

Em relação à consolidação da educação profissional, também receberão recursos as unidades existentes. As obras contempladas são: construção de salas de aulas de Divinópolis e estruturas acadêmicas de Timóteo, ambas do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Minas Gerais; construção da biblioteca do Campus Governador Valadares, do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG); compra de equipamentos e mobiliários do Campus Presidente Prudente, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP); construção de estruturas acadêmicas e administrativas do Campus Diamantino, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT); e complexo esportivo do Campus Açailândia, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA).

Educação Superior

Já na educação superior, foram incluídas 22 obras na consolidação nas universidades federais, totalizando 379 obras, com investimento previsto de R$ 3,4 bilhões. Na expansão, estão previstos 10 novos campi, totalizando R$ 600 milhões em investimentos.

Os ajustes de investimento na educação superior decorrem do remanejamento da carteira do Novo PAC das universidades federais, no âmbito das carteiras já aprovadas, com o objetivo de atualizar e reorganizar os empreendimentos estratégicos do setor.

Leia também: Primeira Universidade Federal Indígena do Brasil é confirmada pelo Governo

As intervenções incluem construção, ampliação e modernização de estruturas acadêmicas e administrativas, além de restaurantes universitários, moradias estudantis, laboratórios, equipamentos, complexos culturais e esportivos e ações de urbanização dos campi, fortalecendo as condições de ensino, pesquisa, extensão, inovação e permanência estudantil.

As ações do Novo PAC para os institutos e universidades federais contemplam expansão de campi e melhoria da infraestrutura em campi existentes em todo o país. A consolidação dos institutos federais prioriza a construção de restaurantes estudantis, bibliotecas, blocos de salas de aula e laboratórios, quadras poliesportivas e unidades em sedes próprias. Já a expansão é destinada à criação de novos campi, espalhados pelas cinco regiões do país.

*Com informações do Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é boqueira?

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Você já viu alguma situação em que uma pequena ferida se forma no canto da boca? Essa ferida causa irritação, dor e dificuldade em comer, falar ou sorrir. A experiência é desconfortável, mas bem comum, de crianças até idosos, e tem nome: queilite angular. Porém, é possível que você a conheça popularmente como boqueira.

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A série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia está em sua reta final, com a décima reportagem produzida com o apoio da médica generalista Júlia Edwirges. Nesta matéria ela explica o processo inflamatório da boqueira, causado por infecção bacteriana ou fúngica e altamente contagiosa.

O que é boqueira?

A queilite angular, comissurite ou perléche, é mais conhecida como boqueira. Trata-se de uma inflamação dos lábios que se manifesta como rachadura nos cantos da boca.

Esse tipo de dermatose é provocada principalmente pelo acúmulo de saliva no canto da boca, mas também está relacionada a outros fatores.

A umidade ocasionada pelo acúmulo de saliva por muito tempo no canto da boca acaba provocando uma ressecamento e irritação do local, causando uma ferida e favorecendo a proliferação de fungos.

Leia também: Quebranto, peito aberto e mau-olhado: conheça 6 doenças tratadas pelas benzedeiras da Amazônia

Causas

Além do acúmulo de saliva, a falta de nutrientes como ferro e vitaminas B e B9, traumas ao redor da boca e ressecamento dos lábios podem causar boqueira.

Uso de drogas, aparelhos ortodônticos e infecções como herpes labial, candidíase oral e abcesso dentário também são fatores que podem contribuir para o aparecimento da boqueira.

Idosos são os mais acometidos pela Queilite angular. Foto: Reprodução/Dr. Wilson Correia

Os idosos são os mais acometidos pela boqueira, especialmente por conta da flacidez facial causada pelo envelhecimento. O uso inadequado de próteses, utilizada por eles para superar a perda dos dentes, também podem causar a queilite angular.

Ela é mais frequente em pessoas com doenças que enfraquecem o sistema imunológico, a exemplo de diabetes não controlada ou HIV/AIDS. Isso faz com que haja maior risco de proliferação de fungos ou bactérias no local, resultando na boqueira.

Apesar da terceira idade ser mais acometida pela boqueira, crianças, adolescentes e adultos com hábitos bucais irregulares também podem adquirir boqueira.

Sintomas

Os principais sintomas da boqueira são as feridas e fissuras que surgem no canto da boca. As lesões se limitam apenas na junção da pele com a mucosa dos lábios, fazendo com que a simples ação de abrir a boca provoque intensa dor e ardência.

Vermelhidão, sensação de ardor, secura da pele e a formação de crosta no canto da boca também são alguns dos sintomas do processo inflamatório. A descamação no local das pequenas rachaduras é outro indício da boqueira.

O aparecimento de pequenas fissuras no canto da boca é um sintoma da boqueira. Foto: Reprodução/Site Tua Pele

É importante destacar que as lesões da queilite angular não costumam sangrar, mas podem se infectar, ficando bem inflamadas e com uma crosta de pus. Além disso, pode se tornar lesão crônica e persistente ou apresentar períodos de melhora alternados com agravamentos e retorno das lesões.

Tratamento

O primeiro passo para tratar a boqueira é buscar ajuda do médico especialista, que pode ser o dermatologista, estomatologista, clínico geral ou dentista.

Inicialmente, é fundamental manter o canto da boca limpo e seco, justamente para evitar a principal causa da boqueira: o acúmulo de saliva na região.

Em casos em que a boqueira no canto da boca não é causada por infecção, pode ser indicado o uso de pomadas como hidratantes, corticoides e cicatrizantes para isolar a ferida da umidade. Se tratando de deficiência de vitaminas, a suplementação pode ser indicada para fortalecimento do organismo e prevenção de novos casos conforme detectado pelo médico.

Pomadas são os principais medicamentos utilizados para o tratamento da queilite angular. Foto: Site Tua Saúde

Prevenção

Manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas e minerais, e evitar alimentos ácidos, picantes ou muito salgados desempenham um papel crucial na prevenção da queilite angular.

Hidratar os lábios e manter o sistema imunológico saudável também são fundamentais para a prevenção de infecções e inflamações que podem causar as comissuras.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

Leia mais da série:

R$ 2,5 milhões: Petrobras é multada pelo Ibama por vazamento de fluido na Foz do Amazonas

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Com autorização da ANP, a atividade foi retomada nesta semana. Foto: Foto: Reprodução/Click Petróleo e Gás

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras após a descarga de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa no mar. O incidente ocorreu em 4 de janeiro, a partir da instalação Navio Sonda 42 (NS-42), que operava na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.

Leia também: O que se sabe um mês após o vazamento na perfuração exploratória na Foz do Amazonas

A Petrobras informou que interrompeu a perfuração após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho — para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas, e que o vazamento foi contido imediatamente.

Foz do Amazonas: Petrobras é multada por vazamento de fluido
Multa deve ser sanada em 20 dias. Imagem: Reprodução/Inpe

Atividade foi retomada após multa

Apesar da multa, a atividade foi retomada no local nesta semana após autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo o Ibama, o material é uma mistura oleosa utilizada em atividades de exploração e produção de petróleo e gás. A substância contém componentes classificados como de risco médio para a saúde humana e para o ecossistema aquático, conforme a Lei nº 9.966/2000 e a Instrução Normativa nº 14/2025.

A autuação foi lavrada pelo Centro Nacional de Emergências Ambientais e Climáticas (Ceneac), da Diretoria de Proteção Ambiental (Dipro). A Petrobras tem prazo de 20 dias para pagar a multa ou apresentar defesa administrativa.

Ao Grupo Rede Amazônica, a Petrobras informou que recebeu o auto de infração e que vai tomar as providências cabíveis. A empresa reiterou que o fluido descarregado é biodegradável, não persistente, não bioacumulável e não tóxico, conforme a Ficha de Dados de Segurança do produto.

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Licenciamento ambiental

A autorização para a retomada das atividades foi concedida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) com a imposição de uma série de condicionantes, segundo informou a Agência Reuters, dentro de critérios rigorosos para a concessão de licenças de exploração.

Em entrevista à Reuters no dia 6 de janeiro, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que o órgão adota critérios extremamente rigorosos no licenciamento ambiental. Segundo ele, embora acidentes possam ocorrer, os planos de gerenciamento são elaborados para reduzir ao máximo a possibilidade da ocorrência desse tipo de situação.

“É aquela coisa: você tem o extintor na parede, mas não quer que tenha um incêndio”, comparou.

Ele avaliou ainda que a região da Foz do Amazonas é mais sensível porque, mesmo em alto-mar, há áreas de corais e manguezais na costa.

*Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

Exército realiza acordo de parceria para pesquisa e desenvolvimento com implantação do IME na Amazônia

Foto: ST Edmilson/Exército Brasileiro

A Amazônia representa um território de importância estratégica para o Brasil, tanto sob a perspectiva da defesa e da soberania nacional quanto do desenvolvimento sustentável e da preservação ambiental. Nesse contexto, no dia 23 de janeiro, o Exército Brasileiro, por meio do Instituto Militar de Engenharia (IME), e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) realizaram a assinatura do Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, visando à implantação do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (IPEAM) – IME da Amazônia – para o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras voltadas à defesa, à sustentabilidade e à integração territorial da Amazônia.

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Estiveram presentes na cerimônia o Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho; o Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), General de Exército R1 Marcos Antônio Amaro dos Santos; o Comandante do Exército, General Tomás Miné Ribeiro Paiva; o Diretor-Geral do CENSIPAM, General de Exército R1 Richard Fernandez Nunes; o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Luiz Gonzaga Viana Filho, o Comandante do IME, General de Divisão Juraci Ferreira Galdino; além de integrantes do Alto-Comando do Exército e demais autoridades civis e militares.

Parceria integra ações de diferentes áreas

A execução da parceria ocorrerá por meio da articulação entre as estruturas institucionais e os recursos humanos do IME e do CENSIPAM, envolvendo áreas técnicas e estratégicas relacionadas à ciência, tecnologia, inovação, defesa e sustentabilidade amazônica, visando assim à implantação do IME da Amazônia.

A cooperação inclui, ainda, o apoio técnico-científico à implantação do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia, a integração de pesquisadores e engenheiros do IME em atividades desenvolvidas no âmbito do CENSIPAM, bem como a realização de estudos, oficinas e outras ações colaborativas voltadas à geração de soluções tecnológicas aplicáveis à proteção e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal.

Durante o evento, o Ministro da Defesa, José Múcio, destacou a relevância do acordo para o fortalecimento da presença do Estado na região amazônica.

“Nós estamos levando oportunidades para regiões do país onde existem poucas oportunidades. Uma obra dessa, que o Exército está levando para a região amazônica, serve para que aqueles que têm raízes lá finquem suas raízes, criem seus filhos, estudem lá, para que possamos corrigir as profundas diferenças que separam tanto os brasileiros”.

Na mesma linha, o Diretor-Geral do CENSIPAM, General de Exército R1 Richard Fernandez Nunes, ressaltou que a parceria potencializa a capacidade de preservação ambiental e de monitoramento estratégico da Amazônia ao unir excelência acadêmica e atuação operacional:

“Na realidade, temos uma parceria entre um instituto reconhecidamente como um dos melhores do mundo na formação de quadros altamente qualificados na área científica e tecnológica. Aqui no CENSIPAM, temos um órgão que tem como responsabilidade a proteção da Amazônia, por meio do SIPAM, para dar sustentação a essa parceria em termos práticos. No final, quem sai ganhando é a Amazônia e o Brasil”.

Leia também: Instituto Militar de Engenharia apresenta projeto de implantação do Instituto de Pesquisa do Exército na Amazônia

parceria IME da Amazônia - exército brasileiro
Foto: ST Edmilson/Exército Brasileiro

Ao abordar a dimensão estratégica da cooperação, o Comandante do Exército, General Tomás, enfatizou o papel da integração interinstitucional no fortalecimento da soberania nacional e na elevação do nível tecnológico na região. “Pela diversidade, preservação do meio ambiente, pelas riquezas naturais que temos, precisávamos elevar o nível tecnológico que temos na Amazônia e essa parceria vai nessa direção, é um braço do IME na Amazônia”.

Complementando essa visão, o Comandante do IME, General de Divisão Galdino, destacou o envolvimento direto do instituto na consolidação da parceria e no desenvolvimento de pesquisas estratégicas na região amazônica.

“Os nossos pesquisadores e os nossos temas de pesquisa serão discutidos e trabalhados no IPEAM. O IME está de corpo e alma envolvido nesse projeto, tanto que se diz que é o IME em Manaus, inicialmente com um programa de extensão, com programas de mestrado e doutorado em parceria com o IME no Rio de Janeiro e universidades locais, além da realização de pesquisas em temas estratégicos para o Exército e para a defesa.”

Foto: ST Edmilson/Exército Brasileiro

Por fim, o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Viana Filho, ressaltou os impactos positivos da união entre as instituições para o desenvolvimento regional e para o fortalecimento da base industrial de defesa. “Nós estamos juntando um tripé de entes, e isso será muito importante porque a formação de mestres e de doutores irá catalisar pesquisas que vão fomentar a base industrial de defesa, que na Amazônia aumenta a cada dia”.

A parceria entre IME, CENSIPAM e IPEAM expressa a convergência de missões, a complementaridade de competências e a visão de futuro de instituições que compartilham o compromisso com a soberania nacional, a proteção da Amazônia e o uso inteligente do conhecimento e da tecnologia em benefício do País.

IPEAM

O Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (IPEAM), formalmente instituído pela Portaria Cmt Ex nº 2.350, de 24 Out 2024, como um destacamento do Departamento de Ciência e Tecnológica (DCT), é uma iniciativa recente e estratégica do Exército Brasileiro, visando incentivar a realização de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados às necessidades da Defesa Nacional e às especificidades da região amazônica.

Dentre as atribuições pretendidas para o IPEAM estão a de formar recursos humanos altamente qualificados e realizar pesquisa e desenvolvimento, buscando soluções inovadoras em áreas críticas e disruptivas.

*Com informações do Centro de Comunicação Social do Exército

Comemoração histórica: os 50 anos da paróquia que precedeu a cidade de Vilhena

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Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, fundada em 11 de fevereiro de 1976, em Vilhena, principal cidade do sul do estado rondoniense. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Em 1976, cerca de 90% dos brasileiros eram católicos [hoje, são 56,7%]. Naquele tempo, a presença da Igreja era uma das primeiras sementes necessárias para que uma vila buscasse se firmar como cidade. Em Vilhena (principal cidade do sul de Rondônia, a 700 km de Porto Velho) não foi diferente. Neste 11 de fevereiro de 2026, completa-se meio século da criação da Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, instalada na antiga vila que só se tornaria município autônomo, separado de Porto Velho, em 23 de novembro de 1977.

Por trás dessa história está a figura de um verdadeiro herói para os católicos locais: o padre ítalo-brasileiro Ângelo Spadari, missionário salesiano que marcou a memória da comunidade.

Padre Spadari: o missionário que chegou montado em um burro

Em 1963, o Sargento Aymoré Pereira acolheu o padre Ângelo Spadari, que percorria a Amazônia montado em um burro. Hospedado em uma cabana da base provisória da Força Aérea Brasileira (FAB), dali partia para missões evangelizadoras em aldeias indígenas e seringais.

No 27 de outubro de 1963, aos 53 anos, celebrou a primeira missa oficial em Vilhena, no pátio da FAB, durante a Semana da Asa — festa em homenagem a Alberto Santos Dumont e ao Dia do Aviador. Cerca de 35 fiéis participaram. O local exato da celebração corresponde hoje ao número 3009 da Avenida Sabino Bezerra de Queiroz, na Vila da Aeronáutica.

Além da FAB, Spadari celebrou missas na região da chamada “Vilhena Velha”, próxima ao antigo posto telegráfico conhecido como Casa de Rondon, e no refeitório do DNER, organizando também procissões ao redor do Campo de Aviação. Em 1964, visitou o Posto Pyrineus (Aldeia Aroeira), onde batizou indígenas durante três dias de missão.

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A campanha pela primeira igreja

Ordenado em São Paulo em 1940, Spadari dirigia o Colégio Dom Bosco em Porto Velho depois de sua passagem pelo Planalto dos Parecis, mas sua vocação missionária o trouxe de volta a Vilhena em 1966. Nesse período, sofreu um acidente de burro, num seringal a 70 km da vila de Vilhena, e contraiu malária, mas não desistiu. Hospedado na pensão Cinta-Larga, abençoou as poucas casas da vila e iniciou, na Páscoa de 1967, a campanha para erguer a primeira igreja.

Organizou festas, rifas e bingos no 5º BEC e na FAB, colocou cofrinhos em bares e posto fiscal, e arrecadou cimento, tijolos, vergalhões e madeira doados por fieis.

Desenho da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. Foto: Divulgação

Já recuperado de uma malária e da queda de burro, ainda em 67, o padre Ângelo Spadari utilizou o dinheiro arrecadado para comprar dez sacos de cimento em Cuiabá (MT). Os tijolos franceses chegaram de Porto Velho, Ji-Paraná e Pimenta Bueno. Além disso, recebeu doações de vergalhões e madeiras, reunindo aos poucos tudo o que era necessário para erguer a igreja.

O terreno, previamente marcado pelo Sargento Aymoré, foi preparado com máquinas e homens do 5º BEC/DNER. O alicerce contou com o apoio do comerciante Donato Queiroz, que doou 50 metros de pedra. Enquanto a construção ficava parada devido às chuvas e à falta de material, Spadari mantinha viva a fé da comunidade: celebrava missas no posto de saúde, embaixo de uma árvore e, mais tarde, na Escola Isolada Wilson Camargo, com a colaboração da professora Esmeralda Sol-Sol.

Em 1969, o missionário enfrentou novamente a malária e precisou ser internado no Hospital São José, em Porto Velho. Mesmo assim, não desistiu. Após muitas dificuldades, retornou a Vilhena e concluiu a obra. Uma das primeiras edificações em alvenaria da vila dominada por casebres de madeira e pelo improviso.

No dia 24 de maio de 1970, três anos depois de iniciar a construção, Padre Spadari celebrou a inauguração da igreja. O templo, com 8 por 20 metros, parecia “grande demais” para ele, que havia planejado quatro metros a menos. A ampliação foi determinada pelo bispo Dom João Batista da Costa.

Naquele mesmo dia, na igreja ainda sem portas laterais e com piso de cimento, aconteceu a primeira Festa de Nossa Senhora Auxiliadora, seguida de procissão pelas ruas da vila, que já contava com cerca de 300 moradores, além de comércio, serrarias e escola.

Auxiliadora, padroeira da cidade

Embora a primeira missa em Vilhena, em 1963, tenha sido dedicada à Virgem de Loreto, padroeira da aviação, prevaleceu a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, já padroeira de Porto Velho, cidade à qual Vilhena pertencia. Com a emancipação de Vilhena, em 1977, a escolha foi mantida. Hoje, a santa é homenageada com feriado municipal em 24 de maio, tanto aqui quanto na capital.

Educador e missionário

Padre Ângelo viveu em Vilhena até 1981. Além de catequizar, incentivava a educação, citando o intelectual romano Cícero (106 a.C. – 43 a.C.): “A ignorância é a mãe de todos os males.” Falava várias línguas, estudava tupi e outros idiomas indígenas, aplicava injeções, distribuía remédios e ensinava o uso de ervas medicinais.

Foi amigo da primeira professora da cidade, Noeme Barros, falecida em 1997 — o mesmo ano em que Spadari morreu em Manaus. Ao lado do coadjutor Padre Fausto Boem, que chegou em 1972 e partiu junto com ele, Spadari deixou marcas profundas na memória afetiva da comunidade.

Ângelo Spadari e Fausto Boem, os dois primeiros padres da Paróquia de Vilhena, em 1976. Foto: Divulgação

Patrimônio preservado

A igrejinha construída por Spadari permanece como relíquia e cartão-postal de Vilhena, na Avenida Capitão Castro, em frente à praça que leva seu nome. Ao lado dela, ergue-se hoje a moderna Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora, símbolos da fé cristã e da história local.

A tradicional “igrejinha”, ao lado do templo construído no final da década de 1980. Foto: Divulgação

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Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Indígenas criam peixes em tanques para garantir alimento seguro após garimpo contaminar rios na Terra Yanomami

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Indígenas mostram alevinos de tambaquis criados em tanques na comunidade Sikamabiu, na Terra Yanomami. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

No Rio Mucajaí, no Sul de Roraima, dentro da Terra Indígena Yanomami, a pesca deixou de fazer parte da rotina depois que o garimpo ilegal contaminou as águas com mercúrio e fez os peixes desaparecerem. Com a retirada dos invasores, o rio está voltando ao natural, mas o processo leva tempo.

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Por isso, os indígenas de Sikamabiu passaram a criar peixes em tanques como alternativa para garantir alimento seguro à comunidade, uma iniciativa inédita no território. Os peixes estão no nome da comunidade: Sikamabiu, que significa “rio dos mandis”, na língua Ninam.

O incentivo à criação de peixes na região faz parte de um projeto do governo federal, lançado oficialmente no dia 2 de fevereiro de 2026, mas está em atividade desde novembro do ano passado. O trabalho é feito pelos próprios indígenas e inclui um sistema integrado com irrigação de roças e criação de galinhas. A ideia é expandir a ação para outras sete comunidades até o fim de 2026.

A iniciativa busca reforçar a segurança alimentar no território Yanomami, em situação de emergência há três anos, após o garimpo ilegal contaminar os rios, reduzir a pesca e os alimentos às comunidades indígenas.

A unidade inaugurada na comunidade tem 10 tanques de piscicultura e dois açudes, com escavação de 440 m². Juntos, abrigam mais de 8 mil alevinos de tambaqui, como são chamados os peixes que ainda não atingiram a fase adulta. A espécie não é endêmica da Terra Yanomami, mas é amplamente consumida na Amazônia.

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Indígenas Yanomami diante de um dos tanques instalados para criação de peixes na comunidade Sikamabiu.
Indígenas Yanomami diante de um dos tanques instalados para criação de peixes na comunidade Sikamabiu. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A estrutura dos tanques substitui a pesca no rio e garante proteína animal segura, já que os peixes do rio estão contaminados por mercúrio, substância altamente tóxica ao ser humano.

A comunidade Sikamabiu fica na região do Baixo Mucajaí e reúne cerca de 400 pessoas, em aproximadamente 30 famílias, a maioria do povo Xiriana (ou Xirixana), subgrupo dos Yanomami. Ao todo, 34 indígenas foram capacitados para atuar em todas as etapas da piscicultura, da construção dos tanques ao manejo dos peixes.

“Quando a gente ia pescar e cortava os peixes, notava que a carne deles estava dura, ruim, sabor ruim, suja e a gente pensou: o que vamos fazer agora? Onde vamos buscar alimentos? Esse projeto ajuda muito”, relatou a liderança feminina da comunidade, Luísa Xirixana.

Tanques substituem o rio contaminado

O projeto é realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), responsável pelas orientações sobre a construção dos tanques, e com o Instituto Federal de Roraima (IFRR), voltado à capacitação dos indígenas. Além disso, recebeu investimento de R$ 1,8 milhão do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

O lançamento aconteceu com a presença do ministro Wellington Dias, do MDS, da presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapichana, do governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), e de outras autoridades.

“Esses tanques são uma resposta direta à falta de peixes no rio. O mercúrio desce com a água, e quem está rio abaixo sofre mais. Hoje, o peixe do rio não é confiável”, explicou a pesquisadora da Embrapa Roraima, Rosemary Veilaça, bióloga especializada em agroecologia e inclusão.

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Tanques de piscicultura instalados na comunidade Sikamabiu, na Terra Yanomami.Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Os tambaquis devem atingir o tamanho ideal até junho e garantir alimento para a comunidade nos próximos meses.

“O que estamos fazendo aqui é garantir que essas comunidades possam produzir o próprio alimento, no próprio território, sem depender da chegada constante de cestas básicas, que têm uma logística difícil e cara”, afirmou o ministro.

“Alimentar nosso povo”

Liderança de Sikamabiu, o tuxaua Carlos Nailson Xirixana afirmou que, embora a comunidade não tenha sido diretamente atingida pelo garimpo, os impactos da atividade no Baixo Mucajaí afetaram os indígenas de toda a região, inclusive os da comunidade.

“O garimpo não foi aqui, mas o efeito veio pelo rio. Os peixes quase morreram todos. A gente via peixe boiando. Por isso pedimos esses tanques. O peixe do rio já não dava mais segurança”, disse.

Além disso, reforçou que a produção não tem fins comerciais: “Esses peixes dos tanques não são para vender. É para alimentar o nosso povo. Aqui tem muitas pessoas. A gente quer produzir para a comunidade”.

Fertirrigação e autonomia

A pesquisadora da Embrapa, Rosemary Veilaça, explicou que a água usada nos tanques passa por testes. Depois, é reaproveitada na irrigação das roças, com plantio de mandioca, batata e arroz. O sistema é chamado de fertirrigação, que integra irrigação e adubação e dispensa fertilizantes químicos.

“Aqui a gente não fala só de segurança alimentar, mas de cidadania alimentar. É um sistema em que uma produção sustenta a outra e garante autonomia para o povo”, afirmou Rosemary Veilaça.

O projeto era um pedido antigo da região, segundo Gerson da Silva Xirixana, presidente da associação Texoli, organização que representa os indígenas da localidade.

“Muita gente não acreditou. Diziam que não ia dar certo. Hoje vemos o peixe e as plantas crescerem. É muito bom”, resumiu.

Os tanques de piscicultura foram construídos com geomembrana, uma manta sintética impermeável, escolhida por ser mais leve, durável e adequada à logística da região, onde o acesso às comunidades ocorre principalmente por rios, aeronaves ou a pé na floresta.

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Plantas são irrigadas por água em um sistema de fertirrigação anexado aos tanques de peixe na comundiade Sikamabiu, na Terra Yanomami. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Para manter o sistema em funcionamento na comunidade, o IFRR capacitou 34 indígenas em piscicultura. Eles aprenderam técnicas de criação dos peixes, como alimentação, controle da água e período de colheita.

“A proposta é que eles tenham autonomia completa para tocar esse projeto, sem depender da presença constante de técnicos. O conhecimento fica na comunidade”, explicou o diretor-geral do campus Amajari do IFRR, Rodrigo Luiz Barros.

Os próprios indígenas participaram da montagem das estruturas. Para as lideranças indígenas, a formação técnica é tão importante quanto ter o peixe.

“O que a gente pediu foi aprender a cuidar da terra e do peixe [de maneira técnica], para ensinar nossos filhos e netos”, disse Luísa Xirixana.

A expectativa é que os indígenas capacitados se tornem “multiplicadores do conhecimento” dentro do território Yanomami, ensinando outras comunidades a produzir o próprio alimento de forma segura, fora do rio contaminado pelo mercúrio.

Dignidade e permanência no território

Durante a inauguração da unidade demonstrativa, autoridades federais afirmaram que a produção de alimentos dentro do próprio território reduz a dependência de ações emergenciais e ajuda a enfrentar os impactos do garimpo ilegal.

A presidente da Funai, Joênia Wapichana, destacou que a iniciativa vai além do combate ao garimpo: representa um passo na reparação dos danos causados aos povos indígenas.

“Não basta combater o garimpo ilegal. É preciso garantir gestão do território, recuperação ambiental e acesso às políticas públicas. Esses projetos mostram que é possível reconstruir a dignidade dos povos indígenas depois de tanta violência”.

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Indígenas Yanomami da comunidade Sikamabiu no local onde os tanques de criação de peixe estão instalados. Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR

Mesmo com a presença das autoridades, lideranças locais reforçam que a permanência no território depende do acesso a alimento seguro.

“O rio não é mais como antes. Se a gente não aprende a produzir aqui, a gente não consegue continuar vivendo aqui”, pontuou o tuxaua Carlos.

Terra Yanomami

Localizada no Amazonas e em Roraima, a Terra Indígena Yanomami tem quase 10 milhões de hectares. No território vivem mais de 31 mil indígenas, distribuídos em 370 comunidades.

O povo Yanomami se divide em seis subgrupos linguísticos da mesma família: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma,  Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma.

O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, após a posse do presidente Lula (PT), iniciou ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e de cestas básicas, além do reforço das forças de segurança na região para frear o garimpo ilegal.

*Por Caíque Rodrigues e Valéria Oliveira, da Rede Amazônica RR

Projeto de kit de energia solar criado por estudantes do Amapá recebe Prêmio Jovem Cientista

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Projeto consiste na criação de um kit de energia solar portátil. Foto: Andressa Vaz

Um projeto de pesquisa orientado por professores e executado por alunos do Instituto Federal do Amapá (Ifap) foi o vencedor do 31º Prêmio Jovem Cientista, na categoria Ensino Superior, edição 2025. A iniciativa contou com o apoio do Governo do Estado e se destaca pelo caráter sustentável e inovador.

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O projeto consiste na criação de um kit de energia solar portátil desenvolvido para atender castanheiros da Amazônia. A proposta surgiu da necessidade de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores extrativistas, substituindo motores a diesel por uma alternativa limpa. O kit supre necessidades básicas, como iluminação noturna, preparo de alimentos e comunicação, contribuindo para melhores condições de trabalho na floresta.

O orientador do projeto e docente do Ifap – Campus Laranjal do Jari, Diego Armando Silva da Silva, destacou a importância do reconhecimento para a pesquisa desenvolvida no Amapá.

“Receber esse prêmio representa o reconhecimento institucional da pesquisa realizada na Amazônia. Grande parte da produção científica ainda está concentrada nos grandes centros e enfrentamos muitos desafios. Esse prêmio evidencia a ciência produzida no Amapá e sua relevância nacional. Valoriza um modo de fazer ciência enraizado na realidade local, junto às comunidades”, afirmou o professor.

Projeto de kit de energia solar criado por estudantes do Amapá recebe Prêmio Jovem Cientista
Foto: Andressa Vaz

O kit de energia solar foi um dos projetos participantes do Programa Doutor Empreendedor, promovido pelo Governo do Estado e executado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap). O programa facilita a transferência do conhecimento acadêmico para o mercado, estimulando a criação de produtos e serviços inovadores.

Kit propõe solução real

O diretor-presidente da Fapeap, Gutemberg Silva, ressaltou que a iniciativa busca soluções concretas para os desafios regionais.

“O programa demonstra que o conhecimento produzido pela pesquisa pode e deve gerar soluções reais para a sociedade. Ao incentivar pesquisadores a empreenderem, o Doutor Empreendedor aproxima a ciência das comunidades e do território”, destacou o gestor.

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Gutemberg ressaltou, ainda, que o apoio a programas como este integra uma política pública de valorização da ciência.

“O Governo do Amapá entende a ciência e a tecnologia como eixos estratégicos para o desenvolvimento. Ao apoiar o Doutor Empreendedor, o Estado reafirma o compromisso em incentivar soluções inovadoras e promover um futuro mais justo para a população”, completou.

O projeto dialoga com os princípios da Amazônia 4.0 e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A próxima etapa prevê o aprimoramento do equipamento para ampliar a eficiência e expandir os benefícios às comunidades extrativistas.

*Com informações do Governo do Amapá

Perfil epidemiológico do câncer no Amazonas reforça a importância da prevenção

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Foto: Divulgação/FVS-RCP

No início do mês de fevereiro se celebra o Dia Mundial de Combate ao Câncer, dia 4, e com isso, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) reforça a relevância da conscientização, da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso oportuno ao tratamento contra a doença.

Entre os principais fatores de risco, aponta a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), destacam-se:

  • o tabagismo,
  • o consumo de álcool,
  • o excesso de peso,
  • a alimentação inadequada,
  • a inatividade física,
  • a poluição atmosférica
  • e infecções oncogênicas, como o papilomavírus humano (HPV) e as hepatites virais.

Segundo análise da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis (GVDANT) da Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, com base em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), o Amazonas registrou 20.948 mortes por câncer entre 2021 e 2025. A idade média foi de 62 anos, e 61% dos óbitos ocorreram em pessoas com 60 anos ou mais.

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A mortalidade foi semelhante entre homens e mulheres, com leve predominância feminina (50,9%). No período, as taxas de mortalidade por câncer apresentaram crescimento, passando de 9,15 em 2021 para 15,62 em 2025, o que representa um aumento de 70,71%.

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que fatores de risco ligados ao estilo de vida, como falta de atividade física, alimentação inadequada, excesso de peso, consumo de álcool e tabaco, além de sono insuficiente, influenciam diretamente o desenvolvimento de doenças crônicas.

”Esses mesmos fatores estão associados a problemas como hipertensão, diabetes e outras doenças metabólicas, o que mostra que as ações de prevenção são integradas e se reforçam mutuamente”, esclarece.

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Para a gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (GVDANT) da FVS-RCP, Anny Antony, fortalecer ações de promoção da saúde, ampliar a conscientização da população, estimular hábitos mais saudáveis ao longo do curso de vida e promover o rastreamento e o cuidado oportuno no SUS são medidas fundamentais.

“Pequenas escolhas feitas no cotidiano, como se movimentar mais, cuidar da alimentação, dormir melhor e buscar os serviços de saúde no tempo certo, fazem diferença real na redução do câncer e de outras doenças crônicas. Informação salva vidas, e a prevenção começa antes do adoecimento”, destaca.

Pesquisa Nacional de Saúde no combate ao câncer

No Brasil, o monitoramento dos fatores de risco para doenças crônicas é realizado pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde, principal inquérito nacional sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis.

Em 2024, foram feitas 27.048 entrevistas nas capitais brasileiras, mostrando alta exposição da população a fatores associados ao risco de câncer, como excesso de peso, identificado em 62,6% dos adultos, e obesidade, presente em 25,7% dos entrevistados.

pesquisas sobre câncer no amazonas - fvs-rcp
Foto: Divulgação/FVS-RCP

O inquérito também apontou baixa prática de atividade física no lazer (42,3%), além da manutenção de comportamentos pouco saudáveis, como consumo de álcool, alimentação de baixa qualidade nutricional e sedentarismo. Outro fator de alerta foi o sono insuficiente, observado em até um em cada quatro adultos, condição relacionada ao aumento do risco metabólico e inflamatório.

Na Região Norte, cerca de 7 mil pessoas participaram do levantamento, sendo aproximadamente 1.000 em Manaus, com perfil semelhante ao nacional. Destacam-se a alta prevalência de excesso de peso, especialmente entre mulheres, além do sedentarismo, maior tempo de exposição a telas e descanso insuficiente.

Esse cenário contribui para maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de doenças crônicas e se reflete na mortalidade, concentrada principalmente em cinco tipos de câncer: estômago, pulmão, colo do útero, mama e próstata que, juntos, respondem por 43% das mortes por neoplasias no Amazonas.

*Com informações da SES-AM