Campeão Mundial e com 30 anos de história, o grupo de danças folclóricas Flor Ribeirinha, de Mato Grosso, avança mais um passo na divulgação da cultura. Reconhecido como patrimônio histórico e imaterial de Cuiabá em fevereiro deste ano, o grupo começou uma turnê pela Europa no dia 15 de junho.
O Flor Ribeirinha é uma das principais manifestações culturais mato-grossenses, trabalhando no resgate, manutenção, proteção e difusão da cultura popular da região, além de manter viva a tradição do Siriri e Cururu.
São 80 minutos de apresentação, com elementos típicos que vão da Amazônia, como o Boi-Bumbá, até o Nordeste, como o Frevo, e, claro, o Siriri mato-grossense. A turnê segue até dia 8 de julho entre a Bélgica e a França.
Idealizado por dona Domingas Leonor, o grupo nasceu na comunidade de São Gonçalo Beira Rio, situada à margem esquerda do Rio Cuiabá, pertencente ao distrito do Coxipó da Ponte, em Cuiabá, Estado de Mato Grosso.
Como a comunidade foi fundada no século XVIII, em território de indígenas Coxiponés – cuja presença é recordada nos traços físicos dos moradores, no ritmo e nos passos da dança – o Flor Ribeirinha não poderia deixar de trabalhar o Siriri – dança típica mato-grossense, realizada na região sul de Cuiabá há mais de 200 anos e que reflete o multiculturalismo brasileiro formado por indígenas, negros, portugueses e espanhóis.
É dançado e cantado por homens, mulheres e crianças em fila ou roda formada por pares que cantam e batem palmas ao ritmo rápido e forte da música. O coro estridente e às vezes monótono é próprio da música ameríndia, com clara influência da música serena e melodiosa repleta de sentimento religioso dos colonizadores.
O ritmo marcado por instrumentos de percussão é herança da música africana. A dança utilizada é o meio expressivo que usa o corpo como instrumento material vibrante e sonoro de construção de elementos simbólicos que traduzem sentido.
O grupo contribui para a preservação de tradições cuiabanas, como as celebrações das festas de santos, produção de cerâmica em argila, comidas e bebidas típicas, confecção e uso da viola de cocho.
E também acumula títulos mundiais, conquistados em países como Turquia (2017), Polônia (2021) e Bulgária (2022) e se tornou tetracampeão mundial de folclore, no ‘Cheonan World Dance Festival’, na Coreia, da edição de 2024.
*Com informações do Mapas MT e Grupo Folclórico Flor Ribeirinha
PARNA Jaú, Praia da Velha. Foto: Josângela Jesus/Mosaico do Baixo Rio Negro
Um acordo judicial histórico foi firmado entre o Ministério Público Federal (MPF), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) encerrando a ação civil pública que tratava da presença da Comunidade Quilombola do Tambor no Parque Nacional do Jaú, localizado entre os municípios de Novo Airão e Barcelos, no Amazonas.
Esse é o primeiro acordo judicial firmado no Brasil a reconhecer e a garantir a compatibilização dos direitos de uma comunidade tradicional em uma unidade de conservação de proteção integral com a preservação ambiental.
O acordo permite que os quilombolas permaneçam em seu território tradicional, sem a necessidade de desafetação da área do Parque Nacional. A regularização fundiária será feita por meio de um Contrato de Concessão de Direito Real de Uso (CCDRU), assegurando tanto a preservação ambiental quanto os meios para o desenvolvimento cultural, social, físico e econômico da comunidade.
A assinatura ocorreu durante audiência pública na última terça-feira (10), com a presença de representantes da comunidade quilombola do Tambor e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) Amazonas. A medida é considerada a melhor solução para conciliar a proteção do Parque Nacional do Jaú com os direitos da comunidade que reside na área.
Entenda o caso
A Comunidade Quilombola do Tambor habita a região desde o início do século passado. Contudo, desde a criação do Parque Nacional do Jaú, em 1980, houve diversos conflitos entre a gestão e os quilombolas.
Em 2014, diante da notícia de uma decisão interna do ICMBio para a remoção da Comunidade de dentro do Parque, o MPF ingressou com uma ação civil pública para garantir a permanência dos quilombolas em seu território e obrigar o Incra a finalizar o procedimento de titulação quilombola.
Em 2023, o MPF iniciou tratativas para um acordo que contemplasse a dupla afetação: a proteção ambiental do parque e a garantia dos direitos da comunidade quilombola. O processo de negociação foi construído com a participação ativa da Conaq Amazonas e dos próprios comunitários do Tambor. Em março deste ano, o MPF se deslocou até a comunidade para discutir os termos do acordo, mostrando o engajamento direto na construção da solução.
O procurador da República Eduardo Sanches analisa que os quilombolas, residentes há mais de 100 anos em um local reconhecidamente preservado, não podem, com seu modo de vida tradicional, ser vistos como agentes de degradação ambiental.
“A compatibilização é viável a partir de uma interpretação sistemática da Constituição que busca proteger diversos valores caros ao Estado brasileiro, como a proteção ao meio ambiente, a proteção ao patrimônio cultural e a garantia aos direitos das comunidades quilombolas”, explicou o procurador da República.
Pesquisadores realizando monitoramento florestal, para posterior catalogação das espécies. Foto: Samuel de Pádua Chaves e Carvalho/Acervo pessoal
Um projeto desenvolvido em cooperação entre três instituições científicas de ensino e pesquisa, está investigando os estoques de madeira em florestas da Amazônia brasileira, submetidas a um segundo ciclo de colheita. A iniciativa envolve áreas exploradas anteriormente por dois métodos distintos: a Exploração de Impacto Reduzido (EIR) e a Exploração Convencional (EC).
O objetivo é entender melhor como estão os estoques de madeira em florestas que já foram exploradas no passado e que agora passam por uma nova colheita, chamada de segundo ciclo. Essa prática ainda é pouco estudada, por isso pesquisadores querem produzir informações que ajudem a orientar como essa nova etapa de exploração pode ser feita de forma planejada, considerando os limites, bem como o potencial de recuperação de florestas.
A colheita de segundo ciclo é a retirada da madeira em uma floresta que já foi explorada anteriormente, ou seja, é a segunda vez que se corta árvores comerciais naquela mesma área. E só pode acontecer depois de um período de recuperação da floresta, quando novas árvores cresceram ou ficaram na primeira colheita e já atingiram tamanho comercial.
De acordo com o coordenador da pesquisa, o Engenheiro Florestal e doutor em Recursos Florestais Samuel de Pádua Chaves e Carvalho, “os resultados promoverão uma atualização das regulamentações às diretrizes para a colheita de madeira de segundo ciclo na Amazônia brasileira, possibilitando identificar espécies sensíveis e potenciais de uso comercial”.
“Além dos avanços esperados na ciência florestal, este projeto promoverá a capacitação e treinamento dos principais stakenholders desta importante cadeia produtiva do setor florestal brasileiro. Os principais grupos afetados com os resultados do projeto, nos aspectos sociais, econômicos ou ambientais, são as comunidades locais próximas as florestas, trabalhadores do setor madeireiro, empresas de madeira e construção civil, órgãos públicos de meio ambiente e fiscalização, pesquisadores e universidades, ONGS ambientais e consumidores finais dos produtos de madeira”.
Foto: Samuel de Pádua Chaves e Carvalho/Acervo pessoal
Os trabalhos iniciais incluíram a realização de colheitas experimentais, além do monitoramento de manejo florestal em escala empresarial. As áreas de estudos estão distribuídas nos municípios de Belterra e Paragominas, no Pará; Itacoatiara, no Amazonas; e Tabaporã, em Mato Grosso.
Esses locais foram manejados pela primeira vez em 1979 e meados da década de 1990. O objetivo nessa etapa é coletar dados comparativos antes, durante e depois do segundo ciclo de exploração.
Além das colheitas experimentais, está previsto o inventário florestal em mais três ou quatro áreas, que passaram pelo primeiro corte no início dos anos de 1990. Os pesquisadores esperam que os dados obtidos sirvam de base para atualizar diretrizes técnicas e regulamentação relativas à prática do segundo ciclo de corte florestal na região amazônica.
Foto: Samuel de Pádua Chaves e Carvalho/Acervo pessoal
Na fase seguinte do projeto, os dados serão compartilhados com instituições de ensino e pesquisa, profissionais da área florestal e representantes da indústria madeireira. Parte das informações será destinada à identificação de espécies mais comuns nesse tipo de floresta e suas possíveis aplicações na construção civil e em outros segmentos do mercado interno.
O projeto faz parte da inicativa Amazônia+10, que é um programa de desenvolvimento de Ciência, Tecnologia e Inovação, construído em parceria com as Fundações de Amparo à Pesquisa signatárias e organizada no âmbito do Conselho Nacional de Fundações de Amparo à Pesquisa Estaduais (CONFAP), representada no estado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), e tem como intuito promover ações de CT&I que sejam úteis e convergentes para o fortalecimento de ações concretas regionalizadas de replicação.
A pesquisa intitulada “Indo além do primeiro ciclo de colheita nas florestas tropicais da Amazônia Brasileira”, é coordenado pelo Eng. Florestal e doutor em Recursos Florestais, o pesquisador Samuel de Pádua Chaves e Carvalho, tendo como instituição executora a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e, instituições parceiras, a EMBRAPA, a ESALQ/USP e a UFRRJ.
Região central de Manaus em 1900, com a Ponte dos Remédios em primeiro plano. Foto: George Huebner
O livro ‘Os Lugares da Marinhagem: Racialização e associativismo em Manaus, 1853-1919′, de Caio Giulliano Paião, resultou de uma extensa pesquisa historiográfica acerca das estruturas de poder que ditavam as relações de trabalho da categoria marítima no período. A obra, dividida em três partes, narra a busca dessa classe por melhores condições de trabalho valendo-se do associativismo e do reconhecimento como o proletariado das águas.
Além disso, o autor explora as relações raciais estabelecidas nesse contexto de coletivo heterogêneo, em que as posições hierárquicas eram influenciadas pela raça.
Graduado em história pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutor em história social pela Unicamp, Paião desenvolve atualmente um pós-doutorado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), atua como professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em História da Ufam e integra o Laboratório de Estudos sobre História Política e do Trabalho na Amazônia (Labuhta), também da Ufam.
Na entrevista a seguir, o pesquisador detalha o processo de escrita da obra e as suas contribuições para a historiografia brasileira.
Qual a motivação para a pesquisa que resultou nesse livro e quais as dificuldades enfrentadas durante a sua realização?
Caio Giulliano Paião – Essa obra é um desdobramento de uma pesquisa anterior sobre a navegação a vapor na Província do Amazonas, tema de meu outro livro [Para além das chaminés, Editora Valer, 2024]. Depois de estudar a recepção e o imaginário em torno dessa navegação, procurei entender o mundo do trabalho dos seus tripulantes. Primeiro, deparei-me com uma lacuna na historiografia, em função da própria dinâmica do ofício: tratava-se de personagens que viviam em movimento, por isso, personagens de difícil apreensão. Depois descobri que o acervo histórico da Capitania do Porto do Amazonas havia sido incinerado. Precisei então percorrer uma série de diferentes documentos, de variados tipos e procedências. Nesse sentido, acredito que o maior desafio da pesquisa deu-se ao acompanhar os movimentos desses sujeitos, que sabiam utilizar a mobilidade a seu favor.
Quais contribuições a obra traz aos estudos historiográficos no Brasil?
Caio Giulliano Paião – Ainda são poucos os estudos sobre a categoria marítima no Brasil, especialmente enquanto trabalhadores, no período e no recorte geográfico do livro. A Amazônia chegou a abrigar a maior parcela desse contingente, por isso suas lutas foram fundamentais para que toda a categoria ganhasse reconhecimento como parte da classe trabalhadora. Diferentes dos tripulantes das grandes navegações, já bem estudados, os desse livro buscam preservar sua liberdade de movimento enquanto enfrentam o Estado e os patrões no campo dos direitos. Lutam contra lugares racializados que os relegavam à reserva militar, portanto, excluindo-os da cidadania. Assim, a obra contribui para a historiografia social do trabalho, mostrando que, ao ocuparem lugares como o de “trabalhadores”, essas pessoas conseguiram obter reconhecimento profissional e acessar direitos.
Como o seu livro pode colaborar para o entendimento das relações de trabalho no mundo atual?
Caio Giulliano Paião – Vivemos um período em que a condição de “trabalhador” é vista como algo pejorativo e de pouco valor, enquanto a ideologia do “empresário de si” é usada para enfraquecê-la como identidade coletiva, visando dificultar a organização de classe e a luta por direitos. Essa desorganização dá-se por meio de uma profunda individualização e por meio de um isolamento hoje reforçado pelas redes sociais. No livro, vemos como a individualização foi usada para brecar a organização dos marítimos como classe, algo agravado pela racialização, que negava aos trabalhadores negros e mestiços o direito de reivindicar sua identidade racial em termos políticos ou a chance de denunciar o racismo no ambiente de trabalho. Trata-se de questões que ainda estruturam as relações de trabalho no tempo presente.
Foto: Divulgação
Você vê alguma evolução na luta dos trabalhadores marítimos, especificamente nos dias de hoje?
Caio Giulliano Paião – O livro encerra a análise em 1919, justamente em um momento crucial de discussão e aperfeiçoamento da legislação marítima em todo o mundo. Meu intuito foi demonstrar sob quais circunstâncias a categoria chegou a esse debate e qual o papel dos amazônicos nisso. Sem dúvida, o repertório legislativo está muito mais sofisticado nos dias atuais, além de apresentar padrões internacionais de proteção a esses trabalhadores, uma pauta levantada a partir do fim da Primeira Guerra Mundial. Contudo destaco uma conquista histórica, que é o reconhecimento e a inserção cada vez maior das mulheres no mundo marítimo. Na Amazônia, já viajei em barcos com tripulação 100% feminina. Um marco importante que pode ser visto como um dos resultados da luta feminista contra a masculinidade hegemônica do sistema capitalista.
Em que o livro se diferencia de outros estudos do gênero e qual o público, para além dos estudantes e professores de história, que pode se interessar pela obra?
Caio Giulliano Paião – Nossa historiografia conta com excelentes estudos sobre o mundo marítimo, com foco nos oceanos e nos séculos XVIII e XIX. Embora se ancore nessas pesquisas, meu enfoque difere ao priorizar os trabalhadores fluviais em um recorte que ultrapassa o século XIX, oferecendo uma perspectiva sobre a Amazônia para além da visão de “pulmão do mundo”, ao explorar suas dimensões humanas. Na crise climática atual, os(as) leitores(as), acadêmicos(as) ou não encontrarão uma Amazônia onde populações com demandas próprias lutam por inclusão social e política. O público em geral, preocupado com a progressiva perda de direitos trabalhistas e com o colapso ambiental, pode se inspirar nos lugares da marinhagem em prol de um mundo menos opressivo e mais humano.
O broncodilatador e expectorante Mikania glomerata, o famoso guaco; o calmante, analgésico e ansiolítico Cymbopogon citratus, conhecido como capim-santo; e o anti-inflamatório e antioxidante Curcuma longa, o popular açafrão-da-terra, oferecem exemplos de plantas medicinais facilmente encontradas nas feiras livres e nos mercados municipais de qualquer Estado brasileiro, nas formas in natura, a granel, em garrafadas ou como óleos essenciais.
Essas plantas representam uma prova inequívoca da nossa biodiversidade vegetal – a maior do mundo – e do nosso conhecimento tradicional. Uma riqueza que, apesar de reconhecida, está longe de ter todo seu potencial explorado. Enquanto detém de 15% a 20% da biodiversidade vegetal do planeta, o país responde por ínfimos 0,1% do mercado global de fitoterápicos e ervas medicinais, que movimentou, em 2024, US$ 230 bilhões (R$ 1,3 trilhão).
Para entender as contradições e a complexidade da cadeia de fitoterápicos no Brasil, a engenheira agrícola colombiana Nataly Cubides Zuñiga pesquisou em sua tese de doutorado, dentro do Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica (PPG-PCT) do Instituto de Geociências (IG), as Farmácias Vivas.
Instituídas em 2010, esses estabelecimentos funcionam como farmácias de manipulação públicas, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), fornecendo gratuitamente plantas medicinais que cultivam e medicamentos que manipulam, além de prestarem assistência social farmacêutica. A atividade promove o encontro entre os conhecimentos tradicional e científico.
“Esse é um patrimônio natural que precisamos integrar. Temos tanto o conhecimento técnico-científico quanto o tradicional, mas eles estão dispersos”, defende a engenheira agrícola.
Ao se aprofundar nesse espaço de convergência, Cubides Zuñiga concluiu que as Farmácias Vivas têm o potencial de articular essa cadeia técnico-produtiva porque estão inseridas no SUS e porque são capazes de criar ecossistemas de conhecimento a partir de ações de conexão e cooperação envolvendo diferentes atores, como universidades, institutos de pesquisa, organizações não governamentais, cooperativas de agricultores e comunidades.
Foto: Divulgação
A pesquisa identificou múltiplas razões para a baixa produção de medicamentos fitoterápicos no Brasil. Uma delas é a carência de descrição e registro das espécies medicinais nativas, algo obrigatório para a produção dos insumos farmacêuticos ativos vegetais (Ifavs), necessários à manipulação dos medicamentos.
A engenheira deu início aos estudos junto com a equipe do Projeto Prospecção e Priorização Técnico-Produtivas para a Integração da Cadeia de Fitoterápicos Amazônicos (Profitos Bioam), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), entre 2021 e 2024.
Ainda pouco conhecidas por parte da população e muitas vezes do próprio poder público – municipal, estadual e federal –, as atuais 226 Farmácias Vivas fazem parte da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) do governo federal.
“As Farmácias Vivas são um instrumento da política nacional, cuja diretriz é incentivar a produção e o uso de plantas medicinais e de fitoterápicos no SUS. Entretanto a incongruência das regulamentações e a falta de monografias, em muitos casos, restringem a autonomia das Farmácias Vivas para trabalhar com espécies locais”, disse Cubides Zuñiga.
De acordo com a orientadora da pesquisa, professora Maria Beatriz Machado Bonacelli, deter uma grande sociobiodiversidade – conceito que inclui as populações responsáveis pelo conhecimento tradicional – não basta para promover avanços.
“O Brasil tem uma grande diversidade e todo mundo acha que isso já basta. Mas só o recurso não resolve, assim como só a biodiversidade também não, nem só a política ou a legislação. Não se pode usar o conhecimento tradicional sem saber a origem desse conhecimento ou do seu povo. O conhecimento tradicional é riquíssimo e deve se somar ao conhecimento e método científicos. É preciso promover esse encontro. O conhecimento tradicional vem da herança indígena, dos ribeirinhos, dos quilombolas e da agricultura familiar”, afirmou Bonacelli.
Segundo a professora, o Brasil conta com cerca de 340 fitoterápicos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto a Grã-Bretanha está na casa dos 3 mil, a Alemanha, dos 10 mil e a China, dos 70 mil. O país, portanto, tem potencial para explorar sua sociobiodiversidade, promovendo o crescimento econômico, aponta a pesquisa. Os medicamentos fitoterápicos hoje não chegam a 2% do mercado farmacêutico brasileiro, enquanto na Alemanha esse percentual gira em torno de 20%.
Rigor da lei
A legislação sobre os fitoterápicos no Brasil, que começou a ser implementada nos anos 1980, ganhou um novo quadro regulatório em 2014. Segundo a pesquisa, com uma legislação nacional mais completa e mais próxima das normas internacionais, muitas empresas que antes exploravam as plantas medicinais, por não se enquadrarem nas novas diretrizes, deixaram de existir ou se concentraram na produção de fitocosméticos, suplementos e óleos essenciais. Hoje, no país, há cerca de 68 empresas de fitoterápicos, concentradas na Região Sudeste.
No caso específico das Farmácias Vivas, a legislação, criada a partir de 2010, dispõe sobre as etapas da cadeia produtiva, abrangendo das matérias-primas (plantas in natura e derivados vegetais) até os medicamentos fitoterápicos. Os Ifavs ou matérias-primas devem ser produzidos nas próprias Farmácias Vivas ou devem vir de produtores certificados, tudo isso sob o controle da Anvisa.
A gestão das farmácias é municipal ou estadual, a cargo das secretarias de saúde. Os funcionários desses estabelecimentos integram o SUS e instituições parceiras, além de haver alguns voluntários. Cada localidade desenvolve seu próprio modelo conforme suas especificidades, capacidades e necessidades. Muitas dessas farmácias se transformam em espaços comunitários de troca de conhecimentos, oferecendo ações de capacitação, seminários e rodas de conversa. Na avaliação da engenheira, a institucionalização das farmácias é um dos grandes desafios do programa no país.
A tese analisou unidades das Farmácias Vivas do Distrito Federal e de sete Estados, entre eles o Ceará, onde esses locais foram idealizados em 1983, por Francisco José de Abreu Matos, da Universidade Federal do Ceará (UFC). A Farmácia Viva da cidade de Jardinópolis (Farmácia da Natureza), em São Paulo, foi a mais completa que Cubides Zuñiga conheceu: possui viveiros, fornece mudas e tem laboratórios que produzem fitoterápicos em cápsulas, óleos, cremes, tinturas e xaropes.
E conta ainda com um ambulatório para a realização de consultas à população. Nesse ambulatório trabalham médicos da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto. A farmácia fornece quatro fitoterápicos ao SUS. Em Campinas, a pesquisadora conheceu quatro Farmácias Vivas, que abrigam canteiros ou hortos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unicamp, edição 726, escrito por Adriana Vilar de Menezes
A interligação Manaus-Boa Vista, que já está com mais de 90% das obras concluídas, foi um dos temas debatidos na 306ª Reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), na última semana. O empreendimento tem previsão de conclusão no segundo semestre deste ano e vai garantir economia de mais de R$ 1 bilhão por ano na conta do consumidor brasileiro de energia elétrica.
A obra é para garantir que o estado de Roraima, atualmente suprido de forma isolada, seja incluído no Sistema Interligado Nacional (SIN). O investimento federal total para a obra é de R$ 2,6 bilhões.
Na reunião, o comitê também destacou a conclusão da implementação dos aprimoramentos nos Sistemas Especiais de Proteção (SEPs), medida que viabiliza o aumento dos limites de transmissão do Sistema Interligado Nacional, especialmente para a transferência de energia renovável produzida no Nordeste para as demais regiões.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico também avaliou a disponibilidade de gás natural para geração termelétrica, considerando a parcela de suprimento boliviano, e deliberou o encaminhamento de solicitações de estudos, além de cronograma da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) com medidas regulatórias e operacionais necessárias para viabilizar a implantação.
Durante a última reunião ainda foram divulgadas informações técnicas referentes às condições hidrometeorológicas no Brasil em maio, o balanço sobre a energia armazenada no país no mês passado e a expansão da geração e transmissão. Para saber mais, confira em 306ª Reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.
*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
As cheias afetam a região Norte do Brasil. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre
O processo de nacionalização do Defesa Civil Alerta, ferramenta que emite avisos emergenciais diretamente aos celulares da população em áreas de risco, entrou em uma nova fase.
Essa nova etapa ocorre após o sucesso da preparação no Nordeste, que está prestes a receber oficialmente o sistema. Como parte da implementação, um alerta de demonstração em 36 municípios da região, incluindo todas as capitais estaduais.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, reforçou o compromisso do Governo Federal com a ampliação da ferramenta para todo o Brasil.“Essa ferramenta foi criada para que o aviso chegue antes que o perigo alcance você. Nosso compromisso é salvar vidas, garantindo que a população receba alertas em tempo hábil para agir com segurança”, destacou o ministro.
A nacionalização do Defesa Civil Alerta vem sendo realizada em etapas, considerando as características climáticas e os principais riscos de cada região. Após a implantação no Sul e no Sudeste, e com o lançamento no Nordeste em curso, o foco agora está na preparação para o enfrentamento das cheias na Amazônia e, na sequência, para o período de incêndios e chuvas intensas no Centro-Oeste.
A coordenadora da Defesa Civil Nacional, Izabella Rufino, que lidera a capacitação no estado do Amazonas, ressaltou a importância da continuidade do trabalho. “Essa mesma capacitação está ocorrendo também nos demais estados das regiões Norte e Centro-Oeste. Tudo isso faz parte do processo de nacionalização da ferramenta. Aqui, contamos com uma equipe de agentes locais bastante entusiasmada”, afirmou.
Durante os treinamentos, lideranças e técnicos estaduais recebem instruções sobre a operação do sistema, que utiliza tecnologia de transmissão via telefonia celular (Cell Broadcast). Os alertas são exibidos sobre a tela do celular, acompanhados de aviso sonoro — mesmo com o aparelho em modo silencioso — e não exigem cadastro prévio da população.
Para o representante da Defesa Civil Estadual do Amazonas, tenente Charles Barroso, a capacitação chega em um momento estratégico.“Estamos recebendo treinamento para operar uma ferramenta essencial, que fortalecerá nossas ações preventivas em todo o estado.
É de grande importância essa formação, pois ela permite que alcancemos o maior número possível de pessoas que vivem em áreas de risco, sem que seja necessário o cadastramento do celular para o recebimento dos alertas. Dessa forma, poderemos auxiliar essa população na tomada de decisões e na mitigação dos efeitos dos desastres”, declarou.
O alerta de demonstração deste sábado será enviado simultaneamente a quatro municípios de cada estado nordestino, a partir do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), em Brasília. A ação visa familiarizar a população com a nova tecnologia e prepará-la para sua implementação definitiva.
O Defesa Civil Alerta integra uma estratégia nacional para aprimorar a prevenção de desastres e reduzir os impactos à vida e ao patrimônio da população brasileira.
*Com informações da Assessoria de Comunicação Social do MIDR
Takumã Kuikuro. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O desenvolvimento do cinema indígena e sua interface com o audiovisual produzido por não indígenas foi tema de debates entre cineastas que participam do 26º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), na Cidade de Goiás, que terminou no dia 16 de junho. O Fica é considerado o maior evento audiovisual com temática ambiental da América Latina.
Presente ao encontro, Takumã Kuikuro, premiado cineasta brasileiro oriundo do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, aponta duas dimensões do trabalho que ele verifica com mais recorrência entre seus pares indígenas, inclusive os dele próprio.
“Tem duas formas de fazer cinema nas aldeias. Uma é documentar, registrar o conhecimento [oral] que vai ficar para sempre circulando para o povo nas aldeias. O outro jeito de produzir é criar uma narrativa própria sobre a realidade, traduzir para o português para que o não indígena entenda nossa realidade, e exibir através do cinema”, afirmou em conversa com a Agência Brasil.
Takumã já teve filmes premiados em festivais como os de Gramado e de Brasília, e em eventos internacionais de cinema, como Presence Autochtone de Terres em Vues, em Montréal, no Canadá. Em 2017, recebeu o prêmio honorário bolsista da Queen Mary University London. E, em 2019, tornou-se o primeiro jurado indígena do Festival de Cinema Brasileiro de Brasília, um dos mais importantes do país.
No Fica 2025, o cineasta colaborou no processo de seleção de obras para mostras competitivas. Ele passou a enxergar um amadurecimento na produção audiovisual indígena, e defende a necessidade de superar as velhas narrativas de caráter etnográfico que permeou a produção cinematográfica sobre os povos tradicionais ao longo de décadas, dentro e fora do país.
“Temos que superar a narrativa etnográfica como única linguagem [sobre indígenas no cinema], essa tem sido a minha preocupação. E explorar a fundo a linguagem cinematográfica para contar nossas próprias histórias, criar nossos personagens, fazendo, por exemplo, mais filmes de ficção”, argumenta.
Vicent Carelli fala com Agência Brasil durante a 26ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2025). Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Integrante do júri oficial do Fica 2025, o premiado cineasta e indigenista Vincent Carelli, criador do projeto Vídeo nas Aldeias (1987), que forma cineastas indígenas desde meados dos anos 1980, percebe diferenças fundamentais na produção de cinema entre indígenas e não indígenas.
“Esse acesso com intimidade, com a língua, com o conhecimento e convivência da cultura é outra coisa. Isso, em termos de conteúdo, de sensibilidade, tanto de quem filma quanto de quem é filmado, é um grande diferencial”, avalia.
“Eu sempre tentei fugir dessa ideia de cinema etnográfico para refletir as questões indígenas”.
Relações simétricas
Ao longo dos últimos anos, a colaboração entre indígenas e não indígenas tem sido uma constante no cinema sobre povos tradicionais, mas esse processo ainda ocorre em meio a tensões.
“Quando você vai nas aldeias, todos eles dizem que já tiveram experiências negativas com imprensa, com pesquisadores, com televisão, e com cineastas, né. Todos os agentes. Porque aí ocorre essa falta de simetria no relacionamento”, aponta Vincent Carelli. “Isso é algo que ainda acontece, mas esses jovens indígenas do cinema estão tendo uma atitude mais contundente contra isso atualmente, se colocando como diretores, assinando as obras”, acrescenta.
“Eu vejo muitos não indígenas se colocando acima dos indígenas, excluindo dos festivais mais importantes. Eu, por exemplo, participei do Festival de Gramado, em 2011. Eu ganhei lá um Kikito [premiação], mas, depois disso, nunca ouvi falar indígena participando. Então, ainda é uma coisa meio isolada, esse reconhecimento”, aponta Takumã Kuikuro.
“A gente enfrenta ainda um certo preconceito para ocupar esse espaço”, afirma Kléber Xukuru, cineasta e comunicador indígena, diretor da Ororubá Filmes. “Mas é bom lembrar que os povos indígenas do Brasil são resistentes e insistentes. E o audiovisual é uma ferramenta que hoje a gente tem visto também como uma porta de luta”, destaca.
Olhar indígena
No filme Minha Terra Estrangeira, essa questão aparece dentro e fora da tela. O longa, que estreou com grande sucesso no festival É Tudo Verdade, em abril, foi o principal filme convidado do Fica este ano, e contou com três exibições em salas de cinema da antiga capital goiana. Trata-se de uma colaboração entre o coletivo Lakapoy, formado por indígenas, Louise Botkay, que foi formada pelo projeto Vídeo nas Aldeias, e João Moreira Salles.
O filme acompanha o cacique Almir Suruí, líder indígena candidato a deputado federal por Rondônia, e sua filha, a Txai Suruí, jovem ativista ambiental, durante 40 dias que antecederam as eleições de 2022. A trajetória de Txai no filme foi acompanhada por Salles. O resultado são dois olhares simultâneos, complementares e distintos, sobre as jornadas de pai e filha.
Uma cena do filme debate exatamente esse ponto, quando num diálogo entre Txai e João Moreira Salles, o diretor se questiona e a questiona sobre o olhar de um homem branco (no caso, ele próprio) para a ativista indígena, focado apenas na militância por direitos territoriais. Nesse momento, ela comenta que um diretor indígena poderia ter optado por ir além de filmar a ativista em ação, mas acompanhar outras dimensões da vida dela, como sua relação com a floresta e com o amor.
Uma das novidades desta edição do Fica é a criação do Fórum Indígena e de Povos Tradicionais, com o objetivo de amplificar os saberes e conhecimentos dos povos dos territórios e fortalecer a produção audiovisual feita por pessoas que fazem parte dessas comunidades. Além deste fórum, o festival conta, ainda, com os fóruns de Cinema e Meio Ambiente, criados em edições anteriores.
Uma das mostras competitivas é exclusivamente dedicada a exibir e premiar obras de realizadores indígenas e de povos e comunidades tradicionais. “É uma janela específica para esses realizadores, sem prejuízo de que eles estejam nas outras mostras também, como sempre estiveram e continuarão estando”, afirma o diretor de programação do festival, Pedro Novaes.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Pedro Rafael Vilela (enviado especial a convite da organização do 26º Fica)
Rondônia possui 48 mil hectares e produção superior a 2,8 milhões de sacas de café robusta. Foto: Enrique Alves
Rondônia vive um momento histórico com a explosão nas exportações de café, que saltaram de US$ 66,8 mil em 2019, para expressivos US$ 130,9 milhões em 2024.
O crescimento é resultado de uma combinação estratégica de fatores, como a elevação do consumo mundial da bebida e o fortalecimento da política agrícola estadual voltada à cafeicultura. Hoje, Rondônia é o maior produtor de café da Região Norte e o 5º do Brasil, com mais de 48 mil hectares cultivados e produção superior a 2,8 milhões de sacas de café robusta.
O estado se preparou ao longo dos últimos anos para alcançar esse patamar. A implementação de programas com distribuição de mudas, o Plante Mais, e o Concurso de Qualidade e Produtividade do Café (Concafé), por meio de políticas públicas da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) e Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO), e a determinação dos produtores foram fundamentais para incentivar a modernização da produção e elevar a qualidade dos grãos. O resultado é uma cafeicultura sustentável, com destaque nacional e cada vez mais valorizada no exterior.
Em agosto de 2024, o preço da saca de café ultrapassou marcas históricas, impulsionado pelo aumento do consumo no mundo todo e pela redução da oferta devido à crise hídrica em outras regiões produtoras. Com isso, Rondônia passou a competir em igualdade de condições com grandes mercados, conseguindo parear os preços da saca com os principais estados exportadores do país. O secretário de Agricultura, Luiz Paulo, destacou que, “esse salto é fruto de um trabalho consistente, que vai desde o suporte técnico ao produtor até o fortalecimento da imagem do nosso café lá fora.”
Além dos investimentos na produção, a qualidade dos cafés robustas e a construção de uma política estadual focada nos grãos foi decisiva para consolidar Rondônia no mapa global do café. A realização da 1ª Feira Robustas Amazônicos ajudou a projetar os cafés robusta de Rondônia como produtos especiais, sustentáveis e de altíssima qualidade. Atualmente, o estado exporta para mercados exigentes como Vietnã, Alemanha, Bélgica, Itália, Estados Unidos, e Índia, entre outros.
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, celebrou os resultados, reforçando o papel da política pública na transformação do setor. “Com a criação de uma política agrícola consistente, com fomento à produção e incentivo à modernização, tivemos estrutura para alcançar essa qualidade e essa competitividade. Hoje, Rondônia colhe os frutos de um trabalho visionário que valoriza o produtor e o meio ambiente”, enfatizou.
Com mais de 17 mil famílias envolvidas na atividade, a cafeicultura se consolida como uma das principais forças da economia rural de Rondônia. O apoio técnico, o incentivo à inovação e a criação de canais para promover os cafés no exterior contribuíram para que o estado atingisse esse nível de excelência e rentabilidade.
Diante de um mercado internacional cada vez mais exigente e consciente, Rondônia mostra que está preparada. Os investimentos e políticas bem estruturadas permitiram que o estado se destaque como fornecedor de grãos especiais e sustentáveis, capazes de competir de igual para igual com os melhores cafés do mundo.
Palmas, no Tocantins. Foto: Adilvan Nogueira/Governo do Tocantins
O Mato Grosso e o Tocantins ganharam destaque na comparação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo dos últimos 20 anos. Conforme análise dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2003 a 2022 (último ano disponível), o dois estados dividem a primeira colocação dos que mais cresceram no Brasil.
De acordo com o Governo do Tocantins, a série histórica, com base no Sistema de Contas Nacionais do IBGE, aponta que o estado teve crescimento médio anual de 4,8%, mais que o dobro da média nacional (assim como o Mato Grosso), que foi de 2,1%.
Na agropecuária, o Tocantins chegou a crescer mais que o Mato Grosso. Enquanto o estado tocantinense avançou, em 20 anos, uma média de 8,8% ao ano, o mato-grossense teve um crescimento médio de 7,5% ao ano. No setor industrial, o Tocantins alcançou a média de crescimento de 4,6% ao ano; e no de serviços, atingiu a média de 3,3% ao ano.
Entre as unidades federativas, tanto o Tocantins quanto o Mato Grosso apresentaram o maior crescimento médio anual do país, com 4,8%. O estado de Roraima, com média de 4,5%, aparece em seguida e, depois, o Piauí com 3,7%.
“Analisar os dados consolidados do PIB do Tocantins ao longo dos últimos 20 anos permite compreender o que já funcionou e apontar caminhos viáveis para o crescimento sustentável. O cálculo do PIB trimestral do Tocantins, implantado na gestão do governador Wanderlei Barbosa, representa um avanço importante e oferece uma ferramenta estratégica para tornar o planejamento público ainda mais eficiente, contribuindo com o Tocantins que queremos para o futuro da nossa população”, pontua o titular da Secretaria de Estado do Planejamento e Orçamento (Seplan), Sergislei de Moura, ao acrescentar que a equipe econômica do Governo do Tocantins está atenta aos indicadores que impactam diretamente o desenvolvimento regional.