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Ranking do saneamento 2025: Brasil, pobre país rico

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Foto: Reprodução/Instituto Trata Brasil

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a GO Associados, publica a 17ª edição do Ranking do Saneamento com o foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil. Para produzir o ranqueamento foram levados em consideração os indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2023, publicado pelo Ministério das Cidades, além de uma ponderação de pesos na evolução dos indicadores estabelecida em metodologia criada em parceria com a consultoria GO Associados. Desde 2009, o ITB monitora os indicadores dos maiores municípios brasileiros com base na população, com o objetivo de revelar um problema histórico vivido no país. A falta de acesso à água potável impacta 16,9% dos brasileiros e 44,8% não possuem coleta de esgoto, refletindo em problemas na saúde, produtividade no trabalho, valorização imobiliária, turismo e na qualidade de vida da população, fatores adversos ao processo de desenvolvimento brasileiro.

Compõe-se o ranking da análise em três “dimensões” distintas do saneamento básico de cada município: “Nível de Atendimento”, “Melhoria do Atendimento” e “Nível de Eficiência”. Nesta edição, Campinas (SP) foi a primeira colocada, seguida por Limeira (SP) e Niterói (RJ). O ITB esclarece um ponto importante a ser observado: a verificação de aparente queda nos resultados gerais de saneamento reportados pelo SINISA de 2025, a partir dos dados do ano de 2023, quando comparados aos dados do SNIS de 2024 (ano-base 2022). No entanto, essa percepção pode ser explicada pela atualização metodológica em razão da publicação do Censo de 2022. Nos últimos anos, em razão do atraso na coleta e divulgação dos dados do Censo, estimava-se um número maior de pessoas por residência. Com a divulgação dos dados, contudo, descobriu-se que a população residente não aumentou como se projetava anteriormente.

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Saneamento: Campinas e Limeira (SP), Niterói (RJ), S.J do Rio Preto, Franca (SP), Aparecida de Goiânia e Goiânia (GO); Santos (SP); Uberaba (MG); Foz do Iguaçu (PR); Uberlândia (MG); Jundiaí (SP); Ponta Grossa e Maringá (PR); São Paulo (SP); Montes Claros (MG); Taubaté (SP); Curitiba e Londrina (PR); Praia Grande (SP).

Na outra ponta, os 20 piores no Ranking são: Bauru (SP); Olinda, Recife (PE); Juazeiro do Norte (CE); Maceió (AL); Manaus (AM); S. João do Mereti (RJ); Jaboiatão dos Guararpes (PE); Duque de Caxias (RJ); São Luís (MA); Várzea Grande (MT); Ananindeua (PA); São Gonçalo (RJ); Belém (PA); Belford Roxo (RJ); Rio Branco (AC); Macapá (AP); Porto Velho (RO); Santana (AP).

À exceção de Boa Vista (RR), todas as capitais da Amazônia encontram-se entre os piores municípios no Ranking do Saneamento 2025 do Instituto Trata Brasil. O dado é contundente. Aponta, sobretudo, o fracasso dos planos de desenvolvimento e a consequente negligência com que é tratada a região pelo poder público, particularmente desde a redemocratização de 1985. De fato, a região demanda respostas, soluções pragmáticas, não recorrentes maus agouros de pitonisas prognosticando a desertificação de seu ecossistema. Todavia, tendo a inimiga número 1 da Amazônia, Marina da Silva, ministra do MMA à frente, Brasília insiste em festejar planos de desmatamento zero não considerando as necessidades de melhoria das condições de vida de cerca de 30 milhões de cidadãos que vivem, trabalham e defendem o Setentrião Brasileiro.

Políticas ineficazes e contraditórias em relação ao equacionamento dos problemas sociais e econômicos que historicamente se abatem sobre a região. Desvios cristalizados, particularmente sobre regularização fundiária, implantação e operacionalização do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), manejo florestal e tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e institutos locais de pesquisa destinadas à exploração sustentável do bioma, sem as quais não se preserva nem desenvolve a região.

    Sobre o autor

    Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

    *O conteúdo é de responsabilidade do colunista

    Conheça 6 hotéis fazenda para visitar – e relaxar – em Rondônia

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    Foto: Reprodução/Prefeitura de São José do Barreiro

    Os hotéis fazenda em Rondônia oferecem experiências diversificadas, que vão desde o turismo de aventura e atividades ao ar livre até o descanso em ambientes tranquilos e acolhedores. 

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    Entre trilhas, rios, fauna amazônica e paisagens deslumbrantes, os hotéis fazenda do estado oferecem estadias para famílias, casais e viajantes que desejam turismo rural, contato com a natureza e ecoturismo com tranquilidade e aventura, sem abrir mão do conforto.

    Leia também: Confira locais com “piscina infinita” na Amazônia

    O Portal Amazônia encontrou seis hotéis fazenda em Rondônia para você conhecer: 

    Salsalito Jungle Park

    O hotel fazenda Salsalito Jungle Park fica localizado na BR-364, em Candeias do Jamari, a aproximadamente 50 km de Porto Velho. O hotel possui área verde preservada, trilhas ecológicas, passeios a cavalo e contato com a fauna e a flora nativas.

    Instalado em uma área de floresta amazônica, o Salsalito Jungle Park é voltado ao turismo de natureza e ao lazer sustentável, já que oferece trilhas autoguiadas e monitoradas, passeios a cavalo, tirolesa, caiaque, stand-up paddle, banana boat banho em uma lagoa verde e visita a uma cachoeira. Além disso, o hotel também oferece espaços para piqueniques e descanso. 

    A estrutura do hotel é composta por chalés e áreas de camping, para quem deseja passar o dia ou pernoitar em meio à natureza.

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    Foto: Reprodução/ Facebook-Salsalito Jungle Park

    Leia também: Conheça 5 Parques Nacionais encontrados na região Norte

    Graúna Resort Hotel

    Localizado próximo ao Parque Chico Mendes, o Graúna Resort Hotel oferece aos hóspedes ambientes tranquilos, proximidade com áreas de preservação, conforto para descanso.

    Com uma estrutura mais reservada e focada no bem-estar, o Graúna Resort é uma opção para quem quer descansar em um ambiente cercado por verde, com infraestrutura básica e acolhedora.

    Além disso, a localização próxima ao Parque Chico Mendes oferece oportunidades para caminhadas e observação da natureza

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    Foto: Reprodução/Graúna Resort Hotel

    Fazenda Três Capelas

    A fazenda Três Capelas, localizada no Km 673 da BR 364, em Candeias do Jamari, oferece aos hóspedes vivências rurais, interação com animais, gastronomia regional e cultivo de alimentos orgânicos.

    A Fazenda aposta na imersão na rotina rural, já que os hóspedes podem participar de atividades como ordenha e alimentação de animais e cultivo na horta. A proposta do hotel é de um turismo que valoriza a tradição do campo e a culinária caseira. 

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    Foto: Reprodução/Tripadvisor

    Leia também: 6 parques nacionais na Amazônia que são fontes de pesquisa e ecoturismo

    Pau D’Alho Hotel Fazenda 

    O Pau D’Alho Hotel Fazenda fica localizado na Linha Santiago em Presidente Médici, e possui estrutura rural, perfil reservado, ambiente ideal para descanso longe da cidade. 

    O hotel é voltado para um público que busca tranquilidade e isolamento, e por estar localizado em uma área rural mais afastada, oferece um contato mais direto com o ambiente natural e estilo de vida do campo. 

    Além disso, o hotel possui grande importância histórica já que foi visitado por Dom Pedro I dias antes da independência.

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    Foto: Reprodução/Prefeitura de São José do Barreiro

    Fazenda Minuano

    Localizado na Br 364, no Km 17, entre Ji-Paraná e Presidente Médici, a Fazenda Minuano dispõe de piscinas com toboágua, lago natural, cascata, redário e restaurante climatizado.

    Para quem deseja passar o dia, o Day Use custa R$ 45 (sem almoço) ou R$ 100 (com almoço) mas também há pacotes de hospedagem com pensão completa, com tarifas a partir de R$ 660 (casal), R$ 850 (triplo) e R$ 1.070 (quádruplo) – valores referentes a pesquisa realizada em setembro de 2025.

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    Foto: Reprodução/ Hotel Fazenda Minuano

    Leia também: Hospedagem na floresta: conheça hotéis de selva para se hospedar na Amazônia

    Pakaas Lodge

    Localizado no ramal Olho D’Água, na zona rural de Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia e em frente ao encontro dos Rios Mamoré e Pacaás Novos. O Pakaas Lodge é cercado pela floresta e possui 28 cabanas localizadas a 4 metros de altura do solo, interligadas por passarelas elevadas que proporcionam uma maior interação com a natureza. 

    O Pakaas Lodge oferece restaurante panorâmico para até 300 pessoas, piscina suspensa projetada sobre o encontro das águas dos rios Mamoré e Pacaás Novos, ecobar, recepção, salas de TV e de jogos e passeios de barco.

    O hotel é indicado para quem busca tranquilidade e contato com a natureza. Além disso, o hotel serviu como plano de fundo em vários capítulos da novela Paraíso Tropical da Rede Globo.

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    Foto: Drone Ariquemes

    É possível que a seca do Rio Madeira deste ano supere a de 2024? Pesquisadores respondem

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    Foto: Reprodução/Samyr Otto

    O Rio Madeira está com nível abaixo do esperado para setembro, segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Ainda assim, os especialistas afirmam que a seca deste ano tende a ser menos intensa do que a registrada em 2024, quando o rio chegou ao menor nível já observado: apenas 19 centímetros.

    No dia 9 de setembro de 2025, o nível do Madeira era de 2,74 metros. Um ano antes, na mesma data, o rio estava com apenas 91 centímetros. Os dados são do Sipam Hidro, sistema de monitoramento do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

    Segundo o SGB, apesar dos níveis do Rio Madeira estarem baixos, eles permanecem dentro da normalidade para esta época do ano. As previsões apontam para uma continuidade da descida em setembro, com recuperação a partir de outubro, sem sinais de uma seca severa.

    Leia também: Rio Madeira deve permanecer acima de 2 metros em 2025, indica SGB

    De acordo com o pesquisador em geociências do SGB, Marcos Suassuna, em 2024 o Rio Madeira ficou 141 dias abaixo de 4 metros. Para este ano, a projeção é de apenas 70 dias nessa faixa, o que representa uma melhora significativa. A expectativa é que o nível do rio se mantenha acima de 2 metros durante todo o ano.

    Ainda de acordo com Suassuna, a possibilidade de uma seca mais severa estará relacionada a um eventual atraso no início das chuvas de outubro.

    “Caso isso [o atraso das chuvas] aconteça, a estiagem pode ser mais severa do que o previsto. Ainda assim, as chances de se repetir uma situação extrema como a de 2024 são muito baixas”, explica Marcos.

    Leia também: Seca histórica: o retrato da estiagem no rio Madeira

    A seca extrema do Rio Madeira em 2024 é resultado de uma combinação de fatores climáticos e geográficos. São eles:

    • O Oceano Atlântico Norte estava mais aquecido que o normal, e mais quente que o Atlântico Sul, e seu aquecimento contínuo era motivo de preocupação para os especialistas.
    • O Fenômeno El Niño causou atrasos no início da estação chuvosa e enfraquecimento das chuvas iniciais do período.
    • A estação chuvosa muito pobre resultou em cheias abaixo do normal e, consequentemente, em níveis mais baixos do rio. Porto Velho, por exemplo, ficou quase três meses sem chuva significativa.
    • Cerca de 70% da vazão do Rio Madeira depende de rios localizados na Bolívia e no Peru. Sem chuvas nessas cabeceiras andinas, o Rio Madeira em Rondônia não sente os efeitos das chuvas locais, mesmo que ocorram temporais no estado.

    Para 2025, o cenário climático é mais favorável. O SGB consultou previsões de dez instituições nacionais e internacionais, e nenhuma aponta anomalias negativas de chuva para o próximo trimestre. Também não há indicativos de atraso na estação chuvosa. A previsão é de condições neutras para os fenômenos El Niño e La Niña, o que contribui para uma vazante mais branda.

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    O monitoramento do Rio Madeira continua sendo feito de forma rigorosa. O SGB realiza medições contínuas em todas as estações, emite boletins semanais e extraordinários, e mantém diálogo com órgãos como DNIT, Marinha, Defesa Civil e instituições de saneamento e navegação.

    Mesmo com a previsão mais favorável para este ano, o SGB recomenda que a população ribeirinha e outras pessoas que dependem ou usam o rio continuem acompanhando os boletins oficiais e se preparem para possíveis variações nos níveis do rio.

    Seca histórica do Rio Madeira

    A seca extrema que atingiu o Rio Madeira em 2024 trouxe consigo uma série de efeitos, marcando o período como um dos piores já registrados. Este cenário de estiagem extrema fez com que Porto Velho e outros municípios do estado fossem declarados em situação de emergência.

    seca do rio madeira em 2024
    Foto: Reprodução/Rede Amazônica RO

    Um dos impactos mais diretos e severos foi na navegação e na economia local. Pela primeira vez na história, o Porto de Cargas de Porto Velho, crucial para o escoamento de produtos como soja e biocombustíveis, foi paralisado em 23 de setembro devido à inviabilidade para grandes embarcações.

    A Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) chegou a declarar “situação crítica” de escassez hídrica e admitiu a possibilidade de paralisação da hidrelétrica de Santo Antônio, que opera no formato “fio d’água” e depende do fluxo constante do rio.

    As comunidades ribeirinhas foram as mais afetadas pela seca histórica. Em Terra Firme, por exemplo, comunidade às margens do Madeira, moradores precisavam caminhar por quase 30 minutos sobre bancos de areia para chegar ao rio e dependiam de bombas de drenagem, cujas mangueiras já não alcançavam a água devido à grande distância.

    Além disso, a seca teve efeitos ecológicos e na geração de energia. Espécies de peixes da Amazônia, como o pirarucu e o surubim, foram encontradas mortas em lagos e córregos que secaram na comunidade Maravilha.

    *Por Raíssa Fontes, da Rede Amazônica RO

    Três episódios pouco contados sobre a história do Território Federal do Amapá

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    Fortaleza de São José de Macapá, durante o Território Federal do Amapá. Foto: Reprodução/IBGE Cidades

    O Amapá foi Território Federal entre 13 de setembro de 1943 e 5 de outubro de 1988 e celebrou 82 anos de criação no dia 13 de setembro. O Grupo Rede Amazônica, em comemoração, separou fatos históricos, imagens e curiosidades pouco conhecidas do período.

    Durante os 45 anos, o ex-Território passou por transformações políticas e sociais marcantes, como a criação estratégica durante a 2ª guerra e a exploração mineral do manganês.

    Apesar dos fatos conhecidos, a história conta com curiosidades pouco comentadas, que vão desde a mudança da capital até o momento em que o regime militar passou a reprimir lideranças religiosas.

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    Mercado no Território Federal do Amapá
    Mercado foi inaugurado por Janary Nunes, nos 10 anos do Território Federal do Amapá. Foto: Edgar Rodrigues/Acervo pessoal

    Criação do ex-Território Federal do Amapá

    Instituído em 1943, durante a 2ª Guerra Mundial, o território foi concebido por decreto de Getúlio Vargas como parte de uma política geopolítica para proteger a Amazônia e as riquezas minerais. O capitão Janary Gentil Nunes foi nomeado o primeiro governador.

    O Amapá passou por transformações desde a descoberta de jazidas de manganês em Serra do Navio, em 1945, atraiu investimentos estrangeiros e consolidou a presença da empresa americana Icomi, que influenciou o estilo de vida local com infraestrutura urbana planejada e traços culturais importados.

    Paralelamente, o território enfrentou disputas diplomáticas e desafios sociais, como a falta de autonomia legislativa e a nomeação de governadores pela presidência da República.

    Museu Histórico do Amapá Joaquim Caetano da Silva é reaberto em Macapá – pedra de manganês extraída no Amapá; ao fundo, Janary Nunes, primeiro governador do Território Federal do Amapá — Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

    A transformação em estado, com a promulgação da Constituição de 1988, encerrou o ciclo territorial e inaugurou uma nova era de protagonismo político e desenvolvimento social para o Amapá.

    Mudança da capital

    Inicialmente, o município de Amapá foi escolhido como capital do território, conforme o decreto-lei nº 5.839, de 21 de setembro de 1943 , apenas oito dias após a criação oficial. Na época, o ex-Território Federal do Amapá foi formado por três municípios: Macapá, Mazagão e Amapá.

    Leia também: Amapá no Amapá: conheça a história do município homônimo ao Estado

    Apesar da escolha oficial, a capital nunca chegou a funcionar na cidade de Amapá. Quando Janary Nunes assumiu o governo do território, em 25 de janeiro de 1944, solicitou ao governo federal a mudança para Macapá.

    O historiador amapaense Bruno Machado, explicou sobre os episódios pouco conhecidos da história local. Segundo Bruno, a troca foi motivada por questões logísticas e estratégicas. A mudança foi oficializada pelo decreto-lei nº 6.550, de 31 de maio de 1944.

    “Macapá tinha melhor acesso fluvial, porto mais estruturado, proximidade com Belém e terra firme para urbanização. Além disso, a Fortaleza de São José poderia ser aproveitada como ponto turístico”, explica.

    Bruno também destaca que Macapá era, historicamente, mais relevante e tinha maior potencial de desenvolvimento econômico.

    Fortaleza de São José de Macapá, que abrigou a guarda territorial do Amapá. Foto: Divulgação/IBGE

    A igreja católica

    Outro ponto pouco abordado na história do território é a atuação da Igreja Católica durante os anos da ditadura militar. Bruno Machado lembra que, enquanto o Brasil vivia o regime autoritário, o Amapá ainda era território federal.

    “O imaginário coletivo associa o território apenas à sua criação e ao governo de Janary, mas ele existiu durante toda a ditadura, de 1964 a 1985”, disse.

    Durante esse período, padres católicos – especialmente os italianos – foram vigiados pelos órgãos de repressão. Eles foram acusados pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) de promover reuniões com estudantes e de ter tendências progressistas.

    “Alguns padres foram considerados pela ditadura, aqui no Amapá, como subversivos, como progressistas. […] Porque eles mobilizavam, faziam reunião com os estudantes, com professores, davam aquela formação a partir da fé, que envolvia também análise de conjuntura política, social, econômica”, complementou.

    Entre os religiosos monitorados estavam o padre Jorge Basile e o padre Gaetano (ou Caetano) Maiello. Ambos italianos e atuantes na Prelazia de Macapá, pois em 1971 ainda não era Diocese.

    “Não é que eles eram contrários ou a favor que a ditadura caísse, mas algumas ações, alguns discursos deles, ainda que de forma sutil, não eram vistos de forma positiva. Porque uma ditadura, e aqui no território federal do Amapá não foi diferente, tinha medo de qualquer associação civil”, completou.

    Padres Jorge Basile e o padre Gaetano (ou Caetano) Maiello. Foto: Reprodução/Porta-Retrato

    A repressão também atingiu instituições ligadas à Igreja, como a Rádio Educadora São José e o jornal Voz Católica.

    “Um ou outro ali fazia alguma crítica às questões da sociedade, à vida aqui no território federal do Amapá, sobretudo de Macapá, e que era vigiado pelos militares e não era bem visto.”

    Bruno cita um documento confidencial de 1971 que mostra como os padres eram espionados. Para Bruno, essas ações mostram que havia uma resistência possível, mesmo em tempos de repressão.

    “O padre Jorge Basile foi acusado pelo SNI de ser agitador estudantil […] Eles faziam toda uma investigação sobre determinadas pessoas […] Simplesmente reunir pessoas e ali fazer uma espécie de associação da fé à conscientização dos seus direitos. Então esses padres foram duramente vigiados, espionados pela ditadura”, finalizou.

    Documento confidencial da época. Foto: Divulgação/Bruno Machado

    *Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

    Crescimento de casos de Febre Amarela no Brasil preocupa pesquisadores: eles temem que doença volte a ser transmitida pelo Aedes aegypti

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    Mosquito do gênero Sabethes, um dos vetores da febre amarela no Brasil. Foto: Rodrigo Conte

    No dia 2 de junho, Jundiaí (SP) confirmou a primeira morte por febre amarela no município. A fatalidade ocorreu sete anos após a cidade passar sem nenhum registro da doença. Segundo a prefeitura, o paciente, de 41 anos, não tinha histórico de vacinação contra a doença.

    O ocorrido se deu em meio a alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) sobre o risco elevado de febre amarela para a saúde pública na região das Américas. Nos primeiros cinco meses de 2025, o número de casos aumentou cerca de quatro vezes em comparação ao ano passado.

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    Nesse cenário, o Brasil está à frente: tanto no número de ocorrências, quanto no número de mortes causadas pela doença. Dados publicados em 10 de junho no Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, apontam para 115 casos confirmados, incluindo 45 óbitos, sendo que apenas um dos casos apresentou antecedente de vacinação contra febre amarela.

    Entre as principais preocupações do órgão internacional está a baixa cobertura vacinal. Segundo o Ministério da Saúde, em 2023, cerca de 70% da população estava vacinada contra a febre amarela. A recomendação para controle da doença é que a cobertura vacinal atinja pelo menos 95% das pessoas em áreas de risco.

    Em relação à meta alcançada por município, dados da plataforma VacinaBR, lançada pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) e pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), apontam que, em 2023, apenas 25% dos municípios brasileiros atingiram a meta de cobertura contra a enfermidade. Apesar da marca ainda ser baixa, ela representa um aumento de quase 10% em relação à 2022.

    Outro fator de preocupação apontado pela OPAS é o fato de os novos surtos estarem ocorrendo em regiões mais urbanizadas. Em 2024, a maior parte dos registros de febre amarela ocorreram ao longo da região amazônica. Em contrapartida, neste ano os casos estão concentrados, principalmente, no estado de São Paulo e no departamento de Tolima, na Colômbia, também fora da área amazônica.

    “O problema da chegada do vírus a regiões superpopulosas é que sua transmissão se acelera. Ele se depara com um cenário ideal: os mosquitos, que servem como vetores, áreas de mata, macacos e pessoas não vacinadas”, diz o médico virologista Maurício Nogueira Lacerda, docente da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP).

    Nogueira participou de um estudo publicado em abril deste ano na revista científica Emerging Infectious Diseases. Entre maio de 2021 e junho de 2022, os pesquisadores coletaram 687 amostras de mosquitos do gênero Haemagogus na Reserva Florestal Adolpho Ducke, localizada na divisa de Manaus (AM).

    A partir desse levantamento, foi estimado que cerca de cinco mosquitos a cada mil estavam infectados. Todos os mosquitos com presença do vírus da febre amarela foram encontrados próximos a Manaus, a apenas 500 metros do limite da mata, o que reforça a ideia de que as zonas de transição entre floresta e cidade concentram o maior risco de transmissão.

    “A detecção do YFV em florestas tropicais próximas a áreas rurais e periurbanas é preocupante do ponto de vista da saúde pública devido à convivência de humanos, vida silvestre e mosquitos dessas regiões, o que cria um potencial para o transbordamento do vírus. O risco de reurbanização da febre amarela continua sendo uma preocupação importante, dado o amplo espalhamento do mosquito Aedes aegypti em toda a América do Sul”, afirmam os pesquisadores.

    Segundo o grupo, a alta cobertura vacinal tem sido fundamental para proteger a população de Manaus e das regiões vizinhas contra novos casos da doença. No entanto, o grupo vê com preocupação a queda nas taxas de vacinação, que leva a um aumento do risco de novos surtos na região.

    casos de Febre Amarela no Brasil

    A combinação entre o aumento de casos, a baixa cobertura vacinal e as ocorrências em áreas urbanas reacendeu temores quanto à possibilidade de que a febre amarela voltar a ser transmitida por mosquitos da espécie  Aedes aegypti, os mesmos vetores da dengue. Caso isso ocorra, as chances são que os casos escalem de maneira muito mais rápida, uma vez que o vetor atual é um mosquito que pica em horários e áreas mais limitadas, o que permite um maior controle da doença.

    “A maior preocupação é a possibilidade de que o vírus se adapte para o Aedes aegypti, que era o vetor histórico da febre amarela, mas que não transmite a doença no Brasil desde 1942”, destaca Nogueira, que também foi Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia entre 2017 e 2019. O pesquisador afirma que, caso isso ocorra, o país poderá enfrentar epidemias de febre amarela ainda mais graves do que as registradas em 2016 e 2017, consideradas os maiores surtos da doença desde 1980.

    Leia também: 1 mosquito e 4 doenças: conheça o Aedes aegypti, o “maldito do Egito”

    Vacinar é a principal ferramenta de prevenção

    Segundo o virologista, uma das características que facilita administrar os surtos de febre amarela é o fato de, no Brasil, ela ser transmitida apenas por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que costumam estar mais presentes nas copas das árvores. Essa característica facilita a contaminação de macacos, mais do que a de humanos, e possibilita às autoridades prever e mapear a ocorrência da doença por meio dos macacos mortos ou doentes.

    “O Brasil tem um programa de vigilância de febre amarela excepcional”, diz Nogueira. “Normalmente, os macacos doentes precedem os casos humanos porque a explosão da circulação dentro da mata é muito maior e, em geral, eles estão mais próximos da área dos mosquitos,” explica.

    Outra característica que auxilia o trabalho de prevenção é a elevada suscetibilidade ao vírus dos macacos das regiões das Américas, que se reflete em mortes mais velozes e contribui para chamar a atenção dos técnicos.

    Com base nisso, o Governo Federal conta com um programa de controle de primatas não-humanos que são encontrados mortos ou doentes. Uma das principais ferramentas é o Sistema de Informação em Saúde Silvestre da Fiocruz. Nele, qualquer indivíduo que encontre um macaco morto ou doente consegue registrar a ocorrência, que gera um alerta em tempo real para equipes de vigilância e saúde. Uma vez localizado o primata, são realizadas coletas de material que passarão por uma análise para determinar a doença ou causa de morte.

    Esse mecanismo, além de permitir que governos e sociedade civil reforcem medidas de segurança contra a febre amarela, também viabiliza um mapeamento das ocorrências da doença em território nacional, com o objetivo de identificar áreas de risco e zonas mais vulneráveis. “O problema não é detectar, nós fazemos isso muito bem. Também não é saber aonde ele vai, nós temos isso mapeado. O problema é vacinar a população”, reforça Nogueira.

    Em especial, o desafio é vacinar a população que está mais vulnerável ao contágio, que costumam ser pessoas que moram em regiões rurais, próximas a áreas de mata, e adultos de 16 a 35 anos. “Somos muito bons de vacinar crianças, mas não sabemos vacinar adultos. Fica a pergunta: como chegar nessas pessoas?”, questiona Nogueira.

    A pergunta permanece sem resposta. O virologista destaca que a vacinação segue sendo o principal meio de controle e prevenção de surtos. Neste quesito, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada: além de se tratar de um imunizante barato (em 2020 ele custava apenas R$4,15), somos o maior produtor mundial da vacina.

    A aplicação também é simples: uma única dose é suficiente para conferir imunidade por toda a vida, não sendo necessária dose de reforço. A vacina, que está disponível gratuitamente em postos de saúde do SUS, não é recomendada apenas para gestantes, pessoas com alergia à proteína do ovo, ou pessoas que sofrem de imunodeficiências graves.

    Macacos não são uma ameaça

    É importante reforçar que, embora os macacos sejam afetados pela doença, não são capazes de transmiti-la, e não representam risco epidemiológico para humanos. No entanto, por não possuírem defesas naturais contra o vírus, muitas espécies têm suas populações drasticamente reduzidas durante os surtos. Foi o que aconteceu com os bugios que habitavam a região da Serra da Cantareira, em São Paulo. Entre 2017 e 2018, o Brasil enfrentou seu maior surto da doença, o que resultou na morte de aproximadamente 80% da população de bugios da área.

    A alta vulnerabilidade dos macacos é, também, o que confere à febre amarela seu caráter cíclico: os maiores surtos costumam ocorrer a cada sete ou oito anos. Esse é o tempo necessário para que a população de primatas volte a crescer e repopular as zonas de mata, até alcançar um número de indivíduos suficiente para que o vírus volte a circular entre eles e, eventualmente, “escape” para os humanos por meio do mosquito.

    Essa janela de tempo tem ficado cada vez mais curta uma vez que a doença saiu da região amazônica e alcançou áreas mais populosas, como o estado de São Paulo. “O que acontece agora é que estamos observando pequenas epidemias todos os anos, porque o vírus está caminhando dentro desse ambiente cheio de primatas, cheio de mosquitos Haemagogus e cheio de pessoas não vacinadas. A situação é crítica”, diz Nogueira. Essa, entretanto, não é a primeira vez que o vírus da febre amarela se concentra no estado de São Paulo. No passado, ele era transmitido principalmente por uma outra espécie de mosquito, o Aedes aegypti, célebre por estar associado à transmissão da dengue.

    Febre amarela: uma doença viajante

    A história da disseminação da febre amarela está intimamente relacionada ao passado de colonização, interiorização e urbanização do Brasil. O vírus é de origem africana e, há mais de 500 anos, era transmitido através da picada de mosquitos Aedes aegypti infectados. A enfermidade alcançou terreno americano por meio dos navios que transportavam escravizados para trabalhar no Novo Mundo.

    “Durante o processo de colonização, os navios traziam os mosquitos Aedes e, também, pessoas infectadas que pudessem transmitir a doença. Durante todo o período colonial, o vírus veio para as Américas inúmeras vezes”, relata Nogueira.

    O virologista conta que um marco significativo nessa história ocorreu quando o vírus se adaptou aos mosquitos da região. Desta forma, sua transmissão passou a acontecer tanto por meio do Aedes, de origem africana, quanto pelo Haemagogus e o Sabethes, que são locais. Não se sabe exatamente em qual período da história colonial essa adaptação aconteceu, mas, a partir de então, a febre amarela passou a ser independente do transporte da África e teve início um novo ciclo da doença.

    Dessa adaptação decorreram grandes surtos da doença no Brasil, principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste. Aos poucos, o vírus foi sendo transportado ao interior do país, especialmente a partir do final do século 19, com o ciclo do café. Os imigrantes europeus, que vieram para trabalhar na lavoura cafeeira, eram muito suscetíveis justamente por nunca terem exposição ao vírus. A interiorização e o desmatamento no Brasil naquela época empurraram a febre amarela para a região amazônica. Lá, o ciclo da doença passou a envolver, também, os primatas das Américas. Nesse ponto a doença já estava bem estabelecida, com seus três atores principais: mosquitos, macacos e humanos.

    Desde então, o Brasil, assim como demais países da região das Américas, enfrenta surtos periódicos, que inicialmente ocorriam em intervalos de sete ou oito anos, e tem se tornado mais frequentes nos últimos anos.

    “A situação ficou complicada a partir dos anos 2000, quando a doença voltou a se movimentar e começou a descer, deixando a região amazônica”, diz Nogueira.

    Essa movimentação levou aos primeiros surtos de febre amarela registrados em Minas Gerais, em 2001, em Brasília, em 2008, e na capital paulista, em 2017, com os casos concentrados na região da Serra da Cantareira.

    Encontro perigoso

    Para Nogueira, o principal motivo para preocupação é a possibilidade de que o Aedes aegypti volte a ser um vetor da febre amarela, algo que não corre desde 1942, quando o processo de transmissão passou a envolver apenas os mosquitos Haemagogus e Sabethes. A mudança de mosquitos vetores foi crucial para o controle dos surtos da doença e a diminuição dos números de casos. Ao contrário dos Haemagogus, que preferem as copas das árvores, o Aedes aegypti é um mosquito prefere alturas menores e, justamente por isso, pica mais humanos do que primatas.

    “Será que o vírus perdeu a capacidade de se multiplicar no Aedes aegypti? Não parece”, questiona Nogueira. Ele cita como exemplos dois casos. Em 2007, o Paraguai enfrentou uma epidemia de febre amarela urbana – nomenclatura que identifica a transmissão do vírus pelo mosquito de origem africana. Em 2016, Angola enfrentou uma de suas maiores epidemias de febre amarela urbana, com 884 casos confirmados e 381 óbitos. “Tudo é uma questão de adaptação: quanto mais contato o vírus tiver com o vetor, maiores as chances desse fenômeno acontecer”, diz Nogueira.

    Segundo dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses, desde janeiro de 2025 até o momento, o país já registrou cerca de 1,5 milhão de casos de dengue. Destes, pouco mais de 820 mil, ou 55%, ocorreram no estado de São Paulo. Em relação à febre amarela, o estado já contabiliza 58 casos, mais da metade dos registros do país, o que acende um alerta para um encontro perigoso entre o Aedes aegypti e o vírus da febre amarela.

    Caso o medo de Nogueira se concretize, o virologista vislumbra um cenário com epidemias piores do que as de 2016 e 2017, quando o país registrou o recorde de 777 casos e 281 óbitos. Para evitar esse cenário, o pesquisador reforça que o principal caminho é a vacinação que, a longo prazo, garante a erradicação da enfermidade.

    *O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Malena Stariolo

    O Pará está no The Town 2025: saiba quais artistas representam a Amazônia no festival

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    Gaby Amarantos, Dona Onete e Joelma se apresentam no The Town neste domingo (14). Foto: Divulgação

    O festival The Town 2025 – realizado nos dias 6, 7, 12, 13 e 14 de setembro no Autódromo de Interlagos, em São Paulo – conta com a participação de artistas do Pará nesta edição. As representantes da Amazônia este ano ganharam uma participação de destaque, integrando o line-up oficial em diferentes dias e palcos.

    As presenças incluem cantores consagrados de várias gerações, grupos emergentes e novos talentos. Entre os nomes conhecidos estão Joelma, Dona Onete, Gaby Amarantos e Zaynara.

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    Representatividade nortista no The Town

    Joelma, Dona Onete, Gaby Amarantos e Zaynara foram anunciadas como atrações do The Town para se apresentarem neste domingo, dia 14 de setembro, no Palco The One.

    As artistas se reúnem em uma noite que promete celebrar diferentes gerações musicais do Pará, com estilos variados que vão do brega ao carimbó, passando por música popular paraense contemporânea.

    Palco The town 2025
    Palco The One do The Town em São Paulo. Foto: Divulgação

    Raidol abriu a programação paraense, com uma apresentação ainda no primeiro dia (6 de setembro) no Palco Factory, como convidada da banda The Mönic, representando o pop amazônico e a cena contemporânea do Pará.

    Já a cantora Nirah, conhecida por sua participação no programa ‘Estrelas da Casa’ da TV Globo, participa no The Town 2025 como convidada da emissora, presente no estande da Globo. Essa participação não se dá exatamente como show no palco principal, mas como presença artística em espaço de ativações, o que também configura visibilidade no contexto do festival.

    A presença de artistas paraenses no line-up do The Town 2025 evidencia a inclusão da cultura musical do Pará em festival de dimensão nacional. A confirmação de nomes consagrados como Joelma, Gaby Amarantos e Dona Onete, somada à participação de artistas mais novos ou em espaços alternativos como Raidol e Nirah, mostra uma amplitude de estilos e fases na carreira desses artistas.

    Leia também: PSICA: há mais de uma década festival celebra multicultura amazônica

    Ritmos paraenses

    Joelma é conhecida por representar o brega e gêneros populares do Pará e tem carreira que ultrapassa três décadas, o que coloca sua apresentação como uma estreia no The Town ao lado de colegas de longa trajetória.

    Dona Onete é referência no carimbó e em tradições culturais amazônicas, enquanto Gaby Amarantos ganhou projeção nacional trazendo elementos do tecnobrega, pop e ritmos regionais.

    Zaynara também faz parte do cenário atual, contribuindo com sua sonoridade e repertório para representar a nova geração da música paraense.

    Lambateria Baile Show figura como grupo com estilo voltado para baile e gêneros populares, integrando o contexto mais festivo e de carnaval de subculturas urbanas.

    Já Raidol representa um caminho mais recente do pop amazônico contemporâneo, aparecendo como convidada em dia de festival.

    A jovem Nirah também entra com participação em espaço de ativações, o que permite visibilidade diferente, entre cenários musicais e de entretenimento.

    Plano para transformar área em que vivia o ‘Índio do Buraco’ em parque nacional é aprovada pelo STF

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    Foto: Reprodução/Funai

    Com o objetivo de preservar a memória do ‘Índio do Buraco‘ e de seu povo, considerado extinto, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, no dia 11 de setembro, o Plano de Trabalho para a criação do Parque Nacional Tanaru, em Rondônia.

    O indígena, último integrante da etnia, viveu sozinho e em completo isolamento por quase 30 anos, até sua morte em 2022. Leia a íntegra da decisão.

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    A etnia do ‘Índio do Buraco’ nunca foi identificada, assim como a língua que falava. Ele recebeu esse apelido por escavar grandes buracos, do tamanho de uma pessoa, nas palhoças que construía. Também passou a ser chamado de “Tanaru”, em referência à Terra Indígena Tanaru, localizada no sul de Rondônia, onde viveu.

    Depois da morte do indígena, surgiu a preocupação: o que fazer com a terra dele e como manter viva a memória desse povo, já que não há mais ninguém?

    A TI possui cerca de 8 mil hectares e se espalha por quatro municípios de Rondônia: 

    • Chupinguaia, 
    • Corumbiara, 
    • Parecis 
    • e Pimenteiras do Oeste.

    A Funai mantém a região protegida por portarias de restrição de uso que têm validade até este ano. Em sua decisão, Fachin autorizou a prorrogação da proteção “até a total conclusão do cronograma de criação do Parque Nacional Tanaru”.

    Entidades e órgãos governamentais, como Ministério dos Povos Indígenas, o ICMBio, o Ministério dos Direitos Humanos e Iphan, debateram estratégias e concluíram que a criação de um Parque Nacional seria a melhor solução para a destinação da área.

    Uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental foi requerida pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil (APIB) no STF. Ela é uma ferramenta jurídica usada para garantir direitos essenciais que sustentam o ordenamento jurídico brasileiro, como o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à dignidade humana.

    O Ministro Fachin homologou o plano por considerar que ele “guarda consonância com o dever-garantia fundamental de proteção da organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, insculpida no art. 231 da Constituição da República de 1988, bem como tutela o patrimônio ambiental, cultural e arqueológico” do povo Tanaru.

    O parque criado a partir da decisão deve ser uma unidade de conservação de proteção integral. O relator, Edson Fachin, classificou a criação da área como um instrumento de reparação da violência histórica sofrida pelos povos originários, especialmente pela comunidade Tanaru.

    O Plano de Trabalho foi elaborado em parceria com a APIB e outros órgãos federais, e prevê etapas detalhadas para a criação do Parque Nacional.

    A União deve “informar, semestralmente e de modo minucioso, o cumprimento de cada uma das etapas do projeto”.

    Disputas pela área

    Em novembro de 2022, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, de forma cautelar, a preservação da Terra Indígena (TI) Tanaru, a área onde vivia o único indígena. Na decisão monocrática, Fachin ordenou que a Funai informasse qual destinação deveria ser dada ao território.

    Em dezembro de 2022, o Ministério Público Federal (MPF) orientou fazendeiros a não invadirem a área como forma de proteção, após identificarem pessoas transitando na TI. Na época, as notificações entregues aos fazendeiros alertaram que os invasores poderiam responder por crimes, como dano qualificado.

    Terra Indígena Tanaru em Rondônia. Foto: Reprodução/ISA

    Quatro meses após a morte do indígena, o MPF voltou a recorrer à Justiça contra a União e a Funai, buscando obrigar os órgãos federais a transformar o território onde Tanaru viveu em uma área pública de proteção socioambiental.

    Em janeiro de 2023, câmeras escondidas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) registraram fazendeiros invadindo a palhoça onde o “Índio do Buraco” vivia, momentos após o sepultamento do indígena, que demorou cerca de três meses para acontecer.

    Quem era o ‘Índio do Buraco’?

    índio do buraco, em rondônia
    Registro raro do “Índio do buraco”. Foto: Divulgação/Funai

    Em junho de 1996, o “Índio do Buraco”, também conhecido como Tanaru, foi visto pela primeira vez por homens brancos em Rondônia. Vinte e seis anos depois daquele “contato”, o indígena foi encontrado morto em seu território, em agosto de 2022.

    Saiba mais: Relembre a história do “índio do buraco”, símbolo da resistência dos indígenas isolados

    O homem, conhecido por viver sozinho e isolado na densa floresta Amazônica, morreu como o último homem de seu povo, sem que sua etnia e sua língua fossem descobertas. O indígena resistiu ao contato com o homem branco até sua morte.

    O ‘Índio do Buraco’, apesar de ter vivido isolado por mais de 30 anos, nem sempre esteve só. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai) os últimos membros do seu povo foram mortos em 1995.

    O indígena era conhecido como “Índio do Buraco” porque fazia escavações em suas palhoças. Ninguém chegou a descobrir o motivo e real utilidade delas.

    Pesquisa avalia espécies de cândida na rede de esgoto hospitalar em Manaus

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    Foto: Patrícia dos Santos Souza/Acervo pessoal

    Realizar a vigilância epidemiológica das espécies de cândida em efluentes clínicos (rede de esgoto hospitalar) e avaliar a carga fúngica em um hospital de Manaus (AM) foram os principais objetivos de uma pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), realizada no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic).

    A pesquisa conquistou o 1º lugar na 10ª Jornada Científica da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). Intitulada ‘Vigilância Epidemiológica de espécie de cândida em efluentes clínicos: avaliação da carga fúngica em um hospital da cidade de Manaus’, a pesquisa foi desenvolvida pela estudante Patrícia dos Santos Souza, graduanda do curso de Farmácia, sob orientação do doutor em Biodiversidade e Biotecnologia e pesquisador Walter Oliva Pinto Filho, e coorientação da biomédica e mestre em ciências farmacêuticas, Vanessa de Sá Pinheiro, ambos da FVS-RCP.

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    Segundo a pesquisadora a proposta foi compreender como esses microrganismos circulam nesse ambiente e identificar possíveis riscos relacionados à resistência antifúngica. O estudo tem contribuição social relevante, pois ajuda a compreender como a cândida circula em ambientes hospitalares e em efluentes, o que poderá auxiliar na prevenção de surtos, no controle de infecções e até orientar políticas públicas relacionadas ao manejo e tratamento desses resíduos, além do que os resultados podem impactar diretamente no controle de infecções hospitalares e na qualidade de vida da população.

    Coleta e análise da pesquisa

    Durante a pesquisa, foram coletadas amostras no esgoto do hospital, seguido do isolamento e identificação das leveduras com equipamentos de rotina em microbiologia, como microscópio, pipetas, autoclave, estufas de incubação e meios de cultura, que possibilitaram o isolamento e a manutenção das amostras.

    Para a caracterização das espécies de cândida, foram aplicados o microcultivo, que permite observar as estruturas do fungo, e o auxonograma, utilizado para avaliar a assimilação de diferentes açúcares.

    Os resultados foram analisados quanto à frequência das espécies de cândida e à carga fúngica presente nos diferentes pontos de coleta e revelaram elevada carga fúngica no efluente bruto, com predominância de Cândida albicans, seguida por espécies não albicans, como C. tropicalis e C. parapsilosis.

    pesquisa cândida esgoto hospitalar manaus
    Foto: Patrícia dos Santos Souza/Acervo pessoal

    Leia também: Região Norte ainda vive cenário crítico de saneamento básico, aponta levantamento do Trata Brasil

    Cepas resistentes em ambientes hospitalares

    A pesquisadora destaca que algumas espécies de cândida são reconhecidas pela resistência antifúngica em ambiente hospitalar. Os efluentes podem funcionar como rota de disseminação dessas cepas para o meio externo, representando risco para a saúde pública.

    “Já foram observados indícios de resistência a determinados antifúngicos utilizados na prática clínica, o que reforça a necessidade de monitoramento constante”, disse Patrícia dos Santos.

    Esses microrganismos podem chegar ao meio ambiente, atingir a comunidade e até retornar ao ambiente hospitalar, perpetuando um ciclo de contaminação.

    “Ao revelar a presença de cândida resistente nos efluentes, a pesquisa fornece dados que podem subsidiar melhorias no tratamento de resíduos hospitalares e auxiliar na elaboração de medidas preventivas para a cidade”, explica a pesquisadora.

    A longo prazo, a expectativa é de que a pesquisa abra espaço para outros estudos na área, contribuindo para a criação de protocolos de monitoramento e fortaleça medidas de controle mais eficazes contra a resistência antifúngica.

    *Com informações da Fapeam

    Expofeira 2025 projeta o Amapá como vitrine para investimentos

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    Foto: Divulgação

    Por Olímpio Guarany

    A 54ª Expofeira do Amapá mostrou, com números robustos, que o evento deixou de ser apenas festa e tradição para se consolidar como plataforma de negócios e vitrine das potencialidades do estado. Em nove dias, foram movimentados mais de R$ 1 bilhão, um resultado que projeta o Amapá como destino competitivo para investimentos em diferentes frentes.

    Os destaques incluem a negociação da Mina Tucano (R$ 582 milhões), os contratos com o Banco da Amazônia (R$ 139 milhões) e o Plano Safra (R$ 139,5 milhões), além da presença inédita do setor de petróleo e gás, que atraiu executivos da Petrobras e de outras empresas. O agronegócio, a mineração, o turismo, a gastronomia e o entretenimento conviveram em um ambiente de oportunidades, apoiado por 587 empresas expositoras e um público rotativo de 2,6 milhões de pessoas.

    Mas o sucesso da Expofeira não se explica apenas por seu formato moderno. Ele é resultado de um estado que vem fazendo o dever de casa. Nos últimos anos, o Amapá avançou em políticas estruturantes: aprovou o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), implementou a governança das águas, consolidando o plano de utilização dos recursos hídricos e investiu em infraestrutura e segurança — o evento registrou zero ocorrências graves em todo o período.

    expofeira do amapá
    Foto: Divulgação

    Esse esforço já se reflete no mercado de trabalho: proporcionalmente, o Amapá foi o estado que mais gerou empregos nos últimos dois anos no Brasil, evidenciando que há ambiente favorável para negócios e geração de renda.

    Outro ponto relevante é a abertura para o mundo. A edição de 2025 reuniu mais de 100 empresários nacionais e estrangeiros, delegações do Platô das Guianas e da Câmara de Comércio Brasil-China, além da cobertura de veículos como Valor Econômico e Brazil Journal.

    Essa exposição nacional e internacional amplia a percepção do Amapá como uma nova fronteira econômica e ambiental da Amazônia.

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    Com organização reconhecida, ações de sustentabilidade — 131 toneladas de resíduos recolhidos, coleta seletiva e banheiros climatizados — e forte presença digital, a feira reafirma que o estado tem condições para acolher investimentos de grande porte sem perder o compromisso com a conservação.

    A Expofeira 2025, mais do que um grande evento, foi um termômetro do dinamismo econômico do Amapá.
    A soma de negócios expressivos, governança ambiental e social e abertura ao capital privado indica um caminho claro: o Amapá está pronto para transformar seu imenso patrimônio natural em desenvolvimento sustentável, atraindo investidores que queiram crescer junto com esta nova fronteira da Amazônia.

    Sobre o autor

    Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.

    *O conteúdo é responsabilidade do colunista

    Nova espécie de dinossauro descoberta atrai expedição científica ao Maranhão

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    Reinício das escavações podem identificar os vestígios do dinossauro até então desconhecido. Foto: IFMA

    O pacato vilarejo de Conceição, localizado no município de Coroatá, Maranhão, recebe uma expedição científica internacional em busca de novos fósseis, após a descoberta na região de uma nova espécie de dinossauro, o espinossauro. Os pesquisadores estarão em terras tupiniquins até o dia 14 de setembro.

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    À frente dessa equipe está uma das maiores autoridades mundiais no estudo de dinossauros: o doutor Paul Sereno, da Universidade de Chicago, além de professores e estudantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA). Um pesquisador do Instituto teve papel fundamental nessa descoberta, o professor Rafael Lindoso, do Campus São Luís – Monte Castelo, que já havia atuado no projeto que catalogou, em 2019, outro gigante maranhense: o Itapeuasaurus cajapióensis.

    Nova espécie de dinossauro
    Professor Rafael Lindoso: “descobrimos restos de um animal realmente espetacular e inédito para o Brasil e para América do Sul”. Foto: IFMA

    Leia também: Paleontólogos se unem no Pará para colaboração em estudo de fósseis de dinossauro gigante encontrado no Maranhão

    “Estou muito animado com esta expedição, porque agora vocês encontraram ossos aqui, o que é sempre divertido. Ossos de dinossauro novinhos em folha. Encontramos alguns que vocês também podem ver. O Maranhão tem muitos ossos de dinossauros, tem uma história para contar e está começando a ganhar destaque agora. Então, é um momento realmente emocionante para os cientistas e para o público também”, disse o doutor Paul Sereno.

    Sereno explicou qual é o próximo passo da pesquisa. “O próximo passo é limpar os ossos e visualizá-los, capturá-los em três dimensões. E então juntar o esqueleto, estudá-lo e fazer um anúncio. Vocês vão ouvir sobre isso porque este é um dinossauro espinossauro muito interessante que estamos obtendo às margens do Rio Itapecuru. Acreditamos que será um dos dinossauros mais famosos do Brasil”, disse.

    O professor Rafael Lindoso explicou que esse local com fósseis onde a expedição está nesse momento foi descoberto em 2016, a partir de uma expedição conjunta entre o Instituto Federal do Maranhão e a Universidade Federal do Maranhão. “Descobrimos restos de um animal realmente espetacular e inédito para o Brasil e para América do Sul. Hoje, depois de alguns anos de estudo, nós descobrimos que ele é o indivíduo mais completo já descoberto em toda a América do Sul, depois de alguns espécimes terem sido destruídos durante o incêndio no Museu Nacional”. 

    Paul Sereno: “o Maranhão tem muitos ossos de dinossauros, tem uma história para contar”. Foto: IFMA

    E realmente essa descoberta é espetacular. Por volta de 2018, depois de uma visita ao Laboratório do Paul [Sereno] para inventariar esse material – e de algumas conversas – o professor Rafael convenceu Sereno a vir ao Maranhão, para fazer uma nova escavação. “A gente tem observado novos elementos fósseis que nos permitirão compreender melhor esses ambientes do passado”, detalhou Lindoso. 

    A pesquisa é ímpar e traz um impacto ainda não vivenciado no país. “Nós temos um animal hoje na paleontologia que é motivo de grande debate: o espinossauro. Tem causado polêmica, porque – pela primeira vez – os paleontólogos têm se deparado com um animal que tem adaptações em torno de um animal semi-aquático, por vezes alguns paleontólogos debatendo se o animal seria um mergulhador de grandes profundidades e, talvez, esse nosso material, traga luz para essa questão tão amplamente debatida no mundo”, refletiu.

    O professor do IFMA falou, ainda, sobre a rotina da equipe de pesquisadores. “A gente leva meses para se organizar. Através de mapas geológicos, a gente define os locais de coleta, a gente busca referências, estudos de descobertas prévias a respeito dessa família de animais”.

    Reinício das escavações podem identificar os vestígios de um animal até então desconhecido. Foto: IFMA

    “Tem todo um trabalho logístico. É muito complicado, que envolve desde a burocracia até a organização de aluguéis de carros e de botes, aferição da profundidade do rio, se está adequado ou não, e isso leva muito tempo. Foram várias reuniões ao longo desses últimos meses para que a gente pudesse então chegar em campo, montar um acampamento base, organizar os locais para a compra de combustível, para água, suficiente para manter uma equipe dessa por uma semana, às vezes duas semanas”, detalhou.

    Umas das bolsistas no projeto da expedição e aluna do curso de Biologia do Campus São Luís – Monte Castelo, Thaiane Almeida, reconhece que o grupo, de certo modo, está fazendo história. “É muito importante para contribuir na história dessa construção evolutiva mesmo desses animais, para compreender melhor como eram eles aqui. Como era a morfologia (estudo da anatomia) deles e como isso afeta todos os aspectos do desenvolvimento evolutivo. Como estudante de Biologia, é extremamente gratificante estar aqui para poder contribuir com essa história, com esses achados. É extremamente extraordinário estar conseguindo trabalhar com toda essa equipe, que é uma equipe fantástica, conta com profissionais excelentíssimos, tanto brasileiros quanto estrangeiros”, concluiu.

    *Com informações do Instituto Federal do Maranhão (IFMA)