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Projeto pioneiro otimiza produção conjunta de espécies amazônicas em agroflorestas

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O objetivo do projeto é que esses agentes biológicos melhorem a saúde do solo e das plantas desde a fase de viveiro. Fotos: Defarm

Uma Pesquisa desenvolvida pela Unidade Embrapii Instituto Senai de Inovação em Biomassa (ISI Biomassa), em Três Lagoas (MS), em parceria com a Natura e a Solubio, é pioneira na aplicação de bioinoculantes em culturas perenes amazônicas, dentro de um sistema agroflorestal.

O projeto Dêfarm desenvolveu e testou, em casa de vegetação, combinações de microrganismos benéficos (consórcio de bioinoculantes) para fortalecer o crescimento de mudas de dendê, cacau e açaí, no município de Tomé-Açu (PA).

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Projeto pioneiro otimiza produção consorciada de espécies amazônicas em agroflorestas
O objetivo é que esses agentes biológicos melhorem a saúde do solo e das plantas desde a fase de viveiro. Fotos: Defarm

“O objetivo é que esses agentes biológicos melhorem a saúde do solo e das plantas desde a fase de viveiro, ajudando agricultores a adotar práticas mais sustentáveis e regenerativas, especialmente na região amazônica em Sistema Agroflorestal, que combina dendê com outras espécies como açaí e cacau”, explica a coordenadora da Unidade Embrapii e chefe de pesquisa do ISI Biomassa, Layssa Aline Okamura

Esses microrganismos foram multiplicados com tecnologia on farm, ou seja, produzidos localmente, em biofábrica instalada no ISI Biomassa. O uso de bioinsumos produzidos localmente é uma abordagem mais acessível, sustentável e de baixo carbono. A iniciativa une a produtividade sustentável, boas práticas e eficiência, gerando impacto positivo ao meio ambiente, nas comunidades locais e no desenvolvimento de produtos em sintonia com novas práticas de consumo mais responsáveis.

A iniciativa une a produtividade sustentável, boas práticas e eficiência, gerando impacto positivo ao meio ambiente. Fotos: Defarm

“Projetos Embrapii permitem a criação de uma rede interdisciplinar de desenvolvimento de novas tecnologias , acelerando o processo através do networking entre empresas e pesquisadores. Quando se tem diferentes especialistas de referência em cada área envolvida no processo, podemos mitigar os riscos da inovação, expandir oportunidades, além de levar ao mercado uma tecnologia com alta confiabilidade”, afirma Simone Vieira, gerente de desenvolvimento técnico na Solubio.

A pesquisa teve o investimento de R$ 1.411.312,00, sendo 50% (R$ 570.437,00) de recursos não-reembolsáveis aportados pela Embrapii. O estudo envolveu nove pesquisadores de diferentes áreas de atuação: bioprocessos, biotecnologia, microbiologia, enzimologia, estatística e fisiologia vegetal. A iniciativa também gerou dados inéditos sobre a resposta de mudas em fase de estufa à aplicação de consórcios microbianos.

Inovação sustentável

Para a indústria, o projeto demonstra a viabilidade de soluções biológicas e sustentáveis que podem ser replicadas e escaladas em diferentes contextos. Já para a sociedade e o meio ambiente, o projeto contribui com a redução do uso de insumos químicos, com o fortalecimento da agricultura regenerativa, com o incentivo à conservação da biodiversidade e do solo, além de promover geração de renda e autonomia para agricultores na região amazônica. Em 2025, a iniciativa foi vencedora da categoria Projetos de Valor – P&D, da Prêmio Embrace da Natura

Sobre a Embrapii

A Embrapii é uma organização social que atua em cooperação com instituições de pesquisa, públicas ou privadas, para atender ao setor empresarial, com o objetivo de fomentar a inovação na indústria. Para isso, conecta pesquisa e empresas, e divide riscos, ao aportar recursos não reembolsáveis em projetos que levem à introdução de novos produtos e processos no mercado. Para ter acesso ao modelo, a empresa deve apresentar seu desafio tecnológico à Unidade com a competência técnica que se enquadra às necessidades de seu projeto. A Embrapii possui contrato de gestão com o Governo Federal, por meio dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Educação, da Saúde e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Idam viabiliza primeira autorização para pesca manejada de pirarucu na RDS Amanã

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Pesca manejada de pirarucu. Foto: Bernardo Oliveira

Os pescadores da Comunidade Nova Jerusalém do Acará, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, em Maraã (AM), assistidos pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), receberão, ainda em setembro, autorização para atuarem na pesca manejada de pirarucu no complexo de lagos do Acará e Atapi 2.

Leia também: Com manejo sustentável, pirarucu recupera estoque natural na região do Médio Solimões

O plano de manejo, elaborado pela equipe técnica da Unidade Local (UnLoc) Idam/Tefé, em parceria com o Programa Manejo de Pesca, do Instituto Mamirauá e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), visa beneficiar 41 famílias com uma produção de 8 toneladas já na primeira pesca, o que representará um faturamento bruto de R$ 41 mil.

“Esta autorização de pesca do pirarucu foi emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sendo a consolidação de um trabalho de cinco anos consecutivos de contagens de pirarucus nos lagos”, explicou a engenheira de pesca da UnLoc Idam/Tefé, Maria José Mendonça.

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Plano de manejo do pirarucu

Segundo a técnica, o plano de manejo foi concluído este ano pela equipe e, posteriormente, foi encaminhado à Sema, gestora da Unidade de Conservação, para análise e prosseguimento na emissão da anuência do plano.

“Após a anuência, a Sema encaminhou ao Ibama para análise e emissão da primeira autorização de pesca do pirarucu, com uma cota experimental de 160 unidades a serem capturadas até novembro, como é previsto pela legislação vigente”, explicou.

A técnica ressaltou que a equipe irá, este mês, a RDS Amanã para entregar a autorização aos beneficiários e informou que, na ocasião, será realizada a Oficina de Monitoramento e Boas Práticas de Manipulação do Pescado para capacitar os pescadores.

manejo de pirarucu no amazonas
Foto: Divulgação/IDAM

Legislação

O decreto estadual 36.083/2015, que regulamenta a pesca manejada do peixs no estado do Amazonas, permite a pesca manejada do pirarucu em Unidades de Conservação Estaduais, em áreas de Acordo de Pesca.

A Portaria IBAMA nº 22, de 20 de fevereiro de 2025, instituiu o Programa Arapaima, com o objetivo de promover o manejo sustentável do pirarucu (Arapaima gigas) e conservar os ecossistemas de várzea no estado do Amazonas, visando o fortalecimento do manejo, a rastreabilidade, a conservação ambiental, a bioeconomia e o apoio à vigilância comunitária.

Leia também: Ibama cria ‘Programa Arapaima’ no Amazonas para incentivo ao manejo do pirarucu

A espécie é protegida pela Instrução Normativa nº 34 de 2004, que proíbe a pesca anual do pirarucu na Bacia Amazônica, no período de 1º de dezembro a 31 de maio. Já a Instrução Normativa nº 1, de junho de 2005, proíbe a pesca, o transporte, a armazenagem e a comercialização do pirarucu em todo o estado, durante o período de 1º de junho de a 30 de novembro. A mesma Instrução Normativa autoriza a pesca em áreas manejadas situadas em Unidades de Conservação.

*Com informações da Agência Amazonas

Startup do Amapá que monitora peixes com IA vai representar o Brasil no exterior

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Foto: Divulgação/Bactolac

A startup amapaense Bactolac vai representar o país na Web Summit, que será realizada no mês de novembro, em Portugal. A empresa participou em agosto deste ano, em Florianópolis (SC), do Prêmio Sebrae Startups 2025 e venceu na categoria Agro e Negócios do Campo.

Durante o evento no Brasil, foi apresentado o SisBactolac, que é uma plataforma integrada onde é possível saber – através de análise de imagem – o peso e crescimento de peixes.

Leia também: Startup usa IA para identificar peso e comprimento de peixes na Amazônia

Como funciona o SisBactolac?

A plataforma funciona como solução para a Aquicultura na Amazônia, pois identificou que é possível diminuir os principais problemas enfrentados pelo setor atualmente.

O sistema foi criado para evitar problemas que acabavam gerando perdas na produção, como a falta de digitalização e automação, tomada de decisão ineficiente e a baixa adoção de tecnologias. A plataforma integrada une três pilares centrais:

  • Gestão inteligente via WhatsApp: democratiza o acesso à tecnologia mesmo para produtores com pouca familiaridade digital;
  • Hardware de análise de água: fornece dados em tempo real e aumenta a precisão no manejo;
  • Biometria por análise de imagem: permite avaliar o crescimento dos peixes sem causar estresse, garantindo maior produtividade.

Uso de Inteligência artificial

Foto: Divulgação/Bactolac

A empresa usa uma espécie de biometria automatizada em peixes. Por meio de uma análise computacional de imagens, os técnicos da empresa conseguem captar dados dos animais sem precisar fazer o manuseio direto.

A tecnologia gera o fortalecimento da indústria pesqueira e da saúde dos organismos aquáticos. Para isso, é necessário fazer biometrias em um intervalo de 15 dias ou de 30 dias. A análise produz dados do desempenho dos peixes e a quantidade de ração que ele precisa ingerir.

Prêmio Sebrae Startups 2025

Startup amapaense vai representar o Brasil em evento internacional
Foto: Divulgação/Bactolac

Startup amapaense vai representar o Brasil em evento internacional — Foto: Bactolac/divulgação

O Prêmio Sebrae Startups 2025 foi realizado no mês de agosto em Florianópolis e reuniu várias startups do país. No evento, foi citado o quanto o mercado da aquicultura apresenta crescimento nacional e internacional. A startup amapaense está entre as 10 mais conceituadas empresas com potencial inovador, venceu em 1º lugar na categoria Agro e Negócios do Campo, foi premiada com R$ 50 mil e a viagem para o Web Summit em Portugal.

O CEO da Bactolac, Antônio Carlos Freitas Souza, explicou que a conquista é fruto da busca por qualidade e confiança de que a startup pode contribuir e muito com o desenvolvimento da Aquicultura.

“Saímos do Amapá com a convicção de que poderíamos transformar a aquicultura brasileira. Hoje, essa conquista nacional é fruto de uma parceria estratégica com o HUB CNA, que acreditou no nosso potencial desde o início. Juntos, estamos provando que inovação de qualidade pode nascer em qualquer lugar do Brasil”, disse.

*Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

Ministro da Justiça e Segurança Pública autoriza uso da Força Nacional para combate a crimes na Amazônia

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ICMBio e Força Nacional. Foto: Reprodução/ICMBio

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, autorizou o uso da Força Nacional na Amazônia pelo período de 90 dias (a partir de 11 de setembro). A medida tem como objetivo reforçar o combate a crimes ambientais na região.

A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira e define Manaus (AM) como cidade-sede da operação.

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Os agentes da Força Nacional vão atuar no âmbito do Plano Amazônia: Segurança e Soberania – Plano Amas em ações voltadas a três frentes:

  • Enfrentamento a ilícitos ambientais, transnacionais e conexos
  • Proteção à fauna, à flora e às populações tradicionais
  • Atividades e serviços essenciais para manter a ordem pública e proteger pessoas e bens

O Plano Amas é uma iniciativa criada pelo governo federal em 2023 com investimento de R$ 318,5 milhões em recursos do Fundo Amazônia para reforçar a fiscalização e a inteligência na floresta. O investimento prevê ainda a compra de helicópteros, lanchas blindadas, viaturas e drones.

Força Nacional no combate a crimes

O emprego da Força Nacional deve ocorrer em articulação com os órgãos de segurança pública e defesa social dos estados brasileiros, bem como com os órgãos e entidades públicas responsáveis pela proteção do meio ambiente, sob a coordenação da Polícia Federal.

No documento, Lewandowski não especifica a quantidade de agentes designados para as ações na região amazônica, mas define que o número vai obedecer ao planejamento definido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

força nacional em brasília
Foto: Reprodução

Historicamente, a região amazônica sofre com crimes relacionados ao tráfico de drogas e o garimpo ilegal. No último dia 28, um grupo foi preso por envolvimento com garimpo ilegal, lavagem de dinheiro e exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão no interior do Amazonas.

No dia seguinte, em outra ação, 8 mil pés de maconha plantados em pontos estratégicos da floresta foram destruídos durante operação da Polícia Federal.

Crimes ambientais também fazem parte da rotina amazônica. Embora os índices de queimada tenham apresentado redução em julho e agosto, a preocupação permanece. No último mês, mais de 30 brigadistas atuaram para conter incêndios em terra indígena no sul do Amazonas.

Trabalho reforça CCPI/Amazônia

A chegada de agentes da Força Nacional à região impulsiona os trabalhos do novo Centro de Cooperação de Polícia Internacional (CCPI/Amazônia) em Manaus. A unidade também integra o Plano Amas.

O centro promove a colaboração entre os nove países amazônicos e os nove estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal.

Saiba mais: Centro internacional em Manaus une forças de nove países para combater crimes na Amazônia

Agentes de segurança dos demais países da Pan-Amazônia também poderão ser integrados às atividades. Organismos multilaterais como a Interpol, Ameripol e Europol serão convidados a se somar aos esforços, permitindo assim um fluxo diário e permanente de dados de inteligência e a pactuação de operações e investigações conjuntas.

Pesquisa busca identificar diversidade de moscas amazônicas em coleções científicas do Brasil e do Peru

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Foto: Luana Barros, Elifas Brandão e Matheus Soares

Uma pesquisa busca identificar a diversidade da fauna de moscas amazônicas depositadas em coleções científicas do Brasil e do Peru. A pesquisa é apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O projeto foi realizado no âmbito do Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil, chamada nº 003/2022, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Durante a pesquisa intitulada ‘Guardado, mas desconhecido: um estudo sobre a fauna amazônica de Diptera (Insecta) armazenada em coleções científicas, com ênfase em famílias selecionadas’, foi feito o estudo taxonômico das seguintes famílias: Anthomyzidae, Chloropidae, Clusiidae, Dolichopodidae, Hybotidae, Periscelididae, Richardiidae, Ropalomeridae e Scenopinidae.

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A equipe do projeto teve acesso às coleções científicas do Brasil e do Peru. A ideia era acelerar o processo de descrição de espécies amazônicas e mostrar a grande variação na morfologia dessas moscas em uma ação de popularização da ciência.

O projeto foi coordenado por Rosaly Ale-Rocha, doutora em Ciências Biológicas, e executado também pela bolsista de pós-doutorado Luana Machado Barros e alunos de graduação e pós-graduação que fazem parte do Laboratório de Sistemática de Diptera.

Rosaly afirma que “é importante desmistificar a ideia que se tem sobre insetos, especificamente as moscas, que costumam ser encaradas como prejudiciais aos seres humanos”.

Leia também: Animais e morte: entenda como cinco espécies amazônicas se relacionam em diferentes perspectivas com a morte

O estudo também qualificou recursos humanos no Amazonas, com a participação de doutores, estudantes da graduação e pós-graduação em atividades de campo e de laboratório no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

“Nossos dados apontam para a descrição de aproximadamente 50 espécies novas de moscas, além de manuscritos que ainda serão produzidos com o material biológico levantado durante a execução do projeto”, explicou.

Ação de popularização das pesquisas sobre as moscas

Para despertar o interesse da população sobre as moscas da Amazônia, foi desenvolvida uma ação de popularização sobre a importância desses animais no meio ambiente e a necessidade de conservá-los.

A atividade aconteceu em uma escola pública no centro de Manaus. Durante esse evento, ocorreu exposição de insetos amazônicos e uso de jogos didáticos com informações sobre esses animais.

Foto: Luana Barros, Elifas Brandão e Matheus Soares

Segundo a coordenadora, a conservação da biodiversidade está diretamente relacionada ao grau de conhecimento que se tem sobre o assunto. Portanto, é necessário inventariar e identificar essas espécies, uma vez que os insetos formam um grupo de grande funcionalidade para os ecossistemas, com influência na polinização, decomposição da matéria orgânica e reaproveitamento de nutrientes.

“O conhecimento da biodiversidade e sua importância estimula a responsabilidade pela preservação ambiental, o que deveria ser responsabilidade de todos, tendo em mente as gerações futuras”, explicou Rosaly Ale-Rocha.

*Com informações da Fapeam

Roraima é incluído ao Sistema Interligado Nacional: ‘Não existe mais diferença’, afirma Lula

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Presidente Lula aciona o início da energização do Linhão Manaus – Boa Vista, parte da iniciativa federal Brasil Conectado e Soberano. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou, no dia 10 de setembro, o início da energização do Linhão Manaus – Boa Vista, parte da iniciativa federal Brasil Conectado e Soberano. A operação marcou o início do processo de conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O evento ocorreu na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em Brasília (DF).

A Linha de Transmissão Manaus – Boa Vista completa o mapa energético do Brasil, com a integração de Roraima, o último estado da Federação que estava isolado. Para isso, foram investidos R$ 3,3 bilhões em aproximadamente 725 km de extensão, em circuito duplo de 500 quilovolts (kV), desde a Subestação Eng. Lechuga, no Amazonas, à Subestação Boa Vista, na capital de Roraima, com uma seccionadora (ponto de apoio intermediário) em Rorainópolis.

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O presidente Lula lembrou que, desde o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff, o objetivo era concluir a interligação do sistema. “Acho que este sistema interligado seja, possivelmente, modelo para o mundo. Poucos países têm o sistema interligado como nós temos”, declarou.

“Junto com a energia de qualidade, Roraima vai ter internet de qualidade, a chamada banda larga que todo mundo fala, que é uma internet mais rápida. Vai ter em qualquer lugar. Qualquer jovem de Roraima vai ter o mesmo acesso à internet que as pessoas têm em Paris, Londres, São Paulo e Rio de Janeiro. Estamos orgulhosos de estarmos aqui hoje no ONS para dizer que Roraima está ligado ao restante do Brasil, não existe mais diferença. Essa energia e a internet vão chegar até os indígenas, porque não queremos ninguém fora”, disse Lula.

“Roraima tem uma possibilidade extraordinária de comércio exterior com Suriname, Guiana, Trinidad Tobago e Caribe. Significa que o começo do funcionamento deste linhão vai permitir que Roraima tenha três vezes mais energia do que precisa hoje”, acrescentou Lula.

Leia também: Energia solar fotovoltaica pode ser alternativa para segurança energética em Roraima

Confiabilidade do sistema em Roraima

Com a integração, Roraima passa a ter maior segurança energética, confiabilidade no suprimento e condições favoráveis de crescimento econômico. O empreendimento representa um marco para o setor elétrico e para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. A substituição gradual das usinas térmicas por energia limpa e renovável reduz as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ por ano, além de gerar uma economia superior a R$ 500 milhões anuais nos custos com combustíveis fósseis.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que a obra é a mais importante da história de Roraima. “Além da segurança energética, é um giga (mil megawatts) que atende, praticamente, quatro vezes o que precisa Roraima”, pontuou.

“Além de histórica e importante do ponto de vista da sustentabilidade, é uma obra de desenvolvimento econômico para a gente manufaturar as riquezas que este belo estado de Roraima produz e que, hoje, não tem segurança energética e quantidade de energia firme para desenvolver o estado, além do conforto e da segurança aos hospitais, clínicas e segurança energética do povo de Roraima. É o Brasil 100% interligado”, afirmou Silveira.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Escoamento

O Linhão Manaus-Boa Vista assinala uma virada na matriz energética do Estado, tornando-a mais limpa e renovável. Com a estabilidade proporcionada pela interligação, diversas usinas térmicas serão desligadas, garantindo economia relevante para o setor elétrico. A interligação permitirá o escoamento de 700 megawatts (MW) de futuras Usinas Hidrelétricas (UHEs) inventariadas em Roraima para o SIN.

“Estamos descarbonizando a Floresta Amazônica, o que é histórico para o mundo, estamos garantindo segurança energética ao Brasil. Já somos interligados ao Paraguai, por meio da maior usina de integração da América Latina, que é a Itaipu Binacional. Somos interligados à Argentina e ao Uruguai. Ano passado, exportamos energia, 426 milhões de energia à Argentina e 296 milhões ao Uruguai”, complementou Alexandre Silveira.

Redução de encargos

Atualmente, o abastecimento do estado dependia fortemente da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), um encargo pago para subsidiar os sistemas isolados. No balanço ambiental, o impacto é expressivo: a geração térmica será reduzida em cerca de 50%, evitando a emissão de mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ por ano. Com a interligação, haverá redução superior a R$ 500 milhões por ano nesse custo, um benefício não só para o estado, mas para todos os consumidores.

Benefícios 

O consumidor terá acesso a energia estável, renovável e barata. A substituição das usinas termelétricas reduzirá custos e emissões de GEE, além de melhorar a qualidade de vida da população.

Durante a fase de construção da linha de transmissão, foram gerados cerca de 3.000 empregos diretos, distribuídos entre canteiros de obra e escritórios, além de muitos outros indiretos decorrentes da cadeia produtiva necessária para fornecer os insumos utilizados.

*Com informações do Planalto

Cachoeira de 35 metros de altura é descoberta por guias em Presidente Figueiredo, no Amazonas

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Guias descobrem cachoeira de 35 metros de altura em Presidente Figueiredo. Foto: Marinilzo Brito/Acervo pessoal

Uma equipe de guias turísticos de Presidente Figueiredo, no Amazonas, anunciou a descoberta de uma nova cachoeira na floresta amazônica. Batizada de ‘Gigante do Apuaú’, a queda d’água tem cerca de 35 metros de altura e cinco de largura, o que a coloca entre as maiores da região em queda livre.

Leia também: Saiba quais cachoeiras precisam de guia obrigatório em Presidente Figueiredo

A expedição, realizada no início de agosto pelos guias Marinilzo Brito, Frederico Roldão e Daniel dos Anjos, percorreu mais de 60 quilômetros em seis dias de caminhada em mata fechada até chegar ao local. O ponto fica no rio Apuaú, na divisa entre os municípios de Novo Airão, Presidente Figueiredo e Manaus.

Segundo os exploradores, a descoberta foi resultado de quatro anos de planejamento.

“Fizemos levantamento topográfico da região, que nos trouxe a ideia de que poderíamos encontrar atrativos como cachoeiras, e organizamos as expedições com esse objetivo”, relataram.

cachoeira de 35 metros de altura em Presidente Figueiredo. Gigante do Apuaú
Foto: Marinilzo Brito/Acervo pessoal

Além do tamanho, a Gigante do Apuaú se destaca pela piscina natural profunda formada ao pé da queda, considerada ideal para banho.

“Ela é diferente das cachoeiras já conhecidas de Presidente Figueiredo justamente pela imponência e pela força da queda d’água”, afirmaram.

Leia também: Conheça 15 cachoeiras para se refrescar em Presidente Figueiredo

O acesso ao local não é fácil: exige caminhada por mata fechada, terrenos alagados e longas distâncias. Durante o trajeto, a equipe até avistou pegadas de animais silvestres, como onças.

“É um caminho de muita resistência, mas a recompensa foi encontrar uma das maiores belezas naturais já registradas nessa área”, disseram os guias.

Nome da cachoeira e próximos passos

A cachoeira recebeu o nome ‘Gigante do Apuaú’ em homenagem ao rio que corta a região e também a uma lenda local que fala de uma entidade guardiã.

De acordo com os guias, a área onde a queda foi encontrada ainda é pouco explorada. A ideia é incluir o novo atrativo em um roteiro exclusivo, que deve contemplar outras duas cachoeiras próximas. A abertura da trilha depende de autorizações e está prevista para começar em novembro.

Ao Grupo Rede Amazônica, a Secretaria Municipal de Turismo Presidente Figueiredo informou que a nova cachoeira ainda não tem autorização para visitação pública.

Foto: Marinilzo Brito/Acervo pessoal

De acordo com a pasta, o local foi identificado recentemente por guias turísticos que precisaram atravessar parte de um terreno pertencente a uma empresa privada. No entanto, ainda não está definido se a área da cachoeira pertence a propriedade privada, o que impede, por enquanto, qualquer processo de regulamentação.

A pasta de Turismo explica ainda que, para que um atrativo seja legalizado para fins de visitação e cobrança de ingresso, é necessário que exista alguma atividade econômica no local, como restaurante ou hospedagem. Em Presidente Figueiredo, a maioria das cachoeiras está em terrenos particulares, mas poucas possuem regularização ambiental e estrutura adequada para o turismo.

Por isso, a expectativa é de que a nova cachoeira só possa receber visitantes após a definição da situação fundiária e ambiental da área. Além disso, como se trata de um atrativo distante, será necessário que agências de turismo elaborem roteiros estruturados, possivelmente com duração de mais de um dia.

*Por Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM

Dois filmes com foco na Amazônia estão entre os pré-selecionados para representar o Brasil no Oscar 2026

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Fotos: Divulgação

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais anunciou no dia 8 de setembro a lista com os seis filmes pré-selecionados que disputam a indicação oficial do Brasil ao Oscar 2026, na categoria Melhor Filme Internacional.

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Entre os longas escolhidos, dois têm a Amazônia como cenário central: ‘Manas’, de Marianna Brennand, e ‘O Último Azul’, de Gabriel Mascaro.

A cerimônia da premiação está marcada para o dia 15 de março de 2026, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Conheça as histórias dos filmes:

Manas

Drama lançado em maio de 2025, ‘Manas’ marca a estreia de Marianna Brennand na direção. O roteiro, assinado em parceria por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Antonia Pellegrino, Camila Agustini e Carolina Benevides, traz uma narrativa ambientada na Ilha do Marajó, no Pará.

Protagonizado por Jamilli Correa, ao lado de nomes como Dira Paes, Fátima Macedo e Rômulo Braga, o filme acompanha Marcielle, uma adolescente de 13 anos que decide romper com o ciclo de violência que marca sua família e as mulheres de sua comunidade.

Leia também: Verdade “nua e crua”: 5 filmes que mostram a realidade da região amazônica

O Último Azul

Dirigido por Gabriel Mascaro, O Último Azul mistura drama e ficção científica em uma trama distópica. O longa estreou mundialmente na Competição Oficial do Festival de Berlim de 2025, onde concorreu ao Urso de Ouro e conquistou o Grande Prêmio do Júri. No Brasil, foi lançado em agosto de 2025 pela Vitrine Filmes.

O filme tem Denise Weinberg no papel principal, além de Rodrigo Santoro, Miriam Socarrás e Adanilo no elenco. Na história, o governo brasileiro decreta que todos os idosos sejam enviados para colônias habitacionais remotas, sob a justificativa de garantir uma velhice ‘digna’. Tereza, uma mulher de 77 anos, resiste ao exílio compulsório e embarca em uma derradeira viagem pelos rios amazônicos em busca de um antigo sonho: voar.

A trama ganha contornos fantásticos quando Tereza conhece Cadu (Rodrigo Santoro), um marinheiro que lhe apresenta o caracol Baba Azul, uma criatura mágica capaz de revelar o futuro. Em sua jornada, a protagonista descobre novas formas de liberdade e possibilidades de transformação.

Próximos passos

Os seis filmes pré-selecionados saíram de uma lista inicial de 16 produções habilitadas, divulgada em agosto. Um comitê formado por profissionais do setor audiovisual avaliará os finalistas e anunciará, no próximo 15 de setembro, o título que representará oficialmente o Brasil no Oscar.

O escolhido será submetido à Academy of Motion Picture Arts and Sciences (AMPAS), que organiza a premiação, e disputará com produções de outros países uma vaga entre os indicados da categoria. A lista oficial dos concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Internacional será revelada em janeiro de 2026.

filmes da Amazônia podem representar o Brasil no Oscar 2026
Estatuetas da premiação. Foto: Reprodução/Oscars.org

O Brasil venceu pela primeira vez o Oscar da categoria neste ano, com Ainda Estou Aqui. Antes disso, o país já havia sido indicado em quatro ocasiões: O Pagador de Promessas (1963), O Quatrilho (1996), O Que É Isso, Companheiro? (1998) e Central do Brasil (1999).

Leia também: ‘Ainda estou aqui’: como advogada, Eunice Paiva deixou legado para o direito indígena

Audiência Pública proposta por Sinésio Campos debate novo porto da Manaus Moderna

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Foto: Assessoria de Comunicação da ALEAM

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) realizou, no dia 08/09, Audiência Pública para discutir a implantação e a construção do novo porto da Manaus Moderna. A iniciativa foi proposta pelo deputado estadual Sinésio Campos (PT), autor do requerimento que convocou a sessão.

O projeto, com investimento de R$ 974,6 milhões no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), prevê a construção da nova Instalação Portuária Pública de Pequeno Porte (IP4), sob coordenação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

A obra é considerada estratégica para modernizar a logística portuária da capital, garantir mais segurança operacional e consolidar Manaus como um polo comercial e turístico da Região Norte.

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Durante a audiência, representantes do Governo Federal, estadual, entidades de classe, órgãos de controle, trabalhadores, universidades e associações debateram os impactos sociais, econômicos e ambientais da obra, além de apresentar sugestões para que o empreendimento atenda de forma efetiva aos interesses da população que vive e trabalha na área da Manaus Moderna.

O superintendente do DNIT no Amazonas, Orlando Machado, realizou uma explanação sobre o projeto, destacando como a nova estrutura deve melhorar a infraestrutura portuária na região. O novo porto estará preparado para o transporte de cargas entre municípios e entre estados, e vai poder receber navios de maior porte, como cruzeiros, por exemplo. A expectativa é que o novo porto movimente 35 milhões de passageiros por ano, uma movimentação quase três vezes maior que a do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.

Segundo o deputado Sinésio Campos, a escuta pública é fundamental: “Não se trata apenas de uma obra de infraestrutura. Estamos falando de revitalização do Centro da cidade, de mobilidade urbana, de geração de emprego e renda. Por isso, é essencial que todos os setores participem dessa construção coletiva. Como é um projeto que ainda não foi concluído, ainda cabe a nossa contribuição para que possa ser aprimorado”, destacou.

Leia também: Cabo Maciel solicita ampliação do Crédito Rosa e interiorização de programas da Afeam

As entidades e cidadãos que participaram da audiência têm até o dia 8 de outubro para encaminhar à Comissão de Geodiversidade e Recursos Hídricos da Aleam as sugestões ao projeto de implantação do novo porto da Manaus Moderna. Essas sugestões serão compiladas e encaminhadas diretamente ao Ministério de Portos e Aeroportos para que o projeto seja aprimorado.

Estudo revela impactos psicológicos da pandemia da Covid-19 entre os Karajá, no Pará

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Foto: Werlen Karajá/Acervo pessoal

Um estudo inédito, fruto de uma autoetnografia colaborativa interétnica, revela como a pandemia da Covid-19 afetou profundamente a saúde mental dos Inỹ Karajá da aldeia Maranduba.

A pesquisa foi conduzida por Werlen Pereira Karaja, então estudante de Psicologia na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), e Caio Maximino, pesquisador da Unifesspa, e propõe uma análise sensível e complexa sobre o sofrimento psíquico vivido pela comunidade durante esse período. A pesquisa foi publicada no periódico “Espaço Ameríndio”.

A investigação parte da experiência pessoal de Werlen Pereira Karajá, que vivenciou a pandemia dentro da aldeia, e entrelaça essa vivência com reflexões teóricas de Caio.

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O estudo mostra que a pandemia intensificou sentimentos de ansiedade e estresse entre os indígenas, revelando como esses estados emocionais são atravessados por modos socioculturais próprios de adoecer e perceber a doença. Na cultura karajá, as fronteiras entre doenças por contágio e doenças por feitiçaria são fluidas, o que complexifica ainda mais a compreensão do sofrimento psicológico.

Estudo mostra processos culturais

A publicação também resgata a figura histórica de Benta Thuary Deru, cuja trajetória está profundamente ligada à história da aldeia e à concepção karajá de doença. A partir dessa perspectiva, os autores exploram como a noção de “doença” na cultura karajá possui dimensões cosmogônicas e está relacionada ao caráter físsil da aldeação, ou seja, à dinâmica de formação e dissolução das comunidades.

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Estudo saúde mental Karajá pará
Foto: Werlen Karajá/Acervo pessoal

Um dos principais méritos do estudo é a abordagem metodológica, que permite ao primeiro autor falar de si mesmo como sujeito e objeto da pesquisa. Essa autoetnografia revela sentimentos, expectativas e frustrações vivenciadas durante a pandemia, e oferece uma compreensão profunda da subjetividade no contexto social indígena.

Além disso, o trabalho evidencia como o histórico de contato com os tori (não indígenas), marcado por práticas de necropolítica, se cruza com as narrativas do òwòru — figura central nas narrativas cosmogônicas karajá sobre a doença — para formar uma cosmopolítica da doença. Essa intersecção revela não apenas formas de adoecer, mas também estratégias de resistência cultural e psicológica.

Longe de oferecer uma explicação única para o sofrimento psíquico causado pela pandemia, o estudo apresenta esse fenômeno como amplamente complexo, atravessado por história, política e cultura.

Ao unir saberes indígenas e acadêmicos, os autores contribuem para o fortalecimento da psicologia indígena e para a construção de políticas públicas mais sensíveis às realidades dos povos originários.

*Com informações da Unifesspa