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Caracol africano é pesquisado na grande Ilha de São Luís pela UEMA: “praga urbana”

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Foto: Ferdinan Melo/Acervo pessoal

Uma pesquisa do professor doutor e pesquisador Ferdinan Melo, do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), que tem a participação de estudantes, professores e colaboração de instituições fora do Estado, dá conta de que é necessário fazer um alerta à sociedade sobre os riscos à saúde humana quanto ao consumo do Caracol Africano (Achatina fulica) nos municípios da grande São Luís.

A pesquisa esclarece que este animal é um molusco nativo da África Oriental, introduzido no Brasil com o propósito de ser utilizado na alimentação, como uma alternativa na substituição do Cornu aspersum, conhecido como Escargot. Informa, ainda, que, devido ao rápido crescimento populacional desordenado é considerada uma espécie invasora em vários países.

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Segundo explica o professor Ferdinan, coordenador do estudo, o Caracol Africano, classificado como praga urbana e agrícola, constitui uma ameaça à biodiversidade e à saúde pública, por ser hospedeiro intermediário de nematódeos, como o Angiostrongylus cantonensis, agente da Meningite Eosinofílica.

“A nossa intenção é investigar as ocorrências do Caracol Africano e de nematódeos com relação à saúde da população na Região Metropolitana da Ilha de São Luís. Para isso, realizamos coletas em 12 parcelas fixas nos municípios de Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar e São Luís, em finais de períodos chuvosos e secos nos anos de 2024 e 2025”, disse Ferdinan.

O pesquisador acrescenta que amostras foram avaliadas no Laboratório Central do Maranhão (LACEN-MA) e encaminhadas para o Laboratório de Malacologia (LRNEM-IOC), Fiocruz, Rio de Janeiro, onde foram submetidas ao processo de digestão artificial, com HCl a 0,7%.

Nas unidades, os moluscos foram pesados e mensurados para realizar a relação massa-comprimento e identificar o fator de condição relativa. Foram coletados 473 espécimes em 2024, 348 (73,57%) no período chuvoso e 125 (26,42%) no período seco.

Leia também: Espécies amazônicas invasoras causam prejuízo mundo afora

Caracol africano teve aumento e representa risco

Durante os trabalhos, descobriu-se que nas últimas duas décadas, houve um aumento significativo da presença do molusco em toda Ilha de São Luís,  e o risco potencial de doenças (zoonoses) se tornou uma preocupação. A equipe ouviu, ainda, relatos constantes da população sobre as dificuldades de controle malacológico pelos agentes de endemias, somado a desinformação e cuidados inadequados com os terrenos baldios, quintais e jardins, que podem estar ligadas direta ou indiretamente à presença desses moluscos.

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Foto: Ferdinan Melo/Acervo pessoal

Observou-se, também, que, esses animais tanto adultos como jovens, mostraram-se ter grande capacidade de adaptação em situações ambientais adversas, possibilitando sua reprodução e, que, as condições antrópicas promovem a manutenção e proliferação desses caracóis, principalmente em locais com saneamento básico precário.  

“Esperamos que os resultados deste estudo forneçam medidas de controle eficazes, contribuindo para a promoção da saúde dentro do contexto de ‘Uma Só Saúde’, alerta o professor Ferdinan.

Leia também: Caracol africano: especialista explica quais riscos o animal oferece à saúde pública

O professor esclarece que o ciclo de vida do nematódeo tem como hospedeiros definitivos os roedores. Mas os humanos, por sua vez, atuam como hospedeiros acidentais, sendo infectados da mesma forma que os ratos, por meio da ingestão desses caracóis, caramujos ou lesmas contaminados no terceiro estágio de desenvolvimento.

Ferdinan conclui ressaltando que, uma vez, esses animais no organismo humano, desenvolvem larvas, que atingem o estágio subadulto, e, a maioria desses vermes, após migrarem pelo tecido cerebral, acabam matando seus portadores. O comprometimento neurológico observado nos indivíduos infectados resulta um processo inflamatório desencadeado pelo sistema imunológico.

caracol africano medidas de segurança
Imagem: Divulgação/UEMA

Equipe de colaboradores na pesquisa:

Prof. Dr. Guilherme Mota da Silva Laboratório de Malacologia-LMALAC IOC- FIOCRUZ; Daniel Soares Saraiva – Doutorando PPGCA UEMA; Nathália Medeiros Guimarães – Doutoranda PPG BIONORTE; Rivaldo Costa Almeida – Doutorando PPGCA UEMA; Anna Maria Fonseca Roma – Bolsista Iniciação Científica UEMA; Sarah Jéssica Morais Brandão – Bolsista de Extensão UEMA; e Thaynara Kênia Garcez Pinheiro – Bolsista de Extensão UEMA.

*Com informações da UEMA

“Vocês conhecem cupuaçu?” Citado no BBB 26, fruto amazônico tem variações que despertam curiosidade

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O cupuaçu é patrimônio cultural na Amazônia. Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Os frutos amazônicos misturam sabores e culturas em uma mordida só. Existem para todos paladares: dos mais doces aos mais azedos/amargos, mas todos com sabores únicos e inconfundíveis.

Entre eles, o cupuaçu (Theobroma grandiflorum) ganhou destaque em uma conversa entre as participantes do reality show Big Brother Brasil 26, Jordana Reis (da região Centro-Oeste) e a cunhã-poranga do Boi Caprichoso, Marciele Albuquerque.

O cupuaçu é uma fruta que possui polpa cremosa, caroço comestível e uma casca grossa marrom e varia de varia de 15 a 25 cm de tamanho. Cientificamente conhecido como Theobroma grandiflorum, é originário da Amazônia, com grande incidência nos estados do Pará e Maranhão. Ele pode ser encontrado ocasionalmente em países como o Equador, Colômbia, Costa Rica e Gana, na África Ocidental, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

fruta cupuaçu é cultura do amazonas
Foto: Reprodução/Prefeitura de Belém

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Com a polpa, muito rica em proteínas, carboidratos, fibras e enzimas, se preparam sucos, refrescos, cremes, compotas, doces, sorvetes, biscoitos, licores e iogurtes.

E a semente é utilizada na produção do cupulate (chocolate feito do caroço da fruta).

O fruto, desde 2024, através da Assembleia Legislativa do Amazonas, se tornou patrimônio cultural, junto com a pupunha, o açaí e o buriti.

O Portal Amazônia reuniu algumas opções de receitas feitas com o fruto para você conhecer:

Jujuba de cupuaçu

Foto: Arquivo Portal Amazônia

Você é fã de jujuba? Saiba como regionalizar o doce e faça uma versão de uma dos doces mais consumidos: Aprenda uma receita fácil e deliciosa de jujuba de cupuaçu AQUI.

Bombons de cupuaçu com castanha-da-Amazônia

Foto: Divulgação

Essa é uma das lembrancinhas mais populares no Amazonas. As balas de chocolate recheadas com geleia de cupuaçu ou com castanha-da-Amazônia são itens indispensáveis para apresentar um pouco dos sabores amazônicos, mas é quando se une os dois que se cria uma explosão de sabor?

Ingredientes

  • 1 pacote de doce de cupuaçu (massa);
  • 250 g de castanha-do-brasil;
  • 150 g de açúcar refinado;
  • 1 vidro de vinagre branco;
  • 1 lata de leite condensado;
  • 4 colheres de chocolate;
  • 1 vidro pequeno de mel de abelha e 50 g de manteiga.

Modo de fazer

  • Amassar o doce com o garfo e colocar a castanha ralada;
  • misturando bem com as mãos até obter o ponto de enrolar;
  • Abrir a massa, na palma da mão;
  • acrescentar um pedaço de castanha torrada e enrolar.

Mousse de maracujá e cupuaçu

Foto: Arquivo Portal Amazônia

Outra receita que é bastante popular também é uma união de sabores: cupuaçu e maracujá. Geladinho, esse “copo da felicidade” leva mousse de maracujá e cupuaçu e um toque especial com pudim de leite.

Confira a receita completa e o modo de preparo AQUI.

Sorvete de cupuaçu

Mais uma receita para se refrescar no calor amazônico, o sorvete é fácil e prático de produzir em casa.

Imagem gerada por IA

Ingredientes

  • 1 xícara de chá de açúcar demerara
  • 3 colheres de sopa de açúcar demerara
  • 1/2 xícara de chá de água
  • 3 claras
  • 400 gramas de polpa de cupuaçu descongelada
  • 200 gramas de creme de Leite
  • Amazon bites a gosto

Modo de preparo

  • Em uma panela, coloque a xícara de açúcar e a água. Leve ao fogo e deixe formar uma calda em ponto de fio. Reserve.
  • Em outra panela, misture as claras e as colheres de sopa de açúcar.
  • Leve ao fogo baixo e mexa sem parar por 3 minutos. Retire a panela do fogo um pouco a cada minuto, sempre mexendo.
  • Transfira para uma batedeira e, aos poucos, despeje a calda de açúcar. Bata por 5 minutos.
  • Em uma tigela a parte, misture a polpa de cupuaçu e o creme de leite.
  • Junte com a mistura batida na batedeira e leve ao congelador por 12 horas.
  • Pronto, sirva com Amazon bites! Aproveite.

Creme de Cupuaçu

E é claro que não poderia faltar a receita do popular creme de cupuaçu. Confira a prática receita:

Ingredientes

2 latas de leite condensado;
2 latas de creme de leite;
200 g de polpa de cupuaçu;

Modo de preparo

  1. Bata os ingredientes no liquidificador por 5 minutos;
  2. Distribua em tigela ou potes individuais e leve para gelar por 3 horas.
Foto: Divulgação

Cláudia Maria Daou Paixão e Silva: importante responsabilidade social na Amazônia

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Foto: Divulgação/Rede Amazônica

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Toda sociedade sofre modificações. É necessário fixar-lhe a memória por meio de uma escrita que marca com nitidez os contornos de sonhos de uma época. O ano era 1968, marcado pela efervescência do Regime Militar em que o Brasil vivia. Foi diante desse cenário de uma Manaus bucólica que nascia Cláudia Maria Daou Paixão e Silva, no dia 22 de abril de 1968.

Nasceu em um hospital, cuja memória se perdeu no tempo, que era a Santa Casa de Misericórdia. Sua mãe que ali trabalhava, dava a luz e ajudava a minorar as dores de outros pacientes, pura coincidência. Cláudia Maria Daou Paixão e Silva que herdou da enfermeira que lhe trouxe ao mundo a personalidade forte. Toda nova geração constrói novos padrões, valores e atitudes sobre a vida e a sociedade.

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Seu pai, Phelippe Daou, nessa época já despontava como promissor jornalista trabalhando no ‘O Jornal’ e sua mãe Magdalena Arce Daou, era reconhecidamente na época como dedicada enfermeira que, com esforço próprio trabalhava duro para contribuir no sustento da família.

Cláudia Daou criança
Phelippe Daou Júnior e a menina Cláudia Maria Daou. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O tempo foi passando e a menina Cláudia Maria Daou, hoje Paixão e Silva teve o primeiro contato com as letras no Colégio Christus, já em tenra idade do maternal até a 5ª série do Ensino Fundamental. De família que professa a Religião Católica, logo transferiu-se para o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, tendo concluído o Ensino Médio.

Os anos foram permitindo o amadurecimento de Cláudia Maria Daou, que conhece o jovem Ely Freitas Paixão e Silva, formado em Engenharia Elétrica, com quem casou-se em 1990, trazendo ao mundo três filhos: Lorena Daou Paixão e Silva, que nasceu em 05 de agosto de 1992, Phelippe Daou Neto, no dia 03 de fevereiro de 1996 e Lara Daou Paixão e Silva, no dia 10 de junho de 2002.

Cláudia Maria Daou Paixão e Silva e Ely  Freitas Paixão e Silva.
Cláudia Maria Daou Paixão e Silva e Ely Freitas Paixão e Silva. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Em 1990 cursa Administração de empresas na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), onde concluiu com pleno êxito. Em seguida, faz uma especialização em Recursos Humanos, pela Fucapi, à época uma instituição de muito prestígio.

Seguindo o exemplo de seus pais, logo começa a trabalhar no Grupo Rede Amazônica. Seu desejo de conhecer todos os meandros da Administração percorreu vários setores da instituição, inclusive na Fundação Rede Amazônica, hoje como Diretora Presidente.

Com o falecimento de seu pai em 2016, assume juntamente com seu irmão o destino e a condução do Grupo Rede Amazônica.

Nos dias atuais participa ativamente e efetivamente a condução do Grupo Rede Amazônica como Presidente do Conselho Consultivo, dividindo as responsabilidades com seu irmão Phelippe Daou Júnior, CEO do Grupo.

Leia também: Comendador Gregório Thaumaturgo de Azevedo: 1851-1921

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pesquisadores no Maranhão descrevem novo dinossauro brasileiro

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Foto: Elver Mayer/Acervo pessoal

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do professor e paleontólogo Manuel Alfredo, é uma das instituições responsáveis pelo estudo da descoberta histórica de fósseis de dinossauros no Maranhão, no município de Davinópolis. Os pesquisadores responsáveis pelo achado descreveram uma nova espécie de dinossauro saurópode em pesquisa publicada no Journal of Systematic Palaeontology.

A nova espécie de dinossauro identificada possui cerca de 100 milhões de anos e é o maior já descoberto no estado, com cerca de 18 metros de comprimento. Os fósseis revelam a existência de uma grande comunidade biológica na região durante o Período Cretáceo, há cerca de 115-120 milhões de anos.

Leia também: Vestígio do maior dinossauro já encontrado no Maranhão conta com mais de 250 peças

De acordo com o estudo publicado, o animal era um saurópode (pescoçudo) de médio a grande porte, com comprimento estimado em cerca de 20 metros.

Preparação do fóssil na Unifesspa. Foto: Elver Mayer

O fóssil encontrado foi batizado de Dasosaurus tocantinensis. O nome foi escolhido para homenagear tanto a localização quanto a vegetação da região em que foi encontrado os fósseis, como pontua o professor da UFMA e paleontólogo, Manuel Alfredo.

“‘Dasosaurus’ (nome do gênero) quer dizer dinossauro da floresta, em referência à Amazônia Legal, da qual o Maranhão faz parte. ‘Tocantinensis’ (nome da espécie latinizado) como referência à região tocantina, onde foi encontrado”, explica.

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A descoberta surpreendeu os pesquisadores porque o Dasosaurus é o “irmão” evolutivo mais próximo de um dinossauro espanhol (Garumbatitan). Análises sugerem que esse grupo de dinossauros teve origem na Europa e migrou para a América do Sul através do norte da África antes de os continentes se separarem totalmente.

A peça foi descoberta em abril de 2021, durante obras de terraplenagem para a construção de um terminal ferroviário. A escavação, limpeza, remontagem e os primeiros estudos foram realizados pelo paleontólogo e, na época, professor da UNIFESSPA, Elver Luiz Mayer.

A pesquisa foi realizada no Pará pela proximidade geográfica dos achados e da instituição. Atualmente, os fósseis estão em exposição no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís.

Leia também: Nova espécie de dinossauro descoberta atrai expedição científica ao Maranhão

De acordo com a Lei de Proteção ao Patrimônio Fossilífero, um fóssil é patrimônio da União e pode ser mantido sob a guarda de qualquer instituição federal, estadual ou municipal dentro do território brasileiro.

Fósseis preparados para translado do estado do Pará para o Maranhão. Foto: Elver Mayer

Apesar de ter sido coordenado pelo pesquisador Elver Mayer, o professor da UFMA e paleontólogo Manuel Alfredo Medeiros fez parte do estudo e foi um dos responsáveis pelo translado dos fósseis de São Félix do Xingu, no Pará, até São Luís, Maranhão, em 2025.

A equipe responsável pelo estudo do novo dinossauro contou com pesquisadores de onze instituições públicas brasileiras: Universidade Federal do Maranhão, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Vale do São Francisco, Universidade Estadual Paulista, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Piauí, Universidade Estadual do Maranhão, Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão.

O professor Manuel Alfredo destaca que a UFMA foi convidada devido à sua reconhecida experiência em pesquisas e publicações sobre a fauna extinta do período Cretáceo. “A UFMA foi convidada justamente porque já tem um histórico de mais de 25 anos com publicações nacionais e internacionais sobre a fauna extinta à qual esse novo animal fazia parte, que viveu entre 113 e 95 milhões de anos, no Período Cretáceo”.

Manuel Alfredo também reforça a posição de destaque do Nordeste, sobretudo do Maranhão, nas descobertas históricas do período Cretáceo.

“O Maranhão já vem atraindo a atenção e pesquisadores da França, China e USA por achados anteriores. Agora, com um dinossauro que tem parentesco com uma espécie europeia (da Espanha) esse interesse deve aumentar e se consolidar”, frisa.

Leia também: Maranhense transforma paixão por dinossauros em fonte de renda

Entre os principais achados dessa fauna, em várias localidades do Maranhão (Davinópolis, Coroatá, Cajapió, Santa Rita, Duque Bacelar, Alcântara e São Luís), estão restos de dinossauros herbívoros e carnívoros, crocodilos, répteis voadores, como os pterossauros, além de inúmeros peixes, tartarugas e vestígios de formas vegetais antigas, incluindo coníferas, samambaias arborescentes e equisetos.

Para os pesquisadores, os achados ampliam a diversidade conhecida de dinossauros do Brasil, mostram que o Nordeste foi uma região-chave na história evolutiva dos saurópodes e fornecem evidências de conexões entre América do Sul, África e Europa.

*Com informações da UFMA

UNIR promove inclusão social na fronteira com curso de português para bolivianos

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Iniciativa da UNIR promove inclusão social de bolivianos na fronteira com Rondônia. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

A Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) deu início, no dia 7 de março, à 5ª etapa do curso de extensão “Ensino de Língua Portuguesa para Estrangeiros”. A aula inaugural, que reuniu cerca de 60 cursistas, foi realizada na sede da Associação de Imigrantes Bolivianos, em Guajará-Mirim, reforçando o compromisso da instituição com o acolhimento e a integração cultural na região de fronteira.

A atividade é vinculada ao Departamento Acadêmico de Ciências da Linguagem (DACL) e ao Grupo de Estudos e Pesquisas “Literaturas, Língua(gens) e Memórias das/nas Fronteiras Amazônicas” (GEPELLIM).

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Diálogo entre culturas

O tema da aula inaugural para os bolivianos, “A Língua Portuguesa e o diálogo entre culturas”, foi ministrado pela professora doutora Maria Cristina Victorino de França. A exposição buscou não apenas ensinar as bases do idioma, mas promover uma troca cultural entre os estudantes e a universidade.

O curso tem como objetivo principal a inclusão social de imigrantes que residem na fronteira entre Brasil e Bolívia. Ao oferecer o domínio do português em um contexto de acolhimento, a UNIR busca diminuir barreiras linguísticas e sociais, permitindo que a comunidade imigrante participe de forma mais ativa e valorizada no desenvolvimento do município.

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Bolivianos recebem aula de português pela UNIR. Foto: Divulgação

Equipe multidisciplinar

O projeto é resultado de um esforço coletivo da UNIR, Campus Jorge Vassilakis, em Guajará-Mirim. A coordenação da 5ª edição está a cargo dos professores doutora Auxiliadora Pinto, doutora Maria Cristina Victorino de França e mestre Celielson de Aguiar Brito.

A execução do curso conta com uma equipe robusta de docentes e acadêmicos, garantindo o acompanhamento pedagógico dos alunos. Compõem a equipe executiva as professoras Eunaia dos Santos Mercado, Janete Alvas Flores, Saraiê Chavez Tamo, Teresa Tamo Mamani, Jane Maria Cassimiro Gonçalves, o professor Jhony Davi Cayami Reina, além dos acadêmicos David Salas Azulay, Nora Rodriguez Duran e Ildilene Correa dos Santos.

Com essa iniciativa, a universidade reafirma sua importância na extensão universitária, consolidando-se como um elo entre o saber acadêmico e as demandas reais da população fronteiriça amazônica.

Leia também: Como os imigrantes “inventaram” o Carnaval de Porto Velho

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

De Manaus para o Vietnã: engenheiro amazonense lidera projeto aeroportuário multibilionário na Ásia

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Foto: Mário Thiago Queiroz de Carvalho/Acervo pessoal

Um engenheiro civil nascido em Manaus, no Amazonas, está no centro de um dos maiores projetos de infraestrutura aeroportuária do planeta. Mário Thiago Queiroz de Carvalho, de 37 anos, atua atualmente como Diretor de Projeto do Aeroporto Internacional de Gia Binh, em Hanói, Vietnã — um empreendimento multibilionário que figura entre os maiores em execução no setor, cujos valores oficiais não podem ser divulgados por questões de compliance e confidencialidade contratual.

O projeto prevê capacidade para 100 milhões de passageiros por ano, mais que o dobro da capacidade projetada do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, concebido para cerca de 47 milhões anuais. O escopo inclui dois terminais principais, um terminal VVIP destinado a chefes de Estado, quatro pistas de pouso e decolagem, terminal de cargas, hangares, hotéis, sistema de metrô com acesso direto ao aeroporto, novas rodovias e integração ao projeto de trem de alta velocidade que conectará Hanói a Ho Chi Minh City ao longo de aproximadamente 1.600 quilômetros.

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À frente dos pacotes de Project Management (PM) e Construction Management (CM), Mário lidera equipes multidisciplinares em modelo fast-track, no qual engenharia, planejamento e construção ocorrem simultaneamente — formato que reduz prazos, mas exige elevado controle técnico, gestão de riscos e integração estratégica.

Raízes amazônicas e a formação em Manaus

Mário conta que após concluir o ensino médio, iniciou simultaneamente os cursos de Economia na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Engenharia Civil na Universidade Nilton Lins, optando posteriormente pela engenharia.

Ainda durante a graduação em Manaus, participou de projetos estruturantes no Amazonas, como a construção da Arena da Amazônia, o Shopping Via Norte e um complexo de galpões no Distrito Industrial de Manaus. A experiência na Arena, prestando serviços para a Andrade Gutierrez, consolidou sua atuação em obras de grande porte.

Leia também: 10 anos de história: conheça 10 curiosidades sobre a Arena da Amazônia

Em 2015, decidiu migrar de Manaus, com a família, para o Canadá. Em Toronto, aprofundou sua formação e atuou na Orbit Engineering como coordenador de projetos voltados à análise de materiais para rodovias e pontes. Posteriormente, na Bridgecon Construction, assumiu a posição de Superintendente de Obras de Infraestrutura.

Foi nesse período que teve seu primeiro contato com projetos aeroportuários — experiência que definiu sua vocação profissional.

Mário Thiago Queiroz de Carvalho, engenheiro de Manaus
Mário se formou em engenharia civil pela Universidade Nilton Lins, em Manaus. Foto: Mário Thiago Queiroz de Carvalho/Acervo pessoal

Leia também: A história da origem do Aeroclube do Amazonas: do ponto de partida à tradição regional

Com o retorno ao Brasil em 2019, encontrou o setor aeroportuário em plena transformação com o ciclo de privatizações. Concluiu MBA em Infraestrutura Aeroportuária e passou a atuar em diferentes obras pelo país: Maceió (2022), Porto Velho (2023), Belo Horizonte e Londrina (2024), Santarém (2025).

Em apenas cinco anos no setor, evoluiu da posição de engenheiro para Diretor de Projeto — ascensão considerada incomum na engenharia pesada internacional.

Especialista em obras no chamado “lado ar” — pistas, taxiways, pátios de aeronaves e sistemas de auxílio à navegação — desenvolveu expertise no ciclo completo de vida de empreendimentos aeroportuários, desde estudos conceituais e projetos, passando por planejamento e execução, até o comissionamento e ORAT (Operational Readiness and Airport Transfer), etapa que ativa o aeroporto para início das operações.

Hoje, no Vietnã, Mário lidera um projeto, no Vietnã, que integra aviação, logística, mobilidade urbana e transporte ferroviário de alta velocidade, reposicionando Hanói como novo hub estratégico no Sudeste Asiático.

Sua trajetória desde Manaus simboliza não apenas sucesso individual, mas a competitividade da engenharia brasileira no cenário internacional — especialmente de profissionais formados fora do eixo tradicional de desenvolvimento do país. “Essa é apenas uma parte da minha trajetória. Ainda há muito a construir”, resume.

Euzenir Gomes, a força feminina na memória da Estrada de Ferro Madeira Mamoré

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A ferroviária Euzenir Gomes trabalhou por quase 20 anos na administração no Prédio do Relógio. Foto: Júnior Costa

Em um ambiente historicamente marcado pela presença masculina, Euzenir Gomes construiu sua trajetória profissional na ferrovia, tornando-se exemplo de dedicação, competência e coragem em Rondônia. Seu trabalho na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) representou mais do que o exercício de uma função: foi um ato de afirmação feminina em um espaço tradicionalmente ocupado por homens.

Euzenir integrou uma geração de mulheres que romperam barreiras e ajudaram a consolidar a presença feminina em setores estratégicos da economia da região.

Ao atuar na ferrovia, contribuiu diretamente para manter viva uma instituição que não apenas transportava cargas, mas também conectava pessoas, culturas e impulsionava o desenvolvimento da região Norte do Brasil.

Leia também: 113 anos da EFMM: imagens raras mostram a ‘Ferrovia do Diabo’ em funcionamento

Euzenir e o protagonismo feminino

Ela trabalhou por quase 20 anos no setor de gestão de pessoas, iniciando como escriturária e chegando ao cargo de oficial de administração, no Prédio do Relógio, onde funcionava a sede administrativa da ferrovia. Hoje, aos quase 88 anos, relembra com emoção o período em que atuou na histórica ferrovia, patrimônio que marcou o nascimento e o desenvolvimento da capital rondoniense.

Euzenir iniciou como escriturária e chegando ao cargo de oficial de administração.
Foto: Divulgação

“Eu cheguei à região quando tinha 14 anos. A ferrovia foi o meu primeiro trabalho. Naquela época, as mulheres eram tarefeiras. Eu trabalhava na gestão de pessoas, o que hoje chamamos de RH. Por isso, viajei muito de trem até Guajará-Mirim, acompanhando os trabalhadores e enfrentando as dificuldades da região. Vivi muitas histórias que guardo na memória até hoje”, relembra.

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Natural do Maranhão, sempre foi determinada. Enfrentou desafios e conquistou seu espaço em um ambiente que exigia disciplina, responsabilidade e comprometimento. Foi em Porto Velho que se casou e constituiu família. Ela destaca que viveu um período marcante, em que as mulheres começaram a conquistar direitos e ampliar sua participação no mercado de trabalho.

“Eu me sinto feliz com minha trajetória como mulher. Lembro de uma época em que a gente não podia nem votar, estudar e muito menos trabalhar. Mas, aos poucos, fomos conquistando nossos espaços. Hoje, a mulher pode ser o que quiser, e eu tenho muito orgulho de dizer que trabalhei na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré”, conclui.

Memória viva da cidade

Ao longo dos anos, Euzenir acompanhou transformações importantes na cidade e na própria ferrovia. Mais do que funcionária, tornou-se guardiã de histórias que hoje integram a memória coletiva porto-velhense. Suas lembranças ajudam a manter viva uma época em que o apito das locomotivas marcava o ritmo da cidade e simbolizava progresso e integração regional.

A trajetória de Euzenir representa o protagonismo feminino na construção da história local. Sua presença na ferrovia simboliza a força das mulheres que contribuíram diretamente para o desenvolvimento social e econômico de Porto Velho.

Sua experiência reforça a importância de valorizar não apenas o patrimônio físico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, mas também as pessoas que ajudaram a construir e preservar esse legado.

Leia também: Ferroviário da EFMM: conheça a história de mais de 60 anos de dedicação de Paulo Ramos

Trajetória de Euzenir representa o protagonismo feminino na construção da história local.
Foto: Divulgação

Nas fotos em preto e branco, estão as lembranças de uma época que jamais será esquecida e que é guardada com carinho. Para o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, Euzenir Gomes e todas as mulheres que, com trabalho e determinação, ajudaram a escrever a história da capital merecem reconhecimento e homenagem.

“Preservar a memória da ferrovia é também reconhecer a contribuição feminina na construção da identidade e do desenvolvimento do município. Nossa gestão é pautada na valorização da nossa história. Tanto a Estrada de Ferro quanto a cidade de Porto Velho tiveram mãos de mulheres que ajudaram a construir a nossa identidade”, afirmou o prefeito.

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

Marabaixo do Amapá se mistura com batidas eletrônicas em nova música de Carlinhos Brown

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Com inspiração no marabaixo, ‘Boca Risonha’ é interpretada por artistas do Amapá numa parceria com o produtor e DJ Felipe Poeta. Foto: Pedro Gontijo

As raízes da cultura amapaense ecoam pelo Brasil na voz e na batida de Carlinhos Brown. O cantor lançou a faixa ‘Boca Risonha’, que mistura o batuque ancestral do Marabaixo com a pulsação da música eletrônica. A produção é assinada pelo DJ Felipe Poeta e reúne artistas do Amapá.

Leia também: Conheça história do Marabaixo, manifestação cultural ancestral do Amapá

A canção nasceu de meses de criação e traz a essência de cada participante. É um encontro entre tradição e modernidade, onde o som da floresta dialoga com sintetizadores e preserva a identidade cultural amazônica.

Na gravação, brilham nomes da música popular amapaense: Ryan Newman, Jhimmy Feiches, Patrícia Bastos e Fineias Nelluty. Juntos, eles conduzem o ouvinte a um universo alto astral, marcado pelas referências da chamada Amazônia Negra. Ouça:

Embaixador do Marabaixo

Brown, nomeado “embaixador do Marabaixo” no Estado, descreve a faixa como uma ponte que liga o Amapá ao restante do país — o único Estado brasileiro sem acesso por via terrestre. Para ele, a parceria com Felipe é também uma forma de apresentar essa cultura à juventude.

“Felipe é essa juventude de um Brasil que acena para encontrar mais de 90% de floresta em pé, a possibilidade de erguer novas árvores e que elas sejam musicais. Que a estrada de terra que falta para nos ligar com o Amapá seja suas linhas melódicas, suas partituras, seus poetas, seus cantores e sua cultura afro-ameríndia-franco-brasileira”, disse Brown.

Leia também: Marabaixo, no Amapá, passa a contar com Carlinhos Brown como novo embaixador

Felipe Poeta relembra que a ideia surgiu em uma conversa com o cantor. Inspirado, passou a madrugada misturando sons da floresta com beatbox e gravações. “Ali rolou o auge da originalidade pra nós dois”, contou.

Capa de ‘Boca Risonha’, nova música de Carlinhos Brown com inspiração no Marabaixo amapaense. Foto: Divulgação

O DJ destaca que o processo respeitou os traços da cultura amapaense, harmonizando o batuque ancestral com sonoridades contemporâneas. Para ele, a faixa é uma oportunidade de despertar curiosidade sobre o Marabaixo.

“É uma grande esperança que nós temos, que quando vocês escutarem vocês possam ter a curiosidade de saber: O que é o Marabaixo? e que tudo isso seja o começo de uma pesquisa, para que vocês possam entender como Marabaixo influência tantos outros ritmos populares”, disse Felipe.

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felipe poeta e carlinhos brown lançam musica com marabaixo e eletronica foto divulgacao
Foto: Divulgação

Felipe Poeta

DJ e produtor musical de 23 anos, Felipe conecta referências da música urbana brasileira à cena eletrônica. Suas influências vão de Fisher e Fred Again ao samba de Cartola e Paulinho da Viola.

Fundador da Tha House Company em 2021, atua como produtor e articulador criativo, promovendo encontros entre eletrônico, funk e outras expressões culturais.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Livro reúne dados de investigação sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini, no Acre

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Foto: Reprodução/Lumen Juris Editora

A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Universidade Federal do Acre (UFAC), lançou um livro que reúne informações sobre a trajetória de resistência do povo Nukini.

A obra, ‘Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá’ (Lumen Juris, 240 p.). é o resultado de uma investigação científica, que integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.

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Livro destaca importância do Povo da Onça

Arlete Muniz Ynesto Kumã matriarca do povo nukini no acre foto divulgacao
Foto: Divulgação

O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do ‘Povo da Onça’ frente aos processos de aculturação e violência histórica.

O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz).

Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.

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Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental:

  • sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual;
  • direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais;
  • e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.

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livro povo nukini de renata freitas ufac
Foto: Divulgação/UFAC

Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.

*Com informações da UFAC

Projeto une esporte e tradição para fortalecer comunidades indígenas no Pará

Terra Indígena Bacajá, no Pará, recebe projeto de esporte e sustentabilidade. Foto: Juan Ângelo/Xikrin

Uma parceria entre a Associação Indígena Berê Xikrin e a Transpetro deu início ao projeto ‘Kurkràdjá Xikrin Transpetro‘, que leva atividades esportivas e formação em sustentabilidade para a Terra Indígena Bacajá, no Pará. Com duração de 12 meses, a iniciativa promove a integração entre jovens e adultos, unindo práticas tradicionais, como o arco e flecha, ao desenvolvimento humano e à proteção ambiental.

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O projeto foi contemplado no Programa Transpetro em Movimento, viabilizado por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. Na prática, o apoio ao “Kurkràdjá Xikrin” leva recursos e políticas públicas a territórios e populações historicamente afastados do fomento esportivo estruturado.

“Este projeto é um marco para o nosso povo em torno de um objetivo comum. O Xikrin sempre foi apaixonado pelo esporte, mas agora temos organização para fortalecer tanto o futebol quanto as nossas tradições, como o arco e flecha”, comenta o Cacique Beb Kamati Xikrin, Presidente da Associação Indígena Bere Xikrin da TI Bacajá.

Esportes indígenas também ganham destaque

Ao todo, a iniciativa movimenta a Aldeia Krahn e outras 14 comunidades ligadas à Associação Berê Xikrin. O cronograma inclui seis modalidades: corrida, pau de sebo, cabo de guerra, arco e flecha, além do futebol nas categorias feminina e masculina. As atividades respeitam os costumes locais e buscam o equilíbrio entre a tradição e o interesse da comunidade.

“Vejo como uma oportunidade de ensinar aos nossos jovens a importância da união e do cuidado com as nossas raízes. Ver nossa cultura viva, com cantos e danças integrados às competições, nos dá a certeza de que estamos construindo um futuro mais forte para as próximas gerações da Terra Indígena Bacajá”, acrescenta o cacique.

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Para a gerente geral de Comunicação Empresarial da Transpetro, Lilian Rossetto, a parceria fortalece a cultura e a integração dos povos originários, promovendo um Brasil mais diverso e conectado às suas raízes.

Terra Indígena Trincheira-Bacajá, do povo Xikrin. Foto: Helena Palmquist/Acervo MPF-PA
Terra Indígena Trincheira-Bacajá, do povo Xikrin. Foto: Helena Palmquist/Acervo MPF-PA

“O projeto incentiva a prática de esportes tradicionais conduzidos pelas próprias comunidades indígenas do Pará, estimulando a participação de diferentes públicos e idades. Valorizar o esporte brasileiro e reconhecer a vocação de cada território estão entre nossos compromissos, e esta iniciativa reafirma nossa visão de futuro, pautada no desenvolvimento, respeito e inclusão.”, defende.

Integração entre as aldeias

A rotina do projeto é dividida entre as aldeias e um polo central. Enquanto os treinos e o aprimoramento individual ocorrem diariamente em cada comunidade, os amistosos e grandes encontros mensais são realizados na Aldeia Krahn. Além da técnica, os participantes recebem noções teóricas e vivências coletivas.

A preservação da natureza também “entra em campo”. Toda a execução é orientada por práticas sustentáveis, com ações de conscientização sobre o descarte correto de resíduos e o cuidado com o território. O objetivo, por sua vez, é reforçar valores que já fazem parte do modo de vida Xikrin, integrando o esporte ao cuidado com a floresta.

Para o povo Xikrin, o projeto resolve um antigo desafio: a falta de continuidade. Apesar da paixão histórica por esportes, as atividades nas aldeias não contavam com uma estrutura organizada e formativa. Agora, o trabalho segue um planejamento que integra diferentes gerações e promove o desenvolvimento contínuo de atletas e líderes comunitários.

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Os primeiros passos foram dados entre novembro e dezembro, com a organização das equipes e reuniões de logística. Como o deslocamento entre as aldeias é complexo, foi adotado um modelo híbrido: treinos locais durante a semana e um encontro coletivo mensal para celebração e intercâmbio.

O primeiro desses encontros ocorreu em dezembro, na Aldeia Krahn. O evento transformou a arena esportiva em um palco de valorização cultural, com danças e cantos tradicionais que reafirmaram a identidade do povo Xikrin. Para a Transpetro, o investimento reconhece o protagonismo indígena e amplia o alcance social da empresa em áreas remotas.

Sobre o Programa Transpetro em Movimento

O Programa Transpetro em Movimento impacta positivamente quase 300 mil pessoas em 55 municípios brasileiros, em todas as regiões do país, e é uma parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério do Esporte, por meio da Lei Rouanet e da Lei Federal de Incentivo ao Esporte.

Com capilaridade nacional, o primeiro edital público de patrocínio incentivado da Transpetro valoriza e promove a circulação de traços culturais brasileiros e a formação profissional, fortalecendo a diversidade e estimulando a inclusão de públicos minorizados ou em situação de vulnerabilidade.

Mais de 80% dos projetos contemplados acontecem em comunidades tradicionais ou em áreas de periferia, com público prioritário formado em sua maioria por crianças e adolescentes.