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Cerpa: a cervejaria paraense que uniu tradição europeia e recursos da Amazônia

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Cerveja Cerpa. Foto: Reprodução/Instagram – @callesrestobar

Calor, beira do rio, sol forte… um cenário que inspira tranquilidade e bebida gelada. Muitas pessoas escolheriam, por exemplo, uma cerveja para superar as altas temperaturas. Na Amazônia existem muitas cervejas criadas inspiradas na região, como a Cerpa.

“A empresa foi fundada em 1966, pelo emigrante alemão Karl Seibel, instalando-a junto às margens da Baía do Guajará, pois viu nos rios da Amazônia as condições ideais de pureza para fabricação de cervejas, atrelando a isso toda a bagagem e conhecimento de uma das principais escolas cervejeiras da Europa”, explica o site oficial da bebida paraense.

Assim, a Cerpa surgiu com o objetivo de produzir cervejas utilizando os recursos abundantes da Amazônia com características regionais. E sua atuação era voltada inicialmente mesmo ao mercado regional, com foco no Pará e em estados vizinhos. Essa estratégia permitiu que a marca construísse uma base sólida de consumidores locais antes de expandir para outras regiões do país.

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A Cerpa chegou a alcançar cerca de 65% de participação no mercado paraense e o sucesso inicial foi resultado da combinação entre o conhecimento técnico europeu de Seibel e os insumos amazônicos, gerando um produto reconhecido pela qualidade. Com o passar do tempo, a empresa passou por reestruturações e buscou novos caminhos para manter-se competitiva no cenário nacional, tendo cerca de 10 produtos em seu portfólio.

Foto: Reprodução/Facebook- Cerpa Cervejaria Paraense

Expansão, portfólio e distribuição

Falando em portfólio, foi por conta do crescimento da demanda que a Cerpa diversificou seus produtos e passou a incluir marcas como Tijuca, além de linhas premium e bebidas complementares. Em 2020, a cervejaria anunciou planos de ampliar sua distribuição para além da região Norte, mirando o Sudeste do Brasil.

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Essa expansão exigiu ajustes comerciais e logísticos, devido ao custo elevado de transporte da produção feita no Pará para outros centros consumidores. Em 2025, a empresa firmou uma parceria com a Cervejaria Cidade Imperial para a industrialização de sua linha de produtos na planta de Belém, reforçando um movimento de colaboração dentro do setor cervejeiro.

Imagem colorida mostra fábrica da Cervejaria Cerpa em Belém
Foto: Divulgação

Sustentabilidade e legado regional

A Cerpa mantém iniciativas voltadas à sustentabilidade. Há mais de 30 anos, opera uma estação automatizada de tratamento de efluentes, considerada pioneira na região Norte. Além disso, adota práticas de reaproveitamento de subprodutos e ações de preservação ambiental ligadas à biodiversidade amazônica.

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Segundo a empresa, essas medidas reforçam o compromisso com a responsabilidade socioambiental e consolidam sua imagem como marca regional preocupada com o meio ambiente e com o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Faturamento do PIM chega a R$ 200 bilhões e supera ano de 2024

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Até novembro de 2025, empresas da Zona Franca de Manaus faturaram mais que o registrado no mesmo intervalo de 2024. Dados são da Suframa. Foto: Reprodução/Agência Brasil

O Polo Industrial de Manaus (PIM) superou a barreira dos R$ 200 bilhões em faturamento acumulado antes mesmo do fechamento de 2025. De acordo com dados da Superitendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) divulgados na primeira semana de 2026, entre janeiro e novembro do ano passado as indústrias incentivadas da Zona Franca de Manaus (ZFM) faturaram R$ 209,48 bilhões.

O novo recorde representa um aumento de 10,42% em relação ao mesmo período de 2024 (R$ 189,71 bilhões). Em dólar, o montante acumulado nos onze primeiros meses do ano somou US$ 37.68 bilhões. Para o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, os indicadores até novembro consolidam um ano de robustez para a indústria regional.

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“Ultrapassar R$ 200 bilhões em faturamento e manter uma média de empregos superior a 131 mil trabalhadores demonstra a segurança e a estabilidade que o modelo Zona Franca oferece para quem investe na Amazônia. Todos esses indicadores validam o sucesso da nossa política de desenvolvimento regional”, avaliou Saraiva.

Faturamento PIM de janeiro a novembro 2025

Segmentos


Os subsetores com maior participação no faturamento global do PIM entre janeiro e novembro de 2025 foram Bens de Informática (20,95%), Duas Rodas (19,87%), Eletroeletrônico (17,04%), Químico (10,01%), Mecânico (9,07%), Termoplástico (8,77%) e Metalúrgico (7,94%).

Já entre os segmentos que apresentaram maior crescimento percentual no faturamento em relação a 2024, os destaques foram Vestuário e Calçados, com expressiva alta de 45,68%; Relojoeiro (27%); e Duas Rodas (23,26%).

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Faturamento pim teve maior participação de bens de informática
Bens de Informática foram os subsetores que tiveram maior participação no faturamento global do PIM em 2025. Foto: Divulgação

Produção

O aquecimento da demanda refletiu diretamente nas linhas de produção. No acumulado de janeiro a novembro, o PIM atingiu a marca de 1.998.715 unidades de motocicletas, motonetas e ciclomotos produzidas, um aumento de 17,67% ante igual período de 2024.

Outros destaques de produção no período incluíram os relógios de pulso e de bolso, com 8.088.734 unidades fabricadas (aumento de 26,45%); condicionadores de ar do tipo split system, com 5.735.938 unidades (crescimento de 7,77%); e monitores com tela de LCD para uso em informática, com 3.124.637 unidades (alta de 6,16%).

Mais empregos

Os resultados positivos do PIM também incluíram a geração de postos de trabalho. A média mensal de mão de obra do PIM em 2025, até novembro, fixou-se em 131.444 trabalhadores diretos, entre efetivos, temporários e terceirizados. O número representa um crescimento de 6,42% na comparação com a média de igual período do ano passado (123.518 trabalhadores). No recorte mensal de novembro, o PIM registrou 128.222 empregos diretos.

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Rondônia celebra 44 anos de instalação como Estado

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4 de janeiro de 1982: o governador Jorge Teixeira discursa em frente ao Palácio Presidente Vargas. Um momento histórico. Do lado direito, está o ministro do Interior, Mário Andreazza, representando o Governo Federal. Andreazza foi, posteriormente, homenageado com o nome de um município em Rondônia. Foto: R. Machado

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Neste domingo, 4 de janeiro, Rondônia comemora 44 anos de sua instalação oficial como Estado da Federação. A data marca o fim de um ciclo iniciado em 1943, quando foi criado o Território Federal do Guaporé, com terras desmembradas do Mato Grosso e do Amazonas, e simboliza a conquista da autonomia administrativa e política da região.

A instalação ocorreu em 1982, em Porto Velho, com uma solenidade em frente ao Palácio Presidente Vargas, sede do Governo Estadual. Autoridades civis e militares se reuniram para celebrar a transição de Território para Estado, em um ato marcado por discursos que exaltaram o papel estratégico de Rondônia na Amazônia Ocidental e pela esperança de desenvolvimento que se abria com a nova condição federativa.

O clima foi de emoção e civismo. Milhares de pessoas acompanharam a cerimônia, cujo ponto alto foi o primeiro hasteamento oficial da bandeira de Rondônia, criada por Silvio Carvajal Feitosa. O governador nomeado, coronel Jorge Teixeira de Oliveira, escolhido pelo presidente João Figueiredo, tomou posse como o primeiro chefe do Executivo estadual. Ministros de Estado, parlamentares e lideranças locais reforçaram a importância estratégica da criação de Rondônia, enquanto a população transformava o ato em uma verdadeira festa popular.

Contexto histórico

Rondônia foi elevado à categoria de Estado pela Lei Complementar nº 41, sancionada em dezembro de 1981. Nos dias que antecederam a instalação, Jorge Teixeira sancionou decretos que instituíram os símbolos oficiais – bandeira, brasão e hino — e organizaram a estrutura administrativa. A instalação marcou a entrada de Rondônia no cenário político nacional como unidade federativa plena, com direito a representação no Congresso e autonomia administrativa.

Identidade e legado

Ao longo de mais de quatro décadas, Rondônia consolidou-se como uma terra multifacetada, marcada pela diversidade cultural e pela força econômica. Migrantes de várias regiões do Brasil, indígenas, seringueiros, quilombolas e povos tradicionais, além dos estrangeiros, compõem uma sociedade plural. É também o único Estado brasileiro que carrega em seu nome a homenagem a um herói nacional: o marechal Cândido Rondon, símbolo de integração e respeito às culturas originárias.

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Os personagens por trás das criações oficializadas em 1982

A identidade de Rondônia contada pelos símbolos

A bandeira, o brasão e o hino de Rondônia são mais do que representações gráficas: são expressões da história, da cultura e das contradições que moldaram o estado desde sua criação.

A bandeira criada por um adolescente

Aos 17 anos, Sílvio Carvajal Feitosa venceu o concurso público que definiu a bandeira oficial de Rondônia. Com o prêmio, custeou parte dos estudos em Arquitetura e Urbanismo, curso que concluiu no Rio de Janeiro. Desde cedo, demonstrava talento para desenho geométrico e trabalhos manuais, estudando em escolas de Minas Gerais, Brasília e Rio.

Foi em Brasília, incentivado pelo pai, o empresário e acadêmico Cláudio Feitosa, que se inscreveu no concurso estadual para criação dos símbolos. A bandeira, aprovada em 31 de dezembro de 1981, traz as cores do Pavilhão Nacional e representa a ocupação do estado pelas vias fluvial (Rio Madeira) e terrestre (BR-364). O verde simboliza a estrada, o azul o céu, a estrela de prata a esperança, e o amarelo as riquezas naturais. Tecnicamente, o projeto segue a proporção áurea, com 14 módulos verticais e 20 horizontais. “Todo símbolo precisa de identidade”, afirma Sílvio.

Sílvio Carvajal Feitosa, atualmente: o criador da bandeira de Rondônia
Sílvio Carvajal Feitosa, atualmente; o criador da bandeira de Rondônia. Foto: Acervo pessoal

Publicitário goiano criou o brasão

O Brasão de Armas de Rondônia foi criado em 1981 por Marco Aurélio do Nascimento Anconi, publicitário goiano radicado no estado desde 1980. À época, Anconi integrava uma equipe de paraquedismo convidada pelo governo para a inauguração do Parque dos Tanques, em Porto Velho. Após uma apresentação, seus trabalhos gráficos chamaram a atenção de técnicos da Secretaria de Planejamento do Território Federal, que o convenceram a permanecer em Rondônia.

“Eu estava no auge da carreira em Goiânia e não pensava em ficar. Mas me ofereceram dez vezes o salário que eu recebia. Bebi a água do Madeira e nunca mais saí daqui”, recorda o publicitário que ainda vive na capital rondoniense.

Marco Aurélio criou o brasão de armas
Marco Aurélio criou o brasão de armas. Foto: Acervo pessoal

Com apenas 27 anos, estudioso de heráldica (a arte e ciência dos brasões de armas, criada na Europa medieval para identificar famílias, instituições e territórios), Anconi concebeu o brasão oficial justamente no momento em que o antigo território federal se transformava em unidade federativa autônoma. Além da publicidade, construiu trajetória como jornalista, escritor e artista gráfico, sendo hoje membro da Academia Rondoniense de Letras.

Explicando o brasão:

  • Escudo azul: simboliza o céu e a vastidão da Amazônia.
  • Estrela central: representa Rondônia como unidade federativa, destacando sua posição na região Norte.
  • Elmo prateado com paquifes verdes: colocado no topo do escudo, remete à tradição heráldica e à proteção.
  • Timbre com espada desembainhada: apontada para cima, simboliza justiça, força e defesa da sociedade.
  • Há, ainda, elementos que reportam às lavouras tradicionais e os monumentos históricos estilizados: o Forte Príncipe da Beira, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e a espada de Marechal Rondon.

Integralista escreveu o Hino de Rondônia

O hino oficial “Céus de Rondônia” tem origem no poema “Céus do Guaporé” (o nome do território foi alterado em 1956) , escrito na década de 1950 pelo engenheiro civil baiano Joaquim Araújo Lima, primeiro governador civil do Território Federal, entre 1948 e 1951. A letra celebra os pioneiros que enfrentaram desafios para colonizar terras ancestrais indígenas, mas também carrega marcas de um passado controverso.

Antes de chegar a Rondônia – onde trabalhou na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré – , Araújo Lima era ativista membro da Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento político de inspiração fascista, colocado na ilegalidade em 1938, durante o Estado Novo. Chegou a ser processado. Após anistia, mudou-se para Porto Velho nos anos 1940, onde escreveu o poema que se tornaria hino. A melodia homenageia os “bandeirantes”, mas a associação é hoje alvo de críticas e revisões históricas.

Joaquim Araújo Lima escreveu o hino de Rondônia. Foto: Divulgação/Secom RO

Além do hino, noo governo, sua administração deixou importantes legados como o Palácio Presidente Vargas, o Hotel Porto Velho (hoje UNIR-centro) e a Escola Carmela Dutra.

O ex-governador morreu em meados de 1968. Em 5 de setembro de 1968, o então presidente Costa e Silva sancionou a Lei nº 5.493, que concedia uma pensão especial à sua viúva, Joaquina Gomes de Araújo Lima, citando o falecimento trágico do engenheiro, que segundo o documento, faleceu “em acidente em serviço” da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Trecho do hino (a melodia é de José Mello e Silva): “Nós os Bandeirantes de Rondônia /Nos orgulhamos / De tanta beleza / Como sentinelas avançadas / Somos destemidos pioneiros.”

O hino, uma história em revisão

A narrativa oficial de Rondônia, centrada na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e da BR-364, trata as pessoas envolvidas nesses empreendimentos como “pioneiras” e “bandeirantes”. E tende a ignorar os povos indígenas que moldaram a região por milênios. Também são pouco lembrados os seringueiros, os habitantes dos postos telegráficos, os negros dos quilombos do Vale do Guaporé e os brasilianistas que contribuíram para a identidade local muito antes da década de 1960.

Os símbolos do estado, embora celebrados, também convidam à reflexão sobre as múltiplas camadas da história rondoniense — suas glórias, suas omissões e a necessidade de revisitar narrativas à luz da diversidade cultural e dos direitos históricos dos povos originários.

Os bastidores da história

A briga dos coronéis

A instalação de Rondônia como estado da Federação, em 4 de janeiro de 1982, foi marcada por festa cívica e emoção popular, mas também por disputas políticas entre os dois militares. Nomeado pelo presidente João Figueiredo, Jorge Teixeira tornou-se o primeiro governador do novo estado. Popular, conquistou a simpatia da população e tornou-se até nome de municípios (Teixeirópolis e Jorge Teixeira) e do aeroporto internacional de Porto Velho. Sua gestão incluiu escolas rurais, hospitais e a inauguração do asfalto da BR-364, que projetou Rondônia nacionalmente como “novo eldorado” e atraiu migrantes.

Apesar da imagem de “tocador de obras”, Teixeirão foi acusado de autoritarismo e perseguição por adversários como Jerônimo Santana e Tomás Correia, ambos do PMDB. O coronel Humberto Guedes, seu antecessor no governo do território, também o criticou em carta aberta, alegando detratação e perseguição a seus aliados. Durante sua administração, Guedes havia criado municípios estratégicos ao longo da BR-364, como Vilhena, Pimenta Bueno, Ji-Paraná, Ariquemes e Cacoal, fundamentais para a elevação de Rondônia à condição de estado, consolidada por Teixeirão com apoio de Figueiredo. A rivalidade entre os coronéis expôs fissuras no PDS, partido que sustentava o regime militar.

Rondônia foi elevado a 23º estado brasileiro pela Lei Complementar nº 41, de 22 de dezembro de 1981, e instalado em 4 de janeiro de 1982. No mesmo ano, em 15 de novembro, ocorreram eleições gerais em 23 estados e nos territórios do Amapá e Roraima. Embora não houvesse eleição direta para governador, Jorge Teixeira manteve o cargo e trabalhou para fortalecer as bases de Figueiredo no Congresso.

Foram eleitos os senadores Odacir Soares, Galvão Modesto e Claudionor Roriz, todos do PDS e apoiados por Teixeirão. O partido também conquistou seis das oito vagas de deputado federal e 15 das 24 estaduais. Insatisfeito desde sua substituição em 1979, Humberto Guedes deixou o PDS em 1982 e tentou migrar para o PP de Tancredo Neves, extinto pouco depois, com seus quadros absorvidos pelo PMDB.

Em carta intitulada “Aos amigos de Rondônia”, Guedes acusou Teixeirão de perseguir antigos aliados, como Antônio Morimoto, que pretendia disputar vaga no Senado em 1982, mas não conseguiu apoio. Morimoto foi deputado federal por São Paulo e o relator da lei que transformou Rondônia em estado. Transferiu o domicílio eleitoral para Vilhena, sob a promessa – não cumprida de Teixeirão – de que ele seria candidato a senador.

Os três senadores eleitos e Teixeirão: união durou apenas alguns meses. Foto: Divulgação

No início de 1984, Teixeirão licenciou-se por 42 dias para fisioterapia, após lesão em salto de paraquedas. Nesse período, Rondônia teve a primeira mulher governadora do país: Janilene Vasconcelos de Melo, secretária de Planejamento, que assumiu interinamente aos 35 anos.

Naquele ano, Teixeirão inaugurou o asfalto da BR-364, mas enfrentou o avanço das Diretas Já e a rejeição da emenda Dante de Oliveira. Ligado ao PDS, apoiou Paulo Maluf, mas viu o partido se desintegrar após a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Também fracassou seu projeto de se tornar ministro em um eventual governo de Mário Andreazza – que perdeu para Maluf a indicação do PDS para ser o candidato à presidência para Maluf, este derrotado por Tancredo Neves no colégio eleitoral

Com a redemocratização e a morte de Tancredo, José Sarney assumiu a presidência e, em 1986, exonerou Teixeirão atendendo às pressões do PMDB local. Assim, foi nomeador o deputado estadual Ângelo Angelim para governador. O coronel deixou o governo ainda popular, recusou convites para disputar cargos no Amazonas e em Rondônia e encerrou sua trajetória política. Menos de dois anos depois, faleceu no Rio de Janeiro.

Avesso à esquerda, temia a ascensão de Jerônimo Santana, que considerava “caluniador” e “inútil”. Para sua decepção, foi justamente a oposição quem assumiu o comando do estado. Após a exoneração, partiu para o Rio de Janeiro, onde recebeu o carinho de amigos do Exército, que o chamavam de “Boião”. A população lamentou sua saída, mas adversários políticos celebraram

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Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ministério da Saúde institui Política Nacional de Regulação com diretrizes específicas para indígenas

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Foto: Divulgação/MS

O Ministério da Saúde (MS) publicou, no Diário Oficial da União, a Portaria GM/MS nº 9.262, de 30 de dezembro de 2025, que institui a Política Nacional de Regulação do Sistema Único de Saúde (PNR-SUS). A nova política estabelece diretrizes para organizar o acesso aos serviços em todo o país, com atenção à equidade, à integralidade do cuidado e à redução das desigualdades regionais.

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No que se refere à situação indígena, a Portaria reconhece as especificidades dos povos indígenas no processo regulatório do SUS e reforça o papel dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) na articulação com estados e municípios.

O normativo determina que critérios de priorização para usuários em situação de vulnerabilidade sejam avaliados de forma conjunta entre gestores locais e os DSEI, considerando os usuários atendidos pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), em conformidade com a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI).

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Saúde Indígena
Foto: Marcelo Seabra/Agência Pará

Atenção Especializada à Saúde

A Portaria também estabelece que estados e municípios, em parceria com os DSEI, deverão definir fluxos regulatórios específicos para o atendimento aos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (PIIRC), especialmente na Atenção Especializada, garantindo acesso oportuno e a redução de riscos sanitários e agravos.

Com a instituição da PNR-SUS, o MS reforça o compromisso com a organização dos fluxos assistenciais de forma integrada, respeitando os contextos territoriais, socioculturais e epidemiológicos, e fortalecendo a atuação dos DSEI na garantia do direito dos povos indígenas em todo o país. 

*Com informações do MS

‘Medo’: venezuelana em Manaus acompanha situação de parentes após ataque dos EUA

Yudith mora há oito anos em Manaus. Ela disse que acompanhou desde cedo sobre o ataque realizado por forças americanas contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3). Foto: Yudith Mercedes Garcia Moreno/Acervo pessoal

Yudith Mercedes Garcia Moreno, imigrante venezuelana que mora há oito anos em Manaus (AM), contou ao Grupo Rede Amazônica que a família em Maturín, capital do estado de Monagas, está bem, mas permanece dentro casa.

Ela disse que acompanhou desde cedo sobre o ataque realizado por forças americanas contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3). Segundo Yudith, os familiares que ainda vivem no país enfrentam uma realidade marcada pelo “medo e pela escassez”.

Saiba mais: Entenda como fica a situação da Venezuela após o ataque dos Estados Unidos e prisão de presidente e primeira dama

Yudith trabalha com manicurista e mora com a filha de 18 anos, Yulieth Garcia 18 anos, no bairro de Parque 10, zona Centro-Sul. Ela deixou a Venezuela em busca de sobrevivência.

“A Venezuela viveu e ainda vive sob uma ditadura opressora, onde muitas pessoas foram perseguidas, presas e até mortas por expressarem suas opiniões ou se posicionarem contra o governo. Houve inúmeros mortos políticos, e muitas vidas foram injustiçadas não só pela repressão direta, mas também pela fome e pela miséria. Pessoas morreram injustamente por não terem o que comer ou simplesmente por falar contra um governo que silenciou seu próprio povo”, relatou.

Natural de Maturín, Yudith veio para Manaus para garantir a sobrevivência e cuidar da filha mais velha. “Vim da Venezuela forçada pelas circunstâncias, deixando para trás minha terra, minha história e muitas pessoas queridas. Aqui no Brasil enfrentei muitas dificuldades, mas nunca desisti, porque minha maior motivação sempre foi garantir um futuro melhor para minha filha e proteger minha família”, pontuou.

Ela destacou que a vida de imigrante não é fácil, marcada por preconceito e falta de oportunidades.

“Trabalho de forma honesta e batalho diariamente para manter minha casa. A vida de imigrante não é fácil: enfrentei preconceito, falta de oportunidades e momentos de muita dor e insegurança. Mesmo assim, sigo firme, porque sei que minha luta representa resistência e esperança depois de tudo que o povo venezuelano sofreu”.

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Ela contou que mantém contato com a família em Maturín desde as primeiras horas do dia e que todos estão bem:

“Tenho parte da minha família em Manaus, mas ainda há familiares na Venezuela. Lá residem ainda a minha vó, tia com esposo e filhos. Eles vivem sob uma realidade marcada pelo medo e pela escassez. A preocupação é constante, pois sei que muitos continuam sofrendo com a fome, a falta de medicamentos e a ausência de direitos básicos. Essas condições forçaram milhares de pessoas, como eu, a deixar o país para sobreviver”.

a venezuelana Yudith Mercedes Garcia Moreno e a filha moram em manaus
Foto: Yudith Mercedes Garcia Moreno/Acervo pessoal

Esperança

Apesar dos ataques, Yudith afirma que os venezuelanos mantêm esperança no futuro do país.

“Mesmo depois de tanta dor, ainda carrego esperança. A captura de Nicolás Maduro representa, para mim e para muitos venezuelanos, a possibilidade de liberdade e justiça. É a esperança de que o sofrimento do nosso povo não tenha sido em vão e de que a Venezuela possa, um dia, ser um país livre, onde ninguém precise fugir por fome, medo ou perseguição, e onde possamos viver com dignidade, sem opressão”.

Venezuelanos no Amazonas

O Amazonas é o segundo estado com maior concentração de venezuelanos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022 mostram que mais de 30 mil venezuelanos vivem no Amazonas. O primeiro, com quase 60 mil, é Roraima.

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Ataque

Uma série de explosões atingiu Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, na madrugada deste sábado. Pouco depois, o governo venezuelano afirmou que o país foi alvo de uma “agressão militar” dos Estados Unidos.

Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas.

O presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram capturados e levados de avião para os Estados Unidos. De acordo com o presidente Donald Trump, o casal será levado a Nova York a bordo de um navio de guerra.

Maduro será julgado pela Justiça dos Estados Unidos em um tribunal de Nova York, anunciou neste sábado a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi.

Segundo Bondi, Maduro e sua esposa foram formalmente acusados na Justiça dos EUA pelos seguintes crimes:

  • Conspiração para narcoterrorismo;
  • Conspiração para importação de cocaína;
  • Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
  • Conspiração para posse de metralhadores.

Já o chanceler venezuelano, Yván Gil, solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU após os ataques.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Amapá passa a integrar Rota do Mel, divulga MDIR

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Segundo o MIDR, a diversidade da floração no Amapá foi um dos fatores para a integração. Foto:

O Amapá agora faz parte da Rota do Mel, iniciativa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) que busca tornar o produto mais competitivo e ampliar a exportação das cooperativas.

Com a inclusão, o estado se junta a 370 municípios de 12 estados, já integrados às cadeias do cacau, açaí e pescado.

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Segundo o MIDR, a diversidade da floração no Amapá foi um dos fatores para a integração.

“O Amapá tem uma diversificação da florada melipona e apícola. Essa oportunidade fortalece a cadeia produtiva em prol de produtores rurais, agricultura familiar, empresas privadas e instituições de pesquisa”, explicou Samuel Castro, coordenador do ministério.

O mel feito com flores de açaí, produzido por duas startups do estado, a Néctar da Amazônia e BioNéctar Ativos da Amazônia, foi destaque na COP30. O produto tem sabor marcante e quase todo o estoque foi vendido durante o evento.

Leia também: Mel de flor de açaí produzido no Amapá ganha destaque na COP30

A produção envolve abelhas sem ferrão, que coletam o néctar das flores de açaí. Cerca de 300 pessoas de comunidades tradicionais participam da colheita.

Abelha sem ferrão é responsável pela produção de mel no amapá
Abelha sem ferrão. Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica AP

Produção de mel no Amapá

Atualmente, o Amapá tem cerca de 200 produtores, mas apenas três certificados. A expectativa do governo é ampliar esse número.

“Esperamos que em breve todo o mel consumido no Amapá seja da produção local. Essa é uma oportunidade de integrar nossos produtores ao sistema nacional”, disse o vice-governador Teles Júnior.

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As cooperativas pretendem usar a integração para capacitação e legalizar a produção, garantindo mais qualidade e competitividade no mercado.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Quase 900 animais silvestres foram resgatados no Amazonas em 2025, diz Ibama

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Animais chegaram ao Cetas após resgates, apreensões e entregas voluntárias. Foto: Joedi Porto e Antonio Humberto/Sepet-AM

No Amazonas, 878 animais silvestres deram entrada no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Manaus. Os animais chegaram ao local após resgates, apreensões e entregas voluntárias.

No Brasil, o “resgate de animal silvestre” é definido pela legislação ambiental como a retirada de indivíduos da fauna nativa em situações de risco ou impacto causado por atividades humanas, desastres naturais ou presença em áreas urbanas, com o objetivo de garantir sua sobrevivência e posterior destinação adequada.

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Segundo o Ibama, 103 animais foram apreendidos durante ações de fiscalização e 602 foram resgatados em situações como incêndios florestais ou aparições em áreas urbanas. As operações de resgate e fiscalização são realizadas em parceria com o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb) e o Corpo de Bombeiros.

Resgates que foram destaques

Onça Golias

O filhote de onça-pintada Golias, que era mantido como ‘pet’ por uma família em Santo Antônio do Içá, no Amazonas. Ele foi resgatado após uma ção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O animal foi transferido para Manaus e posteriormente foi enviado santuário de felinos do Instituto Nex, em Goiás.

Onça Pintada resgata no Rio negro

Fotos: Joedi Porto e Antonio Humberto/Sepet-AM

Uma onça-pintada foi resgatada após passar horas nadando à deriva no Rio Negro, em Manaus, em outubro de 2025. O animal, visivelmente debilitado e sem forças, foi avistado por moradores e embarcações que transitavam pela região da Ponta Negra, o que mobilizou uma força-tarefa com equipes do Batalhão Ambiental, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Proteção Animal e Instituto Laiff para retirar o felino da água com segurança.

Após o resgate, exames revelaram que a onça havia sido atingida por um disparo de espingarda, com mais de 30 estilhaços alojados na cabeça, rosto e pescoço, além de dentes quebrados e ferimentos graves.

O caso gerou grande repercussão e preocupação entre autoridades ambientais, que destacaram a gravidade da violência contra o animal e a importância da rápida mobilização para salvar sua vida

Leia também: Onça-pintada resgatada no Rio Negro é devolvida à natureza no Amazonas

Gavião-pedrês e dois filhotes de aracuã

Um gavião-pedrês e dois filhotes de aracuã foram resgatados em Manaus após serem encontrados em situação de risco. O resgate aconteceu em agosto de 2025, quando moradores acionaram equipes ambientais ao perceberem que as aves estavam debilitadas.

O gavião-pedrês foi localizado em área urbana, enquanto os filhotes de aracuã estavam em condições que poderiam comprometer sua sobrevivência. A ação contou com apoio do Batalhão de Policiamento Ambiental e do Corpo de Bombeiros, que realizaram a captura segura dos animais.

Espécie de Gavião Pedrês está entre os quase 900 animais silvestres resgatados no amazonas em 2025
Espécie resgatada de Gavião Pedrês. Foto: Divulgação

Após o atendimento inicial, os animais passaram por avaliação veterinária e foram encaminhados para reabilitação no Cetas Manaus. O objetivo foi garantir a reintegração ao habitat natural.

Filhote de gavião-real

Um filhote de gavião-real foi resgatado em Novo Airão, no Amazonas, e foi levaod ao Projeto Harpia. A ave, considerada a maior espécie de águia das Américas, foi encontrada debilitada e encaminhada para cuidados veterinários.

O caso chamou atenção pela importância da preservação da espécie, que está ameaçada de extinção. O Projeto Harpia destacou que o resgate e a busca pelo ninho fazem parte de um esforço maior de conservação da fauna amazônica, ressaltando que a colaboração entre comunidade e instituições ambientais é fundamental para proteger animais silvestres da região.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Países da América Latina se manifestam sobre ataque à Venezuela

Militares dos EUA levaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (foto), para fora do país. Foto: Reprodução/Gabinete de Imprensa da Presidência da Venezuela

Além da manifestação do governo brasileiro, os governos do Chile, Colômbia e México condenaram o ataque militar dos Estado Unidos contra a Venezuela. Seus líderes defenderam a garantia do direito internacional à Venezuela, incluindo a soberania do país e integridade territorial. A Argentina celebrou o sequestro do presidente Nicolás Maduro, enquanto a Bolívia classificou o governo venezuelano de narcoestado.

Saiba mais: Entenda como fica a situação da Venezuela após o ataque dos Estados Unidos e prisão de presidente e primeira dama

Colômbia

Presidente da Colômbia, Gustavo Petro afirmou que o país adota uma posição orientada para a preservação da paz regional e fez um apelo para que as partes envolvidas se abstenham de ações que “aprofundem o confronto e priorizarem o diálogo e os canais diplomáticos”.

“A Colômbia reafirma seu compromisso inabalável com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular o respeito à soberania e integridade territorial dos Estados, a proibição do uso ou da ameaça de força e a solução pacífica de controvérsias internacionais. Nesse sentido, o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil”, disse Petro, por meio das redes sociais.

Como ação preventiva, ele afirmou que implementou medidas para proteger a população civil, preservar a estabilidade na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela e atender prontamente a quaisquer necessidades humanitárias ou migratórias potenciais, em coordenação com as autoridades locais e agências competentes. “Que Bolívar proteja o povo venezuelano e os povos da América Latina”, finalizou.

Chile

Gabriel Boric, presidente do Chile, pediu uma resolução pacífica, em publicação nas redes sociais. A crise venezuelana, como Boric classificou, deve ser resolvida por meio do diálogo e do apoio ao multilateralismo, e não por meio da violência ou da interferência estrangeira.

“O Chile reafirma seu compromisso com os princípios fundamentais do direito internacional, como a proibição do uso da força, a não intervenção, a solução pacífica de controvérsias internacionais e a integridade territorial dos Estados”, escreveu no X (antigo Twitter).

México

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, condenou o ataque militar estadunidense à Venezuela e publicou, em seu perfil do X, posicionamento citando o Artigo 2, parágrafo 4 da Carta das Organização das Nações Unidas (ONU).

“Os membros da Organização devem abster-se, em suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado ou de qualquer outra forma incompatível com os Propósitos das Nações Unidas”, afirmou.

Argentina

O presidente da Argentina, Javier Milei, em comunicado oficial, disse celebrar “a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por parte do governo dos Estados Unidos da América”.

Ele classificou o papel da Venezuela no continente como “inimigo da liberdade” e fez uma comparação com Cuba dos anos 1960. 

Os EUA impõem, há mais de 60 anos, um duro bloqueio econômico ao governo cubano com o objetivo de mudar o regime político do país, estabelecido após a Revolução de 1959. O embargo a Cuba é condenado pela maioria dos países. Eles consideram uma violação ao direito internacional.

Bolívia

A Bolívia divulgou nota, por meio do Ministério de Relações Internacionais, dizendo que apoia de “maneira firme e imediata” o povo venezuelano no que classificou de “recuperação de sua democracia”.

O governo boliviano do presidente Rodrigo Paz diz que “considera inadiável o início de uma transição democrática real que ponha fim ao narcoestado, desmonte os mecanismos de repressão e corrupção e restabeleça a legitimidade institucional conforme a vontade soberana do povo venezuelano”.

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Entenda o ataque à Venezuela

O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela neste fim de semana marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última vez que os EUA invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel.

O governo de Donald Trump estava oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem Maduro à prisão.

Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos – como China e Rússia – além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil

Saúde mental é foco de projeto com povo indígena Mura em Itacoatiara

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Foto: Divulgação

Estudantes e docentes da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, no Amazonas, desenvolveram um projeto de extensão na área de saúde mental, voltado ao povo indígena Mura. A iniciativa, que está sendo implementada desde o segundo semestre de 2025, une conhecimento científico e saberes tradicionais, promovendo o cuidado emocional e fortalecendo as práticas coletivas de saúde e bem-estar na Aldeia Correnteza, localizada na Terra Indígena (TI) Rio Urubu.

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O projeto, denominado ‘Saúde Mental Indígena: abordagem intercultural e promoção de saúde e bem-estar em comunidade originária’ nasceu a partir da identificação de vulnerabilidades emocionais decorrentes da perda de território, do choque cultural e de outros desafios enfrentados.

Diante disso, a instituição propôs uma ação de inclusão, voltada à valorização dos saberes tradicionais, por meio de uma abordagem intercultural, conforme detalha a diretora da Afya Itacoatiara, Soraia Tatikawa.

O Amazonas concentra a segunda maior população indígena do país, representando 12,45% dos habitantes do estado, segundo o Censo de 2022. Em Itacoatiara, 1.218 pessoas se autodeclararam indígenas. Boa parte das comunidades indígenas da região, entretanto, enfrenta barreiras históricas no acesso a serviços especializados.

Leia também: Pesquisa inédita inicia mapeamento na Região Norte sobre desafios de saúde mental em universidades

A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) aponta a escassez de profissionais e a dificuldade de acesso a atendimentos psicossociais em áreas remotas, como problemas persistentes. Isso torna a atenção à saúde mental um dos maiores desafios dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).

A coordenadora do projeto da Afya Itacoatiara, professora Ádria Cortez, explica que a ação é uma resposta humanística e acadêmica direta a esse quadro. O projeto, diz ela, faz parte de um dos eixos de pesquisa da instituição. A ação se insere no eixo Projetos de Intervenção e Extensão na Educação Profissional em Enfermagem e Medicina (Piepe), que aborda a saúde mental.

Segundo Ádria Cortez, a instituição também foi motivada a implementar esse projeto com o objetivo de reconhecer e valorizar formas de cuidado e bem-viver dos povos originários, tema ainda pouco presente nos serviços tradicionais de saúde.

“Na região do Médio Amazonas, construímos um projeto que promove diálogo intercultural, respeitando os saberes e valorizando as práticas que fazem parte da vida dessa população”, acrescenta.

O projeto é executado na Aldeia Correnteza, que abriga 46 famílias e mais de 130 pessoas na TI Rio Urubu. A participação ativa das lideranças Mura foi crucial para garantir a pertinência cultural das ações. “A presença delas foi fundamental para que as atividades fossem culturalmente adequadas. As lideranças mediaram o conhecimento, orientando sobre as formas corretas de abordar determinados temas e ajudando a criar um ambiente de confiança entre a equipe e a comunidade”, reforça a coordenadora.

As atividades incluem rodas de conversa, dinâmicas, palestras educativas e consultas médicas, com o objetivo de valorizar a identidade cultural e incentivar o autocuidado.

“Antes das ações, ouvimos as lideranças. O planejamento foi construído de forma participativa, considerando o tempo, o espaço e os rituais da comunidade, para garantir uma comunicação acessível e respeitosa”, complementa a professora.

Para Ádria Cortez, a abordagem intercultural no campo da saúde mental é transformadora. “Significa reconhecer que existem múltiplas formas de compreender e tratar o sofrimento psíquico. Essa abordagem propõe um encontro entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais, considerando o contexto espiritual, social e cultural de cada povo”, afirma. Na prática, ela ressalta, isso envolve escuta sensível, respeito aos rituais, uso do idioma local e valorização das práticas comunitárias de cura e acolhimento.

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Saúde mental dos indígenas Mura foi avaliada em Itacoatiara, no Amazonas. Foto: Divulgação

Formação humanística da saúde mental e visão de futuro

A participação de estudantes e professores da Afya é intrínseca à disciplina Piepe, articulando teoria e prática por meio de experiências de campo. “Os estudantes vivenciam o contato direto com as comunidades, aprendem sobre a importância da interculturalidade e desenvolvem competências humanísticas essenciais à formação em saúde”, destaca Ádria Cortez.

Essa vivência contribui para formar profissionais mais sensíveis à diversidade cultural amazônica. “O contato com as comunidades permite reconhecer as dimensões sociais, culturais e espirituais do cuidado. Essa experiência os torna profissionais mais empáticos, críticos e preparados para atuar em diferentes contextos da Amazônia”, completa a professora.

A diretora da Afya de Itacoatiara, Soraia Tatikawa, ressalta que a iniciativa reforça o compromisso social da instituição. “O projeto consolida o papel da faculdade como espaço que valoriza o saber local e atua de forma colaborativa, promovendo a troca de conhecimentos e o desenvolvimento regional sustentável”, observa.

Entre os resultados esperados, Soraia Tatikawa cita o fortalecimento do diálogo e a construção de práticas de saúde mental mais inclusivas. “A médio prazo, buscamos ampliar o número de comunidades atendidas. A longo prazo, pretendemos estabelecer uma rede de apoio e formação continuada voltada à saúde mental indígena”.

Nesse aspecto, a academia tem papel fundamental. A universidade, na sua visão, deve atuar como um espaço de diálogo intercultural, valorizando os saberes tradicionais e fortalecendo a identidade indígena. Assim, torna-se um agente de transformação social, comprometido com a equidade e o respeito à diversidade.

Cuiabanos que inspiram: cinco personalidades que ajudaram a escrever a história da cidade

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Foto: Reprodução/Secom MT

A trajetória da capital mato-grossense, Cuiabá, está diretamente ligada à de pessoas que marcaram seu tempo e deixaram legados em diferentes áreas da cultura, política, literatura e costumes populares. Ao longo dos séculos, cuiabanos transformaram suas origens em símbolos de identidade regional, contribuindo para a construção de uma cidade rica em tradições e memórias.

As histórias desses cuiabanos seguem sendo transmitidas de geração em geração, preservando saberes, expressões culturais e modos de vida que definem a essência de capital. Em cada uma delas, há um pedaço da cidade e de sua gente — seja no trabalho, na arte, na fé ou na luta.

Os cuiabanos que se destacaram ao longo do tempo representam não apenas a história local, mas também o modo como a capital dialoga com o Brasil e com o mundo. Suas trajetórias revelam a força de um povo que valoriza as origens e mantém viva a cultura regional. A contribuição dessas personalidades reforça a importância dos cuiabanos que ajudaram a construir o patrimônio histórico e cultural da capital.

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Entre as figuras que marcaram esse caminho estão nomes reconhecidos nacional e internacionalmente. Da culinária à literatura, do folclore à política, cada um contribuiu para projetar a imagem de Cuiabá e reforçar sua importância na história do país.

Conheça algumas dessas personalidades cuiabanas que se tornaram referência e inspiração para novas gerações:

Dona Eulália

Nascida na zona rural de Cuiabá em 1934, Eulália da Silva Soares, conhecida como Dona Eulália, se tornou um dos maiores ícones da culinária cuiabana. Sua trajetória começou no bairro da Lixeira, onde passou a vender bolinhos de arroz, quitute que se tornaria símbolo da gastronomia regional.

De porta em porta, em frente de escolas e na Igreja São Benedito, ela conquistou o público com a receita tradicional. O sucesso a levou a abrir, no quintal de casa, um espaço dedicado à venda dos bolinhos — um ponto cultural e gastronômico da cidade.

Reconhecida pela autenticidade do sabor, Dona Eulália foi premiada diversas vezes pela Veja Comer & Beber Cuiabá entre 2017 e 2020. Sua dedicação ajudou a consolidar o bolinho de arroz como um patrimônio afetivo e culinário do estado.

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Foto: Emanoele Daiane Cruz

Dona Domingas e o Grupo Flor Ribeirinha

Natural da comunidade de São Gonçalo Beira Rio, Domingas Leonor da Silva, ou Dona Domingas, é a fundadora do Grupo Flor Ribeirinha, uma das mais importantes expressões culturais de Mato Grosso. O grupo atua há mais de três décadas no resgate e difusão das tradições do Siriri e do Cururu, danças típicas da região.

Saiba mais: Cururu, Chorado, Mascarados: conheça danças que fazem sucesso em Mato Grosso

O Flor Ribeirinha ultrapassou fronteiras e se tornou referência mundial, com títulos conquistados em festivais na Turquia (2017), Polônia (2021) e Bulgária (2022), além do tetracampeonato mundial no Cheonan World Dance Festival em 2024 na Coreia do Sul.

Dona Domingas também recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Mato Grosso e foi vencedora do Prêmio Nacional Mestre da Cultura Popular em 2018. Em 2025, o grupo foi oficialmente reconhecido como patrimônio histórico e imaterial de Cuiabá.

Manoel de Barros, um dos cuiabanos mais conhecidos do Brasil

O poeta Manoel Wenceslau Leite de Barros, nascido em Cuiabá em 1916, é considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira e está entre os cuiabanos mais conhecidos do Brasil. Sua obra, profundamente marcada pelo Pantanal, explora a simplicidade e a força poética das pequenas coisas.

Autor de quase 30 livros, Manoel publicou seu primeiro em 1937, Poemas concebidos sem pecado, e o último em 2011, Escritos em verbal de ave. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Jabuti, em 1990 e 2002, e o Prêmio Nacional de Literatura, em 1998.

Sua poesia foi traduzida para várias línguas e admirada em diferentes países. Até hoje, sua escrita inspira leitores e escritores pela forma singular como retrata a natureza e a linguagem popular do Centro-Oeste e dos cuiabanos.

Foto: Reprodução/Fundação Manoel de Barros

Eurico Gaspar Dutra

Entre os cuiabanos de destaque está também Eurico Gaspar Dutra, nascido em 1883, que teve papel marcante na história política do Brasil. Depois de atuar como ministro da Guerra no governo de Getúlio Vargas, foi eleito o 16º presidente da República, exercendo o mandato entre 1946 e 1951.

Durante seu governo, buscou fortalecer as relações diplomáticas do país, especialmente com os Estados Unidos, e apoiou o desenvolvimento de infraestrutura, com destaque para a construção da Via Dutra, que liga Rio de Janeiro e São Paulo.

Em homenagem a ele, o Estádio Presidente Dutra, conhecido popularmente como “Dutrinha”, tornou-se um dos principais palcos esportivos dos cuiabanos, com história que remete a partidas memoráveis e ao futebol cuiabano.

Mãe Bonifácia

Figura histórica e símbolo de resistência, Mãe Bonifácia foi uma mulher negra alforriada que viveu em Cuiabá no século 19. Poucos registros oficiais existem sobre sua vida, mas a tradição oral manteve viva sua memória.

De acordo com pesquisadores, Mãe Bonifácia orientava escravizados em fuga, indicando caminhos seguros e ensinando estratégias de sobrevivência. Era reconhecida por sua bondade e por práticas de cura com ervas e rezas.

Em sua homenagem, foi criado o Parque Estadual Mãe Bonifácia, inaugurado em 2000, com 77 hectares de área verde e trilhas que preservam parte da vegetação nativa da capital. A história da curandeira também inspirou um longa-metragem que será filmado em Mato Grosso.

Imagem colorida mostra vista aérea do Parque Estadual Mãe Bonifácia
Foto: Athaide/ Wikimedia Commons