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Três mulheres com trajetórias de destaque para entender a importância da ciência

Fotos: Divulgação/Inpa

O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado no dia 11 de fevereiro, é uma data criada pela Assembleia das Nações Unidas em 2015 para promover a equidade de gênero na ciência e tecnologia.

Para incentivar e reconhecer o papel fundamental das mulheres na excelência da produção científica, conheça a trajetória de três mulheres do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em distintas fases da vida, da carreira e das áreas de estudo.

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Elizabeth Gusmão e a produção aquícola

Pesquisadora há mais de 40 anos do Inpa com estudos sobre sistema de produção aquícola com espécies amazônicas, Elizabeth Gusmão é líder do grupo de pesquisa aquicultura na Amazônia Ocidental onde desenvolve estudos e tecnologias para a produção de peixes nativos, como tambaqui, matrinxã e pirarucu.

mulheres na ciência do INPA
Pesquisadora Elizabeth Gusmão. Foto Anne Karoline Menezes/Ascom Inpa

A amazonense é coordenadora do Programa de Pós-graduação em Aquicultura da Universidade Nilton Lins em ampla associação com o Inpa. 

A pesquisadora lembra dos primeiros passos no Inpa quando acadêmica de Farmácia-Bioquímica, e o sonho de ingressar na instituição como pesquisadora a acompanhava desde menina.

Gusmão também contou sobre as dificuldades pelas quais passou para se tornar pesquisadora e obter a sua independência profissional, principalmente, a  competição com o gênero oposto no ambiente científico, e as dificuldades para conciliar o papel de mãe com o de profissional.

“Sempre tive como meta aprimorar meus conhecimentos científicos para contribuir com a educação e a pesquisa e, principalmente, para  a melhoria e a qualidade de vida do homem da Amazônia e da nossa sociedade amazonense. Não foi uma tarefa fácil conciliar maternidade e trabalho, mas com dedicação e perseverança estou aqui e me tornei pesquisadora”, relembra Gusmão.

A pesquisadora reforça a importância de se valorizar e fortalecer a presença das mulheres na ciência. “Neste dia tão importante em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, nós queremos homenagear todas as mulheres, fortalecendo essa mão de obra tão importante e essencial para a melhoria da nossa sociedade”, enfatizou. 

Jeane Marcelle Cavalcante e os insetos aquáticos

Egressa da pós-graduação do Inpa, a especialista em sistemática de insetos aquáticos, Jeane Marcelle Cavalcante, ingressou no último concurso do instituto (2025) para a carreira de pesquisadora. Mulher negra, sergipana e estudante de escolas públicas, também é exemplo de superação e perseverança quando o assunto é mulher na ciência. 

Pesquisadora Jeane MArcelle Cavalcante. Foto Igor Souza/ Ascom Inpa

Cavalcante conta que desde a infância tinha interesse em ser pesquisadora e o sonho começou a ganhar forma com a aprovação em Biologia, na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), campus de São Mateus. Em 2012, a bióloga ingressou no mestrado em Entomologia do Inpa, e, em 2014, deu continuidade à sua formação no doutorado pelo mesmo programa.

Sua trajetória no Inpa estendeu-se até 2022, antes de retornar definitivamente ao instituto, desenvolvendo pesquisas, atuando em ações de popularização da ciência e participando de diferentes comissões e atividades vinculadas à pós-graduação.

A pesquisadora conta que, desde a faculdade, já atuava na pesquisa e, com o incentivo de professores, veio aprofundar seus conhecimentos na Amazônia. No Inpa, ser orientada pela pesquisadora Neusa Hamada, pesquisadora A do CNPq (nível mais alto de produtividade científica do país), e referência nos estudos com insetos aquáticos, foi decisivo para a escolha da carreira científica da jovem pesquisadora.

“Eu vi a atuação dessa mulher pesquisadora e decidi seguir na pesquisa científica, inspirando-me nela e aprofundando meus estudos sobre insetos aquáticos. E, claro, busquei incentivar outras meninas a seguirem a carreira científica”, ressaltou Cavalcante, destacando o protagonismo das mulheres na ciência, como, por exemplo, no desenvolvimento de vacinas e no sequenciamento do genoma do coronavírus.  

Instigada a dar um conselho para futuras cientistas, a pesquisadora do Inpa é enfática: “Persistam e não desistam dos seus sonhos. Obstáculos vão existir, mas servirão para tornar seus objetivos ainda mais fortes”.

Rebeca Sousa e a patologia da madeira

Bolsista de IC Rebeca Sousa. Foto Igor Souza/ Ascom Inpa

Bolsista de Iniciação Científica e vinculada ao Laboratório de Patologia da Madeira do Inpa, a estudante de Biologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rebeca Sousa, estuda fungos do gênero Penicillium.

A jovem conta que se identificou com a pesquisa ainda na fase escolar e que a disciplina de biologia era a sua preferida. A decisão pelo curso, no entanto, foi tomada em 2020, quando cursava o Ensino Médio. 

“Escolhi cursar Biologia durante a pandemia. Eu acompanhei pelos noticiários a questão da pesquisa, da descoberta da vacina, e isso foi decisivo para mim”, conta a estudante, descrevendo seu fascínio pela pesquisa.

“A ciência é fantástica porque não é algo estático, ela é cheia de perguntas, respostas e a busca pelo novo. A ciência exige persistência, aperfeiçoamento e adaptação, porque nem sempre aquelas técnicas que são utilizadas vão dar certo, então, às vezes, tem que mudar as estratégias ao longo do processo”, contou.

Participação de mulheres no Inpa em números 

A força de trabalho do Instituto é composta por 452 servidores e empregados públicos, dos quais 57,5% (260) são homens e 42,5% (192) mulheres.

Para o cargo de pesquisador/a, a relação permanece parecida. São 163 pesquisadores/as, com 55,2% (90) homens e 44,8% (73) mulheres.

No cargo de gestão de coordenadores/ras, a quantidade de  mulheres supera a de homens numa relação de 52,4% (11) e 47,6% (10), respectivamente. 

Na pós-graduação do Inpa, a situação se inverte e elas são a maioria. São 540 alunos matriculados em cursos de mestrado e doutorado dos nove programas próprios do instituto, dos quais 56,1% (303) são mulheres e 43,9% (237) são homens.

O único curso em que eles são a maioria é no Mestrado Profissional de Gestão de Áreas Protegidas (MPGAP), com 60% (18) homens e 40% (12) mulheres.

*Com informações do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia

Estudantes apresentam solução para facilitar acessibilidade de ribeirinhos ao transporte fluvial no Pará

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Foto: Divulgação/IFPA

Uma solução desenvolvida por um estudante do curso de Engenharia de Pesca do Instituto Federal do Pará (IFPA) – Campus Itaituba – foi premiada na XVI Mostra de Ciência e Tecnologia do Instituto Açaí (MCTIA), realizada na Universidade Federal do Pará (UFPA). O evento ocorreu de 1º a 5 de dezembro, no espaço de ensino Mirante do Rio, no Campus Belém da UFPA.

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A inovação do estudante Rafael Silva, de 15 anos — um elevador equipado com sensor — concorreu com outros 120 projetos apresentados na exposição científica, que reuniu trabalhos da educação infantil ao ensino superior, vindos de diversos estados brasileiros e voltados para soluções dos desafios amazônicos. A pesquisa conquistou o primeiro lugar na categoria Engenharia e garantiu o credenciamento para a Febrace 2026, em São Paulo.

O jovem observou que, nas áreas ribeirinhas, onde a população depende do rio para se deslocar até a cidade ou acessar unidades de ensino e saúde, a acessibilidade às embarcações é repleta de dificuldades.

“Muitas pessoas usam rampas muito íngremes e até troncos de árvores para acessar casas, escolas e postos de saúde. Isso é perigoso e muito difícil para pessoas cadeirantes, gestantes e idosos. Nosso projeto apresenta uma solução para esse problema: um elevador ribeirinho”, explica.

Leia também: Aluno cria barco acessível e representa o Amapá em feira de ciências em Santa Catarina

Solução tecnológica

A partir dessa percepção sobre os desafios enfrentados por idosos, gestantes e pessoas com mobilidade reduzida, surgiu a proposta de um elevador que pudesse ser instalado na ponte principal dos portos comunitários.

elevador ribeirinho é solução criada por estudantes no Pará
Foto: Divulgação/IFPA

A solução foi desenvolvida em parceria com a estudante da rede municipal de ensino, Hilary Costa, e projetada para facilitar o acesso a barcos e outros transportes fluviais.

Juntos, eles construíram um protótipo de elevador com sensor e base móvel. A dupla foi orientada pelo professor da rede municipal de Igarapé-miri, Gilberto Silva, fundador do Instituto Açaí e pai de Rafael.

Segundo Rafael Silva, o sensor é o grande diferencial do projeto. “Um elevador comum teria muitos problemas com a oscilação das águas. O sensor foi desenvolvido justamente para evitar esse tipo de dificuldade causada pelos ciclos das marés”, detalha.

O elevador foi construído em aço inox, e a estrutura de proteção (“casinha”) em alumínio, para evitar corrosão. O equipamento conta com sensor e funciona por meio de energia elétrica

*Com informações do IFPA

Homenageados no Carnailha 2026: Wanderley Andrade, o Príncipe do Brega

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Foto: Reprodução/Site oficial Wanderley Andrade

Segunda maior festa cultural de Parintins, no Amazonas, o Carnailha é marcado pela irreverência e diversão dos blocos carnavalescos na avenida. Além da alegria que contagia o público com diversos temas levados para a avenida, homenagens também fazem parte dos enredos do evento carnavalesco.

Na edição de 2026, três personalidades da cultura popular da Amazônia são homenageados por blocos do grupo Irreverente: David Assayag, Wanderley Andrade e Gabriela Guarani.

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As trajetórias de cada homenageado são marcadas pela representatividade. Um deles é Wanderley Andrade, ícone da cultura brega paraense e um dos artistas mais renomados da região Norte do Brasil.

Ele virou enredo na avenida do Circuito Carnailha, em Parintins, homenageado pelo bloco Lagarto Salgado, do grupo Irreverente. O cantor de 61 anos desfilou com o bloco sob o tema ‘O Traficante Chegou, Wanderley Andrade Vem Purpurinando a Avenida Com o Pó do Amor’.

Quem é Wanderley Andrade?

José Wanderley Andrade Lopes, mais conhecido como Wanderley Andrade, nasceu no distrito de São Miguel do Kari, no município de Almeirim, na região Oeste do Pará. Filho de uma família humilde, começou a cantar e viver com americanos aos 14 anos e essa relação logo rendeu o aprendizado em falar fluentemente o inglês.

Logo Wanderley se tornou figura conhecida nas matinês dos clubes na sua cidade. Aos 20 anos, começou a conciliar o emprego de intérprete em um hotel em Belém e as apresentações em casas noturnas. Nessa trajetória, começou a despontar como um cantor promissor.

Com um estilo inconfundível, chama atenção pelo carisma e irreverência e, ao mesmo tempo, a mistura qye faz do luxuoso com o extravagante (isso sem falar na sua cabeleira colorida, característica marcante em sua carreira).

Homenageados no Carnailha 2026: Wanderley Andrade, o Príncipe do Brega
Wanderley Andrade é um dos homenageados por blocos carnavalescos do Carnailha 2026. Foto: Pitter Freitas/Prefeitura de Parintins

Em 1991, gravou o seu primeiro LP vinil e, seis anos depois, seu primeiro grande sucesso a alcançar repercussão: ‘Ladrão de Coração’. O hit ajudou a emplacar a venda de 267 mil cópias. A partir daí, Wanderlei começou a despontar na região Norte do país como a mais importante figura do brega pop calypso, tradicional ritmo do Pará.

Em 1998, recebeu da Associação dos Radialistas do Pará o “Oscar do Brega”, por ter suas músicas em todas as rádios do estado. Seus quatro primeiros discos venderam cerca de 500 mil cópias. Foi o primeiro artista brasileiro a gravar CD ao vivo bilingue. Nos anos 2000, tornou-se um dos mais respeitados músicos da região Norte e Nordeste apresentando shows com uma média de 20 mil espectadores.

Em 2003, lançou o CD duplo ‘Minha Cara’, que tem num disco, músicas de importante músicos paraenses como Edilson Moreno, Tonny Brasil, Anterinho, Edinho, Kim Marques, entre outros. No CD internacional estão músicas de Bee Gees, Mark Knofler, Creedance e Barry Man, além de Raul Seixas.

No mesmo ano, foi convidado pela produção da Rede Globo para apresentar um concurso da moda brega fashion paraense. Pouco depois, apresentou-se no programa ‘Domingão do Faustão’. Começou ali o reconhecimento nacional do artista.

wanderley andrade no domingao do faustão
Foto: Reprodução/TV Globo

Wanderley Andrade também é reconhecido por trazer à tona temas sociais em suas músicas, abordando com humor e irreverência as paixões, conflitos e realidades do povo brasileiro. Canções como ‘Traficante do Amor’, ‘Detento Apaixonado’, ‘Psicopata do Amor’, ‘Melô do Ladrão’ e ‘Rebelião’ fazem parte de sua marcante “pentalogia”, na qual o amor é sempre o personagem principal.

A discografia de Wanderley inclui álbuns como ‘A Maura’ (1990), ‘O Ídolo do Brega’ (1997), ‘O Astro Pop do Brega’ (1999), ‘O Gênio do Calypso’ (2002), o CD duplo ao vivo ‘Minha Cara’ (2003), ‘Planeta’ (2004), ‘Wanderley Andrade e Seu Mundo Infantil’ (2005), ‘Na Batida do Melody’ (2009) e ‘Acochadinho’ (2010). São mais de 150 mil ouvintes mensais nas plataformas digitais em que Wanderley está presente.

Homenagem no Carnailha 2026

O bloco Lagarto Salgado visa enaltecer a importância do artista no Carnailha deste ano. A irreverência, estilo e carisma popular de Wanderley são características marcantes que, segundo a presidente do bloco, Inês Butel, “tem tudo a ver com a identidade do bloco”.

“O Lagarto sempre buscou a irreverência. Wanderley é isso, alegria, versatilidade, humor. Ele é o ladrão de coração, o traficante do amor, o roqueiro. É uma ideia que já vinha sendo pensada há bastante tempo e agora chegou a vez dele. Vai ser uma grande explosão de alegria na avenida”, destacou.

O que diz o homenageado

“Eu fiquei surpreso, mas depois que eu vi que a marchinha faz uma alusão à música Traficante do Amor e retrata parte da minha trajetória, aí caiu a ficha. Essa homenagem é o reflexo do carinho que as pessoas têm comigo, do meu trabalho, a partir de agora faço parte da família Lagarto Salgado e já estou no saldo devedor com o bloco”, agradeceu o artista.

Leia também:

Carnaval Amazônico

O projeto Carnaval Amazônico é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica que conecta o público com a essência do Carnaval da região Norte, com o apoio do Governo do Estado do Amazonas.

10 times da Amazônia Legal com nomes inspirados em termos indígenas

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De Norte a Sul, clubes carregam nomes de termos ou expressões de origem indígena. Foto: Mapeiti Kokaproti/Gaviãokfc

Considerado o esporte mais popular do mundo, o futebol carrega uma imensidão de representações simbólicas que conectam torcedores e clubes à diversos contextos históricos e sociais. Os nomes de times, por exemplo, normalmente são escolhidos com base em algum fator associado à história de tais agremiações.

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De Norte a Sul, por exemplo, diversos clubes brasileiros foram batizados com termos ou expressões de origem indígena, cujos significados derivam dos povos originários e geralmente representam alguma característica do clube.

O Portal Amazônia preparou uma lista com 10 times da Amazônia Legal com nomes inspirados no vocabulário indígena, reforçando a importância pela preservação da história e identidade daqueles responsáveis pela formação do povo brasileiro. Confira:

Náuas Esporte Clube (Acre)

Fundado em 2003, o time acreano que representa o Vale do Juruá homenageia o povo indígena Nawa (ou Náua), etnia que vive na região do alto rio Moa.

Time inspirado em nomes indígenas - Náuas
Elenco de 2018 do time Náuas Esporte Clube. Foto: Manoel Façanha

Ypiranga Clube (Amapá)

Um dos clubes mais tradicionais do futebol amapaense, o time carrega o nome que possui origem tupi, da expressão y-piranga, que significa “rio vermelho”, onde y=rio e piranga=vermelho.

Time do Ypiranga  Foto: Rafael Moreira/GE-AP
Time do Ypiranga. Foto: Rafael Moreira/GE-AP

Manaus Futebol Clube (Amazonas)

Apesar de homenagear a capital do Amazonas, o nome vem do povo indígena Manaós, que habitava a região do Rio Negro antes da colonização portuguesa.

Time do Manaus Futebol Clube. Foto: Divulgação/Instagram-Manausfc

Amazonas Futebol Clube (Amazonas)

Escolhido também em homenagem ao maior território do Brasil, o nome Amazonas tem origem na mitologia grega, mas reza a lenda que foi utilizado pelos espanhóis para se referirem às tribos de mulheres indígenas guerreiras encontradas durante a colonização.

Time do Amazonas Futebol Clube. Foto: João Armando/AMFC

Araguaia Futebol Clube (Mato Grosso)

Fundado em 2008, o time mato-grossense tem o nome Araguaia, de origem na língua tupi que significa Rio das Araras, em referência a um dos mais afluentes do Centro-Oeste e da Amazônia Legal.

Time do Araguaia Futebol Clube. Foto: Assessoria Araguaia/Ks Total Sports

Gavião Kyikatejê Futebol Clube (Pará)

Primeiro time profissional 100% indígena do Brasil, o time carrega a manifestação cultural e histórica do povo Kyikatejê, etnia que habita o município de Bom Jesus do Tocantins, no Pará, cuja nome significa “povo do rio acima”.

Leia também: Gavião Kyikatejê, o primeiro time indígena do Brasil

Time do Gavião Kyikatejê. Foto: Divulgação/Instagram-gaviaokfc

Tapajós Futebol Clube (Pará)

Fundado em 2012, o time profissional de Santarém possui nome derivado do povo indígena Tapajós, que habitava as margens da foz do rio Tapajós, a principal bacia da Amazônia Pré-colonial.

Time do Tapajós Futebol Clube. Foto: Divulgação/Instagram-tapajosfc

Ji-Paraná Futebol Clube (Rondônia)

O nome do time, um dos mais tradicionais do futebol rondoniense, tem origem na língua tupi. Ji-Paraná um termo indígena associado ao significado de “machado pequeno” e também batiza um dos rios mais importantes de Rondônia.

Time do Ji-Paraná. Foto: Divulgação/Ji-Paraná

Baré Esporte Clube (Roraima)

Referência do futebol roraimense, o clube carrega o nome que homenageia o povo indígena Baré, etnia que habita a região do Rio Negro no extremo norte da Amazônia.

Time do Baré Esporte Clube. Foto: Divulgação/Baré EC

Tocantinópolis Esporte Clube (Tocantins)

Time tradicional do estado, o clube de Tocantinópolis possui nome derivado do termo indígena Tukã’tin, que significa “bico de tucano” e também está ligado ao povo indígena Tocantins.

Equipe do Tocantinópolis EC. Foto: Site Esporte Ajax Tocantinense

Pescador encontra desenhos rupestres em pedras durante expedição em Roraima

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São quase 30 desenhos que podem datar de até 3 mil anos antes de Cristo. Foto: Marcell Reis/Acervo pessoal

Era pra ser uma viagem de caiaque pelo rio Jatapu, mas acabou virando uma “viagem no tempo” pelas águas durante excursão em Caroebe, no Sul de Roraima. O pescador esportivo Marcell Reis, 33 anos, encontrou ao menos 30 desenhos rupestres gravados em pedras. Os registros podem datar até 3 mil anos antes de Cristo, conforme um pesquisador ouvido pelo Grupo Rede Amazônica.

Os desenhos aparecem após 70 quilômetros de descida no rio, saindo de Caroebe. As gravuras foram encontradas em pedras nas margens e distribuídos em diferentes trechos, de acordo com o pescador.

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Marcell, que também é bombeiro militar, disse que começou a ver os desenhos rupestres depois de uma semana da expedição que durou nove dias em janeiro. No trajeto, ele estava com a esposa e percorreu áreas isoladas do rio, próximas à nascente.

“Você encontra um ponto com desenhos, sobe uns 20 quilômetros e encontra outro, depois mais uns 30 quilômetros, tem mais. São muitos desenhos, vi cerca de sete desenhos em um local só, mas em outros pontos encontrei mais de 20. É como se fosse uma viagem no tempo”, contou o pescador.

Ao se deparar com as pedras, Marcell fez vários registros em fotos e vídeos. Um deles, em que aparenta ser um sol, acumula mais de mil compartilhamentos nas redes sociais.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que os desenhos encontrados por Marcell não fazem parte de nenhum sítio arqueológico registrado pelo órgão, o que levanta a possibilidade de que esse seja o primeiro sítio arqueológico identificado em Caroebe.

Leia também: Conheça as misteriosas pedras pintadas por povos nativos da Amazônia

“Mais de um estilo rupestre”

O Grupo Rede Amazônica pediu para Francisco de Paula Brito, professor de história da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e mestre em arqueologia pela Universidade de Pernambuco (UPE), analisar as imagens. Inicialmente, ele pontuou que é necessário um estudo aprofundado para saber quando os desenhos foram feitos.

Pelos registros, o pesquisador notou diversos estilos de desenhos diferentes, o que pode sugerir que vários povos passaram pelo rio e deixaram suas marcas. Um dos estilos notados foi o chamado Aishalton, que mostra figuras de animais, plantas e humanos e encontrado em povos milenares.

“A partir da análise dos traços, da técnica utilizada e da comparação com outros registros já estudados na Amazônia e na região das Guianas, é possível estimar que essas gravuras tenham sido feitas há cerca de 3 mil anos ante de Cristo”, afirmou.

O pesquisador também identificou mais um estilo rupestre. “Um deles está associado à tradição amazônica, comum em regiões como o rio Negro. Outro apresenta características semelhantes a registros encontrados na Guiana”, disse.

Pescador encontra desenhos rupestres em pedras durante expedição em Roraima
Foto: Marcell Reis/Acervo pessoal

Desenhos espalhados por quilômetros de rio

Marcell e a esposa costumam fazer com frequência esse tipo de travessia. Ele diz que os desenhos não são facilmente perceptíveis.

“Se você passa direto pelo rio, não vê. Tem muita pedra. É preciso olhar com atenção, procurar mesmo. Não é algo óbvio”, afirmou.

Para o pescador, encontrar os desenhos foi um dos momentos mais marcantes das viagens.

“É uma sensação difícil de explicar. Você começa a pensar quem passou por ali, quando foi, o que aquilo significava. A gente percebe que ainda falta muita informação sobre esses registros, e isso deixa tudo ainda mais impressionante”, relatou.

Ele disse ainda que a aventura foi desafiadora. A floresta amazônica fechada, as corredeiras do rio e os obstáculos encontrados no caminho marcaram a expedição. Mas para ele, tudo valeu a pena ao encontrar locais como a margem onde os desenhos estão.

“É um ambiente selvagem, com arraia, cobra, peixe-elétrico. É uma expedição pesada mesmo. Mas é incrível. É isso que eu gosto de fazer”, contou.

Leia também: Arte rupestre amazônica: ciência que chega junto das pessoas e vira moda

Desenhos com vários estilos

Embora não seja possível identificar exatamente quem produziu as gravuras, o pesquisador Francisco explica que elas provavelmente foram feitas por populações ancestrais dos povos indígenas que historicamente ocuparam a região, como os Wai Wai.

“Esses povos se deslocavam pelos rios, trocavam objetos e mantinham contato entre áreas que hoje fazem parte do Brasil e das Guianas. Os desenhos refletem essa ocupação antiga e essa circulação milenar”, afirmou.

Segundo o pesquisador, a estimativa se baseia na comparação dos traços, das técnicas utilizadas e dos estilos identificados em outros sítios arqueológicos da Amazônia e da região das Guianas.

Algumas das pedras apresentam inclusive polidores, marcas usadas por povos antigos para afiar ou polir instrumentos de pedra, como machadinhas.

Foto: Marcell Reis/Acervo pessoal

“É possível ver os polidores na parte superior da rocha e as gravuras na lateral, o que torna o sítio ainda mais interessante do ponto de vista arqueológico”, disse.

O Iphan informou que todo vestígio arqueológico é automaticamente protegido por lei, mesmo que ainda não esteja cadastrado oficialmente.

Além disso, orientou que qualquer achado arqueológico deve ser fotografado (sem flash), mantido no local e comunicado ao instituto, com o maior número possível de informações sobre a localização, para que sejam adotadas medidas de proteção e preservação.

“O mais importante é não mexer em nada. É registrar, comunicar e deixar que isso seja estudado. Esses desenhos fazem parte da história de todo mundo e é muito legal de conhecer”, concluiu.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

Pesquisadores do Inpa alertam para impactos de barragens e secas extremas sobre florestas alagáveis da Amazônia

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Seca histórica em Manaus 2023. Foto: Divulgação/Acervo PELD MAUA-INPA

O Dia Mundial das Zonas Úmidas, instituído em 2 de fevereiro, reforça a relevância desses ecossistemas fundamentais para o equilíbrio em seus biomas. Na Amazônia, os estudos conduzidos por pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (GP-MAUA), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), chamam a atenção para o papel fundamental das áreas alagáveis para a biodiversidade, o clima e as populações que dependem deste ecossistema.

As Áreas Úmidas, também conhecidas como Zonas Úmidas, são ambientes que se encontram na interface dos sistemas terrestres, como a terra firme, e sistemas aquáticos, como rios e lagos sob diferentes regimes de inundação. Nessas categorias se encaixam as várzeas, os igapós, os buritizais, os baixios e por boa parte das campinaranas, entre outros ambientes, que no total abrange 2.3 milhões de quilômetros quadrados na Bacia Amazônica. 

Leia também: Entenda o que são áreas úmidas amazônicas e porquê são importantes

O foco e preocupação com esses ecossistemas nunca esteve tão evidente nas últimas décadas, pois qualquer alteração nas dinâmicas naturais desses ambientes impacta diretamente o cotidiano e vida de populações tradicionais e centros urbanos da Amazônia brasileira. 

Para o pesquisador do Inpa e coordenador do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD MAUA), Jochen Schöngart, as áreas úmidas amazônicas exercem importantes funções em vários aspectos.

“Além dos serviços ecossistêmicos fundamentais, esses ambientes armazenam e sequestram carbono, abrigando também uma biodiversidade parcialmente endêmica, adaptada a essas condições do regime de inundação”, explicou o pesquisador do Inpa.

“São ecossistemas intrinsecamente relacionados com o desenvolvimento das culturas, de várias populações humanas – das populações indígenas e depois as populações tradicionais que habitam na Amazônia, principalmente as áreas alagáveis de várzea e também dos igapós”, completou o coordenador do PELD-MAUA. 

Segundo Schöngart, várzeas e igapó são ecossistemas muito importantes na mitigação de impactos causados por cheias e secas extremas que aumentaram neste século na sua magnitude e frequência sem precedentes, afetando diretamente as populações no entorno, os municípios e na própria capital, Manaus (AM). 

Pesquisadores do Inpa alertam para impactos de barragens e secas extremas sobre florestas alagáveis da Amazônia
Campinaranas. Foto: Divulgação/Acervo PELD MAUA-INPA

A Hidrelétrica de Balbina e a seca artificial no Rio Uatumã

Um exemplo marcante que alterou completamente as características naturais de um ecossistema, foi a barragem da hidrelétrica de Balbina. O represamento do rio Uatumã (AM) para o enchimento do reservatório no período de 1987 a 1989 causou uma seca artificial nas áreas alagáveis a jusante da barragem, pois o pulso de inundação – vital para a manutenção desse ecossistema – foi extinto naquela região. 

Em consequência, boa parte da floresta de igapó morreu, seguida por uma recuperação natural das áreas degradadas por uma vegetação florestal que apresenta uma composição diferente de espécies de árvores e com riqueza inferior em comparação com a floresta anterior. (Leia o artigo completo AQUI)

“Recentemente publicamos um estudo na revista internacional Forest Ecology and Management, que mostrou que o barramento do Rio Uatumã ocasionou uma profunda mudança na vegetação jusante. Os impactos foram detectados até 120 quilômetros rio abaixo, mostrando redução significativa na diversidade de espécies e mudanças na composição florística, mesmo após quarenta anos do impacto da instalação”, revelou a autora do estudo, a colaboradora do Grupo MAUA Carla Iara Dantas. Carla Iara, colaboradora Grupo MAUA.

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O estudo liderado por Dantas e outros autores do GP MAUA, foi baseado em inventários florísticos realizados em 3,75 hectares de floresta, com parcelas (o mesmo que unidades amostrais de área definida) distribuídas a cada 10 km de distância da barragem. Os resultados indicam que a seca artificial causou mortalidade excessiva das florestas próximas à barragem, além de alterações profundas na estrutura da vegetação.

“Próximo à barragem, predominaram espécies indicadoras de distúrbios, caracterizadas por crescimento acelerado, por baixa longevidade e com baixa capacidade de estocagem de biomassa. Portanto, esses resultados reforçam a importância da conservação desses ecossistemas, com a alta vulnerabilidade e baixa resiliência desses ambientes de igapó”, alertou Dantas, que realizou esse estudo no âmbito da sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-graduação em Ecologia do Inpa. 

Balbina. Foto: Divulgação/Acervo PELD MAUA-INPA

Segundo os autores, os achados são altamente relevantes diante dos planos de expansão de dezenas de usinas hidrelétricas na Amazônia e do aumento da frequência e intensidade das secas extremas observadas nas últimas três décadas, reforçando a importância de considerar impactos ecológicos de longo prazo no planejamento energético.

A floresta ao longo do tempo: o que mostram os estudos de longa duração do Inpa

Um segundo estudo realizado pelo PELD-MAUA teve como foco compreender a dinâmica da sucessão pós-fogo em florestas de igapó no Parque Nacional do Jaú na Amazônia Central, analisando como secas severas associadas com eventos de El Niño pode tornar áreas úmidas vulneráveis a incêndios florestais (leia AQUI).

A pesquisa do Inpa teve como objetivo entender como essas florestas se recuperaram após incêndios florestais, ao longo de 36 anos, além de avaliar a mudança na composição de espécies, na diversidade, na estrutura da vegetação e nos estoques de biomassa, especialmente em eventos climáticos extremos associados ao El Niño.

“Esses eventos acontecem com uma certa frequência e quando a gente tem eventos de seca extrema, principalmente relacionados El Niño, esses ambientes de igapó passam a ter um acúmulo maior de serapilheira (camada de folhas secas, galhos, restos de frutas, flores que está na superfície do solo), que acumula, seca mais rápido e acaba se tornando altamente vulnerável a incêndios. Lembrando que o incêndio não ocorre naturalmente nas florestas e nem na Amazônia, mas ele precisa de um agente externo, geralmente um fator antrópico, ou seja, um ser humano para dar essa ignição e iniciar o fogo”, detalhou o autor do estudo, Gildo Vieira Feitoza, que foi abordado na sua tese de doutorado no Programa de Pós-graduação em Botânica do Inpa.

O estudo revelou que cerca de 80% a 90% de árvores da floresta desses ambientes podem ser perdidas com um único evento de fogo. “Descobrimos que a floresta que se recupera nas áreas afetadas por incêndios quase quarenta anos atrás, recuperou somente 16% de toda a biomassa e aproximadamente 50% da diversidade que ela possuía antes da queimada”, completou Feitoza, pesquisador INCT WETSCAPE vinculado ao GP MAUA.

*Por Lucciano Lima, do Peld Maua/Inpa

Acre é o estado com menor registro de afastamento por trabalho infantil, aponta MTE

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Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

Com registro de um caso de afastamento por trabalho infantil em 2025, o Acre ocupa o último lugar no ranking entre os estados do Brasil, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria Fiscal do Trabalho.

Os dados foram divulgados no dia 9 de fevereiro e, segundo o órgão, tem como objetivo reforçar as políticas de enfrentamento ao trabalho infantil.

A pesquisa mostra ainda que, além do Acre, os estados do Amapá e Tocantins também apresentam os menores registros de afastamento por trabalho infantil na região Norte, com sete e 22 casos respectivamente.

Ainda na região, Roraima, com 116 casos, Pará, com 84, e Rondônia com 77, lideram com as maiores ocorrências de afastamento por trabalho infantil.

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No cenário nacional, o levantamento detalha também que, em 2025, foi registrado o melhor resultado no combate ao trabalho infantil desde 2017, com cerca de 4,3 mil crianças e adolescentes dessas situações.

De acordo com o MTE, 80% delas eram submetidas às piores formas de exploração, principalmente aquelas que envolvem graves riscos à saúde, à segurança, ao desenvolvimento e à integridade moral.

Dados alarmantes de trabalho infantil no Brasil

O estado de Minas Gerais liderou o ranking nacional com o maior número de resgates registrados. Ao todo, 830 crianças e adolescentes foram afastados do trabalho infantil.

Já os estados de São Paulo, com 629 ocorrências, e Mato Grosso do Sul, com 235, ocupam a segunda e terceira posição no ranking nacional.

Leia também: Desenvolvimento social infantil: 4 organizações que investem na educação de crianças na Amazônia

Atuação integrada

Ainda conforme o MTE, o trabalho realizado pela Auditoria Fiscal do Trabalho tem como base quatro eixos estratégicos:

  • atuação orientada por dados e evidências;
  • combate sustentável às diversas formas de trabalho infantil, com adoção de novas metodologias e instrumentos de intervenção;
  • fortalecimento das capacidades técnicas dos auditores-fiscais do Trabalho;
  • e aprimoramento da gestão da Inspeção do Trabalho.

Entre os avanços no combate ao trabalho infantil, o ministério destaca a consolidação do Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho Infantil (GMTI) que, em 2025, passou a contar, pela primeira vez, com uma equipe fixa de fiscalização.

A equipe atua, de forma integrada a outras políticas públicas de proteção à criança e ao adolescente, em todo o território nacional e tem como principal foco as regiões e setores econômicos com maior incidência dessa violação de direitos.

Com essa integração, o grupo realiza o afastamento imediato de situações de trabalho infantil, além de encaminhar as vítimas à rede de proteção social, garantindo o acesso a direitos fundamentais e a serviços públicos essenciais.

*Por Pâmela Celina, da Rede Amazônica AC

Paraguai poderá confirmar-se como novo modelo de desenvolvimento para a América Latina

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Centro econômico de Assunção, no Paraguai. Foto: Autor anônimo via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Com foco na industrialização e expansão do regime de Maquila, regulamentado pela Lei nº 1064/1997, um mecanismo de atração de investimentos que permite às indústrias estrangeiras produzirem no país com alíquota única de 1% sobre o valor agregado; isenção de impostos na importação de insumo, carga tributária 10-10-10, uso intensivo de energia renovável e reformas regulatórias, o governo aposta em um plano de longo prazo para transformar a economia do Paraguai, elevar exportações, gerar empregos e dobrar o PIB em apenas uma década.

Algo semelhante ao modelo japonês de desenvolvimento no pós-guerra, baseado em um Estado intervencionista estratégico, educação de alta qualidade, exportação de tecnologia e o sistema de gestão Toyotismo, caracterizado pelo Just in Time (produção sob demanda), Kaizen (melhoria contínua), controle de qualidade rigoroso e eliminação de desperdícios, visando alta produtividade face a recursos escassos.

A economia do Paraguai, mesmo longe do modelo japonês, reproduzido em muitos aspectos na Coreia do Sul a partir dos anos 1960, vem apresentando sinais animadores. Encerrou 2025 com US$ 1,309 bilhão em exportações da Maquila (contra US$ 602 milhões do PIM (jan-set/2025), crescimento de 18% no emprego formal e um plano estatal para dobrar o PIB em dez anos. O país deverá registrar o maior crescimento econômico da América Latina e do Caribe em 2026, segundo projeções divulgadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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A previsão coloca o país entre as economias em desenvolvimento mais dinâmicas da região, ao lado de Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Honduras e Panamá, todas com crescimento projetado acima de 3,5%. A Guiana – média anual de crescimento de14% nos próximos cinco anos, nas contas do Fundo Monetário Internacional (FMI) -, segue como exceção regional, impulsionada pelo avanço do setor petrolífero.

A ONU estima que a inflação no Paraguai deverá alcançar 3,7% em 2026, índice considerado moderado e compatível com um ambiente macroeconômico relativamente estável, próximo à meta de 3,5% estabelecida pelo Banco Central para o período. O relatório classifica o país como uma economia de renda média-alta e o inclui no grupo de países em desenvolvimento, sem litoral.

Apesar do bom desempenho esperado, a Organização aponta desafios relevantes, entre eles a necessidade de sustentar o ritmo de crescimento e ampliar o emprego formal em um cenário internacional marcado por incertezas. No contexto regional, a ONU estima que a produção da América Latina e do Caribe crescerá 2,3% em 2026, levemente abaixo dos 2,4% projetados para 2025. Ao que destaca o documento, em diversas economias da região as condições do mercado de trabalho permaneceram relativamente sólidas ao longo de 2025.

O desemprego recuou ou se manteve relativamente baixo em países como Brasil, Costa Rica, República Dominicana, Paraguai e Uruguai. No Brasil, a taxa atingiu mínimas históricas, variando entre 5,4% e 5,6% em 2025.

Já a Argentina registrou desemprego de 7,6% no segundo trimestre do ano, abaixo do pico observado no início do período. Não obstante os fortes indicadores, a ONU alerta que a recuperação do mercado de trabalho ainda é incompleta. Em várias economias, incluindo a paraguaia, a taxa de participação na força de trabalho não retornou aos níveis anteriores à pandemia.

Numa escala global, a Organização projeta crescimento de 2,7% para a economia mundial em 2026, abaixo dos 2,8% estimados para 2025 e distante da média de 3,2% registrada antes da pandemia. Ressalta ainda que, embora uma flexibilização parcial das tensões comerciais tenha limitado impactos recentes, tarifas mais elevadas, incerteza macroeconômica e eventos climáticos tendem a pressionar a atividade econômica no próximo ano. No geral, contudo, os indicadores mostram-se favoráveis à solidificação do crescimento econômico latino-americano no médio prazo.

Leia também: Paraguai: um desafio à ZFM?

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Homenageados do Carnailha 2026: David Assayag, a voz da Amazônia

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Foto: Divulgação/Boi Garantido

Segunda maior festa cultural de Parintins, no Amazonas, o Carnailha é marcado pela irreverência e diversão dos blocos carnavalescos na avenida. Além da alegria que contagia o público com diversos temas levados para a avenida, homenagens também fazem parte dos enredos do evento carnavalesco.

Na edição de 2026, três personalidades da cultura popular da Amazônia são homenageados por blocos do grupo Irreverente: David Assayag, Wanderley Andrade e Gabriela Guarani.

As trajetórias de cada homenageado são marcadas pela representatividade. Um deles é David Assayag, reconhecido nacionalmente como o dono de uma voz inconfundível. Ele é levantador de toadas, participante ativo do Festival Folclórico de Parintins e também do Carnailha. Por isso, o bloco Chitara da Chapada o escolheu para homenagear na festa deste ano.

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Quem é David Assayag?

Filho de Nilce Ramos Assayag e Walter Assayag, David Assayag Neto nasceu em 16 de janeiro de 1969, na cidade de Parintins (AM). Dividiu sua infância entre a “Ilha da Magia” e as cidades de Belém (PA) e Rio de Janeiro (RJ).

Desde cedo, já demonstrava seu talento de canto em bares, arraiais e eventos musicais. A relação com o boi-bumbá começou na década de 1980, quando foi vocalista e backing vocal do boi Caprichoso, mas apenas para gravações de estúdio, sem ser item oficial.

Em 1991, Assayag estreou como levantador de toadas, no boi Garantido, porém sua estreia não convenceu e David foi descartado. Somente quatro anos depois ele tentou ser levantador mais uma vez do boi da Baixa do São José – reduto tradicional e berço histórico do boi Garantido, localizado na Zona Oeste da cidade – e desta vez com êxito.

Já como levantador do boi vermelho e branco, emocionou gerações com a interpretação da toada ‘Lamento de Raça’, do compositor Emerson Maia, imortalizando a canção com sua voz inconfundível.

Outro sucesso marcante na vos de Assayag é o clássico ‘Vermelho’, do compositor Chico da Silva, em 1996, e em parceira com outro grande nome da música do norte: Fafá de Belém. A música ultrapassou as fronteiras brasileiras e também alcançou o ápice no exterior.

No ano de 2009, David trocou as cores vermelho e branco pelo azul e preto do rival Caprichoso. A mudança durou cerca de dez anos, mas o levantador de toadas retornou em 2020 para o Boi da Baixa, onde é item oficial atualmente.

Homenagem no Carnailha 2026

Em 2025, David Assayag completou mais de 30 anos dedicados ao boi-bumbá de Parintins. Com o tema ‘Folias do Rei David – O Canto de Ouro na Realeza da Chapada’, o bloco Chitara da Chapada, do grupo Irreverente, homenageia o cantor no Circuito do Carnailha 2026.

O presidente do bloco, Vanildo Filho, conta que a escolha foi por conta da trajetória de David Assayag não apenas nos eventos dos bois, mas também por ser um folião assíduo do Carnailha e ser um dos fundadores do bloco, ainda na década de 1980. “O David é sócio fundador, aceitou o convite e é homenageado pela primeira vez em Parintins”, conta Vanildo Filho.

O que diz o homenageado

“Temos uma história na Chapada e depois de muito resistir aceitei a homenagem e o convite do bloco que cresceu muito. Vamos resgatar esse título para a Chitara”, afirmou o cantor.

david assayag em parintins - carnailha
David é homenageado pela primeira vez no Carnailha em 2026. Foto: Pitter Freitas /Prefeitura de Parintins

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Carnaval Amazônico

O projeto Carnaval Amazônico é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica que conecta o público com a essência do Carnaval da região Norte, com o apoio do Governo do Estado do Amazonas.

Exposição de fósseis em universidade do Acre reabre para o público após quase dois anos

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Laboratório de Paleontologia reabre para o público em geral na Ufac em Rio Branco. Foto: Divulgação

Para quem deseja conhecer os animais gigantes que viviam no Acre e na região amazônica, o Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) reabriu, para o público da comunidade geral, a exposição de fósseis, desde o último dia 2 de fevereiro.

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Segundo a organização, o espaço, que estava fechado desde junho de 2024, proporciona uma espécie de viagem no tempo pela paleofauna, ou fósseis, da região acreana. A guia do espaço, Kauani Araújo, explicou que as peças foram encontradas por pesquisadores e estudantes da universidade.

O fóssil do Purussaurus, encontrado às margens do Rio Purus, é considerado o carro chefe do Laboratório. Junto a ele, também estão expostos diversos fósseis de animais diferentes encontrados na região acreana e amazônica.

Leia também: Purussaurus brasiliensis: o jacaré com a mordida mais potente do mundo viveu na Amazônia

“Temos o Notiomastodon platensis, que é como se fosse o nosso Manny da Era do gelo, é um mamute gigante que existiu naquela época. A diferença dele para o Manny é que ele não tinha muitos pelos. Podemos ver também aqui na exposição uma vértebra e, através dela, temos uma noção basicamente se é mamífero ou réptil por conta da estrutura óssea do animal que se apresenta ali”, detalhou.

Viagem no tempo dos fósseis

O espaço conta com fósseis originais, réplicas e obras que mostram um cenário de milhares de anos atrás, quando existiam jacaré gigantes, como o Purussaurus brasiliensis, uma das espécies mais conhecidas e famosas do Acre, com seus mais de 10 metros de comprimento e pesando mais de 5 toneladas.

Além destas espécies, a guia também apresentou uma espécie de preguiça-gigante (Eremotherium), que foi bastante marcante para a região.

“Podemos ver até mesmo o tamanho dela, como era a desenvoltura dela e esses fósseis têm dentes bem preservados. Basicamente, através do dente conseguimos captar a ambientação, como era a localidade e a região de fauna e floresta daquele clima”, comentou.

Interesse em família

O estudante Nicolas Lemos já nutria o interesse por paleontologia ao assistir filmes e documentários sobre o assunto. Ao tomar conhecimento sobre a existência de um laboratório com fósseis reais e tão próximo a ele, decidiu que iria conhecer.

“Vendo documentários e curiosidades no YouTube sobre fósseis, fui me interessando e pesquisando mais vídeos. Um amigo meu falou que aqui no Acre tem essa exposição aqui e eu fiquei interessado em pedir para o meu pai me mostrar e agora estou aqui”, disse.

laboratório de exposição de fósseis na ufac reabre em Rio Branco.
Foto: Divulgação

A curiosidade de Nicolas se misturou com emoção ao ver de perto tudo aquilo que assistia nos vídeos. “Eu sempre vi muitas coisas no vídeo e me interessava. Eu ficava pensando em como seria essas coisas: Será que é desse jeito mesmo? Agora estou aqui e estou muito feliz”, compartilhou.

Quem levou e acompanhou Nicolas na visita ao laboratório foi seu pai, o professor da Ufac Fabiano Sales, que acredita ser importante conhecer a variedade de fósseis encontrados no estado.

“É importante que os alunos, que a comunidade externa, tenha acesso a isso, porque ninguém consegue ver um fóssil e é até surpreendente ter isso no estado do Acre. Porque, quando eu vim de Rondônia, tinha um preconceito de que não tinha muita coisa no Acre. Esse preconceito é carregado até pelos alunos de que o Acre não tem nada, não tem atrativo e isso é um ótimo atrativo, você saber que, nesse nosso mundo tão enorme, aqui no estado do Acre temos fósseis”, afirmou.

Para visitas individuais, não é necessário agendamento prévio e o laboratório funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 16h. Já para grupos acima de 10 pessoas, é necessário realizar o agendamento por meio do e-mail labpaleonto.ufac@gmail.com. As demais dúvidas podem ser sanadas pelo Instagram do espaço.

*Por Pâmela Celina e Amanda de Oliveira, da Rede Amazônica AC