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Diversidade de morcegos, patógenos e parasitos é analisada na região do Médio Solimões no Amazonas

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Identificação das espécies de morcegos ajuda a elaborar estratégias de vigilância e saúde pública. Foto: Daniela Bôlla

Identificar espécies de morcegos, seus patógenos e parasitos foram os objetivos de pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), realizada em Reservas de Desenvolvimento Sustentável, Reservas Extrativistas, Estação Ecológica, além de áreas urbanas e rurais dos municípios de Alvarães e Tefé, no Amazonas.

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Artibeus lituratus. Foto: Daniela Bôlla

Desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e coordenada pela pesquisadora Tamily Carvalho Melo dos Santos, o estudo ‘Morcegos como reservatório de agentes patogênicos e zoonoses na Amazônia Central’ foi realizado no âmbito do Programa de Fixação de Recursos Humanos para o Interior do Estado: Mestres e Doutores por Calha do Rio (Profix- RH), edital nº 009/2021.

O trabalho desenvolvido na região do Médio Solimões buscou gerar dados sobre a diversidade de morcegos, parasitos, assim como identificar quais espécies de morcegos são possíveis reservatórios de patógenos (vírus da raiva e Coronavírus), além de intensificar medidas preventivas para zoonoses, permitindo a elaboração de estratégias de vigilância e saúde pública.

Leia também: Morcegos ajudam ecossistemas, mas podem estar ameaçados com avanço do desmatamento na BR-319, diz especialista

Artibeus lituratus. Foto: Daniela Bôlla

Para a coordenadora da pesquisa, a conservação dos morcegos, aliada às pesquisas epidemiológicas e ações em saúde pública é a melhor estratégia para garantir um convívio seguro, saudável e sustentável entre seres humanos e a biodiversidade.

“É importante ressaltar que, embora estejam associados à transmissão de agentes patogênicos, os morcegos não são vilões. Eles desempenham papéis ecológicos cruciais. O verdadeiro desafio está no equilíbrio: entender como esses animais interagem com o meio ambiente e com os seres humanos é a chave para prevenir futuras crises sanitárias”, comentou Tamily Santos.

Análise de patógenos

Para realizar o levantamento de informações sobre os morcegos, os pesquisadores utilizaram redes de neblina, além de detectores de ultrassom para registrar as espécies que não são capturadas por meio desse equipamento. Ao todo, foram capturados 1.116 morcegos, de 8 famílias, 41 gêneros e 85 espécies.

Carollia perspicillata. Foto: Daniela Bôlla

Os testes realizados em 727 morcegos para raiva e Coronavírus deram resultados negativos. Em relação aos parasitos, foram identificadas sete espécies de helmintos, com o primeiro registro para o Brasil da espécie Nudacotyle novicia, um verme trematódeo, antes registrado apenas no Equador.

Já as análises moleculares do sangue de 80 morcegos identificaram que 21 deles estavam infectados com Mycoplasma spp., que é uma bactéria conhecida por causar infecções respiratórias, genitais e outras doenças.

Os pesquisadores também realizaram atividade de educação ambiental nas comunidades da Reserva Mamirauá e na cidade de Tefé. Os comunitários conheceram sobre a importância ecológica dos morcegos na manutenção e regeneração das florestas, além de terem participado de atividades de campo, acompanhando e auxiliando na coleta dos dados da pesquisa. Também foi possível informar o papel dos morcegos como polinizadores e no controle e predação de insetos.

*Com informações da Fapeam

Queijarias artesanais do Amazonas conquistam medalhas no Prêmio Queijo Brasil

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Queijaria D´Lourdes venceu diversas categorias em prêmio nacional. Foto: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

As queijarias artesanais do Amazonas tem se consolidado como referências no cenário nacional e internacional da produção de laticínios. No dia 10 de julho, os empreendimentos D’Lourdes, Macurany e Queijaria Original, com o apoio técnico do Sebrae Amazonas e de outros parceiros institucionais, foram premiados com medalhas no VIII Prêmio Queijo Brasil, realizado em Blumenau (SC), considerado o maior concurso de queijos artesanais do país.

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A Queijaria D´Lourdes, localizada no município de Autazes, conquistou nove medalhas e, pelo segundo ano consecutivo, recebeu o título de melhor queijaria do Estado do Amazonas.

Os reconhecimentos incluíram cinco medalhas de ouro, atribuídas à:

  • Ricota Fresca de Búfala,
  • Queijo Coalho de Búfala,
  • Queijo Coalho com Castanha,
  • Queijo Coalho Maturado com Cachaça e Cumaru,
  • e ao tradicional Doce de Leite.

A excelência da produção também rendeu duas medalhas de prata, com o Queijo Coalho com Mistura de Leites e o Queijo Coalho com Orégano. Para completar o pódio, a marca levou duas medalhas de bronze, com os sabores Queijo Coalho com Calabresa e Pimenta Calabresa, e Queijo Coalho com Tucumã.

Leia também: INPI reconhece Indicação Geográfica para o queijo de Autazes, no Amazonas

Queijaria Original. Foto: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

A Queijaria Macurany, do município de Parintins, também se destacou no VIII Prêmio Queijo Brasil, conquistando nove medalhas que reconhecem a excelência da sua produção artesanal. Foram quatro medalhas de ouro com o Doce de Leite Macurany com Castanha da Amazônia, Manteiga Macurany, Queijo Coalho de Búfala e o Queijo de Manteiga Macurany Búfala. A marca também levou quatro pratas, com o Doce de Leite Macurany, o Doce de Leite Tradicional Macurany, a Manteiga de Garrafa Macurany e o Queijo Coalho Macurany. Além dessas conquistas, o Queijo Frescal do Amazonas Macurany rendeu à empresa uma medalha de bronze.

A Queijaria Original, do município de Autazes, foi premiada com medalha de prata pelo Queijo Coalho de Búfala e medalha de bronze pelo Queijo Defumado Artesanal.

Segundo Arleane Figueiredo, responsável pela D’Lourdes, a Ricota de Búfala foi fundamental para a conquista do título estadual. Com nota 9,9, o produto quase voltou a figurar entre os dez melhores queijos do Brasil, feito já alcançado pela empresa em 2024.

“Ano passado começamos pelo Mundial em São Paulo, vencendo em duas categorias com a nossa ricota de búfala e o coalho de búfala. Depois, na missão do Sebrae Amazonas para Minas Gerais, ganhamos mais uma medalha para a ricota. Em Blumenau, enviei quatro produtos e todos foram premiados, três com ouro. Nossa ricota entrou para o ranking dos dez melhores queijos do Brasil, foi uma conquista muito importante para o Amazonas. Também foi esse queijo que garantiu o título de melhor queijaria do estado em 2024”.

“Em 2025, na missão do Sebrae Amazonas em Minas Gerais, nossa queijaria conseguiu um feito inédito: ganhamos quatro ouros. E agora, em Blumenau, estamos levando nove medalhas e repetindo o título estadual. Nossa Ricota de Búfala alcançou nota 9,9, por apenas um décimo, não voltamos ao ranking dos dez melhores. Mesmo assim, é muito gratificante levar esse reconhecimento para o nosso estado”, disse Arleane.

Os produtos D’Lourdes são comercializados em lojas como o Baratão da Carne e Carrefour, em Manaus, além de supermercados em Parintins, com pedidos também realizados via Instagram (@queijariadelourdes) e telefone (92) 98408-8704.

Leia também: Entenda como funciona a produção de queijo artesanal em Manaus

“Mais uma vez tivemos a honra de participar do Prêmio Queijo Brasil, que é o grande encontro dos produtores e queijeiros artesanais de todo o país. Neste ano, mais de 2.200 queijos foram avaliados, e ficamos felizes em conquistar premiações nas categorias ouro, prata e bronze. Essas medalhas coroam nosso trabalho e refletem o esforço contínuo que temos feito com o apoio do Sebrae. Graças à parceria com o Sebrae Parintins, por meio da gerente Luane, e ao apoio do Sebrae Amazonas, conseguimos alcançar essas conquistas e levar o nome de Parintins ao cenário nacional. Nosso queijo está se consolidando entre os melhores do Brasil, e isso nos enche de orgulho”, falou Michele Carvalho, uma das proprietárias da Macurany.

Os produtos da Queijaria Macurany, podem ser encontrados em Parintins, com distribuição exclusiva na cidade. Para mais informações sobre encomendas e variedades disponíveis, basta entrar em contato pelo Instagram (@leiteriamacurany).

Queijaria Macurany. Foto: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

A Queijaria Original, representada por Neto Paiva, também foi destaque na premiação. A empresa levou duas medalhas. “Sempre que precisamos, o Sebrae Amazonas está com as portas abertas, nos apoiando tecnicamente, na logística e divulgação. É uma parceria valiosa para nós da queijaria Original e da Associação de Produtores dos Queijos de Autazes”.

Agora, as três queijarias amazonenses premiadas se organizam para levar o sabor do Brasil a eventos internacionais. Com o apoio logístico do Governo do Estado, Arleane já inscreveu três produtos em um concurso na França, ampliando o alcance da produção local. Michele, por sua vez, submeteu quatro produtos à avaliação internacional, enquanto Neto também busca viabilizar sua participação.

“É muito gratificante levar essas premiações para o Amazonas e mostrar que no interior, em Autazes, temos queijarias com potencial de destaque mundial”, destaca Arleane.

A diretora-superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Pessôa, celebra o avanço da produção artesanal e destaca o papel da instituição.

“Essas conquistas refletem o que acreditamos no Sebrae: que com capacitação, apoio técnico e incentivo à inovação, o pequeno produtor do interior pode alcançar resultados grandiosos. É uma alegria ver as queijarias amazonenses ocupando espaço de prestígio no cenário nacional e já mirando o reconhecimento internacional. Seguiremos fortalecendo esses empreendimentos e conectando cada vez mais o saber tradicional com as exigências do mercado”.

Segundo Eliene Freitas, representante do Sebrae e gestora do projeto na região, o sucesso das queijarias é resultado de um trabalho iniciado há mais de 15 anos em Autazes, município conhecido como Terra do Leite.

Queijaria D´Lourdes. Foto: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

“Quando o Sebrae chegou à região, identificamos um grande potencial de crescimento entre os produtores locais, que já comercializavam seus queijos de forma tradicional. Percebemos que, com apoio técnico adequado, seria possível elevar a qualidade e a estrutura da produção. Foi então que desenvolvemos o projeto ‘Cadeia do Leite de Autazes’. Iniciamos com capacitações, consultorias especializadas e a implantação de boas práticas nas fazendas, sempre respeitando o ritmo de cada empreendedor e valorizando a cultura produtiva da região”.

Ao longo dos anos, o Sebrae promoveu missões técnicas a estados como Santa Catarina, Ceará, Pernambuco e à icônica Serra da Canastra, referência nacional na produção de queijos premiados.

“Ver outros produtores sendo reconhecidos internacionalmente fez com que nossos empreendedores pensassem: ‘Por que não podemos alcançar o mesmo?’”, disse Eliene.

Esse processo envolveu uma intensa articulação com produtores. “O Sebrae abraçou esse projeto desde o início e construiu uma relação duradoura com os queijeiros locais. E hoje é emocionante ver o quanto evoluíram”, disse Eliene.

Sobre o evento

A oitava edição do Prêmio Queijo Brasil, realizada em Blumenau (SC), consolidou-se como a maior competição nacional voltada à avaliação de queijos artesanais, manteigas e, pela primeira vez, doces de leite.

O evento reuniu 618 produtores de mais de 320 cidades brasileiras, que inscreveram 2.291 amostras para julgamento técnico. A análise foi conduzida por um painel composto por 140 especialistas em produtos lácteos, por meio de degustações às cegas, seguindo critérios como aparência, aroma, textura e fidelidade ao estilo declarado.

As avaliações ocorreram entre os dias 7 e 9 de julho, e os vencedores foram anunciados na quinta-feira (10/07), durante a cerimônia oficial que deu início ao Festival Nacional do Queijo. A programação seguiu até o domingo (13/07), reunindo oficinas, rodadas de negócios, feira gastronômica e atividades voltadas ao público consumidor e ao setor produtivo.

*Com informações da Agência Sebrae de Notícias

Seca afeta 22% da bacia amazônica apesar das cheias, aponta monitoramento da ANA

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Encontro das Águas. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Apesar das cheias que atingem os rios do Norte do país, a seca persiste em mais de 22% do território nacional pertencente à bacia hidrográfica amazônica. As informações foram publicadas nesta semana pelo Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

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Esse aparente contraste acontece porque a elevação do nível dos rios amazônicos é consequência das chuvas nas cabeceiras da bacia, especialmente no Peru e na Colômbia. Por isso, as populações das áreas mais baixas enfrentam a falta de chuvas ao mesmo tempo que são ainda impactadas pelas inundações.

Apesar das nove calhas de rios do Amazonas estarem em processo de vazante, mais de meio milhão de pessoas sofrem as consequências das cheias nos últimos meses e 42 cidades estão em situação de emergência.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que e quais são as calhas dos rios do Amazonas?

No mês de junho, a estiagem recuou no Amazonas, norte de Rondônia e sul do Tocantins. Por outro lado, devido às chuvas abaixo da normalidade, houve surgimento de seca fraca no leste do Pará.

O Monitor de Secas vem apontando o enfraquecimento da seca desde fevereiro, quando as chuvas passaram a ocorrer com maior regularidade na Região Norte.

A seca considerada grave atinge atualmente apenas a Região Nordeste, especialmente no norte da Bahia e centro de Pernambuco.

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, as chuvas acima da média melhoram os indicadores. No Sul, a escassez de água em sua forma grave deixou de ser registrada e houve recuo de até duas categorias, deixando o sul do Paraná, oeste de Santa Catarina e quase todo o Rio Grande do Sul sem seca relativa.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

Comissão de Segurança Pública da Aleam apresenta balanço das atividades do primeiro semestre de 2025

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Foto: Matheus Rodrigues/Aleam

A Comissão de Segurança Pública, Acesso à Justiça e Defesa Social da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), presidida pelo deputado Comandante Dan (Podemos), apresentou um balanço das atividades realizadas no primeiro semestre de 2025. Comprometida com a prevenção da violência e da criminalidade, a Comissão atua na promoção da integração social e na colaboração com as Polícias Militar e Civil, além de se dedicar à construção e ao fortalecimento de políticas públicas de segurança.

O relatório oficial revela que, entre janeiro e junho, foram recebidas 24 proposições legislativas, das quais 18 obtiveram pareceres favoráveis e apenas uma recebeu parecer contrário. Nesse período, foram realizadas 284 reuniões internas, 53 reuniões externas e 139 visitas técnicas a instituições estratégicas. A Comissão também organizou oito eventos voltados ao aprimoramento da segurança pública, consolidando seu papel propositivo na agenda legislativa do estado.

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O deputado Comandante Dan teve participação ativa como presidente da Comissão nas negociações entre policiais militares e o Governo do Estado, buscando garantir o pagamento das datas-bases dos servidores da segurança pública. Ainda em fevereiro, foi realizada audiência pública sobre a data-base, que, conforme a legislação, deve ocorrer anualmente no mês de abril.

A atuação reforça o compromisso da Comissão com o diálogo e a mediação em defesa dos direitos da categoria. Outras audiências públicas foram promovidas para ouvir a população, associações de classe, representantes de órgãos de segurança e especialistas.

Nessas ocasiões, discutiram-se temas como melhorias para as forças policiais, combate ao crime organizado e a situação das Guardas Municipais, com o objetivo de construir soluções conjuntas e dar voz às demandas dos profissionais e da sociedade.

Entre janeiro e junho de 2025, a Comissão esteve presente em 54 dos 62 municípios amazonenses. Neles, vistoriou instalações policiais, dialogou com profissionais da área e atuou junto às lideranças legislativas e executivas locais para promover a municipalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), instituído pela Lei nº 13.675, de 11 de junho de 2018.

Leia também: Comissão de Defesa do Consumidor apresenta balanço semestral com mais de mil audiências de conciliação

Como parte desse esforço, elaborou e distribuiu a “Cartilha da Municipalização da Segurança”, material inédito que orienta prefeituras, câmaras municipais e a sociedade civil sobre como aderir à lei.

Em maio, dois eventos marcaram a atuação da Comissão: o lançamento do Observatório de Segurança Pública do Amazonas e a terceira edição do Seminário de Segurança Inovadora.

O Observatório, iniciativa inédita no Brasil por partir de um poder legislativo estadual, tem como missão produzir estudos, tratar dados e fornecer subsídios técnicos para políticas públicas eficazes. Com acesso democrático ao conhecimento, seu portal está disponível ao público no endereço eletrônico: observatoriocsp.aleam.gov.br.

Ao instalar oficialmente o Observatório, o deputado Comandante Dan expressou satisfação por ver a Aleam tornar-se referência nacional na área. Segundo ele, apesar das quedas nos índices de violência, o Amazonas ainda apresenta números elevados em comparação à média nacional.

“O Observatório democratiza o acesso ao conhecimento e amplia a participação popular, envolvendo universidades, ONGs, lideranças comunitárias e os próprios cidadãos na construção das políticas públicas”, destacou o parlamentar, que comandou a Polícia Militar entre 2008 e 2011 e atualmente está na reserva.

Seminário

O III Seminário de Segurança Inovadora, realizado no auditório Belarmino Lins, na sede da Aleam, resultou em um manifesto em defesa dos povos do Amazonas, propondo políticas que assegurem trabalho, renda e qualidade de vida para a população.

O evento, conduzido pela presidência da Casa Legislativa e pela Comissão de Segurança Pública, reforçou a busca por soluções inovadoras para os desafios enfrentados pelo estado.

O trabalho da Comissão segue, de acordo com o parlamentar, com o propósito de tornar o Amazonas mais seguro, justo e atento às necessidades de seu povo, afirma o deputado, destacando o compromisso com a população também ao longo do segundo semestre de 2025.

Em reunião com moradores de Presidente Figueiredo, Roberto Cidade confirma início das obras da Rodovia AM-240 após sua articulação

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Foto: Artur Gomes

A atuação do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), deputado estadual Roberto Cidade (UB), garantiu o início das obras emergenciais de recuperação na rodovia AM-240, importante eixo de ligação entre comunidades com a sede do município de Presidente Figueiredo. Conhecida como estrada da Vila de Balbina, a via enfrenta problemas estruturais como buracos, erosão e falta de sinalização.

Nesta quinta-feira, 10/7, o parlamentar recebeu na Casa Legislativa, um grupo de moradores, comerciantes e produtores rurais da região para prestar contas das providências tomadas e reforçar seu compromisso com a população da Terra das Cachoeiras. Cidade já havia solicitado, no dia 21 de maio deste ano, por meio de requerimento, a recuperação asfáltica, requalificação da sinalização vertical e horizontal, e a capinação das margens da rodovia.

O documento foi encaminhado ao Governo do Estado, à Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) e ao Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). No dia 1º, Cidade voltou a pedir ao Governo do Estado uma intervenção urgente na AM-240.

“Digo para vocês (representantes) que a AM-240 vai ficar do jeito que ela merece. Já tenho informações de que está sendo executada a operação de tapa-buraco e, em breve, vai sair a obra definitiva dessa estrada, por onde passam mais de 10 mil pessoas todos os dias. Essa resposta é resultado do nosso esforço, aqui do Poder Legislativo, da nossa articulação e da união com os moradores e lideranças locais que lutam pela melhoria da estrada”, afirmou o deputado.

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Durante o encontro, Roberto Cidade fez uma videochamada com o secretário de Infraestrutura do Estado (Seinfra), Carlos Henrique Lima, que informou as medidas que estão sendo tomadas a curto prazo para mitigar os transtornos causados pelos buracos. Segundo ele, o projeto para a recuperação total da estrada está em fase de finalização e deve ser concluído até o início de agosto.

“Desde ontem (9/7), estão sendo realizados, de forma emergencial, trabalhos de tapa-buraco com alargamento da via em toda a estrada. Em paralelo a isso, nossa equipe está em processo de finalização do projeto que visa à total recuperação e restauração de toda a estrada, que está com muita erosão. Acredito que, no final de julho e início de agosto, este projeto esteja finalizado, para que possamos, assim, fazer a recuperação total da rodovia”, informou o secretário.

Roberto Cidade destacou a importância estratégica dessa iniciativa para o desenvolvimento local. “Desde o meu primeiro mandato, sempre fui comprometido com Presidente Figueiredo. Meu compromisso é com as pessoas que vivem e produzem naquela região”, declarou o parlamentar.

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A atuação do deputado foi reconhecida por lideranças comunitárias. O produtor rural Fernando Silva, morador do KM 13 da estrada da Vila de Balbina, agradeceu ao presidente Roberto Cidade pela intermediação junto ao Governo do Estado.

“Quero agradecer ao deputado estadual Roberto Cidade. Nós vivemos lá na nossa comunidade da AM-240, buscando a melhoria para a trafegabilidade na via. Ele nos recebeu com atenção, ouviu nossas demandas e intermediou junto ao Governo do Estado. Agora estamos vendo a resposta acontecer. Sabemos que o governo vai continuar promovendo melhorias e, em breve, virá a recuperação da AM em sua totalidade”, disse o produtor rural.

Piscicultor na Comunidade São Salvador, no KM 26 da AM-240, o empresário Withan Laborda destacou que os anseios dos moradores e produtores ao longo da rodovia vão sair do papel. “Fomos bem recebidos e obtivemos, de concreto, que realmente fomos atendidos. Os nossos interesses em relação à AM-240 vão sair do papel. Isso é importante para todo o município de Presidente Figueiredo, sobretudo para quem vive e depende da AM-240”, frisou.

Além de fundamental para o transporte de cargas e pessoas, a estrada é também um importante corredor turístico, com acesso a mais de 200 atrativos naturais, como a Caverna do Maroaga, a Gruta da Judéia, a Cachoeira Santuário e a Pedra Furada, consolidando Presidente Figueiredo como um dos principais destinos do ecoturismo amazonense.

Amazonas é exemplo de campanha de conscientização à saúde animal com o ‘Julho Dourado’

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Foto: Hudson Fonseca/Aleam

O mês de julho marca a realização da campanha ‘Julho Dourado‘, voltada à conscientização sobre a saúde animal e à prevenção de zoonoses. A iniciativa busca destacar a importância da vacinação e de cuidados preventivos para proteger os animais de estimação e a saúde pública.

Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a deputada estadual Joana Darc (UB) foi autora do Projeto de Lei nº 377/2022, que instituiu oficialmente o “Julho Dourado” no calendário estadual. A proposta foi aprovada e transformada na Lei Ordinária nº 6.193, de 3 de janeiro de 2023.

Leia também: Escola do Legislativo da Aleam atendeu mais de 4.200 pessoas no primeiro semestre

A campanha tem como objetivos principais: promover ações em prol da qualidade de vida de animais domésticos e de rua por meio de palestras, seminários, mobilizações e outras atividades educativas; incentivar a adoção de animais abandonados; e divulgar os princípios da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A legislação também prevê a possibilidade de parcerias com a iniciativa privada, entidades civis e organizações não governamentais de proteção animal. Além disso, recomenda-se a decoração voluntária de prédios com luzes ou faixas douradas durante o mês, como forma simbólica de adesão à campanha.

A deputada Joana Darc destaca que o abandono de animais, além de ser um problema ético, representa risco à saúde pública.

“Além do sofrimento a que são submetidos, os animais abandonados podem transmitir zoonoses como raiva, esporotricose, leishmaniose, toxoplasmose e leptospirose. Também causam outros transtornos, como acidentes de trânsito, sujeira e ataques a pessoas”, afirmou.

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Ela ressalta ainda o potencial da campanha para ganhar projeção nacional, comparável a outras já consolidadas.

“O Julho Dourado já é um exemplo de sucesso no Paraná e, se for adotado por outros estados, pode ter a mesma relevância na saúde animal que o Outubro Rosa e o Novembro Azul têm na prevenção do câncer de mama e de próstata, respectivamente”, concluiu.

Comissão de Defesa do Consumidor apresenta balanço semestral com mais de mil audiências de conciliação

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Foto: Rodrigo Brelaz

A Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (CDC-Aleam), presidida pelo deputado Mário César Filho (UB), apresentou o balanço das atividades realizadas no primeiro semestre de 2025. Foram desenvolvidas ações que envolveram renegociação de dívidas, mediação de conflitos, fiscalizações em campo e campanhas educativas com foco na proteção do consumidor em todo o Estado.

“O balanço da CDC‑Aleam no primeiro semestre de 2025 foi bastante positivo, fruto do trabalho intenso em renegociação de dívidas, mediações e fiscalizações. Estamos confiantes e esperamos que o próximo semestre supere ainda mais esses resultados”, afirmou o presidente da CDC.

Operação Limpa Nome

De acordo com a CDC-Aleam, foram realizadas duas edições da “Operação Limpa Nome”, em Manaus, nos dias 24 e 25, e 26 e 27 de março de 2025, no auditório do Poder Legislativo, com estrutura de atendimento direto ao público e participação de concessionárias de água e energia.

Mais de mil audiências de conciliação foram realizadas no semestre, envolvendo empresas de telefonia, bancos, planos de saúde e concessionárias. Muitos casos foram resolvidos no mesmo dia, sem necessidade de judicialização, garantindo resposta rápida e efetiva à população.

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Durante o evento, centenas de consumidores renegociaram dívidas com descontos expressivos. No interior, a operação chegou aos municípios de Presidente Figueiredo e Iranduba, com resultados igualmente significativos.

A comissão ainda fiscalizou supermercados, farmácias, postos de combustíveis, lojas e agências bancárias. As operações resultaram em autuações, apreensão de produtos vencidos e notificações por práticas abusivas. No mês do consumidor, em março, essas ações foram ampliadas com a participação de órgãos parceiros e mobilização das equipes jurídicas da Aleam.

Festival de Parintins

Durante o Festival de Parintins, a CDC-Aleam esteve na ilha Tupinambarana, com ponto fixo de atendimento no Turistódromo. A equipe recebeu denúncias, prestou orientações jurídicas e distribuiu material educativo.

Questões envolvendo filas bancárias, transporte fluvial e acessibilidade foram acolhidas e encaminhadas aos órgãos competentes, reforçando o compromisso da comissão com o atendimento em campo.

O trabalho desenvolvido pela CDC-Aleam também recebeu reconhecimento da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM), que homenageou Mário César Filho por sua atuação à frente da comissão. A condecoração foi concedida pela Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem, em agradecimento aos serviços prestados ao Estado.

Foto: Leandro Cardoso/Gabinete do deputado Mário César Filho

Parcerias

A atuação da CDC-Aleam ainda se fortaleceu por meio de parcerias institucionais. As ações de conciliação, fiscalização e atendimento foram realizadas com o apoio do Instituto de Defesa do Consumidor do Amazonas (Procon-AM), do Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas (Ipem-AM), da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Consumidor (Decon-AM), da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam) e da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM).

“A nossa atuação só é possível porque a CDC está inserida numa rede de parceiros comprometidos com o mesmo propósito. Estar ao lado de órgãos como o Procon, o Ipem, a Decon, a Arsepam e a OAB fortalece e amplia o alcance do nosso trabalho. Isso faz com que a Comissão não apenas reaja aos problemas, mas atue de forma preventiva, presente, resolutiva e cada vez mais próxima da população”, afirmou o parlamentar.

Estudo aponta onde e com quais espécies reflorestar a Amazônia com base na ciência

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Na foto, sementes de Paricá, espécie promissora para reflorestamento, com rápido crescimento e bom rendimento na produção de madeira, é uma das indicações presentes no estudo. Foto: Ronaldo Rosa

Uma nova pesquisa publicada na revista científica internacional Forests traz avanços significativos para a gestão e soluções florestais sustentáveis na Amazônia brasileira. O estudo, liderado pela pesquisadora Lucieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental (PA), utilizou uma metodologia de sua autoria, o zoneamento topoclimático, a qual permite mapear áreas e indicar as espécies nativas mais adequadas para a silvicultura e restauração florestal na região amazônica. A publicação na Forests foca em 12 espécies nativas de alto valor ecológico e econômico.

Realizado por pesquisadores da Embrapa, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e de outras instituições, o trabalho revela que a silvicultura com espécies nativas influencia positivamente no combate às mudanças climáticas, além de promover geração de renda, recuperar a biodiversidade e fortalecer a resiliência das áreas frente a desastres naturais.

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As descobertas enfatizam a importância do zoneamento topoclimático como uma ferramenta para estratégias de conservação e uso sustentável. Os resultados estão alinhados à Lei de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do Brasil, abordagem capaz de incentivar práticas agroflorestais, melhorar a conservação da biodiversidade e fortalecer a bioeconomia amazônica.

A Dinízia excelsa, conhecida como Angelim-vermelho, é a espécie com maior eficiência topoclimática, segundo o estudo

Método é aplicável a qualquer bioma

A metodologia de zoneamento topoclimático visa subsidiar estratégias de conservação e uso sustentável de espécies florestais nativas, podendo ser aplicada a qualquer Bioma.

O estudo utilizou mais de 7,6 mil registros georreferenciados de espécies florestais nativas, como angelim-vermelho, ipê-amarelo, copaíba e mogno-brasileiro (veja a foto), e cruzou essas informações com dados climáticos, topográficos e geográficos coletados entre 1961 e 2022. A partir disso, os pesquisadores criaram mapas que mostram o grau de adequação ambiental (alto, médio ou baixo) de diferentes áreas da Amazônia para o plantio e manejo de cada espécie.

Ouriço e semente de mogno brasileiro. Foto: Ronaldo Rosa

A análise estatística, não hierárquica, gerou modelos e mapas que indicam áreas com alto, médio e baixo potencial topoclimático para o plantio e manejo de cada espécie.

“É uma metodologia de planejamento com enorme potencial para embasar políticas públicas voltadas à restauração florestal, bioeconomia e adaptação climática. É ciência aplicada ao território”, declara Martorano.

Entre os resultados, o estudo demonstra que espécies como o angelim-vermelho (Dinizia excelsa) apresentaram até 81% de alta aptidão topoclimática em áreas antropizadas (degradadas ou alteradas pelo homem), revelando um vasto potencial para restauração produtiva. Além disso, espécies com maior plasticidade ambiental, como o marupá (Simarouba amara), podem atuar como “coringas” em locais de menor adequação climática, desde que acompanhadas de manejo adaptativo.

Ranking das espécies da Amazônia com maior eficiência topoclimática para uso em projetos de restauração ou enriquecimento de áreas (Imagem gerada por iA)

Conectando biodiversidade, clima e economia

Mais do que apenas mapear onde plantar, o zoneamento permite alinhar e subsidiar políticas públicas aos compromissos internacionais do Brasil no Acordo de Paris, como o reflorestamento de milhões de hectares e o combate à perda de biodiversidade. A silvicultura de nativas, impulsionada por essa ferramenta, integra bioeconomia e clima, gerando oportunidades econômicas sustentáveis.

Essa abordagem possui forte aderência à Lei de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do Brasil, podendo ser a base para atrair fontes financiadoras e fomentar práticas agroflorestais e a silvicultura de nativas, como embasam os dados do estudo. A metodologia foca em espécies florestais e, somada a outros zoneamentos, tem a capacidade de melhorar a conservação da biodiversidade e fortalecer a bioeconomia amazônica, garantindo resiliência ecológica e desenvolvimento sustentável.

O estudo também abre portas para programas de recuperação de áreas nativas e o mercado de crédito de carbono. O pesquisador Silvio Brienza Junior da Embrapa Florestas (PR) e coautor do artigo, destaca que espécies bem adaptadas, identificadas pelo zoneamento, maximizam a oferta de serviços ambientais como sequestro de carbono, regulação hídrica e térmica, e preservação da biodiversidade.

“Quando o país identifica com precisão onde e como reflorestar, cria melhores condições para atrair investimentos climáticos internacionais”, complementa o cientista.

Os Sistemas Agloflorestais (SAFs) são formas de restauração produtiva, economicamente viáveis e com grande potencial para prestação de serviços ambientais (Imagem gerada por IA)

Amazônia no centro do debate global

Com a Conferência das Partes (COP 30) em Belém, em novembro deste ano, o Brasil ganha uma ferramenta robusta para mostrar que a ciência nacional pode liderar soluções climáticas globais. Os dados trazidos pelo artigo fortalecem a imagem da Amazônia não apenas como bioma ameaçado, mas como fonte de soluções concretas, baseadas na natureza e na inteligência territorial.

O modelo de zoneamento topoclimático poderá ser usado para direcionar recursos de restauração, orientar projetos financiados por fundos verdes e contribuir com as metas de neutralidade de carbono, conforme acordos globais.

Segundo os autores, o modelo de zoneamento pode ser ampliado para outras regiões e escalado com tecnologias como sensoriamento remoto e inteligência artificial. A proposta também estimula a conservação de espécies de alto valor econômico e ecológico, contribuindo para um reflorestamento inteligente — que combina restauração ambiental com geração de renda e inclusão social.

Paricá. Foto: Ronaldo Rosa

Publicação aberta e gratuita

O artigo ‘Topoclimatic Zoning in the Brazilian Amazon: Enhancing Sustainability and Resilience of Native Forests in the Face of Climate Change’ está disponível gratuitamente no site da revista Forests (MDPI).

Assinam o artigo:

  • Lucietta Guerreiro Martorano – Embrapa Amazônia Oriental (PA);
  • Silvio Brienza Júnior – Embrapa Florestas (PR);
  • José Reinaldo da Silva Cabral de Moraes – Sombrero Insurance (SP);
  • Werlleson Nascimento – Universidade de São Paulo (Esalq/USP);
  • Leila Sheila Silva Lisboa – Secretaria Municipal de Educação de Belém (PA);
  • Denison Lima Corrêa – Universidade do Estado do Pará (Uepa);
  • Thiago Martins Santos – Universidade Federal de Lavras (Ufla);
  • Rafael Fausto de Lima – Universidade Estadual Paulista (Unesp);
  • Kaio Ramon de Sousa Magalhães – Universidade Federal de Lavras (Ufla);
  • e Carlos Tadeu dos Santos Dias – Universidade de São Paulo (Esalq/USP), e Universidade Federal do Ceará (UFC).

Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) na Amazônia

O Pagamento por Serviços Ambientais é um instrumento que remunera produtores, comunidades e populações tradicionais por ações que conservam ou restauram os ecossistemas, gerando benefícios coletivos como água limpa, captura de carbono, biodiversidade e estabilidade climática.

Benefícios esperados: incentivo à restauração ecológica orientada; fortalecimento da bioeconomia da floresta; geração de renda por meio de projetos de mercado de carbono, conservação de água e biodiversidade; e apoio à resiliência climática em áreas antropizadas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Da nascente à foz: descubra a história do britânico que percorreu toda a extensão do rio Amazonas

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Foto: Keith Ducatel/Reprodução

Em 2 de abril de 2008, o ex-capitão do Exército britânico Ed Stafford deu início à maior aventura de sua vida: se tornar o primeiro ser humano a percorrer, a pé, toda a extensão do rio Amazonas, da nascente à foz. O ponto de partida foi o monte Mismi, na costa do Pacífico do Peru.

Dali, Ed atravessaria a Cordilheira dos Andes até encontrar a nascente oficial do rio mais volumoso do planeta. E então, o desafio real começaria.

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Durante os 860 dias seguintes, quase dois anos e meio, o britânico enfrentou o calor implacável, chuvas torrenciais, infestações de insetos, ferimentos, fome, solidão e ameaças reais à sua vida.

No caminho, passou por territórios do Peru, Colômbia e Brasil. Enfrentou não apenas animais selvagens e doenças tropicais, mas também a desconfiança de comunidades indígenas. E, talvez mais difícil do que tudo, lidou com seus próprios medos e dúvidas.

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O britânico contou com a ajuda dos locais para desbravar o Rio Amazonas. Foto: Keith Ducatel/Reprodução

Mas a jornada de Stafford não foi solitária do início ao fim. Cinco meses após partir, ele conheceu Gadial Sanchez Rivera, também conhecido como Cho, um jovem peruano com experiência na selva. O que começou como um acordo temporário de guia, transformou-se em uma parceria duradoura.

Juntos, Ed e Cho caminharam cerca de 6.400 quilômetros. A jornada não foi apenas física, mas também de aprendizado. Stafford testemunhou a beleza intocada da floresta amazônica, mas também a face cruel da devastação: áreas de desmatamento avançado, queimadas, rios poluídos e comunidades indígenas pressionadas pela perda de seus habitats.

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Foto: Keith Ducatel/Reprodução

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Relato

Em 2012, Stafford lançou o livro Walking the Amazon: 860 Days. One Step at a Time (Caminhando pela Amazônia: 860 Dias. Um Passo de Cada Vez). Em suas 319 páginas, ele narra com detalhes, os desafios, perigos e descobertas dessa travessia épica.

O livro logo se tornou referência mundial em histórias de aventura e exploração, destacando-se por seu realismo, intensidade emocional e reflexão ambiental.

Hoje, Ed Stafford é considerado um dos maiores exploradores contemporâneos. Virou apresentador de documentários e defensor da preservação ambiental.

Capa do livro de Ed Stafford. Foto: Reprodução

Luminárias são criadas a partir de pedaços de árvores encontrados em trilhas na Serra do Tepequém

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Luminária feita com raiz de uma árvore queimada. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Unir a paixão pela natureza com a arte. Esse tem sido o trabalho da guia de turismo e artista plástica Ana Karla Vieira Bastos, de 42 anos, que transforma partes de árvores recolhidas em trilhas em luminárias sustentáveis. As peças são feitas na Serra do Tepequém, a principal região turística de Roraima.

“É o que eu vivo, é a minha realidade, minha vida, minha fonte de renda, a única porque eu trabalho exclusivamente com o turismo e a arte atualmente. Hoje representa tudo na minha vida, é com amor que eu faço tudo isso”, afirmou a artista.

Localizada no município de Amajari, ao Norte do estado, a Serra do Tepequém é um dos lugares mais visitados por apresentar atrações como cachoeiras, um platô que chega a quase 1.022 m de altura e pelo clima ameno durante a noite, proporcionado pelas serras.

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A inspiração para transformar os pedaços de madeira em obras de arte surgiu depois que a guia turística começou a recolher os fragmentos de trilhas onde realiza excursões. A ideia, no início, era apenas manter os caminhos mais “limpos” e evitar que turistas se machucassem durante o percurso.

Enquanto usava uma plataforma de descoberta visual, Karla encontrou imagens de luminárias rústicas feitas em madeira. Os modelos despertaram na guia o desejo de produzir as próprias peças com o que era encontrado nas trilhas.

“Eu observei que tinham troncos que se desprendiam das árvores, caiam e poderiam machucar meus turistas. E aí eu fui tirando, fui fazendo várias coletas desses troncos e depois eu passando o Pinterest, eu fui olhando as luminárias rústicas e disse: ‘eu vou fazer então a luminária do Tepequém’ […] foi uma inspiração divina mesmo”, contou a artista em entrevista ao Grupo Rede Amazônica.

Ana Karla é guia de turismo e produz luminárias com pedaços de árvores encontrados em trilhas, em Roraima. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

As luminárias do Tepequém, como são chamadas, são feitas com o âmago da árvore — parte central do tronco — que se desprende da planta e cai no entorno dela, e até com raízes queimadas por incêndios florestais. As árvores não são cortadas, tudo é feito com o que a “natureza não quer mais”.

A confecção das peças é totalmente manual e dura, em média, 45 dias. Elas começaram a ser produzidas no início de 2024, com o apoio do arqueólogo Ednelson Pereira, na Casa dos Artistas em Tepequém.

A produção não envolve nenhuma alteração no formato original da madeira. Após serem recolhidos, os pedaços de madeira são higienizados e passam por um tratamento para prevenir o aparecimento de fungos e cupins.

Depois, as peças são pintadas com um verniz natural para manter a cor original da madeira. O último passo é a instalação da lâmpada amarela, também conhecida como luz quente. A ideia é aproximar a pessoa da floresta.

“Se você coloca [a luminária] num cantinho, assim, de um ambiente, o formato da árvore te remete à floresta. Então, é uma conexão, você fica zen mesmo, você relaxa com aquela luz, com aquele ambiente mais calmo. É essa sensação de relaxamento que ela causa, sabe?”, explicou Ana Karla.

Luminárias sustentáveis são feitas na Serra do Tepequém, ao Norte de Roraima. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

A comercialização das luminária também começou no ano passado e, desde então, mais de dez peças já foram vendidas. Os valores variam entre R$ 180 e R$ 1,5 mil, dependendo do tamanho e do tempo para a finalização da peça. “É uma peça única, exclusiva, ninguém vai ter outra peça igual a essa no mundo”, garantiu Ana Karla.

Recomeço

Natural de Fortaleza (CE), Ana Karla mora em Roraima há cerca de 20 anos. Em 2020, após enfrentar complicações da Covid-19, ela decidiu se mudar da capital Boa Vista para a Serra do Tepequém, buscando melhores condições de saúde com o contato com a natureza. Lá, ela iniciou a atuação como guia de turismo.

“Eu me mudei logo depois de um Covid grave, decidi morar na Serra e fazer meus exercícios respiratórios por lá, porque nós temos um oxigênio 100%. E aí veio a ideia de um amigo: ‘Karla, por que você não conduz? Nós temos poucas mulheres nessa área aqui no Tepequém’. E eu fui querer saber como que funcionava isso”, explicou a guia e artista plástica.

Com o incentivo do amigo, Karla começou a estudar a história da região e se formou como guia de turismo em 2024, por meio de um curso do Instituto Federal de Roraima (IFRR) que capacita moradores da Serra do Tepequém.

Luminárias e terrarios produzidos na Serra do Tepequém estão em exibição em Boa Vista. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

“Eu falo com paixão do Tepequém. Eu falo que o Tepequém é como um recomeço para mim. Eu me apaixonei pela fauna, pela flora, o barulho [do lugar]”, afirmou ela.

Hoje, Ana Karla se dedica exclusivamente a orientação turística e a produção de luminárias sustentáveis. De acordo com ela, o objetivo do trabalho é conscientizar as pessoas sobre a preservação da floresta.

Exposição

As obras estão em exposição no shopping do bairro Caçari, em Boa Vista, e podem ser vistas até o dia 31 de julho. Promovida por um grupo de artistas da Serra do Tepequém, a exposição busca valorizar as produções locais.

Além das luminárias, entre as obras expostas estão terrários, recipientes de vidro que abrigam diversos tipos de plantas. As peças também contém musgos e pedras encontradas na própria Serra do Tepequém, incluindo cristais.

*Por Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR