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Dicionário multimídia preserva identidade linguística e cultural do povo Ye’kwana

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Foto: Divulgação/MNPI

O povo indígena Ye’kwana agora conta com uma ferramenta para a preservação de sua identidade linguística e cultural: o Dicionário Multimídia da Língua Ye’kwana. O material foi consolidado em novembro de 2025, como resultado de um processo de pesquisa e documentação linguística realizado pelo Projeto Salvaguarda do Patrimônio Linguístico e Cultural de Povos Indígenas Transfronteiriços e de Recente Contato na Região Amazônica.

O projeto de cooperação técnica internacional é firmado pelo Museu Nacional dos Povos Indígenas (MNPI), órgão científico-cultural da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

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A ferramenta é resultado do trabalho do Subprojeto Ye’kwana que integra o Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas (ProDoclin). A devolutiva do produto desenvolvido pelo subprojeto aconteceu na comunidade Waichannha (Waikás), do povo indígena Ye’kwana, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima.

A pesquisa e documentação da língua Ye’kwana pelo ProDoclin para o dicionário teve início em 2019 com o trabalho do subprojeto que, ao longo de seis anos, contou com a consultoria de pesquisadores indígenas Ye’kwana e produziu mais de 1.400 verbetes multimídia, incluindo palavras e expressões da língua originária Ye’kwana. 

A iniciativa faz parte do projeto de cooperação técnica internacional entre o Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), a Funai, por meio do MNPI, e a Unesco, que visa a salvaguarda do patrimônio linguístico de povos transfronteiriços (que vivem em mais de um país) e de recente contato na Amazônia. 

Leia também: Tecnologia social: conheça a plataforma com sete Dicionários para Línguas Indígenas

Povo Ye’kwana dicionário multimídia foto divulgacao mnpi
Oficinas ensinaram como acessar o dicionário. Foto: Divulgação/MNPI

Atividades de campo para criação do dicionário

Foram realizadas oficinas formativas com professores das escolas estaduais Waikás (Alto Alegre), Apolinário Gimenes (comunidade Fuduuwadunha) e Mötaaku (comunidade Kudaatanha), em Roraima., para uso do dicionário As atividades foram coordenadas  pela pesquisadora linguista Isabella Coutinho, responsável pelo subprojeto, e pelo pesquisador Ye’kwana Edmilson Estevão Magalhães.

O foco das oficinas foi o treinamento para o uso da plataforma Japiim, desenvolvido especialmente pelo projeto e que permite o acesso ao dicionário multimídia Ye’kwana em dispositivos móveis mesmo em áreas sem conexão à internet. A plataforma também hospeda mais de 14 dicionários multimídia de línguas indígenas produzidos.

Atendendo a uma demanda das lideranças indígenas e da Associação Wanassedume Ye’kwana (Seduume), foi  produzido um vídeo tutorial na língua Ye’kwana. Gravado na sede da associação em Boa Vista, em Roraima, o material audiovisual detalha as funcionalidades da plataforma Japiim. O objetivo é facilitar a disseminação do conhecimento para além das salas de aula, alcançando famílias e jovens em diferentes contextos comunitários.

A conclusão dos trabalhos reforça a missão institucional da Funai, por meio do MNPI, em apoiar processos participativos de documentação que garantam que as línguas indígenas permaneçam vivas e integradas às novas tecnologias de informação. 

Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas 

O ProDoclin surgiu no antigo Museu do Índio (atual MNPI) em 2008, como uma resposta estratégica à vulnerabilidade de diversas línguas indígenas no Brasil. O programa foi desenhado para criar um acervo digital de alta qualidade, utilizando tecnologia de ponta para registrar não apenas palavras, mas cantos, narrativas, rituais e conhecimentos tradicionais.

Ao longo de quase duas décadas, o ProDoclin tornou-se uma referência internacional em metodologia colaborativa, onde o indígena deixa de ser apenas objeto de estudo para se tornar o pesquisador de sua própria cultura.

Entre os diversos povos já beneficiados pelas ações de documentação do programa, estão os povos indígenas do Xingu, como os Kuikuro e Kalapalo, assim como os Karajá, Xavante e Kayapó,  e os da Amazônia e Nordeste,  Incluindo os Baniwa, Ashaninka, Maxakali, Krahô e, mais recentemente, os grupos de recente contato e transfronteiriços, como os Ye’kwana e Korubo.

Leia também: Considerada extremamente vulnerável, língua indígena Moré-Kuyubim ganha dicionário multimídia

Pluralidade  linguística 

O Brasil convive com uma pluralidade linguística ainda desconhecida por grande parte da população. São 391 povos e 295 línguas indígenas faladas, de acordo com dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa atualizada em outubro de 2025, mostra que a população indígena passou de aproximadamente  897 mil para quase 1,7 milhão de pessoas, das quais 74,51% declararam seu pertencimento étnico em 2022. 

Para a Funai, os números reforçam a necessidade de uma atuação integrada entre União, estados, Distrito Federal e municípios para assegurar o acesso dos povos indígenas a todos os serviços ofertados pelo Poder Público.

A autarquia lembra que todos os entes da federação devem atuar na promoção e proteção dos direitos dos povos indígenas, considerando, entre outros pontos, que o Censo 2022 aponta a presença indígena em 4.833 municípios. Segundo a pesquisa, São Paulo é o estado com o maior número de povos indígenas identificados pelo Censo — 271 ao todo. Em seguida, destacam-se o Amazonas, com 259, e a Bahia, com 233. 

*Com informações da Funai

Amazonas registra menor número de alertas de desmatamento em oito anos

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Canal do Livramento na foz do Rio Amazonas. Foto: Divulgação / Setrap

O Amazonas fechou 2025 com o menor número de alertas de desmatamento em oito anos. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram 2.798 registros, o menor índice desde 2017. O resultado representa queda de 28% em relação a 2024, quando houve 3.897 alertas.

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Entre os municípios, Apuí teve o maior número de alertas em 2025: 543. Em seguida aparecem Lábrea (334) e Boca do Acre (232). Na área desmatada, Apuí também liderou, com 18,5 mil hectares. Lábrea registrou 12,2 mil e Novo Aripuanã, 6,4 mil hectares.

A área desmatada também caiu em 2025. Foram 72 mil hectares, contra 79 mil no ano anterior — redução de 9,4%. É o menor índice desde 2018 e confirma a tendência de queda registrada no estado desde 2023.

Realização do monitoramento no Amazonas

O monitoramento é feito diariamente pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), que usam as informações para orientar ações de combate e definir políticas ambientais.

Leia também: Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica

Amazonas registra menor número de alertas de desmatamento em oito anos
Desmatamento no Amazonas. Foto: Divulgação / Embrapa

O Ipaam aplicou R$ 271,9 milhões em multas ambientais em 2025. Desse total, R$ 179,3 milhões foram por desmatamento ilegal. Em 2024, o valor havia sido menor: R$ 194 milhões, sendo R$ 106 milhões ligados ao desmatamento.

O órgão explica que os valores das multas não significam arrecadação imediata, já que muitos processos ainda passam por defesa ou recurso. O dinheiro efetivamente recolhido vai para o Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema), administrado pela Sema, que financia projetos de proteção ambiental no Amazonas.

*Com informações do Governo do Amazonas

Amazônia colombiana reduziu desmatamento em cerca de 25% entre janeiro e setembro de 2025

Foto: Divulgação

A Amazônia colombiana registrou uma redução de 25% no desmatamento acumulado estimado entre janeiro e setembro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, segundo o Boletim Trimestral de Detecção Precoce do Desmatamento nº 44 do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (Ideam) colombiano.

Segundo o relatório, estima-se que 36.280 hectares foram desmatados durante os três primeiros trimestres de 2025, em comparação com aproximadamente 48.500 hectares registrados no mesmo período do ano anterior, confirmando uma tendência sustentada de redução do desmatamento no bioma amazônico.

As maiores áreas estimadas de desmatamento concentraram-se nos meses de janeiro (14.250 hectares) e fevereiro (9.503 hectares), enquanto maio registrou o menor impacto, com apenas 54 hectares desmatados, refletindo tanto as variações sazonais quanto a implementação de ações de controle e contenção no território.

Da mesma forma, quatro departamentos foram responsáveis ​​por 98% do desmatamento estimado na Amazônia colombiana em 2025: Meta e Caquetá, com 31% cada; Guaviare, com 24%; e Putumayo, com 12%, o que demonstra uma alta concentração territorial do fenômeno.

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Rio Putumayo, na Colômbia. Foto: Daniel Acosta/Pixabay

O boletim destaca que as maiores reduções cumulativas foram registradas em Meta (-6.750 hectares), Caquetá (-4.734 hectares) e Guaviare (-1.499 hectares). Em contrapartida, Putumayo apresentou um aumento líquido estimado de desmatamento de +1.569 hectares, reforçando a necessidade de ações diferenciadas e direcionadas, em consonância com o Plano Integral de Contenção do Desmatamento.

De fato, o Governo Nacional fortaleceu as ações de restauração ecológica, o envolvimento de gestores ambientais e extensionistas, a implementação de acordos voluntários de conservação, a promoção de cadeias produtivas sustentáveis ​​e manejo florestal sustentável, bem como o apoio a 5.562 famílias beneficiadas pelos incentivos econômicos do programa Conservar Paga.

Os alertas persistem no arco noroeste da Amazônia Colombiana

Embora os resultados acumulados demonstrem os esforços contínuos de coordenação institucional e gestão territorial com o objetivo de conter o desmatamento, o Boletim nº 44 alerta que o comportamento do fenômeno é influenciado por variações climáticas, entre outros fatores, o que exige a manutenção e o reforço das ações nos períodos e territórios de maior pressão.

Especificamente, durante o terceiro trimestre de 2025 (julho a setembro), a Ideam identificou o impacto da transição entre o fim da estação chuvosa e o início da estação seca, um período em que as pressões sobre a floresta se intensificam.

Nesse contexto, foram identificados quatro Núcleos de Detecção Precoce de Desmatamento, localizados no arco noroeste da Amazônia colombiana, nas áreas de Guaviare, Meta, Caquetá e Putumayo:

Cuemaní – Cartagena del Chairá (Caquetá)

Trata-se do núcleo mais relevante, associado a pastagens para apropriação indevida de terras, expansão da pecuária extensiva insustentável e aumento da infraestrutura rodoviária não planejada, inclusive em áreas da Reserva Florestal da Segunda Lei e em áreas próximas ao Parque Nacional Natural da Serranía de Chiribiquete.

Yaguará II – Calamar (Guaviare)

Essa área central afeta principalmente a Reserva Indígena Llanos del Yarí – Yaguará II e setores do Parque Nacional Natural Serranía de Chiribiquete, com dinâmicas de colonização induzidas por estradas ilegais e expansão de pastagens.

Puerto Caicedo – Puerto Asís (Putumayo)

Nessa região, predomina a expansão de cultivos ilícitos, combinada com processos subsequentes de conversão de pastagens.

Puerto Guzmán (Putumayo)

A pecuária extensiva e a apropriação de terras predominam nesta área, com impactos em reservas indígenas e áreas florestais estratégicas.

Em conclusão, o desmatamento na Amazônia colombiana diminuiu 25% no período cumulativo estimado entre janeiro e setembro de 2025. No entanto, o monitoramento mostra que as principais pressões que historicamente impulsionaram esse fenômeno, principalmente de origem antropogênica, persistem. Essas pressões estão associadas à conversão de terras para pastagens, à pecuária extensiva insustentável e à expansão de infraestrutura de transporte não planejada. No departamento de Putumayo, essa dinâmica é ainda agravada pela expansão de cultivos ilícitos, enquanto, em menor escala, também são registrados impactos relacionados à extração ilegal de madeira e à mineração ilegal.

Em casos excepcionais, foram identificadas causas naturais, como movimentos de massa associados a chuvas extremas, em setores do Parque Nacional Natural da Serranía de Chiribiquete e na Reserva Andoke de Aduche.

Por fim, o Governo apela à responsabilidade partilhada dos cidadãos e das entidades territoriais para reforçar a justiça ambiental, prevenir as queimadas a céu aberto, a exploração madeireira indiscriminada e as alterações não autorizadas na cobertura vegetal, e avançar na proteção e recuperação das florestas do país, em conjunto com as comunidades que habitam e cuidam do território.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia

Marcelo Barbosa Peixoto: um período construtivo na maçonaria amazonense

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Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, da GLOMAM Amazonas. Foto: Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A maçonaria tem sua origem no trabalho. Foi criada com a finalidade de construir e aperfeiçoar todos aqueles que tem e tiveram a oportunidade de se aprofundar em um de seus templos. Naturalmente encontrando a possibilidade de se tornarem homens justos, perfeitos sob o olhar do Grande Arquiteto do Universo.

Quem quer que ainda creia nos altos desígnios do homem sobre a face da terra, quem quer que ainda não tenha todo descrito da ação civilizadora nos destinos da humanidade, quem quer ainda não tenha tornado em absoluto em diferente ao movimento gerador que as conquistas do espírito humano vão operando no mundo maçônico, retirando-os dos preconceitos de todas as origens e libertando-os de outros que possam existir, impregnado de direito e de justiça, cuja, alma crer e faz o coração sentir que, a igualdade, a fraternidade e a liberdade não podem e não devem desaparecer do sentimento maçônico.

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O Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, maçom de personalidade simpática e o homem com a mais completa encarnação da bondade e austero na condução do primeiro malhete da GLOMAM. Bem nascido no seio de uma família tradicional, nasceu em Manaus no dia 17 de janeiro de 1968. São seus pais, Renan Corrêa Peixoto e a senhora Maria Regina Barbosa Peixoto.

Recebeu as letras do primeiro e segundo grau no antigo Colégio Ida Nelson, começou a trabalhar muito cedo na companhia de seu pai, mas, tinha em mente uma qualificação universitária. O que concluiu o curso de Bacharel em Administração no dia 28 de agosto de 1993, profissão herdada da orientação paterna logo vai fazer o curso em Comércio Exterior de Logística pela Faculdade Aduaneiras, em 1997, no Estado de São Paulo. Em seguida, fez o curso de Comércio Exterior de Classificação Fiscal pela mesma faculdade.

O Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, recebeu a primeira luz maçônica, no dia 10 de julho de 1993, na Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2. Foi elevado ao Grau de Companheiro, no dia 3 de março de 1994, foi Exaltado no dia 18 de junho de 1994 e tornou Mestre Instalado no dia 20 de agosto de 2013. Venerável Mestre da Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2, no dia 20 de agosto de 2013. A busca pelo conhecimento maçônico o levou a buscar filosofismo tendo sido Exaltado no Grau Maçom do Santo Arco Real Capítulo Ocasional Amazonas, no dia 10 de setembro de 2016. Instalado no Santo Real Arco Grau 3, 2 e 1, Principal Capítulo Amazonas, no dia 10 de setembro de 2016.

Renan Peixoto, Marcelo Barbosa Peixoto e o irmão Hamilton Mourão à época Vice-Presidente da República. Foto: Acervo pessoal

Um autêntico e dedicado à causa maçônica a frente dos destinos da GLOMAM, pertence a este Grupo de Trabalhadores da Arte Real que continua contribuindo para o bem-estar da família maçônica. O Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto vem desempenhando suas funções de forma exemplar e apesar dos parcos recursos da GLOMAM, jamais se recursou a atender aos necessitados e o que nos impressiona é sua simplicidade, cuja, principal característica, é dá apoio as lojas especialmente as do interior do estado, em um desdobramento contínuo de atividades em prol do crescimento do simbolismo maçônico.

Ele de certo, ocupa lugar na primeira fila e como combatente marca sempre na vanguarda de pé e a ordem com uma participação efetiva e dedicada. Legado passado pelo seu pai tornou-se estudioso dos ensinamentos da Arte Real e conhecedor de nossa legislação o que permite entender a seriedade do seu trabalho.

Como um bom soldado da Arte Real não poupa esforços para ser útil aos seus irmãos e às lojas jurisdicionadas. Cercado por um conselho de veneráveis, procura de todas as formas exprimir o conceito de que a maçonaria não é apenas um motivo de encontro entre irmãos, mas sobretudo, um trabalho voltado, aos menos favorecidos consagrando grande soma de suas energias ao bem-estar da instituição.

Ao ser humano foi dado o desafio de navegar as agitadas águas do tempo. Viver é vencer as provações que a existência nos impõem cotidianamente e cumprir com altivez e dignidade a travessia, inclusive ajudando seus irmãos também a atravessar. Afinal, o que é a vida se não vencer a distância e os limites? E depois retornar a fonte originária de onde a correnteza da vida brota e onde reúnam os mistérios da providência divina e maçônica. Compreender esse milagre e esse enigma é condição indispensável para uma existência enriquecedora e feliz, especialmente para aqueles que fazem o bem.

Marcelo Barbosa Peixoto um maçom onde tantas vezes ajoelhou-se em oração ao Grande Arquiteto do Universo. Por isso, sempre coube a ele a tarefa muitas vezes árdua, porém, sensível de agasalhar nos desvãos do seu mundo interior, todos os motivos, todos os sonhos, todas as crenças que se urde essa tecitura de amor a arte real, desbastando carinhosamente com seu cinzel de rosário a pedra bruta.

A Instituição Maçônica, cuja origem é motivo ainda hoje de paciente perquirição, ensejando as mais diversas opiniões muito especialmente das pessoas que não à conhecem. Todas elas, porém, demonstrando o caráter universalista da ordem, sempre se constituiu em tema apaixonante da apreensão e da inteligência humana e, Marcelo Barbosa Peixoto tem como referência um dos mais estudiosos da nossa ordem seu pai, Renan Peixoto.

Marcelo Barbosa Peixoto: um período construtivo na maçonaria amazonense
Foto: Acervo pessoal

Difícil por certo, será a sua conceituação uniforme, uma vez que, o seu processo de expansão e evolução acompanha os fatos que se desenrolam entre os homens, gerando motivações civilizadoras. Podemos afirmar também, que a maçonaria é uma instituição universal inspiradora da mais perfeita tolerância pelas crenças individuais.

Adotando desde seus primórdios a trilogia de liberdade, igualdade e fraternidade, tem consagrado na luta dos povos oprimidos a sua maior ação. É de fato uma instituição universal filosófica e humanitária, demonstrando dessa forma que é um organismo sempre em desenvolvimento e em condições de contribuir para o bem da humanidade e é neste seguimento que Marcelo Barbosa Peixoto mais se destacou levando ao mundo a contribuição da maçonaria em plena floresta amazônica.

Se pretendem fazer silenciar a sua voz, para afirmar que ele não se dedicou aos preceitos da maçonaria em plena floresta amazônica, fiquem convencidos de que sua vida está marcada na história da maçonaria amazonense, afinal, para o homem, bastará consagrar-se nos anais de sua vida e ter lutado por uma causa nobre.

Meu bom irmão Marcelo Barbosa Peixoto como bom soldado da arte real, entregar-te sua vida para ser útil aos seus irmãos e a toda às lojas de nossa jurisdição. Procurar-te de todas as formas exprimir o conceito de que a maçonaria não é apenas um motivo de encontro entre os irmãos, mas sim, um trabalho voltado aos menos favorecidos. Direcionar-te grande soma de sua energia ao bem-estar da GLOMAM.

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Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Minam publica projeto para desenvolvimento e operação de créditos de biodiversidade no Peru

Artesanato é uma medida sustentável. Foto: Divulgação/Agência Andina

O Ministério do Meio Ambiente (Minam), do Peru, ordenou a publicação do projeto “Diretrizes para o planejamento e operação de projetos de crédito de biodiversidade”, com o objetivo de disponibilizar ao público um guia para o desenvolvimento de projetos de crédito de biodiversidade no país.

O planejamento regulatório, formalizado pela Resolução Ministerial nº 00352-2025-MINAM, está enquadrado no Objetivo 19 do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que estabelece o aumento, até 2030, dos recursos financeiros de todas as fontes para a implementação de estratégias nacionais de biodiversidade, por meio de instrumentos de financiamento inovadores, como os créditos de biodiversidade.

Internacionalmente, este mercado encontra-se em fase inicial, com mais de 50 metodologias em desenvolvimento e diversos planos-piloto em curso. Neste contexto, o MINAM apresenta um conjunto de diretrizes para promotores de projetos, desenvolvedores e demais partes interessadas, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de medidas ambientalmente sustentáveis ​​e tecnicamente rigorosos.

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projetos para sustentabilidade no Peru
Projetos sustentáveis ajudam a manter a mata do Peru. Foto: Divulgação/Agência Andina

Estrutura do projeto

O documento está estruturado em torno de quatro eixos principais: a abordagem conceitual dos créditos de biodiversidade; os princípios para garantir sua integridade; a identificação de áreas prioritárias para a operação das propostas; e diretrizes específicas para seu planejamento e implementação.

Essas diretrizes abordam aspectos como tipos de projeto, modalidades de intervenção, definição da linha de base, monitoramento dos impactos na biodiversidade, salvaguardas, prevenção de duplicação e repartição de benefícios.

Da mesma forma, o projeto propõe definir um crédito de biodiversidade como uma unidade ou certificado negociável, que representa um resultado positivo e mensurável para a biodiversidade, gerado por um plano registrado e apoiado por métricas científicas verificáveis.

Esta proposta está disponível para consulta pública até 16 de janeiro de 2026, no site do Minam, através do seguinte link. Comentários e contribuições podem ser enviados por escrito ou para o endereço de e-mail serviciosecosistemicos@minam.gob.pe.

*Com informações da Agência Andina

IIAP produz mais de 2,8 milhões de alevinos para fortalecer segurança alimentar na Amazônia peruana

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Foto: Reprodução/Governo do Peru

O Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), órgão do Ministério do Meio Ambiente, encerrou 2025 com um resultado que impacta diretamente o cotidiano de milhares de famílias amazônicas. Durante o ano, a instituição produziu e distribuiu 2,86 milhões de alevinos de peixes nativos, superando sua meta anual de 2,22 milhões em 29% e fortalecendo a segurança alimentar em comunidades rurais e indígenas.

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Graças a esse esforço, 2.843 famílias em 503 comunidades indígenas e rurais agora têm peixes em seus tanques familiares. As iniciativas ocorreram em 83 distritos e 28 províncias nos estados de Loreto, Ucayali, San Martín, Madre de Dios, Amazonas, Huánuco, Cusco e Puno — territórios onde o acesso a proteínas e renda estável é difícil.

A produção foi focada em espécies de alto valor para as comunidades. O paco liderou as entregas com 1,23 milhão de alevinos, seguido pela gamitana com 949.190 e pelo boquichico com 654.850. Essa seleção permitiu uma resposta às condições locais e aos hábitos de consumo de cada região.

O projeto também teve como foco as mulheres. Um total de 816 mulheres receberam alevinos para seus tanques, fortalecendo seu papel na economia familiar e na tomada de decisões produtivas dentro da comunidade.

Leia também: IIAP realiza estudo para determinar fluxos de gases do efeito estufa em floresta de Loreto, no Peru

IIAP investe em produção de alevinos no Peru
Foto: Reprodução/Governo do Peru

Treinamento do IIAP

Além da distribuição de peixes, o IIAP focou no conhecimento. Ao longo do ano, foram realizados 58 cursos práticos de gestão da aquicultura, com a participação de 1.855 produtores. Destes, 789 eram mulheres que agora possuem mais ferramentas para garantir uma piscicultura eficiente e sustentável.

Os benefícios são projetados para o curto e médio prazo. A colheita estimada ultrapassa 1.122 toneladas métricas de peixe, com um valor econômico superior a S/16,83 milhões. Isso significa mais alimentos, maiores rendimentos e melhores oportunidades para as famílias beneficiárias.

Com esses resultados, o IIAP confirma que a aquicultura rural não produz apenas peixes, mas também bem-estar, autonomia e esperança para as comunidades mais vulneráveis ​​da Amazônia peruana, e deixa uma base sólida para dar continuidade ao trabalho em 2026.

*Com informações do IIAP

BBB 26: Marciele Albuquerque e Lívia Christina, as representantes da cultura no Norte

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Fotos: Reprodução/Instagrans oficiais de Marciele e Livia

As dançarinas Livia Christina e Marciele Albuquerque entraram na Casa de Vidro do Norte no dia 9 de janeiro como parte da dinâmica de escolha do grupo Pipoca para o Big Brother Brasil 2026 (BBB 26). Mas a disputa por uma vaga no reality show da TV Globo não é a primeira que elas travam entre si.

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De lados opostos no Festival Folclórico de Parintins, elas representam personagens típicos da festa amazonense protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido. Nesta disputa, Marciele, a Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso, foi escolhida para entrar no jogo com 54,55% dos votos contabilizados neste domingo (11).

A escolha pela representantes de uma das festas mais populares do Amazonas, mostra que o trabalho feito pela antecessora de Marciele no BBB, a também cunhã-poranga Isabelle Nogueira, do rival Garantido, deixou marcas positivas e uma curiosidade do público para ver mais. Isabelle participou do BBB 24 e foi uma das responsáveis por apresentar ao Brasil a grandiosidade do festival parintinense.

Leia também: Quem são os amazônidas que já participaram do Big Brother Brasil (BBB)

Marciele Albuquerque, a cunhã-poranga do Caprichoso

Marciele Albuquerque
Foto: Reprodução/Instagram-marciele.albuquerque

E, assim como a antecessora, Marciele Albuquerque é cunhã-poranga, mas do Boi Caprichoso. Definida como “moça bonita, sacerdotisa, guerreira e guardiã”, a cunhã-poranga representa a mulher mais bela da aldeia.

A personagem, no festival, simboliza a mulher indígena forte, guerreira e conectada à natureza, sendo expressão de beleza, coragem e espiritualidade.

Durante as apresentações no Festival de Parintins, a cunhã-poranga encanta o público com dança intensa, força corporal e expressividade cênica, sempre acompanhada de narrativas que exaltam a cultura indígena.

Sua presença no espetáculo reforça o protagonismo dos povos originários e a valorização da identidade indígena amazônica.

Marciele é indígena do povo Munduruku e natural de Juruti (PA), o que a faz levar para a arena uma vivência diretamente ligada à ancestralidade que representa.

Ela é dançarina e digital influencer, tem 32 anos e vive em Manaus há 16 anos. Filha mais velha de quatro irmãos, atualmente mora um dos irmãos e uma prima.

Livia Christina, a Rainha do Folclore do Garantido

Muito além da rivalidade “bovina”, Lívia também representa a cultura amazônica. Ela representa o item ‘Rainha do Folclore’ do Boi Garantido, personagem que simboliza a essência das tradições populares amazônicas.

Em cena, ela reúne danças, ritmos e elementos que traduzem o imaginário do povo da floresta, conectando lendas, rituais e manifestações culturais profundamente enraizadas na região.

No Festival de Parintins, a Rainha do Folclore tem a missão de conduzir o público por esse universo simbólico, valorizando a cultura indígena, ribeirinha e cabocla.

Natural da Baixa do São José, em Parintins, Lívia Christina construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao Boi Garantido. Sua história no boi vermelho e branco começou no corpo de dança Garantido Show Parintins, espaço onde se destacou pelo talento e pela entrega cênica.

Ao longo da carreira, disputou por dois anos o posto de Porta-Estandarte, figurando entre os principais nomes da agremiação.

*Com informações da Rede Amazônica AM e da Imprensa Globo

Como é a jornada dos venezuelanos acolhidos na fronteira com o Brasil?

Migrantes venezuelanos fogem da crise atravessando a fronteira com o Brasil. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Ao cruzar a fronteira entre a Venezuela e o Brasil, em Pacaraima, no norte de Roraima, migrantes venezuelanos encontram o primeiro ponto de atendimento a menos de um quilômetro da linha geográfica que separa os dois países. É nesse local que começa, oficialmente, a jornada para a permanência legal no Brasil e, para muitos, o processo de interiorização — como é chamada a política que leva esses estrangeiros para outras cidades do país.

O processo é conduzido pela Operação Acolhida, a força-tarefa do Exército criada em 2018 pelo governo federal, com apoio de organizações internacionais, sendo responsável pelo ordenamento da fronteira, acolhimento e interiorização de migrantes venezuelanos no Brasil.

A captura do ditador Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, pelos norte-americanos no último dia 3 projeta um momento de incerteza na fronteira.

Saiba mais: Entenda como fica a situação da Venezuela após o ataque dos Estados Unidos e prisão de presidente e primeira dama

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o Operação Acolhida disse estar “preparada para cenários de aumento do fluxo migratório” e mantém monitoramento constante na fronteira. Até a publicação desta reportagem, a situação era considerada estável.

“As equipes seguem atuando de forma permanente, acompanhando o movimento e garantindo o ordenamento da fronteira e a segurança da população roraimense”, informou.

Mais de 150 mil venezuelanos foram interiorizados por meio da Operação Acolhida. Elas foram levadas a 1.100 municípios brasileiros.

De acordo com o comandante da força-tarefa em Roraima, general de divisão José Luís Araújo dos Santos, a operação mantém seis abrigos divididos em Pacaraima e Boa Vista. Juntos, abrigam atualmente cerca 5,8 mil pessoas recém-egressas da Venezuela.

Apesar da importância de mecanismos como a Operação Acolhida para o atendimento humanitário aos migrantes, questões como adaptação cultural, inserção no mercado de trabalho, reunificação familiar e enfrentamento ao preconceito são parte do cotidiano de quem chega ao Brasil.

Por ser uma situação de “migração forçada”, o pesquisador e diretor do Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal de Roraima (UFRR), João Carlos Jarochinski Silva, explica que os desafios enfrentados pelos estrangeiros não acabam ao cruzar a fronteira.

“A interiorização cria oportunidades concretas, sobretudo ao ampliar o acesso ao trabalho e reduzir a pressão na fronteira, mas não elimina as perdas acumuladas ao longo da trajetória migratória. Não é só ter documento e ‘zerar’ a vida”, disse.

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Entrada de migrantes

Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) contabilizam a entrada de quase 1 milhão de venezuelanos no Brasil entre 2018 e 2025 – o levantamento considera todo o fluxo migratório, o que inclui também o grupo atendido por meio da Operação Acolhida. Há outras rotas, além de Pacaraima, para que venezuelanos entrem e se estabeleçam no Brasil por conta própria.

Até novembro do ano passado, 11,2 mil migrantes foram levados para outros estados por meio do programa de interiorização da Acolhida.

Esse é o sonho do pedreiro venezuelano Daniel Torres, de 39 anos. Ele chegou em Pacaraima na última quarta-feira (7) após quatro dias de viagem saindo de ônibus de Apure, região na fronteira da Venezuela com a Colômbia.

Ele afirma que pretende seguir para Macapá, no Amapá, onde o irmão dele vive. Para isso, tentará atendido pelo programa de interiorização da Operação Acolhida.

“Quero trabalhar na construção civil com o meu irmão que mora em Macapá. Quero recomeçar a vida, na Venezuela não dava mais para ficar, muita coisa ruim. Em nome de Deus, quero começar uma vida nova”.

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Programa de interiorização

Quando chegam em Pacaraima, os migrantes são cadastrados pelo governo brasileiro, que solicita documentos para registro e permanência no país , além de submeter os cidadãos a uma triagem básica de saúde – momento em que são vacinados. Em alguns casos, também são encaminhados para atendimento médico.

Enquanto aguardam a conclusão desses procedimentos, permanecem em abrigos temporários no município. Esses alojamentos são administrados pelos militares do Exército.

Durante essa etapa, os venezuelanos recém-chegados ao Brasil informam se têm oferta de emprego ou familiares em outras regiões, o que pode facilitar a inclusão no programa de interiorização.

Após a fase inicial, os migrantes seguem em ônibus para Boa Vista, onde o atendimento é ampliado. Ao menos um coletivo parte por dia de Pacaraima, conforme o Grupo Rede Amazônica apurou.

Na capital de Roraima, aqueles que têm trabalho garantido ou rede de apoio entram na fila para serem transferidos a outros estados. Os que não contam com suporte são acolhidos em abrigos de trânsito, com estrutura maior do que a disponível na fronteira.

Parte dos migrantes também participa de cursos de qualificação profissional, oferecidos em parceria com instituições como o Senai, além de processos de intermediação com empresas que buscam contratar profissionais. Depois desta etapa ocorre a interiorização para cidades onde há vagas de emprego ou familiares.

Migrantes venezuelanos

Para quem passou por esse processo, o retorno à fronteira pode marcar um novo capítulo da história migratória. Marjorie Cabrera, de 36 anos, natural de Maturín, vive há cinco anos no Brasil e voltou a Pacaraima para buscar as filhas e o irmão, que agora seguirão com ela para Santa Catarina, o estado que mais recebe venezuelanos por meio da interiorização. 

Ela mora no município de São José (SC), onde trabalha em um comércio, e conta que a viagem à Venezuela, em dezembro, foi marcada pela emoção do reencontro.

“A gente já tinha cinco anos que não se via. Agora, minhas três filhas estão todas reunidas. É muito sentimento encontrado”, afirmou.

Segundo Marjorie, a interiorização foi decisiva para a construção de uma nova vida no Brasil.

“É muito legal morar em Santa Catarina. A gente começa uma vida nova, uma vida boa. Aqui já é a minha vida, não tem como deixar o que eu tenho para voltar para a Venezuela”, disse.

A dimensão do trabalho humanitário desenvolvido na fronteira foi destacada pelo general José Luís. Ele afirmou que a operação segue estruturada para atender novos cenários migratórios.

“Cerca de 80 mil pessoas foram recepcionadas, com mais de 600 mil atendimentos [em 2025], garantindo documentação para viver no Brasil com cidadania”, afirmou o general.

Segundo ele, a atuação também avançou nas áreas de saúde e acolhimento com mais de 7 mil pessoas vacinadas “protegendo migrantes, refugiados e a população brasileira”.

Venezuelanos chegam e são recebidos por meio da Operação Acolhida em Boa Vista janeiro 2025
Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Não é um recomeço completo

Na avaliação do professor João Carlos Jarochinski, o processo migratório não pode ser visto como um simples “reinício administrativo”.

“Essas pessoas chegam, na maioria das vezes, sem recursos, sem conseguir transformar o que tinham na Venezuela em investimento aqui. Muitas vêm de uma migração forçada, marcada por perdas materiais, ruptura familiar e dificuldade de comprovar suas qualificações profissionais”, afirma.

De acordo com o pesquisador, o ponto favorável ao Brasil é que essa política de interiorização também atende a demandas estruturais do próprio país, especialmente em estados com escassez de mão de obra e envelhecimento da população, como Santa Catarina, principal destino dos venezuelanos no programa.

Ainda assim, ele aponta problemas que persistem no processo de integração.

“Há um descompasso entre a qualificação que muitos migrantes possuem e as vagas que acabam sendo ofertadas. Falta avançar no reconhecimento de títulos, na validação de competências e em políticas públicas mais articuladas entre União, estados e municípios.A interiorização funciona, mas precisa ser acompanhada de estratégias reais de integração”, avalia.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

2026: ZFM/Fundos constitucionais, desafios além da Reforma Tributária

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Foto: Reprodução/Arquivo Secom AM

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Enquanto o Brasil enfrenta procelosa fase de transição política e econômica, urge repensar a Zona Franca de Manaus (ZFM), particularmente no que se refere à correção de distorções estruturais e ajustes em sua dinâmica operacional. A hipótese é a diversificação do PIM via incorporação de matrizes econômicas derivadas da exploração sustentável dos recursos da economia verde para produção de alimentos (grãos, hortifrutis, carnes e peixes), minérios e manejo florestal, bioeconomia e ecoturismo. Salvo algumas empresas intensivas em tecnologia de ponta, o Polo, decorridos mais de meio século, e em face a limitações infraestruturais, oferece diminutas condições para atração de novas cadeias produtivas padrão indústria 4.0.

Por extremamente impactante sobre a ZFM, há que se considerar, adicionalmente, que a Reforma Tributária, aprovada em dezembro último, cria o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais (FCBF), objetivando suprimir a guerra fiscal no âmbito da CBS e IBS e evitar perdas na capacidade de investimento dos estados que sofrerão prejuízos com a cobrança dos impostos no destino (local de consumo). Também institui o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) que administrará recursos da União a serem distribuídos aos estados para investimentos em infraestrutura, em atividades geradoras de emprego e renda, no ensino e pesquisas com foco no desenvolvimento científico, tecnológico e inovação. Os entes terão autonomia no gasto, mas deverão priorizar projetos com ações de preservação do meio ambiente.

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Os recursos alocados na composição dos fundos serão aplicados de maneira gradativa, iniciando com R$ 8 bilhões em 2029 e crescendo à razão de R$ 2 bilhões por ano, podendo chegar a R$ 60 bilhões em 2043. Os critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE), criado para equalizar a capacidade fiscal das unidades federativas, serão usados para distribuir 70% dos recursos do fundo; o restante terá por base o número de habitantes. A emenda prevê ainda a criação do Fundo de Sustentabilidade e Diversificação Econômica do Amazonas, também com aportes federais, tendo por objetivo fomentar a diversificação de atividades econômicas no estado. Para os demais estados da Amazônia Ocidental e o Amapá, outro fundo de desenvolvimento sustentável deverá ser criado.

Fundamental, contudo, destinar investimentos em programas e projetos voltados a promover avanços no campo da alta tecnologia, mirando obter fatias compensatórias sobre os recursos disponibilizados. A exploração sustentável dos recursos da biodiversidade é a alternativa mais próxima que temos. Entende-se como prioridades absolutas: investimentos em P&D, no Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), na modernização da assistência técnica e extensão rural, no Manejo Florestal Sustentável, na modernização da logística de transporte terrestre e fluvial, incluindo a conclusão das obras da BR-319. Foco central: efetiva interiorização dos benefícios fiscais e integração das instituições de base – Sudam, Suframa, centros de pesquisa, universidades -, hoje distanciadas umas das outras, sem conectividade e desprovidas de recursos financeiros e humanos adequados em níveis quantitativos e qualitativos.

Adicionalmente, buscar urgentes alternativas de salvaguarda. Estas não virão de livre iniciativa, mas de esforço conjunto governo, classes políticas e empresariais, universidades e centros de pesquisa centradas no objetivo de gerar nova matriz econômica para compensar eventuais perdas impostas pela RT e os avanços da globalização dos mercados. A bioeconomia, segundo estudos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) pode impulsionar a reindustrialização do Brasil, e do polo industrial do Amazonas, particularmente, em bases verdes, ou seja, por meio de alternativas de baixa emissão de carbono, que aproveitam produtos tanto da biodiversidade quanto da agricultura e que agreguem valor para toda a cadeia produtiva, especialmente aos seus primeiros elos.

O Brasil, cumpre salientar, em função de seu potencial hídrico e vastidão de suas terras, de seus recursos humanos e da estrutura de pesquisa e desenvolvimento é reconhecidamente uma potência mundial na produção de commodities agropecuárias. As preocupações globais com as questões climáticas e de sustentabilidade das diferentes cadeias produtivas abrem oportunidades para produtos de maior valor agregado de origem natural e sustentável. Receituário que se encaixa perfeitamente ao modelo ZFM-2073 ajustado ao mundo globalizado. Em decorrência, todavia, do desmonte do sistema de planejamento do Estado nos primórdios deste século, ao que penso, a Sefaz, isoladamente, não reúne condições técnicas e políticas de assumir esta complexa agenda.

Impõe-se ao governo, inelutavelmente, conscientizar-se da necessidade de dotar a SEDECTI dos meios essenciais destinados a cumprir eficazmente a função de planejamento, coordenação dos investimentos em infraestrutura, em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I). Sem projetos, sem soluções tecnológicas autóctones, sem recursos. Nesta hipótese o Amazonas, inexoravelmente, perderá posições na distribuição dos fundos constitucionais criados com a Reforma Tributária, distanciando-se ainda mais da linha de frente do desenvolvimento regional. ‘Quem vai ao mar, avia-se em terra!’, dizia José Saramago”.

Leia também: 2026: recorrentes ideias sobre novo modelo econômico para o Amazonas impulsionado pela integração ZFM/PIM/Bioeconomia

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Rede social é usada para popularizar ciência e biodiversidade amazônica por estudantes da UFPA

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Perfil do Laboratório Integrado de Zoologia da UFPA em uma rede social visa ampliar o conhecimento científico produzido dentro da universidade. Foto: Divulgação/Instagram-labzoo

Buscando ampliar a divulgação do conhecimento científico, a Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com o Laboratório Integrado de Zoologia (Labzoo) criou o projeto de extensão ‘Deixe seu like: divulgando a coleção zoológica da UFPA-Iecos no Instagram’.

A iniciativa é responsável por um perfil na rede social que divulga curiosidades sobre animais e conteúdos produzidos pela equipe de zoólogos que integra o laboratório.

“A ideia do projeto surgiu da necessidade de ampliar o alcance do conhecimento científico produzido dentro da universidade, percebendo que grande parte desse conhecimento permanece restrita ao meio acadêmico”, relata a estudante do curso de Ciências Biológicas da UFPA Maria Eduarda Amorim.

Sob a orientação de Rodrigo Petry Corrêa de Sousa, técnico administrativo em educação e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental (PPBA) da UFPA Campus Bragança, Maria Eduarda produziu folders, reels/vídeos e publicações convencionais para o perfil no Instagram do Labzoo. 

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Projeto Labzoo
Página na rede social visa ampliar o conhecimento por meio de conteúdos, registros e divulgação das atividades produzidas pelo laboratório. Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Hoje, a página do laboratório na rede social já conta com mais de 900 seguidores, e diferentes conteúdos entre folders sobre conhecimentos didático científicos publicados, álbuns de registros de visitações realizadas pela equipe do Labzoo a outras instituições, álbuns com registros de exposições e vídeos de divulgação das atividades de extensão do laboratório.

Segundo Maria Eduarda, além de popularizar a ciência, tornando-a mais atrativa para a sociedade, essa atuação do projeto em redes sociais também valoriza a biodiversidade, incentiva a consciência ambiental e destaca a importância das coleções científicas e da pesquisa acadêmica. 

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“Até o momento, o projeto já apresentou resultados significativos, como o aumento do engajamento nas redes sociais, maior alcance das publicações e interação com diferentes públicos. Também foi possível observar o interesse crescente do público pelos temas abordados, além do reconhecimento institucional do projeto, evidenciado por premiações e pela valorização da divulgação científica como uma atividade relevante dentro do meio acadêmico”, acrescentou a estudante. 

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Projeto vai além de rede social

Rede social é usada para popularizar ciência e biodiversidade amazônica por estudantes da UFPA
Estudante Maria Eduarda, durante a premiação Horário Schneider. Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Além de estar alcançando um grande reconhecimento do público, o projeto foi reconhecido institucionalmente por meio do Prêmio Horácio Schneider, realizado pelo Instituto de Estudos Costeiros, do Campus Bragança. A premiação busca reconhecer o talento científico, a dedicação e o envolvimento dos discentes nas ações promovidas pelo Iecos. Tanto Maria Eduarda quanto seu orientador foram contemplados na categoria “Extensão”. 

De acordo com Maria Eduarda, a sua escolha de projeto se deu porque ações de extensão como o “Deixe seu like” constroem pontes entre a universidade e a sociedade, sendo fundamentais para a popularização da ciência.

“Elas possibilitam que o conhecimento científico avance, promovendo educação científica, pensamento crítico e conscientização ambiental. Além disso, fortalecem o papel social da universidade, estimulam o diálogo com a comunidade e contribuem para a formação de cidadãos mais informados, capazes de compreender e valorizar a ciência em seu cotidiano”, conclui a estudante. 

*Com informações da UFPA