Crianças também puderam participar da Glocal Amazônia 2025 em Manaus (AM). Pensando em um futuro sustentável, que possa atender essas crianças quando forem adultas, o evento trabalhou em seu terceiro dia, neste sábado (30), o tema ‘Turismo sustentável’.
Preparar o presente para construir o futuro foi o modo que os participantes dos debates no Palco Glocal encontraram de mostrar o que tem sido pensado de soluções para a Amazônia. Confira alguns momentos:
Foto: Thay AraújoFoto: Thay AraújoFoto: Thay AraújoFoto: Thay AraújoFoto: Thay AraújoFoto: Thay AraújoFoto: Thay AraújoFoto: Thay AraújoFoto: Thay AraújoFoto: Thay Araújo
Além dos painéis sobre meio ambiente, sustentabilidade e cultura pensando em soluções para a Amazônia, a Glocal Amazônia 2025 realizou em Manaus (AM) atividades paralelas que reforçam o bem-estar, a história da Amazônia e a identidade regional. O público pôde vivenciar desde a arte indígena e práticas de yoga até uma mostra de curtas-metragens exibidos com o auxílio da realidade virtual.
O artista Tuniel Mura levou a pintura corporal indígena para o evento, ressaltando a ancestralidade dos povos originários.
“A pintura corporal é uma forma de mostrar um pouco mais da cultura dos povos indígenas”, explicou. As pinturas utilizam tinta extraída do genipapo, que permanece na pele de sete a 15 dias. “O desenho pode ser feito em qualquer parte do corpo. Todo o conhecimento aprendi com meus pais e agora posso levar isso para os meus filhos”, contou Tuniel, reforçando a tradição passada de geração em geração.
Participantes tiveram a chance de fazer um desenho indígena com tinta produzida a partir do jenipapo, fruto típico da região. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Para os apreciadores do audiovisual regional, a Glocal apresentou a Mostra de Filmes em Realidade Virtual (VR), com três produções:
‘Awavena’, de Lynette Wallworth;
‘Cipó de Jabuti – Histórias Ribeirinhas da Amazônia’, de Guilherme Novak, Rafael Bittencourt e Odenilze Ramos;
e ‘Fazedores de Floresta’, do Instituto Socioambiental.
A curadoria ficou a cargo de Clarissa Hungria, gerente de conteúdo da Glocal. “Com os curtas, o público consegue estar imerso em experiências que muitas vezes estão distantes, sentindo-se parte daquela narrativa, principalmente com o auxílio do VR [realidade virtual, em tradução livre]”, destacou.
Participantes conheceram a Amazônia através do VR. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
No meio da intensa programação, uma sala de bem-estar funcionou como ponto de equilíbrio para os visitantes. A instrutora Mariellen Kuma ministrou aulas de yoga voltadas para postura, equilíbrio e percepção corporal.
“Trouxemos uma prática pensando na correria do dia a dia. A yoga é uma pausa necessária. Diferente do hábito de silenciar o corpo com remédios, queremos sentir as sensações, ouvir o que o corpo comunica. Pergunto sempre sobre as dores que as pessoas já têm para conduzir a melhor aula para cada uma”, explicou.
Mariellen destacou ainda a importância da Glocal para aproximar novos públicos da prática: “Muita gente acha que yoga é só para pessoas superflexíveis. O evento fura bolhas e mostra que a prática é para todos, especialmente para quem sente dores ou vive uma rotina estressante e precisa desacelerar”.
Durante os dias de programação da Glocal Amazônia 2025, o Largo de São Sebastião, em Manaus (AM), foi transformado em uma extensão vibrante do evento. Enquanto o Palácio da Justiça abrigava painéis e oficinas, o entorno do Teatro Amazonas recebeu a Feira Criativa, batalhas de poesia, jogos interativos e um palco repleto de atrações musicais.
Sob uma estrutura coberta, a Feira Criativa reuniu 24 expositores com produtos que iam do artesanato a peças de vestuário, objetos regionais e gastronomia. Entre eles, a loja Grimório Amazônia chamou atenção com seus produtos naturais voltados ao bem-estar e à aromaterapia.
“É fundamental termos um espaço como este. Mostramos ao público a importância do norte, do natural e do regional, que sustentam famílias e negócios. A Glocal trouxe visibilidade para nossa marca e possibilitou entregas para todo o Brasil”, afirmou o empreendedor Kelson Nunes.
Feira movimentou o Largo de São Sebastião. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
A expositora Suh Ximenes também apostou na regionalidade para atrair clientes. “Vendemos produtos personalizados com a temática de Manaus. É uma forma de retribuir o carinho que recebemos, oferecendo arte e souvenirs que falam da cidade”, explicou.
Quem passou pelo Largo aprovou a iniciativa. A turista Fran Paula, de Mato Grosso, aproveitou para fazer compras de última hora.
“Vim a trabalho e quase não tive tempo de passear. A feira me surpreendeu, consegui conhecer muito do artesanato regional”, contou.
Já Cristina Ventura, paulista que se mudou para Manaus, viu na feira uma oportunidade de decorar a própria casa. “É uma experiência que conecta com a identidade local e aproxima da cultura manauara”, disse.
Jogos e poesia animam o público
Além das compras, o Largo de São Sebastião se tornou espaço de interação com jogos e desafios que testavam a coordenação e concentração dos participantes. “São atividades diferentes do que estamos acostumados, exigem cuidado e são muito divertidas”, afirmou o estudante Adam Azevedo.
Glocal realizou diversas atividades no entorno do Teatro Amazonas. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
De frente ao Teatro Amazonas, o palco do Slam de Poesia reuniu vozes, rimas e resistência em batalhas performáticas. O apresentador Leonardo Matheus destacou o cenário especial.
“Estar diante de um dos ícones da cidade torna a experiência ainda mais mágica. Aqui, vemos desafios e pessoas apaixonadas pela poesia falada”, disse.
Palco do Slam de Poesia. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Muita música
As noites foram marcadas por apresentações musicais que celebraram a diversidade cultural do Amazonas. O cantor Uendel Pinheiro e o Boi Caprichoso abriram a programação, enquanto o encerramento contou com Boi Garantido e RAP Amazônia, além de artistas como Jander Manauara, DJ Rafa Militão, Lary Go & Strela, MC Dacota e Matheus Crazy.
Foto: Ernan Passos/Glocal Experience
Com atividades para todos os gostos, o Largo de São Sebastião mostrou que a Glocal Amazônia vai além dos debates e oficinas, tornando-se um verdadeiro festival de cultura, criatividade e integração com a cidade.
O trio amazonense D’Água Negra. Foto: Ana Beatriz Dantas
O Psica 2025, festival independente da Amazônia, volta a ocupar Belém (PA) entre 12 e 14 de dezembro. Em sua 11ª edição, o evento traz como tema ‘O Retorno da Dourada’, metáfora inspirada no ciclo migratório do peixe dourada, que cruza toda a bacia amazônica e simboliza o encontro entre as culturas englobadas por ela.
Este ano, o Psica amplia ainda mais sua conexão com a Amazônia para além do Pará levando o trio amazonense D’Água Negra, de Manaus, para a lista de atrações confirmadas que vem despontando na cena musical amazônica. O trio mescla ritmos regionais, beats eletrônicos e poesia urbana.
Conhecido por dar lugar não só a nomes consagrados na região, como os Bois do Festival Folclórico de Parintins, mas também por olhar para artistas que estão emergindo em suas carreiras graças ao projeto “Aposta Psica”, o festival abre espaço para os amazonenses mostrarem um novo som fora do estereótipo esperado.
Bruno Belchior, membro do trio D’Água Negra, destaca o simbolismo do intercâmbio cultural entre Pará e Amazonas, celebrando um Norte que se reconhece enquanto potência musical e eletrônica, indo do tecnobrega ao rap, do carimbó ao trap e até ao rock alternativo.
“Fazemos parte dessa geração de artistas contemporâneos que vem pensando mais a fundo o que é ser um corpo amazonense e como fugir das alegorias que esperam de nós, e somos muito orgulhosos de fazer parte desse processo de provocar e afirmar novos imaginários da cultura amazonense Brasil afora”, comenta.
Clariana Arruda, também integrante do grupo, completa: “A Amazônia é historicamente tratada como margem, inclusive dentro do próprio Brasil. Quando um festival como o Psica se abre para artistas de toda a região, ele rompe esse isolamento e cria uma frente de resistência cultural. Não somos apenas vozes locais: somos parte de um território imenso, múltiplo e atravessado por desigualdades e idiossincrasias. Estar juntos, do Acre ao Amapá, do Amazonas ao Pará, é afirmar que a Amazônia não é fragmentada, mas um só corpo pulsante, que ecoa mais alto quando está unido e organizado”.
A voz amazonense no Psica
Formado por Clariana Arruda, Bruno Belchior e Melka Franco, o D’Água Negra surgiu em Manaus durante a pandemia, com músicas que refletem resistência, sensibilidade e inovação estética. Seu EP de estreia foi o Erógena (2021), com influências de soul, jazz e breakbeat.
Sobre o show no festival, Melka Franco revela: “Essa será uma das primeiras inaugurações em palco do nosso primeiro álbum que será lançado agora no 2º semestre, e nele vamos dar início a um novo formato de apresentação. O D’água Negra já é conhecido pela dramaticidade, e vai ser delicioso trazer um pouco mais de performance e dança, mas bem ao nosso jeito”.
Um dos singles mais marcantes do trio fala sobre o colapso da pandemia em Manaus (Acopalices), momento que a banda surge refletindo sobre suas experiências pessoais em suas letras. Seus mais recentes trabalhos são “Escárnio” e “Corpo Quente”, este, que inclusive faz parte do projeto Circuito Manacaos, contemplado pelo edital Natura Musical.
A banda já fez turnês em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, com participações na Sim São Paulo, Virada Cultural e show no Festival Se Rasgum. Obtiveram reconhecimento nacional gravando um episódio para o programa Experimente (Canal Bis/Multishow) e agora, são a Aposta Psica 2025, integrando oficialmente a programação do festival, e levando o som de Manaus para um dos maiores palcos da música amazônica atual.
Os shows nacionais são uma atração a parte da 54ª Expofeira do Amapá, pois de atrações locais são mais de 500. Entre shows, apresentações culturais, teatro e muito mais, as apresentações locais estão divididas em cerca de 10 palcos pensados e projetados para toda a família.
O evento, que acontece entre 30 de agosto e 7 de setembro, é realizado no Parque de Exposições da Fazendinha, na Zona Sul de Macapá.
Expofeira na Rede
A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.
O governo do Amapá definiu o esquema de trânsito para a 54ª Expofeira, que começa a partir deste sábado (30), no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá. Durante toda a feira, uma Central de Monitoramento de Tráfego vai acompanhar o trânsito.
Faixas, câmeras e terminais exclusivos vão organizar o tráfego durante a feira. Saiba mais:
Expofeira na Rede
A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.
Enquanto milhões de crianças aguardam ansiosamente as férias, para muitas delas o período fora da sala de aula significa também o risco de ficar sem uma refeição nutritiva. Pensando nesse cenário, o Instituto Fome de Tudo realizou na Glocal Amazônia, em Manaus (AM), o pré-lançamento da campanha ‘Fome Não Tira Férias’, em parceria com o Programa Mundial de Alimentos (WFP), agência humanitária da ONU vencedora do Prêmio Nobel da Paz. O lançamento oficial está previsto para acontecer na COP 30, em Belém (PA), em novembro.
A iniciativa tem como foco crianças e jovens que dependem da merenda escolar como principal fonte de alimentação.
“São cerca de 165 dias do ano em que essas crianças ficam sem acesso regular a refeições. O nosso olhar é para esse momento. Criança tem que ser feliz, tem que ter segurança alimentar para poder sonhar e construir um futuro”, afirmou Ursula Corona, idealizadora e presidente do Instituto.
Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Segundo Ursula, o projeto levou quase três anos para ser estruturado e começa atendendo mil famílias por meio de cartões de auxílio, fornecidos em parceria com instituições bancárias e de cartões, que serão anunciadas oficialmente na COP 30.
“Queremos entender a realidade dessas famílias, mapear suas maiores fragilidades e criar um projeto sustentável que vá além da assistência imediata”, explicou.
Durante a visita à Escola Municipal José Sobreira do Nascimento, localizada na comunidade de Nossa Senhora de Fátima, Ursula ressaltou a importância de desenvolver soluções de longo prazo para combater a fome.
“O Fome de Tudo não é assistencialista. Criamos sistemas de empoderamento econômico e usamos tecnologia social para transformar realidades”, disse.
Alunos que serão beneficiados pelo projeto participaram do pré-lançamento. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Para o vice-presidente e diretor de operações do programa, Marcelo Scafura, a COP 30 será uma oportunidade estratégica para dar visibilidade ao tema e fortalecer o apoio às comunidades locais.
“É fundamental destacar iniciativas que garantam alimentação e bem-estar das famílias, especialmente na Amazônia, que é o pulmão do mundo. Cada passo conta para construir um futuro sustentável, não só para a região, mas para o planeta inteiro”, afirmou.
Com o pré-lançamento em Manaus, o Instituto Fome de Tudo reforça que combater a fome infantil fora do calendário escolar é urgente, e precisa estar no centro das políticas públicas e das alianças globais.
Mestre Vieira, pioneiro da guitarrada: gênero foi homenageado com reconhecimento nacional. Foto: Anderson Astor/MDA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (29) a lei que reconhece a guitarrada, gênero musical do Pará, como manifestação da cultura nacional (Lei 15.192, de 2025).
O texto é oriundo do PL 170/2023, do deputado Airton Faleiro (PT-PA), e foi aprovado em julho pela Comissão de Educação (CE) do Senado, sob a relatoria do senador Paulo Paim (PT-RS). Além da Guitarrada, o presidente também reconheceu Boa Vista como a Capital Nacional da paçoca de carne e farinha.
A guitarrada surgiu no Pará na década de 1970, proveniente da fusão de ritmos regionais, como o carimbó e o siriá, com gêneros caribenhos, como o merengue, a cúmbia, o mambo e o zouk. O marco inicial do estilo foi o álbum Lambadas das Quebradas, de Joaquim de Lima Vieira, o Mestre Vieira, em 1978.
Mestre Vieira é criador do gênero. Foto: Reprodução/Agência Pará
“Também serviu como base e inspiração para outros gêneros que se tornaram populares nacionalmente, como a lambada e o brega pop, evidenciando sua influência”, afirmou Paim durante a reunião em que a matéria foi aprovada.
Ele também destacou que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), que acontecerá em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro, ressalta a importância do reconhecimento do ritmo paraense como manifestação cultural nacional.
O acervo com documentos e materiais de valor histórico que contam sobre a vida e luta do ambientalista acreano Francisco Alves Mendes Filho, conhecido internacionalmente como Chico Mendes, e que ficava na Biblioteca da Floresta, em Rio Branco, está desaparecido desde 2019.
Por conta disso, o Ministério Público Federal (MPF-AC) solicitou que o Ministério Público do Acre (MP-AC) implemente medidas para localizar e preservar o acervo cultural do líder seringueiro.
Ao Grupo Rede Amazônica, o órgão informou que instaurou uma notícia de fato sobre o desaparecimento do acervo. “O caso foi enviado ao MPAC por meio de uma representação do Ministério Público Federal (MPF) e passará a ser investigado pela 1ª Promotoria de Justiça Especializada de Habitação e Urbanismo e Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural”, complementou.
Segundo a representação do MPF, os itens, que documentam a história da luta ambiental e social na região, desapareceram após o fechamento da biblioteca para reforma e manutenção em 2019. Em maio de 2022, um incêndio também afetou parte do prédio.
Em entrevista, a ambientalista Ângela Mendes, que é filha de Chico Mendes, lamentou o sumiço do material e comentou que o acervo, que inclui revistas, vídeos e exposição, é resultado de diversas pesquisas.
“É muito triste, não é só porque é o caso do meu pai, mas de uma forma geral [sobre] como acervos históricos tão importantes são desprezados. Não é porque temos um Museu dos Povos Acreanos que não podemos ter a Biblioteca da Floresta restaurada. Afinal, conhecimento nunca é demais”, disse ela.
Parte do acervo de Chico Mendes estava na Biblioteca da Floresta que está fechada há mais de 5 anos. Foto: Seronilson Marinheiro/Rede Amazônica AC
O documento do MPF, assinado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Lucas Costa Almeida Dias, foi encaminhado ao MP, que deve decidir sobre as providências necessárias.
O MPF afirmou ainda que a ausência de informações sobre a localização e o estado de conservação do material pode gerar uma “lacuna na memória coletiva” e causar “prejuízo concreto à sociedade”.
O órgão também destacou o valor inestimável do acervo para a preservação da história e da identidade cultural do Acre.
“Desde 2019 não temos nenhuma notícia sobre este material e acho válida a representação feita pelo doutor Lucas no sentido de que é um acervo importante porque além de mostrar a trajetória de meu pai, é também sobre uma parte da história do movimento socioambiental do Acre”, pontuou Ângela.
Chico Mendes foi morto com um tiro de escopeta em 22 de dezembro de 1988 enquanto tomava banho nos fundos de casa, uma semana antes, o líder seringueiro havia completado 44 anos. O líder seringueiro, que morava em Xapuri, interior do Acre, é conhecido nacionalmente e internacionalmente como ativista ambiental.
Após a morte de Chico Mendes, Darly Alves da Silva e seu filho Darci Alves foram apontados como os principais suspeitos do homicídio. Pai e filho acabaram sendo condenados em 1990 a 19 anos de detenção. O primeiro porque teria sido o mandante do crime e o segundo porque teria atirado no ativista.
Chico Mendes. Foto: Reprodução
O legado de Chico Mendes hoje é mantido pelos filhos por meio do Comitê Chico Mendes e também outras ações. A casa do líder também é um patrimônio histórico do estado. Em novembro de 2023 foi reaberta após cinco anos fechada.
A maior reserva extrativista do Acre leva o nome do seringueiro, mas tem sofrido com ameaças de desmatamento, sempre liderando também o ranking de queimadas em áreas protegidas. Entre 2022 e 2023 reduziu 71% o desmatamento. Ela é a área protegida mais pressionada pelo desmatamento de acordo com a Imazon.
Desmatamento ilegal no Amazonas. Foto: Divulgação/Polícia Federal
Os municípios de Apuí e Lábrea, no interior do Amazonas, lideram os índices de desmatamento da Amazônia em 2024, segundo um estudo feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado na quinta-feira (28).
O levantamento utiliza dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), entre julho de 2024 e julho de 2025. Somadas, as áreas desmatadas nas duas cidades correspondem a 277 quilômetros quadrados. Isso equivale à devastação de 76 campos de futebol por dia – quase 30 mil nos últimos 12 meses.
Desmatamento na região antes apresentava redução
Segundo a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, os números relacionados ao desmatamento nas localidades vinham apresentando redução entre 2022 e 2023. O estudo mais recente, no entanto, registrou uma novo aumento.
“Agora tivemos esse leve aumento, o que alerta para a urgência em combater a derrubada nessas áreas mais pressionadas”, afirmou.
Os outros oito municípios que mais desmataram a Amazônia são Colniza, Marcelândia e União do Sul (MT), Uruará, Portel, Itaituba e Pacajá (PA) e Feijó (AC). Confira a tabela abaixo:
Ranking dos municípios que mais desmataram a Amazônia
Ainda conforme o Imazon, a degradação florestal cresceu quase quatro vezes em relação ao calendário anterior, passando de 8.913 km² entre agosto de 2023 e julho de 2024 para 35.426 km² entre agosto de 2024 e julho de 2025.
Diferente do desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, a degradação ocorre quando a floresta é afetada pelo fogo ou pela extração madeireira.
“A degradação florestal fragiliza a floresta, aumenta a emissão de carbono e deixa a Amazônia ainda mais vulnerável, ameaçando sua biodiversidade e as populações locais. O salto que vimos em 2025 é um sinal de que precisamos olhar com mais atenção para esse tipo de dano”, alerta Manoela Athaíde, pesquisadora do Imazon.
O ranking dos estados que mais desmataram e mais degradaram a Amazônia entre agosto de 2024 e julho de 2025 segue a mesma ordem nos três primeiros lugares:
Pará
Mato Grosso
Amazonas
Juntos, esses estados foram responsáveis por 76% do desmatamento e 87% da degradação florestal na Amazônia nos últimos 12 meses.