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Primeira unidade de soberania alimentar é inaugurada na Terra Indígena Yanomami

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Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A primeira unidade de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami foi inaugurada, no dia 2 de fevereiro, na comunidade de Sikamabiu, localizada na região do Baixo Mucajaí, em Roraima. A iniciativa do Governo do Brasil marca um passo focado na recuperação ambiental e no fortalecimento da segurança alimentar das comunidades indígenas, com o avanço da retirada do garimpo ilegal da região.

A estrutura implantada em Sikamabiu faz parte de um projeto mais amplo, que prevê a instalação de outras sete unidades de soberania alimentar ainda neste ano, beneficiando 18 comunidades indígenas nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu.

As unidades demonstrativas combinam produção de alimentos, recuperação ambiental e capacitação comunitária, contribuindo para a reconstrução das áreas degradadas pelo garimpo ilegal.

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A unidade recebeu investimento de R$ 90 mil do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e contou com a presença do ministro Wellington Dias.

Os recursos investidos pelo MDS integram um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado com a Embrapa Roraima, responsável pela execução do projeto, com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR) participa da iniciativa por meio da capacitação dos moradores da comunidade.

Leia também: Indígenas criam peixes em tanques para garantir alimento seguro após garimpo contaminar rios na Terra Yanomami

Também foi construído um tanque escavado de 440 metros quadrados para criação de peixes destinados ao consumo da comunidade. Foto: Divulgação/MDS
Foto: Divulgação/MDS

Produção sustentável 

Na área inaugurada, foram implantados um aviário com 100 galinhas, um viveiro com capacidade para 2 mil mudas de espécies nativas, como açaí e cacau, além de tanques de compostagem para a produção de adubo natural.

As roças comunitárias contam com o cultivo de mandioca, batata e arroz, além da implantação de Sistemas Agroflorestais voltados à recuperação das áreas degradadas.

Também foi construído um tanque escavado de 440 metros quadrados para criação de peixes destinados ao consumo da comunidade. Além disso, dois açudes que haviam sido utilizados pelo garimpo ilegal foram recuperados e transformados em criadouros.

Testes realizados confirmaram a ausência de contaminação por mercúrio, permitindo a reintegração dessas áreas ao sistema produtivo. Ao todo, os três espaços abrigam cerca de 4 mil filhotes de peixes.

Autonomia da população

A comunidade de Sikamabiu reúne aproximadamente 30 famílias, totalizando quase 400 indígenas. Onde antes operavam dragas, motores e outras estruturas do garimpo ilegal, hoje é possível produzir alimentos de forma sustentável, fortalecendo a segurança alimentar e a autonomia da população local. 

Além da ação coordenada pelo MDS, a comunidade de Sikamabiu também recebeu apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), com a instalação de 10 tanques elevados com revestimento impermeável para criação de tambaqui, que abrigam outros 4 mil filhotes.

A ação do MPA conta com a parceria do IFRR e inclui a formação de 34 indígenas, que serão responsáveis pelo manejo dos tanques, garantindo a autonomia da comunidade na criação dos peixes. A estimativa dos técnicos envolvidos é que a produção de proteína animal alcance cerca de 1 tonelada até o final de 2026.

Outras entregas

A agenda do Governo do Brasil em Roraima incluiu outras entregas no território Yanomami e na capital Boa Vista, como a inauguração do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, voltado ao atendimento especializado e à proteção contra violações de direitos humanos.

Todas essas iniciativas integram o Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami, liderado pela Funai, que articula ações de diferentes ministérios e órgãos federais com o objetivo de promover o bem viver dos povos Yanomami e Ye’kwana. A Terra Indígena Yanomami tem 9,6 milhões de hectares e abriga aproximadamente 31 mil indígenas, sendo a maior terra indígena do Brasil em extensão territorial.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Caprichoso e Garantido divulgam calendários de eventos da temporada bovina 2026; acompanhe

Agremiações já divulgaram cronograma de datas dos ensaios e eventos tradicionais da temporada bovina de 2026. Foto: Yesid Rodrigues/ João Guilherme/ Creative Commons

A menos de cinco meses do 59º Festival Folclórico de Parintins, os bois Caprichoso e Garantido divulgaram os calendários oficiais de eventos para a temporada bovina de 2026. A programação, divulgada nas redes sociais das respectivas agremiações, conta com as datas dos ensaios técnicos e oficiais, além das tradicionais festividades, visando a preparação para o maior espetáculo cultural do planeta, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de julho.

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Neste ano, o boi Garantido terá o tema ‘Parintins: Portal do Encantamento’, enquanto o Caprichoso apresenta ‘Brinquedo que canta seu chão’. Do lado do Touro Negro, o cronograma de datas está sujeito a alterações, em razão da participação da cunhã-poranga Marciele Albuquerque no BBB26 e do calendário do Governo do Amazonas.

Confira:

Calendário Caprichoso

Leia também: Ilha da Magia: confira 7 curiosidades sobre Parintins

Desembargador Felismino Francisco Soares: Sereníssimo Grão-Mestre 1961 a 1962

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Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

O Desembargador Felismino Francisco Soares por diversas vezes foi Venerável Mestre da Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2. Tendo sido iniciado na mesma Loja, no dia 9 de março de 1935, foi elevado ao grau de companheiro, em 25 de abril de 1935 e Mestre Maçom, em 20 de julho de 1935.

Dotado de grande conhecimento jurídico, era respeitado pela sua qualidade de gestor e de hábil conciliador entre irmãos. Coube a ele encontrar o caminho do equilíbrio institucional em uma época de grandes convulsões sociais, como foram os anos de 1960. Ponderado, justo e discreto soube manter a GLOMAM fora das paixões políticas de então. Foi seu Eminente Grão-Mestre Adjunto Manoel Ribeiro.

Felismino Francisco Soares, filho do velho campeador Domingos Francisco Soares e Maria Rebelo Soares. Realizou os estudos de nível secundário na Escola Normal em Manaus, tendo colado grau como professor em 1920 e, onde exerceu posteriormente o cargo de secretário. Lecionou no interior do estado do Amazonas e depois no Rio de Janeiro.

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Como mestre em Manaus teve destacada atuação, lecionando História Universal e História do Brasil, na Escola Normal, hoje Instituto de Educação do Amazonas e Caligrafia, Legislação Fiscal e Prática do Processo Civil e Comercial na Escola Municipal de Comércio Solon de Lucena. Foi também assistente técnico do Departamento de Educação e Cultura do Estado do Amazonas.

Em 1927 fundou a Escola Noturna União Operária, pertencente à União Operária Amazonense. Em 1932 graduou-se em Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e filiou-se ao Partido Trabalhista Amazonense, tendo sido eleito Deputado Estadual em 1935, cujo mandato foi interrompido em 1937, em função do golpe de estado que foi instaurado no país, a chamada Ditadura Vargas.

Sua participação na advogacia foi marcante e dinâmica sendo considerada clássica. Inteligente, ágil de raciocínio, pouco precisou para ganhar a simpatia dos obreiros da maçonaria amazonense. Posteriormente foi Desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas, Corregedor de Justiça, Vice-presidente e Presidente. Exerceu em comissão a função de Chefe de Polícia do Estado.

Militou na imprensa local nos jornais Estado do Amazonas, O Liberal e O Trabalhista, tendo colaborado em jornais e revistas do Rio de Janeiro, como a Revista O Malho e Jornal dos Moços. Dedicou-se à música e a poesia. Foi autor de composições que alcançaram êxito, como a valsa Meiga Recordação. De sua lavra em prosa e verso, destacam-se: Jubileu em Florilégio, Contos e Poesias, Resposta, Cartilha Trabalhista, Doutrinação Política que constituiu em sua plataforma de conduta.

Casou-se duas vezes: a primeira em 1927 com a senhora Dídia de Amorim Soares, e a segunda em 1968, com a senhora Haydée de Amorim Soares, irmã da primeira esposa. Teve nove filhos dos quais sobreviveram apenas sete que se destacaram em nosso cenário como médicos, advogados, oficiais do exército nacional, bacharéis em administração pela Fundação Getúlio Vargas e professores.

Nasceu no dia 23 de julho de 1902 e faleceu no dia 1 de janeiro de 2000, deixando uma grande lacuna na Jurisprudência e na maçonaria amazonense.

Desembargador Felismino Francisco Soares: Sereníssimo Grão-Mestre 1961 a 1962
O Desembargador Felismino Francisco Soares. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Segundo o escritor Robério Braga, assim o descreve:

Felismino Francisco Soares, um dos grandes amigo de meu pai, Lourenço da Silva Braga, desde as lides político partidárias, em 1933, a tal ponto das famílias se tornarem fraternas e solidarias até os dias atuais. Era filho de Domingos Francisco Soares e Maria Ribeiro Soares, nascido em Urucurituba em 23 de julho de 1902. Casou-se com Dídia de Amorim Soares (1927) e com Haydee de Amorim Soares (1968).

Em 1913 estava no Ginásio Amazonense Pedro II. Em 1916 foi aprovado em exames na Escola Normal, sendo colega de Benedito Sidou, Ruth Pires, Dulce Caminha, Lucila Caminha, Lucinha Nelson, Amazônia Sidou, Cecilia Santos, dentre outros alunos. Formou-se em professor normalista em 1920, acompanhado de Raimundo Comte de Carvalho Leal, Ruth Pires dos Santos e Dulce da Silveira Caminha. Logo lecionou em escolas do interior do estado, na capital, no Rio de Janeiro e na Escola de Comércio de Manaus, depois Escola Solon de Lucena, aplicando várias disciplinas como Historia Geral, Historia do Brasil, Caligrafia, Legislação Fiscal, Pratica de Processo Civil e Pratica Comercial.

Foi auxiliar do diretor do Colégio Rayol, precisamente do seu proprietário, o professor Alexanddre Rayol (1927), ano em que exerceu a direção da Escola da Sociedade União Operaria, onde ajudou a fundar.

Formado em 1932 pela Faculdade de Direito do Amazonas. Atuou na advocacia sindical, ampliando sua influência na politica local. Foi suplente e em 1946 foi cogitado a ser candidato a governador em eleição simulada pelo Jornal do Commercio, fase em que foi eleito presidente do diretório municipal do PTB, em 1947 tornou-se Deputado Federal pelo partido Partido Trabalhista Nacional.

Como Desportista foi Secretário do Paiçandu Sport Clube, de Manaus 1918, líder e presidente do Princesa Isabel Esporte 1944, presidente da Liga Amazonense pró Liberdade de Consciência 1959. No serviço publico, foi técnico do Departamento de Educação e Cultura do Estado e Chefe de Polícia.

Encontra-se na imprensa artigos de sua lavra em O Trabalhista, O Estado do Amazonas, O Liberal, Jornal das Moças e revista O Malho, estes dois últimos, no Rio de Janeiro e muitos outros.

Em 1947 foi desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas e presidente em 1951. Escreveu Plaqueta tratando do tema trabalhismo e proletarismo, editada no Rio de Janeiro, noticiada em Manaus com o título de Cartilha Trabalhista. Como poeta publicou algumas poesias no Jornal do Commercio, as quais reunidas pelos filhos constituíram no livro Jubileu em Florilégio, comemorativo dos seus cinquenta anos de vida.

Membro ativo da Maçonaria Amazonense, alcançou elevação em vários graus da Sublime Ordem e foi eleito Grão-mestre do Grande Oriente Estadual.

Leia também: Desembargador Gaspar Antônio Vieira Guimarães: Sereníssimo Grão-Mestre 1923 a 1935

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Livros com histórias e saberes da comunidade Duraca são entregues para as crianças da própria etnia

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Livro infantil exalta histórias e saberes ancestrais. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

Crianças indígenas que vivem na comunidade Duraca, nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, receberam, neste sábado (7), a doação de exemplares do livro ‘Coleção Mágica’, obra que reúne histórias e saberes da própria cultura originária. O conteúdo será utilizado na escola da comunidade.

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A doação ocorreu durante uma missão institucional formada por representantes do Cieam, Fieam e do Conselho das Indústrias de Defesa da Amazônia. A missão acontece entre os dias 6 e 8 de fevereiro, com o objetivo fortalecer o diálogo com as Forças Armadas e ampliar o apoio social na região.

Segundo a professora Maristela Silvano da Silva, o material recebido representa um marco para a educação local. “Eu tenho certeza porque nós nunca tivemos apoio para a escola do jeito que vocês estão doando”, afirmou.

Livro revela importância da própria cultura para as crianças

O vice-presidente da Fieam, Luiz Augusto Rocha, destacou a importância da aproximação com os povos indígenas e ressaltou o valor da preservação da ancestralidade:

“Essas crianças vão poder estudar com a sua ancestralidade mantida e preservada”, disse.

Livro infantil exalta histórias e saberes ancestrais.
Entrega de livros para crianças indígenas no interior do Amazonas. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

Leia também: Conheça 20 livros de escritores indígenas de diferentes povos originários no Brasil

A comitiva foi recebida com cantos, danças tradicionais e o ritual do Caxiri, que emocionou os visitantes. Ao final, os empresários também receberam presentes da produção agrícola indígena. O gesto sensibilizou o diretor industrial da Bic Amazônia, o francês Jean Marc Hamon.

“Dou uma importância enorme para a cultura originária e para essa brasilidade, nossa língua original. Eu quase choro em certo momento ”, declarou o empresário.

A iniciativa reforça o papel da educação comunitária e da valorização cultural como pilares para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, colocando a “Coleção Mágica” como símbolo de união entre tradição e futuro.

Livro infantil exalta histórias e saberes ancestrais.
Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Paraguai: um desafio à ZFM?

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Foto: Marco André Briones

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Paraguai, vizinho brasileiro do Sudoeste, vem despertando curiosidade internacional – ou firmes interesses? – na atração de investimentos graças ao ambiente de estabilidade macroeconômica, energia barata, impulsionado pelo regime de Maquila (1% de imposto sobre valor agregado) e a carga tributária 10-10-10. O sistema tributário simplificado do Paraguai, conhecido por ser um dos mais competitivos da região, compreendendo:

  • 10% – IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) sobre o consumo;
  • 10% – IRE (Imposto de Renda Empresarial) incidente aos lucros das empresas;
  • e 10% – IRP (Imposto de Renda Pessoal) ou Dividendos aplicável à renda ou à distribuição de lucros.

Extraordinárias vantagens, vêm permitindo a implantação de um parque industrial de dimensões, neste momento, incalculáveis. Sua consolidação dependerá, contudo, da sedimentação das políticas públicas responsáveis pelo atual arrebatamento negocial que se esparrama em torno do país desde a América do Sul, sobretudo do Brasil, e o resto do mundo.

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O Paraguai, efetivamente, graças a um governo de visão desenvolvimentista, vive um boom imobiliário e diversificado em setores de energia limpa, mineração (urânio/lítio) e autopartes, e impulsionado pelo regime de maquila (1% de imposto sobre valor agregado). As principais vantagens do sistema:

  • a) Simplicidade, clareza e baixo custo operacional da estrutura tributária;
  • b) Territorialidade: o Paraguai adota um sistema territorial, tributando apenas o que é produzido dentro do país;
  • c) Redução de Custos devido menor burocracia e impostos fixos baixos;
  • d) Lei de Maquila, que permite a importação temporária de matérias-primas com suspensão de impostos para posterior reexportação, semelhante ao drawback brasileiro.

Embora atrativos, contudo, especialistas recomendam planejamento tributário para garantir a conformidade legal e evitar riscos. Estruturado em avançado sistema de governança, o Paraguai fortaleceu sua posição ao conquistar a classificação de grau de investimento Standard & Poor’s REDIEX, garantidor de um ambiente mais seguro e atrativo ao capital estrangeiro.

Para o economista amazonense Rodemarck Castello Branco, as vantagens da fabricação no Paraguai dependem fortemente do tipo de produto, sendo mais expressivas naqueles intensivos em mão de obra por unidade fabricada, como ocorre, por exemplo, com produtos têxteis, confecções e determinados bens de montagem manual. Sob o aspecto tributário, destaca-se o Regime de Maquila, além das vantagens na importação de máquinas, equipamentos e insumos com suspensão de tributos, desde que destinados à produção de bens voltados à exportação.

Salienta que “para o produto fabricado no Paraguai gozar de isenção do Imposto de Importação ao ingressar no Brasil é necessário o cumprimento das regras de origem do Mercosul, que normalmente exigem que ao menos 40% do valor agregado tenha origem no Paraguai ou em outros países do bloco”. Convém salientar, afirma, não haver “dúvidas quanto às vantagens competitivas da ZFM para vários segmentos industriais, notadamente duas rodas, eletrônicos de consumo e outros produtos sujeitos a elevada tributação interna”.

Castello Branco ressalta que as vantagens da fabricação no Paraguai dependem fortemente do tipo de produto, sendo mais expressivas naqueles intensivos em mão de obra por unidade fabricada, como ocorre, por exemplo, com produtos têxteis, confecções e determinados bens de montagem manual. Nesses casos, a mão de obra paraguaia apresenta custo significativamente inferior ao brasileiro, com encargos sociais substancialmente mais baixos e legislação trabalhista mais simples.

Sob o aspecto tributário, além dos benefícios da Maquila, destacam-se os referentes à importação de máquinas, equipamentos e insumos com suspensão de tributos, desde que destinados à produção de bens voltados à exportação. Releva, entretanto, que, “ao ingressar no mercado brasileiro, o bem produzido no Paraguai é tratado como importação, ficando sujeito aos tributos internos do Brasil, notadamente Imposto de Importação (se não atendida a regra de origem), IPI, ICMS, PIS e COFINS. Em razão disso, para produtos com elevada carga de IPI ou forte dependência de incentivos fiscais internos, a Zona Franca de Manaus (ZFM) tende a apresentar maior competitividade, uma vez que oferece um mix estruturado de incentivos fiscais federais e estaduais, concebido especificamente para o abastecimento do mercado nacional”.

O economista chama a atenção para um detalhe crucial. Ao que entende, a decisão empresarial quanto ao local de instalação da unidade fabril, quando a comparação se dá entre a Zona Franca de Manaus (ZFM) e o Paraguai, deve ser necessariamente realizada caso a caso, por meio de um Plano de Negócios estruturado, que contemple, de forma integrada, a análise dos custos logísticos, impactos tributários e disponibilidade e custo dos recursos humanos, além de aspectos regulatórios e de mercado.

“Não há dúvidas quanto às vantagens competitivas da ZFM para vários segmentos industriais, notadamente duas rodas, eletrônicos de consumo e outros produtos sujeitos a elevada tributação interna, especialmente aqueles com alto IPI. Por outro lado, o Paraguai configura-se como uma alternativa estratégica relevante para setores como calçados, vestuário e demais bens intensivos em mão de obra, nos quais o diferencial de custo trabalhista e o regime tributário simplificado podem gerar ganhos expressivos de competitividade”, salienta.

Segundo afirmou à coluna o presidente do grupo Bemol, Denis Minev, que se encontra em viagem de negócios à China, “o Paraguai evoluiu muito nos últimos anos em produtividade e, em certos aspectos, compete com Manaus dada sua posição geográfica mais favorecida em relação aos mercados do Sudeste do Brasil”. Informou ter estado recentemente em um evento com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, oportunidade em que conversaram sobre o recente acordo com a Suframa. Em minha opinião, destacou Minev, os modelos “são mais concorrentes do que complementares e assim não vejo muita lógica no comparativo ZFM/Paraguai, particularmente, pois o presidente Peña não pareceu muito interessado em distribuir no país os produtos ZF”.

Leia também: Transporte, base logística da produção agropecuária

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

100 de 117 escolas indígenas autorizadas para construção pelo Novo PAC serão na Amazônia Legal

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Os projetos escolares do Novo PAC foram desenhados para se adaptar à realidade de cada comunidade, considerando logística de transporte, clima e custos regionais, entre outros. Foto: Mário Vilela/Ascom Funai

O Governo do Brasil anunciou no início de fevereiro, no âmbito do Eixo Educação, Ciência e Tecnologia do Novo PAC, a autorização da construção e ampliação de 117 escolas indígenas em todo o país. A medida, oficializada pela Resolução nº 12/2026, prioriza infraestruturas que respeitem a identidade cultural, os modos de vida e as tradições de cada etnia.

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Ao todo, 17 estados estão aptos a receber investimento para construção de escolas indígenas e 100 das 117 escolas previstas estão em territórios dos estados da Amazônia Legal:

  • Acre (2),
  • Amazonas (25),
  • Amapá (17),
  • Maranhão (11),
  • Mato Grosso (10),
  • Pará (7),
  • Roraima (22),
  • Rondônia (3)
  • e Tocantins (3).

As demais estão distribuídas em: Alagoas (1), Bahia (4), Ceará (2), Mato Grosso do Sul (6), Pernambuco (1), Rio Grande do Sul (1), São Paulo (1) e Minas Gerais (1).

A iniciativa marca a Política Nacional de Educação Escolar Indígena (PNEEI-TEE), instituída em 2025. Além das escolas, o Governo também anunciou a construção de cinco novos campi de Institutos Federais (IFs) e a ampliação de investimentos em universidades federais, reforçando o compromisso com a educação pública em todos os níveis.

A medida responde diretamente à histórica demanda das comunidades por infraestrutura escolar específica nos territórios indígenas. A articulação entre a União e os estados, o respeito à organização dos territórios etnoeducacionais e a exigência de anuência das lideranças indígenas asseguram a legitimidade e a efetividade das ações propostas.

Especificidades culturais das escolas indígenas

Diferente das construções convencionais, os projetos escolares do Novo PAC foram desenhados para se adaptar à realidade de cada comunidade, considerando logística de transporte, clima, custos regionais, entre outros. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) disponibilizou modelos de duas e cinco salas de aula, definidos conforme o número de alunos e a capacidade de atendimento da comunidade.

A execução das obras ocorre em parceria direta entre a União e os estados, com unidades previamente definidas pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação (MEC), em articulação com os entes federativos. Para a seleção, foram observados critérios técnicos, territoriais e populacionais.

A formalização das propostas será realizada por meio do sistema TransfereGov, pelos chefes do poder Executivo estadual, com análise técnica preliminar do FNDE e operacionalização pela Caixa Econômica Federal.

A seleção dos estados e a definição do volume de obras foram conduzidas pela Secadi/MEC a partir de um mapeamento de vazios assistenciais, priorizando comunidades onde as atividades pedagógicas ainda ocorrem em espaços improvisados. O processo utilizou como diretriz a organização dos Territórios Etnoeducacionais (TEEs), que respeita a lógica sociocultural e a organização territorial dos povos indígenas em vez de se limitar a fronteiras estaduais.

educação em escola indígena
Foto: Geyson Magno

Além disso, foram aplicados critérios de vulnerabilidade socioeconômica e análise de pressão demográfica, assegurando que o investimento atenda às regiões com maior demanda educacional e carência de infraestrutura, sempre mediante a validação formal das manifestações de interesse dos entes federativos.

Novos Campi

Os novos campi de instituto federal que entraram na ação de expansão são: Campus Santa Maria do Instituto Federal Farroupilha (IF Farroupilha); Campus Ponta Grossa do Instituto Federal do Paraná (IFPR); Campus Luzilândia do Instituto Federal do Piauí (IFPI); Campus São Paulo – Jaçanã do Instituto Federal de São Paulo (IFSP); e Campus Triunfo do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul).

Em relação à consolidação da educação profissional, também receberão recursos as unidades existentes. As obras contempladas são: construção de salas de aulas de Divinópolis e estruturas acadêmicas de Timóteo, ambas do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Minas Gerais; construção da biblioteca do Campus Governador Valadares, do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG); compra de equipamentos e mobiliários do Campus Presidente Prudente, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP); construção de estruturas acadêmicas e administrativas do Campus Diamantino, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT); e complexo esportivo do Campus Açailândia, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA).

Educação Superior

Já na educação superior, foram incluídas 22 obras na consolidação nas universidades federais, totalizando 379 obras, com investimento previsto de R$ 3,4 bilhões. Na expansão, estão previstos 10 novos campi, totalizando R$ 600 milhões em investimentos.

Os ajustes de investimento na educação superior decorrem do remanejamento da carteira do Novo PAC das universidades federais, no âmbito das carteiras já aprovadas, com o objetivo de atualizar e reorganizar os empreendimentos estratégicos do setor.

Leia também: Primeira Universidade Federal Indígena do Brasil é confirmada pelo Governo

As intervenções incluem construção, ampliação e modernização de estruturas acadêmicas e administrativas, além de restaurantes universitários, moradias estudantis, laboratórios, equipamentos, complexos culturais e esportivos e ações de urbanização dos campi, fortalecendo as condições de ensino, pesquisa, extensão, inovação e permanência estudantil.

As ações do Novo PAC para os institutos e universidades federais contemplam expansão de campi e melhoria da infraestrutura em campi existentes em todo o país. A consolidação dos institutos federais prioriza a construção de restaurantes estudantis, bibliotecas, blocos de salas de aula e laboratórios, quadras poliesportivas e unidades em sedes próprias. Já a expansão é destinada à criação de novos campi, espalhados pelas cinco regiões do país.

*Com informações do Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é boqueira?

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Você já viu alguma situação em que uma pequena ferida se forma no canto da boca? Essa ferida causa irritação, dor e dificuldade em comer, falar ou sorrir. A experiência é desconfortável, mas bem comum, de crianças até idosos, e tem nome: queilite angular. Porém, é possível que você a conheça popularmente como boqueira.

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A série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia está em sua reta final, com a décima reportagem produzida com o apoio da médica generalista Júlia Edwirges. Nesta matéria ela explica o processo inflamatório da boqueira, causado por infecção bacteriana ou fúngica e altamente contagiosa.

O que é boqueira?

A queilite angular, comissurite ou perléche, é mais conhecida como boqueira. Trata-se de uma inflamação dos lábios que se manifesta como rachadura nos cantos da boca.

Esse tipo de dermatose é provocada principalmente pelo acúmulo de saliva no canto da boca, mas também está relacionada a outros fatores.

A umidade ocasionada pelo acúmulo de saliva por muito tempo no canto da boca acaba provocando uma ressecamento e irritação do local, causando uma ferida e favorecendo a proliferação de fungos.

Leia também: Quebranto, peito aberto e mau-olhado: conheça 6 doenças tratadas pelas benzedeiras da Amazônia

Causas

Além do acúmulo de saliva, a falta de nutrientes como ferro e vitaminas B e B9, traumas ao redor da boca e ressecamento dos lábios podem causar boqueira.

Uso de drogas, aparelhos ortodônticos e infecções como herpes labial, candidíase oral e abcesso dentário também são fatores que podem contribuir para o aparecimento da boqueira.

Idosos são os mais acometidos pela Queilite angular. Foto: Reprodução/Dr. Wilson Correia

Os idosos são os mais acometidos pela boqueira, especialmente por conta da flacidez facial causada pelo envelhecimento. O uso inadequado de próteses, utilizada por eles para superar a perda dos dentes, também podem causar a queilite angular.

Ela é mais frequente em pessoas com doenças que enfraquecem o sistema imunológico, a exemplo de diabetes não controlada ou HIV/AIDS. Isso faz com que haja maior risco de proliferação de fungos ou bactérias no local, resultando na boqueira.

Apesar da terceira idade ser mais acometida pela boqueira, crianças, adolescentes e adultos com hábitos bucais irregulares também podem adquirir boqueira.

Sintomas

Os principais sintomas da boqueira são as feridas e fissuras que surgem no canto da boca. As lesões se limitam apenas na junção da pele com a mucosa dos lábios, fazendo com que a simples ação de abrir a boca provoque intensa dor e ardência.

Vermelhidão, sensação de ardor, secura da pele e a formação de crosta no canto da boca também são alguns dos sintomas do processo inflamatório. A descamação no local das pequenas rachaduras é outro indício da boqueira.

O aparecimento de pequenas fissuras no canto da boca é um sintoma da boqueira. Foto: Reprodução/Site Tua Pele

É importante destacar que as lesões da queilite angular não costumam sangrar, mas podem se infectar, ficando bem inflamadas e com uma crosta de pus. Além disso, pode se tornar lesão crônica e persistente ou apresentar períodos de melhora alternados com agravamentos e retorno das lesões.

Tratamento

O primeiro passo para tratar a boqueira é buscar ajuda do médico especialista, que pode ser o dermatologista, estomatologista, clínico geral ou dentista.

Inicialmente, é fundamental manter o canto da boca limpo e seco, justamente para evitar a principal causa da boqueira: o acúmulo de saliva na região.

Em casos em que a boqueira no canto da boca não é causada por infecção, pode ser indicado o uso de pomadas como hidratantes, corticoides e cicatrizantes para isolar a ferida da umidade. Se tratando de deficiência de vitaminas, a suplementação pode ser indicada para fortalecimento do organismo e prevenção de novos casos conforme detectado pelo médico.

Pomadas são os principais medicamentos utilizados para o tratamento da queilite angular. Foto: Site Tua Saúde

Prevenção

Manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas e minerais, e evitar alimentos ácidos, picantes ou muito salgados desempenham um papel crucial na prevenção da queilite angular.

Hidratar os lábios e manter o sistema imunológico saudável também são fundamentais para a prevenção de infecções e inflamações que podem causar as comissuras.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

Leia mais da série:

R$ 2,5 milhões: Petrobras é multada pelo Ibama por vazamento de fluido na Foz do Amazonas

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Com autorização da ANP, a atividade foi retomada nesta semana. Foto: Foto: Reprodução/Click Petróleo e Gás

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras após a descarga de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa no mar. O incidente ocorreu em 4 de janeiro, a partir da instalação Navio Sonda 42 (NS-42), que operava na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.

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A Petrobras informou que interrompeu a perfuração após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho — para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas, e que o vazamento foi contido imediatamente.

Foz do Amazonas: Petrobras é multada por vazamento de fluido
Multa deve ser sanada em 20 dias. Imagem: Reprodução/Inpe

Atividade foi retomada após multa

Apesar da multa, a atividade foi retomada no local nesta semana após autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo o Ibama, o material é uma mistura oleosa utilizada em atividades de exploração e produção de petróleo e gás. A substância contém componentes classificados como de risco médio para a saúde humana e para o ecossistema aquático, conforme a Lei nº 9.966/2000 e a Instrução Normativa nº 14/2025.

A autuação foi lavrada pelo Centro Nacional de Emergências Ambientais e Climáticas (Ceneac), da Diretoria de Proteção Ambiental (Dipro). A Petrobras tem prazo de 20 dias para pagar a multa ou apresentar defesa administrativa.

Ao Grupo Rede Amazônica, a Petrobras informou que recebeu o auto de infração e que vai tomar as providências cabíveis. A empresa reiterou que o fluido descarregado é biodegradável, não persistente, não bioacumulável e não tóxico, conforme a Ficha de Dados de Segurança do produto.

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Licenciamento ambiental

A autorização para a retomada das atividades foi concedida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) com a imposição de uma série de condicionantes, segundo informou a Agência Reuters, dentro de critérios rigorosos para a concessão de licenças de exploração.

Em entrevista à Reuters no dia 6 de janeiro, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que o órgão adota critérios extremamente rigorosos no licenciamento ambiental. Segundo ele, embora acidentes possam ocorrer, os planos de gerenciamento são elaborados para reduzir ao máximo a possibilidade da ocorrência desse tipo de situação.

“É aquela coisa: você tem o extintor na parede, mas não quer que tenha um incêndio”, comparou.

Ele avaliou ainda que a região da Foz do Amazonas é mais sensível porque, mesmo em alto-mar, há áreas de corais e manguezais na costa.

*Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

Exército realiza acordo de parceria para pesquisa e desenvolvimento com implantação do IME na Amazônia

Foto: ST Edmilson/Exército Brasileiro

A Amazônia representa um território de importância estratégica para o Brasil, tanto sob a perspectiva da defesa e da soberania nacional quanto do desenvolvimento sustentável e da preservação ambiental. Nesse contexto, no dia 23 de janeiro, o Exército Brasileiro, por meio do Instituto Militar de Engenharia (IME), e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) realizaram a assinatura do Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, visando à implantação do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (IPEAM) – IME da Amazônia – para o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras voltadas à defesa, à sustentabilidade e à integração territorial da Amazônia.

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Estiveram presentes na cerimônia o Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho; o Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), General de Exército R1 Marcos Antônio Amaro dos Santos; o Comandante do Exército, General Tomás Miné Ribeiro Paiva; o Diretor-Geral do CENSIPAM, General de Exército R1 Richard Fernandez Nunes; o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Luiz Gonzaga Viana Filho, o Comandante do IME, General de Divisão Juraci Ferreira Galdino; além de integrantes do Alto-Comando do Exército e demais autoridades civis e militares.

Parceria integra ações de diferentes áreas

A execução da parceria ocorrerá por meio da articulação entre as estruturas institucionais e os recursos humanos do IME e do CENSIPAM, envolvendo áreas técnicas e estratégicas relacionadas à ciência, tecnologia, inovação, defesa e sustentabilidade amazônica, visando assim à implantação do IME da Amazônia.

A cooperação inclui, ainda, o apoio técnico-científico à implantação do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia, a integração de pesquisadores e engenheiros do IME em atividades desenvolvidas no âmbito do CENSIPAM, bem como a realização de estudos, oficinas e outras ações colaborativas voltadas à geração de soluções tecnológicas aplicáveis à proteção e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal.

Durante o evento, o Ministro da Defesa, José Múcio, destacou a relevância do acordo para o fortalecimento da presença do Estado na região amazônica.

“Nós estamos levando oportunidades para regiões do país onde existem poucas oportunidades. Uma obra dessa, que o Exército está levando para a região amazônica, serve para que aqueles que têm raízes lá finquem suas raízes, criem seus filhos, estudem lá, para que possamos corrigir as profundas diferenças que separam tanto os brasileiros”.

Na mesma linha, o Diretor-Geral do CENSIPAM, General de Exército R1 Richard Fernandez Nunes, ressaltou que a parceria potencializa a capacidade de preservação ambiental e de monitoramento estratégico da Amazônia ao unir excelência acadêmica e atuação operacional:

“Na realidade, temos uma parceria entre um instituto reconhecidamente como um dos melhores do mundo na formação de quadros altamente qualificados na área científica e tecnológica. Aqui no CENSIPAM, temos um órgão que tem como responsabilidade a proteção da Amazônia, por meio do SIPAM, para dar sustentação a essa parceria em termos práticos. No final, quem sai ganhando é a Amazônia e o Brasil”.

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parceria IME da Amazônia - exército brasileiro
Foto: ST Edmilson/Exército Brasileiro

Ao abordar a dimensão estratégica da cooperação, o Comandante do Exército, General Tomás, enfatizou o papel da integração interinstitucional no fortalecimento da soberania nacional e na elevação do nível tecnológico na região. “Pela diversidade, preservação do meio ambiente, pelas riquezas naturais que temos, precisávamos elevar o nível tecnológico que temos na Amazônia e essa parceria vai nessa direção, é um braço do IME na Amazônia”.

Complementando essa visão, o Comandante do IME, General de Divisão Galdino, destacou o envolvimento direto do instituto na consolidação da parceria e no desenvolvimento de pesquisas estratégicas na região amazônica.

“Os nossos pesquisadores e os nossos temas de pesquisa serão discutidos e trabalhados no IPEAM. O IME está de corpo e alma envolvido nesse projeto, tanto que se diz que é o IME em Manaus, inicialmente com um programa de extensão, com programas de mestrado e doutorado em parceria com o IME no Rio de Janeiro e universidades locais, além da realização de pesquisas em temas estratégicos para o Exército e para a defesa.”

Foto: ST Edmilson/Exército Brasileiro

Por fim, o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Viana Filho, ressaltou os impactos positivos da união entre as instituições para o desenvolvimento regional e para o fortalecimento da base industrial de defesa. “Nós estamos juntando um tripé de entes, e isso será muito importante porque a formação de mestres e de doutores irá catalisar pesquisas que vão fomentar a base industrial de defesa, que na Amazônia aumenta a cada dia”.

A parceria entre IME, CENSIPAM e IPEAM expressa a convergência de missões, a complementaridade de competências e a visão de futuro de instituições que compartilham o compromisso com a soberania nacional, a proteção da Amazônia e o uso inteligente do conhecimento e da tecnologia em benefício do País.

IPEAM

O Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (IPEAM), formalmente instituído pela Portaria Cmt Ex nº 2.350, de 24 Out 2024, como um destacamento do Departamento de Ciência e Tecnológica (DCT), é uma iniciativa recente e estratégica do Exército Brasileiro, visando incentivar a realização de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados às necessidades da Defesa Nacional e às especificidades da região amazônica.

Dentre as atribuições pretendidas para o IPEAM estão a de formar recursos humanos altamente qualificados e realizar pesquisa e desenvolvimento, buscando soluções inovadoras em áreas críticas e disruptivas.

*Com informações do Centro de Comunicação Social do Exército

Comemoração histórica: os 50 anos da paróquia que precedeu a cidade de Vilhena

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Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, fundada em 11 de fevereiro de 1976, em Vilhena, principal cidade do sul do estado rondoniense. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Em 1976, cerca de 90% dos brasileiros eram católicos [hoje, são 56,7%]. Naquele tempo, a presença da Igreja era uma das primeiras sementes necessárias para que uma vila buscasse se firmar como cidade. Em Vilhena (principal cidade do sul de Rondônia, a 700 km de Porto Velho) não foi diferente. Neste 11 de fevereiro de 2026, completa-se meio século da criação da Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, instalada na antiga vila que só se tornaria município autônomo, separado de Porto Velho, em 23 de novembro de 1977.

Por trás dessa história está a figura de um verdadeiro herói para os católicos locais: o padre ítalo-brasileiro Ângelo Spadari, missionário salesiano que marcou a memória da comunidade.

Padre Spadari: o missionário que chegou montado em um burro

Em 1963, o Sargento Aymoré Pereira acolheu o padre Ângelo Spadari, que percorria a Amazônia montado em um burro. Hospedado em uma cabana da base provisória da Força Aérea Brasileira (FAB), dali partia para missões evangelizadoras em aldeias indígenas e seringais.

No 27 de outubro de 1963, aos 53 anos, celebrou a primeira missa oficial em Vilhena, no pátio da FAB, durante a Semana da Asa — festa em homenagem a Alberto Santos Dumont e ao Dia do Aviador. Cerca de 35 fiéis participaram. O local exato da celebração corresponde hoje ao número 3009 da Avenida Sabino Bezerra de Queiroz, na Vila da Aeronáutica.

Além da FAB, Spadari celebrou missas na região da chamada “Vilhena Velha”, próxima ao antigo posto telegráfico conhecido como Casa de Rondon, e no refeitório do DNER, organizando também procissões ao redor do Campo de Aviação. Em 1964, visitou o Posto Pyrineus (Aldeia Aroeira), onde batizou indígenas durante três dias de missão.

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A campanha pela primeira igreja

Ordenado em São Paulo em 1940, Spadari dirigia o Colégio Dom Bosco em Porto Velho depois de sua passagem pelo Planalto dos Parecis, mas sua vocação missionária o trouxe de volta a Vilhena em 1966. Nesse período, sofreu um acidente de burro, num seringal a 70 km da vila de Vilhena, e contraiu malária, mas não desistiu. Hospedado na pensão Cinta-Larga, abençoou as poucas casas da vila e iniciou, na Páscoa de 1967, a campanha para erguer a primeira igreja.

Organizou festas, rifas e bingos no 5º BEC e na FAB, colocou cofrinhos em bares e posto fiscal, e arrecadou cimento, tijolos, vergalhões e madeira doados por fieis.

Desenho da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. Foto: Divulgação

Já recuperado de uma malária e da queda de burro, ainda em 67, o padre Ângelo Spadari utilizou o dinheiro arrecadado para comprar dez sacos de cimento em Cuiabá (MT). Os tijolos franceses chegaram de Porto Velho, Ji-Paraná e Pimenta Bueno. Além disso, recebeu doações de vergalhões e madeiras, reunindo aos poucos tudo o que era necessário para erguer a igreja.

O terreno, previamente marcado pelo Sargento Aymoré, foi preparado com máquinas e homens do 5º BEC/DNER. O alicerce contou com o apoio do comerciante Donato Queiroz, que doou 50 metros de pedra. Enquanto a construção ficava parada devido às chuvas e à falta de material, Spadari mantinha viva a fé da comunidade: celebrava missas no posto de saúde, embaixo de uma árvore e, mais tarde, na Escola Isolada Wilson Camargo, com a colaboração da professora Esmeralda Sol-Sol.

Em 1969, o missionário enfrentou novamente a malária e precisou ser internado no Hospital São José, em Porto Velho. Mesmo assim, não desistiu. Após muitas dificuldades, retornou a Vilhena e concluiu a obra. Uma das primeiras edificações em alvenaria da vila dominada por casebres de madeira e pelo improviso.

No dia 24 de maio de 1970, três anos depois de iniciar a construção, Padre Spadari celebrou a inauguração da igreja. O templo, com 8 por 20 metros, parecia “grande demais” para ele, que havia planejado quatro metros a menos. A ampliação foi determinada pelo bispo Dom João Batista da Costa.

Naquele mesmo dia, na igreja ainda sem portas laterais e com piso de cimento, aconteceu a primeira Festa de Nossa Senhora Auxiliadora, seguida de procissão pelas ruas da vila, que já contava com cerca de 300 moradores, além de comércio, serrarias e escola.

Auxiliadora, padroeira da cidade

Embora a primeira missa em Vilhena, em 1963, tenha sido dedicada à Virgem de Loreto, padroeira da aviação, prevaleceu a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, já padroeira de Porto Velho, cidade à qual Vilhena pertencia. Com a emancipação de Vilhena, em 1977, a escolha foi mantida. Hoje, a santa é homenageada com feriado municipal em 24 de maio, tanto aqui quanto na capital.

Educador e missionário

Padre Ângelo viveu em Vilhena até 1981. Além de catequizar, incentivava a educação, citando o intelectual romano Cícero (106 a.C. – 43 a.C.): “A ignorância é a mãe de todos os males.” Falava várias línguas, estudava tupi e outros idiomas indígenas, aplicava injeções, distribuía remédios e ensinava o uso de ervas medicinais.

Foi amigo da primeira professora da cidade, Noeme Barros, falecida em 1997 — o mesmo ano em que Spadari morreu em Manaus. Ao lado do coadjutor Padre Fausto Boem, que chegou em 1972 e partiu junto com ele, Spadari deixou marcas profundas na memória afetiva da comunidade.

Ângelo Spadari e Fausto Boem, os dois primeiros padres da Paróquia de Vilhena, em 1976. Foto: Divulgação

Patrimônio preservado

A igrejinha construída por Spadari permanece como relíquia e cartão-postal de Vilhena, na Avenida Capitão Castro, em frente à praça que leva seu nome. Ao lado dela, ergue-se hoje a moderna Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora, símbolos da fé cristã e da história local.

A tradicional “igrejinha”, ao lado do templo construído no final da década de 1980. Foto: Divulgação

Leia também: O adeus ao pioneiro Plínio, que testemunhou o surgimento de Vilhena

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista