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Acre anuncia lançamento de plataforma que mapeia impactos de inundações no estado

Foto: Reprodução/Governo do Acre

Uma plataforma inovadora para o Acre será lançada durante Semana do Clima de Nova York: o Acre Climate. O lançamento previsto para dia 22 de setembro é de uma plataforma digital criada para mapear os impactos das inundações sobre populações vulneráveis no estado do Acre.

O projeto é fruto da parceria entre o governo do Acre, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), e a empresa brasileira Codex, especializada em inteligência de dados e mudanças climáticas. A apresentação será feita no espaço principal do evento, o The Hub Live, localizado no The Glasshouse, em Manhattan (EUA).

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O Acre Climate foi um dos três projetos selecionados globalmente em 2024 pelo Future Fund, mecanismo de financiamento climático coordenado pela Coalizão Under2, que reúne mais de 270 governos subnacionais ao redor do mundo. Além do Acre, foram contempladas propostas do México e da Indonésia.

A vice-governadora do Acre, Mailza Assis, destacou a importância do lançamento da plataforma para que o governo atue de maneira mais eficiente na mitigação das mudanças climáticas:

“O Acre Climate reúne e organiza dados sobre os impactos das enchentes e outros eventos extremos, permitindo que o governo atue com mais rapidez e eficiência, especialmente para proteger as populações mais vulneráveis. Fomos o único estado do Brasil selecionado pela organização internacional para desenvolver essa iniciativa. Isso mostra que o Acre é referência global em resiliência climática”.

A plataforma Acre Climate utiliza tecnologias avançadas de geoprocessamento e dados integrados para monitorar e simular os impactos de enchentes em comunidades ribeirinhas, indígenas e em situação de vulnerabilidade.

A ferramenta será utilizada tanto para consulta pública quanto para apoio técnico a gestores públicos, permitindo respostas mais rápidas e eficazes diante aos eventos extremos.

“O Acre tem enfrentado eventos extremos como secas severas e cheias históricas. A plataforma surge com o propósito de fortalecer a capacidade de compreender os impactos sociais e ambientais das mudanças climáticas e integrar políticas públicas de forma mais eficiente, para antecipar cenários e planejar respostas com base em dados, simulações e análises dinâmicas”, explica o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho. 

Leia também: Chuvas no Acre: monitoramento dos rios inicia com o objetivo de prever inundações

Secretário da Sema AC Leonardo Carvalho destaca que a plataforma busca fortalecer a compreensão dos impactos socioambientais das mudanças climáticas e integrar políticas públicas de forma mais eficiente
Secretário da Sema-AC Leonardo Carvalho destaca que a plataforma busca fortalecer a compreensão dos impactos socioambientais das mudanças climáticas e integrar políticas públicas de forma mais eficiente. Foto: Uêslei Araújo/Sema-AC

Na fase inicial do projeto, sete municípios acreanos já foram incluídos no mapeamento: Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia, Rio Branco, Xapuri, Porto Walter e Jordão. A plataforma disponibiliza informações detalhadas sobre áreas de risco de inundação, equipamentos públicos vulneráveis, bairros afetados e projeções de impacto territorial.

No lançamento em Nova York, estarão presentes a vice-governadora Mailza Assis,o secretário de Meio Ambiente e o diretor de Negócios da Codex, Venicios Santos, que destaca que o tempo de desenvolvimento foi um dos diferenciais do Climate Acre.

“Projetos climáticos costumam levar de três a cinco anos entre a concepção, a captação e a execução. No nosso caso, conseguimos estruturar tudo em menos de 12 meses”, afirma.

O diretor atribui a agilidade ao modelo inovador de operação do Future Fund, da Coalizão Under 2,  que viabilizou um fluxo mais ágil de financiamento e execução.

“Em um cenário de emergência climática, o tempo é um recurso crítico. Ter uma plataforma pronta e funcionando em menos de um ano faz toda a diferença para a proteção de vidas, fortalecimento da resiliência climática e apoio a comunidades”, completa.

Plataforma Acre Climate

A Acre Climate é baseada no ArcGIS, um dos sistemas de inteligência geoespacial mais utilizados no mundo. A plataforma reúne dados hidrológicos, populacionais e socioeconômicos, com simulações interativas e dashboards com indicadores em tempo real e entra em operação nesta segunda-feira (22).

A plataforma utiliza tecnologias de geoprocessamento para monitorar e simular os impactos das inundações. Os dados da plataforma são provenientes do  Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), que conta ainda com integração direta com instituições estaduais como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Urbanismo, Assistência Social e Direitos Humanos, além de órgãos do Governo Federal como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

*Com informações da Agência Acre

Sairé 2025: os Botos do Amanhã e a infância que dança o futuro de Alter do Chão

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Foto: Rony Aires/Prefeitura de Santarém

A vila de Alter do Chão, em Santarém (PA), viveu um momento de pura poesia ancestral nesta sexta-feira (19). No coração do Sairé 2025, o brilho não veio apenas dos refletores ou dos trajes coloridos, mas dos olhos curiosos e dos passos firmes de dezenas de crianças que assumiram o palco da tradição.

O Boto Tucuxi do Amanhã e o recém-batizado Companhia de Artes Boto Cor de Rosa Mirim encantaram o público com arte, resistência e a esperança viva que brota da infância.

Leia também: Sairé ou Çairé: qual é a grafia certa da famosa festa de Alter do Chão?

Os botos mirins do Sairé

Sob o tema ‘A geração, o futuro ancestral’, o Tucuxi do Amanhã mostrou que o tempo não apaga o que o povo Borari semeia com amor: cultura, pertencimento e luta. Com 65 crianças, o projeto chega ao seu terceiro ano como um sopro de continuidade no corpo e na alma de um povo que resiste para existir.

Foto: Rony Aires/Prefeitura de Santarém

A apresentação foi conduzida por Daniel Costa, apresentador oficial do Boto Tucuxi, que celebrou o trabalho coletivo com emoção.

“Esse é um trabalho realizado aqui em Alter do Chão, com nossas crianças. Com toda certeza é uma felicidade muito grande pra gente que cresceu nesse convívio cultural, hoje, poder fortalecer a nossa cultura repassando um pouco do nosso conhecimento para as nossas crianças. Eles são a geração que irá manter viva a nossa tradição”.

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E manter viva é também transformar. No palco da apresentação infantil do Sairé 2025, a força do Tucuxi ecoou por meio dos seus itens mirins, como a pequena Alice Sofia Mota, estreante na dança: “Dá muito trabalho pra lembrar toda a coreografia, mas a gente consegue lembrar, consegue dar um espetáculo e animar pro nosso boto Tucuxi”.

Entre coreografias, cânticos e rituais, a plateia foi levada a um mergulho na essência Borari — um povo que segue firme na defesa do seu território e da sua identidade, passando o bastão da memória para mãos miúdas, porém seguras.

Em cena, o jovem João Victor, boto-homem do Tucuxi do Amanhã, também deixou seu recado: “A gente sente que tá fazendo parte de uma coisa muito maior. É bonito ver a gente aprendendo e ensinando ao mesmo tempo. Eu danço pelo Tucuxi, mas também pelo meu povo”.

Leia também: Comissão do Senado reconhece Festa do Sairé como manifestação da cultura nacional

apresentação boto tucuxi mirim no sairé 2025
Foto: Rony Aires/Prefeitura de Santarém

Do outro lado da arena, a poesia ganhou novas cores com o Boto Cor de Rosa Mirim, que agora responde pelo nome de Companhia de Artes Boto Rosa Mirim. 

Com 55 crianças, o grupo trouxe o tema ‘Aquarela Cor de Rosa’, uma celebração das cores que pintam a Amazônia, com destaque à mais encantadora delas: o rosa.

O grupo foi formado por pequenas estrelas que brilham com espontaneidade. Patinadores, dançarinos e quadrilheiros se uniram para celebrar a infância amazônica em forma de espetáculo. 

“Esse é um projeto de crianças, feito por e para criança. A gente só cuida da logística e deixa que eles brilhem”, destacou Alan Reis, da comissão do boto Cor de Rosa.

No elenco, Matheus Farah, boto-animal, se apresentou ao lado da irmã Valentina Farah, item “a menina do boto”. Entre uma dança e outra, ele resume a alegria que move o projeto: “É muito legal, né? Tá no Sairé, viver um pouco disso, participar, dançar… deixa a gente feliz, a gente se diverte lá dentro”.

Foto: Rony Aires/Prefeitura de Santarém

Enquanto os filhos dançam, os pais vibram de fora, orgulhosos de ver a cultura sendo vestida em forma de penas, cores e sonhos.

A apresentação dos botos mirins faz parte da programação oficial do Sairé 2025, mas vai além do festival: é ensaio de vida, é construção de pertencimento. Uma semente lançada no chão sagrado de Alter — onde cada criança se torna guardiã do tempo, do tambor, da tradição. Porque no coração da Amazônia, é brincando que se aprende a resistir. E dançando, que se escreve o futuro.

Para a concepção, desenvolvimento e execução dos projetos artísticos ‘Essência Borari’, do Boto Tucuxi, e ‘Catraia – Encantaria do Atravessar’, do Boto Rosa, assim como do Rito Tradicional ‘Sairé 2025 – Cecuiara da Tradição’, contam com o apoio de parceiros públicos e privados por meio de projetos incentivados pela Lei Rouanet, do Governo Federal, via Ministério da Cultura.

Contam ainda com o patrocínio do Ministério do Turismo, Sesc, Equatorial Energia, Banpará, Amstel, Coca-Cola, Vivo, Caixa, Companhia Docas do Pará e Avante Atacadista. Agência oficial: Maná Produções. Apoio: Secretaria de Estado de Cultura do Pará, Assessoria Cultural, Borari Produções. Realização: Prefeitura de Santarém, em acordo de cooperação com o Ministério do Turismo, Sesc, Senac, Governo do Pará, Fundação Cultural do Estado do Pará e Semear – Programa Estadual de Incentivo à Cultura.

*Com informações da Prefeitura de Santarém (PA)

Projeto ATTO completa dez anos da maior torre de monitoramento climático do mundo

Foto: Reprodução/Acervo Inpa

O Projeto Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTOAmazon Tall Tower Observatory, sigla em inglês) celebrou dez anos de operação da maior torre de pesquisa de monitoramento climático do mundo durante workshop anual do projeto, realizado no Auditório da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) em Manaus (AM).

Leia também: ATTO: com 325 metros, torre de observação na Amazônia ultrapassa a Torre Eiffel

Fruto de cooperação científica entre Brasil e Alemanha, o ATTO é executado no Brasil pelo Inpa e, na Alemanha, pelos Institutos Max Planck de Biogeoquímica (MPI-BGC) e de Química (MPI-C), com o objetivo de compreender como as florestas da Amazônia central interagem com a atmosfera adjacente e a suas influências sobre o clima.

O coordenador-geral da Coordenação-Geral de Pesquisa, Capacitação e Extensão (CGPE), Jorge Porto, representou a direção do Inpa no workshop e destacou a importância do ATTO para a instituição e para a Amazônia.

“O ATTO é de grande relevância para a instituição. Pela parceria binacional que envolve Brasil e Alemanha e pelo escopo científico voltado às mudanças climáticas, compreender o ciclo hidrológico e o ciclo do carbono, bem como os impactos das emissões de gases na Amazônia e em escala global”, ressalta Porto.

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Histórico e infraestrutura da torre ATTO

Inaugurada em 2015, a torre ATTO tem 325 metros de altura e é uma das torres mais instrumentadas do mundo para estudos da química, física e biologia da atmosfera. Está localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã (RDS Uatumã), no município de São Sebastião do Uatumã, interior do Amazonas.

O sítio de pesquisa do projeto inclui mais duas torres de 80 metros, 18 contêineres equipados com instrumentos no estado da arte para medição de diversas propriedades científicas e laboratórios, acampamentos com dormitórios, banheiros e refeitório. A área do sítio está dentro de uma unidade de conservação com 20 comunidades e aproximadamente 250 famílias.

De acordo com o gerente operacional do projeto ATTO, o tecnologista do Inpa Bruno Takeshi, a implantação da torre na RDS-Uatumã se deu por estudos feitos com dados de sobrevoos e de sensoriamento remoto que registraram uma atmosfera pristina, semelhante à época pré-revolução industrial, no local onde a torre foi instalada.

“Nós tínhamos muito interesse em entender como é o comportamento dinâmico da atmosfera e sua interação com a floresta. E aqui os ciclos biogeoquímicos conseguem ser observados de uma forma extremamente limpa, assim como, em algumas épocas do ano, com alguns efeitos de poluição antropogênica dos dias de hoje na composição atmosférica”, explica Takeshi.

O tecnologista relembra também as dificuldades para implantação de um empreendimento científico desta dimensão na floresta amazônica, como o transporte de equipamentos e da própria torre.

“A torre em si é uma estrutura científica de ponta dentro da Amazônia, e com ela conseguimos não só desmistificar alguns fenômenos que ocorrem aqui localmente, mas também de forma regional e global, vide alguns resultados atuais da torre, onde conseguimos coletar material particulado oriundo do deserto do Saara aqui na Amazônia”, pontua Takeshi, durante o evento que aconteceu de terça a quinta-feira  (16 a 18) desta semana. 

Resultados científicos

projeto atto completa 10 anos
Foto: Igor Souza/Ascom Inpa

O projeto ATTO publicou mais de 140 artigos científicos sobre a interação entre a floresta amazônica e a atmosfera. O coordenador do projeto pelo Inpa, o pesquisador Carlos Alberto Quesada, destaca alguns estudos como os processos de fixação e balanço de carbono, estudos sobre liberação da umidade pelas plantas, formação de nuvens e chuva, dinâmica dos gases de efeito estufa na atmosfera, como gás carbônico e metano. 

“O ATTO ajuda muito a compreender esses processos que a gente tenta entender,  o transporte entre o que está acontecendo aqui no chão na Amazônia e o que está sendo transportado para a alta atmosfera quando atinge uma escala global. Toda essa parte meteorológica também é um componente muito importante nesse projeto”, explica Quesada

Por meio do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o projeto aprovou o INCT ATTO-Equilibrium  – conectando sistemas simbióticos na Amazônia que tem como objetivo ampliar a compreensão sobre como a floresta amazônica interage com a atmosfera, contribuindo para a redução de incertezas em previsões climáticas.

“Nós, do lado brasileiro, acabamos de aprovar um INCT, um projeto de muito prestígio. Ele também traz bastante recurso para que a nossa comunidade brasileira possa trabalhar ombro a ombro com a comunidade alemã, para produzirmos juntos, como já fazemos”,  reforça o coordenador.  

A coordenadora do ATTO pela Alemanha, Susan Trumbore, do MPI-BGC, destaca a colaboração científica entre pesquisadores alemães e brasileiros em diferentes áreas.

“Temos diferentes equipes. Por exemplo, a área de micrometeorologia é liderada pelo Brasil, outras áreas são lideradas pela Alemanha, como os estudos sobre gases de efeito estufa. Então, podemos juntar essas áreas onde temos um grupo mais forte em cada lado e fazermos pesquisa de ponta dentro do ATTO”,  destaca.

Interação com as comunidades

Um dos próximos passos destacados pelos coordenadores é sintetizar resultados das pesquisas de forma mais acessível para socializar o conhecimento científico com a sociedade. Iniciativa desta natureza no projeto começou em 2018, a partir da demanda das comunidades locais,  dando origem ao projeto ATTO Escola.

O ATTO Escola leva conteúdos sobre ciência e clima de forma didática para alunos e professores. Entre as ações estão palestras e aulas práticas, coleta de pilhas e baterias para descarte correto, instalação de réguas linimétricas no rio Uatumã para registro das variações, treinamentos anuais para professores e gestores das escolas. O projeto alcançou 150 alunos, capacitou 25 professores e envolveu cinco escolas parceiras.  Materiais didáticos sobre ciência e clima estão disponíveis para download na plataforma de aprendizagem.

Outras ações incluíram a instalação de duas trilhas interpretativas educativas instaladas nas comunidades Maracarana e Bela Vista, em parceria com o grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Grupo Maua), do Inpa.

Também são parceiros a Secretaria Municipal de Educação de Presidente Figueiredo, a Rede Hidrometeorológica Nacional e o grupo CloudRoots da Universidade de Wageningen da Holanda.

*Com informações do INPA

Teia de Povos e Comunidades Tradicionais: carta lembra massacre dos Akroá Gamella e destaca retomada do território

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Foto: Elenilton/Agência Tambor

A Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão tornou pública a Carta do 16º Encontrão, realizado entre os dias 20 e 24 de agosto de 2025, na Terra Indígena Taquaritiua, território do povo Akroá Gamella.

O documento reúne as principais deliberações e reflexões de cerca de 2 mil participantes – indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, pescadores, marisqueiras, sertanejos e agricultores – que se encontraram para reafirmar a luta pela retomada dos territórios.

Leia também: Ritual de Bilibeu: indígenas maranhenses celebram a luta pela terra

Retomada como resposta às violências

A carta lembra que a TI Taquaritiua foi palco de um massacre contra os Akroá Gamella em 2017 e destaca que a retomada territorial é uma resposta contra as cercas, o agronegócio, a mineração, os projetos de mercado de carbono, portos, hidrelétricas, ferrovias e outros empreendimentos que ameaçam a autonomia dos povos tradicionais.

O documento também denuncia a ação de “mercadores da fé” que tentam impor dogmas e arrancar ancestralidades.

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quebradeiras de coco no maranhao - grupo faz parte da carta produzida pelo teia
Foto: Carolina Motoki

Compromissos reafirmados na carta

Entre os objetivos comuns lançados pelo Encontrão, estão:

  • A autonomia para construir projetos próprios de educação, com professores indígenas e quilombolas para suas comunidades;
  • O combate às violências contra as mulheres e a construção de comunidades em complementaridade entre homens e mulheres;
  • O reconhecimento dos saberes de anciãs e anciãos como fundamentais à preservação das identidades;
  • O fortalecimento de redes entre a Teia e outras articulações que enfrentam ameaças semelhantes.

Contra o projeto Grão-Pará Maranhão

O documento faz forte crítica ao projeto Grão-Pará Maranhão, que prevê a construção de um porto na Ilha do Cajual, em Alcântara, e uma ferrovia de mais de 500 km até Açailândia.

Para a Teia, o empreendimento ameaça diretamente territórios e modos de vida, e só poderá ser debatido com respeito ao direito de consulta prévia, livre e informada, garantido pela Convenção 169 da OIT.

Próximo encontro

O 16º Encontrão se despediu do território Akroá Gamella anunciando que, em 2026, o 17º Encontrão da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão será realizado no Quilombo Tanque da Rodagem, em Matões, marcando os 15 anos de existência da articulação.

Acesse aqui a carta na íntegra.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Tambor

Representantes da Unesco avaliam candidaturas dos Teatros da Amazônia

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Teatros da Amazônia que concorrem a patrimônios: Teatro Amazonas e Theatro da Paz. Na foto, o Teatro Amazonas, em Manaus (AM). Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

O Teatro Amazonas está entre os candidatos a ingressar no mapa do Patrimônio Mundial Cultural. Entre os dias 8 e 10 de setembro, Manaus (AM) recebeu a visita técnica da representação do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), entidade associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e da Cultura (Unesco), para avaliação do ponto turístico mais emblemático do Amazonas e sua importância cultural, histórica e econômica para o Estado.

A candidatura do Teatro Amazonas integra o projeto ‘Teatros da Amazônia’, uma iniciativa conjunta com o Theatro da Paz, em Belém (PA).

Leia também: Escuta social é realizada para construir plano de preservação dos Teatros da Amazônia

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Theatro da Paz, em Belém (PA). Foto: Divulgação

A comitiva do Icomos foi recepcionada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e também por representantes do Governo Federal como Ministério da Cultura (MinC) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

De acordo com o secretário de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Caio André, a candidatura dos Teatros da Amazônia destaca um contexto histórico comum a ambos os estados, uma vez que, por muitos anos, Amazonas e Pará formaram um único território.

O secretário ressaltou ainda que o Teatro Amazonas é um símbolo da identidade cultural do povo amazonense, reforçando o sentimento de pertencimento.

“Não há separação entre a cultura da Amazônia e a cultura da humanidade. Esses teatros amazônicos têm um valor que vai além da estética: eles representam resistência, pertencimento e continuidade. Essa candidatura é importantíssima para todos nós porque reforça o nosso sentimento de pertencimento. Pertencimento à cultura amazônica, ao nosso patrimônio, àquilo que é nosso: caboclo, ribeirinho, indígena, urbano. E ver isso reconhecido pelo mundo é ver que o que é nosso também tem valor universal”, destacou.

A diretora do Teatro Amazonas, Beth Cantanhede, enfatizou o orgulho e o amor de todo povo amazonense pelo espaço: “O Teatro Amazonas faz parte da nossa vida. Ele é parte da nossa identidade, é por isso que estamos tão engajados nessa candidatura, para mostrar ao mundo o quanto esse teatro é excepcional, o quanto ele é universal, e o quanto ele representa a grandiosidade da cultura amazônica”.

Durante a avaliação in loco dos teatros em Manaus e em Belém, foram analisados o protagonismo dos teatros na paisagem urbana, a forma como se adaptam ao meio em que estão inseridos, os aspectos arquitetônicos, o uso dos espaços, o papel cultural que exercem, além da sustentabilidade e gestão.

O plano de monitoramento observou elementos físicos do edifício, acessibilidade, segurança, usabilidade, impactos urbanos, atividades culturais e econômicas, além da administração e manutenção.

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Passagem da comitiva da Unesco por Manaus

Durante os três dias de visita em Manaus, a comitiva percorreu o Teatro Amazonas, incluindo suas áreas técnicas e bastidores, visitou o Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, fez avaliações no entorno do Largo de São Sebastião e conheceu a Central Técnica de Produção e o núcleo fundacional da cidade de Manaus.

A comitiva também participou de encontros com os corpos artísticos do teatro, com equipes técnicas, moradores do centro histórico, comerciantes, profissionais da economia criativa, do turismo e da educação patrimonial. A comitiva acompanhou ainda atividades do dia a dia do teatro, como o ensaio da Amazonas Filarmônica, a visitação turística, o projeto Livro Vivo com estudantes e a programação de espetáculos noturnos.

Importância cultural e econômica do Teatro Amazonas

Na programação, a comitiva do Icomos esteve reunida com os fazedores de cultura que participam ativamente dos espetáculos realizados no Teatro Amazonas. Para a diretora do Balé Folclórico do Amazonas, Monique Andrade, o Teatro representa um marco fundamental no processo de revitalização artística no estado, especialmente com a criação e o fortalecimento dos corpos artísticos.

“A partir da consolidação desses corpos artísticos, foi possível perceber o quanto a cidade cresceu culturalmente. Houve um desenvolvimento visível, não apenas nas produções institucionais, mas também no fortalecimento das produções independentes, com grupos autônomos de dança, música, teatro, entre outros”, afirmou.

O maestro e diretor do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, Davi Nunes, comentou sobre a formação de novos artistas amazonenses a partir das atividades desenvolvidas no Liceu: “Tínhamos o Teatro Amazonas como um grande emblema, um símbolo importante — quase um sonho distante. Para nós, que éramos daqui, tocar um dia no palco do Teatro Amazonas era um objetivo quase inalcançável. Mas com o passar do tempo, com todo o processo histórico de revitalização do teatro e da cena cultural, novas possibilidades começaram a surgir”.

comitiva avalia teatros da amazônia
Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Próximos passos para os teatros da Amazônia

Com o fim da fase de avaliação, a candidatura dos Teatros da Amazônia segue agora para análise pela Unesco. As autoridades locais e os representantes do Iphan e do Governo Federal representarão o Brasil na 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, marcada para julho de 2026.

Caso todos os critérios e etapas obrigatórias sejam cumpridos, o Teatro Amazonas e o Theatro da Paz poderão receber o título de Patrimônio Mundial da Humanidade.

*Com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

De flores a plantas medicinais: PANC da Amazônia viram ingredientes em refeições alternativas no Amapá

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Foto: Divulgação/PANC Tucuju

Plantas alimentícias não convencionais (PANC) da Amazônia estão se tornando ingredientes presentes nas refeições dos amapaenses. Flores de Bougainville, Urtiga e Ora-pro-nóbis estão entre os itens usados na produção de produtos pela startup PANC Tucuju, uma das finalistas da Expo Favela Innovation 2025.

Leia também: Conheça a versatilidade culinária da ora-pro-nóbis amazônica, PANC também usada de forma medicinal

O objetivo é reaproveitar plantas encontradas em áreas urbanas e oferecer alimentos naturais para veganos e pessoas que buscam opções livres de ultraprocessados, corantes e agrotóxicos.

A ideia do negócio surgiu entre amigos veganos e apaixonados por produtos naturais. A geleia de Bougainville foi o primeiro produto criado e, segundo Sara Trindade, uma das responsáveis pela produção, ela ajuda no tratamento de gripes infantis por conter cumaru e vitamina C.

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A Urtiga, conhecida por causar irritação na pele, também é usada para temperar farofa, como uma espécie de cheiro-verde. A planta passa por um processo de fervura e fritura antes de ser misturada à farinha.

Leia também: Urtiga, a PANC que causa coceira, mas também proporciona benefícios para a saúde

O preparo é semelhante ao da folha de jambu, tradicional na culinária nortista. As folhas são fervidas, fritas e depois incorporadas à receita da farofa.

“Por serem não convencionais, nós a utilizamos para mostrar que se pode comer. Elas são plantas negligenciadas, plantas que você não vê nas feiras. Mas a partir do momento que a gente começar a utilizar a Urtiga, começar a utilizar a Taioba, nós já podemos dar essa chance para o agricultor de vender também esses produtos” destacou Sara, sobre o potencial econômico das PANC.

Leia também: De alimento não convencional à auxiliar na saúde, saiba quais são as utilidades da taioba

Imagem colorida mostra farofa feita com panc por startup no amapá
Farofa feita com PANC. Foto: Divulgação/PANC Tucuju

PANC Tucuju na Expofavela Innovation 2025

A PANC Tucuju é uma das cinco finalistas da Expo Favela Innovation 2025. Durante o evento, a startup apresentou sua proposta de unir tradição e tecnologia para criar alimentos naturais a partir da biodiversidade amazônica.

A Expo Favela Innovation é organizada pela Central Única das Favelas (Cufa) e reúne projetos inovadores criados em comunidades de todo o país. Os finalistas do Amapá vão participar da etapa nacional em dezembro, em São Paulo.

Sara acredita que a participação na feira é uma chance de mostrar ao Brasil alimentos com identidade amazônica.

“As PANC estão na natureza sem precisar plantar ou adubar. Elas resistem ao clima e às tempestades. É isso que queremos mostrar em São Paulo: alimentos com a cara da Amazônia, o sabor da floresta e o aroma do rio Amazonas”, disse Sara.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Franceses partem da Bolívia e cruzam rios da Amazônia em balsa tradicional

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Foto: Divulgação/Expedição Pipilintu

Um grupo de franceses que partiu da Bolívia em uma balsa artesanal pretende chegar a Macapá (AP) até o fim de setembro. A travessia faz parte da Expedição Pipilintu, criada para homenagear os 200 anos da independência boliviana com uma jornada dos Andes ao Atlântico.

A embarcação é feita de totora — planta típica da região andina — e foi construída entre maio e junho de 2025 pela família Esteban, especialista em balsas tradicionais. O barco tem dois cascos, formando um catamarã de 6 metros de comprimento por 2,5 metros de largura e 6 metros de altura.

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O barco é movido a remo e vela, com baixo impacto ambiental. Em caso de emergência, há um motor de 6,5 cavalos.

A equipe é formada por quatro franceses:

  • Fabien Gallier, engenheiro e capitão da expedição;
  • Erwan Rolland (apelidado de Santiago), especialista em navegação;
  • Benjamin Vaysse, engenheiro e responsável pela alimentação;
  • Télio Nouraud, fotógrafo e videomaker.

Eles se conheceram em Cabo Verde durante uma travessia pelo Atlântico e trabalham juntos desde maio.

Leia também: Portal Amazônia responde: a maior fronteira da França é com o Brasil?

Franceses partem da Bolívia na Expedição Pipilintu pela amazonia
Foto: Divulgação/Expedição Pipilintu

Recepção aos franceses nas comunidades ribeirinhas

Na Bolívia, a expedição foi acompanhada de perto pela Armada Boliviana e recebeu apoio técnico e logístico. Já no Brasil, o início foi mais solitário, mas logo moradores do Rio Madeira se aproximaram.

Muitos ajudaram com acampamentos, alimentação e apoio logístico. A expedição virou atração local, com visitas diárias de curiosos e moradores.

“Cada dia chega alguém de barco para conversar, tirar foto, oferecer ajuda. A recepção no Rio Madeira tem sido incrível”, contou Fabien.

Leia também: Bolívia ajudou a moldar a identidade de Rondônia? Saiba o que é influência do país vizinho

Documentário e legado cultural

A jornada será registrada em um documentário previsto para 2026. O filme vai mostrar a travessia, o contato com comunidades ribeirinhas e destacar a importância ecológica e cultural da expedição. As atualizações estão disponíveis no site pipilintu.com.

Além da aventura esportiva, o projeto busca promover o uso de embarcações sustentáveis e valorizar o patrimônio marítimo boliviano. “Esse tipo de barco está desaparecendo. Poucas famílias ainda sabem construir com totora”, explicou Fabien.

Foto: Divulgação/Expedição Pipilintu

Desafios e logística

Os primeiros dias foram os mais difíceis, com correntezas fortes e ondas perigosas. Outro trecho crítico foi a passagem da fronteira entre Bolívia e Brasil, onde há corredeiras, narcotráfico e usinas que impedem a navegação.

A solução foi transportar a balsa por caminhão até Porto Velho, com apoio da Marinha brasileira. O maior desafio técnico agora é concluir o trajeto dentro do tempo de vida útil da balsa, que é de cerca de quatro meses. A equipe precisa avançar cerca de 50 km por dia para cumprir o cronograma.

Construção da embarcação

A construção começou com a coleta de mais de 200 pacotes de totora no lago Titicaca. A planta foi trançada manualmente por dois meses, com ajuda da família Esteban, do Altiplano Boliviano.

O barco foi lançado em 21 de junho, durante o Ano Novo Aimará, com cerimônia tradicional e participação da comunidade.

Foto: Divulgação/Expedição Pipilintu

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Estudo avalia impacto da polinização de abelhas sem ferrão na produção de açaí em Rondônia

Foto: Jesiel Braga/Prefeitura de Macapá

Um estudo realizado em Rondônia tem buscado avaliar qual o impacto da polinização de abelhas sem ferrão na produção de açaí (Euterpe oleracea) no estado. O projeto ‘Produção do açaí (Euterpe oleracea) integrada a diferentes densidades de colmeias de abelhas sem ferrão, Jataí (Tetragonisca angustula), em Rondônia’ é desenvolvido pelo pesquisador Henrique Silva Sérvio.

O objetivo é entender como diferentes densidades de colmeias da espécie Jataí (Tetragonisca angustula) podem influenciar diretamente a produtividade, a qualidade do fruto e a preservação das abelhas nativas. Além disso, comparar o cultivo de açaí em cenários com e sem colmeias, medindo os efeitos da polinização e identificando práticas capazes de elevar os padrões de produção.

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Entre os desdobramentos previstos, está o desenvolvimento de uma metodologia automatizada para determinar a quantidade ideal de colmeias por área, com possibilidade de registro de patente e novas referências tecnológicas para o setor.

O estudo é financiado com recursos do Programa de Apoio à Pesquisa e Soluções Inovadoras (PAP), do governo de Rondônia por meio da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero) e recebeu R$ 180.905,00.

Leia também: Meliponicultura: Entenda o universo das abelhas sem ferrão na Amazônia

Estudo apresenta relevância social, ambiental e econômica

imagem colorida mostra açaízeiros usados em estudo com abelhas sem ferrão em rondônia
Foto: Divulgação/Fapero

A iniciativa se destaca pela relevância social e ambiental ao propor a integração sustentável da criação de abelhas sem ferrão com os açaizais de Rondônia. Diante do crescimento da demanda nacional e internacional pelo fruto, o estudo busca fortalecer a agricultura familiar e ampliar o valor agregado da produção local.

Com foco no fortalecimento da fruticultura rondoniense, a Fapero está financiando por meio do programa PAP Fruticultura, sete iniciativas, cada uma voltada ao fortalecimento de uma cadeia produtiva específica, entre elas: banana, maracujá, açaí, abacaxi, mamão, melancia e acerola.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, pesquisas como essas são fundamentais para o fortalecimento da fruticultura rondoniense: “O futuro do setor está na união entre conhecimento científico, manejo sustentável e a adoção de tecnologias que aumentem a produtividade e a qualidade dos frutos, garantindo competitividade e preservação dos recursos naturais”.

*Com informações da Fapero

Turismo comunitário nas Serras Guerreiras de Tapuruquara une cultura indígena e preservação ambiental no Médio Rio Negro

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Foto: Reprodução/ISA

O relógio marca o início da tarde na comunidade indígena de Boa Vista, no Médio Rio Negro, Amazonas. À mesa, cará roxo, beiju, peixe moqueado, buriti, abacaxi e outras iguarias da floresta recebem os visitantes. Seguindo a tradição, os anfitriões indicam que os turistas se sirvam primeiro, uma forma de demonstrar respeito e acolhida.

Assim começam as Expedições Serras Guerreiras de Tapuruquara, viagens de experiência criadas para apresentar o território e os modos de vida dos povos indígenas da região. O projeto, desenvolvido pela Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas (ACIR) em parceria com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), o Instituto Socioambiental (ISA) e a ONG Garupa, com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), estruturou o turismo comunitário como alternativa de renda e como ferramenta de monitoramento territorial.

Leia também: Moradores de comunidades indígenas do Rio Negro reabrem roteiros de Serras Guerreiras do Tapuruquara

turismo nas Serras Guerreiras de Tapuruquara
Foto: Reprodução/ISA

Dormir em rede, tomar banho de rio, navegar em canoas tradicionais, percorrer trilhas na mata e subir serras com vistas de tirar o fôlego fazem parte da programação. A imersão vai além do contato com a natureza: festas, danças, rituais, cultivo tradicional da farinha e do beiju, confecção de artefatos de fibra e cerâmica e histórias ancestrais revelam a profundidade cultural das comunidades.

À sombra após o almoço, enquanto o calor amazônico convida ao descanso, um encontro inesperado: Seu João Vieira Brazão, do povo Baré, rascunha uma pequena gramática ilustrada de nheengatu.

Desenha rostos, escreve palavras, reçá (olho), tym (nariz), yakãga (cabeça), yorou (boca) — e ensina frases como se akãga sacy (“minha cabeça dói”). A aula improvisada não faz parte do roteiro oficial, mas sintetiza a essência do projeto: aprendizado mútuo e convivência genuína.

Foto: Reprodução/ISA

Roteiros oferecidos nas Serras Guerreiras de Tapuruquara

A viagem acontece entre as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, com um cenário único onde há serras em meio ao tapete verde da floresta.

As expedições ocorrem em dois roteiros principais:

  • Maniaka (8 dias) – com ênfase na cultura (próxima saída: 13 a 20 de setembro)
  • Iwitera (8 dias) – com foco na aventura (próximas saídas: 15 a 22 de novembro e 8 a 15 de janeiro)

A visitação acontece de agosto a fevereiro, quando as chuvas diminuem na região.

Foto: Reprodução/ISA

Projeto de aproveitamento de amêndoas da Amazônia produz óleos e essências de alto valor

Foto: Divulgação/Fapespa

Para obter produtos sustentáveis a partir de amêndoas da região amazônica, um grupo de pesquisadores, de diversas regiões do País, reuniu-se em torno do projeto ‘Aproveitamento integral das amêndoas de cupuaçu, castanha da Amazônia e de pracaxi: produção de óleos para uso alimentar e de produtos sustentáveis de alto valor agregado’.

A equipe de pesquisadores vem trabalhando na produção de tortas (biomassas) residuais a partir das das três matrizes. A finalidade é gerar extratos ricos em compostos bioativos. A pesquisa é apoiada pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

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Os extratos passam por um processo de microencapsulamento em spray-drier, uma técnica que ajuda a conservar suas propriedades. Em seguida, eles são enviados para análise em laboratório do Rio de Janeiro (RJ). Nesta etapa, os pesquisadores avaliam a composição química dos extratos e realizam testes (in vitro), para verificar atividades biológicas, como ação anti-inflamatória, antioxidante e possíveis níveis de toxicidade, entre outros.

Estudo envolve instituições nacionais

A equipe completa do projeto tem como coordenador geral, o doutor Otniel Freitas Silva, da Embrapa – Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro), que conta com uma rede de contribuição extensa, a exemplo do doutor Anderson Junger Teodoro, da Universidade Federal do Fluminense (UFF) e Programa de Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição (UNIRIO); e dos pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), Andréa Madalena Maciel Guedes, Antonio Gomes Soares e Renata Galhardo Borguini.

Foto: Divulgação/Fapespa

Também participa do projeto, apoiado pela Fapespa, a doutora Valéria Saldanha Bezerra, do Amapá, como pesquisadora líder, e os professores doutores Heloísa Helena Berredo (UFPA) e Renan Chisté (UFPA/ UFMG).

No Pará

O líder da pesquisa, no Pará, professor doutor Fagner Aguiar, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), afirma que “é fundamentalmente necessário esse apoio para geração do conhecimento científico, para que os institutos de pesquisa possam gerar e transferir esses conhecimentos às comunidades para uma melhor vivência e bem-estar destas”.

“Além de propiciar à academia, grandes oportunidades curriculares aos discentes que executam as atividades, incentivados por bolsas de pesquisa. Hoje, na equipe Pará, temos cinco bolsistas de Iniciação Científica, em andamento, e um pós-doutorado concluído no projeto”, explica.

Com o apoio formal de associações e cooperativas que trabalham com Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM), o projeto concentra suas pesquisas e a coleta de materiais, em regiões do Pará e Amapá.

Aproveitamento integral das amêndoas amazônicas

O pesquisador Fagner Aguiar explica que “o aproveitamento de biomassas residuais lignocelulósicas é um grande desafio para as grandes e pequenas escalas industriais, e pode ser incrementada para maior valorização junto aos pequenos produtores e comunidades tradicionais da região. Desta forma, agregará ainda mais valor às cadeias produtivas de pracaxi, cupuaçu e castanha da Amazônia”.

No Amapá, a Cooperativa Mista dos Produtores Extrativistas do Rio Iratapuru (Comaru) fica localizada na Comunidade São Francisco do Iratapuru, às margens do Rio Iratapuru, no município de Laranjal do Jari. Ela foi criada para organizar a venda dos produtos e aumentar o poder de negociação com os clientes.

Os produtores locais trabalham, há mais de cinco décadas, com a coleta de castanha na área, que hoje é a Reserva de Desenvolvimento do Rio Iratapuru (RDSI). Outra parceria é com a Associação das Mulheres Extrativistas do Limão do Curuá (Amelc), no distrito do Bailique, onde é coletado e produzido óleo de pracaxi de forma artesanal. Lá são produzidos cerca de 1,5 mil litros por safra, utilizados nas indústrias de fármacos e cosméticos.

Associações comunitárias também participam da pesquisa

Foto: Divulgação/Fapespa

No Pará, a Associação dos Pequenos Produtores Rurais Extrativistas e Pescadores do rio Ipanema (APREPRI), do município de Curralinho, na Ilha do Marajó, trabalha com o pracaxi e o cupuaçu. Já a Cooperativa Agrícola de Tomé-Açu (Camta), no município de Tomé Açu. Estas organizações comunitárias participam de todas as etapas da execução da proposta, bem como colaboram com o fornecimento de matérias primas (amêndoas, óleo e torta) e com as instalações físicas para o desenvolvimento do projeto.

As parcerias entre as unidades da Embrapa, universidades, associações e cooperativas serão oficializadas, por meio de um contrato de cooperação técnica, que firmará o compromisso entre as instituições envolvidas e estabelecerá as bases para o desenvolvimento conjunto do projeto, e de ações em benefícios do setor na região amazônica.

Reconhecimento em publicações científicas

Os avanços nas pesquisas do projeto obtiveram reconhecimento nacional e internacional. Resultados parciais do estudo foram publicados em importantes eventos de iniciação científica como: o 29° Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia de Alimentos, em Florianópolis-SC (2024), o 3rd International Congress on Bioactive Compounds, em Campinas-SP (2024) e o 7th Symposium on Medicinal Chemistry of the University Moinho, Portugal (2025).

Em 2025, a pesquisa segue com resultados promissores, como a obtenção de extratos fenólicos microencapsulados, e aplicados em filmes comestíveis para aumento da vida útil de frutas, podendo ser aplicado no açaí para maior conservação do fruto no período pós-colheita, fase crítica de manuseio para agricultores da região amazônica. Além disso, a equipe constituída no Pará obteve resultados acerca das atividades antimicrobiana e biológica destes compostos, tendo como foco o uso para prevenção da diabetes.

Foto: Divulgação/Fapespa

Ainda neste ano, a expectativa é realizar um scale-up sobre o processo de fermentação das biomassas, para obtenção de maiores rendimentos em compostos bioativos. Ou seja, futuramente, o foco é a ampliação da escala do processo, buscando sair da fase experimental de laboratório e passar para fase da produção a nível comercial e industrial, adaptando e validando o processo, para que ele funcione em níveis e quantidades maiores.

Essa é uma transição fundamental para a pesquisa, onde se transforma a descoberta científica em produtos ou tecnologias que possam ser comercializados. Essas iniciativas reforçam o potencial da bioeconomia amazônica, aliando inovação tecnológica, sustentabilidade e valorização dos recursos naturais da floresta.

*Com informações da Fapespa