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Islândia peruana: a cidade amazônica que flutua entre Brasil, Colômbia e Peru

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Islândia é a cidade peruana mais próxima ao Brasil. Foto: Man77/Wikimedia Commons

Na região amazônica, em uma área onde as fronteiras parecem perder sua rigidez diante da realidade do rio e da floresta, está localizada a cidade de Islândia. Apesar do nome remeter a um país europeu de clima glacial e paisagens de gelo, essa Islândia está longe do frio: fica no Peru, às margens do rio Javari, na tríplice fronteira com o Brasil e a Colômbia, e enfrenta temperaturas típicas dos trópicos.

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Com cerca de 3 mil habitantes, a cidade se destaca por sua geografia peculiar. Construída sobre uma ilha e erguida em palafitas, Islândia permanece parcialmente submersa durante seis meses do ano, devido à cheia dos rios.

Nos outros seis meses, é possível caminhar por suas passarelas de concreto e estruturas elevadas, construídas para garantir segurança e mobilidade durante os períodos de inundação. Esse cenário rendeu à cidade o apelido de “Veneza do Javari” ou “Veneza do trapézio amazônico”, uma tentativa local de atrair turismo para a região.

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Mas a chegada em Islândia não é simples. O acesso só é possível por via fluvial, em viagens que partem de Iquitos, a maior cidade da Amazônia peruana, ou em trajetos mais curtos desde Leticia, na Colômbia, e Benjamin Constant, no Amazonas (Brasil).

A proximidade com os países vizinhos torna a cidade um ponto estratégico de integração econômica e cultural. É comum encontrar nas ruas moradores falando espanhol e português, além da aceitação de três moedas diferentes no comércio local: sol peruano, peso colombiano e real brasileiro.

Integração, fé e cotidiano sobre o rio

Islândia pertence ao distrito de Yavarí, uma das divisões da região de Loreto, no Peru. O distrito abriga cerca de 15 mil pessoas, sendo que aproximadamente 30% são membros da seita religiosa Missão Israelita do Novo Pacto Universal, que tem forte presença na cidade.

Os seguidores do grupo costumam trajar vestimentas semelhantes às do tempo bíblico e são facilmente reconhecidos pelas longas barbas e cabelos. Aos sábados, dia sagrado para os fiéis, realizam cultos e rituais religiosos que incluem trajes específicos e práticas herdadas da tradição fundada por Ezequiel Ataucusi, líder religioso peruano que afirmou ser a reencarnação de Jesus Cristo.

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No dia a dia, a economia local gira em torno do comércio, agricultura e, mais recentemente, do turismo. Restaurantes e pequenos comércios ribeirinhos oferecem pratos típicos da culinária amazônica, e alguns moradores se dedicam a atividades de transporte fluvial de visitantes, especialmente turistas colombianos que saem de Leticia.

A cidade também recebe brasileiros de Benjamin Constant, que cruzam o rio para comprar produtos ou utilizar os serviços da cidade peruana. Há ainda muitos casos de famílias divididas entre os dois lados da fronteira, vivendo uma rotina binacional em plena Amazônia.

Foto: Reprodução/Andina – Agência Peruana de Notícias

Desafios na Islânia peruana

A história de Islândia também guarda elementos curiosos sobre sua origem e fronteiras. Durante muito tempo, a região era considerada território brasileiro, até que mudanças naturais no curso do rio Javari alteraram a margem principal, deslocando Islândia para o lado peruano.

Apesar disso, a delimitação só foi formalizada em 1925, e há registros de atritos territoriais até os anos 1990. Em 2017, a prefeitura local chegou a tentar recuperar uma carga de madeira apreendida pelo Ibama, mas o barco foi impedido de atracar do lado brasileiro.

Além das questões de soberania, a cidade enfrenta desafios estruturais. Há escolas, mercado, uma pequena delegacia e até um hotel. No entanto, a ausência de um hospital ainda é um problema recorrente apontado pelas autoridades locais. Muitos moradores precisam recorrer ao sistema de saúde brasileiro, atravessando o rio até Benjamin Constant em busca de atendimento.

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Apesar das limitações, Islândia segue como uma cidade única no cenário amazônico. Seu modo de vida adaptado à floresta e ao regime das águas, a convivência entre três nacionalidades, a presença religiosa marcante e o esforço para se tornar um destino turístico fazem dela um exemplo de resistência e adaptação nas margens do Javari.

A cidade amazônica que flutua entre fronteiras permanece firme, não em blocos de gelo, mas sobre palafitas de madeira e concreto, desafiando as cheias do rio e escrevendo sua própria narrativa, onde o nome europeu contrasta com a identidade profundamente amazônica.

Monitoramento do Serviço Geológico do Brasil indica que todas as bacias estão em processo de vazante

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Foto: Divulgação

O nível do rio Negro em Manaus (AM) atingiu 28,32 m na terça-feira (5), indica o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Dados do 31º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas mostram que todos os rios da região apresentam comportamento de vazante, com redução gradual dos níveis d’água nas principais estações.

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O Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Rio Amazonas é divulgado às terças-feiras na plataforma do Sistema de Alerta Hidrológico.

rios em vazante em manaus
Dados do 31º Boletim do SGB indicam que todas as bacias estão em processo de vazante. Foto: Reprodução/Acervo Rede Amazônica AM

Na bacia do rio Negro, o processo de recessão é evidente. Em São Gabriel da Cachoeira (AM), a descida média diária é de 6 cm. Já em Tapuruquara (AM) e Barcelos (AM), os declínios são de 5 cm e 2 cm, respectivamente. Em Manaus (AM), o rio está em queda de 3 cm por dia, mas ainda mantém níveis elevados para esta época do ano. As descidas ocorrem dentro do esperado para o período.

O rio Solimões também apresenta tendência de baixa, com quedas médias de 17 cm em Tabatinga (AM), 12 cm em Fonte Boa (AM) e 5 cm em Itapéua (AM). Em Manacapuru (AM), a descida está na ordem de 3 cm por dia, com níveis considerados altos para o período.

Na bacia do rio Branco, o rio registra níveis dentro da normalidade. Em Boa Vista (RR), o nível atual é de 3,93 m, com declínio médio diário de 44 cm. Em Caracaraí (RR), a queda é ainda maior, chegando a 47,5 cm por dia.

O boletim indica que o rio Amazonas também segue em recessão. As estações de Careiro da Várzea (AM), Itacoatiara (AM), Parintins (AM) e Óbidos (PA) registram quedas médias de 3 cm por dia.

Leia também: Rios no Amazonas iniciam processo de vazante e agricultores retomam cultivos para recuperar prejuízos

Níveis próximos às mínimas

O pesquisador Andre Martinelli, gerente de hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA), explica que em algumas estações já são observados níveis próximos às mínimas: “Em estações do alto Juruá e Purus e seus afluentes, vemos níveis muito baixos, próximos das mínimas registradas. Na bacia do Madeira, essa semana já apresentou uma resposta mais intensa na descida, níveis próximos do limite inferior da faixa de normalidade”.

Dados do 31º Boletim do SGB indicam que todas as bacias estão em processo de vazante. Foto: Divulgação

Em Porto Velho (RO), o nível atual do rio Madeira é de 4,63 m, com declínio médio de 20 cm ao dia. Em Humaitá (AM), a queda é de 19 cm diários.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) atua em diversas frentes para apoiar estratégias de prevenção de desastres em todo o país. Além da operação dos Sistemas de Alerta Hidrológico, o SGB realiza o mapeamento de áreas de risco, contribuindo para a gestão territorial e a segurança da população. A instituição também oferece o aplicativo Prevenção SGB, que disponibiliza ao cidadão informações sobre áreas com risco de deslizamentos, inundações e outros eventos geohidrológicos.

Outra ação estratégica é a manutenção do Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS), que reúne dados sobre poços em todo o território nacional e apoia decisões relacionadas ao abastecimento hídrico em períodos de escassez.

Leia também: Saiba quais foram as maiores vazantes do Rio Acre em Rio Branco

Monitoramento

Dados do 31º Boletim do SGB indicam que todas as bacias estão em processo de vazante. Foto: Divulgação

O monitoramento dos rios é feito a partir de estações, que fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O SGB opera cerca de 80% das estações e gera informações que apoiam os sistemas de prevenção de desastres, a gestão dos recursos hídricos e pesquisas. As informações estão disponíveis na plataforma SACE e são atualizadas diariamente.

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil

Acre decreta emergência por seca dos rios e falta de chuvas

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Rio Acre com 1,5 metro em agosto de 2025. Foto: Júnior Andrade/Rede Amazônica AC

Em vigor por 180 dias, o governo do Acre sancionou, no dia 6 de julho, o decreto que coloca o estado em situação de emergência por causa da seca nos rios. A publicação foi feita em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE).

Assinado pelo governador Gladson Camelí, o documento destaca que o regime de chuvas no estado no 1º semestre de 2025 foi inferior ao esperado, o que contribuiu para o cenário de seca dos mananciais. Em julho, por exemplo, choveu somente 8 milímetros.

Além disto, em Rio Branco, o Rio Acre marcou 1,49 metro nesta quinta (7), o menor nível do ano até agora. O principal manancial está a apenas 26 centímetros da menor cota da história, alcançada em setembro do ano passado.

Relembre: Seca do Rio Acre em 2024 se torna a maior em mais de 50 anos em Rio Branco

“Uma das consequências mais imediatas e críticas da drástica redução do volume de água em rios fundamentais para a captação é a crise no abastecimento de água, que compromete a operação das estações de tratamento e exige a implementação de medidas de racionamento e a mobilização de caminhões-pipa para atendimento da demanda em áreas urbanas e rurais”, justifica o decreto de nº 11.733, de 6 de agosto.

Por conta desse cenário, é justificado também que o baixo nível de chuvas influencia na navegação de embarcações nos cursos d’água, comprometendo ‘a logística de transporte, isolando comunidades e dificultando o abastecimento de bens essenciais, como alimentos e combustíveis, para os municípios e aldeias indígenas de mais difícil acesso’.

Além disto, o governo apontou também, como consequências da estiagem:

  • as altas temperaturas e baixo percentual de umidade relativa do ar
  • a captação e abastecimento de água que tende a ficar comprometido
  • os prejuízos em plantações e lavouras
  • o consequente aumento de queimadas e incêndios florestais
  • os riscos de prejuízo na alimentação de estudantes de zona rural, já que os insumos para refeições vêm por via fluvial

“Fica a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil [CEPDC] designada como unidade gestora orçamentária, podendo ordenar despesas atinentes a créditos abertos para atender atividades de apoio aos Municípios afetados pela emergência de que trata este Decreto”, ordena.

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Preocupação com a seca em todo o estado

Sobre o decreto, o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, disse que esta é uma etapa importante para que haja ações de socorro mais rápidas e, consequentemente, que os recursos cheguem de forma mais célere.

“A gente sabe que tem municípios do interior que estão em situação muito delicada, Jordão, Marechal Thaumatugo, enfim, recebemos muitas informações, muitas imagens. É lamentável uma situação que está ficando recorrente. Agora é a união do poder público para se ajudar”, falou.

O gestor disse ainda que há um grupo de gestão de crise desses fenômenos climáticos para definir as ações mais importantes e eficazes diante dessa situação.

“A gente chama de gerenciamento de crise de recursos hídricos, que vai se reunir e assim veremos quais são as ações mais imediatas que têm de ser feitas para dar o socorro, e para prestar o apoio necessário para a população nesses momentos mais difíceis”, complementou.

Rio Branco também decretou emergência

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, também assinou o decreto que coloca a capital do Acre em situação de emergência por conta da seca do manancial. A sanção ocorreu na manhã de quarta-feira (6), quando o rio marcou 1,51 metro, e foi publicado nesta quinta (7).

O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que o decreto assinado pelo prefeito dá liberdade para o pedido de socorro e de resposta.

Leia também: Rio Branco acende alerta para novo recorde de seca do rio Acre

Ele ainda citou que a partir desse momento, a Defesa Civil pode tomar providências como recorrer a outras secretarias e pedir recursos ao governo federal de uma forma mais célere, diminuindo a burocracia.

“Então, é de extrema necessidade a assinatura do decreto, justamente para que a gente possa ter essa liberdade de ação. A Defesa Civil já vem trabalhando há dias, só que já extrapolou o nosso raio de ação e se a gente não agilizar, nós não conseguimos dar a resposta adequada para aquelas pessoas que estão passando por necessidade”, afirmou ele.

Rio Acre está a menos de 30 centímetros da menor cota já registrada. Foto: Divulgação/Arquivo/Defesa Civil de Rio Branco

Em maio deste ano, por conta de problemas estruturais e instabilidade do solo, inclusive com erosão, o governo federal reconheceu a situação de emergência na Estação de Tratamento de Água (ETA) II de Rio Branco.

Durante a coletiva desta quarta, o prefeito disse que apesar dos problemas recorrentes nas estações de tratamentos, não acredita que a capital irá ficar sem água por conta da seca.

“Vamos ter muitos problemas na captação ali do Rio. Mas é possível a gente ir lá e fazer intervenções com máquinas, a drenagem de alguns locais, para as bombas poderem captar”, complementou.

O pensamento também é compartilhado por Enoque Pereira, diretor-presidente do Serviço de Atendimento de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb).

“A gente não tem essa previsão de faltar água. No passado, [o Rio Acre] ficou em 1,23 metros, fizemos todo o controle para que não faltasse. Tivemos até que fazer uma mini barragem, mas não faltou água. Vamos ter que dragar, escavar, fazer uma mini barragem, mas não vai faltar água”, falou.

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC 

Círio Fluvial de Santo Antônio em Oriximiná: das ruas para o rio

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Foto: Vitor Bemerguy/ SECOM-PMO

Todos os anos, no mês de agosto, Oriximiná, cidade banhada pelo Rio Trombetas, no oeste do Pará, é transformada em um cenário de , devoção e cores. O Círio de Santo Antônio, padroeiro do município, é mais do que uma celebração religiosa: é um marco cultural que atravessa gerações e resiste ao tempo, reunindo milhares de fiéis em uma das mais belas manifestações de religiosidade fluvial da Amazônia.

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A origem da devoção coincide com a própria fundação da cidade. Em 13 de junho de 1877, ao celebrar a primeira missa na margem esquerda do Trombetas, o padre José Nicolino de Souza consagrou o local a Santo Antônio, batizando-o como Santo Antônio de Uruá-Tapera. Desde então, o santo passou a ser o protetor da comunidade.

Leia também: Vigia de Nazaré, a cidade que sedia o Círio de Nazaré mais antigo do Pará

Círio fluvial em Oriximiná. Foto: Vitor Bemerguy SECOM PMO
Foto: Vitor Bemerguy/ SECOM-PMO

As primeiras edições do Círio datam de pelo menos 1936 e eram realizadas em terra. A imagem do santo era conduzida em procissão do dia 1º ao dia 15 de agosto, visitando casas de fiéis e retornando à Igreja Matriz, onde ocorriam as tradicionais trezenas e ladainhas. Era um momento de união comunitária, marcado por gestos simples, mas profundamente carregados de simbolismo.

Círio das ruas para o rio

Em 1946, no entanto, uma grande mudança redefiniu a festa. Por meio de um acordo com a Cúria Prelatícia de Santarém, o Círio passou a ser fluvial, uma adaptação que harmonizou a religiosidade com a geografia ribeirinha da região. As datas também foram reorganizadas: a procissão passou a ocorrer no primeiro domingo de agosto, e as festividades encerram-se no terceiro domingo do mês. A nova forma de celebração incorporou uma programação oficial, reforçando ainda mais o caráter festivo e religioso do evento.

Para os mais antigos, remar as canoas que levavam a imagem do santo pelas águas era um ato de sacrifício e devoção. Era como oferecer o próprio esforço físico em agradecimento ou súplica. O círio diurno daquela época terminava com um grande almoço coletivo, reforçando os laços de solidariedade entre os moradores.

Leia também: O almoço do Círio e a sacralização da mandioca

Atualmente, o Círio de Santo Antônio mantém viva essa tradição, mesmo com as modernizações. A imagem do padroeiro é conduzida em uma balsa motorizada, escoltada por dezenas de embarcações decoradas e iluminadas, formando um cortejo fluvial de rara beleza.

Foto: Vitor Bemerguy/ SECOM-PMO

O trajeto pelas águas do Trombetas é emoldurado por velas flutuantes, orações e cânticos entoados pelos romeiros. Ao chegar ao porto da cidade, a imagem é recebida com uma vibrante queima de fogos e, em seguida, é levada em procissão terrestre até a Igreja Matriz, onde é celebrada uma missa campal com grande participação popular.

Além da cerimônia principal, os dias que antecedem o Círio também ganharam força. O chamado “Pré-Círio” abre a programação oficial com apresentações culturais, peças teatrais e danças que exaltam as tradições amazônicas e o sincretismo presente na fé popular.

Onças-pretas são flagradas atravessando estrada em Mato Grosso

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Foto: Reprodução/Instagram-pauloodaird

Um raro momento surpreendeu o técnico em agropecuária Paulo Odair em uma estrada na região do Parque Indígena do Xingu, próximo à Confresa, no Mato Grosso: duas onças-pretas atravessando a estrada. O registro foi publicado nas redes sociais do técnico no início do mês:

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Onças-pretas?

O registro viralizou nas redes, com destaque para o fato das onças terem a pelagem preta.

Em uma entrevista a Portal Amazônia em 2020, o biólogo Flávio Terassini explicou que a Panthera onca de cor preta “é considerada super rara na natureza” e que se trata de onça-pintada com uma disfunção genética (excesso de melanina).

“Aí a pigmentação do pelo fica preta, mas se a gente olhar a onça contra o sol dá pra ver as pintas dela. As pintas na verdade são pretas, ou seja, aquela plumagem que seria amarela também é preta. Por isso a gente chama de onça-preta. A espécie dela é a Panthera onca. Um bicho bem raro de se ver e muito bonito por sinal”, informou o biólogo.

onças-pretas podem ser encontradas em várias regiões
Foto: Acervo/Instituto NEX

Saiba mais: Onça-preta rara é flagrada tomando banho em rio de Rondônia

Nos comentários da postagem, Odair respondeu algumas pessoas detalhando a situação. Informou, por exemplo, que na verdade eram dois filhotes acompanhando a mãe, mas somente um atravessou enquanto ele estava lá. “Aqui na região tem muitos relatos de avistamentos, essa foi a segunda vez que eu vi. Ela estava com 2 filhotes mas só deu pra filmar 1”, comentou.

Flor do Maracujá: a história da maior festa junina folclórica de Rondônia

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Foto: Frank Néry/Secom RO

O som do tambor ecoando nas quadras escolares, os passos ensaiados por meses e o brilho nos olhos de crianças e adultos marcam mais uma edição do Flor do Maracujá. A 41ª edição do arraial acontece de 1º a 10 de agosto no Parque dos Tanques, em Porto Velho (RO).

Mas a história do arraial, no entanto, começa bem antes das arquibancadas lotadas e dos palcos grandiosos. Por volta de 1983, uma mulher chamada Maria de Nazaré, natural de Belém (PA), mudou-se para Rondônia. Junto a grupos folclóricos de Porto Velho, ela criou um espaço para valorizar tradições amazônicas, como as quadrilhas juninas e os bois-bumbás.

Leia também: Tradição desde 1920: conheça 8 bois-bumbás de Porto Velho

O Grupo Rede Amazônica conversou com Maria e montou uma recapitulação de como surgiu a maior festa junina de Rondônia.

De festa escolar à maior mostra de cultura popular

Nas décadas de 1970 e 1980, as festas juninas eram organizadas pelas escolas de Porto Velho. Depois, em agosto, era a vez dos grupos folclóricos se apresentarem na cidade.

Com a criação oficial do Estado de Rondônia, em 1982, o evento ganhou força institucional: foi lançada a primeira Mostra de Quadrilhas e Bois-Bumbás, que ainda acontecia dentro do ambiente escolar.

“A escola Rio Branco foi a primeira com quadra coberta, e foi lá que fizemos o primeiro festival de folclore estadual. Antes, era tudo improvisado”, conta a professora.

Em 1983, nasceu o Arraial Flor do Maracujá. Com o tempo, virou um grande festival junino, reunindo danças, comidas típicas, parque de diversões, barracas e artesanatos. O nome do Arraial surge como homenagem à primeira quadrilha registrada em Porto Velho: a Flor do Maracujá.

Leia também: Arraial Flor do Maracujá mantém viva a tradição do boi-bumbá, em Porto Velho

De quadra de areia ao Parque dos Tanques: a luta por estrutura

O primeiro Arraial Flor do Maracujá aconteceu em uma quadra de areia ao lado do Ginásio Cláudio Coutinho. Com apoio da comunidade e pequenos patrocínios, surgiram as primeiras barracas e a iluminação.

“Era tudo improvisado e feito com vontade. O apoio financeiro ia só para os grupos folclóricos. O resto vinha de doações e parcerias”, recorda Nazaré.

Flor do Maracujá 2024. Foto: Reprodução/Governo de Rondônia

Entre 1983 e 1989, o Arraial Flor do Maracujá acontecia ao lado do Ginásio Cláudio Coutinho. Depois disso, passou por diferentes locais da cidade:

  • a área onde hoje funciona a Assembleia Legislativa;
  • o Parque dos Tanques (na parte baixa);
  • o bairro Costa e Silva, atualmente chamado de Imigrantes;
  • e até o centro Esperança da Comunidade, onde foi realizado durante a enchente de 2014.

Desde 2015, o festival voltou a ser realizado no Parque dos Tanques, agora na parte alta. Porém, o local ainda não é fixo nem estruturado, o que dificulta a organização do evento a cada edição.

“Hoje a estrutura é gigante. Precisa de arquibancadas, som, segurança, camarotes, banheiros químicos. É muito investimento. E tudo desmontado depois. A esperança é ter um espaço definitivo, que sirva também a outros eventos grandes de Rondônia”, desabafa a criadora.

Da participação ao espírito competitivo

Muito além da festa, a Flor do Maracujá representa um importante projeto social e educativo. Crianças só podem participar se estiverem na escola, e os ensaios começam cedo, ainda em março e abril.

“É um lugar para mostrar talento, disciplina e manter as crianças longe das ruas”, explica Nazaré.

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Até 1989, apenas os bois-bumbás participavam de competições. As quadrilhas recebiam troféus simbólicos. A disputa ficou mais acirrada a partir de 1990, inspirada em grandes festas populares do país, como Campina Grande (PB) e Parintins (AM).

“Hoje cada grupo tem torcida organizada, fantasias complexas, coreografias ousadas. É uma superprodução”, diz.

“O que mantém a Flor do Maracujá viva é o povo”

Foto: Frank Néry/Secom RO

O Arraial é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Porto Velho, o Governo de Rondônia, patrocinadores e mais de 50 grupos folclóricos que se apresentam todos os anos.

Para Nazaré, manter e fortalecer o Arraial é essencial, porque ele representa o orgulho e a identidade cultural do povo rondoniense.

*Por Kyara Negretti e Bruno Erpídio, da Rede Amazônica RO

AgroBV 2025 impulsiona economia com mais de R$100 milhões em negócios

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Volume total foi de R$ 101.216.450,00 em negócios fechados e prospectados. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Com a participação de agricultores, pecuaristas, empresários de vários segmentos e instituições financeiras, a AgroBV 2025 resultou em mais R$ 100 milhões em volume de negócios gerados durante quatro dias (31 de julho a 3 de agosto) no Centro de Difusão Tecnológica (CDT), localizado na zona rural de Boa Vista, região do Bom Intento. Com isso, o Maior Evento do Agro de Roraima se consolida como um ambiente propício para fechar vendas e divulgar produtos e serviços do setor.

O volume total foi de R$ 101.216.450,00 em negócios fechados e prospectados. Máquinas e implementos agrícolas estão entre os mais procurados pelos clientes, atingindo o montante de R$ 22,32 milhões, seguido pela comercialização de sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas, que atingiram o valor de R$ 21,5 milhões.

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Esse movimento intensifica a circulação de recursos, fortalece cadeias produtivas e contribui para o crescimento sustentável do campo e da cidade, segundo o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva. Além disso, ele ressalta que a AgroBV disponibiliza oportunidades de mercado para agricultores e empresários, ampliando possibilidades de renda e geração de emprego no município.

Máquinas e implementos agrícolas estão entre os mais procurados pelos clientes. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

“O evento é uma vitrine para produtores e empresários e, ao mesmo tempo, mostra o trabalho da prefeitura no setor agrícola da nossa capital. Durante os dias de AgroBV, foram confirmadas vendas de tratores e implementos, caminhões, camionetes, pás carregadeiras, escavadeiras, dentre outros insumos. Atingimos a marca de mais de R$ 100 milhões no volume de negócios fechados, confirmando o sucesso do evento nesta edição”, disse.

Leia também: AgroBV 2025: Campo Experimental é vitrine de inovação no maior evento do agro de Roraima

Entre os expositores, estiveram empresas com tratores, colheitadeiras, dentre outros implementos agrícolas, caminhões, máquinas pesadas, equipamentos tecnológicos como drones e sistemas de energia solar, pivôs de irrigação, animais, apresentação de cultivares no campo experimental, além de instituições de ensino e financeiras. Matheus Albuquerque, gerente da empresa Jumasa afirma que esta edição da AgroBV foi gratificante, pois gerou grandes oportunidades de negócios.

Gerente da empresa Jumasa afirma que AgroBV foi gratificante. Foto: Andrezza Mariot/PMBV

“Nossas expectativas foram cumpridas, pois uma quantidade satisfatória de negócios foram gerados. Temos segmentos tanto na parte agrícola, quanto na linha de construção. Registramos uma grande procura por tratores agrícolas, empilhadeira e a pá carregadeira. Sem contar que levantamos intenções de negócios que serão concretizados nos próximos meses”, contou.

Neste ano, o evento contou com a participação de 84 empresários, que tiveram a oportunidade de expor produtos, inovações e tecnologias do mercado para melhorar a produção no campo. Durante os quatro dias de programação, cerca de 75 mil pessoas prestigiaram a edição AgroBV, acessando conhecimentos, experiências e contato com o que há de mais atual no setor agrícola.

Os visitantes puderam conhecer de perto o campo experimental, com uma área de 26 hectares plantados. Os talhões compreenderam 16 cultivares de soja, 21 híbridos de milho, 2 espécies de sorgo e 2 de girassol, além de batata-doce e macaxeira. O público prestigiou também, o famoso Campo de Girassóis, que preenche uma área de 6 hectares, onde puderam eternizar o momento em vídeos e fotografias.

Campo segue aberto para visitação

O campo de girassóis segue aberto para visitas até o dia 10 de agosto. Foto: Richard Messias/PMBV

A AgroBV 2025 chegou ao fim, mas quem ainda não visitou o campo de girassóis tem até o dia 10 de agosto para apreciar a paisagem, além de aproveitar a oportunidade para registrar lindas fotografias. O Centro de Difusão Tecnológica (CDT), localizado na região do Bom Intento, zona rural de Boa Vista, segue aberto ao público, das 8h às 17h, recebendo visitantes, dentre eles, integrantes de projetos sociais da prefeitura e alunos da rede municipal de ensino.

Livro analisa representação de Manaus na obra ‘A Jangada’, de Júlio Verne

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Foto: Divulgação/Ufam

O livro ‘Manaus refletida no espelho de Verne’, do professor aposentado da Faculdade de Artes (Faartes) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Otoni Mesquita, é um estudo sobre a representação da cidade de Manaus na obra ‘A Jangada’, de Júlio Verne. O livro discute elementos iconográficos que moldaram a imagem da cidade e sua fundação.

O livro de Verne é uma história que se passa em 1852, abordando uma viagem ao longo do Rio Amazonas, em uma jangada autossuficiente, da foz, no Peru, até Belém (PA).

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Ao tratar a descrição da cidade de Manaus no século XIX, conforme aponta Mesquita, Verne reproduz a ideia de vários viajantes acerca da cidade.

“Recorri à literatura para apontar o que os viajantes, os naturalista e outros que passavam pelo lugar pensavam sobre a cidade. E, lógico, a literatura reproduzia”, explica o autor.

No livro, Mesquita aborda algumas questões que merecem atenção: o que tudo indica, o ilustrador do livro de Verne deve ter se inspirado em imagens de Manaus da década de 1880 e acabou não reproduzindo a cidade de 30 anos antes.

“A cidade da Barra, lá em 1852, não tinha, por exemplo, a catedral. Não havia sequer a pedra fundamental da Igreja Matriz. Mas, no livro de Verne, há ilustrações sobre a vista da cidade como se já houvesse essa construção”, diz.

Leia também: A representação da Amazônia na obra de Otoni Mesquita

Livro ressalta relevância das imagens que retratam Manaus

Em ‘Manaus refletida no espelho de Verne’, Otoni usa a literatura quase como um pretexto para rever e discutir elementos iconográficos que compõem a paisagem manauara, seja a relação do homem branco com a natureza ou dele com os povos originários.

A obra ressalta a relevância das imagens produzidas por desenhistas, gravadores e fotógrafos, que deixaram verdadeiros documentos visuais para a posteridade. Conforme sustenta o autor, esse é um pretexto para iluminar dois temas principais: o estudo sobre a imagem da cidade e a discussão em torno dos elementos iconográficos que integram esses estudos.

livro Manaus refletida no espelho de Verne de otoni mesquita
Livro ‘Manaus refletida no espelho de Verne’, de Otoni Mesquita. Foto: Divulgação/Ufam

Leia também: Documentário inédito retrata trajetória de artistas visuais do Amazonas

Uma das citações mais importantes do livro reforça a abordagem inovadora da pesquisa: 

“Ainda que o caráter ficcional da descrição literária não exija compromisso com a narrativa histórica, nem necessite das características da abordagem factual que marcaram estudos históricos da época, entende-se que já não ocorram maiores resistências em aceitar um estudo histórico da ‘imagem’ da cidade a partir de fontes desta natureza” (página 11).

A obra oferece uma forma inédita de ver e conhecer a cidade de Manaus, resgatando e analisando as narrativas e imagens históricas que moldaram o imaginário da região.

*Com informações da Ufam

Plácido de Castro, o homem por trás da Revolução Acreana

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Plácido de Castro liderou fase final da guerra pelo Acre. Foto: Reprodução/Acervo Digital Deptº de Patrimônio Histórico e Cultural (FEM)

O Acre celebra a Revolução Acreana nesta quarta-feira (6), marco histórico que consolidou a luta pela anexação do território ao Brasil no início do século XX. No centro deste episódio, está a figura de Plácido de Castro, exaltado como herói acreano, mas que segundo historiadores, era, acima de tudo, um homem comum, com virtudes e um temperamento forte.

No dia 6 de agosto de 1902, iniciaram-se os confrontos da Revolução Acreana. Os conflitos entre brasileiros que ocupavam a região desde meados de 1870 e o governo boliviano a quem o território pertencia legalmente pelos direitos de exploração da terra já duravam pouco mais de três anos. O principal interesse dos dois grupos era a exploração do látex. Os confrontos só acabaram em 1903 com a anexação do Acre ao Brasil.

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Plácido de Castro

Plácido de Castro foi o principal líder militar da chamada última fase da Revolução Acreana. Gaúcho, nascido em São Gabriel (RS), seguiu a carreira militar influenciado pela tradição da família, mas abandonou o Exército após se decepcionar com a derrota de seu lado na Revolução Federalista (1893-1895), conflito que opôs forças estaduais ao governo central.

Desiludido, ele veio para a Amazônia em busca de oportunidades na economia da borracha, como tantos outros brasileiros no final do século XIX. Por volta de 1895, já estava no território que viria a se tornar o Acre, atuando como agrimensor e demarcador de terras, graças à formação técnica que havia recebido na vida militar.

Em entrevista ao Grupo Rede Amazônica, o historiador Marcus Vinícius Neves explicou que Plácido de Castro foi por muito tempo “endeusado” pela historiografia local, muito em função do simbolismo da Revolução como ato de resistência da sociedade acreana frente à dominação boliviana, e, indiretamente, ao próprio governo federal brasileiro, que nomeava governantes sem conexão com a realidade regional.

“Ele foi superestimado em vários momentos, e seus defeitos muitas vezes foram deixados de lado em prol dessa imagem de herói. Mas ele era um homem do seu tempo: uma época marcada por forte autoritarismo, militarismo, patriotismo com outro sentido do que conhecemos hoje e uma sociedade extremamente masculinizada”, falou.

Acre já abasteceu 60% do mercado mundial de borracha. Avelino Chaves Medeiros – Exploração da Hevea. Acervo: Edunyra Assef/Dept° de Patrimônio Histórico e Cultural (FEM)

Antes da liderança

Mesmo já vivendo na região, Plácido de Castro não participou da primeira insurreição acreana, em 1899, nem da criação do Estado Independente do Acre, liderado por Luís Galvez.

Ainda assim, acompanhava de perto os acontecimentos. Em 1900, teria recusado convite para participar da chamada “expedição dos poetas”, uma tentativa fracassada de retomada do controle da região.

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Foi só em 1902, com o avanço do contrato entre Bolívia e Bolívia Syndicate, consórcio com participação dos EUA e Inglaterra, que Plácido aceitou liderar o movimento armado. Com uma condição: teria total autonomia, inclusive com autoridade para punir com morte qualquer desobediência.

”Imperador’ Galvez, jornalista espanhol, declarou independência do Acre. Foto: Giselle Lucena/Arquivo pessoal

A luta armada contra o exército boliviano foi o ápice de um conflito que se desenhava desde 1870, quando os primeiros brasileiros, vindos na maioria da região Nordeste do Brasil, começaram a ocupar a região do “Aquiry”, nome indígena que significa ‘rio dos jacarés’ e acabou dando nome ao estado.

Conflito

A chegada de Plácido de Castro ao Acre finalmente mudou a sorte dos brasileiros que desejavam se estabelecer no território.

“Quando Plácido de Castro, à frente de um exército de seringueiros, invade a cidade de Xapuri e a toma das autoridades, dá início a última fase da Revolução Acreana. A fase mais sangrenta, que levou os seringueiros a pegar em armas e ir a luta contra os bolivianos”, ressaltou Marcus Vinícius.

Segundo o historiador, até hoje não é possível saber com clareza quantas pessoas morreram no conflito e qual lado teve mais perdas, já que as histórias são divergentes.

Com apoio de seringueiros e financiadores do Amazonas, Plácido liderou um ousado movimento militar contra o domínio boliviano. Com estratégias e avanços arriscados, saiu vitorioso e consolidou o território como parte do Brasil.

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Da glória à emboscada

O sucesso nas batalhas lhe deu grande prestígio político. Após a Revolução, ganhou reconhecimento do Barão do Rio Branco e se tornou uma figura central na política local.

Mapa mostra locais onde os revolucionários enfrentaram o exército boliviano. Foto: Acervo Digital: Dept° de Patrimônio Histórico e Cultural (FEM)

Mas o Acre, transformado em território federal, passou a ser governado por prefeitos nomeados, o que levou Plácido a frequentes embates com as autoridades.

A tensão culminou em 1908, quando Plácido foi morto numa emboscada a caminho de seu seringal, o Capatará.

O crime teria sido encomendado pelo então prefeito departamental Gabino Besouro. O executor, segundo os relatos históricos, foi Alexandrino José da Silva, ex-comandado de Plácido na Revolução.

Legado

Plácido de Castro é, até hoje, lembrado como símbolo de coragem e determinação. Mas, segundo Marcus Vinícius Neves, é essencial compreendê-lo em sua totalidade.

Para o historiador, mais que anexação do território acreano ao Brasil, a Revolução deixou marcas culturais que podem ser notadas ao longo dos últimos 123 anos.

“Nem herói intocável, nem vilão. Apenas um homem complexo, produto do seu tempo e das contradições da história do Acre”, falou.

*Por Jhenyfer de Souza, Rede Amazônica AC

Dom Júlio Endi Akamine é nomeado novo arcebispo de Belém pelo Papa Leão XIV

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Arcebispo Júlio Endi Akamine. Foto: Wesley Cordeiro Prado/CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

O Papa Leão XIV aceitou, nesta quarta-feira (6), a renúncia ao Governo pastoral da Arquidiocese Metropolitana de Belém do Pará, apresentada pelo arcebispo Alberto Taveira Corrêa. Desta forma, Corrêa é sucedido pelo arcebispo Júlio Endi Akamine, até então arcebispo coadjutor da mesma Arquidiocese Metropolitana, tornando-se o 11º arcebispo metropolitano da capital paraense.

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Dom Julio integrou a Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação e foi o bispo referencial da Pastoral da Educação de 2013 a 2019.

Atualmente, ele preside o regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e tinha sido nomeado arcebispo coadjutor da Arquidiocese de Belém do Pará pelo Papa Francisco em março de 2025.

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Dom Júlio 

Dom Julio Endi Akamine nasceu em 30 de novembro de 1962 em Garça (SP). Em 1975, entrou no Seminário da Sociedade do Apostolado Católico (SAC), os Palotinos, em Londrina (PR), onde completou os estudos no Seminário Menor São Vicente Pallotti. Fez o noviciado em 1979 no seminário Rainha da Paz, em Cornélio Procópio (PR). Sua primeira consagração foi a 8 de dezembro de 1980, na mesma cidade.

Cursou Licenciatura em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica (PUC), de 1981 a 1983, e Teologia no “Studium Theologicum Claretianum”, de 1984 a 1987, na arquidiocese de Curitiba (PR). Foi ordenado sacerdote em 24 de janeiro de 1988, na cidade de Cambé (PR). Obteve o mestrado em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (1993 a 1995) e doutorado na mesma Universidade (2001 a 2005).

Como sacerdote palotino desempenhou a função de vigário paroquial, pároco e reitor do seminário maior Palotino, em Curitiba. Também foi assessor da Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (Osib) no regional Sul 2 da CNBB. Entre outras funções, atuou como diretor do Período Introdutório da Província Regina Apostolorum, na Itália (2003-2004).

Como sacerdote palotino, as seguintes funções: vigário paroquial na paróquia Santo Antônio, Cambé (PR) – (1988-1990); pároco na paróquia Santo Antônio, Cambé (PR) – (1990-1993), na arquidiocese de Londrina; Reitor do seminário maior Palotino, Curitiba (PR) – (1996-2001); assessor da OSIB regional Sul 2 (1996-1998); Secretariado-geral da SAC para a Formação (1999-2005); Consultor local da Comunidade da Casa Geral, em Roma (2001-2003); Diretor do Período Introdutório da Província Regina Apostolorum, Itália (2003-2004); Secretário provincial para a formação (2005-2007); e Diretor espiritual do Seminário Maior Palotino, Curitiba (PR) –  (2006-2007).

No período de 1996 a 2001 e de 2005 a 2011, foi professor de teologia no Studium Theologicum, em Curitiba (PR), onde lecionou as matérias de Teologia Sacramentária Geral, Sacramentos da Iniciação Cristã, Eclesiologia, Trindade, Introdução à Teologia e Teologia Fundamental.

Foi reitor provincial da província Palotina São Paulo Apóstolo, com sede na capital paulista, de 2008 a 2011, quando foi nomeado bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo, em 4 de maio daquele ano, sendo vigário episcopal da região Lapa. Sua ordenação episcopal foi em 9 de julho de 2011 e seu lema é “Bonum Facientes Infatigabiles” – “Não vos canseis de fazer o Bem”.

Em 28 de dezembro de 2016, dom Julio foi nomeado arcebispo metropolitano de Sorocaba, sendo o quinto bispo e o terceiro arcebispo, pelo Papa Francisco. De acordo com comunicado da Nunciatura Apostólica no Brasil, o pontífice acolheu o pedido de renúncia apresentado por dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues por motivo de idade, e o nomeou arcebispo de Sorocaba (SP).

Dom Julio integrou a Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação e foi o bispo referencial da Pastoral da Educação de 2013 a 2019. Atualmente, ele preside o regional Sul 1 da CNBB, e em março de 2025 foi nomeado arcebispo coadjutor da arquidiocese de Belém do Pará, pelo Papa Francisco.

Agradecimentos da CNBB

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou sua saudação a dom Júlio por sua nova missão e expressou gratidão a dom Alberto pelos anos dedicados ao pastoreio da Igreja em Belém:

Estimado dom Júlio, 

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acolhe com alegria sua nomeação como novo arcebispo metropolitano de Belém do Pará, sucedendo a dom Alberto Taveira Corrêa, que se torna arcebispo emérito.

Como bispo coadjutor da arquidiocese de Belém, o senhor já vinha caminhando com o povo de Deus dessa Igreja particular, conhecendo seus desafios e alegrias, e preparando-se com zelo e espírito fraterno para esta missão.

Agradecemos a sua generosa disponibilidade em continuar servindo à Igreja na região Amazônica, agora como arcebispo metropolitano, dando continuidade à missão evangelizadora desta arquidiocese tão significativa para a fé do povo brasileiro.

Que o Senhor o fortaleça nesta nova etapa do ministério episcopal, concedendo-lhe sabedoria, coragem e mansidão para pastorear com amor o rebanho que lhe é confiado, especialmente neste tempo em que a Igreja é chamada a viver com intensidade a sinodalidade e o cuidado com a Casa Comum.

A CNBB se une ao povo de Belém em oração, pedindo que Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia, acompanhe e interceda pelo senhor em sua missão.Com estima e comunhão fraterna”.

Foto: Wesley Cordeiro Prado/CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

Agradecimento da CNBB a dom Alberto Taveira:

Estimado dom Alberto,

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta profundo agradecimento por sua dedicada missão à frente da arquidiocese de Belém do Pará.

Ao longo de seus mais de 30 anos como bispo, o senhor sempre se destacou por seu zelo apostólico, profunda espiritualidade, firme compromisso com a evangelização e sua dedicação à formação do clero e do laicato. À frente da arquidiocese de Belém, desde 2010, soube conduzir o povo de Deus com sabedoria e amor, especialmente nas grandes celebrações da fé amazônica, como o Círio de Nazaré, expressão da piedade popular e patrimônio espiritual do Brasil.

A CNBB reconhece com gratidão sua contribuição em diversos âmbitos da missão da Igreja no Brasil, incluindo sua participação ativa e sua presença fraterna nos trabalhos da Conferência, especialmente como membro da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos.

Desejamos que esta nova etapa de sua vida, como arcebispo emérito, seja marcada pela serenidade, pela oração e pela continuidade de sua entrega ao Reino de Deus, agora de forma renovada e em novas formas de serviço à Igreja.

Com estima e comunhão fraterna,

Cardeal Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros da Silva
Arcebispo de Goiânia (GO)
1º Vice- Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo de Olinda e Recife (PE)
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília (DF)
Secretário-Geral da CNBB

*Com informações do Vatican News