Home Blog Page 153

Estudo aponta fatores por trás de expansão de febre Oropouche para fora da Amazônia

0

Ilustração do Orthobunyavirus oropoucheense, que transmite a febre Oropouche. Imagem: Ademildo Mendes/SVSA

A febre Oropouche alarmou o Brasil em 2024 ao se expandir além de sua abrangência típica, limitada à Amazônia, e alcançar estados das cinco regiões do país: 22 das 27 unidades federativas já registraram pelo menos um caso confirmado em laboratório. O Espírito Santo liderou o ranking, com 6,3 mil testes positivos só no ano passado — número que equivale a 45% dos 13,8 mil casos registrados no Brasil em 2024 e 39% do total de 16,2 mil pessoas infectadas nas Américas como um todo nesse mesmo período.

Leia também: Professor da UFMA explica o que é e os principais cuidados contra a febre do oropouche

Em 2025, o vírus não diminuiu o ritmo. De acordo com o boletim epidemiológico mais recente da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), publicado em 13 de agosto, já houve 12,7 mil casos confirmados desde janeiro. Destes, 11,8 mil ocorreram no Brasil, com 6,3 mil no Espírito Santo, e os demais distribuídos por outros países latino-americanos e caribenhos. Além do próprio Brasil, os países mais afetados são Panamá (501 casos) e Peru (330). Segundo os dados do Ministério da Saúde até 30 de outubro, foram 11.930 casos, cinco óbitos confirmados e dois sob investigação.

No estado de São Paulo, o crescimento foi significativo, passando de 8 casos em 2024 para 161 até setembro deste ano, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde.

A expansão da doença, que é causada pelo vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV), para fora da região amazônica intrigou infectologistas e epidemiologistas. Um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Unesp, da USP e do Instituto Butantan, identificou os principais fatores que favoreceram essa movimentação, e estão empregando esses dados para prever, na medida do possível, seus próximos passos.

O artigo publicado no periódico PLOS One em julho explica que a infecção pelo vírus tem se mostrado mais comum em lugares que registram temperaturas e índices de precipitação acima da média. Essas condições favorecem a reprodução tanto do vírus quanto de seu vetor Culicoides paraensis, um inseto conhecido popularmente como mosquito-pólvora ou maruim. O aumento das chuvas e do calor se deveu, em parte, ao fenômeno de aquecimento global e ao fenômeno El Niño, que ocorreu entre 2023 e 2024.

Um dos autores do artigo é Tiago Salomão, pós-doutorando no Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp, no câmpus de Rio Claro, que pesquisa a interação entre mudanças climáticas e doenças com potencial epidêmico. Ele diz que as chamadas mudanças no uso da terra constituem outro fator que contribuiu para a explosão de casos a partir de 2024.

Conforme a mata nativa é removida para dar lugar a pastagens, plantações de soja e outras monoculturas, a biodiversidade diminui. Isso representa menos predadores e competidores capazes de interagir com a população de maruins, que se beneficia desse contexto e se expande.

“Em biomas preservados, há mais concorrência com outros insetos e os Culicoides não conseguem se multiplicar no mesmo ritmo”, diz ele.

A nova pesquisa sustenta que alguns cultivos, como banana, dendê e algodão, se mostram especialmente benéficos para a subsistência dos Culicoides, devido ao acúmulo de matéria orgânica em decomposição no solo, que serve de alimento às larvas. Os dados também mostram que regiões denominadas “periurbanas”, de transição entre campo e cidade, são mais afetadas do que ambientes exclusivamente rurais ou urbanos, e que a existência de indicadores socioeconômicos menos favoráveis também se reflete em uma quantidade maior de casos.

Além dessas variáveis ambientais, é provável que uma mudança no genoma tenha aumentado a transmissibilidade do vírus OROV. Experimentos de laboratório com células de mamíferos isoladas mostram que uma cepa recente atinge concentrações até cem vezes mais altas que a versão comum ao se multiplicar em laboratório –- e pode ser que essa variante consiga driblar a memória imunológica de pessoas que já haviam contraído a doença no passado.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Mapa prevê áreas de risco de incidência da febre Oropouche

Determinar quais características tornam uma região mais ou menos suscetível à oropouche ajuda a prever onde novos surtos ocorrerão em um futuro próximo. Os pesquisadores incluíram no estudo um mapa de zonas suscetíveis [veja abaixo] — que previu corretamente, por exemplo, a chegada recente do OROV às praias paulistas.

“Em 2024, houve sete casos de febre Oropouche no litoral sul de São Paulo, na região do Vale do Ribeira”, conta Salomão. “Este ano, até junho, o número já tinha chegado a 130. E a doença apareceu em Ubatuba, no litoral norte, com 30 casos registrados”, diz. “Essa foi uma contribuição importante do trabalho: por meio de análise preditiva, conseguimos verificar as áreas de maior suscetibilidade”.

Camila Lorenz, pesquisadora no Departamento de Parasitologia do Instituto Butantan e primeira autora do artigo, já havia aplicado a mesma metodologia no passado para entender a distribuição geográfica do vírus do Nilo Ocidental, outra doença tropical negligenciada.

“Nos dois casos, Nilo Ocidental e Oropouche, identificamos os lugares em que a doença foi reportada e inserimos no software”, explica Lorenz. “A seguir, acrescentamos informações sobre o clima, o uso do solo e dados socioambientais. O programa então apontou quais variáveis estavam mais relacionadas com a distribuição dos casos”, diz ela.

Essa análise permite identificar sutilezas como a temperatura ambiente ideal para o vetor e o vírus. “Quando está muito frio, os insetos ficam inativos, letárgicos. A temperatura ótima está por volta dos 27 °C”, explica Lorenz.

“Uma temperatura acima disso não é favorável, porque afeta o comportamento das pessoas, além do próprio vetor. Por exemplo: sabe-se que, no caso do Aedes aegypti, que transmite a dengue, nos dias muito quentes a tendência é ficarmos mais em casa, em lugares com ar-condicionado, e evitamos atividades ao ar livre. Isso reduz o contato com o mosquito”, explica.

Conhecimento sobre febre oropouche ainda tem lacunas importantes

A febre Oropouche apresenta sintomas similares aos da dengue: febre de até 40 °C e dores características atrás dos olhos, nos músculos e nas juntas. Náuseas, vômitos, fotofobia e irritação na pele são outros sinais comuns. Ela é causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, isolado e descrito em 1955 a partir do sangue de um silvicultor em um vilarejo às margens do Rio Oropouche, em Trinidad e Tobago, um país insular caribenho localizado a apenas 15 km do litoral venezuelano.

Aves e primatas não humanos são hospedeiros comuns, bem como a preguiça-de-bentinho, um mamífero amazônico. É normal que um mosquito transmita a doença de um animal infectado para um humano saudável, ainda que, nas cidades, predomine o contágio de humano para humano.

Trata-se da segunda arbovirose mais comum do Brasil, atrás apenas da própria dengue. Belém registrou 11 mil casos durante um surto particularmente grave em 1961. Entre 1978 e 1980, anos em que houve um pico de disseminação, houve 130 mil infectados confirmados nas Américas, a maioria no Brasil. Estima-se que, ao todo, meio milhão de casos tenham ocorrido país afora durante a segunda metade do século 20.

Porém, como a febre Oropouche raramente é fatal, os sintomas não costumam durar mais de uma semana e muitas vítimas habitam assentamentos inacessíveis por via terrestre, a testagem deixa a desejar, e a febre é severamente subnotificada. Hoje, na Amazônia, 60% da população vive a mais de 10 km de distância da UBS mais próxima. Esse problema de infraestrutura dificulta a análise da série histórica: não sabemos até que ponto a doença realmente aumentou no Norte do país ou se, na verdade, ela permanece estável e o crescimento que testemunhamos ocorreu simplesmente porque hoje é possível diagnosticar mais pessoas.

Leia também: Semelhante à dengue: estudo busca caracterização genômica e epidemiológica dos casos de Febre Oropouche na região amazônica

Esse não é o único mistério no caminho das pesquisas sobre a febre Oropouche. Por exemplo: sabe-se que há lugares em que a doença já apareceu sem que houvesse registro da presença do vetor principal. Por isso, “especula-se que outros mosquitos além do maruim, como o Culex quinquefasciatus [nome científico do pernilongo ou muriçoca comum em todo o Brasil] e o próprio Aedes aegypti, sejam vetores, mas não há nada comprovado ainda”, diz Salomão. “Essa incerteza, por si só, dificulta bastante a determinação de todos os fatores-chave causadores do surto de 2024. Algum vetor ali está exercendo esse papel”.

De acordo com Salomão e Lorenz, os dados não permitem cravar se a febre Oropouche se tornará endêmica no Centro-Sul brasileiro ou se haverá novas ondas nos próximos meses. Uma coisa, porém, é certa: com o aumento na temperatura média da atmosfera e das águas, causado pelas emissões de gases de efeito estufa, e a destruição de fatias enormes do Cerrado e da Amazônia para dar lugar à agropecuária, as variáveis associadas à disseminação do OROV não tendem a melhorar em um futuro próximo.

“Se a temperatura muda em 1 °C ou 2 °C, já mudam uma série de outros fatores por trás da transmissão”, diz Lorenz. “É por isso que o pessoal está tão preocupado com o aquecimento global. O que vai acontecer? Não sabemos. Pode ser que o vírus se adapte ou pode ser que não haja transmissão”.

Para a pesquisadora, é importante que as autoridades caprichem cada vez mais na testagem dessa e de outras doenças tropicais tradicionalmente negligenciadas, de modo a gerar dados epidemiológicos precisos — e manter os pesquisadores um passo à frente dos vírus.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Bruno Vaiano

O que é a damurida? Conheça o prato destaque na Expoferr Show 2025

0

A tradicional damurida, prato típico das etnias Wapichana e Macuxi, é um dos destaques culturais da Expoferr Show 2025, principal feira agropecuária de Roraima. O evento, que ocorre de 4 a 8 de novembro no Parque de Exposições Dandãezinho, em Boa Vista, reúne mais de 300 expositores e espera atrair cerca de 550 mil visitantes durante cinco dias de programação voltada ao agronegócio, tecnologia e cultura regional.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A distribuição da damurida na Expoferr Show 2025 simboliza a valorização da gastronomia indígena dentro de um dos maiores eventos do Norte brasileiro. A feira, que já se consolidou como vitrine do agronegócio, incorpora cada vez mais elementos culturais, transformando-se também em um espaço de celebração das identidades regionais.

O que é a damurida? Conheça o prato destaque na Expoferr Show 2025

Leia também: Expoferr Show 2025: maior feira agropecuária de Roraima chega à 44ª edição

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Alimentação ‘industrializada’ ameaça saúde de ribeirinhos na Amazônia, aponta pesquisa

0

Pesquisadora viajou até a região para conhecer e conversar com a população sobre a realidade vivida por ela e os impactos na saúde. Fotos: Mariana Inglez/Acervo pessoal

Comunidades ribeirinhas da Amazônia localizadas na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, estão trocando alimentos tradicionais por produtos industrializados, aumentando risco de doenças graves e perda de qualidade de vida, como mostra um estudo realizado no Instituto de Biociências (IB) da USP. A pesquisa, que tem como autora a bioantropóloga Mariana Inglez, foi premiada na categoria Inclusão Social e Cultural e Redução das Desigualdades da 14ª edição do Prêmio Tese Destaque USP.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O estudo analisa esse fenômeno de transição nutricional como um processo de nutricídio, termo criado pelo médico Llaila O Afrika, em 1993, para descrever a perda nutricional caracterizada pela dificuldade ou total falta de acesso a uma alimentação saudável em populações à margem da sociedade, o que influencia a saúde e continuidade de culturas alimentares tradicionais.

Entre 2019 e 2023 a pesquisadora acompanhou de perto as comunidades. Os dados coletados por Mariana mostram que, em duas décadas, o consumo de alimentos industrializados cresceu de forma significativa. Na dieta, a participação de carboidratos provindos de alimentos comprados passou de 14% para 33%, a de proteínas de 13% para 33%, e a de gorduras de 21% para 71%. Esse avanço reflete uma substituição de dietas tradicionais por produtos industrializados ricos em energia e pobres em nutrientes.

“Quando falo nessa transição nutricional, estou falando da substituição de alimentos que fazem parte da identidade de um povo, que têm uma relação com o ambiente e uma relação com aspectos simbólicos, culturais e afetivos. Geralmente são alimentos muito mais saudáveis”, diz Mariana em entrevista ao Jornal da USP.

O resultado encontrado durante a pesquisa etnográfica — abordagem que implica convívio e imersão na rotina das pessoas que colaboraram com o estudo — mostra que a dieta antes baseada em farinha, peixe e frutas locais tem sido substituída por produtos comprados, como arroz branco, açúcar, óleo vegetal, refrigerantes e macarrão instantâneo.

Alimentação 'industrializada' ameaça saúde de ribeirinhos na Amazônia, aponta pesquisa
Mapa retirado da tese indica a região do estudo em que se buscou entender o estado de saúde da população.

Leia também: Livro sobre frutas amazônicas pode ajudar no combate à desnutrição

“Esse processo já era percebido pela população”, afirma Mara, habitante de uma das comunidades visitadas em Caxiuanã. A reportagem optou por não identificar o sobrenome da moradora e o nome da comunidade para preservar sua segurança e privacidade, em acordo com a escolha da pesquisadora.

“Antes a gente consumia basicamente alimentos naturais, por exemplo, o peixe que a gente pescava, a caça, a farinha que produzimos aqui mesmo. No café da manhã, tomava com uma farinha de tapioca ou uma tapioquinha. Hoje em dia, houve um avanço na questão da alimentação industrializada”, afirma.

Evolução na saúde

A tese Transição nutricional em comunidades ribeirinhas da Amazônia brasileira: “escolhas” entre alimentos tradicionais e industrializados na região de Caxiuanã, Pará, Brasil, foi defendida em 2024, sob a orientação do professor Rui Sérgio Sereni Murrieta, no Programa de Pós-Graduação em Ciências (Genética e Biologia Evolutiva) do IB.  

Através de dados quantitativos, a bioantropóloga comparou seus resultados com informações coletadas nos mesmos locais, entre 2002 e 2009, por Bárbara Piperata, uma das principais referências em antropologia nutricional na Amazônia, que foi orientadora de Mariana quando ela esteve fora do Brasil, na The Ohio State University (EUA) durante o doutorado sanduíche.

Com uma abordagem biocultural, o objetivo de Mariana foi conduzir uma pesquisa que integrasse dimensões biológicas, socioculturais, econômicas e ambientais para compreender a alimentação, saúde e modos de vida na região. Tudo a partir de um ponto de vista decolonial, valorizando a vivência das populações ribeirinhas. Esse é um modelo novo de pesquisa que traz as populações para dentro do estudo da alimentação e as coloca no centro do debate das relações entre saúde humana e ambiental, aspectos culturais, sociais e o enfrentamento às desigualdades.

Leia também: Fiocruz Amazônia alerta para problemática do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde de indígenas

Mais vulneráveis desde a prática colonial

As análises, realizadas com 177 participantes, variando entre adultos, jovens e crianças, mostraram que toda a população ganhou peso nas últimas duas décadas, mas as mulheres foram as mais afetadas, o que significa que elas apresentam maior risco de doenças crônicas como hipertensão, obesidade e diabetes.

“Geralmente as mulheres deixam ‘as melhores partes’ para os parceiros e para as crianças. Então, são as primeiras que vão enfrentar a insegurança alimentar e aí, consecutivamente, as que mais vão consumir alimentos ultraprocessados, que não têm tanto poder nutritivo, mas que são mais calóricos”, afirma Mariana.

O estudo aponta que, embora programas de redistribuição de renda tenham contribuído com o combate à fome, houve um aumento na insegurança alimentar — situação em que falta acesso regular a alimentos na quantidade e qualidade necessárias para a sobrevivência. A pandemia de covid-19 agravou o problema, com a interrupção das cadeias de abastecimento e das fontes de renda nas comunidades.

Acesso a alimentação é essencial para a saúde. Foto: Mariana Inglez/Acervo pessoal

“Os povos tradicionais, negros, afro-indígenas, ribeirinhos e periféricos foram grupos mais vulneráveis durante a pandemia”, diz Mariana. Para ela, isso evidencia qual o perfil dos grupos que estão em maior fragilidade alimentar.

“É o sistema que vai influenciar quem consegue se alimentar bem e manter a sua cultura alimentar no Brasil. Um que começa desde a prática colonial”.

Outra causa do aumento do consumo de ultraprocessados é a inadequação das políticas públicas de alimentação. As cestas básicas entregues às comunidades, por exemplo, contêm mais alimentos ultraprocessados, não condizente com a cultura alimentar ribeirinha, e que também são ofertados na merenda escolar às crianças e jovens, em desacordo com as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB).

Criado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP em conjunto com o Ministério da Saúde (MS) em 2014, o guia apresenta informações e orientações sobre alimentação e nutrição para a sociedade em geral, serve de base para a atuação de profissionais de saúde e também para a formulação de políticas públicas.

As mudanças climáticas aparecem como um novo fator na piora da alimentação local. Com a diminuição das chuvas e o aumento da temperatura alterando a produção agrícola e diminuindo a disponibilidade de peixes nos rios, fica cada vez mais difícil depender exclusivamente dessas fontes. “Hoje em dia o feijão que vem é industrializado, mas antes a gente comia o feijão que plantávamos, [atualmente] raramente se planta aqui na nossa comunidade”, conta Mara.

Segundo Mariana, tendo contato direto com essas comunidades foi possível perceber que, se tiver escolha, a população ainda prefere se alimentar de maneira tradicional.

“Existe uma percepção local do que é uma comida de verdade que faz bem para a saúde, e não é comida ultraprocessada. Então, quando existe a possibilidade de escolher, vão comer um peixe cozido com farinha”, diz.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, escrito por Maria Eduarda Oliveira (estagiária sob supervisão de Silvana Salles e Antonio Carlos Quinto)

Saiba quem é a Rainha da Expoferr Show 2025; concurso é um dos momentos mais aguardados  

0

O palco da Expoferr Show 2025, em Boa Vista (RR), foi tomado pela beleza, carisma e a simpatia das candidatas do tradicional concurso de Rainha da Expoferr, um dos momentos mais aguardados da maior feira agropecuária da Região Norte.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A campeã da 44ª edição é Larissa Pantoja, de 24 anos, que, com muita desenvoltura e presença marcante, conquistou os jurados e o público, levando para casa o título de Rainha Expoferr.

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Desmatamento da Amazônia pode acelerar aquecimento global e gerar um ponto de não-retorno climático, alerta Climatempo

0

Imagem aérea de queimadas na cidade de Altamira, Estado do Pará. Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

A Amazônia pode estar se aproximando de um ponto crítico em que a destruição da floresta provocaria mudanças climáticas irreversíveis, alerta a Climatempo. Às vésperas do início da COP30, que acontece este mês em Belém do Pará, se reacende o alerta sobre o papel decisivo da Amazônia na regulação do clima global. O avanço do desmatamento pode levar o bioma a um ponto crítico, a partir do qual a floresta não conseguiria mais se regenerar –desencadeando um ponto de não-retorno climático.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

“Mesmo registrando a redução no ritmo de desmatamento da floresta amazônica, a área total devastada da Amazônia Legal já corresponde a cerca de 20% do bioma. O ritmo diminui, mas a floresta continua sendo derrubada”, ressalta Pedro Regoto, especialista em Clima e Mudanças Climáticas da Climatempo.

Desmatamento da Amazônia
Foto: Mayke Toscano/ Gcom-MT

Amazônia

A Amazônia é considerada um dos nove pontos de inflexão climáticos (tipping elements) do planeta – sistemas que, ao ultrapassarem determinados limites, podem sofrer alterações abruptas e irreversíveis, afetando o equilíbrio climático de todo o planeta.

No passado, estudos de modelagem apontavam que o tipping point (ponto de não-retorno) da Amazônia era atingir o limite de 40% de desmatamento. Pesquisas mais recentes, no entanto, indicam que o efeito combinado de desmatamento, das mudanças climáticas e do grande uso de fogo na floresta pode levar a um limiar bem mais baixo, entre 20% e 25%.

“Isso significa que um desmatamento acima desse patamar nos coloca cada vez mais perto de atingir um limite irreversível de degradação, o que pode levar a floresta a se transformar em savana e causar impactos diretos e irreversíveis sobre o clima global”, explica Regoto.

Além da Amazônia, o conceito de tipping elements, definido em 2008 pelo cientista britânico Timothy M. Lenton, inclui o gelo marinho do Ártico , a camada de gelo da Antártida Ocidental, a circulação termoalina do Atlântico Norte, o fenômeno El Niño no Pacífico Equatorial, as monções asiáticas, as florestas boreais do hemisfério Norte e o permafrost – o solo permanentemente congelado do Ártico.

Segundo Regoto, todos esses sistemas estão interligados. “Quando um deles entra em colapso, pode desencadear reações em cadeia em todo o planeta”, explica. “O degelo do permafrost, por exemplo, pode liberar o metano que está aprisionado há milhões de anos – um gás cerca de 80 vezes mais potente que o CO₂ no efeito estufa. Esse processo acelera ainda mais o aquecimento global e cria um efeito dominó climático, que pode escapar do controle humano”.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Foto: Cícero Pedrosa Neto/ Amazônia Real

No caso da Amazônia, o especialista alerta que o ponto crítico está estimado em 40% de desmatamento. “Se a destruição atingir esse patamar, a floresta pode não conseguir mais se regenerar, dando lugar a uma savana. Esse processo alteraria profundamente o regime de chuvas e a temperatura do planeta”, ressalta.

Leia também: Ponto de não retorno: a Amazônia não tem tempo a perder

Por isso, Regoto enfatiza que frear o desmatamento já não é suficiente. “Precisamos investir também na recuperação das áreas degradadas da floresta. Somente assim teremos chance de conter as mudanças climáticas de longo prazo”, afirma.

Os efeitos do aquecimento global já são percebidos no Brasil, com diversos recordes anuais na temperatura média. Em 2024, por exemplo, ela foi de 25,02oC, o que representou um aumento de 0,79oC em relação à média histórica de 24,23oC registrada entre 1991 e 2020, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

Fenômenos como El Niño e La Niña

Os recordes de calor dos dois últimos anos culminaram com desastres climáticos de grande impacto, como as tragédias no litoral norte de São Paulo e no Rio Grande do Sul. “Fenômenos como El Niño e La Niña sempre existiram, mas agora estão mais intensos e frequentes devido às mudanças climáticas”, destaca Regoto. “O aquecimento global é o principal fator que potencializa esses extremos.”

Foto: Reprodução/Polícia Federal

Se o desmatamento da Amazônia e o degelo nas regiões polares continuarem, o planeta pode caminhar para um cenário de transformações irreversíveis. “Chegaremos a um ponto em que a adaptação será muito mais difícil e custosa. Precisaremos lidar com eventos climáticos cada vez mais intensos e frequentes”, alerta o especialista.

A Climatempo reforça que a ciência já oferece evidências claras: conter o desmatamento e restaurar ecossistemas é essencial para evitar o colapso climático. “A Amazônia é o coração climático do planeta. Proteger e recuperar a floresta é proteger a nós mesmos”, conclui Regoto.

*Com informação do Climatempo

#Galeria Expoferr Show 2025: confira destaques do segundo dia da feira em Roraima

0

O segundo dia da Expoferr Show 2025, realizada entre os dias 4 a 8 de novembro no Parque de Exposições Dandãezinho – localizado na BR-174 sentido Norte, na zona Rural de Boa Vista – conquistou não só os interessados em negócios, mas também os jovens estudantes.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Com vasta programação educativa e cultural, como a iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), a ‘Juventude na Expoferr’, a feira tem atraído a cada nova edição, mais jovens interessados em conhecer a própria cultura e também já pensar em possibilidades para o futuro.

Confira nesta galeria alguns momentos que marcara o segundo dia:

Dezenas de alunos roraimenses participam de iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), a ‘Juventude na Expoferr’. Foto: Willame Sousa
Jovens puderam conhecer animais essenciais para o crescimento da economia do estado. Foto: Willame Sousa
Alunos também puderam acompanhar projetos de inovação e tecnologia. Foto: Willame Sousa
Empreendedores fazem parte da feira que investe na divulgação daquilo que é produzido em Roraima. Foto: Willame Sousa
Expoferr Show 2025
Cerca de 300 expositores fazem parte da feira este ano. Foto: Willame Sousa
Um dos momentos esperados pelos visitantes é o das competições equestres, como a prova de três tambores. Foto: Fernando Oliveira/Secom RR
A vigilância sanitária também faz arte da equipe de segurança que monitora o evento. Foto: Divulgação/Sesau RR
Corrida de cavalos também faz parte da programação esportiva. Foto: Artur Mucajá/Secom RR
Os leilões bovinos movimentam a economia local. Foto: William Roth/Secom RR
Show de Natanzinho Lima encerrou o segundo dia. Foto: Artur Mucajá/Secom RR

Leia também: #Galeria Expoferr Show 2025: confira destaques do primeiro dia da feira em Roraima

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

#Galeria Expoferr Show 2025: confira destaques do primeiro dia da feira em Roraima

0

Foto: William Roth/Secom RR

A maior e mais tradicional feira agropecuária do Norte do Brasil, a Expoferr Show 2025, é realizada entre os dias 4 a 8 de novembro no Parque de Exposições Dandãezinho, localizado na BR-174 sentido Norte, na zona Rural de Boa Vista.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Pela primeira vez, a Expoferr é realizada pelo Governo de Roraima com recursos do Governo Federal, repassados pelo Ministério do Turismo.

A expectativa é que mais de 500 mil pessoas passem pela feira e que o volume de negócios durante os cinco dias de evento chegue à marca de R$ 1 bilhão em prospecção.

Confira nesta galeria alguns momentos que marcara o primeiro dia:

A Expoferr Show 2025 começou no dia 4 de novembro. Foto: Willame Sousa
A Fundação Rede Amazônica está presente em mais uma edição da feira. Foto: Willame Sousa
Leilões de gado são parte da programação que atrai investidores ao estado. Foto: Willame Sousa
Ações educativas e de orientação de empreendedores também fazem parte do evento. Foto: Divulgação/Secom RR
Segurança foi preparada para atender o público e manter a tranquilidade da feira. Foto: Neto Figueredo/Secom RR
público visita expoferr show 2025
Diversos pontos foram montados para serem “instagramáveis” e se tornarem recordação para os visitantes. Foto: Willame Sousa
DJ Larissa foi uma das atrações do evento que comandou os intervalos da programação musical local. Foto: Willame Sousa
O público esperado para este ano é de 500 mil pessoas nos cinco dias. Foto: Neto Figueredo/Secom RR
Shows nacionais, como o de Taty Girl, são muito esperados pelo público. Foto: William Roth/Secom RR
Show de Murilo Huff também era um dos esperados para o primeiro dia da Expoferr. Foto: Neto Figueredo/Secom RR

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Expoferr Show 2025 realiza programação esportiva com muito rodeio e vaquejada

0

Foto: Willame Sousa

Montaria em touros, corrida de cavalos, prova dos três tambores, laço e vaquejada. Essas são algumas das atrações esportivas programadas para a 44ª Expoferr Show, que acontece no Parque de Exposições Dandãezinho, localizado na BR 174, zona rural da cidade de Boa Vista, capital roraimense, durante o período de 4 a 8 de novembro.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A competição da vaquejada, por exemplo, reúne competidores dos municípios de Roraima e do Amazonas, e movimenta o setor de serviços e o comércio local.

O prêmio chega a 131 mil reais para o campeão e a disputa ocorre nas categorias feminina, mirim, aspirante, amador e profissional, reunindo atletas experientes e novos talentos.

Segundo o organizador e representante da Vaquejada Coco Babaçu, Antônio Mota Neto, o número de inscritos superou as expectativas e mostra como o circuito de vaquejada se tornou um símbolo da Expoferr.

“Participei no ano passado e este ano está superando todas as expectativas. Tivemos 530 senhas antecipadas, um recorde. É a maior festa de vaquejada do momento e está sendo um sucesso total”, afirmou Neto.

Expoferr Show 2025 realiza programação esportiva com muito rodeio e vaquejada
Vaquejada na Expoferr 2025. Foto: Artur Mucajá/Secretaria de Comunicação de Roraima

Programação esportiva Expoferr Show 2025

Dia 1 (05/11)

15h às 21h – Provas equestres 

16h às 23h – Vaquejada

Dia 2 (06/11) 

18h às 21h – Provas equestres 

16h às 23h – Vaquejada 

Foto: Willame Sousa

Dia 3 (07/11)

18h às 21h – Provas equestres 

16h às 23h – Vaquejada 

Dia 4 (08/11)

15h às 18h – Corrida de cavalo 

16h às 23h – Vaquejada

18h às 22h – Provas equestres 

Confira a programação completa AQUI.

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Museu Goeldi recebe mural do Mahku, que retrata mitos do povo indígena Huni Kuin

0

Os seis integrantes do Mahku e, ao fundo, os painéis do mural. Foto: Luan Lima Mesquita/Carmo Johnson Projects

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) abre à visitação pública, a partir deste domingo (9/11), o mural do Movimento dos Artistas Huni Kuin (Mahku), formado por um conjunto de dois painéis que mede 58,9 metros quadrados. Eles traduzem dois mitos e cantos do povo Huni Kuin: o “Kapewë Pukeni” (do jacaré-ponte) e o “Yune Inu, Yube Shanu” (do surgimento da Ayahuasca).

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A expressão artística é um convite ao público a conhecer o mundo a partir da visão do povo amazônida. É também meio de comunicação e de resistência e marca a relação entre cultura, arte, ciência e meio ambiente. A pintura ficará exposta como obra permanente no Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do MPEG, em Belém (PA).  

O mural integra a programação cultural no Museu Goeldi para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá na capital paraense, a partir da próxima segunda-feira (10/11). 

Concebida como um marco cultural e simbólico da presença dos povos indígenas nas discussões globais sobre o clima, a pintura também representa o compromisso do MPEG, desde a sua fundação, em 1866, com o diálogo intercultural, com a pesquisa colaborativa junto a comunidades indígenas e com a proteção do bioma amazônico, integrando conhecimentos científicos e tradicionais.

O mural foi possível a partir da articulação da galeria Carmo Johnson Projects, que representa o Mahku, e conta com o patrocínio da Bloomberg Philanthropies e o apoio do Instituto Peabiru. 

Mural é presente dos artistas 

Os seis artistas do Mahku pintaram os painéis em meados de outubro e, antes de deixarem o Museu Goeldi, foram recebidos pelo diretor da instituição, Nilson Gabas Júnior, que agradeceu o presente ao fundador do coletivo, Ibã Huni Kuin.

“Às vésperas de iniciarmos nossa programação na COP30, reafirmamos que estamos abertos aos povos originários e tradicionais. Os Huni Kuin fizeram uma arte maravilhosa aqui, que mostra a relação mística com a natureza. Nossa instituição, declarada de forma simbólica como ‘território indígena’, tem buscado uma comunicação que reúne ciência, cultura e arte. Quando nossos visitantes chegarem aqui, vão poder ver esse novo espaço, essa nova confraternização entre povos tradicionais e produção científica”, disse.

Ibã Huni kuin , um dos artistas do mural, sendo recebido pelo diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior. Foto: Cabron Studios/Carmo Johnson Projects.
Ibã Huni kuin, um dos artistas do mural, sendo recebido pelo diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior. Foto: Cabron Studios/Carmo Johnson Projects

Ibã Huni kuin (ou Isaías Sales, na segunda língua) é professor, pesquisador, antropólogo e artista de uma aldeia do Acre. Ele percebeu que o uso da sua primeira língua estava diminuindo, que os mais novos não sabiam mais os cantos dos antepassados e que a história de seu povo, baseada na oralidade, estava ameaçada.

“Os nossos conhecimentos são da memória, não tem escritos. Eu já vinha acompanhando as histórias do meu pai, por meio da música e comecei a gravar (os cantos do) meu pai”, disse Ibã, completando que essas gravações se transformaram em um livro escrito em três idiomas.

No entanto, segundo ele, a tradução não dava conta de retratar os cantos Huni Kuin, não havia palavras correspondentes. Daí, surgiu a ideia de pintar e de ensinar os mais jovens a retratarem essas músicas, o que se transformou no coletivo Mahku, fundado em 2012, cujos trabalhos foram expostos em eventos no Brasil e em outras parte do mundo.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Os mitos

A pintura do mural exposto no Museu Goeldi apresenta dois mitos centrais da cosmologia Huni Kuin: o Kapewë Pukenibu, também conhecido como o mito do jacaré-ponte (Kapewë Pukeni), uma narrativa ancestral que relata a origem e a travessia dos Huni Kuin, um povo em movimento entre continentes, em busca de sementes, moradia, conhecimento e terra. Por meio de cantos, é contada a história dessa jornada, onde o povo encontra um jacaré que, em troca de alimento, oferece o próprio corpo como ponte para que o povo atravesse para o outro lado. Esse episódio simboliza o ato de criar conexões entre povos, mundos e dimensões, entre o visível e o invisível. 

O mural também evoca o mito Yube Inu, Yube Shanu, que narra o surgimento da ayahuasca, representada pela mulher-serpente do cipó, figura central na cosmologia Huni Kuin. Por meio de cores vibrantes e grafismos tradicionais kenê, o mural traduz os cantos e visões do nixi pae (ayahuasca), expressando temas de cura, transformação e sabedoria. Essa realização marca mais um capítulo do diálogo entre arte, espiritualidade e ancestralidade, reafirmando o papel do Mahku como ponte viva entre mundos — indígena e não indígena, mítico e contemporâneo. 

Os artistas do coletivo Mahku

Ibã Huni Kuin (Isaías Sales, 1964, Tarauacá, Acre) – Ibã Huni Kuin é txana, mestre dos cantos na tradição do povo Huni Kuin. Tornou-se professor na década de 1980 e passou a unir os saberes tradicionais de seu pai, Tuin Huni Kuin, aos conhecimentos ocidentais, pesquisando a escrita da tradição junto de seus alunos. Ingressou na Universidade Federal do Acre (Campus Cruzeiro do Sul) em 2008 e, com seu filho Bane, criou o projeto Espírito da Floresta, que deu origem ao MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin. 

Cleiber Bane (1983, Jordão, Acre) – Cleiber Bane é artista e membro fundador do MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin, criado em 2012. Suas obras transformam em imagem os cantos tradicionais Huni Meka, que orientam os rituais de ayahuasca e evocam Yube, a anaconda cósmica, mestre do Nixi Pae, além de entidades da floresta. Ele participa ativamente da consolidação do grupo no cenário internacional da arte contemporânea.

Cleudon Sales Txana Tuin (1990, Jordão, Acre) – Cleudon Sales, conhecido como Txana Tuin, é artista e txana (mestre dos cantos) do povo Huni Kuin, e integrante do Mahku. Sua prática artística traduz em pintura os cantos e mitos Huni Meka, utilizando a arte como ferramenta de resistência e comunicação intercultural. É também cofundador do coletivo Kayatibu, centro cultural dedicado à preservação dos saberes ancestrais Huni Kuin por meio da música e da dança. Txana Tuin domina mais de 150 cantos do Huni Meka, transmitidos por gerações de sua família. Participou de exposições importantes como Mirações (MASP, 2023) e Coreografias do Impossível (35ª Bienal de São Paulo, 2023). 

Acelino Sales (1975, Jordão, Acre) – Acelino Sales vive e trabalha em Jordão, Acre. Membro do Mahku desde sua fundação, participou da primeira ação coletiva em 2012, quando o grupo pintou a Secretaria de Educação e Cultura de Jordão. Suas pinturas rompem com a lógica física e pictórica tradicional, apresentando visões onde elementos da floresta e do cosmos se fundem em luz e movimento. Participou de importantes exposições, como Histoire de voir (Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris), Mirações (MASP, 2023), Coreografias do Impossível (35ª Bienal de São Paulo, 2023) e da pintura mural de grande escala na fachada do pavilhão central da 60ª Bienal de Veneza – Stranieri ovunque (Estrangeiros por toda parte). 

Yaka Huni Kuin (1996, Jordão, Acre) – Yaka Huni Kuin é artista e aprendiz da floresta, nascida na Aldeia Chico Curumin, Rio Jordão, Acre. Filha de Ibã Sales Huni Kuin, também é cofundadora do coletivo Kayatibu, que reúne jovens Huni Kuin em atividades de música e dança, preservando e reavivando saberes e narrativas míticas.

Participou de diversas exposições nacionais e internacionais, entre elas: Ka’a Body: Cosmovision of the Rainforest (Paradise Row, 2021–2022), Moquém Surarî (MAM-SP, 2021), Mirações (MASP, 2022), Les Vivants (Fondation Cartier, Lille, 2022), Coreografias do Impossível (35ª Bienal de São Paulo, 2023), Mupotyra: arqueologia amazônica (MuBE, 2024–2025) e Amazònies: El futur ancestral (CCCB, Barcelona, 2024–2025). Em parceria com sua irmã Rita Huni Kuin, realizou a mostra Entre mundos (Centro Cultural do Cariri, Ceará). 

Kásia Mytara (1962, Goiânia, Goiás) – Kásia Mytara é artista Karajá cuja produção explora temas de identidade indígena, resistência, feminilidade, genealogia e cura. Trabalha com cerâmica e pintura, sendo também integrante do Mahku – Movimento dos Artistas Huni Kuin. No coletivo, traduz e pinta os cantos e mitos Huni Meka, originados de visões espirituais vivenciadas em cerimônias de ayahuasca. Casada com Ibã Sales Huni Kuin, fundador e líder do MAHKU, Kásia estabelece uma ponte entre as culturas Karajá e Huni Kuin, expandindo o alcance simbólico e estético do movimento.

*Com informações do Museu Goeldi e Carmo Johnson Projects

Mudanças climáticas ameaçam espécies amazônicas de alto valor econômico e cultural

0

Árvore, flores e sementes do cumaru (Dipteryx odorata). Fotos: Catarina de Carvalho, Domingos Cardoso e Tiara Cabral

Um estudo publicado na revista Ecology and Evolution, desenvolvido em parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), alerta para os impactos severos que as mudanças climáticas podem causar em espécies do gênero Dipteryx, da família das leguminosas (Fabaceae).

Essas árvores, distribuídas naturalmente por biomas como Amazônia, Cerrado e Caatinga, possuem papel essencial na manutenção dos ecossistemas tropicais e grande relevância econômica e cultural, sendo amplamente conhecidas pelos nomes populares de cumaru, baru e castanha-de-morcego.

Leia também: Saiba para quê serve e quais os benefícios do cumaru, a baunilha da Amazônia

As espécies do gênero Dipteryx ocupam um papel central na vida de comunidades indígenas e ribeirinhas, que utilizam seus frutos e sementes na alimentação, em preparações medicinais e como fonte de renda. Além disso, são amplamente exploradas pela indústria madeireira, devido à alta durabilidade e resistência da madeira, muito valorizada para construção civil e mobiliário.

Segundo o estudo, as perdas econômicas associadas à redução das áreas adequadas para essas árvores podem ultrapassar US$ 597 bilhões em cenários climáticos futuros, um dado que demonstra como os impactos ambientais reverberam profundamente nas economias locais e globais.

Projeções climáticas

A pesquisa utilizou modelagem de nicho ecológico com projeções climáticas para as próximas décadas e estimou perdas expressivas de hábitat para diversas espécies do gênero, o que pode comprometer cadeias produtivas locais, a segurança alimentar de comunidades tradicionais e o equilíbrio ambiental das florestas tropicais.

Os resultados reforçam a necessidade de integrar o conhecimento científico à formulação de políticas públicas voltadas à conservação e à adaptação das espécies às mudanças do clima.

“Por muito tempo acreditou-se que apenas uma espécie, Dipteryx odorata, era utilizada tanto para madeira quanto para coleta de sementes, o que mascarava a exploração de outras espécies igualmente importantes”, explica a botânica ex-bolsista de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional e atualmente pesquisadora de pós-doutorado no JBRJ, Catarina de Carvalho, autora principal do estudo. “Nosso trabalho ajuda a corrigir esse equívoco, oferecendo uma visão mais precisa sobre a distribuição e a vulnerabilidade de todas as espécies do gênero”, complementa.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Mudanças climáticas ameaçam espécies amazônicas de alto valor econômico e cultural
Catarina de Carvalho e Maristerra Lemes, autoras do estudo sobre os impactos das mudanças climáticas nas espécies amazônica. Foto: Acervo pessoal das pesquisadoreas

Estratégias de conservação 

Os resultados indicam que espécies com distribuição geográfica mais restrita estão entre as mais vulneráveis às alterações climáticas. Um exemplo é Dipteryx lacunifera, nativa da Caatinga, que pode perder até 40% de sua área potencial de ocorrência nas próximas duas décadas. Embora as espécies amazônicas demonstrem maior resiliência em alguns cenários, elas enfrentam um conjunto de ameaças crescentes, como o avanço do desmatamento, a exploração seletiva e os incêndios florestais cada vez mais frequentes.

Segundo a pesquisadora do Inpa, coordenadora do Laboratório de Genética e Biologia Reprodutiva de Plantas (LabGen/INPA) e coautora do estudo, Maristerra Lemes, a pesquisa sobre as espécies de cumaru se integra a outras investigações conduzidas no LabGen/INPA com plantas de grande importância socioeconômica na Amazônia, como o cupuaçu (Theobroma grandiflorum), a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), o açaí (Euterpe oleracea) e o mogno (Swietenia macrophylla).

“Esses estudos buscam ampliar o conhecimento sobre a diversidade genética de espécies estratégicas para o equilíbrio ecológico e a bioeconomia da região, além de identificar formas de protegê-las frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, ressalta Lemes.

O estudo também analisou eventos climáticos passados, como o Último Máximo Glacial, para compreender a resiliência evolutiva dessas árvores ao longo do tempo. Os resultados apontam que a conservação das espécies do gênero Dipteryx depende da manutenção de ecossistemas saudáveis, com florestas conectadas e manejadas de forma sustentável, além de ações integradas entre os países que compartilham os biomas onde essas espécies ocorrem.

“Desde 2016 temos pesquisado a taxonomia e a evolução das espécies de Dipteryx, e hoje observamos avanços concretos rumo à sua conservação como a avaliação do status de conservação pelo CNCFlora (Centro Nacional de Conservação da Flora), a inclusão das espécies amazônicas no Apêndice II da CITES e a elaboração de pareceres de exploração não prejudicial pelo Ibama”, destaca Catarina de Carvalho.

A pesquisa contou com apoio do Acordo de Cooperação entre o CNPq e o Governo do Estado do Amazonas/Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM- processo 01.02.016301.00757/2022-50), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ- processos E-26/200.379/2025, E-26/200.380/2025 e E-26/200.153/2023) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq- 314187/2021-9).

O trabalho reforça o papel da ciência e do Inpa na construção de soluções baseadas na natureza para enfrentar os desafios climáticos, destacando a importância da integração entre conservação, conhecimento científico e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Confira o artigo completo AQUI

*Com informações do Inpa