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Portal Amazônia responde: o que é racismo ambiental? 

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Foto: Marcelo Dutra/Rede Amazônica

A expressão ‘racismo ambiental’ descreve como, diante de eventos climáticos extremos, as populações negras, indígenas, quilombolas e moradores de áreas periféricas são, quase sempre, as mais atingidas. Formulado pelo químico e líder do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, Benjamin Franklin Chaves Jr., o termo surgiu nos anos 1980, durante protestos contra a instalação de depósitos de resíduos tóxicos no condado de Warren, região habitada majoritariamente por pessoas negras. 

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Benjamin Chaves denunciava que as comunidades racializadas e vulneráveis são expostas a riscos ambientais maiores que os grupos privilegiados.

Área de risco com grandes chances de deslizamentos, enchentes e desabamentos. Foto: William Duarte/Rede Amazônica

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal, no Brasil, a realidade é de que as pessoas negras e pobres que vivem em favelas e áreas de risco são as mais afetadas por deslizamentos, enchentes, desabamentos e falta de acesso a serviços básicos como água potável, saneamento e coleta de lixo.

Leia também: Pesquisa apresenta as desigualdades raciais e de gênero e os impactos das mudanças climáticas em Boa Vista

De acordo com o Doutor em Geografia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Deivison Molinari, o racismo ambiental é formado por dois eixos:

  • A discriminação contra determinados grupos sociais, como negros, indígenas, quilombolas e populações pobres.
  • Os impactos desproporcionais sofridos por essas populações quando ocorrem desastres ambientais.
Deslizamento de terra em Manaus. Foto: João Dejacy

Molinari explica que, quando uma tragédia acontece, muitas vezes a sociedade em geral faz com que as vítimas sejam acusadas com frases como: ‘Por que você mora nesse barranco?’, ‘Por que vive em área de alagamento?’, ‘Por que você está aí, sabendo que isso pode acontecer e sua família ser atingida?’, ignorando que essas populações em situação de vulnerabilidade não se encontram em áreas de risco por escolha própria.

“No passado, houve uma situação muito conhecida com o ex-prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, em que aconteceu um desastre em uma ocupação chamada Santa Marta, ali para a região da Torquato Tapajós, ali na Zona Norte, e ele foi no local e a pessoa, conversando com o prefeito, falou para ela sair de lá, mas ela falou que não tinha para onde sair. Ele falou, então morra”, explicou Molinari.

De acordo com o professor, o conceito de racismo ambiental revela uma segregação sócio espacial, em que determinados grupos sociais, como negros, indígenas, quilombolas e populações pobres são obrigados a viver nas margens de igarapés e encostas sujeitas a deslizamentos, enquanto os que têm melhores condições podem morar em áreas seguras e estruturadas. 

Racismo ambiental
Segregação sócio espacial revelada pelo racismo ambiental. Foto: Tuca Vieira

Leia também: Cúpula dos Povos exige soluções reais e alerta para risco de injustiça climática em Belém

A ausência de infraestrutura urbana adequada agrava doenças, aumenta o risco de contaminação e da vulnerabilidade diante das mudanças climáticas, já que quando chove forte são essas áreas que alagam, cedem e desmoronam primeiro. Além disso, quando o saneamento básico está em falta, são essas famílias que adoecem. 

Como combater o racismo ambiental ? 

De acordo com a secretaria de comunicação social, enfrentar o racismo ambiental exigem ações necessárias de políticas públicas como:

  • A criação de políticas públicas que levem em conta as desigualdades sociais e econômicas
  • A garantia do direito à participação das comunidades afetadas na tomada de decisão
  • A promoção da educação ambiental
  • A valorização do conhecimento tradicional das comunidades.

Em 2023, o Governo Federal criou o Comitê de Monitoramento da Amazônia Negra e Enfrentamento ao Racismo Ambiental, parceria do Ministério da Igualdade Racial com o Ministério do Meio Ambiente. A iniciativa busca propor medidas focadas na população da Amazônia Legal, garantindo protagonismo aos povos tradicionais e comunidades quilombolas.

*Portal Amazônia, com informações da Secretária de Comunicação Social. 

Estudo aponta irregularidade em 37% dos processos de mineração no país

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Terreno de mineração. Foto: José Cruz/Agencia Brasil

No Brasil, há 257.591 processos minerários em atividade, dos quais 95.740, o equivalente a 37%, apresentam algum tipo de inconsistência, de acordo com o Monitor da Mineração do MapBiomas, plataforma lançada nesta terça-feira (2). A ferramenta consolida dados de mais de 80 anos de processos da Agência Nacional de Mineração (ANM) e permite o cruzamento com o histórico da área minerada a partir de mapas anuais de cobertura e uso da terra no país.

De acordo com o coordenador da equipe Mineração do MapBiomas, César Diniz, o Monitor reúne e organiza dados dispersos, destaca situações atípicas e apresenta as informações de forma clara, compreensível e com acesso gratuito, tanto para órgãos de fiscalização e controle, quanto para jornalistas, pesquisadores e sociedade civil organizada.

Leia também: Pesquisa estima quanto o desmatamento na Amazônia pode aumentar se a mineração for liberada na região

mineração
Terreno de mineração em terras indígenas Kayapó. Foto: Divulgação / Polícia Federal

“Sua finalidade é apoiar o Poder Público na ampliação da transparência e no aprimoramento dos processos relacionados à produção, à comercialização e à aquisição de produtos oriundos das atividades minerárias”, explica.

Os dados detalhados na plataforma apontam que a maior parte dos processos inconsistentes apresenta problemas com a permissão. São 84.466 processos, ou 33% do total, que não possuem concessão de lavra, registro de extração, licenciamento, permissão de lavra garimpeira ou autorização de pesquisa com guia de utilização válida.

“Se o processo não está em nenhuma dessas etapas, qualquer extração ali identificada é considerada irregular por falta de título minerário apto, caracterizando o processo como portador de um sinal de mineração em fase inapropriada”, afirma Diniz.

Há também 7.738 processos, ou 3% do total, que atuam em territórios onde a atividade é proibida por lei, como terras indígenas, unidades de conservação de proteção integral, reservas extrativistas (Resex) e reservas particulares do patrimônio natural (RPPN).

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Em um total de 3.536 processos, foi identificada a sobreposição de inconsistência, com problemas no processo e também no local de atuação da atividade de mineração.

Estados


No recorte por estado, Minas Gerais, Bahia e Pará são as unidades da federação com maior número de processos minerários no país, representado 20,4%, 11,5% e 9,2% respectivamente. Nos dois primeiros estados, a autorização para pesquisa é o tipo de processo que prevalece, enquanto no Pará o requerimento de lavra garimpeira é o processo mais comum.

Apesar de Minas Gerais possuir o maior número de processos, a Bahia é o estado com mais inconsistência processual, irregularidade presente em mais da metade (53%) dos registros no sistema da ANM.

Já o estado do Pará apresentou proporcionalmente a maior quantidade de processos com inconsistência temporal, representando 4,19% dos registros do estado. São casos em que a extração mineral ocorreu antes do período de vigência de uma autorização ou quando, apesar da autorização adequada, é criada, por exemplo, uma unidade de conservação de uso restrito ou um território indígena, após a concessão da licença.

Também no Pará há o maior percentual (4,83%) de processos que apresentam sinais de extração minerária além dos seus limites territoriais.

A maior parte de atividade de mineração acontece em áreas de proteção ambiental. Fonte: Rede Amazônica de Informação Socioambiental

Inadimplência

O recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – valor pago aos municípios, estados e à União para compensar os impactos da atividade nos territórios – também pode ser acompanhado pela plataforma. Nos casos em que há obrigatoriedade do tributo, um recorte dos últimos seis meses aponta inadimplência em 56,4% dos processos.

Leia também: A mineração ilegal em terras indígenas da Amazônia

Minério de ferro. Foto: divulgação

O recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – valor pago aos municípios, estados e à União para compensar os impactos da atividade nos territórios – também pode ser acompanhado pela plataforma. Nos casos em que há obrigatoriedade do tributo, um recorte dos últimos seis meses aponta inadimplência em 56,4% dos processos.

Além da visualização de estatísticas como número, fase e distribuição dos processos de mineração, é possível aplicar filtros para realizar recortes ou cruzar dados. O Monitor da Mineração também permite a geração de um laudo por processo, com oito indicadores que incluem os dados puros, um resumo de cruzamento de dados, imagens de satélite, com mosaicos anuais e fontes dos dados.

“Com mais clareza e acessibilidade, todos conseguem identificar irregularidades mais rapidamente, acompanhar a evolução dos processos e atuar de forma mais eficiente no enfrentamento de práticas ilegais no setor mineral”, conclui César Diniz.

*Com informações de Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil.

Desmatamento da Amazônia reduz acesso à carne de caça e afeta nutrição de comunidades tradicionais

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Foto: Marco Zanferrari /Flickr

A preservação da floresta amazônica é decisiva para garantir o acesso dos povos indígenas e tradicionais da região à carne de caça – importante fonte de nutrientes e prática cultural milenar. Uma pesquisa publicada na revista Nature no dia 26 de novembro de 2025, alerta para o declínio vertiginoso na disponibilidade de carne de caça em áreas desmatadas.

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O trabalho é assinado por pesquisadores de mais de 40 instituições nacionais e internacionais, sendo liderado por André Pinassi Antunes, da Rede de Pesquisa em Conservação, Uso e Manejo da Fauna da Amazônia (RedeFauna).

Regiões com mais de 70% de desmatamento acumulado sofreram uma redução de quase 75% no número de animais caçados por pessoa ao longo de quase seis décadas. Ainda, estima-se que a produtividade da carne de caça caiu cerca de 67% em quase 500 mil km² de áreas desmatadas.

Foto: Jesem Orellana/Fiocruz Amazônia

O artigo teve participação de pesquisadores de povos indígenas e tradicionais amazônicos, que forneceram dados primários a partir de iniciativas de monitoramento de caça comunitário e informações sobre práticas de caça em seus territórios. O trabalho também se valeu de dados secundários obtidos de publicações científicas anteriores. Ao todo, o estudo compilou 447.438 registros de animais caçados em 647 localidades rurais entre 1965 e 2024.

Leia também: Consumo de carne de caça pode reduzir anemia em crianças da floresta amazônica, indica estudo

Michelle Jacob, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e uma das autoras do estudo, explica que a pesquisa foi motivada por uma lacuna de conhecimento relacionado à extensão da caça e à contribuição nutricional dessa carne para os povos que vivem.

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Foto: divulgação

“Precisávamos de alguma maneira codificar essa importância para entender melhor a conexão de floresta saudável e bem-estar humano, e assim poder subsidiar políticas públicas mais eficazes de conservação e segurança alimentar”, aponta.

A extração anual estimada de biomassa animal não-processada em toda a Amazônia é de 0,57 milhões de toneladas métricas. Já a produção anual de carne de caça comestível foi estimada em 0,37 milhões de toneladas métricas.

“O trabalho mostra que a carne de caça é um pilar alimentício fundamental dessas pessoas e que possui um valor nutricional importante, atendendo quase metade das necessidades de proteínas e ferros e uma parte importante de vitaminas B e zinco dos habitantes dessa localidade. Podemos dizer que a floresta saudável é a dispensa que alimenta as famílias amazônicas”, pontua Jacob.

Carne de caça
Tayassu pecari. Foto: Irene Domhoff

Os mamíferos foram o grupo com mais registros de caça – cerca de dois terços. O estudo também revela que 20 dos 174 grupos taxonômicos identificados respondem por 72% dos indivíduos caçados, com destaque para a queixada (Tayassu pecari), a paca (Cuniculus paca) e a anta (Tapirus terrestris).

Leia também: Estudo aponta que caça de subsistência tem papel importante para segurança alimentar de comunidades tradicionais

A queda da disponibilidade de carne de caça por habitante rural diminuiu significativamente em áreas com maior população humana, maior proximidade de centros urbanos e níveis mais extensos de desmatamento, ocasionando uma simplificação da dieta. Segundo a pesquisa, substituir a carne de caça por carne bovina exigiria a conversão de até 64.044 km² de floresta em pastagem, o que resultaria na liberação do equivalente a 3% das emissões globais de CO2 na atmosfera.

Para os autores, o melhor caminho é assegurar os direitos territoriais e a autonomia desses povos amazônicos através da preservação da floresta, garantindo a proteção da biodiversidade e os sistemas alimentares tradicionais de carne de caça.

“O desafio agora é levar esses dados para a mesa de negociações e garantir que a ciência apoie as comunidades na construção de um futuro em que a floresta possa ser provedora de vida, de saúde e de cultura também para todas as pessoas”, conclui Jacob.

*O conteúdo foi originalmente publicado na Agência Bori.

Belo Monte: Supremo Tribunal Federal determina liberação de R$ 19 milhões a indígenas

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Usina de Belo Monte. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (2) que o governo federal libere R$ 19 milhões para as comunidades indígenas afetadas pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. O montante deverá ser usado para incrementar o benefício do programa Bolsa Família aos indígenas.

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A decisão foi tomada no processo no qual Dino determinou que os indígenas devem ter participação nos lucros da usina.

Usina de Belo Monte
Usina Belo Monte. Foto: Agência Brasil

Verifico que se cuida de montante relevante, imprescindível para a dignidade das comunidades indígenas atingidas pela usina de Belo Monte, especialmente na Volta Grande do Xingu”, decidiu Dino.

O valor que será destinado aos indígenas está depositado em conta específica e é oriundo dos repasses mensais que foram feitos pela Norte Energia, empresa responsável pela hidrelétrica, entre os meses de março e outubro deste ano.

Participação

Recurso será usado na área da usina hidreletica belo monte
Usina de Belo Monte. Foto: Divulgação/Norte Energia

Em março deste ano, o ministro reconheceu o direito dos indígenas aos lucros. A decisão foi motivada por uma ação protocolada pela Associação Yudjá Miratu da Volta Grande do Xingu.

A entidade alegou ao STF que o Congresso está em omissão legislativa ao deixar de aprovar a regulamentação dos dispositivos constitucionais que garantem participação das comunidades no resultado da exploração de recursos hídricos e riquezas minerais que estão em terras indígenas.

Problemas enfrentados

As comunidades relataram os problemas enfrentados nas terras indígenas Paquiçamba, Arara da Volta Grande do Xingu e Trincheira Bacajá com a construção da usina de Belo Monte.

Indígenas do Pará devem ter participação nos lucros da usina Belo Monte. Foto: Wellyngton Coelho/Agência Pará

Entre os problemas listados, estão a diminuição da vazão do Rio Xingu, que prejudicou a pesca e a navegabilidade, mortandade de peixes, turbidez e potabilidade da água e diminuição da caça.

Segundo o ministro, a usina começou a operar em 2015 e agravou o modo de vida dos indígenas da região.

*Com informações de André Richter – Repórter da Agência Brasil.

Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025 com projeto de Aparelho Auditivo Bucal

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Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025. Foto: divulgação

O empreendedor amazonense Augusto José da Silva é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025, a maior vitrine de inovação e negócios da favela no país. Representando o município de Manacapuru, Augusto concorre com o projeto “Fala Comigo – Aparelho Auditivo Bucal”, uma solução inovadora, acessível e de grande impacto social, que utiliza tecnologia de vibração óssea para ampliar a inclusão de pessoas com deficiência auditiva.

Saiba mais: conheça o município de Manacapuru no Amazonas

”Participar da Expo Favela foi uma das experiências mais importantes da minha trajetória. Ver o ‘Fala Comigo’ alcançar a final e disputar o prêmio nacional mostra que a tecnologia desenvolvida na periferia tem valor, impacto e futuro. Levo comigo Manacapuru, nossa criatividade e o compromisso de ampliar a acessibilidade para quem mais precisa”, destaca o empreendedor.

Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025
Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025. Foto: divulgação

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A CUFA Amazonas celebra mais uma conquista histórica: pela segunda vez, um empreendedor amazonense chega à final da Expo Favela Innovation Brasil. O estado garante presença no Top 10 nacional e conquista vaga no reality show “Expo Favela – O Desafio”, exibido pela TV Globo, concorrendo a um prêmio de R$ 100 mil.

Leia também: Doce feito com caroço de cupuaçu leva startup do Amapá à final da Expo Favela Innovation

_“Chegar até aqui reforça meu desejo de conquistar o prêmio e usar esse recurso para formalizar de vez o negócio. Esse valor vai permitir que o ‘Fala Comigo’ saia da fase experimental e se torne uma solução acessível, sustentável e disponível para quem mais precisa”, afirmou Augusto José.

Projeto fala comigo – Aparelho Auditivo Bucal

A iniciativa apresenta uma tecnologia que utiliza a vibração óssea da arcada dentária para transmitir som, permitindo que pessoas com perda auditiva possam compreender a fala de maneira mais acessível e com custo muito mais baixo que aparelhos convencionais.

Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025. Foto: divulgação

A solução, desenvolvida dentro da realidade periférica, busca democratizar o acesso à comunicação, promovendo autonomia e ampliando oportunidades para milhares de brasileiros.

Reconhecimento e impacto

A classificação no Top 10 nacional reforça a potência criativa das periferias do Amazonas e demonstra como o ecossistema de inovação do estado vem crescendo. Além do finalista, outros cinco empreendedores amazonenses brilharam nos dias 29 e 30 de novembro, em São Paulo, levando cultura, propósito e protagonismo para o cenário nacional.

Empreendedor de Manacapuru é finalista da Expo Favela Innovation Brasil 2025. Foto: divulgação

“Ter o Augusto entre os dez melhores do Brasil é um marco. O ‘Fala Comigo’ chamou atenção pela inovação e pelo impacto social, provando que a tecnologia produzida na Amazônia pode, sim, mudar vidas e ocupar espaços nacionais”, disse Alexey Ribeiro, presidente da CUFA Amazonas.

Agora, o Amazonas segue na disputa no reality “Expo Favela – O Desafio”, onde os finalistas concorrem a mentorias, aportes financeiros, visibilidade e ao grande prêmio nacional, que pode transformar seus negócios e ampliar o impacto social.

A CUFA Amazonas segue apoiando e acompanhando cada etapa, com orgulho de ver o estado novamente entre os melhores do país.

Tocantins ganha duas novas rotas turísticas; saiba quais

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Novas rotas turísticas de Tocantins foram sancionadas pelo Governo. Fotos: Reprodução/Gettyimages

O estado do Tocantins ganhou oficialmente duas novas rotas turísticas: Capim Dourado e Serras Gerais. As leis 15.274/25 e 15.275/25, sancionadas no fim de novembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecem os roteiros e abrem caminho para ampliar ações de promoção, estruturação e investimentos.

A coordenadora-geral de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo, Fabiana Oliveira, ressalta que a medida fortalece destinos tocantinenses.

“Com a rota oficialmente instituída, o Ministério do Turismo passa a ter base legal para intensificar ações de promoção do destino, além de estruturar trilhas, parques naturais e iniciativas de turismo de base comunitária”, explica Fabiana.

Leia também: “Ouro de Tocantins”: você sabia que o capim dourado não é um capim?

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A capital Palmas. Foto: Adilvan Nogueira/Governo de Tocantins

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O reconhecimento das rotas turísticas amplia a visibilidade do estado, contribui para a atração de investimentos e ajuda a valorizar, de forma sustentável, as riquezas naturais e culturais que marcam o estado.

Rota do Capim Dourado 

Com o reconhecimento, municípios como Mateiros, São Félix do Tocantins, Ponte Alta, Novo Acordo, Almas e Lagoa do Tocantins ganham novas condições para fortalecer vocações naturais e ampliar o turismo baseado na cultura e na tradição locais.

Rota das Serras Gerais

O novo circuito, que abrange os municípios de Dianópolis, Arraias, Taguatinga e Natividade, fortalece o ecoturismo e impulsiona a preservação ambiental e cultural de uma das regiões mais exuberantes do estado.

Leia também: Novo patrimônio cultural de Palmas: conheça o Mirante do Limpão

*Com informações do Ministério do Turismo

Prefeitura de Boa Vista inaugura iluminação em LED na avenida Brasil

A obra contempla mais de 9 km de extensão, com 264 postes e mil luminárias. Foto: PMBV

Dezembro chegou ainda mais iluminado, sobretudo em uma das principais vias de acesso à capital Boa Vista. Nesta segunda-feira, 1º, o prefeito Arthur Henrique inaugurou a iluminação em LED da avenida Brasil (BR-174, sentido sul). O trecho vai da Praça Simón Bolívar até o viaduto do Anel Viário, no bairro Airton Rocha. A obra contempla mais de 9 km de extensão, com 264 postes e mil luminárias, garantindo mais segurança, mobilidade e qualidade de vida para a população.

“A iluminação da Avenida Brasil representa um avanço significativo para Boa Vista, especialmente por se tratar de uma das principais entradas da cidade, com grande fluxo de veículos e pedestres. A obra só foi possível graças à municipalização do trecho em 2022 e agora estamos garantindo mais segurança e qualidade de vida para quem circula por aqui. Boa Vista segue avançando, sendo uma das primeiras capitais do país com iluminação 100% em LED”, disse o secretário municipal de Conservação Pública, Daniel Lima.

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As luminárias de LED oferecem maior durabilidade, economia de energia e melhor qualidade luminosa. Foto: PMBV

Os recursos para a obra foram destinados por meio de emenda parlamentar do senador Chico Rodrigues e executadas pela Secretaria Municipal de Conservação Pública.

Eficiência

As luminárias de LED substituem as antigas de vapor de sódio, oferecendo maior durabilidade, economia de energia e melhor qualidade luminosa. Com até 60 mil horas de vida útil, reduzem custos de manutenção e
são ambientalmente mais seguras, por não conterem metais pesados e ajudarem na redução das emissões de CO₂.

Conforto, segurança e qualidade de vida em Boa Vista

Maria das Neves aprovou iluminação. Foto: PMBV

Durante a inauguração, moradores acompanharam o acendimento das luzes e comemoraram a tão aguardada iluminação. “Era muito difícil passar aqui. Esse trecho era tanto escuro quanto deserto, a partir de certa hora. Ficava perigoso. Agora está essa maravilha. Nós esperamos muito por isso. É muita história e lembranças, a gente se emociona”, contou Maria das Neves, moradora do São Bento há 20 anos.

Moradores conferiram acendimento das luzes. Foto: PMBV

Aos 12 anos, a estudante Geovana Lima acompanhou o acendimento ao lado da irmã e da avó, Nilza Batista. “Aqui era muito perigoso. Eu não via nada quando a gente brincava do lado de fora e agora está muito iluminado. Eu achei muito bom!”, contou a estudante.

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Para Nilza, o sentimento é de conquista e transformação. “Antigamente, a gente vivia na escuridão, uma escuridão onde as crianças não podiam nem brincar direito. E eu fico grata hoje. Por esse trabalho de iluminar a nossa avenida. É qualidade de vida para nós, moradores”, destacou.

*Com informações da prefeitura de Boa Vista

Estudante do Amapá vence prêmio por criação de kit solar portátil para castanheiros

Estudante do Amapá venceu Prêmio Jovem Cientista. Foto: Divulgação/Ifap

A estudante Manuelle da Costa Pereira, de 23 anos, do Instituto Federal do Amapá (Ifap), venceu a categoria Ensino Superior do 31º Prêmio Jovem Cientista com um kit de energia solar portátil criado para castanheiros da Amazônia.

Ela é a primeira pesquisadora do estado a conquistar o prêmio. O anúncio foi realizado em cerimônia realizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília, no dia 26 de novembro.

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O projeto foi apresentado na COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada em Belém (PA). A solução busca substituir os motores a diesel, caros, poluentes e pesados, que dificultam o deslocamento dos extrativistas na floresta.

“Nosso objetivo é transformar a expectativa em realidade: um equipamento acessível, adaptado às necessidades locais e capaz de reduzir a pegada de carbono. Para isso, será essencial obter financiamento e apoio institucional”, disse a estudante.

O kit passou por várias etapas de prototipagem até chegar ao modelo final. O peso caiu de 1.000 litros para apenas 50, o que permite transportar o equipamento em uma mochila. O custo foi de cerca de R$ 2,8 mil, com reaproveitamento de bombonas descartadas.

Kit de energia solar portátil criado para castanheiros da Amazônia. Foto: Divulgação/Ifap

Segundo a pesquisadora, o kit atende às necessidades básicas dos castanheiros, como iluminação noturna, preparo de alimentos e comunicação. Antes, a maioria dependia de geradores a diesel, que têm alto custo e impacto ambiental.

Pesquisa de campo

A pesquisa começou em 2022, com apoio de uma bolsa de Iniciação Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Isso permitiu que Manuelle estudasse soluções sustentáveis sem sair de sua cidade natal, Laranjal do Jari (AP).

Integrante do Centro de Estudos em Ecologia e Manejo na Amazônia, ela acompanhou o cotidiano de extrativistas da vila São Francisco do Iratapuru.

Estudante do Amapá vence Prêmio Jovem Cientista com kit solar portátil para castanheiros. Foto: Divulgação/CNPq

Registro e próximos passos

Em 2023, Manuelle e o orientador Diego Armando Silva da Silva registraram o kit como modelo de utilidade no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica do IFAP.

“A premiação recebida pela estudante Manuelle reconhece o trabalho da pesquisa realizada nos últimos anos no sul do Amapá, com foco em comunidades extrativistas e melhorias para comunidades tradicionais da Amazônia. A equipe está feliz com o reconhecimento nacional. A mensagem é de gratidão às pessoas e instituições, especialmente ao Ifap e à Fapeap, pelo apoio financeiro ao projeto”, descreveu o orientador.

O projeto está alinhado aos princípios da Amazônia 4.0 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A próxima etapa é aperfeiçoar o equipamento para ampliar sua eficiência nas comunidades extrativistas.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Pesquisadores do Maranhão aprimoram carga e descarga em navios com inteligência artificial

Inteligência Artificial em carga e descarga em navios. Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

Hora de tomar o café da manhã, com um pão quentinho! Mas você já pensou qual é o caminho trilhado pelo café, açúcar ou o trigo do pão até chegarem às gôndolas do supermercado? Uma grande parcela dessa resposta está no transporte marítimo.

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Gigantes que singram os mares de um canto do mundo a outro, por milhares de quilômetros, os navios graneleiros são equipados para transportar enorme quantidades de carga solta.

Isso significa que produtos como soja e minério de ferro, dentre outros itens em massa, podem ser movimentados de forma eficiente e econômica no comércio global.

Pesquisadores do Maranhão aprimoram carga e descarga em navios com inteligência artificial
A inteligência artificial do IFMA gerou um método mais barato, rápido e confiável para aplicação em operações portuárias. Foto: Reprodução/IFMA

Porém, o processo de carregamento de navios nos portos, especialmente dos graneleiros (grãos), é complexo e meticulosamente planejado, devido envolver muitas etapas críticas, desde a preparação inicial até o abastecimento final dos porões.

Leia também: Barco autônomo com inteligência artificial vai monitorar qualidade da água no Xingu, na área da Usina Belo Monte

Um dos grandes problemas no processo de carga e descarga de navios graneleiros é a chuva.

“Muitos produtos como fertilizantes, trigo e açúcar, dentre outros, são sensíveis à água e molhar a carga significa atrasos consideráveis e prejuízos com a perda do produto e aplicação de multas altíssimas no caso de atraso de entrega”, ressalta o pesquisador Omar Andres Carmona Cortes.

O projeto desenvolvido pelo professor do IFMA sugere a utilização de uma rede neural convolucional – uma solução inovadora baseada em Aprendizagem Profunda, que integra a Inteligência Artificial (IA) – para a detecção do momento de fechamento. “Trata-se de uma solução muito mais barata do que a baseada em Lidar e muito mais segura do que usar uma pessoa para essa verificação”, destaca o pesquisador.

Omar Cortes (1º à esq.) e os seus orientandos, Carlos Pimentel e Roberto Reis, que trabalham com aplicações portuárias. Foto: Reprodução/IFMA

Lidar (Light Detection and Ranging) é uma tecnologia óptica de detecção remota que utiliza a luz laser para medir distâncias e detectar objetos em um ambiente. “A tecnologia utilizada em outros portos, baseada em Lidar, permite escanear o navio, mas é um processo lento que exige uma infraestrutura de alto custo”, explica Omar.

Com a solução proposta, é preciso apenas uma câmera, que pode ser fixa ou até mesmo instalada em um drone.

“Essa característica abre portas para outras áreas acadêmicas, como o caso do drone, por exemplo, que pode gerar outros projetos para dar suporte à aplicação da técnica”, avalia Omar Cortes.

Sintonia entre pesquisadores e o setor produtivo

O projeto surgiu por meio da iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a Sociedade Brasileira para o Desenvolvimento da Indústria de Tecnologia da Informação (Softex).

Leia também: PrevisIA: inteligência artificial aponta 6,5 mil km² com risco de desmatamento na Amazônia em 2025

O objetivo foi promover o desenvolvimento da indústria de tecnologia da informação e comunicação (TIC) no país e popularizar o conhecimento em Aprendizagem de Máquina e Aprendizagem Profunda, subáreas da Inteligência Artificial.

O trabalho se transformou em uma dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Computação e Sistemas da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), onde Omar Cortes atua como professor permanente. “A base de dados está sendo incrementada e formas de melhorar a velocidade de detecção em tempo real estão sendo testadas”, mencionou.

Método e resultados

A metodologia da investigação utilizada foi a Cross Industry Standard Process for Data Mining (CRISP-DM), que pode ser traduzido como Processo Padrão Interindústrias para Mineração de Dados. “Ela é utilizada por especialistas em mineração de dados para atacar problemas reais, sendo adequada também para problemas a serem atacados usando Aprendizagem de Máquina”, frisou o pesquisador.

Parte da equipe do projeto Softex que atua com inteligência artificial. Foto: IFMA

Os resultados preliminares mostraram que a Yolo v4 (You Only Look Once, algoritmo avançado de detecção de objetos em imagens e vídeos) possui alta acurácia na detecção, mas baixa velocidade em tempo real. Por outro lado, o Fast Yolo (versão otimizada do YOLO) possui alta velocidade de detecção, mas uma acurácia menor. Além disso, a Fast Yolo v4 se mostrou sensível a ausência de luz, enquanto a Yolo v4 é capaz de realizar uma detecção eficiente nesse cenário de baixa luminosidade. “Espero que outros mestrandos tenham interesse no tema para continuarmos a produzir melhorias tecnológicas e inovadoras”, ressalta Omar.

Leia também: Modelo de Inteligência Artificial para gestão e validação de patentes é desenvolvido no Inpa

O pesquisador aponta, ainda, os benefícios da pesquisa para o Maranhão. “Em primeiro lugar está o treinamento de pessoas altamente especializadas em Aprendizagem de Máquina, o que é fundamental para o desenvolvimento da ciência e tecnologia do Maranhã”, avalia. “E consequentemente, em segundo lugar, está o desenvolvimento do IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] do Maranhão, já que há uma correlação direta entre o IDH e a produção científica”, aponta.

Omar Cortes e 20 anos de Inteligência Artificial 

Omar Cortes e 20 anos de Inteligência Artificial. Foto: UFMA

A experiência de Omar Cortes na aplicação de Inteligência Artificial na indústria começou por volta de 2005, envolvendo projetos desenvolvidos para as empresas Cemar e Alumar. Por volta de 2017, o pesquisador passou a trabalhar o tema de visão computacional inteligente, que corresponde à aplicação de Inteligência Artificial em imagens.

O trabalho se deu através da orientação de iniciações científicas no IFMA, direcionadas à identificação de câncer em imagens histopatológicas. “Com a experiência adquirida, passei a aplicar esse conhecimento no Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Computação e Sistemas [PECS, da Universidade Estadual do Maranhão/UEMA].

O pesquisador do IFMA informa que a oportunidade de desenvolver o trabalho partiu de problemas apresentados pela EMAP durante a execução do Projeto Softex de Residência em Tecnologias da Informação e Comunicações (TIC).

Ainda no âmbito do Projeto Softex, o pesquisador se dedica à pesquisa de contagem de passageiros no ferryboat da Softex, também usando IA, com o orientando Roberto Reis. Omar Cortes também está desenvolvendo projeto de identificação de defeitos em defensores no Porto do Itaqui através de imagens. A iniciativa é financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo edital de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico.

“É o meu o projeto de bolsista produtividade, em que conto com estudante de mestrado e um de Iniciação Científica, em cooperação”, informa. O estudante de mestrado, Davi Matos de Carvalho, aluno regular do PECS – UEMA, está desenvolvendo o trabalho “Uma CNN para detecção de defeitos em defensas no porto do Itaqui” e João Pedro Ruas Brasil, de Iniciação Científica, aborda a Utilização de Redes Generativas Adversariais no Aumento de Dados na Detecção de Defeitos em Defensas”. “Temos bastante trabalho pela frente e espero que isso fortaleça o laço entre o IFMA e a EMAP”, conclui.

*Com informação do IFMA

Cartografia cidadã: como mapas se tornaram ferramentas para reivindicação de direitos

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Atlas do Chão: projeto de mapeamento digital identifica lugares no mundo relacionados com processos de colonização e urbanização. Imagem: Projeto Atlas do Chão/Ana Luiza Nobre e David Sperling (coords), 2020 – em andamento

Após mais de 15 anos de espera por um processo paralisado de demarcação de terras, em 2024 o povo indígena Borari, de Alter do Chão (PA), decidiu fazer por conta própria os mapas de seu território. O documento, elaborado com apoio técnico da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), incluiu rios, trilhas e áreas sagradas que não apareciam na cartografia estatal.

Já na comunidade de Poço da Draga, em Fortaleza (CE), os moradores utilizaram, em 2016, celulares e mapas digitais para registrar suas condições de saneamento e moradia. Os dados levantados contrariavam informações oficiais de censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Parte de um movimento global conhecido como virada espacial ou cartográfica, experiências como essas são analisadas pelo arquiteto e urbanista David Sperling, professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo e vice-coordenador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, no livro Cartografias críticas: Ensaios tecnopolíticos e geopoéticos (Rio Books).

Lançada em outubro, a obra é resultado de sua tese de livre-docência, defendida em 2023. No trabalho, o pesquisador mostra como nas últimas quatro décadas os mapas, que historicamente funcionaram como instrumentos de controle territorial por governos e organizações militares (ver Pesquisa FAPESP nº 318), foram ressignificados por comunidades, artistas e ativistas.

Tradicionalmente, os tipos de mapas mais comuns têm a pretensão de funcionar como espelhos da realidade: envolvem delimitações de fronteiras e divisões administrativas do território, relevo e elementos naturais na paisagem e também trazem informações sobre o clima, a população ou a economia de determinados lugares.

“Já os mapas contemporâneos, enquadrados no que chamamos de campo ampliado das cartografias, diferem dos tradicionais ao questionar sua natureza e função”, explica Sperling.

De acordo com o pesquisador, esses novos usos são marcados por duas dimensões. A primeira envolve a produção de mapas como ferramentas de disputa por territórios com o Estado e grandes corporações, misturando elementos físicos com aspectos culturais das pessoas que os habitam. Essa vertente compreende os mapas como construções sociais, priorizando a identificação de redes de relações socioespaciais, mais do que coordenadas geográficas e fronteiras políticas. Já a segunda dimensão abarca o uso simbólico e artístico de cartografias, entendendo esses documentos como plataformas para imaginar e criar novos mundos.

Para Sperling, essas transformações tiveram início nos anos 1980, quando um conjunto de geógrafos, filósofos, arquitetos, urbanistas e pesquisadores dos estudos sociais passou a questionar a ideia de que a cartografia era uma ciência objetiva.

Um dos marcos dessas reflexões foi o texto Deconstructing the map, escrito pelo geógrafo britânico Brian Harley (1932-1991), em 1989. Nesse trabalho, Harley se apoia em proposições de filósofos como Michel Foucault (1926-1984) e Jacques Derrida (1930-2004), que sustentam que mapas são dispositivos de poder e devem ser analisados tanto pelos elementos que incorporam como por aquilo que deixam de lado.

“Naquela década, ganhou força uma leitura que passou a enxergar a cartografia como uma construção ideológica atravessada por decisões políticas e estéticas. Assim, ela não apenas representa, como também produz realidades”, observa Sperling.

Outro marco dessa virada, de acordo com o geógrafo Renato Emerson Nascimento dos Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi a promulgação da Constituição de 1988, que passou a reconhecer as culturas, línguas, os costumes e as tradições de povos indígenas do país. Além disso, a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1990, estabeleceu direitos de autodeterminação para comunidades tradicionais de todo o mundo. No Brasil, as duas medidas abriram caminho para que esses grupos começassem a incorporar novas formas cartográficas para representar as suas territorialidades.

Na esteira desse processo, o economista Henri Acselrad, da UFRJ, recorda que a partir dos anos 1990 um movimento significativo de demarcação e titulação de terras envolvendo comunidades e povos tradicionais emergiu em diversos países da América Latina. “Esse fenômeno esteve frequentemente associado à disseminação de práticas conhecidas como mapeamentos participativos ou cartografias sociais. Essas iniciativas implicaram uma ruptura simbólica e política com o monopólio estatal sobre a produção cartográfica”, diz Acselrad, coordenador do coletivo de pesquisa Desigualdade Ambiental, Econômica e Política daquela universidade.

Segundo o pesquisador, em vez de retratar o território com pretensões objetivas, como se os mapas fossem espelhos fiéis da realidade, essas novas formas de fazer cartografia propõem que os documentos devam incorporar os elementos que a própria comunidade considera relevantes. Entre eles, por exemplo, estão espaços considerados sagrados para comunidades indígenas e regiões de rios e lagos onde as pessoas pescam.

“Em um sentido filosófico, esse tipo de cartografia transcende a simples representação do espaço geográfico, transformando-se em um método de pesquisa que mapeia processos e conexões, especialmente visando à produção da subjetividade”, comenta a geógrafa Gisele Girardi, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Leia também: Entenda as etapas de demarcação de terras indígenas

Além desses movimentos, Santos, da UFRJ, aponta avanços tecnológicos registrados a partir da década de 1980 como outros fatores que motivaram a ampliação no uso e desenvolvimento de mapas.

“O cenário se transformou ainda mais entre os anos 1990 e 2000, com a disseminação de determinadas tecnologias. Sistemas de Informação Geográfica [SIG], dispositivos de posicionamento global [GPS], softwares de sensoriamento remoto e o livre acesso a bases de dados e imagens via internet ampliaram as possibilidades de atuação das comunidades”, reforça.

Com isso, segundo ele, a cartografia, que até então era restrita a instituições estatais e militares, passou a integrar práticas locais de planejamento e reivindicação territorial.

O projeto Quebradas Maps é voltado à cartografia de regiões periféricas de São Paulo Foto: Divulgação/ Quebrada Mapas

Nesse sentido, Santos menciona o projeto Grande Carajás, lançado pelo governo federal em 1982, que previa a construção de infraestrutura para exploração mineral na floresta amazônica, do Pará ao Maranhão. O mapa estatal elaborado para colocar a iniciativa em prática ignorava a existência de populações que viviam na região, como ribeirinhos, quilombolas e indígenas. Para questionar essas ausências, o antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), criou em 2003, em parceria com outras instituições do país, o projeto Nova Cartografia Social da Amazônia.

A iniciativa, considerada pioneira no país, busca apoiar povos e comunidades tradicionais na criação de seus próprios mapas, utilizando ferramentas tecnológicas. Ao reunir registros construídos a partir da perspectiva desses grupos, o projeto pretende oferecer um retrato da ocupação territorial na região e funcionar como instrumento de fortalecimento de lutas sociais.

“Quando os povos originários e tradicionais da Amazônia foram apagados do mapa estatal no projeto Grande Carajás, eles decidiram produzir um documento alternativo como estratégia para dar visibilidade à sua existência e defender o seu território”, explica Girardi.

Inspiradas por essa experiência, outras comunidades têm criado suas próprias cartografias para contestar lacunas identificadas em mapas oficiais. O geógrafo Dorival Bonfá Neto, que hoje atua como técnico em assuntos educacionais na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), participa de algumas dessas iniciativas, acompanhando processos de autodemarcação territorial conduzidos por comunidades indígenas na região de Santarém (PA).

Um desses projetos envolveu o povo Borari, em Alter do Chão, que aguardava a demarcação de seu território pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desde 2009. Os mapas oficiais utilizados no processo não abarcavam lugares centrais à vida da comunidade, incluindo áreas consideradas sagradas e outras no rio Tapajós utilizadas para pesca.

Entre o começo de 2024 e fevereiro de 2025, os indígenas Borari decidiram elaborar uma cartografia alternativa, por meio de apoio técnico do Núcleo de Pesquisas sobre Espaço, Política e Emancipação Social (Nepes), vinculado ao curso de geografia da Ufopa, onde Neto atuava como docente naquele ano. O projeto, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), envolveu a realização de sobrevoos com drones, mapeamentos por imagem, registros de uso e ocupação do solo, além da coleta de dados geográficos orientados por memórias e narrativas de famílias locais.

A partir dessas informações, foi elaborado um novo mapa, propondo a autodemarcação da Terra Indígena Borari de Alter do Chão (ver abaixo). O documento passou a fazer parte do processo oficial de demarcação da Funai e poderá subsidiar ações jurídicas, como demandas ao Ministério Público Federal (MPF).

Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP sobre imagem de FERNANDES, R. Z. (coord.). Relatório de autodemarcação da Terra Indígena Borari de Alter do Chão. 2025

“A produção dessas cartografias dá visibilidade a territórios historicamente marginalizados e fortalece a capacidade de comunidades de reconhecer, nomear e defender seus próprios espaços”, enfatiza a arquiteta e urbanista Mariana Quezado Costa Lima, que faz doutorado na Universidade Federal do Ceará (UFC). No estudo, ela investiga de que forma comunidades urbanas de Fortaleza têm usado mapas como ferramentas para defender direitos, incluindo a negociação de planos diretores, a cobrança de infraestrutura e a resistência a remoções.

Um exemplo nesse sentido aconteceu em 2016, quando um grupo de moradores da comunidade Poço da Draga, na capital cearense, realizou um censo, incluindo variáveis como situação da moradia, escolaridade e renda da população. O resultado revelou discrepâncias com os dados oficiais. Outro exemplo citado pela pesquisadora é o uso de mapas pelo Observatório da Zeis Bom Jardim, organização de um conjunto de comunidades invisibilizadas e localizadas na periferia sudoeste de Fortaleza, para pressionar a gestão estatal a melhorar as condições de saneamento e moradia da região.

Girardi, por sua vez, comenta que o mapeamento de regiões vulneráveis se disseminou pelo país, especialmente com o uso de plataformas on-line como GoogleMaps e OpenStreetMap, sendo o Quebrada Maps uma iniciativa significativa elaborada na cidade de São Paulo desde 2015. O projeto trabalha com comunidades da periferia para criar mapas que destacam a cultura local, as histórias e os desafios enfrentados nesses espaços.

A arquiteta e urbanista Clarissa Sampaio Freitas, da UFC, explica que para realizar esse tipo de mapeamento as comunidades precisam, muitas vezes, apoiar-se em parcerias com universidades e organizações não governamentais. “Essas instituições oferecem oficinas de capacitação técnica para ensinar as pessoas a trabalhar com ferramentas para a elaboração de mapas, incluindo programas como o QGIS e o Google Earth”, comenta Freitas, ao pontuar que Fortaleza tem um dos maiores índices de assentamentos informais precários do Brasil.

Sobre iniciativas promovidas em outros países, Sperling menciona o projeto Iconoclasistas, criado em 2006 na Argentina com a proposta de articular metodologias de mapeamento colaborativo com comunidades periféricas e indígenas. Essa iniciativa oferece oficinas de formação, reúne e divulga resultados de processos de cocartografia que aliam saberes locais e acadêmicos, muitas vezes com apoio de instituições culturais e universidades públicas (ver mapas abaixo).

“No mundo, há mapeamentos feitos por skatistas que propõem repensar o direito da juventude à cidade, mapas feitos em tricô por grupos de mulheres para denunciar o descaso do poder público com inundações, plataformas com imagens on-line para combater o assédio sexual, denunciar crimes do Estado e de corporações econômicas contra populações minoritárias”, complementa Girardi.

Ela destaca que algumas dessas experiências foram compiladas no livro This is not an Atlas, publicado pelo grupo alemão Kollektiv Orangotango, em 2018.

Em relação a projetos que elaboram propostas de caráter artístico, Sperling menciona o Canal Motoboy, criado em 2006 por Antoni Abad. O artista catalão distribuiu celulares com câmeras para motoboys percorrerem espaços públicos e privados do estado de São Paulo, registrando imagens e vídeos que são publicados em um site. Ao descreverem seus registros com palavras-chave, esses profissionais colaboram para a construção de uma base de dados multimídia coletiva. “O projeto funciona como uma espécie de cartografia audiovisual da metrópole vista a partir do banco da moto, revelando percursos, ritmos e modos de vida dos motoboys”, propõe Sperling.

O pesquisador cita, ainda, o Atlas do Chão, plataforma colaborativa criada em 2020 por ele e pela arquiteta e urbanista Ana Luiza Nobre, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A ideia é mapear pontos ligados a processos de colonização, descolonização e urbanização, permitindo que os usuários possam criar conexões entre lugares e compartilhar narrativas geográficas.

Outra iniciativa são os trabalhos do artista plástico brasileiro Marcelo Moscheta, que utiliza deslocamentos e fronteiras como matéria estética. Moscheta, que atualmente faz doutorado em arte contemporânea na Universidade de Coimbra, em Portugal, percorre trajetos mapeados por GPS e realiza coleta de dados no solo e por meio de geolocalização para criar obras que discutem “a precisão da cartografia e a falibilidade da experiência sensível”.

Um dos exemplos nesse sentido é a obra Fixos e fluxos, desenvolvida após uma residência artística realizada no deserto do Atacama, no Chile, em 2013. Em entrevista por telefone, Moscheta explicou que a obra tem como referência conceitos do geógrafo Milton Santos (1925-2001), segundo os quais os pontos fixos são representados por espaços de permanência e pela estrutura dos lugares, enquanto os fluxos são os deslocamentos que atravessam esses territórios.

Partindo dessas ideias, o artista percorreu de carro trechos do deserto chileno com o GPS ligado, gravando na tela a sua rota. Depois, buscou essas coordenadas no Google Earth, realizou capturas de tela em alta resolução e imprimiu-as sobre placas de alumínio. Em cada quadrante da imagem, ele inseriu uma chapa de cobre para criar uma composição que sobrepõe a representação algorítmica do satélite com a experiência corpórea do espaço. “Cartografia não é exatidão. É sempre uma interpretação, seja do cartógrafo, seja do artista”, sugere Moscheta.

Fixos e fluxos, obra do artista visual Marcelo Moscheta desenvolvida no deserto do Atacama, no Chile, com o uso de GPS e imagens de satélite. Imagem: Marcelo Moscheta/Galeria Vermelho/Divulgação

Sperling destaca, no entanto, que se por um lado a ampliação das cartografias impulsiona processos criativos e produção de mapas comunitários, por outro, grandes empresas do mundo da tecnologia, como o Google, que assentam seus negócios em aplicativos geolocalizados, convertem os dados gerados em mercadoria. No livro recém-lançado, o pesquisador da USP investiga as implicações políticas de tecnologias contemporâneas, questionando sua suposta neutralidade. “Sensores, sistemas de georreferenciamento e bancos de dados massivos são dispositivos atravessados por relações de poder, capazes de moldar comportamentos e intensificar mecanismos de vigilância e controle com base em algoritmos”, constata.

Como exemplo dessa dinâmica, o pesquisador menciona plataformas como Airbnb, que, com o aluguel de estadias temporárias, valoriza determinados bairros. “A expansão desse tipo de locação tem intensificado processos de gentrificação, encarecendo o custo de vida e expulsando populações de áreas centrais, enquanto o turismo avança sobre espaços tradicionalmente residenciais”, comenta.

Com a proposta de elaborar um projeto cartográfico independente de tecnologias de grandes corporações, o sociólogo Sérgio Amadeu, da Universidade Federal do ABC (UFABC), desenvolveu em 2020 um mapeamento colaborativo de ações de solidariedade durante a pandemia de Covid-19. Na ocasião, ele identificou, com uma equipe de pesquisa interdisciplinar, iniciativas organizadas por associações de bairro, coletivos culturais, sindicatos e organizações não governamentais em periferias e favelas da Região Metropolitana de São Paulo. “Esses grupos buscavam suprir lacunas nas políticas públicas, oferecendo apoio material e emocional a pessoas em situação de vulnerabilidade”, comenta.

Assim, o Mapa das Práticas Colaborativas de Combate à Covid-19 foi criado em código aberto e hospedado em servidores independentes. Iniciativas como distribuição de alimentos, produção de marmitas e apoio psicológico podiam ser registradas na plataforma. “No auge da pandemia, mais de 1,8 mil iniciativas foram cadastradas no sistema”, conta o pesquisador. O projeto, no entanto, enfrentou dificuldades estruturais ao deixar de receber recursos da universidade em 2021, de forma que o mapa foi retirado do ar. “Hoje estamos tentando reconstituí-lo com a proposta de seguir difundindo ações de solidariedade. Entretanto, sem financiamento de longo prazo, iniciativas como essa não se sustentam, especialmente se pretendem funcionar sem depender de tecnologias de grandes empresas”, finaliza o sociólogo.

A reportagem acima foi publicada com o título “Cartografia ampliada” na edição impressa nº 357, de novembro de 2025.

Artigos científicos

ACSELRAD, H. e VIEGAS, R. N. Cartografía Social en Brasil y en la América Latina: Desafíos epistemológicos y metodológicos de mapeos contra-hegemónicos de los espacios y territoriosCuadernos de Geografia. v. 30. 2021.
COSTA LIMA, M. Q. e FREITAS, C. F. S. Do mapa à mobilização: Impactos da cartografia para reivindicação de direitos na periferia de Fortaleza. Anais do XXI Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Sessão Temática). Campina Grande: Realize Editora, 2025.
COSTA LIMA, M. Q. e FREITAS, C. F. S. Subvertendo Censo, museu e mapa: Narrativas insurgentes em territórios informais de Fortaleza. Anais do Quarto URBfavelas: Seminário Internacional de Urbanização de Favelas. São Paulo (SP). USP, 2024.
FROTA, N. e FREITAS, C F. S. Descolonizando o planejamento para a proteção socioambiental: uma experiência na periferia de Fortaleza, Brasil. Bitácora Urbano Territorial [S. l.], v. 34, n. 2, 2024.
GIRARDI, G. Da necessidade de retrabalhar a cartografia geográfica em novos termos. Terra Livre. [S. l.], v. 2, n. 63, 2024.
SANTOS, R. E. dos. et al. Sobre cultura e cidade: Lutas por memória e as gramáticas espaciais urbanas. Versus: Revista de Ciências Sociais Aplicadas do CCJE/UFRJ. v. 12, 2024.

Livro
SPERLING, David. Cartografias críticas: Ensaios tecnopolíticos e geopoéticos. Rio de Janeiro: Rio Books, 2025.

Relatório
FERNANDES, R. Z. (coord.). Relatório de autodemarcação da Terra Indígena Borari de Alter do Chão. Santarém, 2025.Republicar

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por