O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou a Resolução nº 30, de 29 de agosto de 2025, que aprova a nova carteira de projetos do Chamamento Público nº 1/2024, no último dia 2. Coordenada pelo Comitê Gestor do Pró-Amazônia Legal (CGPAL), a medida reúne 14 propostas apresentadas por quatro proponentes, com investimentos totais estimados em R$ 829 milhões. Desse montante, R$ 510 milhões serão aportados pelo programa, representando um reforço de R$ 138 milhões além do previsto inicialmente.
A iniciativa vai transformar a matriz energética em localidades da Amazônia Legal. Os projetos vão beneficiar diretamente 652 mil pessoas em 36 localidades, ampliando a segurança energética, a sustentabilidade e a redução estrutural dos custos de geração. A expectativa é de economia de 270 milhões de litros de diesel e redução de mais de 800 mil toneladas de CO₂ em emissões.
Entre os projetos aprovados estão soluções inovadoras, como a hibridização de usinas térmicas com energia solar fotovoltaica e sistemas de armazenamento em baterias, além da modernização da iluminação pública em municípios estratégicos. As propostas aprovadas foram apresentadas pelas Empresas Eletrobras, Aggreko, Oliveira Energia e Roraima Energia, que vão executar os empreendimentos. O desenvolvimento dos projetos será em parceria com a Eletrobras.
“Estamos dando um passo importante para diminuir a dependência do diesel e ampliar o uso de fontes limpas nas usinas em operação, ao mesmo tempo em que reduzimos a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e levamos energia mais estável e sustentável para a população amazônica”, destacou o presidente do CGPAL e secretário Nacional de Transição Energética do MME, Gustavo Cerqueira Ataide.
Sede da Roraima Energia. Foto: Reprodução/Roraima Energia
Com foco em eficiência e sustentabilidade, 90% dos recursos destinados serão aplicados em projetos para a instalação de usinas solares fotovoltaicas e sistemas de armazenamento em localidades como Tefé, Tabatinga e Benjamin Constant (AM), R$ 11,7 milhões dos recursos foram destinados para soluções específicas para comunidades de Roraima, como Santa Maria do Boiaçu e Vila Caicubi, que passarão a contar com solução estrutural de geração de energia elétrica.
Também estão previstas iniciativas de modernização da iluminação pública em Oiapoque (AP) e outros municípios, com retrofitting de lâmpadas e capacitação de técnicos locais. Essas ações não apenas reduzem custos, mas também geram benefícios sociais, estimulando desenvolvimento regional, empreendedorismo e melhoria da qualidade de vida.
A decisão de ampliar o orçamento destinado ao edital demonstra a prioridade do Governo Federal em garantir que propostas viáveis e com forte impacto econômico e ambiental sejam contempladas. Segundo a análise, os recursos da Conta de Desenvolvimento da Amazônia Legal (CDAL) serão suficientes para assegurar a execução integral dos projetos até o final de sua vigência, preservando margem positiva de recursos ao longo de todo o período. Isso garante previsibilidade, transparência e segurança na aplicação dos investimentos.
Os próximos passos incluem o acompanhamento direto do MME e da Eletrobrás junto aos agentes executores, para assegurar a rápida implementação das propostas aprovadas. Além disso, o Comitê Gestor seguirá avaliando novas soluções e mecanismos para uso dos recursos para sistemas isolados e discutindo avanços no projeto de navegabilidade do Rio Madeira e do Rio Tocantins, junto aos representantes do Ministério de Portos ampliando a integração energética e logística na região. A medida se soma a outras iniciativas do Programa Energias da Amazônia, fortalecendo o compromisso do Brasil com a transição energética justa e inclusiva.
Machos de Poecilaemula lavarrei podem ser delicados ou robustos, com garras fortes. Foto: Glauco Machado
Durante o doutorado na Universidade de São Paulo (USP), entre 2018 e 2024, a bióloga Bruna Cassettari passou boa parte do tempo no laboratório observando a cópula de casais de opiliões, aracnídeos cujo corpo tem cerca de 5 milímetros (mm) de comprimento, sem contar as longas pernas – com elas, o conjunto chega a 5 centímetros (cm).
Assim como muitas desse grupo, a espécie estudada (Poecilaemula lavarrei), que vive na Amazônia, tem dois tipos de macho: um territorialista com garras fortes e um invasor sorrateiro com garras pequenas.
Sob uma tênue luz vermelha, que permitia filmar sem afugentar os animais, que são noturnos, a bióloga colocava um macho territorialista e uma fêmea sobre um pedaço de tronco, imitando seu ambiente natural. Eles logo se atracavam, e o cortejo e a cópula duravam cerca de 10 minutos. Alternativamente, Cassettari introduzia um macho furtivo que, se cativasse a parceira, copulava.
“Na cópula, o ritual dos dois tipos de macho é semelhante”, conta Cassettari. “Eles mordiscam a fêmea em várias partes do corpo com seu par de garras, chamadas quelíceras, que ficam ao lado da boca e servem para caçar, e roçam intensamente suas pernas nas delas”.
Segundo a bióloga, se não estiver satisfeita com o pretendente, a fêmea abaixa a parte da frente do corpo, impedindo o acesso aos órgãos genitais. O macho pode insistir com toques mais intensos e, apenas se convencê-la de seus encantos, ela levanta o corpo e o macho consegue penetrá-la. Depois de 90 experimentos de formação de casais, os dois tipos de macho tiveram êxito semelhante. As fêmeas cruzaram com 87% dos machos fortes e 89% dos fracos, segundo artigo publicado em julho na revista científica Evolution.
“Os opiliões vivem em um universo sensorial completamente diferente do nosso”, observa o biólogo Glauco Machado, da USP, orientador do trabalho. Eles são praticamente cegos e usam o sentido do olfato para detectar outros animais. “Mas eles não têm narinas e seus órgãos olfativos ficam distribuídos na superfície do corpo”, descreve. “O olfato só funciona pelo toque ou a pequenas distâncias”.
Macho forte de Serracutisoma proximum protege a fêmea depois da cópula. Foto: Paulo Mascaretti
O grande diferencial dos machos dominantes em relação aos sorrateiros é o tamanho de suas quelíceras, com 4 mm de comprimento, que usam para caçar e atacar outros machos. Quando dois machos dominantes disputam o território, a briga é violenta: um deles foge sob a ameaça de perder uma perna, que o perseguidor pode arrancar com suas garras. Os machos sorrateiros, por terem quelíceras mais leves, de cerca de 1,5 mm de comprimento, conseguem fugir com mais rapidez.
“Como os machos menores têm desvantagem em relação ao território e às brigas, desconfiamos que adotariam alguma estratégia para compensar”, relata Cassettari, primeira autora do trabalho que contou com apoio da FAPESP, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Fundo de Pesquisa da Sociedade Aracnológica Americana. Uma análise ao microscópio revelou proporções diferentes entre as partes do pênis na comparação entre os dois tipos de macho.
A fêmea tem papel mais ativo do que o normal na reprodução. Como o espermatozoide dos opiliões não é móvel, ao contrário da maioria dos animais, elas contraem a musculatura da vagina empurrando os gametas masculinos em direção ao órgão de armazenamento espermático. Segundo Machado, é possível que a fêmea use essa habilidade para selecionar o esperma do macho de sua preferência, como acontece com alguns outros animais. “Se a contração ocorrer nos dois sentidos, a fêmea talvez possa eliminar o esperma do macho indesejado e sorver o do seu preferido”, propõe.
“Até onde eu saiba, essa é a primeira descrição de uma diferença, ainda que sutil, entre os órgãos genitais masculinos de uma espécie com duas formas de macho”, reconhece a bióloga argentina Mariela Oviedo-Diego, do Museu Nacional de História Natural Smithsonian, em Washington, Estados Unidos, em entrevista por chamada de vídeo a Pesquisa FAPESP. Segundo ela, é um dos trabalhos mais minuciosos sobre as diferenças apontadas no estudo. “A pesquisa relaciona de forma detalhada o comportamento e a morfologia”.
A estratégia dos opiliões sorrateiros pode variar. Em uma espécie da Mata Atlântica (Serracutisoma proximum), o macho forte acompanha a fêmea depois da cópula, protegendo-a de outros machos. O macho fraco se aproxima sorrateiramente, sem ser notado, e copula enquanto ela põe os ovos fecundados pelo macho forte.
Segundo Machado, o mais antigo pênis de opilião ficou registrado em um fóssil de cerca de 430 milhões de anos, mas não se sabe quando surgiram formas distintas dentro da mesma espécie. Embora rara, a existência de diferenças no mesmo sexo reapareceu, de forma independente, em algumas espécies de insetos, aranhas, peixes e lagartos.
“Machos dominantes e sorrateiros são geneticamente idênticos”, observa Machado. Segundo o biólogo, uma interação entre genética e ambiente determina o tipo de macho. Quando o macho come muito, um conjunto de genes é ativado, fazendo com que suas quelíceras fiquem mais robustas. Nos que se alimentam menos, outro conjunto de genes é ativado, que inibem o desenvolvimento dessas estruturas. Ser um macho musculoso não significa que seus filhotes serão a cara do pai. Se no ano seguinte o clima fica mais seco e os rebentos têm pouca comida, a tendência é que grande parte se torne sorrateira.
O comportamento pode variar conforme as circunstâncias. Segundo Machado, quando o macho dominante não tem território, ele pode se comportar como sorrateiro. “Já o macho sorrateiro, que tem quelíceras pequenas, não pode mudar a estratégia, pois seria incapaz de defender o território”, ressalta o biólogo.
A reportagem acima foi publicada com o título “Um aracnídeo com duas formas de macho” na edição impressa nº 355 de setembro de 2025 da Revista Pesquisa Fapesp.
Projetos 1. Dimorfismo intrassexual masculino e táticas alternativas de reprodução: Uma abordagem multidisciplinar (nº 21/00915-5); Modalidade Auxílio à pesquisa – Regular; Programa Biota; Pesquisador responsável Glauco Machado (USP); Investimento R$ 268.971,01. 2. Evolução da complexidade genital: Uma abordagem evo-devo utilizando pentatomídeos como modelos (nº 18/18184-4); Modalidade Bolsa de Pós-doutorado; Pesquisadora responsável Tatiana Teixeira Torres (USP); Bolsista Bruno Celso Feltrin Genevcius; Investimento R$ 313.641,63.
Especialistas destacam a importância de se proteger as árvores gigantes. Foto: Rafael Aleixo/GEA
Uma enorme capacidade de capturar gás carbônico (CO₂), um importante papel na distribuição das chuvas no país e o atributo de guardar a história e os ciclos da Amazônia. Esses são alguns dos serviços prestados por árvores gigantes presentes no Norte do Brasil, especialmente o angelim-vermelho (Dinizia excelsa). No Dia da Amazônia, em 5 de setembro, especialistas ouvidos pela Agência Brasil destacam a importância de se proteger essas espécies, que podem ultrapassar 80 metros de altura.
A presença dessas árvores gigantes na Floresta Amazônica foi evidenciada pela ciência recentemente. Em 2019, foram encontrados os primeiros exemplares e, em 2022, a localização de um angelim-vermelho de 88,5 m de altura, equivalente a um prédio de 30 andares, revelou a maior árvore do Brasil, no município de Almeirim (PA).
Ao todo, foram localizados 20 exemplares com mais de 70 m em uma área que se estende pelas proximidades do Rio Jari, na divisa dos estados do Pará e Amapá. Os pesquisadores que participaram da descoberta iniciaram imediatamente estudos para entender melhor as condições que levaram ao crescimento e todo o potencial desses angelins-vermelhos.
“Essas árvores apresentam praticamente o dobro de tamanho das alturas médias das espécies amazônicas, que ficam em torno de 40 a 50 metros. Então, a gente está falando de árvores que absorvem o dobro de carbono e, portanto, podem contribuir o dobro para a regulação de clima”, explica o pesquisador do Instituto Federal do Amapá (IFAP) Diego Armando Silva.
Embora os estudos ainda estejam em andamento, o pesquisador diz que algumas teses já apontam os caminhos a serem investigados. “Uma estimativa que a gente tem aqui é que uma única árvore dessa representa em torno de 80% da biomassa da parcela [área aproximada de 1 hectare] em que essa árvore está inserida.”
Essa estimativa leva diretamente a uma relação de que um único indivíduo com essas características pode ser capaz de absorver 80% do CO₂ em toda essa área estudada. Mas, segundo Silva, ainda são necessários muitos estudos para a compreender melhor se essas árvores também emitem grandes volumes de gás carbônico, o quanto elas contribuem para captura e lançamento de água na atmosfera e até para confirmar a idade de cada uma.
“A gente recebeu o interesse de um grupo de pesquisadores para fazer o estudo de datação de idade de cedros, espécie que consegue demarcar muito claramente os anéis de crescimento, em torno dos angelins. Eles chegaram à idade aproximada de 260 anos. A partir dai traçamos uma estimativa de que esses angelins-vermelhos têm em torno de 400 a 500 anos”, diz o pesquisador.
Angelim-vermelho na Floresta Estadual do Paru, no Pará .Foto: Divulgação/Fundação Amazônia Sustentável
Ameaça
Apesar de essas gigantes guardarem respostas para muitas das dúvidas sobre o bioma, a mitigação das mudanças climáticas e seus impactos no planeta, as árvores centenárias podem estar ameaçadas. Por estarem localizadas em uma faixa extensa, cada uma ocupa um território com diferente grau de proteção.
Enquanto a maior árvore do Brasil está no Pará, a segunda, com 85,4 m de altura, fica em Laranjal do Jari (AP).
“Embora o Amapá seja um estado notoriamente coberto por áreas protegidas, a gente tem duas circunstâncias que chamam a atenção. A primeira delas é que muitas árvores gigantes estão fora de unidades de conservação, e a segunda é que é permitida a exploração comercial do angelim-vermelho”, alerta a diretora executiva da organização não governamental Rede Pró-Unidades de Conservação Ângela Kuczach.
Proteção
A instituição integra a campanha Proteja as Árvores Gigantes, liderada pelo instituto O Mundo Que Queremos, em parceria com organizações ambientais e pesquisadores. De acordo com Ângela Kuczach, o movimento atua na mobilização da sociedade civil e tem pressionado o poder público por mais proteção e para que as futuras gerações possam conhecer esses exemplares.
“O maior angelim-vermelho que existe hoje no Brasil é a terceira maior árvore do mundo. Na época que foi descoberta, ela estava dentro de uma floresta estadual, a Flota do Paru, que é uma unidade de conservação que permite exatamente a extração de madeireira. A categoria existe para isso, para manejo florestal”, lembra Ângela.
A mobilização resultou na criação, em setembro de 2024, do Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia (Pagam), uma unidade de conservação de proteção integral com 560 hectares. Segundo Ângela, a nova categorização do território é um avanço importante, mas sozinha não deixa as árvores gigantes fora de risco.
“A gente está falando de uma área que tem muito garimpo em volta, muito ameaçada pelo desmatamento, pela grilagem. A própria presença de CARs [Cadastro Ambiental Rural] sobrepostos, que a gente identificou lá em 2022”, destaca.
A declaração voluntária de CAR é um instrumento para propriedades privadas, que não pode ser aplicado às áreas públicas, como unidades de conservação. No ano em que foram identificadas as declarações fraudulentas, também foi registrado um crescimento de 23% no desmatamento na Amazônia, e a Floresta Estadual do Paru foi a terceira mais atingida da categoria, segundo o dados do Sistema de Alerta de Desmatamento analisados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Processo
Segundo o presidente do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor), Nilson Pinto, as ações para implementação do Pagam já estão em andamento. “Fizemos um edital, o chamamento público, para que as pessoas se habilitassem, entidades, autoridades e moradores, para comporem o Conselho Gestor. Estamos nesse processo agora. Isso é fundamental, porque é o conselho que vai aprovar o plano de manejo, elaborado pela equipe do nosso instituto, com o apoio da Fundação Amazônia Sustentável”, diz.
O órgão estadual é responsável pela gestão das unidades de conservação do Pará. De acordo com Nilson Pinto, a fiscalização na Floresta do Paru e região já cumpre um papel forte de proteção.
“A Floresta Estadual do Paru é muito bem preservada. O que nós temos lá, normal em uma floresta estadual, que é destinada basicamente para manejo florestal, temos várias empresas fazendo manejo florestal sob supervisão do Ideflor e muito pouco de desmatamento, muito pouco mesmo”, afirma.
Para o gestor, o difícil acesso ao local das árvores gigantes acrescenta uma proteção extra aos exemplares. “Tem algumas ocorrências que nós combatemos permanentemente de garimpo. Na Flota Paru, não no parque estadual. Não chegam nem perto do parque das árvores gigantes, onde não há desmatamento”, reforça Nilson Pinto.
Soluções
Para Ângela Kuczach, é preciso avançar nas próximas etapas de proteção e buscar a ciência como aliada para novas descobertas que permitam minimamente o tombamento de árvores gigantes fora do território identificado. “A gente pode ter a maior árvore gigante ainda não descoberta, e ela já pode estar ameaçada, porque ela pode estar fora de uma área de proteção, de uma unidade de conservação”, diz.
O pesquisador Diego Armando Silva reforça que, além das novas descobertas é preciso avançar nas pesquisas e monitoramento das árvores gigantes que a ciência já conhece.
“Os primeiros passos são a criação do comitê gestor e do plano de manejo, onde estarão, possivelmente, o plano de visitação das árvores, de educação ambiental, de pesquisa e gestão da informação, que contribui significativamente em uma estrutura mínima para que a gente possa fazer as pesquisas efetivas e ter a capacidade de receber pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e do mundo”, defende Silva.
A Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amapá foi procurada pela reportagem da Agência Brasil, mas até a publicação da matéria não houve resposta. O espaço segue aberto.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Fabíola Sinimbú
Museu Goeldi prepara muros do Parque Zoobotânico para receber arte. Foto: Erika Morhy/MPEG
As fachadas do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) serão tomadas por intervenções artísticas vibrantes e de grandes proporções neste mês de setembro. A aliança entre expressões contemporâneas trazidas pelo Museu de Arte Urbana de Belém (Maub) e as riquezas científicas e patrimoniais do Museu Goeldi vai proporcionar às ruas de Belém mais cor e criatividade.
Às vésperas de completar 160 anos de fundação, o mais antigo centro de pesquisa da Amazônia transforma seus muros em canais de comunicação com a cidade.
A seleção dos artistas será feita por edital do Maub (inscrições foram até 6 de setembro). No dia 28 as intervenções externas no Parque Zoobotânico (São Brás) e no Campus de Pesquisa (Terra Firme) serão apresentadas em meio a um festival gratuito de música e lazer.
Intervenção artística parte do projeto realizado pelo Maub no Ver-o-Rio. Foto: Bruno Carachesti/Maub
Arte cooperativa
Diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior explica que os primeiros passos para a aliança entre os dois museus foram dados há dois anos, quando o Maub promoveu a primeira edição do projeto no Ver-o-Rio, complexo de lazer da capital do Pará e que voltou a receber as manifestações artísticas em 2024.
“É uma intervenção muito bonita, de alto valor artístico, e estamos conseguindo realizar este sonho através de uma parceria formal. Assinamos Acordo de Cooperação Técnica com o Maub, possibilitando a captação de recursos”, acrescenta Gabas Júnior.
Além da parceria entre os dois museus, foi preciso um pouco mais para o pacto de intervenção artística ser selado, conta o diretor. O conjunto arquitetônico e paisagístico, acervo e coleções do Parque Zoobotânico da instituição é tombado como patrimônio tanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) quanto pelo Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Dphac/Secult) e, por isso, a instituição então fez consulta prévia da proposta inicial do projeto de arte nos muros do Zoobotânico junto aos órgãos federal e estadual, obtendo indicação favorável.
Dentre as condições para a pintura dos murais estão o uso de materiais compatíveis com os revestimentos do muro, que incluem material metálico, madeira, alvenaria com argamassa de cimento e barro. As intervenções artísticas deverão ainda ser concebidas de forma reversíveis, permitindo que possam ser removidas sem danos significativos à superfície original.
Com o aval dos órgãos que monitoram o patrimônio, o Museu Goeldi encaminhou ao Maub um conjunto de 19 temas alinhados às temáticas da sociobiodiversidade amazônica, no intuito de inspirar os selecionados de acordo com as coleções e pesquisas da instituição. Após o resultado final do edital do Maub e o anúncio dos classificados, os croquis produzidos pelos artistas selecionados serão avaliados por uma equipe de curadores, incluindo representantes do Iphan, do Museu Goeldi e do Maub.
Entre as sugestões de arte estão espécies da fauna e flora amazônicas; o patrimônio arqueológico de Monte Alegre, Marajó, Tapajós, Konduri, Koriabo e Maracá; as heranças afro-amazônicas; a diversidade linguística amazônica; a ciência e tecnologia indígenas; a importância dos manguezais e a migração de peixes amazônicos; os instrumentos de pesquisa científica; e o barco Ferreira Penna, condutor das equipes de pesquisa e educação científica na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Marajó (PA).
A realização de arte nos muros do Museu Goeldi é da Sonique Produções e da Oito Quatro Produções, com aprovação na Lei Federal de Incentivo à Cultura e patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet, sob a chancela do Governo Federal e do Ministério da Cultura.
O Banco Mundial aprovou um projeto para proteger florestas no estado do Pará e incentivar o desenvolvimento sustentável na região do Baixo Xingu. O Baixo Xingu, onde fica a cidade de Altamira, por exemplo, abriga também terras indígenas, áreas protegidas e comunidades quilombolas.
Segundo as Nações Unidas, a grande biodiversidade dessas áreas ajuda a regular o clima e serve para a subsistência.
O projeto aprovado pelo Banco Mundial deve ajudar a aprimorar o uso da terra em mais de 11 milhões de hectares, beneficiar mais de 6 mil pessoas, além de diminuir a emissão de 2,4 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
Floresta amazônica na região sudoeste paraense. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
Projeto do Banco Mundial conta com 5 frentes de atuação
A ação aprovada terá financiamento de cerca de US$ 8,5 milhões, cerca de R$ 46 milhões, e envolve o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o governo do Pará.
Serão cinco frentes de atuação:
gestão e conservação;
sociobioeconomia;
território e políticas públicas;
educação e comunicação; e
gestão e monitoramento.
Para tudo isso, a parceria com o Banco Mundial inclui o Serviço Florestal Brasileiro (ICMBio) e a Fundação Getúlio Vargas.
O Governo do Amapá apresentou as oito candidatas ao título de Rainha da 54ª Expofeira do Amapá no dia 26 de agosto. O concurso escolhe a representante oficial da maior feira de negócios da Amazônia e, durante a campanha, as candidatas tem ensaios oficiais até o concurso.
“A escolha da Rainha da Expofeira é um momento tradicional que valoriza a beleza, o talento e a cultura do povo amapaense, agregando ainda mais brilho a este evento que movimenta a nossa economia e atrai milhares de visitantes”, afirmou o vice-governador, Teles Júnior.
As candidatas se apresentaram em traje country estilizado e foram avaliadas nos quesitos beleza, simpatia, desenvoltura, fantasia e temática. Veja a vencedora:
Expofeira na Rede
A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.
Com menos de 5% da área continental do planeta, a Bacia Amazônica responde por 18% da água doce que chega aos oceanos e distribui umidade para outras regiões da América do Sul por meio dos chamados “rios voadores”, que são grandes volumes de vapor d’água liberados pelas árvores e transportados por circulações atmosféricas, que ajudam a formar chuvas em áreas distantes.
Cerca de um terço da Amazônia é formada por áreas úmidas, incluindo as várzeas e os igapós, compondo paisagens que se estendem por centenas de milhares de quilômetros quadrados.
Os dados resultam de projetos coordenados com participação do Grupo de Pesquisa em Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (GP-MAUA), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em parceria com instituições nacionais e internacionais.
Entre eles está o Projeto Ecológico de Longa Duração (Peld-Maua), que investiga os impactos de distúrbios naturais, como cheias e secas extremas, e de ações humanas, como queimadas e hidrelétricas, sobre áreas úmidas de igapós de água-clara e campinaranas.
Pesquisador do Inpa, Jochen Schöngart. Foto: Igor Souza/Inpa
Esses estudos têm revelado que a Amazônia abriga uma imensa diversidade de paisagens úmidas que ainda necessitam de aprofundamento científico, incluindo os igapós de rios de água-clara — menos conhecidos que os igapós de águas escuras —, os buritizais e as campinaranas. Somadas, essas áreas representam entre 15% e 20% de todas as áreas úmidas do planeta, reforçando a dimensão global desse patrimônio natural.
O coordenador do Peld-Maua, o pesquisador Jochen Schöngart, chama atenção para a importância das áreas úmidas não apenas como ecossistemas de riqueza natural, cultural e econômica para toda a região, mas também por outros benefícios que prestam à sociedade.
“Paisagens úmidas fornecem serviços ecossistêmicos vitais para a sociedade e diversos setores públicos e privados, como armazenar e purificar a água, tamponar a descarga dos rios mitigando cheias e secas severas, recarregar as águas subterrâneas, além de reter sedimentos e manter os ciclos biogeoquímicos”, explicou.
Riqueza natural e social da Amazônia
De acordo com a análise do pesquisador, além de serem complexos paisagísticos que funcionam como refúgios de biodiversidade e de uma série de espécies endêmicas, as áreas úmidas são ecossistemas profundamente ligados à história humana na Amazônia.
“A maioria dos sítios arqueológicos deixados pelas populações indígenas encontra-se nas regiões de transição entre áreas alagáveis e a terra firme adjacente ou dentro das paisagens úmidas. Manejos tradicionais das populações ribeirinhas, como pesca, agricultura, pecuária extensiva e extração de madeira e produtos florestais não madeireiros, foram adaptados à subida e descida regular previsível dos rios, contribuindo para a subsistência e economia dessas populações e agregando valor econômico aos recursos manejados localmente”, detalhou Schöngart.
Amazônia e áreas úmidas: lições para o clima na COP 30
Com a proximidade da COP 30, que acontece no mês de novembro em Belém (PA), o mundo volta sua atenção para a Amazônia. Mais do que palco do encontro, a região será apresentada como peça-chave para o equilíbrio climático global, reforçando a urgência em proteger as áreas úmidas da Amazônia, cujo impacto afeta diretamente o cotidiano de milhões de pessoas, dentro e fora do Brasil.
“Precisamos ter uma visão holística que engloba aspectos paisagísticos, ecológicos, econômicos, sociais, culturais e políticos para desenvolver estratégias de conservação e proteção. A ciência ainda necessita de informações sobre como as paisagens úmidas amazônicas respondem e se adaptam à intensificação do ciclo hidrológico”, pontuou.
Foto: Kelvin Uchoa/PeldMaua Inpa
“Para isso, a ciência precisa avançar na compreensão da vulnerabilidade e resiliência das diversas paisagens úmidas nas regiões que são sujeitas às tendências de aumento das secas extremas, como na região sul, e às cheias severas, como na região norte, e nos dois extremos da porção central da bacia”, completou o pesquisador do MAUA.
Isso são desafios para o recém-criado Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Rede de Paisagens Úmidas Brasileiras (INCT WETSCAPE), que vai obter e integrar os diversos conhecimentos das paisagens úmidas amazônicas do Interflúvio Negro-Branco na região norte (dominada por igapó de água-preta, buritizais e campinaranas), da Amazônia Central (caracterizada por várzea) e do Araguaia no sudeste da bacia na região de transição com o Cerrado (composta por igapós de água-clara, campos de murunduns, ipucas e outras tipologias de áreas úmidas).
O pesquisador do Inpa defende que as estratégias de conservação devem levar em conta a variedade de espécies de fauna e flora, suas interações biológicas e funções nos ecossistemas, os serviços que esses ambientes oferecem e também os aspectos sociais, econômicos e ambientais.
Na perspectiva do cientista, a abordagem multi- e interdisciplinar é fundamental para garantir o uso sustentável desses ambientes críticos, que representam grandes desafios para a ciência, para os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais (PIQCTs), além da formulação de políticas públicas em diferentes níveis.
“Somente assim seria possível orientar ações nacionais e internacionais voltadas ao uso racional das paisagens úmidas e à adaptação desses ecossistemas à mudança do clima em curso”, salienta.
A sala é equipada com telas que geram mapas em tempo real. Foto: Rosa Rodrigues – Ascom/Ufopa
A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) inaugurou a Sala de Situação Meteorológica. A sala, equipada com telas que geram mapas, apresenta informações de modelos meteorológicos para a previsão do tempo e monitoramento da atmosfera, ainda congrega várias fontes de dados.
Professor Alex Santos na Sala de Situação Meteorológica. Foto: Rosa Rodrigues – Ascom/Ufopa
Haverá dados gerados na própria Universidade medindo gases estufas, variáveis meteorológicas e variáveis ambientais de qualidade do ar, e também dados de satélite em parceria com outras agências como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Nasa, instituições que estão ligadas ao Observatório Atmosférico da Amazônia, instalado na Fazenda Experimental da Ufopa.
A partir das informações apuradas na Sala de Situação Meteorológica, será possível ter previsões de tempo mais precisas com a geração de boletins agroclimatológicos que serão fornecidos a pequenos agricultores da região como suporte para as ações do setor agrícola.
“Esses boletins favorecem as tomadas de decisões no campo e aí eles ficam menos vulneráveis aos extremos meteorológicos como secas prolongadas e enchentes, que podem fazer com que eles percam suas lavouras”, explicou o professor Gabriel Costa, coordenador do Lambda.
inaugurada no dia 3 de setembro, a sala de Situação Meteorológica que faz parte do Lambda. Foto: Rosa Rodrigues – Ascom/Ufopa
No âmbito do projeto, de acordo com o professor, serão divulgados boletins semanais, além de visitas às comunidades levando as informações, a partir de dinâmicas estratégicas de divulgação científica do projeto junto aos agricultores da região.
O curso de Ciências Atmosféricas da Ufopa também participa do projeto, tanto com a presença dos professores-pesquisadores nas estratégias, quanto com a participação dos estudantes que terão nesse espaço oportunidades de formação conhecendo como funciona uma sala de situação para as previsões meteorológicas.
Professor Alex Santos, doutor em meteorologia e docente do curso de Ciências Atmosféricas, faz parte do projeto. Ele esteve em Belém, junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), fazendo treinamento para viabilizar o monitoramento que será desenvolvido na Sala se Situação Meteorológica. Segundo ele, o curso de Ciências Atmosféricas participa de forma colaborativa no projeto e será responsável pelas análises técnicas dos mapas meteorológicos.
A sala, equipada com telas que geram mapas, apresenta informações da atmosfera e ainda congrega várias fontes de dados. Foto: Rosa Rodrigues – Ascom/Ufopa
“Meteorologistas e alunos em fase de conclusão do curso terão condições de interpretar as possíveis condições da circulação geral da atmosfera e dar pareceres com antecedência ou mesmo momentâneos em situações de eventos extremos”, disse o professor. Os alunos, de acordo com Alex Santos, terão condições de vivenciar como os profissionais da área atuam na parte operacional.
A reitora da Ufopa, professora Aldenize Xavier, enfatizou que o projeto dialoga com demandas da sociedade porque “esse espaço vem nessa parceria com a prefeitura, a defesa civil, tendo dados da região com previsibilidade sobre as mudanças climáticas mais realistas, possibilitando que os órgãos públicos possam tomar decisões mais eficazes”. Segundo ela, também será importante para consolidar a graduação em Ciências Atmosférica, assim como para o planejamento de cursos de pós-graduação em geociências.
Sala de Situação
inaugurada no dia 3 de setembro, a sala de Situação Meteorológica faz parte do Laboratório de Agrometeorologia com Modelagem da Bioeconomia e Diagnóstico Ambiental (Lambda), ligado ao curso de Agronomia. A Sala fica no Núcleo Tecnológico de Laboratório (NTL), situado à rua Raimundo Fona, em frente ao Restaurante Universitário na Unidade Tapajós-Campus Santarém.
*Com informações da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)
Áreas de uso privado concentraram 55% do desmatamento na Amazônia ente 2023 e 2024, revelando uma mudança de tendência, já que, nos dois anos anteriores (2021 e 2022), 54% da derrubada se deu em terras públicas.Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) em nota técnica.
O Greenpeace Brasil realizou sobrevoo no sul do Amazonas e no norte de Rondônia para monitorar o desmatamento e queimadas em julho de 2024. Foto: Marizilda Cruppe
Tais áreas de uso privado englobam imóveis rurais e assentamentos, responsáveis por 34% e 21% do desmatamento, respectivamente. Já as terras de uso público correspondem a áreas que pertencem à União, estados ou municípios, como florestas públicas não destinadas, unidades de conservação e terras indígenas, cuja gestão cabe ao poder público nas diferentes esferas.
Pesquisadoras avaliam que a migração da supressão vegetal é consequência da redução de 59% do desmate em áreas públicas em 2024, em comparação com 2022. A redução do desmatamento iniciou em 2023, mas foi mais expressiva em 2024.
“A redução do desmatamento em terras públicas está provavelmente ligada a reestruturação do comando e controle a partir de 2023. De 2022 para cá foram reestabelecidos vários processos relacionados a governança dessas áreas, operações de fiscalização aumentaram, assim como número de embargos e multas, isso tudo acabou gerando resultado. Reduzir a supressão de vegetação em terras privadas é mais complexo, além da fiscalização para prevenir o desmatamento ilegal é preciso estabelecer incentivos para reduzir a retirada legal da vegetação”, comenta Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM.
Ilustração/IPAM
As FPND (Florestas Públicas Não Destinadas) tiveram uma queda de desmatamento de 60% (2,4 mil km²) em 2024, em comparação a 2022, foi a maior redução de área absoluta desmatada entre as categorias fundiárias.
Mesmo concentrando o desmate no período analisado, assentamentos também registraram queda de 50%, ou 1,3 mil km²) e imóveis rurais de 36%, ou 1,2 mil km² no mesmo período.
Já as maiores quedas percentuais do desmate ocorreram em unidades de conservação e Áreas de Proteção Ambiental, respectivamente 72% e 73%. Terras indígenas tiveram queda de 26%.
Em 2024, 80% do desmatamento em terras públicas ocorreu em áreas administradas pelo governo federal e 20% em áreas estaduais. Mesmo nas FPNDs, cuja extensão sob domínio estadual é 63% maior que a das federais, a devastação foi mais intensa em áreas federais, que concentraram 69% da supressão de vegetação das FPNDS no período. Contudo, a redução do desmatamento em FPNDs federais foi de 68%, enquanto nas estaduais a redução foi de apenas 2%.
Ilustração: IPAM
Em 2024, desmatamento bruto no bioma alcançou o menor valor em nove anos, a segunda menor área desmatada desde 2015, quando o bioma teve 5,9 mil km² desmatados. Os 6 mil km² desmatados em 2024 representam uma queda de 51% contraposto a 2022.
“Houve um aumento da fiscalização pelos órgãos de controle e essas ações foram direcionadas para os locais com maior aumento de desmatamento nos anos anteriores, deixando a fiscalização mais eficiente. Esse aumento da fiscalização, com certeza, impacta na redução da grilagem em terras públicas”, explica Rafaella Silvestrini.
Como a pesquisa foi feita
A análise determinou o desmatamento por categoria fundiária e por Estado a partir dos dados do PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), que reúne informações consolidadas de desmatamento até julho de 2024.
As informações geográficas utilizadas correspondem apenas ao bioma amazônico, desconsiderando as porções de Cerrado e Pantanal presentes em Estados da Amazônia Legal. O método do IPAM considera a área bruta desmatada anualmente pelo PRODES entre agosto do ano anterior e julho do ano subsequente, e não a taxa anual de desmatamento, diferenciando os números de desmatamento da Nota Técnica em relação aos dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
*Com informações Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
A 54ª Expofeira do Amapá, realizada pelo Governo do Estado, oferece múltiplos espaços e atrações culturais, incluindo um palco dedicado ao segmento da literatura, o Miniteatro Caboco. De acordo com a organização, mais de 100 escritores, poetas e contadores de histórias terão visibilidade neste sábado (6).
Até domingo (7), o Parque de Exposições da Fazendinha recebe diversas atrações artísticas, com foco em atrações do Amapá, proporcionando momentos de arte, entretenimento e poesia.
A secretária Estadual de Cultura, Clícia Vieira Di Micelli, reconhece a importância dos fazedores de cultura como agentes ativos de mudança social e como um elo entre as políticas culturais e as comunidades.
“É uma grande felicidade darmos visibilidade à literatura, poesia e aos livros e proporcionar que a comunidade tenha a oportunidade de conhecer nossos escritores e contadores de histórias. Queremos estimular que as crianças, estudantes e a juventude tenham acesso à cultura e a transformação de realidades por meio da arte”, pontua a secretária.
O projeto que destaca os segmentos, livro, literatura e biblioteca tem a proposta de popularizar a leitura, aproximar o público dos nomes por trás das obras e desenvolver o prazer pela literatura.
A poeta e conselheira Estadual de Cultura do Amapá, Patrícia Andrade, que também é uma das idealizadoras do ‘Varal da Pré-Folia Literária Internacional’, que conta com a participação de 84 escritores, celebra esse movimento em que se evidencia as diversas formas de expressão do segmento literário.
“Ver a literatura valorizada como linguagem artística, num palco lindo como o Miniteatro Caboco, representa a parte mais bonita do meu trabalho, que é ver materializada o uso das palavras para criar arte. Dá muito orgulho de todos os artistas”, destacou a conselheira.
Expofeira na Rede
A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.