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Negócios comunitários reduzem desmatamento em 28% na Amazônia com apoio da tecnologia

Painéis de energia solar que abastecem as pousadas e as casas na comunidade Santa Helena dos Ingleses, no Amazonas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Nos últimos cinco anos, o desmatamento em áreas de conservação da Amazônia caiu 28%, segundo dados da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). O resultado é reflexo, também, de iniciativas que unem .

Em comunidades ribeirinhas, negócios como pousadas e comércios locais estão apostando em alternativas como a energia solar para gerar renda e, ao mesmo tempo, reduzir os impactos ambientais.

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Na comunidade Santa Helena dos Ingleses, localizada às margens do Rio Negro, no Amazonas, os painéis de energia solar que abastecem as pousadas e as casas são um exemplo disso. Na pousada da empreendedora Adriana Siqueira, a energia utilizada é renovável. Ela usa placas solares que abastecem não só o negócio dela, mas também outras 29 famílias da comunidade.

“Depois que teve a instalação da energia solar, vieram muitas oportunidades, porque caía muito a energia e a gente ficava no prejuízo, tanto no turismo quanto nos comércios. Tá dando super certo. É uma energia limpa, uma energia renovável, não tem gás carbônico nem nada, é direto da natureza”, contou.

A tecnologia também faz diferença no dia a dia dos moradores, inclusive na conservação dos alimentos. Antes, a falta constante de energia comprometia o armazenamento, o que gerava desperdício e prejuízo para as famílias.

“Não tem como estragar, até porque, como eu estou falando, eu controlo. É uma de dia e outra de noite, nenhuma das duas fica sem gelo, nunca”, afirmou o empresário Francisco Marçal, que trabalha com comércio local.

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A instalação dos sistemas de energia solar faz parte de uma iniciativa da FAS, que atua em 16 Unidades de Conservação da região, incentivando alternativas de sustento que respeitam o meio ambiente.

Entre 2003 e 2007, foram desmatados 12.174 quilômetros quadrados nas Unidades de Conservação atendidas pela FAS. Já entre 2019 e 2023, o número caiu para 8.766 quilômetros, de acordo com dados da própria fundação.

Para o gerente de Empreendedorismo da FAS, Wildeny Mourão, as comunidades passaram a enxergar o verdadeiro valor da floresta.

“Se a gente olhar pra outrora, a gente vai perceber que as comunidades antes viam a floresta não com o valor devido. Na verdade, elas mais que precificavam a floresta. E hoje, a gente vê o inverso disso. A prosperidade, o desenvolvimento sustentável, ele parte do valor que a floresta tem e da relação das pessoas para com a natureza”, afirmou.

Essa consciência também fortalece quem colocar em prática uma ideia inovadora. “Elas [pessoas] conseguem trabalhar com a extração e o recurso da floresta de uma maneira mais sustentável, fazendo o manejo da forma correta. E ao mesmo tempo se tornam guardiãs da floresta, porque sabem que é de lá que elas tiram a sua subsistência”, explicou a educadora Izolena Garrido.

Para Adriana, que vive do turismo e da natureza, essa relação de respeito é essencial. “Aqui a gente depende da água, depende da natureza, a gente depende dos animais. Então o foco é isso: é a sustentabilidade, a proteção do meio ambiente”, conclui.

*Por Karla Mendes, da Rede Amazônica AM

Em 2023, 130 mil hectares de florestas foram incendiados em fase que mais absorvem carbono, diz estudo

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Dos 150 mil hectares de florestas queimados, 88% foram queimados nos primeiros 20 anos de regeneração. Foto: divulgação

150 mil hectares de florestas em recuperação na Amazônia foram queimados em 2023, sendo que 130 mil (88%) foram queimados nos primeiros 20 anos de regeneração, momento em que mais retiram carbono da atmosfera. Os dados fazem parte de estudo publicado na revista científica Environmetal Research Letters com participação do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

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A pesquisa destaca que 55% (82 mil hectares) das florestas queimadas estavam em seus primeiros anos de recuperação, entre 1 a 6 anos.

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florestas foram incendiados em fase que mais absorvem carbono
O Greenpeace Brasil realizou sobrevoo no sul do Amazonas e no norte de Rondônia para monitorar o desmatamento e incêndios em julho de 2024. Foto: Greenpeace

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Florestas secundárias, ou em recuperação, são aquelas que foram desmatadas, e voltaram a crescer. O estudo explica que nos seus primeiros 20 anos de recuperação, esse tipo de vegetação retira 11 vezes mais carbono da atmosfera do que florestas primárias, aquelas que não sofreram nenhum tipo de distúrbio.

“Florestas secundárias prestam um importante papel na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, retirando carbono da atmosfera. Mesmo assim, a vegetação secundária não é protegida em nível federal — nem mesmo pelo Código Florestal”.

Florestas em seu estágio inicial de regeneração são mais vulneráveis ao fogo e outros distúrbios, precisando de tanta proteção quanto florestas primárias. É importante pontuar que florestas primárias não devem ser substituídas por secundárias, uma vez que seu desmatamento liberaria milhares de toneladas de gás carbônico, que demoraria anos para ser reabsorvido por florestas secundárias”, aponta Celso H. L. Silva Junior, pesquisador do IPAM e um dos autores do estudo.

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Combate a incendios. Foto: Michel Alvim/Secom-MT

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A NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira estabelece a restauração florestal de 12 milhões de hectares. O pesquisador aponta que a conservação de florestas secundárias é vital para o cumprimento da meta.

Para realizar o levantamento, os pesquisadores desenvolveram um banco de dados com imagens de florestas secundárias retiradas do módulo de uso da terra do MapBiomas, que foram cruzadas com os dados de área queimada presente no módulo de fogo do MapBiomas.

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Legislação deve ser ampliada

Incendios na Amazônia. Foto Ricardo Stuckert/PR

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No estudo, pesquisadores analisam políticas implementadas no Pará, como a melhoria da Lei da Juquira, que definiu que florestas entre 5 e 20 anos devem ser preservadas, quando atingem um determinado nível de densidade. Conforme a pesquisa, o marco jurídico anterior não estabelecia critérios específicos para proteção da vegetação, o que impedia sua aplicação, mas o Governo do Estado criou uma iniciativa em colaboração com entidades de pesquisa que determinou características específicas para proteção.

Os autores apontam que se toda a vegetação secundária brasileira fosse conservada por uma Lei semelhante à paraense, um terço das florestas secundárias da Amazônia cresceriam sem distúrbios causados por fogo ou desmatamento.

MPF requer paralisação imediata da retirada de madeira em Mazagão no Amapá; entenda

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MPF requer paralisação imediata da retirada de madeira no Amapá. Foto: Martim Garcia/MMA

O Ministério Público Federal (MPF) requer a imediata paralisação das atividades de extração, movimentação e comercialização de madeira relacionadas ao Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) em curso no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Maracá, localizado no município de Mazagão (AP).

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O pedido de urgência foi feito em ação contra o estado do Amapá, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Maracá (Atexma), o presidente da associação, e as empresas Eco Forte Bioenergia e Norte Serviços Florestais.

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Amapá
Foto: Divulgação

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A ação foi proposta pelo MPF na Justiça Federal e busca assegurar os direitos de mais de mil famílias, entre assentados da reforma agrária, comunidades tradicionais de castanheiros e quilombolas. Também pretende proteger os recursos naturais da União, apontando graves irregularidades e a incompatibilidade do empreendimento com a natureza jurídica do assentamento. Segundo o MPF, por tratar-se de área de assentamento agroextrativista, a exploração de recursos na região deve ser feita diretamente pelos assentados, com baixo impacto, nunca em escala empresarial.

De acordo com o MPF, embora promovido pela Atexma, o plano de manejo caracteriza-se como um empreendimento de escala empresarial, com alto potencial degradador e porte excepcional, pois prevê a exploração de 172 mil hectares de floresta primária localizada na reserva legal, em 14 anos, e sob uma intensidade de corte que deveria corresponder a um ciclo de corte de 35 anos.

Para sua execução, a Atexma contratou a empresa Norte Serviços Florestais, comprometendo-se a vender a integralidade da produção à empresa Eco Forte Bioenergia. Essa terceirização descaracteriza a exploração direta e pessoal pelos assentados, requisito fundamental para projetos de reforma agrária que admitem apenas o auxílio eventual de terceiros e somente atividades de baixo impacto ambiental.

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Irregularidades Identificadas

O MPF ressalta, ainda, que a aprovação de Planos de Manejo Florestal Sustentável em florestas públicas federais deve ser feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e não pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá (Sema/AP), como ocorreu neste caso.

Foto: Felipe Werneck/Ibama/Arquivo

A Controladoria-Geral da União (CGU) também identificou irregularidades e desvios de finalidade cometidos por agentes públicos e privados durante a fase de anuência ao manejo no Incra, bem como nas análises técnicas e jurídicas conduzidas pela Sema/AP.

Além de graves inconsistências técnicas encontradas no PMFS, parte das comunidades assentadas na área contestam o empreendimento. Elas relatam a falta de transparência na comunicação das empresas sobre a execução do plano, pouquíssimos benefícios sociais e econômicos reais provenientes do projeto, assim como a ausência de aprovação comunitária devidamente documentada.

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Pedidos

O MPF requer, em caráter de urgência, a suspensão das atividades no PMFS, das anuências do Incra e das Autorizações de Exploração concedidas pela Sema. Também foi requerida a realização, no curso do processo, de uma perícia técnica para determinar o volume de madeira extraído, a compatibilidade dos valores dos contratos celebrados pela Atexma com as empresas em relação aos praticados no mercado, e os danos socioambientais causados.

Foto: Divulgação

Por fim, o MPF pede à Justiça que, ao final do processo, confirme os pedidos anteriores e, dentre outras medidas, determine:

  • a nulidade e desconstituição dos contratos celebrados pela Atexma com as empresas Norte Serviços Florestais e Eco Forte Bioenergia;
  • a rescisão do Contrato de Concessão de Direito Real de Uso celebrado pelo Incra com a Atexma, facultando-se a celebração de novo contrato com outra das associações representativas dos assentados e a submissão de um novo PMFS em conformidade com as normas, à aprovação;
  • que o Incra e o Estado do Amapá se abstenham de emitir novas anuências ou autorizações que desrespeitem as normas de regência ou que não sejam de sua competência;
  • que os réus, solidariamente, elaborem e executem um Plano de Recuperação da Área Degradada e que sejam condenados ao pagamento de indenização por danos ambientais e pelas eventuais diferenças entre o valor de mercado da madeira extraída e o efetivamente revertido à comunidade.

Sinhazinha do Boi Garantido, Valentina Coimbra se despede após 5 anos: ‘dever cumprido’

Valentina Coimbra sinhazinha do Boi Garantido. Foto: Mauro Neto/Secom AM

Valentina Coimbra anunciou por meio de suas redes sociais que deixou o posto de sinhazinha da fazenda do boi Garantido neste sábado (5). Ela defendia o item 7 pelo Boi do Povão no Festival Folclórico de Parintins há cinco anos e se despede para seguir “novos caminhos”.

“Essa decisão foi tomada com serenidade, respeitando o meu tempo e os novos caminhos que se abrem, pois este é o ano em que concluo minha graduação e, como eu já havia previsto, um ciclo precisava se encerrar para que outro se iniciasse com plenitude na minha vida profissional”, disse Coimbra em sua publicação de despedida.

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Segundo Coimbra, a decisão foi tomada com respeito, diálogo e alinhamento entre ela, item, e a gestão do Boi Garantido, para que a transição ocorresse da forma mais bonita e digna possível.

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“Hoje, me despeço com a sensação de dever cumprido, com o item gabaritado, consagrado, campeão e, mais uma vez, entregue às mãos do povo vermelho, onde ele sempre pertenceu. Peço à nação vermelha que não se preocupe, pois cada passo dessa decisão foi pensado com amor e responsabilidade, tudo está sendo feito em prol de um bem maior: o nosso Boi Garantido”, declarou.

Valentina Coimbra deve se apresentar ainda na noite deste sábado (5), no Sambódromo, em Manaus, durante a comemoração do 33º título do boi Garantido, na Festa da Vitória do 58º Festival Folclórico de Parintins.

Programação:

  • 20h às 21h
    Felipe Jr
    Carlos Batata
    Julieta Câmara
  • 21h às 22h
    Luciano Araújo
    Ianayra
  • 22h às 23h
    Carlinhos do Boi
    Black Marialvo
    Leo Castello
    Márcia Novo
  • 23h às 01h30
    Israel Paulain
    David Assayag
    Márcia Siqueira
    João Paulo Faria
    Batucada do Boi Garantido
  • 01h30 às 03h
    PA Chaves
    Bruno Costa

A festa é organizada pela Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido, com apoio do Movimento Amigos do Garantido (MAG).

Reserva Extrativista Rio Cautário: proteção ambiental e sustento de comunidades tradicionais

Resex Rio Cautário. Foto: Reprodução/Sedam Rondônia

Reserva Extrativista é uma categoria de unidade de conservação cujo objetivo é proteger os modos de vida e cultura de populações tradicionais, enquanto garante o uso sustentável dos recursos naturais da área. 

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Entre as atividades permitidas nas reservas estão a coleta e extração de frutas, sementes e outras riquezas da floresta, como a castanha, o açaí e o leite de seringa. Os extrativistas podem manter pequenas plantações e criações, contudo apenas para subsistência, e suas riquezas não podem ser comercializadas para lucro privado. 

A área, apesar de ser cedida aos moradores para que mantenham seus modos de vida com atividades sustentáveis, não pode ser vendida ou invadida para a produção agropecuária de larga escala, já que essas reservas são importantes ferramentas de conservação ambiental e são fundamentais para a reprodução de comunidades tradicionais. 

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Reserva Extrativista Rio Cautário

Reserva Extrativista
Moradores da Resex Rio Cautário. Foto: Reprodução/ Sedam Rondônia

A Reserva Extrativista Rio Cautário fica localizada nos municípios de Costa Marques e Guajará-Mirim, em Rondônia, na Amazônia Legal, possui uma área de cerca de 146 mil hectares e foi criada no dia 8 de agosto de 1995, pelo decreto n° 7.028. Além disso, a Resex possui um espaço territorial que é destinado à conservação ambiental e ao uso sustentável da Unidade de Conservação.

A Resex possui grande importância por manter e preservar a  Floresta Ombrófila Aberta Submontana e as formações Aluviais Pioneira, Floresta Ombrófila, Densa Aluvial e Savanas.

“Toda unidade de conservação e Resex tem que ser criada por lei, fundada pelo chefe do Poder Executivo, seja federal, seja estadual ou municipal. No caso, a Resex Rio Cautário é uma Resex Federal. Ao criar a Unidade de Conservação se estabelece todo um aparelho de estado que deve ser movido para gerir essa UC, já que ela deve possuir analistas do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – para gerir junto com a comunidade, e produzir o plano de gestão da UC”, explicou o doutor em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Deivison Molinari.

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Espécies ameaçadas protegidas pela Resex

Mãe-de-taoca-papuda, espécie ameaçada protegida na Resex. Foto: Dirceu Martins

A Resex Rio Cautário é uma área de grande importância para a proteção e conservação da biodiversidade, abrigando diversas espécies ameaçadas de extinção. Entre os animais e plantas protegidos na região, destacam-se:

  • Arapaçu-uniforme
  • Azulona
  • Bicudo
  • Gavião-real
  • Mãe-de-taoca-papuda
  • Uiraçu-falso
  • Anta
  • Onça-d’água
  • Boto
  • Cervo-do-Pantanal
  • Itaúba
  • Tuco-tuco

Além dessas, muitas outras espécies encontram na Resex um refúgio essencial para sua sobrevivência. A preservação desse território é fundamental para o equilíbrio ecológico da região e para a manutenção dos modos de vida tradicionais das populações que ali vivem.

Projeto de conservação florestal da Resex Rio Cautário

O Projeto de Conservação Florestal da Resex do Rio Cautário começou em 2020 e visa proteger áreas ameaçadas pelo desmatamento e queimadas, reflorestar as áreas degradadas e preservar os habitats essenciais à biodiversidade. Além disso, o projeto propõe evitar e reduzir a emissão de gases do efeito estufa e melhorar a qualidade de vida das populações tradicionais

A iniciativa de conservação se consolidou como um modelo viável de desenvolvimento sustentável, ao beneficiar as comunidades tradicionais e promover a proteção e a restauração de mais de 146 mil hectares da Floresta Amazônica e da sua biodiversidade.

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Objetivos do projeto 

Dentre os principais objetivos do projeto estão proteger a floresta na Reserva, impedir o desmatamento ilegal e a invasão de terras, mitigar os riscos de incêndio, através do programa “Fogo Zero”, restaurar áreas degradas e/ou cobertas por pastagens, criar alternativas econômicas para as comunidades locais, promover a educação ambiental e capacitar para geração de renda, principalmente entre jovens e mulheres. 

*Com informações de Permian Brasil, ICMbio e Governo de Rondônia

Morcegos ajudam ecossistemas, mas podem estar ameaçados com avanço do desmatamento na BR-319, diz especialista

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Atualmente, a ciência tem conhecimento de 27 espécies que vivem na região. Foto: Daniela Bôlla

Apesar de serem frequentemente associados a lendas e à transmissão de doenças, como a raiva, os morcegos são fundamentais para a manutenção da biodiversidade em florestas, como a área de influência da rodovia BR-319. Essas e outras informações estão disponíveis no artigo de Daniela Bôlla, doutoranda em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), publicado na seção “Ciência” do informativo do Observatório BR-319 (OBR-319). 

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Leia o artigo completo abaixo:

Leia também: Desmatamento aumenta presença de morcegos em áreas urbanas de Rondônia

Atualmente, a ciência tem conhecimento de 27 espécies que vivem na região. Elas costumam se abrigar em copas de árvores, sobre ou dentro de troncos e até em cupinzeiros abandonados, onde constroem suas casas. Uma delas é o morcego-de-ventosa (Thyroptera tricolor), um pequeno mamífero que pesa cerca de cinco gramas e usa ventosas nos pés e antebraços para se abrigar dentro de folhas novas de bananeiras nativas.

Eles auxiliam na agricultura por meio da polinização de plantas comerciais, como a banana, o pequi e o piquiá, além do controle de insetos-praga — um serviço que gera economia de milhões de reais em agrotóxicos anualmente.

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Artibeus lituratus. Foto: Daniela Bôlla

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Há morcegos carnívoros, que controlam populações de ratos e sapos. Já outros se alimentam de frutos nativos, espalhando suas sementes em pleno voo e ajudando na regeneração de ambientes degradados e na manutenção das florestas.

“Todos nós convivemos com muitas espécies de morcegos e nem sabemos. Não são vilões, são seres extremamente importantes para que outros animais coexistam e para que nós, humanos, tenhamos comida abundante e menos envenenada por agroquímicos em nossa mesa”, comenta Bôlla.

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Artibeus lituratus. Foto: Daniela Bôlla

Leia também: Em 2024, desmatamento atingiu 40% das Áreas Protegidas monitoradas na área de influência da BR-319

Segundo ela, há muitas espécies a serem estudadas e outras que nem sequer foram registradas. Diante disso, a principal ameaça para esses animais é a perda de seu habitat natural.

Como uma área bem preservada da Amazônia, as florestas adjacentes à BR-319 fornecem alimento e local seguro para abrigo e reprodução, fazendo com que tenham uma relação de mútua cumplicidade com plantas e outros animais.

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Carollia perspicillata. Foto: Daniela Bôlla

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Diante do avanço do desmatamento na região, a especialista reitera a necessidade de lutar pela floresta em pé. “A preservação desses ecossistemas é o que garante o tão frágil equilíbrio dinâmico amazônico”, finaliza.

Daniela Bôlla é doutoranda em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), estuda os morcegos há mais de 10 anos e é a primeira autora da obra “Na escuridão da Floresta Amazônica, lá estão os… morcegos da BR-319” — que também conta com versão em inglês.

*Com informações Observatório BR-319

Toada do Milton em Parintins: assista os 4 programas completos

Foto: Divulgação/UEA

O Festival Folclórico de Parintins acabou, mas já bateu a saudade? Que tal conferir tudo que rolou no programa Toada do Milton e já se preparar para 2026?

A iniciativa foi fruto de uma parceria entre o Governo do Amazonas, por meio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado e da Amazonastur, e fez parte de um projeto de extensão universitária da UEA.

📲 Acompanhe os especiais do Portal Amazônia no Festival de Parintins

O programa foi exibido ao vivo entre os dias 26 e 29 de junho, com duração de quatro horas, sem intervalo, diretamente da praça da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins, com transmissão pelo canal oficial da UEA no YouTube e também pelo canal Amazon Sat.

Milton Cunha celebrou a cultura popular amazonense durante quatro dias do Festival de Parintins com muita música, entrevistas exclusivas direto da ilha da magia e muitas surpresas para o público. Confira como foi:

Primeira patente da Fiocruz Amazônia é concedida pelo INPI, referente a equipamento de análise genética em amostras biológicas

Primeira patente da Fiocruz Amazônia é concedida pelo INPI. Foto: Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) e Departamento de Gestão Tecnológica da FIOCRUZ (GESTEC), obteve a primeira concessão de patente pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), referente a equipamento destinado à realização de ensaios LAMP (Loop Mediated Isothermal Amplification) voltado para a detecção de material genético de patógenos em amostras biológicas.

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A pesquisa abre novas perspectivas para o diagnóstico mais ágil de doenças de importância para a Amazônia (como dengue, malária, chikungunya, Covid-19, dentre outras) e para o mundo, contribuindo para o enfrentamento de possíveis emergências sanitárias. Atualmente, a Fiocruz Amazônia possui oito patentes depositadas no INPI e um direito autoral depositado na Biblioteca Nacional, referente a um aplicativo destinado ao registro de casos de malária.

Primeira patente da Fiocruz Amazônia
Primeira patente da Fiocruz Amazônia é concedida pelo INPI. Foto: Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia

Detentor da patente, o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz, Felipe Naveca, chefe do Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coordenador do Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes ou Negligenciados do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), explica que a conquista é um marco para Fiocruz Amazônia no âmbito da Inovação Científica.

“O INPI reconheceu que temos um produto inovador e fez a proteção através da concessão da patente. Esse equipamento tanto chamou atenção que fizemos a transferência de tecnologia para uma empresa de São Paulo que tem a possibilidade de continuar o seu desenvolvimento e levar o produto ao mercado”, afirma Naveca.

O pesquisador destaca que o maior desafio da equipe de engenheiros de microeletrônica do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que atuou em parceria no projeto, foi desenvolver um equipamento que funcionasse de maneira simples.

Equipamento de análise genética em amostras biológicas. Foto: Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia

“De acordo com as nossas especificações, foi possível fazer o desenvolvimento de um produto que fosse o mais barato e mais simples de ser fabricado para que pudesse ter uma ampla difusão. Esse equipamento permite manter a temperatura ótima da reação, ao mesmo tempo em que faz a detecção da mudança de cor da reação por sensores de fotodetecção, o que permitiu o desenvolvimento de um protótipo de maneira mais simples e com baixo custo, utilizando a engenharia que foi pensada pela equipe do SENAI”, afirma o virologista, ressaltando que o equipamento desenvolvido com base nessa patente terá a capacidade de ampliar a testagem molecular especialmente em áreas remotas com pouca estrutura laboratorial.

Coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), da Fiocruz Amazônia, o pesquisador em Saúde Pública do Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA), Luís André Mariúba, explica que a primeira concessão de patente obtida pelo ILMD/Fiocruz Amazônia está relacionada a um dispositivo de ensaios LAMP, o qual tem por objetivo a amplificação do DNA/cDNA para detecção do material genético de patógenos extraídos de uma amostra biológica.

De acordo com Mariúba, técnicas de amplificação isotérmica de DNA mediada por loop, também conhecidas por técnicas LAMP (do inglês Loop-Mediated Isothermal Amplification), são largamente conhecidas no estado da técnica, e aplicadas para o desenvolvimento de testes diagnósticos para a detecção de parasitas em amostras biológicas. “A técnica LAMP é cada vez mais usada em substituição à técnica PCR (Polymerase Chain Reaction – Reação em Cadeia da Polimerase), uma vez que o tempo e custo para a execução da técnica PCR ainda inviabilizam seu uso em larga escala em laboratórios de rotina”, justifica.

Leia também: Fiocruz Amazônia avança nas pesquisas para desenvolvimento de testes para detecção do vírus causador da gripe aviária 

Termocicladores

Os ensaios LAMP são executados em condições isotérmicas, as quais podem ser mantidas em diferentes instrumentos, tais como termocicladores e banhos-maria, ou então dispositivos de ensaios LAMP. O referido equipamento possibilita a amplificação do DNA/cDNA de amostras para detecção de patógenos através do aquecimento de uma câmara de ensaio interna ao dispositivo.

Nos ensaios desenvolvidos no equipamento, alíquotas de uma amostra biológica sob análise são adicionados a reagentes e o conjunto é aquecido em uma câmara de ensaios LAMP. Essas amostras são então monitoradas durante o ensaio com o intuito de identificar uma possível mudança de cor (por exemplo, do violeta para o azul-celeste, quando utilizado o reagente Azul de hidroxinaftol), o que representa uma reação positiva da amostra com relação ao reagente utilizado.

Leia também: Pesquisador da Fiocruz Amazônia alerta para precarização sanitária da região no Atlas da Amazônia

Patentes depositadas

Atualmente, a Fiocruz Amazônia possui oito patentes depositadas no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e 1 direito autoral depositado na Biblioteca Nacional, referente a um aplicativo destinado ao registro de casos de malária. Os produtos são voltados principalmente para saúde humana, havendo ainda uma patente, desenvolvida em colaboração, direcionada a aplicação animal.

*Com informações do ILMD/Fiocruz

Em Lábrea, falta de saneamento e clima extremo deixam população vulnerável a alagamentos e deslizamentos 

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Por estar às margens do Rio Purus e ser um dos mais afetados pelo El Niño, Lábrea tem um histórico de eventos climáticos que afetam a população. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia 

Quando a chuva cai, o solo cede. Quando o sol castiga, o rio seca. Em Lábrea, município no sul do Amazonas, os ciclos extremos do clima são apenas mais uma ameaça em meio ao abandono do poder público em um cenário de vulnerabilidade socioambiental.

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Na cidade, distante 854 km de Manaus, 72% da população não têm acesso à rede de esgoto. Sem o serviço, a solução encontrada pelos moradores é despejar os dejetos em encostas ou diretamente nos rios e igarapés, o que fragiliza o solo e aumenta o risco das terras cederem e das encostas deslizarem, ameaçando as moradias.

Lábrea
Em Lábrea, tubulações levam esgoto diretamente para os rios. Na cidade, 72% da população não têm acesso à rede de esgoto estruturada. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia 

A situação é ainda mais crítica em locais já mapeados no município como áreas de risco a eventos hidrogeológicos, como inundações, erosões e deslizamentos, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB): lá, 91% dos moradores não têm acesso à rede de esgoto, e os dejetos de 60% das áreas vão diretamente para os rios, contaminando a água e ocasionando doenças.

O retrato da vulnerabilidade em Lábrea faz parte de uma análise exclusiva realizada pela InfoAmazonia a partir de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do mapeamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB), na Amazônia, sobre as áreas de risco a eventos hidrogeológicos.

Ciclos de chuva e estiagem irregulares

Em Lábrea, a combinação entre falta de saneamento básico, ciclos de chuva e estiagem mais irregulares expõe os moradores a eventos como deslizamentos, erosões e inundações. Com as mudanças climáticas intensificando cheias e secas, o perigo aumenta.

Décimo maior município do país em extensão territorial, com 68.262 km², Lábrea abriga cerca de 45.000 habitantes — resultado de densidade populacional abaixo de 0,5 habitante por km², conforme dados do IBGE.

O aumento significativo do nível do rio Purus e seus afluentes em 2021 provocou uma grande enchente que afetou toda a cidade. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia 

A cidade é circundada pelo rio Purus, seus afluentes e igarapés, e tem um histórico de eventos que afetam comunidades ribeirinhas e parte do município, comprometendo suas estruturas, de acordo com a Codificação Brasileira de desastres (COBRADE), sistema que categoriza e codifica desastres naturais, visando padronizar a sua identificação e facilitar as resposta a emergências, e o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil para Lábrea (PLANCON), que listou ocorrências de inundações, enxurradas, alagamentos, chuvas intensas, vendavais, estiagem, seca, erosão de margem fluvial e queimadas.

Esses eventos, recorrentes no município, provocam o risco iminente de inúmeras famílias ficarem desabrigadas e desalojadas em decorrência da perda de suas casas e dos meios de subsistência, em especial a pesca. A situação é mais grave nos chamados trapiches de palafitas, que são estruturas construídas sobre estacas em áreas alagadiças, como margens de rios ou áreas costeiras, e que servem como áreas de apoio, moradia ou ancoragem para embarcações.

A infraestrutura básica precária e os riscos intensificados durante o período do inverno amazônico tornam a moradia no local perigosa. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia 

No ano de 2021, houve aumento significativo do nível do rio Purus e seus afluentes, levando a uma grande enchente que afetou tanto a zona urbana, como também a zona rural do município.

Nos dois anos seguintes, a cidade enfrentou o extremo oposto. Devido ao fenômeno El Niño e ao aquecimento das águas do Norte do Oceano Atlântico ocorridos entre 2023 e 2024, Lábrea foi particularmente afetada por uma das secas mais severas registradas na Amazônia, o que provocou perda de acesso fluvial, restrições ao abastecimento hídrico e riscos de insegurança alimentar, sobretudo em comunidades indígenas e ribeirinhas. Neste ano, o nível do rio Purus voltou a subir, e a Defesa Civil emitiu alerta de inundação em Lábrea no mês de maio.

No inverno, casas de palafitas chegam a alagar com a água acumulada abaixo de suas estruturas. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia 

População de Lábrea reclama

O Vocativo foi até Lábrea para ouvir os moradores sobre as dificuldades enfrentadas com a precariedade da infraestrutura básica e os riscos intensificados durante o período do inverno amazônico. Carlos Prado, liderança local da organização sem fins lucrativos Movimento União BR (sem relação com o partido político), descreve a área como uma mistura entre zonas asfaltadas e comunidades ribeirinhas em palafitas. “Existem alguns trapiches, que são as casas de palafitas. No inverno ficam cheias de água por baixo e algumas chegam a alagar, e no verão seca tudo e acaba ficando bastante lixo embaixo das casas”, explicou.

Maria Calafente da Silva e Aldemir Hilário da Silva são aposentados e moram no bairro Vila Falcão, na zona norte de Lábrea, em um local mapeado pelo SGB como área de risco de desabamento. Eles descrevem um cenário desolador de abandono pelo poder público. A aposentada afirma que a área sempre alaga em época de chuva, com acúmulo de lixo. “A água fica até aqui [mostrando que parte da rua fica submersa]. A água fica tudo aqui por trás. Tudo alagado aí por trás. Isso aqui fica tudo dentro d ‘água. Essas casas aqui por trás. Tudo dentro d ‘água”, conta a moradora.

O comerciante Manoel Serreira já sente os efeitos da erosão do solo na própria casa, que começa lentamente a ceder Foto: Fred Santana/InfoAmazonia

Aldemir denuncia que a Defesa Civil municipal nunca emitiu um comunicado de riscos para os moradores, mesmo depois de casas terem sido destruídas pela enchente. “Já teve três casas que desceram lá no barranco”, lembra o aposentado. “Pelos anos que nós moramos aqui, nós já temos pedido para a prefeitura fazer um bueiro aqui para nós, porque o pessoal bota a coisa da fossa dentro do rio”, reclama Maria.

O casal denuncia ainda a falta de coleta de lixo no local, que segundo eles piora os alagamentos. “É muito lixo. Nunca colocaram dentro do poço, nunca limparam isso aí. Isso tudo pega na gente, a imundície da água do rio. Está aparecendo muita doença por causa disso. O tratamento da água é pouco”, lamenta Maria. Os aposentados afirmam ainda que a prefeitura passa pela rua principal e não desce nos becos, deixando muito entulho na beira do rio Purus. Como consequência do problema da falta de tratamento adequado da água no local, Aldemir passou semanas internado no hospital, com suspeita de leptospirose.

Morador há 20 anos do trapiche do Sheik, uma localidade no centro de Lábrea, o carpinteiro Laércio Silva relata problemas semelhantes. “Rede de esgoto aqui não tem. Tem só os tubos jogando (os dejetos) para cá (direto no rio)”, afirma. Com a cheia, a subida das águas piora a situação do esgoto. “Aqui alaga tudo. Nos anos mais severos precisamos sair porque a água toma conta das casas”, relembra.

O líder comunitário Carlos Prado reclama da qualidade da água consumida em Lábrea, que constantemente causa problemas de saúde. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia

Dono de uma mercearia e morador do trapiche do Sheik há 42 anos, Manoel Ramalho Serreira conta que a água utilizada pelos moradores passou a se misturar em parte com o esgoto após uma obra da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), o que tem causado uma série de doenças nos moradores da comunidade. A companhia, porém, diz não ser responsável pelo sistema da cidade. Uma parte do esgoto fica acumulado em poças, servindo como criadouro para o mosquito da dengue. “Mostramos para a prefeitura o problema nesse córrego, mas eles não limpam, não cuidam. Aí sobra pra gente aqui que vive na área”, lembra.

Manoel sente os efeitos da erosão do solo, agravada pela falta de saneamento e pela mudança climática na própria casa, que já começa lentamente a ceder. “A prefeitura está providenciando um terreno para a gente tirar a casa daqui. Quando a água vem e volta, a terra enfraquece e cede. Minha casa entortou todinha. A gente teve que botar essas tábuas de segurança”, explica.

A vendedora autônoma Maria Zanira, moradora de outro trapiche, o Beira-Mar, na zona norte da cidade, reclama da ausência do poder público. “Já falaram que iam tirar a gente daqui, mas tem bem 10 anos que eles falam isso. Em época de chuva forte, ficamos com água na cintura”. Embora nunca tenha visto nenhum desabamento no local, a moradora afirma que é questão de tempo. De fato, pela erosão vista nas margens do rio Purus, a sensação é de risco iminente de desabamento de casas.

Sem o devido tratamento de água e esgoto, moradores relatam medo de contrair doenças Foto: Foto: Fred Santana/InfoAmazonia 

Zanira confirma o mesmo método usado pela Cosama no trapiche do Sheik, de misturar a água do consumo com a água do esgoto. “Não tem esgoto, não tem nada. É só um tubo mesmo”, reclama. O descaso se reflete no abastecimento de água, já que os moradores quase sempre precisam consumir água com pouco ou nenhum tratamento. “Aqui em casa, quando a gente pode, compra água mineral, quando não a gente, põe hipoclorito e toma assim mesmo”, afirma.

Carlos Prado também critica a qualidade da água fornecida pela Cosama. “Na teoria, era para fazer a captação, tratamento e distribuição de água, mas aqui não existe tratamento. É praticamente a água do rio, barrenta e algumas vezes com cheiro forte, totalmente imprópria para uso, muito ruim até para lavar roupa”, afirma Prado. A ausência de rede de esgoto adequada é outro problema apontado por ele.

“Lugares como os trapiches não possuem nada disso; a água e os dejetos vão para o solo. Apenas algumas partes da cidade possuem rede de esgoto, que começou a ser feita há cerca de 10 anos”, conta. Carlos relata ainda que o clima na região parece estar ficando mais intenso ao longo dos últimos anos. “O inverno (estação das chuvas) está mais intenso a cada ano que passa, o rio vem subindo mais, deixando muitas casas debaixo d’água. No verão, os rios secam demais, deixando comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas que possuem poço artesiano sem água”, afirma.

Variações de extremos climáticos tornam Lábrea um local mais propenso aos chamados “riscos geológicos”, como os deslizamentos de terra Foto: Fred Santana/InfoAmazonia 

As consequências afetam diretamente a saúde da população. “Adoecer devido à contaminação da água é bem normal, principalmente nas mudanças das estações. Geralmente o que se tem mais é diarreia e infecção intestinal. Eu, minha família e muita gente que conheço também já tivemos”, afirma Carlos. Segundo ele, a única ação do poder público com relação a isso tem vindo da Secretaria de Saúde. “Sempre fazem entregas de hipoclorito de sódio e cloro em pó”, diz, acrescentando que nunca recebeu alertas da Defesa Civil.

No bairro Barra Limpa, na zona Centro-Norte de Lábrea, fora da zona de risco descrita pelo SGB, o sociólogo Marcelo Horta também convive com os mesmos problemas. Ele reconhece que o local é mais central e estruturado, com muitas lojas e comércio ativo, mas afirma que sofre com a invasão das águas do rio durante a cheia. “Passam ruas que um pedaço do rio invade quando enche. Tem casas de madeira em palafitas nessa parte”, conta. Segundo ele, embora haja calçamento e coleta de lixo, o serviço público de abastecimento de água é considerado ineficiente.

“O serviço público de água é péssimo, mas há. As pessoas que têm condições furam poços artesianos por conta própria. Essa é a regra”, afirma. O esgoto na região foi canalizado por uma obra da prefeitura, mas, segundo ele, “foi para ser despejado no rio Purus”. Marcelo explica que sua residência foi adaptada com uma rede de canos mais larga para facilitar o escoamento e evitar alagamentos. “Nosso terreno é na parte alta da rua. Na parte baixa, há casas que quase alagam e o cheiro forte de esgoto fica exalando, pois é na parte que o rio invade e quase alaga a rua, o que já aconteceu”, relata.

A falta de saneamento adequado aumenta a vulnerabilidade a eventos como erosões e alagamentos Foto: Fred Santana/InfoAmazonia 

Mesmo com obras recentes para reprar bueiros estourados e tampas quebradas, Marcelo aponta a ausência de medidas preventivas pelo poder público. “Medida preventiva eu nunca vi. Em geral, são obras de reparo”, afirma. Ele também destaca um problema sanitário decorrente da rede de esgoto subterrânea. “Com as calhas subterrâneas da prefeitura proliferaram ratos. Há muitos. E baratas também”, afirma.

Ausência de esgoto potencializa riscos geológicos 

Variações de extremos climáticos tornam Lábrea um local mais propenso aos chamados “riscos geológicos”, como os deslizamentos de terra. Eles acontecem quando, por exemplo, uma camada de solo desliza sobre outra ou sobre uma camada de rocha. Isso oferece perigo para quem está nas encostas ou logo abaixo delas. Outro tipo de risco associado são os processos erosivos, quando muita água passa em determinada superfície, deixando-a mais frágil.

“Um escoamento superficial elevado, por exemplo, vai causando o que a gente chama de erosão laminar, e vai arrancando a parte mais superficial do solo, os sedimentos vão sendo levados, isso pode criar vincos nesse solo e criando o que a gente chama de ravinas e voçorocas”, explica Pedro Camarinha, doutor em Ciências do Sistema Terrestre pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e tecnologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

O despejo nas encostas pode potencializar os processos erosivos, desestabilizando o solo e causando desmoronamentos. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia 

Ravinas e voçorocas são formas de erosão do solo causadas pela ação da água, mas com características distintas. Enquanto as ravinas são sulcos ou pequenas depressões no terreno, as voçorocas são erosões maiores e mais profundas, frequentemente atingindo o lençol freático e formando grandes buracos no solo. Quando esses cortes no solo chegam ao nível freático, o processo de erosão acelera, facilitando a ocorrência de deslizamentos.

A falta de tratamento adequado de esgoto contribui para este problema. “A ausência do esgotamento sanitário contribui para os riscos geológicos porque, na falta do tratamento adequado, esse esgoto é lançado de uma maneira indevida através de um lançamento direto, por exemplo, a céu aberto em encostas e você vai mudar completamente o teor de umidade do solo ao longo do tempo”, avalia Pedro. O processo contínuo vai deixando o solo instável.

“O caminho e a infiltração da água são fatores importantes para potencializar as erosões, principalmente nas cidades. Os alagamentos, por outro lado, refletem o acúmulo de lixo e descarte inadequado. Além disso, as tubulações de água pluviométrica que deságuam nos igarapés carregam consigo não apenas água pluvial, mas lixo e esgoto”, explica Alderlene Pimentel de Brito, geóloga e doutora em Clima e Ambiente pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Falta de estrutura contribui para a instabilidade do solo 

Em situações críticas de falta de saneamento, pode ocorrer a quebra do chamado balanço hídrico climatológico, relacionado ao armazenamento médio de água do solo ao longo do tempo. Isso acontece quando, além das chuvas e das mudanças de temperatura que naturalmente interfeririam neste equilíbrio, o solo vai sendo alterado pelo lançamento direto de sistemas de esgoto nos terrenos e encostas.

“Como consequência, aumenta o teor de umidade, inclusive podendo mudar algumas propriedades físicas e químicas dependendo do teor desse lançamento de esgoto nessas regiões”, afirma o pesquisador Pedro Camarinha.

Com isso, o perfil de umidade do solo vai sendo modificado, favorecendo com que as condições limites de estabilidade daquela encosta sejam vencidas mais facilmente. “Menos chuva acaba sendo necessária para causar um deslizamento porque você já tem o lançamento desse esgoto de uma forma indevida nessas localidades. Isso acontece, por exemplo, na parte mais baixa das encostas, se esse fluxo contínuo de efluentes fica passando pela base das encostas, você vai favorecer a erosão no sopé das encostas”, alerta Camarinha.

Além disso, fossas feitas nas áreas de risco de Lábrea em resposta à falta de saneamento e de tratamento adequado de esgoto também podem contaminar as águas subterrâneas. “Basicamente, a fossa tem fezes, urina e água. Isso infiltra, né? Na urina a gente expele muita coisa que leva tempo para diluir em subsuperfície. Mas o principal é a contaminação por nitrato, Escherichia coli etc. Por isso é importante fazer análise química e bacteriológica da água para abastecimento”, afirma Alderlene Brito.

Impactos na saúde pública 

Outro efeito desse descarte inadequado de esgoto é a contaminação da água. As chamadas águas superficiais, que se acumulam em superfícies em geral, costumam ser contaminadas por metais pesados, nitritos e nitratos, entre outros. Já as águas subperficiais, que correm naturalmente ou artificialmente no subsolo e são consumidas pela população, a contaminação é por coliformes e nitrato proveniente das fossas.

“Às vezes, as pessoas veem a água bem limpinha e acham que está muito boa, mas não está. Acontece que o esgoto não é apenas descartado nos rios e igarapés. Esse esgoto também infiltra. Por isso, é importante ter sistemas de tratamento de esgoto e revitalizar os rios (igarapés) urbanos”, avalia Alderlene Brito.

Segundo a pesquisadora, esgotos nas fontes de água para abastecimento também vão aumentar os casos de doenças diarreicas, parasitoses, dentre outras. Além da saúde pública dos humanos, esse problema afeta o restante da fauna. “Na Amazônia, os igarapés para muitos são como esgotos, mas cada curso d’água desse tem vida. Hoje, precisamos olhar para esses cursos d’água com atenção e caminhar para os processos de revitalização. Precisamos mudar nosso olhar. Os igarapés não são esgotos”, alerta a pesquisadora da UFAM.

A crise climática agrava os riscos 

Outro fator que potencializa os riscos em Lábrea é um fenômeno conhecido. Um estudo publicado na revista Raega — O Espaço Geográfico em Análise, especializada em pesquisas sobre geografia e metodologias de análise espacial, revela que o município é o mais impactado por eventos do fenômeno climático El Niño no Amazonas. De acordo com a pesquisa, a cidade sofreu reduções significativas no volume de chuvas em aproximadamente 71% dos anos com registro de El Niño entre 1998 e 2017. Mas justamente esse efeito mais severo da estiagem, alternando com os períodos de chuva da Amazônia, serve para aumentar os riscos geológicos.

Lábrea
A alternância de ciclos de muito calor e de muita umidade acabam fragilizando casas mais simples, aumentando a vulnerabilidade dessas estruturas. Foto: Fred Santana 

Para Pedro Camarinha, todos os riscos associados a processos hidrogeológicos estão aumentando por conta da intensificação dos eventos extremos de chuva. “Normalmente são os eventos gatilhos, que disparam processos como os deslizamentos, as grandes erosões, bem como as enxurradas e inundações. Ao longo do tempo você vai tendo chuvas mais intensas que aceleram esses processos erosivos, que por sua vez já são fragilizados por conta da falta da canalização do esgotamento sanitário. São processos que se somam”, avalia.

Com isso, as estruturas urbanas acabam sofrendo um processo conhecido como intemperização, que é a desagregação e decomposição de rochas e minerais, cuja incidência aumenta também por conta das mudanças climáticas. Quanto mais simples a estrutura (de uma casa de poucos andares e cômodos, por exemplo), maior é a intemperização. Ciclos de muito calor, de muita umidade acabam fragilizando essas casas mais simples com maior facilidade.

“Tudo isso somado vai exacerbando esses riscos. E quando eu digo exacerbando os riscos, significa que a gente está aumentando as chances desses eventos acontecerem, e além de aumentar as chances desses eventos acontecerem, quando acontecer o impacto também tende a ser maior”, afirma Camarinha.

Apesar do agravamento dos riscos, os moradores destes locais não costumam enxergar as áreas como perigosas, pontua Marcelo Hora, sociólogo e doutorando em Geografia do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondônia (PPGG/UNIR). “É muito comum você ver, em área de várzea, que o rio sobe, baixa, e o pessoal faz as casinhas de madeira de palafita. Então, o que às vezes a gente interpreta como área de risco, para eles é uma continuidade desse modo de vida ribeirinho”, afirma Horta, que vive em Lábrea.

O sociólogo lembra de uma área visitada e descrita pela reportagem anteriormente: o trapiche Beira-Mar. “Esse local cresceu muito e de forma desordenada, mas os moradores acham prático estar morando perto do rio, porque ele tem sua canoa e tem seu lugar lá no interior. Uma alagação, uma cheia exagerada torna a vida dessas pessoas arriscada, mas para elas, vale a continuidade do modo de vida”, avalia o pesquisador.

Mesmo assim, os riscos de alagamento e erosão ameaçam comunidades. Diante da situação, a Defesa Civil de Lábrea informa que está identificando e cadastrando as áreas de risco, além de fazer um monitoramento constante das localidades e de realizar atividades voltadas à conscientização da população sobre descarte de lixo e moradias em áreas de risco.

Entretanto, a instituição confirma que, até o momento, não há projeto de saneamento básico do governo do estado voltado para áreas de risco da cidade. A ausência de iniciativas nesse setor é atribuída à falta de recursos. Quanto à preparação do município para eventos climáticos como inundações, as medidas adotadas, segundo um comunicado da Defesa Civil local, envolvem o que chamaram de “planejamento prévio e o mapeamento das zonas mais vulneráveis, consideradas áreas de risco”, sem detalhar qual seria esse plano.

A Defesa Civil de Lábrea também diz considerar que o plano de contingência do município para os períodos de cheia do rio Purus é uma ferramenta indispensável para enfrentar situações de inundação, enxurradas, alagamentos, chuvas intensas, vendavais, estiagens, secas e queimadas.

Em nota, a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama) afirmou que não atua com o abastecimento de água no município de Lábrea nem é responsável pela operação do sistema local. “A Cosama opera diretamente em 15 municípios do estado do Amazonas, e Lábrea não integra atualmente a área de cobertura operacional da Companhia”, afirma a companhia.

A empresa, no entanto, confirma que recentemente foi realizado um diagnóstico técnico no sistema de abastecimento de água do município, em uma ação que teria sido determinada pelo governador Wilson Lima (União Brasil), coordenada pela Diretoria de Operações (DIOP) da Cosama, em parceria com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Lábrea.

Já a Defesa Civil do Amazonas afirma que qualquer demanda a esse respeito “deve ser direcionada ao município”. O artigo 23 da Constituição Federal, porém, diz que a promoção de políticas públicas voltadas à saúde, moradia, saneamento e meio ambiente é de competência comum da União, Estados e Municípios. Essa atuação integrada visa garantir o bem-estar da população e prevenir tragédias, sobretudo em regiões vulneráveis, e é reforçada pela Política Nacional de Proteção e Defesa Civil e pela Política Nacional de Recursos Hídricos.

Sem a devida atenção dos órgãos públicos, moradores de Lábrea vivem sob o risco de terem suas casas invadidas pela água ou levadas por deslizamentos e erosões. Enquanto esperam ações efetivas, veem o problema aumentar com a mudança do clima e convivem com riscos, águas contaminadas e ameaças à saúde e à moradia.

*Esta reportagem é uma parceria da InfoAmazonia com o Vocativo e faz parte da Rede Cidadã InfoAmazonia, iniciativa para criar e distribuir conteúdos socioambientais da Amazônia. Foi produzida na Unidade de Geojornalismo InfoAmazonia, com apoio do Instituto Serrapilheira. 

Ilustração da reportagem: Utópika Estúdio 

Organizações sociais propõem plano para investimentos na Amazônia

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Um plano para atrair investimentos para conservação, restauração e o desenvolvimento sustentável da Amazônia foi apresentado no dia 4 de julho à presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) por organizações sociais. A proposta foi entregue em Brasília em uma agenda de trabalho com Ana Toni, diretora executiva do fórum que ocorrerá em novembro, em Belém, no Pará.

O documento – denominado Ampliando o  Financiamento de Soluções Baseadas na Natureza para Proteger a Amazônia: Um Roteiro de Ação – além de propor uma arquitetura para criar fluxos de financiamento climático para a Amazônia, também visa consolidar ações que viabilizem o desenvolvimento da economia verde na região e o fortalecimento da capacidade de implementar ações sustentáveis no bioma.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é a COP 30?

Amazônia
Foto: Agência Brasil

A iniciativa partiu de sete organizações sociais que atuam na região amazônica há mais de 30 anos, explica Gustavo Souza, diretor sênior de políticas públicas e incentivos da organização não-governamental Conservação Internacional (CI).

 “A gente vê que essas propostas em favor da Amazônia podem ser construídas dentro do High Level Climate Champions Office [órgão que articula governos, investidores e voluntários no âmbito da convenção do clima], para que a gente possa levar o tema da Amazônia de uma forma com maior visibilidade e com mais interação com outros setores produtivos, como setor privado e setor financeiro.”, explica.

Leia também: Estudo mostra que repetição de queimadas ameaça resiliência da Amazônia 

Recursos

Segundo Gustavo, o tema financiamento climático da maior floresta tropical do mundo ganhou destaque a partir da informação fornecida pelo Banco Mundial de que, apesar de a Amazônia injetar anualmente na economia pelo menos US$ 317 bilhões – os investimentos para que o bioma permaneça existindo somaram apenas US$ 5,81 bilhões entre 2013 e 2022. A estimativa da instituição financeira é de que o mínimo necessário para manter esse ecossistema saudável é de US$ 7 bilhões.

O valor seria capaz de evitar que o bioma chegue ao chamado ponto de não retorno, limiar em que os cientistas apontam a conversão de áreas da Amazônia em savana, a modificação drástica do regime de chuvas e extinção de espécies, decorrentes da mudança do clima.

De acordo com Gustavo Souza, o Banco Mundial também trouxe dados que demostram a destinação de apenas 3% desses investimentos para soluções baseadas na natureza para reduzir os efeitos das mudanças climáticas e 11% para adaptação das infraestruturas locais.

Combate ao desmatamento

“A gente não chegou nem a 10% dos recursos necessários para evitar o tipping point [ponto de não retorno] da Amazônia e combater o desmatamento. Então, esse é o panorama de fundo da carta. Mirando em algumas soluções inovadoras, ambiciosas, a gente consegue endereçar parte dessa lacuna de financiamento para a Amazônia”, explica.

Organizações sociais entregam plano para financiamento da Amazônia à presidência da COP30. Foto: Isa Castilho/COP30

Entre as sugestões de soluções estão o redirecionamento de subsídios de cadeias produtivas de alta emissão para uma economia verde, a rastreabilidade produtiva por meio de tecnologias como o uso de imagem de satélite e promoção do pagamento por serviços ambientais, além do combate à economia ilegal transnacional como tráfico de animais, bens e especulação imobiliária com apropriação de terras públicas.

Um dos instrumentos de destaque para viabilizar as ações é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF na sigla em inglês), que projeta a captação anual de doações de US$ 5 bilhões, dos quais US$ 2 bilhões deverão ser destinados à floresta Amazônica, enumera Gustavo. “Isso é quatro vezes mais do que todo o fluxo financeiro anual que a gente teve nos últimos 10 anos”, reforça.   

Mudanças climáticas

A partir dessas iniciativas, a proposta é que seja construída uma Declaração Global pela Amazônia, para que os países que integram a Convenção do Clima assumam o compromisso de contribuir para que o bioma continue sendo uma frente importante no enfrentamento às mudanças climáticas.

Para o diretor executivo da organização não governamental Rainforest Trust, James Deustch, é fundamental fortalecer os guardiões da floresta, que são os povos indígenas e as comunidades locais, pelo papel que desempenham na preservação de toda a vida na terra.

“A primeira COP do clima a ser realizada na maior floresta tropical do mundo deve assumir compromissos concretos de apoio financeiro e político para que a Amazônia e as demais florestas tropicais do planeta continuem a armazenar e capturar carbono com segurança”, finaliza.

*Com informações da Agência Brasil