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Plano Amazônia de bioeconomia

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Foto: Reprodução/Embrapa

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Brasil sofre de um mal crônico que corrói sorrateiramente a economia do país. Questões básicas que deveriam ter sido solucionadas há décadas, hoje permanecem resolutas, obstinadas, insistentemente resistentes a mudanças. Há montanhas de livros e teses de doutorados, estudos técnicos de diversas procedências, como USP, Fundação Getulio Vargas, Insper, Embrapa, Sudam, universidades e centros de pesquisa regionais dentre tantas outras instituições, todos mergulhados – e enredados – numa teia de aranha que talvez nem Teseu pudesse pôr abaixo. O herói grego que, para matar o Minotauro (uma criatura da mitologia grega conhecida como parte ser humano, parte touro, possuindo grande ferocidade e que se alimentava de seres humanos) entrou no labirinto com uma corda amarrada na saída desse túnel (o fio de Ariadne) para evitar que se perdesse no interior da estrutura e, em segurança, vir a eliminar a criatura, como assim de fato o fez.

Em relação à Amazônia, falta ao Brasil, essencialmente, competência para saber amarrar essa corda. As discussões sobre soluções alternativas permanecem praticamente as mesmas, recorrentes, como que girando em círculos distanciados do âmago da realidade conjuntural. Ou, por múltiplas razões (egoísmo, arrogância, incompetência ou imodéstia por parte de pesquisadores e técnicos de governos), vítima deles. Nesse meio tempo, evaporam-se no tempo e no espaço estudos avançados, diagnósticos e medidas efetivas debruçadas sobre questões essenciais ao impulsionamento do desenvolvimento regional, centrados em estudos seminais da estrutura geopolítica e econômica da região que apontam, há décadas, os meios necessários e suficientes para a consecução desses objetivos.

Por igual, perdem-se de vista inúmeros planos de desenvolvimento regional ou estaduais voltados a questões transcendentais centradas no desafio de como conduzir a Amazônia ao proscênio da economia nacional a partir da exploração sustentável da vastidão dos recursos da biodiversidade (terra, florestas nativas, minérios, bioeconômicos abundantes e do turismo ecológico capaz de atrair capitais estrangeiros de diversas origens). Chame-se os americanos ou os chineses que logo a região se tornará um hub bioeconômico de extraordinárias proporções, desmoralizando a tese de certos xiitas ambientais que ainda se agarram à teses conservacionistas voltadas a tornar a Amazônia um Éden na terra.

A questão fundamental, penso eu, estriba-se no distanciamento governamental, na abjunção de Brasília aos desafios que se sobrepõem à exploração sustentável da região. Acresça-se a estes, crônica insuficiência de recursos, salientando-se a frustração para a região do apoio do Fundo Amazônia, que, desde a sua criação, já recebeu mais de R$4,1 bilhões em doações (dentre os quais R$ 643 milhões em 2024, mas apenas 11% repassados para projetos submetidos ao Fundo). Além do mais, há que se destacar a realidade irretorquível segundo a qual quem efetivamente entende a Amazônia são os amazônidas que aqui estudaram, aprofundaram conhecimentos por meio de pesquisas autóctones e se comprometeram com nosso desenvolvimento.

Não, exatamente, determinados voyeurs que por aqui passam, são entrevistados com destaque pela mídia local e deitam falação sobre a fantasiosa “desertificação da Amazônia”, o que previam há mais de meio século e que jamais se confirmou ou se confirmará. O certo é que não mais funcionam afirmativas recorrentes, muitas vezes hipócritas e inconsequentes, sobretudo distanciadas da conjuntura social, cultural, política e econômica da região em relação ao conservacionismo descomprometido de contrapartidas de recursos demandados para o desenvolvimento sustentável.

Sendo a exploração dos recursos da biodiversidade, o estímulo à bioeconomia, do interesse de toda a humanidade, nada mais justo que as nações, sobretudo as desenvolvidas, participem diretamente desse esforço. Condição essencial para consolidar um “overview effect“, uma visão geral sobre a região de uma nova perspectiva, necessária à promoção de mudança cognitiva e emocional da humanidade e dos organismos multilaterais acerca da conjuntura amazônica e das soluções subjacentes aos seus conflitos. Afinal, desenvolver a Amazônia é a chave para sua preservação ambiental, social e econômica.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

A vida com os búfalos: a relação dos moradores de Soure e Cachoeira do Arari com o símbolo marajoara

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O ″Alemão″ já se tornou conhecido em Soure e sempre atrai a atenção de turistas que visitam a cidade. Foto: Agência Pará

Com 680 mil cabeças, o Pará é o maior produtor de búfalos do Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São mais de 14 mil propriedades distribuídas no Estado que contêm criação do animal. No principal centro de produção do Pará, o arquipélago do Marajó, a relação entre os búfalos e os moradores vai além da vida econômica. Em municípios como Soure e Cachoeira do Arari – que são o segundo e o terceiro  maiores produtores, ficando atrás de Chaves -, a referência ao animal pode ser vista em vários cantos.

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No distrito de Retiro Grande, que fica localizado na extensão da PA-154, que dá acesso à sede de Cachoeira do Arari, a ligação afetiva com o animal vem de berço. A moradora Flávia Alessandra, de 11 anos, tem um carinho especial pelo bezerro que ela batizou carinhosamente de “Nenenzinho”, de um ano. O animal foi rejeitado pela mãe e acabou sendo “adotado” pela família da jovem, surgindo assim uma ligação com o pequeno búfalo, que é considerado como um membro da família.

Flávia tem uma grande estima pelo bezerro batizado pela família de ″Nenenzinho″. Foto: Agência Pará

“Eu gosto bastante dele. Desde mais novo a gente batizou ele assim e agora basta a gente chamar pelo nome que atende”, disse. 

São dos búfalos que a família tira o sustento, como diz a avó, Elma Suane Vidal. A renda vem da  fabricação de queijo e doce artesanal que utiliza o leite de búfala. “É através desse animal que a gente tira o leite e transforma em doces e outros produtos. Então ele é tudo para nós”, disse.

Leia também: Patrulhamento em búfalos: uma modalidade exclusiva de policiamento marajoara

Nomes

É por meio da produção de búfalos à fabricação de queijo, doces e manteiga. Foto: Agência Pará

Os búfalos são importantes, também, na vida dos que lidam diretamente com o animal. Vaqueiros como os amigos Valdir, Sidney e Luciel, da Fazenda Paraíso, localizada no distrito, garantem que não têm nos búfalos apenas como um meio de ganhar renda. Dizem que têm apego e escolhem os nomes para os animais.

Na fazenda, cada animal recebe uma denominação e atende quando chamado. “Quadrilha”, “Vila Rica”, “Medalha” e “Batalha” – que é o maior da fazenda, com 1.200 quilos -, estão entre os nomes escolhidos. “A gente conhece o dia a dia deles, se apega. Eles já nos conhecem e gostamos desses animais. É gratificante a vaqueirice porque lidamos no dia a dia com eles. A gente sempre escolhe um animal preferido”, revelou Sidney.

Acompanhamento

Os veterinários Anelise Ramos e Augusto Peralta, que são lotados na Coordenaria de Produção Animal da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), e que acompanham os desdobramentos do torneio leiteiro, com visitas a propriedades locais, conversaram com criadores e empreendedores para orientar e ouvir as demandas acerca da atividade bubalina. 

Veterinária da Sedap, Anelise Ramos, destaca a amizade e companheirismo entre os moradores do Marajó e os búfalos. Foto: Agência Pará

O veterinário explica que o trabalho da Sedap e demais instituições parceiras que atuam na pecuária, como a Agência de Defesa Agropecuária do Pará – Adepará, leva em consideração, ao executar suas ações no segmento, a relação que o marajoara, principalmente, tem com o búfalo. “O intuito é atingir o agricultor familiar, dar melhores condições para este pequeno produtor respeitando o que o búfalo representa a ele”, disse Peralta.

A médica veterinária, por sua vez, complementa a informação e fala que a relação do marajoara com os búfalos envolve companheirismo, afetividade e até familiar. “Já me deparei com casos, como de uma senhora, que criava um animal para tração. O búfalo dela morreu e a criadora estava triste porque disse que sentiu como se tivesse perdido alguém da família. É uma relação intimista. Um búfalo pode chegar a viver até 30 anos e há casos em que o animal não vai para o abate e vive muito tempo com o seu dono”, disse. 

O presidente da Associação Paraense de Criadores de Búfalos (APCB), João Rocha, diz que a entidade vê com bons olhos o envolvimento do Estado na bubalinocultura paraense e de valorização do animal símbolo do Marajó. Ele acredita que a realização da COP30 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas), trará ao produtor a oportunidade de mostrar o que faz com eficiência e destreza e mostrando o envolvimento social que a bubalinocultura representa ao Marajó.

“O levantamento que nós temos na associação é que 72% dos bubalinocultores são pequenos criadores. Então é uma cadeia que mexe muito com a parte social e com a ilha do Marajó que tem um IDH baixo (Índice de Desenvolvimento Humano) e o búfalo ajuda a levantar”. 

Símbolo

Em Soure a relação com o búfalo pode ser vista também de várias formas. Seja nos nomes dos estabelecimentos comerciais ou através de monumentos espalhados em vários pontos da cidade, eventos culturais, na culinária e como animais de estimação. A relação entre o búfalo com o povo do Marajó já foi até enredo de escola de samba do Rio de Janeiro  – a Paraíso do Tuiuti, em 2023. 

A vida com os búfalos
Pelas ruas de Soure é possível ver referências aos búfalos por toda parte. Foto: Agência Pará

Um dos personagens mais conhecidos da cidade é o “Alemão”, nome carinhoso que o búfalo ganhou do dono. Quem passa pela orla, dificilmente deixará de encontrar com o animal, que já se acostumou com a presença de curiosos ou mesmo de moradores que gostam de fotografar e fazer carinho no animal.

“É incrível a gente encontrar um animal desse porte pelas ruas da cidade e tão dócil”, disse Santiago Caldas, morador do Paraná, que visita a cidade. 

Até o policiamento local conta com a ajuda dos animais. Em função das características locais como solo e clima, o 8º Batalhão de Polícia Militar adotou a prática e parte das rondas ostensivas é feita com o uso do animal. 

Mato Grosso possui mais de 200 pontes de concreto; veja as 10 maiores

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Ponte sobre o Rio Arinos. Foto: Governo de Mato Grosso

O estado de Mato Grosso possui 222 pontes de concreto, só entregues pelo Governo, em todas as regiões do Estado. As estruturas substituem pontes de madeira e balsas, melhoram o tráfego de veículos, garantem mais segurança para quem transita pelas rodovias e facilitam o escoamento da produção agropecuária.

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O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, explica que a construção de pontes é o maior programa de infraestrutura de Mato Grosso, uma vez que as pontes facilitam o desenvolvimento regional, eliminando as imprevisibilidades provocadas pelas estruturas de madeira.

“Eu sempre digo que construir uma ponte de concreto é remover um obstáculo para o desenvolvimento. A ponte de concreto garante que durante o ano inteiro será possível atravessar aquele rio e isso é benéfico tanto para os produtores, quanto para a população que precisa exercer o seu direito de ir e vir”, afirma.

Veja a lista com as 10 maiores pontes:

Ponte sobre o Rio Teles Pires na MT-419, 692 metros

Essa ponte liga os municípios de Carlinda e Novo Mundo e tirou de circulação uma balsa. A ponte, junto com a pavimentação em andamento da rodovia, garante um novo corredor logístico para a região norte de Mato Grosso.

Ponte sobre o Rio Teles Pires na MT-325, com 550 metros

Localizada em Alta Floresta, essa ponte liga o município com a região do Porto de Areia, na divisa com o Pará. Região com grande produção agrícola e pesqueiros. 

Mato Grosso possui mais de 200 pontes de concreto
Pontes sobre o Rio Teles Pires na MT-325. Foto: Governo de Mato Grosso
Ponte sobre o Rio das Mortes, na MT-326, com 483 metros

A ponte liga os municípios de Cocalinho e Nova Nazaré e foi responsável por garantir que Cocalinho tivesse uma ligação terrestre com o restante do Estado. A ponte aposentou uma balsa, que muitas vezes provocava filas de quase dois dias para ser atravessada pelos caminhoneiros, uma vez que a região de Cocalinho é uma das maiores produtoras de calcário de Mato Grosso.

Ponte sobre o Rio das Mortes. Foto: Governo de Mato Grosso
Ponte sobre o Rio Cuiabá, com 392 metros

Nova ligação entre Cuiabá e Várzea Grande, unindo os bairros Parque do Lago e Parque Atalaia. A obra lançada em 2013 só foi concluída porque a atual gestão resolveu uma série de pendências.

Ponte sobre o Rio Cuiabá. Foto: Governo de Mato Grosso
Ponte sobre o Rio Comandante Fontoura, na MT-430 com 361 metros

Localizada no Norte Araguaia, a ponte de madeira sobre o Rio Comandante Fontoura era famosa pelo seu tamanho. A nova ponte de concreto garante mais segurança para o trânsito entre Santa Cruz do Xingu e Vila Rica.

Ponte sobre o Rio Comandante Fontoura. Foto: Governo de Mato Grosso
Ponte sobre o Rio Arinos, na MT-220 com 305 metros

A ponte de 305 metros garantiu que Porto dos Gaúchos tivesse uma nova ligação para o outro lado do Rio Arinos. Junto com o asfalto da MT-220, ela garante uma ligação mais rápida entre toda a região de Juína e a BR-163.

Ponte sobre o Rio Arinos. Foto: Governo de Mato Grosso
Ponte sobre o Rio Arinos na MT-488, com 244 metros

Estrutura localizada entre Nova Maringá e Tapurah, região de grande produção agrícola.

Ponte sobre o Rio Arinos. Foto: Governo de Mato Grosso
Ponte sobre o Rio Apiacás na MT-206 com 240 metros

A ponte sobre o Rio Apiacás é fundamental para garantir uma ligação terrestre mais segura para o município de Apiacás, uma vez que a MT-206, em fase final de pavimentação, é a rodovia que garante sua ligação com o restante de Mato Grosso.

Ponte sobre o Rio Apiacás. Foto: Governo de Mato Grosso
Ponte sobre o Rio Arinos na MT-242, com 240 metros

Mais uma ponte sobre o Rio Arinos, essa ligando Itanhangá até Brasnorte. A ponte faz parte da MT-242, que está sendo asfaltada e será uma das principais vias de ligação da região norte de Mato Grosso.

Ponte sobre o Rio Arinos. Foto: Governo de Mato Grosso
Ponte sobre o Rio Aripuanã, na MT-208, com 240 metros

Estrutura localizada em Aripuanã que era há muitos anos aguardada pela população.

Em Construção

A Sinfra-MT ainda está com mais 79 obras de construção de pontes em andamento em todo o Estado. Entre essas, pelo menos mais duas vão entrar na lista das maiores quando forem concluídas.

A maior de todas é a ponte do Rio Juruena, na MT-208, ligando Cotriguaçu até Nova Bandeirantes. Com 1.360 metros ela deve ser entregue em 2026. A outra ponte tem 561 metros e fica localizada sobre o Rio Teles Pires, na MT-561, em Itaúba. As obras dessa estrutura foram iniciadas em abril deste ano. 

Foto: Governo de Mato Grosso

*Com informações do Governo de Mato Grosso

Desenvolver a Amazônia precisa da conexão entre conhecimentos científico e tradicional, afirma Embrapa

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Ribeirinho da Amazônia. Foto: Adriano Gambarini/Insituto Mamirauá

O desenvolvimento sustentável da Amazônia passa pela adoção de tecnologias com respeito ao conhecimento das populações locais, mas apesar de todos os esforços dos cientistas, ainda não se consegue fazer, com maestria, a conexão de saber científico com o tradicional.  

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A constatação foi feita por representantes das Unidades da Embrapa na Amazônia Legal, durante a roda de conversa “Levando o bioma Amazônia para a CP30”,  no evento Diálogos pelo Clima-Amazônia, realizado dia 2 de julho em Manaus, AM. Eles falaram dos desafios e perspectivas para a região, comentando a realidade de cada um dos nove estados.

Desenvolver a Amazônia precisa da conexão entre conhecimentos científico
Roda de conversa “Levando o bioma Amazônia para a CP30”, no evento Diálogos pelo Clima-Amazônia, dia 2 de julho em Manaus. Foto: Embrapa

Everton Rabelo Cordeiro, chefe-geral da Embrapa Amazônia Ocidental, disse que as populações “que aqui vivem” precisam de cuidados para que aqui permaneçam com plena dignidade. E esse cuidado passa pelo desenvolvimento de tecnologias que favoreçam o desenvolvimento sustentável. “Se as pessoas vivem com dignidade, se nós respeitamos o modo de viver delas e se elas respeitem o nosso modo de viver, a gente vai manter a equilíbrio que esse planeta tanto precisa”, disse.

Para o chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Walkymário Lemos, os desafios são múltiplos, mas ressaltou o desafio tecnológico como o mais significante. “Nós temos na Amazônia experiências do mais alto calibre científico tecnológico e muitas vezes em propriedades com os piores índices de inovações de tecnologias. Então, esse vazio tecnológico rebate em vulnerabilidades sociais e econômicas”. Para ele, o grande desafio passa pelo distanciamento tecnológico, do conhecimento científico com o saber das  comunidades tradicionais da Amazônia.

Falou que apesar de todos os esforços dos cientistas, ainda não se consegue fazer com maestria, a conexão de saber científico com o tradicional. Embora a Amazônia já tenha uma potência científica instalada, há um outro grande desafio que é valorizar o conhecimento tradicional.

A pesquisadora Lúcia Helena Wadt, chefe-geral da Embrapa Rondônia, disse que é necessário usar a Amazônia em benefício das populações. Citou como exemplo as pesquisas com o café robusta, onde se aplica o saber tradicional e o conhecimento científico e se consegue desenvolver um sistema próprio.  “Então, a gente conseguiu reconhecer o desenvolvimento que foi feito de variedades, de clones, de materiais genéticos e agora se percebe o quanto melhorou a eficiência produtiva, o preço, a valorização e até o reconhecimento tradicional com os indígenas”.

Amazônia Continental. Foto: Divulgação

Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Maranhão, destacou que é preciso mudar a trajetória das comunidades, para que elas também tenham autonomia.

Danielle de Bem Luiz, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, disse que um dos maiores desafios da Amazônia, é tornar a produção pesqueira e aquícola de espécies nativas mais resiliente, sem perder de vista a inclusão produtiva e a competitividade, caso contrário, espécies exóticas que entrarão no bioma podem promover mudanças na fauna aquática.

Disse que o gargalo é a ausência de um pacote tecnológico completo para as espécies de peixes nativas, como tambaqui e pirarucu, que seja produtivo e adaptável a diferentes perfis de produtores, do pequeno ao grande investidor. E o que tem que ter nesse pacote tecnológico?

“Melhoramento genético, com foco em desempenhos autênticos, tolerâncias às variações ambientais, desenvolver rações específicas para essas espécies nativas e também garantir duas práticas sanitárias de manejo de que funcionem essas condições hidroclimáticas específicas na Amazônia”, respondeu. Lembrou que o Brasil é grande produtor de carnes (bovina, suína, frango e de tilápia) que não são genuinamente brasileiras.

Amazonia vista aerea. Foto: Acervo/Ipaam

Nagib Jorge Melém, pesquisador da Embrapa Amapá, aponta a defesa fitossanitária um dos desafios da Unidade, pois o estado é porta e entrada da navegação oceânica, por onde já entraram doenças como o moco da bananeira, a mosca da carambola e  ultimamente, a vassoura-de-bruxa da mandioca. “Temos que cuidar para evitar o aparecimento de doenças para todo o Brasil”, comentou.

Moderando a mesa redonda, a diretora executiva de Administração da Embrapa, Selma Beltrão, reforçou a fala do deputado Rodrigo Rolemberg, de que não existe solução única, e nem isolada. “Então é necessário que estejam juntos ciência, políticas públicas, setor produtivo com quem vive na floresta e do campo”, disse.

Jornada pelo Clima

O circuito de eventos Diálogos pelo Clima compõe a Jornada pelo Clima, projeto de grande envergadura da Embrapa que evidencia a ciência na agropecuária brasileira como um pilar essencial para a transformação sustentável.

*Com informações da Agência Embrapa

Pérola do Maicá aposta no turismo de base comunitária para gerar renda e preservar o meio ambiente

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Pérola do Maicá aposta no turismo de base comunitária. Foto: Agência Santarém

A apenas 6 km do centro de Santarém (PA), o bairro Pérola do Maicá vem se consolidando como modelo de Turismo de Base Comunitária (TBC), ao integrar geração de renda, fortalecimento da cultura local e conservação ambiental.

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Para conhecer de perto essa experiência, a equipe técnica da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur) visitou o território e percorreu o roteiro organizado pela Associação de Moradores do Pérola do Maicá (AMBAPEM), que já atrai turistas, pesquisadores e visitantes em busca de vivências autênticas.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Pérola do Maicá aposta no turismo de base comunitária
Com cerca de 40 km de extensão, o Lago do Maicá é um canal de várzea que conecta o rio Amazonas a outros lagos da região. Foto: Agência Santarém

As atividades incluem:

• Passeio de bajara ou canoa pelo Lago do Maicá

• Observação de aves (mais de 91 espécies registradas, especialmente ao amanhecer)

• Trilhas ecológicas (no período da vazante, entre agosto e novembro)

• Visita a quintais agroecológicos

• Feira com produtos locais

• Oficinas com mulheres artesãs

• Demonstração de pesca artesanal (com mais de 100 espécies de peixes catalogadas)

• Roda de conversa e apresentações culturais

• Degustação de pratos típicos

Onde natureza e modo de vida se encontram. Foto: Agência Santarém

O secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, destacou o potencial do projeto:

“O que está sendo feito aqui é prova de que o turismo pode transformar realidades. Gera renda, valoriza a cultura local e preserva o meio ambiente. Volto ao bairro e vejo uma equipe empolgada, capacitada e comprometida. Essa é a alma do turismo comunitário: pessoas fazendo com amor e de forma colaborativa.”

Lago do Maicá: onde natureza e modo de vida se encontram

Com cerca de 40 km de extensão, o Lago do Maicá é um canal de várzea que conecta o rio Amazonas a outros lagos da região. Próximo à zona urbana, destaca-se pelas águas tranquilas, vegetação densa e árvores imponentes.

Com cerca de 40 km de extensão, o Lago do Maicá é um canal de várzea que conecta o rio Amazonas a outros lagos da região. Foto: Agência Santarém

O lago é um berçário natural da fauna amazônica, abrigando inúmeras espécies de peixes, aves e mamíferos. Ao longo de seu percurso — entre o Maicá e o Ituqui — vivem comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas, extrativistas e agricultores familiares, que praticam a pesca artesanal e o manejo sustentável dos recursos locais.

Os passeios guiados por moradores, com duração média de 1h30, proporcionam uma imersão na floresta alagada. Em dias favoráveis, é possível avistar araras-azuis, garças, botos, preguiças, jacarés e macacos.

Culinária com identidade

A gastronomia do bairro é parte essencial da experiência. Um dos destaques é o Arroz do Maicá, elaborado pela chef Rebecca Riker Carneiro, que combina arroz com jambu, peixe frito pescado no lago, tucupi, banana-da-terra e farofa de castanha.

Brigadeiro de tucupi com flor de jambu mistura sabores da floresta com criatividade. Foto: Agência Santarém

Na sobremesa, o surpreendente brigadeiro de tucupi com flor de jambu mistura sabores da floresta com criatividade.

Moradoras como Dona Lindalva Costa da Silva mantêm viva a tradição culinária local, com pratos à base de filhote, surubim, dourada e galinha caipira — preparados com ingredientes do lago e dos quintais produtivos da comunidade.

Quintais que alimentam e fortalecem

A produção agroecológica é um dos pilares da economia local. Foto: Agência Santarém

A produção agroecológica é um dos pilares da economia local. Cultivada nos próprios quintais, garante alimentos saudáveis e renda para as famílias. Seu Zelí Ramos de Sá, por exemplo, cultiva 22 canteiros e fornece hortaliças para feiras e mercados da cidade.

“Aqui quase todo mundo planta. A cada 15 dias, vendemos nossa colheita na associação. É tudo sem veneno, direto do nosso quintal, com cuidado e amor”, explica.

Pesca artesanal: tradição e subsistência

O Lago do Maicá abriga mais de 100 espécies de peixes, sendo fundamental para o sustento das famílias da região. A pesca artesanal é uma prática ancestral que segue viva na rotina local.

Maicá abriga mais de 100 espécies de peixes. Foto: Agência Santarém

Cantídio Benício Rego, morador há 34 anos, resume sua relação com o lago:

“Pesco desde os cinco anos. Quando cheguei aqui, me apaixonei. A gente observa o vento, a cor da água, a profundidade… tudo isso é sabedoria. Respeitar a natureza é essencial. E esse rio é muito generoso.”

Visitantes podem acompanhar o cotidiano dos pescadores e, de forma respeitosa e guiada, participar da atividade.

Agendamento e respeito ao ritmo da comunidade

Associação de Moradores do Pérola do Maicá (AMBAPEM). Foto: Agência Santarém

Para participar das experiências no bairro, é necessário agendar com antecedência. A proposta é garantir o acolhimento sem interferir na rotina da comunidade.

“A gente se prepara para receber. Não queremos interferir na rotina da comunidade, mas somar. Por isso, é importante saber com antecedência quais passeios a pessoa deseja fazer, para alinhar com os moradores que vão acompanhar,”explica Denilson dos Reis Silva, coordenador do Departamento de Turismo de Base Comunitária da AMBAPEM.

Agendamentos:

Valdecir Oliveira – (93) 99145-2505 e Denilson Reis – (93) 99136-9228

*Com informações da Agência Santarém

Verão Seguro: confira dicas para um veraneio sem preocupações

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Verão na praia do Atalaia. Foto: divulgação

Com a chegada das férias de julho, praias, balneários e cidades turísticas do Pará apresentam um aumento significativo no fluxo de pessoas. Para garantir que o período seja aproveitado com segurança, a Polícia Militar do Pará reforça o policiamento nas áreas mais procuradas e orienta a população com dicas importantes de prevenção.

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Com o início da Operação Verão Seguro 2025, lançada em 28 de junho, a Polícia Militar intensificou o policiamento em locais turísticos como Salinópolis, Mosqueiro, Outeiro e Bragança. A estratégia mobiliza cerca de 7.358 policiais militares distribuídos em vários processos de policiamento, 223 viaturas (carros e motocicletas), patrulhamento aéreo e fluvial, além de centros de comando integrado para garantir atenção constante aos visitantes.

Leia também: Verão Amazônico exige cuidados redobrados com pele e olhos: especialistas dão dicas

Veja os cuidados essenciais:

Polícia Militar do Pará
Dicas da Polícia Militar para um veraneio sem preocupações. Foto: Agência Pará

Segurança no trânsito – revisões preventivas do veículo, uso obrigatório de cinto de segurança, respeito aos limites de velocidade e atenção redobrada ao dirigir à noite. Dirigir sob efeito de álcool é totalmente proibido.

Diversão e cuidado na praia – escolha áreas com maior movimento, evite locais isolados, mantenha objetos de valor protegidos e acompanhe crianças utilizando pulseirinhas com identificação. Respeite sempre as orientações dos salva-vidas e sinalizações de risco. 

Proteção de documentos e dinheiro – leve apenas o necessário, prefira pagamentos com cartão ou pix e redobre a atenção ao usar caixas eletrônicos ou acessar promoções nas redes sociais para evitar golpes.

Ação rápida em emergências – Em qualquer incidente, acione o 190 ou procure um posto policial. Mantenha contatos de emergência salvos no celular para resposta imediata. 

verão em algodoal
Praia de Algodoal. Foto: Divulgação

Leia também: Especialista dá dicas de como se proteger durante o verão amazônico

Além do patrulhamento nas ruas, a PM também realiza campanhas educativas, bloqueios em vias e ações integradas com outros órgãos de segurança e trânsito.

De acordo com o comandante-geral da PMPA, coronel Dilson Júnior, o planejamento da PM tem como objetivo garantir que a população aproveite as férias de forma segura:

“O verão no Estado é um dos períodos mais esperados do ano. Estamos atuando com planejamento e reforço de efetivo em todas as áreas estratégicas para prevenir crimes e proteger os veranistas.”

A Polícia Militar reforça que a segurança também é uma responsabilidade individual. A atenção, o respeito às leis e a prudência são fundamentais para um veraneio tranquilo e sem imprevistos.

*Com informações da Agência Pará

Tartarugas do Mangal das Garças ganham novo lar em São Paulo

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Tartarugas do Mangal das Garças. Foto: Divulgação

Na madrugada do dia 3 de julho de 2025, quinta-feira, o Parque Zoobotânico Mangal das Garças, localizado em Belém do Pará, enviou duas tartarugas para o Zooparque de Itatiba, em São Paulo. O parque belenense possui uma parceria firmada com o Zooparque, que atualmente está preparando um novo espaço de visitação com répteis de todo o Brasil.

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As tartarugas enviadas foram da espécie Tartaruga da Amazônia (Podocnemis expansa) e, por pesarem mais de 20 quilos, foram transportadas de avião. Todo o processo foi certificado em conjunto com o IBAMA e a SEMAS municipal. “Como esses animais são realmente nascidos no Mangal, a documentação está em dia, para garantirmos que estão saudáveis”, comenta Camilo Gonzalez, veterinário do Parque Zoobotânico Mangal das Garças.

Tartarugas
Tartarugas do Mangal das Garças. Foto: Divulgação

O veterinário conta que foi um desafio construir as caixas de transporte adaptadas, pois, como são animais aquáticos, a viagem exige mais cautela. “A gente fez um processo de colocar óleo mineral em todo o corpo deles para não desidratarem. Então, ficaram todos lambuzados em óleo mineral e colocamos um colírio que mantinha os olhos úmidos.”

Os bichinhos chegaram em São Paulo em segurança e agora passam por um período de observação e quarentena antes de se unirem às outras tartarugas do recinto.

O Mangal das Garças realiza um trabalho com tartarugas da Amazônia de diversos tamanhos. Com uma grande população, o complexo consegue enviar espécies para outros lugares. O novo lar das tartaruguinhas já está adequado para recebê-las, com controle climático e muitos cuidados.

Tartarugas
Tartarugas do Mangal das Garças. Foto: Divulgação

A parceria entre o Zooparque e o Mangal existe desde 2023, com muita troca de conhecimento. Recentemente, o veterinário do Mangal esteve presente, durante 15 dias, em um treinamento com técnicos e funcionários do parque paulista. Além disso, já realizaram intercâmbio de animais, cujo objetivo foi proporcionar o enriquecimento da carga genética nos parques. O Mangal recebeu dois flamingos e dois cisnes-de-pescoço-preto e, em contrapartida, doze guarás e duas arapapás criados no parque foram doados à instituição itatibense.

Leia também: Mangal das Garças completa 16 anos cuidando da natureza

Serviço

A visitação no Parque Zoobotânico Mangal das Garças ocorre de terça-feira a domingo, das 8h às 18h. Nas segundas-feiras, o parque fecha para manutenção. O espaço fica na rua Carneiro da Rocha, s/n, no bairro Cidade Velha, em Belém.

3 eventos para conhecer Parintins além do Festival Folclórico

Foto: Helder Repolho/Prefeitura de Parintins

Conhecida nacional e internacionalmente pelo tradicional Festival Folclórico em junho, a cidade de Parintins, distante 370 quilômetros de Manaus, no Amazonas, não limita sua vida cultural ao mês do duelo entre os bois Caprichoso e Garantido.

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Ao longo do ano, diversos eventos movimentam o município, mobilizando artistas, comunidades e visitantes em ações que reforçam a identidade cultural da região e mantêm viva a tradição local para além do Bumbódromo.

Com cerca de 101 mil habitantes, segundo estimativas do IBGE no Censo de 2022, Parintins abriga manifestações que mesclam religiosidade, arte, esporte e memória histórica.

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Esses momentos reforçam o papel de Parintins como centro cultural ativo no calendário amazonense, em diferentes datas. Confira:

Carnailha, o carnaval parintinense

Ainda no primeiro trimestre do ano, e também realizado em três noites como o Festival Folclórico de Parintins, o Carnailha, como é conhecido o Carnaval de Parintins, movimenta ruas e bairros com desfiles de blocos tradicionais e fantasias que aliam sátira, crítica social e elementos do imaginário amazônico.

Mas a festa principal mesmo acontece na Avenida Paraíba, no bairro Raimundo Muniz, onde grupos como os blocos do Mocotó, Unidos do Itaúna e Banda do Jangadão desfilam ao som de marchinhas e batidas regionais, atraindo moradores e visitantes.

O evento é reconhecido pelo envolvimento da população e pela criatividade dos foliões. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Parintins costuma organizar concursos de fantasias, bailes populares e premiações para os blocos mais criativos.

O Carnailha também serve como espaço de preparação para artistas que, posteriormente, participarão dos galpões dos bois-bumbá, mas longe de trazer conteúdo bovinos, já que na mesma época acontece o Carnaboi, evento que toca toadas em cima de trios elétricos pela cidade.

Carnailha. Foto: Reprodução/Prefeitura de Parintins

Peregrinação a Nossa Senhora do Carmo

A Festa de Nossa Senhora do Carmo em Parintins, padroeira da cidade, é uma celebração religiosa anual, que ocorre no dia 16 de julho, mas as festividades se estendem por vários dias. A festa envolve procissões, missas, novenários e manifestações culturais, organizado pela Diocese de Parintins e também por outros grupos não oficiais da Igreja Católica, atraindo milhares de fiéis. 

A festa em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, feita pela Diocese de Parintins, começa com uma procissão fluvial no dia 6 de julho. Em 2025 o festejo tem como tema ‘Maria, Mãe da Esperança’ e o lema ‘Peregrinantes com Maria, a Rainha de toda a criação’.

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Neste mesmo período também ocorre a romaria fluvial, também feito pela Diocese de Parintins, que sai da zona rural de Parintins e segue até o cais da cidade, de onde a imagem da Virgem segue pelas principais ruas do município até a Igreja de São José Operário e depois até a Catedral de Parintins, onde ocorre a Missa de Abertura da Festa.

No dia seguinte, inicia-se a novena festiva e no dia da santa, 16 de julho, a procissão solene percorre as principais vias da cidade e uma missa marca o encerramento da festa. Durante o percurso, os devotos e peregrinos fazem pagamento de promessas. 

A Romaria das Águas, evento criado pelo artista plástico por Juarez Lima em 2009, este ano chega à sua 16ª edição. Com o tema ‘”‘Maria, és a Árvore da Vida, da qual nasce Jesus: a Arca da Aliança, raiz ancestral da fé na Amazônia'”‘, o evento reafirma a devoção, a cultura e o compromisso com a preservação da Amazônia.

Este ano a Romaria das Águas sai de Manaus com embarque no dia 13 de julho do Porto de Manaus
e Saída às 18h45 do Mirante Lúcia Almeida, passando por diversas comunidades entre Manaus e Parintins, com destino final à ilha tupinambarana.

O artista plástico Juarez Lima em uma das edições do Romaria das Águas. Foto: Juarez Lima/Acervo pessoal

Aniversário da cidade celebra memória e identidade local

Comemorado em 15 de outubro, o aniversário de Parintins é outro marco do calendário cultural. Durante a semana da celebração, a prefeitura organiza programações cívicas, shows, exposições históricas e eventos esportivos. A data também é aproveitada por escolas, grupos comunitários e instituições locais para destacar a trajetória da cidade, fundada oficialmente em 1852.

Uma das atrações recorrentes é o desfile cívico na Praça da Catedral, que reúne escolas municipais, bandas marciais, grupos culturais e servidores públicos. A programação costuma se estender para o fim de semana, com apresentações musicais e manifestações artísticas organizadas nas ruas do entorno do Bumbódromo.

Foto: Yuri Pinheiro

Produção artística e turismo o ano inteiro

Mesmo fora das grandes festividades, Parintins mantém uma intensa produção cultural nos galpões dos bois, oficinas de arte, grupos de dança e espaços independentes. Visitantes que chegam em outras épocas do ano também podem conhecer os currais de Caprichoso e Garantido, visitar ateliês de artistas locais e participar de ensaios abertos das toadas. Mesmo não estando na época do Festival, funcionam normalmente.

O artesanato, os murais de grafite e os roteiros culturais oferecidos por guias locais também contribuem para manter o turismo ativo ao longo do ano. Barqueiros, artesãos e músicos continuam desenvolvendo atividades que preservam os modos de vida ribeirinho e a memória cultural do município.

Assim, mesmo fora do mês de junho, Parintins continua sendo um polo de produção artística e celebração cultural. O calendário de eventos e manifestações reflete a riqueza de uma cidade que respira cultura em todas as suas formas.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia

Edição: Clarissa Bacelar

Amazônia e Cerrado possuem 86% da área queimada nos últimos 40 anos

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Desmatamento na Amazônia Legal. Creditos: Marizilda Cruppe

A Amazônia e o Cerrado, juntos, tiveram 177 milhões de hectares queimados pelo menos uma vez nos últimos 40 anos, uma área semelhante à do México queimada em apenas dois biomas. O acumulado equivale a 86% de toda a área atingida pelo fogo nas últimas quatro décadas.

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Os dados foram publicados no final de junho de forma inédita no Relatório Anual do Fogo do Brasil com dados da quarta coleção do MapBiomas Fogo de mapas de cicatrizes de fogo do Brasil desde 1985 a 2024, coordenado por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e outras instituições que compõem a rede.

Imagem aérea de queimadas na cidade de Altamira, Estado do Pará. Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

Na Amazônia, 2024 foi um ano recorde em extensão de área queimada, com 15 milhões de hectares atingidos, um aumento de 85% em relação a 2023 e o maior total registrado desde 1985. Desde então, o bioma já acumula 87 milhões de hectares queimados, o que corresponde a 21% da área total do bioma.

No Cerrado, o aumento foi de 75% em comparação ao ano anterior, com 10,5 milhões de hectares queimados em 2024. No total acumulado desde 1985, 45% do bioma já foi queimado pelo menos uma vez, cerca de 89 milhões de hectares.

Em todo o território brasileiro, o fogo atingiu 206 milhões de hectares ao longo das últimas quatro décadas, o equivalente a 24% do país. Essa área supera o território de países como Irã e Indonésia, e é oito vezes maior que o estado de São Paulo. Somente em 2024, foram queimados 30 milhões de hectares, um salto de 87% em relação a 2023, quando 15,9 milhões de hectares foram atingidos. O total de 2024 ficou 62% acima da média histórica desde 1985.

Figura: Área queimada acumulada em milhões de hectares entre 1985 a 2024 no Brasil

“Embora o desmatamento tenha diminuído, o uso do fogo na conversão florestal e no manejo agropecuário, associado à intensificação de condições climáticas adversas, como períodos mais longos de seca e aumento das temperaturas, tem intensificado os incêndios, tornando-os mais frequentes e difíceis de controlar, especialmente na Amazônia. Esse uso do fogo, associado ao avanço da fronteira agrícola no país, tem contribuído para a alta incidência de queimadas, especialmente em estados como Mato Grosso, Pará e Maranhão — os três que mais queimaram desde 1985”, destaca Felipe Martenexen, pesquisador do IPAM e coordenador do mapeamento da Amazônia.

O aumento da área queimada também foi observado em outras regiões do país. Dos seis biomas brasileiros, quatro registraram alta na ocorrência de fogo em 2024. A Amazônia e a Mata Atlântica, em particular, atingiram a maior área queimada dos últimos 40 anos.

Leia também: Estudo mostra que repetição de queimadas ameaça resiliência da Amazônia 

Estados e Municípios

Nos últimos 40 anos, quase metade da área queimada no Brasil esteve concentrada em apenas três Estados: Mato Grosso, Pará e Maranhão. Juntos, somam mais de 96,6 milhões de hectares atingidos pelo fogo pelo menos uma vez — o equivalente a 47% de toda a área queimada no país no período.

Os demais Estados que compõem a região do Matopiba — fronteira agrícola formada por partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — completam as seis primeiras posições. No total, os Estados do Matopiba concentram mais de 64 milhões de hectares acumulados queimados desde 1985.

Figura: Área queimada acumulada (em hectares) por estado entre 1985 e 2024

O recorte municipal também mostra cenário parecido de concentração. Apenas 15 municípios, sendo sete localizados no Cerrado, seis na Amazônia e dois no Pantanal, foram responsáveis por 10% de toda a área queimada no Brasil nas últimas quatro décadas. Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA) lideram a lista, inclusive no ano de 2024, e são os únicos a ultrapassarem a marca de 3 milhões de hectares queimados cada. Juntos, os 15 municípios concentram 22 milhões de hectares atingidos pelo fogo desde 1985.

Tabela: Área queimada acumulada (em hectares) por municípios mais afetados pelo fogo entre 1985 e 2024

Vegetação nativa em chamas

Nos últimos 40 anos, 69,5% das queimadas no Brasil ocorreram em áreas de vegetação nativa, enquanto os demais 30,5% atingiram áreas antrópicas, como pastagens e lavouras. Em biomas como Caatinga, Cerrado, Pampa e Pantanal, cerca de 80% da área queimada corresponde a ecossistemas nativos. Entre os tipos de cobertura mais afetados, destacam-se as formações savânicas, típicas do Cerrado, que foram as áreas naturais mais queimadas nas últimas décadas.

“O Cerrado, embora tenha evoluído com a presença de fogo, enfrenta desafios devido à intensificação dos incêndios nos últimos anos. O aumento da frequência e intensidade dos incêndios, impulsionado por práticas inadequadas e mudanças climáticas, têm impactado a capacidade de regeneração natural do bioma. Em 2024, 86% da área queimada no Cerrado foi em vegetação nativa, tornando urgente a implementação de ações de adaptação climática e políticas públicas, como o MIF [Manejo Integrado do Fogo], para mitigar os danos e restaurar a resiliência do Cerrado, protegendo tanto o meio ambiente quanto as comunidades que nele vivem”, comenta Vera Arruda, pesquisadora do IPAM e coordenadora técnica do MapBiomas Fogo.

Em 2024, quase três quartos da área queimada no país (72,7%) ocorreu em áreas de vegetação nativa, enquanto 27,3% atingiram áreas já antropizadas. Esse aumento foi impulsionado principalmente pela alta do fogo em regiões de floresta (formação florestal e floresta alagável), com 7,7 milhões de hectares queimados em 2024 – um salto de 287% em relação à média histórica. No ano passado, pela primeira vez em toda a série histórica, a Amazônia queimou mais floresta do que pastagem. Historicamente, a pastagem era a classe de cobertura e uso da terra mais afetada pelo fogo no bioma.

Sazonalidade e recorrência do fogo

Os dados da Coleção 4 do MapBiomas Fogo revelam que o uso recorrente do fogo é um padrão no Brasil: 64% da área atingida pelo fogo nos últimos 40 anos foi queimada mais de uma vez. Ainda, cerca de 3,7 milhões de hectares foram queimados mais de 16 vezes desde 1985.

O fogo também segue um padrão sazonal marcado pela seca no centro do país. Aproximadamente 72% das áreas queimadas ocorreram entre os meses de agosto e outubro, período em que a vegetação está mais seca e vulnerável. A redução da umidade favorece a propagação do fogo e amplia os danos ambientais, especialmente em regiões como o Cerrado e a Amazônia.

Sobre o MapBiomas Fogo

O MapBiomas Fogo realiza o mapeamento anual e mensal das áreas queimadas no Brasil por meio do processamento de imagens geradas pelos satélites Landsat de 1985 a 2024. Com algoritmos de deep learning, foi mapeada a área queimada em cada pixel de 30 m x 30 m dos mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro ao longo do período.

Os dados resultantes da Coleção 4 estão disponíveis em mapas e estatísticas anuais, mensais e acumulados para qualquer período entre 1985 e 2024 no Link, aberta gratuitamente a todos. Pela primeira vez, esses dados foram consolidados e publicados no Relatório Anual do Fogo (RAF) no Brasil com um panorama abrangente da ocorrência das áreas queimadas no território brasileiro nas últimas quatro décadas, além da dinâmica do fogo por biomas, estados, municípios, categorias fundiárias e tipos de cobertura e uso da terra no país.

A plataforma também inclui dados do ano da última detecção do fogo, tamanho de cicatrizes queimadas e frequência de fogo, indicando as áreas mais afetadas nos últimos 40 anos e o tipo de cobertura e uso da terra queimado, permitindo recortes territoriais e fundiários por bioma, estado, município, bacia hidrográfica, unidade de conservação, terra indígena, reserva da biosfera, quilombos e assentamentos.

*Com informações do IPAM

Conheça as quadrilhas vencedoras do 16º Arraiá no Meio do Mundo no Amapá

No Arraiá do Povo 2025, em Macapá (AP), o grupo junino Bagunçados dos Matutos foi o grande campeão na categoria tradicional do 16º Arraiá no Meio do Mundo. Na categoria estilizados, três grupos empataram em primeiro lugar: Simpatia da Juventude, Estrela do Norte e Luar do Sertão.

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Nos seis dias de evento realizado pelo Governo do Amapá, entre 27 de junho e 2 de julho, quadrilhas se apresentaram na Cidade Junina, montada no Corpo de Bombeiros, no bairro São Lázaro, Zona Norte da capital amapaense. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (3).

Arraiá Amazônico

O Arraiá Amazônico é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA-Amapá), Associação Casa da Hospitalidade, Lar Betânia – Casa da acolhida Marcello Candia; e apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Amapá (Secult), Governo do Amapá e Tratalix Serviços Ambientais.