O combate à violência contra a mulher requer mais do que ações isoladas, exige também uma rede de apoio estruturada e humanizada. Esse trabalho ganha força a partir da atuação de profissionais que entendem que o acolhimento é o primeiro passo para salvar vidas e romper os ciclos de violência.
O projeto Bella Causa, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), foi criado com o intuito de reforçar a importância de iniciativas que promovam informação, orientação e oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional para mulheres vítimas de violência.
A partir disso, o trabalho desenvolvido conta com o apoio de diversas entidades e iniciativas, como as promovidas pela Defensoria Pública e pelas Delegacias Especializadas, que reforçam como a escuta, o suporte jurídico e o acompanhamento psicossocial fazem a diferença na vida de mulheres e crianças vítimas da violência doméstica e do feminicídio.
Conheça mulheres que estão à frente dessas iniciativas em Roraima:
Bella Causa
O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.
A unidade possui área construída de 4.151,75 m², distribuída em cinco blocos. Foto: Richard Messias/PMBV
A Prefeitura de Boa Vista inaugurou a Escola Municipal de Tempo Integral José David Feitosa, localizada no P.A. Nova Amazônia, região do Murupu, zona rural de Boa Vista. A unidade é a primeira do campo nessa modalidade e integra o pacote de investimentos que fortalecem a educação no início do Ano Letivo de 2026.
Os alunos entram às 7h30 na escola e saem às 16h30, com aulas convencionais e atividades complementares como informática, cultura, música e esportes. A metodologia vai elevar a qualidade do ensino e colocar Boa Vista no topo da educação nacional. De acordo com a secretária adjunta de Educação e Cultura, Meiry Jane Gomes, é um momento histórico para a educação de Boa Vista.
“Estamos entregando novas escolas, todas com padrões de qualidade excelentes, ampliando o acesso e garantindo mais vagas para nossas crianças. Nossos profissionais estão capacitados e preparados para acolher os alunos desde o primeiro dia de aula, com estrutura adequada, material didático, alimentação escolar e um ambiente que favorece o aprendizado. A educação é uma prioridade da gestão e esses investimentos refletem o compromisso da prefeitura com o futuro das nossas crianças e com o desenvolvimento da cidade”, disse.
Os 15 ônibus entregues atenderão 12 escolas indígenas e cinco do campo, ampliando a segurança e o acesso dos estudantes às unidades de ensino. Foto: Richard Messias/PMBV
Estrutura moderna e ensino em tempo integral
Construída do zero com recursos próprios e Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), a Escola Municipal José David Feitosa substitui o antigo prédio da unidade e tem capacidade para atender 510 alunos da creche ao ensino fundamental, além da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A unidade possui área construída de 4.151,75 m², distribuída em cinco blocos: administrativo, creche, dois blocos pedagógicos e bloco de serviços/refeitório, além de quadra coberta, pátio, parquinho, horta, chuveiródromo e redário.
Ao todo, são 16 salas de aula, espaços para descanso dos alunos, laboratórios e áreas de convivência. O funcionamento em tempo integral inclui quatro refeições diárias: café da manhã, colação, almoço e pré-jantar.
A unidade conta com estrutura moderna,quadra coberta, pátio, parquinho, horta, chuveiródromo e redário.Foto: Giovani Oliveira/PMBV
Reforço no transporte escolar
Durante a inauguração, a prefeitura também entregou 15 novos ônibus escolares, que fazem parte do total de 84 adquiridos no fim de 2025. Os veículos atenderão 12 escolas indígenas e cinco do campo, ampliando a segurança e o acesso dos estudantes às unidades de ensino.
Os ônibus são adaptados para trafegar em áreas rurais, com maior potência e resistência para períodos chuvosos, garantindo o transporte dos alunos mesmo em condições adversas.
Fardamento escolar entregue aos alunos
Outro destaque da inauguração foi a entrega dos kits de fardamento escolar aos alunos da unidade. Os kits incluem camisas, bermudas ou short-saia, jaqueta, calça, meias e tênis, com versões específicas para creche, pré-escola, ensino fundamental e EJA.
A gestora da unidade, Célia Costa, destacou a transformação vivenciada pela comunidade escolar desde a criação da escola.
“É um momento de muita alegria e gratidão. Começamos como anexo, depois nos tornamos escola. Hoje estamos em uma das melhores estruturas do município. Essa unidade de tempo integral é um sonho da comunidade e vai fazer muita diferença na formação das crianças”, afirmou.
Ela também ressaltou que o projeto foi construído com diálogo com a comunidade. “Os pais abraçaram a ideia e acreditam que essa escola vai somar muito na vida dos alunos do campo”, completou.
Família celebra a conquista da escola na comunidade. Foto Giovani OliveiraPMBV
Pais e alunos celebram nova escola
O agricultor Eudney de Souza, pai do aluno Thallys Rodolfo, de 7 anos, comemorou a entrega da escola. “Está muito linda. Nossa comunidade estava precisando! Não tive essa oportunidade quando criança e meu filho está tendo. É um momento de muita alegria”, disse.
Empolgado, Thallys já pensa nas atividades. “Gostei muito da escola, principalmente da quadra. Não vejo a hora de jogar futebol com meus amigos”, contou.
Mais escolas serão entregues nos próximos dias
A inauguração da Escola José David Feitosa marca o início de um pacote de novas unidades na rede municipal. Nesta semana, também foi entregue a Escola Municipal Professor Ronilson Silva Nascimento, no bairro Araceli.
Outras escolas serão entregues nos próximos dias:
Escola Municipal Professor Fridman da Cunha Nascimento, no bairro Pedra Pintada
Escola Municipal Professor Francisco Pedrosa, no bairro Airton Rocha
As quatro novas unidades representam um acréscimo de 3 mil vagas na rede municipal, reforçando o atendimento na educação infantil e no ensino fundamental.
Ano Letivo 2026
Com início na segunda-feira, 2, terá carga horária mínima de 812 horas, distribuídas em 203 dias de atividade escolar, excluídos os períodos de recreio, momentos cívicos e avaliações de recuperação final.
O projeto Bella Causa chegou, pela primeira vez, em Roraima como uma iniciativa voltada ao combate à violência contra a mulher. Além de atividades presenciais na Casa da Mulher Brasileira em Boa Vista, o projet também conta com cinco videoaulas de 15 minutos, exibidas durante esta semana no canal Amazon Sat e disponibilizadas no Youtube da Fundação Rede Amazônica (FRAM), realizadora do projeto.
As videoaulas integram o eixo de formação do Bella Causa e foram desenvolvidas a partir dos conteúdos da Trilha de Desenvolvimento do projeto, abordando temas como autoconhecimento, empreendedorismo, desenvolvimento de liderança e orientação para a construção de trajetórias mais autônomas e sustentáveis.
A proposta é levar informação de forma acessível, utilizando o audiovisual como ferramenta de educação e conscientização.
De acordo com Denis Carvalho, especialista em projetos da FRAM e responsável pelo Bella Causa, o formato televisivo potencializa o impacto da iniciativa.
“As videoaulas ampliam o alcance do projeto e permitem que o conteúdo formativo chegue a um público mais diverso, fortalecendo o caráter educativo e social da ação”, destaca.
Assista as aulas disponibilizadas pela FRAM, ministradas pela especialista em gestão de pessoas, life coach e master em PNL, Fabiana Souza:
Aulas Bella Causa 2026
Aula 1: Autoconhecimento
Aula 2: Gestão Emocional
Aula 3: Desenvolvimento de liderança
Aula 4: Empreendedorismo e Projeto de Vida
Aula 5: Integração e Compromissos
Bella Causa
O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.
Sede de fazenda irregular em Área de Reserva Legal desmatada ilegalmente no Pará. Foto: Divulgação/Ibama
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou ações de fiscalização no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Brasília, do Distrito de Castelo dos Sonhos, em Altamira (PA).
A operação, que foi iniciada em agosto e continuada em dezembro de 2025, resultou na aplicação de mais de R$ 111 milhões em multas, no embargo de 5.868,70 hectares utilizados ilegalmente para atividade pecuária e na notificação de 33 propriedades para retirada do gado e estruturas de apoio.
Executada pelo Grupo de Combate ao Desmatamento na Amazônia (GCDA), a etapa PDS Brasília da Operação Terra para Sempre ocorreu em enfrentamento ao uso irregular da área de Reserva Legal, por recomendação do Ministério Público Federal (MPF) em Santarém (PA).
Um PDS é uma modalidade de assentamento diferenciada, prevista na Lei nº 12.651/2012, com foco no uso sustentável dos recursos naturais, especialmente em áreas de maior valor ecológico, como as regiões amazônicas. A apropriação indevida de terras por indivíduos que não são beneficiários da reforma agrária ocorre, em regra, visando à especulação agrária, à extração ilegal de madeira e à criação irregular de gado na área de Reserva Legal.
Na análise inicial do cenário, informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) foram cruzadas com os registros do PDS. Como resultado, foi constatada a sobreposição de propriedades registradas no CAR, cujos proprietários não figuravam na lista de beneficiários do PDS, com áreas de Reserva Legal, o que possibilitou a identificação dos invasores.
Os responsáveis pela infração ambiental foram autuados pelo impedimento de regeneração natural e notificados para procederem com a retirada do gado e das estruturas de apoio à prática de crime ambiental do local, no prazo de 30 dias. As áreas embargadas também foram fiscalizadas e os responsáveis pelo descumprimento dos embargos foram autuados.
Nenhuma propriedade localizada na área de Reserva Legal do PDS relacionada à crimes ambientais é passível de regularização, o que torna necessária sua desmobilização para que cesse a atividade ilegal.
Prejuízo aos assentadosno Pará
Gado em pasto irregular em Área de Reserva Legal em PDS. Foto: Divulgação/Ibama
Além do dano ambiental, a atividade ilegal tem impedido o acesso dos assentados regulares às linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da agricultura Familiar (Pronaf), uma vez que a Área de Reserva Legal dos seus lotes está em situação ambientalmente irregular; isso traz prejuízos para mais de 300 famílias de assentados.
Outra constatação foi da discrepância entre o tamanho da terra ocupada: enquanto um assentado possui um lote de 20 hectares, os invasores estão com propriedades que, em média, são superiores a 200 hectares.
PDS Brasília
O município de Altamira possui nove projetos de assentamentos, dos quais quatro são federais, entre eles, o Projeto de Desenvolvimento Sustentável Brasília, criado em 2005 pela Portaria nº 24/2005 do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Apenas de 2000 a 2018, foram detectados 13.292 hectares de área desmatada no PDS Brasília. O avanço do desmatamento na localidade acompanhou as tendências de crescimento enfrentadas pelo estado do Pará e pelos demais territórios da Amazônia Legal.
Município de Altamira, no Pará. Foto: Wellyngton Coelho/Agência Pará
PDS
Originado a partir das demandas dos movimentos sociais, o PDS busca alternativas à forma convencional de assentamentos rurais, promovendo a utilização de sistemas agroflorestais e práticas de extrativismo vegetal, respeitando o equilíbrio ambiental. Seus principais componentes são a agroecologia e a cooperação entre os assentados, que são estimulados a trabalhar juntos para garantir a sustentabilidade das atividades produtivas.
Os PDS são voltados para as populações tradicionais, como ribeirinhos e comunidades extrativistas. Sua implantação é de competência do Incra, que é responsável pela seleção dos beneficiários, obtenção de terras e disponibilização de recursos para infraestrutura e créditos de produção.
Foto: Reprodução/Boletim do Termômetro do Código Florestal
O Observatório do Código Florestal lança oficialmente a atualização dos dados do Termômetro do Código Florestal, iniciativa construída por organizações da sociedade civil para acompanhar como o Código Florestal vem sendo implementado nos estados e municípios brasileiros.
Os dados, referentes aos anos de 2024 a 2025, ajudam a aprofundar o diagnóstico sobre onde o país avançou e onde seguem os principais obstáculos à aplicação da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012).
Parte dessas informações foi apresentada inicialmente no mês de novembro, em Belém (PA) durante a COP30, em meio aos debates globais sobre clima, biodiversidade e uso da terra. Com o lançamento oficial, os dados passam agora a estar integralmente disponíveis ao público, ampliando o acesso da sociedade a informações essenciais para o acompanhamento das políticas ambientais e reforçando o compromisso do Observatório e de seus membros com a transparência e o controle social.
Foto: Reprodução/Boletim do Termômetro do Código Florestal
Os dados mais recentes do Termômetro do Código Florestal mostram que o Brasil alcançou 436,9 milhões de hectares inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR), frente a 428,9 milhões na atualização anterior. Ainda assim, aproximadamente 24,6 milhões de hectares seguem fora do sistema, o equivalente a 5,32% da área que deveria estar registrada.
Soma-se a isso o fato de que a análise dos cadastros pelos órgãos ambientais estaduais continua lenta, o que aumenta o risco de inconsistências, sobreposições e conflitos fundiários.
Essa fragilidade aparece também na qualidade dos registros. Em 2024 e 2025, as sobreposições de imóveis rurais com unidades de conservação cresceram 9%, percentual superior ao aumento de 5% no total de cadastros no CAR no mesmo período. O dado indica que o volume de registros avança mais rápido do que a capacidade de validação das informações, ampliando a exposição a riscos socioambientais, sobretudo em áreas de expansão agropecuária.
Marcelo Elvira, secretário executivo do Observatório, destaca os avanços apresentados pelos dados, mas ressalta que ainda é necessário conectar regularização ambiental, segurança jurídica e metas climáticas a partir da efetiva implementação do Código.
“Os dados apresentados pelo Termômetro reafirmam que o Código Florestal já existe como política, mas ainda não como prática consolidada no biomas. Há informação, há instrumentos, mas falta transformar esse acúmulo em decisões concretas que orientem o uso da terra e a proteção da vegetação nativa”.
Entre as novidades desta atualização do Termômetro está a identificação dos chamados vazios fundiários, áreas sem informações sobre titularidade, que somam cerca de 67 milhões de hectares. A plataforma passa a permitir, por exemplo, a visualização de territórios tradicionais já reconhecidos oficialmente, mas ainda não inscritos no CAR, uma atribuição que cabe ao poder público. Atualmente, essas áreas representam 14,55% do total de territórios tradicionais reconhecidos no país.
Foto: Reprodução/Boletim do Termômetro do Código Florestal
É importante ressaltar, no entanto, que esse número provavelmente não reflete a dimensão do problema. A falta de consenso sobre a quantidade de territórios de povos e comunidades tradicionais, incluindo aqueles ainda não titulados ou formalmente reconhecidos, dificulta a mensuração precisa das áreas que permanecem fora do CAR. Parte desses territórios pode estar, inclusive, incluída nos vazios fundiários identificados nesta atualização.
Os dados também mostram que os passivos ambientais continuam elevados. Não houve redução do desmatamento ilegal em APPs (Áreas de Preservação Permanente) e reservas legais, que deveriam ser restauradas para a adequação ambiental dos imóveis rurais. O passivo nacional de reserva legal chegou a 17,3 milhões de hectares, enquanto o déficit em APPs subiu para 3,14 milhões de hectares, indicando que a recuperação dessas áreas segue longe do necessário.
Jarlene Gomes, pesquisadora do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), que integra a iniciativa, comenta:
“Os dados reforçam que o Código Florestal vai além de uma norma de comando e controle, sendo estratégico para a segurança alimentar do Brasil. O avanço nas inscrições do CAR é positivo, mas a falta de análise efetiva e a permanência de 17,3 milhões de hectares de passivo em reserva legal cria uma insegurança jurídica que prejudica o próprio produtor. A implementação da lei, especialmente a recuperação de APPs e a regularização das reservas legais, garante a resiliência hídrica e climática necessária para mantermos a produtividade no campo. Precisamos avançar na implementação e transformar o CAR em ação territorial para que a sustentabilidade deixe de ser uma meta no papel e se torne a base da nossa economia”.
Ao mesmo tempo, cresce a área de vegetação nativa remanescente e excedente. O remanescente de Reserva Legal alcançou 98,6 milhões de hectares, e o excedente de vegetação nativa chegou a 70 milhões de hectares, com aumento de cerca de 2 milhões em relação à atualização anterior. Esses números revelam um potencial importante para instrumentos previstos no Código Florestal, como a compensação ambiental e o Pagamento por Serviços Ambientais, que ainda carecem de regulamentação e implementação efetiva.
Foto: Vitor Vasconcelos/Secom
A execução dos Programas de Regularização Ambiental segue desigual entre os estados. Apenas 11 unidades da federação registraram aumento nos termos de compromisso de regularização ambiental, enquanto outras não divulgaram dados ou sequer firmaram compromissos. Essa heterogeneidade dificulta o acompanhamento da regularização ambiental e limita o acesso dos produtores rurais aos benefícios previstos em lei.
De forma geral, os dados do Termômetro do Código Florestal indicam que, embora o CAR continue avançando como instrumento declaratório, a regularização ambiental efetiva, especialmente a restauração de áreas degradadas, permanece aquém do necessário. Esse cenário compromete o cumprimento das metas do Planaveg (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa) e reforça a urgência de fortalecer a capacidade técnica, institucional e política dos estados para que o Código Florestal seja, de fato, implementado nos territórios.
O boletim completo, com os novos dados e análises do Termômetro do Código Florestal, está disponível para acesso público no site.
Termômetro do Código Florestal
Foto: Reprodução/Boletim do Termômetro do Código Florestal
O Termômetro do Código Florestal é uma iniciativa da rede do Observatório do Código Florestal e reúne informações atualizadas sobre a implementação da Lei de Proteção da Vegetação Nativa no Brasil. A ferramenta disponibiliza dados em mapas e gráficos de fácil leitura, com recortes por estados, municípios, biomas e para o país como um todo.
As informações são geradas e analisadas pelo comitê técnico do Termômetro, composto por sete organizações da sociedade civil: Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Centro de Inteligência Territorial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto Centro de Vida (ICV), Imaflora, Instituto Socioambiental, BVRio e Amigos da Terra – Amazônia Brasileira. O desenvolvimento da plataforma é realizado pelo IPAM.
Observatório do Código Florestal
O Observatório do Código Florestal é uma rede de 48 organizações da sociedade civil criada em 2013 com o objetivo de monitorar a implementação bem-sucedida da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei Federal nº 12.651/2012).
Tem como propósito fortalecer o papel da sociedade civil na defesa da vegetação nativa brasileira e articular com os mais diversos atores pela proteção da vegetação nativa, produção sustentável e recuperação de ambientes naturais.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia
Pesquisa revela que diversidade de espécies de árvores da região amazônica já sentem impactos das mudanças climáticas. Foto: Cecília Bastos/USP
Um amplo estudo internacional, realizando com a parceria do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), revela como as mudanças climáticas globais já estão impactando a diversidade de espécies arbóreas nas florestas tropicais da Amazônia e da região Andino-Amazônica. A pesquisa, publicada na revista científica Nature Ecology and Evolution,reúne dados inéditos obtidos de monitoramento contínuo de florestas na América do Sul durante um período de 40 anos.
A primeira autora do estudo, a pesquisadora Belen Fadrique, da Universidade de Liverpool, destaca que utilizou registros de centenas de botânicos e ecólogos internacionais em parcelas de longo prazo para visualizar as mudanças significativas na diversidade de espécies de árvores nas florestas tropicais e suas limitações diante das mudanças climáticas.
“As plantas podem alterar sua distribuição acompanhando condições ambientais mais favoráveis, podem se aclimatar às novas condições ou, caso nenhuma dessas estratégias seja possível, suas populações tendem a diminuir, aumentando o risco de extinção”, afirma Fradique.
O estudo trata da primeira análise em escala continental a rastrear mudanças no número de espécies arbóreas causadas pelas mudanças climáticas. Foram examinadas 406 parcelas permanentes de monitoramento florestal distribuídas em dez países sul-americanos, abrangendo regiões que concentram mais de 20 mil espécies de árvores, uma das maiores diversidades arbóreas do planeta.
Os dados foram coletados ao longo de quatro décadas, por meio de medições periódicas iniciadas entre as décadas de 1970 e 1980, envolvendo dezenas de grupos de pesquisa nacionais e internacionais.
O estudo rastreou mudanças de espécies arbóreas ao longo do tempo e identificou os principais fatores ambientais associados a essas transformações. Em nível continental, a equipe descobriu que a riqueza de espécies permaneceu em grande parte estável, mas isso mascara diferenças regionais significativas. Em algumas extensas regiões, a diversidade estava diminuindo (até 3.3% de perda de espécies em relação ao número anterior), enquanto em outras, aumentou (até 1.95%).
A análise revelou que florestas em áreas mais quentes, secas e com maior sazonalidade apresentaram declínios na riqueza de espécies. Enquanto algumas áreas com ecossistemas mais intactos e com florestas naturalmente mais dinâmicas, na verdade, ganharam espécies.
Nos Andes Centrais, no Escudo das Guianas e nas florestas da Amazônia Centro-Oriental, a maioria das parcelas de monitoramento florestal perdeu espécies ao longo do tempo, enquanto a maioria nos Andes Setentrionais e na Amazônia Ocidental apresentou um aumento no número de espécies arbóreas.
Pesquisa aponta espécies de árvores já sentem os impactos das mudanças climáticas. Foto: Havita Rigamonti/Imazon
Apesar do aumento da temperatura ter um efeito geral e abrangente sobre a riqueza de espécies, a pesquisa destaca que a precipitação e seus padrões sazonais desempenham um papel importante na formação das tendências regionais. Os autores apontam os Andes Setentrionais como um refúgio climático, ou seja, uma região que tem mantido as condições climáticas adequadas para a sobrevivência das espécies e assim poderia abrigar espécies cujo ambiente original se tornou quente demais pelas mudanças climáticas.
Para a pesquisadora do Inpa, a ecóloga Flávia Costa, coautora do trabalho, os resultados reforçam a importância de estratégias de conservação adaptadas às realidades regionais.
“Este estudo evidencia que os impactos das mudanças climáticas sobre a diversidade de árvores não são homogêneos nas florestas tropicais, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo e de ações de conservação específicas para cada região”, explica Flávia.
Árvore na Floresta Amazônica. Foto: Acervo Peld Manaus
O estudo destaca ainda que as espécies vegetais têm opções limitadas para sobreviver às mudanças climáticas. Segundo os cientistas, elas podem alterar sua distribuição conforme as condições ambientais mudam ou podem se aclimatar às novas condições. Se as espécies não conseguirem se deslocar ou se aclimatar, suas populações diminuirão, podendo levar à extinção.
Os pesquisadores pretendem dar continuidade às análises, aprofundando o entendimento sobre quais espécies estão sendo perdidas ou recrutadas ao longo do tempo, considerando aspectos taxonômicos e funcionais. A expectativa é avaliar se essas mudanças indicam um processo de homogeneização da flora em larga escala na região Andino-Amazônica.
O trabalho é fruto de uma ampla colaboração internacional envolvendo mais de 160 pesquisadores de 20 países, com muitas contribuições de universidades e parceiros sul-americanos. O projeto contou com o apoio de grandes coletivos de pesquisa, incluindo RAINFOR, Red de Bosques Andinos, o Projeto Madidi e a rede PPBio. Além de Flávia Costa, outros pesquisadores do Inpa assinam o estudo, dentre os quais Carolina Castilho, Juliana Schietti e José Luis Camargo – novos servidores contratados no último concurso – e Philip Fearnside.
O artigo, intitulado “Tree Diversity is Changing Across Tropical Andean and Amazonian Forests in Response to Global Change“, está disponível AQUI.
“Poder de decisão”. A autonomia é importante para as pessoas conquistarem a liberdade, seja emocional ou financeira. No quarto dia do projeto Bella Causa em Boa Vista, capital de Roraima, um grupo de mulheres recebeu orientações para conquistar essa liberdade.
Realizado na Casa da Mulher Brasileira de Roraima, o projeto da Fundação Rede Amazônica (FRAM) reúne cerca de 50 mulheres vítimas de violência para instruir e incentivá-las a buscar autonomia e uma nova perspectiva de vida.
Segundo a especialista em gestão de pessoas, life coach e master em PNL, Fabiana Souza, a criatividade “é a chave”.
“Chegamos ao quarto dia do projeto, em que trabalhamos hoje sobre o poder de decisão através do dinheiro. Esse veículo, chamado dinheiro, pode realizar sonhos e elas conseguiram enxergar um mundo de possibilidades através da criatividade para realização do seu negócio”, afirmou a facilitadora que tem guiado as participantes.
O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.
Norte Conectado é um dos principais programas estruturantes do Governo do Brasil para expandir a infraestrutura de comunicações na Amazônia Legal com a expansão do acesso à internet. Foto: Pablo Leroy/Ministério das Comunicações
O Brasil recebeu 3.170 quilômetros de cabos de fibra óptica provenientes da China, que serão utilizados na implantação de três novas infovias capazes de conectar municípios remotos da Região Norte. A operação, coordenada pelo Governo do Brasil, por meio do Ministério das Comunicações, é realizada em parceria com a Entidade Administradora de Faixa (EAF) e marca a maior logística de transferência de fibra óptica já realizada no âmbito do programa Norte Conectado, ampliando o acesso à internet de qualidade e impulsionando a inclusão digital na Amazônia.
O Norte Conectado é um dos principais programas estruturantes do Governo do Brasil para expandir a infraestrutura de comunicações na Amazônia Legal. A iniciativa tem potencial para beneficiar cerca de 7,5 milhões de pessoas, em 70 municípios dos estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Pará.
Com investimento estimado em R$ 1,3 bilhão, o projeto utiliza o modelo subfluvial para instalação dos cabos de fibra óptica, evitando o desmatamento e contribuindo para a preservação de mais de 50 milhões de árvores.
A proposta alia inclusão digital, desenvolvimento regional e sustentabilidade ambiental, conectando a Amazônia ao futuro sem abrir mão da proteção do bioma.
Iniciativa beneficiar cerca de 7,5 milhões de pessoas de 70 municípios dos estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Pará. Foto: Divulgação EAF
A transferência dos cabos chineses para as embarcações nacionais levará 30 dias. A previsão para o início do lançamento da estrutura nos leitos dos rios amazônicos é em maio.
A implantação das infovias faz parte do programa Norte Conectado e levará mais conectividade às áreas rurais, ribeirinhas e remotas, garantindo a inclusão digital da população.
“Esse projeto vai muito além da infraestrutura. Ele promove desenvolvimento social e econômico, conecta escolas, unidades de saúde, órgãos públicos e, principalmente, leva oportunidades à população amazônica. É conectividade como instrumento de cidadania e inclusão”, afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Remessa de cabos para expansão da internet
A nova remessa de cabos, destinada à implantação das infovias 05, 06 e 08, soma cerca de cinco mil toneladas e representa a maior operação logística já realizada no âmbito do Norte Conectado. O volume supera com folga as etapas anteriores do programa, que utilizaram 2.400 quilômetros de fibra óptica, aproximadamente 3.600 toneladas, nas infovias 02, 03 e 04, já concluídas.
Cada cabo reúne 24 pares de fibra óptica e capacidade de transmissão de até 96 terabytes por segundo, garantindo internet de alta velocidade mesmo em regiões remotas. Produzidos com materiais inertes e atóxicos, os cabos são instalados de forma estável no leito dos rios, sem reagir com a água ou impactar os ecossistemas, assegurando conectividade robusta com preservação ambiental.
O Norte Conectado se destaca pelo compromisso ambiental. Ao utilizar o leito dos rios, elimina a necessidade de grandes obras terrestres, evitando o desmatamento de áreas sensíveis da floresta amazônica.
“Quando falamos em conectividade significativa, falamos de algo que vai além de sinal. Esse projeto propõe infraestrutura pensada para durar, respeitar a floresta e chegar onde o Brasil sempre teve mais dificuldade de chegar. Ao lançar fibra óptica pelos rios da Amazônia, estamos transformando geografia em oportunidade e tecnologia em cidadania. É assim que a EAF, por meio do Norte Conectado, traduz política pública em impacto real na vida das pessoas”, afirma Gina Marques, CEO da Entidade Administradora da Faixa (EAF).
A Entidade Administradora da Faixa (EAF) é uma instituição sem fins lucrativos criada por determinação da Anatel e vinculada ao Ministério das Comunicações. Entre suas atribuições estão a limpeza da faixa de 3,5 GHz, essencial para a operação do 5G no país, os programas Siga Antenado e Brasil Antenado, a execução das infovias na região amazônica, para expandir a infraestrutura das telecomunicações no norte do Brasil, e a implantação das redes privativas de comunicação para o Governo Federal.
Parceria com o Bloco do Sarará transforma festa em uma grande corrente de solidariedade em Manaus. Foto: Divulgação
A Central Única das Favelas do Amazonas (CUFA AM) arrecadou mais de 10 toneladas de alimentos não perecíveis durante uma ação solidária realizada em parceria com o Bloco do Sarará. Para ter acesso ao evento, os brincantes contribuíram com um quilo de alimento, unindo cultura, diversão e compromisso social.
A ação contou com o apoio de mais de 30 voluntários, que atuaram nos pontos de arrecadação ao longo do evento, garantindo a organização e o recebimento dos donativos.
“Cada alimento arrecadado carrega um gesto de cuidado e amor. Essas doações vão chegar a famílias que enfrentam diariamente a insegurança alimentar, e isso nos emociona profundamente. Ver voluntários, artistas e foliões trabalhando juntos, com o mesmo propósito, reforça que a solidariedade transforma realidades. É o povo ajudando o povo, com empatia e compromisso social”, destaca Fabiana Carioca, vice-presidente da CUFA Amazonas.
Foto: Divulgação
A instituição enaltece a parceria com o Bloco do Sarará, que pelo segundo ano consecutivo demonstra que a cultura popular pode caminhar lado a lado com o compromisso social. A iniciativa reforça a importância de alianças que geram impacto real nas comunidades. O agradecimento especial é direcionado à Laura Abreu e equipe.
“Essa parceria com o Bloco do Sarará mostra que é possível unir cultura, alegria e responsabilidade social. O Carnaval também pode ser um espaço de transformação. Arrecadar mais de 10 toneladas de alimentos só foi possível graças à confiança, ao compromisso e à sensibilidade de cada brincante que acreditou nessa ação. Que essa seja apenas mais uma de muitas parcerias que ainda estão por vir”, afirmou Alexey Ribeiro, presidente da CUFA Amazonas.
A voluntária Natália Póvoas também ressaltou a importância de participar da ação. “É muito gratificante se voluntariar em uma iniciativa tão bonita e com um impacto tão importante para a sociedade. A gente sente que está fazendo parte de algo maior”, disse.
O cinegrafista Ronald Silva, que também realizou a doação de alimentos, comentou sobre a união entre Carnaval e solidariedade. “É muito significativo ver como a festa pode se transformar em ajuda concreta para quem precisa. Unir Carnaval e solidariedade mostra a força da coletividade”, afirmou.
Com a iniciativa, a CUFA Amazonas reafirma seu compromisso social, fortalecendo sua missão de servir, apoiar e levar dignidade às comunidades, por meio de ações que mobilizam a sociedade e promovem transformação social.
Resultado evidencia que é totalmente possível aliar desenvolvimento com práticas ambientais sustentáveis. Foto: Aog Rocha/Governo do Estado do Amapá
O Amapá é o único estado da Amazônia Legal que não registrou desmatamento acima de 50 hectares por imóvel rural nos últimos três anos. É o que indicam os dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgados no dia 22 de janeiro. O dado positivo reafirma as políticas públicas de proteção ambiental que vêm sendo desenvolvidas pelo Governo do Estado.
O levantamento considerou as bases oficiais dos dados de imóveis rurais cadastrados no Sistema Nacional do Cadastro Ambiental Rural (Sicar), as bases cartográficas das categorias fundiárias e a de dados espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além da base de embargos do Ibama, atualizada em novembro de 2025.
Dado positivo reafirma as políticas públicas de proteção ambiental que vêm sendo desenvolvidas pelo Governo do Estado. Foto: Marcia do Carmo/Governo do Amapá
Amapá busca consolidação
A secretária de Estado do Meio Ambiente, Taisa Mendonça, ressaltou que o resultado evidencia que é totalmente possível aliar desenvolvimento com práticas ambientais sustentáveis.
“Essa é uma informação extremamente relevante e que mostra o compromisso do Governo do Estado, do governador Clécio Luís, fazendo monitoramento e todo um trabalho integrado entre os órgãos do Estado para que nós alcançássemos esses índices que mostram uma política ambiental pública feita com muita responsabilidade”, frisou a gestora.
O Governo do Estado tem consolidado uma política de meio ambiente responsável, segura e de amplo diálogo com os setores produtivos, o que tem colocado o Amapá em expansão, com indicadores ambientais cada vez mais favoráveis.