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Tecnologia acelera análise de sementes nativas na Amazônia

Fotos: Divulgação/Ufam

Esperar meses, ou até um ano, para saber se sementes irão germinar pode ser um dos maiores entraves para a restauração florestal na Amazônia. Em um cenário de degradação acelerada, incêndios frequentes e milhões de hectares a serem recuperados, o tempo deixou de ser apenas um desafio técnico e passou a ser um fator decisivo para o sucesso das ações ambientais. É justamente esse desafio que um projeto científico inovador, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), busca superar com o uso da inteligência artificial (IA).

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Coordenado pela engenheira florestal e pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), doutora Lydiane Bastos, o projeto BioSeed.Ai aplica algoritmos de inteligência artificial para avaliar, em poucos segundos, a viabilidade de sementes florestais nativas da Amazônia.

O que antes dependia de longos testes de germinação, que podem levar muitos meses e, em alguns casos, até um ano, agora pode ser resolvido em cerca de 40 segundos, a partir da análise de imagens de scanner e raio-X das sementes.

“O BioSeed.Ai é um projeto que nasce da necessidade da gente acelerar o diagnóstico da viabilidade de sementes. Muitas sementes demoram muitos meses para germinar. Então, através das imagens de scan e de raio-x, em até 40 segundos nós conseguimos saber se essa semente está viável ou não. Agilizando assim a comercialização de espécies nativas e também a produção de mudas para a restauração de áreas degradadas da Amazônia”, explica Lydiane.

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Registros de sementes

Atualmente, o projeto já reúne um banco de imagens com sementes de 98 espécies florestais nativas da Amazônia, número que deve crescer à medida que avança a meta de capturar imagens de 200 espécies. O diferencial está na combinação de imagens internas e externas das sementes, associadas aos resultados reais de germinação, criando um sistema completo de rastreabilidade.

“A gente faz a captura das imagens de raio-x e de scanner das sementes e compara essas imagens com o potencial germinativo, atestado pelos testes de germinação. O raio-x permite ver como a semente está por dentro, se há rachaduras, danos, infestação por insetos, se as estruturas embrionárias e de reserva estão intactas. Já o scanner extrai mais de 300 informações morfobiométricas, como tamanho, comprimento, largura, textura, cores e aspectos geométricos”, detalha a pesquisadora.

Esses dados internos e externos são cruzados com o resultado final: se a semente germinou ou não. Assim, cada unidade analisada passa a ter um histórico completo, imagem interna, imagem externa e resposta germinativa, alimentando algoritmos capazes de prever a viabilidade apenas pela imagem.

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Tecnologia acelera análise de sementes nativas na Amazônia
Lydiane Bastos. Foto: Divulgação/Ufam

O impacto dessa inovação é direto na cadeia da restauração florestal. Espécies como bacaba levam cerca de cinco meses para germinar; a castanha-do-brasil pode levar até um ano; o tucumã, 14 meses; e o taperebá, até 23 meses. Quando o resultado do teste tradicional finalmente chega, muitas vezes o lote já está deteriorado e impróprio para o comércio ou para a produção de mudas.

“Com a análise por imagem, em até 40 segundos a gente consegue saber se aquela semente era viável ou não. Isso muda completamente o jogo, porque permite que essas sementes sejam disponibilizadas muito mais rápido para a formação de mudas e para projetos de restauração”, afirma Lydiane.

Outro avanço importante está no trabalho de campo. Para formar um lote de sementes com diversidade genética, os coletores precisam buscar frutos de várias árvores da mesma espécie, percorrendo longas distâncias na floresta, muitas vezes sem garantia de que aquelas árvores produzirão sementes viáveis. Com o diagnóstico rápido por imagem, será possível descartar matrizes pouco produtivas logo no início, otimizando as rotas de coleta e reduzindo esforço, tempo e custos.

O projeto também se destaca por utilizar um método não destrutivo. Diferentemente dos testes tradicionais, que podem consumir centenas de sementes, destruindo material genético valioso, a análise por imagem mantém as sementes intactas. Isso é especialmente relevante para espécies raras e ameaçadas, como o pau-rosa, cujas sementes são escassas e de alto valor ecológico.

No futuro, a equipe pretende transformar o banco de dados em um aplicativo para celular, permitindo que coletores, mesmo em áreas sem internet, fotografem amostras de sementes em campo e obtenham uma estimativa imediata do potencial de germinação.

Ao integrar ciência florestal, inteligência artificial e conservação, o BioSeed encurta o caminho entre a semente e a floresta em pé, oferecendo uma resposta tecnológica à urgência ambiental da Amazônia.

*Com informações da Ufam

‘O Rio que Somos’: documentário mostra cotidiano dos ribeirinhos da Amazônia e do Pantanal

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A equipe buscou imergir em atividades rotineiras para os ribeirinhos, como a colheita do açaí. Foto: Divulgação /Marinha do Brasil

Onde o rio dita o ritmo do tempo, a vida acontece com uma força silenciosa. É nesse cenário, onde as águas são caminho e sustento, que navega o documentário ‘O Rio que Somos’. Produzido pela Marinha do Brasil (MB) e com estreia prevista para 2026, o filme propõe uma mudança de olhar: sai de cena a visão da carência e entra o protagonismo da “soberania ribeirinha”, a capacidade dessas populações de se organizarem e viverem com autonomia, mesmo onde a geografia impõe seus desafios.

As gravações do documentário, realizadas em 2024 no Pantanal (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e em 2025 na Amazônia (Amazonas e Pará), acompanharam a esteira de Navios da Marinha para chegar a comunidades isoladas.

Mais do que respostas, o filme oferece tempo e reflexão, para olharmos um Brasil que representa muito do que somos. O documentário conta com o patrocínio de parceiros que entendem a importância de navegar por essas águas: Prates Navegação, SuperTerminais, Norcoast, Companhia Norte de Navegação, SC Transportes e PROA – Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia.

 A força que vem da correnteza em vez de focar na falta, a narrativa do documentário pretende exaltar a potência. O filme revela como a economia familiar, seja na casa de farinha, na pesca artesanal, no cultivo do açaí ou no trançado da malva, não é apenas trabalho, é uma espinha dorsal de comunidades que resistem e seguem um fluxo que desafia a lógica de quem não vive aquela realidade. 

Ali, a cooperação é sobrevivência. Onde o concreto não chega, a solidariedade constrói pontes. O filme capta a sutileza dessas relações, mostrando que a verdadeira infraestrutura dessas regiões é feita de gente.

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Foto: Divulgação /Marinha do Brasil

Produção do documentário com os povos ribeirinhos

Entre o balanço do rio e a imensidão da floresta, o sagrado encontra morada. ‘O Rio que Somos’ navega também pela dimensão espiritual das comunidades, tratando a fé e os saberes ancestrais com a reverência que merecem. Seja nas rezas que pedem proteção contra as tempestades ou nas lendas que ensinam o respeito à natureza, o documentário mostra que a cultura não é um adorno, mas uma ferramenta de resiliência. É a crença e a tradição que ajudam a atravessar as crises e a manter a identidade firme, como uma âncora em dia de ventania.

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documentário
A fé e os saberes ancestrais atuam como pilares de resiliência e união social nas comunidades ribeirinhas. Foto: Divulgação / Marinha do Brasil

Para o ribeirinho Marinaldo Pacheco Vieira, a vida na comunidade oferece uma dignidade que muitas vezes falta nos centros urbanos.

“O nosso lugar é abençoado. O trabalho é pesado, mas como temos nosso terreno, a gente planta e pesca. Na cidade, se não tiver emprego ou estudo, a pessoa passa necessidade. Aqui não. Mesmo sem estudo, temos o nosso dia a dia de trabalho na roça, no açaí e na pesca. A gente gostaria de ter mais oportunidades, mas aqui temos o nosso sustento”, reflete. 

Por trás das lentes

‘O Rio que Somos’ tem produção da MB e direção autoral de Rafael Miranda. A equipe de filmagem foi composta por militares de produção audiovisual do Centro de Comunicação Estratégica da Marinha, com fotografia de Tawana Yung. Para captar essas histórias, o grupo viajou a bordo dos Navios de Assistência Hospitalar “Tenente Maximiano” e “Soares de Meirelles”, e do Navio-Auxiliar “Pará”.

Esses meios são responsáveis por levar médicos e dentistas a localidades do Norte e do Centro-Oeste do País.A partir dessas vivências, o diretor do filme define o tom da produção. “O público pode esperar um filme de escuta. ‘O Rio que Somos’ não pretende explicar a vida ribeirinha, mas acompanhar o seu ritmo, que, simbolicamente, segue o fluxo do rio.

É um documentário que observa o cotidiano com atenção e respeito, revelando a força, os saberes e os desafios de comunidades moldadas pelo rio”, ressaltou Rafael Miranda. A ideia do projeto surgiu há quase uma década, quando o diretor do filme teve seu primeiro contato com a realidade amazônica. Rafael Miranda relata como essa vivência pessoal e a sintonia com a equipe moldaram a sensibilidade necessária para a obra:

“Eu tive meu primeiro contato com comunidades ribeirinhas em 2015, durante uma ação de assistência hospitalar promovida pela Marinha em Manacupuru (AM). Desde então, fui nutrindo a vontade de retratar essas populações, exaltando sua força e resiliência. No meio desse percurso, descobri que o Fábio Rosa, que assina o roteiro e a produção do filme, também tinha esse desejo e resolvemos unir forças ao lado de uma equipe incrível. Estar nesses territórios exige desacelerar, ouvir mais do que falar e aceitar que o tempo ali obedece a outras lógicas”, afirma Rafael.

Nossa convivência durante as semanas de gravação transformou o olhar da equipe e do filme: passamos a sair mais do navio e a entrar nas casas dos ribeirinhos, respeitando silêncios, gestos e modos de vida que só se revelam quando há confiança. Com isso, nossa abordagem foi se transformando, como o próprio rio. Passamos a entender que, mais do que lutar contra os desafios de uma realidade cheia de obstáculos, existe felicidade, gratidão e pertencimento na vida ribeirinha”, destaca ele.

*Com informações da Agência Marinha do Brasil



Comunidades ribeirinhas do Amazonas recebem capacitação sobre energia solar

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Iniciativa desenvolvida pela BYD Indústria de Baterias LTDA irá capacitar 320 ribeirinhos em energia solar no estado. Foto: Divulgação

Um programa educacional especializado em energia solar, desenvolvido pela BYD Indústria de Baterias LTDA, está levando capacitação técnica a comunidades ribeirinhas fora da região metropolitana de Manaus (AM). A iniciativa integra os investimentos da empresa em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) voltados à região Norte e soma mais de R$ 1,1 milhão destinados ao fortalecimento da qualificação profissional e ao avanço tecnológico local.

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O projeto é realizado em parceria com o Senai, com apoio do Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS) e da Suframa, e tem como foco a inclusão produtiva e o desenvolvimento socioeconômico de comunidades que enfrentam limitações de acesso à energia elétrica.

Capacitação sobre energia solar

Ao todo, 320 alunos serão capacitados em 16 turmas, a bordo da embarcação Samaúma, barco-escola do Senai. A formação abrange sistemas fotovoltaicos, inversores de frequência, fundamentos da Indústria 4.0, eletricidade, tecnologia da informação, saúde e segurança, sustentabilidade e aplicações práticas da energia solar, preparando os alunos para atuar em um mercado em expansão e considerado estratégico para o país.

“A energia solar é mais do que uma solução tecnológica. Em regiões isoladas, ela se torna essencial para garantir autonomia, desenvolvimento e oportunidades reais”, afirmou Tyler Li, presidente da BYD no Brasil.

Leia mais: Energia solar fortalece empreendedorismo sustentável em comunidades no Amazonas

Para o diretor regional do Senai no Amazonas, Rogério Azevedo, a iniciativa moderniza e fortalece a atuação histórica da instituição na região.

“Com mais de 45 anos de experiência com os barcos-escola, poder ampliar esse trabalho com foco em novas tecnologias reforça nosso compromisso com a formação profissional e o desenvolvimento da Amazônia”, destacou.

Painéis de energia solar Foto Rede Amazônica am
Painéis de energia solar. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

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Além da qualificação, o programa também avalia soluções de energia off-grid com baterias de lítio, capazes de oferecer fornecimento energético independente da rede convencional, tecnologia considerada adequada à realidade ribeirinha, que enfrenta desafios de infraestrutura elétrica.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Região de Matopiba ganha secretaria extraordinária da Prefeitura de Palmas

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Considerada uma promissora região agrícola, Matopiba compreende áreas dos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Foto: Divulgação/Prefeitura de Palmas

Considerada uma nova fronteira agrícola brasileira, a região de Matopiba, composta por áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ganhou uma secretaria na Prefeitura de Palmas. Por meio do Decreto nº 2.821/2025, a Secretaria Municipal Extraordinária do Matopiba, foi criada com a proposta de posicionar a Capital tocantinense como polo de articulação política, econômica e logística da região, que possui forte expansão na produção de grãos.

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Vinculada diretamente ao Gabinete do Prefeito, a secretaria tem caráter estratégico e tem como missão central promover a centralidade de Palmas no contexto do Matopiba, uma das principais fronteiras agrícolas em expansão no país.

Prefeitura de Palmas
Nova secretaria será vinculada ao gabinete do prefeito de Palmas. Foto: Lia Mara/Prefeitura de Palmas

O decreto está publicado no Diário Oficial do Município (DOM) desta quarta-feira (17).

Posicionamento estratégico

A nova pasta será comandada pelo vereador Carlos Amastha, que será responsável por coordenar ações voltadas à consolidação de Palmas como centro de serviços, tecnologia e inteligência de mercado ligados ao agronegócio. A iniciativa considera a posição geopolítica de Palmas e busca fortalecer a atração de investimentos, fomentar a industrialização da produção primária e ampliar a comunicação com o Governo Federal e o setor produtivo.

Leia mais: RAD 2023: Matopiba passa Amazônia e assume liderança do desmatamento no Brasil

Sede em Brasília

A estrutura da nova secretaria prevê sede em Brasília (DF), utilizando da estrutura da Secretaria Municipal Extraordinária de Representação. Ao comentar a criação da nova secretaria, o prefeito Eduardo Siqueira Campos destacou a importância da iniciativa para ampliar a atuação de Palmas na região e fortalecer o desenvolvimento econômico local. O prefeito citou ainda a importância da articulação com o governo federal para buscar a implantação de uma Companhia de Desenvolvimento do Matopiba, região que envolve partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

“Ao criar esta secretaria, posicionamos Palmas como o hub definitivo de inovação e logística do Matopiba, transformando nossa localização privilegiada em desenvolvimento real e atração de novos investimentos. Estamos deixando de ser apenas um centro administrativo para liderar, com tecnologia e inteligência, a fronteira agrícola mais dinâmica do mundo no coração do Brasil”, declarou o prefeito de Palmas.

O que é Matopiba?

Região Matopiba
Região da Matopiba. Foto: Reprodução/Governo de Tocantins

A região representa uma das mais recentes e promissoras fronteiras agrícolas do Brasil, sendo formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Esse nome surgiu como um acrônimo que combina as iniciais desses estados, todos localizados no Nordeste brasileiro, em uma área estratégica para o agronegócio nacional.

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O Matopiba engloba uma grande área de terras cultiváveis, caracterizadas por solos e clima altamente favoráveis para o desenvolvimento de culturas extensivas. A soja, milho, algodão, arroz e milho são exemplos de culturas produzidas na região e que têm crescido de forma acelerada e ganhado relevância nos mercados interno e externo.

A região possui grandes diferenciais, fatores que favorecem o plantio em larga escala:

  • Extensão territorial;
  • Altitude;
  • Clima ideais para o cultivo;
  • Acessibilidade a recursos hídricos.

*Com informações da Prefeitura de Palmas

Fim de Ano Amazônico celebra solidariedade, cultura e economia circular no Amapá

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A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza, entre os dias 20 e 31 de dezembro, no estado do Amapá, o projeto Fim de Ano Amazônico, uma iniciativa que marca o encerramento do Ano Amazônico com uma ampla programação de ações voltadas à solidariedade, à conscientização social e ambiental, ao fortalecimento da economia circular e à valorização da cultura regional.

Mais do que uma campanha comemorativa, o Fim de Ano Amazônico se consolida como um movimento de integração social, promovendo esperança, empatia e cidadania, com o Amapá como ponto de partida para ações que dialogam com toda a Amazônia.

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Campanha “Doe Alegria, Escreva Amor”

Um dos destaques do projeto é a campanha “Doe Alegria, Escreva Amor”, que incentiva a arrecadação de brinquedos e cartinhas de Natal para crianças em situação de vulnerabilidade social. A ação acontece entre os dias 23 e 28 de dezembro, com dois pontos de coleta:

  • Supermercado Fortaleza JK – Rod. Josmar Chaves Pinto, 1000 – Jardim Marco Zero, Macapá (AP)
  • Supermercado Fortaleza Santana – Rua General Ubaldo Figueira, 623 – Bairro Central, Santana (AP), CEP 68.925-186

Além da doação dos brinquedos, o público é convidado a escrever cartinhas, fortalecendo gestos de afeto, empatia e proximidade entre quem doa e quem recebe.

Campanha educativa e economia circular

A campanha educativa de fim de ano tem como foco a economia circular, destacando iniciativas que movimentam o estado do Amapá, geram renda, fortalecem cadeias produtivas locais e incentivam práticas sustentáveis. Os conteúdos serão veiculados na televisão, no rádio e nas plataformas digitais, reforçando a importância do consumo consciente e da valorização da economia regional.

Para Matheus Aquino, coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica, o projeto representa um convite à reflexão e à ação coletiva:

“O Fim de Ano Amazônico nasce para lembrar que pequenas atitudes geram grandes transformações. Ao estimular a solidariedade, a economia circular e o cuidado com o meio ambiente, mostramos que é possível celebrar o fim de ano de forma mais consciente e humana”.

Macapá. Foto: Divulgação

Ação ambiental e coleta seletiva

Como parte do compromisso ambiental da iniciativa, o projeto também realiza uma ação ambiental de coleta seletiva, incentivando o descarte correto de resíduos durante o período das festas de fim de ano.

A proposta é conscientizar a população sobre a importância da responsabilidade ambiental, especialmente em momentos de grande circulação de pessoas, reforçando práticas sustentáveis e o cuidado com os espaços públicos e naturais do Amapá.

Cobertura jornalística especial

O Grupo Rede Amazônica acompanha todas as ações do projeto com ampla cobertura jornalística, por meio de flashes ao vivo, reportagens, matérias especiais e conteúdos de serviço, exibidos na televisão, no rádio, nos portais de notícia e nas redes digitais do grupo.

A cobertura destaca as iniciativas que movimentam o estado durante o período natalino e de Réveillon, aproximando a população das ações sociais, culturais e ambientais promovidas pelo Fim de Ano Amazônico.

Programação especial de Réveillon

Encerrando o projeto, no dia 31 de dezembro, a Fundação Rede Amazônica promove uma transmissão especial da virada de ano, levando informação, atrações culturais e a tradicional queima de fogos em Macapá para toda a Amazônia.

O programa será exibido pelo Amazon Sat, Portal Amazônia e G1 Amapá, conectando diferentes estados da região em uma celebração marcada pela diversidade cultural e pelo sentimento de pertencimento amazônico.

Segundo Mariane Cavalcante, diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, a iniciativa reforça o compromisso institucional da FRAM com a região: “O Fim de Ano Amazônico traduz a missão da Fundação Rede Amazônica de comunicar, educar e transformar. É um projeto que une solidariedade, cultura, informação e sustentabilidade, valorizando as pessoas e os territórios da Amazônia”.

Fim de Ano Amazônico

O Fim de Ano Amazônico integra ações sociais, educativas, ambientais e comunicacionais, reafirmando o papel da Fundação Rede Amazônica como agente de transformação social e de valorização da identidade amazônica, com impacto que vai além do período festivo.

O Projeto Fim de Ano Amazônico tem o apoio de Instituto Cultural Educacional Formar (ICEF), Supermercados Fortaleza, Tratalyx, Governo do Amapá e realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM).

E-book infantil ‘Contos do Tariano’ reúne histórias do imaginário amazônico

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Foto: Divulgação

O escritor e mestre de cultura indígena Ismael Tariano lançou na noite do dia 19 de dezembro o e-book infantil ‘Contos do Tariano’, uma obra inspirada na tradição oral do povo Tariano, que reúne histórias transmitidas de geração em geração e agora ganham forma de leitura digital, acessível e contemporânea. O projeto valoriza a oralidade indígena amazônica e propõe um encontro entre memória ancestral, educação e literatura infantil.

Com linguagem simples e sensível ao universo das crianças, o e-book apresenta contos protagonizados por animais da floresta, personagens do imaginário amazônico e figuras simbólicas da cultura indígena, abordando temas como convivência, respeito à natureza, identidade cultural e sabedoria dos povos originários.

E-book infantil 'Contos do Tariano' reúne histórias do imaginário amazônico
Imagem: Reprodução/E-book ‘Contos do Tariano’

Segundo o autor, ‘Contos do Tariano’ transforma narrativas tradicionais em leitura viva, destinada a crianças, famílias, educadores e escolas, fortalecendo o vínculo entre cultura, infância e território.

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Para Ismael Tariano, a obra nasce do compromisso com a preservação da memória e da transmissão de saberes às novas gerações.

“Produzir o ‘Contos do Tariano’ é uma forma de manter viva a palavra dos nossos ancestrais. Essas histórias sempre foram contadas de forma oral, em família, na comunidade. Ao transformar esses contos em um e-book infantil, eu busco garantir que as crianças de hoje — indígenas e não indígenas — tenham acesso a esses ensinamentos, respeitando nossa cultura, nossa identidade e nossa relação com a natureza”, destaca o autor.

Além dos textos, a publicação conta com ilustrações do próprio Ismael Tariano, reforçando o caráter autoral e afetivo do projeto, onde palavra e imagem caminham juntas como extensão da tradição oral. O e-book também se apresenta como uma importante ferramenta pedagógica, contribuindo para o uso da literatura indígena em contextos educativos e culturais.

Leia também: Histórias e saberes regionais: e-book traz conteúdo que valoriza diversidade amazônica

Produção do e-book

As pesquisas, textos e ilustrações são Ismael Tariano, com produção e Keylla Gomes e Anderson Mendes. A revisão é de Francy Junior. Capa e projeto gráfico de Anderson Mendes.

‘Contos do Tariano’ foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Conselho Estadual de Cultura – CONCULTURA, Manauscult, Prefeitura de Manaus, Ministério da Cultura e Governo Federal, reafirmando o compromisso com a valorização da diversidade cultural, da produção literária indígena e do acesso democrático à cultura.

O e-book está disponível gratuitamente para download, ampliando o acesso à cultura e à literatura infantil indígena. Baixe AQUI.

Parceria entre 30 instituições consolida base de dados única sobre abelhas brasileiras

Foto: Moisés Bandeira

A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) faz parte de uma vasta pesquisa colaborativa, envolvendo 30 instituições nacionais e pesquisadores de diversas universidades. Um marco para a ecologia e a taxonomia no Brasil, a pesquisa lançou o Banco de Dados de Caracteres Morfológicos de Abelhas Brasileiras (BBTD, do inglês Brazilian Bee Trait Database).

O estudo, publicado na prestigiada revista alemã Oecologia, não apenas preenche uma lacuna histórica de conhecimento, mas também revela que as características funcionais das abelhas brasileiras diferem drasticamente dos padrões observados em regiões temperadas, como China, Europa e Estados Unidos.

Leia também: Treme-treme: você sabia que as abelhas sem ferrão “dançam” para se comunicar?

Na Unemat, a pesquisa foi coordenada pelo professor e pesquisador Evandson José dos Anjos, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Rede em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Bionorte) em Mato Grosso.

O principal achado do estudo é que a fauna neotropical inverte ou subverte regras ecológicas tidas como globais, tornando ineficazes as estratégias de conservação baseadas em dados externos.

Entre os contrastes mais notáveis, o estudo de 2.066 espécies de abelhas brasileiras verificou:

Ninhos aéreos ameaçados: Em contraste com a Europa, a China e a América do Norte, onde a maioria das abelhas fazem ninhos no solo, no Brasil, o número de espécies que constroem ninhos acima do solo (em árvores ocas ou cavidades naturais) é de quase 48%, equiparando-se às que criam ninhos em cavidades subterrâneas. Isso implica uma maior vulnerabilidade ao desmatamento  e à perda de grandes árvores.

Inversão no tamanho social: As abelhas eussociais (que vivem em colônia, como as abelhas sem ferrão) são, no Brasil, significativamente menores do que as espécies solitárias. Em outras regiões, a tendência é a oposta. Esta inversão no tamanho corporal é um desafio a modelos estabelecidos e exige estudos específicos sobre as pressões evolutivas no clima tropical.

Domínio da socialidade: A proporção de abelhas eussociais no Brasil é quatro vezes maior que na Europa, um reflexo da estabilidade climática tropical, que favorece o desenvolvimento de colônias perenes.

A força da ciência em rede

A complexidade e a extensão do trabalho, que compilou dados de décadas de coleções científicas, foram possíveis graças ao inédito esforço de cooperação nacional, tema central da discussão dos autores.

“É imperativo dizer que não fazemos ciência sozinhos”, ressalta o professor Evandson Anjos. “Este trabalho é uma reunião de pesquisadores de 30 instituições no Brasil, demonstrando o quanto podemos potencializar a pesquisa quando atuamos em rede”, afirma o pesquisador. “Este é um exemplo de como valorizar o trabalho colaborativo, que consolida dados de muitas décadas que, de outra forma, ficariam inacessíveis nas coleções”, declara Evandson.

Parceria entre 30 instituições consolida base de dados única sobre abelhas brasileiras
Na Unemat, a pesquisa com as abelhas foi coordenada pelo professor e pesquisador Evandson José dos Anjos, coordenador do Programa Bionorte em Mato Grosso. Foto: Moisés Bandeira

O BBTD já está disponível ao público e será continuamente atualizado com novas descobertas e espécies, transformando-se em uma ferramenta fundamental para pesquisadores, gestores ambientais e formuladores de políticas públicas.

Próximos passos

Os resultados do estudo reforçam a urgência de estratégias de conservação e manejo agrícola geograficamente adaptadas. Para a Unemat e as instituições parceiras, o próximo passo é utilizar o BBTD para direcionar futuras pesquisas de campo, focando nas espécies com maior lacuna de dados e nos impactos específicos de mudanças climáticas sobre os polinizadores nos biomas mato-grossenses.

O trabalho evidencia a capacidade da pesquisa brasileira em produzir conhecimento de alto impacto, indispensável para a conservação da biodiversidade global. Integram a pesquisa as universidades da Região de Joinville, de Brasília, de São Paulo, Estadual de Feira de Santana, as federais da Bahia, de Goiás, de Minas Gerais, de Uberlândia, do Pará, do Paraná, do Rio de Janeiro e Rural do Rio de Janeiro, bem como a estadunidense Universidade do Norte do Texas e a britânica Universidade de Oxford.

Além das universidades, o trabalho também integrou os institutos de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Federal de Goiás, Nacional de Pesquisas da Amazônia e Tecnológico Vale, a Amplo Engenharia e Gestão de Projetos, a Unidade Amazônia Oriental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Fundação Oswaldo Cruz, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o Museu Paraense Emílio Goeldi, a empresa pública britânica Natural England, o holandês Centro e Biodiversidade Naturalis e a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Distrito Federal.

*Com informações da Unemat

Atividades extrativistas promovem desenvolvimento sustentável em Resex de Rondônia

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Nas atividades extrativistas desse ano, a produção de borracha já alcançou a expressiva marca de 21 mil quilos coletados. Foto: Thiago Loureiro

Reserva Extrativista (Resex) Rio Cautário, por meio da Associação dos Seringueiros do Vale do Guaporé (Aguapé), mantém de forma contínua a coleta da borracha, atividade tradicional que promove geração de renda, preserva a cultura local e contribui diretamente para a conservação ambiental. A iniciativa conta com o apoio do governo de Rondônia, por meio da Coordenadoria de Unidades de Conservação (CUC) da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), que atua de forma integrada para garantir a continuidade da produção sustentável na unidade de conservação.

Na Safra 2025–2026, que se inicia em um ano e se estende até o seguinte, a produção de borracha já alcançou a expressiva marca de 21 mil quilos coletados. Desse total, aproximadamente 10.700 quilos encontram-se armazenados e aguardam envio à empresa compradora, enquanto cerca de 10.200 quilos foram coletados na primeira etapa da safra, realizada no mês de julho. A coleta do látex ocorre duas vezes ao ano, com a segunda etapa prevista para o final do ano. 

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A expectativa é de que mais de R$ 260 mil sejam repassados às famílias extrativistas participantes da safra, fortalecendo a economia local e reafirmando a importância do extrativismo como atividade sustentável e essencial para o desenvolvimento socioambiental da região. A Reserva Extrativista Rio Cautário é composta por sete comunidades extrativistas, que se mobilizam de forma integrada durante os períodos de coleta para a junção e posterior comercialização do produto. Somente na comunidade Canindé, foram coletados aproximadamente 4 mil quilos durante a segunda etapa da safra.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, fortalecer a atividade extrativista serve como estratégia para promover o desenvolvimento sustentável às comunidades tradicionais.

“Trabalhamos dando suporte a iniciativas que unem preservação ambiental, valorização cultural e geração de renda. A coleta da borracha na Reserva Extrativista Rio Cautário é um exemplo de atividade tradicional que respeita a floresta e fortalece as famílias que vivem da produção sustentável”, enfatizou.

Leia também: O impasse amazônico: como construir a terceira natureza e promover o desenvolvimento sustentável da região

O dinheiro arrecadado será distribuído para as famílias extrativistas participantes da safra, fortalecendo a economia local.
O dinheiro arrecadado será distribuído para as famílias extrativistas participantes da safra, fortalecendo a economia local. Foto: Thiago Loureiro

Atividades extrativistas são sustentáveis

O coordenador da CUC, Daniel Santos de Souza, ressaltou a importância do extrativismo sustentável. “A coleta do látex para a produção da borracha é uma atividade de grande relevância socioambiental, pois garante o sustento das famílias extrativistas e contribui diretamente para a manutenção da floresta em pé. A iniciativa reforça o papel do extrativismo sustentável como um instrumento estratégico para a conservação da biodiversidade amazônica e para o fortalecimento das economias tradicionais, alinhando proteção ambiental e desenvolvimento social.”

Segundo o secretário da Sedam, Marco Antonio Lagos, a gestão estadual atua de forma permanente no fortalecimento das atividades extrativistas realizadas nas unidades de conservação do estado.

“A atuação da Sedam está voltada ao monitoramento e ao apoio técnico das atividades desenvolvidas nas unidades de conservação. Na Reserva Extrativista Rio Cautário, a coleta da borracha ocorre de forma planejada e sustentável, assegurando que a atividade gere benefícios socioeconômicos às famílias extrativistas sem comprometer a integridade ambiental da área”, salientou.

*Com informações do Governo de Rondônia

Porto de Honra da ACA reúne expressiva representação das classes empresariais do Amazonas e anuncia guia tributário

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Foto: Paulo Pereira

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Na noite de quarta-feira, 17, a Associação Comercial do Amazonas (ACA) promoveu seu tradicional “Porto de Honra”, oportunidade em que a entidade celebrou o encerramento das atividades do ano. O evento contou com a presença de extensa lista de diretores e associados, empresários, presidentes de sindicatos, autoridades civis e militares. Além do presidente Aderson Frota, da Fecomércio, dos ex-presidentes Jorge Lima, Ataliba David Antonio Filho e Gaitano Antonaccio, presidente por dois mandatos e membro do Conselho Superior da Casa.

Antonaccio, na oportunidade recebeu justa menção e o reconhecimento do presidente Bruno Loureiro pelos relevantes serviços prestados à classe. Também homenageado o ex-diretor da ACA Ambrósio Assayag, a quem a ACA dedicou uma placa de homenagem por sua constante atuação em favor dos interesses do setor comercial amazonense. O relatório de atividades do exercício 2025 foi apresentado em vídeo pelo vice-presidente Paulo Couto, 40 anos dedicados à Associação. Merece destaque a performance da banda de flautas dos alunos do Colégio da Polícia Militar.

O Porto de Honra, de origem portuguesa, por força da comunidade Luso Brasileira, fundadora da ACA, faz parte de seu calendário há mais de cem anos. Trata-se de um momento de confraternização e de comemoração das conquistas realizadas a cada final de exercício. Destacando-se a celebração, no dia 18 de junho, dos 154 anos de fundação da entidade marcados por ininterruptos trabalhos realizados em prol do segmento comercial, de serviços e da sociedade em geral, com ênfase à sua ativa participação no movimento pela criação da Zona Franca de Manaus e como colaboradora na condição de Órgão Consultivo dos governos federal, estadual e municipal. Como enfatiza o presidente Bruno Loureiro Pinheiro, “construindo, fortalecendo relacionamentos e desenvolvendo ações em favor do desenvolvimento social e econômico de nossa terra”.

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reuniao aca amazonas fim do ano 2025
Foto: Paulo Pereira

Bruno Pinheiro, na ocasião, ressaltou a aprovação pela Câmara dos Deputados, segunda-feira, 15/12, do texto base do projeto de regulamentação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (PLP 108/24), o qual estabelece normas operacionais sobre a Reforma Tributária essenciais à segunda fase do novo sistema tributário do país. Em relação ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e ao Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), define regras cruciais sobre fiscalização, penalidades e repasse de receitas para estados e municípios, já aprovado no Congresso e aguardando sanção presidencial. O Comitê Gestor, pela regulamentação do PLP 108/24, será uma entidade pública sob regime especial, com independência técnica, administrativa, orçamentária e financeira.

O Conselho Gestor do IBS (CG-IBS) será composto por 54 membros, divididos paritariamente entre as esferas estadual e municipal. A bancada dos estados e do Distrito Federal terá 27 membros, os quais serão indicados diretamente pelos governadores. Já a bancada dos municípios será composta por eleição de 14 membros que representarão a maioria numérica dos municípios (pequenas e grandes cidades), e 13 membros via eleição por voto ponderado, representando os grandes centros urbanos e capitais (Manaus incluída). Embora tenha sede permanente em Brasília, o Comitê não pertence a nenhum estado, atuando como uma autarquia federativa. Vale salientar, de acordo com o Guia da ACA, que a arquitetura decisória do CG-IBS foi o ponto onde houve maior discussão política no curso da tramitação por gerar forte disputa entre grandes e pequenos centros populacionais.

O Guia Tributário da ACA, de responsabilidade do diretor da entidade, advogado Pedro Câmara Junior, destaca, como principais pontos do PLP 108/2024:

  • Comitê Gestor do IBS (CG-IBS), órgão responsável por gerir o IBS, imposto que substituirá o ICMS e o ISS;
  • Regulamentação do IBS: define as regras de contencioso administrativo, devolução de créditos, uso de fundos e operacionalização do “split payment”;
  • Regulamenta o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação): uniformiza suas regras, afetando heranças e doações, com foco em estruturas patrimoniais e sucessórias;
  • Imposto Seletivo (IS): estabelece limites para o imposto sobre produtos específicos, como bebidas açucaradas (teto de 2%);
  • Fiscalização e Contencioso: institui a Câmara Nacional de Integração do Contencioso do IBS e CBS para resolver divergências;
  • Competência Municipal: Dá lastro legal à Contribuição para Iluminação Pública (COSIP), incluso monitoramento de segurança.

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ribeirinhos ficam isolados no Amapá após seca na foz do Rio Amazonas

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Um ano após moradores cavarem o Canal do Livramento, na foz do Rio Amazonas, comunidades do arquipélago do Bailique, em Macapá, voltaram a ficar isoladas por conta da seca. Foto: Divulgação/Setrap

Um ano após moradores cavarem o Canal do Livramento, na foz do Rio Amazonas, comunidades do arquipélago do Bailique, em Macapá (AP), voltaram a ficar isoladas. A seca e o assoreamento impediram o deslocamento dos ribeirinhos, que dependem de barcos para chegar à escola, pescar e trabalhar.

O problema é recorrente e piora na estiagem. A maré não sobe o bastante e, com o canal estreito, os barcos não conseguem passar.

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Vídeos feitos por moradores mostram áreas que antes eram rio e hoje viraram lama e vegetação. Em uma gravação, um morador aparece caminhando na lama com uma mala até alcançar o rio. Só barcos pequenos, como a rabeta, conseguem chegar perto — e apenas quando a maré ajuda.

As comunidades afetadas incluem Ponta da Esperança, Capinal, Arraio, Livramento, Ilha das Marrequinhas, Equador, Campos do Jordão, Maranata, Igaçaba, Ponta do Bailique, Igarapé do Meio, Franquinho, Macedônia, Progresso e Freguesia.

Zeth Serges mora no Livramento, a área mais crítica, onde a seca já atinge seis quilômetros. Ela participou do mutirão que cavou o canal em outubro do ano passado e conta que já viu alimentos ficarem pelo caminho porque os barcos não conseguiam seguir viagem.

“Já vi famílias com caixas de peixe que não conseguiam passar. Às vezes, precisam deixar tudo na praia. O mesmo acontece com barcos cheios de melancia ou banana, que ficam presos e não chegam a Macapá”, disse Zeth.

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O secretário de Transportes do Amapá, Marcos Jucá, disse que dragas trabalham desde o ano passado para alargar o canal e retirar sedimentos.

Segundo ele, o fenômeno da seca nessas proporções nunca tinha sido registrado no Bailique. Por isso, foi preciso estudo técnico. A dragagem começou em junho de 2025 com investimento de R$ 9 milhões do Governo Federal.

O assoreamento chega a 11 quilômetros. Cinco já foram dragados, entre Arraio e Livramento. Agora as equipes avançam até o Igarapé Grande, com um quilômetro concluído.

“Podemos terminar em três meses, mas não sabemos como o material vai se mover no próximo inverno. Hoje só barcos pequenos passam na maré alta. Na baixa, nada passa. Usamos uma escavadeira anfíbia e uma draga para abrir o canal”, disse Jucá.

Na terça-feira (16), uma embarcação levou 100 mil litros de água potável e 2.250 cestas básicas ao Bailique. A entrega faz parte das ações de ajuda humanitária.

Serviço de dragagem na Foz do Rio Amazonas para evitar seca
Serviço de dragagem na Foz do Rio Amazonas para combater a seca. Foto: Divulgação/Setrap

Seca e as mudanças climáticas no Bailique

O Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (Iepa) monitora o Bailique há mais de 40 anos com imagens de satélite. O pesquisador Orleno Marques afirma que a dragagem precisa acompanhar toda a extensão do canal.

Ele defende também um estudo de balanço sedimentar para entender como o material retirado será redistribuído e evitar que volte a assorear o canal.

“É preciso monitorar junto com a dragagem e fazer a modelagem do sedimento. O material retirado de um ponto acaba sendo depositado em outro. Sem esse controle, o problema retorna. Também é necessário pensar no futuro: em alguns casos, pode ser preciso deslocar comunidades. Quando o canal assoreia, os moradores deixam de ser ribeirinhos e perdem acesso ao rio, o que afeta sua identidade”, disse Marques.

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Os estudos do Iepa classificam o Bailique como uma região frágil diante das mudanças climáticas, por estar em área costeira.

“O ambiente costeiro é um dos mais vulneráveis. Alterações no regime de chuvas e no nível do mar intensificam os fenômenos na região”, explicou o pesquisador.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP